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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

R$ 340 mi aplicados pelo governo no Cariri


Por Beth Rebouças (Jornal do Cariri)

Centro de Convenções, Ceasa, Hospital Regional do Cariri, Escolas profissionalizantes em Juazeiro e Várzea Alegre e as estradas de Caririaçu a Lavras da Mangabeira, são obras que estão em andamento, na região do Cariri, pela administração do governador Cid Gomes (PSB-Ce). De março a dezembro, todas serão entregues à comunidade. Gastando uma média de R$115 milhões por ano, nesses três anos já investiu, segundo levantamento do Departamento de Edificações e Rodovias (DER), mais de R$ 340 milhões somente na Região do Cariri.

Cid acha que este “2010 será um ano em que as bases que foram plantadas pelo governo serão visíveis mais fortemente pelo cearense”. Explicou que isso se traduz na questão da economia. Juazeiro do Norte e Barbalha continuarão em expansão, além de todos os municípios que se situam ao lado da Transnordestina, os quais vislumbram muitas realizações. Será um ano de ajustes e mais superações dos problemas de modo a que todos os recordes sejam novamente quebrados. Para isto acontecer, promete fazer “das tripas coração”!

Para crescer e se desenvolver, o Governador vê como saída a busca pela industrialização, ação consorciadas com outras demandas. Ou seja, estimulando o turismo religioso, ofertando mais conforto aos romeiros que peregrinam por Juazeiro do Norte, ou os que vão a Canindé, por conta de São Francisco. Cid considera que o turismo foi o setor mais equilibrado da sua administração que representa de oito a 10 % do PIB Cearense. Pontuou ações como a Praça dos Romeiros que está mandando ampliar na Terra do ‘padim Ciço’, o centro de Convenções, o Hospital regional e os equipamentos em Fortaleza do Centro de Feiras e Eventos além do Acquário do Ceará, “que serão referências turísticas internacionais”.

Hospital Regional

Um dos destaques é o Hospital Regional do Cariri (HRC). A obra, orçada em R$ 44,2 milhões, está em pleno andamento com previsão de entrega para julho deste ano. Cerca de 1,4 milhão de habitantes das cidades de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Icó, Iguatu e Brejo Santo serão beneficiados. O início da construção do Hospital Regional do Cariri aconteceu em março de 2009.

Educação Profissional

Em Várzea Alegre e Juazeiro do Norte as Escolas de Educação Profissional (EEEP), deverão atender um número total de 2000 alunos nos dois turnos de funcionamento de cada unidade. As duas têm previsão de conclusão para outubro deste ano, cada escola conta com 12 salas de aula, além de laboratórios de línguas, informática, Química, Biologia, Física, Matemática e biblioteca. Na unidade de Várzea Alegre, a administração estadual investiu R$ 5,3 milhões. Já para a escola de Juazeiro foram alocados recursos da ordem de R$ 6,2 milhões.

Estradas

No Cariri, mais duas rodovias estão em processo de finalização. A primeira é a estrada que liga o Crato à cidade de Barbalha, passando pelo distrito de Arajara. Com 24 quilômetros e valor calculado em R$ 4,6 milhões, a rodovia recebeu um novo recapeamento da malha asfáltica, além da implantação de sinalização horizontal. A nova CE será inaugurada em março de 2010. Outra obra importante, que irá interligar o município de Caririaçu à BR-230, nas proximidades da cidade de Lavras da Mangabeira é a Estrada Padre Cícero. A rodovia, com R$ 46 quilômetros tem previsão de inauguração para dezembro deste ano. Com a construção a rodovia passa a ter 8 metros de largura e para sua construção o aporte de recursos totalizará R$ 39 milhões.

Ceasa

A implantação da Ceasa do Cariri fica à margem da rodovia que liga o município de Barbalha a Juazeiro do Norte. No total serão 68 boxes construídos para dar vazão às atuais 75 mil toneladas de hortifrutigranjeiros comercializadas por ano no Cariri. A nova Ceasa iniciará suas atividades com uma área construída de mais de seis mil metros quadrados. O valor total para construção da Ceasa é de R$ 6,9 milhões e a previsão de conclusão da obra é dezembro de 2010.

Centro de Convenções

O Centro de Convenções do Cariri fica na divisa do Crato com Juazeiro. O empreendimento orçado em R$7,8 milhões conta com quatro auditórios e 849 lugares, cerca de 2 mil metros quadrados de área construída, espelho d’água com 900 metros e infraestrutura que permite acessibilidade para portadores de deficiência. Previsão para funcionar a partir de julho deste ano.

A Força da Fé! – por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história que se segue, é mais uma das tantas que ficaram gravadas na minha memória. Eu a li há cerca de oito anos numa revistinha portuguesa deste novo milênio, porém escrita num estilo e grafia que, para nós brasileiros, eram parecidos com o que se escrevia por aqui cem anos atrás. Entretanto, ela nos revela a firmeza de caráter e a força do homem que tudo confia na providencia divina. E deste modo, encontra alento para superar os acontecimentos negativos que a vida nos reserva.

Há muitos e muitos anos, havia num certo país, um rei despótico que tinha um secretário muito temente a Deus. Para todo e qualquer acontecimento bom ou mal que sucedesse a esse secretário, ele sempre dizia:
– Se Deus permitiu isso, é porque foi para o meu bem!

O Rei já não agüentava esse seu secretário repetir essa cantilena o tempo todo, com tudo que acontecesse não somente a ele, mas aos outros também.

Num lindo dia de verão, o rei e seus serviçais, incluindo o seu fiel secretário, foram a uma caçada. No meio da mata, surge de repente, um leão feroz que atacou o rei num local onde ele ficara sozinho. Quando os guardas ouviram o barulho, correram para salvar seu soberano, mas o leão já havia decepado um dos dedos da mão do rei.

O soberano ficou muito triste e revoltado com o que lhe sucedera. Blasfemava a todo instante por ter perdido um dedo. Do mais alto do seu orgulho, não aceitava reinar mutilado, como havia ficado. Então o seu bondoso secretário, desejando reanimá-lo, lhe disse:
– Senhor rei, se Deus permitiu isso é porque foi para o vosso bem!

O rei ficou muito indignado com esse seu servo e ordenou aos guardas que o colocassem na masmorra. E lá foi o leal secretário amargar resignado toda a humilhação que uma prisão reserva para qualquer ser humano.

Algum tempo depois, o rei que era viciado em caçadas e aventuras foi com um séquito de guardas a uma expedição numa região inexplorada. Como tinha por hábito afastar-se dos que lhe seguiam, caiu numa armadilha montada por canibais selvagens.

A tribo toda foi reunida para o ritual do sacrifício a que seria submetido aquele forasteiro, que se tornaria alimento, após a cerimônia. De nada valeu ele implorar que o soltassem, pois era um rei muito rico e poderoso. A tribo queria em poucos instantes deliciar-se com aquele manjar que os deuses mandaram de presente. O rei foi colocado num caldeirão de água, sobre quatro grandes pedras a lhe servirem de trempes. O fogo foi aceso e a água já amornada, iniciava a soltar pequenas bolhas. Homens e mulheres daquela tribo dançavam com grande euforia em volta do caldeirão, enquanto aguardavam o momento preciso da carne daquela vítima ficar pronta para o grande banquete. De repente o chefe da tribo ordenou:
– Parem o ritual! Este homem não pode ser sacrificado, pois está incompleto. Falta-lhe um dedo.
E assim o rei foi posto em liberdade, escapando por pouco de ser devorado.

Ao retornar ao seu palácio, o rei mandou trazer à sua presença, aquele secretário que mandara prender. Diante do servo, pediu-lhe mil desculpas. O secretário humildemente respondeu:
– Senhor rei, se Deus permitiu que eu ficasse preso foi para o meu bem!

Ao escutar essas palavras, o rei com muita surpresa, perguntou:
– Como ousas dizer isso? Fui muito injusto com você, um amigo de verdade, e você não ficou revoltado pelo que lhe fiz?
– Se Vossa Majestade não me tivesse mandado para a prisão, eu estaria ao lado do meu Senhor naquela caçada e, os canibais ao notar que eu estava inteiro, iriam me sacrificar, colocando-me no caldeirão de água fervendo para saborearem minha carne.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube


Uma das mais tradicionais festas carnavalescas do interior cearense, o Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube consolida-se nessa sua 5ª edição como o evento mais esperado do ano. É através do Carnaval da Saudade que buscamos o resgate das antigas marchinhas, frevos e sambas dos carnavais que marcaram época e o "clube do pimenta" fica lotado de pessoas alegres e com muita energia, indo a festa terminar em um cortejo até a Praça Siqueira Campos,por volta das 6 da manhã.
Esse ano o tema da festa é a ecologia, porque preservar a nossa querida Chapada do Araripe é obrigação de cada um de nós.
Venda de mesas e ingressos avulsos.
Informações: (88) 3523.3793 ou 8816.3062

Cidade da cultura, Papai Noel, Velho do Saco e outras lendas. (Parte 2)

