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domingo, 2 de maio de 2010

Das dores e das ruas - por Carlos Eduardo Esmeraldo Filho

Pesquisa de dissertação de mestrado, realizada nos meses de agosto e novembro de 2009, intitulada “Necessidades de saúde dos moradores de rua: os desafios para as políticas sociais do município de Fortaleza-CE”, revela as condições de vida dessas pessoas e as implicações para a sua saúde.

Partindo dessas condições de vida, dos relatos das pessoas em situação de rua, das entrevistas realizadas e das experiências proporcionadas pela observação participante, foi possível perceber que as necessidades de saúde desse segmento vão muito além das mínimas necessidades básicas, como alimentação, higiene e tratamento de saúde, envolvendo, dentre outras, a necessidade de segurança física e psicossocial, a necessidade de ser visto como um ser humano digno de respeito, a necessidade de autonomia e a necessidade de acesso efetivo aos serviços públicos.

Uma dos importantes determinantes da saúde e da doença é a violência sofrida pelos moradores de rua, que afeta significativamente a qualidade de vida dessas pessoas e contribui para a manifestação de ansiedade, medo, nervosismo e insegurança diante dos perigos e das incertezas existentes na rua. Juntamente com o uso abusivo de drogas, a violência aparece como um problema vivenciado por boa parte os moradores de rua, expressando-se de várias formas, incluindo a violência da polícia e de vigilantes particulares sofrida pelos moradores de rua, preconceito e discriminação, a violência entre os moradores de rua (furtos, roubos, agressões e assassinatos) e a violência sexual sofrida pelas mulheres. Ser visto como um marginal, como sem valor na sociedade, é percebido como uma das piores formas de violência.

Dois relatos ilustram essa questão. Em uma das visitas à rua, chamaram atenção as implicações emocionais da agressão sofrida por um morador de rua, quando se encontrava à noite na “Praça do Banco do Nordeste”. Ele levantava a camisa e mostrava as marcas das agressões na costela. Mostrava, também, o Boletim de Ocorrência que tinha feito. Vigilantes de empresas particulares o haviam abordado na praça, por meio de violência física sem nenhum direito a defesa. Estava visivelmente transtornado, sua fala emocionada mostrava que o sofrimento decorrente da experiência vivenciada transcendia a dor física. Ele estava na rua em Fortaleza há apenas um mês. Era, portanto, a primeira vez que sofria uma agressão desse porte. Tentava superar o sentimento de impotência por meio da vontade de lutar contra seus agressores, de denunciá-los, de não aceitar facilmente a agressão. Repetia, constantemente, que a praça é pública, que qualquer pessoa pode sentar num banco e tomar uma dose de conhaque. Dizia-se trabalhador, repetia que não era um “vagabundo”.

Uma outra questão diz respeito à dificuldade de acesso aos estabelecimentos de saúde do município. De uma forma geral, os participantes da pesquisa apresentam-se insatisfeitos com o acesso, relatando que são mal atendidos e discriminados, especialmente pelo fato de serem moradores de rua, mal vestidos, não possuírem documentos nem endereço fixo e por chegarem desacompanhados. Um dos participantes entrevistados conta que certo dia, após ter sido agredido com um pedaço de pau na cabeça, dirigiu-se, todo ensangüentado, à delegacia de polícia para registrar a ocorrência, antes de procurar o serviço de saúde. Segundo ele, chegar ao hospital com um Boletim de Ocorrência era um recurso para não ser vítima de preconceito, mais especificamente, evitar não ser confundido com um criminoso. Não podemos negar que existem alguns serviços e profissionais de saúde que são mais preparados para lidar com essa população. No entanto, de uma forma geral, ainda há muitas barreiras de acesso para as pessoas em situação de rua.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo Filho
Trancrito do jornal "O Povo" caderno "Vida e Arte": p. 7; Edição de 02 de maio de 2010
Carlos Eduardo Esmeraldo Filho é psicólogo e Mestre em Saúde Pública, autor da dissertação de mestrado intitulada: "Necessidade de Saúde dos moradores de rua:desafios para as políticas sociais do municipio de Fortaleza

Coisas da idade... Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quando a gente envelhece, tudo acontece... Uma senhora cratense que passava dos 65 anos foi a um conhecido médico ortopedista, queixando-se de fortes dores no joelho. Eram tantas as dores que ela já não podia subir e descer escadas. E as suas costumeiras caminhadas matinais pela praça defronte da maternidade foram interrompidas por vários dias, tamanhas eram as dificuldades que ela sentia quando andava. O médico lhe prescreveu alguns medicamentos antiinflamatórios e secções de fisioterapia.
Decorridos mais de um mês do tratamento prescrito, aquela cliente retornou ao ortopedista, queixando-se do resultado que estava muito demorado:
– Doutor, já faz mais de um mês que eu me trato e não vejo melhora neste meu joelho. Por que o meu joelho está demorando tanto a ficar bom se os jogadores de futebol arrebentam o joelho num domingo e no outro já estão jogando?
– É porque não existe nenhum jogador de futebol com mais de 65 anos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

SOM NA RURAL COMPACTO 07-08

Por muito menos, Tiradentes foi esquartejado

28 de Abril de 2010 por Bruno Garschagen

Bom texto publicado ontem em O Globo pelo economista Rodrigo Constantino:

Brasília e Tiradentes

Rodrigo Constantino, O GLOBO

Brasília comemorou 50 anos de idade no mesmo dia em que é celebrado o feriado de Tiradentes, por conta do enforcamento do mártir da Inconfidência Mineira. A coincidência das datas merece algumas reflexões. Apesar de ter ficado conhecido como um “herói nacional”, a verdade é que Tiradentes lutava pela secessão de Minas Gerais, contra os impostos abusivos de Portugal, principalmente a derrama, um tributo local per capita para cobrir a meta de arrecadação de ouro. Era uma luta em defesa da descentralização de poder, contra tributos excessivos do governo central.

Um Tiradentes moderno seria alguém que estivesse lutando contra os abusos de poder concentrado em Brasília. Como Roberto Campos constatou, “continuamos a ser colônia, um país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje é Brasília”. Roberto Campos ficava indignado ao ver a burocracia oficial declamando que pagar impostos é “cidadania”. Para ele, cidadania era justamente o contrário: “controlar os gastos do governo”.

