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domingo, 22 de junho de 2008

UM VENTO COM SAUDADE DO PÉ DA SERRA DO CRATO

"Eu sou...sou...eu sou um matuto...sou um matuto do da serra do Crato". E num ritmo discursivo, com pausas centenárias, completou sua homenagem concentrada, composta por três períodos apenas: "Ela foi quem me ensinou. O vento que circula no da serra do Crato é um vento com saudade do mar". Em seguida com a voz tolhida pelo choro retornou ao assento em que se encontrava. Alemberg, com a cabeça baixa e suas lágrimas formando um pequeno lago sobre as lentes dos óculos. Era uma saudade que não dispersava, sobretudo recolhia volume.

Na porta da pequena capela do Memorial do Carmo, o Rio de Janeiro era contemporâneo como o é. Por trás um grande vai e vem de policiais militares, helicópteros sobrevoando a área, a Avenida Brasil caudalosa, contraditória entre um Mercedes Benz conversível e as favelas de suas laterais. Na porta, enquanto esperávamos, o professor Cândido Mendes se espantava: eu não tinha consciência do quanto Violeta era conhecida no Rio de Janeiro. Cândido era um amigo da militância da juventude universitária católica dos idos dos anos cinqüenta de Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau.

Um destaque para Bia Lessa. Desde os momentos críticos do CTI como uma mini deusa, sabendo que poderes não tinha para mudar o curso mortal, mas querendo para a amiga um final de dignidade. E que dignidade era essa? A humanidade de Violeta. Naqueles dias mesmo a pequenina, miudinha, quase nada, Bia tinha dado um valor estético inusitado para a campanha da moda no Fashion Rio. Mas no dia seguinte ela dizia: com um país feito o nosso aquilo não é nada. Era Bia e você esteve na altura de quem a conhece, de quem vai muito longe, pois sabe que o horizonte que esconde não é fim em si, é apenas a curvatura do cosmo.

Entre os depoimentos, ouviram-se os dos filhos. São depoimentos, em quaisquer circunstâncias, muito especiais. Lendo texto de São Francisco de Assis, Eça de Queiroz pela voz de um deles ou o mais jovem reconhecendo que o abandono que a militância da mãe lhe parecera era apenas o processo do encontro dele mesmo com a humanidade. Maria Benigna, Henri e Jean Paul, ao lado de um sofrido Pierre Gervaiseau. Pierre é um europeu muito disciplinado, sabe bem das dificuldades terceiro mundistas, mas por vezes quer uma resposta mais direta deste povo, quem o conhece pode imaginá-lo irritado naqueles embates. Não é bem assim e neste momento tem uma grandeza de compreensão e paciência própria de quem as possui.

Quando a família abriu os depoimentos aos amigos, Turíbio Santos trouxe o depoimento pela interpretação de Villa Lobos. Uma arte apropriada àquela brasileira que pertence a um povo que tantos violonistas teve e entre eles este que tem nome ruidoso, inquieto mesmo. Mas este nome grego, Turíbio, recebeu a bênção de um candomblé sincrético, aquele de todos os Santos.

Almino, um intelectual de peso, escritor sólido, com a difícil missão de conduzir a Casa Ruy Barbosa do Ministério da Cultura, enfim uma pessoa importante. Sai do seu assento em que se encontrava e andou como um humílimo camponês. Posou com a leveza de uma ave sertaneja e do galho em que estava, extraiu a síntese da relação com a tia, repetindo a oração do anjo da guarda, verso a verso, enquanto o professor Cândido Mendes lhe fazia eco. Nisso veio pela capela, como se fazia naqueles terreiros de cantadores, um homem e seu violão. Sentou-se num banco que às pressas lhe deram e tocou uma linda canção, música de seu filho e letra dele, que falava do sertão, do nordeste, destas eternidades que entram como categoria do todo. Caetano Velloso ainda retornou e repetiu, ao final da cerimônia e abriu a voz com: no meu cariri quando a chuva não vem/ Não fica ninguém somente Deus ajuda/ Se não vier do céu/ Chuva que nos acuda/ Macambira morre, Xique-xique seca, Juriti se muda. ...E em seguida Caetano cantou: apenas a matéria vida era tão fina.

A política nacional, da qual Violeta é matéria, não esteve como mera presença. Apenas oportunidade de mostrar-se. O governo de São Paulo deslocou membros seus, entre aqueles de maior expressão nacional, mas todos com um vínculo pessoal com Violeta: Aloísio Nunes Ferreira e Alberto Goldman. Carlos Augusto e Guel Arraes com suas esposas desde sempre ao lado da tia, estiveram como lembrança do grande amor que ela lhes tinha, sei que sabem, mas fica mais evidente quando dito por um terceiro que sozinho com ela tomou conhecimento de tal. Cacá Digues trouxe duas faces, aquela do nordestino universal igual Violeta e a outra de Nara que se tornou uma espécie de anjo sublime dos dias após em que Violeta ficou sem a amiga. E tantas pessoas fortes do universo estelar de Violeta entre elas, nestas falhas memórias, a Maria Elisa e a Cristina. E o Amir Haddad que entrou silencioso, como um personagem do seu teatro de rua, quase sem falar com ninguém, veio até a amiga, a fixou por algum tempo e, terminada a cerimônia, foi-se.

O texto central da cerimônia foi a narrativa do contexto histórico de Violeta na visão do professor de filosofia, diretor do museu de arte moderna, ex-dominicano, humanista e pensador Blanquart. Um ser como a humanidade de vez em quando extrai de seu movimento. Um francês que filosofa com o corpo, aliás isso é bem francês, poderia ser de quem da filosofia extraiu uma imensa revolução social, política e econômica e desta resulta o seu modo de capturar a vida nos séculos XIX e XX. Lendo em francês enquanto Cândido Mendes relia em português, aquele texto deveria retornar para o nosso silêncio reflexivo quando os fatos podem se alongar mais do que momentos.

Para completar Violeta o padre que realizava a cerimônia. Era um homem vindo dos sertões de Pernambuco, largado na periferia do Rio de Janeiro, junto ao ministério de capelas esquecidas. Recebeu a incumbência do ofício assim como uma rotina de sua vida. Por todo o tempo em que oficiava sua rotina se mantinha. Mas a partir de um certo momento, parece ter reconhecido Cândido Mendes, Alberto Goldman e Caetano Velloso e como ele mesmo humildemente repetiu: a ficha lhe tinha caído. Oficiava uma cerimônia para alguém muito importante.

Mas de todas as importâncias que pude extrair, uma que todos sentimos, mas talvez algumas pessoas do Crato não saibam. O quanto Violeta levou o nome desta cidade para a cultura brasileira. Talvez na cidade "tenha caído a ficha" do quê ela representou para si. E falo deste "" por saber que não é incomum que pessoas se alienem da sua própria realidade, cultivando um individualismo utilitarista que as reduz ao invés de ampliá-las.



sábado, 21 de junho de 2008

José Bezerra, pacificador - por José Jezer de Oliveira

A crônica abaixo – sobre José Bezerra de Menezes – foi publicada no jornal “Ceará em Brasília” nº. 191, maio de 2008. Focaliza a figura de um honrado cidadão nascido em Crato: o patriarca da família Bezerra de Menezes, de Juazeiro do Norte, José Bezerra de Menezes. Sobre ele, assim escreveu, também, o jornalista Temístocles de Castro e Silva: “A família Bezerra de Menezes deve sua projeção e seu prestígio, no século XX, ao seu patriarca José Bezerra de Menezes, que conquistou o respeito e a admiração de sua gente pelo acendrado amor ao próximo e profundo sentimento de solidariedade humana”.

