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sábado, 16 de outubro de 2010

PR do Ceará muda de lado e agora apoia Serra

O PR do Ceará decidiu nesta sexta-feira apoiar o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. No primeiro turno, a legenda ficou ao lado de Dilma Rousseff (PT).

A mudança decisiva ocorreu por atuação de Lúcio Alcântara, candidato derrotado ao governo do estado pelo PR. Ele diz que se sentiu abandonado pelo PT no primeiro turno. Dilma priorizou a candidatura de Cid Gomes (PSB), que saiu vencedor.

“O PT disse que ela estaria nos dois palanques. Ficou só com o adversário. Nunca tive espaço na campanha. Optaram por me excluir”, queixou-se o ex-governador Lúcio Alcântara em sua página no twitter, na tarde desta sexta-feira.

O candidato derrotado não esconde suas mágoas com os petistas: “Não tenho vocação para estar onde não se cumpre compromisso e não se respeitam as pessoas. Não tenho idade para ficar onde estou sobrando”. Há dois dias, Alcântara foi convidado por José Serra para uma conversa, em São Paulo. Saiu de lá decidido a apoiar o tucano. O PR cearense referendou a posição do ex-governador, que teve 16,4 % dos votos.

Também pesou o fato de Dilma Rousseff ter nomeado Ciro Gomes, inimigo de Lúcio, coordenador de sua campanha no Nordeste. Lúcio Alcântara deve acompanhar José Serra neste sábado, quando o tucano visita o Ceará. Ele vai assistir a uma missa na cidade de Canindé, que comemora a Festa de São Francisco.

Tasso entra na briga – Depois de perder a disputa ao Senado, o tucano Tasso Jereissati também já mobilizou o PSDB estadual para trabalhar para a campanha de José Serra. No primeiro turno, o apoio de Tasso a Serra foi tímido. Agora, derrotado numa eleição que teve forte influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano quer dar o troco derrotando Dilma Roussseff.

O apoio de Lúcio Alcântara e de seu partido pode significar uma reação de Serra no estado, o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste. No primeiro turno, o tucano obteve 16,3% dos votos válidos no Ceará.

O dedo do Aécio: PP mineiro decide apoiar Serra

Ontem, o PP nacional deu oficialmente seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Hoje, menos de 24 horas depois, o diretório regional do PP em Minas Gerais enviou uma carta a Francisco Dornelles manifestando “apoio irrestrito a José Serra”. Nem é preciso dizer que tem as digitais dos dez dedos de Aécio Neves nesta carta. (Por Lauro Jardim)
Fonte: Veja

Veja intenções de voto à Presidência por sexo e região, segundo Datafolha

Do G1, em Brasília


O Datafolha divulgou na noite desta sexta-feira (15) mais uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Na média nacional, segundo o levantamento, a candidata petista Dilma Rousseff tem 54% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos), contra 46% do tucano José Serra. Nos votos totais (que contam brancos, nulos e indecisos), a petista tem 47%, e o tucano, 41%.
Pesquisa Datafolha (Foto: Editoria de Arte / G1)

Além dos números gerais, o Datafolha também calculou o percentual alcançado pelos candidatos em segmentos do eleitorado como sexo e nas regiões do país. O quadro ao lado mostra as intenções de voto totais (que não incluem brancos, nulos e indecisos) de Dilma e Serra apuradas pelo instituto.

Eleitorado masculino e feminino - Entre os homens, Dilma aparece com 51% das intenções dos votos totais, contra 39% de Serra. Já entre as mulheres, Dilma e Serra têm, individualmente, 43% das intenções

Por região -  No Norte/Centro-Oeste, Dilma foi de 44%, apurados no levantamento de 10 de outubro, para 45%, e Serra manteve os 46% da pesquisa anterior.

No Sudeste, Dilma foi de 41% para 43%, enquanto Serra se manteve em 44%.

No Sul, Dilma foi de 43% para 40%; novamente, Serra manteve o índice anterior, de 48%, de acordo com o Datafolha.

No Nordeste, Dilma passou de 62% para 60%; Serra foi de 31% para 30%.

Na reta final da eleição, avaliação de Lula volta a subir e bate recorde, diz Datafolha

A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir na reta final da eleição, após meses de estabilidade, e atingiu na segunda semana de outubro seu maior índice desde que o petista foi eleito, mostra pesquisa Datafolha realizada nos dias 14 e 15 de outubro com 3.281 eleitores de 2020 municípios.

Pela primeira vez, a aprovação do presidente chega a 81% de ótimo/bom, recorde na série histórica do Datafolha.

No levantamento realizado na semana passada, 78% dos eleitores brasileiros consideravam a administração de Lula ótima ou boa. Antes, a melhor avaliação havia sido atingida em 24 de agosto (79%).

O pior momento do petista na Presidência foi entre outubro e dezembro de 2005, quando 28% avaliavam-na como ótima ou boa. Nessa época, Lula enfrentava as denúncias relacionadas ao mensalão.

No levantamento atual, 15% consideram o atual governo regular, enquanto 4% avaliam que ele é ruim ou péssimo.

A nota atribuída ao governo Lula no levantamento atual é de 8,1, ante 8 na semana passada.

Fonte: Folha de S. Paulo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O futuro político nordestino - José do Vale Pinheiro Feitosa

As eleições presidenciais polarizam posições e os estados que já elegeram seus governadores esquecem a sua prória disputa. Ao examinar o quadro das eleições de governadores no Nordeste, segundo as últimas pesquisas, consolida-se uma mancha contínua de lideranças do PSB. Ele poderá governar quatro estados: Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

Quando um partido faz isso, necessariamente cria-se um campo para surgimento de uma forte liderança regional. Quando o velho PMDB efetivamente começou a criar uma grande mancha de governadores no nordeste, em 1982, surgiram novas lideranças como Tasso Jereissati junto com a já estabelecida por Jarbas Vasconcelos e Miguel Arraes embora apenas como deputado, sem contar Valdir Pires na Bahia. Depois veio o período desagregador de Orestes Quércia (só para marcar uma referência não se deveu tudo a apenas ele) e as lideranças foram criar o PSDB e o PSB.

Aliás, uma das melhores convivências histórias naquele período aconteceu entre Arraes e Tasso, o “velho” e o “novo” a balançar dois estados de grande peso na região. Não sei o papel que teve Violeta Arraes nisso tudo, mas no mínimo selava esta convivência, sendo claro que os dois políticos se originavam da grande frente do PMDB.

Sem querer adivinhar. Mas não é improvável que desta mancha do PSB se reconstitua o mesmo balanço entre Ceará e Pernambuco, com Eduardo (neto de Arraes) e Ciro Gomes (cria do Tasso). Seria um processo histórico contínuo, fácil de explicar, mas a história, embora possa ser estudada por modelos, é sempre um por acontecer surpreendente. Mas ao dizer balanço e a citar os “padrinhos” do “novo” terminei levando o leitor para aceitar como mero balanço.

