Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

sábado, 29 de agosto de 2009

Interblogs: Por onde andará Belchior?

Belchior não está

Por Chagas

Postado originalmente no Cariricult

deu no fantástico de domingo
belchior está sumido
seu corpo seu caminhar
a cor no tempo de seus cabelos
o próprio tempo comendo a cidade
pelas beiras nesse tempo
onde a incerteza é a rainha das rainhas
nesse tempo dizem: belchior não está
será possível?

em garagem de aeroporto
um carro aguarda as mãos
um pouco de pó recobre a cidade mouca que não aceita o cantos

não o que se faz com dentes rangendo
navalhas nas palavras de meninos loucos
escândalo na avenida do senhor prefeito
nesse instante dizem: belchior não está
a cidade não tem respeito repito
e não aguarda em silêncio
que alguém vestido sem tristeza
se aproxime com poucas frases e desfaça o mistério
mas simplesmente fria responde: belchior não está

as ruas passam zunindo fiéis ao presente
que no ar se desmancha dando veza outro e mais outro e mais outro
tão rápido quanto um e-mail
porque não há mais o que se dizer
senão o que alguém vem e diz: belchior não está
porque aqui poetas não têm vez
a cidade mastigando sonhos
com sua cara furiosa seus olhos de aço
a alma nutrida de mentiras ela diz: belchior não está

e ainda é noite


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Atenção gestores municipais: apoio financeiro a projetos ambientais

O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) receberá, entre 1º de outubro a 30 de novembro/2009, propostas de apoio financeiro a projetos nas áreas de educação ambiental e recuperação de áreas degradadas. O valor dos projetos deve ser de R$ 200 mil (mínimo) e R$ 300 mil (máximo).

Duas as categorias de pessoa jurídica podem receber aporte financeiro do FNMA:

1. Instituições públicas pertencentes à administração direta ou indireta, em seus diversos níveis (federal, estadual e municipal);

2. Instituições privadas brasileiras sem fins lucrativos que possuam atribuições estatutárias para atuarem em áreas do Meio Ambiente e que possuam, no mínimo, dois anos de existência legal ou cadastro no CNEA, assim identificadas: Organização Não-Governamental (ONG); Fundação; Organização de Base (associação de produtores, de bairro ou outras); Organização da Sociedade Civil do Interesse Público (OSCIP).

Além do registro no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse - SICONV (http://www.convenios.gov.br/), as propostas devem ser elaboradas no programa FaçaProjeto, disponível para download no site do Ministério do Meio Ambiente na página do FNMA (http://www.mma.gov.br/> ), e, depois > de impressas, devem ser enviadas por correio (Ministério do Meio Ambiente - Esplanada dos Ministérios - Bloco B - CEP 70068-900 - Brasília - DF) ou entregues no protocolo do FNMA.

Para solucionar dúvidas, dar sugestões ou fazer reclamações contate o FNMA (Brasília/DF), por telefone: (61)3105-2160.

Não deixem para elaborar seus projetos em cima da hora, pois os recursos são limitados e um dos critérios de seleção (ou não aprovação) é a entrega da proposta fora do prazo, portanto comecem a elaborar seus projetos para que haja tempo hábil de conclusão da proposta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Programa Cariri Encantado desta sexta-feira, 28, será com Lifanco

O programa Cariri Encantado de amanhã, sexta-feira, 28, abordará a música de Lifanco. E, como de praxe, o artista enfocado estará presente para ilustrar a música com depoimentos e considerações.

Lifanco é, reconhecidamente, um dos maiores músicos do Cariri. Virtuoso violonista, tem discos lançados, a exemplo de “Alpendres do Brasil” (2003), onde desponta o seu trabalho de cantor, compositor e arranjador , e “Lifanco e o Reisado Nação Cariri” (2007), voltado para seu trabalho de pesquisa da música de raiz e da cultura popular caririense.

Lifanco é um dos mais requisitados músicos de estúdio e de palco da região, merecendo destaque como arranjador e/ou músico dos discos de Abidoral e Pachelly Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lívia França, Jonteilor, Zé Nilton e Lenynha.

O programa Cariri Encantado vai ao ar todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri 1020 e com apoio do Centro Cultural BNB Cariri. A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Resultado: trabalho, confiança e bom humor!

Nesta quarta-feira, quem assistiu ao jogo entre as seleções femininas de vôlei do Brasil e Rússia, testemunhou mais do que uma vitória suada após exaustivos cinco sets. Desfrutou de uma lição de filosofia de vida.


A equipe que vencesse avançava na fase final do Grand Prix, torneio mais importante do ano. O Brasil, esteve em desvantagem praticamente todo tempo e no final, era de 2 pontos, 14 à 12 para Rússia. O técnico José Roberto, o mesmo que liderou a equipe masculina ao primeiro ouro olímpico em 1992, pediu tempo. Num tom controlado e confiante disse: “Vamos lá pessoal, são só dois pontos! Dá pra ir buscar!”. E foi suficiente. As “meninas” fizeram 13, 14 e 15 pontos, na mesma Rússia que tirou o campeonato mundial do ano passado. Um feito quase inalcançável, incomum até pouco tempo! Uma recuperação como essa para nossa virtuosa geração de Bernardo, que inventou o saque “Jornada nas Estrelas”, William, Renan e do reserva Bernardinho, medalha de prata nos jogos de Los Angeles, seria impossível. O Brasil tinha jogadores talentosos, bem treinados, taticamente obedientes, mas os Americanos eram tão bons quanto, só que bem mais altos!
O resultado positivo da seleção brasileira frente à Rússia veio principalmente da autoconfiança, da consciência de que cada uma delas tem, de que eram capazes de não errar os saques, bloqueios, recepções e finalizações, nenhuma vez, até o fim da partida. Elas acreditaram nisso porque tem igualdade de condições no tocante a estatura e, tecnicamente, treinam (trabalharam) tanto quanto as adversárias. O trabalho planejado e bem gerido de toda equipe, desde a seleção das atletas, treinamento e conquistas anteriores, fez com elas soubessem que estavam prontas para alcançar o resultado, a vitória! Outros exemplos recentes foram os recordes mundiais estabelecidos pelos dois gigantes do esporte, Cielo e Bolt, homens mais rápidos do mundo na natação e atletismo. Estilos diferentes, mas a mesma fórmula. O primeiro, extremamente concentrado antes da prova, batia no peito com força como de dissesse aos próprios músculos: “Façam a sua parte! Treinei muito e estou pronto para vencer!”. O segundo, descontraído antes da largada, aguardava a partida demonstrando bom humor, de quem confia que seus músculos corresponderão à confiança que sua mente deposita neles.
Estes atletas, de diferentes nacionalidades, através do esporte, nos ensinam muito mais do que: “homens treinados são capazes de superar e estabelecer recordes”. Japoneses gastam quase 2/3 da duração de um empreendimento planejando. Americanos trabalham duro para alcançar seus objetivos. Ingleses e Alemães confiam no seu potencial e constantemente colhem bons frutos dessa atitude. Enfrentemos os desafios diários que a vida nos impõe como as nações, e seus atletas, que provam que homens e mulheres, podem transformar seus sonhos em resultados, usando de: planejamento, trabalho, confiança e bom humor.

Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Programa Cariri Encantado desta sexta-feira será com Abidoral Jamacaru

Foto: Dihelson Mendonça

O programa Cariri Encantado desta sexta-feira, 21, trará uma amostra do conceituado trabalho do cantor e compositor cratense Abidoral Jamacaru, um dos mais importantes artistas da cena cultural caririense. Além disso, Abidoral participará ao vivo falando sobre sua já longa carreira musical, que teve início na década de 1970, quando foi revelado pelo Festival Regional da Canção.

As músicas de Abidoral que serão veiculadas no programa fazem parte dos três discos lançados pelo cantor e compositor: Avallon, O Peixe e Bárbara.

Abidoral Jamacaru é reconhecido como um compositor da primeira linha da MPB pelos cantores e compositores Zeca Baleiro e Chico César.

Será uma oportunidade ímpar de ouvir, pelas ondas do rádio, a música cristalina e bela deste ícone da cultura regional.

O Programa Cariri Encantado acontece com o apoio do Centro Cultural BNB Cariri e é veiculado todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri, 1020. É apresentado por Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Senador Flávio Arns diz querer sair do PT após decisão a favor de Sarney


Ele anunciou que irá à Justiça para trocar de partido e manter o mandato.
Senador se diz 'envergonhado' de pertencer ao PT e pediu desculpas.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília


O senador Flávio Arns (PT-PR) afirmou nesta quarta-feira (19) que vai procurar a Justiça Eleitoral pedindo justa causa para sair do PT. No plenário do Conselho, ele fez duras críticas à postura do partido no Conselho de Ética favorável ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e se disse envergonhado de pertencer à legenda.

Nesta quarta-feira, a senadora Marina Silva (AC), já havia anunciado seu desembarque do PT. Ela deverá ser candidata à Presidência da República pelo PV.

Arns é um dos petistas que defende o afastamento de Sarney da presidência da Casa e a abertura de processo contra ele no Conselho de Ética. Revoltado, ele fez um discurso no plenário do Conselho pedindo desculpas aos eleitores por fazer parte do PT.

“Me envergonha estar no Partido dos Trabalhadores com o comportamento que está tendo. Achava que as bandeiras eram para valer e não para mudar por causa da eleição”, disse Arns. Segundo ele, "o partido pegou a folha da ética e jogou no lixo".

Após o discurso, o senador disse aos jornalistas que deixará o partido. Ele pretende argumentar na justiça eleitoral que o partido mudou seu programa. Um dos fatos que justificaria seria o apoio a Sarney. Se o pedido for aceito, ele poderá trocar de partido sem o risco de perder o mandato.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Falta de educação também mata!


A gripe suína, uma das variações da influenza, surgiu há pouco mais de dois meses como a grande ameaça a saúde da humanidade. O tempo passou e, pelo que se vê, a tal gripe se espalhou com rapidez, chegando agora ao Cariri. Apesar da febre alta constante e de ser muito agressiva ao sistema respiratório, a doença, diagnosticada e tratada a tempo, mata muito menos do que se pensava. O percentual de mortes é muito parecido com o da gripe comum. Daí vem à pergunta: Em pleno século XXI, ainda se MORRE de gripe?

Voltemos ao distante ano de 1500, quando o Brasil fôra descoberto pelos portugueses. A viagem durava semanas e os navegantes, sadios e doentes, dividiam o pouco espaço de suas embarcações com porcos, vacas e galinhas. A água era escassa e contaminada por toda espécie de vermes e bactérias. Foram eles que trouxeram o primeiro “presente” ofertado(transmitido) aos nossos compatriotas índios, o vírus da gripe! Sem a menor chance de sobreviver, não tinham “resistência” (anticorpos) a doença, não se sabia como evitar o contágio, e morriam aos milhares! Mas, de Cabral pra cá, já se vão mais de 500 anos! O que mudou? O que não mudou?

Os hábitos, ou maus hábitos, mudaram muito pouco! Brasileiro, via-de-regra, parece pensar que qualquer um, menos ele, pode transmitir doenças. Ignora os sintomas até o dia que “cai de cama”, ou “baixa hospital”, numa demonstração de prepotência por não achar que irá adoecer, e irresponsabilidade por não poupar o próximo do contágio desavisado e indesejável. O “bom” brasileiro, mesmo tendo contato com alguém doente, gripado, ou apresentando sintomas da doença, não muda em nada sua rotina diária. Vai ao trabalho, escola, igreja, cinema, shopping, pratica esportes, tudo como se “não estivesse doente”, como se a saúde alheia não fosse da sua conta. Um absurdo! Uma falta de vergonha na cara! Transmitir uma doença consciente do mal que irá causar ao semelhante.

A Igreja Católica, desde a semana passada, orienta seus sacerdotes a não entregar as hóstias diretamente na boca, a não dar as mãos durante a missa em momentos como “pai-nosso” e “paz de cristo”. Orientações simples que ajudam a evitar a propagação do vírus e, conseqüentemente, diminuem as estatísticas de morte no país que tem o maior número de seguidores no mundo. Sei que hábitos culturais como aperto de mãos, abraços e beijos de cumprimento são difíceis de evitar, mas estejamos conscientes que estas são, definitivamente, as ocasiões onde há 99,9% de chance de contágio.

Acredito que esta gripe veio mesmo pra nos “ensinar” alguns bons hábitos, que não deveríamos esquecer, mesmo quando a epidemia passar. Hábitos simples, que nos remetem a imagem materna, quando nos dizia: “Menino(a)! Lavou as mãos para almoçar (quando saiu do banheiro)?”; “Não espirre (ou tussa) na direção das pessoas!”; e principalmente, “Hoje você não vai para aula, para não passar a gripe para seus coleguinhas!”. Tudo isso, além de evitar muitas enfermidades, é demonstração de amor ao próximo, de cuidado com a própria saúde, de bons costumes, de educação!

Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 11/08/2009.

Fora Sarney Já!


Em 1992, a tropa de choque collorida (Roberto Jefferson et alli) estava conseguindo blindar o presidente de plantão das inúmeras denúncias de irregularidades que assolavam o Palácio do Planalto e a Casa da Dinda. Então, o povo foi à rua, notadamente a juventude, com suas caras pintadas, para dizer que não éramos palhaço coisa nenhuma.

Quando os políticos parlamentares não tem mais moral para arrumar a sua própria casa (o Congresso Nacional), o povo deve fazer a faxina.

Pena que não haverá manifestação de Fora Sarney aqui no Ceará.

Em 1992, fui às ruas no Fora Collor, em ato convocado pelo PT do Crato, outros partidos de esquerda e entidades sindicais.