Durante cerca de quatro ou cinco anos tive longas conversas e discussões veementes a respeito de quais seriam as melhores ações sobre a política cultural no Crato com Abidoral. Ia a casa dele quase que diariamente ou ele a minha e por horas o assunto se estendia. Lendo agora a postagem do Dihelson sobre o mesmo assunto me vem à memória alguns pontos básicos sobre a discussão do tema, sejam no Crato, em Roma ou em Abaiara. As premissas básicas da discussão faltam até hoje nos projetos e planos culturais que temos em quase todas as cidades do Brasil. Desde aquelas que achamos que estão fazendo alguma coisa, passando por aquelas que temos a impressão que algo esteja sendo feito (o caso do Crato), até o caso das que estão sob o total abandono (90% das cidades brasileiras).
A cultura, como foi muito bem lembrado pelo professor Zé Nilton nos comentários do post do Dihelson, não pode ser resumida apenas pela arte, pela classe artística e tampouco pela simples elaboração de “eventos culturais”. O diagnóstico do problema tem sido repetitivamente errado ao longo de anos, e assim continuará sendo pelo único e simples motivo: Não há como elaborar algo por alguém se esse alguém não o conhece, ou, por vezes, na melhor das hipóteses, tem apenas uma leve impressão do que seja. É notório que a classe artística do Crato assim como em outras cidades rogam dia e noite por espaços, projetos que envolvam a possibilidade de mostrarem seu trabalho para sociedade, editais, planejamento etc. O que curiosamente acontece é que a cultura em seu termo mais específico não pode em hipótese alguma a ser considerada apenas a partir de eventos isolados, mesmo que ocorram o ano todo, com um calendário cultural. A cultura em si está em nosso dia a dia e a construção dela não parte apenas da premissa de cultuar a eventos, mas, sobretudo, de identificar as características seu povo e de fazer com que a mesma tome seu curso, respeitando suas tradições assim como percebendo suas modificações e sua dinâmica. A cultura que a cidade do Crato tanto orgulha-se de ter é certamente um grande arcabouço artístico que está diariamente sendo negligenciado. Eu mesmo na posição de secretário de cultura teria que ter um planejamento específico para a classe artística, pois, como fazer chegar a população nomes como Abidoral, Dihelson, Cleivan, Edelson Diniz, Manel, Herbeno Tavares, Guto, Sinhá D”amora, Vicente Leite, Padre Ágio, Divane Cabral entre tantos outros? Como fazer como que não só as novas gerações entrem em contato com obra de tantas pessoas que foram prejudicadas além de dar suporte para que essa própria nova geração tenha meios de desenvolver-se? Essas questões que nem de longe foram resolvidas e são apenas uma das tantas, pois a cultura estende-se por outras áreas ou achamos que o nível cultural da pretensa elite do Crato não é algo preocupante? Ou achamos que o nível de estudo de habitantes de áreas totalmente segregadas como Batateiras, Vila Lobo, Alto da Penha, Seminário não é de nossa responsabilidade? Ou o nível em que se desenvolve as aulas nas nossas universidades? A cultura em lugar nenhum do mundo foi feita apenas pela arte, mas, curiosamente no Crato estão querendo fazê-la como tal. E assim como dois mais dois não são cinco, artistas mais artistas não representam uma cultura por inteiro. A negação de toda produção cultural desenvolvida no ocidente ao longo da história seja nas artes ou nas ciências é uma conseqüência grave ao seio de qualquer população. A escolha aleatória de alguns elementos que compõem essa história é o que vemos mais comumente, deixando assim brechas enormes na formação cultural e intelectual do povo, provocando manchas em nossa cultura que vão desde o preconceito, racismo, ignorância, desinteresse por qualquer causa que não seja a própria, desvalorização do próximo, desvalorização da arte, até a desvalorização de tudo que não esteja imediatamente ligado ao ganho, ao dinheiro, ao lucro. Essas características é o que mais facilmente estão relacionadas a nossa verdadeira cultura, ao que realmente está na mente e nas atitudes do povo cratense. O que se quer diariamente no Crato a respeito de sua própria cultura é tirar leite de pedra. Não há como trabalhar qualquer problemática da cultura de um povo sem que a base educacional deste mesmo povo esteja intrínseca no projeto cultural.Algumas reflexões básicas que se deveria ter em qualquer projeto cultural são questões do tipo: Quem e o que se ensina em nossas escolas? Qual a visão de mundo que nossa juventude tem desenvolvido, ou melhor, qual o nível das pessoas que educa a população do Crato? Sabemos que não há literalmente diferença alguma entre a classe elitizada e a mais humilde da cidade, uma vez quem ambas estão num fosso cultural jamais visto ao longo da história. Curiosamente estamos em um período histórico que mais temos facilidade por adquirir cultura é a época de maior regressão cultural da história do país. A nossa, como a cultura de todo o restante do país está em desenvolver sua trajetória de vida baseada no sucesso econômico e financeiro, ignorando tudo o que seja necessário para formar a alma e a personalidade de um verdadeiro cidadão como ser humano, cidadão do mundo, desprendido das amarras e preconceitos que o circundam. A “elite” da cidade daqui, por sua vez, está preocupada em ser elite por mais cem anos, em sustentar-se como tal, e não em aprender o que quer que seja. A classe mais humilde tem os mesmos objetivos da elite, embora, por falta de “educação” (educação aqui entendida simplesmente por meios técnicos e/ou funcionais para adquirir-se um emprego) tem as mesmas finalidades, mudando apenas um ou outro detalhe.
Sendo o número de falhas tão abundantes o trabalho desenvolvido certamente não logrará êxito. O argumento pueril e falho de que a classe artística (como se essa fosse a única interessada na cultura de uma cidade) não compareceu a tal reunião ser motivo para cessar seu direito de argumentação é no mínimo contraditório, uma vez que eu mesmo já compareci a outras reuniões desta mesma secretaria onde se desenvolveria um tal plano de ações, onde toda a “classe artística” esteve presente, onde foram cadastrado seus devidos dados e áreas atuam e simplesmente NADA foi feito. O que dizer disso? Não há o que argumentar quando os inúmeros fatos sufocam as argumentações pífias e surreais. O que é urgente é a necessidade de perceber que a cultura do PAÍS está em estado convalescente enquanto os seus devidos responsáveis acham que isso tudo não passa de uma gripe! Quem dera!
Quando os senhores responsáveis pela cultura de nossa cidade unirem-se com os diretores de escola, reitores, coordenadores responsáveis pelos mais diversos cursos universitários, assim como representantes dos bairros, do comércio e das mais diversas categorias de nossa sociedade e traçarem um plano em que esteja desde a formação cultural de seu povo, empenhando-se aí em resgatar e adquirir o que há de mais rico na cultura do mundo, passando das artes a ciência, da filosofia a política, até o reconhecimento de sua própria identidade, de seus talentos e das características de seu povo, aí talvez comecemos a fertilizar o óvulo. O que dizer da classe culta do Crato que não sabe nada da vasta obra de um Dr. Borges por exemplo, apenas para citar um de tantos nomes que agigantam nossa cultura? O que dizer da classe acadêmica local que ignora um dos maiores filósofos do mundo que é o brasileiro Mário Ferreira dos Santos, e continua a tentar resolver problemas que já foram resolvidos por ele a mais de cinqüenta anos? O que dizer dos “formadores de opinião” de nossa região que desconhecem totalmente o que se passa na geopolítica da América latina? O que dizer do total desconhecimento das bases do pensamento filosófico desenvolvido por grandes nomes do século vinte que é totalmente impossível de se ver em nossas universidades? O que dizer das “melhores escolas” do cariri onde quase que nenhum aluno saberia dizer a diferença gigantesca entre um Michelangelo e um Pollock?
Quando pelo menos uma das questões acima for resolvida e os responsáveis pela cultura perceberem que a cultura não é feita apenas de pífanos, meninas com saias gigantes posando de intelectuais dançando ao som de bandas cabaçais e reisados calçadas com sandálias de couro (que é um atestado de intelectualidade, mesmo que o dono da vestimenta nunca tenha produzido nada na vida), aí talvez possamos, mas ainda com muito cuidado, muito precavidamente, sem ostentação alguma, sem querer envaidecer-se como “Cidade da Cultura”, dizer que estamos fazendo o mínimo. Daqui para este dia de sonho ainda existem longos anos de estudo e meditação em nossa sociedade. Por hora, ainda estamos na mais completa selvageria como uma horda de cães famintos a caça de comida em um bosque escuro, mas portando-se vaidosamente como águias.

Antonio Sávio Nunes de Queiroz

Quatro distritos podem virar cidades

Os pedidos foram formalizados ontem na Assembleia Legislativa por representantes locais

Thiago Paiva
Especial para O POVO

Representantes de quatro municípios do Interior do Estado protocolaram ontem, na Assembleia Legislativa, pedidos de emancipação de distritos. São eles: Mundaú, no município de Trairi; Pecém, no município de São Gonçlo do Amarante; José de Alencar, em Iguatu, e Várzea dos Espinhos, em Guaraciaba do Norte.

As lideranças entregaram dados que retratam o perfil básico do distrito, um requerimento pedindo a elevação da localidade e um mapa do novo município, além de um abaixo-assinado.

Respaldados na lei complementar 84, de autoria do presidente da Casa, Domingos Filho (PMDB), os pedidos serão submetidos a várias etapas de análise. A primeira delas será feita pela Mesa Diretora. Depois, serão entregues a institutos contratados pela Assembleia, que farão os chamados estudos de viabilidade. Na fase final, é prevista uma consulta popular no respectivo município.

Entre os critérios para emancipação dos distritos estão uma população superior a oito mil habitantes, eleitorado superior a 40% de sua população, um centro urbano constituído, com número de prédios, comerciais e públicos superior a 400, além da existência de equipamentos sociais de infraestrutura compatíveis com as necessidades básicas da população.

Os últimos municípios emancipados no Estado do Ceará foram: Jijoca de Jericoacoara, Itaitinga e Choró, todos em 1992.

Fonte: O Povo

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Atividade de repentista é reconhecida como profissão

Cordelista Maria do Rosário

A lei nº 12.198, aprovada recentemente, reconhece a atividade de repentista como profissão artística, que passa a integrar o quadro de atividades da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse grupo, estão inseridos sete exercícios relacionados ao repente. São cantadores e violeiros improvisadores, emboladores, cantadores de coco, poetas repentistas, contadores de causos da cultura popular e escritores da literatura de cordel.

