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quinta-feira, 3 de junho de 2010
Visitando Karimai
Um gesto de humildade – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Há alguns anos, eu estava assistindo a celebração do Lava-pés, na Quinta-feira Santa, na paróquia que participo em Fortaleza. É muito significativa para a Igreja Católica essa celebração da Ceia do Senhor.A missa do Lava-pés relembra o gesto de Jesus Cristo, que lavou os pés dos discípulos em sinal de humildade, solidariedade e igualdade entre os homens. A cerimônia lembra também, quando Jesus instituiu a Eucaristia, ao partir o pão e distribuir com os seus discípulos.
Eu estava sentada num local privilegiado, bem em frente ao altar, pois tinha sido escalada para fazer uma leitura. Dali poderia ver bem de perto a cerimônia do Lava-pés. Já tinha doze homens escolhidos com antecedência para representar os apóstolos. Anualmente são escolhidos homens conhecidos e que participam dos trabalhos da comunidade paroquial, geralmente representantes das diversas pastorais. Estavam sentados na lateral do altar, seis de cada lado. Todos vestidos com uma túnica apropriada, os pés limpos, pois o padre iria passar lavando, enxugando e beijando os pés de cada um. Quando o padre iniciou a cerimônia do Lava-pés, um mendigo entrou pela nave principal da igreja, sujo, mal vestido, com um saco preso às costas. Ele ficou em pé de frente para o altar, interessado em ver o que o padre estava fazendo. Parecia ser o mais excluído dos excluídos, tão pobre e miserável era a sua aparência. Como os lugares estivessem todos ocupados, o padre fez um sinal para que ele sentasse no batente do altar. O homem ficou atento. Pensei que o padre iria mandá-lo sair. Esse padre havia chegado à Paróquia há poucos dias e, as pessoas estavam falando que ele era antipático, pois não cumprimentava ninguém e tinha a cara muito fechada. Esse tipo de falatório ocorre sempre quando existe uma mudança de comando na direção de uma paróquia ou de qualquer organização.
Tão logo o padre terminou de lavar os pés dos homens que representavam os apóstolos, desceu o batente com a jarra de água e lavou os pés imundos daquele excluído, enxugou-os e beijou-os. O pobre homem ficou tão surpreso com esse gesto de demonstração de amor, que quis beijar o sapato do padre. Mas este não deixou.
Senti naquele momento a presença Deus, mandando um sinal para a comunidade aceitar o padre e entender que as pessoas podem ter defeitos e qualidades. Também percebi que Deus queria mandar um recado para todos nós: exercitar o amor pelos excluídos da vida. Que fazendo a nossa parte, ajudaremos a construir um mundo melhor, com mais paz e justiça para todos. Tudo isso me tocou profundamente e passei o resto da missa tentando enxugar as lágrimas que teimavam em rolar pela minha face. Para mim, foi emocionante ver o padre imitando o gesto de humildade de Cristo. Esse fato serviu de exemplo para mim e penso que para todos que estavam próximo daquele local.
Depois daquela ocorrência, muita gente que presenciou esse momento marcante passou a admirar e aceitar o padre, que com aquela atitude nos deu uma lição de como devemos exercitar a nossa humildade.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Professor Francisco Cunha é empossado no Conselho Estadual de Educação
quarta-feira, 2 de junho de 2010
A peleja de Pedro Honório com Benardo Melgaço - Por Zé Nilton
COMPOSITORES DO BRASIL

“Vem que passa teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver” (Chico Buarque, Tem mais Samba, 1964).
CHICO BUARQUE
Parte I
Por Zé Nilton
Guardadas as devidas proporções musicais, mas não sentimentais, talvez o meu espanto ao ouvir o Chico pela primeira vez, quando eu subia a rua Mons. Assis Feitosa rumo à Praça Siqueira campos, numa tarde qualquer do ano de 1966, assemelhe-se ao que foi acometido por Caetano, Gil, Chico, Nelson Motta e outros, quando ouviram o inusitado João Gilberto tirando a clássica “Chega de Saudade”, de Tom e Vinícius, com a desconcertante batida de seu violão, em 1959.
O veículo do meu deleite foi o mesmo de alguns dos citados: a amplificadora. No centro da Praça, e espalhada pelos bairros de então, a famosa Amplificadora Cratense sonorizava a música de um tempo que ficou marcado no imaginário de toda uma geração, e contribui para forjar a identidade de nosso povo.
Chico é considerado um divisor de águas entre a bossa nova e a nova música popular brasileira em que o talento dele e de muitos imprimiram uma diversificação rítmica, principalmente na música urbana. O próprio Chico produziu samba, fox - trote, marchinha, bolero, valsa, rock, baião, blues, e vai por aí...
A história da produção artística do compositor, cantor, escritor, teatrólogo e amante do futebol, esse carioca nascido em 04 de junho de 1944, está escrita, reescrita em livros, jornais, teses acadêmicas, e no seu site www.chicobuarque.com.br.
Portanto, não temos nada de novo a dizer, a não ser que sempre percebemos algo de novo toda vez que o escutamos, com frequencia.
Queremos tão-somente homenageá-lo no mês de seu aniversário, e o faremos editando e apresentando uma sequencia de três programas no Compositores do Brasil.
Seguiremos a linha do tempo para que o ouvinte possa acompanhar a evolução musical desse gênio de nossa música, ao tempo em que vamos contextualizando a sua obra no interior dos principais acontecimentos históricos do Brasil recente.
Como suporte, lançamos mão da bela escrita de Wagner Homem no seu livro: Histórias de canções, Chico Buarque, São Paulo, Editora Leya, 2009.
Na sequencia algumas músicas de 1964 a 1966.
TEM MAIS SAMBA (“considerado pelo Chico como marco zero de sua carreira profissional”)
JUCA
LUA CHEIA, de Chico e Toquinho
SONHO DE UM CARNAVAL
PEDRO PEDREIRO
OLÊ, OLÀ
MEU REFRÃO
NOITE DOS MASCARADOS
COM AÇUCAR E COM AFETO
MORENA DOS OLHOS D´ÁGUA
A BANDA
QUEM TI VIU, QUEM TE VÊ
Quem ouvir verá!
