“Ingerir alimentos é um ritual sagrado, um Yajna. Não deve ser realizado durante os momentos de ansiedade ou de transtornos emocionais. O alimento deve ser considerado remédio para a doença da fome e sustento para a vida. Trate cada dificuldade que encontrar como uma feliz oportunidade de desenvolver sua mente e de fortalecer-se espiritualmente.”
Sathya Sai Baba
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
Pensamento para o Dia 10/05/2010
domingo, 9 de maio de 2010
Duas mulheres, duas mães! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Hoje, este domingo é denominado dia das mães. Mas eu considero como dia das mães todos os dias do ano, dos séculos e séculos sem fim, amém! Porém, ao despertar, lembrei-me de duas mães especiais: a minha mãe e a mãe dos meus três filhos. Através delas, nesse dia, rendo minhas homenagens a todas as mães do mundo.
A minha mãe se estivesse viva, completaria em breve 110 anos! Isto mesmo! Ela nasceu em 1900, ainda no século XIX, numa época em que as mulheres do Crato pouco ou quase nada estudavam. Ela possuía apenas o curso primário incompleto, mas para mim, jamais vi uma pessoa tão sábia. Fui o seu décimo sexto filho, dos quais, seis já haviam morrido ainda crianças.
Fui educado por minha mãe com muito amor e pequenas doses de provérbios, preciosos conselhos, que ainda hoje norteiam minha vida. “O mato tem olho e as paredes têm ouvidos.”; “Casa teu filho, com a filha do teu vizinho”; “Ver, ouvir e calar: vida tranqüila tu terás!” Repetia isto várias vezes quando tive de ir estudar em Salvador, onde residiria com uma tia.
Jamais a minha mãe me surrou como era a pedagogia dos pais de então. Quando fazia alguma traquinagem digna de uma boa surra, ela nos dirigia um olhar diferente que penetrava em nossa alma e doía mais que mil chicotadas. Mas aquele olhar ficou guardado na minha memória para sempre...
Foi através da minha mãe que, pela primeira vez na minha vida, ouvi falar de Jesus. E enquanto eu brincava, ela se sentava por perto e contava tantas histórias sobre Ele, que quando eu fui ler os Evangelhos, já os conhecia por completo, pela voz da minha mãe.
A outra mãe a quem também dirijo esta homenagem é Magali, a mãe dos meus filhos. Minha fiel companheira há mais de trinta e sete anos, soube também distribuir amor, educar e formar nossos três filhos, que hoje são para nós dois, motivo de muito orgulho.
Meiga, suave, delicada, todos que conhecem Magali notam que ela é possuidora de uma educação que foi forjada no berço familiar e irradia isso para todos que dela se aproximam.
Estas duas mulheres são para mim modelo de mães. Ah! Como seria maravilhoso se todos os filhos honrassem suas mães em todos os dias da vida!
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Homenagem a minha mãe- por Magali de Figueiredo Esmeraldo

O dia das mães deveria ser comemorado diariamente, não com presentes materiais, mas com amor, carinho, atenção e sempre valorizando a mulher, que enxerga em cada filho um presente de Deus. Toda mãe dedica aos filhos um amor incondicional.
Nesta data está completando dois meses que a minha mãe faleceu. A saudade é grande, mas sei que ela cumpriu sua missão na vida sendo esposa e mãe exemplar.
Maria Eneida de Figueiredo, minha mãe, casou com meu pai Aníbal Viana de Figueiredo e conseguiram completar sessentas anos de vida a dois. Foi uma longa convivência, que mesmo com as dificuldades enfrentadas, procuraram viver da melhor forma possível. Este foi um casamento de muita união fundamentada no amor. Acredito que eles colocaram nos alicerces da família as palavras de Jesus: “quem ouve as minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha.” (Mt 7,24-25) O matrimônio dos meus pais foi construído sobre a rocha do amor e das bênçãos de Deus. Portanto não poderia deixar de ter sido uma união feliz.
Após a partida do meu pai, a saúde da minha mãe foi se agravando e depois de três anos e dez meses foi a vez dela ir ao encontro de Deus.
Do casamento de meus pais nasceram oito filhos. Lembro-me sempre de toda a dedicação da minha mãe cuidando dos filhos e, ensinando a todos eles o caminho do bem. Ela procurou passar para os filhos os valores morais e cristãos, através do seu testemunho de vida. Uma mulher digna, de muita fibra, que ao longo da vida nos ensinou que o mais importante do que riquezas materiais é o amor ao próximo, o respeito pelas pessoas e a honestidade. Sempre nos incentivou a estudar e a cumprir com nossas obrigações de estudante.
Eu admirava muito o otimismo e a simpatia dela, sempre com um sorriso nos lábios. Por essa qualidade, construiu muitas amizades, pois com a sua alegria e delicadeza atraía muitos amigos. Aprendi com ela que devemos ser fiéis aos amigos e à família. Com o seu exemplo, nos ensinou a respeitar o ser humano, independente da sua condição social.
Tenho muita gratidão pelo amor que ela nos dedicou e os ensinamentos deixados, todos com o objetivo de nos tornar pessoas ajustadas, condição necessária para construção de uma sociedade melhor.