Maria do Rosário é detentora da cadeira 8 da Academia dos Cordelistas de Crato, ela ressalta que o dia 14 de janeiro, data em que a lei foi sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é considerado um dia histórico para a classe. “Antes as pessoas que se dedicavam inteiramente aos versos eram vistos como vagabundos. Agora são profissionais, regulamentados como em qualquer outra profissão”, diz a cordelista.

Outra conquista está na oportunidade em prosseguir com o reconhecimento e formar a associação e academia de Juazeiro do Norte, que segundo ela, já está em pauta há algum tempo. “Aqui tem muitos cantadores anônimos e isso foi um incentivo para aumentar nossa dedicação e a força da divulgação de nosso trabalho”. Embora o fato de que o número de cordelistas seja maior em Juazeiro, se equiparado às cidades do Cariri, somente Crato e Assaré possuem academias e associações.

Números que, de acordo com a obra Lyra Popular, assinada pelo jornalista Gilmar de Carvalho, são configurados pela existência da Tipografia São Francisco, rebatizada de Lira Nordestina, que chegou a imprimir diariamente cerca de 12 mil folhetos. Outra fomentação foi provocada pelo jornal O Rebate, que tinha uma seção exclusiva para a publicação de versos. Essa cultura também esteve atrelada ao turismo religioso de Juazeiro. Foi através dos cantadores que a história do milagre do Padre Cícero foi disseminada. Assim, há uma ligação direta entre as primeiras romarias e a cultura popular, o que torna mais necessária a conquista da associação e academia para a cidade.

Conheça a trajetória

Esquecendo um pouco a regulamentação, pense nos castelos da Europa Medieval. Neles, os reis assistiam à histórias contadas por menestréis sobre doces princesas, reis malvados e guerreiros valentes. No nordeste brasileiro, os fazendeiros e senhores de engenho eram os reis, os menestréis os repentistas, as princesas eram as sinhás e os guerreiros, claro, os vaqueiros. Outra face, pouco mais recente, dessa cultura, é o jornalismo. Importantes acontecimentos do Cariri eram divulgados por contadores e folhetos, até que eles perderam força para o jornal. Conforme o pesquisador Diégues Júnior, o nordeste foi território fértil devido às suas condições sociais e culturais únicas, como manifestações messiânicas e desequilíbrios socioeconômicos. Diégues reconhece, ainda, a importância do vigor dessa lei porque é um trabalho e esforço intenso nesse gênero artístico que exige métricas, rimas e ritmos bem definidos.

Fonte: Jornal do Cariri

Rosemberg Cariry: Uma trajetória em defesa da arte libertária


Fonte: Coletivo Camaradas

Homem da arte e da luta do povo. Do Cariri para o mundo ou vice-versa Rosemberg Cariry tem o seu trabalho marcado pela cultura do povo contextualizada com o seu tempo. Unir o popular ao erudito, o regional ao universal é uma das características do trabalho deste artista engajado. Em entrevista concedida ao Blog Coletivo Camaradas, Rosemberg fala de política, marxismo, estética, filosofia, artes e da sua intensa trajetória.

Quem é Rosemberg Cariry?

É sempre difícil um homem definir quem ele mesmo é. Parece absurdo, mas o tempo é quem define o homem. Sócrates, segundo Platão, inspira toda a sua filosofia na inscrição da entrada do templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo. Mas que homem pode, em essência, compreender-se diante do absurdo da condição humana e da dupla natureza humana: animal/espiritual, liberdade/contingência cósmica, transitoriedade/impulso de eternidade? O homem não é Deus e inventa-se em sua rebelião contra Deus ou no seu reencontro com o Deus que o põe à prova (ver o Livro de Jó). O homem é em relação ao espaço e ao tempo em que vive, em mutação, em transformação. O homem é um animal em construção. Acho que a morte, em alguns casos, dá a aparente completude e medida do homem. Mesmo assim, resta o mistério... Digo isto, para justificar, neste momento, a minha dificuldade em me definir...

Quando tiveram início seus trabalhos artísticos?

No final da década de 1960, quando organizei os primeiros espetáculos reunindo jovens e velhos mestres da cultura popular. Desde esse tempo, nasceu em mim essa vocação para reunir o “velho” e o “jovem”, o “popular” e o “erudito”, o “regional” e o “universal”, dualidades aparentes mas que se completam. Toda contradição é aparente. O regional contém o universal, o popular contém o erudito, e o jovem contém o velho, assim como a manhã contém a noite, e a noite, por sua vez, contém o dia. Tive envolvimentos com dois movimentos culturais importantes do Cariri. Um deles foi o “Grupo de Artes Por Exemplo”.

Fale-nos sobre o Grupo de Artes Por Exemplo.

Em 1973, no Crato, no Cariri cearense, surgiria o Grupo de Artes Por Exemplo, que reunia jovens da pequena classe urbana local e artistas populares em torno de diversas atividades artísticas e culturais. Publicava-se uma revista mimeografada chamada Por Exemplo. Rodavam-se os primeiros filmes Super-8 documentários e de ficção. Faziam-se performances artísticas, happenings, shows musicais, encenações teatrais, ao mesmo tempo em que era promovido um substancioso intercâmbio entre a região do Cariri e capitais dos Estados Nordestinos, notadamente com as cidades de Recife e Fortaleza. Esse grupo eclético, no qual me incluo, reunia nomes como Bil Soares, Hugo Linard, Jackson Bantin, Walderedo Gonçalves, Múcio Duarte, Pedro Ernesto, José Roberto França, Abdoral Jamacaru, Emérson Monteiro, Jefferson de Albuquerque Jr., Luiz Carlos Salatiel, Pachelly Jamacaru, Vera Lúcia Maia, Luiz Karimai, Ivan Alencar, Cleivan Paiva, Bá Freyre, Zé Nilton, José Wilton (Dedê), Stênio Diniz, José Bezerra (Deca), Valmir Paiva, Geraldo Urano, Socorro Sidrin e Célia Teles, entre outros. A principal marca do Grupo de Artes Por Exemplo era a diversidade das tendências, que se identificavam no objetivo de projetar a cultura do Cariri cearense para o País. Patativa do Assaré participava ativamente dos happenings, espetáculos e recitais do grupo. Fazíamos o Salão de Outubro...

O Salão de Outubro foi muito importante para a cultura do Cariri?

O Salão de Outubro, realizado pelo Grupo de Arte Por Exemplo, a partir de 1974, firmou-se, como um espaço privilegiado de reunião das vanguardas artísticas e das manifestações ditas populares, congregando poetas, artistas plásticos, escritores, cantores, compositores e cineastas em torno da ideia de promover mostras de trabalhos e espetáculos, bem como exercitar o intercâmbio com outros centros artísticos. A proposta do grupo, que se reunia em torno do I Salão de Outubro, era a representação da arte por meio do encontro com os materiais e os elementos da cultura local, buscando, ao mesmo tempo, o cruzamento da tradição com as vanguardas artísticas. Esse ideário transformou o evento num grande sucesso. Havia uma forte influência da contracultura norte-americana, do rescaldo cultural da década de 60, do underground, dos movimentos de contestação, do teatro de Augusto Boal, do Grupo Oficina, do teatro do absurdo de Qorpo Santo, das leituras dos movimentos de vanguarda pós-revolucionários soviéticos, da revista Rolling Stones, dos movimentos de contracultura norte-americanos e europeus – tudo isso junto com cegos cantadores, reisados de mestre Aldenir e do Meste Dedê de Luna, coco do Mestre Carnaúba, poemas de Patativa, Cine Clube da Fundação Padre Ibiapina e programas radiofônicos de Elói Teles. Patativa do Assaré, Cego Oliveira, Zé Gato, Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto, Azuleika, João de Cristo Rei, Mestre Tico, Correinha, Severino Batista do Berimbau de Lata, Mestre Nino, Zé Ferreira, Ciça do Barro Cru, Cícera Fonseca, Mestre Noza, Chico Mariano do Mamulengo, Mestre Bigode, Zé Oliveira, Pedro Bandeira, Cego Heleno e outros artistas populares tomavam parte ativamente dos eventos artísticos, sendo convidados para participações especiais em performances, happenings, recitais e shows.

Junto com Deca e Geraldo Urano, fizemos peças de teatro experimentais, happenings, recitais, apresentações bem vanguardistas no Festival da Canção. Agitávamos o Cariri. Para o Salão de Outubro, de Fortaleza, chegavam nomes como Caio Silvio, Graccho Sílvio, Ana Maria Roland, Ferreirinha, Ângela Linhares, durante a realização do Salão. Na geléia geral brasileira, misturava-se tradição e vanguarda, regional e universal, popular e erudito, como é o caso da Escola de Música do Padre Ágio e a orquestra do Belmonte. O grupo mantinha ainda intercâmbio com os artistas caririenses do êxodo. Em São Paulo, Hermano Penna já conquistara importantes prêmios com seus filmes, e Jefferson de Albuquerque Jr. se profissionalizara no cinema. Tiago Araripe compunha com Tom Zé, fazia parceria com os concretistas Irmãos Campos e participava de um grupo de pop-rock brasileiro chamado Papa Poluição, que tinha, em sua formação, músicos cearenses e baianos, todos radicados em São Paulo. Tiago Araripe ligou-se, posteriormente, com o pessoal da Lira Paulistana.

Uma época de grande efervescência...