Tiradentes teria se revoltado com o quinto real, imposto de 20% do ouro produzido nas minas; atualmente, somos forçados a pagar quase o dobro para sustentar Brasília, um oásis para os parasitas de recursos alheios. Em nome da luta pela “justiça social”, Brasília vem concentrando renda, produzindo leis absurdas e muita corrupção ao longo deste meio século de vida. Ela tem a maior renda per capita do país, bem acima do segundo colocado, São Paulo, locomotiva da economia nacional. Distantes dos eleitores, os políticos criaram uma verdadeira ilha da fantasia no meio do nada. A cidade comemora meio século de existência no auge dos escândalos de corrupção. O sonho de JK se transformou no pesadelo dos brasileiros que trabalham e pagam a pesada conta imposta pela capital.

No fundo, nada disso é surpreendente. Os conceitos básicos do federalismo, como o princípio de subsidiariedade, já mostravam no que Brasília poderia se transformar. Lord Acton dizia que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Cada indivíduo deve ser o mais livre possível para fazer suas próprias escolhas e assumir a responsabilidade por sua vida. Aquilo que não puder ser feito no âmbito individual, será feito pela família. Depois, pela vizinhança, o bairro, o município, o estado, e finalmente o governo federal. Este deve ser responsável apenas por aquilo que não pode, de fato, ser responsabilidade das demais esferas, mais próximas do cidadão.

No Brasil acontece exatamente o contrário: o governo central concentra um poder absurdo sobre cada mínimo detalhe de nossas vidas, sem falar dos nossos bolsos. A pirâmide federalista está invertida; os estados são reféns do governo federal, que absorve cada vez mais poder e recursos. Enquanto empresas competem e isto é saudável, o próprio governo chama de “guerra fiscal” a disputa de estados por investimentos produtivos. O grande atrativo do federalismo é justamente a competição entre diferentes estados. O voto com o pé é o mais poderoso de todos. Cada indivíduo pode, então, escolher onde morar. A descentralização de poder fará com que existam alternativas distintas para cada gosto, e o governo perdulário e ineficiente terá um esvaziamento populacional.

O federalismo não existe no Brasil, um país em que tudo vem de cima para baixo, com Brasília ditando todas as regras, tratando os cidadãos como mentecaptos incapazes de assumir as rédeas de suas próprias vidas. Até quando vamos tolerar este abuso?
Imagem: Tiradentes - Pedro Américo

Apelo de Hitler sobrevive 65 anos após sua morte (o retorno do anti-cristo)

(O retorno da consciência de Hitler)

(http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/apelo+de+hitler+sobrevive+65+anos+apos+sua+morte/n1237602242624.html)
Culto a líder nazista cruza fronteiras da Europa e cresce em países como Índia e Paquistão

Leda Balbino, iG São Paulo
30/04/2010 17:48
Apesar de passados 65 anos desde sua morte, Adolf Hitler e seu regime totalitário alemão ainda exercem fascínio sobre muitos. E esse sentimento não se restringe à Europa, onde há movimentos neonazistas e de extrema direita na Alemanha, Áustria, Bélgica, França e outros países. Seu apelo cruzou as fronteiras para locais como sul da Ásia, Turquia e territórios palestinos.

Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945 com uma mordida em uma pílula de cianeto e um disparo contra a têmpora. Ele se matou dentro de um abrigo de concreto construído a cerca de oito metros de profundidade na antiga Chancelaria do Reich (Reino, em alemão), enquanto as forças da então União Soviética cercavam a capital do país, Berlim.


Foto: AP
Líder nazista Adolf Hitler é saudado por soldados em Nuremberg em 2 de setembro de 1933

A morte de Hitler foi anunciada oficialmente em 1º de maio de 1945. Informações de seu quartel-general, porém, sugeriram que ele havia tido uma morte heroica: "Hitler morreu em seu posto de comando na Chancelaria do Reich lutando até o último suspiro contra o bolchevismo (soviético) e pela Alemanha."

Os primeiros detalhes sobre as reais circunstâncias de sua morte surgiram em 20 de junho. Um dos guarda-costas de Hitler que haviam escapado para o lado britânico de Berlim contou ter visto os corpos parcialmente queimados do líder nazista e de sua companheira Eva Braun, com quem havia se casado um dia antes do suicídio, deitados lado a lado perto da entrada do abrigo subterrâneo.

Segundo muitos relatos, os corpos teriam sido retirados do abrigo por nazistas, cobertos por gasolina, queimados e então enterrados. Mais tarde teriam sido transferidos para um local desconhecido para nunca mais serem encontrados.

Neonazimo alemão

Na Alemanha, o movimento de extrema direita atualmente é mais comum no leste do país, que, 20 anos depois da reunificação do país, ainda registra índices sociais e econômicos piores do que as cidades a oeste. A imigração também alimenta a xenofobia.

De acordo com o Ministério do Interior da Alemanha, os incidentes relacionados à extrema direita atingiram seu pico em 2008, com um total de 19.894 casos, um aumento de 5% em relação a 2007. Destes, mais de mil foram violentos, com dois tendo resultado em morte.

O número de incidentes violentos relacionados à extrema direita vem caindo no país, segundo o ministério. Enquanto entre janeiro e outubro de 2008 foram 639 casos, houve 572 no mesmo período de 2009. Além disso, das 12.066 manifestações da extrema direita na Alemanha nos dez primeiros meses de 2009, 8.369 foram propaganda.

De acordo com o Escritório Federal de Proteção da Constituição do país, em 2008 havia na Alemanha 156 organizações de extrema direita, com estimados 30 mil membros. O número, que se manteve o mesmo no ano passado, é menor do que os 38,6 mil membros de 2006.

Mas, apesar da aparente melhora, para muitos os dados continuam alarmantes. “O que me assusta é o ar de normalidade com que esses fatos são registrados ano após ano sem uma resposta adequada”, afirmou o ativista antirracismo Timo Reinfrank à Rádio Free Europe.

Apelo do mito

Nos últimos anos, a obra de Hitler “Mein Kampf” (Minha Luta), que se tornou a "bíblia do nazismo" no Terceiro Reich (1933-1945), alcançou recorde de vendas em mercados como Índia, Turquia e territórios palestinos. Na Alemanha, o Estado da Bavária detém os direitos sobre a obra e sua publicação está proibida até 2015, quando ela cai em domínio público.

