O primordial não é o limite das situações, mas quem escapará delas, que apresentem por mérito o talento de vencer quando atravessar a correnteza dos extremos, através dos mares da dor, da dúvida, da solidão, etc.
A tudo o que existe corresponde um resultado de ordem prática, real, aquilo em forma de produto ligado às origens, resultante do objetivo que lhe deu início, à primeira vontade, levado ao seu fim derradeiro, nessa empresa chamada vida, existência, ou missão. Não importam as circunstâncias e seus variados matizes, pois, chegado ao final, isso também ficará para trás.
O que pesa, no entanto, vem no jeito de encarar os limites, casamento feito do hífen na palavra (situações-limite), nos moldes de uma ponte resistente. Os demais fatores valem por detalhes ocasionais de menor importância, companheiros de meio de viagem, frieza que se torna fundamental só no trato das circunstâncias, na vala comum das ocorrências.
Assim como o verbo ser representa estado de permanência, as situações fazem ligação do que se acha antes com o que virá depois, do ser que define o circunstancial das situações, ligando-as a sujeitos que permanecem até sumir nas curvas da estrada infinita, enquanto existe algo acontecendo conosco jamais sumirá.
O tempo marcha sempre, parado no mesmo lugar, fonte universal de um tônico invisível, imaterial, sol que a tudo purifica, fazendo e desfazendo, presença intermitente da realidade, luz no fim de todos os túneis por aonde se chegar.
O que vale é o equilíbrio entre as partes, a queda e a coisa que cai, a queda e a coisa que se levanta, para depois, de novo desaparecer e reaparecer noutras formas e oportunidades, essência daquilo que gerou, nas eras silenciosas, infinitas.
A propósito desse aparente estado de indiferença com que a natureza trabalha os seus fenômenos e das pessoas terem de cruzar de algum modo problemas extremos, ditas situações-limite, a história registra que Thomas Morus, filósofo inglês vítima de contradições religiosas na Grã Bretanha do século XVI, já enfermo, sem poder mais se movimentar com das forças pernas, ao chegar no cadafalso para ser decapitado dirigiu-se a um dos guardas que lhe acompanhavam e pediu:
- Amigo, ajuda-me a subir, que ao descer não te darei mais esse transtorno.
Quis dizer, noutras palavras, que dele apenas sobrariam retalhos de lembranças jogadas aos padrões da dignidade com que se opôs a cruéis perseguidores. Depois, então, mais nada restaria dos momentos que fogem, dentro da coerência e dos valores imortais desse chão.
Num gesto simples, contou que o tempo não passa; nós é que passamos, e, conosco, as coisas, pelo movimento provisório dos relógios e dos moinhos, iguais ao brilho das ondas de oceano imaginário, no sopro cadenciado do fole que sobra as brasas na oficina eterna do destino forjando, indivisível, o futuro.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Nas situações-limite - Emerson Monteiro
AFASTEM DE NÓS ESTE CÁLICE – POR PEDRO ESMERALDO
Não temos para quem apelar mas, continuaremos com a nossa ideia de permanecer contrários e evitaremos a sanha dos sangue sugas que vivem penetrando no Crato com atributos violentos e nos levam tudo de bom. Precisamos nos unir numa só corrente de forças iguais para ver se obtivemos um meio de convencer a esses vereadores fantasmas, mostrando, com toda extensão, que o Crato deve ser pra os cratenses e não para esses abutres que vêem nos sugar com unhas e dentes, enganando o povo com palavras falsas, dizendo que vão trabalhar pela cidade.
A nosso ver, esses vereadores fantasmas não trabalham pelo bem da cidade e devem se compenetrar e marchar em linha reta contra os abusos desses carcarás que vem nos sugar.
Primeiramente, devemos observar melhor que esse pessoal não conhece o Crato e vem buscar o seu apoio com cara desavergonhada que como que nós não teríamos vergonha de comparecer nos terreiros das casas desta cidade.
Nós os cratenses, temos por obrigação defender o património da cidade do Crato, pois constantemente nos surpreendermos, quando vemos esse pessoal falacioso abraçar os políticos com. cara de desdém é o que nos enraivece é que alguns políticos cratenses não teem sentimentos e vivem entregando os pontos a esses abutres inimigos.
Não falaremos à toa, mas falaremos com toda a força dos nossos pulmões, solicitando que esses políticos afastem-se do nosso caminho e, ao mesmo tempo, devem recordar o mal que eles nos fizeram, em anos passados, pois impediram que fossemos beneficiados com melhoramento como é o caso da vinda da Universidade Federal pois, com gestos indignos e com mentiras deslavadas, reuniram na calada da noite e açambarcaram o campus da universidade para a cidade de Juazeiro do Norte. Foram falaciosos, arrogantes e indigestos e agora vem desavergonhado pedir voto aqui como se nada tivesse acontecido?
Cratenses tomem cuidados, estejam alertas, não se deixem enganar pela saga dos inquisidores e vamos alevantar o espírito, vingando com uma expressão sublime de discórdia e mandaremos todos irem cair na "caixa prega", visto que, aqui nada vem fazer ao não ser buscar o que é nosso, o voto.
Avante pessoal, chegou a hora da vingança, não queremos mais imiscuir- se, mas convenceremos aos homens cruéis que só pensam em beneficiar-se a si mesmo,pois não toleramos mais essa discórdia de desigualdade de comportamento do progresso educativo. Já chega desse mau pensamento, visto que eles consideram o Cariri somente a cidade de Juazeiro do Norte. Isto é uma blasfémia, um desprezo aos outros municípios.
Agora, aproveitando a deixa, fiquemos de orelha em pé com os fanfarrões da Ponta da Serra; não dêem rabo a nambu porque nambu não tem rabo. Não dé valor a quem não tem.