José Bezerra, pacificador
por José Jezer de Oliveira (*)

José Bezerra de Menezes foi figura emblemática na vida social, política e empresarial da cidade de Juazeiro do Norte, encravada no coração do Cariri. À exceção do Padre Cícero, ninguém ali o excedia em respeito, prestígio e admiração conquistados perante os seus concidadãos, mercê das virtudes morais de que era titular e de qualidades outras que o distinguiam como cidadão.
Dotado de extraordinário espírito de solidariedade humana, era sempre solicitado a intervir em conflitos dada a maneira serena com que administrava os ânimos das pessoas em desavença. E as suas ponderações e conselhos eram comumente acatados. No Juazeiro, só não foi o que não quis ser ou o que, por impedimento legal, não pôde ser: Juiz, por exemplo. Mesmo assim, muitas de suas atitudes assemelhavam-se, de fato, às de um “juiz da paz”, tanto é que, carinhosamente, lhe atribuíram o titulo de “Pacificador”.
Pecuarista, agricultor, empresário, banqueiro, foi, também, prefeito, vereador e delegado de polícia, bem sucedido em todas essas atividades, mercê da invejável visão prática que tinha das coisas, o que, sem dúvida, deu-lhe o necessário suporte psicológico para o exercício de cada uma delas da maneira mais justa e equilibrada possível. Com respeitável paciência que lhe era peculiar, soube encaminhar os filhos nos negócios, preparando-os, ao mesmo tempo, para ingresso na política. Tanto em uma quanto em outra atividade se houveram com extraordinário êxito.
Na política, Leandro, o mais velho dos filhos homens, foi o primeiro a disputar cargo eletivo. Foi vereador. Morreu cedo, antes de alçar vôos mais altos. Em seguida, os gêmeos Adauto e Humberto, oficiais do Exército, seguidos por Orlando e Alacoque, estendendo-se à geração dos netos, um deles atualmente deputado federal, José Arnon. Todos conquistaram os mais expressivos postos na vida política: Orlando, prefeito, deputado estadual, deputado federal; Humberto: prefeito, deputado federal, Secretário de Estado, vice-governador; Adauto: deputado estadual, vice-governador, governador, deputado federal; Alacoque: Senadora da República.
Em José Bezerra de Menezes a prudência se sobressaía como um dos traços mais marcantes da sua personalidade.
Um só episódio é o bastante para evidenciar essa qualidade nele reconhecida pela gente do Juazeiro. Era ele delegado quando chegou a informação de que um bêbado estava armando a maior confusão em um bar da cidade. Chamou dois soldados da polícia e ordenou-lhes que conduzissem o homem à sua presença, recomendando-lhes, porém:
Vão lá e tragam o homem. Mas tragam com jeito. – E se ele não quiser vir? – indagou um dos policiais.
Com mais jeito ainda – respondeu José Bezerra.
Em seguida, virando-se para um amigo que estava ao seu lado:
Se eu dissesse: de qualquer jeito, eles iam trazer o homem morto.
Em uma de suas idas ao Crato, a negócio ou em visita a parentes, encontrou-se com Moacir Mota, gerente da agência do Banco do Brasil, a única da região do Cariri, e que o abordou com a notícia de que já existiam recursos disponíveis para empréstimo na Carteira Agrícola do banco.
Seu Moacir, isto é um namoro! – observou José Bezerra, acrescentando:
Na hora de assinar o contrato é o casamento. No momento da quitação do empréstimo é o parto. Sou eu que estarei sentindo as dores e não o gerente do banco! Muito obrigado por sua informação.

(*) José Jezer de Oliveira é cratense. Jornalista, ex-presidente da Casa do Ceará, em Brasília e membro do Instituto Cultural do Cariri onde ocupa a Cadeira Ministro Colombo de Sousa.

NOTÍCIAS DO DOMINGO


244 ANOS DA CIDADE DE FREI CARLOS
Crato foi fundado em 1740 por um capuchinho, nascido na Itália – Frei Carlos Maria de Ferrara – com o nome de Missão do Miranda, local de aldeamento dos índios Cariris. Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à vila homônima da Região do Alentejo, em Portugal. Ontem – 21 de junho – Crato comemorou 244 anos de sua elevação à categoria de vila. A foto acima mostra Crato no primeiro quartel do século passado.

CRATO E OSNABRÜCK
A cidade de Osnabrück – onde está sendo realizada a 3ª Conferência Mundial de Geoparks – guarda algumas semelhanças com Crato. Osnabrück tem 160 mil habitantes, e é a terceira maior cidade do Estado da Baixa-Saxônia. É uma cidade universitária, sede de diocese e sede da Fundação Federal Alemã para o Meio Ambiente. Já o Crato tem a Chapada do Araripe e a reserva ecológica do Fundão. Se um dia tiver força política poderá alcançar o atual estágio de Osnabrück...

PADRE ÁGIO
Já chegaram os exemplares do último livro escrito por Monsenhor Ágio Augusto Moreira, com o título “Preciosismo Sangue de Cristo”. A obra foi editada graças ao apoio de Dom Fernando Panico. Mons. Ágio criou e mantém a Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), onde 200 alunos – filhos de agricultores do sopé da Chapada do Araripe, município de Crato – aprendem técnicas e teorias musicais. Nas horas vagas Mons. Ágio escreve livros. Já publicou: “O cajueiro”,Memória da Solibel” (dois volumes) e “Padre Davi Moreira, vida e obra”. O próximo já está pronto: “Tratado das almas do purgatório”.

BASÍLICA CARIRIENSE
Padre Paulo Lemos ultima os preparativos para a cerimônia de sagração da Basílica de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte, a ocorrer no próximo dia 15 de setembro. Já está pronto o brasão das armas do Vaticano, confeccionado em bronze, que será colocado na fachada do templo. No interior da igreja serão colocados os desenhos dos escudos do Papa Bento XVI e de Dom Fernando Panico, conforme o cerimonial das basílicas menores. A pintura geral do templo só será iniciada no próximo mês de agosto.

GEOPARKS
André Herzog – ex-reitor da URCA e atualmente assessor da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (SECITECE) – encontra-se em Osnabrück, na Alemanha, participando da 3ª Conferência Mundial de Geoparks. O evento começa hoje, 22, e será encerrado no próximo dia 26. Herzog é membro do Conselho Científico dessa 3ª Conferência. O Estado do Ceará enviou uma proposta (que será analisada durante a conferência) reivindicando a Região do Cariri como sede da 4ª Conferência Mundial de Geoparks, a ser realizada em 2010. Abaixo, dois tópicos da bem elaborada proposta do governo do Ceará:

TÓPICO 1
“O Cariri possui a maior reserva fossilífera do mundo. Uma prova concreta de que essa vocação abriga importantes riquezas que vem de milhões de anos. E não são somente
tesouros arqueológicos que o Sul do Ceará guarda. A região também se destaca pela diversidade cultural e artística; pela exuberância da natureza e o crescente desenvolvimento econômico. Com uma população que já ultrapassa um milhão e duzentos mil habitantes, ocupando um território de 27% do Estado, o Cariri está localizado em uma posição bastante privilegiada, fazendo divisa com os Estados de Pernambuco, Paraíba e Piauí, estando, praticamente, eqüidistante às principais capitais nordestinas”.