Sim, um período de grande efervescência e de vivências intensas. Se Fagner, Ednardo, Belchior, Rodger, Téti, Amelinha, Fausto Nilo e Brandão faziam sucesso e exerciam grande influência sobre os jovens músicos e compositores do Cariri, não menos sucesso e influência exerciam Zé Ramalho, Alceu Valença, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Quinteto Armorial, Gil, Caetano, Tom Zé e outros compositores e grupos da cena nordestina contemporânea, além de todo um clima de busca de integração latino-americana por meio das músicas de Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Victor Jara e Mercedes Sosa. O Jefferson de Albuquerque Jr. chegara do Chile e trazia todas essas novidades. O jornal Versus, com artes e culturas da afro-latino-américa era uma grande referência literária e jornalística. De Minas, chegavam os ecos profundos do Clube da Esquina. Além do mais, o Festival da Canção do Cariri era o grande acontecimento musical da região e revelaria toda uma geração de jovens compositores.

E o Nação Cariri, que rompeu as fronteiras da região?

No início de 1979, em período de férias, reuniram-se, no Crato, vários artistas aí radicados com artistas e produtores culturais que moravam em outras regiões do País. O motivo da reunião era criar um movimento mais amplo de arte e cultura e um jornal que tivesse uma ampla circulação e fosse um elo entre a cultura popular tradicional e jovens artistas contemporâneos antenados com outras influências. Procurou-se um nome para ele, e surgiu Nação Cariri, em homenagem aos índios Cariris e à luta que travaram contra os colonizadores, na chamada Confederação dos Cariris. O grupo inicial foi praticamente o mesmo que fazia o movimento Por Exemplo, no qual eu estava inserido, tendo sido um dos seus fundadores, ao lado de Jackson Bantin, José Wilton (Dedê), Cleivan Paiva, Teta Maia, José Roberto França, Emérson Monteiro, Geraldo Urano, Pachelly Jamacaru, Zé Nilton, Luiz Carlos Salatiel, Stênio Diniz, Jefferson de Albuquerque Jr., Valmir Paiva, Luiz Karimai e Decas, entre outros.

O movimento teve, logo em seguida, a colaboração de artistas que moravam em São Paulo (Tiago Araripe, Hermano Penna, Francisco Assis do S. Lima); em Recife (Ronaldo Brito) e em Fortaleza (Oswald Barroso, Firmino Holanda, Marta Campos, Itamar do Mar e Carlos Emílio Correa, entre outros). A estes nomes, foram acrescidas dezenas de outros, durante a segunda fase do jornal; entre eles, citamos: Floriano Martins, Natalício Barroso Filho, o livreiro Gabriel José da Costa, Fernando Néri, Rejane Reinaldo, Joana Borges, Fátima Magalhães, Juarez Carvalho, Pingo de Fortaleza, Ronaldo Cavalcante, Diogo Fontenelle, Nilse Costa e Silva, Ronaldo Lopes, Alan Kardec e Luciano Maia. Patativa do Assaré era o mestre, aquele que consagramos como poeta maior. Editamos um jornal muito legal, com poemas, artigos, desenhos, ensaios...

E o jornal conseguia circular?

Desde os seus primeiros números, o jornal foi distribuído em várias cidades do interior cearense e em algumas capitais brasileiras, por meio de seus correspondentes, chegando assim a circular em universidades, grupos literários, bancas de revistas, livrarias, sindicatos etc. Contudo, o maior impacto do jornal, com ampla divulgação na imprensa e nos meios intelectuais, foi em Fortaleza, cidade onde o Nação Cariri faria sua história. O ano de 1979 foi um período de grande atividade para aquele movimento. Foi quando, na qualidade de um dos coordenadores do movimento, tomei parte das reuniões preparatórias do Massafeira Livre e sugeri a participação dos jovens artistas e dos artistas populares do Cariri. Como saberíamos depois, o Massafeira Livre iria ter grande importância na carreira e no reconhecimento de alguns desses artistas e servir também de balão de ensaio para o show Canto Cariri, ao qual já fiz referência, quando tratei do Grupo Siriará.

O Nação Cariri deixou de ser apenas do Cariri?

O campo de atuação do jornal foi crescendo cada vez mais e recebeu, inclusive, um efetivo apoio do livreiro Gabriel José da Costa. O Nação Cariri não se conteve em ser apenas um jornal e se transformou em um movimento amplo, independente e combativo, tendo sido capaz de deixar duradouros marcos na cultura e nas artes do Ceará. O Nação Cariri atuou nas áreas de música (promoção de shows, editoria de discos), teatro (peças em sindicatos, bairros e campanhas políticas progressistas), literatura (publicações e recitais públicos), artes plásticas (ilustrações de livros e exposições) e cinema (realização de curtas-metragens sobre cultura popular). A atriz e produtora cultural Teta Maia dá também o seu testemunho: “Foi a partir dessa experiência que os poetas do Nação Cariri retomaram a oralidade dos poemas e realizaram inúmeros recitais em teatros, sindicatos e praças públicas”. Como editora, a Nação Cariri publicou vários livros de autores cearenses, bem como álbuns de desenho, cartazes e folhetos.
Uma das grandes preocupações do movimento, ao mesmo tempo em que dialogava com poetas de vários países e com as manifestações de vanguarda, foi a valorização crítica da cultura popular. Os artistas do povo tiveram vez e voz. Grandes mestres e artistas do povo foram divulgados, com grande repercussão. Exemplo maior dessa ação foi a decisiva participação do grande poeta popular Patativa do Assaré, que sempre fez uso das páginas do Nação Cariri e deu grandes contribuições também em recitais e shows artísticos. Artistas e grupos de artes tradicionais foram valorizados e se tornarem bastante conhecidos das novas gerações. A aproximação do Nação Cariri com os artistas populares do Ceará foi uma experiência muito rica. O encontro da tradição com a vanguarda, do popular com o erudito, do saber científico com o empírico, no calor das lutas e das conquistas de espaços simbólicos, marcou o início de uma caminhada que considero vitoriosa para as culturas populares cearenses.

Oswald Barroso foi outro artista de esquerda com grande contribuição nesse movimento, não é mesmo?

Sim, Oswald Barroso, além de dramaturgo e poeta, é também um pensador, com importante contribuição teórica. A respeito do Nação Cariri, ele afirmou: “Para além das suas buscas estéticas e suas preocupações políticas de esquerda, Nação Cariri caracterizou-se pelo relevo dado às artes e aos artistas populares, trazendo-os para o primeiro plano. Cultivava-se uma arte, que se queria de vanguarda, mas referenciada nas tradições do povo. O encontro com os artistas populares influenciou profundamente setores intelectuais da classe média, ligada ao Nação Cariri. O Nação Cariri buscava a ligação com uma literatura de combate terceiromundista. Nessa direção, publicou uma série de autores estrangeiros, latino-americanos, africanos e asiáticos, de preferência, identificados com suas propostas. (...) A presença recorrente de temas e traços estéticos da vida e da linguagem popular no cinema, no teatro, na música, na literatura e até nas artes plásticas, que hoje se faz no Ceará, não é de todo alheia à influência militante que Nação Cariri exerceu em nosso movimento cultural. O mesmo acontece com o reconhecimento do mérito (inegável, mas por tanto tempo negado) de artistas populares que são hoje orgulho de cearenses e brasileiros”. (Ceará – Uma cultura mestiça. Livro inédito).

Quais suas influências artísticas?

A minha primeira e mais importante influência foi a do meu pai, seu Zé Moura e das minhas avós: Perpétua e Mourinha. Do meu pai, foi um legado ético e de amizade; das minhas avós, o contato com o mundo encantado da cultura popular, por meio das histórias, das canções e das atividades lúdicas. No tempo em que meu pai morou no Crato, ele foi amigo de grandes mestres da cultura popular: Patativa do Assaré, Cego Heleno, Dona Ciça do Barro Cru e outros. A bodega do meu pai e o Bar Tupy, do meu avô Manoel Pereira, bem próximos da bodega de Joquinha, na rua dos Cariris, eram pontos de encontro desses e de muitos outros artistas populares. Conheci ainda Walderedo Gonçalves, mestre Aldenir, Zé Gato Azuleica, os Anicetos antigos, Mestre Noza, Cizin, Cícera Lira, entre tantos outros. Patativa indicou-me a leitura dos primeiros poetas clássicos. Seu Elói já era famoso, e o programa “Coisas do Meu Sertão” era assistido por todos, dos velhos às crianças. Depois entrei nos Seminário São Francisco de Juazeiro e no Sagrada Família, de Crato, onde tive contato com toda uma literatura clássica europeia. Pude assim perceber que muitas dessas influências eruditas e clássicas encontravam-se ainda vivas em muitas das manifestações populares dos grandes mestres.

Como você vê a relação entre arte e política?

Toda arte é política, mesmo quando o artista pretende realizar “arte pela arte”, se partimos da compreensão aristotélica de que o homem é um ser político, vive em sociedade preservando e transformando essa sociedade, em permanente conflito. No entanto, a arte não pode ser enquadrada em ditames burocráticos partidários e ideologias que sufocam a liberdade. As tentativas históricas de acorrentar a arte em padrões burocráticos e sistemas ideológicos fechados, seja por qual ideologia for, sempre se mostraram desastrosas. Eu aprendi a ver a arte ligada à insubmissão, à liberdade.

Você também é poeta. O que a poesia representa para você?