Crato- CE, 22 de Julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
COMPOSITORES DO BRASIL
Quando eu canto seu coração se abala
Pois eu sou porta-voz da incoerência
Desprezando seu gesto de clemência
Eu sei que o meu pensamento lhe atrapalha...(Agalopado)
ALCEU VALENÇA
Por Zé Nilton
O bonito em Alceu Paiva Valença, nascido em 1º. de julho de 1946, é essa dupla proximidade dele com sua música e deles com a terra que os originou. O Nordeste e o mundo, eis sua terra. Mas uma vez no mundo, não perde o sentimento e o aconchego telúricos. Quer encontrá-lo quando está em casa? Vá a Recife. A imagem sempre se repete a cada carnaval pernambucano. Aquele homem com cara de louco quedo atrás de um janelão de primeiro andar abençoando a turba de foliões num vai e vem, embevecida pelo autentico som carnavalesco, o frevo.
No memorial de sua arte um dia ele disse:
“No dia em que eu nasci três vezes um galo cantou, Satanás bateu num sino e uma estrela alumiou. Ficou tudo escuro no dia em que nasci. Era meio-dia. E fez um escuro medonho. Em São Bento do Una. Nasceu um bendito.
Um bendito. Mas que acabaria à `profissão de maldito´, já que a música era seu dom.
Sou bendito, isto sim, porque reinvento a MPB e, por outro lado, não sou mais novo. Sou um balzaquiano da música popular brasileira. A base da minha música é praticamente o cordel. Vem das coisas que ouvi diretamente dos cantores da minha terra.
Vem da infância, das histórias contadas pela negra Loló, vem do aboio na voz do vaqueiro ao anoitecer. E tinha lua na caatinga, o menino na garupa, com medo de lobisomem.
Depois, vem dos elementos urbanos que absorvi e misturei a essa base, e tirei meu produto. Um produto novo.
No Recife, comecei a me urbanizar na marra, comecei a ter vergonha do meu sotaque, porque eu era de São Bento e os meninos mangavam muito de mim. Porque eu era matuto. Convivi com a classe média alta, mas meu pai não queria luxo em casa. Mesada pequena, cabresto curto para evitar que seu `gado´ desgarrasse pelo mundo afora. E a vontade de ter roupa bonita. Eu vivia um dilema: morava num bairro bom, mas não tinha dinheiro no bolso. Enfim, um cara diferente no sotaque, no bolso e no gosto. Nunca virei recifense, mas São Bento do Una ia ficando para trás”.
(História da Música Popular Brasileira- Grandes compositores. S. Paulo: Ed. Abril, 1982).
Alceu Valença, diz a crítica, constrói o alicerce da futura música de consumo do Brasil, contudo, digo eu, o invólucro daquela música passou, ou melhor, desmanchou-se no ar. Se a música de Alceu é de consumo, viva a música de consumo de Alceu! E morra a música de consumo de certos “compositores” de hoje e de certos jovens a vista.
Aliás, ele já antecipava tudo isto, se quisermos entender sua crítica para o lado da música, quando disse:
Além de tudo sou moleque mal-ouvido
Sou atrevido, já joguei tudo pro ar
Vai longe a noite do meu sonho colorido
Duvidar? Duvido e insisto em duvidar
Creio na perua
O povo tá comendo vidro
Creio na perua
E o baião vai pipocar
Creio na perua
O que tá pior vai piorar
É como a história da cantiga da perua
Seu Elias fez a sua profecia popular
E Ary Lobo resolveu morar na lua
Partindo do Sputinik do campo do Jequiá... (Fé na Perua).
COMPOSISTORES DO BRASIL, programa musical da Rádio Educadora do Cariri, nesta quinta-feira, a partir das 14 horas, faz uma retrospectiva musical desse excelente compositor brasileiro.
Na sequencia:
PUNHAL DE PRATA, com Alceu Valença
CARAVANA, de Alceu Valença e Geraldo Azevedo com Elba Ramalho, Zé ramalho e Geraldo Azevedo
A DANÇA DAS BORBOLETAS, de Alceu Valença e Zé Ramalho com Zé Ramalho
AGALOPADO, com Alceu Valença
TÁXI LUNAR, de Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo com Geraldo Azevedo
POR TODA LÃ, com Alceu Valença
CORAÇÃO BOBO, com Alceu Valença
FÉ NA PERUA, de Alceu Valença e Zé da Flauta com Alceu Valença
CHEGO JÁ, de Alceu Valença com Claudionor Germano
COMO DOIS ANIMAIS, com Alceu Valença
CABELO NO PENTE, de Alceu Valença e Vicente Barreto com Alceu Valença
PLANO PILOTO, de Alceu Valença e Carlos Fernando com Luiz Gonzaga e Alceu Valença.
Quem ouvir verá.
COMPOSITORES DO BRASIL
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com
UMA CRÔNICA DO DESAGRAVO
Pedro Esmeraldo
Há mais ou menos três anos, dei o primeiro grito contrário a separação da Ponta da Serra. Fui um fiel escudeiro em defesa da permanência do Parque de Exposição desta cidade. Fui e continuarei contrário a sua retirada do centro da cidade e venho manifestar sentimento de oposição a esse movimento, que tenho como intuito de evitar quebra da relação que há entre esses políticos que só desejam marchar em direção oposta aos interesses do povo.
Luto com muita veemência contra a penetração de canditados de fora e que só desejam permanecer nesta cidade com o interesse de açambarcar o voto do povo cratense e nada mais. Noto, com isso, que há má vontade desse povo em trabalhar por esta terra, apenas visa o interesse de levar o que tem de bom. Por isso, alerto o povo que não caia nessa armadilha e satisfaça sua vontade de escolher com sabedoria seu canditado. Evite que o Crato caia no esquecimento. Não seja omisso e tenha o bom comportamento patriótico e evite a permanência deles aqui na terrinha.
Tem- se por obrigação escolher os candidato do Crato ( quer sejam filhos legítimos ou adotivos) e não dêem apoio a uma massa repelente que só vem tirar proveito e conseguir prestígio. Procure escolher com muita precisão os candidatos idóneos e sempre tenho a dizer, empregando a palavra popular: "ruim com eles pior sem eles".
