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domingo, 13 de março de 2011

TÁ CHEGANDO A 11ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS

Foto de Gessy Maia (2010)


11ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS
23 DE ABRIL DE 2011
Elaboração: Cacá Araújo
  
PROMOÇÃO E REALIZAÇÃO: 
Sociedade Cariri das Artes 
Cia. Cearense de Teatro Brincante 
Circo-Escola Alegria 

PARCERIA: 
Prefeitura Municipal do Crato 
Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato 
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Coletivo Camaradas
  
HISTÓRICO: 
Praticamente todas as grandes manifestações profanas ou religiosas existentes na humanidade foram herdadas dos primitivos cultos agrários surgidos antes de Cristo. 
  
A Malhação do Judas é um espetáculo de grande beleza e significação que revive a festa pagã das Capitales Romanas. Popularíssima na Península Ibérica, radicou-se na América Latina a partir dos primeiros séculos de colonização européia. Câmara Cascudo afirma que “o Judas queimado é uma personificação das forças do mal e constituirá vestígios dos cultos agrários, espalhados pelo mundo”. A Igreja dela se aproveitou para incutir melhor na alma do povo a execração do gesto infame de Judas Iscariotes. 
  
No Crato, a festa existe desde o início do processo de colonização da região do Cariri, e, como em outros pontos do Nordeste, o Judas costuma deixar, em versos populares, o seu testamento, passando sua herança para pessoas da comunidade. 
  
Tradicionalmente se aproveita a ocasião para retratar personalidades políticas ou pessoas que tenham cometido gestos condenados pela sociedade. É, assim, uma forma de protesto popular. 
  
O projeto Festa Popular da Malhação do Judas já é um patrimônio do povo. Idealizado por Cacá Araújo quando professor e diretor do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, em Crato-CE, desde 2001 vem sendo realizado, sendo esta, portanto, a sua 10ª edição, há seis anos transferida para o Largo da RFFSA (Centro Cultural do Araripe), ampliando sua dimensão no contexto do resgate, preservação e difusão da cultura tradicional do povo cearense e do sertão nordestino. 
  
Em 2001, a 1ª Festa Popular da Malhação do Judas, idealizada e coordenada pelo prof. Cacá Araújo, e realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, teve o mérito de inserir na vida escolar uma tradição popular em forma de discussão temática abordando assuntos de relevante importância para o aluno e a sociedade em geral. No processo de eleição do Judas, a professora de história Iapunira Teixeira Campos, em discussão com seus alunos, construiu a idéia de também apresentar como “candidatos” problemas sociais a exemplo da fome, desemprego, violência etc. Nesta feliz empreitada, foi escolhido como Judas "O DR. MOSQUITO DENGOSO", objetivando alertar para os riscos e contribuir no combate à dengue, que na época se alastrou violentamente nas comunidades, especialmente na periferia, onde as condições de saneamento eram, e ainda são, de extrema precariedade. 

Em 2002, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 2ª Festa Popular da Malhação do Judas aconteceu em forma de protesto contra os crimes praticados contra as mulheres no Cariri cearense e exigindo justiça e segurança. Mais uma vez a comunidade escolar se manifesta elegendo como Judas "ASSASSINO DE MULHERES". 

Em 2003, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 3ª Festa Popular da Malhação do Judas levou à forca, eleito pela comunidade escolar, "BUSH – FILHO DO CAPITALISMO E DA BESTA-FERA", numa ação pedagógica em defesa da paz e protestando contra as ações genocidas de guerra de conquista perpetradas pelos EUA, sob o comando do famigerado George W. Bush.  

Em 2004, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 4ª Festa Popular da Malhação do Judas teve como eleito "O MONSTRO VIOLÊNCIA". A eleição envolveu alunos, professores, funcionários, pais e gente da comunidade. O resultado foi uma reflexão sobre a violência nas suas variadas formas de se manifestar: agressão física ou psicológica, estupro, assassinatos, assaltos, seqüestros, guerras, terrorismo, fome, desemprego, corrupção, exploração sexual, tráfico de mulheres, de crianças, de órgãos, de drogas, preconceito racial e de outras naturezas, descaso governamental para com a coisa pública, falta de investimento na educação e desrespeito a outros direitos básicos da pessoa humana. 

Em 2005, realizada no Largo da RFFSA, a 5ª Festa Popular da Malhação do Judas teve projeto selecionado no Edital I Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, sendo apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Depois de um processo de votação com urnas espalhadas em vários pontos da cidade, foi escolhido como Judas pela população o Juiz Percy Barbosa, o "JUIZ ASSASSINO", que assassinou friamente um vigia de supermercado em Sobral-CE. Foi uma manifestação de protesto contra a arrogância, a impunidade e o autoritarismo relacionados a autoridades dos diversos poderes.  Em forma de auto de teatro medieval, o evento atraiu cerca de 3.000 pessoas, e contou com artistas populares e brincantes, resgatando, ainda, o tradicional Roubo do Sítio do Judas, hoje praticado em poucas comunidades rurais, com a irreverência e a animação dos caretas. 

Em 2006, realizada no Largo da RFFSA, a 6ª Festa Popular da Malhação do Judas foi contemplada no Edital II Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, sendo apoiada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Novamente através de eleição, mas desta feita com candidatos escolhidos dentre 10 (dez) constantes da cédula elaborada por um colégio eleitoral formado por convidados, foi eleito como Judas o “DEMUTRÔNIO – O MONSTRO DAS MULTAS”, numa alusão ao Departamento Municipal de Trânsito, que à época gozava de profunda antipatia popular. Manifestou-se, assim, a revolta do povo com o abuso de autoridade e as multas em exagero. Um grande evento, em forma de auto teatral, que envolveu aproximadamente 5.000 pessoas de vários pontos da cidade. Show pirotécnico, cantores de brega e forró pé-de-serra, banda cabaçal, artistas populares, testamento em versos de cordel e um boneco medindo 3 metros de altura, além do tradicional roubo do sítio do Judas, protegido pelos caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista. 

Em 2007, realizada no antigo Largo da RFFSA, hoje denominado Centro Cultural do Araripe, a 7ª Festa Popular da Malhação do Judas foi contemplada no Edital III Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, novamente sendo apoiada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Mantendo a tradição de escolher o Judas pelo voto popular, foi eleita a “ASSASSINA DO GANHADOR DA MEGA-SENA”, demonstrando a indignação popular com o assassinato de Renné Senna, ganhador de mais de 50 milhões na mega-sena, a mando de sua mulher Adriana Almeida, em janeiro de 2007. Mais de 9 mil eleitores participaram do pleito. A malhação, ocorrida no dia 7 de abril (Sábado de Aleluia), que reuniu cerca de 5.000 pessoas, contou com o tradicional roubo do sítio do Judas, protegido pelos caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista, show pirotécnico, cantores de brega e forró pé-de-serra, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, artistas populares, testamento em versos de cordel e um boneco medindo 3 metros de altura, representando a “escolhida” como Judas. 

Em 2008, também no Centro Cultural do Araripe, a 8ª Festa Popular da Malhação do Judas, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, reuniu cerca de 6.000 pessoas, além de envolver mais de 10.000 participantes no processo de eleição do Judas. Num contexto de amplo debate foi eleito como Judas o Bispo Dom Cappio, por este ser contra a Transposição das Águas do Rio São Francisco, sendo que, a pedido da Diocese do Crato, a organização do evento retirou o nome de Dom Cappio e manteve o tema, objetivo maior do processo, passando o Judas à denominação de “CRISE NA TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO”. No dia 22 de março de 2008 (Sábado de Aleluia), a malhação contou com vasta programação, com o tradicionalíssimo roubo do Sítio do Judas, Caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista, show pirotécnico, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Luizinho Brega Star, artistas populares, testamento escrito em cordel e um grande boneco de 3 metros de altura representando o “Judas”. 

