Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O outro lado da rua

Muito diferente da outra margem do rio. Nos rios o caudal das águas pode representar uma dificuldade de trânsito entre uma margem e outra. No entanto, as margens são a unidade partida do mesmo terreno. O universo de um lado ou outro é o mesmo. Quando os rios são muito largos, quase um oceano, os animais e as plantas podem ter algumas diferenças, mas tendem, no geral, à mesma composição de vida e hábitos. No Ceará, então, os rios que secam somam as margens num mesmo território.

As ruas, no entanto, têm outro lado bem nítido. Muito cedo, vindo da zona rural, aprendi tamanha diferença. Na Rua Santos Dumont. No lado para o nascente me hospedava com freqüência e ali era o meu habitat. Conhecia todos os cômodos, a calçada e, o mais importante, as pessoas que nele viviam eram extensões de mim (ou era eu delas). Comíamos e dormíamos sob o mesmo teto, fazíamos nossas programações coletivamente e falávamos sobre nós mesmos. Os nossos sonhos eram semelhantes.

Já no outro lado da rua, assim evidenciava-se, a natureza era bem distinta. Outro território, outros sonhos, outros estilos, outras famílias. Não era o mesmo com os vizinhos do lado, pois esses estavam na mesma ligadura da calçada e, das janelas e portas, não os víamos. No outro lado da rua, no entanto, era outro visível, pessoas entrando e saindo, crianças na calçada com brincadeiras assemelhadas às nossas, mas assim observadas e não praticadas coletivamente, eram um tanto diferentes.

As entranhas do habitat no outro lado da rua eram vistas em penumbra. Por isso mesmo mais plenas de desconhecidos. E o mais curioso de tudo, o outro desaparecia no labirinto do outro lado da rua e só depois, muito depois, por vezes, chegava com sua luz às pupilas dos olhos do lado de cá. Agora lembro: era a família de Antonio Aragão. Se, num pátio ou na sala de um colégio, na vizinhança do cinema ou na praça, se igualava mais. No outro lado da rua era mais nitidamente outro.

O outro lado da rua despertava o respeito pela independência da vida que levava, especialmente postas como imagens de nossas visões. O modo de tramar o arranjo de cada minuto demonstrava o senso de liberdade dos fatos vistos e incompatíveis de julgamento. Embora a língua ferina da vizinhança seja a chama do conflito diário, não foi aí que o senso se estabeleceu: o outro lado da rua tinha um modo tão próprio e diferente do lado de cá, que meu lado ficou muito maior do que seria caso o outro lado não existisse.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um tema atual



MANUAL DO PETISTA EMPEDERNIDO
Por Gravataí Merengue
Você é um petista sem muito senso crítico? Você é daqueles que chega ao ponto de negar até mesmo a existência do Mensalão? Você não cede um milímetro, nem quando rola flagrante, com direito a filmagens, gravações, narração de Sílvio Luiz e comentários de Juarez Soares?
Então preste atenção nas dicas deste Manual:
1 - Negue
Como diria Maria Bethânia: Negue! Tem foto? Ah, você duvida. Filmagem? Bah, quem acredita nisso? Confissão? Xi... Certeza que forçaram o cara a dizer aquilo ou há algum interesse espúrio. A tática da negação é usada há séculos e você não pode ficar fora dessa! Aliás, você NÃO FICA fora dessa.
2 - Culpe a Imprensa
Ok, não dá para simplesmente "negar"? Então não fiscalize o fato, mas sim a imprensa. Se a denúncia é contra o PSDB/DEM, você divulga o escândalo e discute o caso em si; quando a denúncia é contra o PT, você discute a forma como a imprensa trata os acontecimentos. Um truque e tanto, não?
3 - Eleições
Uma forma de refutar acusações consiste em algo relativamente simples: diga que se trata de época eleitoral, ano eleitoral... E mesmo quando estamos em "anos ímpares", você pode dizer que é um aquecimento para o ano eleitoral vindouro. Não falha nunca! O Maluf sempre usa essa tática - usá-la seria uma forma dos petistas prestigiarem o talento estratégico desse aliado.
4 - Eterna Vítima
O PT está no Governo Federal. O PT controla os principais fundos de Pensão. O PT controla a Petrobrás. O PT é, portanto, o controlador de boa parte da grana nacional. MESMO ASSIM, toda e qualquer manifestação contra o partido deve ser vista como uma ameaça à população carente, uma agressão aos desprotegidos, um insulto aos descamisados etc etc etc.
5 - Teorias Conspiratórias
Este tópico é mais ou menos como o anterior, mas o PT não se vale apenas do eterno papel de vítima, mas também da capacidade criativa de seus dirigentes associada à receptividade mental de seus seguidores. Se foi possível convencê-los de que Fidel Castro é firmeza, convenhamos, é café pequeno contar alguma historieta do arco da velha para cercar os lourenços com estrelas vermelhas no peito.
6 - Adote "Teses Inimigas"
FHC, nos seus oito anos de Governo, montou uma base aliada um tanto "heterodoxa", bem como usou expedientes não exatamente republicanos para aprovar a Emenda da Reeleição. Na época, os petistas saíam às ruas com faixas "FORA FHC" (sem vírgula e sem exclamação, pra ficar uma coisa mais autêntica). O que faz o PT no poder? A mesma coisa. E como se defende? Entre outras baboseiras, usando as mesmas teses: "governabilidade", "todo mundo sempre fez isso" etc.
7 - Neoliberalismo "de Esquerda"
O PT usa políticas assistencialistas (uma invenção do fascismo), adota táticas não exatamente meigas para compor sua base governamental, mete-se em todo tipo de escândalos e AINDA POR CIMA emprega exatamente a mesmíssima política econômica anterior. Mas não há neoliberalismo. Por quê? Porque... HÁ MAIS ASSISTENCIALISMO! A desculpa do PT para não se dizer "de direita" consiste em defender os programas de origem fascista (não é piada nem sacanagem, a origem É MESMO FASCISTA). Em suma: para não se dizer "neodireita" os petistas endossam um programa da direita mais extrema, antiquada e autoritária. E o mais engraçado é que os programas JÁ EXISTIAM, e foram obviamente ampliados e melhorados.
Importante: Toda e qualquer opinião, manifestação ou mesmo piscadela oposicionista deve ser chamada de "golpista". É contra o Lula? Então é golpista. Simples assim. Eu sei que vocês andaram com faixas de "FORA FHC" (com essa pontuação, mesmo). Mas dane-se. Quem é contra FHC é democrata, quem é contra Lula é golpista.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vigário do Opus Dei vem ao Cariri


