
Hoje é um dia muito especial: a lembrança dos amigos e amigas que tive (porque jê foram embora desse mundo) e daqueles que tenho guardado de lembrança no coração. E esses últimos agradeço de coração pela amizade, confiança, carinho e atenção ainda manifestada. E os amigos (as) do Cariri um especial abraço por tudo que aconteceu comigo nos bons momentos alegres e felizes pelos quais passamos juntos. E mesmo estando agora no Rio de Janeiro não esqueci de vocês. Senti muita saudade de cada um que se doou para a construção de uma relação amiga e sincera. Muito obrigado a todos vocês amigos e amigas. Quanta vontade tive de ir visitar vocês durante esse ano ausente do Cariri. Como uma boa parte de vocês está sabendo fui obrigado a me ausentar desde abril de 2009 para tratamento de saúde. Felizmente tenho uma boa perspectiva de retorno ao Cariri para final desse ano ou início do ano de 2011. Deus está me dando uma segunda chance de viver e reviver minhas amizades – os últimos exames foram bons para mim deixando o meu médico bastante otimista da minha recuperação. E não vejo a hora de voltar e abraçar vocês por tudo – tudo mesmo! – que fizeram por mim. “Amigo é para se guardar no centro do peito” Milton Nascimento.
Foi nos meus momentos mais difíceis que percebi o valor da amizade. A doença me fez ver cada um de vocês sorrindo e me confortando quando a minha fé caía num buraco vazio do meu peito. Mas, não estava vazio e sim preenchido com a imagem e a força moral que cada um me transmitiu aí no Crato e em outros lugares. Era o momento de Deus me lembrar que a amizade tem também poder de cura. Assim, nos meus vários momentos de sofrimento solitário tive vontade de me transportar para o Cariri e recebê-los para captar a força do Amor contida em cada intenção amorosa e gesto carinhoso de todos vocês. A batalha não terminou ainda, mas sinto que venci uma parte difícil dos obstáculos.
E fico feliz em comemorar o lançamento do livro CARIRICATURAS EM PROSA E VERSO. E como não poderei estar ai nos dois dias (23 e 24 de julho) comemorativos de lançamento, desejo de coração SUCESSSO E MUITA ALEGRIA COM MÚSICA, DISCURSOS BONITOS E CONFRATERNIZAÇÃO!
Gostaria que me enviassem pelo correio um (O RESTANTE da MINHA PARTE RECEBO NO FINAL DO ANO AI NO CARIRI) exemplar do livro. O meu endereço aqui no Rio de Janeiro é esse:
Estrada do Portela 118 casa 4 – Madureira – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 21351-050
Telefone Residencial: (021) 3015-8288
PAZ E SAÚDE COM ALEGRIA SINCERA E AMIGA!
Bernardo Melgaço
Seja colaborador do Cariri Agora
terça-feira, 20 de julho de 2010
DIA DO AMIGO E DA AMIGA: CARIRICATURAS EM PROSA E VERSO
Os dez mandamentos dos conservadores - José do Vale Pinheiro Feitosa
Hoje o pensamento conservador é o pensamento da burguesia internacionalista e que foi melhor expresso nos EUA. Portanto estes mandamentos são aqueles formulados pela vanguarda do conservadorismo moderno, mas tem uma estrutura bem típica daquelas bases sociais, culturais e históricas deste país.
Estes mandamentos são um resumo do texto Ten Conservative Principles (1993) por Russell Kirk.
Primeiro - existe uma ordem moral duradoura. Feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes. A ordem tem sido uma preocupação central dos conservadores. O conservador acredita que todas as questões sociais são questões da moralidade privada. Os homens e as mulheres são governados pela opinião em uma ordem moral perene, por um sentido forte de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra.
Segundo - adesão ao costume, à convenção, e à continuidade. Os princípios antigos permitem as pessoas viverem juntas pacificamente. Pela convenção conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres: as leis, em sua essência, são um conjunto de convenções. Continuidade é a ligação entre uma geração e outra. Conservadores preferem o diabo que conhecem ao que desconhecem. Ordem, justiça e liberdade, são produtos artificiais de uma longa experiência social, o corpo social é um tipo de corporação espiritual, comparável à Igreja. A mudança necessária deve ser gradual e discriminatória, nunca removendo antigos interesses de uma vez.
