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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pensamento para o Dia 14/01/2011


“Eu realmente fico cheio de alegria quando vejo pessoas que fortemente se envolvem em trabalho árduo e sacrificam seus confortos pessoais para fazer os outros felizes. O que o mundo precisa é de trabalho feito com esse espírito. Cada um de vocês tem a divindade incorporada em si, assim como verdade e doçura. Apenas vocês não sabem como manifestar tal Divindade, como perceber tal Verdade, como saborear tal Doçura. Coragem é a tônica para conseguir saúde e força física e mental. Abandone a hesitação, a dúvida e o medo. Não dê nenhuma chance para esses sentimentos criarem raiz em sua mente. Por meio da força divina interior com a qual você está equipado, você pode conseguir qualquer coisa, pode até se tornar Deus (Maadhava).”
Sathya Sai Baba
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“Todos necessitam de concentração unifocada. Para desenvolver a capacidade de concentração, esportes e jogos são muito importantes. Eles servem para promover o condicionamento físico e saúde mental. Jogos e esportes devem ser praticados, principalmente para manter o corpo em bom estado. Juntamente com a manutenção do corpo em forma, é igualmente essencial promover a pureza da mente e desenvolver a generosidade. A verdadeira natureza humana desabrocha somente quando o corpo, a mente e o espírito são desenvolvidos de forma harmoniosa. O entusiasmo e o esforço que as pessoas mostram no esporte também devem ser manifestados na esfera da moralidade e da espiritualidade. Você deve esforçar-se para experimentar a divindade que permeia a cultura sagrada da Índia Antiga (Bhaarath). Que todas as pessoas sejam felizes ("Samastha Bhavanthu Sukhino Lokaah!") é o lema abençoador de Bhaarath.”
Sathya Sai Baba

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A força maior do Universo - Emerson Monteiro

Das proposições, a mais pretensiosa, querer definir em palavras o indefinível. Descrever o indescritível. Gerar das equações um resultado impossível de números inexistentes. Isso, de contar o que representa o sentimento mais elevado, a essência de tudo. Dizer o que significa o Amor em linguagem humana, tarefa das impossíveis, admissíveis, no entanto, à medida do furor das intenções.
A paixão consciente, isto seria o amor. A força maior do Universo, isto que aciona todos os movimentos que houver num dia e haverá no outro, nas curvas tortuosas dos sempres inextinguíveis. A luz de todos os nascentes, visão de todos os olhos existentes e inimagináveis. A unidade primeira das quantidades, avaliável ao Infinito das saturações. Voz de todas as falas, destino de todos os caminhos, próximos ou distantes, em qualquer território, no campo das probabilidades.
Quando nasce um filho, traz consigo a tônica do Verbo Divino, razão principal das existências, desde o fator original dos espécimes primeiros à partição milenária das multiplicações, em menor ou maiores quantidade. O Tudo e o Nada, em iguais proporções. A Força e o Poder, nas consequências inatingíveis de visões e sonhos. Maravilha das maravilhas, prazer fugidio nas seduções, linguagem dos becos e religião das religiões.
Amor, palavra e energia, concentração de pensamento, feixe de raios convergentes numa única direção e nelas todas, direções livres e sentido absoluto das linhas e dos pontos em batimento cardíaco permanente. Algo notável, ainda, porém, quimera de tantos e muitos. Valor infinitesimal. Volume descomunal. Transformação de água em vinho, chumbo em ouro, dos alquimistas e navegadores de substâncias sagradas. Cálice sagrado, pedra filosofal, fortaleza indevassável, vitória em batalhas siderais, vetor de mobilizações sociais, bandeira de palácios em festa, condição numeral dos pitagóricos; o drama e a solução dos conflitos, nexo das histórias misteriosas, linha melódica de danças e sinfonias, fusão de corpos e junção das luminosidades, em galáxias e superfícies, projetos e planos das populações espalhadas entre o oásis e as caravanas, busca desesperada dos tesouros e prospecção de minerais raros.
Instinto de procura e encontro, o amor fala nas ficções e canta nos poetas, conduz romancistas pelas sendas da civilização. Música das esferas, sabor dos elementos, quantia das moedas deste mundo. Razão principal das tradições, o amor dos animais e insetos vem nas flores e nos passarinhos, pigmento das cores oferecidas pela luz ao vigor das águas nos caudais das quedas livres; nos sóis, nas luas, nos ventos, raios e trovoadas, tempo máximo e pulsação da Eternidade.
Som nos naipes e nas elevações; o fervor das orações. O poder superior das preces silenciosas, senso e fé dos desejos virtuosos dos trabalhadores do Bem. O amor, a fala contundente dos corações enamorados. Amor, solidão dos mosteiros e conventos, vida, resistência e renúncia; emoção das emoções, estação final e princípio de jornadas espaciais; alegria das borboletas em nuvens, nas estradas desertas; trilho e meta dos viajores perdidos, jogados aos mares tempestuosos, saudades e abraços de boas vindas; perfume das rosas e tela dos gênios pintores; e sorriso aberto das crianças felizes. A volta ao recomeço...
O amor, das proposições, a mais pretensiosa, querer definir em palavras o indefinível. Descrever o indescritível.

A vocação do lagartixa – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Em 1954, a energia elétrica da cidade do Crato era obtida de forma precária, de uma pequena hidrelétrica nas nascentes do Rio Batateiras. A tensão era de 220 volts, mas nunca atingia esse nível, de modo que não podíamos ligar geladeiras e outros motores. Eu estava cursando o primeiro ano do curso primário, no Grupo Escolar Alexandre Arraes, tendo sido aluno da primeira turma que inaugurou aquele estabelecimento de ensino. Certo dia, uma lagartixa caiu dentro da jarra na qual todos os alunos bebiam de sua água. A diretora proibiu que brincássemos no recreio daquele dia, para que não sentíssemos sede, pois não poderíamos beber água. Fui ver o tal pote e a lagartixa, que era enorme, estava nadando com o rabinho para cima. Nos matos do Sítio São José, eu tinha experiência de sobra para lidar com lagartixas. Querendo me exibir, peguei a bichinha pelo rabo e sai ameaçando os demais colegas, numa algazarra total. Orlando da Bicuda gritou: “– Pega a lagartixa, minha gente!” –“Lagartixa!” – Responderam todos, em coro. A esta altura já tinha atirado a lagartixa em alguém. De repente surgiu um precoce compositor com uma musiquinha: – “Lagartixa come gente, oxente, oxente!” – Cantavam todos em uníssono.