O Vigário da Delegação da Prelazia do Opus Dei no Rio de Janeiro, Monsenhor Pedro Barreto Celestino, estará no Cariri neste final de semana. Ele vem participar das comemorações do centenário de nascimento de seu pai, o empresário Antônio Corrêa Celestino. No próximo domingo, dia 7, Monsenhor Pedro celebrará, na Igreja-Matriz de Santo Antônio, em Barbalha, missa gratulatória em sufrágio da alma do seu genitor. À noite, no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, haverá a solenidade de lançamento do livro “Antônio Corrêa Celestino”, coletânea de depoimentos sobre a vida do empresário caririense.
Quem é
Monsenhor Pedro Barreto Celestino – o primeiro brasileiro a ser ordenado padre no Opus Dei – nasceu em Juazeiro do Norte, filho de Antônio Corrêa Celestino e Luscélia Barreto Celestino. É Doutor em Ciências da Educação e em Direito Canônico pela Universidade de Navarra, Espanha. Ordenado em 1971 trabalhou na Pastoral Universitária, em São Paulo, até 1990, quando foi transferido para o Rio de Janeiro.
É autor do livro “Os Anjos”, já em terceira edição, que foca esses seres espirituais, patrimônio teológico-cultural da Igreja Católica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

FEBRE AFTOSA




O gerente regional da EMATERCE no Cariri, Adonias Sobreira informa que a Região já atingiu mais de 90% da cobertura vacinal da campanha contra a febre aftosa. O maior problema é no município de Missão Velha, que atingiu apenas 70% da meta. O alerta é grave e vale para todos os produtores: a cobertura vacinal é obrigatória e deve ser feita para que o Estado do Ceará possa comercializar carnes e derivados sem problemas, já que as barreiras sanitárias existem e são feitas em estados como Pernambuco. Se os animais não estiverem vacinados e forem detectados problemas da febre aftosa nos animais o Ceará fica prejudicado na comercialização de carne, leite e outros produtos, com diversos estados brasileiros.

DOCE NATAL



Com o slogan "No Cratinho de Açúcar todo mundo é irmão" o projeto da Prefeitura Municipal do Crato, Doce Natal, começa a desenvolver seus trabalhos para a promoção de um Natal cheio de luz, paz, generosidade e fraternidade. Serão realizadas ações no intuito de arrecadar brinquedos, divertir e, sobretudo, promover a fraternidade que há no coração da população cratense. Em suma, serão atividades que arrecadarão brinquedos para um Feliz Natal para todas as crianças cratenses. Ações como a Doce Ilha Solidária, Doce Malhação, Doce Saúde, bem como o Mão Amiga, que realiza visita em hospitais, creches e ONGs. Dentro da programação do Doce Natal, a Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, apresenta hoje o Doce Canção, a partir das 21h com um show de Geraldo Juinior e Banda,com o legitimo Forró Pé de Serra. O show será no Café Estação, localizado no Centro Cultural do Araripe, no Largo da RFFSA. O Couvert artístico será um brinquedo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

COMPRAS? FAÇA AS CONTAS


Dezembro se aproxima e com ele as festas do final do ano. Natal e Ano-Novo fazem deste mês um dos mais rentáveis para a indústria e comercio. Todos os anos, este é o período onde são oferecidos empregos temporários nos dois setores para dar conta das encomendas e atendimento. A economia se aquece e o pagamento do 13º e, possivelmente, da remuneração das férias trazem um “gás extra” ao bolso do trabalhador. Mas o que fazer pra não estourar o orçamento? Como calcular até onde podemos ir com os gastos de fim de ano? Quanto reservar para as despesas do início do ano?

No mês que montamos a árvore de natal e encomendamos o peru, parecemos inebriados com a euforia das festas e, muitas vezes, esquecemos de pensar no quanto precisamos reservar do orçamento para a virada do ano. Material escolar das crianças, matrícula do colégio, licenciamento e seguro do carro, gastos de viagem como passagens e hospedagens são algumas das despesas que representam um grande impacto no orçamento doméstico, de janeiro de cada ano. O problema é ainda maior quando, por razões diversas, o cidadão comum acumula dívidas e vê-se em situação difícil. Como diz o ditado popular: além da queda, coice! A solução parece ser uma só: planejamento!

No primeiro caso, o melhor é fazer as contas. Some tudo que tem que pagar (contas) e comprar (presentes), veja se dispõe do montante nas datas. Dê prioridade às contas. Assim o restante poderá ser usado de acordo com sua disponibilidade e ordem de prioridades. Se o seu caso é o segundo (você devedor), a sugestão é usar o 13º no abatimento total ou parcial da dívida. O que restar dela deve ser negociada e dividida em parcelas. Caso isso não seja possível, fuja dos juros altos dos cartões e parta para um empréstimo que usará no pagamento das dívidas, de preferência no banco que oferecer os juros mais baixos, sempre com parcelas dentro da sua capacidade de pagamento.

