Brasília. Um dos últimos mitos do PT deixou o Governo Lula na última terça. A ministra do Meio Ambiente Marina Silva volta para o Senado, onde espera poder exercer com mais independência seu papel de defensora da Amazônia, da Ecologia e das causas sociais. A ex-ministra, que vem de uma família humilde e tem identificação com os seringueiros da Amazônia, deve ter uma atuação independente no Congresso Nacional, como o senador paulista Eduardo Suplicy, que nem sempre vota com o Governo Federal. Ela tem nas veias a radicalidade do amigo Chico Mendes.
Presidente da Sociedade Nordestina de Ecologia, Marcelo Mezel, diz que se surpreende de Marina ter ficado tanto tempo no Governo Federal. ´Há muito tempo que as opiniões dela não prevalecem. Sempre ela saia perdendo para outros ministros desenvolvimentistas. Não sei como ela ficou tanto tempo no cargo´, diz ele.
Marina enfrentou pressões durante sua gestão para permitir a importação de pneus usados, a favor da liberação dos transgênicos, pela ampliação das áreas desmatadas para cultivo. Além disso, teve dificuldades para ter apoiados novos projetos de legislação ambiental. E teve de acolher projetos criticados por ambientalistas como a transposição do Rio São Francisco.
Desmentido
A ex-ministra desmente que tenha deixado o cargo em razão de o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Mangabeira Unger, ter sido escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS). Mas, ela admite não ter sido consultada sobre a indicação. ´Meu gesto não é em função do doutor Mangabeira. É uma questão de que você vai vendo um processo que cumulativamente as coisas estão andando, estão acontecendo e você percebe que começa a haver uma estagnação. E aí criar um novo acordo, com novo ministro (é a solução)´, disse.
FIQUE POR DENTRO
Marina do PT começou carreira como vereadora
Maria Osmarina Silva de Lima, a Marina do PT, mais tarde, Marina Silva, 44, começou sua carreira política nas Comunidades Eclesiais de Base, ligada à Igreja Católica. Em 1988 foi eleita vereadora de Rio Branco (AC). Dois anos depois, se elegeu deputada estadual e, em 1994, aos 38 anos, chegou ao Senado como a mais jovem senadora do país. Formada em História pela Universidade Federal do Acre, em 1985, Marina aprendeu a ler já adolescente ao se mudar para Rio Branco onde foi tratar uma hepatite. Marina tem quatro filhos, Shalon, Danilo, Moara e Mayara.
Jornal Diário do Nordeste
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