Na verdade eu imagino (ou será mero desejo?) que o nordeste está pronto para forjar uma nova liderança de projeção nacional. Mais moderna, preocupada com o progresso material da grande massa pobre e relativamente mais atrasada socialmente. Sendo assim, é de se esperar uma boa queda de braço entre Pernambuco e Ceará pela liderança. E a Bahia? É boderline, ora sudestes e noutra nordeste. Além do mais perdeu a liderança do velho coronel ACM.

Olhem eles aí de novo! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um final de tarde num escritório de uma Agência Estatal. Aqui no Rio. Uma amiga da velha luta democrática, com cargo no governo, declara que votará nulo, advoga a derrota da Dilma, abomina o Serra, mas não vê na sua atitude nenhuma aliança com ele. Na cabeça dela. Na prática ela faz parte de um amplo movimento de classe média para derrotar o PT e dar passagem ao PSDB. Depois farão oposição ao PSDB? Entre um chope e outro.

Qual a questão desta mulher professora universitária com pós-doutorado? Algo impressionantemente banal: ela imagina que a classe média é quem financia os impostos do país e quem paga toda a conta dos pobres e não leva nada. Isso nela, imagina no resto todo pagando plano de saúde caro, escola privada caríssima, seguro contra roubo do seu carro, símbolo de progresso pessoal e assim por diante.

Outra cena. Uma cidade da periferia de San Francisco, visito uma família de classe média naquele típico subúrbio americano: jardins sem muro e quintal para fazer churrasco. O dono da casa com a corda no pescoço, ficou desempregado meses, acabou com as reservas para a aposentadoria digna, teve que receber ajuda do pai, deve uma montanha da casa própria, apavora-se com a incapacidade de não ter plano de saúde, o pagamento da faculdade da filha toma-lhe a margem de segurança, não existe qualquer alternativa e tudo lá funciona na base da grana.

A questão deste americano é a mesma dos brasileiros lá de cima. O “sonho americano” para a classe média morreu. Eles agora precisam de proteção, de algo que substitua o “sonho” por um lastro de segurança como previdência social, garantia de emprego, renda e saúde pública. Acontece que os sócios do “sonho” que se tornaram fortes com o Estado, os grandes capitalistas, se bandearam para o Global, abandonaram os patriotas e foram montar suas fábricas e gerar empregos na China e em toda a Ásia. O americano dizia: aqui não se produz mais nada. Tudo vem de fora. Viramos um país do setor terciário.

Abrindo as páginas de notícia, as manifestações correm soltas na Europa. Por lá, em crise, desmontam o “estado de bem estar social”. Diminuem subsídios sociais, acabam os sistemas previdenciários, diminuem direitos, cortam o dinheiro que ia para o bolso do aposentando e para o salário das pessoas. Na França a rebeldia é tão ampla que os defensores ideológicos do “fim dos direitos sociais” estão temerosos que as “medidas” não vinguem. Os que estes advogam é o mesmo que a professora lá de cima se revolta: direitos sociais só para gente muito pobre. A classe média que se mantenha com as próprias pernas.

Um artigo de um economista francês anda nesta linha. É o fim da picada até a revolução francesa e o advento da universalidade do direito, um tapa olhos sobre a visão da res publica e o que mais temiam: a retorno do fragmento da comunidade. Só que comunitarismo algum sobrevive por si mesmo, tende à fusão e o caminho histórico é o retorno à unidade em torno de “feudos”.

Por incrível que parece, até nas eleições brasileiras o norte aponta para o retorno da época medieval. Feudalismo restabelecido dos retalhos da urbanidade fragmentada. Quem viver verá.

Abaixando o discurso teremos de volta os “neobobos”; os “vagabundos”; os “dinossauros” a semântica de cortar salários, a demissão incentivada e deixar o funcionalismo oito anos sem reajuste da inflação com o artifício fácil de vender estatais e o patrimônio nacional.

Em mensagem, Dilma não diz que irá vetar projetos sobre aborto

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, se negou a dizer que irá vetar projetos referentes ao aborto na "mensagem" assinada hoje pra tentar acalmar o "mundo evangélico". No meio da semana, Dilma foi cobrada por 51 representantes de igrejas evangélicas a assumir o compromisso de vetar qualquer projeto aprovado no Congresso "contra a vida e valores da família".

Segundo líderes evangélicos que discutiram o texto com a candidata, a petista assumiu o compromisso de colocar a promessa no manifesto.


Na carta que será distribuída em templos e igrejas, Dilma repete declarações feitas ao longo da campanha, como ser "pessoalmente contra o aborto", não encaminhar nenhuma legislação referente ao tema ao Congresso e defender a "manutenção da legislação atual sobre o assunto", que só permite a prática em casos de estupro e risco de morte para a mãe.

Coordenador evangélico da campanha dilmista, o bispo da Assembleia de Deus e deputado Manoel Ferreira (PR-RJ) reconheceu o recuo, mas minimizou a falta do compromisso no documento.

"Ela assumiu solenemente o compromisso [de veto] apesar de não estar na carta. O mais importante é esse compromisso de que esses temas serão tratados pelo Congresso e nunca pelo Executivo. Acho que esta muito bem colocado e esse é o compromisso dela conosco ela não vai voltar atrás. A maior importância é a convicção do candidato", disse.

Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática --o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista "Marie Claire".

Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Hoje, diz que repassará a discussão ao Congresso.

FATURA
A fatura evangélica apresentada à candidata na quarta-feira exigia dela uma posição contrária sobre casamento homossexual, adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo e regulamentação da função de profissionais do sexo, além da defesa da liberdade religiosa.

O documento não cita diretamente a polêmica em torno da união civil entre homossexuais e opta por compromissos genéricos em relação a outros temas-tabus sustentando que, se eleita, não pretende promover "nenhuma iniciativa que afronte à família".

Na carta, Dilma afirma que se o projeto que criminaliza a homofobia, o chamado PLC 122, for aprovado no Senado, o "texto será sancionado nos artigos que não violem liberdade de crença, culto e expressão". O temor dos cristãos é que o projeto impeça sermões e pregações contra homossexuais.

Sobre o PNDH 3 (3º Plano Nacional de Direitos Humanos), que causou polêmica por tratar do aborto, legalização da prostituição e defender que hospitais conveniados ao SUS façam operação de mudança de sexo, entre outros pontos, Dilma diz que o programa é uma "ampla carta de intenções" e que está sendo revisto. Dilma diz ainda que a família será o foco de seu eventual governo e que defende a liberdade religiosa.

Após forte reação, o governo tirou do programa, em maio, pontos como a revisão da lei que pune quem se submete ao aborto.

Fonte: Folha de S. Paulo

Sensus mostra Dilma com 52,3% e Serra com 47,7% dos votos válidos

Levantamento foi realizado entre os dias 11 e 13 de outubro.
Margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Pesquisa Sensus divulgada nesta quinta (14) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra Dilma Rousseff (PT) com 52,3% dos votos válidos e José Serra (PSDB) com 47,7%. Para se chegar aos votos válidos são excluídos os eleitores que dizem votar em branco ou nulo e os indecisos.

