“Quando alguém está envolvido no mundo, apenas pensamentos mundanos surgem durante seus últimos momentos. Para aqueles que anseiam sinceramente pelo Senhor, o Senhor se apresentará. Pode-se amar seus amigos e parentes, respeitá-los e mantê-los de bom humor enquanto se move pelo mundo. Mas, enquanto estiver no mundo, é preciso oferecer amor e fidelidade abundantes por toda vida somente ao Senhor, ninguém mais.”
Sathya Sai Baba
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sexta-feira, 7 de maio de 2010
Pensamento para o Dia 07/05/2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Pensamento para o Dia 06/05/2010
“Mais perfumado que as flores com doce aroma, como o jasmim e o lírio, mais suave que a manteiga, mais bonito que o olho do pavão, mais agradável que o luar, é o amor de uma mãe. A vida humana é uma viagem do ‘eu’ para o ‘Nós’. Nessa pequena viagem, você deve desligar-se do corpo e desenvolver apego ao ‘Eu Superior’. Para isso, a graça da mãe é muito essencial.”
Sathya Sai Baba
Penas ao vento – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Um mestre, que era muito sábio, possuía muitos discípulos. Certo dia, encontrou um dos seus discípulos numa animada roda de conversa com os amigos. Aproximou-se dele sem se fazer notar e sem querer, escutou que ele falava mal de um dos seus amigos, fazendo injúrias e o desqualificando com atributos dos quais aquele amigo não era possuidor. O mestre se aproximou do discípulo e lhe disse que estava na hora de receber a lição daquele dia.
Os dois andaram durante algum tempo em silêncio até chegarem defronte a uma torre muito alta. O mestre convidou o discípulo para juntos subirem até o mais alto daquela torre. Quando chegaram ao topo, havia alguns sacos desses que se colocam feijão para o transporte. Então o mestre ordenou ao discípulo que pegasse um daqueles sacos e jogasse todo seu conteúdo pela janela da torre ao chão. Este obedeceu, levantou o saco com as duas mãos, estranhando que seu peso fosse incrivelmente tão leve. Abriu o saco e viu que estava cheio de penas. Obedeceu à ordem do mestre e atirou fora todo o seu conteúdo. Ficou alguns minutos observando as penas voarem para longe, espalhando-se por toda a parte, ao sabor dos ventos. Depois que as penas voaram para os mais distantes lugares, sujando várias ruas e praças, o mestre ordenou: “Agora, meu filho, você vai descer e recolher todas aquelas penas e recolocá-las nesse saco.” “Mas mestre é impossível fazer isso! Não posso recolher todas aquelas penas, pois muitas voaram para longe.” E o mestre lhe disse: “Assim são as injúrias e calúnias que se faz contra um ser humano. Jamais poderão ser reparadas.”
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O Manto da Ordem Santa Cruz - Penitentes - Igreja Rural Laica
Luiz Domingos de Luna *
É incrível ver a história humana solver no espaço tempo como uma estrela a emitir a sua luz na infinitude do cosmo, porém, se ela existe ou não é uma abstração e objeto de estudo dos cientistas astrônomos, pois é interesse da ciência.
Quando o assunto é norteado para a atuação da Ordem Santo Cruz – Penitentes – Santa Igreja de Roma, tudo vira um imbróglio generalizado, os escritores e abnegados do assunto via de regra, usam uma linguagem laica para explicar o sagrado, e o sagrado na sua constância atemporal, com justa razão, guarda no cofre do mundo espiritual os mistérios de fé, na constância da linha inalterada da alma humana em projeção de fé em expansão.
A matéria a vagar, um fragmento ao martírio, como semente de fé para os que professam um ponto de referência, uma luz, um ponto de segurança neste espaço tempo dissolvido em momentos, dúvidas para uns, mistérios para outros, certeza, incertezas um manto a cobrir todo o aparato existencial como um carrossel giratório sem um eixo lógico, parece que a tônica do tema, o alimento do debate é sempre a dúvida, a certeza parecer ser o que menos importa, até parece que o grande objetivo é a criação de versões.
Não há seriedade no aprofundamento dos assuntos pertinentes ao estudo da Ordem Santa Cruz por quê? Ora, o estado brasileiro é laico, porém nada impede um estudo feito ou direcionado para um setor religioso, com a finalidade do engrandecimento da epistemologia genética da humanidade para o bem
Qualquer cova perdida no matagal da ignorância laica é motivo para parar o processo, ou mesmo, o estudo a que se pretende, por quê. Existe uma dívida, um débito material, um débito espiritual uma guerra entre o mundo material e o mundo espiritual.
Dá para conciliar um estudo sério com um ponto de partida entre estes dois mundos, ou a natureza humana precisa desta cisão para existir.
Até quando temos que conviver com este manto.
É um manto Laico
-Não sei
É um manto Religioso
-Não sei
Se soubesse diria?
-Com certeza não
Mas é assim que a coisa funciona
(*) Professor –Aurora- Ceará
Flamengo e Coríntians - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Os cartões amarelos foram mais do poder de disciplina do juiz do que deslealdade dos jogadores de ambos os campos. Nem provocação entre jogadores, que não apenas aquelas do entrechoque, e o jogo não era qualquer um. Tratava-se dos times das principais torcidas nacionais, uma no Rio e resto do Brasil e a outra em São Paulo.
O Coríntians vinha no embalo, crescendo no campeonato, mereceu a classificação para esta fase. O Flamengo era como certo Exército Brancaleone, atrapalhado, como que avançando na probabilidade e acertando na sorte. A torcida acreditava, é da natureza de toda torcida, acreditar para soltar o grito com mais força ainda, contra os ouvidos de quem duvidava.
