sexta-feira, 2 de maio de 2008

Consuma feijoada com moderação



Um feijão acompanhado de lingüiça, orelhas e mocotós de porco, couve e arroz. Para completar, há aqueles que não dispensam a tradicional caipirinha como acompanhamento. Esse imenso prazer à mesa tem como protagonista a feijoada, sempre motivando confraternizações. No entanto, por ser um alimento de alto valor calórico, há cuidados que devem ser tomados.

Para os historiadores, a feijoada está diretamente ligada à presença do negro em terras brasileiras. Resultado da fusão de costumes alimentares europeus e da criatividade do escravo africano, fez com que beirasse à unanimidade no paladar do brasileiro.

Contudo, a mistura de tantas carnes, sobretudo partes com gorduras saturadas, a exemplo do toucinho, torna-se um risco à saúde, principalmente para quem apresenta um quadro de colesterol elevado. Cair em tentação, nesse caso, pode ter sérias conseqüências, já que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares.

O alerta é da professora do curso de Ciências da Nutrição, mantido pela Universidade de Fortaleza (Unifor), Eliane Mara Viana Henriques, que chama a atenção para os excessos da gordura saturada que podem e devem ser evitados, sem prejuízos para o sabor do prato que se classifica como símbolo da culinária nacional.

Segundo Eliane Mara, o ideal é que se substitua as carnes, inclusive lingüiças e vísceras, por outras com menor quantidade de banhas e tecidos adiposos. Isso não apenas reduz os riscos à saúde como favorece, conforme observa, a digestão, levando em conta a temperatura quente da região.

“Na verdade, a feijoada é uma comida que popularmente se chama de pesada. Mas o fato é que pode ser mais light, mantendo o sabor de seus principais ingredientes e dispensando aqueles que detêm mais gorduras”, ressalta a professora.

Para Eliane Mara, somente o feijão já possui um grande valor alimentar, pelo fato de reunir proteínas e carboidratos. “Com o arroz, torna-se um alimento quase completo para a mesa do brasileiro”, ressalta a nutricionista.

Prato é uma herança dos escravos

A fusão do feijão com diferentes tipos de carne é uma herança dos escravos. Na senzala, eles aproveitavam as sobras dos alimentos desprezados pelos senhores da casa-grande. Nas regiões das minas de ouro (Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso), como o escravo ficava totalmente absorvido pela busca do ouro e dos diamantes, e sem disponibilidade para cuidar de sua própria comida, os mantimentos vinham de outras regiões (litoral paulista e carioca) carregados nos lombos dos animais, daí a origem do famoso ´feijão tropeiro´, indicando a forte apreciação nacional pelos pratos feitos à base de feijão. Naquela época, a refeição dos escravos de Diamantina era composta basicamente de fubá de milho, feijão e sal. Assim, o feijão misturado com farinha de mandioca ou fubá grosso de milho virou prato tradicional naquela época. Pouco depois, acrescentou-se a este prato a carne, fundindo o apreciado cozido português. Diversos tipos de carne e legumes, cozidos, com o já adotado feijão, toucinho e farinha. Estava feita a feijoada. Hoje, a feijoada costuma ser servida acompanhada de couve refogada com alho, arroz branco, farofa e molho de pimenta.

Fonte: Diário do Nordeste

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