Por onde andará Stephen Fry?

domingo, 9 de agosto de 2009

Interblogs

Esse post conciso e provocativo foi pinçado do Blog do jornalista André Forastieri, que faz parte dos "Meus Favoritos":


Marina Silva é o nosso Obama

Você reparou?

sábado, 8 de agosto de 2009

Ninguém pode dizer: CORONEL DE MERDA

Esta é velha que só a Serra do Araripe. Ninguém na rua Dr. João Pessoa teria coragem de soltar um palavrão com todos os decibéis possíveis em cordas vocais humanas. Ninguém mesmo. Nem o mais valente dos valentes. Mas driblavam. A sociedade é cínica e corajosa ao mesmo tempo. Leva-se a sério a ponto de matar, mas nem vira a página e já está na esculhambação.

Quem se lembra de Antônio Corninho (Cornin)? Era escalado pela sociedade séria do Crato para soltar palavrões na João Pessoa. Então qual era o motivo de quem o enfurecia. Ouvir os palavrões de todos os tamanhos e qualidade. As mulheres de família, as meninas virgens, os irmão de São Vicente ouviam tudo num silêncio de aceitação da loucura. Afinal todos eram simultaneamente e não eram. O quê? Loucos e Machado de Assis tinha dito. O Alienista.

Agora veja vocês aquela porcariada toda no plenário do Senado e alguém chamou o outro de CORONEL DE MERDA e pronto a república vai cair. Os jornais tiveram a desculpa para repetir a expressão por todos os lugares da notícia. Já chamaram o caminhão de secar fossa para levar o material fecal até a mesa da Comissão de Ética.

Mas chamar o homem de CORONEL pode, não pode é adjetivar: excremento, fezes. Quem iria rebaixar o coronel com tantos serviços na folha corrida em favor da humanidade? Especialmente em prol daquele povinho para o qual costumam usar a derivação de sentido do vocábulo em julgamento ético: acúmulo de lixo; sujeira, imundícia, porcaria, sujidade?

Mas a defesa do agressor pode recorrer ao dicionário. Vá lá que no calor da discussão ele apenas quis dizer que aquela postura e argumento eram do coronel dizendo: coisa desprezível, sem valor, porcaria. E então a defesa do Coronel pode na mesma tábua dos significados repetir que o agressor usou o termo no sentido de caracterizar o coronel como “coisa insignificantes, que não presta para coisa alguma”. E isso o coronel não aceitará, pois ela já nasceu melhor que os outros, tem até jatinho para ficar mais perto do céu.

Mas como o cinismo é a substância desta melopéia fétida, o que diz a defesa: aquilo foi apenas uma “expressão de raiva, desprezo, impaciência, irritação, decepção, indignação, desespero”. Agora os agressores e agredidos permanecem no melhor compartimento da nave brasileira. Afinal, lembra a defesa, tudo aqui é teatral. Tudo recorda o palco, no momento em que os atores vão para a difícil cena da vida e para exprimirem desejo de boa sorte a todos gritam: MERDA. MERDA.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O "guerreiro" Sarney no "picadeiro do circo" político



Por Carlos Rafael Dias

Visivelmente nervoso e, consequentemente, pouco à vontade, o senador José Sarney começou o seu discurso fazendo um relato de sua longa vida política. Disse que, ainda no início da Ditadura, a despeito de a ela ter aderido na ante-hora, ele foi contra a cassação de deputados. Mostrou e leu, inclusive, uma manchete de um jornal da época atestando seu comportamento politicamente correto. Alegou que foi ameaçado de morte muitas vezes por essa sua postura combativa. Nos estertores desta mesma ditadura, no entanto, ele abandonou a “moribunda” e, faça-lhe justiça, apoiou decisivamente a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República no Colégio Eleitoral. Foi escolhido para ser o seu vice, e como tal assumiu a magistratura suprema da nação por conta da morte de Tancredo.

Em seguida, Sarney enumerou os seus feitos como presidente, dentre outros, o fracassado Plano Cruzado, a moratória junto ao FMI e a Lei de Incentivo à Cultura. Não citou, por exemplo, que foi o principal interessado na emenda constitucional que prorrogou o seu mandato para cinco anos, usando de algumas moedas que não foram cunhadas na oficina pública da política.

Sarney usou o tempo todo do papel da vítima. Segundo ele, não fez nada que pudesse provocar a atual crise política. Foram simplesmente perseguições políticas, maldosas e cruéis, que não lhe pouparam ao menos a intimidade do lar. Pigarreou, embargou a voz, fez menção de que as lágrimas rolariam a face sofrida de uma vida política que só lhe trouxe agruras e nenhuma vantagem. Tentou explicar o que eram os atos secretos. Admitiu que somente cerca de 500 atos não tramitaram na Rede Intranet do Senado. Disse que anulou todos os atos neste ano, com anuência da Mesa Diretora da Casa (pois não teria a autoridade para anulá-los sozinho). Disse , também, e é importante citar, que não foi o responsável por todos os atos. Dividiu a culpa com os demais ex-presidentes da Casa: Jader Barbalho, ACM, Ramez Tebez, Edison Lobão, Renan Calheiros, Garibaldi Alves, Tião Viana.

Esclareceu que as nomeações sem concurso público foram pedidos de Senadores. Assumiu o nepotismo na nomeação de um parente, estendendo o pecado a outros senadores (disse que é uma ação privativa de cada senador). Gaguejou quando, usando o data-show, tentou lembrar de Vera Portela (foi nomeada pela sua filha Roseana) e, lembrando quem era, disse que não aceitaria que uma culpa passasse da filha para o pai.

O seu Estado é o Amapá, portanto não assumirá erros cometidos por políticos do Maranhão, mesmo que seja sua filha, ex-senadora. Continuou gaguejando e titubeou quando passou a limpo o restante da lista, onde abundou o sobrenome Zoghby (de quem se trata?. Uma busca no Google poderá ser bastante esclarecedora). E Ivan Sarney... Ele não tem nada haver com sua nomeação, nem com o namorado da neta nem com outras em que fortes indícios as associam ao seu nome.

Fez um longo silêncio....

E como não poderia deixa de ser, culpou a mídia, ou, como quer Paulo César Amorim, o PIG (Partido da Imprensa Golpista), denunciando, inclusive, o uso de montagem, onde sua voz foi imitada (ou substituída), em casos em que o associava ao escândalo Satiagraha .

Disse, empunhando um DVD, que poderia divulgar algo escabroso, mas por questão de ética, não iria divulgar, ameaçando que assim faria se alguém pusesse a acusação na sua boca (tem bode na sala? Ou é mais uma bravata?).

Suas palavras derradeiras foram: “Austero, sem arrogância, com respeito por todos e pela boa convivência”.

Disse ser a favor de combater a injustiça pelo silêncio, e a favor que a paz seja restaurada no Senado, sem ódio e sem paixão política.”

Pediu justiça para sair da crise e que a Casa retorne ao ambiente tranquilo.

Foi o seu último apelo.

