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sábado, 14 de novembro de 2009

A Cola do Henrique – por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nesta sexta-feira 13, eu e Magali participamos de um agradável jantar, a convite do nosso amigo e meu ex-colega do velho Colégio Diocesano do Crato, José Henrique Vieira da Cruz, que nos anos sessenta era conhecido em todo o Crato por “Henrique da Pernambucana.” Para nós, seus colegas do Diocesano, ele era simplesmente o “Nêgo Henrique”, cheio de bossa, criador da “Charanga da Pernambucana” que animava o carnaval de rua cratense. Também foi o fundador da “Sociedade Esportiva Buchada”, uma entidade que, como o nome bem sugere, reunia todos aqueles que gostavam de jogar futebol de salão, mas por jogarem com uma bola bem “quadradinha” eram injustamente relegados pelo selecionado do colégio.
Henrique relembrou para nós muitas histórias daquela época que vale a pena contar. Uma delas era sobre uma “cisma” que Monsenhor Montenegro tinha com ele. Diretor do Colégio e nosso professor de Inglês e OSPB, apesar de austero, o monsenhor tinha muito carinho pelos seus alunos. Para ele, “Henry”, como assim o chamava, “pescava” nas provas de suas duas disciplinas. E tinha toda razão.
Naquela época as carteiras escolares eram para dois alunos, o que possibilitava a visualização de tudo aquilo que o colega ao lado escrevia. Henrique sentava-se na mesma carteira com um colega estudante de inglês no IBEU, cujo programa era bem mais avançado. Os dois combinaram que fariam um acordo de permitir que um pudesse “olhar” o que o outro escrevia. Nas provas de inglês Henrique copiava quase tudo que o colega escrevia, com o cuidado de cometer alguns erros de propósito, de modo a tirar uma nota um pouco inferior que à do colega. Após a prova corrigida, eram devolvidas aos alunos com a respectiva nota. Numa delas, Henrique recebeu sua prova sem nota. Foi perguntar ao monsenhor por que sua prova não estava corrigida. “É a mesma prova do seu colega do lado. Na próxima eu quero ver você colar. Vai se sentar sozinho, bem aqui na minha frente.” Disse-lhe o monsenhor, sob protestos do Henrique de que havia uma questão em branco. O desafio foi lançado. Como não havia mais nenhuma prova de inglês, a seguinte seria de OSPB. Na véspera dessa prova, Henrique preparou uma cola num pedaço de papel um tanto quanto espesso, amarrou-o com uma liga presa na parte inferior da calça, de modo que a folha de papel ficasse rente as meias do sapato. Tudo ele programou, visualizando antecipadamente todas as possibilidades. No dia da prova Henrique disse ao colega: “Ele vai me chamar para frente e eu pego o teu livro de OSPB para levar comigo. Então ele vai me mandar deixar o livro na carteira.” Foi dito e feito conforme o programado. “Deixe o livro na carteira Henry. “Está pensando que hoje você vai colar!”– Disse-lhe o monsenhor. Era o que Henrique queria. Sentou-se numa carteira estrategicamente colocada ao lado da mesa do professor. Durante a prova, a cada descuido do monsenhor, Henrique puxava pela liga e copiava alguma coisa. Mas como antecipadamente dedicara um bom tempo para preparar o seu artefato de pesca, muita coisa havia aprendido e ia respondendo sem necessidade de colar.
No dia da entrega das provas o monsenhor exclamou: “Estão vendo! Quando o Henry quer, ele estuda!” A classe inteira soltou uma estrondosa gargalhada.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Mostra Sesc Cariri de Cultura: do mundo ao sertão

Teatros, praças, centros culturais, escolas e até mesmo a casa do próprio espectador são transformados em palcos durante a Mostra SESC Cariri de Cultura. A décima primeira edição do evento acontece até 20 de novembro em 15 cidades do Vale do Cariri, no sul do Ceará, e depois continua em Fortaleza, entre 21 e 26 de novembro. A programação movimenta mais de 600 artistas de 11 países, em espetáculos de teatro, literatura, música e audiovisual, excursões gastronômicas, debates e oficinas. As apresentações devem atrair cerca de 300 mil pessoas à região.

No Vale do Cariri, o público pode acompanhar a programação em espaços culturais, praças e escolas nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Nova Olinda. Durante o evento outros 11 municípios da região recebem apresentações itinerantes, formando o Circuito Patativa do Assaré. Os espetáculos trazem artistas de Portugal, Argentina, Uruguai, Finlândia, França, Colômbia, Cabo Verde, Cuba, Espanha e Alemanha, além de grupos do Brasil.

Na programação, a Mostra SESC Cariri de Cultura apresenta uma variada interação entre o espectador e os artistas. Em várias apresentações, eles descem do palco e transformam o público em parte do espetáculo. Ainda mais ousada, a peça teatral Bineural-Monokultur, dos argentinos Ariel e Christiane, usa como locações as próprias casas dos espectadores. O Grupo Pedras de Teatro, do Rio de Janeiro, convida o público a se sentar à mesa de jantar durante a apresentação do espetáculo Mangiare.