TÓPICO 2
“A riqueza cultural é uma marca do Cariri. A pluralidade artística faz dessa região um pólo produtor de diversos tipos de manifestações: os versos do cordel, os desenhos
talhados na matriz das xilogravuras, as esculturas em madeira, argila. Em Juazeiro do Norte, o Centro Cultural Mestre Noza abriga artesãos de vários municípios, além de promover a exposição permanente dessas obras. Em Nova Olinda, o Museu do Homem Kariri, integrado à Fundação Casa Grande, expõe peças que resgatam a história dos primeiros habitantes da região.
Em Barbalha, acontece uma das mais tradicionais manifestações populares do Nordeste: a Festa de Santo Antônio ou, como é popularmente conhecida, a “Festa do Pau da Bandeira”. Milhares de fiéis vão às ruas para homenagear o padroeiro da cidade e também para acompanhar o desfile de um grande tronco de madeira, medindo mais de 20 metros, que é carregado por centenas de devotos. Sem falar na devoção do seu povo ao Padre Cícero Romão Batista, líder religioso tido como santo, que transformou Juazeiro do Norte no terceiro centro de peregrinação do Brasil”.

CURTAS

– O suplente de deputado Victorio Galli, que é pastor Evangélico da Assembléia de Deus, tão logo assumiu o cargo apresentou um projeto de lei (ora tramitando na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal) com a finalidade de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Quem quiser protestar contra essa insanidade é só entrar no site: www.familia.org.br

– O próximo dia 29 assinalará o 7º aniversário da posse de Dom Fernando Panico como bispo da diocese de Crato. Figura simpática, elegante, simples e atencioso, desde 2001 ele vem interagindo com os seus diocesanos, ao tempo que promove significativas iniciativas na diocese.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Houve mudanças em Cuba? - por Armando Rafael

"Embarcaram na conquista de um sonho, mas só encontraram o pesadelo" - Alina Revuelta, filha de Fidel Castro


A nota a seguir foi publicada no site da revista “Veja”, nesta 6ª feira,dia 20:

“Os ministros de Relações Exteriores dos 27 países membros da União Européia decidiram nesta quinta-feira retirar as sanções diplomáticas que impõem a Cuba. A intenção manifestada pelas autoridades européias é de abrir o diálogo, depois das reformas políticas e econômicas implantadas pelo novo governante cubano, Raúl Castro. Entre as condições que os ministros europeus impuseram ao regime cubano em troca do fim das sanções estão a libertação de todos os prisioneiros políticos, o acesso à internet para todos os cubanos e a permissão da viagem de todas as delegações européias à ilha, reunindo-se tanto com a oposição quanto com os membros do governo. A UE se comprometeu ainda a "destacar perante o governo cubano seu ponto de vista sobre a democracia, os direitos humanos universais e as liberdades fundamentais", e a pedir que se respeite a liberdade de expressão e de informação. República Checa e Suécia foram relutantes em aprovar a medida, argumentando que Cuba deveria melhorar a situação dos direitos humanos antes do fim das restrições”.

Meu comentário:

O Reino da Suécia e a República Checa têm razão. Com muito estardalhaço, divulga-se que Raul, o novo ditador cubano – oriundo da dinastia Castro – promoveu três medidas de impacto em benefício da miserável população da ilha-cárcere. Quais seriam essas mudanças? O povo poderá ter livre acesso aos hotéis de Cuba (antes restrito aos turistas) e poderá comprar, a partir de agora, computadores e telefones celulares. Afinal, Cuba – o ícone das esquerdas jurássicas – deixará de ser o único país das Américas a não dispor desses benefícios.
Entretanto, dói dize-lo, a ilha-prisão continua, no mais, como dantes. Os cubanos – mesmo a minoria que recebe dólares de parentes residentes nos EUA (e, com isso, terá oportunidade de adquirir computador ou celular) continuarão submetidos ao um sistema político autoritário que suprimiu a liberdade de expressão e de imprensa. Continuarão vivendo numa ilha onde é proibida a livre organização política e o direito de ir e vir.
Os avanços excepcionais da social democracia na Europa, nos últimos 50 anos, provam que a democracia é o melhor regime político para promover mudanças sociais que levam à redução das desigualdades.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

VIOLETA ARRAES GERVAISEAU

No Crato a minha família tinha laços estreitos com Maria Benigna Arraes de Alencar e seus filhos. Almina, uma das filhas de Benigna, casou-se com um irmão da minha mãe. Não foram laços formais, foram laços tipicamente de uma época além de festivamente nordestino. Diria, também, que foram lanços construídos além do ambiente familiar. Foram laços humanísticos: laços que se enraízam na vida pessoal, se nutre no dia-a-dia como dinâmica familiar e se põe em perspectiva como um valor geral de um profundo humanitarismo.

Todos os filhos de Maria Benigna praticavam um catolicismo progressista. Tinham o senso medular da solidariedade pessoal e social. Foram e ainda são livres para pensar de modo diferente das arcaicas elites nordestinas. Sempre, historicamente, associados aos movimentos libertários da sociedade e de um projeto de nação para o Brasil. A veiculação desta visão de mundo se fez com um mito político nordestino, o filho único de Maria Benigna: Miguel Arraes de Alencar.

O Crato, uma cidade profunda nos sertões do Brasil, no centro de toda a caatinga nordestina, ao mesmo tempo em que um oásis favorecido pela Bacia Sedimentar do Araripe, é um pólo de contradições. Nele vive um povo radical entre o mais profundo conservadorismo, quase colonial, e a mais dolorosa mensagem de ruptura com tudo aquilo. O Padre Cícero em que pese ter sido um fenômeno que dialogou com o "coronelismo" local, foi a expressão popular de camponeses em busca de um mundo melhor. E não foi o outro mundo que construíram: construíram uma cidade ousada, muito assimétrica, mas dinâmica em experimentos, terceiro mundista por certo, mas ao mesmo tempo em que afeita ao passado religioso, também experimental em comércio.

A casa de Maria Benigna, no início da Rua João Pessoa, certamente era um símbolo do humanismo católico. Ao mesmo tempo um pólo da influência pernambucana, especialmente recifense, na cultura local. Foi, durante a ditadura militar, certamente um dos endereços nacionais com maior sobrevivência como símbolo da resistência democrática. No Brasil moderno poucos endereços e nenhum igual no Ceará, tiveram este papel. Não foi a toa que a volta de Miguel foi rebatizada naquela casa, os principais personagens progressistas das décadas de 60 a 80 estiveram . O atual presidente Lula, que nada viveu dos sacrifícios político imediatos de 64, era ainda jovem, teve naquele endereço um de seus batismos simbólicos.

