Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Cariri parece viver as eleições do medo e do escapismo

O Brasil profundo, aquele do espaço real em que as pessoas vivem, trabalham e criam novas gerações, vive eleição e apenas falam de Daniel Dantas. O Brasil que pode ter jeito, no qual se podem discutir outros modos de convivência, novas maneiras de valorizar as expressões culturais e artísticas reais, pois emanadas do dia-a-dia, disputa representantes do povo e falam do noticiário em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha e todas as cidades da região discutem a sucessão dos seus poderes Executivos e Legislativos e os nossos blogs não aprontam uma nota ao menos sobre o assunto. A compra de votos, o uso da máquina da administração, as verbas de última hora, a demagogia que engana, pois não pode mostrar a verdadeira face. Os vícios de políticas e políticos, antigos e mofados de tanto se repetirem, existem claro como o céu destas manhãs amenas do mês de julho e temos nuvens no debate das cidades.

A educação pública capenga, o sistema de saúde vacilante, a segurança pública que assusta, as ruas que derrubam, a iluminação que não se enxerga, os transportes que estalam e nós aqui falando da EXPOCRATO como assunto único. A convivência desgastada entre vizinhos, os jovens com fantasia de Chantecler, pensando que o sol nasce porque disparam os seus decibéis numa sanha de surdez e nós falando para dentro de nós mesmo e não trazendo o assunto para a campanha eleitoral.

Uma anomalia ditatorial parece ter descido sobre o Vale do Cariri, calando de medo, em portas e janelas fechadas, o debate eleitoral. Alguma ordem pervertida turvou as águas da liberdade, quando as pessoas mais precisam de sua consciência em teste público, a mudez se abateu na alma corajosa do caririense. E este medo é a alma de toda a corrupção seja do caráter, seja esta material.

A voz que não se manifesta no ano eleitoral é a omissão do principal instrumento da vida no presente e no futuro. Quem quer que seja que esteja por trás de tal clima deve à história da região uma expiação de séculos. Estamos vivendo momentos de grandes transições, emerge uma massa demográfica nunca antes experimentada, uma população de natureza urbana, sequiosa por novos meios de vida, sem mais tempo a perder e não é possível que justamente no ano eleitoral nada mais se possa dizer.

O Rio Batateira apodreceu, as Favelas brotam em todas as encostas, a classe média corrói as vertentes da chapada, o desmatamento continua célere, a exploração do solo em larga escala, a questão fundiária deixa terra improdutivas e ninguém pode dizer nada. É uma surde por demais eloqüente para que se esconda a realidade local.

O futuro não é amanhã e nem depois, o futuro é agora e nestas eleições municipais. Voltemos ao debate. Achemos novos modos, nossos meios para suplantar o dragão negro da maldade.

INFORMAÇÕES DAS PASTORAIS SOCIAIS

*************************************************************
AnotE - AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ESPERANÇA
*************************************************************
Um serviço de comunicação das pastorais sociais, Comunidades
Eclesiais de Base (Ceb's) e organismos da Igreja Católica do
Ceará
*************************************************************

-------------------------------------------------------------
AGENDA
-------------------------------------------------------------

-> Plenária de Articulação para o 14º Grito dos(as) Excluídos(as) em Fortaleza (Dia 19 de JUL/2008)



Os/as articuladores/as do 14º Grito dos Excluídos e Excluídas de Fortaleza realizarão no próximo sábado, dia 19 de julho, às 8h30min, na Faculdade da Prainha, na Rua Tenente Benévolo, n.° 201, mais uma plenária em preparação ao evento em Fortaleza. O principal ponto de pauta é a escolha do local e da metodologia dos trabalhos para o dia 7 de setembro. O lema do Grito este ano será "Vida em primeiro lugar - Direito e participação popular".

CONTATO: Assis Memória 9944 3315 e Rejane Nascimento 8816 3867.
-------------------------------------------------------------

-> Tradições Afro-Descendentes se reúnem em festival (Dia 20 de JUL/2008)



Do dia 20 a 27 de julho, o Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) realizará o I Festival Internacional de Capoeira e Tradições Afro-Descendentes. No dia 20 de julho, às 16h, haverá um cortejo de berimbau saindo do aterro na Praia de Iracema até a Praça Verde do Dragão do Mar. O encerramento será no dia 27, na Praia de Parajuru, município de Beberibe, distante a 120 km de Fortaleza. Seminários, oficinas, feira gastronômica e apresentações culturais reunirão estudiosos, pesquisadores, artistas e capoeiristas da América Latina e Europa. Durante os primeiros cinco dias do evento, oficinas de dança, percussão, capoeira e outras manifestações de arte e religiosidade acontecem pela manhã, tarde e noite. Os interessados nas oficinas podem inscrever-se até o dia 18, sexta-feira, na sede do Cecab, Avenida Pessoa Anta, 218, Centro. No dia 24, quinta-feira, realizar-se-á a festa de integração, que reúne experiências culturais de vários grupos. Os ingressos podem ser adquiridos no dia do evento, no mesmo local. Os shows culturais, que acontecem no Palco Quilombo e no Mercado dos Pinhões, assim como a feira gastronômica, serão abertos ao público. O objetivo dessa atividade é contribuir para o estudo aprofundado sobre a herança africana na América, através de conferências, espetáculos musicais, exposições, culinária e outras atividades. Para Robério Batista, Mestre Rato, membro da organização do evento, essa atividade marca um grande salto da capoeira no Brasil, reconhecida recentemente como patrimônio imaterial brasileiro.

CONTATO: Robério Batista - Mestre Ratto (85) 3254 7817 e (85) 8866 5835.
-------------------------------------------------------------

-> Pastoral do Povo da Rua realiza seminário. (Dia 22 de JUL/2008)



A Pastoral do Povo da Rua (PPR) e parceiros realizarão no dia 22 de julho, às 8h no Auditório do Centro de Referência do Professor, na Rua Conde d'Eu, 560, Centro, o Seminário "Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua". As temáticas abordadas serão: Habitação e Urbanismo; Assistência Social; Saúde; Educação, Arte e Cultura; Trabalho e Renda; Qualidade de Vida e Questão Ambiental; Violência Urbana. O objetivo é fortalecer a Política Nacional para população de rua e discutir eixos que possam nortear e contribuir para a construção de uma política de direitos efetivos para esse segmento. Em novembro de 2006 foi criado o Grupo de Trabalho Interministerial com representantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério das Cidades, Ministério da Educação, Ministério da Cultura, Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho e Emprego, Secretaria Especial de Direitos Humanos, além da sociedade civil organizada representada pela Pastoral Nacional do Povo da Rua e pelo Movimento Nacional da População de Rua. No seminário estarão presentes Jorge Luiz da Silva e Milena Medeiros, do Ministério do Trabalho e Emprego, Marcelo Sabóia e Valéria Gonelli, do Ministério do Desenvolvimento Social.

CONTATO: Fernanda Gonçalves (85) 8872 6947.
-------------------------------------------------------------

-> " Criança não é de Rua" será tema de seminário (Dia 23 de JUL/2008)



No próximo dia 23 de julho, quarta-feira, das 8h às 12h30, no Conselho Regional de Contabilidade, Avenida da Universidade, n°. 3057, Benfica, acontecerá o Seminário "Criança não é de Rua" que faz parte da Campanha Nacional de Enfrentamento à situação de moradia nas ruas de crianças e adolescentes. Estarão presentes representantes do Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGB) de Fortaleza, Bernd Rosemeyer Coordenador Geral da Campanha Nacional Criança não é de rua e candidatos a Prefeitura de Fortaleza que apresentarão suas propostas de como enfrentar a situação de moradia nas ruas de crianças e adolescentes. No final do evento será assinada uma carta compromisso com as crianças pelos prefeituráveis. Essa atividade está sendo promovida pelo Comitê Nacional de Enfrentamento a Situação de Moradia nas ruas de Crianças e Adolescentes. Essa atividade é parte das comemorações dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A campanha já foi lançada em 17 capitais brasileiras com o objetivo de promover um amplo diálogo entre sociedade civil e poder público para o enfrentamento da situação e que resultará na realização do Seminário Nacional que acontecerá em 2009.