Durante a Mostra ocorre ainda o seminário Arte e Pensamento – A Reinvenção do Nordeste. A conferência acontece entre os dias 16 e 19 em Juazeiro do Norte e promove palestras sobre as produções artísticas e culturais da Região Nordeste na atualidade. Entre os convidados estão Daniel Lins, filósofo e professor associado da Universidade de Paris, e Durval Muniz de Albuquerque Jr., pós-doutor em história pela Universidade de Barcelona.

No encerramento da Mostra na região do Cariri, em 20 de novembro, diversos artistas participam do OverDoze. O evento acontece em Crato, com programação variada durante 12 horas ininterruptas. Com espetáculos de várias linguagens, o OverDoze traz um compacto do que foi apresentado nos dias anteriores. Em Fortaleza, o público se despede da Mostra no dia 26 com uma aula-espetáculo do escritor pernambucano Ariano Suassuna, no CineSESC São Luiz, e com diversas apresentações na Praça do Ferreira, ponto central da cidade.



Acesse AQUI a programação completa.

Fonte: SESC

Triunvirato da Poesia Cariri: Chagas, Lupeu & Domingos Barroso

que futuro tem a poesia

que futuro tem a poesia?
poetas cortando a própria carne
faca entre os dentes
arte enlatada
tudo por três reais e quinze centavos
ou um pouco mais

que nunca se sabe o valor real das coisas
ainda que falsas
como falsa é a tarde cheia de avisos
que faz todos absolutamente cativos

no meio da avenida tem um menino
ele não cabe num verso
a cidade lhe tem aversão

todas as cidades do mundo
com seus peitos enlameados
amadas como putas
no meio de cada uma um menino
perdido no reverso do amor
acredite em mim!

uma versão do amor que resulta
num inferno de vozes
ruídos roncos estrela solitária
estrelas caçando um céu
mesmo que de aluguel

que futuro tem a poesia?

Poesia de Chagas

(...)

Quero porque quero. E o querer me movimenta como se motor fosse. Ilegal. Como se fosse. Voraz como um afrodisíaco ainda não inventado. Dengo. Como se fosse dengo. Assim como se fosse um sorvete de gosto engraçado. Fruta gelada talvez. Como se fosse. Ansiedade de ver na cidade um caminho que minimize a dor de viver do resto. O cérebro, esse motor engraçado, ainda bem. Sei não das coisas que penso que sei. Abraço dado no que olha a bunda com fome. Silencio quando o que não quero ouvir salta na mesa. Deuses que envelhecem como se envelhecer não fosse. Impossível não se surpreender. Sei lá. Não sei. O a dois é quase três. Reticências onde pode haver interrogação. Eu sou o meu desejo. Eu sou o melhor que deus achou de fazer de mim. Eu sou uma instalação de um artista pop com lobotomia. É sim. Estou entregue. E tenho ânsia. E faço graça do relógio. E faço graça do tempo. Tem porra nenhuma acontecendo. Amanhã eu penso em depois de amanhã. Até porque sempre será domingo quando eu quiser.

Crônica de Lupeu Lacerda

(...)

Livro de Veludo

Eu berro, uivo, corto o dedo
acho a vida intragável
já acendi velas
vomitei no travesseiro
nunca fui amado
nem amei criatura alguma

Eu forjo provas do crime
minto, iludo quem me cerca
tenho inveja do homem belo
meu sonho é traçar divas superstars
sugar-lhes a alma, roubar-lhes os diamantes

Eu não presto atenção no outro
aproveito-me da amizade sincera
adoro minhas flatulências
não tenho paciência com idosos
nem com mancebos arrebatados
amo minhas paredes
já comi na infância muito barro
engordei solitárias
fui um mísero sonhador
sempre levando chutes na bunda
das musas estonteantes e cruéis
experimentei alfenim quente
mastiguei raízes químicas
bebi, fumei, queimei o nariz

Sou um sujeito horrendo
e entre mortos, feridos e loucos
a Poesia sempre vence
nunca vacila.

Poesia de Domingos Barroso

Agenda Cultural

Companhias de Teatro realizam Guerrilha no Cariri
Os grupos de teatro e dança da região do Cariri se uniram para realizar no período de 07 a 22 de novembro a Guerrilha do Ato Dramático Caririense. O evento reune 16 espetáculos de dança e teatro direcionado para o público infantil e adulto. A abertura da Guerrilha aconteceu no último sábado, 7 de novembro, com uma procissão de artistas e brincantes saindo da Praça São Vicente e em direção ao Teatro Rachel de Queiroz , Quartel General dos guerrilheiros do ato dramático.
Programação
14/11 (sábado), 19:30h: “O PECADO DE CLARA MENINA”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico do Crato, direção de Cacá Araújo.

15/11 (domingo), 19:30h: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico da SCAC, direção de Cacá Araújo.