Este texto não se trata de uma apologia ao “anti-consumo”. Trata-se de um apanhado de sugestões de ações, simples, de grande impacto na saúde financeira da família. É fundamental que a cultura do planejamento financeiro faça, cada vez mais, parte da educação de todos. O Brasil crescerá ainda mais. Acompanhar e registrar as despesas, poupar, aplicar bem os vencimentos, e principalmente, não comprar (gastar) o que não se pode pagar, diminuirá a inadimplência e suas terríveis conseqüências: endividamento e desemprego.

Compras? Sim! Depois de fazer as contas.

Dimas de Castro e Silva Neto
Mestre em Gerenciamento da Construção pela University of Birmingham
Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A CONSCIÊNCIA DO EXPLORADO

No que se refere aos séculos do capitalismo, muitos adjetivos foram agregados. Especialmente em razão dos efeitos sociais e culturais de sua economia. Os adjetivos foram aplicados em momentos históricos definidos, mas hoje se fundiram numa mesma massa conceitual. Oprimidos, perseguidos, explorados, discriminados, exterminados, dominados e tantos que se encontram no nosso imaginário. Afinal o efeito da fome, os famélicos da terra, tomando consciência de sua situação na escala real do mundo. Na escala dos arranjos econômicos, a escala nas quais tomam consciência de serem explorados.

Não interessa que seja esta a consciência de um negro discriminado, de uma mulher jogada pela janela por um macho dominador, uma criança de rua apedrejada. Da mesma massa conceitual se encontra a consciência de ser índio como resposta a este rolo compressor que soma uma falsa idéia do progresso humano com as motoserras a gerar vazio. Afinal são todos os efeitos de uma mesma e única forma universal de gerar riquezas e acumular capitais.

Não se imagine que uma consciência seja um simples lampejo. Que de repente assoma a percepção do oprimido. Pelo contrário, a pedagogia do oprimido, a pedagogia que supera a opressão, é um processo que envolve simultaneamente o fim do opressor externamente e no interior do oprimido. O opressor se agrega ao comportamento do oprimido, não como consciência crítica, mas como aceitação de uma espécie de realidade imutável. Por isso, dias nacionais que refletem a consciência da opressão, da discriminação, fazem parte de um processo de superação que se diga é histórico e pleno de subterfúgios.

Se observarmos a realidade das lutas contra a segregação racial nos EUA durante os anos 60, no seu eixo se encontravam os direitos sociais. Aliás, os direitos sociais, uma grande conquista da era das revoluções sociais na Europa, dos partidos comunistas e trabalhistas, agregaram à democracia um valor novo, de universalidade, bastante compatível com uma sociedade complexa, industrial e urbana. Isso é tão profundamente importante que o atual conceito de democracia já inclui os direitos sociais como essenciais a ela.

Quando se levantam dúvidas a respeito das questões da discriminação, do explorado, do oprimido, há por trás, sempre, uma visão política de mundo. Baseada na permanência e não na superação das desigualdades. Por isso mesmo é que no mesmo diapasão da bulha contra os direitos humanos se encontra a crítica aos direitos sociais. Esse é o processo em si de superação histórica de um país como o nosso em que o oprimido carrega a opressão em sua alma; o preconceito e o desconhecimento desfoca a realidade.

Mas nada impede que amanhã uma voz ainda vocifere contra os direitos humanos dos bandidos e contra as cotas raciais para negros. A alternativa é ampliar a consciência social da igualdade humana.

Vem aí o 5º Berro Cariri



Na foto, abertura do 2ºBerro Cariri,
em 2005. Da esquerda para a direita:
o Reitor da Urca, André Herzog, Governador
Lúcio Alcântara e o criador do evento,
Prof.Francisco Cunha
A cidade de Crato será sede – no período de 4 a 7 de dezembro – no Parque de Exposição Pedro Felício, a quinta edição do Berro Cariri, uma feira que vem sendo realizada desde 2004 objetivando incrementar o setor da ovinocaprinocultura regional.Serão priorizados as cadeias produtivas da ovinocaprinocultura, apicultura e mandiocultura. A novidade deste ano fica por conta da introdução de bovinos e de pequenos negócios rurais. Agentes financeiros, como Banco do Nordeste e Banco do Brasil estarão com agências para financiar venda de animais e produtos agrícolas.A 5ª edição do Berro Cariri será aberta às 17 horas do dia 4 de dezembro, com apresentação de retreta com a Banda de Música Maestro Azul do Crato. Na programação cultural estarão ainda, apresentações de reisados, festival de violeiros e shows com Joãozinho do Exu, Flávio Leandro, Epitácio Pessoa e Herdeiros do Rei.


A razão do nome
O nome BERRO CARIRI foi idéia do saudoso Monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto. Este, ao ser comunicado – pelo Prof. Francisco Cunha, em 2004 – da iniciativa da Universidade Regional do Cariri–URCA em promover uma Feira Regional da Ovinocaprinocultura, lembrou uma carta do Padre Cícero Cícero (dirigida ao deputado Floro Bartolomeu) onde o sacerdote dizia: “O Cariri precisa continuar “berrando” na busca da solução dos seus problemas”...O prof. Cunha não teve dúvidas: O nome da Feira será BERRO CARIRI!
E assim foi da 1ª a 5ª versão que será realizada de 4 a 7 de dezembro de 2008.


