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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Em busca da felicidade – Por Magali e Carlos

*Magali de Figueiredo Esmeraldo
* Carlos Eduardo Esmeraldo

A data de 12 de dezembro de 1972 foi um dia de muitos afazeres para Magali. Para começo de conversa, neste dia ela estava aniversariando. Mas acredito que poucos se lembraram disso, pois ela tinha algo mais importante para fazer: nós dois celebraríamos nosso casamento às nove horas da manhã, pois à noite ela tinha outro evento marcante na vida de qualquer pessoa. Era a colação de grau do seu curso de História. Foi tanta emoção que eu senti quando ouvi Monsenhor Montenegro dizendo: “Carlos, eu te batizei e hoje estou te casando....” As lágrimas molharam minha face. Eram lágrimas de felicidade por estar vivendo aquele momento único na minha vida.

Alguns dos meus parentes gostavam de fazer uns tipos de brincadeiras desagradáveis com os jovens recém casados da nossa família. Para evitar que nós fossemos vitimas, espalhei para todos que iríamos passar os três primeiros dias no Hotel Municipal de Juazeiro, recém inaugurado. Mas um dos meus irmãos cedeu a casa dele, às margens da estrada Crato-Juazeiro. Então passamos três dias maravilhosos, com despesas zero, café, almoço, merenda e jantar enviados por minha mãe. Foi tão bom que até pensei em ficarmos assim para o resto da vida. Mas três dias depois, o trabalho me esperava.

Os laços do amor verdadeiro entre um casal são tão fortes que, como diz a Bíblia “o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne”. Foi isso que aconteceu comigo e com Carlos, e logo após os três primeiros dias do nosso casamento, lotamos o bagageiro de um “fuscão branco” e partimos para enfrentar as estradas do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará com destino a Tomé-Açu no Pará, onde Carlos estava trabalhando na construção da estrada Tomé Açu – Paragominas.

Eu com vinte e três anos e ele com vinte sete nos sentíamos pronto para o início da construção de nossa família. Apesar de sair do conforto e da proteção da casa de meus pais e também morar numa cidade como o Crato, ótimo lugar para se viver, onde nasci e estava acostumada. Estava, portanto disposta a juntos superarmos as dificuldades que teríamos pela frente. As estradas sem asfalto eram o que iríamos encontrar e todos os perigos que poderiam ocorrer numa viagem longa. A nossa residência seria numa pequena aldeia, de casas construídas com madeira e localizada na floresta amazônica. “Quatro Bocas do Breu” era o nome desse lugarejo próximo da cidade de Tomé-Açu.

Mesmo enfrentando a falta de conforto, eu estava confiante e decidida a fazer Carlos feliz e, tinha certeza que também ele iria me fazer feliz.

Antes do nosso casamento Carlos já deixou nossa casa alugada. Era uma construção de paredes, piso e telhado de madeira que foi caiada de branco por iniciativa dele, para que se tornasse mais acolhedora. Delicadeza e sensibilidade de quem ama e quer agradar a pessoa amada. A confiança era grande tanto minha quanto dele que estávamos dando os passos acertados para nossa felicidade.

Eu já vivia longe de casa há mais de oito anos e, portanto estava acostumado a uma vida de dificuldades, agravada pelo desconforto e a falta dos entes queridos. Para Magali seria a primeira vez que sairia de casa, agora definitivamente para sempre e, isso me fez vislumbrar uma enorme responsabilidade. Então procurava tratá-la com todo carinho, não ferir sua sensibilidade, atitude mantida até os dias de hoje, quase trinta e oito anos depois.

Partimos do Crato para Tomé-Açu no dia quinze de dezembro, pois Carlos deveria estar em Belém no dia vinte. A despedida foi dolorosa, pois saí chorando, deixei minha mãe também chorando e meu pai e irmãos com saudades. Logo enxuguei as lágrimas, confiante seguimos viagem com a certeza de que facilmente me adaptaria a minha nova vida.

A falta de conforto começava no transporte: um fuscão apertado, repleto de bagagens, sem som e sem ar condicionado, mas nada disso nos afetava, pois a alegria e a confiança nos acompanhavam.

