I ENEGEP'S
(Chamada do I Encontro (ENEGEPS – idealizado por mim e pelo Prof. Miguel de Simoni) que não ocorreu na UFRJ EM 1999)
O objetivo do encontro é proporcionar um espaço de reflexão de forma que as pessoas compartilhem suas visões de mundo e apresentem suas histórias, suas afinidades, suas descobertas ou seus trabalhos acerca do processo inevitável de crescente exclusão social que está em curso atualmente nas sociedades modernas. Os modos de organização do trabalho e os mecanismos de distribuição de renda sustentados por uma base moral ("ética") corporativista e concentradora de capital, estão produzindo um espaço social desequilibrado tendo como conseqüência a formação de verdadeiros feudos neoliberais e "neotecno-ideo-lógicos" interligados em rede. Em outras palavras, os paradigmas vigentes baseados nas inovações tecnológicas recentes, principalmente aqueles engendrados pela micro-eletrônica e informática, associados a uma ideologia competitiva, tecnológica e, portanto, eficiente e produtivamente modernizadora são co-responsáveis por uma alienação de valores éticos. Tal alienação tem como efeito a desintegração dos elos afetivos das relações solidárias-cooperativas e das estruturas conservadoras tradicionais onde o homem outrora podia recorrer para se reencontrar, enquanto pessoa livre, descobrindo-se como parte de uma história a-temporal num processo amplo de evolução holística espiritual.
Assim sendo, esse encontro é uma primeira tentativa de reunir pessoas que de alguma forma já perceberam ou vêm percebendo o inevitável processo de exclusão e exploração das camadas sociais menos favorecidas. E essa exclusão não é uma simples negação a uma conquista de bens materiais, mas principalmente a uma exclusão e perda do direito de optar por um modo de viver digno em contato com a terra e com a cultura ética espiritual preferida. Em outras palavras, a exclusão social em curso não se dá apenas no plano material utilitário, mas também e principalmente na negação do plano religioso e ideológico da liberdade de escolha de um caminho ético de valores transcendentais. Isto implica dizer que a ideologia do Estado Livre e/ou do Livre Mercado vem se afirmando em cima de um processo dominante "democrático", antropofágico, secular, inibidor e destruidor das potencialidades sensíveis da natureza humana. E o controle do fluxo de capital é o instrumento de governo desse processo dominante.
Resumindo, a Lei Fundamental e sensível do Amor vem sendo substituída pela lei calculista e utilitária da Razão. As conseqüências dessa histórica mudança de paradigma existencial podem ser constatadas tanto pelos relatórios anuais da ONU quanto pela observação direta da realidade: as guerras, os sem-teto, os sem-terra, os sem-emprego, e as desigualdades do poder político sócio-econômico onde os ricos estão cada vez mais ricos e mais insensíveis, e os pobres cada vez mais pobres, mais ignorantes (funcionalmente), mais escravos, mais descartáveis e, portanto, mais doentes (p.ex.: África e o Nordeste brasileiro), menos senhores de si e inevitavelmente mais infelizes em si.
"Mais de dois terços da humanidade são escravos da fome, da falta de saúde, do analfabetismo, da ausência de perspectiva e de esperança...O terço restante é escravo do egoísmo e do medo" (DOM HÉLDER CÂMARA - O Deserto é Fértil, 13a ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1985, pp.111).
Dias: 1 e 2 de Novembro de 1999
Local: COPPE/UFRJ - Centro de Tecnologia -Sala G-207 e G-122
Horário: Manhã-Tarde
INFORMAÇÕES: Tel.: 590-4144
E-mail: analuiza@webconer.com.br
ama-epro@pep.ufrj.br
heloborgesqg@starmedia.com
Bernardo Melgaço da Silva
Seja colaborador do Cariri Agora
sexta-feira, 11 de junho de 2010
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES, GESTORES E EXCLUÍDOS DA PRODUÇÃO SOCIAL
A EVOLUÇÃO FUTURA DO HOMEM – por Sri Aurobindo (Ed.Cultrix)
“A espiritualidade é em sua essência um despertar para a realização interior de nosso ser, para um espírito, um si, uma alma, que é diferente de nossa mente, vida e corpo, uma aspiração interior a conhecer, sentir, ser isso, a entrar em contato com a Realidade maior que está além, que penetra o universo e habita também nosso próprio ser, a estar em comunhão com Ela, em união com Ela, e é uma guinada, uma conversão, uma transformação do nosso ser inteiro, como resultado da aspiração, do contato, da união, um crescimento ou um despertar para um novo vir-a-ser, ou um novo ser, um novo si, uma nova natureza.
Em sua tentativa de começar a abrir o ser interior, a Natureza seguiu quatro linhas principais - religião, ocultismo, pensamento espiritual e uma realização e experiência espiritual interior.
Há quatro linhas principais que a Natureza seguiu em sua tentativa de começar a abrir o ser interior - religião, ocultismo, pensamento espiritual e uma realização e experiência espiritual interior; as três primeiras são aproximações, a última é a avenida decisiva de entrada. Todos estes quatros poderes trabalham em ação simultânea, mais ou menos relacionados, às vezes em uma independência isolada. A religião admitiu um elemento oculto em seu ritual, cerimônia e sacramento; ela se debruçou sobre o pensamento espiritual de apoio - o primeiro é ordinariamente o método ocidental, o último o oriental; mas a experiência espiritual é o objetivo e a consecução final da religião, seu céu e ápice.
Cada um desses meios ou aproximação corresponde a algo em nosso ser total, e portanto a algo necessário ao objetivo total de sua evolução. Há quatro necessidades da auto-expansão do homem, para ele não permanecer este ser da ignorância de superfície, procurando obscuramente a verdade das coisas, coletando e sistematizando fragmentos e secções de conhecimento, a pequena criatura limitada e semicompetente da Força cósmica, que ele é agora em sua natureza fenomênica. Ele deve conhecer-se, descobrir e utilizar todas as suas potencialidades: mas para conhecer a si próprio e ao mundo completamente, ele tem que ir atrás de si mesmo e de seu exterior, tem que mergulhar fundo, abaixo de sua própria superfície mental e da superfície física da Natureza” (p.64-65).
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA (Universidade Regional do Cariri)
HTTP://bernardomelgaco.blogspot.com
quinta-feira, 10 de junho de 2010
SER HUMANO, QUEM É ELE?

