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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Edital garantirá restauração de imagens sacras




Imagens sacras raras, com cerca de 200 anos de existência passarão por processo de restauração nesse município. O acervo é pertencente ao Museu Histórico do Crato. O projeto foi selecionado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), por meio de edital de apoio à preservação do patrimônio material, na modalidade de preservação de acervos museológicos. O trabalho será executado por meio da Secretaria de Cultura do Crato.

A autora do projeto, a restauradora italiana, Maria Gabriella Federico, classificou as peças a serem contempladas no projeto, que se constituem em exposição permanente na sala Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, como uma relíquia para o Museu, que remontam quase o período de origem do município, estando entre as mais antigas da região. São contempladas no trabalho, a ser iniciado ainda este mês, 14 imagens, um sacrário e dois oratórios, que foram detalhados no projeto técnico de conservação.

História resgatada

Todas as imagens são em madeira. Algumas delas estão num estado avançado de deterioração e continuam em exposição. A secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, destaca o edital, que contempla o projeto avaliado em R$ 15 mil, uma vitória para o Crato. “É a nossa história que está sendo resgatada. Antes, tínhamos um projeto de modernização do museu, solicitado ao arquiteto Waldemar Farias, isso levando-se em consideração a preservação da originalidade do Museu Histórico. Mas agora, vemos a necessidade de recuperar e salvaguardar as peças raras, em primeiro plano”, explica a secretária municipal.

Ela afirma que alguns móveis destruídos pelos cupins passaram por recuperação durante a sua gestão e tem a finalidade de revitalizar o espaço e torná-lo mais atrativo para os visitantes e a própria população. “As pessoas precisam conhecer sua história, suas origens, e o Museu é um espaço importante que documenta esse passado”, diz Danielle Esmeraldo.

Ela destaca o trabalho de recuperação que vem sendo feito com as peças do Museu de Artes Vicente Leite, na parte superior do Museu Histórico, pela artista plástica e restauradora, Edilma Saraiva. No local há obras de artistas como Sinhá D’Amora. A Secretaria de Cultura do Crato está enviando toda a documentação necessária para começar o quanto antes o trabalho. Ainda este mês deverá começar o trabalho de restauração.

O investimento futuro será na proteção das imagens. “São obras de um valor imensurável. Vamos restaurar para conseguir manter essas obras e fazer com que o Museu tenha algo digno para visitas”, ressalta.

Algumas peças, conforme a restauradora Gabriella Federico, poderão demorar, dias para serem restauradas. Algumas delas estão muito danificadas, faltando partes dos dedos, e até as mãos, a exemplo das imagens de São Francisco, Santana e São José. Uma das imagens, conforme a Gabriella Federico, que merece destaque, é a de São Fidelis, do século XVIII, co-padroeiro do município. O Crato, por um período de sua história, foi conhecido como “Curato de São Fidelis”. Não há nenhuma outra do gênero no acervo da Diocese do Crato. Todas essas imagens raras foram doadas ao Museu Histórico pela Diocese.

O acervo sacro do museu é considerado um patrimônio de grande valor histórico pela restauradora. “O estado atual de conservação é extremamente delicado de todas as peças”, diz Gabriella, ao ressaltar a importância fundamental da preservação, para que seja mantido o registro da memória do povo e “embutir nas novas gerações o respeito pela cultura e história da região, sensibilizando para uma tomada de consciência”, diz ela, ao acrescentar a repercussão positiva na qualidade dos serviços e equipamentos culturais do município.

Gabriella enfatiza a importância da salvaguarda desse material e diz que pretende realizar o trabalho, com acompanhamento de jovens estudantes, no sentido de formar novas consciências voltadas para a preservação do patrimônio histórico.

Elizângela Santos
Repórter

IMPORTÂNCIA

"São obras de um valor imensurável. Vamos restaurar para o Museu ter algo digno para visitas".
Danielle Esmeraldo
Secretária de Cultura do Crato

"O estado atual de conservação é extremamente delicado de todas as peças do Museu".
Gabriella Federico
Restauradora

Mais informações:
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural do Araripe, S/N
(88) 3523.2365
Olhar - Casa das Artes, Pça. Da Sé, 91, (88) 3521.1590

Vanuzia Tavares faz performance na URCA

A poeta e acadêmica do curso de História Vanuzia Tavares faz apresentação performática na quarta-feira, dia 14, às 20 horas, na passarela superior do curso de História da URCA, no Campus do Pimenta. Com a Performance a "A querda" a artista recitará seus poemas e os lançaram ao público. Vanuzia vem ocupando as cenas
marginais da poesia e os espaços convencionais, tendo feito apresentações no Performance Poética do Sesc, na Mostra DesUSA, em banzinhos alternativos e na Universidade Regional do Cariri. Natural da cidade do Rei do Baião, Exu, Pernambuco a poeta tem marcado o seu discurso poético pelo contemporâneo e o existencial.
A performance de Vanuzia Tavares faz parte do projeto Altar Poético desenvolvido pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, vinculado a Pro-Reitoria de Extensão da URCA.

Serviço:
Projeto Altar Poético
Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC/PROEX/URCA
Telefone: 3102-1212 ramal 2424.

CIDADES DO CARIRI

Caririaçu

O Município de Caririaçu foi habilitado pelo Ministério da Saúde com a construção de um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), e reforçará o atendimento em saúde bucal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O CEO é responsável por atendimentos mais complexos, como cirurgia oral menor, periodontia e diagnóstico de câncer bucal, além de outras especialidades a serem definidas localmente. O tratamento oferecido nos Centros de Especialidades Odontológicas complementa o trabalho realizado pela rede de atenção básica e pelas equipes de saúde bucal, que já são 17.715 no país.

Vivo no Cariri

Desde o último dia seis de janeiro, que a operadora de telefonia móvel Vivo, controlada pela espanhola Telefônica e Portugal Telecon, está operando nos municípios de Crato, Juazeiro e Barbalha A Vivo chegou flexibilizando o mercado de aparelhos a partir de R$ 10,00 com câmeras, até o mais sofisticado que é o iPhone. As informações foram passadas pelo empresário Israel Gondim, representante da operadora na região do Cariri. Com 43 milhões de clientes no Brasil a Vivo é a maior operadora de celular da América do Sul e conseguiu chegar ao Ceará por um desembolso de R$ 13 milhões.O Cariri partiu na frente em relação a algumas cidades desses Estados como Teresina, Caruaru e Natal que ainda não dispõem do sinal Vivo.

Hospital

O resultado da licitação para as obras de construção do Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, deverá sair no próximo dia 22 de janeiro. Os envelopes com as propostas comerciais das empresas foram abertos no último dia 7, na sede da Central de Licitações do Estado. Nove empresas participaram dessa fase, sendo que uma delas teve a proposta aberta por meio liminar judicial. A proposta de menor valor foi apresentada pelo Consórcio Palma Engenharia e Fujita Engenharia, no valor de R$ 44.224.380,76. De acordo com o edital, a obra está estimada em R$ 53.028.162,19. As propostas de preço foram encaminhadas ao Departamento de Edificações e Rodovias, para a análise das planilhas e projetos. O passo seguinte será a publicação do edital de classificação das empresas participantes. Após a divulgação do edital, os concorrentes terão o prazo de cinco dias úteis para recorrerem. Finalizados os prazos será divulgada a proposta vencedora, que deverá ocorrer até o próximo dia 22.

DEPUTADO LANÇARÁ PROJETO PARA CELEBRAR CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ

Após o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa do Ceará, de autoria do Deputado Lula Moraes (PC do B), que garante 2009 como o Ano Patativa do Assaré, foi a vez de outro parlamentar homenagear o poeta do sertão. No dia cinco de março de 2009, Patativa do Assaré completaria cem anos. E para celebrar o centenário deste ícone da poesia brasileira, o deputado estadual Edson Silva (DEM), apresentará um projeto de lei com o objetivo de criar o dia da poesia no Ceará. Se a lei for aprovada, cinco de março será “o dia cearense da poesia”.

Edson Silva define o poeta Patativa como “uma figura que jamais deve ser esquecida, pois ele foi brilhante com as palavras, mesmo sem conhecer muito delas, além de orgulhar o povo caririense no mundo inteiro, pois ele é reconhecido até em outros países, como a França”.

O deputado pretende, com a criação desta lei estimular a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) a realizar um evento anual, no dia do nascimento do poeta, com recitais de poesias, para ser mantida sempre viva a memória e as poesias geniais do ilustre caririense Patativa do Assaré.