O levantamento foi realizado entre 11 e 13 de outubro e ouviu 2 mil pessoas em 136 municípios. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de número 35.560/2010. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em votos totais (que incluem os brancos, nulos e os indecisos), Dilma tem 46,8% e Serra 42,7%. Neste cenário, os candidatos estariam empatados tecnicamente no limite da margem de erro. Os eleitores que disseram votar branco ou nulo foram 4% e os que não souberam ou não responderam foram 6,6%.

A pesquisa mostra que a rejeição a Dilma é de 35,4%. No levantamento de setembro, era de 32,6%. No caso de Serra, era de 40,2% e agora é de 37,5%.

O levantamento de outubro mostra que ainda há mais expectativa da vitória de Dilma. Para 59,6% dos entrevistados a petista vencerá a eleição, enquanto 29% acreditam no triunfo de Serra.

A pesquisa mostra que 62,2% dos entrevistados assistiram aos programas do horário eleitoral gratuito do segundo turno, que começaram na sexta-feira (8). Entre estes, 52,5% acham o de Dilma melhor e 47,5% preferem o do tucano.

O levantamento afirma que 72,9% dos entrevistados dizem já ter definido o voto. Dos entrevistados, 92,7% pretendem comparecer para votar, enquanto 3,9% talvez irão e 2,7% não irão. Foram 0,8% os que não responderam a esta pergunta.

Para o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, as denúncias sobre o escândalo da Casa Civil que derrubou a então ministra Erenice Guerra já vinha tirando votos de Dilma nas últimas semanas do primeiro turno. Na avaliação dele, o debate sobre o aborto e as acusações contra a petista feitas pela internet retiraram os votos que impediram a vitória de Dilma no primeiro turno.

Regiões -  O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, ressalva que Dilma mantém a liderança na Região Norte, mas o instituto reúne os dados desses Estados com os da Região Centro-Oeste, onde Serra disparou na frente da petista. Segundo o Sensus, o tucano lidera nas regiões Norte/Centro-Oeste com 45,7% contra 40,7% de Dilma.

Guedes destacou a virada de Serra no Sul, onde ele desponta com 56% das intenções de votos contra 36,4% da petista. Em setembro, antes do primeiro turno, essa diferença era de apenas cinco pontos porcentuais. No Sudeste, Serra lidera com uma margem muito apertada: ele aparece com 44,7% contra 43,3% para Dilma.

Há um mês, ela aparecia com 52,1% contra 36% do tucano. Segundo o Sensus, a candidata petista mantém-se à frente, entretanto, na Região Nordeste, onde aparece com 60,7% das intenções de votos, o tucano cresceu sete pontos, alcançando 31,1% nesse segundo turno.
A pesquisa mostrou que 30,9% dos eleitores assistiram pelo menos parte do debate do último domingo na TV Bandeirantes, o primeiro da campanha do segundo turno. Na avaliação de 54,7% desses eleitores, Dilma venceu o debate. Para 45,3%, o vencedor foi Serra.

Fontes: G1 e Diário do Nordeste

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 15, sexta-feira

Música - V FESTIVAL BNB DA MÚSICA INSTRUMENTAL
18h30 Txaimus (PE) 60min
19h50 Grupo Tieto (PE) 60min

História/Patrimônio - TRADIÇÃO CULTURAL
Local: Centro Administrativo Municipal Antônio Xavier de Oliveira (Juazeiro do Norte)
19h30 Apresentações dos melhores repentistas do Brasil na 6ª edição do FESTIVAL NACIONAL DE VIOLA E POESIA. Organização: Silvio Grangeiro. 240 min.

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582

FHC desafia Lula para uma conversa 'cara a cara' após fim de mandato

Principal alvo de críticas do PT no programa eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafiou nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma conversa "cara a cara", quando o petista "puser o pijama".

Dizendo-se vítima de mentiras, FHC disse que Lula foi mesquinho ao não reconhecer o legado do PSDB e assumir a paternidade da estabilidade da moeda.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora, quando o presidente Lula vier, como todo candidato democrata eleito, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil. No PT que seja", discursou FHC.

Segundo FHC, não é para enumerar as ações de cada governo. "É para ter firmeza, olhando cara a cara do outro, ver dizer as coisas que diz fora do outro. Quero ver o presidente Lula que votou contra o real, que fez o PT votar contra o real, dizer que estabilizou o Brasil. Não precisa disso. Lula fez coisas boas, que reconheço. Agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que eu quero perguntar para ele. Por que isso, rapaz? Você pegou uma boa herança. Usou. Aumentou. E o Serra vai usar as duas. Vai usar as duas. Vai fazer mais."

"Não vamos ficar de mesquinharia, não. O que for bom vai continuar. Começamos as bolsas. Por que o Serra não vai aumentá-las? Aqueles que necessitarem. Não bolsa política, não."

Ao defender o concurso público, ele disse que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, entrou na Petrobras sem concurso público, durante o governo militar.

"Eles querem os apaniguados. Nós queremos a meritocracia. Cada um vai ter que se esforçar e será recompensado pelo o que fez. Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei, não queremos um Brasil de companheiras tipo Erenice."

Em discurso a integrantes do PSDB, FHC chamou a petista Dilma Rousseff de duas caras e negou que tenha pregado a privatização da Petrobras, como a candidata acusou no debate da Band:

"Agora, vêm falar que eu queria privatizar a Petrobras. Quem é esse [Sérgio] Gabrielli para falar isso comigo, meu Deus? Fui presidente da República. Ele tem que me respeitar", afirmou FHC, dizendo que foi processado por ter defendido a Petrobras. "Perdi uma cátedra."

Ele atacou o aparelhamento político da Petrobras. "A Petrobras perdeu já 20% de valor de mercado sob a batuta dessa gente porque o mercado percebeu agora, custou mas percebeu, que tem ingerência política."

Ao falar das acusações do PT, FHC disse que os adversários "estão muito nervosos" por causa do segundo turno. "Caíram da cadeira. Nunca imaginaram que iriam ao segundo turno. O Lula sempre foi para o segundo turno. Por que a Dilma não iria? Só que agora ela vai às cordas com o nosso voto".

No evento organizado pelo PSDB de São Paulo --mas sem a presença de José Serra-- FHC acusou o PT de uso político da máquina pública e mais uma vez, disse que não passou a mão na cabeça de aliados, de "aloprados".

Tomando o cuidado de afirmar que o pijama seria transitório, FHC sugeriu uma conversa entre os dois, a exemplo das visitas que fazia a Lula em São Bernardo do Campo.

"Presidente Lula, terminadas as eleições, quando você puser o pijama, não sei o que vai por, o que vai fazer, será bem recebido. Venha ao meu instituto. Vamos conversar cara a cara", disse.

Ao falar das acusações contra Serra, alfinetou: "Não venham com história. O nosso candidato é homem de palavra, de coragem. Chega a ser turrão. Não fica mudando de opinião só para ter voto, não."