Em 2009, realizada no Centro Cultural do Araripe, a 9ª Festa Popular da Malhação do Judas, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, reuniu cerca de 7.000 pessoas, além de envolver mais de 12.000 participantes no processo de eleição do Judas. Em meio a grande onda de casos de pedofilia, os “eleitores” escolheram uma personagem-tema: “PEDOFILINO SAFADUS”, justificando que a pedofilia é uma prática recorrente em diversos setores da sociedade, agredindo a criança e afetando a família, e apresenta fortes raízes na impunidade e no abuso do poder físico, religioso e ou ideológico. No dia 11 de abril de 2009 (Sábado de Aleluia), deu-se a malhação, anunciada em grande cortejo de caretas, artistas populares, atores, banda cabaçal, artistas circenses e população. Após o tradicional roubo do Sítio do Judas, deu-se a leitura do testamento escrito em versos e o boneco de 3 metros foi “malhado”.

Em 2010, no Centro Cultural do Araripe, patrocinada pelo Edital Ceará da Paixão (SECULT-CE) e apoiada pela Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, a 10ª Festa Popular da Malhação do Judas animou um público estimado em 7.000 pessoas, depois de envolver quase 15.000 pessoas no processo eleitoral. Eis, então, que, simbolizando a criminalidade doentia que apavora cidadãos e cidadãs, foi “eleito” como Judas um juazeirense chamado Evandro Rogério dos Santos, o “CABELO DO CÃO”, que assassinou friamente, em 2009, o mendigo Geraldo Siqueira Alves, o Geraldo “dono do Banco do Brasil”, figura folclórica de Juazeiro do Norte-CE. O meliante já havia matado sua mulher, quando vivia em Pernambuco. Em 3 de abril de 2010 (Sábado de Aleluia), depois de concentração na bodega de Edilberton Joquinha, um grande cortejo com o Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, artistas circenses e atores-brincantes em seus personagens regionais, conduziu o Judas Cabelo do Cão ao local de seu julgamento e malhação. O tradicional roubo do Sítio do Judas e a leitura do cordel-testamento antecederam a explosão do imenso boneco em meio à vibração catártica do povo presente. 

Caretas protegem o Sítio do Judas - Foto de Gessy Maia (2010)

JUSTIFICATIVA: 
A Malhação do Judas, como afirma Câmara Cascudo, é uma manifestação tradicional que se insere no contexto cultural como um ritual de extrema significação e complexidade, simbolizando a expressão do mal e liberando o homem para fazer os destinos comunitários, da qual ressalta-se, também, o aspecto dionisíaco, a folia, a festa. 
  
A realização da 10ª Festa Popular da Malhação do Judas reeditará o êxito das anteriores (2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009) e continuará a preservação de uma tradição secular que se funde com o surgimento da civilização nordestina e brasileira, que herdou dos povos medievais os ritos, festas e cerimônias católicas que trazem consigo um caráter “sacro-profano”. É a reconstrução de imagens que contribuirão para o resgate e fortalecimento da memória histórico-cultural do nosso povo. 

A Sociedade Cariri das Artes, Ponto de Cultura do Brasil (Minc/Secult-CE) envolverá na realização do presente projeto, crianças, adolescentes e adultos integrantes da Cia. Cearense de Teatro Brincante e do Circo-Escola Alegria, órgãos por ela mantidos.
     
OBJETIVOS: 
1. Realizar a 11ª Festa Popular da Malhação do Judas, no Centro Cultural do Araripe (Largo da RFFSA), em Crato, envolvendo um público direto previsto de 8.000 pessoas; 
2. Fortalecer a tradição da malhação do Judas, realizada no Crato desde o início do povoamento da região do Cariri, de modo que desperte as novas gerações para a importância da preservação e difusão das tradições populares, como peças imprescindíveis ao resgate da auto-estima, potencialização dos laços afetivos e (re)descoberta da memória histórica da comunidade; 
3. Colaborar na identificação e difusão das tradições regionais, contribuindo para a construção de identidade cultural própria, fundada nos valores étnicos, culturais e estéticos formadores do povo caririense e nordestino.

PROGRAMAÇÃO GERAL: 
  
O Projeto 11ª Festa Popular da Malhação do Judas será realizado no período de 13 de março a 23 de abril (Sábado de Aleluia) de 2011, dia em que ocorrerá a malhação, novamente como um auto de teatro medieval. 

Roubo do Sítio do Judas - Foto de Gessy Maia (2010)

1. Convenção Regional do Judas: de 13 a 20 de março de 2011.

Nesse processo, um Colégio Eleitoral composto de representantes dos diversos segmentos da população recebe um formulário-cédula, onde expressam suas indicações para a lista quíntupla de candidatos a “Judas”, cujos serão inscritos na cédula eleitoral, com as devidas justificativas.

2. Eleição do Judas: de 23 de março a 1º de abril de 2011.

3. Apuração dos votos e proclamação do resultado: 2 e 3 de abril de 2011.

4. Confecção de boneco e elaboração de cordel-testamento: 4 a 20 de abril de 2011.

5. Malhação do Judas: dia 23 de abril de 2011 (Sábado de Aleluia).
14 horas: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha e Jaraguá de reisados locais, por atores em seus personagens regionais Geroplícia (Orleyna Moura), Zé di Baca (Cacá Araújo), Buneca di Lôça (Maria Isaura Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Maria Capionga (Tereza Cândido), Cachimbêra du Sertão (Orlenise Moura), Camalião Risca-Faca (Zé Vicente), Zefa Rapa-Côco (Charline Moura), Carrim du Bago Mole (Edival Dias), Cabôco Fumadô (Jardas Araújo), Cumade Meropéia (Mônica Batista), Tanajura Cafuné (Jonyzia Fernandes), Perpa Criolina (Lorenna Jéssica), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão-Côxo (Josernany Oliveira), Serpentina Vuadora (Joênio Alves), Mutuca Lombrada (Felipe Tavares), Carrapato di Musquito (Márcio Silvestre), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Vitalino Fura-Fura (Lifanco), Lubisome du Buraco (Veylla Duarte), Dona Pomba (Mariana Nunes), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Cabinha du Babado (Paulo Henrique Macêdo), Luizinho Brega Star (Tio Bibi), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Raul Canga-Seixas, Beata du Chafurdo Bom (Kelyenne Maia), Genoveva Pilinta (Samara Neres), Bascúi di Fulô (Joana Neres), Caçote Invenenado (Emerson Rodrigues), Cachacêro Safenado (Paulo Fernandes), Cintura de Cabaça (Lauzemiro Lau), Cavaleiro  da Valintia Mucha (Carlos Ângelo Araújo), Pisa de Cansanção (Raquel Silva), Mavelina Papada di Pôico (Rosa Waleska), Mordomo di Curtiço (Diogo Stálin Araújo), Feiticêra Milindroza (kelvya Maia), Cigana Reboladêra (Monalissa Novais), Donzela du Barrêro (Paula Amorim), Pai-da-Mata (França Soares), Cupado da Inchente (Antonio Wideny Toyota). Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Praça da Sé – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe.  
16 horas: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo). 
18:30 horas: 1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo. 
19:30 horas: Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi. 
22:00 horas: Encerramento. 


Crato-CE, 13 de março do ano 2011.

Cacá Araújo
Professor, Dramaturgo e Folclorista
Coordenador Geral

sexta-feira, 11 de março de 2011

Chega de Caridade de Porta de Guarda-Roupa ! - Por: Dihelson Mendonça


Vamos parar com essa hipocrisia de só doar do nosso supérfluo...