Como não havia som no carro, suprimos essa falta com um toca-fitas portátil. “E haja Paulinho da Viola cantando: “minha viola vai pro fundo do baú”; Paul Mauriat com “L’amour est blue”. Ainda hoje, quando ouço a música “Mamy Blue”, sinto-me rasgando aquelas estradas ora poeirentas, ora lamacentas. Horríveis as estradas, inesquecíveis as músicas.

Saímos do Crato à uma hora da tarde, subimos a Serra do Araripe até o “Posto do Exu”, um posto de gasolina localizado antes de se descer a serra para Exu à esquerda e Araripe à direita. Na ladeira, próximo de Araripe uma pedra enorme bateu na barriga do carro e travou a caixa de marcha, de modo que tivemos de andar na terceira até Picos. Lá os mecânicos afirmaram que havia danificado a tampa seletora da caixa de marcha e só no Crato ou Teresina haveria conserto. A sorte é que de Picos até Teresina, a estrada já estava asfaltada, e eu havia trabalhado um ano antes no projeto dessa estrada, de modo que por conhecê-la bem, pudemos trafegar devagar e chegar à capital do Piauí, à uma hora da madrugada. Passamos a manhã do sábado em Teresina e às onze horas o carro já estava consertado. Almoçamos e continuamos a viagem. A estrada estava asfaltada até Peritoró, no Maranhão. De lá entramos numa rodovia sem pavimentação que nos levaria até Porto Franco na Belém – Brasília. Passamos por Presidente Dutra, uma cidade mais ou menos do porte do Crato. Como era ainda dia claro, resolvemos ir mais adiante, até Dom Pedro. Uma cidade velha, sem luz elétrica, cujo hotel era um casarão com banheiro e privada no fundo do quintal. O quarto em que nos colocaram tinha uma cama de casal da marca patente, colchão de estofo de algodão e era separado por uma meia parede dos demais cômodos da casa. Como vocês devem observar, aposento muito adequado para um casal em “lua de mel”...

No domingo viajamos o dia todo, e dormimos em Imperatriz, às margens da Belém-Brasília. No dia seguinte seguimos viagem até Paragominas. Lá almoçamos. Continuamos o restante da nossa viagem pela estrada de serviços da futura rodovia que estávamos construindo. Cem quilômetros nos separavam de “Quatro Bocas do Breu”, nosso ponto final, uma vilazinha de pouco mais de 10 casas de madeira e o acampamento da construtora.

Quando avistamos a pequena casinha de madeira com os raios solares do cair da tarde deixando-a mais branquinha do que era, senti a emoção de saber que este seria o nosso lar. Mas nós moramos nela pouco mais de um mês e Carlos foi transferido para Goiás. Outra viagem de Belém até Brasília em estrada de terra.

Anos mais tarde, quando já morávamos no Crato, ao ouvir pelas rádios o cantor Gilson cantando: “Eu queria ter na vida simplesmente. Um lugar de mato verde. Pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca de varanda. Um quintal e uma janela. Para ver o sol nascer.” Lembrávamos dessa casinha de nossos primeiros anos.


Por Magali de Figueiredo Esmeraldo e Carlos Eduardo Esmeraldo

Um Panorama das Estações de Rádio do Cariri - Por: Dihelson Mendonça


DE LUIZ GONZAGA a LOUIS ARMSTRONG

- Não toca no Rádio

- Não Sai na TV
- Não tocam em Shows
- As novas gerações estão se esquecendo quem foi Luiz Gonzaga, O Rei do Baião.


Hoje é o aniversário de morte do maior ícone cultural do Nordeste, o grande Luiz Gonzaga, compositor, sanfoneiro e acima de tudo, uma voz que está para o Nordeste assim como Louis Armstrong está para os Estados Unidos. A grande pena, é que as novas gerações não irão tomar conhecimento de quem foi LUIZ GONZAGA, porque a música deste não toca mais na grande "Máfia" ( ou Panelinha ) que se formou nas Rádios, que está quase toda vendida ao Cartel do Forró Eletrônico. Se nós entrevistarmos qualquer desses garotos de escola pública, chegaremos à triste constatação de que quase nenhum deles saberá quem foi o Rei do Baião.