Agora recordo com humildade de um simples cronista "mesmo sem ser reconhecido pela mídia" lembro a todos solicitando que se afaste dos canditados aventureiros e tenham sempre em sua mente que deve votar em filho da terra, que será o melhor remédio para o Crato. Exija a sua retirada imediata desta praça, já que a cidade não precisa dessa ajuda desagradável.
Lembro ainda que no pleito passado apareceu aqui um algoz que arrematou do Crato mais de 10 mil votos, para depois abandonar e nunca mais pisar nesta terra. Considero esse cidadão um eterno ingrato ao Crato, creio que esses erros não serão mais cometidos, pois tenho como pensamento que só se deve errar uma vez e da outra vez é preciso consertar o erro com precisão.
Ambiciosamente, serei um criado fiel e lutarei em defesa da minha terra, já que tenho como objetivo estimular os políticos que deixem de lado o comodismo e lutem com ansiedade pela conquista do desenvolvimento equilibrado e com trabalhos insanos, propondo a igualdade e dá, aceleração do crescimento, a fim de facilitar a criação de empregos e rendas.
Isso não ocorre porque não há uniformidade política, visto que todos puxam brasa para sua sardinha e rção facilitam melhores trabalhos na construção de um novo Crato.
Ultimamente, os lideres cratenses não utilizam a seriedade e contorcem-se com medo de estruturar com o pensamento nobre e com intuito de partir para a construção de um novo Crato.
Tenho como pensamento, ver o Crato atingir a sua glória.
Procuro penetrar no seio da massa popular com o único desejo de orientar esse povo que saiba escolher, na hora de votar, o seu candidato serio e honesto.
Cuidados com as conversas dilacerantes como o movimento que há pela separação da Ponta da Serra, pela aceitação de outros canditados de fora que só vêm prejudicar o Crato.
Depois pode-se cobrar desses políticos as suas promessas eleitorais.
Crato -CE,21 de Julho de 2010.

Pois eu sou porta-voz da incoerência
Desprezando seu gesto de clemência
Eu sei que o meu pensamento lhe atrapalha...(Agalopado)
ALCEU VALENÇA
Por Zé Nilton
O bonito em Alceu Paiva Valença, nascido em 1º. de julho de 1946, é essa dupla proximidade dele com sua música e deles com terra que os originou. O Nordeste e o mundo, eis sua terra. Mas uma vez no mundo, não perde o sentimento e o aconchego telúricos. Quer encontrá-lo quando está em casa? Vá a Recife. A imagem sempre se repete a cada carnaval pernambucano. Aquele homem com cara de louco quedo atrás de um janelão de primeiro andar abençoando a turba de foliões num vai e vem, embevecida pelo autentico som carnavalesco, o frevo.
No memorial de sua arte um dia ele disse:
“No dia em que eu nasci três vezes um galo cantou, Satanás bateu num sino e uma estrela alumiou. Ficou tudo escuro no dia em que nasci. Era meio-dia. E fez um escuro medonho. Em São Bento do Una. Nasceu um bendito.
Um bendito. Mas que acabaria à `profissão de maldito´, já que a música era seu dom.
Sou bendito, isto sim, porque reinvento a MPB e, por outro lado, não sou mais novo. Sou um balzaquiano da música popular brasileira. A base da minha música é praticamente o cordel. Vem das coisas que ouvi diretamente dos cantores da minha terra.
Vem da infância, das histórias contadas pela negra Loló, vem do aboio na voz do vaqueiro ao anoitecer. E tinha lua na caatinga, o menino na garupa, com medo de lobisomem.
Depois, vem dos elementos urbanos que absorvi e misturei a essa base, e tirei meu produto. Um produto novo.
No Recife, comecei a me urbanizar na marra, comecei a ter vergonha do meu sotaque, porque eu era de São Bento e os meninos mangavam muito de mim. Porque eu era matuto. Convivi com a classe média alta, mas meu pai não queria luxo em casa. Mesada pequena, cabresto curto para evitar que seu `gado´ desgarrasse pelo mundo afora. E a vontade de ter roupa bonita. Eu vivia um dilema: morava num bairro bom, mas não tinha dinheiro no bolso. Enfim, um cara diferente no sotaque, no bolso e no gosto. Nunca virei recifense, mas São Bento do Una ia ficando para trás”.
(História da Música Popular Brasileira- Grandes compositores. S. Paulo: Ed. Abril, 1982).
Alceu Valença, diz a crítica, constrói o alicerce da futura música de consumo do Brasil, contudo, digo eu, o invólucro daquela música passou, ou melhor, desmanchou-se no ar. Se a música de Alceu é de consumo, viva a música de consumo de Alceu! E morra a música de consumo de certos “compositores” de hoje e de certos jovens a vista.
Aliás, ele já antecipava tudo isto, se quisermos entender sua crítica para o lado da música, quando disse:
Além de tudo sou moleque mal-ouvido
Sou atrevido, já joguei tudo pro ar
Vai longe a noite do meu sonho colorido
Duvidar? Duvido e insisto em duvidar
Creio na perua
O povo tá comendo vidro
Creio na perua
E o baião vai pipocar
Creio na perua
O que tá pior vai piorar
É como a história da cantiga da perua
Seu Elias fez a sua profecia popular
E Ary Lobo resolveu morar na lua
Partindo do Sputinik do campo do Jequiá... (Fé na Perua).
COMPOSISTORES DO BRASIL, programa musical da Rádio Educadora do Cariri, nesta quinta-feira, a partir das 14 horas, faz uma retrospectiva musical desse excelente compositor brasileiro.