Fonte: Folha de S. Paulo

Oposição 'transfere' ódio para Dilma, afirma Lula

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje à noite que seus opositores transferem o ódio que sentem contra ele para a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

Num comício em Ananindeua (PA), em que estava ao lado de Dilma, ele também comparou sua candidata a outros políticos brasileiros e criticou indiretamente seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Lula, as acusações contra Dilma são feitas por "uma parte da elite que não se conforma de um torneiro mecânico, sem diploma universitário, fazer mais do que eles".

"Uma [mesma] parte da elite que fazia essas acusações a Ulisses Guimarães em 1974, quando ele foi candidato de oposição ao [Ernesto] Geisel, [o] mesmo discurso contra Tancredo Neves, quando foi para o Colégio Eleitoral", afirmou.

Lula não disse exatamente a que críticas se referia.

No palanque, além de candidatos e governadores eleitos pela base governista, estava o senador Magno Malta (PR-ES), apresentado como "pastor evangélico".

"Faziam essas acusações a mim em 1989, em 1994, fizeram em 2002, fizeram em 2006. Daí pensei: agora acabou, eu não sou mais candidato, não vão fazer mais. E estão fazendo contigo a mesma coisa que fizeram comigo, que fizeram com Getúlio [Vargas], com João Goulart e que fizeram com Juscelino [Kubitschek]", afirmou o presidente.

"Eles estão transferindo para você [Dilma] o ódio que eles acumularam contra mim."

Lula lembrou um "presidente que viajava o mundo à procura de um título de 'doutor honoris causa'" e que "terminou o mandato sem fazer uma única universidade neste país", em referência indireta a FHC. "Querem é interromper a continuidade de um processo vitorioso."

O presidente cometeu diversas gafes que provocaram risos na plateia de milhares de pessoas. Dentre elas, chamou o Pará de Paraná, o município de Rondon do Pará (PA) de "Redondo do Pará" e a governadora Ana Júlia Carepa (PT), que disputa a reeleição, de "governador".

Antes, Dilma, que o acompanhava no comício, fez um discurso no mesmo tom.

Disse que "eles" --em referência clara à campanha de José Serra (PSDB), seu rival na disputa pelo Planalto-- querem "disseminar o ódio".

Ela contrapôs esse sentimento a outro, supostamente típico dos brasileiros, "um povo que prefere o amor e repudia o ódio", e disse que o governo tucano deixou o "Brasil de joelhos".

Fonte: Folha de S. Paulo

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Que avancem as alas. José do Vale Pinheiro Feitosa

O filme do Brasil tem os seguintes atores e enredo: uma ala formada por três grupos: a) rentistas, agronegócios, indústria e serviços; b) abrangendo a classe média tradicional, c) um terceiro grupo formado pela cultura compondo mídia e diversão e a outra ala formada por: a) operários e prestadores de serviço; b) camponeses; c) uma camada dispersa no limite da pobreza. A primeira ala corresponde a mais ou menos 20 a 30% da população e outra ao restante. O país criou um enredo político em que a primeira ala tem progresso e se reproduz na linha familiar de uma geração a outra, enquanto a segunda estagnou, migrou para as cidades e vive num caldeirão de violência, sobrevivência, sem proteção política, sem esperança, especialmente, no país e nos políticos e por tabela nas autoridades e governantes.

O golpe militar de 1964 está na raiz da manutenção deste enredo ao não barrar o progresso desta ala maior da população. O modelo é tão autônomo que mesmo com as eventuais boas intenções dos planos de desenvolvimento do período militar, os investimentos só melhoraram e sustentaram a vida da primeira ala e nada modificava da segunda ala. E, no entanto, a sociedade se endividou para isso, mas o Milagre Econômico só o foi para os que tradicionalmente já estavam no projeto de nação na primeira.

Mesmo com esta direita mais raivosa e que tem ódio de classe, que junta toda a segunda ala num só momento de crítica, a política e a sociedade sempre tomou consciência de que era preciso superar a dicotomia deste enredo. Que era preciso criar um projeto nacional que desse progresso à maior parcela do país, até para que ele se tornasse um entre político de atuação mundial. Aliás, com a insensibilidade do “meu pirão primeiro” não se dava conta, não era incomum que a classe média tradicional ao viajar ao exterior percebesse como mal vistos éramos em termos de justiça social. O lema é: o Brasil é um dos países mais injusto do mundo. Ali existe uma concentração de renda absurda e uma pobreza descomunal.

O Mobral, as frentes de fronteira agrícola, alguma coisa de reforma agrária, bancos de desenvolvimento, entre outras coisas foram tentativas contínuas, desde os anos trinta que não cessaram com o militares a tentar superar este enredo. Acontece que era preciso cessar o enredo, descomprimir o progresso da segunda ala e ajustar a primeira ala sem desorganizá-la, mas igualmente migrando da “preguiça” de viver às custas da sociedade como um todo e passar a ser protagonista de outro jeito.

A migração da preguiça para grupo “a” da primeira ala é acabar com vício de viver de juros, ser mais ousado em investimento produto, aceitar um jogo mais democrático no campo dos investimentos públicos o que significa, afastar o jogo familiar e partidário dos bancos de investimento, dar mais ênfase ao investimento em desenvolvimento social, quebrar o jogo do extra em obras públicas e principalmente pagar mais impostos.

Ao grupo composto pela classe média tradicional é brigar pela melhoria do sistema de saúde pública universal, pelo ensino público de qualidade, por segurança pública, por sistemas previdenciários de remuneração mais alto ao invés de tentar uma porta de saída pelos Planos de Saúde, pela escola privada, pelas “milícias” privadas e previdência privada (o que não exclui necessariamente a existência destas instituições, mas não como norte político). O resto é tomar consciência que numa sociedade de massa é preciso mais infra-estrutura do que a existente para as dimensões de apenas 30%: transporte urbano, trens, portos, aeroportos etc.

Ao grupo da cultura, especialmente esta meia dúzia que controla a mídia e as diversões entender: que o Estado não pode continuar a sustentá-los com verbas e empréstimos subsidiados, que é preciso democratizar a comunicação, é preciso descentralizar os meios e as escolhas para as cidades do interior. Não é possível que a sociedade continue financiando os Chateaubriand, Marinhos, Civitas, Frias e Mesquita para que estes apenas se perpetuem no seu negócio sem compromisso com todos.

Este é o drama do país desde o golpe militar e mesmo após a redemocratização, mas após esta tem um veneno acelerar o processo: a própria constituição a dar liberdade, garantir saúde e educação tem forçado sucessivos governos a destravar o progresso da ala mais pobre da sociedade. O Collor adotou até prédios emblemáticos da escola de tempo integral. Mesmo Fernando Henrique Cardoso tendo sido assolado por um neoliberalismo açodado, teve que considerar isso e o CPMF, apesar de irritar muita gente, foi uma manifestação disso, além do lado brilhante de Ruth Cardoso, que se diga foi muito mais aguda nesta questão que o Presidente.