E veio o jogo do Maracanã. Apenas um bobalhão como eu, que não vinha de partida em partida, somente tomava pulso pelas manchetes, nem lia a matéria, disse: o Flamengo tira o Coríntians. Sem base qualquer, referência alguma, apenas um sentimento do passado e o Flamengo do tamanho do Maracanã. Opa! Esta figura é banal?! Tamanho do Maracanã, mas não falei das dimensões físicas do estádio. Quis dizer do tamanho de espírito de jogo e do volume de credo na camisa do Flamengo.
E ontem o Coríntians precisava de dois gols e o fez com a maior categoria, abafando a perplexidade do time do flamengo, terminando o primeiro tempo com agenda marcada para a fase seguinte. A torcida do Coríntians era de uma beleza que só existe no futebol e no Brasil. Importam as besteiras policiais do pós jogo, mas falo daquele momento. Dos rostos em felicidade e este substantivo é tão importante que se inscreveu até mesmo na enxuta Constituição dos EUA. A felicidade pode se inscrever entre os direitos fundamentais da humanidade.
O segundo tempo começou com o treinador do flamengo dizendo que o time voltaria completamente diferente. Confesso que desdenhei a esperança do técnico. Mas não tive oportunidade de conjugar os tempos do verbo desdenhar, o Flamengo era outro em campo e nem passei da primeira pessoa, quando o Coríntians levava um gol. E tudo em campo mudou e o Coríntians, embora ganhando no jogo, perdia no campeonato.
E eis que o efeito causado pela psicologia coletiva, pelo histórico dos embates entre ambos, pelo peso da camisa frente à esperança frustrada da torcida, dar aos eventos de bola toda uma “sorte” cujo dado parece viciado. Uma jogada certa, precisa, se frustra por centímetros. Um ataque perfeito esbarra no bate e rebate, meio atordoado, do adversário e, resulta em nada. Ao contrário, o adversário mesmo quando erra, tem por efeito perigo às traves que não podem levar gol naquele momento.
E foi assim que minha alegria de torcedor foi se amargurando com os olhares sofridos dos Corintianos. Com suas unhas moídas na ponta dos seus dentes, ora de um dedo da mão direita e em seguida, para outra mão e nem tinha acabado os restos das unhas anteriores. A moça chorando no abraço ao namorado. Aquele rosto por trás da tela do campo, um pouco na sombra, profundo como as crateras da lua.
Se tivesse o dom de sustar a dor dos Corintianos, não o trocaria certamente pela alegria de torcedor do Flamengo, mas o faria com a compreensão de quem é o Coríntians. Não o seu passado de glória, mas a sua presença, da glória deste povo sofrido da periferia desta descomunal cidade. Deste povo que é feliz e por assim o ser, diz de uma humanidade mais plena e menos artificial.
Mas, confesso, no Rio sou Flamengo, em São Paulo Coríntians e no Ceará, sou Ceará. E do mesmo modo tenho a compreensão pelos outros que não são perfeitos.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Ecos da Crise do Capitalismo - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Engano total.
Exatamente por ser essencial. A cultura é quem faz funcionar o cotidiano das pessoas. É quem revela o tipo de mundo que desejam e quem expõe os elementos que dão sentido à complexidade da vida nos centros urbanos e à rede de cidades que se entendem. A cultura é o frontispício do arcabouço social, onde estão seus acordos econômicos e políticos.
Quando Decretos Presidenciais, alegando contenção de gastos com a crise econômica, reduzem os gastos da cultura, apenas começa a meter a faca profundamente nas entre costelas do povo. Agora virá o desemprego, o corte de direitos, o desespero e a miséria.
Silvio Berlusconi, da Itália, assinou decreto reduzindo, drasticamente, o orçamento dos entes líricos do país. O Le Scalla irá reduzir pessoal e os que ficarem terão perda de 20% nos ganhos. Todos os teatros italianos estão em greve, desde a assinatura do decreto. Um dos mais importantes conservatórios do mundo, a Academia di Santa Cecilia, parou.
O grande Maestro Zubin Mehta regeu em praça pública o Coro e Orquestra do Teatro Comunale di Firenze. A canção escolhida foi a ária “Va pensiero” da ópera Nabuco de Verdi. Com escolha sugestiva, esta canção tem um significado patriótico para a Unidade Italiana. Quando de sua apresentação para o Imperador Francisco José (o marido de Sissi) houve uma grande manifestação de patriotismo da platéia presente, constrangendo o Imperador que dominava o norte da Itália.
Do ponto de vista econômico, por outro lado, o ataque à cultura italiana, só aprofunda a crise. O país tem no turismo uma das suas principais receitas. Sem os seus teatros líricos ficará mais vazia, com menos compras no seu comércio e mais desemprego.
A Igreja Católica engendrou um discurso perigoso para ela ao tratar da Pedofilia. Se a Igreja é necessária para “salvar” as pessoas, lhes abrir as portas da bem aventurança, que discurso é esse afinal que apenas justifica os pedófilos intra-muros, acusando aqueles extra-muros?
Se a pedofilia não é moralmente condenável, o que resta a Igreja do ponto de vista da sua essência como instituição? Eu me explico melhor. Ninguém exige moralidade de uma pedra, ela é inerte ao assunto. Quando o Arcebispo de Porto Alegre, Dadeus Grings diz que a sociedade é pedófila, deu a ela a mesma natureza inerte da pedra em face do assunto. Especialmente quando esta sociedade é de um país cuja maioria é católica.