Terceiro - é o princípio da prescrição, das coisas estabelecidas pelo uso desde tempos imemoriais, de modo que a mente humana não busca os seus contrários. Um exemplo fundamental é o direito de propriedade. Nossa moralidade é em grande parte prescritiva. Em política fazemos bem em seguir por precedência, preceito e mesmo pré-julgamento.
Quarto - o princípio da prudência. Não perseguir objetivos que tentem anular males presentes, pois a mudança pode criar novos abusos maiores do que os presentes. A providência move-se lentamente, mas o diabo sempre se apressa. Reformas, assim como as cirurgias, são perigosas quando repentinas e profundas.
Quinto - o princípio da diversidade. Na preservação saudável da diversidade, em qualquer civilização, deve sobrevir ordens e classes, diferenças em condições materiais e diversos modos de desigualdade. As únicas formas verdadeiras de igualdade são aquelas do Julgamento Final e aquelas perante um justo tribunal da lei; todas as demais tentativas de nivelamento irão conduzir, na melhor das hipóteses, à estagnação social.
Sexto - princípio da imperfeição ("imperfectability"). A natureza humana é imperfeita e sendo assim, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Perseguir uma utopia é terminar em desastre, não fomos feitos para coisas perfeitas. Tudo que podemos é uma sociedade toleravelmente ordenada, justa, e livre, na qual alguns males, desajustamentos e sofrimentos estarão sempre presentes. Por reformas prudentes podemos preservar e melhorar a ordem tolerável. Mas salvaguardando as formas institucionais e morais antigas.
Sétimo - liberdade e a propriedade são intimamente relacionadas. Nivelamento econômico não é sinônimo de progresso econômico. Para os conservadores a instituição da propriedade privada tem sido um instrumento poderoso para: ensinar responsabilidade, prover motivos para a integridade, suportar a cultura geral, permitir o ócio para o pensar e a liberdade para agir, reter os frutos do trabalho do indivíduo e torná-los permanentes, para legar propriedade à posteridade; erguer-se da pobreza à segurança da realização duradoura; para ter algo que realmente pertença a si mesmo. A posse da propriedade impõe certos deveres ao proprietário e aceita estas obrigações morais e legais alegremente.
Oitavo - suportam ações comunitárias voluntárias e se opõem ao coletivismo involuntário. O espírito bem sucedido de comunidade se opondo aos direitos universais controlados por instituição política geral e não local. Nenhuma nação é mais forte do que as pequenas e numerosas comunidades de que é composta. Uma administração central, ou um conjunto de seletos administradores e servidores civis, embora bem intencionados, não podem conceder justiça, prosperidade e tranquilidade a uma massa de homens e mulheres desprovidos de suas antigas responsabilidades.
Nono - restrições ao poder e às paixões humanas. O poder é a habilidade de realizar a vontade de um não obstante a vontade dos demais. O poder não pode ser abolido; encontra sempre seu caminho para as mãos de alguém. A prescrição dos conservadores é: limitações constitucionais, verificações e contrapesos políticos, o cumprimento adequado das leis, a antiga e intricada teia das restrições por sobre a vontade e os apetites. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.
Décimo - permanências e mudanças devam ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa. Quando uma sociedade está progredindo em alguns aspectos, geralmente está declinando em outros. Toda sociedade saudável é influenciada por duas forças: Permanência e Progressão. A Permanência são interesses e convicções perenes que nos dão a estabilidade e a continuidade. A Progressão em uma sociedade é esse espírito e esse conjunto de talentos que nos incitam à reforma e à melhorias prudentes. Então as diferenças deles em relação aos liberais se encontra no trato da Permanência pois estes poriam em perigo a herança nos legada. O conservador favorece o progresso racionalizado e moderado; é oposto ao culto do progresso.