A lagartixa tinha ido embora e aquela gritaria só podia ser comigo mesmo. Fiquei fulo de raiva e passei a reagir de modo um tanto quanto atabalhoado, correndo atrás de um e de outro, dando chutes e murros ao vento, xingando e ameaçando brigar. Foi o suficiente para que o apelido me caísse como uma luva. Imediatamente, ganhou as ruas da cidade, como fogo em palha de canavial. Moleques de rua, com quem não tinha a menor intimidade, gritavam pelo meu apelido. Depois surgiram várias pichações nos muros da cidade com o versinho de lagartixa come a gente, oxente, oxente. Sentia-me como um louco acossado pela turba. E reagia e brigava e o apelido crescia na mesma proporção da minha revolta. Por causa disso, duas cabeças foram furadas.

A primeira cabeça a sangrar foi a de Orlando da Bicuda. Era assim chamado, porque seu pai, Cícero Moura Rozendo era apelidado de Cícero Beija Flor. Ele possuía uma mercearia que tinha o nome de Mercearia Beija Flor. Não sei quem veio antes, se o apelido ou a mercearia. Orlando era um dos meus melhores amigos. Sentávamos no mesmo banco da escola. Ele me ensinou o ofício de coroinha na capela do Colégio Santa Tereza e juntos íamos ajudar o padre Gonçalo na Bênção do Santíssimo, todas as noites. Mas não premeditei furar sua cabeça. Aconteceu de forma espontânea. Foi durante um passeio com os alunos da minha turma e algumas professoras, colegas da nossa, a um sítio no sopé da Serra do Araripe. Estávamos nas margens de uma pequena levada e ele atirava uns pedriscos em mim e dizia: –“Pega essa lagartixa. Reagi mandando uma taboa de caixote que foi certeira em sua cabeça.

A segunda cabeça a rolar foi a de César Alencar, uns três anos depois, já aluno do Colégio Diocesano. Certo dia, durante o recreio, estávamos jogando futebol e uma turma, que não tinha conseguido entrar no time, começou a atirar uns cacos de telhas dentro da quadra. César estava no meio dessa turma. Entrou no campo e aproximando-se de mim, tirou uma dedada dizendo: “– Cai fora, lagartixa!”
Confesso que não tive raiva e para amedrontá-lo, peguei um caco de telha e atirei para o alto, numa direção bem acima de onde César se encontrava. O caco de telha saiu voando e girando em torno de si mesmo, descrevendo uma parábola perfeita. Acontece que César correu na mesma direção. Quando ia se aproximando do final do pátio, cerca de uns sessenta metros de distância, coincidiu que o bólido, que voava em seu percurso predeterminado, ia descendo velozmente, encontrando na linha de sua trajetória a parte posterior da cabeça de César. Houve a queda brusca de seu corpo e ao levantar-se, notei a blusa de sua farda, toda avermelhada. Ao lado dele, o temível diretor, Monsenhor Montenegro a me perguntar: “– Zezinho, você é louco? Na minha terra quem atira pedra é louco!”

Para me livrar do apelido, pedi ao meu pai para acompanhar o meu primo José Esmeraldo Gonçalves, a quem seus pais resolveram mandar estudar no Seminário, mesmo sabendo que daquele estofo não poderia sair nenhum padre.

No seminário, pensava estar livre do apelido e até já me acostumara com o uso da batina em tempo integral. Mas foi somente até a Semana Santa. Todos nós seminaristas deveríamos acompanhar a procissão. Quando o cortejo seguia pela Rua Senador Pompeu, avistei de longe um grupo de ex-colegas e conhecidos, Gérson Moreira liderando a turma, Orlando da Bicuda entre eles, todos amontoados em torno de uma janela alta para poder melhor assistir à passagem da procissão do Senhor Morto. Virei meu rosto para o lado oposto, para que ninguém me visse. Em vão. Quebrando o silêncio, ouviu-se a voz inconfundível de Gerson Moreira gritando: “– Ó lagartixa de batina, minha gente!” –“Lagartixa!” – Gritaram os demais.

Disfarcei firme, sem olhar pra eles, fiz de conta que não era comigo. Rezava para que os demais seminaristas não percebessem que eu era o lagartixa. Ao chegarmos ao seminário, tão logo o padre diretor de disciplina disse “Benedicamus domino”! Cuja resposta que deveria ser: “Deo gratias”, daquela vez foi substituído pelo coro:
“Lagartiiiiiiiiixa!”

Condensado do livro “Histórias que vi, ouvi e contei” de Carlos Eduardo Esmeraldo, Premius Editora, Fortaleza – CE, 2005

Desastre na Região Serrana foi maior devido à ocupação irregular do solo


(http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/12/desastre-na-regiao-serrana-foi-maior-devido-ocupacao-irregular-do-solo-923492191.asp)

RIO - A chuva torrencial não é a única culpada pelo cenário avassalador da Região Serrana. Parte da tragédia deve ser atribuída à inércia de autoridades, que não investem no diagnóstico de áreas mais suscetíveis a tragédias ambientais, tampouco na retirada da população de regiões de risco. Esta é a opinião de Ana Luiza Coelho Netto, do Instituto de Geociências da UFRJ. De acordo com a pesquisadora, a vulnerabilidade de municípios como Petrópolis e Teresópolis é, há muito, conhecida, dada a sua localização, a frágil composição do solo e, principalmente, o modo irregular como foram ocupados por ricos e pobres.