Ao assumir esta falibilidade da igreja, por extensão, embora não tenha dito, assume a do próprio Papa. Ou a Pedofilia é moralmente ruim e não tem que fazer campeonato entre sacerdotes, médicos, educadores e empresários para saber-se quem o é mais ou se toca o dedo na ferida. Então se a pedofilia é ruim para a vida em sociedade, este é um assunto moral e que certamente poderá ser tratado pelas pessoas e pelas instituições como forma de transformação e conquista.
Barbalha: Jatobá será pau da bandeira do padroeiro Santo Antônio - Postado por Océlio Teixeira
terça-feira, 4 de maio de 2010
O Chip do Planeta Terra
Outro dia, fui convidado para participar de uma conferência no meu planeta natal - Aquarius, como de costume, juntamente com os colegas de sempre, pegamos a nave e embarcamos, depois de uma viagem cansativa, chegamos.O Tema da conferência foi logo exposto, de modo, a iniciar a reunião. Escutamos:
O Planeta Terra não precisa de vida para existir, porém insiste em manter ao longo de sua história este sopro vital – Por quê? Um Aquariano bem a frente levantou o braço e disse em voz alta – Simples, a vida na terra dá lucro.
O Conferencista coçou a cabeça e perguntou dá lucro! - Como assim? - O Planeta oferece condições para o surgimento da vida, alimenta bem e, depois ingere toda massa ex-viva, num processo continuo, pois lá, o tempo real existe num ciclo constante.
Um Aquariano, bem ao meu lado, indignado proclamou – Protesto, pois se a terra se alimentasse de toda massa viva que ela mesma produz o planeta seria o maior do universo, e pelo que consta nos autos, é apenas o terceiro na via - láctea, e de pequena significação com relação a sua massa de coesão atômica.
O Plenário choveu de palmas, porém o conferencista detonou – Protesto negado! O colega parte de uma premissa verdadeira para chegar uma conclusão falsa. Como assim?Perguntou o assistente. Se realmente a colega { terra} consumisse, tão somente, a massa viva, com certeza seria a maior do cosmo, porém, está em nossos registros que não é bem assim, pois a massa produzida pela ingestão da conteúdo morto é automaticamente transformada em energia e vendida a outro parceiro, ou seja,100% da energia é vendida, do contrario, o planeta estaria inchado e na realidade ele está é diminuído sua unidade de massa.
E este lucro obtido com a venda de energia é investido em que?
Na compra de enzimas cósmicas para o preparo das lavas vulcânicas e do gás galáctico para a dissolução dos deslocamentos das placas tectônicas.
- Fábrica de futuras vidas de formas diferenciadas
Este investimento serve para nós ?
-Não,
Por quê?
- Um capital muito alto investido em algo de grande risco
Tem certeza?
Não
-Dúvida
Todas
-Mas é assim que a coisa funciona.
( * )Professor – Aurora – Ceará.
As tias high-tech emburrecendo com a televisão - por José do Vale Pinheiro Feitosa
- Eita, que sujeito mais fraco, até a televisão é capaz de deixá-lo fraco das idéias! – Abriu o verbo minha tia Maria, mas Rosa, após ajustar os óculos e correr os olhos no corpo da matéria, logo questionou:
- Menina, num é o sujeito que é fraco. A televisão é que um veneno para a inteligência. Raimunda que aproveitava o diálogo das irmãs para avançar na leitura deu veredicto:
- É pesquisa, viu. Tudo foi pesquisa. Tá provado, comprovado e aprovado: “Assistir à televisão emburrece as crianças”. Eu bem digo que é melhor contar estrelas do que ficar vendo novela. Vocês não despregam os olhos da televisão na hora da novela. Quando é noticiário, todo mundo quer, até futebol já estão assistindo e agora deram para se viciar em filme. Vão ficar igualzinho a estas crianças do Canadá: piores em matemática, comendo junk food (pronunciada como junque fó odi) e sofrendo mais bullying (pronúncia do perfeito inglês dos sertões, não sem gaguejar na leitura: bu li li ingue). Raimunda terminou sua linha argumentativa e Rosa rebateu:
- Ora! Se eu ficar burra nas aritméticas eu tenho os dedos prá contar e estas comidas e sofrimento eu nem sei o que é. Tu sabes me esclarecer? Raimunda, embora tivesse ousado pronunciar as palavras estrangeiras, não tinha a menor idéia do que se tratava. Então, abriu os olhos e fez um belo discurso nacionalista como fuga do núcleo explicativo:
- É um absurdo. Falta de Governo. De vergonha na cara. A culpa, também, é deste povo besta que nem sabe defender o próprio valor. Nossa língua é mais completa e inteligente do que o tal do Inglês, mas estes abestados não sabem dizer nada que não seja falando estas palavras de abestado. Onde já se viu menina! Ninguém sabe nem explicar o que escreve. É tudo macaco de imitação, papagaio da língua solta, espelho que não tem ciência da imagem que reflete. – Raimunda salvou de explicar o que era Junk Food e Bullying a Rosa, pois Maria adiantou a conversa com outro trecho da matéria:
- Olhem aí! Viram! – as outras irmãs, ajustando mais ainda os óculos, aproximaram o rosto do monitor, enquanto Maria traduzia – Os americanos, franceses e australianos já nem querem que as crianças menores assistam à televisão. Até para crianças maiores querem limitar o tempo. Mas Rosa, na eterna dúvida, demonstrando que não ver televisão tanto assim:
- Mas e o que causa o problema? É a luz do aparelho da televisão, as imagens ou as besteiras dos programas que botam as crianças para assistir? Raimunda e Maria trocaram breve olhar e continuaram a leitura para ver se havia uma explicação para a dúvida da irmã, até que Maria falou:
- É a perda de tempo e aquisição de hábitos ruins. Se perde tempo, é porque fora da televisão teriam mais proveito. Se pegam coisa ruim, é porque os programas são ruins mesmo. Mas aí Raimunda rebate:
- Mas a burrice fica para toda a vida! – Rosa foi ao final e concluiu:
- O problema é dos programas e do aparelho da televisão com esta correria das imagens de um lado para outro, com som nas alturas, cores fortes e muito piscar de luz. Pronto, era o que Raimunda queria como lição do dia:
- Viram como é melhor a gente ficar juntas na internet. Nós temos tempo de discutir, conversar e não ficar de olho aboticado nesta tela.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Os sinais políticos da crise do Neoliberalismo - por José do Vale Pinheiro Feitosa
As lutas do século XX, entre guerras formais, rebeliões, razias de fome, migrações e fugas, além de tantos efeitos conhecidos, resultaram em efeitos políticos como o Fascismo, ou seja, a emergência de uma extrema direita. O que não se tinha em conta é o que a atual crise promoveria.