Na sequencia:
PUNHAL DE PRATA, com Alceu Valença
CARAVANA, de Alceu Valença e Geraldo Azevedo com Elba Ramalho, Zé ramalho e Geraldo Azevedo
A DANÇA DAS BORBOLETAS, de Alceu Valença e Zé Ramalho com Zé Ramalho
AGALOPADO, com Alceu Valença
TÁXI LUNAR, de Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo com Geraldo Azevedo
POR TODA LÃ, com Alceu Valença
CORAÇÃO BOBO, com Alceu Valença
FÉ NA PERUA, de Alceu Valença e Zé da Flauta com Alceu Valença
CHEGO JÁ, de Alceu Valença com Claudionor Germano
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CABELO NO PENTE, de Alceu Valença e Vicente Barreto com Alceu Valença
PLANO PILOTO, de Alceu Valença e Carlos Fernando com Luiz Gonzaga e Alceu Valença.
Quem ouvir verá.
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terça-feira, 20 de julho de 2010
DIA DO AMIGO E DA AMIGA: CARIRICATURAS EM PROSA E VERSO

Hoje é um dia muito especial: a lembrança dos amigos e amigas que tive (porque jê foram embora desse mundo) e daqueles que tenho guardado de lembrança no coração. E esses últimos agradeço de coração pela amizade, confiança, carinho e atenção ainda manifestada. E os amigos (as) do Cariri um especial abraço por tudo que aconteceu comigo nos bons momentos alegres e felizes pelos quais passamos juntos. E mesmo estando agora no Rio de Janeiro não esqueci de vocês. Senti muita saudade de cada um que se doou para a construção de uma relação amiga e sincera. Muito obrigado a todos vocês amigos e amigas. Quanta vontade tive de ir visitar vocês durante esse ano ausente do Cariri. Como uma boa parte de vocês está sabendo fui obrigado a me ausentar desde abril de 2009 para tratamento de saúde. Felizmente tenho uma boa perspectiva de retorno ao Cariri para final desse ano ou início do ano de 2011. Deus está me dando uma segunda chance de viver e reviver minhas amizades – os últimos exames foram bons para mim deixando o meu médico bastante otimista da minha recuperação. E não vejo a hora de voltar e abraçar vocês por tudo – tudo mesmo! – que fizeram por mim. “Amigo é para se guardar no centro do peito” Milton Nascimento.
Foi nos meus momentos mais difíceis que percebi o valor da amizade. A doença me fez ver cada um de vocês sorrindo e me confortando quando a minha fé caía num buraco vazio do meu peito. Mas, não estava vazio e sim preenchido com a imagem e a força moral que cada um me transmitiu aí no Crato e em outros lugares. Era o momento de Deus me lembrar que a amizade tem também poder de cura. Assim, nos meus vários momentos de sofrimento solitário tive vontade de me transportar para o Cariri e recebê-los para captar a força do Amor contida em cada intenção amorosa e gesto carinhoso de todos vocês. A batalha não terminou ainda, mas sinto que venci uma parte difícil dos obstáculos.
E fico feliz em comemorar o lançamento do livro CARIRICATURAS EM PROSA E VERSO. E como não poderei estar ai nos dois dias (23 e 24 de julho) comemorativos de lançamento, desejo de coração SUCESSSO E MUITA ALEGRIA COM MÚSICA, DISCURSOS BONITOS E CONFRATERNIZAÇÃO!
Gostaria que me enviassem pelo correio um (O RESTANTE da MINHA PARTE RECEBO NO FINAL DO ANO AI NO CARIRI) exemplar do livro. O meu endereço aqui no Rio de Janeiro é esse:
Estrada do Portela 118 casa 4 – Madureira – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 21351-050
Telefone Residencial: (021) 3015-8288
PAZ E SAÚDE COM ALEGRIA SINCERA E AMIGA!
Bernardo Melgaço
Os dez mandamentos dos conservadores - José do Vale Pinheiro Feitosa
Hoje o pensamento conservador é o pensamento da burguesia internacionalista e que foi melhor expresso nos EUA. Portanto estes mandamentos são aqueles formulados pela vanguarda do conservadorismo moderno, mas tem uma estrutura bem típica daquelas bases sociais, culturais e históricas deste país.
Estes mandamentos são um resumo do texto Ten Conservative Principles (1993) por Russell Kirk.
Primeiro - existe uma ordem moral duradoura. Feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes. A ordem tem sido uma preocupação central dos conservadores. O conservador acredita que todas as questões sociais são questões da moralidade privada. Os homens e as mulheres são governados pela opinião em uma ordem moral perene, por um sentido forte de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra.
Segundo - adesão ao costume, à convenção, e à continuidade. Os princípios antigos permitem as pessoas viverem juntas pacificamente. Pela convenção conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres: as leis, em sua essência, são um conjunto de convenções. Continuidade é a ligação entre uma geração e outra. Conservadores preferem o diabo que conhecem ao que desconhecem. Ordem, justiça e liberdade, são produtos artificiais de uma longa experiência social, o corpo social é um tipo de corporação espiritual, comparável à Igreja. A mudança necessária deve ser gradual e discriminatória, nunca removendo antigos interesses de uma vez.
Terceiro - é o princípio da prescrição, das coisas estabelecidas pelo uso desde tempos imemoriais, de modo que a mente humana não busca os seus contrários. Um exemplo fundamental é o direito de propriedade. Nossa moralidade é em grande parte prescritiva. Em política fazemos bem em seguir por precedência, preceito e mesmo pré-julgamento.
Quarto - o princípio da prudência. Não perseguir objetivos que tentem anular males presentes, pois a mudança pode criar novos abusos maiores do que os presentes. A providência move-se lentamente, mas o diabo sempre se apressa. Reformas, assim como as cirurgias, são perigosas quando repentinas e profundas.
Quinto - o princípio da diversidade. Na preservação saudável da diversidade, em qualquer civilização, deve sobrevir ordens e classes, diferenças em condições materiais e diversos modos de desigualdade. As únicas formas verdadeiras de igualdade são aquelas do Julgamento Final e aquelas perante um justo tribunal da lei; todas as demais tentativas de nivelamento irão conduzir, na melhor das hipóteses, à estagnação social.