Expocrato? Estou fora! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Não gosto do Crato no período da exposição. Barulho ensurdecedor até o raiar do dia, ruas estreitas entupidas de automóveis, motoqueiros transitando pelas calçadas, gente em demasia que nos faz sentir-se num outro lugar que não a nossa bucólica e pacata terra. E o que é pior, nos tornamos forasteiros em nossa própria casa. Nas estradas o movimento é intenso. Constantes blitz’s fazem parar nosso carro duas ou três vezes. Nada mal, pois ela surpreende os irresponsáveis motoristas alcoolizados, evitando deste modo que o número de acidentes cresça mais ainda. O pior mesmo são as bandas de forrós que fazem um barulho tão grande que ecoa por toda área urbana do Crato e roubam o sono de muitas pessoas, que não estando de férias, trabalham no dia seguinte.Soube que a URCA suspende suas aulas no período da Expocrato? Pode um negócio desses? E o Hospital São Francisco que fica tão próximo? Que é feito dos doentes? Onde estão o silêncio e a paz tão necessários para a cura das enfermidades?
Sou favorável que a Exposição volte às suas origens. Imaginem que eu alcancei nos distantes anos de 1954/1955 duas exposições tendo como local a atual Praça Alexandre Arraes, naquela época denominada "Bosque Municipal", depois Parque Municipal, bem defronte da Maternidade e muito próximo do Hospital São Francisco. Ao redor do local já existiam as residências que por lá permanecem até hoje. E não houve incômodo algum para os moradores, a não ser o grande “mosqueiro” que vem após. Afinal, a Expocrato é uma exposição de gado, de produtos agrícolas, agro-industriais, cultura regional e não de swhos musicais com estridentes bandas de forrós e de extremado mau gosto. Para que esse som tão ensurdecedor? Por ventura são surdos? Esquecem também que os animais que ali estão expostos sofrem dez dias de estresse que lhes são prejudiciais à saúde. Então que se volte a fazer a Exposição como ela era até meados de 1960. Sem música estridente, sem bandas de forró. Até então tínhamos festas em todas as noites da exposição que eram realizadas no Crato Tênis Club. Época em que íamos às festas e além de dançar, podíamos bater um agradável papo. Todos ouviam a música num tom normal, ninguém era surdo. Por que então, em vez de transferir o parque para outro local não fazer esses shows em cima da Serra do Araripe, no antigo Aeroporto? Será que o IBAMA deixaria? Tenho certeza que não, pois seria prejudicial à fauna e também à flora. E nós, o bicho homem, podemos suportar tudo isso?
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
segunda-feira, 19 de julho de 2010
NOTA DE FALECIMENTO
Expocrato termina e deixa saudades
domingo, 18 de julho de 2010
Everardo Norões e Você - José do Vale Pinheiro Feitosa
Isto é, quem olha Everardo na ambiência social, encontra uma sisudez herdada. Aproxime-se e descobrirá um verbo que tem aquilo que Eça de Queiroz dizia do português falado no Brasil: tem a doçura da cana. Mas não procure que se cristalize definitivamente, logo ele se liquefaz e toma outras formas. Por isso tão múltiplo como dito no início.
Ia me esquecendo dizer de quem herdou. De Plínio Norões, o seu pai, quem o mundo movia-se por quereres, mas também por aleatoriedade. Nem acaso apenas como necessidade somente. A sisudez como atenção pelo momento em curso.
Portanto, neste evento que o Cariricaturas promove de lançamento de mais uma edição de Everardo Norões, o livro “Poeira nas Réstias” o pessoal do Crato tem de se desapegar desta preguiça malsã.
A preguiça que não é nossa e nem nos convém como acontecia nas canções de Dorival Caymmi. Peço aos meus que mande para os quintos dos infernos esta preguiça de televisão, da mesmice pequeno-burguesa do Jornal Nacional e que por falta não perderá a alma. Ganhe sua alma e vá ao Teatro Rachel de Queiroz.
Encontre Everardo em companhia de Sonia e Dihelson Mendonça. Verás quão significados existem neste verbo encontrar: frente a frente; descobrir a consciência; recuperar a própria alma escondida atrás dos cristais luminosos das televisivas. Tudo bem que procure a simplicidade própria, não este sonambulismo hipnotizado por tantos lugares comuns e tanta notícia sangrenta.