Poeta Wilson Bernardo é expulso do PT – Partido dos Trabalhadores


O poeta, escritor, fotógrafo e desenhista Wilson Bernardo, um dos mais ilustres artistas da cidade do Crato acaba de telefonar para o Blog do Crato e comunica que ontem recebeu uma carta de expulsão do Partido a que ele pertenceu por muitos anos. A alegação é a mesma da colega de partido, Alessandra Bandeira: - Pelo fato de Wilson Bernardo trabalhar para a administração Samuel Araripe, que é do PSDB, e portanto, estaria a "apoiar governo que contraria os princípios programáticos do partido".

Wilson disse ao telefone que deseja conceder uma entrevista completa sobre o assunto, ao Blog do Crato, e se diz perseguido pelo seu partido. Acrescenta:

"Trabalhar nunca foi crime! Desde quando trabalhar é crime ? Então só o Sr. Amadeu de Freitas tem seu emprego garantido no INCRA porque foi convidado por uma pessoa do seu partido, porque que eu não posso ter direito a ter um único trabalho, apenas por ter sido convidado por uma pessoa que é de outro partido mas que acredita e conhece o meu trabalho ? Porque que o PT nunca pôde dar trabalho a ninguém, só a 3 pessoas dentro do partido ?"

Wilson acrescenta ainda que "foi pêgo de surprêsa" com a notícia, e que está sendo covardemente atacado por pessoas em que ele jamais imaginou serem capazes:

É uma covardia, o que o PT está fazendo comigo!" - Acrescenta.


Reportagem: Dihelson Mendonça
Fonte: Cariricult

PT do Crato pune membro do partido por este trabalhar para Samuel Araripe, que é do PSDB



Membro do Partido dos Trabalhadores está sendo intimada por "apoiar governo que contraria os princípios programáticos do partido".

Crato. A militante do Partido dos trabalhadores, Alessandra Bandeira, que é considerada pelo público, uma das grandes representantes dos movimentos de reivindicação feminina e luta na cidade do Crato, e do próprio partido, recebeu no dia de ontem ( 04 ), uma intimação no mínimo, sui generis: A de apresentar defêsa para não ser expulsa do PT, o Partido dos Trabalhadores, apenas pelo fato de a mesma haver sido contratada como profissional e historiadora para a Fundação J. de Figueiredo Filho ( Museus do Crato ), na administração cratense de Samuel Araripe ( PSDB ).

Em recentes entrevistas ao Blog do Crato, Alessandra já havia relatado que estava se sentindo ameaçada e perseguida por alguns integrantes do seu próprio partido, e que a qualquer momento, poderia até ser expulsa. O clima de aparente perseguição política ( segundo a mesma ), já vem sendo orquestrado desde que ela foi contratada por sua especialidade ( História ), para a Fundação J. de Figueiredo Filho, que dentre outras atividades, mantém o Museu Histórico do Crato, e o Museu de Arte Vicente Leite. Em nota postada na tarde de ontem no site Blog do Crato, diz Alessandra:

"Venho aqui em público para deixar claro que não entregarei defesa nenhuma, mas que isso, para mim, e para muitos, a certeza de que isso é uma perseguição clara é nitida. Alegar que aceitei trabalhar para o prefeito Samuel, quando estava desempregada e precisava colocar comida no prato de meu filho, e que me sinto satisfeita é motivo de desfiliação?"

Há vários dias o também militante do Partido dos Trabalhadores Wilson Bernardo, que também faz parte do quadro de funcionários da Prefeitura do Crato se sentiu ameaçado pelo seu partido, sob alegativas de trabalhar para outra administração diferente do PT. Entretanto, assim confidenciou Wilson:

"...Eu quero é que eles tentem me tirar do PT ! - Que Eu irei dar nomes aos verdadeiros Bois..."

O posicionamento do Partido

Em resposta à nota de Alessandra Bandeira, de que não apresentará nenhuma defêsa sobre a intimação, o integrante do Partido dos Trabalhadores, Amadeu de Freitas, um dos grandes do partido, também publicou uma nota dirigida à Alessandra:

"A Comissão Executiva Municipal do PT está cumprindo o Estatuto ao notificá-la para que se defenda da acusação de “apoiar governo que contraria os princípios programáticos do partido. ...”

E ainda:

"A questão não é de ser contra você trabalhar e ganhar dinheiro para criar sua família. Como você mesma faz questão de divulgar, está trabalhando para Samuel e não para a Prefeitura Municipal do Crato. Claro, você não foi aprovada em concurso público. Por isso mesmo exerce cargo a convite do Prefeito."

Amadeu de Freitas

Alessandra ainda se defende, afirmando que isso é certamente, um absurdo, pois entende que o trabalho honesto em qualquer local e a convite de quem quer que seja, para exercer uma função da sua especialidade, é sempre motivo de dignidade e sensatez.

Diferentes posturas

Há alguns dias, o Blog do Crato consultou o Prefeito Samuel Araripe para saber qual a sua postura em relação a trabalhar com pessoas de diferentes partidos e ideologias políticas, marca da sua administração, em que se constitue de pessoas de inúmeros partidos contrastantes. Samuel assim falou à nossa reportagem:

"Meu caro Dihelson, quando eu procuro um profissional, um trabalhador, eu não estou interessado se aquela pessoa pertence a partido A, B ou C. Eu procuro pessoas pela competência delas. Pela sua especialidade. Passadas as eleições, eu entendo que numa cidade como o Crato, todos nós temos que tratar de trabalhar pela cidade, e não pensando em politicagens. O Crato já sofreu muito por causa disso. Portanto, eu tenho o maior carinho por todas as pessoas que trabalham nos nossos quadros e ESPECIALMENTE, quero frisar, pelas pessoas que são dos outros partidos. Aqui, o nosso partido é o Crato. Não quero de forma nenhuma que as pessoas mudem de partido não! Pelo contrário, eu vejo como muito benéfica a participação de outras idéias e atitudes que venham somar ao nosso município. Eu tenho o meu partido, mas eu defendo que cada um acredite naquilo que seu coração lhe orienta...contanto que veja no trabalho a mais clara integração do ser humano, pois o trabalho reúne todos as crenças. O ser humano precisa ser valorizado independentemente de onde ele se encontre. Bom, isso é o que eu penso. É por isso que aí você vê que nós trabalhamos com gente de todo tipo. A única coisa que se pede, é que as pessoas exerçam suas especialidades porque foram contratadas. Repito mais uma vez: O Crato é o nosso maior partido. É isso que precisamos entender e defender."

Samuel Araripe.

Reportagem: Dihelson Mendonça

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DEM e PT mantêm pedidos de afastamento de Sarney


Marcela Rocha

Em reunião da bancada nesta terça-feira, 4, o DEM decidiu não fazer novas representações contra o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) e manter seu pedido de afastamento do cargo. Um dos líderes do DEM, Antônio Carlos Magalhães Jr. (BA) deixa claro que esta é "uma posição partidária" e que votou contra.

Diferentemente do DEM, o PT "não precisou se reunir". Segundo explica o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a posição do partido já estava definida: "Recomendaremos ao presidente José Sarney que se licencie, se afaste, para que ele possa exercer o seu direito de defesa".