16/11 (segunda-feira), 19:30h: “DESMISTIFICANDO TABUS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

17/11 (terça-feira), 19:30h: “COQUETEL”, de Wanderley Tavares, com a Cia. Wancylus Gat Produções, direção de Wanderley Tavares.

18/11 (quarta-feira), 19:30h: “DENTRO DA NOITE ESCURA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

19/11 (quinta-feira), 19:30h: “AS IRMÃS CASTANHOLAS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

20/11 (sexta-feira), 19:30h: “ESPERANDO COMADRE DAIANA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Renato Dantas.

21/11 (sábado), 19:0h: “BR 116”, de Allysson Amancio, com a Allysson Amancio Cia. de Dança, direção de Allysson Amancio.

22/11 (domingo), 19:30: “BÁRBARO”, com o Grupo Ninho de Teatro.

Agenda do CCBNB Cariri
Dia 14/11, sábado
Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE
14h - Bibliotequinha Virtual.
15h30m - Oficina de Arte e Recreação Educativa.
17h - Sessão Curumim: O Espanta Tubarões.

De 14 /11, sábado, a 19/11, quinta-feira
19h - Especiais MOSTRA CONEXÃO BRASIL CCBNB (Mostra SESC - Cariri)

De 16/11, segunda a 20/11, sexta-feira
Das 14h às 15h - Programas de Rádio na Educadora do Cariri AM. Respectivamente: MPB, com Roberto Marques; Cultura de todo Mundo, com Lenin Falcão; Blues, com Michel Macedo. Composiores do Brasil, com Zé Nillton e Cariri Encantado, com Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael.

ABRIR A CORTINA DO EU - Por Emerson Monteiro

Venha comigo. Vamos juntos erguer a barra do horizonte e vislumbrar algumas imagens resistentes ao esquecimento. Parei, ouvi ruídos e flagrei, circulando sorrateiras nesse espaço que habita a fronteira de mim com a memória, algumas ideias do mundo divisório, transcendental, filhas infinitas do ativo das horas e do ritmo trepidante lá no sótão pegajoso das pausas que pulsam sem parar, limite de coisas e inexistências.
Essas nuvens tradicionais de palavras conhecidas, sentimentos às vezes impetuosos, impacientes poças d’água espalhadas ao longo do caminho, deslizavam ligeiras em propulsão acelerada sob pés indecisos desta sombra que passa numa velocidade selvagem, cativa de atitudes ferinas, a conduzir fragmentos ao final de vários dias, causando reviravoltas no céu, algazarra festiva de andorinhas alegres, inconsequente bando afogueado de colegiais no intervalo das vidas.
Formas de juventude eterna, momentânea. Tudo possibilidades juvenis, sonhos afinados com o vento, feira livre de escorregadias ilusões, lógica perene de turmas de formação e contextos impostos por saltimbancos autoritários, na cena que se abre ao expectador sequioso de nós próprios, riscos, papéis, recordações, arquivos jogados fora, lama fermentada de velhos aniversários e alucinada comemoração.
Com isso, a vontade farejava encontros novos, cruzamento genético de letras e sentido, forçando com bravura o pulmão do parágrafo e gerando blocos consistentes de valores, na alma dos calendários, marcas doridas, atos contidos de luzes, cicatrizes, aventuras, pontos assustados no azul do firmamento, corpos suados de notas musicais e pinceladas agressivas, sonhos absurdos, sementes plantadas em outra dimensão, calada, quieta de querer, dentro das dobras dos corações celerados. Energia que circulava toda a pele do momento, tatuagem de cascas de árvore estóica, vítima do imprevisível carrasco pontiagudo, fagulhado, passado de folhas secas na cascata das eras, tintas e sons assoberbados de dúvida ao impacto da emoção cristalina.
Com passos calculados, cuidadosos, de fera na busca do alimento, ações sincopadas, o espectro arrisca estender mãos no oco do imediato e lota de influência cada aspecto no seguinte do imaginário, e avança clandestino pela greta entre as moléculas da ânsia, corredor vazio diante da sequência dos acontecimentos, película dirigida autor genial, mestre do inesquecível e sábio todo imortal.
De pronto, cresce nos olhos clínicos um tato suficiente a florir de esperança fumegante o desejo, na areia da permissão, ainda que, consigo, traga germes de interdição, todavia, consistente qual meteoro enlavecido na farra vertiginosa da transformação dos impulsos em matéria prima, metamorfose de açúcar em sal, mel em pólen.
Houvesse circunstância favorável, abrir-se-ia a cortina num volteio de brisa, aos acordes do silêncio adormecido na leveza do mistério. Então, luvas crispadas, nervosas, romperiam a vitrine da memória, e poemas e prosas jorrariam em traços e sílabas, silvos e gemidos, inundando a antessala do furor, lívidos atores do espetáculo do alvorecer, e pediriam à orquestra que jugulasse a noite com fanfarras maravilhosas. Entretanto, o pano só se renderia aos metais, largando desenhos conclusivos no ar platinado, sonoro, carrancudo, da presença do senhor e soberano do inevitável tudo Isso.