No Teatro Rachel de Queiroz, neste dia 22, na próxima quinta feira, não deixe sua alma no éter, dê-lhe a chance de ser ela por ela mesma. Abrace esta intenção, supere o umbral desta casa que lhe prende por exaustão. Vá para a rua e encontre-se. Lembre de um poema de Everardo Norões em seu “Retábulo de Jerônimo Bosch”:
as pontes do recife
em direção à Abissínia.
Nós o seguíamos:
havia sempre um cais,
um segredo,
o elixir das noites mortas.
Aprendíamos
a verdade incompleta,
o sortilégio dos desenganos,
as formas de penetrar,
(de leste a oeste)
a pálpebra das coisas.
Sempre um átomo a pulsar
no vidro,
no sexo,
nos móveis da casa:
a substância mais viva
do esquecimento.
Digo:
o silêncio é uma rua
de janelas fechadas.
sábado, 17 de julho de 2010
E o Crato virou Fortaleza – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Não cheguei a conhecer seu Juquinha, um comerciante do Crato, cuja mercearia na Praça da Estação, além de muito sortida, era muito freqüentada. Conheci o seu filho mais velho, Antônio Edisio, rapaz muito estudioso, a quem o diretor do Colégio Diocesano, Monsenhor Montenegro, sempre recorria na falta temporária de qualquer professor de matemática. Na quarta série do ginasial, Edisio foi nosso professor por mais de quinze dias.De Juquinha rolavam pelas ruas, bares e praças do Crato, histórias muito engraçadas. Uma delas dizia respeito a Edisio, esse seu filho dublê de professor de Matemática. Naquela época, era costume do povo simples da roça dizer que o filho tinha terminado o primeiro livro, em vez de concluído o primeiro ano primário. Edisio tinha ido estudar em Recife, onde se preparava para fazer o vestibular de engenharia. Dizem que por este tempo, alguém entra na mercearia de seu Juquinha e lhe pergunta:
– Seu Juquinha, cadê aquele seu filho mais velho, que eu nunca mais vi?
– Homem, Edisio já leu os livros daqui do Crato tudinho, e agora foi ler os livros do Recife.
Contava-se também que um dos maiores sonhos de seu Juquinha era conhecer Fortaleza. Depois de juntar algumas economias, decidiu embarcar sozinho, pois o dinheiro não dava para levar a mulher ou um dos filhos. Então, numa tarde de domingo, tomou o trem, tendo antes o cuidado de comprar o bilhete de segunda classe, por ser mais barato. Acomodou-se na dura cadeira, apoiando o braço na janela, quando da plataforma um freguês da sua mercearia o avista no carro de segunda e lhe indaga admirado:
– Mas Juquinha, você vai viajar na segunda classe?
– E tem de terceira? – Perguntou interessado, o econômico Juquinha.
A viagem transcorreu sem nenhum problema até a cidade do Iguatu, onde o trem pernoitava. O mesmo ocorria com o trem que saia de Fortaleza, que também parava no Iguatu e todos os passageiros se alojavam no Hotel Ferroviário, para de madrugada prosseguirem a viagem.
Às quatro da madrugada em ponto, o porteiro do hotel despertava os hóspedes mais dorminhocos, pois quinze minutos depois, os dois comboios partiriam em sentidos contrários. Juquinha foi um dos passageiros que fora surpreendido pelo sono e saiu atarantado, à procura do seu trem. Na pressa, não olhou direito qual era dos dois trens que deveria entrar. Aliás, acho que Juquinha nem percebera que havia dois trens parados na estação. Entrou no trem que ia de Fortaleza para o Crato. E seguiu viagem sem nada desconfiar. Nem a paisagem e nem as cidades que passara no dia anterior fizeram-lhes notar que havia entrado no trem errado.
Finalmente, o trem começa a chegar ao Crato e Juquinha exclama para o companheiro do assento ao lado, que para seu maior azar, era um surdo mudo.