O senador petista conta que "não há maiores preocupações em relação aos posicionamentos do presidente Lula: "Ele respeita a decisão da bancada do PT no Senado, não há problemas quanto a isto".

A Terra Magazine, ACM Jr. detalha deliberações da reunião do DEM:

- Nós não apresentaremos nenhuma representação no Conselho de Ética e queremos a apuração de todas as denúncias e representações feitas contra o presidente da Casa. Se alguma for arquivada o partido recorrerá.

"Não vamos aceitar qualquer tipo de ameaça que seja feita", diz o senador do DEM em referência à "ameaça" feita pelo PMDB no plenário desta segunda-feira última. Na sessão, os aliados do presidente Sarney revelaram que preparam dossiês sobre senadores da oposição.

Nesta manhã, os líderes das bancadas do DEM, PSDB, PDT, PSB e PT se reuniram no gabinete do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) para discutir a crise no Senado.

O partido de ACM Jr. foi a única sigla da oposição que não entrou com representação ou denúncia contra o peemedebista, acuado por denúncias de envolvimento com atos secretos e nepotismo.

Fonte: Terra Magazine

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

COMISSÃO DISCUTE CENTENÁRIO DE JUAZEIRO DO NORTE

Quarta-Feira, dia 5, a comissão organizadora responsável pelo planejamento do Centenário de Juazeiro do Norte deve se reunir mais uma vez para tratar de assuntos ligados as comemorações dos 100 anos de emancipação política da cidade.

Em pauta vão ser discutidos os detalhes de um encontro na capital com os membros da AFAJ(Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte ) e a avaliação do lançamento da festa do centenário. O Coordenador Executivo e Secretário de Turismo e Romarias de Juazeiro, José Carlos dos Santos, pede aos juazeirenses que tiverem alguma sugestão para apresentar nos festejos do centenário podem enviar sua mensagem para centenáriojuazeiro@gmail.com.

A discussão vai ser coordenada pelo presidente da Comissão Geraldo Menezes Barbosa no Memorial padre Cícero às 19 horas.

Fonte: http://www.jornaldocariri.com.br/

terça-feira, 28 de julho de 2009

Raízes históricas da rivalidade entre Crato e Juazeiro

Por Carlos Rafael Dias*

Os antagonismos entre as duas principais cidades caririenses parecem ter no processo de emancipação política de Juazeiro e na Sedição de 1914 os seus momentos de maior tensão. Isso sem ignorar a posição contrária do clero cratense aos supostos milagres de Juazeiro, um antecedente que veio a fermentar esta rivalidade. Da mesma forma, deve se considerar, como um importante fator dessa tradicional rivalidade, a ascensão econômica de Juazeiro, já no início do século xx, fruto das crescentes romarias. Por sinal, este foi o argumento das lideranças juazeirenses para motivar a campanha pela autonomia daquele que na época era um mero distrito do Crato. No entanto, a maior motivação pró-emancipacionista foi a insatisfação decorrente dos impostos cobrados, em benefício do Crato, sobre as receitas do comércio de Juazeiro.

Se havia toda uma matéria-prima pré-fermentada para o confronto, faltava quem se dispusesse a instigar a massa para a causa emancipacionista. Esse papel foi exercido pelos editores do jornal O Rebate, semanário que circulou entre julho de 1909 e agosto de 1911. O principal objetivo do órgão era divulgar a causa Juazeirense contra as acusações desferidas pela imprensa do Crato que qualificava o Juazeiro como antro de fanatismo e banditismo. Como um desdobramento da propaganda anticratense, a população, mobilizada, boicotou o pagamento de impostos recolhidos ao Crato.

Juazeiro foi elevado a município em 4 de outubro de 1911, quando Padre Cícero foi empossado como prefeito, fato que o iniciou oficialmente na vida política. Neste mesmo dia, foi assinado em Juazeiro o famoso Pacto dos Coronéis, uma tentativa de pacificar a região, bastante tumultuada pelas violentas deposições de coronéis por outros coronéis, com uso de milícias particulares formadas, notadamente, por jagunços e capangas.

No final de 1913, um senador cearense enviou, através do então deputado federal Floro Bartolomeu, uma carta ao Padre Cícero onde era tramada a deposição do coronel Marcos Rabelo, eleito presidente do Estado do Ceará ao derrotar o grupo do oligarca Nogueira Acióli, que governou com mão de ferro a província por longo tempo. Um ano antes, Padre Cícero tinha iniciada uma longa troca de telegramas com Franco Rabelo. Nos primeiros contatos, Padre Cícero refutava a informação de que ele estaria preparando um levante contra o governo do Estado. A denúncia, que o padre considerava uma intriga de políticos adversários, poderia resultar numa intervenção armada em Juazeiro por parte do governo estadual.

A sedição para depor Franco Rabelo irrompeu, como assim já se anunciava, no dia 8 de dezembro de 1913, com o desarmamento, em Juazeiro, de um destacamento da polícia do Estado que teria a incumbência de prender ou matar Floro Bartolomeu. No dia seguinte, vários políticos juazeirenses, como o prefeito João Bezerra de Menezes, sucessor do Padre Cícero, refugiaram-se no Crato. E o Crato virou alvo da milícia que Floro Bartolomeu recrutou entre famosos e temidos celerados vindos de várias partes do Nordeste.

Os cratenses, logicamente, sentiram-se ofendidos com a invasão. Testemunhos dão conta que os sediciosos, sob o comando de Floro Bartolomeu, teriam invadidos e saqueados residências e estabelecimentos comerciais, mesmo contrariando a ordem do Padre Cícero de que não houvesse violência e que deixassem livres algumas estradas que permitissem a fuga daqueles que não quisessem lutar.

Esses episódios conjugados são os principais vetores da rivalidade que vez por outra é requentada, principalmente, na ocorrência de polêmicas que envolvem a destinação de investimentos públicos dos governos federal e estadual para a região. Quando os grandes investimentos são alocados em benefício do Juazeiro, os cratenses se queixam da intervenção de um “conciliábulo do mal” formado pelos adversários da cidade.

Há quem diagnostique que toda essa problemática deriva de duas doenças adquiridas e que teimam parecer congênitas. Enquanto os cratenses são vítimas de uma letal “juazeirite”, os juazeirenses foram acometidos de uma incurável “cratite”. O mal é, pois, intrínseco ao antídoto: rivalidade só se cura com união de interesses que venham igualmente beneficiar as populações das duas cidades. Sem inveja, sem mesquinhez, sem retrocesso.

Um remédio? A recém-criada Região Metropolitana do Cariri, que deve ser prescrita sem contra-indicações, apesar dos possíveis efeitos colaterais que podem causar em pessoas de espírito bairrista.