Agradeço a Deus por ter tido uma mãe tão amorosa e dedicada. Pela memória dela homenageio a todas as mães.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
sábado, 8 de maio de 2010
Pensamento para o Dia 08/05/2010
“O sabor dos alimentos não pode ser apreciado se a pessoa está doente ou se a mente está imersa em outra coisa. Da mesma forma, mesmo se você estiver envolvido em práticas espirituais, você não experimentará o contentamento se seu coração estiver cheio de más qualidades. Você pode saborear a doçura havendo açúcar na língua. No entanto, se houver mesmo um traço de amargura na boca, toda sua boca terá o gosto amargo. Portanto, aqueles que aspiram alcançar a Santa Presença do Senhor devem cultivar bons hábitos, disciplina e nobres qualidades. As costumeiras formas habituais de vida não o levam a Deus automaticamente. Você deve praticar disciplina espiritual (Sadhana) para modificá-la da maneira adequada.”
Sathya Sai Baba
As bases da crise do socialismo no fim do século XX - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Após a revolução de 1848 na França, quando efetivamente a classe dos trabalhadores enfrentou as estruturas da burguesia, começa, de fato, o movimento socialista que repercute até hoje e que nasce de um documento seminal que é o Manifesto Comunista de Marx e Engels. Deste modo, o socialismo deixa de ser encarado como um ideal para o qual se podiam fazer planos de um futuro Canaã, e passa a ser produto das leis do desenvolvimento do capitalismo. Entenda-se este desenvolvimento com as mesmas bases que Darwin aplicou à evolução da espécie. Ou seja, a transformação que implica em novas formas de estrutura e função. Aliás, em discurso no enterro de Marx, proferido por Engels, ele comparou o papel científico de Marx ao que Darwin tinha feito nas ciências naturais.
Para simplificar, as bases da luta pelo socialismo estavam no desenvolvimento do próprio capitalismo. Nada mais dialético, no sentido filosófico do modo alemão de estabelecer uma análise e um pensamento complexo para o comum da época. Neste desenvolvimento implicam-se as contradições que toda estrutura produtiva tem, qual sejam, os seus limites a partir dos quais deixam de ser. Entre elas grandes questões como: a migração rural urbana gerando excedente de pessoas ao sistema produtivo; o trabalho (infantil, da mulher, jornada, acidentes e doenças etc.); a renda, a aposentadoria, a emergência tecnológica e assim por diante.
A verdade é que todos estes limites, quase quatro séculos de capitalismo, estão presentes em todo o planeta. E nisso é que surge a crise do socialismo histórico em duas fases, antes da primeira guerra mundial e depois da segunda. A primeira crise efetivamente foi o surgimento dos partidos de natureza social democrático, que bebiam nas teses do socialismo. À proporção que estes partidos foram adquirindo natureza de massa, foram tendo que negociar dentro do parlamento e tendo que incorporar os segmentos que emergiram no século XX como a classe média. Com isso se passou a um plano moderado da luta revolucionária e se adquiriu uma natureza extremamente reformista, negociada nos termos do limite do capitalismo e que, por isso mesmo, não só o preservava, como o modernizava e reduzia seus choques com os trabalhadores.
A outra foi a Revolução Russa se tornando a força hegemônica no movimento comunista internacional. Antes que você perceba, esclarecerei uma questão: o movimento comunista internacional não era de natureza idealista, era uma estrutura de análise racional das contradições do desenvolvimento capitalista. Então, a Revolução Russa ao se tornar a força dominante, praticamente subordinou o cenário da luta internacionalista aos objetivos da grande União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esta contradição foi, ideologicamente, muito bem explorada pelas forças organizadas do pensamento liberal e capitalista.
Quando a União Soviética caiu e todos os Estados que estavam sob sua esfera de influência, mais do que a derrocada do comunismo ou de sua forma autoritária e totalitária, o que se viu foi a emergência de outra fase do capitalismo. Chamado globalizado, criando um sistema de trocas amplas no mundo, envolvendo capitais e mercadorias, além de pessoas de um lado para outro. Quando, por outro lado, os comunistas acabrunhados, passando por intenso revisionismo, se abespinhavam diante da quebra da hegemonia, de modo independente surgiam novas forças contraditórias em todo mundo. Exemplos: o movimento pela preservação do meio ambiente, as lutas contra a globalização, o “terrorismo” islâmico, os embates por ocasião dos encontros do G7 e assim por diante.
A concentração da renda, a liberdade dos capitais e a hegemonia do liberalismo em bases mais sofisticadas de Estado mínimo e da quebra dos direitos sociais, atingiram o outro componente da crise do socialismo, que foi a Social Democracia. Os direitos sociais, mediados pelos Estados Nacionais por meio de suas moedas, estão sobre forte ataque da roda do fluxo financeiro desta nova fase do capitalismo.
O fim da União Soviética não significou apenas o fim do modo de produção socialista, mas o reforço da nova fase do capitalismo, que é o imperialismo. Imediatamente, surgiram pólos alternativos a esta hegemonia, tais como a União Européia e a China. Isto, em 2010, está em plena ebulição. Os EUA, maior representante da forma imperialista está em crise, bem como a União Européia; por sua vez a China se encontra numa encruzilhada, ou bem se acerta no resto do mundo ou se volta para dentro de si.
Na próxima semana, tentarei abordar a difícil questão do que acontecerá, tomando como marco o momento atual. É difícil, porque toda a análise socialista sempre teve, no fundo, a questão da crise final do capitalismo e isso não se viu na prática. A chamada crise final foi, para muitos socialistas, aquilo que os Judeus e depois os Cristãos sempre esperaram, ainda em vida, o retorno do Messias.