Quando a minha geração chegou à adolescência, era ali um dos endereços em que nos reuníamos. Igualmente a de outros um pouco mais velhos que por se concentraram. Ontem quando estive no velório de Violeta Arraes, pelo menos umas dez pessoas, entre mais novos e mais velhos, mas todos chegados no tempo, foram ligados ao endereço de Maria Benigna. E na verdade este texto é para falar de Violeta, seu contexto e seu mundo.

Violeta, como testemunho pessoal, sempre fez parte do meu universo afetivo. Era tia dos meus primos, freqüentou a minha casa no sítio Batateira, conheci seus filhos ainda muito pequenos, seus sogros, seu marido e tinha aquele especial sabor de conhecer-se um estrangeiro. Nós nordestinos, especialmente daquelas épocas isoladas, tínhamos verdadeiro interesse por pessoas de outros países, falando outra língua. Pierre Gervaiseau, marido de Violeta, ele francês, contou-me que ficou com dor de cabeça de tanto que as crianças gritavam com ele na ocasião em que fora ao Crato para visitar a sogra. As crianças gritavam achando que era surdo pois não as entendia.

Ontem, conversando com Guel Arraes, ele muito tocado pela perda da sua "mãe espiritual", lamentava-se da redução de referências que a morte dela lhe promovia. Em que pese a história pessoal dele, no exílio, cultivando o ambiente da casa se sua tia, onde tantos brasileiros se reuniam, na verdade se refere a algo maior. A algo que de modo resumido e certamente falho seria isso: a grande conquista, mesmo que no ambiente de conflito, dos trabalhadores e dos camponeses do século XX; as novas idéias de solidariedade social e econômica; finalmente um projeto de país a partir da revolução de 30 e todo ambiente de progresso que se viveu depois disso.

Foi assim que uma geração de brasileiros, extremamente preparada, com uma aguda visão estratégica do Brasil e seu povo em relação ao plano da economia mundial conflitou-se nas décadas de 30 e 40. E mais importante de tudo, esta geração deixou herdeiros em muitas gerações depois dela. Uma herança de pessoas que compreendiam a condição humana, a situação de ser brasileiro, seu povo e seu território. Uma herança capaz de pensar as coisas complexas, enfrentar o debate de modo elegante, brigar com paixão por sua visão de mundo e, essencialmente, tinham uma. Hoje mesmo o Saulo Ramo, com quem não tenho simpatia ideológica, disse uma frase que os mais jovens devem refletir: É um equívoco mesmo. É falta de estudo. Eles assistem a muita televisão e lêem poucos livros.

O que ganhamos com Violeta não perderemos com o fim da vida dela. Ontem, por volta das 8 horas, num hospital em frente da Quinta da Boa Vista, antiga residência da família imperial. Por exemplo, o espírito presente, sem concessões fáceis a falsas realidades. Violeta Arraes Gervaiseau aliava percepção com ação. Não ficava desculpando-se sobre a realidade, queria agir sobre ela. Fosse isso uma questão ambiental, econômica, social ou cultural. Assim como se fosse uma pessoa com alguma necessidade. Tinha o princípio de servir ao próximo, tão forte no cristianismo ao mesmo tempo de revolucionar a ordem injusta tão comum das visões generosas do futuro.

Quando alguns se preparam para um dolci farniente, Violeta Arraes, depois de ter sido secretária de Cultura do Ceará, de ter a amizade com importantes personagens da vida nacional, foi enfrentar a dificuldade de uma pequena Universidade regional. Tudo por amor a sua terra, a seu território, à sua Chapada do Araripe. Aliás, Violeta Arraes não nasceu no Crato, era de Araripe e fazia questão de frisar tal origem, mas poucos cratenses tiveram a coragem de retornar a sua terra para enfrentar adversidades. Não foi fácil. As novas gerações ignoravam aquela mulher e seu papel. A academia é um local de conflitos intra corporis; tende a murar-se em relação à realidade externa. E Violeta queria uma universidade voltada para o Desenvolvimento Sustentável do Araripe. Tudo isso num estado pobre, numa instituição com poucos professores, pouca formação acadêmica e imensas necessidades. Ninguém das gerações mais novas toparia, naquela altura de sua vida, tendo a visibilidade conquistada, se perder no interior do Brasil, enfrentando incompreensões, conservadorismo, paroquialismos e, principalmente, a necessidade de fazer acontecer o que os governos até então não conseguira.

O Crato hoje perdeu uma filha, mas ganhou a mensagem de um futuro. Como transformar isso em caminho é o que se deve continuar. Não tenhamos dúvida, além da elevação do nível de vida dos mais pobres em todos os sentidos, a outra perna do projeto nacional passa pelo acordar do interior. É deste Brasil profundo e distante do litoral que a nação terá o seu renascimento. Com ele vigoroso, o senso de humanidade ficará mais equilibrado e de mais fácil compreensão. Assim é possível que especialistas tenham a visão inequívoca da humanidade e do país e que valores que contribuem para o pensar e agir sejam estabelecidos como uma realidade universal. Comum a todos os brasileiros.

"Diário do Nordeste": Perda - Luto na cultura cearense

O cenário cultural cearense fica mais pobre, com a partida de Violeta Arraes Gervaiseau. A intelectual que dirigiu a Secult e a URCA faleceu ontem, no Rio de Janeiro, aos 82 anosInternada desde 8 de maio, dia de seu 82º aniversário, Violeta Arraes se despediu ontem, às 7h55. Portadora de câncer de pulmão, faleceu, segundo familiares, vítima de pneumonia e de infecção, no Hospital Copa D´Or, no bairro da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, contando com o acompanhamento de amigos e parentes. Entre eles os filhos Maria Benigna, Henry e Jean-Paul, e o marido, o francês Pierre Maurice Gervaiseau, 83 anos.
Uma perda difícil de mensurar, não apenas pela extensão do legado de Violeta na direção da Secretaria de Cultura do Governo do Estado e da Universidade Regional do Cariri, cargos pelos quais costuma ser mais recorrentemente lembrada. Mas principalmente pelo sem-número de causas abraçadas, brigas compradas, projetos realizados e amigos cativados. Da juventude no Cariri aos tempos de militância em Pernambuco, chegando à Europa, onde sua casa, de hospitalidade bem à cearense, era refúgio para brasileiros exilados, como ela, na capital francesa em que Violeta conviveu com intelectuais como Celso Furtado e Jean Paul Sartre.
Secult e URCA

Convidada para assumir a Secretaria de Cultura do Governo do Estado em 1988, no primeiro governo de Tasso Jereissati, Violeta Arraes manteve um discurso de procurar ir além da produção de obras e eventos, desenvolvendo um conceito mais amplo de cultura - para além dos produtos culturais. Já em 1997 assumiu a Reitoria da Universidade Regional do Cariri (URCA), para a qual já contribuíra em bandeiras como a defesa do reconhecimento da Chapada do Araripe como área de proteção ambiental. Ali permaneceu até 2003, mantendo a ênfase em uma atuação que, transcendendo a academia, reforçasse a cultura cearense. A mesma que agora se vê entristecida com sua adeus.