No primeiro momento tentaram salvar as instituições do capitalismo financeiro, à custa dos recursos e em detrimento do programas sociais. Desde a emergência do Neoliberalismo que os campos em luta estavam definidos: não é possível o crescimento do lucro com a aplicação das riquezas no bem estar social. Bem estar social traduzido como previdência e assistência social, direitos sociais, emprego, renda, habitação, transporte, segurança, saúde e educação.
Finalmente o próprio Neoliberalismo assumiu as teses de Karl Marx, este “bem estar” é incompatível com o capitalismo. E como um partido em perfeito domínio do campo de ação, partiram para a prática global, especulando com as moedas nacionais, emprestando capitais a juros estratosféricos, levando os países à bancarrota e, por último, aplicando “remédios” que salvam o resgate dos seus capitais e destroem os regimes em que existiam algum bem estar social.
Esta é a essência do que está acontecendo na Grécia. Por isso a revolta popular e muito mais acontecerá. Todo europeu bem informado já se deu conta que o Euro está sob as mesmas contradições das grandes moedas do capitalismo ocidental – dólar e libra. A moeda não é mero papel, ela representa os compromissos históricos de suas sociedades. Por isso esta grande briga sobre a liberação ou não dos recursos para a Grécia.
A Chanceler Alemã quer apertar a garganta dos gregos, que já estão na rua da amargura. Qual a motivação maior de Angela Merkel? Se os gregos não pagarem as prestações que devem aos bancos na metade do mês de maio, os bancos Alemães e Franceses, grandes especuladores em Hedge com a moeda Grega, entram em crise. Então que paguem o que deve com o sangue do povo grego.
Mas por outro lado o povo grego e, de resto, todo o povo europeu sabe o quanto foi dos recursos públicos para salvar ditos bancos. Mesmo assim, o lucro deles não cessou, pois, como piranhas num rio amazônico, partiram para especular com o próprio euro e com as reservas de moedas em cada país. Resultado, agora se exige sacrifício com o povo e não se regulam os bancos?
Esta é a grande discussão na Europa, esfolam o povo e não regulam os bancos. Até por que nesta altura o problema atinge o coração das instituições políticas da Europa. Por isso é que a Chanceler acrescentou ao seu pedido de sacrifícios sobre os gregos, a idéia de regulação do sistema financeiro.
Enfim, o Neoliberalismo não iria morrer naturalmente. Ele lutará e com vigor. Tentará navegar nas águas turvas da crise econômica e social. Crises, que já sabemos, ao atingir as pessoas e suas famílias, criam o ambiente a todo tido de experiência, muitas delas irracionais e, que embute muita violência. Por isso, Noam Chomsky já alerta para a emergência de uma ultra direita no EUA.
Leiam o que diz o pensador segundo o Diário La Jornada: “Nunca vi algo parecido em minha vida”, declarou Noam Chomsky. Entrevistado por Chris Hedges para o site de Internet Truthdig, acrescentou que “o humor do país é assustador. O nível da ira, frustração e ódio a instituições não está organizado de maneira construtiva. Está desviado para fantasias autodestrutivas” em referências a manifestações populistas da ultra direita.
Um ódio ao governo, aos políticos e às instituições, que abre espaço para todo tipo de aventureiro. O mesmo elemento de racismo vigente nos anos 30, então contra os judeus e, agora, contra Latinos e Negros. Mais uma vez as bandeiras desfraldadas da supremacia branca justificam todo tido de perseguição e constrangimento possíveis. Agora mesmo, a governadora do Colorado, aprovou uma lei de cunho fascista que permite deter qualquer pessoa sem os papéis e que tenham semelhança com migrantes ilegais.
“É muito similar à Alemanha de Weimar. Os paralelos são notáveis. Também havia uma desilusão com o sistema parlamentarista”, apontou Chomky na entrevista. “Os Estados Unidos têm muita sorte que não tenha surgido uma figura honesta e carismática” já que se isso acontecesse “este país estaria em verdadeiros apuros pela frustração, a desilusão e a ira justificada e a ausência de uma resposta coerente”.
Seguremos a onda que a crise continua em curso. O mesmo curso que já vinha das teses do Neoliberalismo, a de que deixe o espírito selvagem do capitalismo funcionar que tudo o mais se resolverá. Ou seja, a função de capitalização e acúmulo.