No coração da gente - Emerson Monteiro
Passadas se foram situações emocionais e, por vezes, permanecem no âmago do peito, bem no crivo do coração, retardatárias, incoerentes, as mesmas impressões de intenso fervor indefinido nas palavras silenciosas que gritam. Há pouco, impactos vividos no mais profundo da alma pediam gritantes explicações sem resposta, pois dependiam do outros, que duraram dias, meses, existências.
Quais zumbis de qualidade e cores estridentes, tons maiores de ansiedade e desprezo, tais formações nodulosas, invadem a serenidade apenas aparente do cotidiano, filhos diletos das paixões universais, no palco interior desse peito, se arriscam percorrer, por tempo descomunal, os intermináveis corredores dos recônditos lugares do corpo, entra na trilha dos pensamentos através de excursões permanentes de retorno intermitente.
Nisto, bestas solitários portadoras de saudades sombrias, arrastam consigo bolsas pesadas de dúvidas impermeáveis, mágoas fragorosas, culpas sepulcrais, exigências endurecidas, vastas penumbras recorrentes, e, contra a vontade, nos transportam a dimensões reservadas de cavernas escuras, quais guerreiros de dramas ancestrais, postigos de chapéus empoeirados nas jornadas sórdidas da experiência, largados ao abandono diante do monturo supérfluo de horas mortas.
Restos das refeições felizes ali se mexem encarquilhadas, larvas da série da gente nos instantes saboreados quase sempre ao lado de criaturas humanas bonitas, charmosas, fragmentos fantasmas de espelhos desbotados que amareleceram, pétalas secas de livros atirados nas gavetas esquecidas; eles a nos esfregar a cara de palpites pegajosos, reclamos de outras margens impossíveis, erros aflitivos de lances duvidosos, digamos em resumo.
Nalguns momentos, funcionam, sem quaisquer cerimônias, de inimigos da paz interna das tréguas, a chutar contra o patrimônio pessoal. Noutros, agem parecido com micro e dolorosos incidentes suspensos no horizonte do tórax; convergem nuvens de chumbo que teimam em não chover jamais; máscaras de azia, bolos estomacais, cólicas, coceiras...
Só raramente advérbio de modo providencial, menos denso, chega-nos desconfiado em socorro, trazendo notícias de jardins ensolarados, alentos ainda tardios, nervosos, a nutrir de reparo às frustrações lancinantes, marcas vermelhas na vastidão das ilhas abandonadas, testemunhos inconvenientes de perdidos sonhos, amores equivocados, inúteis paisagens das insônias, constelações do universo distante, nos mundos inconscientes; esperanças, talvez, de acasos fortuitos, portais reencarnatórios das soluções futuras, tropel harmonioso dos degraus da verdade eterna.
São os vultos sorrateiros de si próprio, matéria vigorosa da individualidade prepotente, sentimentos, digamos assim, elaborados na ausência da ternura, na busca de termos melhor categorizados.
Bom, nisso de identificar os tais estilhaços flutuantes da corrente sanguínea do ser abstrato e sua dor de existir, império talentoso dos casos clínicos particulares das criaturas atuais, invade-se o tempo da eternidade, nos seis pontos cardeais do intrépido infinito; se chora sozinho, se chora pelos cantos; elaboram-se cantilenas melodiosas, versos quadrados, modernos, perpassados de litanias fragorosas, vendavais insubmissos de súplica que varrem impiedosos as superfícies emolduradas nos eufemismos culturais de letras maiúsculas, decentes, dos valores imortais. Elaborações filosóficas exemplares trabalham as lufadas de tempestade, transformando-as em brisas suaves de manhãs inesquecíveis, conceito civilizado da persistência, feras descomunais extintas se nos mudam mais mansos animais de estimação; quadros fortes de museus; livros encadernados e suas lombadas brilhantes, dose certa depositada nas prateleiras das academias públicas, pedaços conservados nos sarcófagos das gerações futuras; fogueiras apagadas viram rescaldos mornos, a encher de lágrimas doces olhos ardentes...
E cada um rompe o hímen da cena seguinte, com as faces das corujas atormentadas, porém calmas no esquecimento de quem vive com pressão cardíaca nas raias da normalidade, medidas ideais do expediente, destemor na ponta da língua afiada, épicos do espetáculo revivido, máquinas da permanência, seres eficientes do inesgotável destino, altivos palatinos da utopia, páginas de velhos almanaques, último lançamento de grife, etc. Sentimento, generosidade, coração. Expressão, animação, vida. A alma perpétua deste mundo. Veemência de sentimento; entusiasmo, arrebatamento. Pessoa, indivíduo... Arre, quanta letra em espaço tão pequeno só para dizer que dói viver, e angustia sentir paixão não correspondida...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Socialismo: uma questão de fé? - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Um fato central é que ao se discutir o socialismo, necessariamente se debate a superação do capitalismo que historicamente o precede. Por uma questão filosófica, na raiz do pensamento socialista histórico, a sua emergência se daria pelas contradições entre os detentores de capital (capitalista, ou classe burguesa) e os trabalhadores explorados pelo capital (operários) e que resultaria noutra forma de organização da produção, distribuição e consumo de bens.
A análise histórica, também, tem demonstrado que tanto a formulação dos objetivos políticos dos partidos socialistas, quanto a realidade transformadora, tem se acelerado com base nas crises do próprio capitalismo. Estas crises cíclicas do capitalismo geraram conflitos armados de intensidade, revoluções políticas e, também, a emergência de certo radicalismo assentado na estrutura do Estado Capitalista, que são os regimes fascistas no século XX. Observação: não inclui no mesmo bolo os regimes soviéticos e chineses, pois de algum modo não eram capitalistas no sentido liberal de sua raiz.