Segundo o “Daily Telegraph”, entre outubro de 2008 e abril de 2009 foram vendidos 10 mil volumes do livro só na indiana Nova Délhi, muito pelo interesse de estudantes de negócios que veem o líder nazista como um ícone da estratégia de gerenciamento. "Eles consideram a obra uma história de sucesso de como um homem pode ter uma visão, estabelecer um plano para implementá-la e então ter êxito em colocá-la em prática”, explicou Sohin Lakhani, proprietários da livraria Embassy, com base em Mumbai, ao jornal britânico.


Foto: AP
Clientes passam em frente da Cruz de Hitler, restaurante em Kharghar, na Índia

Além da Índia, a obra é popular na Croácia e na Turquia, onde vendeu 100 mil cópias num período de dois meses em 2005. Na Rússia, o livro foi reimpresso três vezes desde que a proibição à sua publicação foi levantada em 1992.

Em uma matéria publicada em março deste ano, o correspondente da revista alemã “Der Spiegel” em Islamabad, Hasnain Kazim, interpreta o culto a Hitler no Paquistão e na Índia como um sinal de que a população local o vê como aquele que desafiou britânicos e americanos.

"Suspeito que a maioria dos indianos e dos paquistaneses não tem a menor ideia do que esse homem fez”, disse Kazim, referindo-se ao extermínio de 6 milhões de judeus durante a 2.ª Guerra Mundial (1937-1945), conflito desencadeado por Hitler que deixou um saldo de 55 milhões de mortos.

“No mundo islâmico, do Paquistão e Irã ao norte da África, o sentimento antissemita obviamente tem um papel. Conversas rapidamente desembocam em comentários sobre a injustiça inflingida contra os palestinos que tiveram suas terras roubadas (quando da formação do Estado de Israel, em 1948)”, completou Kazim.

Segundo ele, porém, não são somente os muçulmanos que mantêm esse culto ao nazismo. Na Índia, um empresário hindu abriu um restaurante chamado “Cruz de Hitler”, cuja entrada é enfeitada com um retrato do líder do Terceiro Reich.

Além do apelo de seu livro, os esboços e aquarelas de Hitler, considerados pelos críticos dignos da nota “C”, atingem altos valores em leilões. Em 24 de abril, uma coleção de 13 peças foi vendida por 95 mil libras (quase US$ 145 mil) no Reino Unido.

*Com BBC

sábado, 1 de maio de 2010

Maurício Einhorn Gravando a Vida - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O som de uma harmônica de boca ecoou entre as palmeiras da praça, desde os espigões do topo delas, passando pela folhagem dos pés de benjamim, carregados de sementes e Lacerdinhas. Como um cosmo, respirava em cada poro da existência até mesmo naquelas bolinhas pretas e duras que são as sementes das palmeiras. Foi quando uma voz, acompanhada pela harmônica, encantou o ambiente:

Alguém como tu,
Assim como tu, eu preciso encontro
Alguém sempre meu
De olhar como o teu
Que me faça sonhar...

E, na madrugada solitário, num banco da Praça Siqueira Campos, tive saudades de mim mesmo. Saudades de todas aquelas meninas, com seus olhares dissimulados, que me deixavam queimando de dúvidas. Saudades da minha intensidade, mesmo que sob incertezas, com que as amavas e ainda as amo.

Sob efeito da abertura do “show” de gravação do disco “Maurício Einhorn e Convidados”, na noite de ontem, 30 de abril de 2010, na Sala Cecília Meireles. A platéia de amigos e músicos da carreira deste extraordinário instrumentista. À exceção de Billy Blanco, apoiando seu passo trôpego numa bengala, a maioria não faz parte do écran da televisão. São músicos verdadeiros, do cerne da música, do fundo do palco, mas que constroem a maravilha de arranjos que parecem naturais quando são pura criação, aqui e, eternamente, humanas. Naquele estágio em que, efetivamente, se revela o quanto Deus é criatura deles.

Não poderia estar mais bem acompanhado. Uma turma de engenheiros, físicos e matemáticos, todos, músicos instrumentistas. Vivem de suas profissões, mas tocam em seus apartamentos, nos bares da cidade, sem o peso terrível com que os músicos têm que matar o leão da sobrevivência todos os dias. E foi, neste clima, que falávamos das agruras do músico instrumentista: Maurício Einhorn, um símbolo da cultura musical internacional, entre os melhores junto a Jean “Toots” Thielemans, por vezes não tem grana para fechar o pagamento do condomínio do prédio em que mora e o atrasa.

Quando aquele homem alto veio ao palco, com sua roupa do cotidiano das ruas do Leme, alto, dominando a cena, era de uma gentileza pura como os carbonos brilhantes de um diamante. Um carinho com os amigos e a platéia em geral só comparado ao seu gesto, quando, no meio da gravação, abre uma garrafa de litro e meio de água mineral, levanta em oferta para o seu público e bebe um gole. Um gesto de educação, tão distante, destes jovens nervosos no palco que parecem o centro do mundo.

É preciso ver. Maurício Einhorn quebrando a vulgaridade dos “shows” de absoluta coreografia, destas bandas caídas, destes artistas de palco, destas embalagens de consumo fugaz, como uma barra de chocolate. Ele tocava, como um ferreiro na oficina, olhava para um músico e outro, se afastava, simples assim, como se caminha na rua, apenas para melhor ouvir e visualizar os sons que aqueles gênios da música extraiam. Da mais pura e intensa fonte humana: Alberto Chimelli, Luiz Alves, João Cortez, Roberto Sion,Dario Galante, Augusto Mattoso e Rafael Barata. Isso acrescido de um dos melhore regionais de chorinho da atualidade aqui no Rio de Janeiro.

O disco é uma comemoração especial na vida de Maurício Einhorn. No próximo dia 20 de maio ele completa 78 anos, sendo 73 anos dedicados ao instrumento – ganhou sua primeira gaita em 1937, quando tinha 5 anos. A Sala Cecília Meireles cheia, ainda pediu um bis e ele assim se confraternizou, com todos cantando parabéns. Ele abraçado a todos os artistas. Incluindo seu diretor e produtor Danilo Bossa Nova. E aqui uma variante aos músicos de todo o nosso país, na periferia do mercado de sucessos.