CONTATO: Adriano Ribeiro - 3212 5727, 8829 1122.
-------------------------------------------------------------

-> "Juventude consciente é semente de transformação" será tema da 8ª Semana Cultural da Juventude na Barra do Ceará (Dia 21 de JUL/2008)



De 21 a 26 de julho, das 19h às 21h acontecerá na Escola Estado de Alagoas, Avenida Presidente Castelo Branco, s/n, Barra do Ceará, a 8ª edição da Semana Cultural da Juventude do bairro. O tema da atividade será "Juventude consciente é semente de transformação". Durante uma semana os jovens do bairro poderão participar de várias oficinas, como capoeira, teatro, música, fantoche, contação de histórias, cordel, pintura e de torneios esportivos, como vôlei e futebol. No dia 23, quarta-feira, haverá uma palestra sobre dependência química. O objetivo é promover uma maior integração e convivência com os jovens do bairro, conscientizando-os para a importância da cidadania e coletividade. As inscrições podem ser feitas na secretaria da Área Pastoral, na Rua Larga, n°. 32, Barra do Ceará, ou pelo telefone (85) 3485 3607.

CONTATO: Hildebrando Maciel (85) 8630 0172 ou Elves Alan (85) 8885 3016.
-------------------------------------------------------------

-> Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Ceará abre inscrições para curso de radialistas comunitários (Dia 29 de JUL/2008)



Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Ceará (Abraço-Ce), realizará de 29 de julho a 02 de agosto, a o curso de capacitação de radialistas comunitários na Faculdade 7 de Setembro (Fa7), Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, n.° 1395, Luciano Cavalcante. Até o dia 21 de julho cada emissora poderá fazer a inscrição de, no máximo, dois participantes enviando a ficha em anexo, devidamente preenchida, para ismarcapistrano@yahoo.com.br ou para o fax (85) 3277 2972. Os participantes deverão trabalhar diretamente com rádio comunitária e estar cursando ou ter concluído o ensino médio. O curso terá 60 horas com certificado expedido pela referida Instituição. As temáticas do curso envolverão Introdução ao Rádio, Radiojornalismo e Comunicação Comunitária. O curso será ministrado por Sérgio Lira, radialista, formado pela Arcos-Cepoca; Elder Aguiar, bacharel em Direito pela Unifor; Marcelo Inácio, bacharel em Jornalismo pela UFC e pós-graduando em Teorias da Comunicação e Imagem, e Ismar Capistrano, bacharel em Jornalismo pela UFC e mestre em Comunicação pela UFPE. O curso é gratuito, mas a Abraço-CE não arcará com despesas de transporte, alimentação nem hospedagem e será restrito apenas a radialistas de emissoras comunitárias.

CONTATO: Ismar Capistrano Costa Filho, Coordenador de Formação (85) 9602 3946.
-------------------------------------------------------------


-------------------------------------------------------------
MANCHETES
-------------------------------------------------------------

-> Piauí será sede do Seminário Latino-Americano de comunicação


Do dia 24 até o dia 26 de julho, Terezina - Piauí será sede do Seminário Latino-Americano de Comunicação. Compreendemos que para falar em desenvolvimento é necessário falar em uma comunicação capaz de gerar processo, identidade e que reflita com a comunidade seus problemas e busque soluções.

Estamos com o passar do tempo, descobrindo não só a importância estratégica da comunicação, como também que resulta dela um componente substancial de qualquer intervenção ou projeto de desenvolvimento: a capacidade de transformar o problema de poucos em problema de todos.

Por isso, é fundamental refletir sobre a proposta de desenvolvimento local e envolver a comunicação nessa reflexão. Ela pode ser utilizada como mediadora/veículo motivador da sociedade para que as pessoas participem ativamente do processo de desenvolvimento da sua região.

Envolver, informar, debater, inconformar... São papéis de uma comunicação cidadã que se propõe a promover o desenvolvimento local. E é com essa proposta que nasce o Seminário Latino-americano de Comunicação, cujo tema é Comunicação e Rádio para o Desenvolvimento Local, com o objetivo de tratar a comunicação, sobretudo o rádio, como ferramenta fundamental para a promoção do desenvolvimento.

A realização do Seminário marcará ainda o fechamento do projeto 'Comunicação e Rádio para o Desenvolvimento Local' que capacitou 500 comunicadores/as piauienses que trabalham no rádio com cursos de extensão universitária, atendendo aos 11 territórios de desenvolvimento do Estado do Piauí. Os cursos foram ministrados no período de setembro de 2007 a junho de 2008 com carga horária de 30horas/aula.

O objetivo geral do Seminário é debater e aprofundar as temáticas relacionadas ao rádio e ao desenvolvimento local, estimulando a prática da comunicação voltada para a promoção da cidadania, bem como para a construção de políticas públicas.

Ponto de partida ::
A conclusão do projeto Comunicação para Desenvolvimento Local - cursos de extensão Universitária, chancelado pela Universidade Estadual do Piauí, que capacitou 550 comunicadores (as) populares.

A necessidade de aprofundar e discutir a temática comunicação e rádio para o desenvolvimento local com perspectivas de políticas públicas efetivas em comunicação, visando estimular a radiodifusão comunitária, como chave da educação para cidadania critica, bem como democratização da comunicação.

Ponto de chegada ::
O Seminário irá oferecer aos comunicadores populares, jornalistas, radialistas, professores, estudantes de comunicação social e gestores (as) públicos um documento capaz de orientar a prática da comunicação voltada para a promoção da cidadania e construção de políticas públicas adequadas que atendam as demandas.

As discussões realizadas no Seminário deverão promover uma reflexão consistente sobre o papel do rádio no desenvolvimento local e sugerir práticas que possam instigar e valorizar o encontro, construindo assim, propostas concretas de estimulo a radiodifusão comunitária, numa perspectiva de democratização da comunicação que resulte na melhoria da educação e da cidadania. O prazo para envio das inscrições será até o dia 21 de julho, e podem ser feitas pelo site http://www.seminariodecomunicacao.com.br/br/br.html

CONTATO: Rosa Rocha, Jornalista/ Assessora de Comunicação, Ícone Comunicação, Setre - Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo, DRT - 1.387 / MT - PI
-------------------------------------------------------------


-------------------------------------------------------------
DESTAQUES
-------------------------------------------------------------

-> Que futuro nos espera?
por Leonardo Boff*


Muitos analistas fazem prognósticos sombrios sobre o futuro que nos espera como James Lovelock, Martin Rees, Samuel P. Huntington, Jacque Attali e outros. É certo que a história não tem leis, pois ela se move no reino das liberdades que estão submetidas ao princípio de indeterminação de Bohr/Heisenberg e das surpreendentes emergências, próprias do processo evolucionário. No entanto, um olhar de longo prazo, nos permite constatar constantes que podem nos ajudar a entender, por exemplo, o surgimento, a floração e a queda dos impérios e de inteiras civilizações. Quem se deteve mais acuradamente sobre esta questão foi o historiador inglês Arnold Toynbee (+1976), o último a escrever dez tomos sobre as civilizações historicamente conhecidas: A Study of History. Ai ele maneja uma categoria-chave, verdadeira constante sócio-histórica, que traz alguma luz ao tema em tela. Trata-se da correlação desafio-resposta (challenge-response). Assinala ele que uma civilização se mantém e se renova na media em que consegue equilibrar o potencial de desafios com o potencial de respostas que ela lhes pode dar. Quando os desafios são de tal monta que ultrapassam a capacidade de resposta, a civilização começa seu ocaso, entra em crise e desaparece.