Prova disso, é que outro dia, minha namorada, que é professora numa escola pública, esteve numa excursão com seus alunos, e durante o trajeto, com uma finalidade até "cultural", tentou colocar um disco do não menos conhecido Gilberto Gil, para eles escutarem ( e vejam que é um cantor costumeiramente bastante aceito e apreciado ), quando muitos dos presentes disseram:


"Tira isso aí, Professora! - Quem é esse cara ?"
"Alunos, esse é o Gilberto Gil, um grande cantor e compositor que vocês precisam conhecer"

E AGORA, A VERDADE, DITA PELA BOCA DOS ALUNOS:

"Professora, bota aviões do Forró, porque esse cara aí não toca "nem" na Rádio, ninguém sabe nem quem é..."


Amigos, a que ponto chegamos! O Cartel do Forró Eletrônico se apoderou por completo da mídia radiofônica e impede que qualquer outro estilo musical seja tocado. As novas gerações crescem ouvindo porcaria e sendo privadas de qualquer conhecimento sobre a grande variedade de música existente no planeta, e os grandes mestres. Estamos formando uma geração sem qualquer juízo crítico, manipulados por meia dúzia de canalhas da mídia radiofônica que controlam o que a plebe rude deve ouvir ou não, privando-os do acesso às artes e à cultura. Ora, um povo que é conduzido como massa de manobra, é um prato cheio para os políticos e o controle social.

Estamos vivendo uma verdadeira DITADURA das estações de Rádio, um pleno MONOPÓLIO, onde as estações, sustentadas por uma estrutura perversa e milionária das Bandas de Forró Eletrônico, cortaram todas as outras opções para o povo. Só tocam mesmo o que ELES quiserem. É uma questão de massificação mesmo, como nunca houve. No cariri, você liga o rádio, e pode acontecer de pegar até 3 estações tocando uma única música. Seria isso de Graça ? Quanto vocês acham que as estações recebem para fazer isso ? Eles não tocam mais músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Paulinho da Viola, nem Rock, nem Reggae, nem praticamente qualquer autor nacional da MPB. Que dirá os pobres compositores e cantores do Cariri, relegados ao centésimo plano...

Outro dia, o artista caririense Pachelly Jamacaru foi a uma estação de Rádio local para divulgar o seu novo disco, e foi muito maltratado. Deram-lhe as costas. O apresentador do programa da hora, disse textualmente: "Olha se vocês quiserem botar no programa de vocês, podem tocar. No meu...Tô Fora!"

Essa é a Realidade da maioria das Rádios Caririenses. Não se enganem. É com muita má vontade, se eles tocarem algo diferente do que o cartel lhes dita. Por isso, brindamos à nossa própria estação, a Rádio CHAPADA DO ARARIPE - INTERNET - 24 Horas. Ela mostra a diversidade da música. Lá, a música de qualidade é sempre o prato do dia. Lá, os artistas do Cariri tem prioridade.

Acessem:

www.radiochapadadoararipe.com

E Fujam da Máfia das Rádios do Cariri.

Dihelson Mendonça

domingo, 1 de agosto de 2010

Crônicas de uma geração: o baile Rock à Fantasia

Samuka, que não foi ao baile, e Blandino, o "promoteur"

Em 1986, quando o Bar de Abidoral cerrou suas portas, depois de um curto, mas intenso período de noites sequiosas e do mais puro(?) hedonismo juvenil, Blandino Lobo abriu aquele que seria o espaço sucessor enquanto novo point da rapaziada: o Lagoinha Bar, localizada no caminho entre Crato e Ponta da Serra.

No Lagoinha Bar havia uma novidade: um dancing, onde a galera rodopiava, pulava e suava aos cântaros ao som de velhos sucessos e hits da época, dentre eles Nos Barracos da Cidade, um embalado reggae de Gilberto Gil. A onda do momento era dançar solto, fazendo as folgadas roupas, os longos cabelos e as indefectíveis miçangas balançarem num espetáculo à parte.

O lugar era distante , cerca de cinco quilômetro do centro do Crato, agravado ainda pela inexistência de transporte coletivo, nem convencional nem alternativo. O jeito era se valer da providencial carona, o que tornava a clientela do bar mais do que selecionada.