Pensamento para o Dia 14/11/2009



“Quem é você? O Atma. De onde você veio? Do Atma. Para onde você vai indo? Ao Atma. Quanto tempo você estará aqui? Enquanto estiver envolvido em buscas sensuais. Onde você está? No mundo irreal e mutável. Em que forma? Como aquele que não é o Atma (Anatma). Em que você está interessado? Em tarefas efêmeras. Portanto, o que você deveria fazer daqui por diante? Abandonar tais tarefas efêmeras e esforçar-se em fundir-se ao Atma.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O APAGÃO MATERIAL E ESPIRITUAL


Acredito que a vida guarda uma simetria e semelhança cosmológica e ontológica. Um mundo de fenômenos sutis e invisíveis acontece paralelo ao nosso mundo de fenômenos concretos e visíveis. E muitas das vezes não percebemos, ou seja, não vemos porque não temos ainda sensibilidade para tal. Quantos de nós já se deu conta de uma fonte de luz importante que existe interiormente desligada de nossa consciência? Uma multidão vive num apagão psicológico-espiritual! E por causa disso, não consegue ver e caminhar de forma consciente pelas avenidas, estradas, becos e ruas escuras ou mal iluminadas da realidade. É um transtorno individual e coletivo psico-espiritual. O apagão material é fácil de se perceber imediatamente porque pode ser observado no instante em que acontece. Os sinais estão no contexto social e energético em que vivemos, e dependemos dessa energia que nos é familiar. É o gás que falta; é a lâmpada que não acende; é o televisor que não funciona; é o computador que não liga etc. Nos identificamos com essa energia-tecnologia e pagamos pelo seu uso. E quando tudo deixa de funcionar de uma vez só percebemos que foi um apagão, algo que aconteceu de forma geral em quase todos os lugares em que habitamos e convivemos. E logo queremos uma explicação racional dos motivos ou causas que fizeram acontecer o apagão indesejável. No apagão mais recente as autoridades alegaram interferência atmosférica: um raio atingiu um ponto crucial da malha de distribuição elétrica!!! (????) Outros por sua vez dirão que tem algo mais que não querem trazer à luz os fatos verdadeiros: falta de investimento no setor de gestão da mega-rede elétrica interligada. E assim, comissões de políticos se formam para debater e cobrar uma verdade mais convincente e real. Todos querem a verdade sobre o apagão material! Pois, o prejuízo material-econômico é imenso: perdas de produção na indústria, acidentes nas estradas e cruzamentos, assaltos, cirurgias que são afetadas, indivíduos que sofrem por falha de instrumentos que garantem a sua sobrevivência, bancos que não permitem a retirada do dinheiro etc. O caos!

E o apagão espiritual? Os sinais dele estão no comportamento dos indivíduos em suas atitudes cotidianas. É o consumo de drogas em geral; a violência gratuita; a banalização da vida; o desrespeito aos valores fundamentais-sagrados; a desigualdade e injustiça social; a riqueza concentrada nas mãos de poucos; os muros e cercas que isolam consciências e acirram disputas por mercados ou poder (político ou econômico) ; a corrupção como cultura do mais “esperto” do que o outro; a exploração do trabalho socialmente necessário em detrimento do trabalho espiritual (pessoalmente imprescindível); a massificação de propagandas persuasivas negando ou retirando a oportunidade do outro pensar, decidir e agir por sua própria consciência; a tecnologia que serve para escravizar a mente humana; a aceleração do ritmo de produção e consumo ad infinitum; a destruição e poluição do ecossistema; a exploração dos recursos naturais de forma desequilibrada e desenfreada; a perda da idéia primeira da hierarquia dos processos sutis internos e externos da natureza. É, portanto, a alienação de uma civilização dita “moderna” que mais exclui do que inclui. É a miséria interior em cada um de nós. Pois, 2/3 da humanidade não tem a oportunidade de viver dignamente como seres humanos normais. Uma boa parte da nossa população vive como animal defendendo sua propriedade e ganho material-econômico com unhas e dentes enquanto ao lado alguém sofre e precisa de uma ajuda solidária: uma palavra amiga, um pedaço de chão irmão, um prato de comida saudável, uma oportunidade de trabalho justo etc.

O apagão espiritual é, portanto, a ausência de uma consciência solidária, amorosa e holística. Infelizmente o apagão espiritual continuará porque ainda só enxergamos o apagão material-econômico. Todo nosso viver é para assegurar a luz dos valores materiais-econômicos. Enquanto isso, o caos da escuridão interior ocorre ferozmente destruindo psiques e consciências em desenvolvimento. Nossa civilização está se desabando e escurecendo por falta de luz-consciência-de-si. Hoje, precisamos mais de luz-ontologia do que de luz-tecnologia; mais de homens conscientes do que animais racionais; mais gentileza no agir do que retórica no discursar; mais verdades profundas do que conhecimentos que não falam a língua do Espírito que habita o mundo interior humano. Falta, portanto, a presença de uma super-consciência universal, holística, ética, equilibrada e fraterna em cada mundo individual humano. Sem isso, poderemos até iluminar o planeta todo com luz eletromagnética, mas com certeza escureceremos o mundo interior fazendo com que deixemos de enxergar a fonte de todas as energias e verdades.

