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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Melhores processos, melhores gestores


Para se candidatar a um cargo do executivo, como o de prefeito por exemplo, o candidato, ao contrário de um pleiteante a uma vaga de juiz, promotor, professor universitário, médico ou dentista de PSF, não precisa ter título de pós-graduação, muito menos ter nível superior. Pode ainda pleitear o cargo, sem apresentar curriculum vitae, comprovando vínculos empregatícios anteriores, seus trabalhos desenvolvidos e respectivos resultados, munidos de boas “cartas de referência”. Pode participar de uma eleição sem ter inclusive as contas aprovadas, em caso de ter ocupado o cargo anteriormente.

Quando eleito, dispõe de 4 anos e se obriga apenas a prestar contas do dinheiro gasto. Pode parecer suficiente à primeira vista, mas para uma nação que clama por melhores oportunidades para todos, apresentar um projeto de governo, apontando claramente as metas a serem alcançadas fazendo uso do orçamento disponível, deveria ser obrigação. Complementarmente, deveria haver uma consulta anual, bienal ou ao final do mandato, para apontar o grau de satisfação do eleitor ao trabalho prestado pelo empossado, podendo esta inclusive vetar uma, possível, futura investidura deste a um outro cargo público. Sonho distante? Talvez. Mais que isso, caminho para mudar esta realidade que privilegia o candidato que tem mais dinheiro, ou é financiado por outros políticos, ao invés de termos servidores públicos, porque é isso que deveriam ser, aptos a gerir nossos impostos transformados em orçamentos também públicos. Jogue a primeira pedra quem achar que o sistema que está ai, não dá acesso a qualquer candidatura mal intencionada, motivada pela ausência de indicadores de qualidade e eficiência.

O sistema vigente não contribui à criação de um Brasil melhor, de menos desigualdade social, de real vislumbramento de um país soberano em suas decisões, de oportunidades iguais para todos. Nos dias de hoje, até o termo “político” parece ter o tom pejorativo, ligado muito mais a habilidade de formar conchavos em busca do número de votos necessário à eleição, do que à qualidade de coordenar ações, nas diversas esferas, que gerem benefícios a seus eleitores. Bom seria termos muitos pleiteantes qualificados e creditados a gerir a coisa pública. Melhor ainda, ver o dia em que estes cargos fossem, todos, ocupados por candidatos à altura da investidura.
Melhores processos, melhores gestores!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

A verdade concisamente


O MAU EXEMPLO BOLIVIANO
Otavio Luiz Rodrigues Jr (*)


Os jornais brasileiros dedicam espaços generosos à crise política na vizinha Bolívia. Bloqueio de estadas, interrupção no fornecimento de gás, piquetes e acusações de separatismo e discriminação. A sensação que se tem é a de estar diante da Torre de Babel, rediviva em pleno território latino-americano. Muito do que se observa hoje na terra de Evo Morales guarda coerência com acontecimentos do passado. Na realidade, a Bolívia é um país, no mínimo, singular.
Sem saída para o mar, cujo acesso foi perdido em uma guerra contra o Chile no século XIX, a Bolívia possui uma Marinha de Guerra. E um almirante! Do Lago Titicaca. O país expulsou o embaixador britânico em 1866. A rainha Vitória quis retaliar militarmente, mas foi dissuadida por seus ministros ante a insignificância estratégica da nação. Vitória teria apontado para o mapa e dito: "A partir de hoje, a Bolívia não existe mais". Um presidente boliviano, sincero admirador da França, organizou dois batalhões e seguiu marchando pela floresta por dois dias para socorrer o imperador Napoleão III, que lutava contra a Prússia. Só interrompeu a expedição quando lhe disseram onde ficava a França e que teria de atravessar o oceano Atlântico.
No século XX, a família boliviana Patiño era uma das mais ricas do mundo na exploração de estanho. Seus membros casaram-se com a nobreza européia e alguns tornaram-se "playboys" internacionais, ao lado de Porfírio Rubirosa. Em 1935, os bolivianos foram derrotados pelos paraguaios na Guerra do Chaco, com perda de extensa faixa de território. O resultado? Um desconhecido capitão, de nome Alfredo Stroessner, tornou-se herói nacional por liderar um ataque decisivo nessa guerra. Anos depois, Stroessner chegaria ao poder no Paraguai e nele permaneceria por quase 40 anos. Aos que se assustam com Evo Morales e suas políticas de divisão nacional, recordem-se que, em 1952, uma rebelião dissolveu o Exército, estatizou as minas e fez uma reforma agrária que abrangeu quase todo o País. A conseqüência? Pilhagens, rebeliões e massacres da população branca e de algumas etnias indígenas por outros índios.
Esses relatos, além de tragicamente pitorescos, servem para desconstruir duas inverdades ora repetidas à exaustão sobre a crise boliviana: a noção de que Evo Morales combateria forças reacionárias, de origem branca, em nome da distribuição igualitária de renda, e a visão de que os índios finalmente chegaram ao poder. Ambas as afirmações são equívocas. Os índios foram - e continuam sendo - os grandes protagonistas das principais rebeliões ocorridas no país, desde seu nascimento. Na verdade, muitos dos massacres ocorreram pela ação de índios contra índios. As tentativas de expropriação de bens privados, dentre esses os da Petrobrás, nunca chegaram a um resultado positivo. Apenas desarticularam a produção e atrasaram o país, ainda mais.
Um mérito pode ser atribuído a Morales: é perceptível a queda do nível de corrupção, um dos elementos desencadeadores de sua vitória eleitoral. Sua probidade pessoal, até o momento, é um elemento digno de respeito e tem influenciado no crescimento da Bolívia. No entanto, seu discurso baseado no ódio racial e na desforra histórica dos índios - a qual, como visto, não é verdadeira - conduziu sua nação ao estado atual de crise.
A única certeza é que essa não será a última das insurreições bolivianas. A esperança é que o modelo segregacionista de Morales não sirva de exemplo ao Brasil, que já possui problemas demais para importar o mau exemplo boliviano.

(*) Otavio Luiz Rodrigues Jr é doutor em Direito Civil (Universidade de São Paulo), membro da Asociación Iberoamericana de Derecho Romano, Oviedo, Espanha, professor universitário em Brasília (IESB, IDP) e Fortaleza (FA7).
(Artigo publicado no "Jornal do Cariri", edição 16 a 22 de setembro de 2008)

MEMÓRIA E PERSONALIDADE


Ibsen Noronha (*)

Um bom exemplo de recuperação de uma figura eminentíssima se deu na cidade de Crato