O Cariri
A Região do Cariri é um verdadeiro oásis, encravado nos adustos sertões do centro nordestino. A diferença altitudinal da Chapada do Araripe, associada a Massa de Ar da Zona de Convergência Intertropical garante uma maior precipitação pluviométrica, que associada a solos férteis, permite o desenvolvimento de uma agricultura e pecuária com grande potencial de crescimento.As condições edafoclimáticas são propícias ao desenvolvimento de uma pecuária de pequeno porte, onde a ovinocaprinocultura se apresenta como uma alternativa de grande potencial para a região.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Conhecendo a história do CaririJosé Martiniano de Alencar


(Matéria publicada no jornal O POVO em 29/12/1994)

1994 é o ano do bicentenário do pai de José de Alencar


Há dois séculos nascia uma personalidade que marcou por 50 anos a política local e nacional. Filho da revolucionária Bárbara de Alencar e pai do consagrado autor de “Iracema”, José Martiniano de Alencar era republicano e, já aos 23 anos, foi um dos responsáveis pelo movimento que proclamou no Crato um governo revolucionário.
Tão marcante quanto controvertida, a figura pública de José Martiniano de Alencar deixa dúvidas para a posteridade. É acusado de ter sido covarde – teria negado no seu julgamento a participação no movimento do Crato, imputando a seu irmão Tristão Gonçalves todo o erro. Já o seu sobrinho, o conselheiro Tristão Araripe, em artigo publicado no “Diário de Pernambuco”, afirma que Alencar contestou a utilidade do movimento “ponderando os perigos do desmembramento do Império e da aceitação do princípio democrático puro”, mas convencido pelo irmão tomou parte na revolução e jamais negou a autoria dos próprios atos. Segundo essa versão, o acusado foi absolvido por pessoas influentes na política da época que lhe reconheceram a moderação e os serviços prestados à causa pública como deputado constituinte.
Controvérsias à parte, José Martiniano de Alencar conseguiu de alguma forma voltar às boas com o poder político da época já em agosto de 1834 é o nomeado o sétimo presidente do Ceará e em 1841 assume cadeira no Senado. Nessa época, apresentou um projeto que foi motivo de grande polêmica. Queria dividir o Ceará e criar nova província, o “Cariri Novo”, mas segundo o historiador José Aurélio Saraiva Câmara o verdadeiro objetivo era diminuir a zona de ação dos seus adversários e implantar um império próprio no Sul da província. Nomeado novamente presidente do Ceará, esquece o projeto – não tinha interesse de dividir a província e diminuir seu poder. Quando destituído da presidência do Ceará, em 1837, José Martiniano de Alencar segue com a família para o Rio de Janeiro, onde morre 23 anos depois, aos 65 anos, vítima provavelmente de infecção tifóide.

Centenário de Antônio Corrêa Celestino

FAMÍLIA DE ANTONIO CORRÊA CELESTINO,

E

PREFEITURA MUNICIPAL DE BARBALHA,
PREFEITURA MUNICIPAL DE JUAZEIRO DO NORTE,
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE JUAZEIRO DO NORTE,
CLUBE DE DIRETORES LOJISTAS DE JUAZEIRO DO NORTE,
SINDICATO DOS LOJISTAS DO COMÉRCIO DE JUAZEIRO DO NORTE,
ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AFILHADOS DE JUAZEIRO DO NORTE,
CENTRO CULTURAL OBOÉ,
MEMORIAL PADRE CÍCERO.

Convite

A Família Celestino e as instituições acima nomeadas têm a honra de convidar V. Sa. e família para a Comemoração do Centenário de Nascimento de

Antonio Corrêa Celestino

O Evento será realizado com a seguinte programação:

Fortaleza – dia 4 de Dezembro de 2008 (Quinta-feira):
20:00 h – Lançamento do livro Antonio Corrêa Celestino, no Centro Cultural Oboé, à Rua Maria Tomázia, 531 - Aldeota.

Barbalha – dia 7 de Dezembro de 2008 (Domingo):
10:30h – Missa Gratulatória, celebrada por Mons. Pedro Barreto Celestino, na Igreja-Matriz de Santo Antonio;

Juazeiro do Norte – dia 7 de Dezembro de 2008 (Domingo):
20:00h – Sessão Comemorativa do Centenário, com o lançamento do livro “Antonio Corrêa Celestino”, no Memorial Padre Cícero.

Durante os lançamentos mencionados, a obra será distribuída entre os convidados.

Todos, antecipadamente, agradecem.

Oeiras, Sul do Maranhão e Tocantins (1)

Durante uma semana percorremos terras do Piauí, Maranhão e Tocantins. Ao final, uma constatação: o interior do Brasil é mesmo muito bonito e merece ser visitado. Divido com os leitores algumas observações constatadas dessa viagem.

O Piauí teve origem em Oeiras
A antiga Vila da Mocha – depois batizada por Oeiras – foi a primeira cidade e primeira capital do Piauí. Isso perdurou de 1758 até 1852, quando o então Presidente da Província, José Antônio Saraiva, tomou a iniciativa de transferir a capital do Piauí para a Vila Nova do Poti, localizada entre este rio e o Parnaíba, que recebeu o novo nome de Teresina, em homenagem a Imperatriz Teresa Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II.O exemplar mais importante da antiga arquitetura de Oeiras é a catedral de Nossa Senhora da Vitória, (foto ao lado) concluída em 1733, como atesta a inscrição existente na porta da nave: HOC EST DOMUS DOMINI – FIRMITER AEDIFICATA ANNO DOMINI 1733. Na cidade existem ainda outras construções remanescentes do período colonial, como duas igrejas históricas: a de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a de Nossa Senhora da Conceição, mas ambas sofreram – ao longo do tempo – profundas descaracterizações.