Climatempo prevê mais chuva para Região Serrana

Para Ana Luiza, um dos exemplos mais notórios da falta de planejamento urbano da região é o bairro Caleme, em Teresópolis, localizado em um vale na estrada para Itaipava, um dos mais atingidos.

- Os deslizamentos convergem da encosta íngreme para o fundo do vale - explica. - Os rios serão a rota principal dessas avalanches na descida. Essas áreas jamais deveriam ser ocupadas. Existe uma ausência total de planejamento urbano, que perceba ou leve a sério fenômenos já esperados.

Na descida, os sedimentos tornam a água mais densa, aumentando a sua capacidade de destruição. A corrente ganha força para transportar objetos cada vez mais pesados, como troncos de árvores e blocos de detritos.

Desmatamento é problema grave
Segundo Ana Luiza, a maioria das prefeituras, se perguntada, afirmará ter mapa de risco. A metodologia desses trabalhos, porém, não raro é pouco confiável, e os cálculos são feitos sobre dados incompletos ou desatualizados.

- É só ver o tamanho do desastre. É impossível que um mapa de diagnóstico não tenha observado fatores de risco tão óbvios - condena.

Um dos ingredientes do desastre é o desmatamento. Solos montanhosos são especialmente vulneráveis. Mas, se ocupados por uma floresta conservada, a vegetação leva proteção às encostas. Não é o caso de boa parte da área atingida, onde o verde deu lugar a casas.

- Se existem áreas com escarpas rochosas e solo muito fino, como é característico das áreas montanhosas, será difícil impedir o estrago - lamenta a pesquisadora. - A água da chuva penetra pela fratura das rochas e a pressão a faz sair dali com muita potência, iniciando o deslizamento. A falta de drenagem, uma falha que deve ser comum naquela área, só aumenta o potencial de destruição, independentemente de haverem comunidades ou mansões no caminho.

Outro fator de risco, este natural, é a localização das cidades afetadas. Petrópolis e Teresópolis estão no topo da Serra do Mar - uma cadeia montanhosa que se estende de Santa Catarina ao Espírito Santo. Esta geografia é especialmente propícia à formação de chuvas. Ao se afastar da superfície, as massas de ar frio, densas e pesadas, deparam-se com aquela barreira e tendem a subir. Enquanto cumprem este trajeto, elas condensam e comportam menos umidade.

- A massa atinge a saturação e, assim, provoca chuvas - explica Ana Luiza. - É por isso que a serra, especialmente em seu trecho voltado para o mar, tem índice pluviométrico maior do que o registrado na Baixada Fluminense, por exemplo.

A Baixada, porém, não está livre das agruras registradas no topo da serra. As chuvas intensas descem e podem provocar inundações em localidades de Duque de Caxias, além de novos deslizamentos de encostas.

Quanto mais gente, mais risco

A sucessão de catástrofes no início do ano passado - Angra dos Reis em janeiro, Rio e Niterói em abril - mostra como a força das chuvas de verão é previsível. Ainda assim, só agora as cidades têm se mobilizado para fazer o levantamento de seus terrenos mais vulneráveis. Um trabalho semelhante é realizado pelo engenheiro geotécnico da Coppe Willy Lacerda, coordenador do Instituto Nacional de Reabilitação de Encostas e Planícies.

- Elaboramos mapas de suscetibilidade das encostas usando estudos de diversas áreas, como geologia e geotecnia - assinala. - A esse levantamento nós sobrepomos o mapa habitacional. Quanto maior a presença humana, maior o risco. Finalmente, depois de muito insistirmos, os governos têm se interessado por esse cálculo.

As autoridades terão de ser insistentes. Primeiro, porque todas as encostas na Serra do Mar são vulneráveis. Qualquer área dali que receba chuva forte por quatro dias, como já ocorre na Região Serrana, tende a desabar. Sendo assim, o manejo populacional, de acordo com Lacerda, é "inevitável".

- A ocupação irregular extrai a cobertura vegetal, desvia o curso das águas, ocupa os canais e arma o palco para a tragédia - destaca. - Não há uma solução definitiva sem um projeto que se estenda por, no mínimo, dez anos.

André Ferreira – Um misturador de reggae e poesia matuta



A poesia matuta e o reggae se misturam no trabalho do músico André Ferreira que desde menino aprendeu a gostar da poesia popular com a sua família. André prega nos shows que faz com a banda Liberdade e Raiz o amor e a justiça social. Ele é desses que acreditam que a música deve servir para humanizar e refletir sobre às questões que afetam a vida do povo.



Alexandre Lucas - Quem é André Ferreira?

André Ferreira - Um guerreiro espartano no mundo contemporâneo. Mas, lutando com as armas do bem. Buscando ser espada viva e resplandecente por todo este universo.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

André Ferreira - Em Janeiro de 2006 foi plantada uma semente no solo fértil caririense, chamada Liberdade e Raiz. Foi quando dei os primeiros passos como músico. Hoje uma árvore com frutos, em meio ao manancial de grandes criadores locais. Faço o que gosto, com a minha cara e com a cara de quem quiser apreciar.
Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

André Ferreira - As principais influências do meu trabalho são as esmeraldas encontradas na poesia matuta. Uma cultura apreciada com agudez por minha mente, corpo e espírito.
O espaço natural, o convívio com as pessoas. Lugares, dias, épocas, tudo e todos. A música em sua magnitude intelectual, filosófica e literária.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

André Ferreira - Arte e política andam lado a lado pelo simples fato da política mundial e a vida do ser humano ser quase todo o tempo embasado na beleza, além, de ser uma forma de educação, diversão e cultura. Conexão interligando o mundo em muitas vertentes.

As diversas artes existentes exprimem a vontade, a cultura, a educação e a liberdade de um povo. Quanto mais diversificada a arte em um país maior sua cultura, educação e liberdade de expressão de um povo, ou seja, mais desenvolvida a nação.