Maurício Einhorn foi a Ubá, terra de Ary Barroso em Minas Gerais para um evento musical e lá encontrou, vendendo livros, o seu produtor atual. Danilo Bossa Nova tivera sucesso como cantor no inicio da Bossa Nova, recebeu o apelido de Altamiro Carrilho. Depois de ter viajado pela América do Sul, acompanhando Dilu Mello, Danilo se apresentou na TV Excelsior, TV Tupi, TV Rio, Boite Plaza, onde começou a bossa nova, na Boite Cangaceiro, cantando com Elizete Cardoso e Rildo Hora. Foi ajudado por Roberto Carlos na divulgação do seu disco nas rádios.

No final da gravação do CD, fomos para o Bar do Ernesto com a turma de músicos. Entre ouvir um conjunto que tocava na casa, dançar um pouco, beber e comer, um bom papo sobre música. Ora, vocês não precisam mais arrancar o feijão da terra. O que fazer do tempo? A resposta: o que Maurício Einhorn faz. Uma intensa procura de regiões inalcançáveis de cada um, através do instrumento musical que mais gosta, como se escala o estreito do cume do Everest.

Aliás, na altura rarefeita do Everest, se encontra metros abaixo, os pulmões de Maurício Einhorn, sobre o fechamento de um enfisema, adquirido como fumante passivo nas casas de shows em que os músicos instrumentistas, especialmente os jazzísticos, exerciam sua profissão. Aquela mistura entre o espaço fechado, o esfumaçado dos cigarros e o sopro em suas gaitas.

Na volta para deitar-me e dormir, tinha a certeza que assistira a algo muito singular. Em todos os sentidos, especialmente o programa musical, a expressão de arte, mas, também, a possibilidade de que aquilo não se repita tão facilmente. Um evento como aquele, uma gravação, um público e uma divulgação, é algo extremamente difícil e, economicamente, caro. Como o caro em economia só envolve moeda, não diz sobre arte, está aí a dificuldade, não na escassez de oportunidades.

Pensamento para o Dia 01/05/2010

SAI BABA

“Para os seres imersos no mundo, há dois obstáculos que devem ser superados: o anseio por desejos animais e os anseios da língua. Cada um de vocês deve dominá-los. Enquanto persistirem, eles podem causar dor. Essas são as causas de todos os pecados, e o pecado é o solo fértil no qual a ilusão (Maya) prospera. Aqueles que aspiram pela libertação devem subjugar os sentidos. Para conquistar esses desejos, para qualquer atividade que você realize – comer, andar, estudar, servir ou mover–, você deve executá-las na crença de que elas conduzem à presença de Deus. Toda ação deve ser feita com um espírito de dedicação ao Senhor.”
Sathya Sai Baba

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“O serviço é a flor do Amor (Prema), uma flor que preenche a mente com arrebatamento. Não causar qualquer dor é a fragrância de tal flor. Faça com que mesmo seus pequenos atos sejam inundados de compaixão e reverência. Assegure-se de que seu caráter possa, desse modo, brilhar grandemente. A maior felicidade é o contentamento. Onde não há aspereza, santidade prosperará e virtude florescerá. Onde existe ganância, ali o vício se desenvolverá com abundância.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O risco das generalizações - Emerson Monteiro

Onda recente de notícias trouxe aos meios de comunicação ocorrências de pedofilia no seio da Igreja Católica, revelando as marcas humanas no seio da milenar instituição e sua longa história. Pessoas, sobre as quais pesavam responsabilidades extremas para o encaminhamento moral das novas gerações, no momento seguinte se veem no foco de acontecimentos ilícitos, a permitir o crivo da civilização que explora ao máximo o sensacionalismo e tende a precipitar conclusões, numa época fértil em denominações religiosas.
Defronte do quadro das mazelas verificadas no interior da maior e mais tradicional condutora de fiéis do Ocidente cabem algumas interpretações que signifiquem algo complementar aos libelos acusatórios impiedosos levantados.
A boa ciência reclama serenidade, invés de precipitação, nos sérios julgamentos. Porquanto há caldo volumoso, ainda a ser considerado, de serviços validos creditados aos quantos conduzem a Barca de São Pedro, como se costuma chamar a Igreja.
E no andar dos conceitos, desponta na memória o trecho da vida de Jesus quando lhe foi trazida ao exame uma mulher adúltera, que entre os judeus sofreria execução pública por causa do crime praticado, no império da lei vigente.
Perguntado qual sua posição ante a sentença, o Divino Mestre devolveu aos maiorais daquele povo, prontos exercer a pena e matar a mulher, as célebres palavras evangélicas: “Quem estiver sem pecados, atire a primeira pedra” (João 8, 1-11).
É isso que vem ao pensamento, na sede justicialista dos que reclamam justiça fria e cruenta aos delitos identificados nos grupamentos católicos, de algumas localidades do mundo, a esquecer aspectos valiosos de sensatez do conjunto católico, nas eras da sua história, evidenciando a exclusiva falibilidade humana dos níveis individuais de cada crime, o outro nome da generalização preconceituosa.
Igualmente, quase sempre os autores das severas condenações esquecem dos débitos da humanidade para com os sucessos multiformes da Igreja Católica em lances benfazejos. Apontar, de modo único e fatal, ordenar a pronta lapidação da instituição como responsável exclusiva pelos defeitos da raça composta de muitos indivíduos, que deve também ao espírito da justiça cristã sua vasta formação de mentalidade civilizadora, sujeita impor aos bons dores fruto de pecados particulares de uma parte desse todo, a denotar parcialidade e ingratidão.
Nisso a História prescreve um exame consciencioso dos casos indesejáveis e suas imediatas reparações, rumo aonde o joio nunca seja o trigo, sem pretender generalizar motivos parciais, coerência esta que ensina a Verdade, nas promessas do eterno Amor.

PSICOLOGIA, TEOLOGIA E FILOSOFIA: A ARGUMENTAÇÃO MARAVILHOSA, SIMPLES E CONVINCENTE DO PADRE FÁBIO DE MELO


(FOTO RETIRADA DA INTERNET)

Bernardo Melgaço da Silva
Já faz algum tempo que venho acompanhando, pela televisão, as palestras do padre Fábio de Melo. E mais recentemente, por uma questão de saúde, tenho mais tempo para assistir e analisar suas belas palestras – e ontem a noite (uma quinta-feira por volta das 22:00 horas – programa Direção Espiritual) foi um desses momentos raros e enriquecedores. Confesso que me emocionei com a sua facilidade de oratória e argumentação sustentada em três pilares: psicologia, teologia e filosofia. E padre Fábio tem ainda a seu favor uma qualidade de oratória carismática. Essas qualidades qualificam o seu verbo e o faz se aproximar das pessoas, aumentando cada vez mais os seguidores e admiradores (como eu!).