É interessante como algumas pessoas gostam de se enganar e de tentar enganar os outros. Provavelmente você já deve ter ouvido falar no termo "caridade de porta de geladeira", ou "caridade de porta de guarda-roupa", não ?

Mas você já deve ter observado casos em que pessoas , abrindo o seu guarda-roupas, e separando aquelas roupas estragadas que não desejam usar de forma alguma, e para desobstruir o armário a fim de comprar os novos modelitos das lojas, resolvem fazer caridade do entulho e do supérfluo que iria para o lixo, doando aos pobres. Ah! mas que coisa linda! Dar aos outros aquilo que não quer para si...

Na verdade, as pessoas que fazem esse tipo de coisa, estão resolvendo principalmente o problema delas mesmas, em se livrar de um fardo. Elas se enganam e tentam enganar os outros, com aquele semblante caridoso de quem faz a melhor coisa do mundo. A pergunta é: "Porque essas pessoas não pensam em doar daquilo que gostam e que necessitam no dia-a-dia?" A resposta: " Nem pensar" - Porque doar 10 reais pra quem ganha 10.000 reais não tem nada de vantagem. O difícil é não ter, e ter que ter pra dar, como já diz a letra do compositor Djavan.

Então, vamos parar com essa hipocrisia de só doar do nosso supérfluo, aquilo que não queremos mais, que não cabe em nossas casas, que não cabe mais nos nossos armários abarrotados de pertences, e vamos começar a compartilhar daquilo que verdadeiramente necessitamos no nosso dia-a-dia, daquilo que precisamos de fato. Assim, estaremos sendo verdadeiros para com todos, e sendo fraternos para com nossos semelhantes, e sobretudo, deixando de ser hipócritas, fazendo caridade de porta de guarda-roupas!

Por: Dihelson Mendonça

Uma amizade infinita - Emerson Monteiro


Eis aqui nestas palavras uma das provas da existência do Bem supremo, a amizade dos que conhecem amigos. Só quem possui um amigo pode considerar o seu valor. Inestimável o termo de comparar os amigos, e nem precisa dizer que falo dos amigos verdadeiros, pois amigo só verdadeiro, essa tonalidade maior das referências humanas, o amigo.
Quanto vale um amigo? Não há preço que possa comprar, porquanto não se acha à venda, inexiste supermercado de amigos, shopping de amigos, fábrica de amigos. Os amigos nascem no berço farto do coração; nascem, crescem e vivem para a Eternidade. Seres especiais, mutantes dos sentimentos altos da verdade, brotam nas calçadas frias das dificuldades, provam sua fibra nas solidões indesejadas e saem por cima, nos instantes críticos da jornada.
Amigos, de que gosto de falar aos meus filhos não caberem em mais do que nos cinco dedos de uma única das mãos. Uma vida é muita para tantos amigos do tanto dos dedos de uma mão. Amigos, espécimes raras e valiosas, que mantêm o silêncio até o dia em que surgem numa manhã, numa noite qualquer de sofrimento, e nos envolvem de luz e carinho, na força grandiosa do fervor que a eles pertence. A despesa reservada aos instantes da certeza em que há um pai, um irmão, um companheiro, indiferente às considerações dos elogios fáceis, entra porta adentro e preenche todos os espaços da dúvida e do isolamento.
Um amigo, uma barra de ouro brilhante. Um amigo, um tesouro ilimitado no tempo e no espaço. Um filho do Deus da bondade no crivo do interior da gente, um emissário das bênçãos superiores, divinas. Ah, que ventura reconhecer a realidade do sonho de um amigo, de uma amiga, essa dádiva inigualável de todas, imensa compreensão dos que desmancham em conforto as mágoas do desencanto. O saber sorrir, chegar junto, firmar compromissos inadiáveis, incondicionalidades e águas boas.
Falar nos amigos alimenta o veio dessa confiança nos valores inesgotáveis da glória eterna do Amor. Amigos, perfume silvestre das vitórias que nutrem a alma de virtude e paz, pura leveza de presenças silenciosas e vastas, pomos de territórios doces da concórdia, ganhos vivos da plenitude.
Isso de contar algumas considerações quanto aos amigos demonstra suas potencialidades e desperta a que se continue na busca desses personagens coautores da Criação, aliados nas ações positivas, otimistas crônicos e primorosos precursores da transformação de nossos critérios em resultados benfazejos, dos avanços mundiais da vontade no que haja para reverter os quadros tristes, nas madrugadas esplendorosas das cores de alvoradas magnânimas. Vivam os amigos, as amigas, hoje e para sempre!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011 discute vida no planeta e mudanças climáticas

Com o tema Fraternidade e a Vida no Planeta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira (9) a 48ª Campanha da Fraternidade, que pretende alertar os católicos para a gravidade das consequências do aquecimento do planeta. A Igreja quer mobilizar fiéis e sociedade sobre os impactos das mudanças climáticas e estimular ações práticas para preservar o meio ambiente.

No texto-base da campanha, a CNBB expõe as principais conclusões da ciência sobre as mudanças climáticas e a participação humana no problema, faz críticas ao modelo energético que ainda privilegia fontes fósseis - grandes emissoras de gases de efeito estufa, ao desmatamento e até ao agronegócio.

Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, a ideia é aproximar o debate sobre mudanças climáticas das pessoas e estimular mudança de hábitos e políticas públicas que ajudem a preservar a vida e o planeta.

Entre as ações práticas sugeridas pela campanha estão a redução do uso de sacolas plásticas, o uso de energias renováveis e mudanças de hábitos de consumo. "As campanhas da Fraternidade são caracterizadas pela capilaridade, chegamos ao ribeirinhos da Amazônia e aos grandes condomínios. Isso contribui para o alcance da reflexão."

Durante a apresentação da campanha, o secretário-geral da CNBB criticou a falta de investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica e a solar, o risco de aprovação de mudanças no Código Florestal sem considerar a opinião de movimentos ligados à terra e a construção de grandes projetos de infraestrutura sem garantia de contrapartidas sociais.

Dom Dimas reiterou críticas da CNBB a algumas das propostas de mudanças no Código Florestal previstas no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), como a possibilidade de anistia para desmatadores e a redução de limites de áreas de preservação. "Nossa preocupação é que o código não seja votado de forma apressada porque as consequências serão duradouras."

Fonte: Agência Brasil

Em torno de nós mesmos - Emerson Monteiro



Fugir para onde, ninguém sabe das direções disponíveis, pois há, sempre, que acontecer o movimento só esse que se conhece, em torno do próprio eixo, isto que resulta da interpretação constante dos sítios que mostram suas fisionomias a todo instante, determinando marcas definitivas no direito ansioso dos que invadem o desespero e regressam exaustos das esperas de respostas diferentes, sem, contudo, garantir que, noutros lugares, que não sejam este aqui, existam meios de achar dois presentes, o atual e um outro, ou mais outros que revelem multiplicidade do eu. Almas de momentos, aqui e lá, desenvolveriam, com sobra, projetos independentes de liberdades potenciais.
Pois bem, examinar isso provável ocasionou a vontade monumental das grandes constatações. Andar em circunstâncias do território da alma da gente. Circunferências que buscam distância correspondente aos volteios de um carrossel, na determinação de centros imaginários da pessoa em si, na essência. Luzes que girassem velozes, nas sucessões de imagens a tocar vistas, indicando lugares e fios condutores de mudanças de lugar, chances das individualidades em festa noutros universos paralelos.
Quantas vezes, no entanto, se perdem as longas estiradas quilométricas de viagens infinitas, sem rever o ponto inicial das jornadas quase vida em mundos longitudinais, invés de concêntricos. Isso angustia, causa vertigens, porquanto deixar parecer morar em fitas desconexas o sonho da circunvolução em referência aos traços imaginários do centro do si mesmo, que corremos atrás para reunir e estabelecer, na concentração mental.
Uma molécula representa melhor a nucleação da esfera do ser do que lençóis voando ao vento, esgarçados painéis de texturas inúteis, jornais passados e cartazes envelhecidos, nas estradas pela vida. Blocos de tempo agregados em bólides que comprimem dias, soldas, emoções, sentimentos, pensamentos e ações, camadas sucessivas que confrangem a semente original objeto dos desejos e sonhos. No âmago das movimentações fervorosas de tais planetas espalhados na eternidade dos milhões das coisas gravitacionais, um comando de personalidade opera seus instrumentos de sobrevivência e continuidade, espécie de voo livre rumo às estações da felicidade; cá vamos nós.
E nessa excursão sideral o anelo de Deus, resposta maior do mistério ao ente dos começos e dos fins. Querer saber contém a efervescência do confluir das partidas, pomo fundamental das indagações oficiais da lógica primária. Portas e janelas que se abrem nas possibilidades dos novos êxitos e sucessos, alimentos de continuação dos passos pela trilha palpável das manhãs, tardes e noites, nos dias claros, roteiros grandiosos, sóis incendiários...