* Professor do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sarney se apequenou diz Tasso em entrevista à Época




“O Sarney se apequenou”. Esse é o título da entrevista publicada na edição desta semana da Revista Época (circulação nacional), com o senador Tasso Jereissati. Nela, o ex-governador cearense fala da crise no Senado e dos fatos envolvendo o presidente da Casa, José Sarney.
Amigo no passado, o senador diz que o presidente do Congresso representa hoje uma “coisa inaceitável”

A entrevista na íntegra


O senador Tasso Jereissati e o senador José Sarney já tiveram relações muito próximas – inclusive familiares. O sogro de Tasso, o empresário cearense Edson Queiroz, era amigo de Sarney. Foi sob o incentivo de Sarney que Tasso, então uma jovem liderança empresarial, entrou na política na década de 80 e virou governador do Ceará, pela primeira vez, em 1986. Quando Sarney era presidente da República, Tasso só não virou ministro da Fazenda por causa de um veto de Ulysses Guimarães. Mas a crise do Senado afastou os dois. Na eleição para a presidência da Casa, em fevereiro, Tasso votou contra Sarney. “Disse ao Sarney que ele estava representando uma coisa inaceitável”, afirma Tasso. “Ele está representando a pequenez da vida pública brasileira.”


ÉPOCA – O senhor teve relações muito próximas com o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Hoje, Sarney diz que o senhor é motivo de grande decepção para ele. Por que a relação do senhor com Sarney mudou?


Tasso Jereissati – Um dos grandes constrangimentos políticos de minha vida foi votar no Tião Viana (PT-AC, candidato à presidência do Senado em fevereiro) contra o Sarney. O Sarney tem um papel extraordinário na política brasileira. Ele levou o país a sair da agudeza do regime autoritário de uma maneira suave, que dificilmente outro político conseguiria, por causa de seu temperamento democrático. Antes da eleição para a presidência do Senado, ele me disse que não era candidato, que era uma loucura, que não tinha nem idade. Depois, mudou de ideia. Eu me preocupei com ele por estar colocando a história dele a serviço de um grupo dentro do Senado claramente deteriorado. Disse isso a ele, com enorme constrangimento, pessoalmente e na tribuna do Senado no dia da eleição. No discurso, disse a ele que enaltecia os seus aspectos posit ivos, mas que ele estava cometendo um grande erro e representando, naquele momento, uma coisa inaceitável.


ÉPOCA – O que representa o senador Sarney hoje? Tasso – A imprensa se concentrou nele, e isso é injusto, porque tem gente pior. Mas ele está concentrando todos os defeitos do nepotismo, do fisiologismo, da acomodação pessoal, do aproveitamento da vida pública para vantagens específicas. Ele está representando a pequenez da vida pública, em vez de representar o lado grande do homem público, que ele representou na Presidência da República. O Sarney se apequenou.


ÉPOCA – O senhor foi um dos amigos mais próximos do senador Antônio Carlos Magalhães nos últimos anos da vida dele. Sarney e ACM são homens da mesma geração. ACM teve de renunciar ao mandato de senador por causa de um escândalo. A presidência do Senado representa uma maldição para certos políticos? Tasso – Há uma diferença importante entre Sarney e o Antônio Carlos. Eu costumava dizer o seguinte: se você pegasse o temperamento do Sarney e juntasse a ele os homens públicos que cercavam o Antônio Carlos, você teria um dos melhores políticos do país. Mas, se você juntasse o temperamento do Antônio Carlos com os homens que cercam o Sarney, você teria um dos piores políticos do país. Apesar de serem da mesma geração, o ACM era um formador de líderes. Suas administrações sempre eram da melhor qualidade. Já o Sarney sempre se cercou muito mal.


ÉPOCA – O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), é uma dessas influências nefastas junto a Sarney? Tasso – O senador Renan Calheiros hoje controla uma boa parte do PMDB, que dá o tom no Senado. Ele é o homem forte da Casa. Essa boa parte do PMDB é um partido estranho. É um partido que não propõe chegar diretamente ao poder. Mas indiretamente, por meio de uma barulhenta maioria congressual, e assim mandar no governo independentemente da cor que ele tenha. É um partido que não faz meu gosto.


ÉPOCA – Por que o Senado chegou a essa crise tão profunda?

Tasso – O grande erro do Senado foi a perpetuação do poder do (ex-diretor-geral) Agaciel Maia por 15 anos. Concentrada na mão de um homem só, que gerenciava tudo – fazia cargos, contratos de compras, licitações, lidava com verbas enormes e secretas –, a prática de fisiologismo e concessão de favores cresceu, e o Senado virou esse monstro de 8 mil funcionários, que ninguém controla e sabe o que faz. Na campanha pela presidência do Senado, o Tião Viana trouxe uma proposta de rompimento com isso aí. O PSDB saiu da linha de oposição ao PT para apoiar o Tião Viana, porque percebemos que estava em jogo a instituição do Senado. Mas o Tião foi abandonado pelo Lula. Por isso, eu digo que o Lula está na gênese e no agravamento da crise do Senado.


ÉPOCA – Por que o presidente estaria na gênese de uma crise no Legislativo?

Tasso – O Lula adotou um sistema de poder na relação com o Congresso na base da cooptação. Ele não tem uma política de convencimento ou de doutrinação. Ele parte do princípio, que ele já manifestou uma vez, de que o Congresso é cheio de picaretas e sai cooptando, com cargos, obrinhas, emendas. Assim, ele constrói uma maioria tranquila. Uma ruptura com isso significaria se chocar com esse grupo político que lhe dá sustentação na base da cooptação. Ele fez uma opção que já tinha feito lá atrás, com o mensalão, e agora consolidou ao abandonar seu correligionário, que queria romper com isso. Recentemente, quando o próprio PT tentou dar um grito de independência, ele deixou claro: quem manda aqui sou eu, e meu sistema é esse. O Lula institucionalizou o que está acontecendo hoje no Senado.


ÉPOCA – Mas a barganha entre o Legislativo e o Executivo existia no governo Fernando Henrique Cardoso. O senador Renan Calheiros foi ministro da Justiça de FHC.

Tasso – O (então governador de São Paulo Mário) Covas chiou, e o Renan não ficou muito tempo. Essa barganha existia em seus nichos e era feita com certa discrição, uma certa vergonha. Agora, foi banalizado. Tornou-se a regra. O jogo de repartição de verbas, emendas entre prefeitos e deputados está institucionalizado. São exceções os deputados que não participam do jogo de emendas e serão capazes de voltar ao Congresso.


ÉPOCA – O senhor já teve ótimas relações com o presidente Lula. Chegou a cogitar a formar uma chapa presidencial com ele em 1994. Por que suas críticas a ele hoje são tão duras?

Tasso – Pessoalmente, eu gosto muito do Lula. Lá atrás, nós achávamos que formávamos um casal perfeito. Eles tinham a base social, e nós tínhamos os quadros para fazer um projeto para o país. Isso não foi possível. A eleição do Lula foi um avanço para o país, e o Brasil, depois do Lula, é outro. Mas, de um determinado ponto em diante, eu tive uma grande desilusão ao ver a maneira que o presidente considerava correta de se consolidar no poder. Não estou fazendo nenhuma acusação moral a ele. Mas, em cima de sua enorme popularidade, ele chancelou a canalhice, a corrupção e o fisiologismo no Brasil. Hoje, o Brasil vive uma crise moral enorme por causa disso e as instituições estão apodrecidas.