Estimo que nos confrontamos atualmente com semelhante fenômeno. Nosso paradigma civilizacional elaborado no Ocidente e difundido por todo o globo, está dando água por todos os lados. Os desafios (challanges) globais são de tal gravidade, especialmente os de natureza ecológica, energética, alimentar e populacional que perdemos a capacidade de lhe dar uma resposta (response) coletiva e includente. Este tipo de civilização vai se dissolver.

O que vem depois? Há só conjeturas. O conhecido historiador Eric Hobsbawn vaticina: ou ingressamos num outro paradigma ou vamos ao encontro da escuridão.

Quero me deter nos prognósticos de Jacques Attali, economista, ex-assessor de F. Mitterand e pensador francês em seu livro Une brève histoire de l'avenir (2006), pois me parecem verossímeis, embora dramáticos. Ele pinta três cenários prováveis que resumirei brevemente.

O primeiro e do superimpério. Trata-se dos EUA e de seus aliados. Eles conferem um rosto ocidental à globalização e lhe imprimem direção que atende seus interesses. Sua força é de toda ordem, mas principalmente militar: pode exterminar toda a espécie humana. Mas está decadente, com muitas de contradições internas que se mostram na inexorável desvalorização do dólar.

O segundo é o superconflito. É o que segue à quebra da ordem imperial. Entra-se num processo coletivo de caos (não necessariamente generativo). A globalização continua mas predomina a balcanização com domínios regionais que podem gerar conflitos de grande devastação. A anomia internacional abre espaço para que surjam grupos de piratas e corsários que cruzarão os ares e os oceanos, saqueando grandes empresas e gestando um clima de insegurança global. Estas forças podem ter acesso a armas de destruição em massa e, no limite, ameaçar a espécie humana. Esta situação extrema clama por uma solução também extrema.

É o terceiro cenário, da superdemocracia. A humanidade, se não quiser se auto-destruir, deverá elaborar um contrato social mundial com a criação de instancias de governabilidade global com a gestão coletiva e eqüitativa dos escassos recursos da natureza. Se ela triunfar, inaugurar-se-á uma etapa nova da civilização humana, possivelmente com menor conflitividade e mais cooperação.

Só nos resta rezar para que este último cenário aconteça.

* Leonardo Boff é teólogo, escritor, professor emérito de ética da UERJ e membro da Comissão da Carta da Terra.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Noticias da Semana


JÁ ERA
“Estudar a arquitetura urbana de um povo é uma forma de aprender e conhecer a sua história” (Nestor Goulart dos Reis Filho).

Na foto acima, a Rua João Pessoa, na cidade de Crato, na década 40 do século passado. Nos dias de hoje este mesmo trecho abriga somente lojas comerciais, com suas enormes e feias placas de propaganda. Além da poluição visual temos ainda a poluição sonora dos carros de som tornando feia e decadente a antiga, bonita e aristocrata Rua João Pessoas de outrora...

CENTRO DE CONVENÇÕES 1
O Crato aguarda o início da construção do Centro de Convenções do Cariri. A previsão é que isso ocorra nos primeiros meses de 2009. Será o maior investimento feito pelo governo do Ceará na Cidade de Frei Carlos nos últimos 25 anos. Esse centro será um equipamento polarizador regional que contemplará diversas atividades culturais e sociais tais como seminários, cursos profissionalizantes, exposições feiras, teatro, dentre outras.

CENTRO DE CONVENÇÕES 2
O Centro de Convenções do Cariri será construído às margens da estrada Crato – Juazeiro, no bairro Muriti, próximo a projetada Cidade Universitária – num terreno de aproximadamente 20 mil m2 – e ficará distante a 5 km do centro da cidade e a 10 km do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte. Sua estrutura contará com aproximadamente 4 mil m2, abrigando dentre seus principais ambientes, espaço para oficinas, um teatro com capacidade para 1.000 (mil) pessoas, quatro auditórios com capacidade para 250 (duzentos e cinqüenta) pessoas cada, uma sala multiuso com flexibilidade de layout, além de um restaurante.

CORRIGINDO OMISSÔES
Até hoje Crato não prestou uma homenagem ao fundador da cidade. Existia um projeto de construção de uma avenida (com início na antiga estação ferroviária) que teria a denominação de Frei Carlos Maria de Ferrara. Com a reativação do trem de passageiros a avenida parece ter sido cancelada. Por que não denominar o Centro de Convenções de Frei Carlos Maria de Ferrara? E já que estamos falando em corrigir omissão que tal dar o nome de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos – o maior benfeitor de Crato – ao teatro do Centro de Convenções do Cariri.

QUEM AMA CUIDA
Juazeiro do Norte cuida dos seus monumentos. A estátua do Padre Cícero (ora apresentando algumas rachaduras) passará por restauração ao custo de 146 mil reais. A verba foi liberada pelo Governo Federal e a Prefeitura de Juazeiro entrará com uma contrapartida de 14 mil reais. Também o Casarão do Horto (onde está localizado o Museu Vivo do Padre Cícero) passa por reformas que contempla, ainda, a capela e a praça defronte ao vetusto prédio.

PIONEIRISMO DO CARIRI
O Geopark Araripe é o primeiro parque fossilífero das Américas e do Hemisfério Sul reconhecido pela Unesco. Compreende uma área de 5.000 Km2 da Região do Cariri envolvendo os municípios de Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Nessa área localizam-se importantes provas da evolução da vida e do planeta Terra no Período Cretáceo. O Geopark Araripe foi iniciado pela Universidade Regional do Cariri, quando o prof. André Herzog era o reitor. O governador Cid Gomes encampou o projeto e em parceria com o Banco Mundial quer promover o turismo científico, cultural e ecológico no Sul do Ceará.

SEMINÁRIO SOBRE PADRE CÍCERO
Dentro da programação da Semana do Município de Juazeiro do Norte foi realizado o tradicional Seminário sobre o Padre Cícero, que ocorre todo mês de julho. Este ano a programação do seminário foi a seguinte: dia 16– “A estrada da fé” (livro eletrônico) realização dos alunos da Escola Amália Xavier de Oliveira; dia 17–Palestra: “A história de uma capelinha que se tornou basílica”, a cargo de Irmã Annete Dumoulin; dia 18–Lançamento do livro “Padre Cícero: sociologia de um Padre, Antropologia de um Santo”, de Antônio Mendes da Costa Braga; dia 18–Palestra: “A Basílica-Santuário de Nossa Senhora das Dores. Por que este título?”, a cargo de Dom Fernando Panico, bispo diocesano de Crato.

A PROVÍNCIA
Circulando o nº. 26 da revista “A Província”, excelente publicação, fruto do denodo e idealismo do prof. Jurandy Temóteo. O presente número reúne excelentes artigos e trabalhos de intelectuais do Cariri e nada fica a dever às melhores revistas das academias de letras e institutos culturais do Brasil.

HOMENS QUE CONSTRUIRAM O CRATO
Dom Francisco de Assis Pires – segundo bispo de Crato – nasceu em Salvador, Bahia, em 04 de outubro de 1880. Ordenou-se sacerdote em 14 de abril de 1903 e em 11 de abril de 1931 foi nomeado bispo. Governou a diocese de Crato no período de 1932 a 1959, perfazendo 27 anos. Dentre as suas realizações podemos citar: o Hospital São Francisco de Assis, o Colégio Diocesano, o Patronato Padre Ibiapina (hoje reitoria da URCA), o Palácio Episcopal (sem utilização nos dias atuais), o Liceu Diocesano de Artes e Oficio (desativado) e o jornal “A Ação” (extinto).