Informações:
Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz.
Apoio: CCBN.
Retransmitido pela www.cratinho.blogspot.com
Grata recordação
No inicio dos anos 30, meu pai iniciou o plantio da cana-de-açúcar no sítio São José. Considero-me uma pessoa privilegiada, pois tive a sorte de conviver no meio da bagaceira, já que meu pai possuía dois engenhos, um em Crato e outro no município de Barro – CE.
Deixou-me como legado um patrimônio auspicioso que foi a educação. Esse engenho teve início em 1930; a principio, de forma rudimentar, movido a tração de bois. No meio da década de 30, mudou para engenho a vapor que perdurou até a vinda da energia elétrica de Paulo Afonso, no ano de 1970, quando desapareceu o predomínio da rapadura, visto que foi substituído pelos alimentos sofisticados dos tempos modernos.
Quando passo pelas ruínas do antigo engenho, no sítio Pau Seco, neste município, tenho grandes recordações daqueles tempos áureos de minha infância. Há mais ou menos 50 anos era um lugar aprazível, aconchegante e que favorecia uma relação harmoniosa de paz de espírito.
Convivi naquele local no meio de pessoas humildes, com comportamentos inusitados, constituídos de várias naturezas, com semblante rústico, precisando de muito sutileza no equilíbrio emocional, decorrente da fadiga pela luta árdua e das canseiras diárias.
Meu pai, um cidadão sério, agricultor arrojado, praticava as atividades agrícolas por vocação. Sabia projetar com equilíbrio o trabalho agrícola. Conduzia com perfeição as manhas dos trabalhadores, mas manejava com altivez e bom senso crítico. Livrava-se dos perigos, utilizando palavras hábeis. Fugia com muita tranquilidade das pessoas ardilosas que o obrigavam a se comportar com o máximo grau de bondade que o respeitavam e obedeciam com sinceridade as suas ordens.
Como já relatei acima, meu pai, homem destemido e hábil, tinha o cuidado de colocar trabalhadores certos nos lugares certos.
Autodidata por natureza, dirigia com perfeição e conhecimento todos os trabalhos inerentes ao campo agrícola, saindo-se muito bem nessa atividade espinhosa, levando com brilhantismo e com direção arejada a luta do campo; sempre acompanhado de trabalhadores experientes, afim de adquirir melhoria de produtividade, já que desejava aumentar o seu patrimônio dentro da tecnologia aperfeiçoada.
Seus trabalhadores tinham uma conduta séria e de comportamento exemplar, por isso granjeou muitas amizades, projetando bom desempenho, mostrando que com trabalho sério e honestidade o homem chega a ter sucesso em seu serviço.
Esses trabalhadores rudes, que mais guardo na recordação da minha memória, vistos pelo seu comportamento zombeteiro, foram indubitavelmente os cambiteiros: eram irrelevantes, com procedimentos duvidosos, senhores absolutos e anarquistas, visto que desrespeitavam a pessoa humana. Tornavam-se figuras intolerantes em seus trabalhos com a posição de homens irregulares no campo de transporte de cana do brejo para o engenho. Nem tudo era desprezo para essa classe de trabalhadores rudes já que desempenhavam com muita satisfação a sua tarefa.
Trabalhavam sem cessar, como prestadores de serviço, pois tinham por obrigação conduzir com 5 (cinco) animais atrelados com arreios rústicos: como a cangalha (peça de madeira artesanal colocada no lombo do animal, revestida de forro e pano de algodão e coro de gado e embutida com produto cactáceo existente nas catingas do nordeste), a cilha (fita de couro que prendia a cangalha na barriga do animal), a focinheira (espécie de cabresto para facilitar o manejo dos animais), a rabichola (que prendia a cauda do animal à cangalha), e o cambito (peça de madeira que facilitava o transporte da cana).
Devido à rusticidade do trabalho, os cambiteiros se tornavam intolerantes aod habitantes aos arredores dos engenhos. Ninguém gostava de sua conduta. Possuidores de comportamento repreensível, tornavam-se intolerantes comprovadamente pela anarquia que, por natureza, ninguém suportava de bom grado, Eram, pois, zombeteiros e intrigantes quando iam pela estrada e não queriam saber quem viesse pela frente. Se a pessoa não se submetesse ao seu comportamento caiam no ridículo.
Certa vez, observei uma cena que me deixou intrigado, preservando-a na memória: um comportamento desses anarquistas que vou relatar neste artigo.
Um dia chegava ao engenho um senhor de tez branca, querendo conhecer o movimento do engenho, mas pelo seu jeito afeminado foi logo observado pelos cambiteiros a partir do seu andar duvidoso. Foi quando, sob gritos, o pobre homem saiu desesperado sem nunca mais pisar em bagaceira nenhuma.
Apenas desejei lembrar e repassar para os amigos como era o regime de cambiteiros e como ainda hoje sinto saudades dos velhos tempos de outrora que não voltam mais e jamais poderão ser substituídos por este modernismo desequilibrado e algumas vezes intolerante.
Sinais da Guerra - por José do Vale Pinheiro Feitosa
O pensador português Boaventura de Sousa Santos analisando a situação da Europa identifica o ressurgimento das lutas de classe que haviam se reduzido no continente em razão da social-democracia. Finalmente, nos últimos 60 anos a antiga luta de classe entre o operariado e a burguesia capitalista havia chegado a acordo mutuamente vantajoso para os dois lados: “o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de proteção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.”