Sul do Maranhão
A região Sul do Maranhão é uma das principais produtoras de soja do país. Nos últimos tempos, imigrantes gaúchos, paranaenses, mineiros e paulistas introduziram técnicas modernas de exploração agrícola e pecuária, que impulsionaram o desenvolvimento daquela região. Disso resultou o Pólo Agrícola Mecanizado de Balsas, o Pólo Siderúrgico de Açailândia e a consolidação da cidade de Imperatriz como pólo comercial e de prestação de serviços. Existe até uma corrente defendendo a criação de um novo Estado no Brasil: o Maranhão do Sul, que compreende uma área de quase 150 mil quilômetros quadrados, o que o tornaria o quinto maior Estado nordestino, com área territorial maior do que a de outros cinco da mesma região: Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe. Sua população seria de pouco mais de 1,4 milhão de habitantes, distribuída por 49 Municípios, tendo como capital a cidade de Imperatriz.
No centro-sul do Maranhão fica localizado o parque Nacional da Chapada das Mesas (foto ao lado), com uma área de 160 mil hectares, abrangendo terras dos municípios de Carolina, Estreito e Riachão. O parque, criado em dezembro de 2005, está inserido nas metas dos órgãos ambientais em aumentar áreas protegidas do bioma Cerrado. A região desta nova chapada ainda apresenta uma riqueza enorme em espécies vegetais e animais e segundo especialistas, a criação destas unidades é uma corrida contra o tempo para salvar grandes remanescentes do cerrado brasileiro.

Outra beleza do Sul do Maranhão é o Rio Tocantins, (ver foto ao lado clicada no Por-do-Sol) navegável, com 2.416km de extensão, que corre no sentido de Sul para Norte, ligando a Amazônia ao Planalto Central, onde nascem os seus dois formadores: O Rio das Almas, oriundo da serra dos Pirineus (Goiás), e Maranhão, da Serra Geral do Panará. O Tocantins atravessa os Estados de Goiás e de Tocantins, separando este último, no extremo norte, do Maranhão.
Oportunamente escrevei sobre o Estado do Tocantins.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Restos mortais de bispos cratenses serão exumados


Os despojos dos três primeiros bispos da diocese de Crato – Dom Quintino, Dom Francisco e Dom Vicente – que se encontram sepultados em locais dispersos na Catedral de Nossa Senhora da Penha (foto acima) serão exumados no próximo dia 6 dezembro.
Em seguida, os restos mortais desses prelados serão sepultados na Capela da Esperança, ora em construção na catedral de Crato. Antes da inumação haverá a celebração de uma missa a ser presidida por Dom Fernando Panico, atual bispo diocesano.

Os bispos

Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, cearense de Quixeramobim, foi o primeiro bispo de Crato. Ele governou a diocese por 14 anos (1916-1929) e foi o responsável – dentre outras iniciativas – pela reabertura do Ginásio São José, com o nome de Ginásio Diocesano. Criou a Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus e o colégio com o mesmo nome. Fundou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri. Dom Quintino foi, ainda, o pioneiro do ensino superior no interior do Ceará, ao reabrir, em 1922, o Seminário São José, dotando-o dos cursos de filosofia e teologia, nos quais os novos padres recebiam a licenciatura plena.

Capela de Santa Teresa de Jesus
construída por Dom Quintino

Dom Francisco de Assis Pires, baiano de Salvador, segundo bispo de Crato, governou a diocese por 37 anos, de 1932-1959. Dom Francisco dotou a diocese de vários empreendimentos, dentre os quais se destacam o Hospital São Francisco, Colégio Diocesano, Patronato Padre Ibiapina (hoje sede da reitoria da Urca), Palácio Episcopal, Liceu Diocesano de Artes e o jornal "A Ação" que circulou até a década 70.


O terceiro bispo, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, (foto abaixo) cearense de Itapagé, chegou a Crato em 1955, como bispo - auxiliar, permanecendo até 1992, ou seja, por 37 anos. A ele a diocese deve, dentre várias iniciativas, a criação da Fundação Padre Ibiapina, da Faculdade de Filosofia de Crato (embrião da atual Universidade Regional do Cariri), dos Colégios Madre Ana Couto e Pequeno Príncipe, dos sindicatos de trabalhadores rurais nos municípios do Sul do Ceará, da Escola de Líderes Rurais e Organização Diocesana de Escola Profissionais, além da construção do Centro de Expansão que hoje leva o seu nome.

Relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque percorrerão a diocese de Crato







A diocese de Crato recepcionará, no próximo dia 26 de dezembro, as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, ora percorrendo as dioceses brasileiras em peregrinação. Essas relíquias – um ossário que contém vários fragmentos de ossos e uma parte do tecido cerebral, que se conserva incorrupto, por mais de 300 anos – serão recepcionadas inicialmente na Catedral de Nossa Senhora da Penha.
A peregrinação que vem percorrendo diversos países partiu da França, onde Jesus apareceu à Santa, no século XVII. Conforme Dom Fernando Panico, bispo de Crato, “O objetivo da peregrinação das relíquias da santa é despertar no povo essa devoção e preparar o Brasil para ser consagrado ao Coração de Jesus”. No Cariri, segundo Dom Fernando, essa devoção já está bem arraigada e faz parte da cultura católica nos 32 municípios que formam a diocese de Crato, todos possuidores da associação de fiéis do Apostolado da Oração.
Para o Cura da Sé Catedral, Padre Edmilson Neves, “As peregrinações contribuem para fazer conhecer a mensagem do Coração de Jesus no mundo, que é uma mensagem de paz, amor e reconciliação, além de reavivar a fé dos cristãos no profundo Amor do Divino Coração pela humanidade”.