Portanto, não se falou, até aqui, em atos de fé, em catecismos ou em um idealismo meramente espiritual. Tudo se encontra na base da vida material das pessoas, na economia como se reconhece desde o século XIX. E por isso que as crises do capitalismo se mostram tão agudas como momentos transformadores.
Agora mesmo, no caso dos EUA, da Grécia, o comportamento errático das bolsas; a Letônia, a Romênia e outros que começarão a ser notícia nas próximas semanas; em tudo campeia a contradição. Revoltas nas ruas de Atenas. Nos EUA pelo menos dois atentados, aquele do avião e este em Time Square não se originam no surrado terrorismo islâmico, mas na frustração do homem médio americano com a crise. Mesmo este caso do Paquistanês, não passa de um americano frustrado. Além do mais a ultra direita americana tem se tomado de um protagonismo que deixa de joelhos o velho modelo da democracia liberal.
O mais crítico é que a contradição é entre o capitalismo financeiro e a social democracia que pretendia reformar o capitalismo antes que este evoluísse para a forma socialista. Esta contradição, no que se costuma identificar como Neoliberalismo, significou um retrocesso histórico fundamental, o capitalismo é incompatível com os chamados direitos sociais (incluindo previdência, serviços públicos, trabalhistas etc.).
As lições políticas, os objetivos e as ações adquirem feições ao longo da agudeza contraditória. Por exemplo, nas ruas da Grécia a queima de bancos com a morte de três pessoas. A frustração popular com o próprio parlamento, que aprovou, por maioria, o sacrifício popular, enquanto gritavam nas ruas. Do mesmo modo que se viram a queda dos regimes comunistas no leste europeu, o movimento popular é capaz de subverter a ordem como se encontra estabelecida.
Isso irá piorar pela inflexibilidade do sistema financeiro, todo ele corroído por falsidades, com uma necessidade insuperável de mais juros e lucros. Além do mais a interligação entre os bancos, arrastando para a cena política os próprios Estados Nacionais que, ou bem atendem aos bancos ou ao povo nas ruas. Além do mais nesta altura o valor dos negócios, efetuados em bolsa de valores, estão absolutamente sem parâmetros. A verdade é que um simples “erro de digitação” pode levar a bolsa de N. York a um novo crash. Ontem os prejuízos de certos investidores foram imensos e a credibilidade desta bolsa está comprometida.
Para sintetizar este clima, vou apresentar um trecho de entrevista do Rapper, Mano Browm ao responder sobre o que achava de um dos candidatos (as) à presidência da república, o qual omito o nome para não reduzir a argumentação a esta disputa eleitoral em curso:
“O(a) fulano(a) ? O(a) fulano(a) é um(a) cara neutro(a), é um(a) cara neutro(a). Se ela(e) tiver uma criança pobre magra e uma criança rica gordinha e ela(e) tiver um sanduíche, ela(e) joga para o alto e faz aleluia. Ele(a) não dar para o pobre. Esse é o tipo de justiça que ele(a) faz. Esse é a(o) Fulana(o), malandro. Não espere dele(a) um sentimento que um negro teria, um cara operário. Ela(e) é um(a) cara de classe média da ...., filho de ...., que trabalhou, lutou muito também, que dar muito valor pru dinheiro, pru status que ela(e) alcançou, e pela luta da família pobre .... dele.”
Pensamento para o Dia 07/05/2010
“Quando alguém está envolvido no mundo, apenas pensamentos mundanos surgem durante seus últimos momentos. Para aqueles que anseiam sinceramente pelo Senhor, o Senhor se apresentará. Pode-se amar seus amigos e parentes, respeitá-los e mantê-los de bom humor enquanto se move pelo mundo. Mas, enquanto estiver no mundo, é preciso oferecer amor e fidelidade abundantes por toda vida somente ao Senhor, ninguém mais.”
Sathya Sai Baba
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Pensamento para o Dia 06/05/2010
“Mais perfumado que as flores com doce aroma, como o jasmim e o lírio, mais suave que a manteiga, mais bonito que o olho do pavão, mais agradável que o luar, é o amor de uma mãe. A vida humana é uma viagem do ‘eu’ para o ‘Nós’. Nessa pequena viagem, você deve desligar-se do corpo e desenvolver apego ao ‘Eu Superior’. Para isso, a graça da mãe é muito essencial.”
Sathya Sai Baba
Penas ao vento – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Um mestre, que era muito sábio, possuía muitos discípulos. Certo dia, encontrou um dos seus discípulos numa animada roda de conversa com os amigos. Aproximou-se dele sem se fazer notar e sem querer, escutou que ele falava mal de um dos seus amigos, fazendo injúrias e o desqualificando com atributos dos quais aquele amigo não era possuidor. O mestre se aproximou do discípulo e lhe disse que estava na hora de receber a lição daquele dia.
