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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Senhor Asfalto, seja bem vindo!


Ninguém discute a utilidade de uma via com seu pavimento em bom estado de conservação, apto a proporcionar um rodar suave aos veículos que ali trafegam. É natural que uma cidade necessite de ruas e avenidas asfaltadas, uma vez que esse pavimento favorece o rápido escoamento do tráfego destas. As outras poderiam, e deveriam, utilizar o conhecido paralelepípedo ou pedra tosca como pavimento, o não menos famoso: calçamento. Em áreas de pouco tráfego, como zonas residenciais, é indicado o uso de asfalto apenas nas avenidas, deixando suas ramificações, as ruas, à serem calçadas com pedras.

O calçamento é sim amigo da cidade. Entre outras características permite, ao contrário do asfalto, infiltração de água no solo o que diminui o poder de arrasto e destruição desta quando do seu escoamento no período de chuvas. O calçamento também promove um impacto bem menor no aumento da temperatura da cidade, do que o negro derivado do petróleo. Quanto a sua durabilidade, desde que bem executado, tem vida útil infinitamente superior a do asfalto, que “odeia” chuva. Há ainda outro atrativo, o da segurança dos pedestres. Graças a sua irregularidade característica impossibilita, ou pelo menos dificulta, o trânsito à grandes velocidades, contribuindo assim na redução do índice de acidentes graves.

É assim no mundo todo. Em países onde a memória está por onde se anda, como na Inglaterra, Estados Unidos e Espanha, é comum encontrar no centro das grandes cidades, ruas inteiras que preservam seu pavimento original, o calçamento, trazendo beleza e preservando a história daquele lugar. Há muito que se fazer no Crato com relação a: conservação, promoção e preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, como bem resgatou, em seu livro, o arquiteto Waldemar Arraes. Infelizmente, há ainda uma “cultura”, ou entendimento, de que o asfalto é sinal de progresso e desenvolvimento. Parece que o asfalto por si só traz este status de grande cidade, quando na verdade é um dos benefícios mais fugazes que o cidadão pode usufruir. Este terá, mais cedo do que tarde, de ser recuperado, total ou parcialmente, dependendo de sua composição, com areia ou com brita, à quente ou à frio. Outros benefícios como saneamento básico, abastecimento de água, hospitais, escolas, praças e calçadas, têm vida mais longa e de mais demorada recuperação, porém causando menor “impacto visual...”.

Seja muito bem vindo o asfalto, que agora chega às principais ruas de nossa cidade. Sem querer criticar o que está sendo feito, ou discutir a durabilidade, ou composição deste, cabe aqui, louvar a recuperação desta malha viária e aclamar o calçamento como opção, em alguns casos, e como indicação mais adequada em outros, sendo os dois proporcionalmente valorosos. Cabe aqui, portanto, reconhecer a importância de cada tipo de pavimento, e apontá-los como promotores do melhoramento da qualidade de vida da população.
Nossos carros agradecem!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.

Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

terça-feira, 8 de julho de 2008

A IMPUNIDADE É A MÃE DA VIOLÊNCIA

Está mais do que na hora, da sociedade civil organizada deste País, dar um basta à violência. Nesta semana, mais uma notícia na imprensa choca milhões de brasileiro. Menino é morto por policiais no Rio de Janeiro, que deram 20 tiros em um carro onde estavam mãe e dois filhos pequenos.m morreu, a mãe e o filhinho de nove meses escaparam. Mas, escaparam de quê? A mãe e o pai, para chorar e sentir no peito a infinita dor da perdade um filho? E a sociedade, como fica?

Pois bem, aguardem, que esse vai ser mais um caso de impunidade no Brasil. Os policiais que atiraram, fizeram isso por quê mesmo? Estavam perseguindo quem? Confundiram um carro com uma mulher e duas crianças com um carro de traficantes?

A desqualificação policial não é apenas dos policiais cariocas não. A polícia do Ceará já mostrou despreparo e arrogância por diversas vezes. O que acontece é que a impunidade é tão descarada, uma verdadeira chaga social, que ninguém mais acha estranho policial matar uma criança e ficar as autoridades de segurança sem nada dizer. Um cordão de idiotices, mesmices, que sabemos vai dar na impunidade.

Os políticos,. Os dirigentes, presidente, governador, prefeitos, vereadores, senadores, deputados federais e estaduais pouco ou nada fazer. Essa é a verdade. As leis contra a impunidade não são votadas. O Congresso não legisla em favor de projetos para acabar co m o tráfico e a violência. Nada é feito, concretamente.

No Brasil, só há uma saída: ou a sociedade civil se movimenta, ou os políticos vão acabar com o que resta de bom neste País.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Crônicas do Sítio Rosto e adjacências


Amigos:

Este blog acaba de ganhar novo colaborador. Modesto, ele optou por assinar como "O Bruxo do Sítio Rosto". Talvez para valorizar um dos locais mais bonitos do bairro Lameiro, já que o cronista reside nas suas imediações. Abaixo - a seu pedido - estou postando sua primeira colaboração:


O homem não foi à lua

O Bruxo do Sítio Rosto
Aqui no Sitio Rosto a vida continua quase a mesma. Digo quase, porque Antônio de Braz me convenceu de que essa estória de o homem ter ido à lua é pura balela. Como o homem pôde ter pisado na lua? A lua é longe e não se vai para lá assim de qualquer jeito - disse o baixinho Antonio de Braz, do alto de seus quase noventa anos. E disse ainda: eles levaram uns homens lá para o Amazonas, tiraram umas fotos e disseram que foi na lua. E tem mais, continuou: lá na lua é tão claro que encadeia quem chegar lá. O sujeito fica é cego quando lá entrar.
Neste momento da conversa eu me lembrei do feio Ramiro, aliás, o segundo homem mais feio do Ceará, como ele mesmo gostava de se dizer. Ramiro do Seminário, como fora Ramiro do Cemitério, Ramiro do Colégio Diocesano...Como sempre vivera nas imediações clericais, Ramiro também possuía uma convicção contrária à idéia de a lua ter sido ultrajada pela presença do homem. E de tanto se comentar – naqueles idos de 20 julho de 1969 em diante – da grande proeza humana, Ramiro Feio foi conversar com todo o clero. De todos da confraria, só um lhe demoveu da terrível idéia de nunca mais sentar-se, à noite clara, à frente do sobradão, e dedilhar seu velho Gianinni, presente de Pe. Ágio. Esse único foi o glorioso Padre Francisco Salatiel, que acabara de vir da Europa, mestre em filosofia, homem sábio. E por ter tendo vindo da Europa, Ramiro não tinha como não acreditar na palavra do jovem padre. Dizem que Ramiro Feio, de uma feiúra feia e cândida, se convenceu da terrível verdade, após ter visto e ouvido do Padre Salatiel:
– É tudo verdade, Ramiro.Olhe aqui, a capa da revista Veja.
Dizem, ainda, que o sacerdote teria mostrado aquela capa em preto e branco, onde Ramiro soletrara, titubeante, as palavras do comandante Neil Armstrong:
“Um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a humanidade”.
A lua era minguante, nova e crescente ao tempo em que Ramiro, era capiongo, ensimesmado e triste, a circular pelos corredores do velho casarão, metendo medo, pela sua compleição suntuosa e cadavérica, aos já excitados e assombrados pupilos. Eis que numa noite de lua cheia, quando ela, a pino, num céu puríssimo, clareava o soturno mosteiro, Ramiro Feio, de uma feiúra linda e comovente, abriu o portão, sentou-se no seu banquinho, empunhou o violão e cantou as suas melodias em homenagem àquela que surge cor de prata. E olhou bem para ela e num laivo de desabafo e ironia disse:
–Pois é, os homens foram pra lua... inda bem que não mexeram nas instalações dela.
E fechando seu repertório cantou, de sua autoria, a música preferida do clero cratense, uma valsa dolente e bem marcada por uma letra que, em duas partes, insistentemente dizia:

Meu pai casado com minha mãe
E Minha mãe casada com meu pai,
Meu pai casado com minha mãe
Minha mãe casada com meu pai"

Dá tristeza quando se ouve, se é que se ouve, uma coisa parecida na voz do comediante Tiririca, cujo registro diz ser de sua autoria.
Mas o velho Antonio de Braz, que mora ali na embocadura do Sítio Rosto, tem razão. Eu concordo com ele. Os homens não foram à lua, assim como não devem ir. O mundo precisa dos homens aqui, e enxergando bem, para cuidar da terra, da água e do ar, e garantir a aposentadoria de Antonio de Braz e de sua esposa Cacilda, uma mulher muito valente... Mas aí é outra estória.

sábado, 5 de julho de 2008

Como surgiu a Basílica Menor de Nossa Senhora da Dores


O Cariri passará a contar, a partir do próximo dia 15 de setembro, com uma Basílica Menor: a igreja de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte. Basílica Menor é titulo honorífico concedido a numerosas igrejas em diversos países do mundo. O Papa confere este título ás igrejas que são consideradas importantes pela veneração que lhe devotam os cristãos, pela sua transcendência histórica ou pela beleza artística de sua arquitetura e decoração. Tal fato vem despertando a curiosidade de muitos caririenses que querem saber como surgiu a atual igreja de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.

Amália Xavier de Oliveira, autora do livro, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção da capela na fazenda Tabuleiro Grande:

"Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente. (OLIVEIRA, 1981:33-34).
A Capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem foi trazida de Portugal”. (id.: 35).

Amália complementou as informações acima, citando Irineu Pinheiro, autor do livro Efemérides do Cariri :

“Quem ler “O Sul do Ceará”, hebdomadário cratense, de 16 de abril de 1905, lerá, em artigo assinado por José Joaquim de Maria Lobo, ter sido assentada a Pedra Fundamental da Capela de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte, em 15 de setembro de 1827, havendo Missa cantada na casa de Oração pelo Padre Ribeiro Monteiro (o mesmo que também assinava Carvalho)...” (OLIVEIRA,1981: 34-35).

O fundador da povoação de “Joaseiro”

Alguns autores insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações – acima citadas – concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade. Deve-se ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, capela, residências para os escravos e agregados da família. A realidade histórica nos mostra: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. No povoado, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves. É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.

A primitiva imagem da Mãe das Dores

A imagenzinha de Nossa Senhora das Dores – adquirida pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, em Portugal – foi venerada como padroeira da Fazenda Tabuleiro Grande e do povoado de “Joaseiro” por cerca de 60 anos. Zélia Pinheiro, escrevendo ­– no opúsculo Sesquicentenário de Fé – sobre a inauguração, em 19 de agosto de 1884, da nova capela de “Joaseiro”, esta já construída pelo Padre Cícero, em substituição à primitiva, edificada pelo Brigadeiro, narra: (...)