Hoje (10/06/2010) bem cedinho me aprontei para sair de casa. Saí do meu quarto e passei pela cozinha da minha casa onde moro, aqui no Rio de Janeiro, com minhas duas irmãs. E a irmã mais idosa estava conversando na cozinha com o meu irmão mais velho do que eu. E o assunto da conversa deles era a homossexualidade de um homem conhecido deles. E eu antes de passar entre eles ouvi minha irmã dizer: “Essa coisa de homem ter relações sexuais com outro homem não é de Deus. Deus fez o homem e a mulher...”. Então, andando falei rapidamente sem olhar para eles:
- A questão não é essa. A questão é o instinto no homem.
Aqui tentarei me explicar melhor. A discussão da homossexualidade não está no plano de Deus permitir ou não. É um fenômeno instintivo que acontece também entre animais (p.ex.: os macacos). O que está em jogo na homossexualidade humana não é o Amor, mas o instinto humano presente e dominante. Amor, aqui, não é a libido, ou seja, o amor carnal ou psicológico-afetivo, mas o fenômeno transcendental do sentimento que Jesus batizou de Amor de Deus. E para mostrar o nível de experiência desse fenômeno vou adotar a imagem criada por um escritor que li quando eu fazia o meu doutorado na COPPE/UFRJ. O sobrenome desse autor europeu é SCHUMACHER, e o livro que retirei essa idéia magistral tem o seguinte título: UM GUIA PARA OS PERPLEXOS. A idéia dele é que o ser humano pertence a uma escala evolutiva que começa no mineral (representado por “m”) como sendo o primeiro degrau. O segundo degrau é o vegetal (que é representado por “m + x”). O terceiro degrau é o animal (que é representado por “m + x + y”). O quarto degrau é o humano comum (que é representado por “m + x + y + z”). O quinto degrau é o humano iluminado ou mestre espiritual-sábio (que é representado por “m + x + y + z + w”). A idéia original dele é que a passagem de um degrau para o outro “superior” não é uma ruptura com o que é “inferior” ou anterior na escala, mas sim que transcende em qualidade (inteligência e sensibilidade mais elevada do que o nível ontológico anterior). Nesse sentido, o homem guarda em si mesmo as qualidades ontológicas dos minerais, vegetais e animais. E ele se diferencia na passagem de um nível de inteligência e sensibilidade mais refinada ou elevada: por exemplo, todos os grandes mestres espirituais (inclusive Jesus, Buda, Gandhi, São Francisco de Assis, Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá etc.).
Dentro desse contexto, podemos dizer que a homossexualidade é o animal no homem agindo num nível de consciência pouco elevada, porque o Amor estaria no último degrau, ou seja, somente para aqueles que de alguma forma desenvolveram a sensibilidade e a inteligência para além das necessidades fisiológicos, psicológicas e afetivas comuns. Então, ter relações sexuais apenas não é o “x” da questão. O “x” da questão é como poderemos nos elevar e nos desprender do vício sexual? E não falo aqui apontando o dedo para longe de mim em direção a um outro semelhante inconsciente. E eu mesmo estando consciente dessa força poderosa de atração sexual me deixei levar e me viciar por sete anos consecutivos depois de ter ficado catorze anos como celibatário! E sei de que força estou falando....eu vivenciei seus efeitos hipermagnetizadores.
A questão que se coloca aqui é essa: qual é o sentido da vida? O sentido seria fazer “o que der na telha” sem que mais tarde tenhamos que responder por nossos atos? O bom senso diz que não. Somos responsáveis pela escolha de experiência que idealizamos ou nos fizeram acreditar. E com certeza as escolhas mal feitas no passado não poderemos mudá-las – somente poderemos mudar as escolhas do presente em direção ao futuro. E é ai que Deus foi generoso com suas criaturas. Devemos cuidar do presente para frente e aprender com o que aconteceu de “errado” (mal escolhido) no passado. Será que estamos tão hipnotizados que não conseguiremos ter forças humanas para tal mudança histórica-pessoal-ontológica? Eis a questão que cada um precisa responder junto à intuição que serve de referência e mestre invisível dentro de cada um: “conhece-te [intuitivamente] a ti mesmo” – Sócrates. Então, se você não fez ainda, faça agora: dê um abraço bem forte em você mesmo e agradeça de verdade a presença Dele que não se cansa de te convidar para subir mais um degrau evolutivo (se desligando da força magnetizadora do passado). Sinta a Presença elevada de Deus ou Espírito em seu interior e a partir daí separe o joio do trigo (a razão da intuição). Pois, a razão é um degrau superior ao instinto, mas é também um degrau inferior à intuição. A evolução humana está nesse processo e mérito de se elevar pelas próprias forças intrínsecas que Deus depositou (uma dádiva Dele!) em cada sistema ou estrutura humana. Basta aprender intuitivamente a usá-la para se alcançar o que todos os homens e mulheres desejam inconscientemente: serem felizes na libertação do ego instintivo.
Acredite – Deus fala através de seres humanos-canais de mensagens elevadas. Disse Jesus: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz”. Só não escuta quem não tem uma sensibilidade fina adequada. Nada foi criado para ser escondido ao ser humano. Tudo está senso revelado a cada um em seu tempo e em seu momento evolutivo! Sabendo disso: Não julgue! Não condene! Não se desespere! “Ame, se esforce e vencerás” – mensagem espírita que ouvi quando eu tinha meus dezesseis anos de idade e nunca mais esqueci. Deus fala o tempo todo entre os homens e mulheres de boa fé, de inteligência elevada e de sensibilidade fina ou refinada. Fique atento (a)! Somente colhemos a semente daquilo que plantamos em nós (cultura) ou no solo orgânico (agri-cultura)! Ser culto é, portanto, ter mente elevada e sensibilidade refinada para ver, agir e colher o fruto da sabedoria que cresceu em si mesmo.
No fundo do seu coração escute quieto uma voz doce quase inaudível dizendo para você – somente para você mesmo (a)! - “EU SOU DEUS!”. E se te der vontade de chorar de alegria e contentamento – faça isso! - pois Ele virá para te acariciar e te consolar com suas próprias mãos humanas!
E lembre-se de GANDHI quando disse: “o único tirano que aceito em minha vida é uma voz doce e suave dentro de mim”.
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA (Universidade Regional do Cariri)
A COMÉDIA DA MALDIÇÃO CONTINUA NAS RUAS DO CRATO
CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE
APRESENTA COMÉDIA EM PRAÇAS, RUAS E TERREIROS DO CRATO
A Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes – Ponto de Cultura do Brasil está desenvolvendo o projeto “Comédia na Rua das Tradições”, com a circulação do espetáculo teatral “A Comédia da Maldição”, escrito e dirigido por Cacá Araújo, na modalidade “teatro de rua”, em praças públicas, ruas e terreiros de mestres da cultura tradicional do município de Crato.
