
É tempo de quentura fria
Quero ver-te para contigo cear
nunca parar
nunca sumir
e estar em ti
feito vulcão
como pluma
bruma, brisa e furacão
É tempo de fervura
de ousadia e luminura
Lapinhas, limão, laranja, cachaça
reisado, sanfona, zabumba
caretas, catirinas, mateus e bois-bumbás
É tempo
de renovar o sagrado
profanando-o com a nossa alegria devota e insubmissa
Somos de vento
pó, pedra, água, luz, sal, borra, floresta e deserto
Que
se faça o grito
se desenhe o rito
se acorde o sonho
manifeste o punho
Nosso barco
veleja, viceja, peleja, combate
e almeja atracar no cais da dignidade
O caminho
da paz é minado
O templo
dos falsos profetas
conserva o pecado e os pecadores
para alimentar a existência dos deuses, da exploração e do sacrifício
O tempo do amor
faz das infinitas horas de choro e sangue
orações em favor de uma era de igualdade
Remaremos nós
náufragos da sorte
em canoa afoita rio acima
bravos e heróicos em busca do beijo da felicidade
Cacá Araújo
Natal do Ano 2010
Crato-Cariri-Ceará-Brasil
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