"Continuava como Padroeira Nossa Senhora das Dores e fora colocada no Altar a mesma imagem trazida de Portugal para a Capelinha da Fazenda Tabuleiro Grande. Era uma imagem em estilo bizantino, de madeira, muito bem esculpida, tendo setenta e cinco centímetros de tamanho e permaneceu no Altar-Mor até setembro de 1887, quando foi trocada pela imagem que até hoje está lá". (PINHEIRO, 1977:26).

Bom esclarecer que a atual imagem, adquirida pelo Padre Cícero, substituta da primeira, somente chegou a Juazeiro em 1887, proveniente da França. A pequena imagem primitiva de Nossa Senhora das Dores, chamada antigamente pelo povo de “Carita”, encontra-se em perfeito estado de conservação. Ela, por questão de segurança, é guardada na Casa Paroquial. Geralmente é exposta à veneração dos fiéis nas duas grandes procissões anuais: a de 2 de fevereiro (Nossa Senhora das Candeias) e 15 de setembro ( Nossa Senhora das Dores).


Referências Bibliográficas:

OLIVEIRA, Amália Xavier de. Conheça o Cariri. Crato: Tipografia e Papelaria do Cariri, sem data.16 p.
OLIVEIRA, Amália Xavier de. O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte. 3ª ed. Recife: Editora Massangana, 1981. 332 p.
PINHEIRO, Zélia. Sesquicentenário de Fé – Juazeiro do Norte – Ceará – 1827 a 1977. Crato (CE): Empresa Gráfica Ltda, 1977. 50 p.

É A MESMA JÁ SENDO OUTRA

Uma simples foto de um ângulo da Siqueira Campos, publicada no Blog Cariri Agora, revela tudo. Dois jovens sentados iguais a tantos outros e não é mais a mesma coisa. E onde não é a mesma coisa? Em aparentemente tudo. Explico.

Há uns três anos passados cheguei ao Crato num dia de meio de semana, na metade da tarde, vindo do Aeroporto de Juazeiro. Estive numa reunião que durou uma hora ou um pouco mais e fui para o hotel. Aquele que fica no caminho do granjeiro. No quarto, com o resto da tarde e pela noite sem qualquer programação com alguém. Sai do quarto e fui para a piscina do hotel. Na minha frente a belíssima paisagem da encosta da Chapada do Araripe. Mas não fiquei como um observador distante. Lentamente a flora foi me reconhecendo, assim como os pássaros, a iluminação e a brisa da tarde. Numa observação simbólica, novamente em meu território, o espaço e as gentes que sabia contínua a mim mesmo.

Chegou a noite. Estas noites que apavoram o homem moderno por motivo diferente daquele apavoramento do homem antigo. Naquele pelos mistérios do mundo cheio de desconhecidos e agora pelo vazio de nada ter para se distrair, se atentar, se aquietar nas telas eletrônicas que mostram uma realidade que não se encontra onde meu olho examina, mas muito distante dele. Neste clima pedi um táxi e fui para um restaurante de idos tempos na rua Monsenhor Esmeraldo. Não tinha cartão de crédito e eu sem dinheiro. Desisti e resolvi ir até o Banco do Brasil na esquina da Bárbara de Alencar com Senador Pompeu. Pegaria o dinheiro e voltaria ao restaurante.

Mas tudo mudou. Andando pela Senador Pompeu, a antiga rua da feira da rapadura, através de um casario que fazia parte do tempo. Era a mesma coisa. Pinturas e restaurações adicionadas, placas e anúncios, o mesmo vazio das horas de comércio fechado, alguns transeuntes. Ali o vazio onde um grupo de amigos, especialmente Tarcísio Leitim, jogava gamão. O antigo prédio das Pernambucanas, um farmácia encontrada na memória, um jeitão de balcão de loja de tecidos com seus vendedores aprontando o fetiche nos olhos das mulheres.

Após pegar dinheiro no caixa eletrônica retornei às ruas. Ruas cheias dos prédios que diziam: o Crato é aqui mesmo. O volume do reconhecimento foi até o limite em que igualmente busquei o sentido destes prédios por meio das pessoas conhecidas. Mas as ruas e os prédios estavam vazios desta gente. Enquanto avançava pela Senador Pompeu, naquela altura o vazio não mais animou-me a retornar ao restaurante, indo na direção da Siqueira Campos mais uma imagem se formava. Naquele passo, inteiramente solitário, solidão que mais se acentuava no contraste do casario reconhecido, formou-se a nítida contradição entre conteúdo e continente.

O continente era reconhecível, mas o conteúdo não mais o era. Todas as pessoas eram outras. Enquanto avançava pela praça Siqueira Campos, naquela altura menos iluminada e infinitamente mais vazia do que a minha memória, compreendia a sina dos historiadores. Um visitante dos espaços em que seus hospedadores não mais existem como entes do mundo. O efeito de passear-se numa cidade fantasma não era igual, posto que pessoas circulavam. Diria que aquele Crato era uma cidade cenográfica em que as gerações fizeram e fazem seu teatro de vida individual e coletiva.