A especialidade do Lagoinha Bar era um baião-de-dois com carne assada ou galinha caipira. Blandino sempre foi muito generoso no tamanho das porções e do preço. E o baião-de-dois era feito com arroz integral.

Em outubro de 1986, depois do bar estar consolidado como o mais frequentado espaço da moçada, Blandino resolveu fazer uma festa. Na verdade, um baile à fantasia. Estava-se vivendo o apogeu do rock brasileiro, com várias e interessantes bandas ocupando as paradas de sucesso e as mais altas posições do rancking dos maiores vendedores de discos da música brasileira. Titãs, Blitz, Paralamas, Barão Vermelho, Capital Inicial, Ira, Legião Urbana, Camisa de Vênus, Os Inocentes, Engenheiros, Espírito da Coisa, Magazine, Inimigos do Rei, Biquini Cavadão, Lobão e os Ronaldos, Kid Abelha e outras dezenas ou centenas de bandas faziam a trilha sonora daqueles alegres anos oitenta. Portanto, no embalo do “roque tupiniquim”, Blandino decidiu fazer o baile Rock à Fantasia, o primeiro de uma série de três.

Fui convidado para dividir com Blandino a produção executiva da festa. Chamamos Marcos Leonel e Júnior Balu para selecionar e gravar a trilha sonora. O artista plástico e decorador Edelson Diniz fez a ambientação, de inspiração trash. Salatiel gravou a propaganda que foi veiculada nas emissoras de rádio da região. O lema da festa era “neste baile o limite não tem artrite”, por sugestão de Marcos Leonel.

Foi um mês de trabalho pesado, incluindo a confecção artesanal de uma máscara que fazia a vez do bilhete de ingresso. Fizemos mais de mil máscaras-ingressos.

Em 26 de novembro daquele ano bom de 1986, um sábado de lua cheia, precisamente às vinte e duas horas, Salatiel, na função de mestre de cerimônia, deu por aberto o baile, sob o som de... ópera.

Por intermináveis trinta minutos, a música que rolava foi somente erudita, com o público que chegava se impacientando quase às raias da exasperação.

Completado o tempo preliminar previsto da inusitada abertura, Marcos Leonel e Júnior Balu detonaram o rock Let’s Dance, sucesso de David Bowie, ainda fresquinho na época.

Foi o início de uma longa noite de muita curtição. A festa só acabou quando os primeiros raios do sol acalmaram os renitentes foliões.

sábado, 31 de julho de 2010

Karimay acabou de falecer

Lamentavelmente, acabamos de perder materialmente o sociólogo, artista plástico, espírita e formidável figura humana – LUIZ KARIMAY.

A informação foi passada a pouco por Reginaldo Farias, um dos discípulos do Mestre Karimay nas artes plásticas, a Luiz Carlos Salatiel, que me comunicou o fato.

Para nós, amigos e admiradores do Artista e do Homem Luiz Karimay, foi um infausto acontecimento, por conta da privação de sua companhia sábia; mas, decerto, para o seu espírito, foi um momento supremo, que ele estava preparado para tal.

Obrigado, Karimay por tudo que você fez e representa para nós, seus amigos de longas datas.

Descanse das atribuições mundanas em plena paz e luz.
Ele caminhou firme na linha tênue

Equilibrando-se com a sua espada de luz de samurai zen

O que é para um mestre atravessar para o outro lado?

Uma travessia, decerto, pisando o solo sagrado com sapatilhas de bailarino

Já o seu tamanco de carvalho, este já estar bem gasto

Também pudera, sua caminhada, longa e árdua, venceu os terrenos derrapantes

Com breves e estratégicas paradas para cultivar, por exemplo, um bonsai de umbuzeiro

Da minha parte, sei que o mestre nunca parte

Ele adianta os passos para mostrar as veredas que dão em algum lugar

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há alguns dias, eu e Magali fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para a cerimônia de seus casamentos. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou aos meus oito anos de idade, nas aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Naquela época, eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão. De repente, minha memória me fez ouvir a voz da tia Esmeraldina me perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: O Pai é Deus? O Filho é Deus? O Espírito Santo é Deus? A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler até aqui o que rabisco, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.
“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão-SC

Crônicas de uma geração: o Bar de Abidoral

O “barman” Abidoral e Salatiel, o mentor do espaço

O Abidoral em questão é o mais conhecido abidoral do Crato: Abidoral Rodrigues Jamacaru Filho, cantor e compositor, projetado a partir dos festivais de música que aconteceram na cidade por toda década de 1970.

