domingo, 10 de outubro de 2010

Fundamentalismo nas eleições

Com um artigo na Folha de São Paulo – O Fundamentalismo nas Eleições – o jornalista Jânio de Freitas disse: “Na essência, o fundamentalismo que aqui se torna eleitoral tem a ver com o papel subalterno que as religiões médio-orientais e ocidentais atribuem à mulher. Esse ser que nem na arca de Noé teve um lugar, não teve um lugar entre apóstolos e não foi convidada à última ceia. Nasce com as impurezas que a fazem incapaz para o sacerdócio e, ainda hoje, deve esconder-se do mundo sob véus e burcas e hábitos, quando não é apedrejada pelos castigos que isentam os homens. Nesse tratamento aos considerados filhos de Deus, o fundamentalismo encontra no aborto o crime de homicídio na promessa de pessoa que é o feto. A vida acima de tudo. Não, porém, a vida da mulher que não quis ou nem pode ter o encargo de um filho e, entregue à solução única do aborto precário, perde a vida aos milhares e milhões. É vida de mulher, só.

Por uma porta secundária o tema do aborto acaba por revelar uma grande novidade, que parece ter se escondendo entre PT e PSDB, entre Lula e FHC, entre Serra e o machismo militante: uma mulher tem, pela primeira vez no Brasil, a real oportunidade de ser Presidente da República. E isso vai depender desta mulher saber conquistar os corações da maioria dos brasileiros. Afinal estamos num patamar superior da evolução política. Não pela Dilma como personagem, mas pela mulher como essência da humanidade.

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