Pensamento para o Dia 03/05/2010
Sathya Sai Baba
“Um agricultor limpa e nivela o terreno, remove as pedras e os espinhos, ara e prepara o terreno, aduba e nutre o solo, irriga-o e fertiliza-o. Então, ele espalha as sementes e transfere as mudas. Isso é seguido pelo processo de capinar e pulverizar pesticidas. Finalmente, depois de uma longa espera, ele faz a colheita. Uma vez que a safra é colhida, ele então a limpa, debulha e, finalmente, empilha o produto. Todos esses processos são feitos com o intuito de alimentar o estômago. Do mesmo modo, é preciso sentir que fome, sede, alegria e tristeza, dor e perda, sofrimento e raiva, alimento e apetite são somente impulsos que nos impelem à realização da Presença do Senhor. Se você tem essa atitude, nenhum pecado jamais manchará suas ações. Com o tempo, esses impulsos também fenecerão, não deixando sequer vestígios.”
Sathya Sai Baba
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“O conhecimento verdadeiro (Vidya) lhe instrui a reformar-se em primeiro lugar. Depois de transformar a si mesmo, tente reformar outros. Esse é o conselho oferecido por Vidya. O apego ilusório ao mundo objetivo pode ser extirpado por meio de serviço altruísta, realizado como adoração ao Senhor. Devoção genuína é caracterizada pelo amor por todos, a todo momento, em todo lugar.”
Sathya Sai Baba
domingo, 2 de maio de 2010
Das dores e das ruas - por Carlos Eduardo Esmeraldo Filho

Partindo dessas condições de vida, dos relatos das pessoas em situação de rua, das entrevistas realizadas e das experiências proporcionadas pela observação participante, foi possível perceber que as necessidades de saúde desse segmento vão muito além das mínimas necessidades básicas, como alimentação, higiene e tratamento de saúde, envolvendo, dentre outras, a necessidade de segurança física e psicossocial, a necessidade de ser visto como um ser humano digno de respeito, a necessidade de autonomia e a necessidade de acesso efetivo aos serviços públicos.
Uma dos importantes determinantes da saúde e da doença é a violência sofrida pelos moradores de rua, que afeta significativamente a qualidade de vida dessas pessoas e contribui para a manifestação de ansiedade, medo, nervosismo e insegurança diante dos perigos e das incertezas existentes na rua. Juntamente com o uso abusivo de drogas, a violência aparece como um problema vivenciado por boa parte os moradores de rua, expressando-se de várias formas, incluindo a violência da polícia e de vigilantes particulares sofrida pelos moradores de rua, preconceito e discriminação, a violência entre os moradores de rua (furtos, roubos, agressões e assassinatos) e a violência sexual sofrida pelas mulheres. Ser visto como um marginal, como sem valor na sociedade, é percebido como uma das piores formas de violência.
Dois relatos ilustram essa questão. Em uma das visitas à rua, chamaram atenção as implicações emocionais da agressão sofrida por um morador de rua, quando se encontrava à noite na “Praça do Banco do Nordeste”. Ele levantava a camisa e mostrava as marcas das agressões na costela. Mostrava, também, o Boletim de Ocorrência que tinha feito. Vigilantes de empresas particulares o haviam abordado na praça, por meio de violência física sem nenhum direito a defesa. Estava visivelmente transtornado, sua fala emocionada mostrava que o sofrimento decorrente da experiência vivenciada transcendia a dor física. Ele estava na rua em Fortaleza há apenas um mês. Era, portanto, a primeira vez que sofria uma agressão desse porte. Tentava superar o sentimento de impotência por meio da vontade de lutar contra seus agressores, de denunciá-los, de não aceitar facilmente a agressão. Repetia, constantemente, que a praça é pública, que qualquer pessoa pode sentar num banco e tomar uma dose de conhaque. Dizia-se trabalhador, repetia que não era um “vagabundo”.
Uma outra questão diz respeito à dificuldade de acesso aos estabelecimentos de saúde do município. De uma forma geral, os participantes da pesquisa apresentam-se insatisfeitos com o acesso, relatando que são mal atendidos e discriminados, especialmente pelo fato de serem moradores de rua, mal vestidos, não possuírem documentos nem endereço fixo e por chegarem desacompanhados. Um dos participantes entrevistados conta que certo dia, após ter sido agredido com um pedaço de pau na cabeça, dirigiu-se, todo ensangüentado, à delegacia de polícia para registrar a ocorrência, antes de procurar o serviço de saúde. Segundo ele, chegar ao hospital com um Boletim de Ocorrência era um recurso para não ser vítima de preconceito, mais especificamente, evitar não ser confundido com um criminoso. Não podemos negar que existem alguns serviços e profissionais de saúde que são mais preparados para lidar com essa população. No entanto, de uma forma geral, ainda há muitas barreiras de acesso para as pessoas em situação de rua.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo Filho
Trancrito do jornal "O Povo" caderno "Vida e Arte": p. 7; Edição de 02 de maio de 2010
Carlos Eduardo Esmeraldo Filho é psicólogo e Mestre em Saúde Pública, autor da dissertação de mestrado intitulada: "Necessidade de Saúde dos moradores de rua:desafios para as políticas sociais do municipio de Fortaleza
Coisas da idade... Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Decorridos mais de um mês do tratamento prescrito, aquela cliente retornou ao ortopedista, queixando-se do resultado que estava muito demorado:
– Doutor, já faz mais de um mês que eu me trato e não vejo melhora neste meu joelho. Por que o meu joelho está demorando tanto a ficar bom se os jogadores de futebol arrebentam o joelho num domingo e no outro já estão jogando?