Poesia é sempre a possibilidade da renovação, não apenas da linguagem, mas também do sentido da vida. Em épocas de crise, poetas-samurais podem até ver alguma poesia no brilho das espadas ou no fogo dos canhões e confundirem este brilho fugaz com o brilho da eternidade. No entanto, este brilho aparente é treva. A poesia pode falar da luta libertária, mas ela não é luta, é apenas o sonho de liberdade. A poesia pode ser filha do conflito, mas não se subjuga ao conflito. Hoje, já na meia idade, é que vim compreender isto. Enquanto vida, a poesia é maior do que as guerras e que as revoluções, pois almeja a paz e só se realiza no mais profundo humanismo, de forma radical, tendo o homem como raiz do homem. Mesmo quando ela é sagrada e fala de Deus, é do homem que ela fala; do homem e dos seus sentimentos, do homem e da sua fragilidade, do homem e da sua busca irrealizada de absoluto. Quando o instinto da morte triunfa, a poesia se faz ainda mais necessária. Adorno afirmou, certa vez, que não era possível fazer poesia depois de Auschwitz. Talvez o certo seja afirmar que, depois de Auschwitz, a única coisa que ainda pode salvar o homem é a poesia. Quando eu penso em poesia, no Cariri, eu penso em Patativa do Assaré e Geraldo Urano, dois grandes poetas, de estilos e visões do mundo completamente diferentes, e, no entanto, necessários e vitais. O Cariri seria mais pobre sem esses dois grandes poetas. Patativa do Assaré já morreu e foi reconhecido em vida e também na posteridade. O Geraldo continua vivo e ainda desconhecido. Quero um dia dedicar um ensaio à poesia de Geraldo Urano.

A sua estética cinematográfica busca uma contextualização histórica e apresenta um discurso engajado. A estética de Glauber Rocha e Bertolt Brecht está contida na sua produção?

Sim, pode ser compreendida como um discurso engajado, no sentido de que, embora buscando um discurso universal, não me desligo dos processos históricos e culturais nos quais estou inserido, o que provoca novas possibilidades de reflexões sobre esses mesmos processos históricos e culturais. As contribuições marcantes de Glauber e Bertolt Brecht estão presentes nas minhas obras, mas não mais do que cineastas como Paradjanov e Pasolini, ou de mestres como Patativa do Assaré , Mestre Aldenir e Mestre João Aniceto e Ariano Suassuna, para ficarmos apenas em alguns poucos exemplos, entre os muitos. Não parti apenas do discurso neo-barroco glauberiano ou do teatro épico de Brecht, descobri outras formas do barroco, do épico, do figural, do poético, do sagrado, do rebelde, nas próprias manifestações das culturas populares nordestinas, que são herdeiras das grandes correntes culturais ibéricas, mediterrâneas e magrebinas. Ainda estou buscando caminho. Talvez por isso, eu goste muito do filme Siri-Ará, enquanto busca de construção narrativa e estética. Neste filme eu trabalhei, ao lado de atores profissionais, com o reisado do mestre Aldenir Callou e com a Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto.

A diversidade cultural das manifestações populares é recorrente nas suas obras. Qual a importância da “cultura do povo” (termo utilizado pela filósofa Marilena Chauí para reformular o conceito de cultura popular) para afirmação da identidade nacional?

Uma identidade nacional não é algo definido, é algo em construção. O que é o povo brasileiro? Para Darcy Ribeiro, que vê o Brasil como uma Roma tardia, é resultante do “encontro de todas as taras e talentos da humanidade”. Para mim, o povo brasileiro é esse imenso caldeirão étnico e cultural, onde a humanidade se reinventa com a contribuição de mil povos, de mil raças e de mil culturas. Quando falamos em cultura do povo, no Brasil, estamos falando de culturas dos povos, sejam povos autóctones ou povos transplantados que trouxeram também suas influências e mestiçagens. Quando se fala em povo brasileiro, estamos falando nessa herança de toda a humanidade. Quando estamos falando em regional, com certeza, queremos dizer universal. É preciso pensar o que chamamos de “cultura do povo”, de forma mais ampla e mais generosa, sem as peias do regionalismo ou do nacionalismo fechado.

Quando você foi Secretário da Cultura no Crato desenvolveu um projeto audacioso de intersetorialidade no bairro Alto da Penha, que foi denominada de Projeto Rabo da Gata, o qual envolveu implantação de videoteca, biblioteca, realização de cursos e até saneamento básico, entre outras ações. Qual a importância da intersetorialidade nas políticas públicas para a cultura?

Em 1996, eu estava na França, quando fui convidado pelo Dr. Raimundo Bezerra para ser Secretário de Cultura do Crato. Abandonei alguns projetos importantes e vim para o Crato. Na época, a Violeta Arraes era Reitora da Urca. Vim porque um sentimento mais profundo me chamou e eu acreditava que poderia dar alguma contribuição para o desenvolvimento da cultura local. Fizemos o possível, dentro das possibilidades reais, lutando contra visões bem conservadoras. Mesmo assim, ainda conseguimos realizar um bocado de coisas, e mesmo as coisas que não foram realizadas no Crato terminaram por fecundar e ser gestadas no Estado do Ceará em outros Estados. Alguns projetos, como o dos Mestres e Guardiões dos Saberes Populares, que lançamos no Crato, com a grande contribuição de Cacá Araújo e Elói Teles de Moraes, em 1976, vieram depois a se tornar política pública federal. Entre alguns projetos que foram postos em prática ou elaborados naquele momento, cito: o I Encontro das Culturas Populares do Nordeste e os projetos do Parque Histórico do Caldeirão, da Universidade de Saberes Populares e Contemporâneos (Escola de Saberes), Festival de Cultura dos Povos (transformado posteriormente em Encontro de Mestres do Mundo), do Centro Cultural da RFFSA, do Crato, do Corredor Cultural do Crato (que previa o estabelecimento de escolas de teatro, de dança, de cinema, de artes plásticas, oficinas de literatura, entre outras, deste o sítio Lameiro, onde está situada a Escola do padre Ágio, passando pelo bairro do Pimenta, pela URCA, Parque de Exposição, pelo Rabo da Gata - derivando para a Praça da Sé, pela Estação Ferroviária, seguindo a ferrovia com ocupação dos espaços com quiosques culturais, passando pela Faculdade de Direito, até chegar ao Pau do Guarda), da Associação dos Curumins do Sertão (terminou acontecendo em Farias Brito), da Fundação Cego Aderaldo (depois intitulada Mestre Elói) e da Revitalização do Bairro Rabo da Gata (Crato), entre outros. O projeto da Estação chegou a ser realizado, e a revitalização da Quadra também. Não sei como ficou o Cine Estação Moderno, que já tinha sido começado e para cuja conclusão conseguimos mais recursos, na época.

E as festas populares?

Lembro-me também do Grande encontro da malhação do Judas, da Coroação de Nossa Senhora, na igreja matriz, com centenas de anjos e a orquestra do Padre Ágio. Um espetáculo de significado profundo (que toma o religioso sob o signo do feminino), o Projeto de Revitalização do Bairro Batateiras (Parque Ecológico da Nascente) etc. Tentamos ainda fazer grandes festas ligadas a Nossa Senhora do Belo Amor, à Confederação do Equador e à memória de Dona Bárbara. Não conseguimos tudo, mas os projetos foram feitos. Queríamos colocar o Crato novamente no grande circuito cultural do Nordeste. Em tudo que fazíamos, havia essa integração entre cultura, educação, saúde, bem estar social, cidadania etc. Não praticávamos um conceito fechado do exercício cultural. Cultura, para nós, tinha um conceito bem amplo e participativo, intersetorial. Era um projeto que estava ligado às lutas pelas transformações sociais. Tínhamos uma turma boa: o Cacá Araújo, a Dane de Jade, o Carlos Rafael, Alemberg Quindim, Cleivan Paiva, o Bola e tantos outros. Não custava sonhar, e nós sonhávamos. Essa experiência durou apenas um ano. Dr. Raimundo Bezerra, o prefeito do Crato, que morreria algum tempo depois, também era um sonhador, um homem culto que lutara contra a ditadura e que conhecia o mundo. O Crato deve uma homenagem a esse grande homem.

Você tem uma forte ligação com o movimento de esquerda, tendo inclusive sido militante do PCdoB. Isso contribuiu para a forma do seu pensar e fazer artístico?

Sim, fui militante político do PCdoB, no final da década de 1970, até meados da década de 1980 e foi um período muito importante da minha vida, pela participação nas lutas coletivas e pelos companheiros que conheci. Do partido, ampliamos os nossos campos de leitura sobre filosofia, sobre história, sobre cultura e sobre arte. Aproximamo-nos ainda mais das artes russas do período pós-revolucionário, das leituras e de Brecht etc. No entanto, jamais consegui engolir o conceito de “realismo socialista”, que deveria ser imposto a todos os povos do mundo, passando por cima das diversidades culturais dos povos. Zadnov sempre me pareceu um burocrata medíocre e fez um enorme mal às artes dos artistas socialistas de todo o mundo. Essa visão burocrática e reducionista afastou das lutas socialistas alguns dos mais importantes artistas do mundo e, subsequentemente do Brasil, da militância socialista. A arte não pode ser presa em formas burocráticas. Panfletária, romântica, dadaísta, surrealista, barroca, futurista, popular, erudita, não importa, a arte deve ser libertária.

Qual a contribuição do marxismo para a compreensão da arte e da cultura?

O marxismo contribui de forma marcante com o pensamento crítico das culturas e das artes no século XX. Podíamos mesmo dizer que foi influência dominante nas universidades e nos grupos intelectuais de todo o mundo. O que não era marxismo, muitas vezes, eram respostas ao marxismo. Georg Lukács (1885-1971), Antonio Gramsci (1891-1937) e Theodor Adorno (1903-1969) são nomes importantes, mas a eles somam-se centenas de outros. Marx, Engels, Lenin e Trosky também têm importantes reflexões sobre a cultura e as artes. Se fôssemos citar os artistas que fizeram uma arte ligada aos princípios da filosofia marxista, teríamos uma enorme quantidade de nomes que perpassam todos os movimentos culturais e artísticos do século.

Como vê você a circulação da produção cinematográfica brasileira?