ÉPOCA – Essa crítica moral ao governo e a seus aliados não perde eco por causa de situações como a do líder do PSDB, o senador Arthur Virgílio (AM), que pediu dinheiro emprestado ao Agaciel Maia?

Tasso – Acho que foi tudo explicado pelo senador Arthur Virgílio. Diante de uma situação de sufoco, ele fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Na época, não mediu as consequências disso e assumiu agora o erro. Para mostrar sua independência, ele é talvez hoje o mais agressivo entre todos os senadores na cobrança do próprio Agaciel.


ÉPOCA – O senhor usou a cota de passagens aéreas do Senado para fretar aviões. Isso não é uma vantagem indevida?


Tasso – Como não usava as passagens, acumulava um crédito a cada mês para mim. Como eu tinha esses créditos, fiz uma consulta se poderia usá-los quando precisasse fretar avião para me deslocar dentro do país. Foi-me dito que sim. O Agaciel disse que estava permitido e vários outros senadores fizeram o mesmo. Eu então usei essa verba de passagens para fretar avião. Mas, como eu tinha sido do grupo que atacava o Agaciel, eles tentaram usar essa informação para me atacar e dizer que eu usava a cota de passagens para pagar combustível de meu avião, o que não era verdade. Não tenho a menor dúvida de que agi corretamente, tanto é que quem deu às notas ao jornal Folha de S.Paulo fui eu. Mas reconheço que aquilo era uma prática que hoje a opinião pública não aceita mais. Se essa era uma mordomia indevida, então que se proíba. E agora eu não faço mais.


ÉPOCA – Qual é a solução para o Senado?

Tasso – Na primeira semana de agosto, o presidente Sarney vai ter de fazer uma proposta profunda de reforma. Não é só mudança administrativa. É mudança de hábitos e de cultura dentro do Senado. Tem de reverter toda uma cultura de mordomias e apadrinhamentos. Isso passa por uma reforma política e do orçamento. A principal arma de cooptação do governo é feita em cima da liberação das emendas parlamentares. Mudar isso não é uma coisa simples, mas tem de ter um líder que seja capaz de fazer.


ÉPOCA – Sarney tem condições de liderar essa reforma?

Tasso – Acho muito difícil. Ele vai ter de fazer um esforço pessoal gigantesco para entender a dimensão do papel que ele tem a partir do mês que vem.


ÉPOCA – Um ano atrás, a oposição era favorita na sucessão presidencial, com os governadores José Serra e Aécio Neves. Hoje, o cenário é diferente, com a ascensão da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Qual é a chance de vitória da oposição em 2010?


Tasso – Eu nunca achei que seria fácil. O PT e o presidente Lula têm provado que sabem usar de maneira muito hábil o poder do ponto de vista político e eleitoral. O crescimento da ministra Dilma era esperado. Se você fizer uma análise, o nível de exposição da ministra Dilma na mídia nos últimos 12 meses deve ser maior que a da Xuxa, da Ivete Sangalo e do Roberto Carlos juntos.
ÉPOCA – O que o PSDB tem de fazer?


Tasso – Nós temos de ter uma definição do candidato nos próximos quatro, cinco meses. O partido tem essa obrigação. Nós não podemos ficar esperando a definição de um ou de outro candidato, conforme as circunstâncias. Nós temos de ter nosso candidato para ele mostrar que o Brasil está sem projeto.


ÉPOCA – O governador Serra lidera as pesquisas. Ele deve ser o candidato?

Tasso – O governador Serra tem grande experiência, já foi testado em nível nacional e tem o recall (memória do eleitor) de uma eleição presidencial. Está na liderança, mas não está crescendo, porque está muito recolhido. O Aécio virou uma referência de administração pública em um dos maiores Estados, tem carisma pessoal e um potencial muito grande. Com qualquer um dos dois, estaremos bem.


ÉPOCA – Uma chapa presidencial com os dois é possível?

Tasso – Uma chapa puro-sangue é possível, mas é uma hipótese remota. O problema é saber quem é o vice (risos).


ÉPOCA – O que o senhor acha da ideia de Ciro Gomes, seu aliado no Ceará, de ser candidato a governador em São Paulo?

Tasso – O Ciro tem condições de ser candidato a governador em qualquer Estado, principalmente em São Paulo. Mas minha sensação é que o Lula está doido para se ver livre dele como candidato à Presidência. O PT quer fazer uma campanha plebiscitária. Qualquer outro candidato aliado atrapalha essa estratégia.


ÉPOCA – O que o senhor fará em 2010?

Tasso – Não sou candidato ao governo do Ceará. Já fui governador três vezes. Se for candidato, serei candidato à reeleição.


ÉPOCA – O senhor não coloca isso como uma certeza?

Tasso – Acho difícil colocar. Com todas as coisas que estão acontecendo no Senado, podemos todos sair desmoralizados dessa história. Você olha a composição do Conselho de Ética e vê que aquilo está montado para virar um circo e uma farsa grotesca. Como fica nossa imagem? Eu estou muito deprimido com o que está acontecendo no Senado. Às vezes, eu sinto vergonha de ser senador.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

HONDURAS HOJE

Honduras continua uma pedra no sapato da chamada democracia Latino Americana. O golpe militar põe em dúvida este tipo de regime, em que os governos são eleitos pelo voto direto. Se não forem utilizados os argumentos que justificam um lado e outro temos o seguinte:

a) O governo Zelaya ampliou o conflito com grupos empresariais através de leis trabalhistas e do aumento do salário básico.

b) Acontece que a economia de Honduras se encontra inserida num balaio de frutas plantadas no território de diversos países cujos preços são ditados pelas grandes empresas americanas que se abastecem na agricultura local.

c) O aumento de impostos, normas trabalhistas e aumento do salário quebram a política regional das grandes empresas e Honduras passa a ter a pretensão de formar preços e condicionar custos.

d) Membros do staff de Bush Jr, em Honduras através do Embaixador Americano e da base militar com 500 militares e nos EUA com John Maccain (derrotado por Obama) e com Dick Cheney dão musculatura para a ruptura golpista.

e) Quando nos surpreendemos com a vigorosa resistência dos golpistas apesar de todas as condenações internacionais não se busque isto apenas internamente, mas na associação do valor das plantações com os remanescentes do antigo governo americano junto a um Obama afogado em problemas e muito cauteloso sobre o assunto.

f) Não foi sem razão que outro dia Obama elogiou Lula por ser um esquerdista que não provoca rupturas. Na verdade ele parecia apenas em diálogo consigo.

g) A solução do conflito hoje se encontra entre uma guerra civil (ZELAYA ANUNCIA QUE SE ENCONTRA DEFENITIVAMENTE EM HONDURAS) e uma intervenção armada externa no estilo do Haiti de Aristides.