– Como Fortaleza é parecida com o Crato! Até agora não vi diferença nenhuma nessa tal de capital. Até a ponta de rua é parecida com a entrada do Crato. Tem até aquela porção de pedra de gesso amontoada na beira da linha...
Quando o trem parou na estação do Crato, Juquinha desceu falando sozinho, para espanto de quantos o conheciam.
– Vôte, Fortaleza é igualzinha ao Crato. Até a Praça da Estação parece ser a mesma, com a estátua do Cristo Rei e tudo o mais. As mesmas árvores, as pessoas parecem que têm a mesma cara dos meus conhecidos lá do Crato.
E Juquinha seguiu pela praça, a esta altura, com um grupo considerável de pessoas no seu encalce, curioso para saber o que se passava com o velho Juca. Finalmente Juquinha diz outra frase em voz alta, que foi o estopim para o veredicto popular:
– Arre égua, até uma filial da minha mercearia eu tenho aqui em Fortaleza e não sabia. E aquela vendedora que tá lá dentro é vê a minha mulher! – Exclamou Juquinha ao ler a placa do seu estabelecimento comercial: “Mercearia O Juquinha”.
– Juquinha pirou de vez! – Diziam uns.
– Ele tá tergiversando. Não diz coisa com coisa. – Exclamavam outros.
– Ele tá é doidinho da silva. – Concluía alguém que fora chamar a sua família.
Os familiares ao verem Juquinha, ainda crente que estava em Fortaleza, levaram-no ao posto de saúde mais próximo. Ao ser medicado por um médico conhecido, teve tempo de dizer, antes que o sedativo que lhe fora aplicado fizesse o efeito esperado:
– Os doutores daqui de Fortaleza são iguaiszinhos aos do Crato. Não sabem é de nada também!
Extraído do livro "História que vi, ouvi e contei" do mesmo autor.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
URCA em notícias
Letrista nega música à campanha de Dilma Rousseff
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Que é isso? Um leão que reza? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Poucas famílias cultivam o saudável hábito de agradecer a Deus as refeições que fazem. Aliás, não somos muito de agradecer as graças que Deus constantemente derrama sobre todos indistintamente. Nós pedimos em demasia, mas pouco agradecemos os benefícios recebidos.Há alguns anos, reunidos com um grupo de amigos, refletíamos sobre a necessidade de agradecer a Deus e pedir bênçãos pelo alimento de cada dia. Alguém leu numa revista, uma pequena história que ficou martelando minha cabeça. Numa época em que se pretende promulgar uma lei que deveria existir no coração de cada pai e mãe, qual seja: formar e educar os filhos com amor e não com palmadas, vi nessa história uma forma diferente, criativa e sem violência de como um pai deve instruir os filhos. Principalmente quando se pretende impor alguma regrinha que eles não desejam cumprir.
Um pai de três crianças, ao participar de um retiro religioso, retornou à sua casa decidido a fazer orações de agradecimento antes das refeições. “De hoje em diante nós vamos rezar antes do almoço e do jantar.” Ordenou o pai, sob protestos imediatos dos filhos. “Xi, pai, rezar? Isso é muito careta!” Protestou um dos meninos. Então o pai com muita habilidade perguntou: “Está bem, mas contar uma historinha pode?” “Ah, será muito legal!” Disseram todos a uma só voz. E o pai contou a seguinte história.
Um caçador estava numa floresta da África fazendo uma grande caçada. Quando já retornava para casa, deu de cara com um enorme leão à sua frente. Não perdeu tempo. Todo trêmulo, apontou a espingarda bem na testa do leão e deu um tiro. Mas errou. Era a última bala que havia. Então fechou os olhos e esperou ser devorado pelo leão. Passados uns dois minutos, que lhe pareceram séculos, pensou que o leão havia desistido de lhe devorar e fora embora. Mas quando ele abriu os olhos, o leão estava à sua frente, de joelhos, mãos postas e olhando para o céu dizia: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste na minha mesa.” As crianças gostaram muito da história.
No dia seguinte, à hora do almoço, os meninos já estavam sentados, quando o pai ordenou: “Levantem-se todos!” Em seguida perguntou: “Como foi que o leão disse diante daquele caçador lá na África?” E as crianças responderam: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste...”