O “Lula Paz e Amor” vai deixar muita saudade. Ele tentou ampliar o progresso dos pobres e conseguiu muitos tentos, muito mais que os governos passados, tentou sem passar o rodo na primeira ala, mas tem sido alvo de um ódio de classe crescente, oriundo de setores da classe média tradicional, da área da cultura, especialmente a mídia tradicional e nichos do grupo “a” da primeira ala, especialmente localizados em alguns estados, que vêm que o futuro estar a exigir novas práticas no grupo.

O José Serra, que vem da tradição política progressista, adotou de vez este ódio de classe. Tornou-se o grande e poluído Tietê de todas as mágoas, pensamentos irracionais e um ódio que todos os dias se manifestam nas ruas de São Paulo contra os nordestinos que “ergueram tantas coisas mágicas” naquela cidade e naquele estado. A idéia que é o “Paz e Amor” foi destroçado: que agora é ir para o pau.

Isso é tão verdade que os blogs mais progressistas hoje amanheceram com tremendas apreensões sobre esta “onda fascista”. Quadros do PT estão fazendo uma análise nervosa, frustrada, com um medo tremendo de tudo degringolar. Não raro surgem pensamentos mágicos, os pitaqueiros quase gritam sobre a qualidade do programa da Dilma. Monitoram imagens do programa, têm uma análise para a manhã e para a tarde.

E a política onde se encontra? O Lula moveu a regra do enredo, abriu uma brecha por onde a segunda ala tem esperança no progresso. Então, é aí que o curso da história, este que aos trancos e barrancos vem sendo superado, às vezes a passos miúdos tem que ter voz na campanha. É preciso afastar os golpistas, os nervosos, os atordoados dar a voz das ruas, voz ao povo que pretende um futuro melhor: seu filho na faculdade, seu neto andando de avião, sua neta podendo brilhar na platéia do mundo. Pense em que ter uma previdência universal para quem tem ou não carteira assinada. Tenha ou não contribuído, pois a riqueza ao final é a mesma e só haverá o que comer no futuro se no futuro tenha alguém comprometido a alimentar quem já não tem mais força para plantar.

Agora o jogo político não é de esperar que a primeira ala ceda algo para alguém. Especialmente não ficando batendo boca com quem destila veneno. As glândulas peçonhentas irão secar após o pleito, seja qual for o resultado. Se não cessarem levarão pau. O jogo é manter o desfile, que a segunda ala avance na avenida. Faça o seu desfile. Mostre que igual àquela bazófia americana da classe média do voto em Bush não vive sem os “mexicanos”. Vejam o filme: o dia que os mexicanos desapareceram. A avenida está ocupada, é apitar para que a bateria toque e que o passo da dança da verdadeira apoteose siga.

Ibope diz que Dilma tem 49% das intenções de voto e Serra 43%

Considerando apenas os votos válidos, Dilma tem 53%, contra 47% de Serra

O Ibope divulgou ontem (13) pesquisa encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo que mostra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com 49% das intenções de voto para o segundo turno.

O candidato do PSDB, José Serra, aparece seis pontos atrás, com 43% das intenções de voto. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais. Votos brancos e nulos somaram 5%, e 3% dos eleitores se disseram indecisos.

Considerando apenas os votos válidos, Dilma tem 53%, contra 47% de Serra.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre segunda-feira (11) e hoje. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 35660/2010.

Fonte: Agência Brasil através de O Povo

Dilma tem 48% e Serra, 40%, diz Vox Populi

Se considerados apenas os votos válidos, Dilma venceria a eleição com 54,5%. Serra teria 45,4%

Pesquisa Vox Populi/iG, divulgada nesta quarta-feira, 13, mostra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, oito pontos à frente de José Serra, do PSDB, na disputa do segundo turno. Dilma tem 48% das intenções de voto contra 40% de Serra.

A pesquisa tem margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. Votos brancos e nulos somaram 6%. O total de eleitores indecisos também foi de 6%, segundo o Vox Populi.

Se considerados apenas os votos válidos, Dilma venceria a eleição com 54,5%. Serra teria 45,4%.

O Vox Populi entrevistou 3 mil eleitores entre os dias 10 e 11 de outubro em 214 municípios do país.

Fonte: O Povo

Imagem do Chile sai fortalecida após resgate, dizem analistas

da BBC Brasil


A imagem do Chile e do presidente do país, Sebastián Piñera, deve sair fortalecida após o resgate dos 33 mineiros que passaram mais de dois meses soterrados numa mina, segundo analistas chilenos e de outros países da América do Sul ouvidos pela BBC Brasil.

"Mais de um bilhão de pessoas viram, no mundo inteiro, o resgate, que é uma história de sucesso. Acho que o fato reforçará a imagem do Chile como um país competitivo e que se levanta rápido diante da adversidade", disse o analista chileno Ricardo Israel, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma do Chile.

Mas em sua opinião o poder de influência do Chile é "limitado" pelo seu tamanho e "localização geográfica". O Chile tem cerca de quinze milhões de habitantes e registrou um terremoto histórico, em fevereiro passado, pouco antes da posse de Piñera.

Atualmente, a expansão da economia chilena supera as expectativas para este ano. O Chile é o único país da América do Sul a fazer parte da OCDE, clube dos países ricos.

"Dificilmente o Chile terá maior influência do que já tem na região e no mundo. Na América Latina, não é o Chile, mas o Brasil que tem o maior peso no cenário mundial", disse Israel.

FINAL FELIZ
Para analistas chilenos, argentinos, bolivianos e paraguaios, o sucesso do resgate fortaleceu a imagem do Chile como um país competente.

"Acho que o Chile aproveitou bem o desafio que viveu para intensificar sua imagem de país sério, capaz de enfrentar grandes problemas", disse o analista paraguaio Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudios, de Assunção.

Na visão do argentino Vicente Palermo, pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Cientificas e Técnicas), os chilenos souberam "descolar" a imagem do país da que foi deixada pelas empresas do setor de minério, após o desastre.

"Foram as empresas que ficaram com a imagem negativa, ligada à falta de segurança para os trabalhadores. O Chile apareceu como país capaz de resgatar os mineiros de forma brilhante", disse.

Para ele, o Chile deixou a imagem de "união, solidariedade e alta competitividade".

Na opinião de outro analista argentino, Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, o resultado do resgate fortalece a imagem do Chile no mundo.

"Até agora, o Chile tinha demonstrado ao mundo seu sucesso econômico. Para o PNUD, este é o país da América Latina com maior desenvolvimento humano (IDH). Para as classificadoras de risco, o mais confiável da região. E agora prova sua capacidade para enfrentar e superar suas desgraças com eficiência e rapidez", disse Rosendo.

Na opinião do analista boliviano José Luis Galvez, da Equipos Mori, o resgate representou o "renascimento de 33 mineiros e a excelente administração da opinião pública".

