Um certo Padre Gomes
Everardo Norões
Dez horas da manhã.
Na sala de aula, duas altas janelas cortam
o claro dos céus em pedaços.
O professor profere a chamada.
O verbo é ‘proferir’; ele nunca chama: ordena.
Ele é padre, mas nada tem a ver com seus pares.
Basta ver o corte da batina, a faixa à cintura
que mais parece um obi de samurai.
Postura de quem está sempre à espreita,
aguarda o ataque.
Pronuncia os nomes, não os repete; olha a cara de cada um,
baixa a vista para o livro de anotações, escreve.
O que contam esses registros?
Depois, se não aprova o nominado,
ele o dispensa antes do início da classe.
(Comenta-se que presa à faixa não há uma katana,
o sabre japonês, mas um Smith&Wesson .38 duplo.
Única concessão que faz ao império do Tio Sam.)
Assim fala a fotografia:
cinzento é o ginásio na sua arquitetura cansativamente simétrica,
corredores de piso de mosaico, campainha para retinir recreios,
sanitários malcheirosos a lançarem seus eflúvios
sobre o amplo pátio.
O pátio:
um quadrado de terra vermelha,
onde nenhuma grama cresce, como no chão de Átila.
Às 5h30 da manhã, e durante uma hora a fio,
os alunos, na aula de educação física, aqui são tratados
como cabos de guerra pelo sargento do Tiro.
A cor da argila designa o bairro do Barro Vermelho,
lugar onde foi fuzilado Pinto Madeira, pertinho daqui.
Ainda se busca a mancha de sangue, o buraco da bala,
o sopro da última palavra.
Inútil:
tudo aqui foi destruído:
a rua de azulejos portugueses,
a calçada dos morféticos,
o piano que ressoava na rua
as lembranças de Branca Bilhar.
(A cidade conspurca com crueldade seus espectros.)
Ao lado do retângulo vermelho, a dita sala, igual a vinte outras,
com seus trinta alunos sentados em carteiras de madeira de lei.
Numa delas, as duas iniciais de um nome;
em outra, um signo-salomão, uma meia-lua ou um ferro de gado.
Nada de sugestões pornográficas ou insinuações subversivas.
Ninguém se iluda:
neste reduto da diocese não apenas se aprendem
as matérias do currículo:
aqui também se é iniciado no exercício da delação.
A aula começa.
O professor comenta a diferença entre os homens do interior
e os que ficaram pelos litorais,
a arranharem a terra como caranguejos,
dixit Frei Vicente do Salvador, ou Vicente Rodrigues Palha,
nome laico do jesuíta baiano que descreveu a vida na Colônia.
A linha de pensamento do mestre se insinua
pelos meandros do rio São Francisco.
É regida pelas observações do mais brilhante historiador
de seu tempo, Capistrano de Abreu, ateu e, para seu desgosto,
pai de uma freira que se refugiou no claustro
e fez voto de silêncio.
O curso do pensamento do professor acompanha
o do Grande Rio, desemboca no Riacho da Brígida.
Busca um Ulisses,
entre preadores de índios da Missão do Miranda, ex-Itaytera.
Um Ulisses capaz de conservar engastado o rochedo
sob os pés da Virgem da Penha,
para impedir que a Serpente não o rompa
e sejamos arrastados pela Grande Água.
Na brecha dos mitos, ele, o padre, professor, pesquisador,
vasculha nomes carreados de Sergipe, Pernambuco, Bahia,
catapultados pela Casa da Torre,
perdidos nos brejos, ribanceiras, serranias.
Onde estará nossa Ítaca?
(Como discernir na partitura do tempo o que se tornou usura da história?
Todo texto é ficção, dizem.
Nenhuma sessão da memória se repete com a fidelidade do cinema.
Apenas o cenário pode permanecer imutável.
Remontagens arqueológicas sedimentam nossos delírios e
as ruínas refeitas guardam detritos que suscitam apontamentos bizarros,
registros em cadernos esquecidos.
Pois a história, escreve José Honório Rodrigues, “não é só fato:
é também emoção, o sentimento, o pensamento dos que viveram
– a parte mais difícil dos negócios humanos”.)
Voltemos ao Padre, seu outro lado,
seu silêncio martirizado no quarto de estudos,
onde dormir é privilégio.
Aí doma seus fantasmas, suas letras.
Não tem com quem conversar, aprofundar argumentos,
buscar o verme que contamina o miolo de seu fruto,
o fruto vermelho da História.
Busca nos alfarrábios, cruza garatujas de batistérios.
E sempre Nascimento e Morte de permeio,
desmontados em árvores desenhadas em páginas coladas,
para chegar ao mais idiota descendente
de um coronel qualquer da Guarda Nacional.
O Álbvm do Seminário do Crato, de 1925
– álbvm com ‘v’, para imitar o latim da Santa Igreja –,
registra o aluno na página 202; o clérigo, na 207.
A fotografia da página 189, carcomida pela traça, revela:
batina, barrete, mas sem a capa romana
que o acompanharia durante tantos anos,
tremulante e negra sob o sol dos Cariris.
Pois assim reza o artigo 12
do capítulo III do Regulamento do Seminário Maior:
“Uma modéstia sem afetação e um porte digno
resaltem do seu todo, mormente nos actos religiosos
e quando estiverem recebendo instrucção” (sic).
É necessário lupa para recompor feições e formas.
Segundo da segunda fila, da direita para a esquerda.
A cabeça encoberta inclinada à direita;
deixa-se ver o relógio de algibeira,
quem sabe um Patek Philippe.
O rosto é magro; o nariz, aquilino, mouro;
as orelhas não se deixam passar despercebidas.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue da bonomia do grupo.
Tem um ar triste, inquieto.
Escreverá mais tarde:
“A zona é percorrida por rios secos e serranias de altura medíocre,
de platôs e faldas férteis, abrindo-se em depressões
vulgarmente conhecidas por boqueirões.
Florestas e serras de altura de mil metros, mais ou menos,
e as margens de rios, águas em lagoas, olhos d’água e cacimbas,
barreiros salgados, forragens substanciosas,
campos mimosos e agrestes ao lado de catingas,
carrascais e ilhas de cacto,
eis outra face da fisionomia natural da terra,
tudo conforme acentuou Capistrano de Abreu”.
Sempre Capistrano, o grande Mestre.
E, já assimilada, a leitura de Euclides.
Um homem sozinho atravessa a cidade:
batina negra, capa romana, faixa à cintura.
Segue o trajeto que vai da igreja da Sé ao Ginásio.
Quantas vezes terá feito esse percurso?
Saúda Tandô, sentado no meio-fio da praça.
“Em que pensa esse padre, com jeito de homem”,
se pergunta o anão?
Aqui tudo é vigiado.
A cada janela há um olho à espreita.
O padre caminha sem prestar atenção a quem passa,
nem atentar para quem se furta por detrás das gelosias.
Anda rápido para dar tempo à chamada do refeitório e,
logo depois, recomeçar reflexões e leituras.
Abrirá a porta de vidro da estante de cedro
com a chave escondida dentro do sapato, enrolada na meia.
Lembrança do regulamento, de quando era regente:
“Só poderão fazer leituras extra-programma mediante prévia
autorização do Padre Prefeito” (sic).
(As duas maiúsculas encerram o assunto.)
Equivoca-se quem pensa que sua busca tem como finalidade
cruzar ramos de famílias, desvendar mancebias,
revestir de letras de nobreza alguns filhos da terra.
Sua história tem dupla leitura:
de um lado, parece agradar a quem procura na veia
mínima gota de sangue caramuru.
Mas a outra vertente é a que mais lhe importa:
seguir os rastros do autor
de Caminhos do povoamento,
contrapor aos heróis oficiais de guerras subalternas
a saga dos anônimos.
Ou seja: catar os detritos da história,
cônscio de que o passado nunca fica para trás:
continua a vicejar entre os vivos,
como as bactérias nos corpos em putrefação.
Em 9 de janeiro de 1941, Padre Gomes,
nos Cariris, longe de tudo, ensina, pesquisa, escreve,
elabora e medita, sozinho.
Nesse mesmo dia,
sob a França ocupada e 5 dias
após a morte de Henri Bergson,
Paul Valéry pronuncia na Academia Francesa
o belíssimo elogio fúnebre ao filósofo,
de uma simplicidade que surpreende quem está familiarizado
com a escrita carregada de erudição e de refinamento do poeta.
Diz da alta figura de homem pensante que foi Bergson,
talvez um dos últimos, segundo Valéry, que teriam exclusivamente
e profundamente pensado, num mundo
em que se pensa cada vez menos:
“enquanto a miséria, as angústias, as limitações de toda espécie
deprimem ou desencorajam os empreendimentos do espírito”.
Observações sobre um homem pensante:
aplicam-se perfeitamente ao padre de Brejo Santo.
Passa o Padre Gomes e Tandô, o anão, se pergunta:
“Em que diabo está pensando esse homem?”
Somente hoje é possível compreender
o porquê daqueles passos apressados,
daquela inquietação permanente,
de sua genialidade e equívocos.
A fotografia:
não é mais necessário lupa para recompor as feições.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue do resto.
Tem um ar triste, inquieto.
Pensa num mundo mais largo, sem cadeias,
distante do jugo das genealogias,
longe de um sol que é o mesmo sol de todos os dias,
segundo Machado de Assis,
onde nada existe que seja novo,
onde tudo cansa, tudo exaure...
por Everardo Norões
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sábado, 17 de abril de 2010
Um certo Padre Gomes - por Everardo Norões
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Acordos e desacordos na Mídia Televisiva - por José do Vale Pinheiro Feitosa
E a cara de asco dos apresentadores de televisão da rede nacional? É que esqueceram o espetáculo que foi o noticiário da investigação, indiciamento e condenação do casal Nardoni. Didaticamente ensinando pais a jogar filhos indefesos do alto.
Na verdade a luta de duas organizações: a dos Proprietários contra a dos Não Proprietários querendo propriedade. Ao invés dos versos “como o céu é do Condor”. Mas é a contradição do capitalismo proprietário: todos a querem. Pelo meio da tarde de ontem, correu a denúncia que a CNA queria que o Jornal Nacional divulgasse um vídeo feito por ela, com pessoas sendo supostamente torturadas por integrantes do MST, como se fosse um fato jornalístico. A matéria caiu, mas seria fatal se tivesse sido veiculada no mesmo dia da propaganda.
Ontem Salvador sofreu o impacto das chuvas. Morreram pessoas em deslizamentos. Áreas forma alagadas. Sergipe também sofreu. As verbas federais, em conjunto com recursos do Estado e do Município ajudaram muito em várias áreas.
O Jornal Nacional, no plano profundo da cultura, levantou o velho preconceito contra o Nordeste. Não é por menos que no final deste ano conversando com um subsecretário da fazenda de Santa Catarina, ele se queixava que a tragédia das chuvas por lá, tinha uma causa nas despesas federais com os pobres nordestinos. Trazia, na maior como se não estivesse conversando com um nordestino, a mesma lenga-lenga da direitista Liga Norte Italiana, querendo empurrar o Sul da Itália, simbolicamente, para as costas da África.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Programa Compositores do Brasil com Pedro Caetano
Por Zé Nilton
O Programa Bolsa Família e a Educação - por José do Vale Pinheiro Feitosa
O Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (CIP-CI) do PNUD, órgão das Nações Unidas, em parceria com o Governo Brasileiro, examinou o Bolsa Família. Do ponto de vista inclusivo, ou seja, analisando os desdobramentos históricos do Programa e apontando a porta de saída para o mesmo. O melhor ponto de corte é a educação, aquele valor que todos, à direita e à esquerda, consideram universal para o progresso das pessoas e das famílias.
A primeira indicação é de que este programa de transferência de renda combate os dois empecilhos principais para o acesso à escola: a) o trabalho infantil e, b) custos diretos com educação como uniforme, livros e mensalidades. E para deleite dos dois principais partidos em luta eleitoral este ano, PT e PSDB, o estudo começa em 1998, ainda com o Bolsa Escola, e foi até 2005.
Usando indicadores da educação, o estudo conclui que nas escolas públicas em que havia alunos beneficiados pelo Programa, a taxa de matrículas cresceu em todo o ciclo do ensino fundamental (5% da 1ª a 4ª e 6,5% da 5ª a 8ª), houve redução da taxa de abandono e aumentou a taxa de aprovação. E tem um efeito mais importante ainda, resolve o problema da equidade, ao impactar mais sobre as populações mais desiguais e sendo assim as taxas de matrículas que mais cresceram foram: negros, pardos e índios.
Após um ano de programa, o aumento das matriculas foi 2,8% na média das escolas, mas chegou a 13% nas escolas que atendem populações mais predominantemente negras. Vale salientar que estes percentuais que podem fazer alguém torcer o bigode por achá-lo baixo, considere que este foi o crescimento na população escolar como um todo, considerando as crianças que não recebem os benefícios do programa. No entanto, quando se observa o impacto apenas sobre o segmento mais pobre da população, onde estão os beneficiários do programa, se viu um aumento de 18% na taxa de matrícula, de 2% na taxa de aprovação e redução de 1,5% na evasão escolar.
Agora algo para se refletir muito bem. A municipalização se mostra cada vez mais virtuosa para o progresso da população brasileira. Programas de Previdência Social, Transferência de Renda, Educação, Saúde e Saneamento, entre outros, não teriam a mesma eficiência sem a flagrante intervenção municipal. Pode dar desvio, isso acontece, perseguições eleitorais etc., mas nada é mais eficiente em termos de políticas públicas.
Enfim: a sociedade precisa ser menos egoísta, mais inclusiva e muito menos arrogante quando pensa apenas com o fígado das disputas eleitorais. Toda sociedade possui valores que vão além desta disputa. Bandeiras que unem a todos.
terça-feira, 13 de abril de 2010
A fé – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
A fé é um dom gratuito de Deus que além de deixar os nossos corações purificados, nos salva. Através da oração, ela pode ser aumentada. Quem tem fé faz a diferença e supera dificuldades que parecem impossíveis, pois ela nos dá um melhor discernimento para solucionar nossos próprios problemas. A pessoa que tem fé, além de acreditar na existência de Deus, faz-se necessário que acolha o seu projeto, fazendo a vontade Dele. A fé em Deus deve estar em primeiro lugar do que a confiança em qualquer coisa. Se buscarmos a fé, Deus a fortalece.A fé não nos desliga da realidade, ao contrário, ela nos impulsiona a participar da vida das pessoas na comunidade. Ela exige que tenhamos coerência de vida: na política, nos negócios, no lazer, na profissão, na família e na própria religião. A fé está ligada a esperança e ao amor e não aliena as pessoas, pois fé e vida andam juntas. Com os olhos da fé podemos enxergar melhor e termos consciência dos problemas dos nossos semelhantes. Por isso além de louvar a Deus, temos que ajudar na transformação do mundo procurando torná-lo melhor.
Quem tem fé confia que o plano de Deus está se realizando em seu íntimo, apesar das forças do mal, das incompreensões dos outros, das dificuldades e da demora nas transformações interiores.
O Evangelho de João nos traz a memória do apóstolo Tomé, que só acreditou em Jesus ressuscitado quando o viu. Esse fato nos faz compreender que as testemunhas oculares são tão importantes, quanto às pessoas que não estiveram perto de Jesus ressuscitado. Apesar de Tomé ter estado com Jesus antes da paixão, ele impõe uma condição para crer: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei”.(Jo 20,25). Quantos de nós não somos como Tomé e exigimos provas para acreditar?
Jesus se apresenta diante de Tomé não de modo particular, mas na comunidade, juntos dos discípulos. Pois desta maneira, é que as futuras gerações acreditarão na ressurreição. Como? Participando de uma comunidade e, fazendo uma adesão a Jesus Cristo, graças ao testemunho dos outros.
No evangelho de João quando Tomé responde a Jesus “Meu Senhor e Meu Deus,” (Jo 20,29) ele está realizando a maior profissão de fé, reconhecendo Jesus como Deus.
Tomé simboliza aqueles que não acreditam no testemunho da comunidade. Atualmente observamos que muitas pessoas são como Tomé, teimosas, que só podem crer no que vêem e tocam. É também uma época em que se sofre por falta de fé. Algumas vezes, existe em nós um Tomé, com dificuldades para enfrentar os problemas da vida, sentindo-se medroso diante da fé, quando esta parece enfraquecida. Entretanto, Jesus transforma o medo em alegria e deseja paz para todos. A paz, que é um dom de Deus, é uma conquista humana, que só se adquire superando o medo, assumindo os riscos e, abrindo as portas para o mundo.
A fé autêntica deve vir acompanhada de atos concretos. Tiago em suas cartas diz que a fé sem obras é morta: “Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Por acaso a fé poderá salvá-lo? Por exemplo: um irmão ou uma irmã não tem o que vestir e lhes falta o pão de cada dia. Então alguém de vocês diz para eles: “Vão em paz, se aqueçam e comam bastante”; no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo. Que adianta isso? Assim também é a fé: sem obras, ela está completamente morta.” (Tg 2, 14-17).
A fé não é só sentimento interior ou algo abstrato, é compromisso manifestado por gestos e atitudes visíveis. Essa prática vai expressar a fé de cada pessoa. Quem tem fé não pode pensar só em si, tem que se preocupar com o irmão necessitado.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Tarde Caririense - Por José Newton Alves de Sousa
Esse ouro que desce e, trêmulo, envolve a serra, essa luz liquefeita, óleo fulvo que alaga, esse claror em adeus, esse final de tarde...
Aqui o monte cisma, o gesto é de silêncio e os olhos, de todas as belezas saciados, bebem o sol, a paisagem, o infinito.
Oh luz do Cariri! Oh clara tarde! Oh sol!
O bater de asas sobre o vale em claridade!
Oh poentes de aurora!
A guerra não existe. O ódio eliminou-se.
Um do outro é irmão...
Por José Newton Alves de Sousa
A mulher nos tempos bíblicos – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Na época em que Jesus viveu, os homens judeus iniciavam suas orações diárias no muro das lamentações, agradecendo a Deus por não terem nascido mulher: “Bendito Aquele que não me fez pagão, que não me fez mulher e não me fez lavrador.” Por esta oração, vemos que três classes eram completamente inferiorizadas e discriminadas: os não judeus, a quem eles denominavam pagãos, as mulheres e os trabalhadores do campo. A mulher era totalmente subjugada ao homem, numa quase escravidão, praticamente sem nenhum direito. Não podia deixar os cabelos à mostra, nem ensinar ou dar testemunho. Era considerada impura quando menstruada. Ao dar à luz um menino se tornava impura durante sete dias. E deveria aguardar a purificação do seu sangue durante trinta e três dias, não podendo freqüentar o santuário ou tocar em qualquer objeto sagrado. Se a criança fosse uma menina esse tempo duplicava. (Lv 12; 1-5). Era também proibido a uma mulher estar sozinha com um homem. “Qualquer um que fale muito com uma mulher é causa de mal para si mesmo, descuida da Lei e termina na Geena”, sentenciava o Talmude em um de seus tratados, o “Pirqe Aboth”, o “livro das sentenças dos sábios”.Ao homem era permitido repudiar sua mulher por um motivo qualquer e lhe dar uma carta de divórcio. (Dt 24,1). À mulher era-lhe negado até o direito de escolher seu próprio marido. E geralmente as mulheres judias casavam com esposos escolhidos pelos pais e que muitas vezes somente os conheciam no dia do casamento.
O matrimonio judeu de então era realizado em duas etapas: o "esponsal", cerimônia na qual os nubentes eram declarados marido e mulher. Nessa fase a moça estava com doze anos de idade e o rapaz com dezoito anos. Após essa cerimônia, cada um dos noivos voltava para a casa de seus pais. Decorrido um ano, realizavam-se as "núpcias", e então, marido e mulher passavam a ter vida em comum.
Se por acaso, uma mulher fosse flagrada em adultério durante essas duas fases do matrimônio deveria ser apedrejada. Se o adultério fosse após as núpcias ela seria estrangulada. Já o homem, somente cometeria adultério se a mulher com a qual mantivesse relação sexual fora do casamento fosse judia e casada. Portanto o homem poderia se relacionar com todas as mulheres solteiras e pagãs, desde que não judias.
A mulher declarada adúltera que os fariseus apresentaram a Jesus para que ele ditasse a sentença de apedrejamento foi uma dessas meninas vivendo entre as duas fases do seu casamento. Era uma armadilha que os fariseus prepararam para acusar Jesus. E ele escrevendo na areia, talvez, quem sabe, os inúmeros pecados cometidos por aqueles acusadores, respondeu: “Quem entre vós não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.” “E todos se retiraram um a um, começando pelos mais velhos.” (Jo 8,7). E esses mais velhos que o evangelista cita, não são os velhos em idade, mas os presbíteros, entre eles escribas e fariseus que apesar do prestigio e do direito de julgar, se fragilizavam a qualquer ameaça de serem desmascarados.
Alguns trechos do Antigo Testamento nos revelam o preconceito contra a mulher naquela época. No livro do Eclesiástico ou Sirácida, lemos as seguintes referências: “Nenhuma ferida é como a do coração, e maldade nenhuma é como a da mulher!” (Sr 24,12). “Prefiro morar com um leão ou dragão a morar com uma mulher maldosa. A maldade de uma mulher transforma seu aspecto e seu rosto sombrio lhe dá o ar de um urso.” (Sr 24; 15-16). “A mulher está na origem do pecado e é por causa dela que todos nós morremos.”(Sr 25; 24).
O nascimento de uma mulher era considerado uma grande desgraça para a família judia. E quando já existiam duas filhas mulheres, a terceira deveria ser abandonada fora das vilas e cidades. Se por acaso, a recém-nascida sobrevivesse aos lobos e animais carnívoros, era recolhida pelos mercadores de escravos que, de manhã cedo, percorriam as periferias das cidades e das vilas à procura dessas meninas, para criá-las como escravas e destiná-las à prostituição.
Em todos os relatos dos Evangelhos em que Jesus é confrontado com uma mulher, convidado a condená-la, ele que veio para salvar através de sua prática, denunciou as inúmeras injustiças contra a mulher, libertando-a da condenação arquitetada pelos doutores da lei.
Atualmente, apesar das leis de muitos países considerarem direitos iguais para homens e mulheres, a mulher continua sendo discriminada pelo arraigado machismo que nos impregna. Quer em relação ao trabalho, ou ao nível salarial, ou quando se submete a qualquer cargo público, a mulher geralmente não é bem vista. E quem de nós ao ver uma mulher cometendo pequena barbeiragem no trânsito não exclamou ainda: “Só podia ser uma mulher!”?
A força da mulher que trabalha, cuida dos filhos, executa e administra os serviços domésticos e ainda dá atenção ao marido fortalece a família. Nós nem imaginamos como ser possível assumir essas múltiplas tarefas depois de um longo dia de trabalhos e preocupações.
A valorização da mulher e sua participação na vida social e política é de fundamental importância para o crescimento das relações sociais. Dosando a sensibilidade e a delicadeza próprias da mulher com a racionalidade e firmeza do homem, viver se tornará mais fácil e agradável. Nós, os homens, devemos valorizar a mulher, pois sem ela a humanidade não existiria.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Show da Banda de Lata Os Cabinha em Vamos Nessa Cariri pela TV Cultura
Horário: 12 abril 2010 às 23:45 a 13 abril 2010 às 12:30
Local: TV Cultura
Organizado por: Kaika Luiz
Descrição do evento:
domingo, 11 de abril de 2010
A virtude da contradição - por José do Vale Pinheiro Feitosa
As instituições milenares sofrem, na atualidade, contradições tremendas. Especialmente a matriz institucional das religiões. A abordagem histórica de tais contradições é freqüente e existe uma vasta literatura sobre tal coisa.
Valores morais das regras centrais se oxidaram como tudo que se expõe à “poeira” do tempo. Isso não se deu de repente, a evidência do poder temporal, em transformação histórica, já estava na raiz da Reforma, em Henrique VIII e na “neo-inquisição” da Península Ibérica na era do mercantilismo. Inquisição assentada no poder dos comerciantes, da fidalguia e do rei. A igreja de cada país é mais extensão para os poderes locais do que matriz da política que a envolvia.
Tal qual como no Budismo, Hinduísmo, Xintoísmo e Islamismo. Na escala da própria história dos povos sob influência de cada uma delas. A matriz da transformação atual é maior e diferente de tudo o mais do passado. E muito mais se apresentará ao longo dos próximos anos e séculos.
Se tomarmos os conceitos como referência, próprio conteúdo dos substantivos, em si mesmo, se encontra sob enorme pressão de mudança. Os substantivos que tantas acepções, inclusive de sentido figurativo, já lhes fora ajuntada, passaram até a sofrer mudanças de dentro para fora.
Tomando como exemplo o catolicismo, cujo esteio maior, de ordem moral, se encontra no substantivo virtude. Que, aliás, é feminino e já fora adensado desde a civilização grega, tanto no aristotelismo, como no epicurismo e no cristianismo agostinista compreendendo que a virtude da essência humana era a disposição para o amor.
Tomemos esta virtude em rápida transformação de dentro para fora, até mostrar as crostas da ferrugem ou o zinabre na superfície. A virtude da proteção à criança, do cuidado a sua integridade física e psíquica. E tome a questão da pedofilia no interior da igreja católica. Onde se encontra a virtude? Em algo maleável, adaptado à proteção do patrimônio material da instituição e ao cinto de segurança do corporativismo institucional.
Qual a virtude do então cardeal Ratzinger ao proteger o Padre Stephen Kiesle, da Diocese de Oakland, acusado de amarrar e molestar dois meninos na casa paroquial? A virtude em diluição: escudar o “bem da igreja” como alternativa ou a virtude da misericórdia tão cara ao próprio cristianismo de modo em geral?
Os católicos há muito, no mínimo desde a Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII e da Mater et Magistra de João XXIII, sabem que o mundo se encontra em transformação e que a Igreja se tornou parte do momento histórico como ente político. Quando o Papa Bento XVI foi à África e condenou o sexo fora do casamento e por tabela o uso do preservativo, muito mais do que uma virtude moral, pôs o dedo sobre uma virtude cultural e de saúde pública. Faltamente o substantivo virtude estava sobre a contradição de forças sociais e, portanto, política.
sábado, 10 de abril de 2010
Ali Kamel Tratorando a Serviço Eleitoral - por José do Vale PInheiro Feitosa
À frente desta Central, aproveitou-se da tragédia das chuvas que barafundeou a Região Metropolitana do Rio para atacar os partidos políticos que defendem políticas públicas para as favelas. Por tabela, no clima da perplexidade e da revolta, descer a encosta de risco da consciência humana sobre os pobres e favelados. Na boa manipulação, parecendo que Fátima Bernades e Bonner estão indignados com o desamparo aos pobres.
Esta inversão é clássica na propaganda política e quem melhor a desvendou foi George Orwel no seu “big brother” do romance “1984”. Algumas manipulações que evidenciam a trama: a) a tragédia atingiu várias cidades, mas o trato ao prefeito Eduardo Paes, que aplica remoção aos favelados, é diferente daquele ao prefeito Jorge Roberto de Niterói e do PDT; b) a principal palavra de ordem é a remoção, relembrando a política única de Carlos Lacerda; c) esconderam que o Lixão de Niterói foi posto daquele modo na gestão do prefeito Moreira Franco o qual a Globo manipulou numa artimanha contra as eleições para governador em 1982; d) não denunciam a situação de “lixões” iguais em milhares de cidades pelo Brasil; e) quando o problema é em São Paulo a leitura dos fatos é intempérie da natureza, a não ser que surja uma oportunidade para acusar os pobres das “ocupações irregulares”.
Além do mais, trouxeram o relatório do TCU para fazer propaganda para o candidato de oposição à atual situação brasileira. O TCU não é tão independente assim, está pleno de ex-deputados e “assessores” de políticos, todos a serviço de determinados projetos políticos. Por isso a matéria sobre uma pequena parcela das verbas federais para melhorar a situação de habitação dos mais pobres é tão manipuladora. A má fé é literalmente semântica: nos orçamentos toda verba tem nome e esta, tinha nome de prevenção de desastres, não sendo a única verba federal que tem este efeito. No clima da calamidade pública, trouxeram a matéria como se a culpa da situação do Rio de Janeiro fosse essa nesga de verbas. O pior de tudo: bastaram as chuvas passar sobre Salvador para que as barreiras e inundações ocorressem e foi contra isso que o TCU se insurgiu? No dia seguinte o “relator da matéria” ficou doente e não deu entrevista.
São estas retro escavadeiras da política menor que levam à desgraça popular. A tese do Kamel é muito bem costurada. Puseram o Jorge Roberto a falar das obras para a população que foi soterrada. Ora, Jorge e todo o poder decisório e quem sabe até técnico da prefeitura erraram em não denunciar o lixão, não remover as casas que estavam lá, mas erraram no limite daquela comunidade. Não erram quando fazem políticas públicas, inclusive de contenção de morros e escoamento das partes baixas da cidade. O povo precisa é de mais recurso para melhorar sua situação, no local em que vivem e como decidiram viver.
Não existe diferente entre este tipo de jornalismo e aquele que justificou a invasão do Iraque por armas de destruição em massa que não existiam.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
NOTA DO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MEMORIAL PADRE CÍCERO
Renato Casimiro - Presidente da Fundação Memorial Padre Cícero
Dilma Roussef passará 2ª feira em Juazeiro do Norte, mas não vem a Crato
"2 dias de visita
Sai agenda de Dilma no Ceará
Na próxima segunda-feira, ela aterrissará ao meio-dia em Juazeiro do Norte
Saiu a agenda que a ex-ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, cumprirá no Ceará durante dois dias de visita.
Na próxima segunda-feira, ela aterrissará ao meio-dia em Juazeiro do Norte (Região do Cariri), com direito a visita à estátua do Padre Cícero. Juazeiro é administrada pelo PT e o padrinho político do prefeito Doutor Santana é o deputado federal José Guimarães (PT). Partiu do petista, que coordena a bancada cearense no Congresso Nacional, o convite para que Dilma passasse por esse município.
“Será uma visita de grande importância para os cearenses. A presença da ex-ministra Dilma reforça ainda mais a sua preocupação com o Nordeste brasileiro”, disse nesta quinta-feira, o deputado José Guimarães.
Em Juazeiro do Norte, Dilma dará entrevista coletiva, no auditório da Urca, e ainda participará de uma plenária sobre “PAC 2 e Desenvolvimento Regional” com lideranças políticas do Cariri.
Na noite do dia 12, Dilma receerá, em Fortaleza, o título de Cidadã de Fortaleza, na Câmara Municipal. Com ela, a prefeita Luizianne Lins, presidente regional petista.
AGENDA DE DILMA NO CEARÁ
12 de abril (segunda-feira)
12 horas – Chegada da ex-Ministra Dilma ao Aeroporto Regional Orlando Bezerra – Juazeiro do Norte
12h30min – Coletiva para a imprensa, no auditório da URCA, na Avenida Leão Sampaio, Juazeiro do Norte.
14h30min – Visita ao horto do Padre Cícero
15h30min – Conferência sobre o PAC e o Desenvolvimento do Cariri – Local: Quadra do Colégio Salesiano-Juazeiro do Norte.
17h30min – Embarque para Fortaleza
19h30min – Dilma recebe Título de Cidadã Fortalezense, na Câmara Municipal.
13 de abril (terça-feira)
9 horas – Atividades com a prefeita Luiziane e visita ao governador Cid Gomes.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Nem demônio, nem anjo, mas ator social - por Maria Inês Nassif no jornal Valor Econômico
O livro “Combatendo a desigualdade social: o MST e a reforma agrária no Brasil”, organizado por Miguel Carter – mexicano criado no Paraguai – professor da School of International Service da American University, em Washington DC, coloca em perspectiva o senso comum criado em torno do MST. Primeiramente, ele propõe que se deixe de lado dois exageros: da direita, que, no limite, equipara o movimento pela reforma agrária ao terrorismo; e o de esquerda, que o romantiza, superestimando a sua influência. Na introdução ao livro, que traz 16 artigos de autores variados, Carter relativiza uma e outra posição. O MST é um movimento complexo e duradouro, mas é uma “associação de pessoas pobres”, “opera com recursos limitados” e é susceptível a problemas de ação coletiva como qualquer outro movimento social. Não agrega mais do que 1% da população, nem chega a 5% da população rural. Não é bandido e não é mocinho: apenas um ator social sujeito a erros, mas que representa setores sociais expostos à miséria e vitimados por uma das piores distribuições de renda do mundo.
O MST tem dois grandes méritos históricos, segundo o autor: o de expor e desafiar enormes desigualdades de renda e fundiária do Brasil, internamente; e, externamente, de ter recolocado na agenda internacional a reforma agrária, depois da hibernação do tema no período pós-anos 80, quando a forte urbanização do Terceiro Mundo, o avanço tecnológico agrícola e a ascensão do neoliberalismo começaram a questionar fortemente a reforma agrária como política pública. E a forte reação interna de determinados setores sociais ao movimento responde muito mais ao que o MST expõe – um país com uma imensa concentração de renda e fundiária – do que propriamente pelo risco “revolucionário” que representa.
O movimento, de fato, tem um elevado grau de sofisticação de organização popular, registra Carter: estima-se “1,14 milhão de membros, mais de 2 mil assentamentos agrícolas, cerca de 1.800 escolas primárias e secundárias e uma escola de ensino superior, vários meios de comunicação, 161 cooperativas rurais e 140 agroindústrias”. Entre 1985 e 2006, conseguiu assentar seus integrantes em 3,7 milhões de hectares. Mas, embora o mais visível e organizado movimento pela reforma agrária – até 2006, tinha mais de um quarto dos 7.611 assentamentos do país -, não mantém a mesma proporção de participação na terra distribuída pelos governos. Segundo o organizador do livro, mais de 90% da terra distribuída entre 1979 e 2006 responderam a reivindicações de outros movimentos de sem-terras.
O outro mito seria o de negação do Estado pelo MST. As reformas agrárias, por definição, “implicam o envolvimento do Estado na reestruturação de relações de direito de propriedade”. Sem o Estado, isso só acontece em situações de guerra – mas, mesmo nessas ocasiões, o Estado deve sancionar o resultado da disputa. Também não existe reforma agrária se não houver demanda social por distribuição fundiária. Carter sugere que a execução de reformas agrárias acabem se constituindo numa articulação de impulsos do Estado – que sanciona – e da sociedade – que demanda. No caso do MST, o movimento articula as duas faces da reforma: as marchas e invasões normalmente são apenas um lado da mobilização, que se completa – e concretiza a reforma agrária – com a negociação com o Estado.
Outro dado que relativiza o poder de interferência na vida institucional do país, reproduzido pelo autor, é o de sua representação política, em relação à dos grandes proprietários rurais e do agronegócio. Segundo ele, de 1995 a 2006, a representação política média dos camponeses sem-terra e agricultores familiares foi de um deputado federal por 612 mil famílias. Os grandes proprietários rurais fizeram um deputado federal para cada 236 famílias – tiveram, portanto, uma representação parlamentar 2.587 maior que a dos sem-terra. Essa distorção decorre de uma precariedade de direitos políticos entre os pobres – a negação do direito do voto aos analfabetos até 1985, o clientelismo político, a prática de compra de votos e distorções de representação. O maior acesso dos latifundiários ao poder político resultou em acesso correspondente ao orçamento público: para cada dólar disponibilizado de dinheiro público aos sem-terra, foram liberados US$ 1.587 dólares para os maiores fazendeiros do país.
A realidade que se esconde nas amplificações do “perigo” do MST não é boa para o processo civilizatório brasileiro. Mesmo andando nos governos FHC e Lula – de forma “reativa, restrita e de execução morosa” – , a reforma agrária brasileira é, em termos proporcionais, uma das menores de toda a América Larina. A reforma feita entre 1985 e 2006 situa o Brasil no 15º lugar no Índice de Reforma Agrária da América Latina, dois lugares antes do último colocado. Um por cento dos proprietários rurais controla 45% de todas as terras cultiváveis do país, e 37% dos proprietários rurais possuem apenas 1% dessas terras (números de 2005 do Ipea).
Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras
Meu nome é Ricardo Oliveira da Silva - transcrito de um vídeo que circula na internet
Olá, sou Joaquim Oliveira da Silva, sou o pai de Ricardo é, e sobre o carrinho de mão para mim não era nenhum esforço, eu estava só dando uma contribuição de pai. Ele tinha vontade de estudar e aconteceu de levar no carrinho de mão, hoje não precisa mais. Que graças ao IMEP hoje ele é um aluno bem reconhecido no Brasil e tem muitos amigos, antigamente não tinha conhecimento nenhum. E hoje está sendo isso. Bem legal. E tem o reconhecimento do Presidente. Para é orgulho. Muito bom isso. Está sendo muito bom.
Crato no quadrangular final do segundo turno do Campeonato Cearense
quarta-feira, 7 de abril de 2010
COMPOSITORES DO BRASIL

Reprisando Zé Clementino.
Por Zé Nilton
Muitos amigos e varzealegrenses de todos os cantos não usufruiram da atração do programa Compositores do Brasil, da última quinta feira, quando foi homenageado o compositor Zé Clementino.
Não ouviram o excelente Antonio Morais discorrer sobre a vida, a obra e o homem que reabilitou com sua música o imortal Luiz Gonzaga, tal qual fizeram com outras ações, um Carlos Imperial e um Caetano Veloso.
Aliás, Antonio Alves de Morais, hoje administrando um dos blogues mais visitados da região, o Blog do Sanharol, afiliado do Blog do Crato, está se revelando um exímio folclorista, mercê de seu vasto conhecimento sobre os outros lados das histórias, histórias do povo, memórias passadas e vivas da região do Cariri.
Como é reconfortante saber que há um Antonio Morais e um Antonio Correia, este historiando a Ponta da Serra, contribuindo para inserila numa nova história de seu povo.
Pois bem, o excelente compositor brasileiro, Zé Clementino, nesta quinta feira, na Rádio Educadora do Cariri, às 14 horas.
Na sequencia:
Estou roendo sim, de Zé Clementino, com Trio Nordestino
Eu sou do banco, de Zé Clementino e Hildelito Parente, com Dominguinhos.
Não deixo não, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
O jumento nosso irmão, de Zé Clementino e Luiz Gonzaga, com Luis Gonzaga.
Capim Novo, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga
Chinelo de Rosinha, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé e Paulo Clementino, com Luiz Gonzaga.
Fazenda corisco, de Zé Clementino, com Dominguinhos.
Xote Dos Cabeludos, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga.
Mais uma dose pros cabeludo, de Zé Clementino, com Zé Nilton
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé Clementino, Luiz Gonzaga.
Quem ouvir, verá!
Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas
Apoio Cultural: CCBN.
Pensamento para o Dia 07/04/2010

“Você repete o nome do Senhor, canta Bhajans e realiza meditação para alcançar uma mente unidirecionada, não é? Uma vez que essa firmeza seja conquistada, seu significado interior lhe será revelado e o esforço se tornará desnecessário. Aqueles ansiosos para tornarem-se aspirantes, para alcançar a salvação, não devem ceder a argumentos e contra-argumentos. Você não deve ser seduzido pela astúcia dos maus sentimentos! Você deveria ver suas próprias falhas e não repeti-las. Você deve guardar e proteger esse estado da mente com um único foco, com os olhos fixos na meta, e rejeitar como lixo todas as dificuldades, derrotas e perturbações que possa encontrar em seu caminho.”
Sathya Sai Baba
Uma pratica mambembe de futebol
Não temos organização, não temos renda suficiente para dirigir o esporte, pois avisamos que a nossa indústria, ainda incipiente e modesta não oferece condições para manter o time com boas qualidades técnicas. Os nossos dirigentes, às vezes inconsequentes, são inadmissíveis, não possuem estrutura para dirigir com eficiência e coragem um time de futebol. Haja vista que, agora há pouco tempo, um senhor achou de abandonar a chefia do clube por falta de competência técnica e admistrativa. Causa-nos arrepio, pois, que poderíamos levar o time com coragem e eficiência a fim de alcançarmos uma posição de relevo nas disputas finais no campeonato cearense.
Em primeiro lugar, isto é a nossa opinião, deveríamos estimular o povo para que tenha mais amor ao esporte, visto que é dentro da prática esportiva, evitaremos o vício da droga e da ociosidade. Devemos enaltecer com mais brilhantismo todas as práticas de esporte, quer seja futebol, quer seja basquetebol, ou qualquer outro tipo de modalidade esportiva, num corpo sadio, temos por meta que o esporte fará bem a saúde e ao mesmo tempo, teremos como principio utilizar uma palavra latina: mens sana in corpore sano,isto é, um corpo sadio numa mente sadia.
Após a grande decepção que sofremos, devido o procedimento errado de uns, jamais poderemos esmorecer, mas elevar o espírito a fim de suportar com galhardia o terremoto psicológico que grafa em nosso meio.
Por outro lado, pedimos a compreensão da diretoria do Esporte para que trabalhem juntos, não visando lucro financeiro exagerado, mas com altruísmo, deveremos chegar a um ponto de apoio, trabalhando com amor e compreensão mútua. Com isso evitaremos um tsunami financeiro, mas trabalharemos com boas qualidades técnicas.
Infelizmente ainda, não possuímos grandes recursos, mas se tivermos boa vontade para enfrentar a luta, tentaremos alcançar a nossa glória que por certo virá, visto que com boa vontade e amor, ao trabalho afastaremos a juventude dos passos prejudiciais à saúde.
Se assim fizermos, com a boa vontade de Deus e com disposição para a luta, afastaremos a juventude da ociosidade que contamina a mente dos jovens.
Crato 05/04/2010