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
CRIAR MUNICÍPIOS PRÁ QUÊ E PRÁ QUEM? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Aí se pensa em mais uma partilha nos diversos fundos dirigidos aos municípios, nos gastos com a burocracia necessária e para fazer funcionar os poderes. Não imagine que tudo vai se resumir ao legislativo e ao executivo municipal: tem repercussões deste o endereçamento postal até no judiciário e nas políticas estaduais.
A criação de municípios é tão grave que não poderia ser objeto apenas da representação política, mas sim da democracia direta. Por que todos os eleitores do Crato não podem votar num plebiscito para saber se é conveniente criar o município de Ponta da Serra? Qual é a lógica por trás desta decisão?
Alguém dirá que Ponta da Serra está prejudicada por ser distrito do Crato. Vamos discutir o assunto? Apresentar os argumentos. Então Santa Fé poderia igualmente pensar em algo. E toda a região do Belmonte com a encosta criando um município de terras altas? Deste modo a justificativa pode ser qualquer uma. Mas é preciso parlamentar com o povo.
Vamos que Ponta da Serra não tenha o que merece. Isso se resolverá com a separação? De modo algum estará garantido. Não existe uma racionalidade de eficiência neste furor de criar municípios no Brasil. Agora que tal os nossos representantes na Assembléia Legislativa promulgar e regulamentar uma lei na constituição do estado que garanta a plena defesa dos distritos em relação às suas sedes e ao poder executivo municipal?
Por que não se aperfeiçoam os mecanismos de exercício municipal criando orçamentos distritais, políticas distritais, controles sociais e outros instrumentos que garantam o equilíbrio entre as partes? Isso garantiria muito maior eficiência na gestão do que a criação de mais uma máquina a consumir meios para a função dela mesma.
A discussão da criação destes municípios está fora de lugar e me chamou muito atenção que entre aqueles que escrevem nos blogs, só o Pedro Esmeraldo tocou no assunto. E o mais grave um assessor da prefeitura do Crato chegou a justificar a criação do município de Ponta da Serra e eu não entendi mais nada. Ou entendi tudo?
Pobre é mais de cem
Muito mais de mil
Mais que um milhão
E vejam só...
E só de vez em quando
Pobre é feliz” (Cicatrizes, Zé Kéti)
ZÉ KÉTI
Por Zé Nilton
Em dezembro de 1964 o parafuso da ditadura militar implantada no Brasil em 31 de março daquele ano ainda não havia iniciado o aperto ao madeiral das artes e dos artistas no país.
Estamos no momento do grande movimento no teatro brasileiro com repercussão significativa para a Música Popular Brasileira. Dois renomados compositores compunham o elenco do Show Opinião – João do Vale e Zé Kéti. Duas trajetórias de vida com origens de classe e de cor parecidas. Igualmente donos de uma musicalidade a serviço da transformação do homem e do mundo.
O inspirado compositor e poeta José Flores de Jesus – na carteira de identidade do Brasil de baixo - confirmam a tese do eminente crítico Tinhorão. Os compositores cariocas são oriundos das classes subalternas da sociedade, sobrevivendo de pequenos ofícios ou de empregos de baixo status no funcionalismo público. Zé Kéti chegou a largar a vida de artista para trabalhar como soldado de Polícia no Rio nos começos da década de 1940. Assim como Lupicínio Rodrigues e tantos outros, a corporação não segurou a inquietude rolando na cabeça do soldado Flores.
Cantou o mundo em que viveu e por via de conseqüência produziu uma vasta obra de inegável valor para a identidade de nossa musicalidade. O morro, a periferia, os botequins, os lugares dos pobres são espaços marcantes na poética denunciadora deste excelente compositor brasileiro.
Naqueles idos dos anos de chumbo e até recentemente a nossa classe média acalentava o sonho (o discreto charme da burguesia?) de transformação social de realidade teimando buscar nas raízes culturais brasileiras seu suporte teórico para a ação revolucionária. Foi nesta que o Teatro de Arena – lá estão Augusto Boal, Oduvaldo Viana, Armando Costa, Paulo Pontes, Tereza Goulart, CPC da Une – elevou o experiente compositor Zé Kéti à condição de artista cênico.