Sexto - princípio da imperfeição ("imperfectability"). A natureza humana é imperfeita e sendo assim, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Perseguir uma utopia é terminar em desastre, não fomos feitos para coisas perfeitas. Tudo que podemos é uma sociedade toleravelmente ordenada, justa, e livre, na qual alguns males, desajustamentos e sofrimentos estarão sempre presentes. Por reformas prudentes podemos preservar e melhorar a ordem tolerável. Mas salvaguardando as formas institucionais e morais antigas.
Sétimo - liberdade e a propriedade são intimamente relacionadas. Nivelamento econômico não é sinônimo de progresso econômico. Para os conservadores a instituição da propriedade privada tem sido um instrumento poderoso para: ensinar responsabilidade, prover motivos para a integridade, suportar a cultura geral, permitir o ócio para o pensar e a liberdade para agir, reter os frutos do trabalho do indivíduo e torná-los permanentes, para legar propriedade à posteridade; erguer-se da pobreza à segurança da realização duradoura; para ter algo que realmente pertença a si mesmo. A posse da propriedade impõe certos deveres ao proprietário e aceita estas obrigações morais e legais alegremente.
Oitavo - suportam ações comunitárias voluntárias e se opõem ao coletivismo involuntário. O espírito bem sucedido de comunidade se opondo aos direitos universais controlados por instituição política geral e não local. Nenhuma nação é mais forte do que as pequenas e numerosas comunidades de que é composta. Uma administração central, ou um conjunto de seletos administradores e servidores civis, embora bem intencionados, não podem conceder justiça, prosperidade e tranquilidade a uma massa de homens e mulheres desprovidos de suas antigas responsabilidades.
Nono - restrições ao poder e às paixões humanas. O poder é a habilidade de realizar a vontade de um não obstante a vontade dos demais. O poder não pode ser abolido; encontra sempre seu caminho para as mãos de alguém. A prescrição dos conservadores é: limitações constitucionais, verificações e contrapesos políticos, o cumprimento adequado das leis, a antiga e intricada teia das restrições por sobre a vontade e os apetites. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.
Décimo - permanências e mudanças devam ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa. Quando uma sociedade está progredindo em alguns aspectos, geralmente está declinando em outros. Toda sociedade saudável é influenciada por duas forças: Permanência e Progressão. A Permanência são interesses e convicções perenes que nos dão a estabilidade e a continuidade. A Progressão em uma sociedade é esse espírito e esse conjunto de talentos que nos incitam à reforma e à melhorias prudentes. Então as diferenças deles em relação aos liberais se encontra no trato da Permanência pois estes poriam em perigo a herança nos legada. O conservador favorece o progresso racionalizado e moderado; é oposto ao culto do progresso.
Expocrato? Estou fora! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Não gosto do Crato no período da exposição. Barulho ensurdecedor até o raiar do dia, ruas estreitas entupidas de automóveis, motoqueiros transitando pelas calçadas, gente em demasia que nos faz sentir-se num outro lugar que não a nossa bucólica e pacata terra. E o que é pior, nos tornamos forasteiros em nossa própria casa. Nas estradas o movimento é intenso. Constantes blitz’s fazem parar nosso carro duas ou três vezes. Nada mal, pois ela surpreende os irresponsáveis motoristas alcoolizados, evitando deste modo que o número de acidentes cresça mais ainda. O pior mesmo são as bandas de forrós que fazem um barulho tão grande que ecoa por toda área urbana do Crato e roubam o sono de muitas pessoas, que não estando de férias, trabalham no dia seguinte.Soube que a URCA suspende suas aulas no período da Expocrato? Pode um negócio desses? E o Hospital São Francisco que fica tão próximo? Que é feito dos doentes? Onde estão o silêncio e a paz tão necessários para a cura das enfermidades?
Sou favorável que a Exposição volte às suas origens. Imaginem que eu alcancei nos distantes anos de 1954/1955 duas exposições tendo como local a atual Praça Alexandre Arraes, naquela época denominada "Bosque Municipal", depois Parque Municipal, bem defronte da Maternidade e muito próximo do Hospital São Francisco. Ao redor do local já existiam as residências que por lá permanecem até hoje. E não houve incômodo algum para os moradores, a não ser o grande “mosqueiro” que vem após. Afinal, a Expocrato é uma exposição de gado, de produtos agrícolas, agro-industriais, cultura regional e não de swhos musicais com estridentes bandas de forrós e de extremado mau gosto. Para que esse som tão ensurdecedor? Por ventura são surdos? Esquecem também que os animais que ali estão expostos sofrem dez dias de estresse que lhes são prejudiciais à saúde. Então que se volte a fazer a Exposição como ela era até meados de 1960. Sem música estridente, sem bandas de forró. Até então tínhamos festas em todas as noites da exposição que eram realizadas no Crato Tênis Club. Época em que íamos às festas e além de dançar, podíamos bater um agradável papo. Todos ouviam a música num tom normal, ninguém era surdo. Por que então, em vez de transferir o parque para outro local não fazer esses shows em cima da Serra do Araripe, no antigo Aeroporto? Será que o IBAMA deixaria? Tenho certeza que não, pois seria prejudicial à fauna e também à flora. E nós, o bicho homem, podemos suportar tudo isso?
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
segunda-feira, 19 de julho de 2010
NOTA DE FALECIMENTO
Expocrato termina e deixa saudades
domingo, 18 de julho de 2010
Everardo Norões e Você - José do Vale Pinheiro Feitosa
Isto é, quem olha Everardo na ambiência social, encontra uma sisudez herdada. Aproxime-se e descobrirá um verbo que tem aquilo que Eça de Queiroz dizia do português falado no Brasil: tem a doçura da cana. Mas não procure que se cristalize definitivamente, logo ele se liquefaz e toma outras formas. Por isso tão múltiplo como dito no início.