Jornal do Cariri

SEMACE NEGA QUE SÍTIO FUNDÃO ESTEJA ABANDONADO

Edwirges Nogueira
Especial para o JC


O gerente do escritório da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) no município do Crato, Joza de Melo Neto, negou que o Sítio Fundão tenha sido abandonado pelo Governo do Estado. Segundo ele, o local está totalmente preservado e a vigilância do local é feita diariamente pelos fiscais do órgão e por policiais.
A denúncia sobre a situação do sítio, que é tombado pelo Governo como patrimônio histórico e ecológico, foi feita na última edição do Jornal do Cariri e abordada também no jornal Alerta Geral (Somzoom Sat FM 106,5). Melo Neto deu entrevista ao Alerta Geral na última sexta-feira, dia 9 de janeiro.

Ele detalhou que as vistorias diárias são feitas pela Companhia de Policiamento Militar Ambiental (CPMA), por policiais do 5º Batalhão e também pela Sociedade Protetora dos Animais (SPA), sempre acompanhados pelos técnicos da Semace.

Já o radialista e ambientalista Ed Alencar, um os herdeiros do Sítio Fundão, contesta as informações de Joza Melo. Para Alencar, a vigilância no local é precária e não resolve a situação de abandono. “Não adianta a polícia dar uma volta lá e ir embora, tem que haver uma vigilância permanente no local”, reivindica. Ed Alencar reclama também do abandono, e que o Sítio Fundão está à mercê de bandidos, que estão destruindo o patrimônio público.

Intervenção artística questiona abandono

Um grupo de artistas caririenses, pertencente ao Coletivo Camaradas, esteve na manhã do último domingo no Sítio Fundão. De acordo com Alexandre Lucas, coordenador do coletivo, o objetivo dos artistas foi o de ver de perto o abandono do Sítio Fundão e fazer uma intervenção artística questionando a situação em que se encontra o local. Os artistas disseram à reportagem do JC que até o meio-dia, nenhum patrulhamento esteve no local, ou qualquer representante da Semace. Os artistas fixaram algumas peças, feitas com restos de material em vários pontos da reserva ecológica. Eles questionaram as informações dadas por Joza Melo, de que o sítio não esteja abandonado. “É preciso que haja uma ação para que o sítio seja recuperado e saia desse abandono”, disse Alexandre Lucas.

Jornal do Cariri

ESPORTIVAS

LONGA CAMINHADA

A diretoria executiva do Guarani ofereceu um jantar à imprensa esportiva, na última segunda-feira. Na oportunidade, apresentou o elenco. O treinador Luiz Carlos Mendes, usou da palavra e prometeu muito trabalho e profissionalismo.Confesso que há muito tempo não via o Guarani tão organizado e trabalhando em conjunto. O conselho deliberativo trabalhando ao lado da diretoria executiva, com certeza os frutos virão. É longa a caminhada em busca da ascensão para a primeira divisão.

TOQUE DE CAIXA

A torcida icasiana foi surpreendida com uma noticia bombástica: os desportistas Zacarias Silva e Kleber Lavor deixariam o Icasa em outubro. Se isso realmente tiver fundamento, o Verdão passará por um momento difícil de transição, pois a toque de caixa, não temos dirigentes com habilidades para gerenciar um time que já tem uma marca muito forte.

SONHO

A taça cidade de São Paulo é o sonho de toda a garotada, mas poucos realizam esse sonho, principalmente os times do interior. O dirigente Kleber Lavor por duas oportunidades, foi vice-campeão da taça cidade de João Pessoa, 2000 e 2001 com o instinto Juazeiro Empreendimentos. Esperamos que no futuro bem próximo, Icasa e Guarani tenham estrutura técnica e financeira para participar da primeira competição do calendário do futebol brasileiro.

PORTO SEGURO

O Verdão do Cariri tem sido o porto seguro para o atacante Marciano, que já defendeu alguns clubes do nosso futebol. Vejamos: teve uma passagem sem nenhum brilho no Ceará. No Coritiba foi destaque. No Brasiliense não teve espaço. Passou pelo Barueri e outros clubes do futebol paulista, nada feito. O atacante disputará o campeonato carioca pelo Macaé que subiu para a primeira divisão. O atleta foi indicado pelo consagrado treinador Antonio Lopes. Boa Sorte, garoto.

PATROCÍNIO

O futebol profissional não é prioridade do poder público, mas virou moda. O Grêmio Barueri é patrocinado pela prefeitura da cidade. Icasa e Guarani não tem total apoio, mas recebem uma contribuição substancial. O presidente do Icasa Zacarias Silva, juntamente com o diretor de esporte Kleber Lavor reuniram-se com o prefeito de Juazeiro e não ficaram satisfeitos com o que foi oferecido, pois o gestor da cidade disse que pagaria apenas viagem e hospedagem. Para um clube que na gestão passada recebia gratificação por vitórias, essa ninharia não representa nada. Sem o patrocínio da prefeitura, os times juazeirenses terão dificuldades.


Coluna esportiva de Cícero Nicássio publicada na edição de hoje, do Jornal do Cariri, terça-feira, 13 de janeiro de 2009.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Histórias do Patrimônio Imaterial de Crato - por Armando Lopes Rafael


São Vicente Ferrer do Crato

Depois da devoção a Nossa Senhora da Penha, um dos santos mais cultuados em Crato é São Vicente Ferrer. Por isso, é interessante relembrar um fato que teria ocorrido, no final do século 19, relacionado com a estátua desse santo, venerada na Igreja-Matriz da Paróquia do mesmo nome, na cidade de Crato. Devemos a preservação da memória desse acontecimento a Irineu Pinheiro, cfe. vê-se no livro “O Cariri”, editado em Fortaleza (CE) em 1950, página 270.
Consta lá:

“É muito antigo o culto a São Vicente Ferrer, no Crato. Em 1788, já havia, ali, um oratório dedicado ao grande taumaturgo espanhol (...) Em 29 de dezembro de 1801, como se pode ver no primeiro cartório do Crato, doou Dona Luiza Joana Bezerra, viúva do capitão Sebastião de Carvalho Andrade, mãe do Padre Pedro Ribeiro da Silva, iniciador da capela de Juazeiro, terras próximas do Crato”, junto à falda da Serra Grande (Araripe) para o patrimônio de “uma capela de pedra e cal” que ela, a doadora, se comprometia a erigir em honra do Senhor São Vicente, com o fim de “beneficiar a alma de seu marido e em favor do bem espiritual de sua pessoa e de outros “pertencentes”.


(Esclarecemos que Luiza Joana Bezerra era a filha mais velha do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, este o construtor da capelinha de Nossa Senhora das Dores, na Fazenda Tabuleiro Grande, origem da cidade de Juazeiro do Norte).
Vamos à página 271, do livro citado.
“No paroquiado do Padre Antônio Fernandes da Silva (1883 a 1892), trouxeram ao Crato, desde a derradeira estação da Estrada de Ferro de Baturité, numa distância de dezenas de léguas, a atual estátua de São Vicente Ferrer, substituta da primitiva, que era pequena. Carregaram-na através dos sertões, num caixão, em ombros de homens, à frente destes o Padre Felix de Moura (...)
“Em menino, ouvi dizer que da povoação de Juazeiro, penúltima etapa da viagem, até o Crato, viu-se no céu uma estrela a acompanhar a imagem, nos treze quilômetros que medeiam entre as duas localidades caririenses. Era a lenda que ia se formando em torno do Santo, pensava eu. Mas, depois, verifiquei haver algo de verdade na versão do povo. Uma vez, em Juazeiro, a passeio visitei a boa velhinha Teresa do Padre Cícero, assim chamada por ter sido criada em casa do famoso sacerdote, considerada pessoa da família por sua bondade e dedicação, e ela, no correr da conversação, disse-me quase textualmente: “Dormiu aqui, em Juazeiro, na capela, o caixão em que veio São Vicente. Sinhozinho (era assim que ela tratava o Padre Cícero), Sinhozinho e o Padre Felix convidaram o povo para levá-lo ao Crato, na madrugada seguinte. Bem cedo, inda escuro, postei-me na Rua Grande, onde morava e moro hoje, num terreno vago, do lado nascente, e aguardei a passagem do préstito. Ao aproximar-se o caixão, ao lado os dois padres, vi sair entre a igreja e a casa que lhe ficava mais próxima, uma luz muito brilhante que voou rápida em busca do santo. Não pretendia eu ir ao Crato, mas, em vista do prodígio, corri até minha casa, pus, às pressas, um chale à cabeça e encorporei-me no cortejo que era numeroso”.
E conclui Irineu Pinheiro:
“Estimaram-na todos que conheceram à velhinha Teresa, morta há alguns anos nonagenária, sempre tida por absolutamente fidedigna”.
Que a luz de São Vicente Ferrer continue a brilhar neste vale do Cariri, de modo especial na cidade de Crato, onde ele é particularmente venerado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Nomeado novo bispo para Iguatu



O papa Bento XVI anunciou, nesta quarta-feira, 7, o nome do novos bispo da Diocese de Iguatu. Trata-se de Frei João José Costa, da Ordem Carmelitana (foto ao lado). Ele substituirá a Dom José Doth de Oliveira,70 anos , que solicitou sua renúncia antes de completar os 75 anos,devido a problemas de saúde. Dom José Doth sofre do Mal de Alzheimer.
A diocese de Iguatu teve seu território desmembrado da diocese de Crato em 1961. (Na foto abaixo a Catedral de São José, de Iguatu, construída por Dom José Doth).