PENSAMENTOS DE VIOLETA:


'Sou a última irmã de sete filhos. Tive todas as vantagens e desvantagens de ser a última´


'Meu irmão Miguel Arraes teve uma grande influência na minha formação´


'Meu grande choque cultural não foi a Europa, mas sim o Rio. Sair do interior para morar numa capital daquele tamanho me chocou muito´


'Uma das catástrofes do Brasil foi o esvaziamento do interior, por uma visão de desenvolvimento desvirtuada e pela falta da reforma agrária´


'Não tenho nada contra os Estados Unidos, um grande país, mas esta macaquiação, nas praias, nos bares, é de um mau inglês. Nossa língua é desvalorizada´


'Ninguém sabe o que é estar na sua casa, na sua terra, e ser colocada para fora. É um trauma muito violento´


'Sair teve seu lado positivo porque me fez ter consciência da formação que tive em casa e na universidade, sentindo-me, além de sertaneja, cidadã do mundo´
O CEARÁ DE VIOLETA ARRAES
A ex-secretária de cultura teve uma administração criticada, mas foi firme nos seus projetos, principalmente na reforma do TJAComeçava o primeiro governo Tasso. A cultura cearense, ainda, vivia sobre a mentalidade construída durante anos pelos militares. Tudo para os amigos do rei. Para os inimigos, nada. Depois de uma rápida passagem de Barros Pinho pela Secretaria da Cultura, Tasso convidou um peso-pesado nacional: Violeta Arraes Gervasieu. Sua posse na Secult foi festejada mais por artistas nacionais, que locais. Revistas e jornais de todo o País cobriram a sua posse.Violeta Arraes tomou posse na Secretaria de Cultura em julho de 1988.
Foi uma das posses mais concorridas já vistas no Ceará. Além de artistas como Gilberto Gil - que, na época, afirmou que Violeta era uma “companheira de reflexão” e do cineasta Luís Carlos Barreto - a posse de Violeta - foi prestigiada por três governadores: Waldir Pires, da Bahia; Miguel Arraes (seu irmão), de Pernambuco e José Aparecido, do Distrito Federal.Depois da festa, a luta.
Violeta desgostou muitos artistas locais. Desconstruiu eventos - um deles o Festival de Cinema de Fortaleza, tendo à frente Euzélio Oliveira e Francis Vale. Pensou em transformar o Ceará, juntamente com Marcondes Rosa, num pólo de cinema. Juntou-se a cineastas de porte nacional tendo à frente Luís Carlos Barreto. Recebeu severas críticas dos artistas locais, descontentes com os rumos da cultura. Críticas amenizadas pelo seu fiel escudeiro, o jornalista Blanchard Girão, sub-secretário de Cultura. Ela sempre dizia que tinha um cheque em branco do governador e colocaria em prática suas idéias sobre cultura.Agiu de forma livre. Foi a primeira a pensar sobre a revitalização do centro da cidade. Fez uma grande reforma do TJA. Trouxe grande nomes do teatro e do cinema. Pela primeira vez, o elenco do Theatre du Soleil pisou no Ceará, especialmente em Fortaleza. Em meio a muitos planos, algumas questões políticas quase a tiraram da Secult.
O então apoio de Tasso ao governo Collor de Melo desgostou Violeta. Ela pensou em abandonar o barco. Mas com o desenlace político da questão - Tasso voltou atrás - o nó político foi desfeito e ela continuou a dar soberanamente as cartas da cultura no Ceará.CríticasNão ligava para as demandas dos artistas locais, nem para as críticas da imprensa - justas ou não. Pulso forte, Violeta nunca deu bolas para críticas. Sempre argumentava: “Tenho um cheque em branco do governador”. Não apenas o “cheque em branco” a fazia agir sem amarras na Secult, mas o seu passado.Irmã de Miguel Arraes, carregava um passado também de luta contra os militares. Militou na Juventude Católica em Pernambuco. Era conhecida como Viola - e foi expulsa do Brasil no rastro do irmão governador.
Foi amiga de intelectuais e artistas. A lista é grande. Só para citar alguns: Jean Paul Sartre, Almino Afonso, Celso Furtado, Samuel Wainer, Juscelino Kubitscheck. Hospedava os exilados em sua casa, na França.Quando secretária de Cultura do Estado, Violeta, cearense de Araripe, criada no Crato, morava no Hotel Esplanada. O seu apartamento no hotel marcava uma mulher sempre presa às raízes cearenses. Era cercada de objetos da cultura popular cearense. Além, é claro, de livros, muitos livros. Política, romances e folclore. As obras de Drummond e a Bíblia eram seus livros de cabeceira.
Numa longa entrevista ao Diário, em setembro de 1990, Violeta sempre tinha um pensamento recorrente: o Nordeste e a sua rica cultura. Quando perguntada sobre o seu maior desafio à frente da pasta respondeu:— O que enfrentei foi um tipo de mentalidade ou de concepção em relação a cultura que do meu ponto de vista é redutor, com ranços acadêmicos. Para mim, a cultura é o chão que pisamos. Por isso, lançamos a proposta de revitalização do centro da cidade, o que pareceu para muita gente, uma aberração.Sempre com um olhar no futuro, ela nunca esquecia do passado. Mesmo quando patrocinou em Fortaleza o extinto FestRio, um festival de cinema que reuniu estrelas nacionais e internacionais em Fortaleza.
Por isso, enfrentou um turbilhão de críticas. Mas parecia nunca se incomodar. “ Eu fui, sou e sempre serei criticada. A posição que tomei foi, sobretudo, fortificar às instituições culturais - para mim a melhor maneira de servir a cultura. Mesmo quando o Theatro José de Alencar foi interditado para reformas houve muitas críticas. Afirmavam que eu ia fechar o teatro por razões políticas e não pelo risco real do desabamento do teto do foyer”.Respondia, ainda, as críticas de forma bem humorada - “o fato é que encontramos uma secretaria em estado lastimável. Sempre pensei que viesse fazer animação cultural, mas na verdade acabei por me transformar num vigia de obras“. Dizia isso porque enfrentou a ´reconstrução´ do TJA, da Biblioteca Pública e da Assembléia Provincial e parte do Palácio da Abolição.Pólo de cinema.
O principal projeto de Violeta não vingou: a transformação do Ceará num pólo de cinema. Foram intermináveis reuniões com os maiores cineastas do pais sobre o assunto - Luís Carlos Barreto, Hermano Penna, Walter Lima Junior, Nelson Pereira dos Santos, entre muitos outros.O pólo foi um fracasso. Um sonho quixotesco. Nunca tivemos, aqui, como pensava Violeta Arraes, nossa Los Angeles. Sua administração não foi de pequenos eventos, mas de grandes eventos. Para muitos, uma estratégia de marketing do governo. Eventos como o FestRio, afinal, geraram uma grande exposição do governo cearense na mídia nacional.Violeta não veio para agradar. Nem a gregos, nem a troianos. Enfrentou crises. Choques culturais e políticos na sua trajetória. Não só como Secretária do Estado do Ceará. Mas na sua trajetória de vida.
Foi marcada por dois pólos - o cristão e o marxista. “Do ponto de vista cristão fui influenciada pela ação católica”.E o marxismo? “Eu diria que é preciso refletir, estudar muito. As transformações são imensas. O que há é uma crise total das ideologias. O pensamento de Marx, transformado em estrutura de Estado, está claro, que foi um desastre. Agora, o pensamento de Marx em si é uma aquisição que não se põe um traço em cima”.
Tinha orgulho do Ceará. Disse, aliás, que se emocionou com uma frase do governador Tasso Jereissati durante sua posse na Secult. “Ele afirmou na ocasião que, quando esteve na França, nunca viu uma casa tão cearense , nem mesmo no Ceará. Era a rede, os objetos de arte popular, os livros sobre o Ceará”. O Ceará tão caro a Violeta Arraes...
José Anderson Sandes
Editor