O filósofo francês Henry Bergson afirmava que uma pessoa que perde sua memória perde a sua personalidade. Palavras profundas que merecem uma breve reflexão.
De fato a memória é um dos nossos preciosos atributos personalíssimos. A dinâmica de nossas vidas depende, e muito, das experiências acumuladas ao longo de dias penosos ou alegres, fecundos ou estéreis.
Transpondo a afirmação de Bergson para uma perspectiva mais ampla, a perspectiva de um Povo, podemos afirmar simetricamente: um Povo que perde a sua memória perde a sua personalidade. Sob este ponto de vista recordar os momentos cimeiros das Nações é prestar grande serviço com o objetivo de consolidar um Povo com personalidade forte e cioso da grandeza do País.
O ano do Senhor de 2008 é um ano especialmente rico para o nosso Brasil. O maior orador sacro da língua portuguesa, o Padre Antônio Vieira, nasceu há exatos 400 anos. O Mestre da língua portuguesa, fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, deixou esta vida há um século. E são passados 200 anos desde que a Família Real Portuguesa transplantou a sede do Reino para este imenso Portugal chamado Brasil.
De fato, todas estas efemérides merecem lembrança, celebração e, mesmo, devoção. A História de um País se forma com grandes homens, que ousam ir além do quotidiano e marcar gerações com os seus “Christãos atrevimentos” – na marcante expressão de Camões!
Sobre a vinda da Família Real muito se tem escrito e falado. É bom sinal. A personalidade de Dom João VI, tão caricaturada e vilipendiada por uma historiografia amesquinhada e malsã, foi absolutamente revista e surgiu o estadista calmo e pacato, mas com visão profunda das realidades e capaz de decisões arriscadas e arrojadas.
Mas também as mulheres da Família Real vão sendo mais conhecidas e sua dignidade admirada... Um bom exemplo de recuperação de uma figura eminentíssima se deu na cidade de Crato. Há alguns anos, monarquistas do Cariri propuseram a vereadores um projeto que batizasse uma nova rua da cidade com o nome de Imperatriz Leopoldina. Os vereadores atenderam com presteza ao pedido. Contudo, deu-se o espanto quando a matéria foi colocada em votação! Alguns vereadores alegaram desconhecer tal Imperatriz e também seu importantíssimo papel na Independência do Brasil. O presidente da Câmara Municipal usou de sensatez.
Promoveu uma palestra sobre a nossa primeira Imperatriz. O projeto foi aprovado por 20 votos e uma única abstenção, de um vereador do PT. Sem dúvida o conhecimento da vida de Dona Leopoldina fortaleceu a personalidade dos edis de Crato e produziu um belo nome para a bela cidade do Cariri.
Infelizmente, noticiou-se a alteração posterior do nome, o que não tornam inválidas as observações aqui feitas sobre o valor do resgate histórico.

(*) Ibsen Noronha é Mestre em Direito pela Universidade de Coimbra, Portugal. É Professor de História do Direito em Brasília.
(Artigo publicado no “Jornal do Cariri”, edição de 16 a 22 de setembro de 2008)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ex-Arcebispo de Fortaleza rumo aos altares


Dom Antônio de Almeida Lustosa:
"Bispo brasileiro da justiça social" rumo aos altares
CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A causa de beatificação do salesiano Dom Antônio de Almeida Lustosa, conhecido como o «bispo brasileiro da justiça social», deu um passo adiante.No último dia 10 de setembro, o Pe. Antônio da Silva Ferreira, colaborador para a causa do prelado, apresentou o texto da «Positio» ao relator da Congregação para as Causas dos Santos, Pe. Daniel Ols O.P.
Trata-se do dossiê que, com base nas atas da causa diocesana, deve demonstrar a heroicidade da vida e das virtudes, além da fama de santidade, do servo de Deus.«O Pe. Ferreira apresentou cinco grandes volumes de documentação e o relativo sumário, incluindo uma biografia, elaborada por ele com a competência histórica que todos reconhecem», informa a AINS, agência de notícias salesiana.Na cerimônia oficial de entrega participaram além do relator e do Pe. Ferreira, com seu colaborador José Pedro Menezes o postulador geral, Enrico del Covolo, seu colaborador Luigi Fedrizzi e Hilário Passero, salesiano brasileiro da Casa Geral.Dom Antonio de Almeida Lustosa (1886-1974), foi um dos salesianos mais importantes na implantação e difusão do carisma de Dom Bosco no Brasil.
Após ter sido diretor em Lavrinhas foi eleito, aos 39 anos, como bispo de Uberaba.Depois foi transferido à sede de Corumbá, e sucessivamente a Belém do Pará e a Fortaleza. Em 1963, após 38 anos de atividade como bispo, ele se retirou à Casa salesiana de Carpina, onde transcorreu os últimos 15 anos de sua vida. Morreu em 14 de agosto de 1974. Durante todo seu ministério, viveu intensamente o «Da mihi animas» de Dom Bosco. É considerado ainda hoje como o «bispo da justiça social».

sábado, 13 de setembro de 2008

Há 130 anos o Ceará era consagrado ao Sagrado Coração de Jesus


Há 130 anos – em 15 de setembro de 1878, quando o território do nosso Estado formava uma única diocese – o 1º bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, junto com as autoridades civis e o povo de Fortaleza, fez a consagração do Ceará ao Sagrado Coração de Jesus. Àquela época o Ceará enfrentava o segundo ano consecutivo de terrível seca que trouxe a destruição das lavouras e dos rebanhos, além de perdas humanas. Na página 5, do Álbum Histórico do Seminário Episcopal do Ceará, lemos o seguinte: “Tanta calamidade levou (Dom Luiz) a fazer, em nome da Diocese, o voto de edificar um templo ao Sagrado Coração de Jesus e de consagrar-Lhe o seu rebanho. Radiante de cumprir esse voto, Dom Luiz, a 15 de setembro de 1878, celebrou o ato de consagração do Ceará ao Coração de Jesus, entre imensa multidão de fiéis, que nesse dia concorreu e participou da Sagrada Comunhão".
Os Evangelhos e a tradição católica mostram as riquezas insondáveis do coração de Cristo, nas suas atitudes de perdão e de misericórdia, para com os povos e terras que lhe são consagrados. O Ceará é prova disso! Ao longo dos últimos 130 anos nosso Estado recebeu imensas graças desse Coração Amoroso. Aqui, as vocações religiosas foram (e continuam sendo) abundantes. O Ceará progrediu materialmente. O povo cearense não conheceu a guerra, nem a fome generalizada, nem grandes catástrofes da natureza, como aconteceu com outros povos. Mesmo o fenômeno da seca, velho conhecido do cearense, tem sido mais brando, de 1878 para cá. Não se repetiram calamidades iguais a de 1877, que passou à história tanto pelo rastro de destruição, com elevado número de perdas humanas e materiais, o que fez o imperador Dom Pedro II declarar: "Venda-se a última pedra da minha coroa, mas não morra nenhum nordestino de fome".

Bispos chegam a Juazeiro do Norte


Entre os bispos que participarão da festa de oficialização da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, já se encontra no Cariri o bispo da Diocese de Parnaíba (Piauí), Dom Alfredo Scháffler. Ontem ele concelebrou com Dom Fernando Panico, na abertura do tríduo que marca os festejos da Padroeira de Juazeiro do Norte.

Nascido na Áustria, Dom Alfredo Scháffer foi ordenado sacerdote no dia 16 de junho de 1968 na cidade e Diocese de Oeiras (PI). Inicialmente foi vigário cooperador em Oeiras e coordenador de Pastoral. Em 1970 assumiu inicialmente como vigário paroquial em Picos (PI) e posteriormente como pároco a paróquia de Nossa Senhora dos Remédios na cidade de Picos até 1984. Neste ano transferiu-se para Teresina assumindo como Juiz Presidente o Tribunal Regional Nordeste IV. Em Teresina foi pároco na paróquia de Cristo Rei e Vigário Episcopal para a Administração da Arquidiocese. Em 15 de março de 2000 foi nomeado Bispo Coadjutor de Parnaíba. Em 21 de fevereiro de 2001 assumiu o governa da Diocese de Parnaíba. O seu lema episcopal é : Firme na fé

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O UDENISMO E A CONTA MÉDICA

Existem polêmicas que, por critérios pessoais, desistimos. As vezes revela-se o que se pensa e se dar por satisfeito, até porque o assunto tomou outro rumo. No entanto, refletindo mais, tem dois assuntos, um derivado do primeiro que gostaria de abordar. O primeiro é uma postagem de Valdetário Siebra sobre a história de uma criança em situação de risco na cidade do Recife. Fiz um breve comentário sobre a necessidade de se trazer para o universo político (a polis aquele que por vezes as pessoas saltam da sua individualidade para uma pluralidade transformadora) a questão da pobreza e da fome das crianças no Brasil. Mas não foi nesse o sentido que os demais comentários vieram. Migraram para o ceticismo em relação ao relato do médico e para uma ácida crítica a uma certa "inconsciência social" dos médicos e a voracidade por ganhar dinheiro. A segunda foi, em resposta a este enfoque, de que havia por trás disso um certo "udenismo" nos comentários. Aí passamos à postagem em defesa do udenismo tendo como tese a listagem das pessoas de bem que praticaram o poder na cidade do Crato por este ideário político.