A peça tem o texto em versos e traz a Mula-sem-cabeça, mito sertanejo-universal, como tema central. Um grande espetáculo de rua para todas as idades...
O projeto promove o teatro popular e oportuniza a vivência de atores e técnicos contemporâneos com mestres e brincantes de folguedos tradicionais, como laboratórios/oficinas de formação no que se denomina “cena brincante”, que procura difundir valores do folclore e da cultura nordestina através de estética dramática sertaneja, alinhada ao imaginário popular e ao resgate de tradições ancestrais.
Outro aspecto importante é a formação de platéias, especialmente juvenis, inspirando senso crítico e auto-estima em termos de identidade cultural, potencializando-as para o convívio e interação com outras culturas e linguagens artísticas, ressalta Cacá Araújo, diretor da companhia.
Com essa missão, o espetáculo já foi apresentado no Distrito Bela Vista (dia 30 de maio, tendo a participação do Maneiro Pau do Mestre Cirilo), Bairro Muriti (em 5 de junho, integrando-se ao Reisado Decolores Dedé de Luna, da Mestra Mazé Luna), Bairro Gisélia Pinheiro – Batateiras (na última quarta, dia 9 de junho, com o Coco das Mulheres da Batateiras); e encerrará sua primeira temporada neste sábado, 12 de junho de 2010, às 20 horas, na Praça da Sé, em Crato-CE, com a participação da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.
Cenas da apresentação no Bairro Gisélia Pinheiro (Fotos de Gessy Maia)
A nossa identidade antropológica - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Os Estados Nacionais, que se formaram de fragmentos díspares e contraditórios num passado não tão remoto assim têm a sua narrativa feita por mitos fundadores e pensam sua formação como uma unidade étnica e de origem comum. Isso já foi derrubado há muito tempo, mesmo um país que exagerou no tema como a Alemanha ariana, se descobre tão fluido em sua origem quase que igual a estes das Américas com etnias de todos os continentes.
Estamos o tempo todo tentando descobrir uma “identidade” como povo e a cada vez caímos no denominador comum da humanidade. Isso não foi sempre assim, uma religião poderia criar um senso de identidade, um território também, ou uma atividade produtiva ou cultural, mas tudo foi se transformando numa unidade planetária, ainda inconclusa, mas cada vez mais evidente nas comunicações e nas percepções de produtos e até mesmo do meio físico como o clima.
Esta questão da dissolução do antigo modo de enxergar fratias, procurar a ordem monárquica, o eixo divino, a linearidade da formação dos povos pode bem ser vista na análise do povo Judeu. Façamos um esforço de analisá-lo na perspectiva sionista que é a visão que melhor identifica a sua linearidade bíblica e que se manteve intacta por mais de dois mil anos. Qual a visão histórica dos judeus sob o ponto de vista do sionismo?
Segundo esta visão o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e hoje são os descendentes diretos e exclusivos. Saíram do Egito com Moisés para a Terra Prometida, edificaram o reino de Davi e Salomão, que originou a Judéia e Israel. O judeu manteve-se o mesmo apesar dos dois exílios que experimentaram: depois da destruição do Primeiro Templo, no século VI a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C. Esta última diáspora durou 2 mil anos e eles se dispersaram pelo Iêmen, Marrocos, Espanha, Alemanha, Polônia e ao mais remoto da Rússia. No entanto eles preservaram os laços de sangue e mantiveram sua unicidade.
Enquanto isso a Palestina era a mesma Terra Prometida à espera do seu povo original. Ela pertencia aos judeus, e “não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso”. “Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa”. (1)
Acontece que esta narrativa do povo judeu é um mito religioso, de uma religião que foi poderosa em muitos continentes antes mesmo do cristianismo ou do islamismo. Religiões que tinha a linearidade étnica como formulação divina, mas não como prática biológica, antropológica e até mesmo social. Como todas as religiões modernas tenderam para o denominador comum da humanidade, em muitos continentes, em muitos povos e muitas realidades sociais diferentes.
Os judeus modernos pertencem a origens sanguíneas diferentes, mesmo com práticas de consangüinidade em casamentos, seria impossível se manter a etnicidade semita em tão largo espaço do planeta e em tanto tempo. Os judeus da Europa central são europeus centrais, os ibéricos vieram com berberes e outros povos e assim por diante. Quando tentamos localizar as nossas origens familiares estamos falando de antepassados numa escala geométrica.
A verdade é que a humanidade que nos une cada vez mais será a nossa identidade, que continuará fluindo para outras formas de cultuar a identidade. Não sejamos infelizes por isso, mas ao contrário, muito mais ciente qual seja o nosso mundo.
(1) – trecho retirado do artigo “Como surgiu o povo Judeu” de Shlomo Sand, historiador da Universidade de Telavive.
Pensamento para o Dia 10/06/2010

“As pessoas acreditam que as encarnações de Deus só acontecem por duas razões: punição dos maus e proteção dos justos. Essas razões representam apenas um aspecto. O Avatar ou Encarnação Divina é realmente a concretização do anseio dos que buscam Deus. É a doçura materializada da devoção piedosa dos aspirantes. A concessão de paz e contentamento e o sentimento de realização para os buscadores que têm lutado por muito tempo... essa também é Sua tarefa. A principal razão para o Divino sem forma assumir a Forma é para o bem dos aspirantes e buscadores.”
Sathya Sai Baba
A Copa do Mundo pela galena. – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Vivíamos o mês de junho de 1958. Eu estava cursando a primeira série do antigo curso ginasial no velho Colégio Diocesano do Crato. Numa segunda-feira, cheguei um pouco atrasado e o interno, que era sineteiro, acabara de tocar o último sinal para início das aulas. Ainda ouvi quando ele comentou com outro colega: “Mas que vitória bonita aquela do Brasil ontem: três a zero na Áustria!” Quis saber dele do que se tratava e ele me disse que era um jogo pela Copa do Mundo. Não minto! Foi a primeira vez que eu ouvi falar em Copa do Mundo. Ao término da aula, tão logo cheguei a casa, procurei entre as revistas de um dos meus irmãos noticias sobre a Copa do Mundo. Havia uma revista “O Cruzeiro” que trazia tudo sobre a seleção brasileira, fotos dos jogadores, os grupos em que cada país estava distribuído e a tabela dos jogos. Fiquei sabendo que a Copa era realizada na Suécia, que graças ao excelente professor de Geografia José do Vale Feitosa, eu sabia muito bem onde ficava sua posição no globo. Então, como bom brasileiro achei que era importante acompanhar os jogos e torcer pelo Brasil. No segundo jogo, uma quarta-feira à tarde, eu fui à casa da minha tia Pia Cabral, uma irmã do meu avô, onde vários primos ouviam a transmissão da partida contra a Inglaterra. Era bastante animado, mas o jogo foi oxo (zero a zero), não obstantes as preces da tia Lurdinha para Santa Terezinha, a santa de sua devoção, com a qual ela afirmava tudo conseguir.Depois vieram os jogos contra a Rússia, Pais de Gales e França. O jogo contra a França foi no dia de São João e eu estava voltando do Mauriti ao Crato, acompanhando os resultados parciais em cada café da beira da estrada. Mas soube que no Crato, antes do inicio do jogo contra a França, a tia Lurdinha se retirou da sala onde estava o velho rádio telefunken, dizendo que ia conversar com Santa Terezinha para o Brasil ganhar da França. Huberto Cabral protestou: “Santa Terezinha é francesa!” Houve uma gargalhada geral. Mas acredito que nesse dia Santa Terezinha, lá do céu, se esqueceu da França e foi fiel à sua amiga, pois o Brasil começou arrasador com um gol do vascaíno Vavá, logo aos 2 minutos de partida.