VIOLETA ARRAES: UM RAIO DE LUZ QUE SE FOI, MAS QUE SE FEZ CARNE E ESPÍRITO ENTRE NÓS

Bernardo Melgaço da Silva

Acabei de ler o texto do meu querido amigo André Herzog (que foi cruel e impiedosamente demonizado pelos seus adversários na URCA) a quem respeito e considero muito. Fiquei comovido com suas palavras de esclarecimento sobre o raio de luz feminino chamado Violeta Arraes.
Confesso que nada sabia de sua bela trajetória humana. E por isso reconheço o quanto ela fez de monumental para todos nós brasileiros. Cada ser humano é como uma lanterna, se fechada em si nada ilumina, entretanto, se aberta em si mesma ilumina a todos. O mérito é de cada um em abrir ou fechar a lanterna interior. E com certeza sinto que ela foi uma luz brilhante que com maestria iluminou a escuridão de muitas almas desejosas de guerra, conflito e sangue. Ela não radicalizou, não magoou, não desrespeitou e não humilhou ninguém. Foi guerreira sem ser radical e desrespeitosa. Foi mais do que humana – foi Luz!Eu admiro a natureza humana que sendo guerreira, não violenta e não desrespeita a natureza alheia, mas acolhe quem se aproxima.
Eu aprendi a reconhecer a luz que sai de quem viu em si mesmo o poder de se superar e confiar nos seus passos, apesar das críticas e dos ataques covardes que são feitos por aqueles que obcecados pela natureza pequena do ego, passa por cima dos valores nobres espirituais. O pouco que convivi com esta senhora pude perceber que ela se mantinha fiel aos princípios humanos transcendentais.
Ainda me lembro uma vez que ela me procurou para solicitar que reescrevesse com letras maiores um texto que fiz. Ela havia se tocado com minhas palavras – a sua humildade mostrou para mim quanto era diferente daqueles que se aproveitavam de sua imagem e cargo para tirar proveito político e acadêmico.É lindo ver a trajetória de homens e mulheres que decidiram não passar pela vida em brancas nuvens. São verdadeiras jóias preciosas que Deus colocou no mundo para que possamos tomar como referência do caminho espiritual. Mas, infelizmente muitos ainda não perceberam que a grande vitória da existência humana não é vencer ou humilhar o outro semelhante inimigo ou adversário.
Buda já dizia há milhares de anos: “Não existe conflito entre o bem e o mal, mas entre a sabedoria e a ignorância...é mais fácil vencer um ou mais inimigos numa batalha ou em várias delas do que vencer a si mesmo”.Parabéns Violeta Arraes, seus amigos irão sentir saudades e seus adversários reconhecerão em ti a guerreira de luz que com certeza fostes. Eu sei por vivência própria que a vida criadora tem um propósito maior do que apenas ser humano, temos que ser mais – muito mais! – e deixar uma semente de amor, fé, perdão e compaixão nesse deserto humano. Mas, Dom Hélder Câmara escrevia em seu livro: “O Deserto é Fértil”. Um verdadeiro paradoxo! Recebemos a semente quando estamos abertos para o milagre divino que se manifesta em cada ser humano.

E em ti, minha querida senhora, posso reconhecer nas palavras de HERZOG que sua semente será cultivada por todos aqueles que se abriram para sua luz sabedoria – criadora!Um dia quem sabe do outro lado da existência todos nós possamos celebrar juntos a vida transcendental de Deus. A senhora não morreu – apenas voltou o seu foco de luz para o outro lado da vida. Obrigado!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234

terça-feira, 17 de junho de 2008

Violeta, a guerreira que se foi – por André Herzog

Violeta Arraes em seu gabinete na URCA
Violeta Arraes visita reserva fossilífera em Santana do Cariri

Fiquei sabendo – por comunicação de amigos do Cariri – do falecimento da reitora Violeta Arraes. A notícia trouxe-me forte emoção. Depois do choque chegaram as lembranças de gratas recordações que guardo do convívio que tive com ela.Fui admitido como professor da URCA – por meio de concurso público – durante o reitorado de Violeta Arraes. Além de professor, assumi na URCA, a convite da reitora, as funções de Coordenador de Curso, Chefe de Departamento, Coordenador Geral do Programa de Formação de Professores para o Ensino Fundamental e Pró-Reitor de Ensino de Graduação.Abaixo, um texto sobre a guerreira Violeta, por mim escrito, e que foi colocado no“site” da URCA (“link” Galeria dos ex-reitores) à época da minha administração naquela universidade.

André Herzog

Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau


Violeta Arraes nasceu em 1926, na pequena cidade de Araripe, localizada na grande bacia sedimentar do Sul do Ceará. Cursou o Primário no Grupo Escolar de Crato e iniciou o Curso Secundário no Colégio Santa Tereza de Jesus, também em Crato.Aos 14 anos se transfere para o Rio de Janeiro, sob a orientação do conceituado irmão político, Miguel Arraes. Ali, cursou o Clássico no Colégio Sacré-Couer de Marie e no Colégio Santo Amaro.

Conheceu o Padre Hélder Câmara, de quem se tornou muito próxima e foi colaboradora formal como militante do Secretariado Nacional da Ação Católica.Formada em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Violeta Arraes Gervaiseau tem uma vida marcada pela ação cultural e política. Foi presidente da JUC de 1948 a 1950. Foi representante brasileira no Congresso Internacional da JUC na Europa no Ano Santo de 1950.Estagiou um ano na França, no Centro Internacional de Economia e Humanismo, dirigido pelo Padre Lebret, onde conheceu seu marido, Pierre Maurice Gervaiseau, com quem se casou em Recife, em 1951.

De 1958 a 1964 reside em Recife, onde foi uma das iniciadoras do Movimento de Cultura Popular juntamente com Paulo Freire. Participou ainda dos movimentos de educação de base, ligada ao Cinema Novo e ao mundo artístico e literário. Nesse período, juntamente com Pierre Gervaiseau, Economista e cooperante Francês na SUDENE colaborou na ação política do Governador Miguel Arraes.Testemunhou os acontecimentos que culminou com a deposição e prisão do Governador Miguel Arraes no dia 1ºº de abril de 1964. Presa, juntamente com seu marido, quando chegava ao arcebispado para visitar D. Hélder Câmara no seu primeiro dia de bispo de Recife e Olinda. Foi expulsa do país com sua família quatro meses depois.