Pelo fim. O "udenismo" é uma categoria histórica reconhecida pela literatura, dicionarizada como os filiados ao antigo partido da UDN e até mesmo faz parte de uma categoria ideológico política. Como categoria histórica o udenismo se criou como uma forte oposição ao governo Getúlio Vargas, combateu este político até a sua morte e com certeza, não por medidas exatamente democrática, tentou o golpe contra Getúlio e depois contra Juscelino Kubitscek. A liderança de um político de renome dos quadros da UDN, Carlos Lacerda, junto com militares da Aeronáutica (o ícone da Aeronáutica, Brigadeiro Eduardo Gomes fora derrotado por Getúlio) esteve por trás das pressões políticas que levaram ao suicídio de Getúlio. Do ponto de vista ideológico o udenismo era uma mistura de defesa das classes médias com a defesa dos grandes proprietários de terra. Por isso mesmo que pendulavam, por vezes, suas posições. Foram a favor do monopólio do petróleo e votaram contra a cassação dos comunistas, mas ao mesmo tempo eram contra a intervenção do Estado na economia, denunciavam a infiltração comunista e contestavam os resultados eleitorais quando perdiam eleições. Perderam as eleições para a presidência nos anos de 1945, 1950 e 1955, ganharam com Jânio Quadros e apoiaram o Golpe Militar de 1964.

Sendo o udenismo uma colcha ideológica, dada a diferença da raiz social do partido, nas suas teses políticas coexistiam ideais liberais, autoritários, progressistas e conservadores. O estilo de fazer política do udenismo era exuberante, denuncista, apegado ao liberalismo, ao bacharelismo, ao moralismo e um horror quase patológico aos chamados "populismos". O interessante é que a UDN na sua representação no Congresso Nacional tinha maior representação de proprietários de terra e funcionários públicos que qualquer outro partido, inclusive o PSD. A UDN sempre foi aliada dos empresários nacionais associados aos capitais estrangeiros e até por isso e em razão da guerra fria era adesista contumaz dos EUA. No embate político daquela época os inimigos da UDN a classificava como o "partido dos golpistas", "partido dos cartolas" e o seus aliados como o "partido do lenço branco" e "partido da aliança liberal". A UDN nunca foi apegada a determinadas formas de governo, especialmente a do voto secreto, como uma instituição essencialmente moralista já abria seu programa com a frase: "de nada valem as formas de governo, se é má a qualidade dos homens que nos governam".

Em síntese o Udenismo evoluiu historicamente numa radicalização já entranhada no seu ideário e nas suas práticas. A primeira fase do udenismo é essencialmente antigetulista e contra a política social e a intervenção do Estado na economia. A segunda fase é essencialmente moralista, combatia a corrupção do governo da aliança PSD-PTB. A terceira fase é a do anticomunismo radical que se aproxima de Adhemar de Barros e protagoniza o golpe de 64 com a deposição de João Goulart.

Agora, todos nós, sem exceção, vejamos que este mesmo ideário, com um certo ajuste histórico se encontra presente na realidade contemporânea. Por outro lado não podemos deixar de prestar a atenção que este ideário se adere precisamente na intimidade de todas as localidades. Especialmente o Crato que teve uma tradição política extremamente conservadora e udenista. Isso sem contar que as lideranças do velho clero do Crato migraram remotamente do integralismo para um udenismo de resultado junto às famílias que dominavam a região.

Quanto à questão da conta médica. Em primeiro lugar para se aceitar a ordem econômica vigente é preciso que toda pessoa de boa fé critique-a em sua raiz, pois desejar que os médicos virem sacerdotes, quando nem isso é realidade no seio das igrejas, especialmente as neo-pentecostais, é um exercício de mero desabafo. Ele, por mais sincero e contundente que seja, não mexe nem uma palha numa ordem cuja matriz é o lucro e o progresso material desbragado. Querer a ordem capitalista para seu progresso pessoal e criticar os médico por tal, é meia crítica e como não existe meia crítica, não se vê crítica alguma. Mas é claro, existem as críticas pessoais e estas apesar de provincianas vigem até na cultural mundial da imprensa americana.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Perigo


A botânica Aline Braga, em tese de doutorado apresentada à Universidade Católica de Brasília, estima que os ipês roxo e amarelo desaparecerão em 50 anos, a continuar o desmatamento descontrolado. Lute, faça sua parte, não prive nossos descendentes dessa beleza que desfrutamos.
Saiba mais na revista Istoé, edição de 10/09/08.
O IPÊ
O
Ipê é a árvore mais conhecida em todo o Brasil, existem cerca de 20 espécies de pequeno, médio e grande porte, exuberantes pela floração: amarela, roxa, rosa ou branca. O ipê roxo fornece madeira de primeira qualidade, muito dura e de grande durabilidade, usada em marcenaria, assoalhos e obras que exigem resistência mecânica. Os ipês são árvores exuberantes e imponentes pela bela floração e pela qualidade da madeira, porém são de crescimento lento e se forem pouco cultivados, como a madeira não vem de reflorestamentos comerciais é proveniente de floresta nativas, ou seja, significa que um dia talvez o veremos apenas no museu ou coleções botânicas... mas, com a conscientização em grande escala, poderemos reflorestar com ipês e ter madeira cuidando do meio ambiente.

Notas da Semana


Embaixador do Papa chega ao Cariri
Pela segunda vez na sua existência, a Diocese de Crato vai receber a visita do Núncio Apostólico no Brasil. Dom Lorenzo Baldisseri (foto), desembarca no Cariri – neste final de semana – para participar da solenidade de instalação da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, na próxima 2ª feira. O outro Núncio que esteve aqui foi Dom Carmine Rocco, que veio em 1989, quando o bispo era Dom Vicente Matos. Ele veio participar das solenidades de 75 anos de criação da Diocese de Crato.

Saiba mais sobre a Basílica caririense
Basílica menor é um título honorífico concedido pelo Papa a igrejas de diversos países do mundo consideradas importantes por diversos motivos tais como: veneração que lhe devotam os cristãos, transcendência histórica e beleza artística de sua arquitetura e decoração. Entre os argumentos apresentados por Dom Fernando Panico, junto ao Vaticano, para obtenção do título de Basílica Menor para a igreja caririense está o fato de Juazeiro do Norte se constituir num dos maiores centros de romaria da América Latina. Essas romarias são motivadas pela herança espiritual do Padre Cícero Romão Batista, constituindo-se em notícias periódicas nas principais redes de televisão, além de matérias divulgadas pelos principais jornais e revistas do Brasil. Cerca de dois milhões de fiéis visitam anualmente a cidade de Juazeiro do Norte.