Pois bem, Abidoral já teve um barzinho, em sociedade com o também músico cratense Calazans Callou. O bar durou pouco, acho que no máximo um ano, mas propiciou momentos aprazíveis e boas e risíveis histórias.

Era 1985, um ano bom. Abidoral foi incentivado por Luiz Carlos Salatiel a ser um empreendedor. Calazans, que na época trabalhava no Bamerindus, topou dividir os duros afazeres deste complicado ramo comercial. A ideia de Salatiel era pragmática: como era impossível sobreviver de música no Cariri naqueles anos da chamada “década perdida” da economia brasileira (permeada de inflação, pacotes heterodoxos de choques econômicos, falta de incentivo à cultura, inexistência de espaços e mercados para o artista local etc), então o jeito era construir uma alternativa que aliasse negócio e diversão. Um bar, por isso, seria o empreendimento ideal.

Calazans, que conhecia os distribuidores de bebida da região, conseguiu o fornecimento de forma consignada. O espaço escolhido foi o Bar das Anas, como era conhecido o bar mantido por Ana Cássia e Ana Leonel, que estavam deixando o ramo, localizado no conjunto Padre Cícero, bem próximo da divisa Crato-Juazeiro.

Para a rapaziada que estava órfã de um point alternativo, foi um presentaço. O local era super-agradável, bastante ventilado, amplo, visto que havia um terrenão baldio ao lado, e muito acessível. Aqueles que não tinham automóveis, a grande maioria, bastava pegar o busão da Viação Brasília e saltar bem na porta do bar.

O nome do bar não poderia ser outro – Bar de Abidoral – batizado que foi pelo senso comum da galera. Nem adiantaria colocar, por exemplo, “Espaço Cultural Avallon”, pois não pegaria. A rapeize prontamente dizia: vamos pro Bar de Abidoral, e pronto!

Além da bebida e do peixe frito, o outro principal prato da casa era, lógico!, música: refinado som ambiente e excelente música ao vivo. Todas as sextas e sábados, um espetáculo. Foram antológicas, por exemplo, as apresentações da Banda Cariri (leia-se João do Crato, Manel D’Jardim, Cacheado, Cleivan Paiva, Borís, Nivando, Paulo Lobo e Iran, respectivamente no vocal, baixo, bateria, guitarra, baixo, sax, trombone e piston).

Na parede externa, o pintor Romildo Alves fez um painel retratando as figuras que frequentavam o bar: artistas das mais diversas especialidades e os contumazes boêmios. Além, é claro!, de Abidoral, imagens caricaturizadas de Geraldo Urano, a la filósofo grego, e Zadinha, retratado de véu e grinalda. Zadinha, apelido do artesão Osvaldo Filho, foi a noiva da única e inesquecível quadrilha junina que o Bar de Abidoral realizou. O noivo foi Monquinha Cabral.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma questão de idade – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Há trinta e sete anos, recém-casados, eu e Carlos fomos morar na cidade de São João d’Aliança em Goiás, distante cento e cinqüenta e dois quilômetros de Brasília. Nessa época, Carlos trabalhava na construção da estrada São João d’Aliança a Alto Paraíso. São João d’Aliança era uma cidade antiga de uma única rua. Alugamos uma casa e como Carlos trabalhava o dia todo, eu ficava muito sozinha. Antes que pudesse me dar conta que seria difícil ter amigas nessa pequena cidade, duas mulheres com idade de mais ou menos sessenta anos, nossas vizinhas, vieram nos fazer uma visita. Elas foram tão acolhedoras, tão educadas que me senti grata pela delicadeza delas. Apesar da diferença de idade minha e de Carlos, para as nossas novas amigas, pois eu tinha vinte e três anos e Carlos vinte e sete, nos alegramos em ter pessoas tão boas morando perto de nós. Assim ganharíamos experiência com elas e, elas se alegrariam com a nossa juventude.