Quem foi a Santa
Santa Margaria Maria Alacoque era francesa, nasceu em 1647 e acreditava que sua missão era dar impulso à devoção ao Sagrado Coração. Ela morreu no dia 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi beatificada no dia 18 de setembro de 1864 e canonizada no dia 13 de maio de 1920.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

CIDADÃO COMUM: REFLEXÕES SOBRE A CRISE

A população mundial foi surpreendida, há pouco mais de um mês, por uma crise financeira mundial sem precedentes. Para o mercado financeiro americano, uma crise esperada visto que, via de regra, banco que não recebe pagamento de seus empréstimos não paga suas contas e: quebra! Mas o que não se esperava era o efeito dominó. Pelo menos nestas proporções. Nós, felizes cidadãos comuns brasileiros, fomos pegos de surpresa.

A “moda” de investir em ações tem pouco tempo, pelo menos para, a pura, classe média brasileira acostumada a aplicar suas economias em caderneta de poupança, ou arriscar-se em alguma aplicação de médio prazo. Lembro que, no início, muitos se gabavam de terem adquirido ações de empresas como PETROBRÁS e VALE, investimento de retorno rápido e garantido. Ultimamente, era comum, nas rodas de conversa, alguém dizer que estava aprendendo a comprar e vender ações pela internet, como se fosse uma onda sem volta. Complementarmente, fazia muito, mas muito tempo mesmo, que não via alguém dizer que compraria dólares, a não ser pra viajar para os Estados Unidos, destino também em moda graças à “valorização” do real.

Hoje, o que percebo é que todos, economistas e entendidos, dizem ser esta uma crise horrível, mas pouco sugerem à população o que fazer. Uns dão a entender que não se deve deixar de consumir, o que traria o desemprego. Outros ainda, com ar de incerteza, dizem que é hora de economizar visto o panorama incerto. Ou seja, a população não parece saber ainda como agir: gastar ou poupar? Estocar? Aplicar? Em que? Ninguém arrisca! Ninguém ainda sente no bolso os efeitos da crise. O combustível, os alimentos, os aluguéis, os materiais de construção, nada ainda sofreu aumento representativo. Não aconteceram, ainda, demissões em massa ou coisa parecida. Ou seja, pra quem não tinha dinheiro em ações ou tem que comprar dólares, esta crise ainda não chegou.

Penso que a crise é um momento onde muitos perdem, porém sempre há uma maneira de alguém sair fortalecido. O próprio E.U.A. aproveitou-se de momentos extremamente delicados como a primeira e segunda guerra mundiais para se consolidar como maior potência mundial. Quem sabe esta não é a oportunidade do Brasil destacar-se, deixar sua marca, por incrível que possa parecer? Parece que o Governo Federal começou a enxergar isso aumentando o crédito para os setores agrícola e da construção. Outra ação importante, a meu ver, seria a diminuição dos impostos, e facilitação do crédito, as empresas interessadas no mercado interno para que estes produtos tenham preços mais interessantes, vendam mais e, conseqüentemente, não seja necessário haver demissões e assim haja uma compensação da diminuição das exportações. Ao final, dependeríamos muito menos dos consumidores externos e nos “blindaríamos” de futuras, possíveis, crises externas.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

E O NOTICIÁRIO?

Ontem as imagens de televisão mostraram fila de desempregado em Nova York. Isso não é incomum. O mesmo se viu no passado daquele país e até não muito distante. Mas algo naquelas imagens deu sentido novo a tudo que já vimos. Uma senhora de 80 anos desistindo de permanecer na longa fila, pois já não tinha mais força física para suportar a espera. Ela queria um ganho para completar a sua insuficiente renda. E qual o valor deste fato? É apenas condolência pela velhice?

E aí nosso raciocínio se enganaria. Isso mostra que a crise do capitalismo não é um tombo mágico que de repente ocorre. Não funciona com a fantasia com a qual muita gente se apega aos ciclos de Kondratieff. Fantasia que compreende uma curva virtuosa e um tombo desastroso. Fantasia analítica como tudo é no capitalismo e também o foi no feudalismo. Ao analisar o ciclo de crescimento produtivo, tais ciclos apenas vêm isso, não enxergam os "corpos caídos" nos campo de batalha da circulação e consumo da produção. O virtuoso é que os indicadores em geral no capitalismo vêm apenas o sucesso do acúmulo, das bolsas, dos derivativos, do estoque e na ponta o preço. É como no feudalismo examinando a vida em geral pelo que ocorria no Castelo de Versailles.

Então a senhora de 80 anos na fila do desemprego de N. York demonstra que toda uma vida de trabalho e luta não foi suficiente para a sua aposentadoria. Ou pior ainda, pode ter levado a poupança de toda uma vida para os fundos em bolsa e ali sua luta virou pó. E neste momento na altura da ética da Escola Econômica de Chicago ela terá o direito de andar pelas ruas formadas pelos gigantes edifícios da Chrysler, de Donald Tramp (nunca alguém me lembrou tanto de Ted Boy Marino), do Empire State, pois a Torres Gêmeas já se "desgemelaram".