Infelizmente nos tornaremos cada vez mais cercados de escuridão, destruição, ignorância de si e infelicidade!

Bernardo Melgaço da Silva

Pensamento para o Dia 13/11/2009


“Abandonar o pequeno “eu” é o que realmente significa renúncia. Isso quer dizer: sublimar cada pensamento, palavra e ação em uma oferta a Deus, saturando todos os atos com intenção Divina. Cultivar o amor é a melhor disciplina espiritual. O amor se dá eternamente e nunca pede algo em troca. Derrame amor sobre os outros e você receberá de volta. Pare de compartilhar o amor e não haverá nada mais para compartilhar. O amor prospera com a renúncia; de fato, eles são inseparáveis.”
Sathya Sai Baba

O Expresso Mundo está chegando


Começa hoje a 11ª Mostra SESC Cariri de Cultura. E hoje também estou abrindo o bar-café "Expresso Mundo", na antiga estação ferroviária do Crato (RFFSA). Um local de alegria, abraços, beijos, paquera, emoções, bate-papo, boa música, encontros, leitura, cultura, despedidas, amizades, amores, e de muitas emoções.
Entre nesse expresso e viva mundos diferentes.
Expresso Mundo, onde todo mundo se expressa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Programa Cariri Encantado destacará Mostra Sesc Cariri de Cultura



O programa Cariri Encantado de amanhã, 13 de novembro, destacará a 11ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, entrevistando Dane de Jade (foto), coordenadora e uma das idealizadoras do evento que é considerado a maior mostra de cultura do interior do Ceará,.

O programa de amanhá veiculará as seguintes músicas:
- Raio de Fogo (Banda Montage)
- Mais Tarde, Mais Forte (Abidoral Jamacaru)
- Asas da Poesia (Gildário de Assaré)
- De Lenda e Cantigas (Zé Nilton)
- Retalhos (Luiz Carlos Salatiel e J. Flávio Vieira)-
- Fraternex (Leonardo Leo, Calazans Callou e Carlos Rafael)
- Calar o Amor (Leninha)
- Kariri com K (Moreira), com Moreira & Morais
- Não Haverá Mais um Dia (Pachelly Jamacaru)

O programa trará ainda as poesias "que futuro tem a poesia", de Chagas, e "livro de veludo", de Domingos Barroso, além de uma crônica de Lupeu Lacerda.

O programa Cariri Encantado é veiculado pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.

A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael.

Diversões do Crato nos anos sessenta. – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quem já ouviu falar das tertúlias que ocorriam em Crato nos anos sessenta? Qual o adolescente ou jovem da época, que não freqüentou uma tertúlia? Nesse tempo o divertimento dos jovens do Crato era animado, além de econômico. Quem viveu nessa época sabe como essa diversão era saudável, não havia bebida alcoólica, nem outras drogas. O objetivo era dançar, se divertir, flertar ou namorar. Quem tivesse uma casa com sala ampla chamava os jovens que estavam na Praça Siqueira Campos, para participarem de uma tertúlia. Ninguém sabe como, mas de repente, todo mundo sabia onde haveria tertúlia naquele dia. Depois dos jovens reunidos, a radiola era ligada com os discos mais tocados na época: Roberto Carlos, os Beatles, e todas as músicas da jovem guarda. Lembro-me bem que participei de muitas tertúlias na casa dos meus primos Jefferson Albuquerque Júnior e irmãos. Como a casa era da tia Letícia, mamãe permitia que eu fosse. Entretanto, muitas vezes tinha que fugir, pois ela me proibia de ir, dizendo que não queria que eu fosse “um piolho de festas”. Lembram desse termo? Acho bastante engraçado! Embora eu tivesse certeza que meus dois irmãos mais velhos estariam lá e, eles contariam a mamãe da minha presença na tertúlia; mesmo sabendo que ia receber uma reprimenda, valia à pena participar de tão agradável diversão. A idade de treze anos faz os pais se preocuparem com os filhos. Entretanto, nessa época esse tipo de festa, não tinha perigo nenhum. Uma vez fui a uma tertúlia na casa de seu Pierre. Dancei com Carlos e hoje ainda lembramos que não imaginávamos naquela época, que um dia, seríamos marido e mulher. Ele afirma que já simpatizava comigo. Mas ainda não era o momento de iniciarmos o namoro devido à minha pouca idade.

Outra grande diversão eram as matinais do domingo no Crato Tênis Clube. Ali também se reunia mocidade. Essa eu podia participar, uma vez que papai e mamãe gostavam de ir, levando toda a família.

Havia também as grandes festas do Crato Tênis Clube à noite, tocadas pelos conjuntos: “Hildegardo e Seu Conjunto”, “Ases do Ritmo” de Hugo Linard e do seu pai, seu Irineu, “Ivanildo e seu Conjunto”, o “Águias” e outros.