Agora com as reformas neoliberais sustentadas pelo capitalismo financeiro, levando ao corte nos benefícios sociais (só este ano Portugal fechará 900 pequenas escolas), redução da proteção aos desempregados e estiolamento dos direitos trabalhistas a luta de classe ressurge, a revolta operária toma as ruas e certamente evoluirá para novas formas de violência. Neste ponto o pensador pondera, ou a classe operária, atualmente fragmentada, se junta aos diversos movimentos da sociedade, faz um articulação continental, pois os Estados Nacionais europeus não mais se sustentam, inclusive desvinculando o capital produtivo do especulativo, ou a saída neste clima é o fascismo.
Robert Fisk, célebre jornalista inglês, em artigo de ontem, analisa a tibieza dos governos e aponta o poder popular de volta à cena política ao comentar a ação de ativistas confrontando o bloqueio de Israel à faixa de Gaza. Isso tudo remete para aquele clima de luta de classes e de grandes articulações na luta popular. Por outro lado a situação dos governos e da política mundial é assustadora e os sinais da guerra estão todos à mostra.
Façamos um paralelo entre o cerco Israelense à Faixa de Gaza e aquele dos exércitos nazistas à cidade de Leningrado que não exageramos. Façamos o mesmo, no reverso, do cerco dos russos a Berlim no final da guerra, quando EUA e Inglaterra tentaram furar o bloqueio para que alemães não fosse igualmente vitimados como haviam sido os russos de Leningrado. Isso é o que se encontra por trás desta questão de gaza.
Agora vejam os sinais de guerra: os EUA, que protegem Israel como uma parte de si mesmo - Israel é cada vez mais algo como um Havai que apenas não vota diretamente nas eleições americanas, mas têm uma enorme influencia recíproca – se comportam do modo mais vil possível. Menos de dez dias após querer sangrar o Brasil e a Turquia por uma missão de paz, humilha a inteligência mundial com seus argumentos diante deste ataque de Israel à flotilha que pretendia furar o bloqueio e realizar ajuda humanitária diretamente. Hillary Clinton anunciou, ontem, a mais incrível das idéias: ela quer uma investigação isenta e clara dos acontecimentos sobre o comando de Israel. Israel é quem deve realizar as investigações e apresentar as conclusões.
Qualquer um que leia os embates diplomáticos do início da segunda grande guerra vai encontrar este mesmo cinismo com a finalidade única de confrontar o inimigo. Israel irá camuflar sua ação de bloqueio com a análise do que deu errado na operação. Mas calma, não é o que deu errado por existir o bloqueio ou ter realizado uma operação ilegal em águas internacionais. O errado que apontarão: são aqueles táticos e a suficiência da força necessária para sufocar, num primeiro momento, a reação dos ativistas. Eles não querem saber do principal, mas apenas apagar os assassinatos cometidos contra bolinhas de gude e estilingues.
Como sempre há vida no lado do povo. O simbolismo que representa a cineasta brasileira Iara Lee (antes que alguém diga, ela tem dupla nacionalidade é, também, americana) nesta frente internacional é importantíssimo para o nosso próprio juízo. Além do mais a carta que o cineasta Silvio Tendler, ele um orgulhoso judeu, fez ao governo de Israel mostrando o dissabor com suas práticas diz bem da capacidade que supera o cinismo e a truculência.
O maior símbolo de todos: é Hedy Epstein, judia, de 85 anos, radicada nos EUA desde 1948, que fugiu da Alemanha Nazista e teve a família trucidada no campo de concentração de Auschwitz. Ela já tentou furar o bloqueio à faixa de gaza três vezes antes. No dia do embarque foi proibida de entrar num dos barcos da flotilha pelas autoridades Cipriotas. Agora tentará tomar um barco Irlandês que ficou para trás por questões mecânicas e rumará para a faixa de Gaza, mais uma vez em desafio.
Os ativistas mundiais estão cada vez mais parecidos que os judeus que resistiram à opressão na segunda guerra mundial.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Sombras da ilusão - Emerson Monteiro
A força de seres humanos justificarem seus desejos beira os limites do infinito. No afã de motivar suas ações, pessoas estabelecem objetivos inalcançáveis e enormes sacrifícios individuais e coletivos, a ponto de ocasionar equívocos, atrasos e destruições, invés do progresso. Nisso, os chefes transferem às massas o peso maior das responsabilidades, rápidos mergulhos nas páginas da história bem demonstram com enorme facilidade.
Não fossem os riscos grosseiros lançados às multidões, caso apenas seus autores respondessem pelas ações irrefletidas na própria pele, e seria a conta pela receita, sem queixumes ou críticas, bater a poeira e começar de novo.
Entretanto, os frutos da fome dos dominadores nunca se restringem apenas aos botões que carregam no âmbito da autoridade. Derramam pelos oceanos, confrangem populações distantes, aquecem temperaturas, danificam a saúde pública, aumentam o desconforto das famílias, invadem a paz, sacrificam até a natureza-mãe e atrasam o desenvolvimento social. Eles ocupam os lugares, erram, ou nada produzem do esperado e necessário.
Nessas experiências inúteis e aventuras vaidosas, líderes ocasionais se aboletam nos tronos e esbanjam os recursos de suor e sustento da grande população, juntados, a duras penas, de impostos e taxas.
O sistema democrático virou moeda de troca do jogo político de séculos, nível mais alto da tradição coletiva de todo mundo. Equivaleria àquela coisa que alguns dizem do casamento: ruim com ele, pior sem ele. Ruim com ela, pior sem ela. A democracia, governo do povo, pelo povo, para o povo, mantém os seus caminhos abertos e livres ao acesso de milhões. Diante de um aparato legal, partidos políticos se organizam e a cidadania prevalece.
Porém o governo ideal insiste habitar a casa do sonho. Enquanto a matéria prima humana precisar de aprimoramento, e a moral insistir morar longe da Ética, a pisada é trocar seis por meia dúzia.
Turnos eleitorais, que significariam festas da democracia, viram palcos de negociações interesseiras entre pessoas e grupos, e custam elevadas somas em termos de propaganda, favores, telhas, tijolos, sacos de cimento, dentaduras, varas de cano, bicadas de cachaça, cervejadas, churrascos, naquele império capenga da torpe demagogia, do aviltamento da dignidade e da ausência do decoro, pois viciaram as massas.