É importante frisar que não se deve confundir oratória com argumentação. São dois processos distintos, porém complementares entre si. Isto implica dizer que nem sempre um bom orador é também um bom argumentador. E vice-versa. O exemplo mais visível desse contexto-problema se percebe no campo dos debates da política partidária. Eu mesmo já tive a oportunidade de conhecer brilhantes oradores, no campo político, com deficiências graves de argumentação. Certa vez fui convidado por um jornalista, dono de um jornal local em Magé-RJ, para assistir uma reunião organizada no intuito de se desenvolver uma estratégia voltada para as eleições que se aproximavam. O dono do jornal me pediu, já no final da reunião, para que eu falasse alguma coisa para os candidatos ali reunidos. Falei apenas cinco minutos e agradeci pelo convite para participar daquela reunião partidária. É bom afirmar e informar que nunca me filiei a qualquer partido, isto porque a minha filosofia tem por base e fundamento um modo de vida unitária e jamais partidária. De modo que, no final da reunião o jornalista e também organizador do evento me chamou num canto da sala e fez a seguinte intervenção:

- Bernardo, eu sou um profissional da política, há mais de vinte anos, inclusive, já ajudei pessoas a se elegerem vereadores e/ou prefeitos. Eu sinto que você tem capacidade (e por isso percebeu) para avaliar a minha argumentação. Eu acho que hoje tive várias falhas – você percebeu isso?

Eu tenho um exemplo simples que mostra a diferença entre a oratória e a argumentação. O exemplo é o da caixa d´água. A caixa vazia e todos os tubos seriam a oratória. O conteúdo, a água, propriamente dito é a argumentação. Eu cheguei a fazer – há muitos anos! - um curso de oratória (aqui no Rio de Janeiro) com um senhor que, segundo ele mesmo, havia trabalhado como locutor no Rio de Janeiro ainda quando era bem jovem. E o seu apelido no meio artístico era “REI DA VOZ”. E de fato a voz daquele homem era de uma beleza rara (mesmo já bastante idoso!). Fui também professor da disciplina Teoria da Argumentação no curso de direito da Universidade Cândido Mendes (RJ).

Na antiguidade os filósofos (os verdadeiros!) gregos sabiam separar a oratória retórica da argumentação inteligente e ética. Os verdadeiros filósofos chamavam os retóricos de “PROSTITUTAS DO CONHECIMENTO”. E Jesus Cristo nos alertou: “cuidado com os falsos profetas [verdadeiros retóricos!]”. Nesse contexto, são raros aqueles que conseguem associar essas qualidades numa argumentação filosófica, teológica e psicológica - ao mesmo tempo! E Fábio de Melo é um desses religiosos que domina também a filosofia e a psicologia em suas palestras bastante saudáveis.

Prof. Bernardo Melgaço da Silva – NECEF/URCA (CE)

Hoje, Hoje, Show Musi(ca)minhos... às 19h, chegar às 18.40 por aí...

Com participações pra lá de especiais de:
Abidoral Jamacaru, Dihelson Mendonça,
João do Crato, Luis Carlos Salatiel,
acompanhados pela banda TRIO CARIRI e, o Mestre Jairo Starkey

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os paulistas continuam o problema - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Tai, o pessoal da Dilma que me desculpe, mas Zé Serra é dos nossos. Fez movimento estudantil, estava ao lado das lideranças que defendiam o nacionalismo e o desenvolvimento brasileiro. Por isso teve que sair do país e depois voltou para a política dentro do PMDB, a grande federação de oposição ao que a ditadura significava. Quando o PMDB passou a ter a cara de apenas uma federação de interesses regionais, ajudou a fundar o PSDB com a bandeira da ética. Portanto, não procurem falar mal dele naquilo que ele tem de melhor. Estou com a pessoa dele, mas não com o personagem que hoje se apresenta para ser presidente.

O “personagem” tem a cabeça e o porte dos barões da Avenida Paulista, pensando que o Brasil é apenas eles e para eles. Por isso é contra o Mercosul. Por motivo específico. O motivo é que eles querem subordinar todo o resto ao modelo de São Paulo locomotiva, antes do Brasil e agora da América do Sul. Os vagões seguem lá atrás recebendo a brasa e a fumaça da Maria Fumaça. Explico melhor. Os Barões da Paulista ainda estão no tempo da Maria Fumaça.

O personagem decorou o texto e subtexto do pensamento liberal que veio desde Gustavo Corção, passando por “gênios” com Simonsen (recorde do separatismo do pai em 32) e Roberto Campos. Liberais, explico, nem tão assim, apenas a força de argumento para que tudo fique sob a guarda do núcleo único e superior do campo capitalista que se traduz, territorialmente, exclusivamente na elite paulista. As grandes famílias paulistas e todas as subordinadas no território nacional.

O texto, para que não venham cobrar-me a fonte, não é citação direta de Corção, Simonsen ou Campos. Ele passou pela CEPAL, é intelectualmente preparado e sabe fazer um “O” sem ajuda de uma quenga. É do “personagem” que falo, aquilo que representa. E ele representa aquele discurso liberal que viceja nas páginas da mídia das quatro famílias poderosas do texto paulistano: Frias, Civita, Mesquita e por adoção, os Marinho.

Uma questão deste pensamento se camufla por trás da questão Estado e Não Estado. Camufla-se atrás do discurso do Neoliberalismo, mas isso faz parte desta malandragem brasileira, “Prá Inglês Ver”. Aqui o Neoliberalismo tinha e tem um motivo. Qual seja o horror a que os fundos públicos venham a desenvolver o resto do país, tornando os outros estados mais fortes e relativizando o poder único paulistano.

Por isso mesmo as federações oposicionistas são isso mesmo, uma juntada de interesses, na maior parte das vezes, divergentes. Retornando à questão de então, quando o PMDB era muito forte em São Paulo. Hoje é muito difícil não pensar-se que as lideranças paulistanas, incluindo as velhas raposas do PSD, os medianos de movimentos de classe média e operária como Mário Covas e Almino Afonso, e o jovens intelectuais universitários como Serra e FHC não tivesse por trás o mesmo rancor aos militares. O rancor pela ousadia de alguns nacionalistas entre os líderes das forças armadas que pensaram num projeto nacional e tentaram abrir portas de desenvolvimento regional.