História da nova Basílica
A nova Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte teve origem com a construção, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de uma humilde capelinha cuja pedra fundamental foi lançada em 15 de setembro de 1827. À época, a atual e pujante cidade de Juazeiro do Norte não passava de uma fazenda, situada no município de Crato, propriedade do citado Brigadeiro, denominada de Fazenda Tabuleiro Grande.

Antes tarde do que nunca
O chefe da APA Araripe, Prof. Jackson Antero, adverte que não dá para esperar. A Chapada possui 344 fontes na sua encosta, das quais 294 estão do Ceará. Segundo Jackson, “estas fontes precisam de proteção para não ser extintas”. Ao fazer este comentário, o chefe da APA Araripe prometeu arrancar os canos da nascente da Batateiras, a partir da próxima semana. A única novidade é a presença de guardas municipais na área da nascente para manter a fiscalização do local. Os guardas controlam a freqüência de desocupados na área que estavam tomando banho no tanque de distribuição da água e fazendo desordens, além de impedir a colocação de novos canos na nascente.O guarda municipal Cícero Roberto Coelho diz que é um absurdo ver um manancial ser utilizado por uma minoria, enquanto que o povo pobre, que mora no
é da serra, não tem direito a água para beber.(fonte:www.geoparkararipe.blogspot.com)

Crato export
Francisco Fábio Amorim – conhecido por Ligeirinho – está produzindo sacrários de madeira que estão sendo vendidos para outros estados do Brasil. “Ligeirinho” mantém sua oficina, na Rua Ratisbona, em Crato, onde produz outras peças sacras, como altares. São de sua autoria os altares de madeiras existentes nas igrejas de Assaré, Farias Brito e São Vicente Ferrer, em Crato.

Juazeiro em enciclopédia
A Editora Vértice Ltda. e o Lions Clube de Juazeiro do Norte lançam nesta 6ª feira, dia 12, na Associação Comercial daquela cidade, a Enciclopédia dos Municípios, em livro eletrônico, que tem um capítulo especial sobre a Terra do Padre Cícero. A Enciclopédia foi organizada pelo jornalista e empresário Aldemir Sobreira.

domingo, 7 de setembro de 2008

Leia abaixo o editorial do jornal O POVO deste domingo


Legado da Monarquia

Quase duzentos anos depois da Independência é preciso reconhecer a contribuição da Monarquia ao regime democrático brasileiro

O aniversário dos 186 anos da Independência encontra o Brasil mais esperançoso quanto ao seu futuro. Não só a economia está crescendo - embora ainda aquém do desejado -, mas o anúncio da descoberta do petróleo do pré-sal renova auto-estima dos brasileiros. Trata-se da vigésima comemoração da Independência dentro dos marcos constitucionais democráticos, desde a promulgação da Constituição de 1988. Isso significa que vivemos o mais longo período de democracia contínua de nossa história republicana. No Império, é verdade, também vivemos 67 anos sob regime constitucional democrático, com as limitações vigentes do Estado Liberal. Quando um golpe de Estado derrubou a Monarquia Constitucional Parlamentarista, só os que estavam com mais de 50 anos de idade tinham lembrança de alguma intervenção militar na vida do País.
Durante todo o reinado de Dom Pedro II, vivêramos um regime de liberdades democráticas - só comparável, no continente, à República estadunidense (ambos tinham também o mesmo defeito: o regime escravista comum). Havia ampla liberdade de imprensa, revezamento no poder de dois partidos respeitáveis - o Liberal e o Conservador - e o País era respeitado, internacionalmente, graças, principalmente, à fama intelectual de seu imperador. Aliás, a transferência da família real portuguesa para cá - cuja chegada (200 anos atrás) está sendo comemorada - representou o lançamento dos fundamentos que permitiram a autonomia nacional, menos de uma década e meia, depois.
Mais: o Brasil surgiu como nação sob a égide da revolução liberal, na Europa, que punha fim às monarquias absolutas. Dom Pedro I encarnou as contradições da época: ora se apresentando na pele de autocrata, ora se distinguindo como um filho dos novos tempos liberais. De qualquer maneira, foi graças à opção pela forma de governo monarquista que foi possível manter a integridade territorial do país. Por falta desse centro visível de unidade (representado pelo monarca local) a América espanhola fragmentou-se em vários pequenos países autônomos (quando dos movimentos independentistas). Infelizmente, quase todos regidos, a partir daí, por ditaduras caudilhistas presidencialistas.
O Brasil, no entanto, escolheu o modelo institucional inglês, adotando o sistema de governo parlamentarista (na verdade, semi-parlamentarista, pois havia o Poder Moderador, exercido pelo Imperador). Mesmo assim, criou um regime de mais liberdades do que o da maioria dos países vizinhos. Assim, nesta data da Independência, é um ato de justiça reconhecer essa contribuição da Monarquia ao Brasil, pois, no regime republicano que se seguiu, a democracia só funcionou plenamente em breves interregnos entre uma ditadura e outra.
(Editorial de "O Povo", 7 de setembro de 2008)

POLÍTICA NÃO É CRENÇA

Uma sociedade revolucionária e uma outra conservadora. Ambas intervêm na reprodução humana então existente. Ambas com impacto demográfico. Uma, a revolucionária, de natureza explícita, objetivava reduzir a fertilidade e com isso o crescimento populacional. A outra, andou mais por uma plataforma de ordem moral, num ambiente em que o rumo, também, era a redução da reprodução humana.

Na sociedade revolucionária, a China dos anos 60 e 70, através do planejamento nacional e com uma ação direta sobre as famílias foi limitado o número filhos que cada família poderia ter. Os métodos de redução incluíam as pílulas anticoncepcionais então já produzidas em escala, educação sexual, o uso de contraceptivos mecânicos e, claro, o aborto numa escala sem precedente anterior.

Na sociedade conservadora, a dos EUA, havia dois movimentos em choque, mas o ambiente, então, do ponto de vista da cultura da fertilidade já era outro. Os EUA já eram uma sociedade urbana, a dinâmica demográfica totalmente distinta da sociedade rural. As famílias nucleares, não se precisava, nem no campo, de muita mão-de-obra para produzir. Então os métodos anticoncepcionais já eram de escala ampla. Inclusive o aborto.

Quando a China marcha para as cidades numa economia capitalista de controle estatal e nacional, alguns efeitos inesperados surgiram. Um deles na confluência da nova tecnologia da assistência reprodutiva com a tradição cultural. Como o aborto para reduzir a natalidade era parte do seu programa de controle, juntou-se a tradição cultural em que os filhos masculinos eram mais desejados que os femininos com a ultra-sonografia que revela precocemente o sexo do feto e ocorreu um aborto seletivo. Resultado, em certas províncias e regiões existem mais homens que mulheres. Nesta diferença a raiz de conflitos iguais aqueles da história ocidental do Rapto das Sabinas.

Os conservadores que impuseram uma certe hegemonia nos EUA desde os anos 80 e especialmente nos anos do Bush Jr. tentaram abafar a sexualidade do jovem americano com uma espécie de retorno ao puritanismo sexual. Acontece que o casamento, a matriz conservadora da reprodução, especialmente em relação aos jovens era consoante com a sociedade rural. O casamento era quase um valor de terra, a família também o era e a reprodução apenas dentro do matrimônio tinha conexão com isso tudo. A reprodução ocorria nos primeiros anos do jovem adulto. Não agora, nas sociedades urbanas. As famílias desejam menos filhos, a reprodução pode ocorrer com mais idade.