A peça Opinião foi baseada na sua música. A opinião de um caboclo que reinventa o cotidiano “apesar de você” e dos dissabores da vida de pobreza:
“Daqui do morro eu não saio não
Se não tem água eu furo um poço
Se não tem carne eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar”...(Opinião).
Igualmente, suas músicas são transformadas em trilhas sonoras nas películas de Nelson Ferreira dos Santos, Roberto Santos, Leon Hirszman, Cacá Diegues...
De conversa em conversa, apresentaremos um pouco de sua história enquanto ouviremos:
ABERTURA, com Zé Kéti, Nara leão, João do Vale etc.
CICATRIZ, Zé Kéti e Hermínio Belo de Carvalho com Zé Kéti
PEÇO LICENÇA, de Zé Kéti com Zé Kéti
A VOZ DO MORRO, de Zé Kéti com Os Demônios da Garoa
O FAVELADO, de Zé Kéti com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão
MALVADEZA DURÃO, de Zé Kéti com Elizeth Cardoso
PRAÇA 11, BERÇO DO SAMBA, de Zé Kéti com Zé Kéti
VOCÊ NÃO FOI LEGAL, de Zé Kéti e Celso Castro, com Wilson Miranda
DIZ QUE FUI POR AI, de Zé Kéti Hortêncio Rocha, com Zé Kéti
OPINIÃO, de Zé Kéti com Zé Kéti
NEGA DINA, de Zé Kéti com Zé Renato & Alcione
MASCARADA, de Zé Kéti e Elton Medeiros, com Zé Kéti
MÁSCARA NEGRA, de Zé Kéti com Zé Kéti
Quem ouvir verá!
Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, de 14 horas as 15 h.
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz
Pesquisa,produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmitido pela www:cratinho.blogspot.com
A coisa certa, na hora certa - Emerson Monteiro
Tantas vezes nos pegamos a considerar se agora estamos onde deveríamos estar, que, ao menor sinal de desencanto, queremos logo saber qual seria um outro jeito de agir e procurar alguma inspiração que satisfizesse as nossas ações improvisadas. Por isso, existem os jogos de azar e os ledores da sorte espalhados neste chão.
As voltas que dá o mundo impõem condições rigorosas no uso do tempo e da liberdade. E uma palavra dita fora de hora, ou de maneira equivocada, corre o risco, não raras vezes, de cobrar preços elevados em termos de sofrimento, o que leva a pensar se haveria outros modos de trabalhar a vida e acertar com mais frequência, sem a presença tão rotineira do erro.
As considerações filosóficas criam esquemas de as pessoas funcionarem com mais sucesso quando gastam idade e saúde, estudos esses que demonstram, em mil doutrinas, religiões tradicionais, saídas particulares e até aventuras errantes, desastrosas, quanto à existência.
Os autores mergulham fundo nessa busca de rever o tempo que passou nas suas vidas, um esforço extremo de consertar aquilo em que falharam, e recuperar a fase auspiciosa da juventude, através dos frutos aprendidos nas experiências. No entanto, o que passou, passou; não volta mais; no que pesem as belas produções artísticas disso resultantes. Lindas melodias, raros livros, telas afamadas.
Os rastros deixados na estrada desta vida significam aquilo em que se transformaram os verdes anos de cada criatura, marcas fixadas no próprio corpo das pessoas, sobretudo na face engelhada, olhares cansados, caminhar incerto; nos dentes perdidos, barriga aumentada, frágil musculatura.
- Ah, se, quando jovem, eu soubesse do que agora sei tudo seria bem diferente na minha história, – afirmam de alguns espectadores arrependidos. Se, palavrinha poderosa, contudo, neste caso, ineficaz para gerar novas consequências. O que significa mesmo já ficou gravado nas trilhas da eternidade, restos de saudades, frustrações, lembranças.
Daí essa dúvida recorrente de saber sempre do lugar certo e da coisa certa ao se encaminhar durante cada momento. Parar e pensar, calcular, planejar, pois todo cuidado é pouco, na utilização dos dons preciosos de existir e dispor da saúde enquanto andamos nesta jornada cotidiana.
