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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nem demônio, nem anjo, mas ator social - por Maria Inês Nassif no jornal Valor Econômico

A técnica de discurso doutrinário, particularmente usada em situações históricas onde grupos de poder precisam de forte respaldo popular para seus projetos próprios, centra-se na repetição de “verdades” – verdades mesmo, verdades aumentadas ou simplesmente mentiras – que respaldem ideologicamente não apenas esses setores, mas convençam a um maior número de pessoas de que são verdades únicas, contra as quais não existe argumento racional. Essas verdades têm que ser apresentadas como dogmas, sob pena de não parecerem “a” verdade. Isso é muito usado eleitoralmente, mas não apenas nesses momentos em que o convencimento de parcelas majoritárias da população pode se converter em votos que respaldarão democraticamente um projeto de poder. Ela se incorpora à própria vida social quando o que está em jogo é uma disputa pela hegemonia.

O livro “Combatendo a desigualdade social: o MST e a reforma agrária no Brasil”, organizado por Miguel Carter – mexicano criado no Paraguai – professor da School of International Service da American University, em Washington DC, coloca em perspectiva o senso comum criado em torno do MST. Primeiramente, ele propõe que se deixe de lado dois exageros: da direita, que, no limite, equipara o movimento pela reforma agrária ao terrorismo; e o de esquerda, que o romantiza, superestimando a sua influência. Na introdução ao livro, que traz 16 artigos de autores variados, Carter relativiza uma e outra posição. O MST é um movimento complexo e duradouro, mas é uma “associação de pessoas pobres”, “opera com recursos limitados” e é susceptível a problemas de ação coletiva como qualquer outro movimento social. Não agrega mais do que 1% da população, nem chega a 5% da população rural. Não é bandido e não é mocinho: apenas um ator social sujeito a erros, mas que representa setores sociais expostos à miséria e vitimados por uma das piores distribuições de renda do mundo.

O MST tem dois grandes méritos históricos, segundo o autor: o de expor e desafiar enormes desigualdades de renda e fundiária do Brasil, internamente; e, externamente, de ter recolocado na agenda internacional a reforma agrária, depois da hibernação do tema no período pós-anos 80, quando a forte urbanização do Terceiro Mundo, o avanço tecnológico agrícola e a ascensão do neoliberalismo começaram a questionar fortemente a reforma agrária como política pública. E a forte reação interna de determinados setores sociais ao movimento responde muito mais ao que o MST expõe – um país com uma imensa concentração de renda e fundiária – do que propriamente pelo risco “revolucionário” que representa.

O movimento, de fato, tem um elevado grau de sofisticação de organização popular, registra Carter: estima-se “1,14 milhão de membros, mais de 2 mil assentamentos agrícolas, cerca de 1.800 escolas primárias e secundárias e uma escola de ensino superior, vários meios de comunicação, 161 cooperativas rurais e 140 agroindústrias”. Entre 1985 e 2006, conseguiu assentar seus integrantes em 3,7 milhões de hectares. Mas, embora o mais visível e organizado movimento pela reforma agrária – até 2006, tinha mais de um quarto dos 7.611 assentamentos do país -, não mantém a mesma proporção de participação na terra distribuída pelos governos. Segundo o organizador do livro, mais de 90% da terra distribuída entre 1979 e 2006 responderam a reivindicações de outros movimentos de sem-terras.

O outro mito seria o de negação do Estado pelo MST. As reformas agrárias, por definição, “implicam o envolvimento do Estado na reestruturação de relações de direito de propriedade”. Sem o Estado, isso só acontece em situações de guerra – mas, mesmo nessas ocasiões, o Estado deve sancionar o resultado da disputa. Também não existe reforma agrária se não houver demanda social por distribuição fundiária. Carter sugere que a execução de reformas agrárias acabem se constituindo numa articulação de impulsos do Estado – que sanciona – e da sociedade – que demanda. No caso do MST, o movimento articula as duas faces da reforma: as marchas e invasões normalmente são apenas um lado da mobilização, que se completa – e concretiza a reforma agrária – com a negociação com o Estado.

Outro dado que relativiza o poder de interferência na vida institucional do país, reproduzido pelo autor, é o de sua representação política, em relação à dos grandes proprietários rurais e do agronegócio. Segundo ele, de 1995 a 2006, a representação política média dos camponeses sem-terra e agricultores familiares foi de um deputado federal por 612 mil famílias. Os grandes proprietários rurais fizeram um deputado federal para cada 236 famílias – tiveram, portanto, uma representação parlamentar 2.587 maior que a dos sem-terra. Essa distorção decorre de uma precariedade de direitos políticos entre os pobres – a negação do direito do voto aos analfabetos até 1985, o clientelismo político, a prática de compra de votos e distorções de representação. O maior acesso dos latifundiários ao poder político resultou em acesso correspondente ao orçamento público: para cada dólar disponibilizado de dinheiro público aos sem-terra, foram liberados US$ 1.587 dólares para os maiores fazendeiros do país.

A realidade que se esconde nas amplificações do “perigo” do MST não é boa para o processo civilizatório brasileiro. Mesmo andando nos governos FHC e Lula – de forma “reativa, restrita e de execução morosa” – , a reforma agrária brasileira é, em termos proporcionais, uma das menores de toda a América Larina. A reforma feita entre 1985 e 2006 situa o Brasil no 15º lugar no Índice de Reforma Agrária da América Latina, dois lugares antes do último colocado. Um por cento dos proprietários rurais controla 45% de todas as terras cultiváveis do país, e 37% dos proprietários rurais possuem apenas 1% dessas terras (números de 2005 do Ipea).