Ao lado da reprodução, a sexualidade humana ultrapassou qualquer referência animal. A humanidade faz sexo muito além da reprodução. O ato sexual é um ato de identidade, de socialização, de prazer, até de conflito, inclusive para reproduzir. A prática sexual, com os modernos meios de anticoncepção, se tornou democrática e ampla e aí surgiram outras questões, especialmente quanto a higiene e saúde pública. Neste contexto é que passou a fazer parte da formação dos adolescentes os conhecimentos e informações sobre a prática sexual e os modos de prevenir problemas de saúde e de reprodução.

Os conservadores dos EUA puseram de ponta cabeça o que menos desejavam. O efeito inesperado de suas políticas de incentivo á abstinência sexual se tornou um cavalo de Tróia. Segundo o último censo americano, uma de cada três adolescentes americanas têm filhos antes dos 20 anos. Mais ainda, estudos comparativos entre os estados que adotaram o programa de incentivo à abstinência sexual com aqueles que não o fizeram, mostram efeito contrário. O programa ao aumentar a desinformação do jovem aparentemente os expôs a maior gravidez e maior risco de doenças sexualmente transmissíveis.

Agora compreendemos o motivo de tanto alarde para a gravidez de Bristol, a adolescente grávida de 17 anos da conservadora governadora do Alasca candidata a vice na chapa McCain. A governadora Sarah Palin, evangélica fervorosa, antifeminista, contra o aborto e o casamento gay, cortou verbas de programas assistenciais para adolescentes grávidas e as transferiu para o programa de abstinência sexual. Como todos no mundo repetem: não funcionou nem para sua filha.


CULTURA

Restauração ganha novo espaço de artes
no Cariri
Restauradora egípcia Gabriela Federico, realizou a recuperação da imagem de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade do Crato. Ela chegou ao Cariri por meio de um convite do Iphan
(Foto: ANTÔNIO VICELMO)
O local vai funcionar como ateliê para exposição e espaço cultural para os artistas da Região do Cariri
Crato. Foi inaugurada, no Crato, a Casa de Artes “Olhar” que funciona na Praça da Sé. A iniciativa é da restauradora egípcia, descendente de italianos, Maria Gabriela Federico, mais conhecida por “Gabi”, e por um grupo de artistas da localidade. A Casa funciona como ateliê, exposição e espaço cultural para a apresentação de artistas regionais. As salas foram decoradas com quadros de artistas da Região do Cariri. No quintal da casa, foi construído um palco para apresentações artísticas.
Ali funciona, também, um forno para queima de cerâmicas na fabricação de objetos de barro. No mesmo espaço, funciona um bar de apoio aos eventos culturais. Em breve, será implantado um restaurante.No entanto, o projeto é muito mais amplo. De acordo com Gabi, será instalado um núcleo de turismo com o objetivo de treinar profissionais dessa área. Será a primeira casa do gênero da região. A restauradora está trazendo a proposta de um serviço refinado, exclusivo, focado na restauração e comércio de produtos com valores agregados, sejam financeiros ou sentimentais.
“Geralmente, este trabalho era feito aleatoriamente, sem o conhecimento científico”, destaca o historiador Armando Lopes Rafael, lembrando que Gabi veio para o Cariri, em 2006, por indicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para restaurar a imagem de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade do Crato.
Em seguida, ela restaurou a imagem de São José, padroeiro de Missão Velha. Em Mauriti, também na região do Cariri, a restauradora trabalhou detalhadamente na escultura de Nossa Senhora da Conceição, que fica no altar principal da Igreja Matriz. Um trabalho de restauração que a impressionou, segundo Armando, foi a imagem de Jesus Cristo crucificado na Catedral da Sé, no Crato. Havia quatro pinturas que escondiam uma obra de aproximadamente 200 anos.
Uma peça valiosa cujos traços lembram o trabalho de Aleijadinho — escultor, entalhador e desenhista mineiro Antônio Francisco Lisboa, considerado o maior expoente do estilo barroco nas Minas Gerais e das artes plásticas no Brasil.
Enquanto retocava imagens, quadros e outros objetos antigos, a egípcia se apaixonava pelo Cariri que, segundo afirma, é uma terra diferente. “Aqui a gente consegue conviver com a modernidade e o medieval. Os grupos folclóricos, os hábitos e costumes do povo nos remetem à antigüidade” diz a restauradora Gabi.Outro ponto que chamou a atenção da restauradora foi a arte caririense, a criatividade e o talento dos artistas regionais. Gabi ressalta também que o caririense é reservado, isto é, retraído, discreto, prudente e cauteloso no relacionamento com as outras pessoas.
Universo próprio
Maria Gabriela Federico nasceu no Cairo, capital do Egito, mas morou durante muito tempo em Roma, a “cidade eterna”. Depois, Gabi deixou o velho mundo, com mestrado em Restauração de Objetos Antigos, para esculpir o seu próprio universo no Brasil. Terminou escolhendo o Cariri, mais precisamente o Crato, para montar a sua oficina de sonho, criatividade e reconstituição do passado para viver o presente. Atualmente, mora na Praça da Sé, onde um dia o frei Carlos Maria de Ferrara, conterrâneo de seus pais, fundou a cidade do Crato, em 1745, construindo a primeira capela que tem como padroeira Nossa Senhora da Penha, restaurada por Gabi.
ANTÔNIO VICELMO, Repórter
HISTÓRIA
1745 é o ano em que Frei Carlos Maria de Ferrara fundou a cidade do Crato, onde construiu a primeira capela que tem como padroeira Nossa Senhora da Penha, restaurada por Gabi
Mais informações:
Casa de Artes Olhar
Praça da Sé, 91
Crato - Ceará
Restauradora Gabriela Federico
(88) 3521.1590

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

No limite nos encontraremos

Nem precisa dizer que já não é o mesmo, pois é redundância. Quem diz alguma coisa só pode dizê-la na seta do tempo. O Crato, Juazeiro e Barbalha já não são as mesmas. Mas a rigor nunca foram as mesmas para ninguém. Quando criança é um todo incontrolável, convivendo junto a mais velhos com lembranças de um prédio que não mais existe e com os muito velhos é queixume puro, nada é mais igual. Então façamos assim: ninguém procura o mesmo. Isso significa que, também, não pode procurar aquilo que continuamente se transforma. E em sendo assim, como fica o Crato, Juazeiro e Barbalha?

Aí é outra coisa. Estamos falando do ponto geográfico e desde que o homem é homem a terra nem se expandiu ou se atrofiou. As distâncias sempre foram as mesmas, todas as três cidades estão nos mesmo graus de longitude e latitude. É neste cruzamento das coordenadas que todos nós nos encontramos. Ontem mesmo o Dihelson passou um tanto apressado com a expressão de quem foi resgatar algum título. Até pensei em cumprimentá-lo, mas a concentração era tamanha que literalmente seria atrapalhá-lo nas lidas. E o Armando Rafael? De óculos escuro. Compreendo é o sol, como poderia enxergar a sombra em que me encontrava?

Muito bem, o Crato está aqui, Juazeiro bem ali e Barbalha na légua de beiço. Mas não pense em ser dono destas volúveis criaturas do mundo. Elas hoje já são muito de ontem e se encontram de olhos para o amanhecer. Com tais amores é preciso saber muito bem o que é o amor. Amar é aceitar as transformações do ser amado. Como é sábio entender, o amor não envelhece, ele nunca se acaba, a gente é que se finda, mas ele não. Se hoje elas quiserem a nudez de suas ruas largas, se desejarem um shortinho, uma tanga ou mesmo uma folha de pitanga, quem há de não olhar e se alegrar de ter um amor deste.

E nós temos muitas alegrias. Não é?