Algemaram a República

Os nossos fotógrafos cratenses sabem bem disso. Uma foto pode valer mais do que muitos parágrafos. A foto da reunião do Presidente Lula com o Presidente do Supremo, o Ministro da Defesa e o Ministro da Justiça diz da pior natureza do espírito republicano. Neste dia o cidadão tem a sensação de que estas pessoas do mais alto relevo da vida política nacional estão completamente despreparadas para o enorme patrimônio de um país continental e com 200 milhões de habitantes.

A primeira impropriedade é a presença do Ministro da Defesa. Se você estranhou esta impropriedade, agora reflita. No centro de uma crise entre dois poderes, os representantes máximos deveriam ser fotografados os dois juntos. O que o ministro Jobim estaria fazendo naquela reunião? Reforçando a idéia que não existem os poderes da república? Que estaria ali por uma mera questão de ter sido, no passado presidente do Supremo, mas hoje é nomeado pelo presidente da república?

A segunda é ter se incluído na foto o ministro da Justiça, pois ficou marcado que ele é insuficiente para uma reunião com jurisconsultos, assim o presidente teria o sábio ministro Jobim. O mais humilhante para os poderes da república é que neste dia se tratava de uma questão específica de um banqueiro sendo acusado pela polícia e a justiça federal. Não se tratava de uma questão republicana, de um fator coletivo de toda sociedade.

A terceira impropriedade é política. O presidente Lula foi pego numa arapuca. A mídia tinha avisado, desde o princípio, que Daniel Dantas tinha relações no palácio e que o caso incomodaria a presidência e a casa civil. No mesmo dia, mesmo que na reunião não se tenha declarado nada, a matéria da imprensa colou na foto o afastamento do delegado Protógenes das investigações contra o banqueiro.

Conclusão da foto: caiu a república e implantou-se a monarquia. O ministro do Supremo Federal, Gilmar Mendes, com o riso escancarado enquadrando os poderes da república.

Conseqüência 1: o PT e o governo do Presidente Lula saem do episódio com mais problemas do que os partidos que realmente forjaram o banqueiro Daniel Dantas.

Conseqüência 2: o respeito à justiça fica maculado, pois justiça que existe para rico e o castigo para o pobre é o caminho para revolta, rebeldia ou revolução. Ainda hoje, 16 de julho, é impossível deixar de se olhar para o livre e solto banqueiro e preso e bem preso punguista que tentou roubar na beira mar em Fortaleza o cordão de ouro do Ministro Mendes.

Canal do Boi transmite direto da Expocrato

Considerada a vitrine da pecuária e do agronegócio do Nordeste, a 57ª Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato- 2008) tem a previsão de ultrapassar os mais de R$ 50 milhões em negócios, R$ 20 milhões a mais que o volume atingido na edição do ano passado. Até o dia 20 de julho, a feira agroindustrial do Cariri reserva uma série de atrações para as mais de 90 mil pessoas que devem passar diariamente pelo Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, sede do evento.

Este ano, a Expocrato passa a fazer parte do calendário nacional de eventos agropecuários. Serão realizadas cinco exposições nacionais com caprinos, ovinos e bovinos que participam das maiores feiras do país. Outro destaque é a transmissão ao vivo de três leilões, nos dias 17, 18 e 19, através do Canal do Boi, para quem possui antena parabólica. Além da movimentação de investimentos no agronegócio, a exposição do Crato contribui para os investimentos não só na agricultura, mas também na área do turismo. O secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário ressaltou a importância do evento para o setor, lembrando que são centenas de expositores, que milhares de reais serão movimentados.
(fonte: site do Governo do Ceará)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Camelódromo de Crato fica para 2009 - matéria do "Diário do Nordeste", 14-07-2008


NA ESPERA
Camelódromo fica para 2009

Terreno para Shopping Popular do Crato não pode ser doado por causa das restrições da Legislação Eleitoral.

Crato. A construção do Shopping Popular do Crato, o chamado camelódromo, ficou para o início do próximo ano. O gerente do Banco do Nordeste nesta cidade, Raimundo Moreira de Almeida, Neto, informou que o banco tem o maior interesse na construção do centro comercial, que vai beneficiar principalmente os pequenos comerciantes que, em sua maioria, trabalham na informalidade. A liberação dos recursos, no entanto, está na dependência da doação do terreno por parte da prefeitura.O secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Crato, José Gilson Ribeiro Parente, conhecido por “Duda”, justificou que, em razão do período eleitoral, não foi possível a doação do terreno por parte da prefeitura.

A Lei Eleitoral 11.300/2006 proíbe a doação de dinheiro ou “ajuda de qualquer espécie” à pessoa física ou jurídica três meses antes e três meses depois da eleição. O parecer do Banco do Nordeste, disponibilizando o financiamento, segundo Duda, só foi entregue à prefeitura no mês de abril.

O secretário acrescentou que o projeto está pronto. O camelódromo será construído na Rua Santos Dumont, vizinho ao prédio, em construção, das Lojas Americanas. A estrutura terá 335 boxes, quatro lojas âncoras, praça de alimentação e 16 banheiros, sendo oito para homens e os outros oito para mulheres. O camelódromo está avaliado em R$ 3 milhões. Serão dois andares oferecendo melhores condições ao consumidor e mais comodidade e segurança ao vendedor. A meta é que, até o começo do próximo ano, o novo prédio comece a ser construído. Entre os 335 permissionários do camelódromo, o clima é de expectativa. O presidente da Associação dos Comerciantes Informais do Crato, Francisco Pereira da Silva, garante que os trabalhos serão iniciados depois das eleições. Ele ressalta que a maior interessada na execução desse projeto é a prefeitura, que reconhece as péssimas condições de funcionamento atuais. A tesoureira da Associação, Edênia Maria Alves Bezerra, afirma que o mais complicado foi a formação da entidade para representar os comerciantes. “Agora que todos estão cadastrados, não tem mais problema”, acredita.

Reivindicação antiga

A construção do Camelódromo do Crato é uma velha reivindicação dos pequenos comerciantes que ocupam um espaço no centro da cidade no meio de um amontoado de bancas, lanchonetes e armarinhos, sem as mínimas condições de higiene. São quase 500 comerciantes que se comprimem num espaço de 2 mil metros quadrados, um antigo mercado entre as ruas Santos Dumont e José Carvalho, ao lado da Prefeitura. Para o superintendente do Banco do Nordeste, Isidro Moraes, a construção desse Shopping é uma questão de honra. Faz parte da linha de ação de ação do banco.

ANTONIO VICELMO
Repórter

domingo, 13 de julho de 2008

As voltas que o mundo dá...

Thomas More vai ser vingado?