Quando, nessas datas, o drama popular ganha ruas e praças; armam-se picadeiros e palhaços sobem nas pernas de pau do marketing político para gritar frases de efeito, no circo da ilusão. Nada justificaria, contudo, fugir dos princípios democráticos. O ânimo de achar o caminho da transparência reclama, outra vez, eleitores conscientes e sempre escolha de melhores representantes e administradores públicos, em nova e rica oportunidade.
Pensamento para o Dia 01/06/2010

“Más características, tais como ódio, inveja, ganância e ostentação, devem ser extirpadas. Essas características não estão corrompendo apenas pessoas comuns, mas até mesmo ascetas, monges e chefes de instituições. Entre essas características, a inveja e a cobiça estão descontroladas. O que o mundo precisa hoje não é uma nova ordem, um novo sistema educacional, uma nova sociedade ou uma nova religião. A santidade deve estabelecer-se e crescer nas mentes e nos corações dos jovens e crianças em toda parte: essa é a necessidade do momento. O bom e o piedoso devem esforçar-se para promover isso como a maior prática espiritual (Sadhana) que todos devem assumir.”
Sathya Sai Baba
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A GLÂNDULA TIMO E AS TÉCNICAS DE CURA DA MEDICINA HOLÍSTICA TRADICIONAL (PARTE I)

Desde 1988 venho me questionando sobre a relação entre o Amor metafísico (que vivenciei uma única - e inesquecível! - vez) e o Amor físico (que experimentei centenas de vezes!). E já se passaram mais de 20 anos da minha experiência mística e holística com o Amor Cósmico e de lá para cá sempre me indaguei sobre aquele fenômeno maravilhoso e misterioso que se manifestou no centro do meu peito em 1988. Eu sabia desde o primeiro dia da experiência que tive, que havia pelo menos dois planos de experiência/vivência acontecendo simultaneamente: o físico e o metafísico. E que o plano metafísico (dos chacras) era a raiz da energia humana – o nosso lado transcendente. E o plano físico era o meio, o caminho de realização física e material – o nosso lado imanente. Mas, o que me intrigava era saber qual parte do plano físico estava de fato ligado ao plano metafísico do chacra cardíaco. Hoje, após todos esses longos anos de incertezas e questionamentos tenho que admitir que a resposta está nas glândulas, principalmente a glândula TIMO. Ela tem um papel vital no processo de regulação do humor; no processo imunológico e; no processo de refinamento das emoções entre tantas outras funções.
Gostaria de sugerir um desafio acadêmico aos médicos e pesquisadores em geral que possuem mentes abertas: pesquisem a relação entre a glândula timo, o chacra cardíaco e o sistema imunológico. Acredito que nessa relação estão as respostas para várias doenças tais como a AIDs, o Câncer, etc. Essa hipótese está baseada numa vivência mística que tive em 1988. Eu vivenciei em meu peito o fenômeno da interligação dos planos energéticos sutil (dos chacras) e concreto (glândulas timo, pineal e outras). Assim, parto de uma experiência íntima para a formulação de uma hipótese e não o caminho contrário (da hipótese para o teste ou experiência) que é muito comum nos processos de pesquisa científica. Sugiro aos médicos e todas as pessoas (pesquisadoras ou não) ligadas às áreas de saúde que estudem o conteúdo do livro MEDICINA VIBRACIONAL: A MEDICINA DO FUTURO do médico-pesquisador Dr. Richard Gerber. Nesse livro vocês encontrarão subsídios técnicos e científicos para buscarem uma conexão entre a TIMO, o CHACRA e o SISTEMA IMUNOLÓGICO.
A ciência precisa alargar seus horizontes como já vem fazendo muito bem nos campos de conhecimento da genética, física quântica e a astrofísica. Mas, mesmo assim precisamos urgentemente de hipóteses metafísicas para descortinarmos um mundo de fenômenos sutis responsáveis por boa parte das doenças crônicas. Sinto intuitivamente que quando os cientistas decidirem testar a hipótese da causalidade descendente (do plano metafísico para o plano físico, ou do plano qualitativo para o plano quantitativo) daremos um passo gigantesco fenomenal para explicarmos uma série de doenças de origem ainda desconhecida. A ciência moderna ainda não sabe penetrar no mundo essencial qualitativo das energias sutis das emoções humanas. Essa crítica foi realizada em minha monografia de dissertação de mestrado defendida em 1992 na COPPE/UFRJ. Em outras palavras, as energias descobertas pela ciência ainda são insuficientes para identificarem um conjunto de fenômenos causadores de anomalias no campo energético do sistema complexo e multidimensional da consciência e das transformações que ocorrem na relação entre psique e corpo físico.
Uma coisa eu descobri e constatei em minhas experiências íntimas (vivências): a forma como vemos um objeto (seja ele físico ou metafísico) afeta o objeto observado (essa tese é também uma afirmativa da física quântica moderna). Isso implica dizer que o universo guarda segredos no próprio modo e ato de se observar um fato ou fenômeno. Ou seja, não existe neutralidade no campo científico e nem no campo do senso comum. O tempo todo estamos afetando o mundo e somos afetados pelos outros a nossa volta. Existe uma fronteira invisível entre o que nos é desconhecido e o que já é conhecido. A transição de um lado para o outro acontece em planos da percepção em que estamos agindo ou construindo – de um modo geral estamos inconscientes na ocasião da transição. As doenças, enquanto fenômenos naturais são também criadas pela forma como nos conduzimos na relação que temos com as multidimensionalidades das energias que circulam entre o homem e a natureza. Somos seres extremamentes sensíveis, plurais e abertos para o cosmos. Nesse contexto, todos os fenômenos nos afetam (direta ou indiretamente) sem que tenhamos sensibilidade para vermos as suas origens no nascimento deles. Por exemplo, as explosões solares (muito comuns na superfície do sol) afetam os sistemas de radar dos pássaros, baleias, seres humanos, celulares, satélites etc.