Na foto do Cariri Agora, a expressão desta cenografia vista pelos dois atores da atualidade. O velho Café Crato, quando apenas devem existir os ossos do Sr. Orestes, seu antigo dono. Agora com suas paredes divididas entre a cor ocre e o marrom. Cores outras, mais fechadas, acrescendo cadeiras de plástico avermelhado. Existe uma pessoa sentada, talvez isenta do passado daquele café no qual não existiam mesas ou cadeiras, todos ficávamos em , sentido o perfume do café sendo coado e paquerando as garçonetes num rito machista equivalente para elas a um desejo e para os outros homens a uma fortaleza. Aquela pessoa é tão isenta do passado quanto eu do presente.

Na esquina uma loja entre o branco e o azul, uma ótica (?), uma joalheria (?), uma loja de presentes (?), não importa. Ali ficava a lanchonete de Bantim. A lanchonete do tempo que o lanche era merenda e seu conteúdo era outro: sanduíche bauru, bananada, abacatada, um picolé ou um sorvete. Para aqueles dois jovens eu conto que houve um dia um sujeito que mudou completamente o conceito de merenda. Foi o Cascatinha: era mate gelado batido com limão e pastel. A loja ficava cheia de compradores e o filho do dono, nosso colega e amigo, de tanto sucesso teve o negócio do pai até recebeu por apelido o mesmo da casa. Apenas por lembrança, que Bantim puxou Cascatinha, vou à rua Duque de Caxias, próxima do Diocesano, onde o pai do Peixoto (pai ou tio do Waltim) vendia doces que encantavam os alunos do colégio. Comíamos como no olimpo mistura de doces. Gostava muito da mistura do doce de batatas com goiaba em calda.

A dicotomia conteúdo e continente também pode ser uma bela ilusão. Afinal o presente é apenas muito próximo de uma linha evolutiva, mas não é em absoluto um contínuo do passado. Quando o presente se encontra algum tempo antes de sê-lo, existem algumas possibilidades do modo como será, que apenas o será como coisa dada, algum tempo depois de ser presente. Com isso não digo que o presente seja uma ficção, apenas um momento entre o passado e o futuro, não é isso. A proximidade entre acontecer e acontecido é tão grande que nos confunde, mas é inegável que algo poderá modificar o rumo esperado antes para o presente.

Charge - Filmes clássicos "Assim caminha a unanimidade"


sexta-feira, 4 de julho de 2008

NUMA MESMA SEMANA LIBERTARAM INGRID BETTANCOURT, NELSON MANDELA, AS CRIANÇAS E AS MÃES BRASILEIRAS.

Um amigo queixou-me que não precisava fazer referências às pessoas das quais se originam coisas que criticamos. Tipo tripudiar, por exemplo, a luta armada dos guerrilheiros das FARCs logo nesta vitória que envolve a conjunção de táticas e estratégias dos EUA, Israel e do presidente Colombiano. Mais ainda quando o candidato republicano John Mc Cainm numa incrível capacidade de prognosticação, abandona sua pesada campanha em território americano e vem a Bogotá no exato momento em que Ingrid Bettancourt é solta. Nos mesmos dias em que a "relevante" notícia de que as "infiltrações" militares foram feitas com pessoas vestindo camisas com estampa de Che Guevara como a subliminarmente revelar o próximo alvo de tais ações. Ao final foi uma grande vitória de determinadas forças políticas e nenhuma força política, qualquer que seja, em qualquer momento da história poderá abdicar de qualquer tática ou meio de luta pelas suas idéias. Hoje mesmo a incrível e hígida mulher de dupla nacionalidade, não mais aquela esquálida e desnutrida preste a morrer isolada nas selvas colombianas, que uma certa propaganda política fazia crer, aparece nos jornais enquanto embarca no avião do Governo Francês para as justas homenagens das forças políticas que hoje governam a Quinta República. Não por acaso Ingrid Bettancourt deu senhas para que as forças políticas aliadas para o seu resgate alfinetem os presidentes do Equador e Venezuela. Como não é o acaso que, segundo os jornais de hoje, para desespero das referidas forças que de nacionalidade brasileira, tenha advogado o terceiro mandato para o presidente Uribe. É possível retirar-se um valor universal de paz para tais eventos históricos? Você responde.

Mas certamente é possível comemorar, como valor universal, um outro resgate feito no mesmo dia e que ficou na periferia dos noticiosos. Um resgate histórico que destrói e denuncia a arrogância dos seqüestradores. Autoritários, agressivos, com grande margem de ilegalidade e ilegitimidade em suas ações clandestinas por todo o mundo. Uma força destrutiva que esteve associada às maiores quantidades de mortes dos séculos XX e XXI. Uma organização feita para o próprio resultado, que pretende impor ao restante da humanidade uma única visão, a visão subordinante aos preceitos de sua natureza invasiva. Em tal dia o quase nonagenário cidadão do mundo Nelson Mandela, que lutou a luta justa contra o regime segregacionista dos africanos em seu próprio continente de origem, foi libertado pelo "estado guerrilheiro" dos Estados Unidos da América de sua condição de "terrorista". Agora Mandela pode ter o único título maior que o próprio Nobel da Paz que ganhara há muitos anos. Os EUA lhe deram a comenda de bem comportado estrangeiro.