Agora sintam o motivo porque, mesmo sendo tão pródigo com a indústria automobilística paulistana, Juscelino Kubitschek sempre foi acusado de ser a fonte da inflação brasileira. E por quê? Por Brasília, mas não a cidade, mas a marcha para Oeste, criando novos pólos de desenvolvimento fora do círculo de giz paulistano.

Alguém, e com certa razão, apontará uma contradição. Mas se São Paulo é um mundo da concentração de capitais, o desenvolvimento regional só lhe seria favorável. É na tua cabeça, mas não na dos Barões, que são territorializados e amam os acordos unilaterais de livre comércio. São Paulo acima de tudo. Abaixo o Mercosul.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


Chorinhos e Chorões

Por Zé Nilton

Segundo o eminente pesquisador da Música Popular Brasileira, José Ramos Tinhorão, no seu livro Pequena História da Música Popular (da modinha à canção de protesto), Petrópolis, Editora Vozes, 1975, o chorinho nasce da polca, gênero muito cultivado a partir do final da primeira metade do Século XIX.

O choro não aparece logo como gênero, mas como “uma forma de tocar” estilizada por músicos populares do Rio antigo.

Do violão, os músicos tiravam tons usando as cordas mais graves, os bordões, que passaram a marcar a música tal qual um baixo, daí a expressão “baixaria” para este tipo de modulação.

“Pois seriam esses esquemas modulatórios, partindo do bordão para decaírem quase sempre rolando pelos sons graves, em tom plangente, os responsáveis pela impressão de melancolia que acabaria conferindo o nome de “choro” a tal maneira de tocar, e a designação de “chorões” aos músicos de tais conjuntos, por extensão.”

Do cavaquinho, saia o saltitante contracanto e a marcação rítmica, quando não o solo choroso que, com o advento da flauta, na segunda metade do Século XIX, estava assim formada a base musical do choro. O pandeiro entra bem depois, quando o violão perde o sentido da marcação e o samba batucado exige a percussão como acompanhamento rítmico.

Tinhorão, como bom marxista, releva esta expressão da nossa música como nascida no seio da baixa classe média do Segundo Império e da Primeira República.

Ele diz que “esta afirmação pode ser comprovada com o simples levantamento das profissões de 300 músicos, cantores, compositores, mestres de bandas e boêmios ligados a grupos de choros, referido pelo carteiro carioca Alexandre Gonçalves Pinto em seu livro de memórias intitulado “O Choro, Reminiscências dos chorões antigos”, publicado em 1936”.

Eu tenho este livro numa reedição do MEC/FUNARTE, de 1978. Uma curiosidade: o autor, Alexandre Gonçalves Pinto convida “o maior cantor e poeta de todos os tempos”, Catulo da Paixão Cearense, para prefaciar sua obra. Este se desculpa e não aceita tal empreitada pelos infindáveis erros gramaticais de toda a sorte encontrados nos originais. Mas aí já é outra história...

Em comemoração ao Dia do Choro, ocorrido em 23de abril pp. que coincide com o dia de S. Jorge, vamos apresentar um pouco da história do choro e tocar algumas de suas mais antigas/novas músicas desse gênero, no Programa Compositores do Brasil desta quinta.

Na sequencia:

Odeon, de Ernesto Nazaré, com Fernanda Takai
Corta Jaca ou “Gaúcho”, de Chiquinha Gonzaga, com Altamiro Carrilho.
Brasileirinho, de Waldir Azevedo, com Baby Consuelo
Um chorinho, de Chico Buarque, com Chico Buarque
Choros No. 1, de Heitor Villa-Lobos, com Turíbio Santos
Ingênuo, de Pixinguinha e Benedicto Lacerda, com Regional de Evandro
João Gilberto (raridade) – Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barros, com João Gilberto
Noites Cariocas, de Jacó do Bandolim, com Jacob do Bandolim
Pedacinhos do Céu, de Jacob do Bandolim, com Ademilde Fonseca
Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, com Roberta Sá
Chorinho nervoso pro Hermeto Pascoal, de Sivuca, com Sivuca
Tua imagem, de Canhoto da Paraíba, com Canhoto da Paraíba

Quem ouvir verá!


Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 15 h.
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Apoio Cultural: CCBN
Retransmitido pela rádio www.cratinho.blogspot.com

VESTIBULAR NO IFCE CAMPUS CRATO PARA CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO E ZOOTECNICA


Finalmente saiu do papel os vestibulares do IFCE CAMPUS -CRATO, para os cursos de Zootecnia e Ciência da Computação - os primeiros dois cursos superiores da nova entidade educacional, que garante um marco histórico em oferta de cursos superiores na região do Cariri cearense.

O IFCE CAMPUS CRATO inicia a sua divulgação no dia 15 de Abril, onde as inscrições serão de 3 de maio a 4 de junho, podendo ser feitas pela Internet (www.crato@ifce.edu.br) ou em qualquer Campus do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará ( Crato- Umirim -Juazeiro do Norte -Iguatu - Cedro - Fortaleza - Limoeiro - Quixada - Sobral, etc). Porém as provas, que serão realizadas nos dias 21 e 22 de Junho de 2010, só se realizarão na cidade do Crato e em sua unidade de Umirim (região norte).

É o IFCE CAMPUS CRATO cumprindo a promessa de trazer para o Cariri os bacharelados de Zootecnia e Ciencia da Computação, dando mais uma opção educacional à nossa juventude, acabando de vez a dependência dos deslocamentos de nossa comunidade a centros mais avançados com objetivo de se preparar nestes dois cursos.

Fonte: Blog Retrato do Cariri Agropecuário

Estudantes do Polivalente se preparam para espetáculo "Nós, o estopim"


O espetáculo pretende interagir com o público e fazer uma grande brincadeira popular no dia 27 de maio no Sesc Crato.

Preparação do Espetáculo “Nós, o estopim” movimenta os estudantes da Escola de Ensino Fundamental e Médio Polivalente Gov. Adauto Bezerra no Crato. O Espetáculo reúne diversas linguagens artísticas, como teatro, dança, performance, música, poesia e audiovisual.

O espetáculo será apresentado no dia 27 de maio no Teatro do Sesc Crato e faz parte do projeto desenvolvido pela instituição chamado “Performance Poética e Armazém do Som”.