Os dois andaram durante algum tempo em silêncio até chegarem defronte a uma torre muito alta. O mestre convidou o discípulo para juntos subirem até o mais alto daquela torre. Quando chegaram ao topo, havia alguns sacos desses que se colocam feijão para o transporte. Então o mestre ordenou ao discípulo que pegasse um daqueles sacos e jogasse todo seu conteúdo pela janela da torre ao chão. Este obedeceu, levantou o saco com as duas mãos, estranhando que seu peso fosse incrivelmente tão leve. Abriu o saco e viu que estava cheio de penas. Obedeceu à ordem do mestre e atirou fora todo o seu conteúdo. Ficou alguns minutos observando as penas voarem para longe, espalhando-se por toda a parte, ao sabor dos ventos. Depois que as penas voaram para os mais distantes lugares, sujando várias ruas e praças, o mestre ordenou: “Agora, meu filho, você vai descer e recolher todas aquelas penas e recolocá-las nesse saco.” “Mas mestre é impossível fazer isso! Não posso recolher todas aquelas penas, pois muitas voaram para longe.” E o mestre lhe disse: “Assim são as injúrias e calúnias que se faz contra um ser humano. Jamais poderão ser reparadas.”
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O Manto da Ordem Santa Cruz - Penitentes - Igreja Rural Laica
Luiz Domingos de Luna *
É incrível ver a história humana solver no espaço tempo como uma estrela a emitir a sua luz na infinitude do cosmo, porém, se ela existe ou não é uma abstração e objeto de estudo dos cientistas astrônomos, pois é interesse da ciência.
Quando o assunto é norteado para a atuação da Ordem Santo Cruz – Penitentes – Santa Igreja de Roma, tudo vira um imbróglio generalizado, os escritores e abnegados do assunto via de regra, usam uma linguagem laica para explicar o sagrado, e o sagrado na sua constância atemporal, com justa razão, guarda no cofre do mundo espiritual os mistérios de fé, na constância da linha inalterada da alma humana em projeção de fé em expansão.
A matéria a vagar, um fragmento ao martírio, como semente de fé para os que professam um ponto de referência, uma luz, um ponto de segurança neste espaço tempo dissolvido em momentos, dúvidas para uns, mistérios para outros, certeza, incertezas um manto a cobrir todo o aparato existencial como um carrossel giratório sem um eixo lógico, parece que a tônica do tema, o alimento do debate é sempre a dúvida, a certeza parecer ser o que menos importa, até parece que o grande objetivo é a criação de versões.
Não há seriedade no aprofundamento dos assuntos pertinentes ao estudo da Ordem Santa Cruz por quê? Ora, o estado brasileiro é laico, porém nada impede um estudo feito ou direcionado para um setor religioso, com a finalidade do engrandecimento da epistemologia genética da humanidade para o bem
Qualquer cova perdida no matagal da ignorância laica é motivo para parar o processo, ou mesmo, o estudo a que se pretende, por quê. Existe uma dívida, um débito material, um débito espiritual uma guerra entre o mundo material e o mundo espiritual.
Dá para conciliar um estudo sério com um ponto de partida entre estes dois mundos, ou a natureza humana precisa desta cisão para existir.
Até quando temos que conviver com este manto.
É um manto Laico
-Não sei
É um manto Religioso
-Não sei
Se soubesse diria?
-Com certeza não
Mas é assim que a coisa funciona
(*) Professor –Aurora- Ceará
Flamengo e Coríntians - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Os cartões amarelos foram mais do poder de disciplina do juiz do que deslealdade dos jogadores de ambos os campos. Nem provocação entre jogadores, que não apenas aquelas do entrechoque, e o jogo não era qualquer um. Tratava-se dos times das principais torcidas nacionais, uma no Rio e resto do Brasil e a outra em São Paulo.
O Coríntians vinha no embalo, crescendo no campeonato, mereceu a classificação para esta fase. O Flamengo era como certo Exército Brancaleone, atrapalhado, como que avançando na probabilidade e acertando na sorte. A torcida acreditava, é da natureza de toda torcida, acreditar para soltar o grito com mais força ainda, contra os ouvidos de quem duvidava.
E veio o jogo do Maracanã. Apenas um bobalhão como eu, que não vinha de partida em partida, somente tomava pulso pelas manchetes, nem lia a matéria, disse: o Flamengo tira o Coríntians. Sem base qualquer, referência alguma, apenas um sentimento do passado e o Flamengo do tamanho do Maracanã. Opa! Esta figura é banal?! Tamanho do Maracanã, mas não falei das dimensões físicas do estádio. Quis dizer do tamanho de espírito de jogo e do volume de credo na camisa do Flamengo.
E ontem o Coríntians precisava de dois gols e o fez com a maior categoria, abafando a perplexidade do time do flamengo, terminando o primeiro tempo com agenda marcada para a fase seguinte. A torcida do Coríntians era de uma beleza que só existe no futebol e no Brasil. Importam as besteiras policiais do pós jogo, mas falo daquele momento. Dos rostos em felicidade e este substantivo é tão importante que se inscreveu até mesmo na enxuta Constituição dos EUA. A felicidade pode se inscrever entre os direitos fundamentais da humanidade.
O segundo tempo começou com o treinador do flamengo dizendo que o time voltaria completamente diferente. Confesso que desdenhei a esperança do técnico. Mas não tive oportunidade de conjugar os tempos do verbo desdenhar, o Flamengo era outro em campo e nem passei da primeira pessoa, quando o Coríntians levava um gol. E tudo em campo mudou e o Coríntians, embora ganhando no jogo, perdia no campeonato.