O filósofo morreu por não aceitar o rompimento da Inglaterra com o papa. Agora, religiosos anglicanos podem abraçar o catolicismo. Thomas More (foto acima), Ana e o rei Henrique VIII: ele não aceitou misturar sexo, mulheres e casamento com religião, impasse que agora se repete e ameaça provocar uma divisão na Igreja da Inglaterra

Embora tenha tido como motor interesses econômicos e rivalidades teológicas entre protestantes e católicos, a criação da Igreja da Inglaterra, em 1534, foi resultado também de uma disputa envolvendo sexo, mulheres e casamento. Como amplamente decantado em prosa, verso, peças teatrais, filmes e seriados de TV, o rei Henrique VIII da Inglaterra, decepcionado com a mulher, Catarina de Aragão, que só lhe deu uma filha e nenhum varão, e caído de amores pela irredutível Ana Bolena – "Prefiro perder a vida à honestidade" –, fez de tudo para ter o primeiro casamento anulado pelo papa Clemente VII. Não conseguiu. Daí a romper com a autoridade papal foi um pequeno passo. Henrique VIII declarou-se, então, chefe da Igreja da Inglaterra. Seu principal conselheiro, o filósofo católico Thomas More, reserva moral de seu tempo, recusou-se a aceitar tal estado de coisas e acabou decapitado (em 1935, foi canonizado pelo papa Pio XI e, em 1980, João Paulo II o declarou santo padroeiro dos políticos e estadistas). Pois agora outra disputa com os mesmos ingredientes ameaça causar danos irreparáveis à Comunhão Anglicana, conjunto comandado pela Igreja da Inglaterra que também reúne as igrejas anglicana, episcopal e outras denominações afins presentes em 164 países, com 80 milhões de membros.
Há duas semanas, um grupo de bispos dissidentes reuniu-se em Jerusalém e lançou um documento formal rebelando-se contra: 1) a ordenação de mulheres, aprovada em 1992; 2) os casamentos gays, que religiosos anglicanos no Canadá já estão celebrando; e 3) a aceitação de religiosos abertamente gays (a Igreja americana tem pelo menos um bispo nessa situação). Pondo ainda mais lenha na fogueira, na semana passada o sínodo da Igreja da Inglaterra, que há dezesseis anos autorizou a ainda contestada ordenação de mulheres, deu sinal verde para a consagração delas como bispos. Nesta semana, antecipa-se outro momento controverso: começa na Universidade de Kent, na Inglaterra, a Conferência Lambeth, encontro de bispos anglicanos do mundo todo que acontece a cada dez anos e que desta vez deve render discussões particularmente fervorosas.
No encontro dos dissidentes em Jerusalém, organizado à revelia do comando central da Igreja, cerca de 1 000 delegados aprovaram uma declaração na qual questionam claramente a autoridade de seu líder máximo, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams. Lá, dizem que rejeitam a idéia de que "a identidade anglicana é determinada necessariamente por meio do reconhecimento pelo arcebispo". Ameaçaram ainda criar uma nova província nos Estados Unidos e no Canadá (hoje a Igreja se divide em 38) só para abrigar as paróquias dissidentes, que contabilizam entre 150 e 300, de um total de 7.347. Em Londres, a Igreja da Inglaterra evitou uma resposta direta à rebelião. Os episcopais americanos, por sua vez, relativizaram a importância dos rebeldes – basicamente anglicanos da África, Austrália, América do Sul e Índia. "Embora se apresentem como uma grande parcela dos anglicanos, não passam de umas cinco províncias revoltadas e seus aliados", disse Jim Naughton, porta-voz da diocese episcopal de Washington. A briga dos tradicionalistas, no entanto, é mais ampla, e isso ficou claro no sínodo que acaba de se encerrar em York, na Inglaterra. Apesar de a proposta de sagração de mulheres como bispos ter vencido por boa margem, muitos dissidentes falaram em uma adesão em massa ao catolicismo – do qual a Igreja da Inglaterra, por sinal, não se considera desligada. Quando a ordenação feminina foi aprovada, 500 clérigos passaram para a Igreja Católica. Agora, dizem, o número pode ser três vezes maior. Santo Thomas More, à sua revelia, pois não ligava para a glória terrestre, estaria vingado.
(Matéria publicada na revista VEJA, edição 2069 de 16 de julho de 2008)

COLUNA CARIRI DE HOJE



COLUNA CARIRI DE HOJE
EXPOCRATO2008
A Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato) começa hoje. O destaque deste ano fica com o aumento no setor de negócios. Empresas gigantes do setor agropecuário nacional estarão comercializando no interior do Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti. Ainda na Expocrato acontecerá pela primeira vez uma exposição de cães. Instituições financeiras como BNB, BB e Bradesco estarão financiando produtores rurais. Os negócios podem atingir a marca de R$ 50 milhões. No interior do parque, os visitantes terão acesso a uma gigantesca praça de alimentação, parque de diversões, leilão de animais, exposição de cães, palco alternativo para artistas locais e praça do artesanato e do folclore. Um evento que vale à pena conferir de perto.

97 ANOS
O município de Juazeiro do Norte abre hoje as comemorações dos 97 anos de emancipação política. Pela manhã cedo, uma alvorada festiva e às 9 horas, missa de ação de Graças na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Salesianos. As comemorações terão ainda eventos prestando homenagens a personalidades locais e inaugurações socais feitas pelo prefeito Raimundo Macedo.

BANCÁRIOS
Os bancários preparam campanha salarial. Para debater o assunto ocorreu em Fortaleza, na última semana, uma reunião na Federação dos Bancários do Ceará. O economiário Mário Correia de Oliveira marcou presença no encontro, representando os bancários da Região do Cariri. Mario é funcionário da Caixa Econômica e diretor da Federação. O reajuste salarial está entre os pontos de discordância entre bancários e banqueiros este ano.

CALAZAR
A direção do Centro de Zoonoses de Juazeiro está promovendo uma campanha de combate ao calazar. Equipes estão percorrendo os diversos bairros do município para coletar amostras de sangue em cães, a fim de submeter ao exame. Em caso positivo, o animal será sacrificado em nome da saúde da população, pois o cachorro é o responsável pela transmissão do calazar. Quando o exame dá positivo, o técnico volta à residência para recolher o animal. Nesse trabalho, 12 bairros já foram visitados e cerca de 50 cães eliminados.

MÚSICA
O músico Clayton Barros, do Cordel do Fogo Encantado, ministrou esta semana oficina de gravação de CD para os alunos do projeto Ações Culturais para Povos Rurais, da ONG Verde Vida. Em visita recente ao espaço surgiu a idéia de montar uma apresentação do artista no Cariri, com a finalidade de aproximá-lo dos demais artistas da terra e promover uma celebração da música.

IMPUGNAÇÃO
O prefeito de Campos Sales, Paulo Ney, e o ex-prefeito de Salitre, Francisco Pereira Silva (Neoclides), tiveram suas candidaturas a prefeito das duas cidades impugnadas pelo promotor eleitoral da 38ª Zona Eleitoral, José de Deus Terceiro Pereira Martins. Os dois políticos encontram-se na chamada lista suja do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) por improbidade administrativa. Paulo Ney teve contas desaprovadas nos anos de 1997, 1998 e 1999. Já Neoclides teve contas desaprovadas pelo TCM nos anos de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Ainda em Campos Sales foram impugnadas as candidaturas de 13 candidatos a vereador.

MOVIMENTO
A diretoria da Central Única dos Movimentos Comunitários do Crato (Cemac) realiza neste domingo um grande encontro de diretores e entidades filiadas para debater a realização do lançamento do fórum de políticas públicas do Cariri. O evento tem como objetivo ainda orientar a postura dos líderes comunitários com relação ao processo eleitoral.

DENGUE
A Associação de Moradores do Sítio Rosto está realizando trabalho de orientação à comunidade com relação ao combate ao mosquito da dengue. A doença, que atinge cearenses em todas as regiões, precisa do apoio da sociedade para ser debelada.