A circulação, ou seja, a distribuição e exibição são os grandes problemas do cinema brasileiro. Muitas vezes, 2/3 das quase duas mil salas de cinema no Brasil são ocupados por um único produto norte-americano, os chamados blockbuster. As majors, as empresas transnacionais que detêm a hegemonia do mercado internacional, determinam a ocupação desses espaços. Por outro lado, as salas estão concentradas nos shoppings centers e constituem um espaço de lazer da classe média dos grandes centros urbanos. O cinema popular no Brasil foi destruído, não existem mais cinemas populares nos bairros das grandes metrópoles e nas cidades de médio e pequeno porte. Imaginem que, na cidade do Crato, na década de 1960, existiam seis cinemas. No Cine Educadora, funcionava um Cineclube ligado à Fundação Padre Ibiapina que era importantíssimo. Nós víamos o melhor do cinema mundial. O que resta, hoje? Quantas salas de cinemas existem no Crato? Quantas salas de cinema existem no Cariri? Que filmes são exibidos nessas salas? O Cine Mais Cultura, do MinC, está com o projeto de instalar 2.000 salas de cinemas populares no Brasil, em cidades de pequeno e médio porte. O Cariri devia se mobilizar e instalar salas de cinema em todas as cidades da região. Seriam salas de cinema em pequenos centros culturais comunitários, com gestão coletiva etc. É preciso criar novos modelos. Com as novas tecnologias e a convergências de mídias, ficou mais fácil encontrar soluções criativas.

A produção cinematográfica estadunidense é um empecilho para o cinema latino- americano e caribenho?

A produção de Hollywood é um problema não apenas para o cinema latino-americano e caribenho. Acredito mesmo que essa produção, que detém por volta de 90% do mercado mundial, é um problema para todo o mundo e mesmo para os cineastas independentes dentro dos Estados Unidos. Esta indústria de cinema é tratada como indústria estratégica e é colocada pelo Estado no mesmo pé de igualdade da indústria da guerra. Eles sabem que aonde chegam os filmes norte-americanos chegam também seus produtos, seu modo de vida, sua ideologia... A grande guerra que se trava no mundo hoje não é a de tanques, é a de satélites, é a do controle dos meios de comunicação de massa, é o domínio das mentes e dos corações.

O Coletivo Camaradas homenageará a sua produção em 2010, tendo em vista o caráter engajado das suas obras. O que isso representa para você?

Representa que esse coletivo de jovens do Cariri poderá levar os meus filmes e meus poemas a encontrar-se com o público da periferia da cidade do Crato e de outras cidades da região. Se os meus filmes sempre foram feitos com a marca da coletividade, é bom que esses filmes sejam devolvidos à comunidade.

Quais seus planos para 2010?

Rodar o filme Folia de Reis, uma farsa popular sobre o neocolonialismo e o consenso de Washington (os reflexos perversos dessas políticas nos países subdesenvolvidos). Também quero instalar no Cariri, de forma experimental, as primeiras “Escolas de Saberes Tradicionais e Contemporâneos”, no caso, o “Saber Reisado” e o “Saber Cabaçal”. Vou tentar.

Fonte: Blog Coletivo Camaradas (publicado no site do PCdoB www.pcdob.paginaoficial.ws/noticia.php?id_noticia=123238&id_secao=61)

Fevereiro

O mês de fevereiro retratado no quadro Très riches heures du duc de Berry
Fevereiro é o segundo mês do ano, pelo calendário gregoriano. Tem a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, em que é adicionado um dia a este mês. Já existiram três dias 30 de Fevereiro na história. O nome fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. Originariamente, fevereiro possuía 29 dias e 30 como ano bissexto, mas por exigência do Imperador César Augusto, de Roma, um de seus dias passou para o mês de agosto, para que o mesmo ficasse com 31 dias, semelhante a julho, mês batizado assim em homenagem ao Imperador Júlio César.

Calendário Fevereiro 2010
Para que se possa planejar o feriado do carnaval e curtir a folga prolongada, primeiro é preciso saber quando começa o carnaval em 2010.

Para isso colocamos a folhinha abaixo que tem o feriado de terça-feira de carnaval assinalado em destaque. Este ano cai no dia 16/01. E como a folia no Brasil começa na sexta-feira, passa pelo sábado, domingo, segunda-feira e só acaba na quarta feira de cinzas, podemos dizer que um período bom para descansar a cabeça.


Além deste feriadão, há também outras datas comemorativas interessantes, veja algumas delas:

1 de fevereiro - Dia do Publicitário
2 de fevereiro - Dia do Agente Fiscal da Receita Federal
2 de fevereiro - Dia de Iemanjá
5 de fevereiro - Dia do Datiloscopista
6 de fevereiro – Dia do Agente de Defesa Ambiental.
7 de fevereiro - Dia do Gráfico
9 de fevereiro - Dia do Zelador
10 de fevereiro - Dia do Atleta Profissional
11 de fevereiro - Dia da Criação da Casa da Moeda do Brasil
11 de fevereiro - Dia Mundial do Enfermo
13 de fevereiro - Dia Nacional do Ministério Público
14 de fevereiro - Dia da Amizade (Também comemorado dia dos Namorados em alguns países europeus e nos Estados Unidos)
16 de fevereiro - Dia do Repórter
19 de fevereiro - Dia do Desportista
21 de fevereiro - Dia da Conquista de Monte Castelo (1945)
23 de fevereiro - Dia do Rotaryano
24 de fevereiro - Promulgação da primeira Constituição da República do Brasil (1891)
25 de fevereiro - Dia da criação do Ministério das Comunicações
26 de fevereiro - Dia do Comediante
27 de fevereiro - Dia dos Idosos

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

domingo, 31 de janeiro de 2010

Terra que mata

Luiz Domingos de Luna*
Outro dia eu me encontrei com um Aquariano, foi uma verdadeira festa, falamos de nossos costumes, nossa cultura, enfim foi um reencontro que há muito esperava, porém de difícil acesso, devido à falta de comunicação que nós temos uns para com os outros.

Como a minha memória aquariana está muito fraca, já posso ser considerado um terráqueo de verdade, então perguntei para o colega - O Planeta terra assassina a vida? – sim. - O planeta faz isto por quê? -As espécies existentes estão sempre evoluindo, enquanto que a natureza não e, cada espécie que atinge um estágio superior assassina a anterior, o planeta está sempre em guerra consigo mesmo.

Afinal, o aquecimento Global vai ou não destruir o planeta Terra? – Sim, com certeza, não tenha dúvidas sobre isto – Como? - Realmente, quem tem o controle do poder existencial na bolinha ainda azulada são as bactérias, assim, estes minúsculos seres são responsáveis pela massa gasosa tanto nos oceanos como nos espaços geográficos sólidos, porém, quando há um alinhamento destes minúsculos seres para a proliferação de um tipo de gás letal para os seres vivos, muitas espécies são extintas, caso a harmonia seja plena neste complô bacteriano, a vida dos seres vivos pode ser tornar inviável. – O Que já aconteceu em eras anteriores, embora de forma não tão bem elastificada em todas as regiões de intensidade contínua e permanente, a ponto de criar uma destruição total da vida dos seres vivos, porém, tal possibilidade em teoria, seja algo que possa ser aplicado na prática.

- As Bactérias são as controladoras do gás carbônico na biosfera, que tanta mata em excesso ou na falta. - Como assim? - A taxa de gás carbônico dissolvida no ar é quem define se existe vida ou não, se as taxa for apta todos vivem, ou todos morrem, ou, senão todos, pelos menos parte, o que de já, um grande prejuízo para humanidade dado o processo de globalização e por que não dizer do efeito estufa, neste instante o grande aliado e queridinho das bactérias assassinas.
Entendeu?
-Não
- Mas é assim que a coisa funciona.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra- Aurora – (CE)

ORGULHAMO-NOS DE SER CRATENSES

Pedro Esmeraldo

Prezados senhores: estamos num dilema que nos apavora enquanto observamos a mudez desse povo cratense em não reagir frente às ameaças descabidas pelos inimigos que procuram controlar o governador para rasgar em pedaços o bom da cidade do Crato, deixando toda a população desorientada, sem poder se pronunciar por falta de apoio moral dos nossos políticos.

Relembramos que, antigamente, Crato era prestigiado e vinha sendo controlada pelos políticos amicíssimos desta cidade que nos iluminavam com bons projetos de larga escala, perfazendo uma série de melhoramentos, deixando-nos glorificados com aquisição de boas ações administrativas.

Glorificávamos, pois éramos mais bem aquinhoados, porque tínhamos bom equilíbrio que satisfazia o bom procedimento justo e moral.

Nos dias atuais, meu Deus, vivemos no esquecimento, causando desespero, deixando o povo esmaecido, já que não temos a quem recorrer, porque os cratenses de agora são diferentes dos que existiam nos tempos passados, vez que aceitam calmamente a desigualdade e não partem para a luta.

Às vezes, o povo tem a mania de dizer que, quando o homem quer e luta com muita ânsia, consegue alguma coisa, isto quer dizer que os cratenses atuais não lutam mais e permanecem atrás de políticos incompetentes, sem nenhum designo administrativo, cruzam os braços, calam e se conformam em receber migalhas que não nos satisfazem.

Infelizmente, parece que o cratense pertence a uma escola fundada pelo filósofo grego Zenon, que dizia: “Um homem pode tornar sensível aos males físicos e morais”, isto é, a escola Estóica. Atualmente o cratense aceita esse pensamento dúbio, sendo que procura estar insensível aos danos provocados pela massa governamental.

O Crato está enquadrado numa microrregião do Cariri, localizada ao sopé da Serra do Araripe, pátria dos primeiros soldados da independência, visto que seus filhos ilustres, guerreiros por natureza, participaram de grandes eventos em defesa da pátria amada. A nosso ver, esta cidade deveria ser respeitada, porque já não suportamos mais esse descaso acometido por homens rudes e que se apossaram por meio da intriga e da perfídia, vem sendo desmoralizada e desmerecida, o que prejudica o crescimento da cidade, visto que os políticos tomam medidas manhosas tentando convencer ao povo que outro lugar é mais populoso e deve merecer melhores ganhos econômicos.