Igualmente universal, para reflexão de milhares de pessoas que circularam e-mails contra as políticas de proteção social e de transferência de renda. Os textos dos que se julgam vítimas dos impostos para pagar as cigarras que aparentemente não fizeram seu trabalho no verão e agora as formigas de roça se queixam. Como reflexão geral para os brasileiros que em qualquer data da década de 90, perderam a noção de sociedade e estado. Parte porque perderam a solidariedade, como efeito colateral da queda dos regimes socialistas e parte porque guardaram profundamente em suas almas a propaganda com que os grandes compradores do patrimônio estatal brasileiro tentaram traduzir o Estado. Os objetivos foram atingidos, mas a idéia que o Estado é uma coisa fora da sociedade ficou. A idéia que o Estado é uma empresa e não a própria sociedade.

Pois hoje, é universal, a sociedade brasileira, por meio do seu Estado, por sucessivos governos de natureza social democrática, reduziu a pobreza, a morte infantil e a desnutrição das crianças. Hoje, muito próximo de aposentar-me como funcionário da saúde pública brasileira posso dizer, que a consciência que minha geração teve de que a realidade poderia ser diferente, que os brasileiros poderiam enfrentar a sua própria mazela, se tornou realidade. A mortalidade infantil em dez anos caiu mais acelerado até do que se pretendia, a desnutrição aguda evaporou-se na população, mulheres vivem mais e a desnutrição crônica das crianças está abaixo de qualquer país em condições iguais ao Brasil. Com isso a sociedade pode acreditar em si mesma, saber que ação coletiva tem resultado, que políticas públicas mudam realidade. Saber que apostar em educação, saneamento básico, proteção social e aumento de renda, saber que os serviços públicos de saúde nos preparam para a vida e para a paz. Fora disso são conceitos particulares, privados, em interesse de grupos privilegiados.

AS NOTÍCIAS DA SEMANA



CRATO NOS ANOS 30
A foto acima mostra o prédio do Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato na década 30 do século passado. No fim do edifício existia um pequeno oratório, no qual as freiras faziam suas orações. Àquela época a capela de Santa Teresa (localizada vizinha ao colégio) ainda não era administrada pela Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus, como acontece hoje. Vê-se ainda: um burro conduzindo duas âncoras e uma lata de flandre utilizadas no transporte de água de beber para abastecimento da população de Crato.


PEDIGREE
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, esteve em Crato na última segunda-feira, 30 de junho. Veio participar dos funerais de sua tia-avó Alda Arraes de Alencar. Eduardo Campos também tem origens no Cariri, porquanto é neto do ex-governador Miguel Arraes. A família Arraes de Alencar é uma referência entre os clãs cearenses. Seus membros, por tradição, são pessoas íntegras, empreendedoras, bons católicos e sabem suportar os revezes da vida com uma dignidade exemplar. Além de Alexandre Arraes, Miguel, Violeta e dona Benigna – para citar apenas esses – a nova geração dos Arraes possui entre seus membros pessoas que se enquadram no perfil acima mencionado.

COLHER DE CHÁ
A Unesco escolheu a Malásia para sediar a 4ª Conferência Internacional de Geoparks, a ser realizada em 2010. Entretanto, o Brasil vai ser a sede da 1ª Conferencia dos Geoparks das Américas, também em 2010, que será promovida sob o patrocínio do Governo do Ceará/ Geopark Araripe.

CARIRI E TIMOR LESTE
Esta Huberto Cabral precisa anotar nos seus alfarrábios sobre o relacionamento de Crato com outros países. O Governo do Brasil vai enviar cinco professores do Colégio Agrícola de Crato para Timor Leste. Eles embarcam no próximo dia 13 e vão desenvolver um projeto para implantação de uma escola de ensino agrícola naquele país. Outras instituições brasileiras vêm dando ajuda ao Timor Leste em várias áreas, ajudando a implantação da máquina administrativa, elaborando projetos de saúde, educação e segurança pública naquela jovem nação. Até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB vem enviando padres e freiras para assistência aos católicos de lá.

SAIBA MAIS SOBRE TIMOR LESTE
Situado na parte oriental da ilha do Timor, no Sudeste Asiático e independente desde 2002, o Timor Leste é um país em construção. Era colônia portuguesa, mas em 1975 foi anexado à Indonésia pela força. A ditadura de Suharto assassinou cerca de 200 mil timorenses e tentou apagar todos os vestígios da antiga cultura portuguesa. Hoje o Timor Leste renasce das cinzas. E o Brasil vem colaborando muitíssimo para esse renascimento!

SAINDO DO PAPEL
Nos dias de hoje a água potável é um bem escasso. O grupo de trabalho – formado por representantes da Área de Proteção Ambiental do Araripe, Prefeitura Municipal de Crato, Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Salgado e Superintendência Estadual do Meio Ambiente – selecionou as 79 fontes, no município de Crato, que deverão ser desapropriadas com o objetivo de facilitar a distribuição das águas para as comunidades do sopé da Chapada do Araripe. Essas fontes até agora eram exploradas como um bem particular pelos proprietários da terra onde estão situadas.