quarta-feira, 9 de março de 2011

A era do desperdício - Emerson Monteiro

A televisão mostrava imagens do seringal Nova Vida, município de Ariquemes, no estado de Rondônia. O que fora mata fechada virara cinza, após a ação de motos-serra e labaredas. Na trilha sonora, os números da tragédia. Haviam sido dizimados mais de quatro bilhões de dólares em madeira de lei abandonada nos desmatamentos. Quem atira com munição dos outros só dá tiro grande, enquanto a verde selva diminui a cada momento.
Isso numa fase brasileira quando tudo merece consideração, à custa dos fracassos administrativos para conter grileiros e predadores.
- Por que tanto esbanjamento? O planeta comum ainda terá de pagar quanto pela incompetência dos deslavados habitantes?
As respostas chegam por que sobram racionalizações e palavras: crise econômica, inflação, desleixo, alertas máximos, recessão, demanda reprimida, desindexação, subsídios, mercado externo, investimentos, privatizações, mercado interno, propriedade privada, macro-estruturas, monopólio, terceira onda, multinacionais, tecnologia de ponta, trustes, ganância, imperialismo. Nisto, a fome explode e o desemprego aflige os contingentes acuados de encontro ao futuro incerto.
Nos vários países, a perdição de descartar embalagens plásticas, metálicas, outros materiais raros e aperfeiçoados, sem qualquer intenção de reaproveitamento, demonstra a inabilidade humana para lidar com a sábia natureza.
A civilização refinou técnicas aplicadas em bases jamais concebidas. Veículos de massa anexaram ciências sofisticadas e não adotam conteúdo compatível, enquanto programas funcionam para embriagar as mentes de emoções irresponsáveis, como drogas eletrônicas. Dia seguinte, o tédio moral da falta de iniciativa das massas, que bloqueiam possíveis janelas com os espelhos da anemia crescente das sucessivas ressacas.
Preço da farra: a miséria dos países pobres para afirmação de imperadores contemporâneos que brincam de esconde-esconde nuclear, ou saem vadios na estratosfera, fotografando as luas de Saturno, galáxias a milhões de anos-luz, com todas as despesas pagas pelas nações, que nem águas têm para beber.
Boa-vontade e rigor, palavras símbolos numa época prever transformações dolorosas, na hora certa de cada coisa, pois dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada!

Memória da Confederação dos Cariris – Encontro dos Grupos Artístico-Alternativos do Sul Cearense

Carlos Rafael Dias

Já não tenho mais aquela memória primorosa de outrora. Mas algumas lembranças teimam em permanecer neste cérebro que já dá os primeiros sinais de múltiplas escleroses.

Uma delas (lembranças) é a realização da Confederação dos Cariris (Encontro dos Grupos Artísticos- Alternativos do Sul Cearense), ocorrido, se não me falha a memória, em setembro de 1984.

Era uma época interessante. O Cariri fervilhava com o voluntarismo da juventude envolvida em movimentos artísticos diversos, de acordo com ideologias ou gostos estéticos. Em Crato, vários grupos ou movimentos artísticos com seus respectivos “baluartes”, como o Folha de Piqui – (sic) - (eu, Leonel Araripe e Wellington Marques), Flor da Terra (Willian Brito, Leonardo Monteiro e Paulo de Tarso Barreto), Associação dos Amigos do Parque (Wilton Dedê e Gilberto Filho, Teto), Sementes da Poesia (Genes Alencar e Albeniza Gomes), Mutart (Rogério Proença e Wilson Bernardo) e Raízes (Tancredo Lobo, Hermano Roldão e Hermano Jorge). Em Juazeiro, a atuante e aglutinadora AMAR (Associação dos Artistas e Amigos da Arte), liderada por Stênio Diniz, era a principal referência.

Ainda pairava na época o espírito de resistência coletiva que caracterizou a década anterior, com o Grupo de Artes Por Exemplo, organizado por Rosemberg Cariry. Este, por sinal, projetava-se além-região, à frente do jornal Nação Cariri, editado em Fortaleza, e estreava no seleto clube da cinematografia brasileira, dirigindo o documentário A Irmandade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, lançado naquele ano “de graça” de 1984.

A ditadura militar estava nos seus estertores, e respirava-se mais e melhor.

Na terrinha, pretendia-se sacudir a cena provinciana. Naqueles tempos ainda se acreditava no apoio decisivo do poder público para estimular a produção cultural e, consequentemente, sacudir a inércia reinante. Não existia ainda uma secretaria municipal de cultura e a reivindicação maior era por isso. Ou, como se costumava bradar, pela implementação de uma política cultural.

Por isso, a necessidade de realizar um evento que reunisse artistas e grupos artísticos alternativos ganhou força naquela conjuntura.

A ideia surgiu entre os participantes do movimento que pulsava em torno do jornal Folha de Piqui e ganhou adesão dos demais artistas de Crato e Juazeiro, que na época mantinham uma constante articulação.

O primeiro passo foi confeccionar um cartaz, a cargo do artista plástico Normando Rodrigues, que o fez de forma primorosa, em xilogravura. O segundo, divulgar o evento e ideia nas demais cidades que detinham expressão na produção artística da região, como Assaré, Barbalha, Farias Brito, Várzea Alegre, Icó, Iguatu, Lavras da Mangabeira e Mauriti, dentre outras.

Participei da comitiva que visitou Mauriti, juntamente com Luiz Carlos Salatiel, Tancredo Lobo e Francisco Cunha, quando aquela cidade foi escolhida para sediar o encontro.

A lembrança do encontro em si é bem mais forte de que todas as etapas de sua preparação.

No início da tarde de uma sexta-feira, Salatiel me apanhou no seu carro e fomos, em seguida, apanhar o poeta Geraldo Urano, que levou uma bagagem inusitada: uma cesta de palha com uma ou duas mudas de roupa.

Em Mauriti, ficamos hospedados em uma escola, onde o encontro foi realizado, incluindo parte da programação cultural, visto que o espaço tinha um auditório para as apresentações artísticas.

A primeira apresentação foi uma peça de um grupo de Juazeiro, dirigido por Lucion Caieira, que abordava a loucura clínica. Geraldo Urano, já embriagado, discordou do enfoque da peça e invadiu o palco em pleno ato. Normando Rodrigues o retirou de pronto e delicadamente. A incauta plateia, acho, deve ter achado que a cena fazia parte do espetáculo. Ou não deve ter entendido patavinas do que estava acontecendo.