Quem é o novo bispo

Dom Frei João José da Costa, 50 anos, é sergipano da cidade de Lagarto. Ingressou na Ordem dos Carmelitas em 1982, na cidade de Camocim de São Felix (PE), onde também fez o noviciado (1985) e sua profissão simples (1986). Cursou a Filosofia no Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Brasília. Iniciou o Curso de Teologia no Instituto Teológico São Paulo (ITESP), na capital paulista, mas o concluiu em Recife, no Instituto Franciscano de Olinda (IFTO). Foi ordenado padre em 1992.
Dom Frei João José da Costa foi Conselheiro Provincial dos carmelitas, em 1993, enviado para o Convento de São José, de Princesa Isabel (PB), sendo nomeado administrador paroquial das paróquias Divino Espírito Santo, em Manaíra (PB) e Santa Teresinha, em Juru (PB). Em 1999 foi eleito Provincial da Ordem, sendo reeleito em 2003. Atualmente, é Conselheiro e Prior do Convento do Carmo de São Cristóvão, em Sergipe, e presta assistência espiritual na Fazenda da Esperança, em Lagarto (SE).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009



Vereadores de Crato continuam devendo uma homenagem a Dom Vicente Matos
por Armando Lopes Rafael

Foram muitas as cobranças. Igual foi o número as decepções. Até hoje a Câmara de Vereadores de Crato não denominou uma rua desta cidade como “Dom Vicente de Paulo Araújo Matos”.
No dia 6 de dezembro passado completaram-se dez anos da morte de Dom Vicente. A data, felizmente, foi lembrada pela Diocese de Crato. Atendendo pedido do nosso querido bispo diocesano, Dom Fernando Panico, o Cura da Sé, Padre Edimilson Neves, construiu uma capela mortuária na Catedral de Nossa Senhora da Penha para onde foram transladados – naquele dia – os restos mortais de Dom Vicente, juntamente com os despojos de Dom Quintino e Dom Francisco. Como se vê a comunidade cratense não deixou a data passar em branco. Já os nobres vereadores continuam fazendo “ouvidos moucos” ao clamor da população que exige uma homenagem pública ao maior benfeitor de Crato.
Nenhum outro homem deixou tantos benefícios ao Crato como Dom Vicente Matos!
Ainda muito jovem, com 37 anos, ele chegou, em 1955, à Cidade de Frei Carlos, como bispo auxiliar de Dom Francisco. E daqui só saiu em 1992, após renunciar ao cargo de Bispo de Crato. Foram 37 anos de trabalho, doação, vitórias e sofrimentos vários...
Era um gigante aquele bispo! Deve-se a ele a criação do Instituto de Ensino Superior de onde veio a Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri. Depois Dom Vicente criou a Rádio Educadora do Cariri, a Empresa Gráfica Ltda. (que por longos anos editou o jornal “A Ação”), o Colégio Madre Ana Couto com seu imponente prédio onde hoje funciona a Faculdade Católica do Cariri, o Colégio Pequeno Príncipe.
Todos os sindicatos rurais do Sul do Ceará foram criados por Dom Vicente, A ele deve-se também a Fundação Padre Ibiapina, a Organização Diocesana de Escola Radiofônicas, a Escola de Líderes Rurais–ELIRUR, o Centro de Expansão no bairro Granjeiro, e a Vila Jubilar. Durante seu episcopado criou 18 paróquias e ordenou 37 sacerdotes. E fez ainda tantos bens que o espaço seria insuficiente para enumerá-los...
Conversando, outro dia (sobre a ingratidão do Crato para com a memória de Dom Vicente Matos) com Monsenhor José Honor de Brito, ele disse:
–O Crato está mostrando que não é digno de ter uma rua com o nome de Dom Vicente Matos!
Falou e disse!
E eu endosso as palavras dele...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Denúncia publicada no "Diário do Nordeste"

Geopark Araripe pode perder selo da UnescoFormatação
Maristela Crispim
Repórter

Se o Governo não dotar o Geopark Araripe de infraestrutura para acesso e visitação, ele pode perder seloFortaleza. Contendo provas inequívocas da existência de um continente ancestral (Gondwana), conforme as pesquisas do alemão Gero Hillmer, o Geopark Araripe continua sendo o único, dentre 59 os geoparks no mundo, localizado nas américas, assim como no Hemisfério Sul.Mas, como planos, projetos, promessas e divulgação não garantem a preservação do patrimônio, o Estado deve ser submetido, em 2009, a nova avaliação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e, não preenchendo os requisitos, pode perder o selo Geopark.
O reconhecimento internacional ainda carece do equivalente local, no que diz respeito a investimentos concretos para a garantia da preservação desse grande patrimônio geológico presente na Bacia Sedimentar do Araripe.Passados dois anos da oficialização do Geopark Araripe, pela Unesco, as ações para a sua concretização ainda permanecem no campo das promessas governamentais. Essa é a avaliação do curador do Plano de Divulgação do Geopark, arquiteto José Sales.O Governo do Estado do Ceará, por sua vez, garante que o Geopark Araripe — por coincidir geograficamente com o Projeto de Desenvolvimento Econômico Regional do Ceará -Cidades do Ceará - Cariri Central, ligado à Secretaria das Cidades, — é sim prioridade.
A coordenadora do Cidades do Ceará - Cariri Central, Emanuela Monteiro, explica que os três principais eixos de investimentos previstos ao longo dos próximos cinco anos, partindo de 2009, são: infra-estrutura, apoio ao setor privado e fortalecimento institucional (garantia de sustentabilidade).No caso do Geopark Araripe, destaca, há um “caldeirão de possibilidades” redescoberto nos últimos seis meses, com um projeto amplo de desenvolvimento regional, considerando as duas atividades-chave: turismo e calçados; com previsão de abranger Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e mais seis municípios: Santana do Cariri, Nova Olinda, Farias Brito, Caririaçu, Missão Velha e Jardim.“Com características ímpares, o parque abre essa possibilidade de incorporar o setor produtivo”, explica.
Dentro do Programa Estadual do Geopark, segundo Emanuela Monteiro, a distribuição de responsabilidades está sendo incorporada, com reuniões constantes.A Universidade Regional do Cariri (Urca) continua sendo a gestora oficial, incluindo pesquisa e extensão. Mas a mobilização geral fica com a Secretaria das Cidades.Estão distribuídas entre órgãos afins, ações como gestão e educação ambiental; sensibilização da comunidade; apoio à atividade turística e animação cultural; comunicação e divulgação; integração das atividades econômicas; governança, construção de parcerias e alavancamento de negócios; assim como estruturação física dos geotopes ou geosítios (acesso e infraestrutura local); manutenção; e também segurança.O diagnóstico está entre as primeiras medidas. A prioridade dos investimentos está no plano de negócios, sinalização e identidade visual, construção de sede (já licitada) e estruturação de um geotope piloto.
Também estão previstas ações complementares, como a construção do Centro de Eventos e Cultura do Cariri, no Crato, com licitação prevista para o primeiro semestre de 2009.Adicionalmente, conforme Sales, até o fim do primeiro semestre, o Museu Paleontológico da Universidade do Vale do Cariri (Urca), em Santana do Cariri, deve reabrir suas portas ampliado e reestruturado.Ele informa que a exposição, até a semana passada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, migra para o Centro de Arte e Cultura do Bom Jardim. Também já há convite para que circule por outras capitais e por Boston (EUA).
FIQUE POR DENTRO
Riqueza incalculável sob solo cearense
Geopark é um território protegido, importante pelos valores geológicos, paleontológicos, arqueológicos, ecológicos e culturais. O objetivo é dar visibilidade a essa riqueza e estimular o desenvolvimento da pesquisa, do turismo e da cultura regionais. O que chama a atenção, no caso da Bacia do Araripe, é o estado de conservação dos fósseis. Os exemplares são tão preservados que é possível, em alguns casos, identificar o conteúdo estomacal dos animais, sendo possível fazer a reconstituição de cadeias alimentares de 110 milhões de anos atrás.
DESCASO COM O PATRIMÔNIO
Sinais de abandono crescem nos geotopes
Fortaleza. O Geopark Araripe é composto por uma rede de monumentos naturais, selecionados por conter os registros mais relevantes da formação geológica da região, essenciais para a compreensão da evolução do planeta. Sua missão principal é preservar esses patrimônios naturais e divulgar a história da Terra por seus registros geo-paleontológicos, missão esta que ainda carece de muitos investimentos.Dos nove geotopes — Exu, Arajara, Santana, Ipubi, Nova Olinda, Batateira, Missão Velha, Devoniano e Granito — três ficam no município de Santana do Cariri, considerado capital paleontológica do Brasil e que também abriga o Museu Paleontológico da Universidade Regional do Cariri (Urca); outros dois ficam em Missão Velha e os demais, em Nova Olinda, Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte.
Quando a reportagem do Diário do Nordeste esteve na região, com o objetivo de fazer o caderno especial, publicado em outubro de 2007, alguns destes locais já apresentavam sinais de abandono e depredação. Mas, o tempo passou e, sem ações concretas, os problemas se agravaram.Só para citar algumas situações: o processo de favelização, na Colina do Horto, em Juazeiro do Norte, avança sobre o geotope Granito; os marcos, na cachoeira de Missão Velha, que identificam o geotope Devoniano, foram integralmente depredados. Por fim, ambientalistas não conseguem cochilar sem que uma nova agressão à nascente e entorno do Rio Batateira, no Crato, ponha aquele ecossistema em risco.Esse abandono, além de ameaçar a integridade desses patrimônios naturais, afugenta potenciais turistas, que não vêm atrativos ou segurança para permanecerem naqueles locais e afugenta também os investimentos que a região atrai, em função, principalmente, do turismo e da pesquisa relacionada à Paleontologia, Geologia, Arqueologia e outros.
AMPLIAÇÃO
Proposto Complexo da Ibiapaba
Fortaleza. A Bacia do Araripe está totalmente contida na ecorregião do Complexo da Ibiapaba, que inclui as chapadas do Araripe e da Ibiapaba, se estendendo pelo Piauí, com uma dimensão de 70 mil quilômetros quadrados. Do ponto de vista territorial, a Mesorregião do Araripe integra, além do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí, formando a figura de um “Y” invertido.Este contexto inclui aproximadamente 20 unidades de conservação, que potencializam integração regional visando a proteção e conservação ambiental. Como curador do Plano de Divulgação do Geopark Araripe, José Sales alimenta o sonho de ver os geotopes ampliados por toda esse complexo de serras.A Bacia do Araripe, nos limites geográficos do Ceará, Pernambuco e Piauí, ocupa cerca de dez mil quilômetros quadrados. Ela contém traços da ruptura entre a América do Sul e África (continente primaz Gondwana), ocorrida há 120 milhões de anos, dando origem aos continentes do Hemisfério Sul, África, Oceania e também ao Oceano Atlântico, em sua porção Sul, conforme destaca, em seus estudos, o pesquisador alemão Gero Hillmer, que, com os pesquisadores Alexandre Sales e André Herzog publicou, em 2008, o livro “O Geopark Araripe/Ceará: uma pequena evolução da vida, rochas e continentes”, respectivamente na Alemanha e no Brasil.