Ia me esquecendo dizer de quem herdou. De Plínio Norões, o seu pai, quem o mundo movia-se por quereres, mas também por aleatoriedade. Nem acaso apenas como necessidade somente. A sisudez como atenção pelo momento em curso.
Portanto, neste evento que o Cariricaturas promove de lançamento de mais uma edição de Everardo Norões, o livro “Poeira nas Réstias” o pessoal do Crato tem de se desapegar desta preguiça malsã.
A preguiça que não é nossa e nem nos convém como acontecia nas canções de Dorival Caymmi. Peço aos meus que mande para os quintos dos infernos esta preguiça de televisão, da mesmice pequeno-burguesa do Jornal Nacional e que por falta não perderá a alma. Ganhe sua alma e vá ao Teatro Rachel de Queiroz.
Encontre Everardo em companhia de Sonia e Dihelson Mendonça. Verás quão significados existem neste verbo encontrar: frente a frente; descobrir a consciência; recuperar a própria alma escondida atrás dos cristais luminosos das televisivas. Tudo bem que procure a simplicidade própria, não este sonambulismo hipnotizado por tantos lugares comuns e tanta notícia sangrenta.
No Teatro Rachel de Queiroz, neste dia 22, na próxima quinta feira, não deixe sua alma no éter, dê-lhe a chance de ser ela por ela mesma. Abrace esta intenção, supere o umbral desta casa que lhe prende por exaustão. Vá para a rua e encontre-se. Lembre de um poema de Everardo Norões em seu “Retábulo de Jerônimo Bosch”:
as pontes do recife
em direção à Abissínia.
Nós o seguíamos:
havia sempre um cais,
um segredo,
o elixir das noites mortas.
Aprendíamos
a verdade incompleta,
o sortilégio dos desenganos,
as formas de penetrar,
(de leste a oeste)
a pálpebra das coisas.
Sempre um átomo a pulsar
no vidro,
no sexo,
nos móveis da casa:
a substância mais viva
do esquecimento.
Digo:
o silêncio é uma rua
de janelas fechadas.
sábado, 17 de julho de 2010
E o Crato virou Fortaleza – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Não cheguei a conhecer seu Juquinha, um comerciante do Crato, cuja mercearia na Praça da Estação, além de muito sortida, era muito freqüentada. Conheci o seu filho mais velho, Antônio Edisio, rapaz muito estudioso, a quem o diretor do Colégio Diocesano, Monsenhor Montenegro, sempre recorria na falta temporária de qualquer professor de matemática. Na quarta série do ginasial, Edisio foi nosso professor por mais de quinze dias.De Juquinha rolavam pelas ruas, bares e praças do Crato, histórias muito engraçadas. Uma delas dizia respeito a Edisio, esse seu filho dublê de professor de Matemática. Naquela época, era costume do povo simples da roça dizer que o filho tinha terminado o primeiro livro, em vez de concluído o primeiro ano primário. Edisio tinha ido estudar em Recife, onde se preparava para fazer o vestibular de engenharia. Dizem que por este tempo, alguém entra na mercearia de seu Juquinha e lhe pergunta:
– Seu Juquinha, cadê aquele seu filho mais velho, que eu nunca mais vi?
– Homem, Edisio já leu os livros daqui do Crato tudinho, e agora foi ler os livros do Recife.
Contava-se também que um dos maiores sonhos de seu Juquinha era conhecer Fortaleza. Depois de juntar algumas economias, decidiu embarcar sozinho, pois o dinheiro não dava para levar a mulher ou um dos filhos. Então, numa tarde de domingo, tomou o trem, tendo antes o cuidado de comprar o bilhete de segunda classe, por ser mais barato. Acomodou-se na dura cadeira, apoiando o braço na janela, quando da plataforma um freguês da sua mercearia o avista no carro de segunda e lhe indaga admirado:
– Mas Juquinha, você vai viajar na segunda classe?
– E tem de terceira? – Perguntou interessado, o econômico Juquinha.
A viagem transcorreu sem nenhum problema até a cidade do Iguatu, onde o trem pernoitava. O mesmo ocorria com o trem que saia de Fortaleza, que também parava no Iguatu e todos os passageiros se alojavam no Hotel Ferroviário, para de madrugada prosseguirem a viagem.
Às quatro da madrugada em ponto, o porteiro do hotel despertava os hóspedes mais dorminhocos, pois quinze minutos depois, os dois comboios partiriam em sentidos contrários. Juquinha foi um dos passageiros que fora surpreendido pelo sono e saiu atarantado, à procura do seu trem. Na pressa, não olhou direito qual era dos dois trens que deveria entrar. Aliás, acho que Juquinha nem percebera que havia dois trens parados na estação. Entrou no trem que ia de Fortaleza para o Crato. E seguiu viagem sem nada desconfiar. Nem a paisagem e nem as cidades que passara no dia anterior fizeram-lhes notar que havia entrado no trem errado.
Finalmente, o trem começa a chegar ao Crato e Juquinha exclama para o companheiro do assento ao lado, que para seu maior azar, era um surdo mudo.
– Como Fortaleza é parecida com o Crato! Até agora não vi diferença nenhuma nessa tal de capital. Até a ponta de rua é parecida com a entrada do Crato. Tem até aquela porção de pedra de gesso amontoada na beira da linha...
Quando o trem parou na estação do Crato, Juquinha desceu falando sozinho, para espanto de quantos o conheciam.
– Vôte, Fortaleza é igualzinha ao Crato. Até a Praça da Estação parece ser a mesma, com a estátua do Cristo Rei e tudo o mais. As mesmas árvores, as pessoas parecem que têm a mesma cara dos meus conhecidos lá do Crato.
E Juquinha seguiu pela praça, a esta altura, com um grupo considerável de pessoas no seu encalce, curioso para saber o que se passava com o velho Juca. Finalmente Juquinha diz outra frase em voz alta, que foi o estopim para o veredicto popular:
– Arre égua, até uma filial da minha mercearia eu tenho aqui em Fortaleza e não sabia. E aquela vendedora que tá lá dentro é vê a minha mulher! – Exclamou Juquinha ao ler a placa do seu estabelecimento comercial: “Mercearia O Juquinha”.