Na França, onde residiu a partir de 1964, cursou pós-graduação em psicologia e exerceu a função de psicoterapeuta no serviço do renomado Dr. Widlocher.Juntamente com Pierre Gervaiseau, coordenou e produziu na Europa vários eventos objetivando a difusão da cultura brasileira nas áreas cinematográficas, teatral, musical. Atuou ainda na tradução de livros e organização de debates sobre a cultura brasileira. Promoveu e participou de grupos de reflexão sobre os problemas sociais e políticos dos países da América Latina, em particular com as revistas "Esprit", "Les Temps Modernes", "Croissance des Jeunes Nations" e o jornal "le Monde".Militante ativa pela redemocratização do Brasil, contou com o apoio integral de várias instituições e personalidades políticas e religiosas as quais se manteve sempre ligada. Nesse período se relacionou com Mike Bride, fundador da Anistia Internacional, e que mais tarde seria laureado com o Prêmio Nobel da Paz; Olof Palm, ministro sueco; Lélio Basso, senador italiano; Hubert Beauve Mery, fundador do jornal "le Monde"; Jacques Delors, da Comunidade Européia, Michel Rocard, deputado europeu e ministro francês e Leonel Jospin, primeiro ministro francês.

Em 1979, ano da anistia, retorna ao Brasil, engajando-se na campanha pelas "Diretas Já" e retomando o contato estreito com a vida cultural e política do país. Foi convidada por Tancredo Neves para ser a adida cultural na Embaixada do Brasil em paris, o que não se concretizou pelas razões que todos conhecem.Com o fim do regime autoritário militar no país foi convidada a trabalhar como adida no Projeto França-Brasil, na Embaixada brasileira em Paris. De 1984 a 1986, Violeta se dedicou a elaborar e desenvolver o projeto, realizando vários eventos significativos, entre os quais merece ser destacado, a exposição de Arte Popular Brasileira, no Museu de Arte Moderna, contando com hegemônica participação da arte nordestina.Em 1988, em reconhecimento as suas intensas atividades, recebeu convite do Governador Tasso Jereissati para assumir a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Desde a posse até o fim de sua gestão, Violeta Arraes desenvolveu um projeto que contemplou não apenas a realização de obras e eventos, mas principalmente, a implementação de um programa cuja pedagogia e filosofia buscava conscientizar toda a sociedade sobre o real e amplo conceito de cultura.

Coordenou inúmeros trabalhos de recuperação de prédios tombados pelo Patrimônio Histórico, em um esforço que culminou com a reforma e restauração do Theatro José de Alencar, devolvido à população cearense em janeiro de 1991. Também se pode destacar o resgate da Biblioteca Menezes Pimentel, a recuperação da antiga sede da Assembléia Provincial e a mudança de sede do Arquivo e do Museu do Estado.Realizou vários eventos abrangendo as mais diversas manifestações artístico-culturais, entre as quais um seminário realizado em 1988 sobre a temática da comunicação que reuniu os mais expressivos nomes da televisão, rádio e cinema do país, e contou com a participação de um dos maiores teóricos do assunto, Romand Mattellart. Viabilizou a realização, em Fortaleza, do FestRio, Festival Internacional de Cinema.

Organizou ainda, em Canindé, uma homenagem a Dom Hélder Câmara com a presença de Bispos e Cardeais do Brasil e do exterior, reunindo um público de mais de 70 mil pessoas, com a cobertura de oito redes de televisão estrangeiras.Na área da música, vale destacar o projeto "Um Canto em Cada Canto", desenvolvido na periferia de Fortaleza, beneficiando cerca de 600 crianças carentes e que ao mesmo tempo promoveu o trabalho de monitores, regentes, compositores e arranjadores locais. A Secretaria de Cultura incentivou, também, através de apoio financeiro, artistas populares, como os reunidos no Clube do Chorinho e na Associação de Cantadores do Nordeste. No setor de folclore, realizou Mostras de Folclore e o projeto Festas e Folguedos. Finalmente, a frente da SECULT, inventariou todas as associações e manifestações culturais do Estado do Ceará.

De volta a Paris em 1991, continuou a participar e defender vários projetos de importância para a cultura brasileira como o filme "Credi-me" de Bia Lessa e o espetáculo "Imitação da Vida" de Maria Betânia com a pesquisa de texto de Fernando Pessoa. Sempre ao lado do marido, integrou um grupo de estudos instituído na Universidade Regional do Cariri (URCA) que defendia o reconhecimento da Chapada do Araripe como área de proteção ambiental. Esta preocupação levou a contatos com a direção do Museu de História Natural de Paris, tendo assim a oportunidade de acompanhar o diretor do museu e renomado paleontologista Prof. Philipe Taquet e sua equipe numa missão ao Laos.

Em 1997 assumiu o seu último desafio, a Reitoria da Universidade Regional do Cariri. Com ela, trouxe um novo projeto em mente, que tem procurado incansavelmente realizar, com coerência: a dinamização da cultura do sertão.Assim, a Reitora Violeta Arraes percebeu sua missão e a Universidade, com as seguintes palavras: "O projeto da URCA só pode ser entendido como um projeto coletivo. O que tento fazer é captar os anseios da comunidade acadêmica e da região onde estamos, em plena Bacia do Araripe, fronteira com Pernambuco, Paraíba e Piauí. Isso por si só já determina um certo número de prioridades, pois temos que levar em conta as singularidades da região, como a floresta em plena área semi-árida, a reserva fossilífera, o manancial de água encravado no meio do sertão nordestino. Nesse contexto, acho que a universidade deve ser o veículo transmissor do conhecimento voltado para o desenvolvimento sustentável dessa riqueza natural. É sua missão formar e inserir profissionais na sociedade, assim como transmitir valores de convivência para que tenhamos cidadãos convictos do ideal de uma sociedade justa e igualitária.A nova cultura terá a marca da integração e da participação nos benefícios do desenvolvimento sustentável, cujo símbolo há de ser sempre o uso racional da Chapada do Araripe, dádiva da natureza e desafio permanente para nossa criatividade e inteligência, e elo de união da população dos estados do Ceará, Pernanmbuco, Paraíba e Piauí."

segunda-feira, 16 de junho de 2008


No próximo dia 31 de outubro a capela de Santa Teresa de Jesus completará 85 anos da sua inauguração. Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente em Crato, fundada em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha - padre Quintino, um ano depois eleito primeiro bispo da nossa diocese.

A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos restam as gratas lembranças e os registros históricos...

Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artista cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, ele foi cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos cinco bispos da diocese do Crato.

As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.

Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé!
Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar essa fé...

A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas idéias de modernismo, que tiveram como auge a medíocre década 60 e a construção do “monstrengo” chamado Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.

Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade. Que ela permaneça, neste novo século há pouco iniciado, do jeito que está. Sacral! Altaneira! Digna! Plena de Imponderáveis... No cenário do nosso maltratado patrimônio arquitetônico a capela de Santa Teresa de Jesus é “um edifício que conta o passado ao presente...”.

Orgulho de ser político

Um filho advogado, engenheiro, administrador, professor, médico, todo mundo quer! Mas você DESEJARIA, do fundo do seu coração, um filho político de carreira? Você vê isso com muita freqüência? No Brasil de hoje? Difícil encontrar um pai, muito menos uma mãe, desejando uma carreira política para um filho. Ao pé da letra, não há nada demais nisso. Pelo contrário, ter a oportunidade de administrar o desenvolvimento de uma cidade, um estado, ou até mesmo um país, de criar leis que beneficiem o bem estar de um povo e o progresso de uma nação, é das tarefas mais nobres que um homem pode receber.