TRISTE
A nota abaixo foi postada – nos blogs da região do Cariri – pelo médico Valdetário Brito, membro do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores–PT de Crato:

“Ainda consternados com o precoce falecimento do PT do Crato, nos dirigimos aos filiados, ex-filiados, militantes, simpatizantes e ao povo em geral para informá-los que a missa de sétimo dia que seria realizada em sufrágio da alma do referido partido, que (como o próprio nome lembra) partiu deste para um mundo melhor: sem mentirosos, sem traidores, sem incompetentes, sem “correntes” e sem “amarras” (...) Assim, pedimos às almas caridosas que nesta próxima quinta-feira, 03.07.2008, façam suas orações, cultos e rituais em lembrança deste jovem que muito simbolizava para a nossa comunidade e acabou sendo covardemente ferido, vindo a óbito após um período de insuportável martírio”.

Deu no que deu....
FRASE DA SEMANA
"A Alma não segredo que o comportamento não revele" (Lao-Tsé)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

POLÍTICOS E POLÍTICA NA CIDADE DO PRADO

Esta história é uma ficção. Qualquer semelhança com personagens atuais é uma farsa e não uma coincidência.

Na cidade do Prado, vizinha de Cajazeira do Norte e de uma outra com o nome estranho de Marvalha, a eleição do ano 1808 foi bem típica daqueles anos estranhos. Juntando uma situação histórica de transição, tangida pela revolução francesa, pelo bonapartismo guerreiro e conquistador e por uma aristocracia perdulária e atrasada, a política daquele ano ficou desconjuntada.

Pelo lado da disputa política do comando da cidade do Prado as opções eram como a sua linda serra sempre verde: antiga e imutável. Os conservadores dominavam o cenário. Ou eram vetustos homens de algibeira como se dizia na época, com idéias para a cidade absolutamente fora de propósito. A cidade do Prado crescera, até seminário tinha, havia um movimento para criar um ambiente de ensino superior, mas seus professores brigavam uma briga inútil e intestina para saber-se se as idéias de Galileu Galilei, naquela altura de seus 200 anos, deveriam ser postas em ensino. O precolendo candidato ao poder, mais pela idade que pelos seus atos, era tipicamente um americano. Um mestiço de idéias: juntava no mesmo cérebro tanto a gleba feudal, quanto o absolutismo mercantil e algumas coisas, quase que pequenas pepitas naquele imenso cascalho de idéias, da era moderna, capitalista e industrial.

Outro político em disputa, naquele ano de 1808 estava no poder e lutava pela sua permanência, era como um camaleão na natureza daquela transição. O seu pensamento central era a arte de camuflar-se no dia-a-dia, se hoje os pobres ocupavam a praça da matriz da cidade, era um homem preocupado com o ganho da pobreza, no outro quando os menestréis vinham com suas violas famélicas, era cultura e preocupação com os artistas. Na verdade era bem mais jovem que o outro e não precisava expor suas idéias básicas. Não precisava porque igual ao outro era da mesma natureza, que este era filho de antigo chefe local e, em nome desta tradição, governava.

Um mascate, aliado do chefe da Província, entre seus teréns vendidos na feira a preços populares, não era somente um híbrido continental, ou seja, territorial, era um híbrido daqueles tempos. Juntava uma raiva ancestral por não pertencer às famílias da aristocracia regional, com sua modernidade fabril e mercantil e, igual um homem de circo das pernas de pau, se equilibrava em grande risco nas alturas do mais puro conservadorismo provincial. Foi solicitado a sair de seu assento em plena reunião para dar lugar ao vetusto político anteriormente relatado.

As idéias populares, aquelas que seriam representativas do evoluir do século XIX, estavam naquela fase em que as vespas voam desesperadas, enxotadas de sua colméia natural e evoluem desordenadamente em busca de uma nova morada. Juntava um pouco de preocupação com a podridão que tomava conta dos riachos que abasteciam de água as casas das famílias, com o desmatamento da mata que alimentava as nascentes das águas com a avidez por negócios dos novos comerciantes, mais a revolta dos camponeses que morriam de fome entre uma safra e outra do corte de cana.

As idéias organizadas, em simulacros de partidos políticos, na tentativa de formar conjuntos ideológicos, eram muita mais um tamborete de salão nos quais um burocrata se assentava para operacionalizar acordos políticos na periferia do poder central. Enfim num ambiente desse tudo pode e nada pode. Ninguém segue caminho qualquer, tudo muda apenas para permanecer o mesmo.

O maior exemplo era o dos tablóides. Em Prado havia o moderno recurso da prensa de Gutenberg, jornais circulavam e matérias eram postadas tentando capturar a realidade. A situação em Prado era tão precária em termos de "iluminismo" das idéias que aqueles que escreviam e publicavam se achavam os paladinos da liberdade de pensar. Mas era ledo engano. Bastava um vôo rasante para caírem no duro piso do cristalino conservador.

A disputa pelo poder era acompanhada por "juízes de fora", fiscais locais e por oficiais de justiça. Como o grande absolutismo ditatorial era a tônica reinol, nos espíritos secundários destes pequenos funcionários inventou-se a ditadura formiguinha. Passaram a ameaçar a tudo e a todos com regras de disputa de propósitos ameaçadores. Mas ameaça com propósito, pois a ameaça no máximo pode ser uma espécie de transitivo indireto, pois sempre tem a quem ameaça e com que finalidade. A tática é sempre ter clareza de quem ameaçar, mas criando uma cortina de fumaça para esconder a real finalidade. A cortina de fumaça é o mesmo de toda ditadura: a legalidade. Mas que legalidade? A legalidade do conservadorismo e a ilegitimidade com a complexa realidade.