“Nós, o Estopim” é composto de fragmentos de cenas e acontecimentos em que o público a todo instante é instigado a participar. As poesias engajadas de Rosemberg Cariry, Salete Maria, Patativa do Assaré, Cacá Araujo e Alexandre Lucas narrará o discurso do espetáculo numa mistura entre a linguagem contemporânea, a cultura de massa e as manifestações da tradição popular.

Cerca de 50 estudantes deverão participar da apresentação. A idéia é aproveitar as habilidades dos estudantes. Para participar do espetáculo, os alunos passarão por oficinas de teatro, malabares, dança e produção de máscaras.

O espetáculo conta com a parceria da Companhia Cearense de Teatro Brincante, Coletivo Camaradas, Projeto Nova Vida, EEFM Polivalente Governador Adauto Bezerra Crato, Projeto Nova Vida.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comentário sobre o trabalho de Geraldo Junior

Música: Geraldo Junior

April 23rd, 2010
 
Sexta-feira é dia de relaxar, deitar numa boa rede e uma boa música escutar.

A partir de hoje, a sexta-feira será o dia de trazer  aqui para o blog o que estamos escutando em nossa agência. Compartilharemos com vocês colegas, clientes e parceiros, um pouco do som que rola por aqui e nos trás a inspiração de cada dia.
Geraldo Junior
Geraldo Junior - Foto: Junior Panela

Começaremos com o CD – Calendário – O Tempo e o Vento, do músico Cearense Geraldo Junior, que, no momento, é o som mais “ouçado” na agência.
E para aqueles que gostam da boa música e do verdadeiro forró, aproveitem para saber um pouco mais sobre a história do Geraldo, assistir vídeos, ver fotos e até mesmo fazer o download do cd, através do seu site www.geraldojunior.com.br
Aproveitamos para parabenizar este cabra da peste que representa a nossa região à altura e desejarmos todo sucesso do mundo.

Vejam a matéria original no blog Leriado:

http://vf2.com.br/leriado/2010/04/musica-geraldo-junior/

Avatar - por José do Vale Pinheiro Feitosa

1 Rubrica: religião.
na crença hinduísta, descida de um ser divino à terra, em forma materializada [Particularmente cultuados pelos hindus são Krishna e Rama, avatares do deus Vixnu; os avatares podem assumir a forma humana ou a de um animal.]
2 processo metamórfico; transformação, mutação

James Cameron's epic motion picture, Avatar”.

Com tais palavras o site oficial do filme explica a que veio. Com todas as suas metáforas, fantasias, lendas das forjas de Hollywood, o pretensioso se mostra muito aquém (ou além) do resultado. É um filme pipoca, bebe nas águas de Walt Disney, mergulha nos diversos “Guerra nas Estrelas” e emerge, quase faltando o fôlego, com o discurso oficial da sociedade americana. Qual discurso?

Da sociedade e dos governos do hemisfério Norte. As riquezas materiais do território do sul não podem ser exploradas. Tudo aquilo que antes era reserva ao sul do equador, deve permanecer como tal para um futuro uso dos habitantes do Norte. Não é esta a metáfora direta, geraria revolta a sul e quem sabe até ao norte. É a metáfora indireta, aquela que, por travessa, diz o essencial: não toquem nisso que não é de vocês, é nosso.

É a posse “internacional” do território que antes ainda era tido como o inviolável das nações. A Amazônia é deles, o petróleo do pré-sal, também, o que é nosso é o subdesenvolvimento e a pobreza. Vamos olhar para o Avatar James Cameron: numa manifestação, internacional, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Bem aqui no território nacional, junto a quem de direito e com o espírito, não metafórico, da mídia amiga do imperialismo.

Agora vamos à qualidade do discurso hollywoodiano tanto de Al Gore quanto este recente de Cameron. Aliás, se encontra mais explicitamente no filme 2012, quando o mundo é salvo, com uma arca de Noé moderna, construída para salvar apenas os espécimes do G8. Deve ter sido roteirizado e filmado antes da crise que caiu no colo deles com mais vigor que o argumento do filme.

É um discurso tipicamente de psicologia social, disfarçado de bem comum, para defender a reserva da qualidade de vida das sociedades avançadas, que consomem escalas assombrosas da energia do planeta e dos seus recursos minerais não renováveis e aqueles renováveis. Falam do bem comum com aquele direito de intervir no outro, preservando o seu modo como herança de privilégio.

Ora eles têm que pagar mais pelo que nos tiram. Devem consumir menos do que estragam para que, também, possamos. Precisamos de água limpa, escola decente, saúde coletiva, moradia de qualidade, melhorar enormemente as nossas cidades, articular a malha de transporte numa escala centenas de vez maior do que a de hoje. A metáfora deles corrompe os jovens e vicia os que desistiram das próprias pernas.

O Avatar não é nossa fantasia. É, sobretudo, o processo metamórfico, ou a mutação do discurso imperialista como modo de preparar o futuro exclusivo para eles. E o futuro deles não é tão distante assim. Amanhã virá o segundo capítulo com a exploração dos recursos.

Os culpados pela pobreza

Percival Puggina aponta causas da pobreza que os auto-proclamados e afetados defensores da "justiça social", com sua típica ignorância, nem se dão conta que existem.

Você sabe por que o Brasil não consegue solucionar o problema da miséria? Porque, de um lado, deixamos de agir sobre os fatores que lhe dão causa, e, de outro, nos empenhamos em constranger e coibir a geração de riqueza sem a qual não há como resolvê-la. As recentes mobilizações contra o agronegócio são apenas isso - as mais novas expressões de um fenômeno tão antigo e renitente quanto descabido. O pior de tudo é que minha experiência de seis décadas e pico me adverte: são mínimas as possibilidades de emergirmos dessa histórica tragédia que afronta toda consciência bem formada.

Creem os profetas de megafone, escrutinando os fatos com as lentes do marxismo, que os pobres no Brasil têm pai e mãe conhecidos: a natural perversidade dos ricos e a ganância essencial dos empresários. Em outras palavras, a pobreza nacional seria causada justamente por aqueles que criam riqueza e postos de trabalho em atividades desenvolvidas sob as regras do mercado.