– É porque não existe nenhum jogador de futebol com mais de 65 anos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Por muito menos, Tiradentes foi esquartejado

Bom texto publicado ontem em O Globo pelo economista Rodrigo Constantino:
Brasília e Tiradentes
Rodrigo Constantino, O GLOBO
Brasília comemorou 50 anos de idade no mesmo dia em que é celebrado o feriado de Tiradentes, por conta do enforcamento do mártir da Inconfidência Mineira. A coincidência das datas merece algumas reflexões. Apesar de ter ficado conhecido como um “herói nacional”, a verdade é que Tiradentes lutava pela secessão de Minas Gerais, contra os impostos abusivos de Portugal, principalmente a derrama, um tributo local per capita para cobrir a meta de arrecadação de ouro. Era uma luta em defesa da descentralização de poder, contra tributos excessivos do governo central.
Um Tiradentes moderno seria alguém que estivesse lutando contra os abusos de poder concentrado em Brasília. Como Roberto Campos constatou, “continuamos a ser colônia, um país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje é Brasília”. Roberto Campos ficava indignado ao ver a burocracia oficial declamando que pagar impostos é “cidadania”. Para ele, cidadania era justamente o contrário: “controlar os gastos do governo”.
Tiradentes teria se revoltado com o quinto real, imposto de 20% do ouro produzido nas minas; atualmente, somos forçados a pagar quase o dobro para sustentar Brasília, um oásis para os parasitas de recursos alheios. Em nome da luta pela “justiça social”, Brasília vem concentrando renda, produzindo leis absurdas e muita corrupção ao longo deste meio século de vida. Ela tem a maior renda per capita do país, bem acima do segundo colocado, São Paulo, locomotiva da economia nacional. Distantes dos eleitores, os políticos criaram uma verdadeira ilha da fantasia no meio do nada. A cidade comemora meio século de existência no auge dos escândalos de corrupção. O sonho de JK se transformou no pesadelo dos brasileiros que trabalham e pagam a pesada conta imposta pela capital.
No fundo, nada disso é surpreendente. Os conceitos básicos do federalismo, como o princípio de subsidiariedade, já mostravam no que Brasília poderia se transformar. Lord Acton dizia que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Cada indivíduo deve ser o mais livre possível para fazer suas próprias escolhas e assumir a responsabilidade por sua vida. Aquilo que não puder ser feito no âmbito individual, será feito pela família. Depois, pela vizinhança, o bairro, o município, o estado, e finalmente o governo federal. Este deve ser responsável apenas por aquilo que não pode, de fato, ser responsabilidade das demais esferas, mais próximas do cidadão.
No Brasil acontece exatamente o contrário: o governo central concentra um poder absurdo sobre cada mínimo detalhe de nossas vidas, sem falar dos nossos bolsos. A pirâmide federalista está invertida; os estados são reféns do governo federal, que absorve cada vez mais poder e recursos. Enquanto empresas competem e isto é saudável, o próprio governo chama de “guerra fiscal” a disputa de estados por investimentos produtivos. O grande atrativo do federalismo é justamente a competição entre diferentes estados. O voto com o pé é o mais poderoso de todos. Cada indivíduo pode, então, escolher onde morar. A descentralização de poder fará com que existam alternativas distintas para cada gosto, e o governo perdulário e ineficiente terá um esvaziamento populacional.
O federalismo não existe no Brasil, um país em que tudo vem de cima para baixo, com Brasília ditando todas as regras, tratando os cidadãos como mentecaptos incapazes de assumir as rédeas de suas próprias vidas. Até quando vamos tolerar este abuso?
Apelo de Hitler sobrevive 65 anos após sua morte (o retorno do anti-cristo)
(O retorno da consciência de Hitler)
(http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/apelo+de+hitler+sobrevive+65+anos+apos+sua+morte/n1237602242624.html)
Culto a líder nazista cruza fronteiras da Europa e cresce em países como Índia e Paquistão
Leda Balbino, iG São Paulo
30/04/2010 17:48
Apesar de passados 65 anos desde sua morte, Adolf Hitler e seu regime totalitário alemão ainda exercem fascínio sobre muitos. E esse sentimento não se restringe à Europa, onde há movimentos neonazistas e de extrema direita na Alemanha, Áustria, Bélgica, França e outros países. Seu apelo cruzou as fronteiras para locais como sul da Ásia, Turquia e territórios palestinos.
Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945 com uma mordida em uma pílula de cianeto e um disparo contra a têmpora. Ele se matou dentro de um abrigo de concreto construído a cerca de oito metros de profundidade na antiga Chancelaria do Reich (Reino, em alemão), enquanto as forças da então União Soviética cercavam a capital do país, Berlim.
Foto: AP
Líder nazista Adolf Hitler é saudado por soldados em Nuremberg em 2 de setembro de 1933
A morte de Hitler foi anunciada oficialmente em 1º de maio de 1945. Informações de seu quartel-general, porém, sugeriram que ele havia tido uma morte heroica: "Hitler morreu em seu posto de comando na Chancelaria do Reich lutando até o último suspiro contra o bolchevismo (soviético) e pela Alemanha."
Os primeiros detalhes sobre as reais circunstâncias de sua morte surgiram em 20 de junho. Um dos guarda-costas de Hitler que haviam escapado para o lado britânico de Berlim contou ter visto os corpos parcialmente queimados do líder nazista e de sua companheira Eva Braun, com quem havia se casado um dia antes do suicídio, deitados lado a lado perto da entrada do abrigo subterrâneo.