Outra questão é o da vitória pública. Ela nem sempre ocorre pelo conteúdo e por um valor da humanidade. Nos ciclos de mídia tocados pelo dinheiro o móvel da exposição e do valor público é bem desumano. Reduz-se ao serviço de indivíduos portadores de dinheiro. Compra tudo: deputado, senador, juiz, ministro, delegado, repórter e os donos dos veículos de comunicação. Mas nós os consumidores de comunicação já conhecemos este jogo e dificilmente deixamos de considerá-lo. O que salva estas armações é que na vitória pública eles jogam como se tratasse de um jogo do Fla x Flu. Cada um numa torcida. Tem tanto sentido quando a disputa das escolas de samba ou do azul e vermelho em Parintins.

É o que inundou, especialmente esta semana, os veículos de comunicação pela vertente do processo do banqueiro Daniel Dantas. A defesa midiática do banqueiro deve servir à alça virtuosa do ciclo de Kondratieff. Mas agora ninguém fica com cara de bobo.

CARIRI A VER NAVIOS

Os deputados federais do Cariri têm muito a explicar. Em reunião com o governador Cid Gomes (PSB) a bancada cearense na Câmara Federal abriu mão de indicar as regiões onde seriam feitos os investimentos. Resultado: a decisão ficou na mão do governador cearense. 16 das 19 emendas do Orçamento da União a que o Estado teria direito ficou nas mãos do Governador. Sofrendo pressão, Cid Gomes deixou já três emendas em Fortaleza e Região Metropolitana. E o Cariri? Fico a ver navios. Nenhum deputado federal ousou defender os interesses da região contra os interesses do governador.

CARIRI SHOPPING

A direção de Marketing do Cariri Shopping realizou na manhã de ontem um café da manhã com a imprensa. O objetivo do evento foi o de discutir com os colegas de imprensa, o novo momento que vive o shopping. Na oportunidade, Cíntia Fragoso, gerente de marketing falou da campanha de Natal, das novas lojas que irão funcionar a partir de dezembro, e deu outros esclarecimentos. Cerca de 30 profissionais de imprensa, que trabalham em jornais e emissoras de rádio do Cariri participaram do bate-papo. Os repórteres apresentaram também suas observações sobre o funcionamento do shopping.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

SOFIA E O TEMPO

Tem Sofia trezentos e sessenta e cinco dias ou os dias tiveram Sofia? Certo que a segunda alternativa é verdadeira. Os dias, desde então, passaram a ser tantas coisas com a adição de Sofia. No cômputo geral do conteúdo dos dias há Sofia não como um domicílio ou como um membro apenas. Há Sofia como um acréscimo da qualidade do mundo. É inegável a presença de um novo sim entre todos os conteúdos afirmados pela existência. A singularidade que não se exprime totalmente apenas pelo número um e tampouco como primeira classe de uma ordem. Entre tanta preocupação de se eternizar, Sofia já é muito mais que um numeral, uma partícula ou mero arranjo. Sofia é a conjugação única e ao mesmo tempo plural com a qual se diz Sofia igual Borges dizia Aleph.

Entre os ritos sociais do aniversário de Sofia encontra-se o soprar a luz que uma vela emite. Ou dito de outra maneira, apagar o fogo que a cera derrete. Apagam-se tantas velas quantos os anos que tiveram alguém e em seguida cantos e gritos comemorativos. Mas um ano não se apagou, um ano inteiro teve Sofia. Quando se diz aniversário é que algo vem, que chega e que volta. Como a elipse da terra ao redor do sol. E claro, quando se comemora é justamente o que nos faz lembrar (memorar) dos tempos aditivados de Sofia.

Sem ali se encontrar é quase impossível se conceituar a expressão desta criança. Engatinhando para resolver a separação que o espaço promove entre os elementos presentes à sua cena. Encaixando objetos de tampa, apreendendo todas as ofertas que o rápido exame visual das coisas ela faz. O exame oral ainda é uma tendência marcante, mas agora a cabeça baixa, as bochechas estufadas e o olhar tão atento que parece destilar um outro olhar por trás de um segundo olhar. Se todos tivéssemos a intensidade com a qual Sofia examina os conteúdos e a mobilidade com a qual muda de objeto examinado, muito mais teríamos de tudo existente do que esta seletividade marrom chamada observação útil.

O mais impactante sobre esta emoção carregada em centenas de volts que existe em nossa dinâmica cotidiana é o sorriso aberto, com alguns dentes nascentes no centro do riso dela. Neste instante o mundo se articula imediatamente, tem eixo significante, esgalha-se em alteridades e multiplica-se em novidades. Todos nós, adicionados aos dias antes da adição de Sofia, sabemos sem que precisasse dizer o que disse, sobre a luminosidade desta expressão facial de Sofia.

E mais existe. Os sons. Algo como o início do mundo. O verbo que uma vez dito desencadeia criação e criaturas, derivados e conjugados. Outro dia uma cadela se aproximou e Sofia se alegrou com sua visão, nem bem um tempo passou e ela estava de língua para fora igual fazia o animal. Sofia repete as expressões do mundo. O mundo se encontra nela e ele só é assim por ter seu movimento como um substantivo adjetivado de Sofia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TRÊS ESPÍRITOS DO BRASIL PÓS-MODERNO

Fortaleza, a capital do Ceará, se torna cada vez mais uma fortaleza. Para resguardar a elite brasileira. Isso com uma certa mágoa da classe média média que já tem razoável expressão na cidade, inclusive nas colunas sociais e, certamente, do "Zé Povinho" que forma a imensa maioria da cidade. A fortaleza dita é simbólica: dois imensos e exuberantes casamentos. As filhas ou filhos de algum ban ban ban do Ceará casa-se com outro ban ban ban de algum lugar e se faz um casamento de Contos de Fadas. Então, na província, pobre e miserável, baixa toda a república para as delícias de comelanças, bebidanças e mostranças. É pura Versailles de Luiz XV: os vestidos esfuziantes, casacos black tie, smoking e com termos franceses e ingleses a papagaiada e o estado de pavoneamento passeiam num troca a troca de rodas para se mostrar. É tudo tão ridículo e não anacrônico que a cidade se diverte como num circo: lendo "as colunas sociais", as notas, as gafes, os acordos, até no sul maravilha, pelas páginas do Globo vendo o Zé Serra borboleteando a pleno vapor. E foram casamentos dos poderes: o primeiro do judiciário e agora o do legislativo com uma inveja de executivo. Não é mole não, de vez em quando me abate uma vergonha danada de ser brasileiro, mas afinal computo à espécie humana, mas isso é aí é pura vergonha de ser cearense.