O clima criado pelos "ditadores-formiguinha", os ditadores de província em conjunção com os parceiros locais, foi de tal ordem que um destacado jornalista começou a perder o sono. Imaginando o efeito de tal e qual matéria poderia provocar no espírito daquelas formiguinhas vorazes. Antes que os tipógrafos estivessem na prensa, o referido jornalista, editor do Tablóide do Prado, desmanchava os tipos que poderiam imprimir a sua sentença de prisão ou a multa pecuniária.

Encontro de historiadores em Quixadá

Abaixo matéria publicada no jornal "O Povo" desta 6ª feira. Uma delegação de historiadores cratenses se encontra em Quixadá para participar do evento.

ENCONTRO ESTADUAL
Historiadores se reúnem em Quixadá
Cerca de 300 historiadores estão participando de um encontro estadual em Quixadá, no Sertão Central. O evento, realizado de dois em dois anos, discute temas como políticas urbanas, religiosidade, questão agrária, movimentos sociais, entre outros
Secas e obras públicas no Ceará; a questão agrária no País; patrimônio e memória. São temas dos mini-cursos realizados no XI Encontro Estadual de História que está ocorrendo em Quixadá, no Sertão Central. Cerca de 300 historiadores participam do evento que começou na última segunda-feira, 30, e prossegue até amanhã, 4, no auditório da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc).
É o primeiro encontro estadual desses profissionais realizado na região, segundo Alênio Carlos Noronha Alencar, presidente da Associação Nacional de História - seção do Ceará (Anpuh-CE). "Os encontros são realizados sempre nos anos pares e já ocorreram nas cidades de Crato (Região do Cariri), Limoeiro do Norte (Região Jaguaribana), em Sobral (Região Norte) e em Fortaleza", recorda.
Ele diz que o tema deste ano foi escolhido com o objetivo de "ampliar o debate entre os diferentes saberes construídos no cotidiano escolar e acadêmico das instituições de ensino e pesquisa, nos arquivos e acervos, nos museus, nos lugares de memória". Temas Para hoje, 3, também serão debatidos os temas: a escravidão negra no Ceará e suas fontes; maçonaria; saúde e doenças no Nordeste brasileiro do início do século XX e o estudo da arqueologia e museologia. Foram convidados para o encontro professores de universidades cearenses como a Uece, UFC e Universidade Regional do Cariri (Urca), bem como de outros estados brasileiros como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Federal de Sergipe (UFSE) e Universidade de Brasília (UnB). Também há historiadores de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Unesco, entre eles, a professora doutora Márcia Regina Romeiro Chuva.
Estão programados ainda, até sexta-feira, simpósios temáticos e palestras. Nos simpósios, serão abordados o patrimônio cultural, os movimentos sociais, o cotidiano e cultura dos trabalhadores, a cidade e o sertão: espaços e formas de vida, entre outros. "No encerramento, vamos definir o local do próximo encontro, marcado para 2010", diz Alênio Carlos.
SERVIÇO
Mais informações: http://www.anpuhceara.org/
SAIBA MAIS

PROGRAMA DO ENCONTRO
Hoje, 3 Das 5h às 6 horas - alvorada 7h30min às 9h30min - mini-curso 10h ao meio-dia - mesa-redonda sobre cultura e religiosidade populares: múltiplos olhares 14h às 17 horas - roteiro cultural 18 horas às 20 horas - palestra sobre o presente e o passado: as artes de clio em tempos de memória 20h às 22 horas - mini-curso 22 horas - programação cultural

terça-feira, 1 de julho de 2008

PRAGMATISMO NA ESQUERDA TAMBÉM

Esse chamado pragmatismo, sempre que é usado na política pode causar alguma controvérsia. Nas esquerdas, quando bate o pragmatismo é preciso ter calma. O PC do B do Cariri vem sofrendo esse processo.Em Araripe filiou ao partido um autêntico tucano, eleito prefeito com apoio de Humberto Germano, ex-prefeito da cidade. Em Aurora, anunciou apoio a outro tucano, Adailton Macedo, sobrinho de Raimundo Macedo e um dos homens fortes de Raimundão, no chamada República de Aurora, que tomou conta da prefeitura de Juazeiro. Depois voltou atrás. No Crato tinha um discurso na ponta da língua: apoiar o candidato apoiado pelo governador. Esse discurso não está presente nos outros municípios. Só voltou atrás depois que o candidato resolveu sair de cena e apoiar Walter Peixoto. Mesmo dizendo ser um desejo de Cid, Sineval não conseguiu convencer os comunistas, que foram apoiar o Partido Verde, diga-se de passagem, no plano nacional, o PV está completamente contra o governo Lula e articula uma frente com PSDB e DEM para as próximas eleições.Em Potengi, fez acordo com o PSDB. Não temos ainda o quadro eleitoral do Ceará e do Cariri, completo, mas ainda muitas surpresas virão.

Tarso Araújo
http://tarsoaraujo.blogspot.com

Expocrato: Organizadores de feira querem aumentar negócios em 30%

(Fonte: jornal O POVO 1º de julho de 2008)

Expocrato
Organizadores de feira querem aumentar negócios em 30%

Expocrato 2008 começa no próximo dia 13 e traz novidades como o leilão de raças nacionais e uma exposição de cães. A expectativa é um volume de negócios 30% maior do que do ano passado.