De fato, lá é realmente populoso, nota-se que a população vem sempre prevalecida com propaganda enganosa, “o que não deveria acontecer”, pois todos os cidadãos têm origem na mesma pátria, consideramos cidadãos brasileiros e devem também receber o seu quinhão com metas desenvolvimentistas.

Por isso, os cratenses deveriam praticar os mesmos atos e mostrarem à mídia a sua coragem e gritar que aqui é a verdadeira terra do padre Cícero e ele aqui foi batizado na Igreja da Sé. Relata-se então que parte dos grandes movimentos de romeiros devem ser também processados na cidade do Crato, pois o Crato também merece receber a sua vantagem populacional.

Constata-se, portanto, que permanece no pensamento do povo que alguns políticos só tem cabeça por que prego tem: isto é, só servem pra levar pancada.

Pessoal, parta para a luta, deixe de lado o comodismo, acabe com as picuinhas, trabalhe, mas trabalhe com muita coragem, grite, reclame, exija e diga ao governador que o Crato pertence ao Ceará deve ser respeitada.

Em tempo: todos os dias oramos com muita fé ao Divino Espírito Santo, pedindo que ilumine a esses fracos líderes (da Ponta da Serra) para que tomem decisões acertadas e que não venham prejudicar o Crato. Mudem de idéia e comunguem com toda população cratense. Não se deixem enganar pelos políticos astuciosos. Professor Figueiredo Filho, filho deste distrito, foi o maior defensor do Crato. Por que não o imitam?

Crato, 28.10.2010

Prefeito de Juazeiro diz que ampliará investimentos sociais

O prefeito de Juazeiro do Norte Dr. Santana, durante encontro com a militância petista neste final de semana falou que em seu governo continuará a priorizar as áreas sociais. Santana lembrou os investimentos feitos na Saúde e que continuarão a ser feitos, pois seu objetivo é tornar Juazeiro modelo na área em todo o interior do Estado.

Na Educação, Juazeiro terá mais e melhores escolas e mais investimentos em fardamento escolar, merenda e transporte para crianças e adolescentes. Na Assistência Social, sua prioridade é a ampliação de programas voltados para idosos, mulheres, crianças e adolescentes. Além disso, pretende aumentar o número de beneficiados em programas como o Bolsa Família, o Leite Fome Zero, e o atendimento nas unidades dos Centros de Referência de Assistência Social.

Romaria das Candeias será a largada do projeto Árvore do Centenário

Numa iniciativa da Secretaria de Turismo e Romarias e da Comissão Organizadora do Centenário de Juazeiro do Norte, o projeto Árvore do Centenário começa a ser executado nesta Romaria das Candeias. Os peregrinos já podem se cadastrar e receber uma senha na Casa Paroquial da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores se habilitando a partir do projeto. Na manhã de terça-feira, dia 2 de fevereiro, todos pegarão as mudas de Juazeiro nas imediações da Igreja Matriz.

Segundo o titular da Setur e Coordenador Executivo da Comissão, José Carlos dos Santos, ficou acertado com a Igreja que as mudas serão bentas. Desta forma, na própria terça-feira ao meio-dia, os romeiros que receberam as mudas irão erguê-las no interior da Basílica no momento da tradicional celebração de despedida dos fiéis que vieram a Juazeiro. A previsão é para distribuir três mil mudas nesse primeiro momento numa iniciativa parceira com o Governo do Estado a partir da criação de um viveiro e de olho, também, na recuperação do ecossistema do Horto.

DOM BOSCO - Outra iniciativa da Setur e da Comissão será a afixação de uma placa no Santuário do Sagrado Coração de Jesus (Salesianos) por volta das 16 horas desta segunda-feira, dia 1º, na ocasião da chegada àquele templo das relíquias de Dom Bosco. O prefeito Manoel Santana vai descerrar a placa que se constitui numa espécie de símbolo desse encontro entre Padre Cícero e Dom Bosco. Representa ainda a gratidão juazeirense pelos 70 anos da chegada da Ordem Salesiana ao Juazeiro a qual foi atraída pelo sacerdote.

sábado, 30 de janeiro de 2010

A farsa da romaria e as chamas do Caldeirão


Por Alexandre Lucas*



A experiência do Caldeirão baseada na partilha da produção e na religiosidade popular merece o resgate histórico sem a maquiagem das elites e da Igreja Católica.
As vésperas de completar 73 anos do massacre ocorrido na sitio Caldeirão no Crato pelo Exército e pelo Policia Militar do Ceará, com o apoio das elites e da Diocese. Pouco se sabe sobre a história e as atrocidades cometidas contra homens, mulheres, crianças e idosos que almejavam desfrutar da terra que um dia inventaram de cercar.

O Caldeirão foi um exemplo de utopia possível. Em poucos anos cresceu a população da comunidade, chegando a cerca de dois mil habitantes. Camponeses advindos de diversas localidades e fugindo da exploração latifundiária acreditavam que a comunidade do Caldeirão era terra da prosperidade.

Uma comunidade auto-sustentável na qual seguia a lógica socialista de produção social e apropriação coletiva, ou seja, tudo que era produzido passava pela divisão.

Uma terra “emprestada” pelo Padre Cícero, ao Beato José Lourenço e a sua comunidade serviu do pão de esperança e fraternidade, mas após morte do padim, a terra foi requerida pelo uso da força e a pedidos dos salesianos. Vale destacar que quase todos os bens do Padre Cícero foram doados em testamento para Congregação dos Salesianos.

Qual a ameaça que essa comunidade representava para a Igreja Católica e para os latifundiários? A quem interessava a destruição sangrenta destes camponeses? É bem verdade que a história nos aponta algumas pistas, uma delas é a ameaça a propriedade privada. Em Canudos ou na Guerrilha do Araguaia o massacre ocorreu em defesa dos poderosos, sejam eles, os donos das terras e das fabricas ou dos comerciantes da fé.

A revitalização do Caldeirão proposta pelo Governo do Estado em parceria com o Governo Municipal do Crato deve passar pelo resgate histórico e pela garantia de sustentabilidade e da melhoria das condições de vida da população do local, o que deve inclui a valorosa experiência de resistência dos camponeses do Assentamento 10 de Abril e a historiografia dos índios Kariri que residem nas terras próximas ao Caldeirão e que tem histórias semelhantes, a idéia de poder cultivar e manter o meio ambiente como forma de sobrevivência e comunhão.

O povo brasileiro tem o direito a memória e a verdade dos fatos. Neste sentido é preciso não camuflar, nem permitir a hipocrisia como lençol da história. A verdade não pode ser apagada em romarias, como vem ocorrendo nos últimos anos. É preciso fazer uma leitura crítica, pois ainda podemos escutar os gritos dos cristãos que morreram inocentemente por fazerem do discurso uma pratica.

Pela abertura irrestrita de todos os arquivos do Caldeirão e pelo direito a verdade dos fatos!
*Coordenador do Coletivo Camaradas, pedagogo e artista/educador

A farsa da romaria e as chamas do Caldeirão


Por Alexandre Lucas*



A experiência do Caldeirão baseada na partilha da produção e na religiosidade popular merece o resgate histórico sem a maquiagem das elites e da Igreja Católica.
As vésperas de completar 73 anos do massacre ocorrido na sitio Caldeirão no Crato pelo Exército e pelo Policia Militar do Ceará, com o apoio das elites e da Diocese. Pouco se sabe sobre a história e as atrocidades cometidas contra homens, mulheres, crianças e idosos que almejavam desfrutar da terra que um dia inventaram de cercar.

O Caldeirão foi um exemplo de utopia possível. Em poucos anos cresceu a população da comunidade, chegando a cerca de dois mil habitantes. Camponeses advindos de diversas localidades e fugindo da exploração latifundiária acreditavam que a comunidade do Caldeirão era terra da prosperidade.

Uma comunidade auto-sustentável na qual seguia a lógica socialista de produção social e apropriação coletiva, ou seja, tudo que era produzido passava pela divisão.

Uma terra “emprestada” pelo Padre Cícero, ao Beato José Lourenço e a sua comunidade serviu do pão de esperança e fraternidade, mas após morte do padim, a terra foi requerida pelo uso da força e a pedidos dos salesianos. Vale destacar que quase todos os bens do Padre Cícero foram doados em testamento para Congregação dos Salesianos.

Qual a ameaça que essa comunidade representava para a Igreja Católica e para os latifundiários? A quem interessava a destruição sangrenta destes camponeses? É bem verdade que a história nos aponta algumas pistas, uma delas é a ameaça a propriedade privada. Em Canudos ou na Guerrilha do Araguaia o massacre ocorreu em defesa dos poderosos, sejam eles, os donos das terras e das fabricas ou dos comerciantes da fé.

A revitalização do Caldeirão proposta pelo Governo do Estado em parceria com o Governo Municipal do Crato deve passar pelo resgate histórico e pela garantia de sustentabilidade e da melhoria das condições de vida da população do local, o que deve inclui a valorosa experiência de resistência dos camponeses do Assentamento 10 de Abril e a historiografia dos índios Kariri que residem nas terras próximas ao Caldeirão e que tem histórias semelhantes, a idéia de poder cultivar e manter o meio ambiente como forma de sobrevivência e comunhão.

O povo brasileiro tem o direito a memória e a verdade dos fatos. Neste sentido é preciso não camuflar, nem permitir a hipocrisia como lençol da história. A verdade não pode ser apagada em romarias, como vem ocorrendo nos últimos anos. É preciso fazer uma leitura crítica, pois ainda podemos escutar os gritos dos cristãos que morreram inocentemente por fazerem do discurso uma pratica.