Mas vamos aos fatos. Todos os dias ao abrirmos os jornais, ou ligarmos a televisão, vimos o que? Escândalos! Um atrás do outro! Em todos os partidos, por todo Brasil. Interrompidos apenas por: Futebol, Carnaval, Natal, uma catástrofe natural ou um “crime bárbaro” de vez em quando. Nos últimos anos, os “esquemas” começaram a ser desbaratados e as máscaras começaram a cair, uma a uma. Mas a coisa parece estar impregnada. Político do quilate do ex-senador Jefferson Péres é exceção, e não a regra. Como pode um possível pretendente a um cargo público entrar numa campanha sabendo que suas despesas somariam 2, 3, 4...vezes o valor total de seus 4 anos de mandato? Não dá? E não venha me dizer que a campanha é financiada por empresários, pois quem dá quer receber! E de que jeito este “investimento“ volta? Deus sabe... Acho até que Deus preferia nem saber!

E o povo não vê? Vê! Mas finge que não vê que os tais não vão pra cadeia, porque CPIs acabam em pizza, porque denuncia não dá em nada, nada dá em nada! “Ruim com ele, pior sem ele!”, “Rouba, mas faz!”. A realidade parece clara. A verdade parece estar à vista de todos, mas parece que somos um povo “acostumado”, “conformado”, “apático”. Desconhecedores do nosso valor somos tangidos como gado, a cada 4 anos, para um curral onde se oferecem: camisas, bonés, cimento, tijolo, um belo e ludibriante discurso com trio-elétrico animado por alguma banda de forró da moda. E depois disso? Depois disso você vota, e como se diz por aqui, perde seu valor! O eleito assume o cargo e faz o que quer, do jeito que quer, afinal ele foi eleito...

Sabemos que políticos dizem ter orgulho de serem políticos. Que se orgulham de “serem”: vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores ou presidente, neste país. Mais interessante é que NÓS tenhamos orgulho dos políticos que temos! Aliás, a postura imperial de alguns deles, percebida através da arrogância e tom de superioridade, faz parecer que mal sabem que, quando eleitos, “estão” e não “são” vereadores, prefeitos, etc... Se conscientes fossem, revestiriam-se do cargo sabendo que ele é transitório. O Brasil que viu o império virar república, a escravidão ser abolida, o trabalhador ter direitos garantidos, precisa agora ver o estado ser governado e legislado por homens honestos e capazes de promover os melhoramentos, maciçamente, “prometidos” de: educação, saúde, emprego, transporte, moradia e segurança. Neste mar de desesperança, existe uma única praia, o voto. Bom que fosse não obrigatório, mas já que não o é, melhor que fosse dado a algum político, no bom sentido da palavra, preparado para servir AO POVO. Tenhamos orgulho de votar. Tenhamos orgulho de nossos governantes.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 10/06/2008.

domingo, 15 de junho de 2008

Palestra de Océlio Teixeira sobre a Festa do Pau da Bandeira


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Palestra de Océlio Teixeira sobre a Festa do Pau da Bandeira


NOTICIAS DO DOMINGO


EFEMÉRIDES DO CARIRI

O presidente do Instituto Cultural do Cariri, Manoel Patrício de Aquino (Nezinho) tem um projeto: reeditar o clássico “Efemérides do Cariri”, fruto de pesquisas do historiador Irineu Pinheiro (foto ao lado). A primeira edição deste livro foi publicada há quase 50 anos. Um exemplar dessa edição é hoje uma raridade. “Efemérides do Cariri” é imprescindível para quem tem interesse em conhecer a história do Sul do Ceará.

GEOPARKS

Na próxima 4ª feira, dia 18, duas equipes (uma do governo do Ceará e outra da Urca) embarcarão para Osnabrück, Baixa Saxônia, na Alemanha, para participarem da 3ª Conferencia Internacional de Geoparks. André Herzog (ex-reitor da Urca) e Alexandre Sales (ex-diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri) estarão lá. Herzog viaja a convite do governo do Ceará (que administra o Geopark Araripe). O Ceará está pleiteando para o Cariri a sede da 4ª Conferência Internacional de Geoparks, a ser realizada em 2010. Já Alexandre Sales viajou como convidado do governo de Minas Gerais, para quem presta serviços na implantação do Geopark do Quadrilátero Ferrífero. Herzog e Alexandre Sales foram implantadores do Geopark Araripe, o primeiro a ser criado no continente americano e no Hemisfério Sul.

CALDEIRÃO

O cineasta e escritor Rosemberg Cariry virá em breve ao Cariri para lançar o livro "O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto: apontamentos para a História", organizados por ele e por Firmino Holanda.

MAU GOSTO

As placas indicativas das ruas de Crato não são uniformizadas. Como o poder público não pode arcar sozinho com esse tipo de despesa está permitindo que firmas comerciais afixem essas placas. Em algumas delas, colocadas recentemente, o nome da empresa aparece com destaque, na cor vermelha, chamando mais atenção do que a denominação da rua. Confiram uma placa colocada na esquina da Rua Senador Pompeu com Praça da Sé, no prédio do Museu Vicente Leite.

ALTANEIRA

As boas iniciativas devem ser divulgadas. Ontem, dia 14, a cidade de Altaneira inaugurou a Biblioteca Pública Municipal. Que sirva de exemplo para outras cidades, muitas maiores do que Altaneira, conhecida como a Terra de Santa Teresa D’Ávila.

CAPELA DO SOCORRO

Para comemorar o centenário da Capela do Socorro – construída pelo Padre Cícero em Juazeiro do Norte – será lançado no próximo dia 20, um livrinho com breve histórico do templo, de autoria de Daniel Walker. O livrinho será distribuído gratuitamente aos interessados.

PRAÇA DA LADEIRA
A praça que está sendo construída, na Ladeira da Integração, de onde se observa uma das vistas mais privilegiadas do Crato, terá o nome de Maciel Brito. Resgata a memória de um cratense que foi superintendente do antigo INPS no Ceará.

NOVO PONTO DE CULTURA

O Ministério da Cultura acaba de reconhecer mais um Ponto de Cultura no Cariri: a Fundação Casa Grande, de Nova Olinda. Pontos de Cultura são instituições selecionadas para articularem e desenvolverem ações culturais nas comunidades onde estão instaladas. No Cariri, o Ministério de Cultura já reconheceu como Pontos de Cultura: a Sociedade de Cultura Artística de Crato, a Gráfica Lira Nordestina (em Juazeiro do Norte) e a Fundação Memorial Patativa (em Assaré).

PRESTÍGIO

Dom Fernando Panico deixou ontem a Europa, onde estava desde 25 de maio último. A partir de hoje ele participa, no Canadá, do 49º Congresso Eucarístico Internacional. O evento acontece até o próximo dia 22 na cidade de Quebec. A delegação brasileira é composta pelos arcebispos de São Paulo (cardeal Dom Odilo Sherer), de Ribeirão Preto (Dom Joviano de Lima Júnior), de Aparecida do Norte (Dom Raymundo Damasceno Assis) e pelo bispo de Crato, Dom Fernando Panico.