h) A Zelaya a primeira solução é a que mais lhe interessa. Aos EUA a segunda opção é melhor, pois exclui os contendores num futuro próximo, mas Obama perdeu muito tempo e as convicções na OEA se firmaram contra o golpe.

i) Se Zelaya retomar o poder presidencial o fará na ponta de uma guerra civil, com muitos mortos e rupturas. O futuro imediato seria a formação de contras no velho estilo centro-americano.

j) O estabelecimento de um governo de ruptura em Honduras favorecerá a formação de uma política centro-americana com a Nicarágua e El Salvador. Nisso se encontra a maior motivação para a reação dos autores do golpe.

k) Neste momento também se testa a política internacional de Venezuela, Bolívia e Equador. A ruptura Hondurenha tem tudo de provocação com a atual política destes países.

l) O Brasil, Argentina e Chile têm muita importância, tanto em relação aos três países citados quanto em relação à Colômbia e Peru. O fator moderador em que um avanço em renda ocorra na América Central ocorra e se mantenha relativa cordialidade com Washington é do Mercosul.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Parque de Exposições, Xodó dos Cratenses


Dias atrás li, neste mesmo Jornal, uma matéria que falava da intenção do Governo do Estado em mudar o local do Parque de Exposições do Crato. Sem dúvida, para quem é do Crato, mora no Crato, ou pelo menos conhece o Crato, recebeu esta notícia com surpresa e certa dose de desconfiança. A proposta já amplamente divulgada e debatida pelos meios de comunicação e sociedade, base da discussão, trata da construção de um novo Parque, em local a ser definido, e a construção de um novo Campus da URCA no terreno onde hoje está o Parque. A repercussão foi imediata. Todos perguntam e opinam sobre: Quais seriam as conseqüências da possível retirada do maior referencial econômico, cultural e histórico da cidade para outro lugar? Quem garante que esse novo Parque teria a aprovação popular e dos turistas? Seu novo local não anularia a tradição do Parque atual? Caso o novo Parque fosse um fiasco quais seriam as conseqüências irreversíveis e os prejuízos irreparáveis à cidade e sua gente?

Para a população do Crato, e das cidades circunvizinhas, esta é a sua maior festa! Julho é a época do ano em que todos ressurgem para rever parentes e amigos e, sem dúvida, a “Exposição” é o grande motivo! O local é marcado pela tradição de 58 anos de romarias ao ponto de encontro de todos os cratenses, espalhados pelo mundo. É a época do ano onde os filhos do Crato se reencontram em solo conhecido, envoltos em boas lembranças, que faz com que nos reconheçamos a partir da festa que atravessou todas as fases de nossas vidas. O Parque de Exposições é um ícone da cidade que, hoje, se confunde ou forma a própria identidade do Cratense. O que aconteceria se retirássemos a Praça do Ferreira, em Fortaleza, do local onde está e a transferíssemos para o Bairro Aerolândia? Ou o Carnaval de Olinda, de Olinda? Que tal se a Torre Eiffel, em Paris, de uma hora pra outra não estivesse mais lá? É da imagem, da tradição, que nós estamos falando!

O que se há de concreto hoje é um evento, sucesso de público, acontecendo no mesmo local, ano após ano, há mais de meio século. É fato também que administrações públicas anteriores não investiram na ampliação da instalação existente no Parque, que pouco difere da inaugurada na distante década de 50. Vale salientar que a atual estrutura não equivale nem à metade do tamanho total do terreno disponível. Que a URCA precisa de um Campus maior e melhores instalações é verdade, mas isso depende muito mais de dinheiro do que de espaço. O ginásio poliesportivo que seria construído em um terreno que abriga um estacionamento improvisado durante a exposição, nunca saiu do papel. Bem como a reforma do galpão (almoxarifado da URCA), vizinho ao mesmo estacionamento, que abrigaria os gabinetes de professores do Campus Pimenta. Que a cidade precisa destes 25 milhões isto pode ter certeza! Estou certo de que todos louvam a atitude do governador de direcionar este montante do orçamento estadual para o desenvolvimento do Crato. O que precisa ser estudado é de que maneira este dinheiro será melhor aproveitado em prol da cidade.

Sugiro que as obras citadas, previstas em Planejamentos Estratégicos da URCA, sejam executadas. Sugiro ainda um estudo arquitetônico, que utilize toda a área ociosa do terreno existente, que resulte num projeto que ofereça mais conforto a demanda crescente de expositores e visitantes. E claro, não se esquecer de reservar verba para melhoria do atual Campus Pimenta - URCA. Acredito que a melhor proposta sempre será aquela que represente o atendimento dos desejos da população da cidade, maior interessada e beneficiada dos melhoramentos. Sugiro ouví-la!

Dimas de Castro e Silva Neto

Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Foto: gentilmente cedida Jornal do Cariri

sábado, 4 de julho de 2009

A beata do milagre – por Nilze Costa e Silva

Da janela da casa nº 239 da antiga Rua do Arame, hoje Padre Cícero, uma senhora me atendeu com cara de espanto, quando perguntei se lá morou a beata Maria de Araújo. Também eu me assustei, pois parecia estar vendo a própria beata, tal a semelhança entre as duas, segundo descrição que colhera nos livros: magra, pele negra, cabelos crespos. Acordei dessa fugaz viagem e antes que a “sósia” me fechasse a janela na cara tratei de explicar-lhe que estava a escrever um romance sobre a protagonista do milagre de Juazeiro e queria saber se naquela casa haveria algo sobre ela: algum escrito, uma foto, uma placa... Dirimidas as dúvidas, ela colocou os cotovelos na janela e respondeu: “Nada! Não tem nada dela aqui não”.

Esta mulher tem, talvez, a mesma idade que teria a beata antes de falecer nesta mesma casa, em 1914. Em torno de 51 anos – de novo viajei. A moradora falou ser freira, que a casa é da diocese, e que mora com outras naquele local há poucos anos. “Mas irmã, em todas as casas onde Padre Cícero morou tem lá suas marcas, seus objetos pessoais, sua história.” Animou-se e disse que sentia muito, mas que realmente não havia nada mesmo na casa, que identificasse a beata. Acrescentou saber de toda a história.
Que admirava Maria de Araújo, mas a Igreja apagou todos os vestígios para que ninguém soubesse que ela um dia tivesse existido. Proibiram até que se falasse em seu nome. No entanto, estava havendo um movimento na igreja para reabilitá-la. Que eu podia ir à Capela do Socorro e ver que existe um lindo vitral em sua homenagem, na parte de cima, junto com Padre Cícero e alguns santos. Que na entrada do cemitério acoplado à capela, há uma placa fazendo menção à morte da beata. E só, pois seu corpo desapareceu desde 1930.

Dia 28, passado, abri o jornal O POVO na página sobre o Cariri e fiquei feliz: no local onde nasceu a injustiçada beata vai ser fixada uma placa em sua memória.


Nilze Costa e Silva - Escritora