Segundo muitos relatos, os corpos teriam sido retirados do abrigo por nazistas, cobertos por gasolina, queimados e então enterrados. Mais tarde teriam sido transferidos para um local desconhecido para nunca mais serem encontrados.
Neonazimo alemão
Na Alemanha, o movimento de extrema direita atualmente é mais comum no leste do país, que, 20 anos depois da reunificação do país, ainda registra índices sociais e econômicos piores do que as cidades a oeste. A imigração também alimenta a xenofobia.
De acordo com o Ministério do Interior da Alemanha, os incidentes relacionados à extrema direita atingiram seu pico em 2008, com um total de 19.894 casos, um aumento de 5% em relação a 2007. Destes, mais de mil foram violentos, com dois tendo resultado em morte.
O número de incidentes violentos relacionados à extrema direita vem caindo no país, segundo o ministério. Enquanto entre janeiro e outubro de 2008 foram 639 casos, houve 572 no mesmo período de 2009. Além disso, das 12.066 manifestações da extrema direita na Alemanha nos dez primeiros meses de 2009, 8.369 foram propaganda.
De acordo com o Escritório Federal de Proteção da Constituição do país, em 2008 havia na Alemanha 156 organizações de extrema direita, com estimados 30 mil membros. O número, que se manteve o mesmo no ano passado, é menor do que os 38,6 mil membros de 2006.
Mas, apesar da aparente melhora, para muitos os dados continuam alarmantes. “O que me assusta é o ar de normalidade com que esses fatos são registrados ano após ano sem uma resposta adequada”, afirmou o ativista antirracismo Timo Reinfrank à Rádio Free Europe.
Apelo do mito
Nos últimos anos, a obra de Hitler “Mein Kampf” (Minha Luta), que se tornou a "bíblia do nazismo" no Terceiro Reich (1933-1945), alcançou recorde de vendas em mercados como Índia, Turquia e territórios palestinos. Na Alemanha, o Estado da Bavária detém os direitos sobre a obra e sua publicação está proibida até 2015, quando ela cai em domínio público.
Segundo o “Daily Telegraph”, entre outubro de 2008 e abril de 2009 foram vendidos 10 mil volumes do livro só na indiana Nova Délhi, muito pelo interesse de estudantes de negócios que veem o líder nazista como um ícone da estratégia de gerenciamento. "Eles consideram a obra uma história de sucesso de como um homem pode ter uma visão, estabelecer um plano para implementá-la e então ter êxito em colocá-la em prática”, explicou Sohin Lakhani, proprietários da livraria Embassy, com base em Mumbai, ao jornal britânico.
Foto: AP
Clientes passam em frente da Cruz de Hitler, restaurante em Kharghar, na Índia
Além da Índia, a obra é popular na Croácia e na Turquia, onde vendeu 100 mil cópias num período de dois meses em 2005. Na Rússia, o livro foi reimpresso três vezes desde que a proibição à sua publicação foi levantada em 1992.
Em uma matéria publicada em março deste ano, o correspondente da revista alemã “Der Spiegel” em Islamabad, Hasnain Kazim, interpreta o culto a Hitler no Paquistão e na Índia como um sinal de que a população local o vê como aquele que desafiou britânicos e americanos.
"Suspeito que a maioria dos indianos e dos paquistaneses não tem a menor ideia do que esse homem fez”, disse Kazim, referindo-se ao extermínio de 6 milhões de judeus durante a 2.ª Guerra Mundial (1937-1945), conflito desencadeado por Hitler que deixou um saldo de 55 milhões de mortos.
“No mundo islâmico, do Paquistão e Irã ao norte da África, o sentimento antissemita obviamente tem um papel. Conversas rapidamente desembocam em comentários sobre a injustiça inflingida contra os palestinos que tiveram suas terras roubadas (quando da formação do Estado de Israel, em 1948)”, completou Kazim.
Segundo ele, porém, não são somente os muçulmanos que mantêm esse culto ao nazismo. Na Índia, um empresário hindu abriu um restaurante chamado “Cruz de Hitler”, cuja entrada é enfeitada com um retrato do líder do Terceiro Reich.
Além do apelo de seu livro, os esboços e aquarelas de Hitler, considerados pelos críticos dignos da nota “C”, atingem altos valores em leilões. Em 24 de abril, uma coleção de 13 peças foi vendida por 95 mil libras (quase US$ 145 mil) no Reino Unido.
*Com BBC
sábado, 1 de maio de 2010
Maurício Einhorn Gravando a Vida - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Alguém como tu,
Assim como tu, eu preciso encontro
Alguém sempre meu
De olhar como o teu
Que me faça sonhar...
E, na madrugada solitário, num banco da Praça Siqueira Campos, tive saudades de mim mesmo. Saudades de todas aquelas meninas, com seus olhares dissimulados, que me deixavam queimando de dúvidas. Saudades da minha intensidade, mesmo que sob incertezas, com que as amavas e ainda as amo.
Sob efeito da abertura do “show” de gravação do disco “Maurício Einhorn e Convidados”, na noite de ontem, 30 de abril de 2010, na Sala Cecília Meireles. A platéia de amigos e músicos da carreira deste extraordinário instrumentista. À exceção de Billy Blanco, apoiando seu passo trôpego numa bengala, a maioria não faz parte do écran da televisão. São músicos verdadeiros, do cerne da música, do fundo do palco, mas que constroem a maravilha de arranjos que parecem naturais quando são pura criação, aqui e, eternamente, humanas. Naquele estágio em que, efetivamente, se revela o quanto Deus é criatura deles.