Além do fato de que quanto maior o nível de entretenimento do povo, menor suas intervenções políticas e sociais

Alexandre Lucas - Você é o líder da Banda Liberdade e Raiz. Como surgiu a idéia de misturar reggae e poesia matuta?

André Ferreira - Não foi exatamente uma idéia montada como um quebra cabeça. As composições foram conseqüência da natural essência que se entranhou em meu ser, diante das prosas recitadas na dialética matuta, (Poesia Matuta) exibida por meu avô, Antonio Miúdo, como era conhecido e, meu tio Elizon Ferreira. Que ainda hoje me surpreende com suas histórias contadas em versos matutos.
Alexandre Lucas - A banda continua seguindo essa linha?
André Ferreira - A banda tem uma autenticidade adentro a peculiaridade nordestina e no cenário reggae, deve ser respaldada como proposta única. Pois temos consciência de que somos os únicos fazendo Reggae com Poesia Matuta. Até que um dia, quem sabe, sejamos influência de outros caras. Sim, continuamos enveredando nessa linha.

Alexandre Lucas - Tem crescido a música reggueira no Cariri?

André Ferreira - De fato o movimento reggae cresceu muito nos últimos anos aqui na região do Cariri. Mas ainda não temos as raízes verdadeiras do reggae na cultura local. Isso é com o tempo. As pessoas precisam pesquisar buscando incessantemente entender suas vertentes e principalmente sua maior causa. “Tocar fogo na babilônia”. Que significa, dar amor uns para os ouros. Atingir as pessoas com amor.

Alexandre Lucas - Quando será lançado o segundo CD da Banda?

Atualmente estamos em estúdio gravando o CD ‘Reggae Roots Cordel’. E queremos demonstrar nesse acervo, todo nosso esforço e dedicação, focando e difundindo assuntos diversos, numa pluralidade musical bairrista-universalizada. Esse será nosso CD de Nº 1 gravado em estúdio. Mas já gravamos vários CDs demonstrativos.

Alexandre Lucas - O reggae é uma música discriminada?
André Ferreira - Mesmo no meio do movimento há sempre quem critique. A música do gueto sempre será descriminada, por se tratar de um movimento de protesto, com livre expressão, resistência suburbana e, principalmente da negritude. Dentre outros fatores que contribuem para o desconforto dos escravos capitalistas.
Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Andre Ferreira - Ensinar a valorizar a nossa cultura, nosso povo, nossas raízes. O manancial de nossas águas em meio a o oásis cearense.
Alexandre Lucas - Além do reggae quais os outros estilos musicais que você aprecia?

Andre Ferreira -Blues, um pouco de Jazz, Rock clássico e outras vertentes, Forró de Raiz, Maracatu, Rap Nacional, MPB, Aboios, samba de raiz, Bandas cabaçais, Dance Hall, Rocksteady. Ska, Dub, New Roots, Música instrumental.

Alexandre Lucas - Quais seus próximos trabalhos?

Andre Ferreira -
Com a Liberdade Temos planos em mente.
Mas, particularmente, um CD. Meu novo projeto com a banda Expresso Reggae. Ainda sem nome em esboço, mais brevemente no mercado.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ESTADO DO CEARÁ PAGA CACHÊ MILIONÁRIO POR ESPETÁCULO DE ZÉ CELSO

Cachê do espetáculo "Dionisíacas", pago pelo Estado do Ceará, segundo deliberação do governador Cid Gomes, gera polêmica e insatisfação no meio artístico cearense. A peça é dirigida por Zé Celso M. Corrêa, fundador do Teatro Oficina, de São Paulo, e sua apresentação faz parte das comemorações do centenário do Teatro José de Alencar.
AFINAL, QUANTO CUSTA O ESPETÁCULO "DIONISÍACAS"?

Se é para quem quiser ouvir, que muitos escutem. Achei muito bom o e-mail. Tanto a emenda quanto o soneto. De um humor arguto, de uma sinceridade desconcertante.
Acrescentaria apenas a dificuldade financeira que o TJA tem em se manter e manter seus projetos e sua programação.
Karlo Kardozo