domingo, 4 de janeiro de 2009



Roberto Campos, o incompreendido


por Armando Lopes Rafael

“A idéia de “esquerda” e “direita” desgastou-se a tal ponto que hoje só serve para fins obrigatórios, isto é, para acusar de “politicamente incorretos” aqueles que são a favor do que julgamos ‘correto’.” – Roberto Campos.

Há nove anos – no dia 9 de outubro de 2001 – morria Roberto Campos. Diplomata (foi embaixador do Brasil em Washington e Londres) economista, político (foi senador, deputado, ministro) e um dos homens mais inteligentes entre os nascidos neste Brasil.
Menino pobre nascido em Mato Grosso, Roberto Campos foi seminarista, diplomou-se em Filosofia e Teologia, mas, vendo que não tinha vocação religiosa deixou o Seminário. Fez mestrado em Economia na Universidade George Washington e estudos complementares na Universidade de Columbia, em New York. Ingressou em 1938, no Itamaraty onde foi brilhante diplomata de carreira.
A maioria dos jovens brasileiros não o conhece. Nunca ouviu falar nele. Mesmo os mais maduros – incluindo aí os têm formação universitária – desconhecem que foi Roberto Campos quem criou o Banco Central, o BNDES, o FGTS e o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Como escritor – pertencia à Academia Brasileira de Letras – ele deixou, dentre outras, uma obra, “Lanterna na Popa”, com 1.415 páginas.
Mas, uma virtude nele me chamava a atenção: a de visionário. Anos antes da falência do socialismo na União Soviética e nos regimes da Cortina de Ferro, Roberto Campos já previa o fracasso da economia estatizada e defendia para o Brasil a abertura do mercado, a privatização de muitas estatais deficitárias e superadas em relação às concorrentes da iniciativa privada.
A queda do Muro de Berlim provou – anos mais tarde – que ele tinha razão. Mas, naqueles anos, o “Patrulhamento ideológico”, no Brasil, era ainda mais forte do que hoje. (Patrulhamento Ideológico é o policiamento feito nas redações de jornais, revistas, emissoras de televisão, sites da Internet e universidades públicas contra matérias que venha contestar as idéias da velha esquerda. Esse patrulhamento existia – e ainda existe – em órgãos onde predomina uma maioria que não se conforma com a liberdade de expressão (garantida na nossa Constituição) e assim boicotam matérias de outras pessoas que pensam diferente de idéias preconcebidas e superadas no tempo e no espaço.
Nas décadas 60, 70 – em face do “Patrulhamento Ideológico” – Roberto Campos tornou-se a “opção preferencial” das esquerdas que só o chamavam de “Bob Fields”. Sobre isso ele costumava dizer: "São três as raízes da nossa cultura: a cultura ibérica, que é a cultura do privilégio; a cultura africana, que é a cultura da magia; e a cultura indígena, que é a cultura da indolência. Com esses ingredientes, o desenvolvimento econômico é uma parada..."
Mesmo assim, arrostando incompreensões, Roberto Campos tornou-se o principal ideólogo neoliberal do Brasil.
Sua última aparição pública foi na votação do impeachment do Presidente Collor. Roberto Campos chegou, numa maca de hospital, pois já estava bastante debilitado, atendendo ao pedido do seu amigo pessoal Ulysses Guimarães, que afirmou: – “seu voto será um voto moral. Muitos o acompanharão em respeito a sua coerência”. Roberto Campos depois diria: “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal."
Pertinho da morte, Roberto Campos escreveu: “O imbecil é aquele que nunca muda. Mudei e aprendi. Muitos dos meus críticos nem mudaram nem aprenderam".

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A "contra-história" do Brasil

Qualquer pessoa – medianamente informada – observa que certos meios de comunicação, as universidades públicas e boa parte dos livros didáticos passaram a divulgar uma “contra-história” do Brasil.
Na visão de alguns historiadores, o que tivemos durante o período de colonização foi unicamente a exploração do nosso povo pelas “classes dominantes”. Alguns dos gloriosos episódios e boa parte dos grandes personagens da nossa história – tão decantados pelas gerações passadas – estão servindo agora apenas para um sentimento de culpa da nossa juventude, esta entregue à sanha desses maus brasileiros, fanáticos defensores da luta de classes.
O assunto é amplo e não pode ser esgotado num curto artigo como este.
Entretanto, gostaria de transcrever um pequeno texto de entrevista concedida pelo príncipe dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial Brasileira, que confirma o preâmbulo acima.

“Nossa história oficial vem sendo reescrita segundo os cânones de desgastadas correntes materialistas. E milhões dos nossos jovens são submetidos, a cada dia, ao ensino de uma “contra-história”. Aos poucos, através de hábeis artifícios psicológicos e propagandísticos, o brasileiro vai perdendo a legítima ufania de sua brasilidade.
Os brasileiros, deixando de estimar devidamente seu próprio País, estão sendo levados a se submeter, mais cedo ou mais tarde, às imposições provindas de qualquer organismo internacional, como se fossem a salvação da nossa Pátria. O Brasil acabaria por se envergonhar daquilo que os outros nos invejam”.