Muitas pessoas mesmo sem gostar de dançar iam às festas para apreciar os pares que dançavam muito bem. Quem não se lembra de Salete Libório, dançando com Seu Libório, Paulo Leonardo e Vanda, Mariquinha Feitosa e seu esposo, todos eles casais “Pés de Valsa” do Crato daquela época.

No carnaval havia festas no Crato Tênis Clube que eram bastante conhecidas. Muitos foliões vinham de fora para passar o carnaval em Crato. Durante os festejos carnavalescos, além das matinais do domingo e da terça-feira, à noite o clube ficava iluminado para mais um baile de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, todos que estavam na festa saiam acompanhando a orquestra para o encerramento do carnaval na Praça Siqueira Campos. A Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) promovia também muitas festas e carnavais. No carnaval de rua, havia o corso. Eram vários carros desfilando com todos bem fantasiados.

Lembramos também dos cinemas que eram muito freqüentados, o Moderno, o Cassino e a Educadora.

Outra coisa que ficava lotada era a Quadra Bicentenária para as partidas do futebol de salão.

A Praça Siqueira Campos enchia-se de jovens nos fins de semana. Era de lá que os jovens marcavam encontro para irem aos cinemas, às tertúlias ou outros programas como serestas e luaradas.

A Praça da Sé era um local para os casais namorarem nos bancos, à sombra dos oitiseiros e outras árvores. Era mais sossegada do que a Praça Siqueira Campos. Em setembro, durante a Festa da Padroeira, a praça ficava toda iluminada, repleta de barracas de cachorro quente, pipoqueiros, vendedores de filhós, charutos, roletes de cana, bombons, enfim comida para todos os gostos. Uma multidão de cratenses enchia a praça, para assistir a novena e participar das atrações.

Outro evento conhecido no Crato e que já era muito animado nos anos sessentas, era a Exposição Agropecuária. A casa dos meus pais fica localizada na Rua Leandro Bezerra, subida para a Exposição. Eu e minhas amigas sentávamos em uma pequena mureta que acompanhava o jardim da nossa casa. Ficava impressionada com a quantidade de pessoas que passava em direção a Exposição. Hoje o fluxo de pessoas é muito maior.

Falar do Crato dos anos sessenta, não é tirar o mérito do Crato de hoje. É só para lembrar que os jovens ou adolescentes daquela época, que hoje estão chegando aos sessenta anos, que aquele era um tempo feliz. Podemos contar para os filhos e netos que no futuro também irão relembrar os momentos felizes da juventude deles, pois “recordar é viver”.

A infância, a adolescência e a juventude, são fases da nossa vida que servem para alicerçar a vida adulta. São essas experiências vividas na infância e juventude, que nos fizeram amadurecer para nos tornamos adultos equilibrados e felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Juazeiro terá encontro de iniciação científica

O II Encontro de Iniciação Científica/I Encontro de Extensão será promovido pela Faculdade Paraíso do Ceará – FAP com a temática Em busca da Responsabilidade Social Acadêmica, e tem por objetivo discutir as questões relacionadas às pesquisas de caráter social. É intuito desse encontro: despertar a vocação para a produção científica no meio acadêmico e socializar os trabalhos de Iniciação Científica e Extensão desenvolvidos por estudantes e professores do ensino superior, com ênfase na produção da região do Cariri cearense. O evento é aberto ao público em geral e conta com palestras, apresentação de trabalhos, mini-cursos e atividades culturais.

Camilo Santana apóia prefeito de Juazeiro com programa leite fome zero

Com apoio do secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, Camilo Santana, a cidade de Juazeiro será incluída no Programa Leite Fome Zero. O contato foi feito pelo próprio secretário com o prefeito de Juazeiro Dr. Santana, que agradeceu o apoio. O Programa Leite Fome Zero consiste numa parceria do Município com os governos Federal e Estadual para distribuição de leite com famílias previamente cadastradas e de baixa renda. O Secretário Camilo Santana o programa é fundamental para a população carentes dos municípios, e agora, Juazeiro poderá atender às famílias que realmente precisam desse benefício.

Jogos estudantis de Juazeiro serão abertos hoje

A Prefeitura realiza nesta quinta-feira, 12, a abertura oficial dos Jogos Estudantis de Juazeiro do Norte (JEJUNOS). O prefeito Dr. Santana vai abrir pessoalmente os jogos, às 16 horas, no Ginásio Poliesportivo. De acordo com o secretário Aurélio Matias será a oportunidade para os estudantes poderem se unir cada vez mais, praticar esportes, trocar experiências e disputar de forma sadia o título de campeão dos jogos.

Os JEJUNOS 2009, contarão com a participação de 79 escolas, totalizando cerca de 3.000 jovens atletas, com quinze modalidades esportivas: atletismo, judô, karatê, capoeira, natação, tênis de mesa, xadrez, basquetebol, futsal, handebol, voleibol, vôlei de praia, carimba, câmbio e futebol de campo. As partidas foram distribuídas e acontecerão no Estádio Romeirão, Ginásio Poliesportivo, e nas quadras do CERE, SESI, Colégio Salesianos e Escola Lili Neri. Os jogos prosseguem até o dia 19 de novembro.