CARTA DO CARRI AO …
SEI LÁ A QUEM…A QUEM QUISER….
Ô CILEDA,
Ô ISABEL
Ô “sacerdotisas zeladoras desta OBRA DE ARTE DE CEM ANOS”
O ZÉ PODE ATÉ SER A CEREJA DO BOLO DO ANIVERSÁRIO DO ZÉ, MAS O RECHEIO NE Á GENTE NÃO? NÉ A GENTE QUE CONSTRÓI ELE NÃO?
LÊ AI, PEDIDO DE AMIGO…
TO RECLAMANDO NÃO, QUE EU NÃO SOU HOME DE RECLAMAR, TENHO ESSES COSTUME NÃO!!!!!!!!!!!!
ACHO QUE NEM TENHO BAGAGEM INTELECTUAL PRA IR DE ENCONTRO AO TÃO CONCEITUADO MESTRE.
E NEM QUERO, QUE NUM SOU DOIDO!
NUM SOU GRADUADO,
NUM TENHO EMPREGO FIXO,
NUM TENHO CABELO…
ÉGUA!
TEM NADA, NÃ.
E SOU ATÉ FÃ DO ZÉ!
O CARA É ESCROTO!.
COMO DIZ NO INTERIOR O CABRA É “CARNE DE CU DE TETEL, NEM COZINHA NEM PEGA TEMPERO”.
ADORARIA VÊ-LO SEMPRE POR AQUI COM SEUS ESPETÁCULOS,
MAS PAGAR 1 MILHÃO E OITOCENTOS MIL REAIS, NÃO.
INGRESSO TÁ CARO!
OS ZÓI DA CARA!
PARODIANDO A BESTEIRA:
NÃO VOU NÃO, QUERO NÃO, MINHA CONSCIÊNCIA NÃO DEIXA NÃO, QUERO NÃO, NÃO VOU NÃO…
OPS!
CONSCIÊNCIA?
COM CIÊNCIA DOS FATOS,
COM LICENÇA, MAS TO GOSTANDO NÃO!
EMBURRECI EEEEEEEEEEEEUUUUU?
TA BOM, PERDER ESSA OPORTUNIDADE DE ACRESCENTAR A NOSSA FORMAÇÃO, TENDO ACESSO A OBRA DE ARTE CONCEITUAL, CRÍTICA, SATÍRICA DE UM MESTRE COMO O ZÉ, BLA, BLA, BLA…
SOU BURRO MESMO! ACABOU…
TO LIMITADO
PROVINCIANO EU? IMAGINA?
EU NÃO SOU É BESTA
Ô CID,
Ô PINHEIRO
FAZ AS CONTAS AI PRA MIM
ESSA DINHEIRAMA DARIA PRA MONTAR 50 ESPETÁCULOS DE 36 MIL
REAIS NUM DARIA?
JÁ IMAGINOU ESSE DINHEIRO CIRCULANDO POR AQUI MESMO GERANDO RENDA E EMPREGO NO PRÓPRIO ESTADO.
APELEI NÉ?
MAS JÁ IMAGINOU 50 ESPETÁCULOS MONTADOS PROS 101 ANOS DO ZÉ A 36 MIL REAIS CADA? GERANDO UMA MÉDIA DE 800 EMPREGOS DIRETOS, EM TORNO DE 2.500 INDIRETOS,
APELEI NÉ?
DRAMATURGOS, BAILARINOS, ATORES, ILUMINADORES, COREÓGRAFOS, CENÓGRAFOS, TÉCNICOS, CANTORES, FIGURINISTAS…
UMA PORRADA DE GENTE PAGANDO OS SEUS ALUGUEIS, COLOCANDO AS CONTAS EM DIA,  ATUALIZANDO A LEITURA, COMPRANDO PASSECARD….
APELEI NÉ?
JÁ IMAGINOU?
50 NOVOS ESPETÁCULOS CIRCULANDO PELA CIDADE TODINHA, O TJA EM TODO CANTO PRA TODO MUNDO.
E DEPOIS O ESTADO TODIN!
APELEI NÉ?
É MUITO ARTISTA EMPREGADO NÉ NÃO?
SERIA UM DESFALQUE TREMENDO NAS ANIMAÇÕES DE FESTAS DE ANIVERSÁRIOS DE CRIANÇA.
PERA AI DESSA VEZ FOI APELAÇÃO FULERAGEM!
TÁ BOM,
NÓS JÁ TEMOS OS EDITAIS DO ESTADO, DO MUNICÍPIO, TEM TAMBÉM OS EDITAIS DO ESTADO, DO MUNICÍPIO, E OS EDITAIS DO ESTADO, DO MUNICÍPIO…
PRA QUE MAIS?
EU QUERO MAIS…
TENHO UM MILHÃO E OITOCENTOS MIL MOTIVOS PRA QUERER MAIS.
DA NÃO NÉ?
ESQUECE OS 36 ESPETÁCULOS.
E SE ENTÃO ELE FOR PRA MANUTENÇÃO DOS GRUPOS DO ESTADO?
TIPO PRA GRUPOS DOS 184 MUNICÍPIOS? DARIA 9 MIL E UNS QUEBRADOS PRA CADA,
EITA PAU!
IGIA!
DAVA PRA MANTER UMA SEDE POR UNS 4 MESES
POUPANDO DARIA ATÉ POR UM SEMESTRE TODIN.
É! VIAJEI! TO VARIANDO!
POIS VOU APELAR PRAS ENTIDADES ENTÃO:
Ô SANTA CACILDA BECKER
“ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR”
MANDA UM TROVÃO DAQUELES ATOLADO DE RAIO PRA ALUMIAR
AS  “GUARDIÃS DO LOCAL SAGRADO” PARA QUE EM COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DO “local do crime”  SE PENSE NUM BURBULIN DIFERENTE.
ESSE NEGÓCIO DE LINHA SILVIO SANTOS COM O CHAPÉU ALHEIO É OSSO.
TO CHATO NÉ?
OLHA,
“neste ano 1 da 2ª década do 3º Milênio.”
VOU FICAR MAIS CHATO!
TO SOZIN NESSA DOIDERA, VIU!
SOU CEARENSE DE PACAJUS E ATRAVÉS DESTA CARTA ABERTA SEI LÁ PRA QUEM NÃO APOIO ESSE MILAGRE DO ZÉ POR AQUI NÃO POR UM MILHÃO E OITOCENTOS MIL NÃO. SE ELE QUISER VIR DE GRAÇA…
REALMENTE ZÉ, VOU ROUBAR TUAS PALAVRAS, MAH:
“A CULTURA NÃO É MAIS SUPER ESTRUTURA COMO MARX DEFINIU EM SEU LIVRO: “O CAPITAL”. A INTERNET EXPLODIU AS VELHAS RELAÇÕES TABUS DO CAPITALISMO SELVAGEM E PREPARA O TERRENO PARA UMA SOCIEDADE ONDE O CAPITAL SEJA O DO DINHEIRO COMO UM BEM PÚBLICO. E A JUSTIÇA MAIS FORTE QUE AS VELHAS LEIS.
SANTA CACILDA, ME OUÇA PELA HÓSTIA,
“UM DIA O MUNDO VOLTARÁ A COMPREENDER O VALOR INCOMENSURÁVEL DO TEATRO”
ESTE DIA TÁ CHEGANDO…
NEGRADA.
CONTO COM SUA ESPERTA PERCEPÇÃO.
O PAPO acabou.
Assim começa a MOLECAGEM
CARRI COSTA
ATOR A UMA RUMA DE TEMPO.
INCHALÁAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PESADOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DO TEATRO CEARENSE,
ASSUMO!
VACILEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
FOI MAL,
DESCULPA AI, VÁ LÁ, PEDIDO DE AMIGO…
TROQUEI AS BOLAS…
DESCULPA AI, NEGRADA.
BORA FAZER O SEGUINTE:
JÁ QUE EU TROQUEI AS BOLAS A GENTE TROCA OS UM MILHÃO E OITOCENTOS MIL REAIS DO TEXTO POR “cerca de 600 mil”
O RESTO D E I  X A!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
TINTIN POR TINTIN.
TA BOM?
AH,
R$ 12 MIL DA PRA MONTAR UM BOM ESPETÁCULO TAMBÉM!
PERMANECE OS 50 GRUPOS VIU!
AFF!
R$ 600,000,00 FOI MAIS QUE O DESTINADO PRO TEATRO TODIN NO EDITAL DE INCENTIVO AS ARTES DE 2010!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
VAMOS ADIANTE, SEM MÁGOAS, POR FAVOR,
TODOS JUNTOS COM A BENÇÃO DA SANTA CACILDA!!
SAUDAÇÕES MOLEQUIANAS!
E COMO DIZ  O MEU FARTO AMIGO
Graco Alves (eu sou mais nós mesmo)
CARRI COSTA
ATOR