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

Meu nome é Ricardo Oliveira da Silva - transcrito de um vídeo que circula na internet

Meu nome e Ricardo Oliveira da Silva, tenho 21 anos e... ganhei pela quarta vez, medalha de ouro na OBMEP. Vou contar um pouco da minha história para vocês: eu venho de um sítio, isolado, na zona rural de Várgea Alegre e só tive oportunidade de estudar aos 17 anos. Entrei direto na quinta série. E lá eu pude participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP. Nesse primeiro ano eu conquistei a minha primeira medalha. Pensava que isso seria impossível para mim. Mas hoje estou aqui como prova disso. Estou aqui com a minha quarta medalha na mão. Quando era preciso fazer a prova, da Olimpíada de Matemática, eu era levado, por meu pai, em um carrinho de mão, carrinho de obra como muita gente conhece também. Meu pai está aqui atrás e ele pode falar um pouco sobre isso.

Olá, sou Joaquim Oliveira da Silva, sou o pai de Ricardo é, e sobre o carrinho de mão para mim não era nenhum esforço, eu estava só dando uma contribuição de pai. Ele tinha vontade de estudar e aconteceu de levar no carrinho de mão, hoje não precisa mais. Que graças ao IMEP hoje ele é um aluno bem reconhecido no Brasil e tem muitos amigos, antigamente não tinha conhecimento nenhum. E hoje está sendo isso. Bem legal. E tem o reconhecimento do Presidente. Para é orgulho. Muito bom isso. Está sendo muito bom.

Crato no quadrangular final do segundo turno do Campeonato Cearense


Parabéns, Crato!

Com a vitória por um a zero sobre o Quixadá, em pleno Abilhão, o Crato conseguiu se classificar para o quadrangular decisivo do segundo turno do Campeonato Cearense. O gol do Crato foi de Marciel, "cratense da gema', anotado no segundo tempo. Desta forma, o Crato enfrentará a forte e favorita equipe do Ceará Sporting Club, no Castelão, neste próximo domingo.

Avantes, Guerreiros Cariris!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


Reprisando Zé Clementino.

Por Zé Nilton

Muitos amigos e varzealegrenses de todos os cantos não usufruiram da atração do programa Compositores do Brasil, da última quinta feira, quando foi homenageado o compositor Zé Clementino.

Não ouviram o excelente Antonio Morais discorrer sobre a vida, a obra e o homem que reabilitou com sua música o imortal Luiz Gonzaga, tal qual fizeram com outras ações, um Carlos Imperial e um Caetano Veloso.

Aliás, Antonio Alves de Morais, hoje administrando um dos blogues mais visitados da região, o Blog do Sanharol, afiliado do Blog do Crato, está se revelando um exímio folclorista, mercê de seu vasto conhecimento sobre os outros lados das histórias, histórias do povo, memórias passadas e vivas da região do Cariri.

Como é reconfortante saber que há um Antonio Morais e um Antonio Correia, este historiando a Ponta da Serra, contribuindo para inserila numa nova história de seu povo.

Pois bem, o excelente compositor brasileiro, Zé Clementino, nesta quinta feira, na Rádio Educadora do Cariri, às 14 horas.

Na sequencia:

Estou roendo sim, de Zé Clementino, com Trio Nordestino
Eu sou do banco, de Zé Clementino e Hildelito Parente, com Dominguinhos.
Não deixo não, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
O jumento nosso irmão, de Zé Clementino e Luiz Gonzaga, com Luis Gonzaga.
Capim Novo, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga
Chinelo de Rosinha, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé e Paulo Clementino, com Luiz Gonzaga.
Fazenda corisco, de Zé Clementino, com Dominguinhos.
Xote Dos Cabeludos, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga.
Mais uma dose pros cabeludo, de Zé Clementino, com Zé Nilton
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé Clementino, Luiz Gonzaga.

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas
Apoio Cultural: CCBN.

XVI Encontro Nacional de Geógrafos

Pensamento para o Dia 07/04/2010



“Você repete o nome do Senhor, canta Bhajans e realiza meditação para alcançar uma mente unidirecionada, não é? Uma vez que essa firmeza seja conquistada, seu significado interior lhe será revelado e o esforço se tornará desnecessário. Aqueles ansiosos para tornarem-se aspirantes, para alcançar a salvação, não devem ceder a argumentos e contra-argumentos. Você não deve ser seduzido pela astúcia dos maus sentimentos! Você deveria ver suas próprias falhas e não repeti-las. Você deve guardar e proteger esse estado da mente com um único foco, com os olhos fixos na meta, e rejeitar como lixo todas as dificuldades, derrotas e perturbações que possa encontrar em seu caminho.”
Sathya Sai Baba

Uma pratica mambembe de futebol


Pedro Esmeraldo

Enquanto o cratense vibra pela permanência do time do Crato no quadro de elite do futebol cearense, temos receio de não podermos continuar com forças suficientes para mantermo-nos lá, já que não possuímos estruturas emocionais tanto quanto necessários para conduzir um esporte de qualidade, nesse setor.


Não temos organização, não temos renda suficiente para dirigir o esporte, pois avisamos que a nossa indústria, ainda incipiente e modesta não oferece condições para manter o time com boas qualidades técnicas. Os nossos dirigentes, às vezes inconsequentes, são inadmissíveis, não possuem estrutura para dirigir com eficiência e coragem um time de futebol. Haja vista que, agora há pouco tempo, um senhor achou de abandonar a chefia do clube por falta de competência técnica e admistrativa. Causa-nos arrepio, pois, que poderíamos levar o time com coragem e eficiência a fim de alcançarmos uma posição de relevo nas disputas finais no campeonato cearense.


Em primeiro lugar, isto é a nossa opinião, deveríamos estimular o povo para que tenha mais amor ao esporte, visto que é dentro da prática esportiva, evitaremos o vício da droga e da ociosidade. Devemos enaltecer com mais brilhantismo todas as práticas de esporte, quer seja futebol, quer seja basquetebol, ou qualquer outro tipo de modalidade esportiva, num corpo sadio, temos por meta que o esporte fará bem a saúde e ao mesmo tempo, teremos como principio utilizar uma palavra latina: mens sana in corpore sano,isto é, um corpo sadio numa mente sadia.


Após a grande decepção que sofremos, devido o procedimento errado de uns, jamais poderemos esmorecer, mas elevar o espírito a fim de suportar com galhardia o terremoto psicológico que grafa em nosso meio.


Por outro lado, pedimos a compreensão da diretoria do Esporte para que trabalhem juntos, não visando lucro financeiro exagerado, mas com altruísmo, deveremos chegar a um ponto de apoio, trabalhando com amor e compreensão mútua. Com isso evitaremos um tsunami financeiro, mas trabalharemos com boas qualidades técnicas.


Infelizmente ainda, não possuímos grandes recursos, mas se tivermos boa vontade para enfrentar a luta, tentaremos alcançar a nossa glória que por certo virá, visto que com boa vontade e amor, ao trabalho afastaremos a juventude dos passos prejudiciais à saúde.


Se assim fizermos, com a boa vontade de Deus e com disposição para a luta, afastaremos a juventude da ociosidade que contamina a mente dos jovens.


Crato 05/04/2010

Centenário de Juazeiro do Norte

A Comissão Organizadora do Centenário de Juazeiro do Norte aguarda resposta da Assembléia Legislativa sobre propostas apresentadas na audiência pública da Comissão de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços no Memorial Padre Cícero. Foram apresentadas propostas de apoio financeiro-cultural na publicação de livros e a produção de documentário sobre Juazeiro a ser apresentado na TV Assembléia. Cada deputado estadual destinar R$ 300 mil das emendas individuais em favor de Juazeiro na proposta orçamentária do estado para 2011. O coordenador executivo da comissão e secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, oficializou apelos junto ao presidente da Assembléia, deputado Domingos Filho. A intenção é envolver o parlamento estadual nas festividades pelos 100 anos de Juazeiro. Zé Carlos lembra que todos os projetos estruturantes estão cadastrados junto ao Governo Federal.

Joaquim Mulato, penitente

Transcrição: Luiz Domingos de Luna.

Que anjos são estes que guerreiam contra a fome, a peste e o pecado? Que purgam, na própria carne, a transgressão do mundo? Corpos lanhados, como o de Cristo, que dialogam com os crucifixos. Ordem dos penitentes, grupo que perambula encapuçado, pelas noites, rezando e bodejando benditos. Uma fé incondicional. Uma tradição que vem de tempos remotos, passa pela idade média e chega ao sítio Cabaceiras, Barbalha. Introduzida pelos missionários do século XVIII, reforçada quando da epidemia de cólera no século XIX, pela mediação do Padre Ibiapina.

Joaquim Mulato nasceu no sítio Cabaceiras, Barbalha, dia 3 de março de 1920. O pai, o agricultor Pedro Mulato de Souza, “remediado”, casou com uma mulher mais velha que ele, Maria Velosa da Conceição, e tiveram dezesseis filhos (...)

Conta a crônica que a religiosidade sertaneja foi marcada pelos missionários capuchinhos, que aqui estiveram no século XVIII. A Tônica era a ameaça do fogo do inferno. Daí se reforçou esse maniqueísmo que tem origens mais fundas, e, mesmo nas escrituras, “a invenção do demônio,” é posterior ao Gênesis. A Penitência, no dizer de Joaquim Mulato, foi introduzida pelo Padre Ibiapina, sobralense, homem das elites, bacharel em direito, que abriu mão de tudo para cuidar dos pobres, criar casas de caridade no sertão. De onde saíram beatas, e disseminar um catolicismo triunfante. Moldado pela Contra-Reforma, com base na “Missão Abreviada”, e que teria trazido os benditos, ainda hoje entoados pelos penitentes do sitio Cabaceiras (...)

Contam que Rosemberg Cariry, quando fazia imagens do grupo, nos anos 80 teria sugerido a utilização de umas tochas para iluminar o ritual. A flagelação à noite teria pouco impacto. E as tochas embebidas em gasolina davam um tom dramático que combinava com a severidade da cerimônia (...)

O Juazeiro tem um mistério que... não sei não.

Não tem opinião muito favorável sobre o beato José Lourenço, repetindo o senso comum de que ele “botava os bestas pra trabalhar de graça” e a acusação do assédio sexual, repetida, inclusive, por Câmara Cascuda, em plena euforia do Estado Novo de Vargas.

Já com Conselheiro é mais tolerante: “era monarca, contra a República”.

O Silêncio é entrecortado pelos carros que passam em alta velocidade. Sobre as laterais do oratório, imagens inconclusas, que um dia serão cortadas com canivetes, ferros, a madeira ferida, como é ferido seu corpo de penitente, lavado com sal para purgar a Humanidade inteira.

Ficha Catalográfica
Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
C331a. Carvalho, Gilmar de. Artes da Tradição: mestres do povo/Gilmar de Carvalho; fotos de Francisco Souza-Fortaleza: Expressão Gráfica/Laboratório de Estudos da Oralidade UFC/ UECE, 2005. 269p; Il. ISBN.

Pedófilos, quem? – por João Augusto Rodrigues

A imprensa tem reproduzido nos últimos dias, em todo o mundo, notícias veiculadas por grandes jornais dos Estados Unidos e da Europa que associam alguns padres católicos ao repugnante crime da pedofilia. Além disso, a maior parte das notícias se impregna de uma ferocidade cega e avança com insinuações malévolas e acusações infamantes contra a Igreja Católica e o Papa Bento XVI.

O jornalismo, praticado muitas vezes de forma ligeira, preguiçosa e inconseqüente, buscando o sensacionalismo não procura se aprofundar na análise do problema. Casos ocorridos há dez, vinte ou trinta anos são resgatados com fortes cores de escândalo como se fossem ocorrências recentes. Denúncias são tornadas públicas de forma leviana contra o Sumo Pontífice para tentar incriminá-lo, como se fosse ele o responsável por tais atos vergonhosos ou aos culpados oferecesse o apoio da Igreja Católica.

A pedofilia é um crime ignominioso e inaceitável em qualquer circunstância. É uma conduta indesculpável, parta de quem partir ou ocorra onde e quando ocorrer. Mas o que fazem as numerosas reportagens veiculadas nos últimos dias, quando trata dos crimes trazidos recentemente à tona na Europa se não confundir e vilipendiar o Papa Bento XVI? Quem acompanhou o noticiário ficou com a dolorosa impressão – se católico – de que a Igreja agiu de forma a desculpar e justificar tais atos.

Um jornalismo mais sério e responsável, ao contrário, deveria saudar a atitude do Santo Padre, que não hesitou em escrever uma carta plena de coragem e dignidade ao clero irlandês, condenando os abusadores naquele país, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça cumpra o seu papel. A atitude corajosa do Sumo Pontífice nem de longe tem sido acompanhada pela maior parte dos jornalistas e dos críticos, incapazes de separar a histeria anti-católica da verdade criminal.

Para ilustrar esse raciocínio segue um dado interessante, tanto mais que restrito ao país do cardeal Ratzinger. Na Alemanha foi comprovado que houve, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 envolveram de alguma forma padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Isso significa que, por serem poucos, esses casos devem ser minimizados? Longe disso. Já disse e repito: um único caso que seja de pedofilia é sempre vergonhoso e imperdoável.

O problema é que se está procurando partir de casos isolados para engrossar uma campanha de descrédito e de infâmia contra a Igreja Católica e seus dignitários, tornando mais profundo o difuso anti-catolicismo ocidental que já vai se tornando um dos inexplicáveis fenômenos do nosso tempo. Nos Estados Unidos, onde as estatísticas têm mais credibilidade, já se constatou que a presença de pedófilos, é de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes do que entre os padres católicos. De qualquer forma, muito maior que o envolvimento de líderes religiosos (católicos ou protestantes) é, por exemplo, o de professores de ginástica e treinadores de equipes esportivas juvenis, muitos deles casados.

Da mesma forma, relatórios periódicos do governo norte-americano indicam que cerca de dois terços dos abusos sexuais contra crianças não vêm de estranhos ou de educadores, sejam eles padres ou pastores, mas de familiares – padrinhos, tios, primos, irmãos e, infelizmente, até pais, muitos deles também casados.

Esses dados vêm derrubar a opinião de alguns anti-católicos, que tentam atribuir ao celibato a causa do problema. Uma atitude mais séria e responsável recomendaria um estudo mais profundo para lhe descobrir as origens e criar no seio da sociedade os mecanismos capazes de preveni-lo. Exatamente o contrário do que tem sido feito, buscando-se cobrir de desonra a Igreja Católica, cuja doutrina abraça os melhores valores da nossa civilização.

(Publicado no jornal “O Liberal” de Belém – PA)

Uma nesga de céu azul - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Chover vários dias isso conhecemos. Andaremos com os pés molhados, os braços respingados. Isso não tem importância: chover vários dias em seguida.

Chover como torneira aberta afoga a vigília do presente e apreende a esperança do próximo minuto. Como choveu no Rio de Janeiro! Tanto que agora estou com a alma a comemorar uns pequenos rasgos de azul no céu. Nem meia hora se passara quando tudo estava fechado com as águas escorrendo, se infiltrando, inundando.

Informam que apenas em quatro horas caiu mais de 100 milímetros na região metropolitana do Rio. Em alguns bairros isso ultrapassou os 150 milímetros. E até compreendo a praticidade dos meteorologistas medindo as chuvas em milímetros, mas nada mais irreal nestes metros que nos afogam.

Eu deveria me encontrar de férias em algum lugar e nem li a revista O Cruzeiro, pois não me lembro de ter ouvido falar nas enxurradas de 1966. Mas todas as demais, a de 1988 e 1996, eu estava com água na cintura. Se me perguntarem o momento mais impressionante que vivi, foi em 88.

Era um domingo molhado. Pingara a noite toda. Sentamos na cozinha para tomar café por volta das 08h30min. A janela da área de serviço que se abre também para a cozinha mostra a Pedra da Gávea e dos Dois Irmãos. Qual foi o nosso susto simultaneamente no primeiro gole de café. O céu estava literalmente enegrecido. Mas não era apenas a cor, era uma massa sufocante que lentamente se deslocava em nossa direção. O inevitável tomaria nossas vidas.

E a chuva caiu com torneiras abertas. Não eram pingos, eram milhares de jatos disputando cada milímetro do terreno. A rua da janela da frente se tornou uma cachoeira. Nosso prédio sustenta-se sobre pilotis. Descemos até ele para verificar se algo de anormal ocorria. A Clínica Santa Genoveva já fora soterrada matando dezenas de idosos.

Hoje duas imagens vindas do noticiário se fixaram. Eram duas mulheres jovens. Uma negra, com um casaco branco com desenhos pretos, toda molhada, ainda rindo e dizendo que tentara chegar até ao trabalho, não dera e, agora, patinava nas poças no rumo de casa. A outra sob um guarda-chuva, os pingos em volta, era de classe média, na beira da Lagoa inundada, inteiramente desorientada. Olhou para o repórter e perguntou se na direção que viera daria passagem. Não tinha como chegar ao trabalho e não sabia o que fazer.

A palavra subentendida em certos discursos da mídia, especialmente a Míriam Leitão no Bom Dia Brasil de hoje: é o aquecimento global. Não é. É o de sempre: populações migrantes para as grandes cidades, com o espírito selvagem do capitalismo a dar um jeito, qualquer jeito em suas vidas. Nas encostas volúveis, seja por necessidade ou pela vista e prestígio com as mansões dos ricos.

O Aquecimento Global pode ser uma verdade, mas nas circunstâncias não passa de empreiteiro de obras. E como gostam de uma obra superfaturada!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tempo, o senhor da razão - Emerson Monteiro

Tantas vezes quantas necessárias, haveremos de recorrer às ideias na intenção de esclarecer, ou mesmo refutar, contradições do cotidiano. Parar e pensar, por menor proveito que represente do imenso cabedal dos acontecimentos, deixam aflorar revelações fundamentais, novas e outras revelações, sentido único de superar as fronteiras rijas do instante.

Pensar representaria, portanto, a mais extensa faixa do caminho, na revelação individual da consciência. Novas chances de esperar movimentações da mente imporiam a alternativa às longas ou breves excursões pelos mares do desconhecido, nas camadas possíveis do instante, com estação final num dia a todos assinalado.

Conquanto o fluir das horas marquem pulsar da finalidade útil de contemplar e interpretar motivos, andar aqui, na face deste chão lotado de questões fundamentais, a todo segundo configura o adiamento do ato final do drama diário.

Ninguém percorre seus passos isento de responsabilidades perante a longa humanidade, independente das opções particulares de quem se pretenda possuir talentos superiores, porquanto um determinismo cósmico, ou destino, avalia e conduz o presente definitivo, nas telas do agora aqui, cinema perpétuo. Força coercitiva, constante, raiz dos mínimos fenômenos, converge fatal, para produzir resultados constelados de séculos e milênios.

A própria razão da civilização dos homens se submete ao tal processo intermitente das horas que correm ao ritmo de corações imaginários. Pela hierarquia dos poderes universais, o Tempo fixa padrões de circunstâncias, enquanto pessoas borbulham pensamentos nascidos nas ocorrências históricas.

O poder que em si contém o fluir de todo momento resume a potência dos seres limitados da Natureza e governa acima de tudo, dotado de tentáculos enérgicos a ponto de suplantar as liberdades humanas e a ânsia de superioridade, quadro geral da expectativa existencial.

Ainda que usufruamos dos pensamentos e elaboremos conceitos racionais sob o manto da mesma racionalidade, sua interpretação defronta barreira inesgotável de normas e resultados quiçá contraditórios, a cobrir nossos pés, na força das oportunidades.

Diante disso, quer-se crer em níveis superiores de uma outra razão acima da razão vulgar das criaturas humanas, domínio que abrange o vasto Universo e elabora causas originais, além de manifestar a forma do Tempo na face do Nada absoluto; um senhor da razão apenas relativa, Ser dos seres.

O Rio se Desmanchando - por José do Vale Pinheiro Feitosa

É evidente: não é possível acrescentar mais nada ao que acontece agora no Rio de Janeiro. As televisões estão informando tudo. As rádios apenas falam do assunto. Os canais de TV a cabo estão com a programação em exclusividade no tema. Aí o que há para acrescentar para os blogs do Cariri?

A situação de acordo com o sentimento de cada um nesta cidade e desde ontem por volta das 17 horas. Portanto há mais de 24 horas. Moro numa rua de encosta, um prédio cujo segundo andar se encontra a dez andares da Rua Jardim Botânico. Apenas consegui chegar em casa, vindo do bairro da Gávea, mais ou menos a distância entre o Pimenta e o início da João Pessoa no Crato, depois de passar pelo Leblon, dar um tempo num Shopping, aí por volta das 23:30 horas.

Durante a missa de sétimo dia por Carlos Augusto Arraes de Alencar, filho do ex-governador Miguel Arraes, caiu a segunda tromba d´água aqui na Zona Sul. Mas a cidade inteira já estava toda alagada e as encostas caindo e matando gente. Peguei uma carona até o Leblon, numa destas Pajeros imensas, em meio a uma confusão generalizada. O Canal da Rua Visconde de Albuquerque no Leblon já começava a transbordar para as duas ruas paralelas.

Mas para se observar a situação de cada um, no microcosmo da perplexidade geral, estou aqui no computador, com todos os ouvidos atentos. Uma casa quase em frente ao nosso prédio, destas casas imensas com piscina solta na altura da encosta, teve a parte baixa de seu terreno deslizado. Destruiu um carro que estava estacionado junto ao muro e uma árvore obstrui a nossa rua.

A Rua Jardim Botânico está praticamente parada quando os engarrafamentos seriam a regra. O que se ouve são as sirenes da defesa civil. E o céu ameaça. Não pára de chover, ora com ventos fortes, noutras aqueles pingos que enchem um vasilhame de água. O Túnel Rebouças, não funciona, a Lagoa Rodrigo de Freitas invadiu as pistas laterais e, portanto, interrompeu o fluxo de saída do túnel.

Ontem à noite o motorista de taxi que se aventurou a vir até aqui comigo, era pura tensão. Um sujeito interessantíssimo. Muito conversador, mas de uma amabilidade misturada com a crítica à vida. Ele já tivera uma fábrica de fazer material de praia, guarda sol, barracas entre outras coisas. Uma fábrica com mais de 25 empregados. Perdeu seu negócio porque um concorrente, talvez lavando dinheiro de algum esquema fraudulento, destruiu a concorrência com preços impraticáveis face aos custos.

Ele me deixou aqui e se mandou para casa. A cunhada estava ilhada no centro da cidade. Não sei a hora, mas logo depois a barreira caiu e a via pela qual subi até aqui sofreu a interrupção. E a perspectiva? Começou o dia anunciando precariedade. O prefeito do Rio pediu que as pessoas não saíssem de casa. Anúncio do esgotamento da cidade e prenúncio de que a duração do temporal ainda duraria muito.

A medida exata do microcosmo é que uma colega de trabalho da Tereza, ambas saíram do centro da cidade por volta das 18 horas, apenas chegou em casa, num bairro vizinho ao centro, a Tijuca, por volta de 9:40 horas da manhã de hoje. Passou a noite inteira e parte da manhã sentada dentro do seu carro esperando que a situação melhorasse. Urinava em sacos de plástico.

E ouvindo os pingos da chuva, contam-se os segundos de uma longa noite de expectativas.

O Rosto de Ana - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Seria tão mais fácil pronunciar o teu nome: ANA. Tudo apenas início, com apenas uma consoante o intermediando. Mas era a ausência de um dos dez dedos que aquele homem do Araripe plantou em Recife. Quando pela tarde o tempo fechou no Rio de Janeiro e, na Missa da Ressurreição, os céus desabaram sobre a cidade, juntamente com seus morros.

Seria fácil apenas a pronúncia, mas não perco a imagem do teu rosto. Um rosto de corpo levantado. Apenas tu em pé durante a longa fila dos comungantes. Por frágil que seja a prova da ressurreição, eis que na fila tantos jovens e teu rosto apenas perguntava. A quem? O quê?

Numa igreja católica a resposta mais fácil seria: perguntava a Deus. Onde se encontra o terceiro dos dez, aquele Carlos ao qual se acrescentou Augusto? Por paradoxal que seja tão presente quando se recorda a ausência num ritual de ressurreição.

Mas poderia ser a pergunta feita ao povo, aquele que se sentava enquanto tu ficavas em pé sozinha. Tu e o celebrante. E perguntavas sobre a dor no mundo que tantos consideram a dor do próprio cosmo. Esta dor crônica, desesperançada da morte após a vitória em sociedade; da morte em face da conquista da fé ou da razão, pois tudo se encontra no mesmo.

Ana, seria mais fácil falar daqueles mesmos vestidos iguais - as três: Maria Edite, Tu e Dedê. Mas o teu rosto ultrapassava estas simplicidades memorativas. Continha um vasto humano que fica mais fácil quando se olham imagens históricas ou para a foto de uma multidão.

Teu rosto tinha todo o carisma das ameríndias vendo os guerreiros ceifados pelos ventos que empurraram tantas naus ao litoral deste lado. Poderia ser o rosto de uma mãe africana por uma brecha do casco de madeira, vendo os navios negreiros se dispersar com seus filhos a destinos tão diversos.
Quando me dei conta, meus olhos haviam esquecido todo o conteúdo circundante. Teu rosto era o mesmo daquela mãe nordestina com o olhar sobre a necessidade, com a boca fechada, murmurando a oração das cruzes famintas. Ana, eras uma italiana se despedindo dos filhos num navio em Gênova. Aquela janela de trem que se abre para o olhar angustiado de netos e avós, de um lado e outro do piso firme da estação e do móvel da composição.

Por fim o celebrante carregou o cálice com as hóstias até o sacrário e, então, retornastes à posição sentada. Agora um perfil para mim que estava logo atrás e um pouco de lado. Por mais que seja a memória dos presentes, dou por mim que toda a liturgia sobre Gusto foi mais completa ou mais complexa em teu rosto do que na esperança da ressurreição.

Igual em Zé Almino, cerrando os lábios para não chorar, no percurso de uma oração quase que feita para chorar. Como Guel, de tão raros encontros, mas encontros substanciais, quando me parece lamentar a perda de suas referências, logo ele que é uma referência. Como a voz, quase de caçula de Lula, tropeçando como todos nós na palavra Tessalonicense. A sisudez, quase tímida, mas seguramente amiga, de Maurício até em suas fugidias lágrimas.

Conheço todos os nomes. Nomes do meu universo afetivo desde muito: Nena, Marcos, Mariana e Pedro. Não sei se reconheceria Marcos, Mariana e Pedro numa rua movimentada, mas os conheço. Quando tudo era perda, ausência igual a esta de agora.

Perda tal qual, na calçada da frente da Batateira, um grupo entre os seus 14 a 15 anos discutia o futuro. E no calor dos sonhos e perplexidade, Gusto mostrou-se contrariado com os rumos da fábrica: e não restará para mim nem uma lata de óleo.

Gusto multiplicou navios de óleo. De todas as naturezas. Compreendeu a lida mercantil e fez parte de uma geração que substituiu na África Portuguesa as estruturas terminais do colonialismo. O fez até para o desgosto furibundo do incompetente General Leônidas Pires Gonçalves.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

SONETO

ETERNIDADE

Um belo canto exala toda flor.
Seu olhar, seu sorriso, é poesia
Que se mostra e se esconde todo dia
Espalhando a semente do amor!

Encanta-nos silente o seu fulgor...
Como deusa nos prende em sua magia,
Alegrando quem antes só sofria,
Transformando em prazer o que era dor!

Quem lhe beija partilha a grande sorte
De viver feito luz na natureza
Mesmo tendo em carne visto a morte.

Desta forma ninguém há de sumir,
Pois herdando da flor sua pureza
Fica eterno o presente no porvir!

Cacá Araújo

domingo, 4 de abril de 2010

A Filosofia em Aquarius - Por Luiz Domingos de Luna*

Outro dia, depois de uma viagem cansativa, já próximo da bolinha ainda azulada, na troca do chip, senti o peso do oxigênio nos pulmões, o cheiro do ar, a estratosfera com a sua gravitação a todo vapor, pedi ao navegador uma parada, o nosso GPS deu sinal de alerta! Impossível redução de velocidade. A aceleração é lei, é norma, precisa ser seguida, ao contrário entraremos em pane.
 
Fiquei muito preocupado, vez que, nós aquarianos não pensamos, como saberíamos que uma freada rápida iria causar uma colisão? Além do fato de estarmos a uma certa distância do Planeta Terra, logo, colisão com a terra nem pensar. Colisão com quem? Pensei! Na dúvida, coloquei minha luneta, na verdade quase perdi minha luneta, pois uma chuva de meteoros atacava intensamente a nossa nave. Um ataque calculado, intensivo, violento, ameaçador. Quem estaria no nosso encalço? Os terrestres com certeza não, eles não tem tecnologia para navegar a cem vezes a velocidade da luz, era o que constava no compudator de bordo.

Quem seriam então os intrusos? Cientistas? Filósofos? ETs? Ora, em Aquarius não existem filósofos, pois Aquarius é a própria filosofia, a nave mãe, Cientistas? Os nossos cientistas trabalham com programas previamente estabelecidos, o que, não é nosso caso – Rota: Aquarius- Terra.

Sobrou para os ETs, ora, nós temos um pacto com os ETs, por que estes iriam quebrar um pacto antigo e aceito, feito ainda no nosso processo existencial e que nunca foi violado por nenhuma das partes para a sobrevivência nossa e deles.