Na final contra a Suécia, já estávamos de férias no São José. Era um domingo e o jogo seria iniciado às 11 horas da manhã. Naquele tempo não havia energia elétrica no São José, nem rádios de pilha. O único rádio que havia lá em casa era um velho RCA, à bateria de carro, que estava descarregada. Meu irmão Luis Flávio disse que iria ouvir o jogo na casa do Assis de Melo, um nosso parente distante. Este era um solteirão, que morava sozinho num enorme casarão que herdara dos pais, bem próximo do canavial. Tinha mania por eletrônica e sua casa era repleta de rádios velhos, todos danificados de tanto ele fazer experiências. Eu e o primo José Esmeraldo Gonçalves acompanhamos Luis e papai nos pediu para que fôssemos avisá-lo a cada gol do Brasil. Seria uma boa caminhada, pois a casa do Assis distava mais de dois quilômetros da nossa.
Infelizmente não havia nenhum rádio em funcionamento na casa do Assis de Melo e ele nos disse que dava para acompanhar o jogo pela galena. Galena é um receptor de onda média, bem simples, que funciona sem precisar de energia elétrica. Trata-se de uma bobina enrolada por semicondutores do mineral galena ligada a uma antena externa composta de fios bem compridos estendidos e, que se escuta por meio de um fone de ouvido. Sintonizava sempre a emissora mais potente ou a mais próxima. Como o sítio do Assis era mais perto do Juazeiro, a galena sintonizava exclusivamente a Rádio Iracema que retransmitia da Rádio Bandeirantes de São Paulo. O meu irmão Luis tomou conta do fone de ouvido e repassava os lances para nós. A cada gol do Brasil, eu ou primo José Esmeraldo saiamos correndo para avisar ao papai. Como houve uma chuva de gols naquela partida, enquanto um voltava após ter comunicado que o Brasil empatara o jogo, encontrava o outro pelo caminho com mais novidades. E o nosso coração batia tão forte, quão forte eram as passadas que dávamos na nossa correria. Foram mais de seis idas e vindas, pois o Brasil ganhou sua primeira Copa do Mundo com uma elástica goleada.
Essa foi a Copa do Mundo mais emocionante da minha vida. Nem as imagens a cores transmitidas ao vivo pela televisão me fizeram reviver as emoções daquele dia 29 de junho de 1958, um dia de São Pedro, em que pela primeira vez o Brasil se sagrava campeão do mundo.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Palavras ao vento - Emerson Monteiro
Busco a espontaneidade para chegar aqui na frente desta máquina incandescente e me expressar livre de tensões ou preparações, dizer da apreensão quanto ao meu tempo e seus acontecimentos, qual testemunho do que precisar ser presenciado.
Falar com franqueza a propósito das aberrações que vêm sendo perpetradas pelo próprio homem de cuja humanidade também participo. Erguer a voz de modo objetivo a respeito das fraquezas exploradoras dos países opressores em detrimento dos povos indefesos. Circunscrever as aferições de burrices desencontradas, como a do vazamento esdrúxulo de milhões e milhões de barris de petróleo no Golfo do México, sangria ainda desatada por pura incompetência do capitalismo em desenvolver suas aventuras, detrimento impune da grande natureza, sem que se ergam, nos quadrantes do Planeta ofendido, vozes altivas e eficientes de nações similares, reivindicando a responsabilização dos principais culpados pelos desmandos praticados.
Nas guerras desencontradas dos interesses inconfessáveis da ganância, que possam a delinear os equívocos da destruição em massa de culturas milenares, o que se dá com ênfase no Afeganistão e no Iraque, nesta hora, sem atitude proporcional de repúdio dos bilhões de seres humanos que, apáticos, impotentes, assistem ao genocídio, semelhante ao que outros conquistadores simplesmente consideraram objetivos pessoais dos grupos que representavam, o quanto disseminaram de sangue e miséria Alexandre, César, Napoleão, Hitler, ao bel prazer das circunstâncias maléficas dos tempos, aplaudidas nos bastidores pelos magnatas detentores do dinheiro, dos minérios, das indústrias, mercados, seus financiadores clandestinos insaciáveis.
Agir pelas palavras que os meios permitem, para fincar marcos divisórios entre a consciência e a imbecilidade humanas, deste período, refletindo os valores da minha época, numa função denunciadora dos crimes praticados a céu aberto, à luz do meio-dia, ausentes da penitência daqueles que detêm o lucro, fator da subjugação dos ricos sobre as massas alienadas, relegadas a inúteis planos. Responder, na altura do drama, ao desafio do silêncio cúmplice dos absurdos desmatamentos e tanta destruição dos recursos naturais, a pretexto de produzir armas ou alimentos prejudiciais às espécies, sob os olhares obsessivos da rapinagem detentora do poder no mundo. Enquanto a máquina infernal da propaganda conivente usufrui do repasto oficial, passando caco de vidro por diamante, nas luxuosas feiras internacionais de tecnologia.
Usar a fala numa definição de princípios justos, destacando a honestidade como a melhor política e a dignidade como o único sentido dos sacrifícios coletivos, e fator de sobrevivência social, em um cenário de máscaras e fingimento, quando mentiras proliferam às escondidas e as versões satisfazem ao gosto amargo dos donatários nacionais, na medida em que adotam princípios inconfessáveis para comandar o destino da solitária multidão.
No andamento da escalada histórica de séculos e séculos assim jogados na lama, imprevidentes comandos desfilam, feras indomáveis, nos horários nobres das gerações, e tropas municiadas de sede e esperança gesticulam, nas trincheiras, avisos constantes da natureza seviciada, e sacodem, nos braços doloridos, as marcas dessa cavalgada grosseira. Novos dias, contudo, vêm nas margens do horizonte ao resplendor claro do Sol, exemplo maior de perfeição, num convite aos sonhos de união e paz a velhos corações indiferentes dos autores adormecidos da cena, que somos todos nós.