E eis que o efeito causado pela psicologia coletiva, pelo histórico dos embates entre ambos, pelo peso da camisa frente à esperança frustrada da torcida, dar aos eventos de bola toda uma “sorte” cujo dado parece viciado. Uma jogada certa, precisa, se frustra por centímetros. Um ataque perfeito esbarra no bate e rebate, meio atordoado, do adversário e, resulta em nada. Ao contrário, o adversário mesmo quando erra, tem por efeito perigo às traves que não podem levar gol naquele momento.
E foi assim que minha alegria de torcedor foi se amargurando com os olhares sofridos dos Corintianos. Com suas unhas moídas na ponta dos seus dentes, ora de um dedo da mão direita e em seguida, para outra mão e nem tinha acabado os restos das unhas anteriores. A moça chorando no abraço ao namorado. Aquele rosto por trás da tela do campo, um pouco na sombra, profundo como as crateras da lua.
Se tivesse o dom de sustar a dor dos Corintianos, não o trocaria certamente pela alegria de torcedor do Flamengo, mas o faria com a compreensão de quem é o Coríntians. Não o seu passado de glória, mas a sua presença, da glória deste povo sofrido da periferia desta descomunal cidade. Deste povo que é feliz e por assim o ser, diz de uma humanidade mais plena e menos artificial.
Mas, confesso, no Rio sou Flamengo, em São Paulo Coríntians e no Ceará, sou Ceará. E do mesmo modo tenho a compreensão pelos outros que não são perfeitos.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Ecos da Crise do Capitalismo - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Engano total.
Exatamente por ser essencial. A cultura é quem faz funcionar o cotidiano das pessoas. É quem revela o tipo de mundo que desejam e quem expõe os elementos que dão sentido à complexidade da vida nos centros urbanos e à rede de cidades que se entendem. A cultura é o frontispício do arcabouço social, onde estão seus acordos econômicos e políticos.
Quando Decretos Presidenciais, alegando contenção de gastos com a crise econômica, reduzem os gastos da cultura, apenas começa a meter a faca profundamente nas entre costelas do povo. Agora virá o desemprego, o corte de direitos, o desespero e a miséria.
Silvio Berlusconi, da Itália, assinou decreto reduzindo, drasticamente, o orçamento dos entes líricos do país. O Le Scalla irá reduzir pessoal e os que ficarem terão perda de 20% nos ganhos. Todos os teatros italianos estão em greve, desde a assinatura do decreto. Um dos mais importantes conservatórios do mundo, a Academia di Santa Cecilia, parou.
O grande Maestro Zubin Mehta regeu em praça pública o Coro e Orquestra do Teatro Comunale di Firenze. A canção escolhida foi a ária “Va pensiero” da ópera Nabuco de Verdi. Com escolha sugestiva, esta canção tem um significado patriótico para a Unidade Italiana. Quando de sua apresentação para o Imperador Francisco José (o marido de Sissi) houve uma grande manifestação de patriotismo da platéia presente, constrangendo o Imperador que dominava o norte da Itália.
Do ponto de vista econômico, por outro lado, o ataque à cultura italiana, só aprofunda a crise. O país tem no turismo uma das suas principais receitas. Sem os seus teatros líricos ficará mais vazia, com menos compras no seu comércio e mais desemprego.
A Igreja Católica engendrou um discurso perigoso para ela ao tratar da Pedofilia. Se a Igreja é necessária para “salvar” as pessoas, lhes abrir as portas da bem aventurança, que discurso é esse afinal que apenas justifica os pedófilos intra-muros, acusando aqueles extra-muros?
Se a pedofilia não é moralmente condenável, o que resta a Igreja do ponto de vista da sua essência como instituição? Eu me explico melhor. Ninguém exige moralidade de uma pedra, ela é inerte ao assunto. Quando o Arcebispo de Porto Alegre, Dadeus Grings diz que a sociedade é pedófila, deu a ela a mesma natureza inerte da pedra em face do assunto. Especialmente quando esta sociedade é de um país cuja maioria é católica.
Ao assumir esta falibilidade da igreja, por extensão, embora não tenha dito, assume a do próprio Papa. Ou a Pedofilia é moralmente ruim e não tem que fazer campeonato entre sacerdotes, médicos, educadores e empresários para saber-se quem o é mais ou se toca o dedo na ferida. Então se a pedofilia é ruim para a vida em sociedade, este é um assunto moral e que certamente poderá ser tratado pelas pessoas e pelas instituições como forma de transformação e conquista.
Barbalha: Jatobá será pau da bandeira do padroeiro Santo Antônio - Postado por Océlio Teixeira
terça-feira, 4 de maio de 2010
O Chip do Planeta Terra
Outro dia, fui convidado para participar de uma conferência no meu planeta natal - Aquarius, como de costume, juntamente com os colegas de sempre, pegamos a nave e embarcamos, depois de uma viagem cansativa, chegamos.O Tema da conferência foi logo exposto, de modo, a iniciar a reunião. Escutamos:
O Planeta Terra não precisa de vida para existir, porém insiste em manter ao longo de sua história este sopro vital – Por quê? Um Aquariano bem a frente levantou o braço e disse em voz alta – Simples, a vida na terra dá lucro.
O Conferencista coçou a cabeça e perguntou dá lucro! - Como assim? - O Planeta oferece condições para o surgimento da vida, alimenta bem e, depois ingere toda massa ex-viva, num processo continuo, pois lá, o tempo real existe num ciclo constante.
Um Aquariano, bem ao meu lado, indignado proclamou – Protesto, pois se a terra se alimentasse de toda massa viva que ela mesma produz o planeta seria o maior do universo, e pelo que consta nos autos, é apenas o terceiro na via - láctea, e de pequena significação com relação a sua massa de coesão atômica.