– Juquinha pirou de vez! – Diziam uns.
– Ele tá tergiversando. Não diz coisa com coisa. – Exclamavam outros.
– Ele tá é doidinho da silva. – Concluía alguém que fora chamar a sua família.
Os familiares ao verem Juquinha, ainda crente que estava em Fortaleza, levaram-no ao posto de saúde mais próximo. Ao ser medicado por um médico conhecido, teve tempo de dizer, antes que o sedativo que lhe fora aplicado fizesse o efeito esperado:
– Os doutores daqui de Fortaleza são iguaiszinhos aos do Crato. Não sabem é de nada também!
Extraído do livro "História que vi, ouvi e contei" do mesmo autor.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
URCA em notícias
Letrista nega música à campanha de Dilma Rousseff
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Que é isso? Um leão que reza? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Poucas famílias cultivam o saudável hábito de agradecer a Deus as refeições que fazem. Aliás, não somos muito de agradecer as graças que Deus constantemente derrama sobre todos indistintamente. Nós pedimos em demasia, mas pouco agradecemos os benefícios recebidos.Há alguns anos, reunidos com um grupo de amigos, refletíamos sobre a necessidade de agradecer a Deus e pedir bênçãos pelo alimento de cada dia. Alguém leu numa revista, uma pequena história que ficou martelando minha cabeça. Numa época em que se pretende promulgar uma lei que deveria existir no coração de cada pai e mãe, qual seja: formar e educar os filhos com amor e não com palmadas, vi nessa história uma forma diferente, criativa e sem violência de como um pai deve instruir os filhos. Principalmente quando se pretende impor alguma regrinha que eles não desejam cumprir.
Um pai de três crianças, ao participar de um retiro religioso, retornou à sua casa decidido a fazer orações de agradecimento antes das refeições. “De hoje em diante nós vamos rezar antes do almoço e do jantar.” Ordenou o pai, sob protestos imediatos dos filhos. “Xi, pai, rezar? Isso é muito careta!” Protestou um dos meninos. Então o pai com muita habilidade perguntou: “Está bem, mas contar uma historinha pode?” “Ah, será muito legal!” Disseram todos a uma só voz. E o pai contou a seguinte história.
Um caçador estava numa floresta da África fazendo uma grande caçada. Quando já retornava para casa, deu de cara com um enorme leão à sua frente. Não perdeu tempo. Todo trêmulo, apontou a espingarda bem na testa do leão e deu um tiro. Mas errou. Era a última bala que havia. Então fechou os olhos e esperou ser devorado pelo leão. Passados uns dois minutos, que lhe pareceram séculos, pensou que o leão havia desistido de lhe devorar e fora embora. Mas quando ele abriu os olhos, o leão estava à sua frente, de joelhos, mãos postas e olhando para o céu dizia: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste na minha mesa.” As crianças gostaram muito da história.
No dia seguinte, à hora do almoço, os meninos já estavam sentados, quando o pai ordenou: “Levantem-se todos!” Em seguida perguntou: “Como foi que o leão disse diante daquele caçador lá na África?” E as crianças responderam: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste...”
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
CRIAR MUNICÍPIOS PRÁ QUÊ E PRÁ QUEM? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Aí se pensa em mais uma partilha nos diversos fundos dirigidos aos municípios, nos gastos com a burocracia necessária e para fazer funcionar os poderes. Não imagine que tudo vai se resumir ao legislativo e ao executivo municipal: tem repercussões deste o endereçamento postal até no judiciário e nas políticas estaduais.
A criação de municípios é tão grave que não poderia ser objeto apenas da representação política, mas sim da democracia direta. Por que todos os eleitores do Crato não podem votar num plebiscito para saber se é conveniente criar o município de Ponta da Serra? Qual é a lógica por trás desta decisão?
Alguém dirá que Ponta da Serra está prejudicada por ser distrito do Crato. Vamos discutir o assunto? Apresentar os argumentos. Então Santa Fé poderia igualmente pensar em algo. E toda a região do Belmonte com a encosta criando um município de terras altas? Deste modo a justificativa pode ser qualquer uma. Mas é preciso parlamentar com o povo.
Vamos que Ponta da Serra não tenha o que merece. Isso se resolverá com a separação? De modo algum estará garantido. Não existe uma racionalidade de eficiência neste furor de criar municípios no Brasil. Agora que tal os nossos representantes na Assembléia Legislativa promulgar e regulamentar uma lei na constituição do estado que garanta a plena defesa dos distritos em relação às suas sedes e ao poder executivo municipal?
Por que não se aperfeiçoam os mecanismos de exercício municipal criando orçamentos distritais, políticas distritais, controles sociais e outros instrumentos que garantam o equilíbrio entre as partes? Isso garantiria muito maior eficiência na gestão do que a criação de mais uma máquina a consumir meios para a função dela mesma.
A discussão da criação destes municípios está fora de lugar e me chamou muito atenção que entre aqueles que escrevem nos blogs, só o Pedro Esmeraldo tocou no assunto. E o mais grave um assessor da prefeitura do Crato chegou a justificar a criação do município de Ponta da Serra e eu não entendi mais nada. Ou entendi tudo?
Pobre é mais de cem
Muito mais de mil
Mais que um milhão
E vejam só...
E só de vez em quando
Pobre é feliz” (Cicatrizes, Zé Kéti)
ZÉ KÉTI
Por Zé Nilton
Em dezembro de 1964 o parafuso da ditadura militar implantada no Brasil em 31 de março daquele ano ainda não havia iniciado o aperto ao madeiral das artes e dos artistas no país.