Então a nossa realidade nos guarda o maior mistério que é a essência ou qualidade dos fenômenos. O essencial é invisível porque não se mede quantitativamente. As doenças são visíveis pelos seus efeitos, o princípio delas é desconhecido na sua origem. Nesse sentido, precisamos adotar uma nova abordagem científica que seja compatível com o objeto ou fenômeno observado. Pois, só vemos o que nos é compatível com o nosso nível de consciência. O comum é o centro da curva normal (na área da estatística), os extremos são incompreensíveis e invisíveis para o nosso olhar viciado.
Eu vou revelar aqui uma descoberta que fiz em 1988: o que chamamos de impressões digitais são na verdade centros de energia (chacras (ou chakras) menores), verdadeiros receptores ou antenas captadoras de energias sutis cósmicas. Pergunto, então: quantos dos meus leitores alcançarão essa verdade vivenciada por mim em 1988? 
O Amor tão falado por Jesus Cristo está situado no centro do peito e tem uma relação direta com a glândula TIMO. Por isso, que alguns autores e pesquisadores afirmam que a falta de amor no mundo é a maior desgraça que afeta a paz e a saúde humana em todos os tempos. Ou seja, quando esse chacra principal não está funcionando bem a glândula timo também não está em sua potencialidade nos resguardando na sua relação com o sistema imunológico. E ai ficamos vulneráveis - sem defesa!
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA (Universidade Regional do Cariri)
HTTP://bernardomelgaco.blogspot.com
Pelas águas da morte suplico meu pai Abrahão - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Mas hoje meu pai, acordei de um sono imenso. De um sonho que outro pesadelo engendrara, fortalecera e apenas fez crescer com o tempo. Teus filhos, os filhos de Israel, desceram sobre barcos com ajuda humanitária e os seqüestrou na plenitude das águas internacionais. Fizeram mortos, geraram contra nós o mesmo ódio que tínhamos com a tortura, a morte e o genocídio do nosso povo.
E o premier de Israel, o seu ministro da Defesa, como o Rabi Akiva deu a este ato o caráter de Mashiach. Abriu as portas de Israel para a destruição de sua fé, sua longa espera, de sua resistência em Massada, seu último suspiro em Betar. Temo, meu pai, que neste dia tudo se justificará contra teu próprio povo, conduzido ao suicídio por judeus que se tornaram apenas farsa dos teus símbolos.
Amanhã quando aquele filme de Polanski, chamado O Pianista, mostrar a brutalidade animal de soldados alemães apenas apontando pistolas para a cabeça de indefesos judeus, não há como se indignar. Israel fez igual. Quando a Lista de Schindler vier à tona, outro filho de Israel o filmará e a brutalidade amanhece e dorme na nossa própria tribo.
Tudo que fizemos com sacrifício de nossa própria memória do sofrimento do Nazifascismo para que a humanidade aprendesse o bom caminho, políticos de Israel em poucas horas desfaz. A ironia não é que os inimigos de Israel destruam Israel, mas que o povo de Israel se desapega ao próprio solo milenar.
Nossas almas estão dentro da bruma de arrivistas da própria riqueza material. Vieram da Europa oriental ao final dos regimes socialistas e hoje fazem de Israel o mercado do seu rápido progresso pessoal. São aqueles judeus viciados nas artimanhas do mundo ariano e abandonando o valor semítico, desejam um retorno atabalhoado às terras da Europa e de seu mais fiel descendente: os Estados Unidos da América.
Já não vêm mais a Israel. Lá vivem e tornaram teu solo apenas num parque temático para uma religiosidade de apenas visitação. São por eles e pela defesa deles, com seus lobbies guerreiros que Israel mais uma vez pede a morte. Agora a morte desgraçada com o sangue dos nossos primos bíblicos.
A mercantilização da medicina - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Vejam os resultados desta pesquisa do Conselho Regional de Medicina de São Paulo: 48% dos médicos paulistas e 71% dos profissionais de saúde acatam a propaganda das indústrias do setor. Ou sejam, prescrevem, usam e adotam conceitos e tecnologias apenas pelo que dizem os agentes fabricantes de insumos de saúde.
Existem mestres universitários renomados, que venderam todo o seu prestígio entre os colegas médicos para divulgar interesses dos laboratórios. Os Congressos Médicos são financiados essencialmente por empresas produtoras, tudo se torna uma feira para venda de pequenas novidades, muitas das vezes que não acrescenta nada ao que já se tem, mas custa mais caro e o consumidor vai pagá-lo, pois seu médico a indicará.
Aí alguém certamente se escandalizará: ora em que isso seria diferente de uma feira de tecnologia para a indústria, para o setor de informática, de agropecuária e assim por diante? Em nada, mas aí é que se encontra o problema. A saúde é gasto, as demais produzem riquezas. A saúde nos EUA, o leviatã de todos os modelos de desperdício do mundo, logo atingirá 15% do PIB americano.
O assédio da indústria em volúpia de vendas aos consultórios médicos paulistas certamente divide espaço com os horários das consultas de seus pacientes. Da amostra realizada, 80% dos médicos receberam em média 8 visitas por mês. Leram com atenção: oito visitas por mês. E pior de tudo: 93% desta amostra de médicos paulistas afirmou ter recebido produtos, benefícios ou pagamentos da indústria no valor de até R$ 500,00, nos últimos 12 meses.
A nota boa é que a pesquisa foi realizada por um órgão de classe médica envolvido com a questão da ética que no caso poderá influir em medidas públicas contra as empresas. A verdade é que a formação deste comportamento médico compromete o outro componente essencial da sua credibilidade, que é a sua boa formação e fidelidade à ciência.
Mas volto à questão: o Ministério da Saúde do Brasil, juntamente com as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios, têm grande responsabilidade sobre a regulação deste problema, tanto através das suas agências quanto de seu papel relevante de consumidor desta indústria. As compras do SUS são tão altas que por si representam enorme poder para as autoridades públicas. O resto são “escândalos de sanguessuga”.