O Plenário choveu de palmas, porém o conferencista detonou – Protesto negado! O colega parte de uma premissa verdadeira para chegar uma conclusão falsa. Como assim?Perguntou o assistente. Se realmente a colega { terra} consumisse, tão somente, a massa viva, com certeza seria a maior do cosmo, porém, está em nossos registros que não é bem assim, pois a massa produzida pela ingestão da conteúdo morto é automaticamente transformada em energia e vendida a outro parceiro, ou seja,100% da energia é vendida, do contrario, o planeta estaria inchado e na realidade ele está é diminuído sua unidade de massa.
E este lucro obtido com a venda de energia é investido em que?
Na compra de enzimas cósmicas para o preparo das lavas vulcânicas e do gás galáctico para a dissolução dos deslocamentos das placas tectônicas.
- Fábrica de futuras vidas de formas diferenciadas
Este investimento serve para nós ?
-Não,
Por quê?
- Um capital muito alto investido em algo de grande risco
Tem certeza?
Não
-Dúvida
Todas
-Mas é assim que a coisa funciona.
( * )Professor – Aurora – Ceará.
As tias high-tech emburrecendo com a televisão - por José do Vale Pinheiro Feitosa
- Eita, que sujeito mais fraco, até a televisão é capaz de deixá-lo fraco das idéias! – Abriu o verbo minha tia Maria, mas Rosa, após ajustar os óculos e correr os olhos no corpo da matéria, logo questionou:
- Menina, num é o sujeito que é fraco. A televisão é que um veneno para a inteligência. Raimunda que aproveitava o diálogo das irmãs para avançar na leitura deu veredicto:
- É pesquisa, viu. Tudo foi pesquisa. Tá provado, comprovado e aprovado: “Assistir à televisão emburrece as crianças”. Eu bem digo que é melhor contar estrelas do que ficar vendo novela. Vocês não despregam os olhos da televisão na hora da novela. Quando é noticiário, todo mundo quer, até futebol já estão assistindo e agora deram para se viciar em filme. Vão ficar igualzinho a estas crianças do Canadá: piores em matemática, comendo junk food (pronunciada como junque fó odi) e sofrendo mais bullying (pronúncia do perfeito inglês dos sertões, não sem gaguejar na leitura: bu li li ingue). Raimunda terminou sua linha argumentativa e Rosa rebateu:
- Ora! Se eu ficar burra nas aritméticas eu tenho os dedos prá contar e estas comidas e sofrimento eu nem sei o que é. Tu sabes me esclarecer? Raimunda, embora tivesse ousado pronunciar as palavras estrangeiras, não tinha a menor idéia do que se tratava. Então, abriu os olhos e fez um belo discurso nacionalista como fuga do núcleo explicativo:
- É um absurdo. Falta de Governo. De vergonha na cara. A culpa, também, é deste povo besta que nem sabe defender o próprio valor. Nossa língua é mais completa e inteligente do que o tal do Inglês, mas estes abestados não sabem dizer nada que não seja falando estas palavras de abestado. Onde já se viu menina! Ninguém sabe nem explicar o que escreve. É tudo macaco de imitação, papagaio da língua solta, espelho que não tem ciência da imagem que reflete. – Raimunda salvou de explicar o que era Junk Food e Bullying a Rosa, pois Maria adiantou a conversa com outro trecho da matéria:
- Olhem aí! Viram! – as outras irmãs, ajustando mais ainda os óculos, aproximaram o rosto do monitor, enquanto Maria traduzia – Os americanos, franceses e australianos já nem querem que as crianças menores assistam à televisão. Até para crianças maiores querem limitar o tempo. Mas Rosa, na eterna dúvida, demonstrando que não ver televisão tanto assim:
- Mas e o que causa o problema? É a luz do aparelho da televisão, as imagens ou as besteiras dos programas que botam as crianças para assistir? Raimunda e Maria trocaram breve olhar e continuaram a leitura para ver se havia uma explicação para a dúvida da irmã, até que Maria falou:
- É a perda de tempo e aquisição de hábitos ruins. Se perde tempo, é porque fora da televisão teriam mais proveito. Se pegam coisa ruim, é porque os programas são ruins mesmo. Mas aí Raimunda rebate:
- Mas a burrice fica para toda a vida! – Rosa foi ao final e concluiu:
- O problema é dos programas e do aparelho da televisão com esta correria das imagens de um lado para outro, com som nas alturas, cores fortes e muito piscar de luz. Pronto, era o que Raimunda queria como lição do dia:
- Viram como é melhor a gente ficar juntas na internet. Nós temos tempo de discutir, conversar e não ficar de olho aboticado nesta tela.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Os sinais políticos da crise do Neoliberalismo - por José do Vale Pinheiro Feitosa
As lutas do século XX, entre guerras formais, rebeliões, razias de fome, migrações e fugas, além de tantos efeitos conhecidos, resultaram em efeitos políticos como o Fascismo, ou seja, a emergência de uma extrema direita. O que não se tinha em conta é o que a atual crise promoveria.
No primeiro momento tentaram salvar as instituições do capitalismo financeiro, à custa dos recursos e em detrimento do programas sociais. Desde a emergência do Neoliberalismo que os campos em luta estavam definidos: não é possível o crescimento do lucro com a aplicação das riquezas no bem estar social. Bem estar social traduzido como previdência e assistência social, direitos sociais, emprego, renda, habitação, transporte, segurança, saúde e educação.
