A manipulação de plantas medicinais em suas diferentes formas terapêuticas está mudando a vida de 556 famílias do município de Campos Sales, no Cariri Oeste. As famílias recebem o auxilio da Organização Não-governamental do Bairro Guarani, que fabrica e distribui remédios manipulados para a comunidade. São xaropes, complementos alimentares e sabonetes que ajudam no tratamento de algumas doenças comuns como gripe, verminoses e desnutrição.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2005, e tem como principal objetivo, fornecer remédios alternativos com um custo mais acessível à população carente. Atualmente, 10 famílias da comunidade trabalham na manipulação dos remédios, com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce) e da Pastoral da Criança.
A iniciativa está dando certo na comunidade. Segundo a coordenadora da Ong, Francisca Pereira Alencar, o projeto teve início a partir das necessidades das famílias carentes e do alto consumo de medicamentos nas farmácias. “Fizemos um diagnóstico sobre este problema com a comunidade que apontou como sugestão, à produção dos remédios fitoterápicos. De início, tivemos a orientação da Ematerce e da Pastoral da Criança que passaram conosco a capacitar as famílias envolvidas, afim de que elas mesmas manipulassem estes medicamentos”, afirmou Francisca Alencar.
Para receber o medicamento não é necessário que a pessoa seja cadastrada no projeto. Além das famílias diretamente beneficiadas, os medicamentos são destinados a toda comunidade em um sistema de permutas. “Já atendemos a mais de três mil famílias. Quando uma pessoa chega doente ou tem alguém em sua família, trocamos o xarope por alguma semente, por exemplo, melancia ou girassol. Com essa troca podemos ajudar a população e não falta matéria prima para a manipulação” acrescenta Francisca.
A comercialização dos produtos é feita pelas próprias famílias cadastradas no projeto. Os medicamentos mais procurados pela comunidade são os xaropes bronco dilatador e anêmico, o complemento alimentar e o sabonete de aroeira. As despesas do laboratório chegam a R$ 600,00 e são pagas com o dinheiro das vendas dos produtos.
Jornal do Cariri
Editoria de Cidades
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