Uma crença positiva e as largas esperanças enchem os dias, alegram o espírito e alimentam o trato com os nossos semelhantes, isto sem preconceito e com animação e respeito, nutrientes essenciais da boa convivência. Naquilo que ignoramos, a realidade ensina que sábio é quem planta o bem para depois colher as dádivas da santa felicidade.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Pensamento para o Dia 13/07/2010

“Ler e desfrutar das histórias de glória do Senhor, em algum lugar sagrado como um templo, santuário, ermida de um santo ou na companhia de pessoas virtuosas e boas, é uma fonte de grande inspiração e alegria. Isso fará você esquecer todo o resto. Gosto por tal literatura saudável é o resultado acumulado de mérito e esforço. Você pode até mesmo aproximar-se de homens piedosos, servi-los e ouvir sua exposição da glória de Deus. Ouvir só será suficiente no início. Mais tarde, as histórias vão despertar o interesse na natureza e nas características de Deus e os aspirantes encontrarão e seguirão o caminho para a Auto-realização.”
Sathya Sai Baba
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“As pessoas têm três instrumentos principais para se elevarem: inteligência, mente e sentidos. Quando a mente fica escravizada pelos sentidos, você ficará emaranhado e preso. Quando a mesma mente é regulada pelo intelecto, você pode tornar-se consciente da sua própria Realidade. A potência de sua mente pode ser promovida por boas práticas como meditação, repetição do nome do Senhor, canto devocional e adoração. O poder mental obtido conforme as práticas espirituais deve ficar longe dos caminhos errados. Sua mente deve ser liberada do controle dos sentidos e guiada pelo princípio da inteligência. Desse modo, o progresso espiritual será rápido.”
Sathya Sai Baba
Lançamento do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa”
Adaptação dos textos de Émerson Monteiro e José do Vale Pinheiro Feitosa.
Paulo Moura morre aos 77 anos no Rio
Do G1 RJ
Cédulas eleitorais - Emerson Monteiro
Em um desses programas de televisão que mostram personagens remanescentes da história, assisti a depoimento de um senhor alemão que presenciou o momento exato quando Hitler reuniu multidão, lotando o maior estádio de futebol de Berlim, para, depois de emocionado discurso, consultar a propósito da sua decisão de fazer frente ao resto do mundo e iniciar a Segunda Guerra Mundial, destruindo a paz e ceifando milhões de vidas.
Naquele momento de consulta popular através da aclamação pública, o entrevistado via se configurar iminente a séria catástrofe que atingiria a humanidade inteira, por conta do gesto tresloucado ali resolvido sem qualquer apelação. Contudo nada pôde fazer para impedir a horda que avassalaria os destinos da civilização, porquanto seu voto representou apenas minoria vencida, em meio aos gritos histéricos da massa humana que, favorável ao espírito do ditador incoerente e perverso, assinava cheque em branco entregue nas mãos de frio e sanguinolento psicopata.
Soubesse o elefante a força que tem, o leão não seria o rei dos animais, afirma provérbio indiano, para considerar a verdade indiscutível dos acontecimentos na balança das coletividades.
Avaliassem os eleitores o peso de cada um dos votos que depositam nas urnas, e as sociedades decerto haveriam de conquistar níveis superiores de aperfeiçoamento e progresso durante toda a sua caminhada evolutiva.
Certa vez, ouvi D. Violeta Arraes falar com propriedade a respeito do quanto o povo francês considera importantes os turnos eleitorais, instantes solenes das decisões do futuro. Isso por conta do que a França já sofreu nas garras de aventureiros incompetentes, que lhe submeteram aos traumas de tragédias imensas, porquanto nenhuma família francesa atravessou o século XX sem amargurar o drama da escolhas infelizes de irresponsáveis que dominaram o continente europeu, levando-o a marcas dolorosas e profundas.
Bertolt Brecht, vítima dos desmandos da guerra, define sem meios tons a importância da democracia no poema O analfabeto político, quando assim define:
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.