Pela abertura irrestrita de todos os arquivos do Caldeirão e pelo direito a verdade dos fatos!
*Coordenador do Coletivo Camaradas, pedagogo e artista/educador

CONVITE

A Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, convida V. Sa. para participar do 1º Encontro de Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas da Região Metropolitana do Cariri, no dia 04 de fevereiro do corrente ano, às 8h00, no Teatro Municipal Marquise Branca, com a seguinte programação:

8h00-Café da Manhã
8h30-Abertura.
8h50-Palestra: Registros de trabalhos literários na Biblioteca Nacional, ficha catalográfica, direitos autorais entre outros esclarecimentos para a área. Palestrante: Renato Casimiro.
9h30-Palestra: Centenário de Juazeiro do Norte. Palestrante: Daniel Walker
10h20-Reunião de grupos para debate em dois eixos:

a) Participação dos Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas na elaboração do Plano Municipal de Cultura.

b) Participação do segmento nos Festejos do Centenário de Juazeiro do Norte.

Atenciosamente

Glória Maria Ramos Tavares
Secretária de Cultura de Juazeiro do Norte

Franco Barbosa
Gerência de Literatura

Hugo Rodrigues
Presidente do ICVC

Encontro hoje a noite em Crato dará início a um intercâmbio cultural entre Crato e Sergipe


Numa iniciativa vitoriosa do jornalista Jurandy Temóteo será realizado hoje à noite – às 19h30m – no cine Teatro Salviano Arraes Saraiva um encontro para definir o início de um intercâmbio cultural entre o município de Crato e o Estado de Sergipe.
O evento é resultado de uma parceria entre a revista “A Província” - Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo, da Diocese de Crato - Secretaria de Cultura de Crato.
Para presidir o evento chegou ontem a Crato o advogado, historiador e escritor Luiz Eduardo Alves de Oliva, presidente da Imprensa Oficial do Estado de Sergipe. membro do Instituto Histórico e Geográfico daquele estado e vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais.
Também veio de Cuiabá – para participar do encontro– o advogado, professor, escritor, historiador e jornalista cratense Pedro Rocha Jucá, membro da Academia Matrogrossense de Letras e diretor por vinte e cinco anos do jornal “O Estado de Mato Grosso”.
É pensamento do Dr. Luiz Eduardo Oliva reeditar o livro “As quatro sergipanas”, do Mons. Francisco Holanda Montenegro, numa edição para distribuição entre as entidades educacional-culturais do Brasil.
Como é do conhecimento geral, muitos dos primeiros desbravadores da região do Cariri, que aqui chegaram no início do século dezoito, eram oriundos da província de Sergipe, conforme ficou amplamente provado no livro “As quatro sergipanas’, fruto de pesquisas feitas pelo saudoso monsenhor Francisco Holanda Montenegro, cuja primeira edição encontra-se esgotada.

O meritório trabalho do Monsenhor Francisco Holanda Montenegro foi fruto de muita paciência e muito amor, pois ele compulsou documentos, alinhou fatos, buscando as raízes mais longínquas dentro de um dos ramos mais difíceis da história: a genealogia. devemos a ele um dos melhores tratados sobre as linhagens das “gens caririenses”.

Todos estão convidados para o evento:
Data
: Neste sábado, 30 de janeiro de 2010
Horário: 19:30h
Local: Teatro Municipal Salviano Arraes
Calçadão da Rua José de Alencar - Crato

Texto: Armando Lopes Rafael

Missão do Banco Mundial visita projeto Cidades do Ceará

A Secretaria das Cidades recebe, de 1º a 5 de fevereiro, uma missão do Banco Mundial (Bird) para discutir a implantação do Projeto Cidades do Ceará/Cariri Central e celebrar o financiamento assinado em dezembro de 2009, na ordem de US$ 46 milhões (R$ 92 milhões), com contrapartida de US$ 20 milhões (R$ 40 milhões ) do Governo do Estado.

Os recursos serão investidos nos nove municípios que compõem a Região Metropolitana do Cariri (RMC), em ações de qualificação territorial, apoio aos arranjos produtivos do turismo e de calçados e fortalecimento institucional das administrações municipais e da gestão regional.

A equipe do Bird passará a semana no Cariri, onde se reunirá com técnicos do Governo do Estado, das administrações municipais, representantes da sociedade civil e do setor empresarial. Na agenda da missão, estão previstas ainda a realização de visitas às áreas das intervenções propostas.

O projeto Cidades do Ceará prevê a realização de obras como a construção do Aterro Consorciado do Cariri; a implantação do Roteiro da Fé e a construção da Avenida de Contorno, em Juazeiro do Norte; a Requalificação Urbana e Ambiental do Bairro do Seminário e a Requalificação de Praças, no Crato; e o restauro do antigo Engenho Tupinambá para implantação de Museu, em Barbalha

Guimarães participa de plenária do PT neste sábado, em Juazeiro

O deputado federal José Guimarães (PT) participa neste sábado, 30, de uma plenária com a militância do Partido dos Trabalhadores. A idéia do encontro é o de avaliar o mandato do deputado Guimarães e fazer o planejamento para as ações neste ano de 2010. O parlamentar chega neste sábado pela manhã, no Cariri, quando participa de encontro em Mauriti com o prefeito Isac Júnior, do PT e o Secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Camilo Santana. Guimarães participou nesta quinta-feira à noite, em Missão Velha, de encontro que marcou a filiação de Micaelce Santana ao Partido dos Trabalhadores.A plenária acontece na Faculdade Objetivo às 16 horas de hoje.

PT realiza plenária em Mauriti

O Partido dos Trabalhadores de Mauriti realiza na manhã deste sábado, 30, uma plenária com militantes e convidados com o objetivo de discutir a política regional. Na oportunidade será feita uma mesa redonda com as participações do prefeito Isac Júnior, do deputado federal José Guimarães e do Secretário de Desenvolvimento Agrário Camilo Santana. O prefeito Isac Júnior vai falar sobre o atual momento de sua gestão. O deputado José Guimarães uma avaliação da política nacional e estadual. Camilo Santana falará sobre o desenvolvimento de políticas públicas no Cariri e a participação do PT nas eleições de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Raimundo de Oliveira Borges - Por Emerson Monteiro

Isso que dizem de ser a vida humana mera fagulha ao vento exige comprovação, sobretudo diante da existência deste amigo, Raimundo de Oliveira Borges, que ora demonstra de perto a experiência firme de viver durante cem anos uma idade plena de realizações. Ele, sim, pode falar do existir e contar da tradição e da peleja de três gerações sucessivas que testemunha com fidelidade e coragem.
Escritor emérito, publicou mais de uma dúzia de livros. Advogado e professor, marcou de jeito indelével a consciência das centenas de alunos, dentre os quais sou, com satisfação, um deles. Tribuno de rara qualidade, porfiou no júri, praticando fala rica, profícua, no êxito de momentosos processos. Líder comunitário, efetivou importantes funções, em Crato, havendo exercido a direção das Faculdades de Filosofia, de Direito e de Ciências Econômicas. Presidente do Instituto Cultural do Cariri, sobreviveu a nossa simpática academia de letras numa fase das mais dificultosas, quando ao seu lado estive. Se bem que cabe, ainda, considerar o seu desempenho virtuoso de pai extremado, fino de trato e humor, tranqüilo, de espírito desarmado, palestrante versado na melhor literatura, poeta dotado de sensibilidade, pessoa exemplar, afeita sob os princípios dignos e imprescindíveis da civilização que usinou durante todo tempo, conhecendo a história do povo, bem relacionado, cordial e valoroso paladino das causas essenciais, na prática política e nos penhores da liberdade consciente.
Doutor Borges, por tudo isto e outros predicados, marca a sociedade cearense interiorana com personalidade ímpar de quem merece privar o convívio honrado e fértil dos justos. Elencar qualidades que lhe são de dever torna-se tarefa leve, aos moldes do estilo e da pena que maneja no exercício da escrita, por meio dos livros que subscreve, dotados de emoção, memórias produzidas no fogo da responsabilidade social que a isto se obrigou exercitar.
Eu, ainda menino, tomei conhecimento de seu talento através dos júris que, na década de 60, de comum, eram retransmitidos através dos microfones da Rádio Araripe de Crato. Admirado, ouvia seus discursos deveras impressionantes, tanto pela cultura vasta, quanto pela facilidade na argumentação, demonstrações de sapiência jurídica e ilustre universalidade. Fora eleito orador da sua turma de 1937, na Faculdade de Direito do Ceará, contemporâneo de figuras destacadas na vida pública posterior do nosso Estado.
Instalou-se em Crato desde 1942 e aqui até hoje permanece conquistando espaço próprio, ao lado da gente boa, ordeira e laboriosa deste lugar abençoado.
No dia 02 de julho do corrente ano de 2007, época exata do transcurso de um século de sua vida, o doutor Raimundo de Oliveira Borges se nos afigura querido em face de todos os que lhe privam da convivência, ele que representa, em breves traços, um desses personagens inesquecíveis e marcantes dos romances imortais, ricos dos atributos puros e sublimes das almas vitoriosas.

P. S. EM 28 DE JANEIRO DE 2010: Ser humano de reconhecida capacidade para a concretização dos seus ideais. Profissional de sucesso como advogado, administrador de instituições universitárias, professor, escritor, intelectual, líder comunitário, pai de família. Em tudo desenvolveu raros modelos de exemplares conquistas. Sempre jovial, bem humorado, otimista, alegre, laborioso, amigo, dotado de sentimentos benfazejos, valiosos, Raimundo de Oliveira Borges significou dignidade para sua geração e passa à história cearense qual pessoa de ricas e nobres virtudes.