"Esta história de sucesso deverá fortalecer ainda mais a imagem do Chile no exterior e aumentar imagem positiva do presidente Piñera", afirmou Galvez.

A Bolívia, como o Chile, é um país com forte produção de minério. Para Galvez, o Chile vai exportar a tecnologia de resgate que inventou para outros países mineiros.

"A realidade daqueles 33 mobilizou muitos bolivianos. Mobilizou o mundo inteiro. E mostrou a excelente relação entre Chile e Bolívia na era de Piñera", disse. O presidente Evo Morales (convidado por Piñera) esteve na saída da mina São José, onde um dos mineiros era boliviano.

PIÑERA
A trajetória do presidente Piñera é de um empresário bem sucedido e com a imagem ligada, segundo analistas locais, à de administrador. Mas ele não é definido, pelos especialistas, como um presidente popular.

Piñera assumiu a Presidência em março e registra popularidade similar aos votos que recebeu, quando eleito, como recordou Ricardo Israel. A expectativa é que sua popularidade suba após este episódio.

"Piñera se envolveu pessoalmente neste resgate. Quando o acidente ocorreu este não era um problema do Chile, mas de uma empresa, dona da mina. Se tivesse dado errado, ele seria responsabilizado pelos mortos. Mas deu certo", afirmou Israel.

Desde que a odisseia dos mineiros começou, há mais de dois meses, o ministro de Mineração, Laurence Golborne, registrou maior popularidade que Piñera. Num artigo, publicado no jornal La Tercera, o analista Patrício Navia, disse que Piñera deve transformar este "capital de alegria" do resgate em "poderoso impulso para sua agenda de governo".

Navia recordou que, em setembro, Piñera contava com 53% de aprovação, segundo pesquisas da Adimark. Mas que 67% deste total eram do setor ABC e 48% das classes D e E. Para o analista, o novo "capital político", a partir do resgate dos mineiros, deverá ajudá-lo a melhorar estas características de imagem.

"Mas desde que a celebração (caso exagerada) não ofusque o gol magistral feito por seu governo", escreveu.

Fonte: Folha de São Paulo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 14/10, quinta-feira

Música - V FESTIVAL BNB DA MÚSICA INSTRUMENTAL
19h30 Abanda (CE) 60min

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PROGRAMAÇÃO DA GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE 2010


A MAIOR AGENDA DE ESPETÁCULOS DO NORDESTE BRASILEIRO!!!

2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
DE 5 A 27 DE NOVEMBRO DE 2010
CRATO - CARIRI - CEARÁ


LUTA E AFIRMAÇÃO

Criada em 2009 pela Sociedade Cariri das Artes / Cia. Cearense de Teatro Brincante e Sociedade de Cultura Artística do Crato, Pontos de Cultura do Brasil, consorciadas com grupos e companhias de teatro e dança atuantes na região, a Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um dos mais importantes projetos de inclusão e afirmação cultural em artes cênicas do interior nordestino, consolidado que está como instrumento de valorização, incentivo e desenvolvimento das artes no Cariri cearense, fortalecendo-o, inclusive, como destino turístico-cultural.

Com esse espírito, realizamos, de 07 a 22 de novembro de 2009, a “1ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense”. Foram 16 espetáculos reunindo cerca de 3.000 espectadores de todas as idades, revelando a vitalidade das artes cênicas e o potencial de plateia caririenses.

A edição de 2010, que ocorrerá de 5 a 27 de novembro, terá a participação de 43 espetáculos de teatro e dança realizados por 25 companhias, todas do Cariri, sempre dois por noite, às 19h00min e 20h30min, nas modalidades palco à italiana e arena, além de dois shows musicais e performances circenses.

Estima-se que o evento mobilize um público de cerca de 5.000 pessoas, entre conterrâneos e visitantes, prestigiando e reconhecendo a dramaturgia e a encenação produzidas na região como fortes elementos identitários do povo caririense, cearense e nordestino.


DEFESA DA IDENTIDADE CULTURAL

A cultura brasileira tem se afirmado pela diversidade. O Nordeste, e nele o Cariri cearense, se destaca como emblema cultural resultante de intenso caldeamento de influências, notadamente a ibérica, a africana e a ameríndia, iniciado nos tempos de colonização das terras brasileiras pelos portugueses.

Entretanto, atualmente, forças midiáticas movidas pelo interesse econômico privado e alimentadas pela ideologia hegemonista do grande capital internacional ferem cruelmente o direito à livre existência da pluralidade de linguagens e tendências artísticas e culturais, na tentativa de estabelecer a estética do consumo capitalista como única via de comportamento intelectual e material.

Em meio a essa avalanche destruidora, a resistência de afirmação da identidade popular tem se dado pela bravura de grupos alternativos, reforçados por programas públicos de desenvolvimento cultural e parcerias com entidades de classe, sempre almejando oportunidades de crescimento profissional, geração de renda e difusão dos símbolos culturais que identificam o povo e sua história.


APOIO

Secretaria de Cultura do Município do Crato
Governo Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Estado do Ceará
Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura – Programa + Cultura / Cultura Viva
Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri / Banco do Nordeste
Governo Federal
Circo-Escola Alegria / Projeto Circo do Sopé
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Coletivo Camaradas
SATED-CE
Imprensa
Blogues


PROGRAMAÇÃO

05 (sexta):

17 h - PROCISSÃO DE ABERTURA com a participação do Circo-Escola Alegria, grupos, atores e brincantes seguindo da Praça 3 de Maio até a Praça da Sé, onde haverá o SHOW DO ALÉM, COM LUIZINHO BREGA STAR E AS MAGRECITAS
18 h - Abertura da exposição 25 ANOS DA CIA. TEATRAL LIVRE MENTE, Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE

06 (sábado):
19h00min - Palco: CONTOS DE BRUXAS (Infantil, 60min), Cia. Teatral Arriégua, Crato-CE
20h30min - Arena: ESPERANDO COMADRE DAIANA (12 anos, 60min), Cia. de Teatro Livre Mente, Juazeiro do Norte-CE

07 (domingo):
19h00min - Palco: DONA PATINHA VAI SER MISS (Infantil, 60min), Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato-CE
20h30min - Arena: DENTRO DA NOITE ESCURA (12 anos, 60min), Cia. de Teatro Livre Mente, Juazeiro do Norte-CE

08 (segunda):
19h00min - Palco: PLUFT, O FANTASMINHA (Infantil, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: DIZpedaçadas (Livre, 40min), Alunas do Curso de Licenciatura em Teatro da URCA, Crajubar-CE

09 (terça):
19h00min - Palco: LAMPIÃOZINHO (Infantil, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: AVENTAL TODO SUJO DE OVO (12 anos, 70min), Grupo Ninho de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

10 (quarta):

19h00min - Palco: O MISTÉRIO DO BOI MANSINHO (Infantil, 80min), Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: A VINGANÇA DO FINADO JOAQUIM (Livre, 40min), Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato-CE

11 (quinta):