Notas da Semana

7 de Setembro há 70 anos
Esta foto – tirada no final da década 30 do século passado – mostra a Parada do dia 7 de Setembro na cidade de Crato. Abre o desfile o Tiro de Guerra 205. À esquerda, de terno branco e conduzindo na mão um chapéu, o Prefeito de Crato, Alexandre Arraes de Alencar. Àquela época, crianças e pessoas modestas se vestiam bem. Hoje tudo é diferente. Já a atual Rua João Pessoa é só poluição visual, com enormes e feias placas de propaganda. Ao fundo, o casarão branco assinala o início da estreita e pitoresca Rua Miguel Limaverde, que terminava na Praça da Sé. Na década 80, as casas com fachada de azulejos, existentes nessa rua, foram destruídas para alargamento da via, no maior atentado perpetrado até hoje contra o patrimônio arquitetônico de Crato.


Tradição mantida
Foi aberto nesta 6ª feira, dia 3, o 10º Encontro dos Ex-alunos do Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte. Na programação: Missa, palestras, apresentações artísticas, competições esportivas, lançamento de livros, festa dançante, dentre outros. O evento será encerrado no domingo, dia 7, com desfile de ex-alunos pelas ruas de Juazeiro do Norte.
Não há quem agüente
Até o final do mês teremos de suportar a propaganda eleitoral gratuita no rádio dos candidatos a vereador. Muitos, semi-analfabetos, dizem: “Eu sou Fulano de tal, canidato a vereador com númuro...” E haja promessas e besteiras. Outra coisa que incomoda são carros de som que percorrem as ruas das cidades com barulho ensurdecedor. Haja paciência!

Juventude conservadora 1
Nos dias atuais, o jovem brasileiro continua contestador, rebelde, engajado na política, simpatizante do socialismo, admirador de Che Guevara e liberal quanto à moral... Certo? Errado. Pesquisa feita pelo Datafolha e publicada sob o título Jovem, século XXI, em caderno especial da “Folha de S. Paulo”, em 27-7-08, mostrou o verdadeiro perfil do jovem brasileiro. Foram feitas 120 perguntas para 1.541 jovens (entre 16 e 25 anos) em 168 cidades do País. O resultado é a mais completa pesquisa do século, o mais completo perfil do jovem brasileiro neste século 21, abrangendo todas as classes sociais. A cobertura é nacional e inclui capitais e cidades do interior de todos os estados.

Juventude conservadora 2
Essa pesquisa apresentou dados muito significativos sobre o conservadorismo que domina hoje a mentalidade dos jovens brasileiros. Bem ao contrário do que costuma ser difundido na mídia, especialmente pelas novelas da televisão. Baseado nessa pesquisa, chegou-se à conclusão de que o jovem brasileiro de hoje dá mais valor a religião, estudo, trabalho e família do que há dez anos. E pensa de forma muito parecida com o restante da população sobre a descriminalização da maconha, a redução da maioridade penal, a pena de morte e a lei do aborto. Para especialistas, os jovens de hoje têm poucos conflitos com a geração anterior, gosta de se divertir e se preocupa, prioritariamente, com a inserção social e pela busca de um emprego.

Professor Teodoro
O deputado estadual Professor Teodoro Soares (que foi reitor da URCA) discursou na última terça-feira (2), na Assembléia Legislativa, sobre os 40 anos da Universidade do Vale do Acaraú (UVA). O deputado lamentou que a Universidade do Vale do Acaraú não tenha, ainda, sido federalizada. Para ele, o Estado do Ceará continua sendo "injustiçado" em termos de educação superior, já que o Sudeste – região mais rica do País – tem várias universidades mantidas pelo governo federal, e o Estado do Ceará tem apenas a UFC. "Já deveríamos ter, pelo menos, mais duas federais: a Universidade Federal Vale do Acaraú e a Universidade Federal do Cariri. Ter apenas uma universidade federal no Ceará é a lembrança de uma injustiça regional que tem se perpetuado. O CEFET e o campus avançado da UFC, não podemos negar, já são um grande avanço. Mas Sobral, assim como o Ceará, merece muito mais”.

Curtas
–Começou a funcionar, nesta sexta-feira, dia 06, o Restaurante Popular de Crato. Localizado no largo da antiga Estação do Trem (hoje Centro Cultural do Araripe), o restaurante oferece refeições a qualquer pessoa ao apreço de R$ 1 por prato. Alimentação saudável, balanceada e acompanhada por um nutricionista (...)
–Neste sábado, dia 6, Dom Fernando Panico ordenará – na Matriz de Nossa Senhora da Penha, em Campos Sales – um novo padre. Desta vez, receberá o presbiterado o diácono José Adauto dos Santos Alencar, pertencente à Congregação dos Servos do Coração de Jesus (...)
–E por falar em Dom Fernando Panico, sua agenda de compromissos já está lotada até meados de janeiro de 2009. Não resta, sequer, um único fim-de-semana livre para o Bispo de Crato (...)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

FAGNER TEM VOZ FRAUDADA EM CRATO

A falsificação da participação de pessoas ilustres em campanhas eleitorais chega no Cariri. No Crato, o candidato Walter Peixoto colocou em seu programa de rádio uma voz falsificada do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner.

A primeira falsificação aconteceu nos municípios de Granja e Acopiara, quando partidos colocaram no ar a imitação da voz da presidente da República Luís Inácio Lula da Silva.

No programa da Coligação O Crato é do Povo, aparece o locutor apresentando uma música feita por Raimundo Fagner, a pedido do deputado federal Ciro Gomes, em homenagem do candidato Walter Peixoto.

Por telefone e via e-mail, tanto o cantor Raimundo Fagner, quanto sua assessoria negaram qualquer gravação, música ou participação no programa de WP. Mais ainda, Fagner informou que não foi contatado por Ciro Gomes para fazer qualquer gravação.

Mensalão- FHC evitou impeachment de Lula


Do site da revista VEJA
31 de Agosto de 2008 10:48-->

Fernando Henrique Cardoso foi decisivo para evitar que um pedido de impeachment contra Lula chegasse ao Congresso em 2005, no auge do escândalo do mensalão. É o que afirmam o próprio ex-presidente, e os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça), ao jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com reportagem deste domingo do diário paulista, a mando de Lula, seus dois homens fortes pediram a FHC que aplacasse os ânimos da oposição quando as roubalheiras petistas saíram do controle do governo. Ele aceitou.
A intervenção velada do tucano só foi possível graças a uma proximidade que Lula manteve com Fernando Henrique durante todo o primeiro mandato e início do segundo – sempre por meio de Palocci e Thomaz Bastos. Palocci disse ao jornal ter se encontrado com o ex-presidente “pelo menos cinco vezes” – a última até quando já nem comandava mais a pasta da Fazenda. Thomaz Bastos, por sua vez, conversou por três horas com FHC em seu apartamento em São Paulo, no dia 26 de junho de 2005. Todos reconhecem ainda a existência de contatos telefônicos, muito mais freqüentes do que os encontros pessoais.
Na conversa com o ex-chefe da Justiça, o tucano concordou que um impeachment de Lula – à época uma ameaça real, com o célebre flagrante do “dólar na cueca” e a confissão do marqueteiro Duda Mendonça, que admitiu ter recebido no exterior pagamento pela campanha de Lula – tornaria o país “ingovernável”. Prometeu então acalmar a fatia da oposição que pedia a saída de Lula, desde que o presidente mantivesse a economia no rumo certo, como vinha fazendo até ali.
Cautela – Ao Estado, FHC explicou por que reagira desta forma: “Eu não fiquei contra o impeachment porque eles me pediram, mas porque sou muito cauteloso nessas questões. Na época, não havia condições políticas para sustentar um pedido de impeachment de Lula. Criaria uma cisão no Brasil”, explicou. E ainda completou: “Adversários políticos não devem ser tratados como inimigos.” Segundo o ex-presidente, ele sempre aceitou conversar secretamente com Palocci e Thomaz Bastos porque os dois ex-ministros têm “noção institucional” – elogio estendido por FHC a Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.

domingo, 31 de agosto de 2008

UM NOVO GOLPE DE ESTADO?