COMENTÁRIO: Achei maravilhosa a intervenção de Carri Costa. Isso tem que ser debatido entre artistas, produtores e a população em geral. Podem me chamar do que quiserem, mas sou radicalmente contra que se gaste tanto dinheiro para trazer este espetáculo. Deve ser muito bom, não duvido. O talento e a competência de Zé Celso já foi comprovada. "Dionisíacas" deveria vir pelo Palco Giratório do SESC, Fundação Bradesco, Votorantim ou um dos tantos editais públicos (Minc, Petrobras, Eletrobras...)
Cacá Araújo (folclorista, dramaturgo, ator, diretor de teatro, vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura do Crato-CE, diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante, membro da Guerrilha do Ato Dramático Caririense)

TENTATIVA DE GOLPE POLÍTICO EM JUAZEIRO DO NORTE – CE - NO ANO DO CENTENÁRIO

(mote: Cobra, tiú, camaleão, e outro filho da fruta)

AUTOR: Hamurábi Batista




Juazeiro é centenário,

Sua história é radiante,

Seu romeiro é triunfante

Nas contas desse rosário:

Mãe das Dores, Pai vigário

Meu Padrin, Santo advento.

Já foi palco, em outro tempo

Dias de glória, e de luta

De sanguinária disputa,

Tortura, e perseguição,

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



2

Em 14, em nossa História,

Deram golpe, pretenderam,

Crueldades cometeram

Disseminando a escória,

Em sua intenção inglória

Para matar Padre Ciço,

Detonaram seu toitiço

Perseguindo ao romeiro

Confrontaram a Juazeiro

E levaram pau na luta:

Escangalho, má conduta

Para tomar no canhão,

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



3

São capazes da trapaça

Pela gana do poder,

Pra se auto promover,

Praga ruim, engodo, traça,

Joga sujo, faz pirraça,

E engana a população,

Compra até televisão

Para enrolar quem escuta,

Atrapalha, dificulta,

Em prol da abominação,

Cobra, tiú, camaleão

E outro filho da fruta.



4

Em Juazeiro, desterro,

Implantou-se a confusão,

De outra coligação

Para tomar o governo,

Cometeram o mesmo erro

Ao distorcer a demanda,

Pois fazem má propaganda

Desque perderam a eleição.

Do passado, agora, então,

Vão repetir a disputa?

Pode ser filho do cão,

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



5

Difícil é administrar

Com inimigo tinhoso,

Diacho ruim, duvidoso,

Bodejado, e bafafá,

Pois no seu lado de lá

Do que fez, acusa agora,

Usa a mídia, nos devora,

Para enganar quem escuta,

Eleitoreira conduta

Promovendo a enganação,

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



6

Quando Collor, noutra via,

Deu mancada, foi cassado,

O que se viu no passado

Foi mesmo democracia.

Como foi? No mesmo dia

O vice eleito assumiu.

Em Juazeiro se viu

O clamor da ditadura,

Tomaram a prefeitura

Atrapalhando a labuta

Num golpe frouxo, fajuta,

Para enganar o povão

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



7

Com artimanha caçaram

A prefeitura atual.

Numa manobra anormal

Ao vice também barraram,

Nem sequer argumentaram

Ao planejarem seu golpe,

Pois selaram em envelope

A sua própria ruína,

Embasados na doutrina

Do diacho ruim que disputa,

Difama, atrapalha, insulta

Desque perdeu a eleição

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.



8

Faço alerta à Juazeiro

No ano do centenário,

Veja bem no calendário

O golpe sujo, matreiro,

Veja quem falou primeiro

Para acusar de tortura.

No golpe da prefeitura

São capazes da trapaça,

Pois que dele mesmo faça

Camufla, mente, insulta

Para acusar na disputa

Desque perdeu a eleição

Cobra, tiú, camaleão,

E outro filho da fruta.

RECORDAÇÕES TEATRAIS 5






A FILOSOFIA PERENE DA EVOLUÇÃO


Todo e qualquer ser humano precisa passar por três etapas de evolução: a) se arrastar na ignorância e no prazer instintivo; b) se levantar na sabedoria da consciência esclarecida; c) (somente) brilhar e se iluminar na conquista da unidade do Amor Transcendental - o Amor Universal de Deus. Essas três etapas são fundamentais para se responder: Quem sou Eu? Qual é o sentido da vida material-espiritual? O que é o Verdadeiro Amor? De onde emana o princípio Criador e Transformador de tudo e de todos? De onde eu vim? Para onde eu vou? Qual é o Verdadeiro Caminho de Evolução?