Não poderia estar mais bem acompanhado. Uma turma de engenheiros, físicos e matemáticos, todos, músicos instrumentistas. Vivem de suas profissões, mas tocam em seus apartamentos, nos bares da cidade, sem o peso terrível com que os músicos têm que matar o leão da sobrevivência todos os dias. E foi, neste clima, que falávamos das agruras do músico instrumentista: Maurício Einhorn, um símbolo da cultura musical internacional, entre os melhores junto a Jean “Toots” Thielemans, por vezes não tem grana para fechar o pagamento do condomínio do prédio em que mora e o atrasa.
Quando aquele homem alto veio ao palco, com sua roupa do cotidiano das ruas do Leme, alto, dominando a cena, era de uma gentileza pura como os carbonos brilhantes de um diamante. Um carinho com os amigos e a platéia em geral só comparado ao seu gesto, quando, no meio da gravação, abre uma garrafa de litro e meio de água mineral, levanta em oferta para o seu público e bebe um gole. Um gesto de educação, tão distante, destes jovens nervosos no palco que parecem o centro do mundo.
É preciso ver. Maurício Einhorn quebrando a vulgaridade dos “shows” de absoluta coreografia, destas bandas caídas, destes artistas de palco, destas embalagens de consumo fugaz, como uma barra de chocolate. Ele tocava, como um ferreiro na oficina, olhava para um músico e outro, se afastava, simples assim, como se caminha na rua, apenas para melhor ouvir e visualizar os sons que aqueles gênios da música extraiam. Da mais pura e intensa fonte humana: Alberto Chimelli, Luiz Alves, João Cortez, Roberto Sion,Dario Galante, Augusto Mattoso e Rafael Barata. Isso acrescido de um dos melhore regionais de chorinho da atualidade aqui no Rio de Janeiro.
O disco é uma comemoração especial na vida de Maurício Einhorn. No próximo dia 20 de maio ele completa 78 anos, sendo 73 anos dedicados ao instrumento – ganhou sua primeira gaita em 1937, quando tinha 5 anos. A Sala Cecília Meireles cheia, ainda pediu um bis e ele assim se confraternizou, com todos cantando parabéns. Ele abraçado a todos os artistas. Incluindo seu diretor e produtor Danilo Bossa Nova. E aqui uma variante aos músicos de todo o nosso país, na periferia do mercado de sucessos.
Maurício Einhorn foi a Ubá, terra de Ary Barroso em Minas Gerais para um evento musical e lá encontrou, vendendo livros, o seu produtor atual. Danilo Bossa Nova tivera sucesso como cantor no inicio da Bossa Nova, recebeu o apelido de Altamiro Carrilho. Depois de ter viajado pela América do Sul, acompanhando Dilu Mello, Danilo se apresentou na TV Excelsior, TV Tupi, TV Rio, Boite Plaza, onde começou a bossa nova, na Boite Cangaceiro, cantando com Elizete Cardoso e Rildo Hora. Foi ajudado por Roberto Carlos na divulgação do seu disco nas rádios.
No final da gravação do CD, fomos para o Bar do Ernesto com a turma de músicos. Entre ouvir um conjunto que tocava na casa, dançar um pouco, beber e comer, um bom papo sobre música. Ora, vocês não precisam mais arrancar o feijão da terra. O que fazer do tempo? A resposta: o que Maurício Einhorn faz. Uma intensa procura de regiões inalcançáveis de cada um, através do instrumento musical que mais gosta, como se escala o estreito do cume do Everest.
Aliás, na altura rarefeita do Everest, se encontra metros abaixo, os pulmões de Maurício Einhorn, sobre o fechamento de um enfisema, adquirido como fumante passivo nas casas de shows em que os músicos instrumentistas, especialmente os jazzísticos, exerciam sua profissão. Aquela mistura entre o espaço fechado, o esfumaçado dos cigarros e o sopro em suas gaitas.
Na volta para deitar-me e dormir, tinha a certeza que assistira a algo muito singular. Em todos os sentidos, especialmente o programa musical, a expressão de arte, mas, também, a possibilidade de que aquilo não se repita tão facilmente. Um evento como aquele, uma gravação, um público e uma divulgação, é algo extremamente difícil e, economicamente, caro. Como o caro em economia só envolve moeda, não diz sobre arte, está aí a dificuldade, não na escassez de oportunidades.
Pensamento para o Dia 01/05/2010
SAI BABA
“Para os seres imersos no mundo, há dois obstáculos que devem ser superados: o anseio por desejos animais e os anseios da língua. Cada um de vocês deve dominá-los. Enquanto persistirem, eles podem causar dor. Essas são as causas de todos os pecados, e o pecado é o solo fértil no qual a ilusão (Maya) prospera. Aqueles que aspiram pela libertação devem subjugar os sentidos. Para conquistar esses desejos, para qualquer atividade que você realize – comer, andar, estudar, servir ou mover–, você deve executá-las na crença de que elas conduzem à presença de Deus. Toda ação deve ser feita com um espírito de dedicação ao Senhor.”
Sathya Sai Baba
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“O serviço é a flor do Amor (Prema), uma flor que preenche a mente com arrebatamento. Não causar qualquer dor é a fragrância de tal flor. Faça com que mesmo seus pequenos atos sejam inundados de compaixão e reverência. Assegure-se de que seu caráter possa, desse modo, brilhar grandemente. A maior felicidade é o contentamento. Onde não há aspereza, santidade prosperará e virtude florescerá. Onde existe ganância, ali o vício se desenvolverá com abundância.”
Sathya Sai Baba