Golpe de Estado, em resumo, é a tomada do governo fora das regras de sucessão e manutenção do poder. No Brasil os golpes de Estado são conhecidos e suas práticas exaustivamente estudadas pelos historiadores. Normalmente estas rupturas de processo ocorrem sob tensões sociais, quando setores conseguem manipular a opinião pública numa escala em que a manutenção do poder se torna insuportável. Os exemplos mais clássicos foram a instalação da república, a revolução de 30, a deposição de Getúlio em 45 e o Golpe de 64. No entanto tentativas frustradas sempre ocorreram ao longo do século XX sendo a maior frustração aquela em que Getúlio suicida-se para desespero dos golpistas.

Não parece que o país reúna uma situação de tensão social que sustente uma ação golpista. No entanto a prática de levantamento da opinião pública é constante, especialmente através da mídia. Hoje o centro da tensão, no entanto, é política, especialmente a política que envolve a própria noção de Estado "Mostesqueiriano". O poder executivo ultrapassa os limites do poder legislativo através de medidas provisórias e o poder judiciário, através do STF ultrapassa simultaneamente os poderes legislativo e executivo. Voltou-se à república dos "sábios" dos "doutos" que sob o manto medieval de suas vestimentas, decidem sobre tudo, até sobre o território nacional. Agora sobre algemas, noutro dia sobre aborto e segue a substituição dos poderes.

Os presidentes do STF se tornaram, por isso mesmo, agentes de visibilidade dos poderes econômicos e político. O atual presidente Gilmar Mendes não passa um dia que se apresente como o verdadeiro detentor de todos os poderes. Hoje mesmo diz que chamará o presidente da república "às falas". Um coloquialismo de esquina que não honra quem pronuncia a frase arrogante e nem a liturgia do cargo. No mesmo dia os principais jornais do eixo Rio-São Paulo, abrem suas manchetes para o fato. Gilmar Mendes atua como correia de transmissão de uma reportagem da revista VEJA.

Correia de transmissão, o motivo deve ser esclarecido. A revista publica na edição de final de semana uma denúncia de ação ilegal de escuta pela ABIN. O Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres teriam sido grampeados. Fonte da notícia não esclarecido, documentação da matéria não apresentada, os órgãos denunciados desmentem a notícia. Então se trata de suspeitas e suspeitas devem ser resguardas para a investigação.

No entanto, é aí que o golpe, na velha prática histórica brasileira se manifesta. Toda a mídia que tem peso estampa e denuncia a ABIN. Gilmar Mendes puxa as orelhas do presidente de um outro poder. Provoca uma situação de confronto. No mesmo dia, o senador Heráclito Fortes, convoca uma tal de Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso. Uma comissão mista que já quer ouvir o Diretor da ABIN Paulo Lacerda e o General Jorge Félix. O presidente do Senado já se manifestou. Nesta semana tem golpe em todos os textos. Claro que haverá a manifestação do contragolpe, isso é sempre necessário nestas questões políticas.

Pelo que se pode vislumbrar, a operação pode ser mais provinciana. Como estão presentes personagens importantes das organizações Daniel Dantas, inclusive a VEJA, é possível que tudo se organize para derrubar Paulo Lacerda e atar os braços da Polícia Federal na investigação SATIAGRAHA. É possível, mas no Brasil golpe é fato recorrente. E de qualquer modo as instituições já estão combalidas, especialmente o Senado e o STF (este por excesso de protagonismo político).

Noticias do domingo


Resgatando a memória de Crato
O Cura da Sé, Padre Edmilson Neves Ferreira, está tentando junto à Prefeitura de Crato reaver a pequena imagem de São Fidelis de Sigmaringa, ora exposta no Museu Histórico. A imagem pertencia à Catedral, mas foi doada ao museu anos atrás. Para quem não sabe, São Fidelis de Sigmaringa foi declarado co-padroeiro de Crato, por Frei Carlos Maria de Ferrara, quando este erigiu a pequena capela de taipa, coberta de palha, dedicada a Nossa Senhora da Penha. Se conseguir a devolução, Padre Edmilson construirá, na catedral, um nicho para expor a imagem de São Fidelis. Já existe até um projeto nesse sentido – feito por Armando Lopes Rafael – que prevê um afresco (pintura sobre parede) com Frei Carlos de Ferrara e sua capelinha e apequena imagem do co-padroeiro de Crato. Até que enfim seria materializada a primeira homenagem ao fundador da cidade!
Aqui me tens de regresso...
Em maio passado, a OceanAir anunciou o encerramento de suas atividades no Cariri. Agora, a empresa aérea voltou atrás. Nos próximos dias reiniciará suas operações no Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes. Brevemente serão divulgados os novos vôos – e novos horários – da OceanAir, a partir de Juazeiro do Norte.

Só no Crato...
E a nota publicada neste site, sobre a cassação do nome da Rua Imperatriz Leopoldina, como patrona de uma rua de Crato teve repercussão com lances inimagináveis. Descobriu-se que existem em Crato 3 (três) ruas com o nome Orestes Costa (uma no Grangeiro; uma avenida ao lado da Grendene e a mais recente: substituindo o nome da primeira imperatriz, a quem o Brasil deve na prática sua independência política). Pois é! Enquanto isso, o maior benfeitor de Crato – Dom Vicente de Paulo Araújo Matos – não foi considerado digno de ter seu nome numa rua da cidade. Até onde vai a insânia dos nobres vereadores...

Bem-vindos
O jornalista Lira Neto – que está escrevendo nova biografia do Padre Cícero – desembarca no próximo dia 12 em Juazeiro do Norte. Vem participar da consagração (no dia 15 de setembro), da Basílica-Santuário de Nossa Senhora das Dores. Quem também virá a Juazeiro do Norte, com igual finalidade, é o jornalista irlandês Tom Henningan, correspondente do “The Sunday Times”, de Londres, no Brasil. Tom também escreve para o jornal “Irish Times”, de Dublin, Irlanda.

Na crista da onda
E por falar em Juazeiro do Norte, o jornal eletrônico “Juazeiro do Norte on line”, está publicando matérias resgatando as visitas de Presidentes da República a Terra do Padre Cícero. Foram seis visitas: Castelo Branco, Ernesto Geisel, José Sarney, Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva. Foi em Juazeiro do Norte, durante visita para lançar o projeto de saneamento da cidade, que Collor de Melo, republicanamente, disse que “tinha aquilo roxo”...

A Imperatriz Leopoldina


No início de 1817, a Arquiduquesa austríaca Leopoldina de Habsburgo chegava ao Brasil, para se casar com o herdeiro do Trono de Portugal, o futuro Dom Pedro I. A vida do casal demonstrou que havia poucos pontos em comum entre ela e D. Pedro. Era Dona Leopoldina a primeira pessoa com uma boa bagagem cultural com quem ele entrou em contato íntimo. Ela o excedia muito em educação e cultura: Falava francês e italiano, estudava o inglês e aprendia o português rapidamente. Ainda pintava retratos e paisagens e tocava piano com perfeição. Tinha grande inclinação pela natureza e pelas ciências naturais. Com muita dedicação colecionava coisas referentes às ciências naturais, sobretudo à mineralogia. No setor da flora, da fauna e mineralogia, adquirira apreciáveis conhecimentos (OBERACKER, 1985 : 156).