Pensamento para o Dia 31/05/2010

“As necessidades egoístas da pessoa devem ser sacrificadas. Deve haver esforço constante para fazer o bem aos outros. O desejo de uma pessoa deve ser estabelecer a prosperidade no mundo. Com tais sentimentos no coração, deve-se meditar no Senhor. Esse é o caminho correto. Se os grandes homens e as autoridades estiverem, assim, empenhados no serviço à humanidade e na promoção do bem-estar do mundo, os ladrões da paixão, ódio, orgulho, ciúme, inveja e vaidade não invadirão as mentes das pessoas comuns; valores como Ação Correta, Compaixão, Verdade, Amor, Conhecimento e Sabedoria estarão seguros contra danos. Os seis inimigos internos chamados Arishadvarga só podem ser arrancados pelos ensinamentos de grandes almas, pelo amor de Deus, pelo conhecimento do Senhor e pela companhia dos santos e dos grandes.”
Sathya Sai Baba
Retalho do Passado
Imediatamente, dei um pulinho até a rodoviária, tentado conseguir passagem de ida, pois a hora já estava avançada e seria uma sorte se por acaso conseguisse passagem nessas circunstâncias, e prevalecesse o direito de procurar, pelo menos uma vaga no último lugar da fila, o que por certo conseguiria com êxito um lugar na parte traseira do ultimo ônibus que partia desta cidade à capital.
Na volta, tive mais sorte com a passagem, pois tranquilamente o primeiro número devido ter mais atividade e procurei o primeiro lugar da fila, visto que procurei na hora exata, isto é, às 06:00horas da manhã, durante a volta à noite. Não houve nenhum obstáculo, visto que a BR estava totalmente recuperada e não havia subterfúgio, visto que toda a população andava tranquila sem ameaça de assaltos como há nos tempos atuais. Todas as estradas eram pavimentadas com asfalto e que causavam calma no meio do trânsito e o povo era mais obediente à sinalização com segurança.
Cheguei em Fortaleza por volta das 06:00 horas da manhã; rumei em direção da casa de meu irmão onde saboreei um apetitoso café, antes de ir à direção da Petrobrás.
Lá, enfrentei uma saraivada de teste de: Português, Matemática e Conhecimentos Gerais pois, tive de observar as dificuldades a fim de raciocinar com calma até conseguir decifrar quase todas as questões de matemática e português com êxito. Graças a Deus, dominei muito bem as matérias e saí feliz em minhas predileções. Na volta ao Crato, à noite, tornou-me mais fácil, já que minha mente estava arejada porque consegui chegar a bom termos, onde conquistei o que mais almejava que era o emprego.
Quando assumi a cadeira do ônibus de volta, senti-me enfadado, visto que ao meu lado, apareceu uma moça espevitada, fazendo firula com esnobismo, exprimindo palavras desagradáveis, mostrando que era habilidosa, dizendo que era cratense, do bairro da caixa d'água e que ainda morava em Brasília onde aprendeu a conviver com coisas sérias e mostrava ser dotada de grande saber. Não suportando as tolices dessa moça irreverente, deixei que ela esnobasse à vontade sem nem sequer olhar para ela; já que se tornou uma moça aborrecida, quando falava tolices.
Como estava enfadado devido a canseira do dia, caí num sono profundo; até quando, lá pelas tantas, ouvi uns gritos ensurdecedores, empurrando com forças os meus braços dizendo: Feche as pernas!
Olhei pra ela um pouco enraivecido, bem sério, respondi: Feche você que não tem o que quebrar.
A moça se calou e fechou a cara pra mim e saiu de mansinho, indo trocar o seu lugar com outra pessoa no banco traseiro. Ai então, não me contive, passei a observar a moça com olhar de desdém parecendo que ela deveria permanecer calada e nunca querer esnobar com apresentação ruidosa, dizendo palavras fúteis, bisbilhotando na frente da gente, pensando que todos eram tolos e nada sabiam de nada. Bem feito! Quem manda ser bisbilhoteiras com tagarelice em terra dos outros. Até que em fim, permaneci tranquilo não ouvindo mais as bisbilhotices dessa moça
Crato - CE, 27 de maio de 2010.
Cobertura fotográfica da Celebração do Encantamento
domingo, 30 de maio de 2010
SAÚDE MENTAL – por Martha Medeiros
IMAGEM RECEBIDA PELA INTERNET
(Texto retirado da Revista O Globo – 30 de maio de 2010)
“Acabo de saber da existência de um filósofo grego chamado Alcméon, que viveu no século VI a.C., e que, certa vez, disse que saúde é o equilíbrio de forças contraditórias.
O psicanalista Paulo Sergio Guedes, nosso contemporâneo, reforça a mesma teoria em seu novo livro (“A Paixão, Caminhos & Descaminhos”, em que ele discute os fundamentos da psicanálise). “A saúde constitui sempre um estado de equilíbrio instável de forças, enquanto a doença traz em si a ilusória sensação de estabilidade e permanência”.
Não sei se entendi direito, mas me pareceu coerente. O sujeito de boa cuca não é aquele que pensa de forma militarizada. Não é o que nunca se contradiz. Não é o cara regido apenas pela lógica e que se agarra firmemente em suas verdades imutáveis. Esse, claro é o doente.
Do nascimento à morte, há uma longa estrada a ser percorrida. Para atravessá-la, recebemos uma certa munição no reduto familiar, mas nem sempre é a munição que precisávamos: em vez nos darem conhecimento, nos deram regras rígidas. Em vez de nos ofertarem arte, nos deram apenas futebol e novela. Em vez de nos estimularem a reverenciar a paixão e o encantamento, nos adestraram para ter medo. E lá vamos nós, vestidos com essa camisa de força emocional, encarar os dias em total estado de insegurança, desprotegidos para uma guerra que começa já dentro da própria cabeça.
Armados até os dentes contra qualquer instabilidade, como gozar a vida?