Não dêem rabo a nambu – por Pedro Esmeraldo
Em décadas passadas, havia um afro-descendente que se dizia esperto e trabalhador, vangloriava- se, de momento a momento, achando que era o maioral. Bisbilhoteiro contumaz, afirmava que era versátil em seu trabalho. Esnobava e dizia que venceria a vida sem ajuda de ninguém. Os seus companheiros, não gostando de suas chatices, achavam ridículo as palavras exdruxulas que não expiravam nenhuma confiança. Apesar de inteligente, era completamente analfabeto, mas desempenhava bem as suas tarefas. Era sagaz e veloz no seu serviço. Era invejoso, pois tinha inveja do seus companheiros que melhoravam de vida. Salpicava conversas intolerantes, visto que se considerava o mais bem aquinhoado entre todos os seus colegas do sítio. Tinha um só pensamento, pois não tinha acordo com seus companheiros a não ser quando viesse em seu próprio benefício. Dizia que no futuro próximo seria rico sem ajuda de ninguém.
Um dia, não gostando da cozinheira do engenho do meu pai, inventou uma conversa caluniosa com essa mulher, queixando-se que estava sendo desprezado pela dita cuja. Meu pai, homem sério, gostava das coisas positivas, sem discriminação. Foi diretamente repreender a cozinheira dizendo para ela que todo mundo era igual e não aceitava discriminação.
A pobre mulher, muito ativa e com sutileza, olhou para o meu pai dizendo: Seu Zé, não dê rabo a nambu, porque nambu não tem rabo. Meu pai, muito experiente, compreendeu logo a resposta daquela mulher que quer dizer: Não dê valor a quem não tem.
Nesse episódio, relato o caso de alguns políticos do Crato, principalmente os ex- prefeitos que deram total valor ao Distrito da Ponta da Serra, desprezando totalmente os outros distritos. Esse pequeno lugarejo foi bem aquinhoado por esses políticos de pensamentos curtos e obteve todos os melhoramentos provindo da cidade - mãe - Crato, tudo isto provocado pela causa inobservante desses prefeitos que viviam pela cata de votos, causando aborrecimento aos demais distritos como: Santa Fé e outros e ainda, prova-se que, no sítio São José, que é totalmente desprezado pela municipalidade o único melhoramento que recebeu foi o fechamento de uma escola que está ocupada por marginais.
Nesse caso, observa- se que esses prefeitos preferiram valorizar a quem não merece, visto que acarretou a maior fatia do desenvolvimento, deixando os outros distritos ao abandono. Isso é um desaforo e um desrespeito ao contribuinte que paga imposto e não vê os melhoramentos desejados.
Como cratense autêntico, tenho de gritar, com brados bem alto e ao mesmo tempo, reclamar a falta de credibilidade desse políticos urubus do poder legislativo estadual. Um deles, sendo filho adotivo do Crato, apareceu com grande desrespeito, tirando do Crato um grande património, merecedor de melhores condições sociais, educativos e saúde, dando um equilíbrio moral e corti atividade peculiar a nobre cidade do Crato.
Lembro que o pequeno município é considerado como uma ave de asa quebrada, pois não pode voar e vive se arrastando pelo chão, exposta ao predadores.
Convém notar que esse distrito, bem contemplados pelo poder público, devia por ser, perto da cidade do Crato, tranformar-se em bairro; pois é melhor para si e para a cidade do Crato.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Um brinde a amizade - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
A amizade é muito importante na vida das pessoas. Ninguém vive sozinho. O ser humano precisa do outro. A amizade verdadeira, sincera e madura é aquela em que aceitamos os amigos com defeitos e qualidades e vice–versa. Os amigos verdadeiros sempre nos apóiam nos momentos alegres e tristes. Quem tem bons amigos, mesmo que sejam poucos, deve agradecer a Deus essa dádiva que Ele nos oferece.Sempre procuro agradecer a Deus os amigos que tenho. Recentemente passei por um momento triste com o falecimento da minha mãe. E os meus amigos me apoiaram e me confortaram. Serei eternamente grata a todos. Tantos os amigos de Crato como os de Fortaleza se solidarizaram comigo através da presença, dos e-mails, dos comentários nos blogs e dos telefonemas. Amigos de verdade se alegram com a nossa felicidade e nos consolam nos momentos tristes.
Participando aqui dos blogs da região, reencontrei amigos e amigas de infância e construí novas amizades, que prezo muito. E o que é mais importante, a amizade está acima das diferenças de opinião. Nada impede de que eu seja amiga de alguém que tenha o pensamento político diferente do meu, professe outras religiões ou não tenha crenças. É fundamental que respeitemos a pessoa e suas diferenças.
A sabedoria popular nos ensina que: “quem tem um amigo tem um tesouro”, “mais vale um amigo na praça, do que dinheiro na caixa”.
Na Bíblia há muitas passagens sobre a amizade. No livro dos provérbios encontramos as seguintes citações: “Assim como os perfumes alegram a vida, a amizade sincera dá ânimo para viver." (Pv27,9), “Algumas amizades não duram nada, mas um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão”( Pv18,24).
Em todos os tempos as pessoas se preocuparam com a convivência fraterna. E nos dias atuais isso é muito importante, pois nossa sociedade está muito violenta. Não poderia ser diferente com as pessoas que viveram na época em que a Bíblia foi escrita.
Jesus em toda a sua vida viveu cercado de amigos. Chorou quando Lázaro morreu (Jo 11,35). Chorou pelo amigo e veio lhe trazer a vida de volta. Jesus quando ressuscitou Lázaro pediu aos presentes que o desamarrassem soltando os panos que o envolvia. Com essa ação libertadora Jesus nos convida a continuar a sua pratica, desamarrando todos os laços que prendem as pessoas a uma a situação de morte.
Jesus nos disse ainda: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos os amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi do meu pai.” (Jo 15, 12-15). Jesus nos convida ainda hoje a desenvolver o amor e, quer de cada um de nós uma adesão livre, de amigos, não de servos. Jesus é o amigo que dá a vida pelo amigo. A amizade é dom de Deus e a vontade de Jesus é que testemunhemos o amor de Deus.
Todos nós que temos bons amigos somos privilegiados. Convido a todos a brindar a amizade e homenagear os amigos sinceros, que nos alegram, animam nossa vida e contribuem para a nossa felicidade.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
COMPOSITORES DO BRASIL

CHICO BUARQUE
Parte II
“Nem toda loucura é genial.