Estamos no momento do grande movimento no teatro brasileiro com repercussão significativa para a Música Popular Brasileira. Dois renomados compositores compunham o elenco do Show Opinião – João do Vale e Zé Kéti. Duas trajetórias de vida com origens de classe e de cor parecidas. Igualmente donos de uma musicalidade a serviço da transformação do homem e do mundo.
O inspirado compositor e poeta José Flores de Jesus – na carteira de identidade do Brasil de baixo - confirmam a tese do eminente crítico Tinhorão. Os compositores cariocas são oriundos das classes subalternas da sociedade, sobrevivendo de pequenos ofícios ou de empregos de baixo status no funcionalismo público. Zé Kéti chegou a largar a vida de artista para trabalhar como soldado de Polícia no Rio nos começos da década de 1940. Assim como Lupicínio Rodrigues e tantos outros, a corporação não segurou a inquietude rolando na cabeça do soldado Flores.
Cantou o mundo em que viveu e por via de conseqüência produziu uma vasta obra de inegável valor para a identidade de nossa musicalidade. O morro, a periferia, os botequins, os lugares dos pobres são espaços marcantes na poética denunciadora deste excelente compositor brasileiro.
Naqueles idos dos anos de chumbo e até recentemente a nossa classe média acalentava o sonho (o discreto charme da burguesia?) de transformação social de realidade teimando buscar nas raízes culturais brasileiras seu suporte teórico para a ação revolucionária. Foi nesta que o Teatro de Arena – lá estão Augusto Boal, Oduvaldo Viana, Armando Costa, Paulo Pontes, Tereza Goulart, CPC da Une – elevou o experiente compositor Zé Kéti à condição de artista cênico.
A peça Opinião foi baseada na sua música. A opinião de um caboclo que reinventa o cotidiano “apesar de você” e dos dissabores da vida de pobreza:
“Daqui do morro eu não saio não
Se não tem água eu furo um poço
Se não tem carne eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar”...(Opinião).
Igualmente, suas músicas são transformadas em trilhas sonoras nas películas de Nelson Ferreira dos Santos, Roberto Santos, Leon Hirszman, Cacá Diegues...
De conversa em conversa, apresentaremos um pouco de sua história enquanto ouviremos:
ABERTURA, com Zé Kéti, Nara leão, João do Vale etc.
CICATRIZ, Zé Kéti e Hermínio Belo de Carvalho com Zé Kéti
PEÇO LICENÇA, de Zé Kéti com Zé Kéti
A VOZ DO MORRO, de Zé Kéti com Os Demônios da Garoa
O FAVELADO, de Zé Kéti com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão
MALVADEZA DURÃO, de Zé Kéti com Elizeth Cardoso
PRAÇA 11, BERÇO DO SAMBA, de Zé Kéti com Zé Kéti
VOCÊ NÃO FOI LEGAL, de Zé Kéti e Celso Castro, com Wilson Miranda
DIZ QUE FUI POR AI, de Zé Kéti Hortêncio Rocha, com Zé Kéti
OPINIÃO, de Zé Kéti com Zé Kéti
NEGA DINA, de Zé Kéti com Zé Renato & Alcione
MASCARADA, de Zé Kéti e Elton Medeiros, com Zé Kéti
MÁSCARA NEGRA, de Zé Kéti com Zé Kéti
Quem ouvir verá!
Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, de 14 horas as 15 h.
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz
Pesquisa,produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmitido pela www:cratinho.blogspot.com
A coisa certa, na hora certa - Emerson Monteiro
Tantas vezes nos pegamos a considerar se agora estamos onde deveríamos estar, que, ao menor sinal de desencanto, queremos logo saber qual seria um outro jeito de agir e procurar alguma inspiração que satisfizesse as nossas ações improvisadas. Por isso, existem os jogos de azar e os ledores da sorte espalhados neste chão.
As voltas que dá o mundo impõem condições rigorosas no uso do tempo e da liberdade. E uma palavra dita fora de hora, ou de maneira equivocada, corre o risco, não raras vezes, de cobrar preços elevados em termos de sofrimento, o que leva a pensar se haveria outros modos de trabalhar a vida e acertar com mais frequência, sem a presença tão rotineira do erro.
As considerações filosóficas criam esquemas de as pessoas funcionarem com mais sucesso quando gastam idade e saúde, estudos esses que demonstram, em mil doutrinas, religiões tradicionais, saídas particulares e até aventuras errantes, desastrosas, quanto à existência.
Os autores mergulham fundo nessa busca de rever o tempo que passou nas suas vidas, um esforço extremo de consertar aquilo em que falharam, e recuperar a fase auspiciosa da juventude, através dos frutos aprendidos nas experiências. No entanto, o que passou, passou; não volta mais; no que pesem as belas produções artísticas disso resultantes. Lindas melodias, raros livros, telas afamadas.
Os rastros deixados na estrada desta vida significam aquilo em que se transformaram os verdes anos de cada criatura, marcas fixadas no próprio corpo das pessoas, sobretudo na face engelhada, olhares cansados, caminhar incerto; nos dentes perdidos, barriga aumentada, frágil musculatura.
- Ah, se, quando jovem, eu soubesse do que agora sei tudo seria bem diferente na minha história, – afirmam de alguns espectadores arrependidos. Se, palavrinha poderosa, contudo, neste caso, ineficaz para gerar novas consequências. O que significa mesmo já ficou gravado nas trilhas da eternidade, restos de saudades, frustrações, lembranças.
Daí essa dúvida recorrente de saber sempre do lugar certo e da coisa certa ao se encaminhar durante cada momento. Parar e pensar, calcular, planejar, pois todo cuidado é pouco, na utilização dos dons preciosos de existir e dispor da saúde enquanto andamos nesta jornada cotidiana.
Uma crença positiva e as largas esperanças enchem os dias, alegram o espírito e alimentam o trato com os nossos semelhantes, isto sem preconceito e com animação e respeito, nutrientes essenciais da boa convivência. Naquilo que ignoramos, a realidade ensina que sábio é quem planta o bem para depois colher as dádivas da santa felicidade.