Pensamento para o Dia 12/11/2009


“A atitude correta de um devoto deveria ser de uma total rendição. Como um devoto declarou, ‘Estou lhe oferecendo o coração que Você me deu. Não tenho nada que possa chamar de meu, pois tudo pertence a Você. Eu Lhe ofereço o que é Seu.’ Enquanto este espírito de entrega não for desenvolvido, o homem terá que nascer repetidas vezes. Deve-se oferecer o próprio coração ao Divino e não se contentar em oferecer apenas flores e frutos.”
Sathya Sai Baba

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 12/11, quinta-feira

Música – COMPOSITORES DO BRASIL
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: Liceu Anderson B. Carvalho (Juazeiro do Norte)
13h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.M Gov. Adalto Bezerra (Juazeiro do Norte)
14h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.F.M Maria Amélia Bezerra (Juazeiro do Norte)
16h Reisado Manoel Messias. 30min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

11ª Mostra SESC Cariri de Cultura será aberta nesta sexta-feira

O evento conta com homenagem da Câmara do Crato ao presidente do Sistema Fecomércio, Luís Gastão Bittencourt, com entrega do título de Cidadão Cratense em reconhecimento aos benefícios que o Sistema Fecomércio tem desenvolvido na Região do Cariri, em especial pelo município do Crato, a Câmara Municipal do Crato, por unanimidade, concede o título de Cidadão Cratense ao presidente da Fecomércio Luís Gastão Bittencourt.


A solenidade será realizada no dia 13 de novembro, às 19h, no auditório do Centro Cultural do Araripe, com presença de vereadores, do prefeito da cidade, Samuel Araripe, secretários e convidados. Na ocasião, será aberta para o Cariri a 11ª edição da Mostra SESC Cariri de Cultura.

O Crato, mais uma vez é palco da abertura da grande festa da cultura, no interior do estado. A abertura será feita por Luís Gastão, no Centro Cultural do Araripe, local onde haverá apresentação de grande parte dos espetáculos da Mostra.

A Mostra acontece de 13 a 26 de novembro no Cariri e em Fortaleza, tem como grande diferencial possibilitar maior interação entre artistas e espectadores. Serão espetáculos de artes cênicas, visuais, literatura, música, audiovisual e até excursões gastronômicas, além de passeios, debates e oficinas. Ao todo, mais de 600 artistas de 11 países – entre eles Cuba e Finlândia - desembarcam na região, que deve receber cerca de 300 mil pessoas. Todo esse público acompanha os espetáculos nos espaços localizados em quatro pólos; nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Nova Olinda. Durante a mostra, o Circuito Patativa do Assaré vai levar apresentações itinerantes para outros 11 municípios. E, a partir do dia 21 de novembro, o Cariri chega em Fortaleza, onde ocorrem espetáculos para todos os públicos. Enquanto a mostra estiver no Cariri, as apresentações vão se concentrar em locais como o SESC Crato; o Centro Cultural Araripe; a Praça da Sé; o Teatro Municipal de Crato; o SENAC Crato; o Crato Tênis Clube; o Memorial Padre Cícero, o Largo do Memorial, a Praça Padre Cícero; a Praça Central de Barbalha; o Teatro Neroly; a Escola de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau e o Teatro Violeta Arraes. Os artistas que participam da mostra, entretanto, também descem do palco, transformando o público em parte do espetáculo.

Matéria enviada via e-mail por Elizângela Santos

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária



Dia 11/11, quarta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Julita Farias. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Espanta Tubarões. 89min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Sítio Belorizonte, Distrito de Lameiro (Crato)
19h Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.


Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
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YUNG E A PERCEPÇÃO DO REAL