Nem toda lucidez é velha.” ( cit. por Chico Buarque).
Por Zé Nilton
Naqueles tempos, a famosa década de 1960, tudo era muito questionado. Inicialmente pela questão dos ventos democráticos que respirávamos desde 1945, e no meio da década, pela questão do estado de direito subtraído pelo regime militar. Época de beligerância e desassossego em que se digladiavam em campo aberto e depois fechado, a direita e a esquerda armada, artística, católica, estudantil, intelectual, movimentos musicais etc.
Tempos bons aqueles em que se brigava e se produzia tendo como valor o esteticamente correto, seja no plano político, educacional, urbanístico, artístico... enfim, que tal um passeata contra a guitarra elétrica ?
No plano musical um fato é bem marcante desse período de muita inspiração nas cabeças e nas bocas, nos corações e mentes, mas também como disse, de cobrança e de fustigação pelo que deveria ser o novo, o belo, o melhor. Estabeleceu-se o confronto entre tradição e inovação na cultura brasileira e, no caso, na música brasileira.
Conta-se ter havido um ligeiro affair entre Gilberto Gil e Chico Buarque por ocasião do 4º. Festival da Música Popular Brasileira, da Tv. Record – S. Paulo – em 9 de dezembro de 1968, quando a música de Chico Buarque “Benvida” ficou em sexto lugar no júri oficial, mas obtendo a primeira posição no júri popular.
Como havia um desencontro nas propostas tropicalistas de Gil e Caetano e Chico, no momento em este cantava com o MPB4 o famoso samba, Gil teria gritado: “superado”!
No mesmo dia o jornal Última Hora publicava um artigo de Chico sobre o episódio. Acho que vale a pena reproduzi-lo para reflexão:
“Estava mal chegando a São Paulo, quando um repórter me provocou. “Mas como, Chico, mais um samba? Você não acha que isto já está superado?” Não tive tempo de me defender ou de atacar os outros, coisa que anda muito em voga. Já era hora de enfrentar o dragão como diz Tom. Enfrentar as luzes, os cartazes e a platéia, onde distingui um caro colega regendo ou coro pra frente, de franca oposição. Fiquei um pouco desconcertado pela atitude de meu amigo, um homem sabidamente isento de preconceitos. Foi-se o tempo em que ele me censurava amargamente, numa roda revolucionária, pelo meu desinteresse em participar de uma passeata cívica contra a guitarra elétrica. Nunca tive nada contra esse instrumento, como nada tenho contra o tamborim. O importante é ter Mutantes e Martinho da Vila no mesmo palco.
Mas, como eu ia dizendo, estava voltando da Europa e de sua música estereotipada, onde samba, toada etc são ritmos virgens para seus melhores músicos, indecifráveis para seus cérebros eletrônicos. “Só tenho uma opção”, confessou-me um italiano, “sangue novo ou a antimúsica. Veja, os Beatles foram à India...” Donde se conclui como precipitada a opinião, entre nós, de que estaria morto o nosso ritmo, o lirismo e a malícia, a malemolência. É certo que se deve romper com as estruturas. Mas a música brasileira, ao contrário de outras artes, já traz dentro de si os elementos de renovação. Não se trata de defender a tradição, a família ou a propriedade de ninguém. Mas foi com o samba que João Gilberto rompeu as estruturas da nossa canção. E se o rompimento não foi universal, culpa é do brasileiro, que não tem vocação pra exportar alguma coisa. Quanto a festival, acho justo que estejam todos ansiosos por um primeiro prêmio. Mas não é bom usar de qualquer recurso, nem se deve correr com estrondo atrás do sucesso, senão ele se assusta e foge logo. E não precisa dar muito tempo para se perceber “que nem toda loucura é genial, como nem toda lucidez é velha”. (Homem, Wagner. Histórias de Canções: Chico Buarque. São Paulo: Editora Leya, 2009, PP-73-74)
Na segunda parte do COMPOSITORES DO BRASIL, quinta, falaremos um pouco de sua obra, entre 1967 a 1978. Na sequencia:
RODA VIVA. 1967
BENVINDA. 1968
GENTE HUMILDE (Garoto, Vinícius e Chico). 1969
APESAR DE VOCÊ. 1970
CONSTRUÇÃO. 1971
PARTIDO ALGO. 1972
FADO TROPICAL. (Chico Buarque e Ruy Guerra).1973
ACORDA AMOR. 1974
JORGE MARAVILHA. 1974
TANTO MAR. 1975
MEU CARO AMIGO (Chico Buarque e Francis Hime). 1976
MANINHA. 1977.
GENI E O ZEPELLIN. 1978
Quem ouvir verá!
Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, de 14 horas as 15 h.
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz
Pesquisa,produção e apresentação de Zé Nilton
Apoio: CCBN.
Retransmitido pela HTTP//:cratinho.blogspot.com
As ruas estão decoradas com o verde-amarelo – por Armando Lopes Rafael
É bom lembrar que, naqueles tempos, não havia a fartura de bandeiras brasileiras expostas à venda, como ocorre hoje. Já nos dias atuais em qualquer esquina tem um camelô vendendo o símbolo pátrio maior “a preço de banana”, para usar um chavão tão a gosto dos saudosistas que condenam a venda das estatais defasadas e superadas que só serviam de cabides de emprego para partidários do governo de plantão. Naquela época – nunca é demais recordar – todos sentiam orgulho do Brasil. Quem não se lembra das pessoas portando na roupa um pedacinho de fita verde-amarela?
Este preâmbulo foi feito apenas para repassar às novas gerações um fato menor, ocorrido em 1822. Era difícil, nos dias posteriores ao Grito do Ipiranga, encontrar fitas com as novas cores oficiais do nosso Brasil. Conforme Carlos H.Oberacker Júnior, no livro “A Imperatriz Leopoldina”, publicado em 1973:
–Não haverá mais fitas verdes no palácio?
A Imperatriz dirigiu-se aos seus aposentos e não encontrou fitas verdes. Foi quando seus olhos caíram sobre o leito, cujas fronhas ostentavam, a correr por ilhoses do bordado, fitas com as cores procuradas. Arrancou-as todas e voltou para os salões para distribuir entre os presentes as novas cores do Brasil”...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael
URCA em notícias
terça-feira, 8 de junho de 2010
NESTA QUARTA, DIA 9 DE JUNHO DE 2010, 19 HORAS, ESPETÁCULO "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO" NA BATATEIRAS
Depois de grande sucesso no Distrito Bela Vista, com a participação do Maneiro Pau do Mestre Cirilo, dia 30 de maio, e no Bairro Muriti, com o Reisado Decolores Dedé de Luna, o espetáculo teatral "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO", texto e direção de Cacá Araújo, encenado pela Cia. Cearense de Teatro Brincante - Ponto de Cultura do Brasil, segue sua jornada de apresentações nas praças e terreiros do Crato-CE. Quarta-feira, dia 9 de junho de 2010, às 19 horas, a peça será exibida na Batateiras (Bairro Gisélia Pinheiro) e contará com a participação especial do Coco das Mulheres da Batateiras, comandado pela Mestra Edite.