Ontem chegando ao bairro de Bonsucesso para deixar meu filho para fazer um exame, vi a sofreguidão com a qual os guardadores de automóveis disputavam o espaço público. Entre os carros, ameaçados de acidentes graves e morte, buscavam algum trocado para vencer o dia. Todo aquela crítica ao loteamento do espaço crítica se calou no drama do ser humano tendo que tanto se expor por apenas algumas refeições a mais. Como a vida é este contínuo permanente com o mundo, não pode parar de respirar nem cinco minutos, não se pode deixar de beber água e nem de comer. E como a água e a comida só com dinheiro que não existe, fiquei em longo diálogo com meus botões. Neste estado geral da economia e das regras sociais a principal conclusão é: o equilíbrio da natureza é no mundo mineral. A vida é uma aberração, depende de tanta interação, tanto movimento que a paz do mundo é o fim da vida.

Semanas passadas falei de três pontos cardeais do centro do Rio de Janeiro. Quatro personagens da história da cidade. Pois bem, na semana que passou houve uma novidade. O rapaz que tocava a plenos pulmões pôs uma anúncio de vende-se em sua caixa de som. No trânsito pela sua vizinhança, pensei: é o fim deste ponto cardeal. Na volta, sua voz se calara, mas o ponto em que se encontrava virara uma espécie de domicílio. A caixa de som tocava um MP3 em altos decibéis e uma senhora negra dançava uma dança desritmada, mas tão evocativa com se dialogasse com uma divindade, urbana, louca, barulhenta e sujeita a engarrafamento de trânsito. O rapaz, o músico, estava deitado, com óculos escuros, os pés apoiados sobre a caixa de som, em mais legítimo ritmo de meditação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Eis a manhã deste sábado

O sábado amanheceu. Sábado de uma semana cheia de novos ares. Um negro foi eleito presidente dos EUA, Berlusconi rosnou o seu fascismo incrustado através do preconceito racial (Obama é um rapaz simpático e bem bronzeado); Sarah Palin, a vice de Mc Cain, virou a "culpada" pela derrota e agora a Fox News espalha que ela não sabia que a África era um continente e se admirou que a América do Norte fosse formada por México, EUA e Canadá. Mas a semana aconteceu mesmo foi aqui no Brasil.

O Supremo Tribunal Federal, enquanto a polícia federal perseguia o delegado que comandou a investigação, confirmava o Hábeas Corpus a favor do poderoso banqueiro Daniel Dantas. Não apenas isso: o STF abriu o verbo contra o Juiz de Sanctis aquele que autorizou a prisão do banqueiro. A novidade não é tanto os poderes constituídos defendendo o "colarinho branco", a novidade é que isso não se sustenta mais. As pessoas não engolem e num mundo urbano, os ministros do supremo neste sábado mesmo estarão pelas ruas das cidades brasileiras, seus empregados sentirão um desequilíbrio perigoso e ser filho ou neto de um ente assim já não é tão agradável.

Barack Obama é o estágio atual de processos eleitorais. Numa sociedade de massas, quando avós e pais geraram tantos filhos e a qualidade de vida os fez viver tão mais do que outras eras. Agora minoria é massa e maioria é outra coisa. Para o bem e para o mal, para o autoritarismo nascido de um ambiente geral inseguro ou para a democracia fruto de um equilíbrio de vontades plurais. Não importa que amanhã o desânimo se abata com a dureza do desemprego e da desgraça que nos atinge pessoalmente, enquanto se esteve tão esperançoso e entusiasmado na frente do palanque em Obama durante o discurso da vitória.

Berlusconi não pode ser uma cópia de Mussolini. É um autoritário, manipulador, truculento na relação política e tem a capacidade de juntar todos os fragmentos da direita italiana. Mas Berlusconi tem uma unha encrava que são os seus negócios. Eles os têm como extensão do governo de tal modo que nunca poderá unir os italianos. Só uma visão coletiva une.

Sarah Palin não será lembrada por ter sido a vice de um presidente derrotado. A rigor é uma maldade com ela, não foi este o papel dela. Ela será lembrada como uma solução política, malandra para o velhinho entusiasmado e o conservadorismo anacrônico da política republicana. Ainda mais diante da derrocada econômica e de guerras empacadas neste ocaso do Governo Bush.

Mas neste sábado não nos percamos. Se nos anos setenta os jovens (adolescentes) eram uma ponta insustentável da burguesia mundial, agora estes velhinhos dos anos dois mil são uma segunda ponta. Pois então a AIDS atinge a terceira idade, o HPV se manifesta, os agravos por causas externas e até os excessos da regras de vida. Também pudera. Quem mandou juntar tanta gente da mesma idade no mesmo espaço? O espaço urbano.

Para fim do caso do Supremo. Um poema lido pelo delegado Protógenes Queiroz que hoje é perseguido pelo supremo e pelo governo Lula em palestra para universitários:


Só de Sacanagem", de Elisa Lucinda:

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem!

Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? MORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!