A paz que tanto procuramos não está na previsibilidade e na constância, e sim no reconhecimento de que ambas inexistem: nada é previsível nem constante. E isso enlouquece a maioria das pessoas. Quer dizer que não temos poder nenhum? Pois, é nenhum.
É um choque. Mas o segredo está em acostumar-se com a idéia. Só então é que se consegue relaxar e se divertir.
Ou seja, a pessoa de mente saudável é aquela que, sabedora da sua impotência contra as adversidades, não as camufla, e sim as enfrenta, assume a dor que sente, sofre e se reconstrói, e assim ganha experiência para novos embates, sentindo-se protegido apenas pela consciência que tem de si mesmo e do que a cerca – o universo todo, incerto e mágico.
Acho que é isso. Espero que seja isso, pois me parece perfeitamente curável, basta a coragem de se desarmar. O sujeito com a mente confusa é um cara assustado, que se algemou em suas próprias convicções e tenta, sem sucesso, se equilibrar em um pensamento único, sem se movimentar.
Já o sadio baila sobre o precipício.
E-mail: martha.medeiros@oglobo.com.br” (p.30)
A DOR MORAL DA CRUZ DE VERDADE - DIALOGANDO COM DEUS!
Um dia em meu quarto solitário e triste roguei ao Senhor Deus:
Ó Senhor sinto-me cansado de lutar contra minhas próprias criações! Dai-me senhor a clareza de Espírito para resolver todos os problemas que me afligem. A dor moral é imensa. As vezes tenho vontade de recuar. Em outras vezes sinto necessidade de ir até o final para que se cumpra a justiça. Senhor rogo a Ti para me dar forças e inspirações do caminho que devo seguir. Cansado eu estou, mas com Sua fé sinto-me novamente renovado e fortalecido. Senhor, guia-me para não errar no mundo das suas leis Divinas. Por favor, mostra-me a verdade. Por que Senhor, o mundo não quer deixar de acumular? Não quer dividir a terra. Não quer repartir o pão. E esconde a verdadeira e boa mão. Quando se doa é para depois cobrar o lucro contabilizado pela segunda imperfeita mão. Poucos conseguem dar de coração. A maioria prefere a lógica da "caridade" do lucro da razão. Senhor, guia-me para que eu não precise ficar doente pelo contato nessa relação. Senhor, livra-me da queda. Prefiro a perda de todos os bens materiais do que cair do lugar existencial de SUA consciência. Dai-me a SUA Paz na compreensão dos meus erros e dos meus acertos. Dai-me o equilíbrio no discernimento da SUA Ação em mim. Dai-me a luz da SUA sabedoria. Dai-me a verdade da SUA visão.
Então uma doce voz interior me disse com paciência:
_ Ó criatura vejo que sentes muita dor. Mas, também sei que tu tens que continuar a caminhar. A cruz está pesada. O sangue escorre pelos seus vários cantos do corpo. A dor moral é imensa. Ainda resta muito que caminhar. A estrada de sacrifícios é longa. Seus olhos estão banhados de suor da testa. Suas mãos estão banhadas de sangue das feridas existenciais. Estais cansado, mas nem por isso podes deixar de cumprir a Minha vontade. Os indivíduos inimigos te olham com um olhar de condenação. Aqueles que te traíram estão satisfeitos pelo dinheiro recebido e pela oferta aos cães humanos. Seus pés pisam descalços pedras duras pontiagudas. Ó criatura a sua dor não é assim tão maior que a Minha fé, por isso ainda não sucumbirá a tentação da queda, da queixa e da reclamação! Seus ombros sentem o peso insuportável dessa cruz de verdade. Seu coração reclama o sangue perdido na perfuração das lanças inimigas. Seus pulmões pedem o ar da sua pouca respiração. A cruz de verdade é pesada. Ela foi feita com madeira-de-verdade para que cada um carregue na estrada da vida de sacrifícios das inverdades desse mundo. Ninguém pode deixar de carregar a sua própria cruz de verdade. A coragem de caminhar tem que ser superior ao medo da morte e da incompreensão. A cruz não pode cair. E nem escorregar de suas mãos. E muito menos passada para o outro ao lado que sente compaixão. A cruz precisa ser conduzida com fé e muita devoção. Essa cruz de verdade é o lugar onde todos os pecados serão sacrificados e assim a humanidade será redimida de suas fraquezas. A humanidade das preocupações, das expectativas, das incertezas, das criações ilusórias, das fantasias imaginárias, das hipocrisias, das injustiças, etc. Ó criatura aceite esse desafio de viver e de morrer por uma verdade maior! No último dia-existencial preso a essa cruz verás a Minha glória. A dor se transformará em Bem-aventurança. O caminho deixará de se grudar aos seus pés. O peso da verdade deixará o seu ombro. E assim livre da cruz e do caminho da inverdade poderás dizer: eu sou a raiz, eu sou a árvore, eu sou a madeira, eu sou o sol, eu sou a cruz,
EU SOU LUZ, EU SOU EU, EU SOU FILHO DE DEUS!
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA
Pensamento para o Dia 30/05/2010

“As pessoas atualmente se tornaram mais violentas e cruéis que nunca. Elas utilizam a sua inteligência e habilidades para se entregarem à crueldade. As pessoas apreciam e deleitam-se em infligir dor aos outros de um modo tão amplo que a história revela que aproximadamente 15 mil guerras foram travadas nos últimos 5.500 anos. A guerra atômica iminente ameaça destruir toda a raça humana. Qual é exatamente a causa de toda essa ansiedade e medo? É claro que a fera no ser humano ainda é predominante e ainda não foi superada. Só quando isso for alcançado o nosso país pode alcançar a paz e contentamento.”
Sathya Sai Baba
sábado, 29 de maio de 2010
O CHÃO DA GALINHA OU O CÉU DA ÁGUIA: CADA UM DECIDE O QUE SABER-FAZER-TRANSCENDER EM SI MESMO!