"Foi quando uma bela moça / Mudô seu intineráro / Traiu as coisa de Deus / Se amancebô co'o vigáro..."
(Apresentação no Terreiro Dedé de Luna do Muriti - Fotos de Gessy Maia)
Dia 12 de junho (sábado), às 20 horas, "A Comédia da Maldição" será apresentada na Praça da Sé, em Crato, com a participação da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.
REALIZAÇÃO:
Cia. Cearense de Teatro Brincante - Ponto de Cultura do Brasil
PRODUÇÃO:
Sociedade Cariri das Artes
APOIO:
Ministério da Cultura / Governo Federal
Secretaria da Cultura / Governo do Estado do Ceará
Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude / Governo Municipal do Crato
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Coletivo Camaradas
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Sandálias Brisa
Blogues
Imprensa
Que é felicidade - Emerson Monteiro
Todos nós possuímos nossas razões de viver na variação dos interesses transitórios deste mundo cheio de elencos infinitos de pretextos para gozar. Torcer por times de futebol. Acompanhar novelas de televisão. Vícios variados; cigarro, droga, bebida. Mania de ler, de falar, comentar a vida alheia. Ganhar dinheiro. Gastar noites de sono precioso em mesas de jogo. Viajar pelo mundo observando outros povos e costumes. Andar de bicicleta. Passear de automóvel, no gosto e poder aquisitivo de quem usa. Criar cavalos de raça, peixes ornamentais, cachorros, coelhos, galinhas, ovelhas, patos, mocós, etc. Colecionar armas brancas, selos, gibis, mandatos, aviões, jóias, moedas, sapatos, livros, escrituras de terra, casas, perfumes, charutos, admiradores, canetas, vinhos, títulos universitários, entradas na polícia, visitas a museus, carimbos e passaportes, telas e desenhos, endereços eletrônicos, etc., etc.
Falar do que seja felicidade, por isso, reclama de observar cada indivíduo e o jeito se apegar a valores, na medida de cada freguês, pela ótica que lhe é própria.
Uns, visualizam apenas os detalhes; outros, o todo; sempre na intenção de si agradar, de achar satisfação nas jornadas desta vida.
Pelo transcorrer da história pessoal, topamo-nos com as oportunidades para construir justificações aos chamamentos, à proporção em que se aproxima o acerto das contas da história toda. Ainda não existe, contudo, um padrão universal que represente a felicidade, que reúna elementos de certeza absoluta, que explique nossa origem, o que estamos fazendo aqui e para onde iremos depois, nos segredos do Universo.
Há, sim, versões mitológicas, filosóficas, religiosas, acadêmicas, porém prova provada, definitiva, aceita sem conflitos por toda gente e em todos os lugares, isso ainda esperam os habitantes desta terra.
No entanto, viver é preciso, e sob o signo da felicidade, livre do que dizem e pensam as ruas, os botecos e clubes. Só avaliar objetos, sentimentos, fenômenos fica devendo para esclarecer o enigma das gerações. A escolha da adoração particular, sem preencher com clareza o espaço da verdadeira expectativa, mostra limitação que resiste à busca, no entanto, demonstra necessidade de ir em frente, firmes, sem desprezar os deveres de filhos, pais, cidadãos e contribuintes.
No frigir dos ovos, resta, então, mergulhar de cabeça dentro de nós próprios, indo às profundidades da alma, escarafunchar as entranhas, experimentar os sabores na relação com o todo, independente dos sentidos animais, e achar o propósito mais íntimo da realidade.
Nisso encontrar-se-á, na essência, sentimento alto que acolhe de braços abertos, o amor, Ser supremo, ente maior das filosofias, natureza fundamental da Criação, algo semelhante à fonte inesgotável jamais imaginada. E descobrirá transformação noutro patamar de circunstâncias que revelará novos sonhos e dimensões nunca presenciadas nas coisas materiais.
A interpretação, portanto, do que seja felicidade ressurge das virtudes adquiridas nesse acontecimento, após o desencanto dos prazeres fáceis.
Com isso, a vida ganhará novas cores e o palco da fantasia revelará outra possibilidade, no sentido pleno da caminhada. Resultado, o conceito de felicidade ampliará o viver da multidão, que nisso experimenta os frutos e as formas da beleza definitiva de uma nova humanidade.
URCA em notícias
I Semana de Física aberta na URCA
A EXPOCRATO pode ser melhor - por José do Vale Pinheiro Feitosa
E por que ele surge? Exatamente pela imposição de uma programação exógena que necessariamente não se contempla com a cultura local. Isso, claro, foi traduzido por alguns artistas da área musical da região, mas outros também se manifestaram. E aí a discussão sofre uma espécie de diluição.
Quando, lá no Cariricult o Luiz Carlos Salatiel e o Zé Flávio publicaram a programação do festival de Garanhuns, demonstrando claramente a qualidade comparada com aquela da EXPOCRATO, podem apenas ter levantado a lebre da qualidade de classe média e não exatamente aquela popular. Mas uma coisa é flagrante, uma parcela da classe média não gosta da programação da EXPOCRATO e isso já é muito a considerar do errado que há.
A outra questão é a própria escolha, pois sem a participação dos entes regionais, especialmente de conselhos que envolvem as Secretarias Municipais de Saúde das cidades caririenses, a possibilidade de erro é maior. Especialmente com perda de substância em relação a outros festejos nordestinos como flagrante nesta comparação com Garanhuns.
Por isso é importantíssimo que a Secretária de Cultura do Crato chame o maior número de pessoas, faça uma grande convenção, ou um Conferência Municipal Específica, isso cabe por lei e discuta especificamente esta questão da EXPOCRATO sob pena de perdemos esta festa para outras de maior vigor e qualidade.
A EXPOCRATO tem a cara da região, tem muito da centralidade do que é o espírito sertanejo e não pode ser entregue apenas a amadores travestidos de empresários musicais. Nada contra que os empresários participem como agentes do povo do Cariri, sendo competentes para produzir o que os daqui pensaram e demandaram. Se não conseguirem não são eles que sairão espontaneamente, será a coletividade organizada que os substituirão por outros mais competentes. E que seja a competência para atender a demanda do pensamento regional aquela que se instale.