A quem interessa a disseminação dessa “contra-história”, que se alastrou também no cinema, na imprensa e na televisão? Tomemos um único exemplo. Todos sabem da exagerada proteção que as leis brasileiras garantem aos índios.
Basta dizer que – sem incluir a recente e discutida demarcação da Reserva Indígena Raposa-Serra do Sol – 350 mil índios brasileiros já ocupavam “reservas” que totalizam 95,8 milhões de hectares, perfazendo 11,34% do território nacional. Algo maior do que todo o território da França para uma população menor do Crato e Juazeiro do Norte juntos.
Os livros didáticos dos defensores da “contra-história” só apresentam o colonizador português (aí incluídos os missionários católicos) como “destruidores da natureza” e “opressores dos inocentes e inofensivos índios”. Ora, esses índios de “inofensivos” não tinham nada. Todos os historiadores do passado são unânimes em dizer que os indígenas eram belicosos, praticavam a antropofagia, possuíam escravos, depredavam a natureza, eram nômades, praticavam toda sorte de promiscuidade moral, inclusive matando os recém-nascidos portadores de defeitos físicos.
Pois bem, a “contra-história” apresenta os portugueses unicamente como “classe dominante” e os índios como” inocentes vítimas”. È isto que vem sendo passado para as novas gerações. E estas já chegam a ter vergonha de serem descendentes desses “bárbaros”. Este complexo de culpa está levando os brasileiros de hoje a aceitarem pacificamente a criação de territórios estrangeiros na Amazônia com o objetivo de “preservar a cultura indígena e evitar a destruição da natureza.”.
E assim, uma das maiores reservas minerais do mundo deixaria de pertencer ao Brasil, pois seriam usurpadas por organizações estrangeiras... Com o apoio de certa mídia e dos “inocentes úteis” que foram contaminados pela “contra-história” pregada pelos meios de comunicação, universidades públicas e livros didáticos...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O 1º de janeiro de 2009 pelo mundo...

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Cuba tem festa discreta no 50º aniversário da revolução

Comemorações são marcados por filas para comprar carne e para obter cidadania espanhola
Lourival Sant'Anna, HAVANA O Estadao de S.Paulo
Fustigados pelas dificuldades econômicas, agravadas pela passagem de três furacões este
ano, os cubanos se preparam sobriamente para as celebrações do ano-novo e do 50º aniversário da revolução socialista. As duas maiores novidades são o aparecimento de carne bovina nos açougues estatais e a concessão de nacionalidade espanhola aos filhos e netos de exilados da ditadura franquista.O governo argentino fez a Cuba uma doação de carne, que foi moída e distribuída aos açougues. Como os demais produtos subsidiados, a venda da carne é marcada na caderneta da família. Cada pessoa tem direito a meio quilo, a 5,25 pesos (US$ 0,26).
Segundo os cubanos, há pelo menos duas décadas não se via carne de boi nos açougues estatais. Tradicionalmente, os cubanos comem pernil na ceia de fim de ano. Mas aqueles que ainda não tinham comprado sua cota de carne bovina faziam filas ontem nos açougues. "Ninguém sabe quando vai ter carne de novo", disse o funcionário de um açougue em Havana Velha. E a durabilidade da carne é ameaçada porque, segundo o açougueiro, em 60% dos açougues a câmara de refrigeração não funciona, por falta de manutenção do governo.
O açougueiro disse que ele mesmo consertou a do açougue em que trabalha, da marca americana Fresco, anterior à revolução. Para poupá-la, ele a mantém ligada apenas das 13h às 16h, quando o calor aperta, e durante a noite. Nos supermercados estatais de moeda forte, 1 quilo de carne é vendido a proibitivos 9,50 CUCs, ou US$ 11,87.Muito maior que a dos açougues foi a fila em frente ao consulado espanhol, depois da aprovação da Lei de Memória. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha estima que 100 mil cubanos tenham direito à nacionalidade espanhola, por essa nova lei.
Cerca de 3 milhões de cubanos vivem no exterior, e são a principal fonte de divisas do país. Com exceção dessas pequenas alegrias, as celebrações são marcadas pelo tom circunspecto do discurso do presidente Raúl Castro no encerramento dos trabalhos do Parlamento, no sábado. Raúl, que dirige o país desde julho de 2006 - quando seu irmão, Fidel, ficou doente, foi formalizado no cargo em fevereiro, e anunciou mais rigor no cumprimento das leis.Os cubanos comuns interpretam a mensagem prevendo mais repressão à economia informal, que irriga os orçamentos domésticos com CUCs, a moeda forte, que equivale a US$ 1,25 e a 25 pesos. Só com CUCs podem comprar o que não encontram nos armazéns estatais de moeda nacional.
Raúl anunciou ainda a eliminação dos estímulos dados aos trabalhadores em moeda forte - entre 10 e 20 CUCs (US$ 8 e US$ 16) - que alguns deles recebem além dos salários, que giram entre 200 e 600 pesos (US$ 10 e US$ 30).
Por causa do prejuízo causado pelo furacão, de US$ 10 bilhões, ou 20% do PIB cubano, não haverá desfile militar nem festa para lembrar o aniversário da Revolução. A data será lembrada com um discurso de Raúl, no dia 1º, em Santiago de Cuba, a leste da ilha, na sacada da prefeitura da cidade, de onde seu irmão Fidel anunciou a vitória da revolução, em 1959.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Meio século de ditadura da dinastia Castro



Che Guevara: uma máquina fria de matar

A fama de assassino de Che não começa em La Cabana: inicia-se na Sierra Maestra, onde ele fuzilou dezenas de cidadãos, considerados desafetos dele

Mesquinho, rancoroso, arrogante, tirânico, vingativo, ardiloso, maquiavélico, violento, fanático, sanguinário. Estas são as lembranças de alguns dos companheiros mais próximos de guerrilha atribuídos a Che Guevara e que foram traídos por ele. Che é outro mito criado pela revolução cubana e que é propaganda de grife dos comunistas latino-americanos e do mundo em geral. É uma espécie de culto religioso.
O retrato de Korda, quase o idolatrando como uma espécie de Cristo revolucionário não combina com a realidade do que foi Che Guevara: um paladino da violência ilimitada, do radicalismo primário, do terror em massa da população. Nas palavras de Régis Debray, “partidário de um autoritarismo implacável”, era notório admirador de Lênin, Stálin e, posteriormente, Mao Tse Tung. Em uma carta de 1957 a um amigo, dizia: “Pertenço, pela minha formação ideológica, àqueles que acreditam que a solução dos problemas desse mundo se encontra por detrás da cortina de ferro”(...). Ou seja, Che Guevara era apologético do regime soviético, que esmagava os ventos de liberdade política com os tanques soviéticos na Hungria e em outros lugares do Leste Europeu.
A fama de assassino de Che não começa em La Cabana: inicia-se na Sierra Maestra, onde ele fuzilou dezenas de cidadãos, considerados desafetos dele. Um caso em particular até hoje é controverso: um camponês chamado Eumidio Guerra, que lutava com os guerrilheiros em Sierra Maestra, tornou-se suspeito de ser espião de Batista. Todavia, uma boa parte dos companheiros de guerrilha não tinha certeza do caso e achavam que o indivíduo era inocente. Discordando de todo o resto, Che executou sumariamente o camponês. E ainda disse: “em caso de dúvida, matem”. Outros crimes também são atribuídos a Che: o de que ele também teria matado pessoalmente um de seus comandados que havia roubado um prato de comida.
A maneira como Che tratava tanto seus subordinados, como seus inimigos era mal vista por muitos guerrilheiros da campanha, entre os quais, Jesus Carreras e Huber Matos. Quando ele tomou a cidade de Santa Clara, abriu novos pelotões de fuzilamentos sumários de soldados e oficiais capturados na cidade.Em janeiro de 1959, Che Guevara foi escolhido como promotor geral da “comissão depuradora” de crimes do regime de Batista, na fortaleza de La Cabaña.
Na prática, porém, o que se viu foi um verdadeiro expurgo do exército e da guarda de Cuba, prendendo e fuzilando aleatoriamente por vingança supostos desafetos. Entre a maioria dos indivíduos fuzilados em La Cabana não havia nenhuma prova de que fossem torturadores ou assassinos do exército de Batista.
Na verdade, o critério de julgamento sumário de Che e mesmo a avaliação dos réus tinham como única culpa o simples fato de alguém ter pertencido ao exército cubano antes de 1959 ou, no mínimo, mostrar qualquer sinal de dissidência ao processo revolucionário em pauta.
Essa sina de assassino não poupou posteriormente, nem mesmo os antigos amigos de farda que discordavam da revolução comunista que grassava em Cuba. Dois casos são escandalosos, dentre muitos: o primeiro, foi a execução do tenente Castaño, membro do serviço de inteligência do exército cubano. Preso, o oficial foi executado sem ter cometido crime algum. Outro caso foi de um jovem adolescente que pichou um muro com críticas a Fidel Castro. Uma mulher procurou Guevara pedindo que libertasse o rapaz, porque em alguns dias, ele seria executado. O guerrilheiro simplesmente abreviou a situação: mandou executar sumariamente o rapaz e ainda disse que queria poupar a mulher da espera de tanto sofrimento.
Essa sina de assassino não poupou posteriormente, nem mesmo os antigos amigos de farda que discordavam da revolução comunista que grassava em Cuba. Os expurgos contra o exército e a sociedade civil, atingiram até os velhos camaradas de Sierra Maestra, a maioria presa, exilada ou fuzilada. Atribui-se a Che a criação de campos de concentração de prisioneiros políticos, imitação típica dos campos de reeducação ideológicos chineses e vietnamitas.
Milhares de pessoas foram presas e torturadas nestes campos. Como ministro da economia de Cuba, mostrou-se inepto: subjugando a economia às suas utopias desastrosas, conseguiu arruinar as finanças do país e quebrar o Banco Nacional de Cuba. Para buscar eficiência, impôs à população um regime de trabalhos compulsórios, inclusive, abolindo o domingo para descanso. Qualquer negativa a esse tipo de ação arbitrária poderia causar a infeliz a pecha de contra-revolucionário e ser preso ou morto. Sedento de violência, vai para a África e apóia Laurent Kabila, um homem que anos depois, causou verdadeiros massacres no Zaire e rebatizou o pobre país como República Democrática do Congo, sem antes impor uma sanguinária ditadura.
Ao arriscar um foco de guerrilha na Bolívia, é capturado pelo exército boliviano e assassinado, em 1967.