Moramos apenas dois meses nessa cidade, mas foi o suficiente para reconhecer o quanto as nossas amigas eram bondosas, como a maioria das pessoas que moram em cidades pequenas. Fomos convidados por elas para passar um domingo em Alto Paraíso, uma região montanhosa, cheia de vales e muito verde, onde elas tinham uma irmã que morava lá. À medida que subíamos a serra, ficávamos maravilhados com a beleza de um rio que descia ordenadamente. Era uma visão radiante da natureza. Fomos muito bem recebidos pela família das nossas amigas. Lá chegando, elas nos ofereceram papa de milho. Olhando a mesa repleta de pratos cheios de uma papa amarela, eu logo desconfiei que fosse canjica e aceitei. Carlos disse que não queria. E eu sabendo o quanto ele gosta de canjica, perguntei por que não aceitou e expliquei o que era. Ele respondeu: “É canjica? Então eu quero!” Rimos muito e explicamos a elas que aquilo que elas chamavam papa de milho, na nossa terra é canjica.

Ainda hoje lembro com carinho dessas duas mulheres maravilhosas que nos trataram tão bem e, supriram a falta que sentíamos dos nossos familiares. Com essas lembranças agradeço a Deus por ter colocado no nosso caminho essas pessoas de bem. Tem gente que vem ao mundo para distribuir bondade e sempre são recompensadas pelas Bênçãos Divinas.

Relembrando os fatos ocorridos em épocas passadas, notamos como a nossa percepção do tempo muda à medida que os anos passam. Há mais de quinze anos estávamos conversando com uma prima de Carlos sobre esse período em que moramos em São João da Aliança. Então sem pensar, fui dizendo para ela, que lá nós só tínhamos como amigas duas velhinhas de sessenta anos. Entretanto não foi no sentido de desvalorizar minhas amigas, mas para ressaltar a nossa diferença de idade. Mesmo assim a prima de Carlos, quase que me crucificou, pois essa era a idade dela. Tive muito trabalho para consertar meu erro. Fui explicar que com vinte três anos, achava que pessoas com mais de sessenta anos já eram velhas. Mas com minha idade do momento já não pensava assim. O certo é que fui perdoada e hoje tenho muito cuidado quando o assunto é idade. Aprendi a lição, pois viver é um eterno aprendizado.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A FEIRA DE ANTIGAMENTE – POR PEDRO ESMERALDO

No tempo de minha infância, observava com muita tensão o movimento circulante dos mascates na antiga estrada velha que liga Crato a Juazeiro para a movimentação da feira do Crato.

Era coordenada por uma legião enorme de romeiros que marchava em direção do Crato a fim de buscar seus bens necessários para sua subsistência.

A feira do Crato sempre foi considerada uma das maiores feiras do nordeste. Tinha toda espécie de bugiganga, como especiarias, cereais e também pequenos animais domésticos: aves canoras, suínos, ovinos e caprinos. Era longa e seu movimento assustador. Não havia outro igual.

O povo de Juazeiro, possuidor de grande vocação para as obras artesanais, fabricava seus utensílios durante a semana, após o movimento do seu trabalho árduo na agricultura; produzia durante a semana a sua cultura agrícola para depois vir movimentar seus negócios na feira do Crato.

Era uma comunidade pacífica e capacitada para pendores artesanais com grande movimentação de utensílios domésticos, o que aproveitava o seu labor com a venda nesta devida feira. Os mais pobres não tinham condições financeiras e carregavam na cabeça os seus produtos manufaturados, os mais bem aquinhoados utilizavam seu transporte utilitário que eram as carroças de tração animal, o que vinha ser mais atenuantes na sua tarefa, e os menos possuidores de recursos teriam de concordar com as sujeições dos fiscais da prefeituras.