Como, por lei, na estratosfera, nós já temos o direito de pensar, vez que já é território dos terráqueos. Senti a entrada de um novo pensamento, um pensamento forte e dirigido ao centro do córtex cerebral – Que ataque que nada! Tudo isto é tão somente o lixo espacial deixado pelos humanos.

Lixo espacial?
- Sim, com Certeza.

Alguma dúvida?
- Todas.

Alguma certeza?
-Nenhuma.

Mas é assim que a coisa funciona.

*Professor –Aurora – Ceará
*Colaborador do Blog Cariri Agora

Os Discípulos de Emaús – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Numa das passagens mais bonita do Evangelho, o evangelista Lucas (Lc 24;12-35) nos revela que após a morte de Jesus, dois de seus discípulos, supostamente um casal, andavam de Jerusalém para Emaús, um povoado distante 11 km, quando Jesus se achegou perto, e começou a caminhar ao lado deles, sem ser reconhecido. Perguntou o que eles iam conversando pelo caminho. Os discípulos com o rosto muito triste, indagaram: “Por acaso és o único forasteiro em Jerusalém que não soubeste o que aconteceu a Jesus de Nazaré, um profeta poderoso em palavras e ações? Já faz três dias que os nossos chefes sacerdotes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse o libertador de Israel.”

Os discípulos lhe contaram ainda, que algumas mulheres do grupo haviam visto o túmulo vazio, e que dois anjos disseram a elas que o mestre havia ressuscitado. Mas ninguém o tinha visto. Jesus, até então um desconhecido peregrino para eles, começou a lhes explicar o que dizia as Sagradas Escrituras a seu respeito. E quando eles chegaram ao povoado de Emaús, Jesus fez de conta que ia continuar a caminhada. Os discípulos disseram: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando.” Os discípulos estavam amedrontados e sabiam que era perigoso andar por aquelas estradas à noite.

Jesus aceitou o convite, e durante a ceia, ao partir o pão, foi reconhecido pelos discípulos. Como que por encanto, Jesus desapareceu. Os discípulos olharam um para o outro e perguntaram: “Não estava o nosso coração a arder quando ele nos falava pelo caminho?

E de repente, encheram-se de coragem e voltaram a Jerusalém para contar o que tinha acontecido aos onze apóstolos, que estavam reunidos. Receberam desses a afirmação de que o mestre havia realmente ressuscitado e encontrara-se com Pedro.

Que lições nós poderemos tirar dessa mensagem?

Em primeiro lugar, quantas vezes em nossas vidas já nos comportamos como os “Discípulos de Emaús”, cruzando com o Cristo Ressuscitado na pessoa do irmão carente, dos mendigos e excluídos da nossa sociedade, sem reconhecê-los? E o medo que se apodera de nós quando nos colocamos a caminho, ignorando que ao lado de Jesus, nada deveremos temer?

A narrativa do Evangelho nos ensina que o Cristo Ressuscitado poderá a qualquer momento ser encontrado na Bíblia Sagrada, na partilha fraterna do pão e no meio da comunidade reunida. O projeto de vida que Jesus nos deixou engloba todas essas características próprias de seus seguidores.

Vivemos numa sociedade de homens e mulheres de corações endurecidos e voltados para os bens materiais; e por isto, profundamente individualista.

Como seguidores de Cristo, deixemos que o Ressuscitado faça sua morada em nossos corações. Portanto, devemos trabalhar no sentido de transformar essa sociedade, tornando-a mais justa e solidária. Não será tarefa fácil, mas caminhando ao lado de Jesus, tudo será possível.

Fica conosco Senhor! É tarde a noite já vem, fica conosco Senhor! Somos teus seguidores também.” (Refrão da música “Os discípulos de Emaús” do Padre João Carlos. SDB: (http://www.youtube.com/watch?v=KWixLUmMWbg&feature=related)

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


sábado, 3 de abril de 2010

CRATO - Notícias do dia 03 de Abril de 2010



Bairro Sagrada Família do Crato festeja a 120ª. Malhação do Judas


A comunidade da Rua Sagrada Família completa neste dia 4 de abril de 2010, 120 anos da tradicional festa da Malhação do Judas. O evento, que é uma realização da Prefeitura Municipal do Crato através da Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude tem início às 0:00 do sábado onde os moradores da comunidade se reúnem para montagem do sítio do Judas, teste da bomba e toda preparação para o domingo, tudo acontecerá regado a bebida e comida que serão providenciados pelos moradores. A programação do domingo terá início ao meio dia com o cortejo do Judas saindo da Sagrada Família e percorrendo algumas ruas da cidade montado em um burro. Acompanham o cortejo: a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Os Caretas e Mestre Cirilo com a tradicional distribuição da cachaça juntamente com uma multidão que participa de todo o percurso, ao término do cortejo é feita a leitura do Testamento do Judas que foi elaborado pelo teatrólogo Cacá Araújo, em seguida, serão feitas homenagens à pessoas que possibilitaram a realização do evento com a apresentação do boneco Tranquilino Ripuxado e Aécio. O encerramento da festa será com o Forró da Traição animado por Silvio e Marcos. Os festejos terão o apoio da Sociedade Cariri das Artes e das Secretarias de Educação, Secretaria de Saúde, Secretaria do Meio Ambiente, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Demutran. Toda a comunidade cratense está convidada a participar.

Ação Social do Crato inicia atividades do ProJovem Adolescente, próxima segunda-feira

O Governo Municipal do Crato, por meio da Secretaria de Ação Social iniciará as aulas do ProJovem Adolescente, na próxima segunda-feira, dia 5. A Coordenação do projeto solicita à todos os adolescentes que estão escritos à se fazerem presentes no Centro de Referencia em Assistência Social - CRAS da sua comunidade ou na localidade indicada, no horário de 8 as 14 horas. O ProJovem Adolescente é um dos quatro eixos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens, integrando serviço e transferência de renda, exigindo esforço de todos os gestores (municipais, estaduais e federal). Os objetivos são fortalecer a família, os vínculos familiares e sociais.