19h00min - Palco: O MACACO SABIDO (Infantil, 50min), Cia. Kanoistraveizdinovo, Jati-CE
20h30min - Arena: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 70min), Cia. Cearense de Teatro Brincante, Crato-CE

12 (sexta):

19h00min - Palco: O BARQUINHO (Infantil, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: BRASEIRO (12 anos, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE

13 (sábado):

19h00min - Palco: O REINO MALUCO DE BRANCA DE NEVE (Infantil, 50min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: CEARÁ, GENTE QUE RI (Livre, 55min), Cia. Arte e Cultura, Crato-CE

14 (domingo):
19h00min - Palco: POR CAUSA DE VOCÊ (Livre, 50min), A2 Cia. de Dança, Crato-CE
20h30min - Arena: DESMISTIFICANDO TABUS (14 anos, 50min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE

15 (segunda):
19h00min - Palco: UMA ÚLTIMA VEZ (14 anos, 60min), Cia. Arte e Cultura, Crato-CE
20h30min - Arena: ESPERANDO GODOT (12 anos, 15min), Cia. Os Dois de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

16 (terça):

19h00min - Palco: A GATA BORRALHEIRA (Infantil, 50min), Grupo Forma e Expressão, Crato-CE
20h30min - Arena: O PECADO DE CLARA MENINA (Livre, 60min), Cia. Cearense de Teatro Brincante, Crato-CE

17 (quarta):

19h00min - Palco: HISTÓRIAS DO TEMPO DA MAMÃE (Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, Farias Brito-CE
20h30min - Arena: RETRATO (Livre, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE

18 (quinta):

19h00min - Palco: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, Farias Brito-CE
20h30min - Arena: CABORÉ (Livre, 50min), Cia. Desabafo de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

19 (sexta):
19h00min - Palco: AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: NÃO CULPA ELES, CULPA NÓS (12 anos, 50min), Cia. Kanoistraveizdinovo, Jati-CE

20 (sábado):
19h00min - Palco: PÁSSARO DE VOO CURTO (Livre, 60min), Cia. Entremeios de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: BODAS DE SANGUE (12 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE

21 (domingo):
19h00min - Palco: AMARRAS (Livre, 40min), Dakini Cia. de Dança, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: NUDEZ SEM CASTIGO (14 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE

22 (segunda):
19h00min - Palco: O VELÓRIO SHOW (12 anos, 60min), Cia. dos Sem, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: ITINERÁRIO ALÉM DO PONTO (Livre, 40min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE

23 (terça):
19h00min - Palco: UM AMOR DE PALHAÇO (Livre, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: CURTÍSSIMAS (12 anos, 60min), Alunos do NEET / SESC e Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

24 (quarta):

19h00min - Palco: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (12 anos, 60min), Turma do Curso de Formação em Teatro - CCBNB 2010, Cariri-CE
20h30min - Arena: BURRA, NÃO É NADA DISSO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO (Livre, 60min), Allysson Amâncio Cia. de Dança, Juazeiro do Norte-CE

25 (quinta):

19h00min - Palco: O HÓSPEDE (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: TERREIRO DE HISTÓRIAS (Infantil, 50min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE

26 (sexta):
19h00min - Palco: ARMADILHAS (Livre, 40min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE
20h30min - Arena: NAS GARRAS DO CAPA-BODE (Livre, 35min), Cia. Wancilu’s Gat Produções, Crato-CE

27 (sábado):
16h00min às 17h30min - BUZU-TEATRO (Livre, ônibus trecho Juazeiro do Norte / Crato), Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
Teatro Rachel de Queiroz - Arena:
19h00min - Seminário: Teatro Brasileiro Caririense
20h30min - Entrega de Certificados e Outorga do Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior
21h30min - LIFANCO, COM O SHOW VALORES CULTURAIS


Crato-CE, 13 de outubro de 2010.


Cacá Araújo

Coordenador Geral
(88) 8801.0897 / (88) 9960.4466 / (88) 3523.7430 / (88) 3523.2168

Raízes da violência - Emerson Monteiro

Vive-se período extremo de criminalidade violenta, isso em todo o mundo, com ênfase nos países mais atrasados, dentre eles o Brasil e toda a América Latina. Antes, o motivo alegado se voltava para as revoluções, na época da chamada Guerra Fria.

Hoje, qualquer motivo preenche as justificativas das convulsões sociais, desde a delinquência juvenil ao tráfico de drogas, passando pelos bolsões de pobreza e guerras tribais, lutas raciais, onde o padrão da cultura indica descompasso, perversidade e miséria.

Houve tempo quando era mais fácil encontrar as razões da insegurança. O atraso das mentalidades, as conquistas coloniais, disputas imperialistas, domínio das terras, fanatismo religioso. Tudo servia de pretexto, no decantado anseio do homem lobo do próprio homem. Ou de querer a paz e se preparar para a guerra.
Acham as autoridades que o problema se revolverá mediante a ampliação dos órgãos de segurança, aquisição de armamentos, modernização e ampliação das penitenciárias, maior remuneração dos efetivos policiais, etc., etc.

Contudo a questão possui raízes mais profundas. Suas causas merecem detalhamento, porquanto procedem das origens, que acumulam estudos e pouquíssimo tratamento.

Conceitos de que falta educação ao povo e que a tradição nacional dos degredados, escravos e índios, sem amadurecimento suficiente, formaram país aleijado, por si não justificam a violência das ruas, o clima tenso em que se transformou o sonho urbano.

De suas causas mais evidentes cabe citar o desemprego, sem esperança de redução para a juventude, que, todo dia, chega ao mercado de trabalho. A excessiva concentração da riqueza nas mãos de poucos, há séculos donos de bens. E a pobreza infinita das massas alienadas pela educação burguesa.

Enquanto sofre a nacionalidade esse atraso crônico na moralidade e competência dos dirigentes responsáveis pela administração pública, em todos os segmentos eles jamais se comprometem com mudanças substanciais e inadiáveis.

Como se não bastassem ditas origens, persiste, na estrutura mundial, um conceito voltado aos interesses das nações ricas, que investem pesado na manutenção do poder através dos sistemas de exploração financeira. Gastam fortunas para técnicas de preservação dos territórios da ordem injusta.

Portanto, para neutralizar o clima superlativo desse drama, cabem atitudes aos que precisam se livrar das nuvens escuras dessa história reacionária, com criatividade, maior comprometimento e participação coletiva dos grupos prejudicados, união das classes exploradas e conscientização política.

Abrir o olho e enxergar que só a educação trará mudanças significativas, após os esforços da sociedade, que será instrumento da democracia através do voto consciente que fala alto neste assunto, desde que assim pretendam os eleitores, bola da vez na decisão de cada eleição.

Os mineiros do Chile - José do Vale Pinheiro Feitosa

A semântica da distração planta sono nas nossas mentes,
Deturpa os fatos, engana, fantasia, desvia.
Os hipnotizadores da televisão chamam os mineiros de heróis.
Aqueles mesmo de pele acobreada, da cara de Índio.