Estranho, muito estranho. Eu sempre pensei que as causas da pobreza fossem essencialmente juspolíticas, determinadas por um modelo institucional todo errado (o 93º pior do planeta em 2009, segundo o WEF). Pelo jeito, enganava-me de novo quando incluía entre as causas da pobreza uma Educação que prepara semianalfabetos e nos coloca em 88º lugar no Índice de Desenvolvimento Educacional da Unesco. Sempre pensei que havia relação entre pobreza e atraso tecnológico e que nosso país não iria longe enquanto ocupasse o 68º lugar nesse ranking. Na minha santa ignorância, acreditava que a pobreza que vemos fosse causada, também, por décadas de desequilíbrio fiscal, gastos públicos descontrolados e tomados pela própria máquina, inflação e excessivo crescimento demográfico, notadamente na segunda metade do século passado. Cheguei a atribuir responsabilidades pela existência de tantos miseráveis à concentração de 40% do PIB nas perdulárias mãos do setor público (veja só as tolices que me ocorrem!). E acrescento aqui, se não entre parêntesis, ao menos à boca pequena, que via grandes culpas, também, nessas prestidigitações que colocam nosso país em 75º lugar no ranking da corrupção.

Contemplando, com a minha incorrigível cegueira, os miseráveis aglomerados humanos deslizantes nas encostas dos morros, imputava tais tragédias à negligência política. Não via como obrigatório o abandono sanitário e habitacional dos ambientes urbanos mais pobres. Aliás, ocupamos a 61ª posição no ranking mundial do acesso a saneamento básico. Pelo viés oposto, quando vou a Brasília, vejo, nos palácios ali construídos com dinheiro do orçamento da União, luxos e esplendores de desfile de escola de samba. O mais recente é o do TSE. São 115 mil metros quadrados de puro requinte, orçado em R$ 328 milhões (com essa grana se constroem 15 mil casas populares!). E só o escritório do comunista Oscar Niemayer abocanha R$ 5 milhões, graças ao monopólio de projetos que estabeleceu sobre a Capital Federal.

Mas os profetas de megafone juram que estou errado. A culpa pela pobreza, garantem, tampouco é do patrimonialismo, do populismo, dos corporativismos, do desrespeito aos aposentados, do culto ao estatismo, dos múltiplos desestímulos ao emprego formal. Não é sequer de um país que, ocupando a 167ª posição no ranking da desigualdade, vai gastar, sob aplausos nacionais, algo entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões no somatório da Copa de 2014 com os Jogos de 2016. Existem pobres, asseguram-nos, por causa da economia de empresa e dos empreendedores.

domingo, 25 de abril de 2010

As cidades atuais - Emerson Monteiro

Nas suas origens, a cidade surgia como solução dos problemas de uma humanidade solitária, assuntada em face das intempéries naturais. Quando os seres humanos notaram que a ordem individual das pessoas precisava encontrar alternativas comuns para seus problemas, naquele momento decidiram abrir mão dos valores da paz pessoal em nome da formação dos aglomerados coletivos e seguros.
E agora, transcorridos milênios de experiências, o que vemos são essas cidades lotadas de interrogações quanto a um futuro melhor, onde os dramas de que as pessoas fugiram ao deixar a selva apresentam face talvez tão pavorosa quanto no início da grande aventura social.
Às portas das residências urbanas batem hoje demandas de tão difíceis respostas que agoniam o espírito moderno como garras afiadas a pescoços descobertos. Em velocidade estúpida, o crescimento desordenado das populações já invade áreas de risco inadequadas e inóspitas; a construção de moradias anda a passos lentos em relação ao número de habitantes; as distâncias impõem milhões de transportes que abarrotam vias de circulação e tornam lentos os percursos entre a casa e o trabalho; a sobrevivência reduz conceitos morais em níveis jamais suportados de perversão, ocasionando guerra de classes e desconfiança mútua entre as pessoas, num somatório desordenado de vícios e violência, na coletivização da insegurança e da promiscuidade, tudo levando de roldão o sonho dourado da paz às raias de pesadelos e desencantos avassaladores.
Diante disso, os caminhos da política, velha reserva das respostas negociadas na praça pública, tornam-se tortuosos e ineficazes para oferecer frutos doces de honestidade a que se propunham nos primórdios.
As cidades, em consequência disso, acordam, dia após dia, na longa fila de espera dos novos meios promissores, e a natureza humana apenas amargura pela vida o descumprindo de seu papel de aprimoramento em grupo na força da paciência e da esperança.
Sob este impacto de mais desafios do que de satisfação segue o barco da história, a repassar às outras gerações aquilo que caberia aos contemporâneos resolver com habilidade, concluímos a título de um diagnóstico antes das soluções urgentes necessárias.

Pensamento para o Dia 25/04/2010


“Sua devoção por Deus deve ser contínua e ininterrupta como o fluxo de óleo de um recipiente para outro. Você deve ter observado que o jovem macaco se baseia em sua própria força para se proteger. Onde quer que sua mãe salte, ele tem de se agarrar rapidamente à barriga da mãe e não deve afrouxar seu abraço, mesmo quando separados. Igualmente, como um devoto, você deve passar pelo teste nas mãos do Senhor e abraçar o Nome do Senhor em todos os momentos e em todas as condições, incansavelmente, sem o menor traço de antipatia ou aversão, suportando ridicularização, críticas do mundo e superando os sentimentos de vergonha e derrota. A prática da devoção desse tipo é chamada Markatakishora Marga. Prahlada, grande devoto, filho do Senhor, praticou esse tipo de devoção.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Óleo

Quando tu deixaste de lado
o porre e a loucura

fizeste inimigos.

Não é tão simples
largar da velha túnica.

Queimar os ossos.
Afogar-se no próprio oxigênio.

Quando percebeste a tolice
do eterno retorno

entes soberbos
diante do teu silêncio
ergueram-se com ira.

Mas nenhum mal (nem do céu nem da terra)
poderá te ferir a dileta alma

(nascida do fogo
e pelo fogo santa).

Mudar de pele
(enquanto os tolos blasfemam)
não é um milagre natural.

É preciso refluxo constante
da chama dentro do peito.

Dias e noites
margens opostas

pisando pântanos
jardins etéreos.

Ainda sentirás garras aos teus tornozelos.
Ouvirás vozes de veludo aos teus ouvidos.

Mas nenhum mal (nem do céu nem da terra)
cairá sobre tua cabeça
ornada por nuvens brilhantes.

Humano permanecerás atento.
Cercado de descuidos.

Leva contigo somente esta verdade:
nunca mais terás o sossego dos fracos.