Nada é espontâneo. Nem a EXPOCRATO foi, é ou será. Tudo depende de organização e o Município do Crato já está aparelhado para tomar a questão à unha, ou seja, o Conselho Municipal de Cultura, sua Secretaria e comissões que a Câmara Municipal criar para tal. Não existe outro modo de melhorar a EXPOCRATO que não seja pela sustentação do sentimento geral e da democracia local.
Pensamento para o Dia 08/06/2010

“Somente a aquisição do conhecimento mais elevado pode cumprir o propósito principal da vida humana. Esse conhecimento torna a pessoa consciente de que o corpo não é inerte, insensível, mas é realmente a própria consciência se manifestando como a personificação do "Ser-Consciência-Bem-aventurança" (Sat-Chit-Ananda). Quando essa verdade surge e é experimentada, a pessoa é libertada. A pessoa é liberada do nevoeiro da ignorância (Ajnana), mesmo nesta vida. Ela torna-se um Muktha Jivan: uma pessoa liberada ainda durante a vida.”
Sathya Sai Baba
segunda-feira, 7 de junho de 2010
CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA DISCUTIRÁ SOBRE ARTISTAS LOCAIS NA EXPOSIÇÃO DO CRATO
Em reunião realizada nesta segunda-feira, dia 7 de junho de 2010, na sede da Secretaria da Cultura, o pleno do Conselho Municipal de Cultura do Crato, tratou das seguintes questões:
- Preparação de Fórum Municipal de Arte e Cultura, momento em que todos os segmentos que fazem a cultura local discutirão acerca do plano e fundo municipal de cultura;
- Publicação de cartilha orientando artistas e demais interessados em como utilizar os recursos do Fundo Municipal de Cultura;
- Possibilidade de se realizar evento cultural, no período da Exposição do Crato, como instrumento de divulgação e afirmação do potencial artístico-musical do município e região, traduzido na obra de artistas que verdadeiramente constroem a identidade do Cariri e não tem espaço naquela que deveria ser a principal vitrine dos artistas caririenses. Para tanto, uma reunião será articulada envolvendo artistas e instituições de fomento.
- Foi escolhida a Diretoria Executiva do Conselho Municipal de Cultura do Crato, composta como segue: PRESIDENTE – Danielle Esmeraldo; Vice-Presidente – Cacá Araújo; Secretária Executiva – Ingrid Alidiane; Suplente da Secretária Executiva – Lorena Tavares.
O Conselho se reunirá novamente na próxima segunda-feira, dia 14, às 16 horas, na sede da Secretaria da Cultura, desta feita com convidados de variados segmentos culturais, para importantes deliberações, inclusive a formação de comissões setoriais de trabalho.
A VIRTUOSA E DIFÍCIL TRAVESSIA ENTRE A REALIZAÇÃO E A AUTOREALIZAÇÃO
Todos querem se realizar e ser feliz de uma forma ou de outra: no casamento, no trabalho, na vida social, no plano político, no meio acadêmico etc. Mas, o que poucos sabem é que a realização simplesmente é o ponto de partida para algo maior essencial e invisível. Nesse contexto, o caminho é estreito e a porta pequena (é semelhante à trajetória dos espermatozóides): poucos alcançam a realização almejada e desejada – plenamente! A maioria fica no meio do caminho. É porque nos desviamos com as propostas, avisos, convites e sugestões utilitárias subliminares.
Uma multidão inconsciente segue na escuridão em busca de uma luz que a oriente para o destino certo e correto. E nesse processo de busca inconsciente de uma realização plena nos contentamos com a realização parcial e pequena. O grande pedaço da realização fica intocável a espera da energia adequada e concentrada para o sucesso real. E assim nos distraímos psicologicamente com um mundo de prazeres e afazeres de segundo plano, de segunda importância e de pequeno mérito. Perdemos desse modo a noção de prioridade e identidade na busca da realização que de fato nos preencha e nos encante de vez. E por isso mesmo, passamos acreditar que o consumo de bens e qualidades externas é o parâmetro principal a ser perseguido, como referência, a qualquer custo.
Nos entregamos de corpo e alma para alcançar esse objetivo menor.
Uma vida inteira se passa na busca da realização que antecede e é interrompida quase sempre na morte certa sem ser alcançada de fato. Nesse sentido, a maioria persegue a realização visível e possível dentro dos padrões normais e culturais entre o nascimento e a morte física do ser. As tentativas de mudanças de percurso são variadas e sofridas de acordo com a sociedade e a cultura herdada dos antepassados. Nos tornamos cativos, portanto, da beleza, do sucesso, do poder, do sonho, da novidade e da esperança de uma realização calcada em bases materiais, sociais e culturais moldadas pelo tempo e lugar. Inevitavelmente acabamos por definir os objetos do desejo, no lugar da felicidade plena, como metas a serem alcançadas e que reflitam o esforço de chegada e conquista. E raros são aqueles que se aventuram buscar por outra avenida diferente na louca corrida de prazeres, compensações e competições desenfreadas.
A medida que o tempo passa nossas energias vão se acabando junto com os cabelos brancos acumulados. Os bens e as qualidades conquistadas vão ficando para trás nas lutas entre classes, religiões, ideologias, filosofias, crenças, culturas e organizações corporativas. Acreditamos que sairemos vencedores nos conflitos projetados inconscientemente. Aprendemos acumular no futuro o que no passado desejamos conquistar como realização: carros, motos, sitios fazendas, poupanças, viagens, emoções, momentos “felizes” etc.
Quanto mais acumulamos mais vazios nos tornamos daquilo que é essencial para as nossas vidas. E esse vazio aumenta quando a realização não se torna de fato presente no aqui e agora. E por isso nos esquecemos de qual realização devemos apostar nossas energias e consciências. Ela já nos foi apresentada pelos costumes e hábitos da nossa época. Romper com esse paradigma cultural e existencial é o desafio que não estamos de todo consciente. Isto porque a verdadeira realização é ao mesmo tempo um caminho, uma verdade e uma vida de conquista e mérito pessoal: a autorealização sem perder de vista a nossa necessidade pessoal e a dos nossos semelhantes preservando a natureza e amando a beleza da criação humana.
Um desafio incalculável, poderoso e paradoxal!
Perguntaram ao Dalai Lama...
O que mais te surpreende na humanidade?
E ele respondeu:
“Os homens...Porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
Depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro,
Esquecem do presente de tal forma que acabam
Por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como nunca fossem morrer....
....e morrem como se nunca tivessem vivido”.
Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA (Universidade Regional do Cariri)
HTTP://bernardomelgaco.blogspot.com