A mídia que empulha, que tergiversa, que serpenteia,
Nas circunvoluções dos nossos cérebros,
Não ouve a canção de Victor Jara:

Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos. La vida es eterna en cinco minutos.
Suena la sirena.
De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.”


Os mineiros do Chile não são heróis,
São mártires da ganância das mineradoras.
São vítimas da exploração que destrói gente,
Torna o deserto de Atacama num solo lunar.

De outra forma como um “herói” de 63 anos,
Desempregado, que necessita renda para sobreviver,
Permaneceu um buraco insalubre mesmo dizendo:
Aquela mina não é segura vou procurar outro emprego.

E quase vai! para o desespero de nossas indignações,
Buscar junto às asas do condor, como um Aimara nos Andes,
Sobre o torpor das consciências bêbadas de tanta mídia,
Que mija e caga na alma e muitos se acalmam como manjar.

É preciso que rebeldes construam uma “fênix” da liberdade,
Que se erga desta poeira ideológica que no pisam os comunicadores,
E da altura em que consiga voar,
Sopre para bem longe a névoa que turva a alma de todos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Somos mais que nossos preços - José do Vale Pinheiro Feitosa

Frases da idiotice acusam alguém de não valer o preço que se atribui. É que a etiqueta é da mercadoria, apenas colocada no braço dos escravos do consumo”

O pior comentário é aquele sobre algo do qual não se tem a referência. Falo de um final de filme que assisti estes dias com a Emma Thompson no papel e uma professora universitária com um câncer terminal. Não lembro o título. Está num destes canais a cabo.

As cenas que vi são um soco no estômago. De todos os modos de morrer o mais dramático e vivenciado é da doença crônica, especialmente o das neoplasias malignas. Doenças que desde o diagnóstico já condenam as pessoas à morte e que abrem uma expectativa de desespero, esperança e frustrações. O desespero do termo irremediável. A esperança de uma cura improvável, por vezes de fé, noutras alternativas e as não menos perversas dos “experimentos” científicos, além do pior de todos: aqueles para a máfia de branco ganhar dinheiro.

No filme, do momento que assisti, estava o diálogo da professora, uma grande erudita, a meditar sobre si mesma em face de sua erudição. Como tornar racional os momentos terminais quando a grande dor, esperada no seu caso, surgisse. Ela discute isso com uma enfermeira que fala das drogas que cessam a dor, irão adormecê-la, poderá provocar uma parada cardíaca, mas que será ressuscitada pois, recursos existem para tal.

A professora pede que se o coração parar não seja ressuscitado artificialmente. Assina que não quer continuar viva. E se torna, no jargão do hospital, uma sigla com a qual o paciente manifesta sua vontade. A vida continua alguns dias, na fase terminal são horas e a dor inicia.

A professora resiste à dor. Prefere manter o sofrimento, mas está exausta. A dor é demais. Chega o médico principal, acompanhado do residente e indica o uso de morfina. Estabelece-se um contraditório entre o médico e a enfermeira, incluindo os gemidos da paciente. Finalmente o médico diz: é preciso lhe dar um momento de descanso.

É feita a aplicação e ela dorme. Acorda e tem um diálogo com a jovem enfermeira e brinca com a ignorância dela com uma palavra. Depois vem o residente, enquanto a paciente dorme, e traça o perfil complexo, orgulhoso e incisivo da professora em sala de aula.

Numa cena chega uma senhora idosa para visitá-la e a encontra arrasada, mas consciente. Tem medo da morte. Sofre com a solidão de sua situação. A senhora explica que a procurou e indicaram este lugar. Diz que tinha vindo a Londres para visitar o bisneto e faz referência a recitar alguns poemas de um determinado autor. Ela pede que não e então, no mesmo ato a professora pega um livro infantil que levava para os bisnetos, senta-se na cama abraçando a amiga e começa a ler.

A história de um filho que queria se transformar em algo diferente para que a mãe não o achasse. A mãe diz que se transformará igualmente e o reencontrará. Tudo que o filho desafia em transformação, a mãe igualmente transformada lá também estará. Se ela for um passarinho, a mãe será uma árvore para que nela ele pouse. A alegoria é que a amiga sempre seria achada, na interpretação da amiga: por Deus. Ou melhor, dizendo a amiga não fazia uma viagem solitária.

A última cena é o residente encontrando a professora em parada cardíaca e acionando a equipe de ressuscitação a qual é impedida pela enfermeira. Em seguida um poema que não consigo reproduzir, mas traduz isso: a morte nos parece a vencedora sobre a vida. Ela nos ameaça, nos mostra o inexorável. Mas ao final ela é a perdedora quando já não pode mais nada quando estamos mortos.

Por isso mesmo, com todas estas mesquinharias da sobrevivência, o ser humano é sempre maior do que ele mesmo e suas circunstâncias históricas.

Uma biblioteca em cada coração - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Elmano Rodrigues tem uma dimensão excelsa e que felizmente não é rara aos brasileiros. Ele sempre esteve na vida com senso de igualdade. Tem a alma daquelas diversas gerações que acreditam no progresso das pessoas, na autonomia do individuo e na liberdade coletiva. Ao mesmo tempo, Elmano Rodrigues, é militante. Não se resume ao tédio das tardes de fastio.

Isso que faz no Cariri com a Fundação Enock Rodrigues é coisa de gente grande. Elmano não caiu na arapuca dos azedumes regionais, que selecionam aliados como inimigos dos últimos dias. Ele não caiu na facilidade de falar mal, destratar só por que não gosta do partido, do sujeito ou da prática. Ele tem um objetivo maior. Dar razão à Fundação Enock Rodrigues que leva o nome de um morto pela intolerância política.

Isso é importante, pois muita gente se arvora em passar lições de ética e costumes aos outros com tanta raiva e mágoas que parece discursar defronte ao espelho. O Elmano Rodrigues faz um projeto síntese e que ousa experimentar complexidade. De cara tire logo a impressão que é uma piedosa distribuição de livros para os pobres. O projeto do Elmano é de desenvolvimento institucional e do indivíduo.

Vejam bem como isso é feito: numa só manobra ele envolve a Universidade com o Curso de Biblioteconomia, as Prefeituras, as comunidades e por óbvio, os indivíduos. Isso é o que fazem os grandes países. Não tornam a biblioteca apenas num depósito de livros: as livrarias não mostruários, mas as bibliotecas são uma dinâmica do saber.

Se junto a isso a escola se envolver, mesmo considerando, à distância que a biblioteca, esteja no bairro do aluno. Ao mesmo tempo se a Secretaria de Cultura desenvolver o exercício da leitura como um exercício para cidadania. A oportunidade que tem as comunidades, os pais, os jovens, os trabalhadores de transformarem o ambiente em alvo da compreensão do mundo.

Elmano Rodrigues: tenho orgulho de conhecê-lo. De encontrá-lo sem idade, com o mesmo vigor com o qual renascia no pátio do Diocesano daquele pesadelo que hoje leva o nome da Fundação.

Ao contrário do que a ignorância pensa: a vida é quem vence a morte.