IMAGEM RECEBIDA PELA INTERNET - A GALÁXIA DO CHAPÉU, OU A M 104. FICA À DISTÂNCIA DE UNS 28 MILHÔES DE ANOS-LUZ
Creio que no mundo em que vivemos onde as exigências da vida material nos obriga fixarmos nossas atenções e focarmos nossas energias na construção de um mundo cada vez mais individualista e materialista, nos sobra muito pouco tempo para refletirmos sobre o caminho que estamos realizando de fato. Faz-se necessário, portanto, dedicarmos algum tempo, ou seja, energia e atenção concentrada para outros caminhos alternativos possíveis no sentido de provocarmos uma mudança radical (um novo paradigma) e profunda em nossas convicções e produções de valores humanos.
Já faz alguns anos que o teólogo Leonardo Boff lançou um livro A ÁGUIA E A GALINHA onde procurou mostrar a vida limitada e condicionada que a maioria de nós acredita e segue sem perceber as possibilidades de um poder latente e transcendente no seu interior. Segundo esse autor, podemos viver ciscando e jogando terra para trás (que acaba atingindo os olhos do outro irmão – resultado: confusão!) - limitados e presos ao chão da sobrevivência-razão (o modo de ser GALINHA – segundo Boff) ou se libertar desse chão voando na imensidão da existência em direção ao sol da vida-amor pleno e infinito (o modo de ser ÁGUIA - idem).
A decisão de escolha é de cada um. Ninguém muda e conquista nada se sua maneira de ver o mundo e a si mesmo também não sofrerem uma transformação ontológica radical POSITIVA. Mas, para que isso ocorra de fato, o primeiro passo terá que ser dado saindo da inércia e do comodismo psíquico de acreditar que não existe mais nada a se descobrir ou revelar em si mesmo.
Faz-se necessário, romper com a gravidade e o condicionamento energético racional-instintivo que nos força a vivermos como GALINHAS ciscando e pulando de um lado para o outro na luta pela necessidade da sobrevivência de contínuas conquistas unilaterais materiais efêmeras. A transformação de identidade positiva transcendental (de GALINHA para ÁGUIA) não acontece por acaso, mas porque decidimos com vontade realizar a façanha mais espetacular de todos os tempos que é a autosuperação, ou seja, a superação da identidade de si mesmo: quem sou eu de fato? Águia ou galinha?
Ao animal foi dada a condição de viver preso ao seu instinto (no chão), mas ao homem foi “dado” a oportunidade de usar o seu poder interior para transcender (no “céu”) tanto a sua instintividade (animal) quanto a sua racionalidade (humana). Esse poder é um saber e uma perene filosofia e ciência holística. E sem esse saber maior o homem vive preso a sua condição que é a produção ou replicação de conhecimento inferior, até que movido pelo impulso da força forte interior do Espírito ele se supere para poder-saber-viver uma nova e inédita vida de realização cósmica superior universal. Em outras palavras, não existe conquista maior sem o mérito da persistência na disciplina interior de saber-fazer-transcender (ou saber-agir de forma ascética – práxis) que os hindus denominam de SADHANA. Jesus Cristo foi um mestre dessa ciência maior espiritual. Sai Baba atualmente, na índia, segue essa mesma corrente de sabedoria interior, universal e perene.
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA
Ainda sem destino - Emerson Monteiro
Neste sábado, 29 de maio de 2010, circulou pelos jornais a notícia da morte do ator norte-americano Dennis Hopper, diretor e coadjuvante de Peter Fonda e Jack Nicholson, no filme Sem destino (Easy rider), película que marcou os anos 60 e sua geração perdida.
Esse clássico enfoca, sem meias tintas, o drama daqueles finais de século, numa fusão sintomática de drogas, sexo e ânsias existenciais da juventude, busca desesperada de encontrar o promo do crescimento tecnológico impaciente e recheado de fascismo opressor, frieza inútil da macroestrutura capitalista materialista, institucional, avassaladora.
Ao lado deste, um outro filme, o inglês Depois daquele beijo (Blow-up), do diretor Michelangelo Antonioni, também refletiria com vigor o quadro sem saída que se desenhava no horizonte das eras e previa nuvens de impossibilidades reais da política, no futuro das próximas décadas mundiais.
Eram tempos de profundas divisões de águas, auge do movimento contestatório dos hippies, quando jovens de todas as classes sociais do mundo se espalhariam, a circular feitos formigas atônitas, catando possibilidades apenas imaginárias, a fim de tranquilizar a consciência das intuições que prenunciavam geopolítica infame a subjugar o âmbito das pessoas humanas.
No roteiro de Sem destino, dois fiéis representantes da contracultura viajam de motocicleta entre as cidades americanas de Los Angeles e Nova Orleans, cruzando impávidas o território estadunidense.
No longo itinerário, sentem de perto a liberdade do espírito aventureiro a lhes sacudir os longos cabelos, pelas estradas desertas, imprevisíveis, expostos e submissos às circunstâncias do acaso desafiador, porém confrontam os habitantes reacionários das povoações interioranas por demais preconceituosos.
Campo aberto para avaliações do tempo histórico totalitário da época, o filme apresenta com sucesso as marcas frias da mentalidade que dominaria logo mais os quadros planetárias posteriores à Guerra do Vietnam e, um pouco adiante, à queda do Muro de Berlim, portas atuais de outros absurdos totalitários.
Em rápido apanhado de verdadeiro profeta, ao término da narração, Dennis Hopper chocaria seus contemporâneos, que aguardavam final menos infeliz, com a explosão amarga da destruição dos dois personagens, cena de uma tocha de fogo produzida pelo disparo das armas dos seus perseguidores. Algo equivalente à incapacidade reconhecida de mudar o sistema plenipotenciário em que se reverteu o sonho das realizações ilusórias deste chão que foge ao contato dos nossos pés.
Hopper tinha 74 anos e morreu por volta das 8h15 deste dia, cercado por familiares e amigos, disse o seu amigo Alex Hitz.