A disciplina material e espiritual é fundamental para a passagem de uma etapa para outra. Poucos são aqueles que têm consciência desse processo e por isso uma multidão segue na escuridão da ignorância e do prazer impulsivo e egoísta – este é o caminho da ilusão. Uma pequena parcela de pessoas disciplinadas conseguiu vislumbrar a terceira etapa derradeira – este é o caminho da transcendência humana. As expressões transmutação, transformação de si, evolução espiritual, transcendência do eu e Amor Universal são palavras chaves como marcos da trajetória pessoal e perene.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A menininha

Vou ganhar essa noite
Desvendar o cheiro de enlatados
Cobrir-me de cansaço
Avermelhar os olhos
Jogar pedras como se jogasse bolas
Na retaguarda silenciosa dos postes guardiões das noites
Refletir sobre os sapatos gastos
E os pratos vazios
E o arco para o qual me deparo
Paro,
Lembro-me do sorriso de uma menininha suja
( cinco anos)
Que a coloquei nos meus braços
ou ela me colocou nos seus frágeis bracinhos
Como se o seu silêncio fosse um grito
Para banhar a sociedade que lhe sujava.

Alexandre Lucas

Hora da Ave Maria - Emerson Monteiro

No ano de 1958, morando com a família em Crato, meu pai seguia, ainda por certo tempo, vinculado aos negócios do sítio, em Lavras da Mangabeira, onde deixara animais e eito de cana, de que renovava o cultivo e participava das moagens, nas épocas próprias. Nesse sentido, ia lá quase todo mês, através da rodagem de terra que cruzava a Serra de São Pedro, cheia de trechos estreitos e arriscados, conhecidos pela periculosidade e acidentes fatais que provocava, percurso que agora abriga a Rodovia Padre Cícero e reduzirá em dezenas de quilômetros a distância para Fortaleza.
Houve uma ocasião, nessas viagens, quando, já próximo do distrito de São Francisco (hoje Quitaiús), o caminhão em que viajava, de propriedade de Seu Severino Medeiros, tombou em trecho de curvas fechadas e piçarrentas. Dentre as vítimas mais graves se achava meu pai.
Machucara uma das pernas à altura do tornozelo, fraturando ossos em três lugares e sofrendo profunda contusão, o que lhe custou séria perda de sangue e demorou um tanto para cicatrizar. Veio trazido ao Hospital São Francisco, em Crato, onde permaneceria pelo período de um mês, ou pouco mais.
Durante esse turno, não poucas vezes lhe visitei e permaneci junto dele. Era eu portador constante das encomendas entre nossa casa e o hospital.
Nunca antes havia estado naquela construção de tantos corredores, salas, lugares sombrios, silenciosos, ruídos típicos; de pessoas diferentes, agitação incessante. Andava onde podia. Menino aceso, observava as movimentações e acompanhava os acontecimentos diários.
Relembro de enfermeiras, médicos, amigos de meu pai que lhe visitavam; das áreas internas e solitárias do casarão escurecido; as rampas; os portões vetustos quase nunca abertos; e da calma da capela, que tocava o íntimo da criança de nove anos com melancolia intensa, sobretudo aos finais das tardes, quando deixava ouvir os acordes da Ave Maria, de Schubert. Misto de saudade e distanciamento fervilhava meu ser; algo de uma solene paz que envolvia o ar no véu luminoso da penumbra e, aos poucos, vinha decrescendo os restos das tardes, modificando, nas notas suaves da música, a noite e seus aspectos quase adormecidos, afastando de vez, com mãos veludosas, os clarões retardatários do outro dia.
Essas marcas especiais daqueles instantes passados costumam, depois, preencher minha memória, quando ouço o canto da Ave Maria, às 18h, nas emissoras de rádio, que tocam o disco nas suas programações, avivando em mim emoções que, nessa quadra, tomaram conta de nossa família, permitindo, no entanto, que tudo chegasse a bom termo, com o restabelecimento de meu pai, o ponto forte na condução de todos nós.

RECORDAÇÕES TEATRAIS 4

Teatro do Oprimido
O curso foi promovido pelo Grupo Artístico-Cultural Poesia, Vida & Sangue, com apoio da URCA (Reitor José Teodoro Soares), Prefeitura Municipal de Barbalha-CE (Prefeito João Hilário) e Prefeitura Municipal de Santana do Cariri-CE (Prefeito Plácido Cidade Nuvens).

RECORDAÇÕES TEATRAIS 3

Grupo Máscaras (1987, SCAC, Crato-CE). Elenco da peça "O Mágico de Oz", de Victor Fleming, dirigida por Orleyna Moura.
Na ordem: Cacá Araújo, Fernando Garcia, Luiz Ernesto Mendes (Nekim), Heinz Robert Limaverde, Ricardo Correia, Siulan Gadelha, Orleyna Moura, Paulo Romério, Adriana.

Pensamento para o Dia 11/01/2011


“Deus é como fogo e você é como carvão. Quando o carvão entra em contato com o fogo, ele torna-se um com o fogo. Da mesma forma, quando você entra em contato com Deus, você se torna um com ele. Manifestações do Amor Divino! Todos vocês são mensageiros de Deus. Somente Deus é importante. O zero obtém valor somente quando um número o precede. A lua é zero, o sol é zero, o mundo é zero, somente Deus é o Herói*. Tudo fracassa na ausência desse Herói. Tenha total fé no Herói, Deus. Um herói se torna zero se ele se esquece de Deus. Nunca dê margem a qualquer dúvida sobre Deus. Então você estará fadado ao sucesso. (*Trocadilho de Sai Baba entre as palavras Zero (zero) e Hero (herói) em inglês). ”
Sathya Sai Baba

1º ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS DE TRANCOSO

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Lixo Espacial - Um Novo Planeta ?

Por: Luiz Domingos de Luna*

Outro dia, como de costume, fui ao meu Planeta Natal Aquarius depois de passar por todo o processo, já devidamente relatada na série aquarianos, cheguei à assembléia, passei pelo revisor de anti-matéria, ocupei minha cadeira e fiquei aguardando o conferencista. O Tema já devidamente exposto no computador central. Um telão bem grande em três dimensões, girando sempre com a mesma temática, O Que querem os humanos?

O revisor de ondas magnéticas repassou o chip aquariano para todos nós, quando recebi o meu, fiquei com dois, pois se esqueceram de pedir o da Terra, o conferencista foi logo dizendo os terráqueos querem conquistar o cosmo, basta ver o lixo espacial que existe na galáxia da via láctea, não tarda ter um planeta terra feito de lixo circulando o planeta Terra real. A não ser que os seres humanos estejam construindo um planeta de lixo para ter mais força e poder no espaço sideral. Ou já estão desconfiando que exista vida fora da terra e estão pensando em vender o material descartado do planeta real, para nós.

O Projetista de viagens espacial pediu a palavra e perguntou, É útil para nós comprar dos terráqueos o Lixo Espacial ? O desmaterializador disse: depende, o conferencista, depende de que ?-Para nós seria um ótimo investimento, pois assim nós poderíamos estudar a cultura, a tecnologia, e enfim, todo o processo existencial dos seres humanos. Com certeza o lucro imaterial nosso seria muito alto, uma civilização toda em nossas mãos em troca de alguns trocados.

Convoque então os nossos peritos cósmicos para uma possível compra do lixo espacial que circula ao redor do Planeta Terra, vez que a assembléia já decidiu que é um ótimo negocio para nós, além de poder armazenar em nossos computadores todos os dados dos terrestres, evitando assim, viagens cansativas e onerosas ao nosso cofre virtual.

O Perito que estava sentado na câmara de registro desceu calmamente, cumprimentou a assembléia, ficou maravilhado com a idéia, parabenizou a todos, - Eu em minha cadeirinha fui logo ficando desconfiado, vez que em Aquarius não existe emoção, e o irmão perito vibrava, como uma torcida de futebol lá na terra.

Por fim explanou os dados técnicos. Querida assembléia, considerando que nós vamos comprar o Lixo Espacial dos terráqueos, primeiro temos que louvar a nossa missão que é a de sempre manter a paz e harmonia no universo, essa constância é motor primeiro de nossa existência, porém, existe um grande problema antes desta comemoração de emoção balofa.

O Conferencista perguntou: Qual é o problema?

Quando a gente comprar o lixo espacial, com certeza o universo fica limpinho, aparentemente, é um gesto nobre para a família universal.

O Conferencista disse: como aparentemente?

Depois da compra os terráqueos não mais que 10 anos enviarão o triplo de lixo que nós compramos - ao espaço sideral.

O Conferencista protestou, mas doutor o tempo real para nós não existe, isto é não é problema para os Aquarianos, mas sim para os Terráqueos.

O Perito perguntou: Que problema?

- O do tempo

O perito sabiamente respondeu, eu pensei que fosse o do lixo.

(*) Procurar na web

RECORDAÇÕES TEATRAIS 2

RECORDAÇÕES TEATRAIS


Uma questão de tempo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Umas das desculpas mais esfarrapadas que, se costuma dar quando não se deseja realizar alguma tarefa, principalmente por falta de interesse é “não tenho tempo.” Como se o tempo fosse uma propriedade nossa ou um vilão a comandar nossa vontade. Alguns dizem que o tempo não existe. Se assim fosse teríamos que inventá-lo. Aliás, eu acredito que o tempo, assim como a Geometria realmente não existiam na terra em formação, sem seres vivos. Foi uma criação do homem. Se com o conhecimento geométrico edificamos o mundo como hoje o conhecemos, com o tempo movimentamos nossas vidas. O tempo é uma grandeza física referencial na quantificação do movimento. Mas o tempo varia de acordo com a percepção sensorial de cada pessoa. Quando crianças, o ano letivo demorava muito a passar. Já as férias de fim de ano esvaiam-se em um piscar de olhos. Depressa o tempo voltava a se arrastar, como um carro de boi carregado de cana de açúcar subindo uma ladeira.

À medida que vamos envelhecendo a nossa percepção de tempo muda e, este nos parece passar mais rapidamente. Recentemente soube por notícias, que o tempo não está mais rápido, o que alterou foi o movimento da terra em torno do sol, e o deste, arrastando a terra em sua viagem ao infinito. E é isto que nos dá a idéia dessa rapidez. Será? Por via das dúvidas, o sol poente do mês de julho que incidia na janela do meu quarto formando um ângulo reto há dez anos, projeta agora uma sombra com ligeira inclinação.

Há pessoas que dependem do tempo. Entre elas o relojoeiro. Mas não há um meio onde o tempo seja mais precioso do que na televisão. Um minuto de anúncio comercial custa uma fortuna. Aliás, em um minuto a televisão nos castiga com quatro propagandas, a maioria delas um “saco.” Um exemplo mais ilustrativo da eternidade de um minuto para a televisão, eu ouvi do saudoso dom Helder Câmara. Segundo ele, diretores da Rede Globo o convidaram para uma entrevista em sua sede no Rio de Janeiro. Pagaram suas passagens na primeira classe de um vôo internacional que fazia escala em Recife, hospedaram-no no melhor cinco estrelas da Barra da Tijuca, com mordomias que jamais o despojado Dom Hélder fora tratado. No dia seguinte, quando Dom Hélder chegou à estação da Globo, conduziram-no à sala de maquiagem. Antes de entrar no estúdio o diretor de jornalismo lhe avisou: “o senhor terá dois minutos para expor todo o conteúdo da sua mensagem.” Diante desse aviso Dom Hélder reagiu: “Mas meu amigo, vocês me trouxeram do Recife, gastaram um fábula com passagens aéreas, pagaram minha hospedagem num hotel caríssimo, com transporte à minha disposição aqui na cidade, tudo isso para eu falar apenas dois minutos?” – “Mas Dom Hélder são cento e vinte segundos!” – Valorizou o diretor da Rede Globo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

FLORESTA NACIONAL DO ARARIPE

Foto de Cacá Araújo (09.01.2011)


Foto de Cacá Araújo (09.01.2011)

Foto de Cacá Araújo (09.01.2011)