Dona Leopoldina veio com sua Corte, formada de médicos, zoólogos, botânicos e músicos. A eles devemos os primeiros estudos feitos sobre o Brasil, na área das ciências naturais. Deve-se, ainda, à Imperatriz Leopoldina a primeira floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca, existente na cidade do Rio de Janeiro. A essas virtudes, era possível acrescentar um senso político extremamente aguçado, uma notável capacidade de pressentir o momento da ação, e sugeri-la ao marido.

Vinha esse senso marcado por um acentuado amor, que desde logo desenvolveu, pela terra e pela gente do Brasil. Dona Leopoldina teve um papel decisivo na nossa independência. Em agosto de 1822, os brasileiros já estavam cientes que Portugal pretendia chamar D. Pedro de volta, rebaixando o Brasil, de Reino Unido para voltar a ser uma simples colônia. Com a eminência uma guerra civil que pretendia separar a Província de São Paulo do resto do Brasil, D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência e partiu para apaziguar São Paulo.

Neste ínterim, a Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil e, sem tempo para aguardar a chegada de D. Pedro, Leopoldina, aconselhada pelo Ministro das Relações Exteriores José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de Setembro de 1822 com o Conselho de Estado, assinando o Decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal. José Bonifácio convocou o oficial de sua confiança, Paulo Bregaro, para levar a sua carta e a de Leopoldina para D. Pedro em São Paulo. Bregaro encontrou-se com o Príncipe e a sua comitiva nas margens do riacho Ipiranga no dia 7. Ao ler as cartas sobre os acontecidos no Rio, D. Pedro, referendando a medida tomada pela Princesa Regente, proclamou a Independência do Brasil.

Enquanto se aguardava o retorno de D. Pedro ao Rio, a Princesa Leopoldina, já como a primeira governante interina do Brasil Independente, idealizou a Bandeira do Brasil: Com o verde da família Bragança e o amarelo ouro da família Habsburg. A Princesa Leopoldina assinou o Decreto da Independência, separando o Brasil de Portugal em 2 de setembro de 1822, mas temendo uma repercussão negativa, por ela ser austríaca, José Bonifácio aconselhou-a a deixar o anúncio do decreto assinado a cargo de D. Pedro, este proclamou em 7 de setembro de 1822 o Decreto da Independência assinada pela Princesa Regente. Leopoldina dedicou seu trabalho à construção do Império do Brasil, depois da Coroação de D. Pedro, o casal visitava repartições públicas, inspecionava a alfândega e hospitais.

Morreu no dia 11 de dezembro de 1826, longe de seu país e de seu marido. Quando os sinos das igrejas e os canhões das fortalezas anunciaram sua morte, a população em massa foi prestar sua homenagem a Imperatriz, que era extremamente bem quista. Mulher de educação esmerada, à frente de seu tempo, de fino trato com as pessoas fizeram dessa mulher uma das personagens mais queridas do Brasil no início do século XIX.

sábado, 30 de agosto de 2008

Cariri vai ganhar sua Basílica Menor no próximo dia 15 de setembro

N. Sra. das Dores

500 mil fiéis devem participar da romaria


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Todos os dias serão realizados devocionário e louvores, missas, confissões e caminhadas com os fiéis pelas principais ruas de Juazeiro do Norte (Foto: Elizângela Santos)

A elevação de Santuário Diocesano à Basílica Menor será um dos grandes momentos marcados para o evento

Juazeiro do Norte. Começa amanhã, com uma grande carreta saindo da Matriz e percorrendo as principais ruas do Centro de Juazeiro do Norte, às 8 horas, uma das maiores romarias do ano, a de Nossa Senhora das Dores, padroeira do município, carinhosamente chamada pelos fiéis de “Mãe das Dores”. Este ano, em virtude do período eleitoral, estima-se a participação até o dia 15, dia da grande festa, de cerca de meio milhão de pessoas. O evento abre o calendário das grandes romarias. A elevação de Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores à Basílica Menor, a segunda no Estado do Ceará, será um dos grandes momentos deste ano.

A Procissão das Bandeiras acontece no final da tarde, saindo da Rua do Horto. É um ato tradicional, em que os fiéis percorrem a pé o trajeto do Horto até o Santuário Diocesano. Às 18h30 está previsto o hasteamento das bandeiras.

A missa de abertura, às 19 horas, será presidida pelo padre Paulo Lemos. Todo um trabalho de organização para início do calendário das grandes romarias começou no final de julho. A meta é poder dar um suporte maior no atendimento aos visitantes.

Os serviços de saúde e segurança, conforme o secretário de Turismo e Romaria, Felipe Figueiredo, serão ampliados. Um posto de saúde, próximo ao Santuário, estará aberto até às 22 horas. Os serviços de plantão nos hospitais também estarão preparados durante o período. Para o padre Paulo Lemos, administrador do Santuário, este será um momento histórico para a Igreja. Ele afirma que todos os preparativos estão sendo ultimados nesse sentido e a população católica preparada para este momento. O tema escolhido para este ano será “De capelinha a Santuário, a Matriz dos romeiros agora é Basílica Menor”. A Igreja comemora a bênção do Papa Bento XVI, com a elevação do Santuário à Basílica Menor.

Programação

Todos os dias serão realizados devocionário e louvores, missas, confissões e caminhadas. De 12 a 14, datas de maior fluxo de visitantes de outros Estados, serão realizadas missas dedicadas aos romeiros, com o tríduo. Confissões antes das santas missas e de forma intensiva acontecerão diariamente. O dia de oficialização da Basílica Menor de Juazeiro acontece na data da grande procissão, às 16 horas, nas principais ruas da cidade.

SAIBA MAIS

Programação

Todas as noites serão realizados Devocionário Mariano, Missas, pregações, noitários, diversas homenagens, quermesses, leilão, e shows religiosos. Após as missas do tríduo da romaria, terá animação com Show do Chapéu com os grupos Sal da Terra, Javé-Yré (Sagrada-Face), Jota Farias, João Cláudio Moreno e outros.

Carreata

A partir das 8h, acontece carreata com a imagem de Nossa Senhora das Dores pelas ruas da cidade, saindo da Igreja Matriz. Por volta das 17h30, terá saída da Procissão das Bandeiras, com início na Rua do Horto, 146.

Noitários

Os noitários acontecem no Setor VII (Padre Cícero), Pastoral da Saúde, Consciência Negra, Grupo Santa Clara, São João Batista, Infância Missionária, Poço de Jacó, catequese em geral. A partir das 18h30 terá o hasteamento das Bandeiras. Às 19h, será celebrada a Missa de Abertura da Festa da Padroeira, presidida pelo padre Paulo Lemos.

Encerramento

Às 9h, do dia 15 de setembro, será realizada a oficialização do Título de Basílica Menor para o Santuário Diocesano Mãe das Dores. Ao meio-dia, acontecerá a despedida dos romeiros de Juazeiro do Norte. No fim da tarde, acontecerá a grande procissão, Festa com Orações, benção e também show pirotécnico.

Mais informações:
Romaria N. Senhora das Dores
Secretaria de Turismo e Romaria
Memorial Padre Cícero
Juazeiro do Norte (CE)
(88) 3511. 4040