O dia seguinte, um sábado, foi dedicado, manhã e tarde, para os debates e resoluções. Lembro simplesmente que aprovamos, como palavra de ordem principal, o chavão: política cultural já!

Neste dia aconteceram tantas coisas que minha agora limitada mente não dá conta de tudo. Apenas que o encontro, de natureza artístico-cultural, recebeu também um representante de outra área, do ramo funerário.

Não, ninguém morreu no ensejo. Graças a Deus. É que, chegou a Mauriti o empresário do setor mortuário (caixão, mortalha e afins), conhecido por Dudu Funerária. Foi e levou Socorro Sidrim (ou teria sido o contrário?).

Dudu, mesmo sem contribuir na discussão a que se propunha o encontro, foi uma figura ímpar no contexto. Ele parecia até iluminado.

Ele funcionou como um “anjo da guarda” de Geraldo Urano, que permaneceu todo o encontro em estado de “embriaguez e desordem”. Dudu era só puro carinho e cuidado com Geraldo. Lembro do episódio em que Geraldo mergulhou, sem saber nadar, no tanque da Associação Atlética Banco do Brasil, onde se realizava a confraternização final do encontro, na manhã do dia de encerramento do evento, um domingo.

Quem se atirou de imediato para resgatar Geraldo? Claro, Dudu Funerária, desfazendo aquela imagem sinistra que sua alcunha imprimia.

Naquele momento, ele se transmutou em Dudu “Maternidade”.

terça-feira, 8 de março de 2011

Documentários sobre cultura popular já estão disponibilizados na Internet


Três documentários sobre cultura popular da região do Cariri produzidos pelo projeto “No Terreiro dos Brincantes” que é uma iniciativa da Universidade Regional do Cariri - URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e o Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC e que tem a parceria do Coletivo Camaradas já estão disponibilizados no “You Tube” para serem assistidos na Internet ou gravados.

De acordo com o coordenador do Projeto “No Terreiro dos Brincantes”, o professor Alexandre Lucas essa iniciativa da Universidade contribuir para democratizar a pesquisa e a informação sobre os grupos da “cultura do povo”. Ele destaca que os documentários são importantes instrumentos pedagógicos que pode ser utilizado em sala de aula e enfatiza que qualquer pessoa pode ter acesso. Lucas incentiva ainda que esses documentários sejam copiados e reproduzidos sem prévia autorização. “Esse material pertence a memória social do nosso povo e por isso o seu acesso deve ser ilimitado”, conclui o coordenador.

A intenção é produzir 10 documentários, até o momento foram produzidos quatro: As Mulheres do Coco da Batateira, Mestra Zulene Galdino, Reisado Dedé de Luna e Mestre Cirilo. O quinto documentário será sobre o Reisado de Máscaras do Sassaré de Potengi/CE e deverá ficar pronto em abril deste ano.

Acesse, copie e reproduza gratuitamente os documentários:

Mulheres do Coco da Batateira

http://www.youtube.com/watch?v=Nsx34rHDt9E

Mestra Zulene Galdino

http://www.youtube.com/watch?v=0-rPM_vKzao

Mestre Cirilo

http://www.youtube.com/watch?v=KApNhXuq0ts


Serviço:

Informações adicionais sobre o Projeto “No Terreiro dos Brincantes”

Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/URCA – Campus Pimenta

(88)3102-1200

Ulisses Germano - O homem traquino das múltiplas artes


A traquinagem não é coisa só para menino. Ulisses Germano é um desses exemplos, artista comprometido com o seu tempo navega pela música, poesia, artes visuais e pelas suas constantes invenções. Bebe da teoria e da sabedoria do nosso povo para construir no palco da vida uma arte humanizadora. “A pratica é a mãe ou o carrasco de toda e qualquer teoria” como afirma o artista traquino, Ulisses Germano.

Alexandre Lucas - Quem é Ulisses Germano?

Ulisses Germano - Um ser em construção, impermanente.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Ulisses Germano - Comecei ainda menino por pura necessidade, e como a necessidade é a mãe da invenção, fiz e faço desta vida um meio de expressar aquilo que sinto e vejo.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Ulisses Germano - Em relação à música, minha primeira influência veio mesmo da família. Meu avô, José Facundo, tocava clarineta na antiga Banda de Música de Jucás-CE., e meu tio Álvaro Correia era maestro desta banda de Jucás. Respirava essa atmosfera musical familiar junto com minhas tias Cely Correia e Maria José que, mais tarde, adotaria o nome artístico de Mazé do Bandolim e gravaria um disco ontológico no ano de 1999 chamado Terra dos Bandolins com músicos de ponta como Luizinho Duarte (violão e bateria), Adelson Viana (acordeom), Heriberto Porto (flauta) e Carlos Ferreira (clarineta). Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dorival Caymmi e os cegos cantadores fizeram parte da trilha sonora de minha infância, depois vieram os sambistas Noel Rosa, Wilson Batista, Pixinguinha, etc., enfim, de Miles Davis a Pink Floyd, Beatles a Cego Aderaldo, de Egberto Gismonti a Mestre Aldenir, da Banda de Pífano de Caruaru ao e dos Irmãos Anicetos. Compartilho da idéia de que só existem, esteticamente, dois tipos de música: a BOA e a RUIM. É como gravidez, não tem meio termo. Mas de tudo que eu já escutei na vida nenhum músico me sensibilizou mais do que o genial Hermeto Pascoal. Hermeto, para mim, é o representante musical de nosso Planeta.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Ulisses Germano - Comecei em Fortaleza tocando saxofone e flauta numa banda chamada Material, depois fiz parte da Tracajá Blues Band. Na década de oitenta comecei a tocar numa banda de Rock Progressivo chamada Trem do Futuro. Gravamos dois CDs. Está banda hoje faz parte do catálogo internacional da MUSEA – França. Paralelo a tudo isso eu ensinava flauta doce para adolescentes de numa escola pública CERE de Antonio Bezerra e formamos o Grupo Doce Flauta que tinha um repertório bem eclético e chegamos a tocar O Canto do Pajé de Villa Lobos com a orquestra Eleazar de Carvalho no Theatro José de Alencar em Fortaleza. Também realizei durante seis anos um trabalho voluntário numa ONG em Fortaleza no Bairro das Seis Bocas chamada REVARTE (Resgate dos Valores pela Arte). Cheguei ao Crato em 2003 para trabalhar como professor de Artes do Colégio Pequeno Príncipe e estou até hoje. Minha primeira apresentação foi no SESC, que é uma instituição cultural que eu tenho enorme gratidão, junto com o Di Freitas e seu violoncelo de papelão; toquei um instrumento que eu criei chamado Ovo de Dinossauro que tinha um timbre parecido com a tabla indiana. Josenir Lacerda foi quem me motivou a fazer cordel e Gomez (Zé de Calu) foi quem me apresentou os compositores e artistas da Região. Com o saudoso Correinha formei o Grupo CRATETO e com Mestre Aldenir (meu pai cultural) aprendi um pouco sobre reisado. Foi na Região do Cariri, morando no Crato, que eu encontrei minha verdadeira identidade cultural. Já ouvi da boca de muita gente viajada dizer que nossa região é a mais rica do país em termos de arte popular. Quem vem por estas plagas fica imantado por uma energia que até hoje eu não sei de onde vem nem de como se processa.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Ulisses Germano - Querendo ou não a política e as artes perpassam todas as ações do nosso dia a dia. Bertolt Brecht analisou tudo isto com muita propriedade. De uma forma mais concreta e em relação à música, esta ligação já foi bem mais estreita. Falo de modo particular em relação à música chamada de protesto. Podemos observar essa mudança vasculhando as gravações fonográficas desde os tempos da Odeon até os dias de hoje. Mas o homem deixou de ser um animal político para se transformar num animal absurdo! E arte também acompanha esta absurdez em que a espécie humana foi reduzida, porque Arte é poder. Nietzsche já sinalizava escrevendo sobre o medo que os políticos de uma forma geral têm da poesia e da filosofia. Os grandes compositores brasileiros e os artistas populares de peso, de um modo geral, são formadores de opinião e podem decidir uma eleição. Tiririca é um bom exemplo de como um excelente subproduto da alienação humana pode fazer em termos de avacalhação generalizada. Neste mundo em que o dinheiro compra tudo, a tal da sonhada democracia sofre de uma disenteria crônica e os que se deixam ser vencidos e vendidos por esta engrenagem alienante acabam, como dizia o Barão, sempre recebendo bem mais do realmente valem.
Foto: Evandro
Alexandre Lucas – Você consegue juntar o popular e o contemporâneo no trabalho que você desenvolve?

Ulisses Germano - Creio que sim. Quando eu fiz a escultura intitulada A INDIFERENÇA, premiada com medalha de ouro no VI Salão de Outubro no Crato, minha intenção era modelar uma peça capaz de expressar de forma clara e significativa esse sentimento tenebroso chamado indiferença. Então eu modelei um rosto com um olho vazado e outro sem ser vazado, mas olhando para baixo. O resultado é que o espectador jamais conseguia olhar diretamente no olho da peça, pois o que caracteriza a indiferença é o olhar que não olha ou pelo menos finge não olhar. Essa expectativa do espectador de tentar em vão achar o olhar da indiferença resultou num cordel que eu escrevi em parceria com poetisa Josenir Lacerda chamado A POÉTICA DA INDIFERENÇA. A peça em argila contempla o
contemporâneo em sua forma distorcida e o cordel é em si popular... Confesso que passo mal ouvindo esses discursos prolixos sobre Arte. Sei que a teoria é importante, mas sempre fico cabreiro em relações a rótulos. Procuro não rotular nada do que vejo ou do que faço. Se definir é matar, rotular é matar duas vezes.


Alexandre Lucas - A sala de aula é um laboratório de arte?

Ulisses Germano - Certamente. A ação de ensinar traz como conseqüência a ação de aprender, e é nesse jogo de reciprocidade, de vice-versa que a Arte em sala de aula se processa. Diria que não só na sala de aula. Um professor criativo sabe que os laboratórios não só de Arte, mas de Química, Matemática, etc., estão espalhados pelo mundo! A cozinha é pura alquimia, em todo canto existe geometria!


Alexandre Lucas – Ainda tem gente que acredita que a arte é dom?


Ulisses Germano - Tem gente pra tudo. Tem gente até que acredita que o homem não foi pra lua! –“Ora – dizem – se o homem tivesse ido pra lua tinha falado com São Jorge!” RS Deixando o gracejo, esse assunto é polêmico e requer uma análise mais aprofundada. Quando Mozart ainda criança revelou de forma surpreendente suas habilidades musicais para reis e princesas de Veneza, todos, obviamente, falavam de um prodígio, de uma coisa sobrenatural, de um “dom”. Lógico que ele nasceu com uma forte aptidão, o que ninguém viu foi a metodologia empregada pelo velho Leopold Mozart (seu pai) para aperfeiçoar o gênio do filho! As chamadas “Crianças Índigo” que estão brotando em diversas partes do mundo têm abalado a idéia dos que rejeitam a possibilidade de alguém nascer com um dom. Eu realmente fico bestificado com as pictografias, os desenhos mediúnicos feitos pelo mundo afora. Mas como professor de Artes acredito que todos nós temos habilidades para fazer arte. Definitivamente, Arte não é um dom, ou pelo menos não deveria ser encarado dessa forma em termos pedagógicos. Arte é uma energia que passeia pelo ar e que qualquer receptor mental vivo pode captar.


Alexandre Lucas – Esse crença acaba afastando as pessoas das artes?

Ulisses Germano - Lógico! Se a Arte é um dom, então não haveria necessidade do ensino das artes na Escola! Eu tenho um aluno no 8° ano que é um excelente desenhista, mas sempre traz na mochila um caderno cheio de desenhos. Quer dizer, ele pratica o tempo todo, através de erros e acertos ele foi aperfeiçoando suas habilidades. O conceito de arte hoje em dia é bem mais abrangente e está intimamente ligado ao projeto político-educacional mais revolucionário do mundo que é de EDUCAR OS CORAÇÕES! A arte ensina a Educar os Corações, lapidando os sentimentos... Por isso que o ensino das Artes do Brasil foi sempre colocado em segundo plano. Prá quê ensinar arte se o que interessa é o vestibular. O que não “cai” no vestibular não cabe na lei do mercado. Recuso-me a chamar os aprendentes de “clientela”.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Ulisses Germano - Creio que o que mais se aproxima dessa pergunta tenha sido o lançamento do cordel DO SELO LAMBIDO AO PONTO COM em parceria com o professor Zé Mauro. Foi o primeiro cordel publicado em Braille pelo Instituto Benjamim Constant. Fez parte de um projeto de Belo Horizonte –MG – Livro de Graça na Praça onde aproximadamente 40 mil livros foram distribuídos de graça. Meu mais recente cordel As Proezas do Peixe Pedra, em parceria com a URCA/Geopark, será lançado e distribuído nas Escolas Públicas.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Ulisses Germano - Gravar um CD com minhas composições fatigadas.

OLHAR DE MULHER

segunda-feira, 7 de março de 2011

CARNAVAL DA CRIANÇADA

Programa Cariri Encantado Sonoridades - Especial "a música de José Nilton de Figueiredo"

José Nilton de Figueiredo, nascido em Crato, menino telúrico e amante do Lameiro, onde viveu a infância e adolescência e onde foi aluno de Teoria Musical de Padre Ágio. Venceu na vida com esforço próprio. E nem por isso virou um desses arrogantes e prepotentes que abundam por aí. Passou por dificuldades, é verdade, mas igual ao samba clássico “levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima”.

Tornou-se sociólogo por formação. É mestre em Antropologia, autor da monografia “A (Con)sagração da vida—Formação das Comunidades de Pequenos Agricultores da Chapada do Araripe”, que depois virou livro. E livro bom!

Para os amigos simplesmente Zénilton, o professor de muitos colégios de Crato e da Universidade Regional do Cariri, (aonde chegou a vice-reitor). Ou ainda Zénilton, o cantor e compositor (já produziu dois CDs) seguindo a carga genética do avô, que também era músico e poeta.

José Nilton de Figueiredo ou Zénilton. Dos anos dos festivais de música da década 70 ou o mestre da academia de hoje. Uma única pessoa com muitas aptidões e várias qualidades.

Texto de Armando Lopes Rafael (publicado no Blog do Sanharol)

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO – SONORIDADES

Especial: a música de José Nilton de Figueiredo
Apresentação: Carlos Rafael Dias
Data: 9 de março (quarta-feira), das 14 às 15 horas
Rádio Educadora do Cariri AM 1020

Repertório
1. Escolhas (Zé Nilton e Carlos Rafael), com Zé Nilton
2. Roendo as Unhas (Zé Nilton)
3. Crato (Zé Nilton)
4. Tanta Coisa (Zé Nilton e Francisco Sávio), com Zé Nilton
5. Via Crucis (Zé Nilton)
6. Toada Brasileira (Ivan Lancelloti e Paulo César Pinheiro), com Zé Nilton
7. Amor Beato (Zé Nilton e Francisco Sávio), com Zé Nilton e João do Crato
8. Hino do Crato (Martins D’Alvarez e João Cruz Neves), com Zé Nilton
9. Saudade (Lifanco e William Brito), com Zé Nilton
10. A Nossa Felicidade (Zé Nilton), com Zé Nilton e Marta Freitas

Maria Gabriela Federico – Artista, restauradora e visionária


Gabriela é uma viajante, uma cidadã do mundo, com uma sensibilidade e inquietação aflorada que descobriu há alguns anos a cidade do Crato - CE (localizada no espiritual Estado do Cariri) e um dos seus empreendimentos foi o Olhar Casa das Artes, uma espécie de casa de convivência entre público e artistas. Essa peregrina da arte é uma das principais restauradoras de peças artísticas da cidade do Crato.


Alexandre Lucas - Quem é Maria Gabriella Federico?

Maria Gabriela Federico - Sou profissional da área de restauração e gosto muito da profissão que escolhi; por isso me dedico ao trabalho com fervor e emoção. Gosto da diversidade, a humanidade me fascina. Sou uma observadora atenta a tudo e a todos, principalmente no que diz respeito à cultura e as artes. No campo das artes, gosto da pintura, da escultura, da música, do teatro, do cinema, etc. Procuro me rodear do belo no tocante a arte e da amizade no relacionamento com as pessoas. Sou caseira e muito ativa. Não consigo ficar um instante sem fazer algo, sempre procuro me ocupar: seja organizando a casa, cozinhando, restaurando, lendo, ouvindo música, etc. Esse comportamento dinâmico, meu filho, o trabalho e os amigos me dão forças para ter uma vida equilibrada e a medida do possível feliz. Sou também uma colecionadora compulsiva: gosto de sapatos – ás vezes me sinto a Imelda Marques … aquela das Philipinas (risos). Coleciono também livros, esculturas, pinturas, fotografias. Sou uma pessoa alegre e parecida com tantas outras. Como diria Rita Lee: “Uma pessoa comum, um filho de Deus… remando contra a maré” só que acreditando nas pessoas e com muita Fé !!

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Maria Gabriela Federico - Há um bom tempo. Desde minha infância na Itália. O trabalho com Restauração começou na minha adolescência.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Maria Gabriela Federico - O meu trabalho tem influência do trabalho de meus mestres restauradores da Itália. A arte do Império Romano Antigo, do Renascimento Italiano, do Maneirismo, do Barroco e do Rococó com há qual muito convivi em Roma, também tem reflexo no meu trabalho.

Alexandre Lucas - Como você se tornou restauradora?

Maria Gabriela Federico - Quando terminei meus estudos na Academia de Artes em Roma, ainda não tinha clareza de qual profissão seguir. Minha mãe trabalhava com alta costura e tinha conhecidos no “mundo da moda italiana”, com isso comecei a fotografar na Itália para empresas particulares e para álbuns de modelos. Naquela época eu fotografava com máquinas analógicas, e o custo com películas fotográficas, viagens e estadias, me fez perceber que tinha mais despesas que lucro em essa profissão. A concorrência acirrada, também me afastou da profissão de fotógrafa. Voltei para as artes decorativas. Como já trabalhava com cerâmica, comecei a decorar peças de barro cozido, com pigmentos coloridos para forno. Também fui monitora de artes para doentes mentais em um consultório psiquiátrico e em um abrigo para crianças abandonadas.

Tempos depois conheci uma restauradora renomada em Roma que me convidou para trabalhar em seu atelier. Com quatro meses de trabalho já dirigia restaurações de afrescos em prédios históricos – responsabilidade a mim concedida por minha “Maestra”. Havia muito trabalho e ela confiava na minha aptidão ao trabalho de restauro.

Mais adiante, fiz cursos de aperfeiçoamento em escolas de artes particulares. Fiz cursos de estética e história da arte, técnicas e materiais de restauração, restauração de esculturas, restauração de afrescos, decoração em falsos mármores, aplicação de folhas de ouro e prata em objetos artísticos, técnicas de pintura, etc. Trabalhei em uma dessas escolas como restauradora exclusiva por dois anos. Em seguida abri minha própria firma de restauração em Roma.

Alexandre Lucas - A restauração possibilita para você um contato com a história dos lugares?

Maria Gabriela Federico - Sim, muito! Por exemplo, restaurei aqui no Crato, há alguns anos atrás, a imagem da padroeira da Cidade – Nossa Senhora da Penha. Símbolo maior da comunidade Católica do Crato. O Crato Nasceu de uma Missão Católica vinda de Pernambuco para se fincar num aldeamento indígena na região. Os capuchinhos que aqui chegaram trouxeram a devoção de Nossa Senhora. Portanto quando restauro um símbolo de devoção popular de longa data, entro em contato com a história do lugar.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória como restauradora?

Maria Gabriela Federico - Todos nascemos com uma determinada aptidão, às vezes a desenvolvemos, às vezes não. Quando pequena, eu recolhia cacos de cerâmicas quebrados de algumas coisas na cozinha, tinha seis anos e colava as partes diretinho, lembro-me que já entendia que se tivesse uma cor para complementar a pintura, a rachadura seria disfarçada, era uma brincadeira que me dava prazer. Tudo o que fiz me serviu de preparação profissional. Descobri isso, tempos depois, e por acaso.

Trabalhei com restauração (Afrescos) na Italia: Roma, Napolis, Frascati (Interior do Lazio) Milão e Torino. Outros lugares foram Barcelona, Creta e Ginevra, sempre trabalhei intensamente, até mesmo nas férias, pois não consigo ficar parada.

Aqui no Brasil cheguei no ano 1996. Mas de inicio não trabalhei com restauração, porque meu filho era muito pequeno e resolvi me dedicar a ele. Mas, depois de um tempo, abri um espaço comercial em Santa Maria no Rio Grande do Sul que era meu atelier. Os meus clientes eram antiquários e colecionadores de arte. No ano 2000 trabalhei para prefeitura do Rio de Janeiro com restauração de painéis de azulejos portugueses. Depois, fui a São Paulo, na cidade de Pindamonhangaba e finalmente em Vitória, no Espírito Santo onde fiz vários trabalhos na minha área de atuação. Voltei para o Sul e de lá vim para o Nordeste. Primeiro Fortaleza onde trabalhei para o IPHAN e depois me estabeleci aqui no Crato. Vim para o Crato para restaurar a imagem de Nossa Senhora da Penha na Igreja Matriz. Por essa terra me apaixonei e aqui estou até hoje: sempre restaurando e me aperfeiçoando nesta arte.

Alexandre Lucas - Quem mais restaura no Brasil?

Maria Gabriela Federico - Quem mais restaura são os restauradores contratados pelo governo Federal, principalmente a serviço do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Outros que contratam serviços de restauradores são: Antiquários, Museus, Igrejas – principalmente a Igreja Católica, Institutos do Patrimônio Histórico de alguns estados da federação e alguns setores da iniciativa privada.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Maria Gabriela Federico - A arte está atrelada as relações humanas. Conseqüentemente é fruto dessas relações. Estas relações podem ser históricas, políticas, sociais, etc. Então, no meu entender, a arte não está desvinculada da política.

Alexandre Lucas - Quais as principais dificuldades técnicas encontradas pelo restaurador?

Maria Gabriela Federico - Algumas, principalmente a falta, aqui na região, de materiais adequados para o restauro. Grande parte do meu material de trabalho tenho que comprar em grandes centros comerciais como São Paulo. Outras dificuldades podem surgir, mas tento sempre contorná-las usando minha criatividade. No meu trabalho tento me espelhar nas regras impostas pelo IPHAN de acordo com normas internacional com a utilização de materiais reversíveis nas restaurações: colas animais, pigmentos naturais de qualidade superior, resinas de fácil remoção.

Alexandre Lucas - Quais seus próximos trabalhos?

Maria Gabriela Federico - Espero contribuir com a preservação do patrimônio artístico do Cariri. Desejo restaurar sempre com qualidade e dedicação.

domingo, 6 de março de 2011

Pensamento para o Dia 05/03/2011


“Há três estágios de Sadhana (prática espiritual). Eles são contemplação, concentração e meditação. Quando você fixa o olhar em uma forma, isso é concentração. Quando essa forma se afasta fisicamente e, depois de algum tempo, você ainda olha para tal forma com seu olho mental, isso é contemplação. Como resultado desse exercício, essa forma fica gravada em seu coração para sempre. Isso é meditação. Se você continuar meditando assim, a forma permanece em seu coração permanentemente. Você não deve limitar suas práticas espirituais apenas à concentração e contemplação. Embora seja verdade que esses representam os primeiros passos em suas práticas espirituais, você deve progredir. Você deve transformar concentração em contemplação e, posteriormente, em meditação. Quando você fizer essa transformação, você continuará a visualizar a forma de Deus a todo o momento. Os antigos Rishis (videntes) adotaram essa forma de meditação. É por isso que Deus se manifestava diante deles sempre que quisessem, conversava com eles e atendia seus desejos.”
Sathya Sai Baba

Centro Cultural BNB Cariri

Programação da Semana

Dia 09, quarta-feira (cinzas)
19h OFICINA DE CANTO CORAL. Direção Musical: Joacy Cordeiro. 120 min.

Dia 10, quinta-feira
19h OFICINA DE CANTO CORAL. Direção Musical: Joacy Cordeiro. 120 min.
Música - Arte Retirante
Local: Fundação Casa Grande - Nova Olinda - CE

19h Anne Raelly (João Pessoa - PB). A cantora e compositora apresenta em seu trabalho singularidades que configuram características da música nordestina/paraibana, trazendo ritmos e sonoridades do Forró, do Baião, do Maracatu, do Coco de roda e da Ciranda. 60min.

Dia 11, sexta-feira
Literatura/Biblioteca - CLUBE DO LEITOR
17h30 Doidas ou Santas? Facilitadora: Maria das Dores Bezerra (Juazeiro do Norte) - Adélia Prado testemunhou "estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa." A jornalista Martha Medeiros completou: "Toda mulher é doida, impossível não ser. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem pelo menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante." 90min.

Arte Retirante - CINEMA - CURTA MUITO
Curador: Franklin Lacerda
Local: Auditório da RFFSA - Crato-CE

19h Lançamento do documentário " Na batida do Coco, na pisada do Ganzá." A história de um grupo de mulheres do sítio Quebra e a importância do Coco na vida delas. Direção e Roteiro: Ridalvo Felix - Fotografia: Rafael Vilarouca - Doc - 14´ - Cor - 2011

Música - CULTURA MUSICAL
19h30 Anne Raelly (João Pessoa - PB) - A cantora e compositora apresenta em seu trabalho singularidades que configuram características da música nordestina/paraibana, trazendo ritmos e sonoridades do Forró, do Baião, do Maracatu, do Coco de roda e da Ciranda. 60min.

Dia 12, sábado
CRIANÇA E ARTE
13h Bibliotequinha Virtual
Softwares e Jogos Educativos. Instrutora: Jozeane Rodrigues.
Essa atividade pretende desenvolver o cognitivo das crianças para o raciocínio matemático e interdisciplinar, formando conceitos relacionados a diversas matérias escolares. 120min

13h30 Sessão Curumim: A festa que caiu do céu, de Karen Akerman RJ, 2008, Ficção, Colorido, 13 min.

14h Oficina de Arte: Decoupagem Artística - Yunara Gonçalves (Crato - CE) A oficina busca levar ao público infantil um mundo mágico e imaginário desenvolvendo a percepção e a socialização das crianças no trabalho artístico realizado em grupo. 90min.

15h Bibliotequinha Virtual
Softwares e Jogos Recreativos: Instrutor: Gilvan de Sousa.
O objetivo é despertar o interesse das crianças pela internet, mediante a realização de atividades recreativas e jogos. 120 min.

15h Teatro Infantil: Carruagem de Alegria - Grupo de Teatro Carruagem (Aracati - CE) O Espetáculo conta a história de dois clowns: Podoi e Peteleco. Eles vêm de uma viagem sem destino, trazendo consigo suas malas. Cansados da viagem, entram num espaço com inúmeras pessoas. 60min

17h Teatro Infantil: Carruagem de Alegria - Grupo de Teatro Carruagem (Aracati - CE) O Espetáculo conta a história de dois clowns: Podoi e Peteleco. Eles vêm de uma viagem sem destino, trazendo consigo suas malas. Cansados da viagem, entram num espaço com inúmeras pessoas. 60min

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
CineCafé/Mediador: Elvis Pinheiro

17h30 A Face e a Máscara (V Festival das Artes Cênicas). Direção: Vicente Marques. Documentário. Cor. Rio de Janeiro. Livre. 15 min.

17h45 Sonata de Outono (Höstsonaten, Dir. Ingmar Bergman, FRA/ALE/SUE, 1978.)
Grande pianista visita a sua filha nas férias. É, então, que o conflito entre mãe e filha se estabelece de modo avassalador. Em determinado momento, a filha tímida e amorosa resolve dizer tudo o que sente e sempre sufocou durante toda a vida. Com Ingrid Bergman e Liv Ullmann. 99min
 
Fonte: CCBNB Cariri

sábado, 5 de março de 2011

O DESPREZO DO SÍTIO SÃO JOSÉ

Pedro Esmeraldo

Não podemos esquecer da falta de apoio moral que os políticos dão ao Sítio São José, Consideramos isso como um completo desrespeito à soberania do povo. Este sítio está localizado a seis quilómetros do centro da cidade e é completamente menosprezado e esquecido pela nossa política ofensiva que domina a cidade, há anos.
Levamos em conta que essa medida é uma injúria lançada no rosto de seus moradores, visto que vivem na esperança de continuar com uma vida confortável e esperançosa e com a permanência de equilíbrio e bem estar social.
Por essa razão, aguardamos ter um tratamento com qualidade e que possamos receber bónus semelhante aos dignos prémios recebidos durante a tempestade proveniente das montanhas tenebrosas.
Não compreendemos por que razão há esse descaso como mediador absorvidos por alguns políticos incompatíveis com a realidade dos fatos cotidianos. Como ó d© costume observar as falhas desses políticos, queremos acordar a comunidade para que esteja atenta esses homens que, na sua maioria não têm vocação para exercer a carreira política.
Não queremos desmerecer ninguém, mas queremos apenas alertar para que todos tomem cuidado ao escolher com dignidade seus representantes, para que depois não venham suportar os dissabores de alguns pseudopolítícos.
Relembrando o abandono do Sítio São José, concordamos que lá existe bom relacionamento político e, ao mesmo tempo, consideramos que essas autoridades, quer sejam da esfera Federal, Estadual ou Municipal, não têm disposição de olhar para lá com bons olhos, pois consideramos que aquela gleba é Brasil e também tem o direito de receber melhoramentos iguais aos demais municípios constituído deste país.
Notamos que esta área municipal pertencente ao Crato é tratada com escárnio e seus habitantes não esboçam nenhuma reação de desagravo.
Observamos também que, nos últimos dias, apresentam-se com a convivência entre as pessoas desdenhosas e verifica, porém, que há uma parte da família com desequilíbrio moral da comunidade. Outros que recebem apoio constante da prefeitura e que esquecem de lembrar daqueles que poderiam aceitar o mesmo lugar de destaque em toda extensão municipal.
Por causa da disparidade existente, há uma certa inconformação devido à preferência que dão aos outros distritos que não coaduna com o pensamento cratense.
Crato/CE, 25 de fevereiro de 2011