"O ideal e objetivo da ciência não consistem em dar uma descrição, a mais exata possível, dos fatos - a ciência não pode competir com a câmara fotográfica ou com o gravador de som - mas em estabelecer a lei que nada mais é do que a expressão abreviada de processos múltiplos que, no entanto, mantêm certa unidade. Este objetivo se sobrepõe, por intermédio da concepção, ao puramente empírico, mas será sempre, apesar de sua validade geral e comprovada, um produto da constelação psicológica subjetiva do pesquisador. Na elaboração de teorias e conceitos científicos há muita coisa de sorte pessoal. Há também uma equação pessoal psicológica e não apenas psicofísica. Enxergamos cores, mas não o comprimento das ondas. Esta realidade bem conhecida deve ser levada em conta na psicologia, mais do que em qualquer outro campo. O efeito dessa equação pessoal já começa na observação. Vemos aquilo que melhor podemos ver a partir de nós mesmos. Assim, vemos, em primeiro lugar, o cisco no olho do irmão. Sem dúvida o cisco está lá, mas a trave está no nosso olho - e pertubará de certa forma o ato de ver. Desconfio do princípio da "pura observação" na assim chamada psicologia objetiva, a não ser que nos limitemos á lente do cronoscópio, taquistoscópio e outros aparelhos "psicológicos". Assim nos garantimos também contra uma demasia exploração dos fatos psicológicos da experiência. Esta equação pessoal psicológica aparece mais ainda guando se trata de expor ou comunicar o que se observou, sem falar da concepção e abstração do material experimental. Em parte alguma, como no campo da psicologia, é exigência absolutamente básica que o observador e pesquisador sejam adequados a seu objeto, no sentido de serem capazes de ver uma e outra coisa. Exigir que só se olhe objetivamente nem entra em cogitação, pois isto é demais. O fato de a observação e a interpretação subjetivas concordarem com os fatos objetivos prova a verdade da concepção apenas na medida em que esta última não pretenda ser válida em geral, mas tão-somente para aquela área do objeto que está sendo considerada. Nesse sentido, é exatamente a trave no nosso próprio olho que nos possibilita ver o cisco no olho do irmão. E nesse caso a trave no nosso olho não prova que o irmão não tenha um cisco no seu olho, como ficou dito. Mas a pertubação de nossa visão leva facilmente a uma teoria geral de que todos os ciscos são traves. Reconhecer e levar em consideração o condicionamento subjetivo dos conhecimentos em geral e dos conhecimentos psicológicos em particular é a condição essencial e correta de uma psique diferente da do sujeito que observa. Esta condição só será satisfeita quando o observador estiver suficientemente informado sobre a extensão e a natureza de sua própria personalidade. E só poderá estar suficientemente informado quando se tiver libertado da influência niveladora das opiniões coletivas e, assim, tiver chegado a uma concepção clara de sua própria individualidade" (p.25-27).

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pela esquerda ou pela direita?

Sem arrodeios, existem duas regras, básicas, de trânsito que são desrespeitadas diariamente e que sozinhas devem representar a maior parte os acidentes em nossos dias: ultrapassagens proibidas pela direita; e guardar a faixa da esquerda sem pretender nenhuma ultrapassagem. Todos nós, dirigindo carros, motos ou dentro de algum transporte coletivo, por algum tempo, durante o dia estamos expostos a este tipo de situação.

De maneira geral, ultrapassar exclusivamente pela esquerda é regra NUNCA obedecida pelos motoqueiros. É impressionante! A motocicleta deve passar esta “impressão” ao condutor de “donos da situação”, seres intocáveis, perfeitos, incapazes de cometer erros de cálculo no tempo de uma ultrapassagem ou até mesmo da capacidade de reagir a um movimento inesperado de um motorista que será ultrapassado. Não é raro encontrarmos motoristas de carros, grandes ou pequenos, cometendo a mesma séria infração. O fato é que, exceto raríssimas exceções e ai me incluo, TODOS ultrapassam pela direita! Levados, talvez, pela impaciência de esperar infinitamente a hora em que o “magnífico” motorista à sua frente resolva tomar à faixa da direita e liberar a via, de ultrapassagem, para ultrapassagem.

Já deu pra notar que, atribuo parte dos problemas de trânsito aos que guiam veículos de 2 rodas, mas tenho meus argumentos. Quantos motoqueiros, em cada 10 que você conhece, têm carteira? Não conheço a estatística oficial, mas já ouvi dizer que seriam 4, ou até mesmo 5, “sem habilitação” na região do CRAJUBAR. Se partimos para cidades vizinhas esse número deve subir para 6 ou 7! Ou seja, não passaram pelos exames, muito menos pela preparação necessária ao entendimento de todas as regras de legislação e primeiros-socorros no trânsito. Quem nunca viu uma moto deitada no chão ao lado de algum desatento ou desafortunado motoqueiro? Estes são levados a conhecerem seus limites quando são abalroados e caem vítimas de sua própria imprudência ou imperícia. A desvantagem das motos é que não há cintos de segurança, nem air-bags, e que o pára-choque normalmente é a cabeça, tórax ou os membros do condutor e garupeiro.

Quero deixar uma mensagem aos, nobres, motoristas “proprietários das faixas da esquerda” dizendo: “Deixem-nos passar!”. Vocês também precisarão disto uma hora! Deixem o orgulho de lado, digo a ignorância, e entendam que não tem direito exclusivo do uso da faixa, apenas porque chegou ali primeiro! Quer chegar em primeiro lugar? Vá a um autódromo! Lá você pode ter sua chance. Arrisco dizer que, esse gesto evitaria pelo menos metade dos acidentes com moto que ocorrem, muitas vezes, da desatenção do motorista que trafega pela esquerda e devido à imprudência de motoqueiro que insiste em ultrapassar pela direita. Apelo também aos gestores do trânsito local que promovam campanhas educativas! Divulguem as estatísticas de acidentes e infrações. Fiscalizem veículos e condutores. Punam os infratores! A educação é ponto fraco de nossa nação. A educação no trânsito, ou a FALTA de educação, vem fazendo vítimas a todo instante. Não sejamos as próximas.

Dimas de Castro e Silva Neto

Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri