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segunda-feira, 19 de julho de 2010
NOTA DE FALECIMENTO
Expocrato termina e deixa saudades
domingo, 18 de julho de 2010
Everardo Norões e Você - José do Vale Pinheiro Feitosa
Isto é, quem olha Everardo na ambiência social, encontra uma sisudez herdada. Aproxime-se e descobrirá um verbo que tem aquilo que Eça de Queiroz dizia do português falado no Brasil: tem a doçura da cana. Mas não procure que se cristalize definitivamente, logo ele se liquefaz e toma outras formas. Por isso tão múltiplo como dito no início.
Ia me esquecendo dizer de quem herdou. De Plínio Norões, o seu pai, quem o mundo movia-se por quereres, mas também por aleatoriedade. Nem acaso apenas como necessidade somente. A sisudez como atenção pelo momento em curso.
Portanto, neste evento que o Cariricaturas promove de lançamento de mais uma edição de Everardo Norões, o livro “Poeira nas Réstias” o pessoal do Crato tem de se desapegar desta preguiça malsã.
A preguiça que não é nossa e nem nos convém como acontecia nas canções de Dorival Caymmi. Peço aos meus que mande para os quintos dos infernos esta preguiça de televisão, da mesmice pequeno-burguesa do Jornal Nacional e que por falta não perderá a alma. Ganhe sua alma e vá ao Teatro Rachel de Queiroz.
Encontre Everardo em companhia de Sonia e Dihelson Mendonça. Verás quão significados existem neste verbo encontrar: frente a frente; descobrir a consciência; recuperar a própria alma escondida atrás dos cristais luminosos das televisivas. Tudo bem que procure a simplicidade própria, não este sonambulismo hipnotizado por tantos lugares comuns e tanta notícia sangrenta.
No Teatro Rachel de Queiroz, neste dia 22, na próxima quinta feira, não deixe sua alma no éter, dê-lhe a chance de ser ela por ela mesma. Abrace esta intenção, supere o umbral desta casa que lhe prende por exaustão. Vá para a rua e encontre-se. Lembre de um poema de Everardo Norões em seu “Retábulo de Jerônimo Bosch”:
as pontes do recife
em direção à Abissínia.
Nós o seguíamos:
havia sempre um cais,
um segredo,
o elixir das noites mortas.
Aprendíamos
a verdade incompleta,
o sortilégio dos desenganos,
as formas de penetrar,
(de leste a oeste)
a pálpebra das coisas.
Sempre um átomo a pulsar
no vidro,
no sexo,
nos móveis da casa:
a substância mais viva
do esquecimento.
Digo:
o silêncio é uma rua
de janelas fechadas.
sábado, 17 de julho de 2010
E o Crato virou Fortaleza – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Não cheguei a conhecer seu Juquinha, um comerciante do Crato, cuja mercearia na Praça da Estação, além de muito sortida, era muito freqüentada. Conheci o seu filho mais velho, Antônio Edisio, rapaz muito estudioso, a quem o diretor do Colégio Diocesano, Monsenhor Montenegro, sempre recorria na falta temporária de qualquer professor de matemática. Na quarta série do ginasial, Edisio foi nosso professor por mais de quinze dias.De Juquinha rolavam pelas ruas, bares e praças do Crato, histórias muito engraçadas. Uma delas dizia respeito a Edisio, esse seu filho dublê de professor de Matemática. Naquela época, era costume do povo simples da roça dizer que o filho tinha terminado o primeiro livro, em vez de concluído o primeiro ano primário. Edisio tinha ido estudar em Recife, onde se preparava para fazer o vestibular de engenharia. Dizem que por este tempo, alguém entra na mercearia de seu Juquinha e lhe pergunta:
– Seu Juquinha, cadê aquele seu filho mais velho, que eu nunca mais vi?
– Homem, Edisio já leu os livros daqui do Crato tudinho, e agora foi ler os livros do Recife.
Contava-se também que um dos maiores sonhos de seu Juquinha era conhecer Fortaleza. Depois de juntar algumas economias, decidiu embarcar sozinho, pois o dinheiro não dava para levar a mulher ou um dos filhos. Então, numa tarde de domingo, tomou o trem, tendo antes o cuidado de comprar o bilhete de segunda classe, por ser mais barato. Acomodou-se na dura cadeira, apoiando o braço na janela, quando da plataforma um freguês da sua mercearia o avista no carro de segunda e lhe indaga admirado:
– Mas Juquinha, você vai viajar na segunda classe?
– E tem de terceira? – Perguntou interessado, o econômico Juquinha.
A viagem transcorreu sem nenhum problema até a cidade do Iguatu, onde o trem pernoitava. O mesmo ocorria com o trem que saia de Fortaleza, que também parava no Iguatu e todos os passageiros se alojavam no Hotel Ferroviário, para de madrugada prosseguirem a viagem.
Às quatro da madrugada em ponto, o porteiro do hotel despertava os hóspedes mais dorminhocos, pois quinze minutos depois, os dois comboios partiriam em sentidos contrários. Juquinha foi um dos passageiros que fora surpreendido pelo sono e saiu atarantado, à procura do seu trem. Na pressa, não olhou direito qual era dos dois trens que deveria entrar. Aliás, acho que Juquinha nem percebera que havia dois trens parados na estação. Entrou no trem que ia de Fortaleza para o Crato. E seguiu viagem sem nada desconfiar. Nem a paisagem e nem as cidades que passara no dia anterior fizeram-lhes notar que havia entrado no trem errado.
Finalmente, o trem começa a chegar ao Crato e Juquinha exclama para o companheiro do assento ao lado, que para seu maior azar, era um surdo mudo.
– Como Fortaleza é parecida com o Crato! Até agora não vi diferença nenhuma nessa tal de capital. Até a ponta de rua é parecida com a entrada do Crato. Tem até aquela porção de pedra de gesso amontoada na beira da linha...
Quando o trem parou na estação do Crato, Juquinha desceu falando sozinho, para espanto de quantos o conheciam.
– Vôte, Fortaleza é igualzinha ao Crato. Até a Praça da Estação parece ser a mesma, com a estátua do Cristo Rei e tudo o mais. As mesmas árvores, as pessoas parecem que têm a mesma cara dos meus conhecidos lá do Crato.
E Juquinha seguiu pela praça, a esta altura, com um grupo considerável de pessoas no seu encalce, curioso para saber o que se passava com o velho Juca. Finalmente Juquinha diz outra frase em voz alta, que foi o estopim para o veredicto popular:
– Arre égua, até uma filial da minha mercearia eu tenho aqui em Fortaleza e não sabia. E aquela vendedora que tá lá dentro é vê a minha mulher! – Exclamou Juquinha ao ler a placa do seu estabelecimento comercial: “Mercearia O Juquinha”.
– Juquinha pirou de vez! – Diziam uns.
– Ele tá tergiversando. Não diz coisa com coisa. – Exclamavam outros.
– Ele tá é doidinho da silva. – Concluía alguém que fora chamar a sua família.
Os familiares ao verem Juquinha, ainda crente que estava em Fortaleza, levaram-no ao posto de saúde mais próximo. Ao ser medicado por um médico conhecido, teve tempo de dizer, antes que o sedativo que lhe fora aplicado fizesse o efeito esperado:
– Os doutores daqui de Fortaleza são iguaiszinhos aos do Crato. Não sabem é de nada também!
Extraído do livro "História que vi, ouvi e contei" do mesmo autor.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
URCA em notícias
Letrista nega música à campanha de Dilma Rousseff
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Que é isso? Um leão que reza? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Poucas famílias cultivam o saudável hábito de agradecer a Deus as refeições que fazem. Aliás, não somos muito de agradecer as graças que Deus constantemente derrama sobre todos indistintamente. Nós pedimos em demasia, mas pouco agradecemos os benefícios recebidos.Há alguns anos, reunidos com um grupo de amigos, refletíamos sobre a necessidade de agradecer a Deus e pedir bênçãos pelo alimento de cada dia. Alguém leu numa revista, uma pequena história que ficou martelando minha cabeça. Numa época em que se pretende promulgar uma lei que deveria existir no coração de cada pai e mãe, qual seja: formar e educar os filhos com amor e não com palmadas, vi nessa história uma forma diferente, criativa e sem violência de como um pai deve instruir os filhos. Principalmente quando se pretende impor alguma regrinha que eles não desejam cumprir.
Um pai de três crianças, ao participar de um retiro religioso, retornou à sua casa decidido a fazer orações de agradecimento antes das refeições. “De hoje em diante nós vamos rezar antes do almoço e do jantar.” Ordenou o pai, sob protestos imediatos dos filhos. “Xi, pai, rezar? Isso é muito careta!” Protestou um dos meninos. Então o pai com muita habilidade perguntou: “Está bem, mas contar uma historinha pode?” “Ah, será muito legal!” Disseram todos a uma só voz. E o pai contou a seguinte história.
Um caçador estava numa floresta da África fazendo uma grande caçada. Quando já retornava para casa, deu de cara com um enorme leão à sua frente. Não perdeu tempo. Todo trêmulo, apontou a espingarda bem na testa do leão e deu um tiro. Mas errou. Era a última bala que havia. Então fechou os olhos e esperou ser devorado pelo leão. Passados uns dois minutos, que lhe pareceram séculos, pensou que o leão havia desistido de lhe devorar e fora embora. Mas quando ele abriu os olhos, o leão estava à sua frente, de joelhos, mãos postas e olhando para o céu dizia: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste na minha mesa.” As crianças gostaram muito da história.
No dia seguinte, à hora do almoço, os meninos já estavam sentados, quando o pai ordenou: “Levantem-se todos!” Em seguida perguntou: “Como foi que o leão disse diante daquele caçador lá na África?” E as crianças responderam: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste...”
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
CRIAR MUNICÍPIOS PRÁ QUÊ E PRÁ QUEM? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Aí se pensa em mais uma partilha nos diversos fundos dirigidos aos municípios, nos gastos com a burocracia necessária e para fazer funcionar os poderes. Não imagine que tudo vai se resumir ao legislativo e ao executivo municipal: tem repercussões deste o endereçamento postal até no judiciário e nas políticas estaduais.
A criação de municípios é tão grave que não poderia ser objeto apenas da representação política, mas sim da democracia direta. Por que todos os eleitores do Crato não podem votar num plebiscito para saber se é conveniente criar o município de Ponta da Serra? Qual é a lógica por trás desta decisão?
Alguém dirá que Ponta da Serra está prejudicada por ser distrito do Crato. Vamos discutir o assunto? Apresentar os argumentos. Então Santa Fé poderia igualmente pensar em algo. E toda a região do Belmonte com a encosta criando um município de terras altas? Deste modo a justificativa pode ser qualquer uma. Mas é preciso parlamentar com o povo.
Vamos que Ponta da Serra não tenha o que merece. Isso se resolverá com a separação? De modo algum estará garantido. Não existe uma racionalidade de eficiência neste furor de criar municípios no Brasil. Agora que tal os nossos representantes na Assembléia Legislativa promulgar e regulamentar uma lei na constituição do estado que garanta a plena defesa dos distritos em relação às suas sedes e ao poder executivo municipal?
Por que não se aperfeiçoam os mecanismos de exercício municipal criando orçamentos distritais, políticas distritais, controles sociais e outros instrumentos que garantam o equilíbrio entre as partes? Isso garantiria muito maior eficiência na gestão do que a criação de mais uma máquina a consumir meios para a função dela mesma.
A discussão da criação destes municípios está fora de lugar e me chamou muito atenção que entre aqueles que escrevem nos blogs, só o Pedro Esmeraldo tocou no assunto. E o mais grave um assessor da prefeitura do Crato chegou a justificar a criação do município de Ponta da Serra e eu não entendi mais nada. Ou entendi tudo?
Pobre é mais de cem
Muito mais de mil
Mais que um milhão
E vejam só...
E só de vez em quando
Pobre é feliz” (Cicatrizes, Zé Kéti)
ZÉ KÉTI
Por Zé Nilton
Em dezembro de 1964 o parafuso da ditadura militar implantada no Brasil em 31 de março daquele ano ainda não havia iniciado o aperto ao madeiral das artes e dos artistas no país.
Estamos no momento do grande movimento no teatro brasileiro com repercussão significativa para a Música Popular Brasileira. Dois renomados compositores compunham o elenco do Show Opinião – João do Vale e Zé Kéti. Duas trajetórias de vida com origens de classe e de cor parecidas. Igualmente donos de uma musicalidade a serviço da transformação do homem e do mundo.
O inspirado compositor e poeta José Flores de Jesus – na carteira de identidade do Brasil de baixo - confirmam a tese do eminente crítico Tinhorão. Os compositores cariocas são oriundos das classes subalternas da sociedade, sobrevivendo de pequenos ofícios ou de empregos de baixo status no funcionalismo público. Zé Kéti chegou a largar a vida de artista para trabalhar como soldado de Polícia no Rio nos começos da década de 1940. Assim como Lupicínio Rodrigues e tantos outros, a corporação não segurou a inquietude rolando na cabeça do soldado Flores.
Cantou o mundo em que viveu e por via de conseqüência produziu uma vasta obra de inegável valor para a identidade de nossa musicalidade. O morro, a periferia, os botequins, os lugares dos pobres são espaços marcantes na poética denunciadora deste excelente compositor brasileiro.
Naqueles idos dos anos de chumbo e até recentemente a nossa classe média acalentava o sonho (o discreto charme da burguesia?) de transformação social de realidade teimando buscar nas raízes culturais brasileiras seu suporte teórico para a ação revolucionária. Foi nesta que o Teatro de Arena – lá estão Augusto Boal, Oduvaldo Viana, Armando Costa, Paulo Pontes, Tereza Goulart, CPC da Une – elevou o experiente compositor Zé Kéti à condição de artista cênico.
A peça Opinião foi baseada na sua música. A opinião de um caboclo que reinventa o cotidiano “apesar de você” e dos dissabores da vida de pobreza:
“Daqui do morro eu não saio não
Se não tem água eu furo um poço
Se não tem carne eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar”...(Opinião).
Igualmente, suas músicas são transformadas em trilhas sonoras nas películas de Nelson Ferreira dos Santos, Roberto Santos, Leon Hirszman, Cacá Diegues...
De conversa em conversa, apresentaremos um pouco de sua história enquanto ouviremos:
ABERTURA, com Zé Kéti, Nara leão, João do Vale etc.
CICATRIZ, Zé Kéti e Hermínio Belo de Carvalho com Zé Kéti
PEÇO LICENÇA, de Zé Kéti com Zé Kéti
A VOZ DO MORRO, de Zé Kéti com Os Demônios da Garoa
O FAVELADO, de Zé Kéti com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão
MALVADEZA DURÃO, de Zé Kéti com Elizeth Cardoso
PRAÇA 11, BERÇO DO SAMBA, de Zé Kéti com Zé Kéti
VOCÊ NÃO FOI LEGAL, de Zé Kéti e Celso Castro, com Wilson Miranda
DIZ QUE FUI POR AI, de Zé Kéti Hortêncio Rocha, com Zé Kéti
OPINIÃO, de Zé Kéti com Zé Kéti
NEGA DINA, de Zé Kéti com Zé Renato & Alcione
MASCARADA, de Zé Kéti e Elton Medeiros, com Zé Kéti
MÁSCARA NEGRA, de Zé Kéti com Zé Kéti
Quem ouvir verá!
Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, de 14 horas as 15 h.
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz
Pesquisa,produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmitido pela www:cratinho.blogspot.com
A coisa certa, na hora certa - Emerson Monteiro
Tantas vezes nos pegamos a considerar se agora estamos onde deveríamos estar, que, ao menor sinal de desencanto, queremos logo saber qual seria um outro jeito de agir e procurar alguma inspiração que satisfizesse as nossas ações improvisadas. Por isso, existem os jogos de azar e os ledores da sorte espalhados neste chão.
As voltas que dá o mundo impõem condições rigorosas no uso do tempo e da liberdade. E uma palavra dita fora de hora, ou de maneira equivocada, corre o risco, não raras vezes, de cobrar preços elevados em termos de sofrimento, o que leva a pensar se haveria outros modos de trabalhar a vida e acertar com mais frequência, sem a presença tão rotineira do erro.
As considerações filosóficas criam esquemas de as pessoas funcionarem com mais sucesso quando gastam idade e saúde, estudos esses que demonstram, em mil doutrinas, religiões tradicionais, saídas particulares e até aventuras errantes, desastrosas, quanto à existência.
Os autores mergulham fundo nessa busca de rever o tempo que passou nas suas vidas, um esforço extremo de consertar aquilo em que falharam, e recuperar a fase auspiciosa da juventude, através dos frutos aprendidos nas experiências. No entanto, o que passou, passou; não volta mais; no que pesem as belas produções artísticas disso resultantes. Lindas melodias, raros livros, telas afamadas.
Os rastros deixados na estrada desta vida significam aquilo em que se transformaram os verdes anos de cada criatura, marcas fixadas no próprio corpo das pessoas, sobretudo na face engelhada, olhares cansados, caminhar incerto; nos dentes perdidos, barriga aumentada, frágil musculatura.
- Ah, se, quando jovem, eu soubesse do que agora sei tudo seria bem diferente na minha história, – afirmam de alguns espectadores arrependidos. Se, palavrinha poderosa, contudo, neste caso, ineficaz para gerar novas consequências. O que significa mesmo já ficou gravado nas trilhas da eternidade, restos de saudades, frustrações, lembranças.
Daí essa dúvida recorrente de saber sempre do lugar certo e da coisa certa ao se encaminhar durante cada momento. Parar e pensar, calcular, planejar, pois todo cuidado é pouco, na utilização dos dons preciosos de existir e dispor da saúde enquanto andamos nesta jornada cotidiana.
Uma crença positiva e as largas esperanças enchem os dias, alegram o espírito e alimentam o trato com os nossos semelhantes, isto sem preconceito e com animação e respeito, nutrientes essenciais da boa convivência. Naquilo que ignoramos, a realidade ensina que sábio é quem planta o bem para depois colher as dádivas da santa felicidade.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Pensamento para o Dia 13/07/2010

“Ler e desfrutar das histórias de glória do Senhor, em algum lugar sagrado como um templo, santuário, ermida de um santo ou na companhia de pessoas virtuosas e boas, é uma fonte de grande inspiração e alegria. Isso fará você esquecer todo o resto. Gosto por tal literatura saudável é o resultado acumulado de mérito e esforço. Você pode até mesmo aproximar-se de homens piedosos, servi-los e ouvir sua exposição da glória de Deus. Ouvir só será suficiente no início. Mais tarde, as histórias vão despertar o interesse na natureza e nas características de Deus e os aspirantes encontrarão e seguirão o caminho para a Auto-realização.”
Sathya Sai Baba
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“As pessoas têm três instrumentos principais para se elevarem: inteligência, mente e sentidos. Quando a mente fica escravizada pelos sentidos, você ficará emaranhado e preso. Quando a mesma mente é regulada pelo intelecto, você pode tornar-se consciente da sua própria Realidade. A potência de sua mente pode ser promovida por boas práticas como meditação, repetição do nome do Senhor, canto devocional e adoração. O poder mental obtido conforme as práticas espirituais deve ficar longe dos caminhos errados. Sua mente deve ser liberada do controle dos sentidos e guiada pelo princípio da inteligência. Desse modo, o progresso espiritual será rápido.”
Sathya Sai Baba
Lançamento do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa”
Adaptação dos textos de Émerson Monteiro e José do Vale Pinheiro Feitosa.
Paulo Moura morre aos 77 anos no Rio
Do G1 RJ
Cédulas eleitorais - Emerson Monteiro
Em um desses programas de televisão que mostram personagens remanescentes da história, assisti a depoimento de um senhor alemão que presenciou o momento exato quando Hitler reuniu multidão, lotando o maior estádio de futebol de Berlim, para, depois de emocionado discurso, consultar a propósito da sua decisão de fazer frente ao resto do mundo e iniciar a Segunda Guerra Mundial, destruindo a paz e ceifando milhões de vidas.
Naquele momento de consulta popular através da aclamação pública, o entrevistado via se configurar iminente a séria catástrofe que atingiria a humanidade inteira, por conta do gesto tresloucado ali resolvido sem qualquer apelação. Contudo nada pôde fazer para impedir a horda que avassalaria os destinos da civilização, porquanto seu voto representou apenas minoria vencida, em meio aos gritos histéricos da massa humana que, favorável ao espírito do ditador incoerente e perverso, assinava cheque em branco entregue nas mãos de frio e sanguinolento psicopata.
Soubesse o elefante a força que tem, o leão não seria o rei dos animais, afirma provérbio indiano, para considerar a verdade indiscutível dos acontecimentos na balança das coletividades.
Avaliassem os eleitores o peso de cada um dos votos que depositam nas urnas, e as sociedades decerto haveriam de conquistar níveis superiores de aperfeiçoamento e progresso durante toda a sua caminhada evolutiva.
Certa vez, ouvi D. Violeta Arraes falar com propriedade a respeito do quanto o povo francês considera importantes os turnos eleitorais, instantes solenes das decisões do futuro. Isso por conta do que a França já sofreu nas garras de aventureiros incompetentes, que lhe submeteram aos traumas de tragédias imensas, porquanto nenhuma família francesa atravessou o século XX sem amargurar o drama da escolhas infelizes de irresponsáveis que dominaram o continente europeu, levando-o a marcas dolorosas e profundas.
Bertolt Brecht, vítima dos desmandos da guerra, define sem meios tons a importância da democracia no poema O analfabeto político, quando assim define:
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Coletivo Camaradas fará ação no bairro Independência no Crato
Camaradas se reunirão para lançamento do Cordel de Salete Maria e Assembléia.
Debates Tambores, brincadeiras e poesia farão parte de mais uma ação do Coletivo Camaradas na periferia do Crato. No próximo dia 31, o grupo realizará sua Assembléia e o lançamento do Cordel do Coletivo feito pela cordelista e advogada Salete Maria.
A Assembléia terá como objetivo fazer a renovação da coordenação e discutir o plano de atuação da organização e será realizada na sede da Associação dos Moradores do Bairro Independência. Já o lançamento do cordel será na Praça da Comunidade e vista envolver a população através da apresentação do Grupo de Tambores dos Camaradas, recital coletivo, dramatizações e brincadeiras infantis.
Para o Coordenador do Coletivo Camaradas, Alexandre Lucas, o grupo tem sempre uma preocupação em realizar suas atividades em locais onde está a população excluída do acesso a produção do pensar e fazer artístico. “É forte entre os camaradas o conceito de que não fazemos arte para os artistas. Fazemos arte com e para o povo”, afirma Lucas.
Salete Maria presenteia o Coletivo Camaradas com Cordel
Salete Maria é advogada, professora universitária, ativista pelos Direitos Humanos; tem inúmeros cordéis publicados e premiados, sendo a maioria deles sobre direitos das mulheres e temas ligados às questões marginais e periféricas. Salete vem ao longo dos anos desenvolvendo uma poética de preocupação e reflexão social. A poesia da cordeslista é emancipatória e já teve cordéis premiados pela Fundação Cultural do Estado da Bahia-FUNCEB, recitados pela poetisa Deth Haak, musicados pela cantora Socorro Lira, citados pelo jornalista Arnaldo Jabor e referenciado por diversos pesquisadores brasileiros e apreciado por amantes da literatura popular e da cultura oral Brasil e de outros países. A professora Salete desenvolver a sua pesquisa na área de direito e gênero na América, já tendo visitado países como Colômbia e México aonde estar atualmente. Alexandre Lucas destaca na apresentação do Cordel que Salete tem uma trajetória marcada pela inquietação artística e intelectual, mas sempre ajuntada a história do seu povo e a reflexão do seu tempo. “É um orgulho termos um cordel escrito por uma personalidade do nosso campo estético. Salete defende a nossa perspectiva de arte”, ressalta o coordenador do Coletivo.
domingo, 11 de julho de 2010
Tarcisio Pinheiro - José do Vale PInheiro Feitosa
Por isso vou fazer uma coisa que não gosto. Falar de alguém só por que tenha parentesco comigo. Mas o faço por um motivo secundário: quando ele saiu do Crato para fazer faculdade eu era muito novo para lembrar-me dele. Quando retornou, era minha vez de sair.
Mas ele o tinha por uma curiosidade, mesmo naqueles tempos idos, uma singularidade: minha mãe e o pai dele eram primos carnais. O que vem a ser isso? O pai da minha mãe era irmão do pai dele e assim como as respectivas esposas eram igualmente irmãs. Joaquim e Hermógenes por um lado e Amélia e Raimunda pelo outro.
Gisélia Pinheiro, minha mãe e Expedito Pinheiro, pai de Tarcísio Pinheiro eram primos carnais. E vi Tarcísio sempre de passagem em raras visitas. Era muito presente na memória da casa do meu Pai e da Maria do Carmo Feitosa, minha madrasta e mãe dos irmãos caçulas que me dão uma sensação de juventude prolongada.
O motivo principal para falar de Tarcísio Pinheiro é que Maria do Carmo estava procurando algo transcendental para agradecer a Tarcísio pelo que ele foi, em carisma, tolerância e, sobretudo, adivinhação para ela. Tarcísio Pinheiro tinha uma coisa essencial em ser médico ou profissional de saúde de um modo em geral.
Este essencial é gostar de gente. Se preocupar com a pessoa e está sempre ao seu lado quando uma das maiores angústia peal qua se pode passar acontece que é a doença. Por isso este é o dom essencial ao médico, gostar de gente, saber falar com o corpo dela e seu psiquismo individual. Antecipar-se, ou mesmo, atalhar forças que podem piorar a situação de qualquer pessoa.
Sabe quando alguém se encontra perdido? A palavra diz tudo: não encontra seu destino e nem a si. E quando no meio daquele ermo, aparecia Tarcísio Pinheiro, com seu gesto humilde, sua voz doce, mas de comando, convicta, contundente, dirigia alguém ao rumo delas mesmas.
Tarcísio Pinheiro deve ter tido desafetos, um colega que sentiu algo com a prática dele. Uma paciente que não avaliou a verdadeira dimensão do seu empenho. Mas isso eu só especulo por que reconheço Tarcísio na espécie humana e todos os humanos têm seus contraditórios.
A rigor nos raros momentos em que estive com Tarcísio, pude sentir aquele espelho suave da lâmina de água de um açude após as três horas da tarde. Querendo defini-lo com mais precisão vou direto ao que conheço: era o reverso da personalidade exuberante e barulhenta de Expedito Pinheiro.
Tarcísio Pinheiro nem precisa de averiguação para ultrapassar o umbral das pessoas queridas. Ele já nasceu com seu ingresso no umbigo.
As portas do abismo - Emerson Monteiro
O ser humano vive para responder a desafios, sendo esses ainda mais variados nos dias atuais, desde doenças transmitidas nas relações íntimas até as desigualdades sociais expressas nos da violência urbana que predomina, sobretudo nas cidades maiores, sem no entanto isentar dos crimes bárbaros as menores comunidades, em sua grande parte originados da falta de formação moral, do índice de agressividade crescente dos tempos ditos modernos e da utilização indiscriminada de substâncias bloqueadoras das funções da racionalidade.
Neste ponto histórico da nossa espécie, os exageros se apresentam com tamanha dominação que muitos se deixam abandonar sob o impacto desses desafios, quais meros escravos das avassaladoras ondas de uma destruição perversa.
O senso crítico bem que pode prevenir a vacilação comprometedora. Já partir da infância, os jovens devem dispor de estrutura para superar o sugadouro em que se transformou a cultura de massa, tendo ao comando a televisão, espécie de tóxico permissivo, de poderes inimagináveis, máquina do desequilíbrio, outro tipo de droga, quase sempre usada de modo equivocado para vender sensacionalismo, tolerada acima de qualquer avaliação prévia.
Assim, dizíamos, os jovens têm de descobrir desde cedo como criar firmeza para atravessar a longa jornada no planeta, independente da opinião de terceiros, pois a vida é, na verdade, uma missão individual, fora do juízo dos outros, considerando-se a saúde mental como a peça chave do equilíbrio naquilo que iremos cumprir no rumo da felicidade perene.
Quando detêm consciência do que fazem, os moços procuram agir com superioridade em relação a todos esses fatores adversos. Põem-se a par do valor das coisas simples, dentre elas a lucidez, construindo em si um sonho novo no coração, dentro da realização futura, a esperança dos tempos.
O jovem de hoje nem sempre possui condições de vencer o mar tormentoso da droga, porém deve fazê-lo, custe o que custar de sacrifício das vaidades e afoiteza, em nome de sua própria sobrevivência, porque traz consigo a semente do amor e da paz, respostas plenas de renovação de nossa espécie.
Avalie com carinho essa perspectiva: mantenha sua sobriedade no decorre da vida e verá como as reservas serão suficientes para vencer a todos os desafios. Só então perceberá o quanto há de sapiência nos mistérios da Natureza.
Quanta custa cada deputado e senador – por Augusto Nunes
Os números foram extraídos de um levantamento realizado pelo site Congresso em Foco, com base em informações da Câmara, do Senado e da Ong Transparência Brasil, e vem acompanhado de um aviso: “o valor ainda pode aumentar com a incorporação de serviços e cotas difíceis de mensurar”. Entre as “dúvidas” estão a verba destinada a “correspondências mensais” (de 4 mil a 159 mil), o plano de saúde vitalício e ilimitado, as diversas cotas de impressões e “materiais de expediente”.
O último reajuste, que elevou o salário dos antigos R$ 12 mil para os atuais R$ 16.512,09 por mês, ocorreu em 2007. Além do 13º salário, os parlamentares têm direito a duas ajudas de custo (em fevereiro e em dezembro), que efetivamente correspondem ao 14º e ao 15º salários. Entre os benefícios mais generosos figuram as verbas que garantem o pagamento de despesas com passagens aéreas, fretamento de aeronaves, correspondência, telefone (a conta do celular, por exemplo, é ilimitada), combustíveis e lubrificantes, consultorias, divulgação das atividades parlamentares, aluguel de escritórios políticos, materiais de expediente, assinatura de publicações e serviços de TV e internet e a contratação de segurança privada.
Essas despesas não incluem a gastança com os quase 36 mil funcionários públicos do Legislativo, população superior à de centenas de cidades brasileiras.





