agora que os lábios se arquearam
e meus olhos são dois lagos salobros
posso dizer que não pude cruzar a ponte
e beber poesia na própria fonte
fantasma
tangenciei as sombras de tuas palavras
mas poderia ser pior
um abismo poderia prenhe de trevas
abrir sua boca de infinitas horas
e eu não passar de mais um
que ao fim chega carregado
por duros braços alheios
o mínimo atravessou-me a porta
conduzido pela mão de um poeta
afugentou a solidão e o escuro
o destino de ser completamente oco
numa terra desolada
Chagas, bela poesia, mais uma daquelas que parecem ser feitas para serem lidas numa manhã de sábado.
ResponderExcluirCarlos, esse poema surgiu da seguinte idéia: e se chego aos 75 sem ler T. S. Eliot em sua própria língua? O que eu diria, se me fosse possível lhe dizer alguma coisa? "O destino de ser completamente oco numa terra desolada" faz uma referência aos poemas "os homens ocos" e "A terra desolada" que li numa tradução do poeta Ivan Junqueira.
ResponderExcluir"Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!" (Eliot)
Bom sábado.