Finalmente o próprio Neoliberalismo assumiu as teses de Karl Marx, este “bem estar” é incompatível com o capitalismo. E como um partido em perfeito domínio do campo de ação, partiram para a prática global, especulando com as moedas nacionais, emprestando capitais a juros estratosféricos, levando os países à bancarrota e, por último, aplicando “remédios” que salvam o resgate dos seus capitais e destroem os regimes em que existiam algum bem estar social.
Esta é a essência do que está acontecendo na Grécia. Por isso a revolta popular e muito mais acontecerá. Todo europeu bem informado já se deu conta que o Euro está sob as mesmas contradições das grandes moedas do capitalismo ocidental – dólar e libra. A moeda não é mero papel, ela representa os compromissos históricos de suas sociedades. Por isso esta grande briga sobre a liberação ou não dos recursos para a Grécia.
A Chanceler Alemã quer apertar a garganta dos gregos, que já estão na rua da amargura. Qual a motivação maior de Angela Merkel? Se os gregos não pagarem as prestações que devem aos bancos na metade do mês de maio, os bancos Alemães e Franceses, grandes especuladores em Hedge com a moeda Grega, entram em crise. Então que paguem o que deve com o sangue do povo grego.
Mas por outro lado o povo grego e, de resto, todo o povo europeu sabe o quanto foi dos recursos públicos para salvar ditos bancos. Mesmo assim, o lucro deles não cessou, pois, como piranhas num rio amazônico, partiram para especular com o próprio euro e com as reservas de moedas em cada país. Resultado, agora se exige sacrifício com o povo e não se regulam os bancos?
Esta é a grande discussão na Europa, esfolam o povo e não regulam os bancos. Até por que nesta altura o problema atinge o coração das instituições políticas da Europa. Por isso é que a Chanceler acrescentou ao seu pedido de sacrifícios sobre os gregos, a idéia de regulação do sistema financeiro.
Enfim, o Neoliberalismo não iria morrer naturalmente. Ele lutará e com vigor. Tentará navegar nas águas turvas da crise econômica e social. Crises, que já sabemos, ao atingir as pessoas e suas famílias, criam o ambiente a todo tido de experiência, muitas delas irracionais e, que embute muita violência. Por isso, Noam Chomsky já alerta para a emergência de uma ultra direita no EUA.
Leiam o que diz o pensador segundo o Diário La Jornada: “Nunca vi algo parecido em minha vida”, declarou Noam Chomsky. Entrevistado por Chris Hedges para o site de Internet Truthdig, acrescentou que “o humor do país é assustador. O nível da ira, frustração e ódio a instituições não está organizado de maneira construtiva. Está desviado para fantasias autodestrutivas” em referências a manifestações populistas da ultra direita.
Um ódio ao governo, aos políticos e às instituições, que abre espaço para todo tipo de aventureiro. O mesmo elemento de racismo vigente nos anos 30, então contra os judeus e, agora, contra Latinos e Negros. Mais uma vez as bandeiras desfraldadas da supremacia branca justificam todo tido de perseguição e constrangimento possíveis. Agora mesmo, a governadora do Colorado, aprovou uma lei de cunho fascista que permite deter qualquer pessoa sem os papéis e que tenham semelhança com migrantes ilegais.
“É muito similar à Alemanha de Weimar. Os paralelos são notáveis. Também havia uma desilusão com o sistema parlamentarista”, apontou Chomky na entrevista. “Os Estados Unidos têm muita sorte que não tenha surgido uma figura honesta e carismática” já que se isso acontecesse “este país estaria em verdadeiros apuros pela frustração, a desilusão e a ira justificada e a ausência de uma resposta coerente”.
Seguremos a onda que a crise continua em curso. O mesmo curso que já vinha das teses do Neoliberalismo, a de que deixe o espírito selvagem do capitalismo funcionar que tudo o mais se resolverá. Ou seja, a função de capitalização e acúmulo.
Pensamento para o Dia 03/05/2010
Sathya Sai Baba
“Um agricultor limpa e nivela o terreno, remove as pedras e os espinhos, ara e prepara o terreno, aduba e nutre o solo, irriga-o e fertiliza-o. Então, ele espalha as sementes e transfere as mudas. Isso é seguido pelo processo de capinar e pulverizar pesticidas. Finalmente, depois de uma longa espera, ele faz a colheita. Uma vez que a safra é colhida, ele então a limpa, debulha e, finalmente, empilha o produto. Todos esses processos são feitos com o intuito de alimentar o estômago. Do mesmo modo, é preciso sentir que fome, sede, alegria e tristeza, dor e perda, sofrimento e raiva, alimento e apetite são somente impulsos que nos impelem à realização da Presença do Senhor. Se você tem essa atitude, nenhum pecado jamais manchará suas ações. Com o tempo, esses impulsos também fenecerão, não deixando sequer vestígios.”
Sathya Sai Baba
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“O conhecimento verdadeiro (Vidya) lhe instrui a reformar-se em primeiro lugar. Depois de transformar a si mesmo, tente reformar outros. Esse é o conselho oferecido por Vidya. O apego ilusório ao mundo objetivo pode ser extirpado por meio de serviço altruísta, realizado como adoração ao Senhor. Devoção genuína é caracterizada pelo amor por todos, a todo momento, em todo lugar.”
Sathya Sai Baba