VACINAÇÃO
Adonias Sobreira, gerente regional da Ematerce, comemorando a vitoriosa campanha no Cariri contra a febre aftosa. Alguns municípios chegaram a atingir 100% de cobertura vacinal.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

NOTICIAS DA SEMANA


MADE IN CEARÁ
O Governo do Ceará acaba de publicar um belíssimo livro: “The UNESCO Araripe Geopark”. A obra – escrita em inglês por André Herzog, Alexandre Sales e Gero Hillmer – foi editada em papel couché com muitas fotos coloridas. A apresentação foi feita pelo governador Cid Gomes. Exemplares dessa edição limitada foram distribuídos durante a 3ª Conferência Internacional de Geoparks, realizada em junho deste ano em Osnabrück, na Alemanha. Durante a conferência a delegação do Governo do Ceará distribuiu, também, excelentes folders informativos sobre o Geopark Araripe, o pioneiro do continente americano e do Hemisfério Sul.
Na última página do livro os autores fazem um agradecimento a todos que colaboraram para a implantação do Geopark Araripe, desde o governador do Estado aos que prestaram serviços na URCA na gestão anterior.


EXPOCRATO 1
A partir deste fim de semana o Crato entra em ritmo de Expocrato, a principal feira agropecuária do Nordeste e uma das maiores do Brasil. É bom lembrar que esta é finalidade da Expocrato e nisso ela vem cumprindo seu papel. A previsão de crescimento financeiro para esta 57ª edição está em torno de 30% do volume alcançado na edição anterior (R$ 68 milhões de reais) tendo os leilões como forte gerador desse resultado.

EXPOCRATO 2
Os shows musicais que ocorrem paralelamente aos negócios agropecuários são apenas um complemento das atrações da Expocrato. Muita gente, erroneamente, quer priorizar as apresentações artísticas. Ocorreu até um movimento dos artistas regionais em busca de espaço na predominância da anti-música dessas lastimáveis bandas de forró. Essa reivindicação é simpática e merece apoio. Mas o que o Cariri precisa é criar um festival de música, como ocorre em Guaramiranga. Um evento fora da Expocrato. Seria um acontecimento totalmente ligado às artes e teria tudo para se destacar no calendário artístico do Nordeste.

BASÍLICA MENOR
No próximo dia 15 de setembro, durante missa solene, será feita a leitura do Decreto do Papa Bento XVI concedendo ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte o título de Basílica Menor. Entre as igrejas católicas – espalhadas pelo mundo – algumas são distinguidas pelo Vaticano com esse título, o que permite um vínculo particular com o Papa e a Diocese de Roma. Geralmente são santuários importantes de peregrinação. Este é o caso do templo juazeirense que teve início numa humilde capelinha construída pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro em 1827. Por orientação de Dom Fernando Panico a Basílica Menor de Juazeiro do Norte poderá ser citada abreviadamente: “Basílica-Santuário de Nossa Senhora das Dores”.

CULTURA CARIRIENSE
O escritor Emerson Monteiro tomará posse, no próximo dia 14 de setembro, na Academia Lavrense de Letras. Lavras da Mangabeira é berço natal de Emerson e de outras pessoas que se distinguiram nas atividades culturais. Entre elas poderíamos lembrar: Dimas Macedo, Joaryvar Macedo, Bruno Pedrosa, Filgueiras Lima, João Clímaco Bezerra, Melquíades Pinto Paiva, Sinhá D’Amora, Nonato Luiz. A Academia Lavrense de Letras dá continuidade a essa tradição. Suas cadeiras foram batizadas com nomes ilustres e saudosos que deram aquele município brilho e destaque além fronteira.

QUEM É EMERSON
Emerson Monteiro, ex-funcionário do Banco do Brasil, é advogado, escritor (cronista e contista), realizou exposições de fotografia, desenho, pintura e colagem, com incursões pelo cinema, tendo dirigido filmes de curta-metragem. Pesquisador de literatura popular, religião, psicologia, editou os livros Sombra e Luz (1991), Noites de Lua Cheia (1994) e Cinema na Janela (2002). Emerson descende de Fideralina Augusto, a lavrense que obteve mais projeção – até hoje – naquele município, tendo se destacado na história, política e vida social de Lavras da Mangabeira. Fideralina serviu de inspiração a Rachel de Queiroz para escrever o romance “Memorial de Maria Moura”.

KIT BEBUM
Esta foi postada no “site” Juaonline: “Com o surgimento da Lei Seca, onde é proibido beber e dirigir, um comerciário muito conhecido na sociedade juazeirense, Américo Capelli, está divulgando – através de e-mails e nas emissoras de rádio – a prestação do seguinte serviço: “Caso você queira tomar umas e outras, agora tem quem pode trazê-lo de volta a casa, com toda segurança e ainda guardar seu carro na garagem. Assim, você poderá usufruir o melhor da festa, bebendo a vontade. Esse serviço inteligente custa apenas R$ 35,00. Utilizando-o, você não vai ser multado pagando quase R$ 1.000,00 (Mil Reais). Os telefones para contato são: (88) 8804 – 7814 ou (88) 9928 – 2241”.

DOM FERNANDO
Dom Fernando Panico passou esta semana em Quixadá. Ali, pregou o retiro espiritual para o clero da diocese daquela cidade. No próximo dia 23 de agosto ele ordenará, na Sé Catedral de Crato, 7 novos padres caririenses. Seis são sacerdotes diocesanos e um é religioso pertencente à Congregação dos Servos de Jesus, que tem a sede na cidade de Campos Sales.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Senhor Asfalto, seja bem vindo!


Ninguém discute a utilidade de uma via com seu pavimento em bom estado de conservação, apto a proporcionar um rodar suave aos veículos que ali trafegam. É natural que uma cidade necessite de ruas e avenidas asfaltadas, uma vez que esse pavimento favorece o rápido escoamento do tráfego destas. As outras poderiam, e deveriam, utilizar o conhecido paralelepípedo ou pedra tosca como pavimento, o não menos famoso: calçamento. Em áreas de pouco tráfego, como zonas residenciais, é indicado o uso de asfalto apenas nas avenidas, deixando suas ramificações, as ruas, à serem calçadas com pedras.

O calçamento é sim amigo da cidade. Entre outras características permite, ao contrário do asfalto, infiltração de água no solo o que diminui o poder de arrasto e destruição desta quando do seu escoamento no período de chuvas. O calçamento também promove um impacto bem menor no aumento da temperatura da cidade, do que o negro derivado do petróleo. Quanto a sua durabilidade, desde que bem executado, tem vida útil infinitamente superior a do asfalto, que “odeia” chuva. Há ainda outro atrativo, o da segurança dos pedestres. Graças a sua irregularidade característica impossibilita, ou pelo menos dificulta, o trânsito à grandes velocidades, contribuindo assim na redução do índice de acidentes graves.

É assim no mundo todo. Em países onde a memória está por onde se anda, como na Inglaterra, Estados Unidos e Espanha, é comum encontrar no centro das grandes cidades, ruas inteiras que preservam seu pavimento original, o calçamento, trazendo beleza e preservando a história daquele lugar. Há muito que se fazer no Crato com relação a: conservação, promoção e preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, como bem resgatou, em seu livro, o arquiteto Waldemar Arraes. Infelizmente, há ainda uma “cultura”, ou entendimento, de que o asfalto é sinal de progresso e desenvolvimento. Parece que o asfalto por si só traz este status de grande cidade, quando na verdade é um dos benefícios mais fugazes que o cidadão pode usufruir. Este terá, mais cedo do que tarde, de ser recuperado, total ou parcialmente, dependendo de sua composição, com areia ou com brita, à quente ou à frio. Outros benefícios como saneamento básico, abastecimento de água, hospitais, escolas, praças e calçadas, têm vida mais longa e de mais demorada recuperação, porém causando menor “impacto visual...”.

Seja muito bem vindo o asfalto, que agora chega às principais ruas de nossa cidade. Sem querer criticar o que está sendo feito, ou discutir a durabilidade, ou composição deste, cabe aqui, louvar a recuperação desta malha viária e aclamar o calçamento como opção, em alguns casos, e como indicação mais adequada em outros, sendo os dois proporcionalmente valorosos. Cabe aqui, portanto, reconhecer a importância de cada tipo de pavimento, e apontá-los como promotores do melhoramento da qualidade de vida da população.
Nossos carros agradecem!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.

Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

terça-feira, 8 de julho de 2008

A IMPUNIDADE É A MÃE DA VIOLÊNCIA

Está mais do que na hora, da sociedade civil organizada deste País, dar um basta à violência. Nesta semana, mais uma notícia na imprensa choca milhões de brasileiro. Menino é morto por policiais no Rio de Janeiro, que deram 20 tiros em um carro onde estavam mãe e dois filhos pequenos.m morreu, a mãe e o filhinho de nove meses escaparam. Mas, escaparam de quê? A mãe e o pai, para chorar e sentir no peito a infinita dor da perdade um filho? E a sociedade, como fica?

Pois bem, aguardem, que esse vai ser mais um caso de impunidade no Brasil. Os policiais que atiraram, fizeram isso por quê mesmo? Estavam perseguindo quem? Confundiram um carro com uma mulher e duas crianças com um carro de traficantes?

A desqualificação policial não é apenas dos policiais cariocas não. A polícia do Ceará já mostrou despreparo e arrogância por diversas vezes. O que acontece é que a impunidade é tão descarada, uma verdadeira chaga social, que ninguém mais acha estranho policial matar uma criança e ficar as autoridades de segurança sem nada dizer. Um cordão de idiotices, mesmices, que sabemos vai dar na impunidade.

Os políticos,. Os dirigentes, presidente, governador, prefeitos, vereadores, senadores, deputados federais e estaduais pouco ou nada fazer. Essa é a verdade. As leis contra a impunidade não são votadas. O Congresso não legisla em favor de projetos para acabar co m o tráfico e a violência. Nada é feito, concretamente.

No Brasil, só há uma saída: ou a sociedade civil se movimenta, ou os políticos vão acabar com o que resta de bom neste País.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Crônicas do Sítio Rosto e adjacências


Amigos:

Este blog acaba de ganhar novo colaborador. Modesto, ele optou por assinar como "O Bruxo do Sítio Rosto". Talvez para valorizar um dos locais mais bonitos do bairro Lameiro, já que o cronista reside nas suas imediações. Abaixo - a seu pedido - estou postando sua primeira colaboração:


O homem não foi à lua

O Bruxo do Sítio Rosto
Aqui no Sitio Rosto a vida continua quase a mesma. Digo quase, porque Antônio de Braz me convenceu de que essa estória de o homem ter ido à lua é pura balela. Como o homem pôde ter pisado na lua? A lua é longe e não se vai para lá assim de qualquer jeito - disse o baixinho Antonio de Braz, do alto de seus quase noventa anos. E disse ainda: eles levaram uns homens lá para o Amazonas, tiraram umas fotos e disseram que foi na lua. E tem mais, continuou: lá na lua é tão claro que encadeia quem chegar lá. O sujeito fica é cego quando lá entrar.
Neste momento da conversa eu me lembrei do feio Ramiro, aliás, o segundo homem mais feio do Ceará, como ele mesmo gostava de se dizer. Ramiro do Seminário, como fora Ramiro do Cemitério, Ramiro do Colégio Diocesano...Como sempre vivera nas imediações clericais, Ramiro também possuía uma convicção contrária à idéia de a lua ter sido ultrajada pela presença do homem. E de tanto se comentar – naqueles idos de 20 julho de 1969 em diante – da grande proeza humana, Ramiro Feio foi conversar com todo o clero. De todos da confraria, só um lhe demoveu da terrível idéia de nunca mais sentar-se, à noite clara, à frente do sobradão, e dedilhar seu velho Gianinni, presente de Pe. Ágio. Esse único foi o glorioso Padre Francisco Salatiel, que acabara de vir da Europa, mestre em filosofia, homem sábio. E por ter tendo vindo da Europa, Ramiro não tinha como não acreditar na palavra do jovem padre. Dizem que Ramiro Feio, de uma feiúra feia e cândida, se convenceu da terrível verdade, após ter visto e ouvido do Padre Salatiel:
– É tudo verdade, Ramiro.Olhe aqui, a capa da revista Veja.
Dizem, ainda, que o sacerdote teria mostrado aquela capa em preto e branco, onde Ramiro soletrara, titubeante, as palavras do comandante Neil Armstrong:
“Um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a humanidade”.
A lua era minguante, nova e crescente ao tempo em que Ramiro, era capiongo, ensimesmado e triste, a circular pelos corredores do velho casarão, metendo medo, pela sua compleição suntuosa e cadavérica, aos já excitados e assombrados pupilos. Eis que numa noite de lua cheia, quando ela, a pino, num céu puríssimo, clareava o soturno mosteiro, Ramiro Feio, de uma feiúra linda e comovente, abriu o portão, sentou-se no seu banquinho, empunhou o violão e cantou as suas melodias em homenagem àquela que surge cor de prata. E olhou bem para ela e num laivo de desabafo e ironia disse:
–Pois é, os homens foram pra lua... inda bem que não mexeram nas instalações dela.
E fechando seu repertório cantou, de sua autoria, a música preferida do clero cratense, uma valsa dolente e bem marcada por uma letra que, em duas partes, insistentemente dizia:

Meu pai casado com minha mãe
E Minha mãe casada com meu pai,
Meu pai casado com minha mãe
Minha mãe casada com meu pai"

Dá tristeza quando se ouve, se é que se ouve, uma coisa parecida na voz do comediante Tiririca, cujo registro diz ser de sua autoria.
Mas o velho Antonio de Braz, que mora ali na embocadura do Sítio Rosto, tem razão. Eu concordo com ele. Os homens não foram à lua, assim como não devem ir. O mundo precisa dos homens aqui, e enxergando bem, para cuidar da terra, da água e do ar, e garantir a aposentadoria de Antonio de Braz e de sua esposa Cacilda, uma mulher muito valente... Mas aí é outra estória.

sábado, 5 de julho de 2008

Como surgiu a Basílica Menor de Nossa Senhora da Dores


O Cariri passará a contar, a partir do próximo dia 15 de setembro, com uma Basílica Menor: a igreja de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte. Basílica Menor é titulo honorífico concedido a numerosas igrejas em diversos países do mundo. O Papa confere este título ás igrejas que são consideradas importantes pela veneração que lhe devotam os cristãos, pela sua transcendência histórica ou pela beleza artística de sua arquitetura e decoração. Tal fato vem despertando a curiosidade de muitos caririenses que querem saber como surgiu a atual igreja de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.

Amália Xavier de Oliveira, autora do livro, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção da capela na fazenda Tabuleiro Grande:

"Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente. (OLIVEIRA, 1981:33-34).
A Capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem foi trazida de Portugal”. (id.: 35).

Amália complementou as informações acima, citando Irineu Pinheiro, autor do livro Efemérides do Cariri :

“Quem ler “O Sul do Ceará”, hebdomadário cratense, de 16 de abril de 1905, lerá, em artigo assinado por José Joaquim de Maria Lobo, ter sido assentada a Pedra Fundamental da Capela de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte, em 15 de setembro de 1827, havendo Missa cantada na casa de Oração pelo Padre Ribeiro Monteiro (o mesmo que também assinava Carvalho)...” (OLIVEIRA,1981: 34-35).

O fundador da povoação de “Joaseiro”

Alguns autores insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações – acima citadas – concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade. Deve-se ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, capela, residências para os escravos e agregados da família. A realidade histórica nos mostra: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. No povoado, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves. É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.

