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segunda-feira, 12 de abril de 2010


Tarde Caririense - Por José Newton Alves de Sousa



Esse ouro que desce e, trêmulo, envolve a serra, essa luz liquefeita, óleo fulvo que alaga, esse claror em adeus, esse final de tarde...
Aqui o monte cisma, o gesto é de silêncio e os olhos, de todas as belezas saciados, bebem o sol, a paisagem, o infinito.
Oh luz do Cariri! Oh clara tarde! Oh sol!
O bater de asas sobre o vale em claridade!
Oh poentes de aurora!
A guerra não existe. O ódio eliminou-se.
Um do outro é irmão...


Por José Newton Alves de Sousa

A mulher nos tempos bíblicos – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Na época em que Jesus viveu, os homens judeus iniciavam suas orações diárias no muro das lamentações, agradecendo a Deus por não terem nascido mulher: “Bendito Aquele que não me fez pagão, que não me fez mulher e não me fez lavrador.” Por esta oração, vemos que três classes eram completamente inferiorizadas e discriminadas: os não judeus, a quem eles denominavam pagãos, as mulheres e os trabalhadores do campo. A mulher era totalmente subjugada ao homem, numa quase escravidão, praticamente sem nenhum direito. Não podia deixar os cabelos à mostra, nem ensinar ou dar testemunho. Era considerada impura quando menstruada. Ao dar à luz um menino se tornava impura durante sete dias. E deveria aguardar a purificação do seu sangue durante trinta e três dias, não podendo freqüentar o santuário ou tocar em qualquer objeto sagrado. Se a criança fosse uma menina esse tempo duplicava. (Lv 12; 1-5). Era também proibido a uma mulher estar sozinha com um homem. “Qualquer um que fale muito com uma mulher é causa de mal para si mesmo, descuida da Lei e termina na Geena”, sentenciava o Talmude em um de seus tratados, o “Pirqe Aboth”, o “livro das sentenças dos sábios”.

Ao homem era permitido repudiar sua mulher por um motivo qualquer e lhe dar uma carta de divórcio. (Dt 24,1). À mulher era-lhe negado até o direito de escolher seu próprio marido. E geralmente as mulheres judias casavam com esposos escolhidos pelos pais e que muitas vezes somente os conheciam no dia do casamento.

O matrimonio judeu de então era realizado em duas etapas: o "esponsal", cerimônia na qual os nubentes eram declarados marido e mulher. Nessa fase a moça estava com doze anos de idade e o rapaz com dezoito anos. Após essa cerimônia, cada um dos noivos voltava para a casa de seus pais. Decorrido um ano, realizavam-se as "núpcias", e então, marido e mulher passavam a ter vida em comum.

Se por acaso, uma mulher fosse flagrada em adultério durante essas duas fases do matrimônio deveria ser apedrejada. Se o adultério fosse após as núpcias ela seria estrangulada. Já o homem, somente cometeria adultério se a mulher com a qual mantivesse relação sexual fora do casamento fosse judia e casada. Portanto o homem poderia se relacionar com todas as mulheres solteiras e pagãs, desde que não judias.

A mulher declarada adúltera que os fariseus apresentaram a Jesus para que ele ditasse a sentença de apedrejamento foi uma dessas meninas vivendo entre as duas fases do seu casamento. Era uma armadilha que os fariseus prepararam para acusar Jesus. E ele escrevendo na areia, talvez, quem sabe, os inúmeros pecados cometidos por aqueles acusadores, respondeu: “Quem entre vós não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.” “E todos se retiraram um a um, começando pelos mais velhos.” (Jo 8,7). E esses mais velhos que o evangelista cita, não são os velhos em idade, mas os presbíteros, entre eles escribas e fariseus que apesar do prestigio e do direito de julgar, se fragilizavam a qualquer ameaça de serem desmascarados.

Alguns trechos do Antigo Testamento nos revelam o preconceito contra a mulher naquela época. No livro do Eclesiástico ou Sirácida, lemos as seguintes referências: “Nenhuma ferida é como a do coração, e maldade nenhuma é como a da mulher!” (Sr 24,12). “Prefiro morar com um leão ou dragão a morar com uma mulher maldosa. A maldade de uma mulher transforma seu aspecto e seu rosto sombrio lhe dá o ar de um urso.” (Sr 24; 15-16). “A mulher está na origem do pecado e é por causa dela que todos nós morremos.”(Sr 25; 24).

O nascimento de uma mulher era considerado uma grande desgraça para a família judia. E quando já existiam duas filhas mulheres, a terceira deveria ser abandonada fora das vilas e cidades. Se por acaso, a recém-nascida sobrevivesse aos lobos e animais carnívoros, era recolhida pelos mercadores de escravos que, de manhã cedo, percorriam as periferias das cidades e das vilas à procura dessas meninas, para criá-las como escravas e destiná-las à prostituição.

Em todos os relatos dos Evangelhos em que Jesus é confrontado com uma mulher, convidado a condená-la, ele que veio para salvar através de sua prática, denunciou as inúmeras injustiças contra a mulher, libertando-a da condenação arquitetada pelos doutores da lei.

Atualmente, apesar das leis de muitos países considerarem direitos iguais para homens e mulheres, a mulher continua sendo discriminada pelo arraigado machismo que nos impregna. Quer em relação ao trabalho, ou ao nível salarial, ou quando se submete a qualquer cargo público, a mulher geralmente não é bem vista. E quem de nós ao ver uma mulher cometendo pequena barbeiragem no trânsito não exclamou ainda: “Só podia ser uma mulher!”?

A força da mulher que trabalha, cuida dos filhos, executa e administra os serviços domésticos e ainda dá atenção ao marido fortalece a família. Nós nem imaginamos como ser possível assumir essas múltiplas tarefas depois de um longo dia de trabalhos e preocupações.

A valorização da mulher e sua participação na vida social e política é de fundamental importância para o crescimento das relações sociais. Dosando a sensibilidade e a delicadeza próprias da mulher com a racionalidade e firmeza do homem, viver se tornará mais fácil e agradável. Nós, os homens, devemos valorizar a mulher, pois sem ela a humanidade não existiria.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Show da Banda de Lata Os Cabinha em Vamos Nessa Cariri pela TV Cultura

Não esqueçam: é amanhã


Horário: 12 abril 2010 às 23:45 a 13 abril 2010 às 12:30
Local: TV Cultura
Organizado por: Kaika Luiz


Descrição do evento:

Rock 'n' roll tocado por bateria de lata de goiabada, guitarra e contrabaixo de madeira colorida. Os intérpretes: artistas de 9 a 11 anos. Quer mais surpresas? É só ficar ligado na TV Cultura nesta segunda, dia 12, e conferir o show da banda de lata Os Cabinha.

São cinco meninos da Fundação Casa Grande - entidade gerida por crianças e adolescentes de Nova Olinda, cidade do sertão cearense do Cariri. Os cabinha, como são chamados os meninos no sertão, produzem seus instrumentos, compõem e gravam suas músicas no estúdio da Fundação. O quinteto viaja o mundo e já dividiu o palco com Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro e Lobão. Para saber mais, acesse o MySpace da bandinha de lata.

A apresentação faz parte da série de shows Rumos da Música, edição 2007-2009, e vai ao ar pela TV Cultura às 23h40, logo após o programa Roda Viva.

Enviado por Kaika Luiz

domingo, 11 de abril de 2010

A virtude da contradição - por José do Vale Pinheiro Feitosa

As instituições milenares sofrem, na atualidade, contradições tremendas. Especialmente a matriz institucional das religiões. A abordagem histórica de tais contradições é freqüente e existe uma vasta literatura sobre tal coisa.

De modo geral, desde o fim das tribos, dos poderes arraigados na posse da terra e, a partir do predomínio dos burgos, que se instalou uma confusão tremenda nos pilares temporais das instituições que se julgavam atemporais. O primeiro sinal disso foi a percepção do arcaísmo de suas manifestações mais evidentes. Ao por tais manifestações na égide do antiquado, fatalmente seus pilares se viram como marcas do tempo.

Valores morais das regras centrais se oxidaram como tudo que se expõe à “poeira” do tempo. Isso não se deu de repente, a evidência do poder temporal, em transformação histórica, já estava na raiz da Reforma, em Henrique VIII e na “neo-inquisição” da Península Ibérica na era do mercantilismo. Inquisição assentada no poder dos comerciantes, da fidalguia e do rei. A igreja de cada país é mais extensão para os poderes locais do que matriz da política que a envolvia.

Tal qual como no Budismo, Hinduísmo, Xintoísmo e Islamismo. Na escala da própria história dos povos sob influência de cada uma delas. A matriz da transformação atual é maior e diferente de tudo o mais do passado. E muito mais se apresentará ao longo dos próximos anos e séculos.

Se tomarmos os conceitos como referência, próprio conteúdo dos substantivos, em si mesmo, se encontra sob enorme pressão de mudança. Os substantivos que tantas acepções, inclusive de sentido figurativo, já lhes fora ajuntada, passaram até a sofrer mudanças de dentro para fora.

Tomando como exemplo o catolicismo, cujo esteio maior, de ordem moral, se encontra no substantivo virtude. Que, aliás, é feminino e já fora adensado desde a civilização grega, tanto no aristotelismo, como no epicurismo e no cristianismo agostinista compreendendo que a virtude da essência humana era a disposição para o amor.

Tomemos esta virtude em rápida transformação de dentro para fora, até mostrar as crostas da ferrugem ou o zinabre na superfície. A virtude da proteção à criança, do cuidado a sua integridade física e psíquica. E tome a questão da pedofilia no interior da igreja católica. Onde se encontra a virtude? Em algo maleável, adaptado à proteção do patrimônio material da instituição e ao cinto de segurança do corporativismo institucional.

Qual a virtude do então cardeal Ratzinger ao proteger o Padre Stephen Kiesle, da Diocese de Oakland, acusado de amarrar e molestar dois meninos na casa paroquial? A virtude em diluição: escudar o “bem da igreja” como alternativa ou a virtude da misericórdia tão cara ao próprio cristianismo de modo em geral?

Os católicos há muito, no mínimo desde a Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII e da Mater et Magistra de João XXIII, sabem que o mundo se encontra em transformação e que a Igreja se tornou parte do momento histórico como ente político. Quando o Papa Bento XVI foi à África e condenou o sexo fora do casamento e por tabela o uso do preservativo, muito mais do que uma virtude moral, pôs o dedo sobre uma virtude cultural e de saúde pública. Faltamente o substantivo virtude estava sobre a contradição de forças sociais e, portanto, política.

sábado, 10 de abril de 2010

Ali Kamel Tratorando a Serviço Eleitoral - por José do Vale PInheiro Feitosa

Ali Kamel é o diretor da Central Globo de Jornalismo. Há alguns anos defendeu um decreto estadual que proibia obras e políticas públicas em favelas. A definição básica de favela é toda ocupação urbana cujos ocupantes não têm a posse da terra. Acontece que a lógica do tempo de ocupação já tornou todas as favelas do Rio de Janeiro, historicamente legítimas do ponto de vista da posse da terra. Não é legal, mas aí o problema é da lei e não das pessoas.

À frente desta Central, aproveitou-se da tragédia das chuvas que barafundeou a Região Metropolitana do Rio para atacar os partidos políticos que defendem políticas públicas para as favelas. Por tabela, no clima da perplexidade e da revolta, descer a encosta de risco da consciência humana sobre os pobres e favelados. Na boa manipulação, parecendo que Fátima Bernades e Bonner estão indignados com o desamparo aos pobres.

Esta inversão é clássica na propaganda política e quem melhor a desvendou foi George Orwel no seu “big brother” do romance “1984”. Algumas manipulações que evidenciam a trama: a) a tragédia atingiu várias cidades, mas o trato ao prefeito Eduardo Paes, que aplica remoção aos favelados, é diferente daquele ao prefeito Jorge Roberto de Niterói e do PDT; b) a principal palavra de ordem é a remoção, relembrando a política única de Carlos Lacerda; c) esconderam que o Lixão de Niterói foi posto daquele modo na gestão do prefeito Moreira Franco o qual a Globo manipulou numa artimanha contra as eleições para governador em 1982; d) não denunciam a situação de “lixões” iguais em milhares de cidades pelo Brasil; e) quando o problema é em São Paulo a leitura dos fatos é intempérie da natureza, a não ser que surja uma oportunidade para acusar os pobres das “ocupações irregulares”.

Além do mais, trouxeram o relatório do TCU para fazer propaganda para o candidato de oposição à atual situação brasileira. O TCU não é tão independente assim, está pleno de ex-deputados e “assessores” de políticos, todos a serviço de determinados projetos políticos. Por isso a matéria sobre uma pequena parcela das verbas federais para melhorar a situação de habitação dos mais pobres é tão manipuladora. A má fé é literalmente semântica: nos orçamentos toda verba tem nome e esta, tinha nome de prevenção de desastres, não sendo a única verba federal que tem este efeito. No clima da calamidade pública, trouxeram a matéria como se a culpa da situação do Rio de Janeiro fosse essa nesga de verbas. O pior de tudo: bastaram as chuvas passar sobre Salvador para que as barreiras e inundações ocorressem e foi contra isso que o TCU se insurgiu? No dia seguinte o “relator da matéria” ficou doente e não deu entrevista.

São estas retro escavadeiras da política menor que levam à desgraça popular. A tese do Kamel é muito bem costurada. Puseram o Jorge Roberto a falar das obras para a população que foi soterrada. Ora, Jorge e todo o poder decisório e quem sabe até técnico da prefeitura erraram em não denunciar o lixão, não remover as casas que estavam lá, mas erraram no limite daquela comunidade. Não erram quando fazem políticas públicas, inclusive de contenção de morros e escoamento das partes baixas da cidade. O povo precisa é de mais recurso para melhorar sua situação, no local em que vivem e como decidiram viver.

Não existe diferente entre este tipo de jornalismo e aquele que justificou a invasão do Iraque por armas de destruição em massa que não existiam.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

NOTA DO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MEMORIAL PADRE CÍCERO

A forte chuva da madrugada deste dia 9 provocou o agravamento das condições do teto da Fundação Memorial Padre Cícero, com repercussões sobre os seus espaços de auditório, museu e área administrativa. Em dias passados, leve neblina já denunciara a gravidade do problema, determinando a queda de uma pequena área do forro do auditório, cerca de 1 metro quadrado. A restauração foi feita pronta e emergencialmente pela SEINE, antecipando-se à anunciada reforma de toda a área física da Instituição, há mais de década reclamada. Mesmo sem detalhar aqui esta última gravidade, estamos determinando a todo o seu corpo pessoal o imediato fechamento das atividades do Memorial, até que sejam providenciados os reparos necessários, desde que não mais sejam paliativos.

Contando com a compreensão do povo de Juazeiro do Norte e por extensão a todo o povo da nação romeira, envidaremos todos os esforços para restabelecer a normalidade de seu funcionamento.

Renato Casimiro - Presidente da Fundação Memorial Padre Cícero

Dilma Roussef passará 2ª feira em Juazeiro do Norte, mas não vem a Crato





Fonte: Jornal O POVO

"2 dias de visita
Sai agenda de Dilma no Ceará

Na próxima segunda-feira, ela aterrissará ao meio-dia em Juazeiro do Norte

Saiu a agenda que a ex-ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, cumprirá no Ceará durante dois dias de visita.

Na próxima segunda-feira, ela aterrissará ao meio-dia em Juazeiro do Norte (Região do Cariri), com direito a visita à estátua do Padre Cícero. Juazeiro é administrada pelo PT e o padrinho político do prefeito Doutor Santana é o deputado federal José Guimarães (PT). Partiu do petista, que coordena a bancada cearense no Congresso Nacional, o convite para que Dilma passasse por esse município.

“Será uma visita de grande importância para os cearenses. A presença da ex-ministra Dilma reforça ainda mais a sua preocupação com o Nordeste brasileiro”, disse nesta quinta-feira, o deputado José Guimarães.

Em Juazeiro do Norte, Dilma dará entrevista coletiva, no auditório da Urca, e ainda participará de uma plenária sobre “PAC 2 e Desenvolvimento Regional” com lideranças políticas do Cariri.

Na noite do dia 12, Dilma receerá, em Fortaleza, o título de Cidadã de Fortaleza, na Câmara Municipal. Com ela, a prefeita Luizianne Lins, presidente regional petista.

AGENDA DE DILMA NO CEARÁ

12 de abril (segunda-feira)

12 horas – Chegada da ex-Ministra Dilma ao Aeroporto Regional Orlando Bezerra – Juazeiro do Norte

12h30min – Coletiva para a imprensa, no auditório da URCA, na Avenida Leão Sampaio, Juazeiro do Norte.

14h30min – Visita ao horto do Padre Cícero

15h30min – Conferência sobre o PAC e o Desenvolvimento do Cariri – Local: Quadra do Colégio Salesiano-Juazeiro do Norte.

17h30min – Embarque para Fortaleza

19h30min – Dilma recebe Título de Cidadã Fortalezense, na Câmara Municipal.

13 de abril (terça-feira)

9 horas – Atividades com a prefeita Luiziane e visita ao governador Cid Gomes.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nem demônio, nem anjo, mas ator social - por Maria Inês Nassif no jornal Valor Econômico

A técnica de discurso doutrinário, particularmente usada em situações históricas onde grupos de poder precisam de forte respaldo popular para seus projetos próprios, centra-se na repetição de “verdades” – verdades mesmo, verdades aumentadas ou simplesmente mentiras – que respaldem ideologicamente não apenas esses setores, mas convençam a um maior número de pessoas de que são verdades únicas, contra as quais não existe argumento racional. Essas verdades têm que ser apresentadas como dogmas, sob pena de não parecerem “a” verdade. Isso é muito usado eleitoralmente, mas não apenas nesses momentos em que o convencimento de parcelas majoritárias da população pode se converter em votos que respaldarão democraticamente um projeto de poder. Ela se incorpora à própria vida social quando o que está em jogo é uma disputa pela hegemonia.

O livro “Combatendo a desigualdade social: o MST e a reforma agrária no Brasil”, organizado por Miguel Carter – mexicano criado no Paraguai – professor da School of International Service da American University, em Washington DC, coloca em perspectiva o senso comum criado em torno do MST. Primeiramente, ele propõe que se deixe de lado dois exageros: da direita, que, no limite, equipara o movimento pela reforma agrária ao terrorismo; e o de esquerda, que o romantiza, superestimando a sua influência. Na introdução ao livro, que traz 16 artigos de autores variados, Carter relativiza uma e outra posição. O MST é um movimento complexo e duradouro, mas é uma “associação de pessoas pobres”, “opera com recursos limitados” e é susceptível a problemas de ação coletiva como qualquer outro movimento social. Não agrega mais do que 1% da população, nem chega a 5% da população rural. Não é bandido e não é mocinho: apenas um ator social sujeito a erros, mas que representa setores sociais expostos à miséria e vitimados por uma das piores distribuições de renda do mundo.

O MST tem dois grandes méritos históricos, segundo o autor: o de expor e desafiar enormes desigualdades de renda e fundiária do Brasil, internamente; e, externamente, de ter recolocado na agenda internacional a reforma agrária, depois da hibernação do tema no período pós-anos 80, quando a forte urbanização do Terceiro Mundo, o avanço tecnológico agrícola e a ascensão do neoliberalismo começaram a questionar fortemente a reforma agrária como política pública. E a forte reação interna de determinados setores sociais ao movimento responde muito mais ao que o MST expõe – um país com uma imensa concentração de renda e fundiária – do que propriamente pelo risco “revolucionário” que representa.

O movimento, de fato, tem um elevado grau de sofisticação de organização popular, registra Carter: estima-se “1,14 milhão de membros, mais de 2 mil assentamentos agrícolas, cerca de 1.800 escolas primárias e secundárias e uma escola de ensino superior, vários meios de comunicação, 161 cooperativas rurais e 140 agroindústrias”. Entre 1985 e 2006, conseguiu assentar seus integrantes em 3,7 milhões de hectares. Mas, embora o mais visível e organizado movimento pela reforma agrária – até 2006, tinha mais de um quarto dos 7.611 assentamentos do país -, não mantém a mesma proporção de participação na terra distribuída pelos governos. Segundo o organizador do livro, mais de 90% da terra distribuída entre 1979 e 2006 responderam a reivindicações de outros movimentos de sem-terras.

O outro mito seria o de negação do Estado pelo MST. As reformas agrárias, por definição, “implicam o envolvimento do Estado na reestruturação de relações de direito de propriedade”. Sem o Estado, isso só acontece em situações de guerra – mas, mesmo nessas ocasiões, o Estado deve sancionar o resultado da disputa. Também não existe reforma agrária se não houver demanda social por distribuição fundiária. Carter sugere que a execução de reformas agrárias acabem se constituindo numa articulação de impulsos do Estado – que sanciona – e da sociedade – que demanda. No caso do MST, o movimento articula as duas faces da reforma: as marchas e invasões normalmente são apenas um lado da mobilização, que se completa – e concretiza a reforma agrária – com a negociação com o Estado.

Outro dado que relativiza o poder de interferência na vida institucional do país, reproduzido pelo autor, é o de sua representação política, em relação à dos grandes proprietários rurais e do agronegócio. Segundo ele, de 1995 a 2006, a representação política média dos camponeses sem-terra e agricultores familiares foi de um deputado federal por 612 mil famílias. Os grandes proprietários rurais fizeram um deputado federal para cada 236 famílias – tiveram, portanto, uma representação parlamentar 2.587 maior que a dos sem-terra. Essa distorção decorre de uma precariedade de direitos políticos entre os pobres – a negação do direito do voto aos analfabetos até 1985, o clientelismo político, a prática de compra de votos e distorções de representação. O maior acesso dos latifundiários ao poder político resultou em acesso correspondente ao orçamento público: para cada dólar disponibilizado de dinheiro público aos sem-terra, foram liberados US$ 1.587 dólares para os maiores fazendeiros do país.

A realidade que se esconde nas amplificações do “perigo” do MST não é boa para o processo civilizatório brasileiro. Mesmo andando nos governos FHC e Lula – de forma “reativa, restrita e de execução morosa” – , a reforma agrária brasileira é, em termos proporcionais, uma das menores de toda a América Larina. A reforma feita entre 1985 e 2006 situa o Brasil no 15º lugar no Índice de Reforma Agrária da América Latina, dois lugares antes do último colocado. Um por cento dos proprietários rurais controla 45% de todas as terras cultiváveis do país, e 37% dos proprietários rurais possuem apenas 1% dessas terras (números de 2005 do Ipea).

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

Meu nome é Ricardo Oliveira da Silva - transcrito de um vídeo que circula na internet

Meu nome e Ricardo Oliveira da Silva, tenho 21 anos e... ganhei pela quarta vez, medalha de ouro na OBMEP. Vou contar um pouco da minha história para vocês: eu venho de um sítio, isolado, na zona rural de Várgea Alegre e só tive oportunidade de estudar aos 17 anos. Entrei direto na quinta série. E lá eu pude participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP. Nesse primeiro ano eu conquistei a minha primeira medalha. Pensava que isso seria impossível para mim. Mas hoje estou aqui como prova disso. Estou aqui com a minha quarta medalha na mão. Quando era preciso fazer a prova, da Olimpíada de Matemática, eu era levado, por meu pai, em um carrinho de mão, carrinho de obra como muita gente conhece também. Meu pai está aqui atrás e ele pode falar um pouco sobre isso.

Olá, sou Joaquim Oliveira da Silva, sou o pai de Ricardo é, e sobre o carrinho de mão para mim não era nenhum esforço, eu estava só dando uma contribuição de pai. Ele tinha vontade de estudar e aconteceu de levar no carrinho de mão, hoje não precisa mais. Que graças ao IMEP hoje ele é um aluno bem reconhecido no Brasil e tem muitos amigos, antigamente não tinha conhecimento nenhum. E hoje está sendo isso. Bem legal. E tem o reconhecimento do Presidente. Para é orgulho. Muito bom isso. Está sendo muito bom.

Crato no quadrangular final do segundo turno do Campeonato Cearense


Parabéns, Crato!

Com a vitória por um a zero sobre o Quixadá, em pleno Abilhão, o Crato conseguiu se classificar para o quadrangular decisivo do segundo turno do Campeonato Cearense. O gol do Crato foi de Marciel, "cratense da gema', anotado no segundo tempo. Desta forma, o Crato enfrentará a forte e favorita equipe do Ceará Sporting Club, no Castelão, neste próximo domingo.

Avantes, Guerreiros Cariris!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


Reprisando Zé Clementino.

Por Zé Nilton

Muitos amigos e varzealegrenses de todos os cantos não usufruiram da atração do programa Compositores do Brasil, da última quinta feira, quando foi homenageado o compositor Zé Clementino.

Não ouviram o excelente Antonio Morais discorrer sobre a vida, a obra e o homem que reabilitou com sua música o imortal Luiz Gonzaga, tal qual fizeram com outras ações, um Carlos Imperial e um Caetano Veloso.

Aliás, Antonio Alves de Morais, hoje administrando um dos blogues mais visitados da região, o Blog do Sanharol, afiliado do Blog do Crato, está se revelando um exímio folclorista, mercê de seu vasto conhecimento sobre os outros lados das histórias, histórias do povo, memórias passadas e vivas da região do Cariri.

Como é reconfortante saber que há um Antonio Morais e um Antonio Correia, este historiando a Ponta da Serra, contribuindo para inserila numa nova história de seu povo.

Pois bem, o excelente compositor brasileiro, Zé Clementino, nesta quinta feira, na Rádio Educadora do Cariri, às 14 horas.

Na sequencia:

Estou roendo sim, de Zé Clementino, com Trio Nordestino
Eu sou do banco, de Zé Clementino e Hildelito Parente, com Dominguinhos.
Não deixo não, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
O jumento nosso irmão, de Zé Clementino e Luiz Gonzaga, com Luis Gonzaga.
Capim Novo, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga
Chinelo de Rosinha, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé e Paulo Clementino, com Luiz Gonzaga.
Fazenda corisco, de Zé Clementino, com Dominguinhos.
Xote Dos Cabeludos, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga.
Mais uma dose pros cabeludo, de Zé Clementino, com Zé Nilton
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé Clementino, Luiz Gonzaga.

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas
Apoio Cultural: CCBN.

XVI Encontro Nacional de Geógrafos

Pensamento para o Dia 07/04/2010



“Você repete o nome do Senhor, canta Bhajans e realiza meditação para alcançar uma mente unidirecionada, não é? Uma vez que essa firmeza seja conquistada, seu significado interior lhe será revelado e o esforço se tornará desnecessário. Aqueles ansiosos para tornarem-se aspirantes, para alcançar a salvação, não devem ceder a argumentos e contra-argumentos. Você não deve ser seduzido pela astúcia dos maus sentimentos! Você deveria ver suas próprias falhas e não repeti-las. Você deve guardar e proteger esse estado da mente com um único foco, com os olhos fixos na meta, e rejeitar como lixo todas as dificuldades, derrotas e perturbações que possa encontrar em seu caminho.”
Sathya Sai Baba

Uma pratica mambembe de futebol


Pedro Esmeraldo

Enquanto o cratense vibra pela permanência do time do Crato no quadro de elite do futebol cearense, temos receio de não podermos continuar com forças suficientes para mantermo-nos lá, já que não possuímos estruturas emocionais tanto quanto necessários para conduzir um esporte de qualidade, nesse setor.


Não temos organização, não temos renda suficiente para dirigir o esporte, pois avisamos que a nossa indústria, ainda incipiente e modesta não oferece condições para manter o time com boas qualidades técnicas. Os nossos dirigentes, às vezes inconsequentes, são inadmissíveis, não possuem estrutura para dirigir com eficiência e coragem um time de futebol. Haja vista que, agora há pouco tempo, um senhor achou de abandonar a chefia do clube por falta de competência técnica e admistrativa. Causa-nos arrepio, pois, que poderíamos levar o time com coragem e eficiência a fim de alcançarmos uma posição de relevo nas disputas finais no campeonato cearense.


Em primeiro lugar, isto é a nossa opinião, deveríamos estimular o povo para que tenha mais amor ao esporte, visto que é dentro da prática esportiva, evitaremos o vício da droga e da ociosidade. Devemos enaltecer com mais brilhantismo todas as práticas de esporte, quer seja futebol, quer seja basquetebol, ou qualquer outro tipo de modalidade esportiva, num corpo sadio, temos por meta que o esporte fará bem a saúde e ao mesmo tempo, teremos como principio utilizar uma palavra latina: mens sana in corpore sano,isto é, um corpo sadio numa mente sadia.


Após a grande decepção que sofremos, devido o procedimento errado de uns, jamais poderemos esmorecer, mas elevar o espírito a fim de suportar com galhardia o terremoto psicológico que grafa em nosso meio.


Por outro lado, pedimos a compreensão da diretoria do Esporte para que trabalhem juntos, não visando lucro financeiro exagerado, mas com altruísmo, deveremos chegar a um ponto de apoio, trabalhando com amor e compreensão mútua. Com isso evitaremos um tsunami financeiro, mas trabalharemos com boas qualidades técnicas.


Infelizmente ainda, não possuímos grandes recursos, mas se tivermos boa vontade para enfrentar a luta, tentaremos alcançar a nossa glória que por certo virá, visto que com boa vontade e amor, ao trabalho afastaremos a juventude dos passos prejudiciais à saúde.


Se assim fizermos, com a boa vontade de Deus e com disposição para a luta, afastaremos a juventude da ociosidade que contamina a mente dos jovens.


Crato 05/04/2010

Centenário de Juazeiro do Norte

A Comissão Organizadora do Centenário de Juazeiro do Norte aguarda resposta da Assembléia Legislativa sobre propostas apresentadas na audiência pública da Comissão de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços no Memorial Padre Cícero. Foram apresentadas propostas de apoio financeiro-cultural na publicação de livros e a produção de documentário sobre Juazeiro a ser apresentado na TV Assembléia. Cada deputado estadual destinar R$ 300 mil das emendas individuais em favor de Juazeiro na proposta orçamentária do estado para 2011. O coordenador executivo da comissão e secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, oficializou apelos junto ao presidente da Assembléia, deputado Domingos Filho. A intenção é envolver o parlamento estadual nas festividades pelos 100 anos de Juazeiro. Zé Carlos lembra que todos os projetos estruturantes estão cadastrados junto ao Governo Federal.

Joaquim Mulato, penitente

Transcrição: Luiz Domingos de Luna.

Que anjos são estes que guerreiam contra a fome, a peste e o pecado? Que purgam, na própria carne, a transgressão do mundo? Corpos lanhados, como o de Cristo, que dialogam com os crucifixos. Ordem dos penitentes, grupo que perambula encapuçado, pelas noites, rezando e bodejando benditos. Uma fé incondicional. Uma tradição que vem de tempos remotos, passa pela idade média e chega ao sítio Cabaceiras, Barbalha. Introduzida pelos missionários do século XVIII, reforçada quando da epidemia de cólera no século XIX, pela mediação do Padre Ibiapina.

Joaquim Mulato nasceu no sítio Cabaceiras, Barbalha, dia 3 de março de 1920. O pai, o agricultor Pedro Mulato de Souza, “remediado”, casou com uma mulher mais velha que ele, Maria Velosa da Conceição, e tiveram dezesseis filhos (...)

Conta a crônica que a religiosidade sertaneja foi marcada pelos missionários capuchinhos, que aqui estiveram no século XVIII. A Tônica era a ameaça do fogo do inferno. Daí se reforçou esse maniqueísmo que tem origens mais fundas, e, mesmo nas escrituras, “a invenção do demônio,” é posterior ao Gênesis. A Penitência, no dizer de Joaquim Mulato, foi introduzida pelo Padre Ibiapina, sobralense, homem das elites, bacharel em direito, que abriu mão de tudo para cuidar dos pobres, criar casas de caridade no sertão. De onde saíram beatas, e disseminar um catolicismo triunfante. Moldado pela Contra-Reforma, com base na “Missão Abreviada”, e que teria trazido os benditos, ainda hoje entoados pelos penitentes do sitio Cabaceiras (...)

Contam que Rosemberg Cariry, quando fazia imagens do grupo, nos anos 80 teria sugerido a utilização de umas tochas para iluminar o ritual. A flagelação à noite teria pouco impacto. E as tochas embebidas em gasolina davam um tom dramático que combinava com a severidade da cerimônia (...)

O Juazeiro tem um mistério que... não sei não.

Não tem opinião muito favorável sobre o beato José Lourenço, repetindo o senso comum de que ele “botava os bestas pra trabalhar de graça” e a acusação do assédio sexual, repetida, inclusive, por Câmara Cascuda, em plena euforia do Estado Novo de Vargas.

Já com Conselheiro é mais tolerante: “era monarca, contra a República”.

O Silêncio é entrecortado pelos carros que passam em alta velocidade. Sobre as laterais do oratório, imagens inconclusas, que um dia serão cortadas com canivetes, ferros, a madeira ferida, como é ferido seu corpo de penitente, lavado com sal para purgar a Humanidade inteira.

Ficha Catalográfica
Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
C331a. Carvalho, Gilmar de. Artes da Tradição: mestres do povo/Gilmar de Carvalho; fotos de Francisco Souza-Fortaleza: Expressão Gráfica/Laboratório de Estudos da Oralidade UFC/ UECE, 2005. 269p; Il. ISBN.

Pedófilos, quem? – por João Augusto Rodrigues

A imprensa tem reproduzido nos últimos dias, em todo o mundo, notícias veiculadas por grandes jornais dos Estados Unidos e da Europa que associam alguns padres católicos ao repugnante crime da pedofilia. Além disso, a maior parte das notícias se impregna de uma ferocidade cega e avança com insinuações malévolas e acusações infamantes contra a Igreja Católica e o Papa Bento XVI.

O jornalismo, praticado muitas vezes de forma ligeira, preguiçosa e inconseqüente, buscando o sensacionalismo não procura se aprofundar na análise do problema. Casos ocorridos há dez, vinte ou trinta anos são resgatados com fortes cores de escândalo como se fossem ocorrências recentes. Denúncias são tornadas públicas de forma leviana contra o Sumo Pontífice para tentar incriminá-lo, como se fosse ele o responsável por tais atos vergonhosos ou aos culpados oferecesse o apoio da Igreja Católica.

A pedofilia é um crime ignominioso e inaceitável em qualquer circunstância. É uma conduta indesculpável, parta de quem partir ou ocorra onde e quando ocorrer. Mas o que fazem as numerosas reportagens veiculadas nos últimos dias, quando trata dos crimes trazidos recentemente à tona na Europa se não confundir e vilipendiar o Papa Bento XVI? Quem acompanhou o noticiário ficou com a dolorosa impressão – se católico – de que a Igreja agiu de forma a desculpar e justificar tais atos.

Um jornalismo mais sério e responsável, ao contrário, deveria saudar a atitude do Santo Padre, que não hesitou em escrever uma carta plena de coragem e dignidade ao clero irlandês, condenando os abusadores naquele país, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça cumpra o seu papel. A atitude corajosa do Sumo Pontífice nem de longe tem sido acompanhada pela maior parte dos jornalistas e dos críticos, incapazes de separar a histeria anti-católica da verdade criminal.

Para ilustrar esse raciocínio segue um dado interessante, tanto mais que restrito ao país do cardeal Ratzinger. Na Alemanha foi comprovado que houve, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 envolveram de alguma forma padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Isso significa que, por serem poucos, esses casos devem ser minimizados? Longe disso. Já disse e repito: um único caso que seja de pedofilia é sempre vergonhoso e imperdoável.

O problema é que se está procurando partir de casos isolados para engrossar uma campanha de descrédito e de infâmia contra a Igreja Católica e seus dignitários, tornando mais profundo o difuso anti-catolicismo ocidental que já vai se tornando um dos inexplicáveis fenômenos do nosso tempo. Nos Estados Unidos, onde as estatísticas têm mais credibilidade, já se constatou que a presença de pedófilos, é de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes do que entre os padres católicos. De qualquer forma, muito maior que o envolvimento de líderes religiosos (católicos ou protestantes) é, por exemplo, o de professores de ginástica e treinadores de equipes esportivas juvenis, muitos deles casados.

Da mesma forma, relatórios periódicos do governo norte-americano indicam que cerca de dois terços dos abusos sexuais contra crianças não vêm de estranhos ou de educadores, sejam eles padres ou pastores, mas de familiares – padrinhos, tios, primos, irmãos e, infelizmente, até pais, muitos deles também casados.

Esses dados vêm derrubar a opinião de alguns anti-católicos, que tentam atribuir ao celibato a causa do problema. Uma atitude mais séria e responsável recomendaria um estudo mais profundo para lhe descobrir as origens e criar no seio da sociedade os mecanismos capazes de preveni-lo. Exatamente o contrário do que tem sido feito, buscando-se cobrir de desonra a Igreja Católica, cuja doutrina abraça os melhores valores da nossa civilização.

(Publicado no jornal “O Liberal” de Belém – PA)

Uma nesga de céu azul - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Chover vários dias isso conhecemos. Andaremos com os pés molhados, os braços respingados. Isso não tem importância: chover vários dias em seguida.

Chover como torneira aberta afoga a vigília do presente e apreende a esperança do próximo minuto. Como choveu no Rio de Janeiro! Tanto que agora estou com a alma a comemorar uns pequenos rasgos de azul no céu. Nem meia hora se passara quando tudo estava fechado com as águas escorrendo, se infiltrando, inundando.

Informam que apenas em quatro horas caiu mais de 100 milímetros na região metropolitana do Rio. Em alguns bairros isso ultrapassou os 150 milímetros. E até compreendo a praticidade dos meteorologistas medindo as chuvas em milímetros, mas nada mais irreal nestes metros que nos afogam.

Eu deveria me encontrar de férias em algum lugar e nem li a revista O Cruzeiro, pois não me lembro de ter ouvido falar nas enxurradas de 1966. Mas todas as demais, a de 1988 e 1996, eu estava com água na cintura. Se me perguntarem o momento mais impressionante que vivi, foi em 88.

Era um domingo molhado. Pingara a noite toda. Sentamos na cozinha para tomar café por volta das 08h30min. A janela da área de serviço que se abre também para a cozinha mostra a Pedra da Gávea e dos Dois Irmãos. Qual foi o nosso susto simultaneamente no primeiro gole de café. O céu estava literalmente enegrecido. Mas não era apenas a cor, era uma massa sufocante que lentamente se deslocava em nossa direção. O inevitável tomaria nossas vidas.

E a chuva caiu com torneiras abertas. Não eram pingos, eram milhares de jatos disputando cada milímetro do terreno. A rua da janela da frente se tornou uma cachoeira. Nosso prédio sustenta-se sobre pilotis. Descemos até ele para verificar se algo de anormal ocorria. A Clínica Santa Genoveva já fora soterrada matando dezenas de idosos.

Hoje duas imagens vindas do noticiário se fixaram. Eram duas mulheres jovens. Uma negra, com um casaco branco com desenhos pretos, toda molhada, ainda rindo e dizendo que tentara chegar até ao trabalho, não dera e, agora, patinava nas poças no rumo de casa. A outra sob um guarda-chuva, os pingos em volta, era de classe média, na beira da Lagoa inundada, inteiramente desorientada. Olhou para o repórter e perguntou se na direção que viera daria passagem. Não tinha como chegar ao trabalho e não sabia o que fazer.

A palavra subentendida em certos discursos da mídia, especialmente a Míriam Leitão no Bom Dia Brasil de hoje: é o aquecimento global. Não é. É o de sempre: populações migrantes para as grandes cidades, com o espírito selvagem do capitalismo a dar um jeito, qualquer jeito em suas vidas. Nas encostas volúveis, seja por necessidade ou pela vista e prestígio com as mansões dos ricos.

O Aquecimento Global pode ser uma verdade, mas nas circunstâncias não passa de empreiteiro de obras. E como gostam de uma obra superfaturada!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tempo, o senhor da razão - Emerson Monteiro

Tantas vezes quantas necessárias, haveremos de recorrer às ideias na intenção de esclarecer, ou mesmo refutar, contradições do cotidiano. Parar e pensar, por menor proveito que represente do imenso cabedal dos acontecimentos, deixam aflorar revelações fundamentais, novas e outras revelações, sentido único de superar as fronteiras rijas do instante.

Pensar representaria, portanto, a mais extensa faixa do caminho, na revelação individual da consciência. Novas chances de esperar movimentações da mente imporiam a alternativa às longas ou breves excursões pelos mares do desconhecido, nas camadas possíveis do instante, com estação final num dia a todos assinalado.

Conquanto o fluir das horas marquem pulsar da finalidade útil de contemplar e interpretar motivos, andar aqui, na face deste chão lotado de questões fundamentais, a todo segundo configura o adiamento do ato final do drama diário.

Ninguém percorre seus passos isento de responsabilidades perante a longa humanidade, independente das opções particulares de quem se pretenda possuir talentos superiores, porquanto um determinismo cósmico, ou destino, avalia e conduz o presente definitivo, nas telas do agora aqui, cinema perpétuo. Força coercitiva, constante, raiz dos mínimos fenômenos, converge fatal, para produzir resultados constelados de séculos e milênios.

A própria razão da civilização dos homens se submete ao tal processo intermitente das horas que correm ao ritmo de corações imaginários. Pela hierarquia dos poderes universais, o Tempo fixa padrões de circunstâncias, enquanto pessoas borbulham pensamentos nascidos nas ocorrências históricas.

O poder que em si contém o fluir de todo momento resume a potência dos seres limitados da Natureza e governa acima de tudo, dotado de tentáculos enérgicos a ponto de suplantar as liberdades humanas e a ânsia de superioridade, quadro geral da expectativa existencial.

Ainda que usufruamos dos pensamentos e elaboremos conceitos racionais sob o manto da mesma racionalidade, sua interpretação defronta barreira inesgotável de normas e resultados quiçá contraditórios, a cobrir nossos pés, na força das oportunidades.

Diante disso, quer-se crer em níveis superiores de uma outra razão acima da razão vulgar das criaturas humanas, domínio que abrange o vasto Universo e elabora causas originais, além de manifestar a forma do Tempo na face do Nada absoluto; um senhor da razão apenas relativa, Ser dos seres.