Governo Municipal do Crato

Comparando os governos Lula e FHC


Realmente, a comparação entre os governos Lula e FHC é uma verdadeira
calamidade. Para os tucanalhas e demoníacos, é claro.

Vamos aos dados e cujas fontes são IBGE, IPEA, Banco Central. São
dados oficiais, portanto:

Governos Lula X FHC!!

1) Juros Nominais (Taxa Selic):

FHC (2002): 25% ao ano;

Lula (2008): 8,75% ao ano;

2) Inflação (IPCA):

FHC - 12,5% (2002);

Lula – 4,3% (2009);

3) Transações Correntes:

FHC - Déficit de US$ 186,5 Bilhões (1995-2002);

Lula - Superávit de US$ 44 Bilhões (2003-2007);

4) Exportações:

FHC - US$ 60 Bilhões (2002; crescimento de 39% em 8 anos);

Lula - US$ 153 Bilhões (2009; crescimento de 155% em 7 anos));

5) Crescimento Econômico:

FHC - 2,3% ao ano (1995-2002);

Lula – 5,3% ao ano (2004-2008);

6) Empregos Formais:

FHC – 1.700.000 (1995-2002);

Lula – 9.700.000 (2003-2009);

7) Balança Comercial:

FHC - Déficit de US$ 8,7 Bilhões (1995-2002);

Lula - Superávit de US$ 237 Bilhões (2003-2009);

8) Taxa de Desemprego:

FHC - 10,5% (Dezembro de 2002);

Lula – 6,8% (Dezembro de 2009);

9) Risco-País:

FHC - 1550 pontos (Dezembro de 2002);

Lula - 220 pontos (Janeiro de 2010);

10) Reservas Internacionais Líquidas:

FHC - US$ 16 Bilhões (Dezembro de 2002):

Lula - US$ 241 Bilhões (Janeiro de 2010);

11) Relação Dívida/PIB:

FHC - 51,3% do PIB (Dezembro de 2002);

Lula - 41,7% do PIB (Janeiro de 2010);

12) Déficit Público Nominal (inclui despesas com juros):

FHC - 4% do PIB (2002):

Lula – 2% do PIB (2008);

13) Dívida Externa:

FHC - US$ 210 Bilhões (Dezembro de 2002) – 45% do PIB:

Lula - US$ 205 Bilhões (Janeiro de 2008) – Negativa em US$ 61 Bilhões;

14) Salário Mínimo em US$:

FHC - US$ 56 (Dezembro de 2002);

Lula - US$ 275 (Janeiro de 2010).

15) Inflação Acumulada (IPCA):

FHC - 100,6% (1995-2002);

Lula - 45% (2003-2009);

16) Pronaf:

FHC - R$ 2,5 Bilhões (2002);

Lula - R$ 15 Bilhões (2010);

17) ProUni:

FHC - Não existia;

Lula - 470 mil estudantes beneficiados;

18) PIB (em US$):

FHC - US$ 459 Bilhões (2002):

Lula - US$ 1,8 Trilhão (2009):

19) Produção de automóveis:

FHC - 1.791.000 (2002);

Lula – 3.130.000 (2009; crescimento de 74,8%);

20) Produção de máquinas agrícolas:

FHC - 52000 (2002):

Lula - 65000 (2007; crescimento de 25%);

21) Vendas de automóveis zero KM:

FHC - 1.465.000 (2002);

Lula – 3.140.000 (2009; crescimento de 114%);

22) Pagamento de juros da Dívida Externa em % das Exportações anuais:

FHC – 20,3% (2002);

Lula – 10,1% (2009);

23) Renda Per Capita:

FHC – US$ 2859 (2002);

Lula – US$ 9.300 (2009).

24) Coeficiente de Gini (Indica a Distribuição da Renda do Trabalho;
quando mais próximo de 0 menor é a concentração da renda):

FHC - redução de 0,602 (1993) para 0,593 (2002);

Lula - redução de 0,593 (2002) para 0,544 (2008).

25) Indice de Pobreza:

FHC - 38,6% (1995); 38,2% (2002) - queda de 0,6 p.p.;

Lula - 38,2% (2002); 25,3%(2008) - queda de 12,9 p.p..

26) Gastos Sociais Públicos (% do PIB):

FHC - 19,2% (1995);

Lula - 21,9% (2005).

27) Pobreza Extrema (fonte: IPEA)

FHC - De 17,3% (1995) caiu para 16,5% (2002) (queda de 0,8 p.p.);

Lula - De 16,5% em 2002 caiu para 8,8% (2008) (queda de 7,7 p.p.).

28) Renda per capita mensal dos 10% mais pobres:

2001 - R$ 34

2008 - R$ 58 (crescimento de 70,6%);

29) Renda per capita mensal dos 10% mais ricos:

2001 - R$ 2316

2008 - R$ 2566 (crescimento 10,8%);

30) Escolas Técnicas Federais:

FHC - Nenhuma (a construção delas foi privatizada).

Lula - 214;

31) Novas Universidades Federais:

FHC - Nenhuma.

Lula - 14.

Obs: Assim, entre 2001 e 2008, a renda dos mais pobres cresceu 6,5
vezes mais do que a renda dos mais ricos.


Fontes: Banco Central, IBGE, IPEA.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

SÁBADO DE ALELUIA É DIA DE MALHAR JUDAS NO CRATO: "CABELO DO CÃO"




Boneco criado pelo artista plástico Everardo Aguiar



PROGRAMAÇÃO

14 horas - Cortejo do Judas pelo trecho: Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Praça da Sé – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe.
16 horas - Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo).
19 horas - 1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo.
19:30 horas - 1. Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi.
22:00 horas - Encerramento.

PROMOÇÃO E REALIZAÇÃO:

Sociedade Cariri das Artes
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Circo-Escola Alegria

PARCERIA:

Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato
Coletivo Camaradas
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo

PATROCÍNIO:

VI Ceará da Paixão
Secretaria da Cultura do Estado do Ceará
Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura - Programa + Cultura
Governo Federal