1º de janeiro de 2009


Meio século da mais antiga e sanguinária ditadura do continente americano

Dedicado aos dois pugilistas cubanos que, nos últimos Jogos Pan-americanos, pediram asilo ao Brasil – mas foram covardemente devolvidos à ditadura da dinastia Castro pelo atual governo
brasileiro – e aos milhares de presos políticos que padecem,neste momento, nas masmorras do sanguinário regime


O genocídio físico e espiritual de um povo diante da indiferença, quando não da cumplicidade, de muitos dirigentes ocidentais

O Gulag de Fidel

O dia 1o de janeiro de 2009 assinala o 50o aniversário do nefasto regime comunista de Cuba, a ilha-cárcere do Caribe. Quando Castro tomou o poder, em 1959, Cuba era uma ilha caribenha governada por um ditador e com a economia movida pelos dólares do turismo, do mercado negro, da prostituição e da exportação de cana-de-açúcar. Meio século depois, Cuba continua sendo uma ilha caribenha governada por um ditador e com a economia movida pelos dólares do turismo, do mercado negro, da prostituição e da cana.
O saldo da revolução cubana não podia ser mais desolador: 15 mil fuzilados no "paredón". Mais de 1 milhão de cubanos exilados nos Estados Unidos, no que é considerada a maior diáspora dos tempos modernos. 400 mil cubanos passaram pelos cárceres e campos de concentração como prisioneiros políticos. Dezenas de milhares afogados no mar ao tentar fugir do comunismo em direção a Florida-EUA. . Em Miami em fevereiro, foi inaugurado por exilados cubanos, um Memorial para 30 mil vítimas da ditadura de Fidel Castro. Tem mais: Cuba detém os mais altos índices de suicídios e abortos do Hemisfério. Miséria material, devido à ineficiência do regime socialista. Não existe liberdade de imprensa. Para se deslocar para outra cidade com mais de 10 Km o cubano tem de obter um visto da polícia dos irmãos Castros.
Durante décadas, Fidel Castro patrocinou – com dinheiro da União Soviética – a exportação do modelo da fracassada e sangrenta revolução cubana para a América Latina e África, que, aliás, redundou em grande fracasso...
Economicamente, o saldo da ditadura cubano também é negativo. Sob outra ditadura, a de Fulgencio Batista, Cuba era conhecida como "o bordel dos Estados Unidos", por causa dos cassinos e das prostitutas. A economia do país vivia disso e da monocultura da cana-de-açúcar. A Cuba de Batista detinha o quarto maior produto interno bruto da América Latina. No último dado disponível, de 1998, Cuba havia caído para o 15° lugar. Apesar do pesado subsídio da União Soviética, que chegou ao auge a 8 bilhões de dólares por ano, Fidel falhou em criar uma economia tutelada pelo Estado.

Quem paga a conta somos nós



Você – que me lê – já teve curiosidade de saber quanto sai do dinheiro do imposto que a população paga para sustentar um presidente da República?
Pois o imposto que você paga também é destinado a esta finalidade. E, falando em impostos, não adianta chiar que não temos segurança, que a educação e a saúde pública ofertadas são de péssima qualidade, etc. Não. O imposto é enfiado de goela abaixo. Compulsoriamente.
Mas, não era disso que eu queria falar. Você sabe quanto custa para a população a manutenção dos Palácios da Alvorada e Palácio do Planalto (e a partir de fevereiro do CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – e do Palácio do Buriti, nos quais o presidente Lula vai despachar em face da “ligeira reforma” do Palácio do Planalto, que vai custar R$ 88 milhões e só ficará pronto em abril de 2010)?
E sabe quanto custa a manutenção do avião presidencial – o AeroLula – adquirido por R$ 56 milhões, mas já recentemente reformado. Uma curiosidade: Entre tantos itens instalaram, no AeroLula, um bar para servir “caipirinhas” que custou 300 mil reais...
Mas, voltemos ao custo da Família Presidencial. Dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas e pelo Unesco mostram que os gastos com a manutenção do presidente da república, no Brasil, custam cerca de U$ 12,00 (doze dólares) a cada um dos 180 milhões de brasileiros.
Isto é pouco ou muito?
Comparemos com outros países. A monarquia norueguesa custa U$ 1,58 (um dólar e cinqüenta e oito centavos) a cada súdito daquele país. Com ligeiras oscilações é isso que custa a cada espanhol, sueco, japonês, belga ou holandês para manter a Família Real naquelas nações. No Mônaco e Liechtenstein, a despesa para cada súdito é de 1 dólar/ano. A monarquia mais cara do mundo é a inglesa.Custa U$ 1,82 a cada inglês. Entretanto, atraídos pela tradição da realeza os turistas deixam por ano, na Inglaterra, trezentos milhões de dólares.
Mas voltemos ao Brasil. Você sabe que os cofres do governo sustentam algumas mordomias para os ex-presidentes Sarney, Collor, Itamar e FHC? Eles custam – cada um, é bom que fique claro – 64 mil reais por mês. Isto porque cada ex-presidente do Brasil tem direito aos serviços de quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal, a dois veículos de luxo com motoristas e ao assessoramento de mais dois servidores.
Ô pais rico este nosso Brasil!
PS – Antes que m’esqueça: você sabe quanto custa uma eleição presidencial aos cofres públicos? Segundo o jornal “Estado de S.Paulo”, a cada quatro anos são torrados 1 bilhão e 200 mil reais para colocarmos um novo presidente no Palácio do Planalto. Mas,note bem, aí não estão incluídas as doações para as campanhas, com os inevitáveis “Caixa Dois”, nos quais o publicitário Duda Mendonça é PHD.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Apresentando o livro "Joaseiro Celeste", do prof. Francisco Salatiel



por Armando Lopes Rafael



Na abertura do “III Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero do Juazeiro: E... quem é ele” – no dia 18 de julho de 2004 – evento promovido pela Diocese de Crato e Universidade Regional do Cariri, o ex-reitor da URCA, Prof. André Herzog, daqui mesmo deste lugar onde agora me encontro, pronunciou em seu discurso esta frase:
“Difícil dizer algo sobre o Padre Cícero que não tenha sido dito antes”
Pois este livro do professor Francisco Salatiel de Alencar Barbosa – O Joaseiro Celeste, tempo e paisagem na devoção ao Padre Cícero – traz algo que ainda não foi escrito sobre este sacerdote, mais particularmente sobre seus devotos, estes constituídos – na maioria – por pessoas simples, excluídas nas definições das políticas que traçam os rumos de importantes segmentos da população sertaneja.
O professor Francisco Salatiel é graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Salvador. Possui dois mestrados: um em Teologia, feito na Universidade Gregoriana de Roma e outro em Exegese Bíblica, cursado no Instituto Bíblico dos Jesuítas, também na capital da Itália. Seu doutorado foi conquistado com a tese apresentada neste livro, defendida no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília. Além do currículo acadêmico, merece ser salientado que Francisco Salatiel trabalhou no Senado Federal, na função de Consultor Legislativo, da qual se encontra aposentado.
Lendo este seu livro, descobrimos uma faceta na personalidade do Padre Cícero: a de um hábil e envolvente orador que, numa linguagem simples, compreensível, usando figuras comuns e acessíveis às pessoas da sua época, conseguiu atingir o coração das pessoas, desde o abastado proprietário rural ao paupérrimo agricultor do trabalho alugado; desde os que haviam cometido crimes e outros delitos, aos detentores de uma vida correta dentro dos parâmetros cristãos...
Quem ousaria, nos dias de hoje, negar a influência que Padre Cícero exerceu junto a um público heterogêneo, a quem orientou com mensagens singelas, verdadeiras poesias, mais fortes que os cordéis recitados nas feiras da então acanhada vila do Joaseiro do final do século XIX e as duas décadas iniciais do século XX:

“Quem matou não mate mais;
ninguém tem o direito de ofender o seu semelhante.
Só Deus tem o poder de tirar a vida de suas
criaturas.
Quem roubou não roube mais;
quem rouba vai para o inferno.
Quem mentiu não minta mais;
a mentira é filha do diabo e o mentiroso seu
encarregado”
Sem nunca ter escrito um único livro, deixou o Padre Cícero para a posteridade uma herança espiritual, cujo exemplo é uma oração, rezada nos dias de hoje, por milhões de pessoas que habitam as vastidões do semi-árido nordestino:



“Mãe de Deus
Mãe Soberana
Mãe das Dores
De hoje para sempre eu me entrego
a vós como vosso filho e servo;
consagro ao vosso serviço a minh’alma
o meu corpo e tudo que me pertence.
Abençoai a minha família, os meus trabalhos,
os meus haveres; sede minha protetora na vida
e conduzi-me ao céu para viver feliz, por toda
eternidade. Amém”.
O livro do professor Francisco Salatiel transporta-nos ao imaginário dos peregrinos que vêm ao Joaseiro Celeste, numa comovente demonstração da fé popular, fazendo da Terra do Padre Cícero uma cidade-santuário. Este fenômeno tem um nome: romaria. E as romarias ao Padre Cícero – feitas por populações sertanejas que acorrem a Juazeiro do Norte – hoje se constituem num forte componente da cultura regional, estando em vias de serem reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional–IPHAN, como um dos patrimônios imateriais do Nordeste brasileiro.
E imaginar que tudo isso surgiu, a partir do episódio da hóstia ensangüentada, acontecimento esse que a hierarquia eclesiástica católica da época empreendeu um grande esforço no sentido de desautorizar. O que efetivamente conseguiu. Mas, a partir dessa desautorização, surgiu a figura do “Santo Padrinho”, e as levas de romeiros passaram a vir ao Joaseiro, incorporando-se à vida e a paisagem da cidade.
Tudo dentro de uma resistência pacífica, humilde e respeitosa que perdurou e perdura até os dias de hoje. Entretanto, um fato veio coroar este silêncio dos romeiros: a correspondência enviada, em 2001, pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, ao recém-chegado Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, na qual sondava a conveniência de se proceder a uma releitura dos documentos e textos produzidos sobre o Padre Cícero e as romarias de Juazeiro do Norte.
A solicitação do então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, foi feita para atender às várias solicitações chegadas à Santa Sé sobre esta questão. O novo bispo de Crato, ao chegar a esta diocese, já demonstrava nítida simpatia para com as multidões de romeiros, que acorrem, todos os anos, a Juazeiro, em busca do lenitivo da fé. O pedido do Cardeal Ratzinger foi prontamente atendido.
Dom Fernando Panico promoveu, com a devida prudência e sem açodamento, pesquisas e levantamentos, tendo à frente estudiosos de várias ciências, com vistas a possibilitar uma reconciliação da Igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero, cuja parte mais visível são as romarias feitas a Juazeiro do Norte. O resultado desse processo encontra-se na Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, na fase de análise.
Essas romarias começaram a acontecer no final do século XIX, por conta da fama de santidade e de “milagreiro” atribuída ao Padre Cícero. Ao longo do seu processo evolutivo, elas incorporaram e conservam até hoje alguns rituais, praticados nas três fases da peregrinação: a viagem, a chegada e o retorno do romeiro. O principal componente é de caráter religioso: participação nas missas e procissões; confissão dos pecados e a comunhão reparadora; visita aos lugares considerados sagrados pelo romeiro: a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Santuário Diocesano da Mãe das Dores, as igrejas de São Francisco e do Sagrado Coração de Jesus e local considerado emblemático pelos romeiros: a Serra do Horto (onde ficam a grande estátua do Padim e a pedra do “Santo Sepulcro”).
Por outro lado, no desejo de alcançar a salvação eterna na Cidade Santa, o sagrado convive com o profano. Os romeiros executam uma coreografia, não ensaiada, com chapéus de palha na cabeça e rosários no pescoço. Cantam benditos. Soltam fogos. Assistem às exibições das rabecas na Dança de São Gonçalo. Compram, no comércio e nas feiras ao ar livre, imagens de santos, peças artesanais, remédios fitoterápicos e produtos alimentícios, típicos do Cariri, como a “batida” e a rapadura (ambas subprodutos da cana-de-açúcar), doces de buriti, Bálsamo da Vida, dentre outros.
Como bem definiu o escritor Gilmar de Carvalho: “Diante de tanta fé e de tanta festa, que diferença faz que ele (Padre Cícero) seja ou não santo oficial? Poderá haver maior homenagem do que essa canonização espontânea, essa devoção que cresce, cada vez mais, essa cidade que transborda alegria, bodejando salmos, esperando sinais, na atualização desse momento maior que é epifânico, encontro do homem com o divino?”
O livro Joaseiro Celeste analisa com profundidade a conduta do devoto peregrino; sua visão da Cidade Santa, cuja fama foi criada e sustentada pela nação romeira, e tem respaldo numa terra que recebe de coração aberto todos os romeiros do padrinho Cícero.
Ele é fruto das observações e do encantamento do professor Salatiel pelo Joaseiro místico. Retrata a admiração do autor pelos sertanejos – homens, mulheres, jovens e crianças – herdeiros da espiritualidade do Padre Cícero. O Joaseiro Celeste passa a ocupar lugar de destaque na bibliografia, já tão vasta, escrita ao longo dos anos sobre o Padre-Conselheiro.
Oportuna, pois, a divulgação da tese de doutorado do professor Francisco Salatiel. Ela parece lembrar aos céticos e aos críticos do fenômeno das romarias, felizmente hoje em pequeno número, as sábias palavras de Santo Agostinho:
Se não podes entender, crê para que entendas; a fé precede, o intelecto segue.

domingo, 28 de dezembro de 2008

A bandeira do Ceará


Das atuais bandeiras dos estados brasileiros, a única a lembrar a Bandeira da Monarquia é o do Ceará.
Ela surgiu assim: o comerciante fortalezense João Tibúrcio Albano tinha por hábito – no início do século passado – hastear, nas datas importantes, a bandeira do Maranhão, terra da sua esposa. Como cearense João Tibúrcio Albano ficava frustrado, pois seu torrão natal ainda não possuía um pavilhão. Um dia teve a idéia de adaptar às armas do Ceará numa bandeira brasileira. Para isso, mudou a cor da esfera. Saiu a azul com estrelas substituída pela esfera de cor branca. Consta no Anuário do Ceará: “por muito tempo a bandeira idealizada por João Tibúrcio Albano serviu de modelo a muitas outras que tremularam nas sacadas dos nossos educandários.
Só em 1922 o Presidente Justiniano de Serpa assinava decreto instituindo o pavilhão cearense, determinando fosse este formado do retângulo verde e o losango amarelo da bandeira nacional, tendo ao centro um circulo branco em meio do qual deveria situar-se o escudo do Ceará”.
Em 1967 o Governador Plácido Castelo assinou a Lei 8.889 que definia a composição da bandeira do Ceará.

Saudando Padre Rocildo

Saudação ao Padre Rocildo Alves Lima Filho quando de seu ingresso no Instituto Cultural do Cariri
Por: Armando Lopes Rafael


Sinto-me duplamente feliz, ao fazer esta saudação ao Padre Rocildo Alves Lima Filho, no momento do seu ingresso no Instituto Cultural do Cariri. Primeiro, pelo fato de a cadeira que ele ocupará ter como patrono Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro, de cuja memória sou devedor dos mais profundos sentimentos de admiração, gratidão e respeito.

Segundo, porque o primeiro ocupante desta cadeira, ou seja, o Padre Rocildo, é reconhecido por todos como um dos bons valores da nova geração de intelectuais do Cariri. Coincidentemente, Padre Rocildo também substitui Monsenhor Montenegro, na direção do tradicional Colégio Diocesano de Crato. Um digno substituto, diga-se de passagem.

Conheci bem o saudoso Monsenhor Francisco Holanda Montenegro. E isto me autoriza a dar um depoimento presencial sobre ele. Fui seu aluno. A ele devo os meus estudos, relativamente aos antigos cursos de Humanidades (ou Ginasial) e Científico, como se chamavam, àquela época. Explico. Oriundo de família pobre, meu pai não possuía condições de pagar um colégio particular para o filho mais velho, pois tinha mais nove filhos para sustentar, com o pequeno salário de funcionário público. Mesmo assim, fui matriculado no Colégio Diocesano de Crato, para fazer o antigo Exame de Admissão ao Ginásio. Concluído este, estavam em curso as providências de minha transferência para uma escola pública, quando, certo dia, Mons. Montenegro me encontrou num intervalo de aula, e disse-me:

– “Vou conseguir uma bolsa de estudo para você. Só espero que, no futuro, você não me atire pedras, como têm feito muitos a quem tenho ajudado...”

E foi graças a essa “bolsa de estudo” que me eduquei, no melhor colégio da cidade... E graças ao que ali aprendi consegui aprovação em concurso público do Banco do Nordeste, no qual trabalhei, por 36 anos, chegando a galgar, naquela instituição, elevadas posições, além de ter, posteriormente, a oportunidade de obter graduação na Universidade Regional do Cariri.

Como disse, guardo imorredouras recordações de Monsenhor Montenegro. Ele era austero, sério, mas sempre comunicativo! Em algumas ocasiões, tinha rasgos de generosidade que causavam admiração. Tendo dedicado quase toda a sua vida à educação, principalmente na direção do Colégio Diocesano de Crato, esta atividade lhe proporcionou conviver com pessoas de diversas categorias sociais. Nesse mister, conseguiu fazer dezenas de centenas de amigos. Foi padrinho de batismo de bom número de crianças, com cujos pais cultivou laços de amizade.

Nos últimos anos de sua vida, já na ancianidade, Monsenhor Montenegro – um Arauto do Evangelho e da Educação – exerceu atividades pastorais na Capela de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro Granjeiro, por ele construída e onde repousam seus restos mortais, à espera da ressurreição final. Foi ali, na sua residência, ao lado dessa capela, onde, já aposentado e com o tempo disponível, ele escreveu sua produção intelectual que é de grande valor.
À sua heróica memória a nossa devoção, as nossas orações pelo amor que nos legou e de que não somos merecedores; o nosso agradecimento por todo o bem que fez, na sua profícua existência.

Ilustríssimo e Reverendíssimo Padre Rocildo:

Esta casa o recebe com alegria. Atributos para compor este sodalício, V. Reverendíssima os tem de sobra. Possuidor de dois bacharelados: o de Filosofia, feito no Instituto de Ciências Religiosas, de Fortaleza e concluído em 1983; e o de Teologia, cursado no Instituto Teológico Pastoral do Ceará e concluído em 1987.

Ressalte-se que constam no seu currículo: o curso de especialização em Comunicação Social e Pastoral, feito na Universidade Popular Autônoma de Puebla, no México, em 1994; e a Licenciatura em Filosofia, cursado na Universidade Estadual do Ceará, concluída em 1998.

Merece ainda ser citado o seu Mestrado em Filosofia, feito na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália, e concluído em 2001. Sua experiência pastoral registra o exercício da função de Pároco nas Paróquias: São José de Crato (1988-1992); Santo Antônio da cidade de Jardim (1992-1999); São Vicente Ferrer, de Crato (em 1999); São João Bosco de Juazeiro do Norte (2001-2002); Sagrado Coração de Jesus, do Bairro do Seminário, em 2003.

Entre os anos 1990 a 1992, Padre Rocildo exerceu o cargo de Reitor do Seminário Diocesano São José. No magistério, registre-se sua passagem nos Colégios Pequeno Príncipe e Santa Teresa de Jesus, ambos de Crato (nos anos 1990-1991); no Instituto Diocesano de Filosofia de Crato (nos anos 1986-2003).

A partir de 2002, passou a ser professor concursado da Universidade Regional do Cariri; e desde 2003 assumiu o cargo de Diretor do Colégio Diocesano de Crato.

Some-se a todas essas atividades, que acabei de mencionar, o fato de Rocildo Alves Lima Filho ter optado por exercer o ministério sacerdotal. Ser Padre – nos difíceis tempos de hoje – é, sobretudo, saber ser rosto de Deus Pai, num mundo órfão de paternidade e ávido do verdadeiro sentido de maternidade...
E se todo padre já carrega em si a missão de um educador, mais ainda é exigido dele, quando é dirigente de um estabelecimento de ensino, tendo como missão preparar a juventude para os embates da vida. Um padre-diretor de um educandário católico – e essa tem sido a missão do Padre Rocildo, nos últimos tempos – deve dar uma dimensão social a cada profissão; deve fazer o papel de um sociólogo que não se abstém de comentar a sociedade, à luz de princípios humanistas, em vez de relatar apenas os fenômenos sociológicos.
Continua bem atual o que escreveu São Paulo – na Carta aos Filipenses – sobre os que optaram por pregar a palavra de Cristo: “Em meio a uma geração depravada e corrompida, vós brilhais como tochas no mundo, pregando-lhe a palavra de Vida”.
Não sendo obrigado a conhecer todas as experiências de vida – coisa que, aliás, nenhum ser humano possui na plenitude - o sacerdote católico deve saber dar uma visão evangélica, sempre que confrontado com temas que interessam ou preocupam os adolescentes, os jovens e até pessoas maduras, nos dias atuais. Por isso, todo o padre é orientador. Muito mais que um orientador, deve ser uma pessoa que ajuda a pensar, a abrir horizontes e a garantir – para quem o procura – um conselho para as decisões da vida.
E tudo isso, pela graça de Deus, Padre Rocildo vem cumprindo a contento.
O Instituto Cultural do Cariri, repito, sente-se honrado em acolher tão ilustre sócio. Portanto, não é ao Padre Rocildo que devemos dar os parabéns, nesta noite. Os parabéns devem ser dados ao Instituto Cultural do Cariri, por abrigar no seu meio uma pessoa com as características do Padre Rocildo...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ainda sobre a história da imagem da Mãe do Belo Amor


Alguns leitores do Blog do Crato telefonaram-me dizendo que eu esqueci de incluir a história da imagem da Mãe do Belo Amor na postagem final sobre o Geopark Araripe. Na verdade, não esqueci. É que, anteriormente, tinha escrito algo sobre esta importante imagem do imaginário e da história religiosa do Cariri. Por isso, posto novamente o artigo .

Foto de Jackson Bantim
A Mãe do Belo Amor

Armando Lopes Rafael

A história da imagem venerada em Crato A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”. Não nos foi possível apurar as razões que levaram Monsenhor Rubens a concluir que a imagenzinha da Mãe do Belo Amor fora herdada dos indígenas, primeiros habitantes do Vale do Cariri. Entretanto, no artigo já citado, ele menciona um fato que merece transcrição. Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito:

Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação, hoje transformada nesta importante Cidade de Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que esta desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida. (LÓSSIO, 1961: 47).

Quanto ao desaparecimento da imagem da “Mãe do Belo Amor”, mencionado acima, o historiador Irineu Pinheiro esclareceu o episódio:

Lá alguns anos, desapareceu (a imagem da Mãe do Belo Amor), mas, a 29 de abril de 1951, restituiu-a ao culto o velho sacristão Zacarias Luís Arnaud, que a retirara da Igreja, durante os anos de reconstrução, e a guardara em casa, carinhosamente. Acolheu-a o povo com entusiasmo e devoção, a beijar-lhe os pés, a rogar-lhe felicidades. Vimo-la na Sé de Crato, de madeira, de uns dois palmos de altura, de olhos azuis, segurando com o braço e a mão direita o Menino Deus, de olhos também azuis, a agarrar com as duas mãos a gola do casaco de Nossa Senhora, puxando-a para si”. (PINHEIRO, 1955: 22).

Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade de Crato. Ressalte-se que, antes da chegada do frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador de Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira de Crato.

Fontes de consulta para o artigo acima:

LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961.

PINHEIRO, Irineu. Cidade do Crato. Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro, 1955.