Rita Célia Faheina, da Redação
Julho 01h15min 2008

Maior espaço para a exposição dos animais, leilões de raças nacionais, movimentação bem superior ao do ano passado com relação ao volume de negócios e ao público esperado. Os organizadores da 57ª Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato-2008) querem superar em 30% o faturamento de R$ 67.990.110,00 do evento no ano passado e o número de visitantes durante os oito dias do evento em julho de 2007: 600 mil. A principal feira agropecuária do Norte/Nordeste e uma das maiores do País começa no próximo dia 13 e prossegue até 20 de julho, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti no Crato, Região do Cariri. "Não é só uma festa regional, mas do País. A Expocrato vem crescendo muito a cada ano", define Ricardo Técio Miranda Garcia, presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bioregião (Accoa) e integrante do núcleo gestor da Exposição.

Ele informa que, pela primeira vez, haverá leilões de raças bovinas nacionais. "Serão três contemplando as raças Sindi, ovinos das raças Morada Nova e Somalis, caprinos da Raça Anglo-Nubiana e ainda o leilão Top Cariri". Outra novidade da Expocrato 2008 é a Expocães com a presença de animais de várias raças.

Além do programa técnico e de negócios da feira, o grupo gestor organiza a parte cultural com cerca de 30 shows de artistas regionais e nacionais. Investem numa estrutura com mais de 40 camarotes, dois palcos, tendas eletrônicas, praça de alimentação e estacionamento. Na área de 120 mil metros quadrados, cabem 30 mil pessoas. Os shows culturais e as atrações artísticas são pagos. Na Praça do Folclore, os expectadores também pode assistir a apresentações, diariamente, de danças como o maneira-o-pau, coco e reisados, além dos repentistas, bandas cabaçais e participar do forró pé-de-serra. "Teremos também os stands voltados para o agronegócios, artesanato e diversas linhas de crédito, uma casa de farinha e um engenho de cana-de-açúcar", lembra Ricardo Técio.

No ano passado, em torno de 390 expositores nacionais mostraram seus produtos nos oito dias da feira. Os negócios envolveram, além dos leilões e venda direta dos animais, comércio de máquinas, implementos agrícolas e veículos. No evento, serão apresentadas as últimas novidades da moderna tecnologia agropecuária e agroindustrial. Trará ainda inovações da pesquisa, nas áreas de genética animal e assistência técnica.

SERVIÇO

Mais informações pelos telefones: (85) 3101 1670 e (88) 3521 3561. Enviar e-mails: expocrato@agropolos.org.br

SAIBA MAIS

A Expocrato é resultado de parcerias entre o Governo do Estado, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, do Instituto Agropolos, da Associação dos Criadores do Crato, da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bioregião do Araripe e Ematerce. A Exposição Regional Agropecuária do Crato começou em 1944, organizada por um grupo de agropecuaristas, que conversavam sobre o desenvolvimento do Crato e a necessidade de um evento que movimentasse e trouxesse modernização para a agropecuária da região. A região do Cariri, composta por 31 municípios, é conhecida como o “Oásis do Sertão” devido às virtude de suas mais de 260 fontes de águas naturais, áreas verdes e natureza exuberante.

Eventos paralelos: demonstrações do funcionamento de engenho de cana-de-açúcar e casa de farinha; encontros de negócios animais; feira dos municípios; feira de artesanato; feira da agricultura familiar; palestras técnicas; cursos técnicos; parque de diversões; shows artísticos. Mais informações: www.expocrato.com.br

domingo, 29 de junho de 2008

O NOTICIÁRIO POLÍTICO QUE NÃO FALA DE POLÍTICA

Os nossos jornalistas que pautam a política do Cariri são competentes e buscam a notícia onde ela se encontra. Quando lemos o que resulta de suas lidas diárias e ficamos decepcionados com o conteúdo de seu trabalho nada tem a com suas competências. Tem muito do baixo nível da notícia em si. O pequeno conteúdo da realidade política regional.

Nenhuma notícia sobre a realidade do Cariri. Suas necessidades, as políticas públicas relevantes, a avaliação do que atualmente ocorre, a revisão necessária, enfim o otimismo com o dia de amanhã. O que lemos é sobre arranjos, e arranjos que têm muito peso na região, mas não são do interesse desta propriamente dito. Tudo é uma subordinação desta linda região não a programas partidários, mas às carreiras dos grandes líderes.

De um modo geral a disputa não se encontra aqui a não ser quando se personaliza. É fulano contra beltrano. Fora desta banalização medíocre, a política ocorre fora, no litoral, na capital. Então o Cariri todo passa a ser uma mera estratégia para os projetos políticos de Tasso, Eunício, Ciro, Cid em 2010 etc.

Por isso os grandes partidos PSDB, PMDB e PT (mais aqueles que este) são a máquina mais sólida que costura fulano contra beltrano no interesse de líderes que não mais lideram projetos de sociedade, apenas carreiras políticas. Os partidos menores, inclusive, DEM, PSB, PDT, PV e PC do B e mais outros, se resumem a acrescentar minutos para as coligações e a lastrear a vereança de alguns nomes.

Duas conclusões se extrai neste noticiário: a) o Ceará perdeu o norte de sua sociedade e b) o Cariri é o pano de fundo da política cearense.