A primitiva imagem da Mãe das Dores

A imagenzinha de Nossa Senhora das Dores – adquirida pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, em Portugal – foi venerada como padroeira da Fazenda Tabuleiro Grande e do povoado de “Joaseiro” por cerca de 60 anos. Zélia Pinheiro, escrevendo ­– no opúsculo Sesquicentenário de Fé – sobre a inauguração, em 19 de agosto de 1884, da nova capela de “Joaseiro”, esta já construída pelo Padre Cícero, em substituição à primitiva, edificada pelo Brigadeiro, narra: (...)

"Continuava como Padroeira Nossa Senhora das Dores e fora colocada no Altar a mesma imagem trazida de Portugal para a Capelinha da Fazenda Tabuleiro Grande. Era uma imagem em estilo bizantino, de madeira, muito bem esculpida, tendo setenta e cinco centímetros de tamanho e permaneceu no Altar-Mor até setembro de 1887, quando foi trocada pela imagem que até hoje está lá". (PINHEIRO, 1977:26).

Bom esclarecer que a atual imagem, adquirida pelo Padre Cícero, substituta da primeira, somente chegou a Juazeiro em 1887, proveniente da França. A pequena imagem primitiva de Nossa Senhora das Dores, chamada antigamente pelo povo de “Carita”, encontra-se em perfeito estado de conservação. Ela, por questão de segurança, é guardada na Casa Paroquial. Geralmente é exposta à veneração dos fiéis nas duas grandes procissões anuais: a de 2 de fevereiro (Nossa Senhora das Candeias) e 15 de setembro ( Nossa Senhora das Dores).


Referências Bibliográficas:

OLIVEIRA, Amália Xavier de. Conheça o Cariri. Crato: Tipografia e Papelaria do Cariri, sem data.16 p.
OLIVEIRA, Amália Xavier de. O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte. 3ª ed. Recife: Editora Massangana, 1981. 332 p.
PINHEIRO, Zélia. Sesquicentenário de Fé – Juazeiro do Norte – Ceará – 1827 a 1977. Crato (CE): Empresa Gráfica Ltda, 1977. 50 p.

É A MESMA JÁ SENDO OUTRA

Uma simples foto de um ângulo da Siqueira Campos, publicada no Blog Cariri Agora, revela tudo. Dois jovens sentados iguais a tantos outros e não é mais a mesma coisa. E onde não é a mesma coisa? Em aparentemente tudo. Explico.

Há uns três anos passados cheguei ao Crato num dia de meio de semana, na metade da tarde, vindo do Aeroporto de Juazeiro. Estive numa reunião que durou uma hora ou um pouco mais e fui para o hotel. Aquele que fica no caminho do granjeiro. No quarto, com o resto da tarde e pela noite sem qualquer programação com alguém. Sai do quarto e fui para a piscina do hotel. Na minha frente a belíssima paisagem da encosta da Chapada do Araripe. Mas não fiquei como um observador distante. Lentamente a flora foi me reconhecendo, assim como os pássaros, a iluminação e a brisa da tarde. Numa observação simbólica, novamente em meu território, o espaço e as gentes que sabia contínua a mim mesmo.

Chegou a noite. Estas noites que apavoram o homem moderno por motivo diferente daquele apavoramento do homem antigo. Naquele pelos mistérios do mundo cheio de desconhecidos e agora pelo vazio de nada ter para se distrair, se atentar, se aquietar nas telas eletrônicas que mostram uma realidade que não se encontra onde meu olho examina, mas muito distante dele. Neste clima pedi um táxi e fui para um restaurante de idos tempos na rua Monsenhor Esmeraldo. Não tinha cartão de crédito e eu sem dinheiro. Desisti e resolvi ir até o Banco do Brasil na esquina da Bárbara de Alencar com Senador Pompeu. Pegaria o dinheiro e voltaria ao restaurante.

Mas tudo mudou. Andando pela Senador Pompeu, a antiga rua da feira da rapadura, através de um casario que fazia parte do tempo. Era a mesma coisa. Pinturas e restaurações adicionadas, placas e anúncios, o mesmo vazio das horas de comércio fechado, alguns transeuntes. Ali o vazio onde um grupo de amigos, especialmente Tarcísio Leitim, jogava gamão. O antigo prédio das Pernambucanas, um farmácia encontrada na memória, um jeitão de balcão de loja de tecidos com seus vendedores aprontando o fetiche nos olhos das mulheres.

Após pegar dinheiro no caixa eletrônica retornei às ruas. Ruas cheias dos prédios que diziam: o Crato é aqui mesmo. O volume do reconhecimento foi até o limite em que igualmente busquei o sentido destes prédios por meio das pessoas conhecidas. Mas as ruas e os prédios estavam vazios desta gente. Enquanto avançava pela Senador Pompeu, naquela altura o vazio não mais animou-me a retornar ao restaurante, indo na direção da Siqueira Campos mais uma imagem se formava. Naquele passo, inteiramente solitário, solidão que mais se acentuava no contraste do casario reconhecido, formou-se a nítida contradição entre conteúdo e continente.

O continente era reconhecível, mas o conteúdo não mais o era. Todas as pessoas eram outras. Enquanto avançava pela praça Siqueira Campos, naquela altura menos iluminada e infinitamente mais vazia do que a minha memória, compreendia a sina dos historiadores. Um visitante dos espaços em que seus hospedadores não mais existem como entes do mundo. O efeito de passear-se numa cidade fantasma não era igual, posto que pessoas circulavam. Diria que aquele Crato era uma cidade cenográfica em que as gerações fizeram e fazem seu teatro de vida individual e coletiva.

Na foto do Cariri Agora, a expressão desta cenografia vista pelos dois atores da atualidade. O velho Café Crato, quando apenas devem existir os ossos do Sr. Orestes, seu antigo dono. Agora com suas paredes divididas entre a cor ocre e o marrom. Cores outras, mais fechadas, acrescendo cadeiras de plástico avermelhado. Existe uma pessoa sentada, talvez isenta do passado daquele café no qual não existiam mesas ou cadeiras, todos ficávamos em , sentido o perfume do café sendo coado e paquerando as garçonetes num rito machista equivalente para elas a um desejo e para os outros homens a uma fortaleza. Aquela pessoa é tão isenta do passado quanto eu do presente.

Na esquina uma loja entre o branco e o azul, uma ótica (?), uma joalheria (?), uma loja de presentes (?), não importa. Ali ficava a lanchonete de Bantim. A lanchonete do tempo que o lanche era merenda e seu conteúdo era outro: sanduíche bauru, bananada, abacatada, um picolé ou um sorvete. Para aqueles dois jovens eu conto que houve um dia um sujeito que mudou completamente o conceito de merenda. Foi o Cascatinha: era mate gelado batido com limão e pastel. A loja ficava cheia de compradores e o filho do dono, nosso colega e amigo, de tanto sucesso teve o negócio do pai até recebeu por apelido o mesmo da casa. Apenas por lembrança, que Bantim puxou Cascatinha, vou à rua Duque de Caxias, próxima do Diocesano, onde o pai do Peixoto (pai ou tio do Waltim) vendia doces que encantavam os alunos do colégio. Comíamos como no olimpo mistura de doces. Gostava muito da mistura do doce de batatas com goiaba em calda.

A dicotomia conteúdo e continente também pode ser uma bela ilusão. Afinal o presente é apenas muito próximo de uma linha evolutiva, mas não é em absoluto um contínuo do passado. Quando o presente se encontra algum tempo antes de sê-lo, existem algumas possibilidades do modo como será, que apenas o será como coisa dada, algum tempo depois de ser presente. Com isso não digo que o presente seja uma ficção, apenas um momento entre o passado e o futuro, não é isso. A proximidade entre acontecer e acontecido é tão grande que nos confunde, mas é inegável que algo poderá modificar o rumo esperado antes para o presente.