Nessa época, quase não havia carro, já que as duas principais cidades do cariri eram incipientes no movimento progressista e não podiam movimentar, de maneira alguma, os seus serviços com mais eficiência em busca da civilização mais bem acentuada, além disso, arcavam com poucos recursos financeiros e ainda não possuíam métodos educativos evoluídos. Esses movimentos eram suavizados e controlados pelos poderosos coronéis do sertão. Por isso, os técnicos da produção agrícola traziam pouco poder aquisitivo ao sertanejo que era completamente rudimentar, pois eram dominados por uma classe ruborizada e grosseira de pseudo-protencionistas.

Nesse período, ou sejam entre as décadas de 40 e 50, observava-se um comportamento ruidoso, deixando todo o pessoal submisso, sem procurar meios favoráveis para melhorar sua vida económica. Esses movimentos eram controlados pelos poderosos coronéis, a fim de se locupletarem com as benesses dos trabalhos agrícolas e procuravam controlar a submissão que, há tanto, dilacerava os pobres, deixando-os conviver em absoluta pobreza.

Por sua vez, causava admiração em observar a coragem desse povo humilde conduzir as suas quinquilharias para movimentar a feira do Crato.

Convém notar que essa classe pobre durante dias e noites, tinha que se desloca das suas atividades agrícolas para administrar em casa a sua tarefa artesanal, fabricando rudimentarmente os seus utensílios para, juntamente com a mulher e filhos, complementar com produto agrícola a sua economia. Fabricava de tudo desde vassouras, bacias de flandres, foice, espingardas, garruchas etc.

Hoje, devido a modernidade, não temos mais esse movimento febril, já que as coisas mudaram tudo para melhor, pois vemos um trabalho mais sofisticado e com melhoria de produtividade e adequando ao tempo moderno. Esse tempo de miséria já passou. Graças a Deus.

Crato-CE, 29 de Julho de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A COMÉDIA DA MALDIÇÃO NA PRAÇA DA SÉ - CRATO-CE - SÁBADO - 20 HORAS


A Cia. Cearense de Teatro Brincante - Ponto de Cultura do Brasil - apresenta: A Comédia da Maldição! Um dos mais aplaudidos espetáculos dos últimos tempos... Na Praça da Sé, em Crato-CE, neste sábado, 31 de julho, às 20 horas, na programação do I Festival do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado do Ceará.

Elenco: Cacá Araújo (Tandô); Carla Hemanuela (Mãe Luzia); Charline Moura (Irmã Francilina); Jardas Araújo (Cantador); Edival Dias (Padre Sebastião); Joênio Alves (Dono da Bodega); Jonyzia Fernandes (Ana Expedita); Joseany Oliveira (Leide Zefa); Josernany Oliveira (Brincante da Mula); Lílian Carvalho (Beata Carmélia); Lorenna Gonçalves (Cibita); Márcio Silvestre (Vigário Felizberto); Orleyna Moura (Viúva Fantina); Paula Amorim (Ladra); Paulo Henrique Macêdo (Fotógrafo Jorjão); Samara Neres (Zulmira); Músicos: Lifanco (viola) e elenco (percussão).

Técnica: Texto e Direção Geral - Cacá Araújo; Assistência de Direção - Orleyna Moura; Cenografia - França Soares; Sonoplastia - Cacá Araújo; Iluminação - Danilo Brito; Maquiagem - Carla Hemanuela e Joênio Alves; Figurino - Orleyna Moura e Carla Hemanuela; Guarda-Roupa - Luciana Ferreira; Operação de Som - Gabriela Melo; Operação de Luz - Danilo Brito; Música - Lifanco e Cacá Araújo; Fotografia - Gessy Maia; Cinegrafia – Toyota; Produção Executiva - Mônica Batista; Produção Geral - Sociedade Cariri das Artes.

Promoção: SATED/CE
Apoio: Prefeitura Municipal do Crato / Sociedade de Cultura Artística do Crato / Sandálias Brisa / Coletivo Camaradas





“É dito que ‘o sucesso traz sucesso’. Mas como o sucesso deve ser alcançado e qual sucesso você deve almejar? A Bhagavad Ghita declara: ‘Shraddhavan Labhathe Jnanam’ (‘O perseverante buscador assegura sabedoria’). Isso significa que, sem perseverança e seriedade, nenhum sucesso pode ser alcançado. O homem não é capaz de fazer progressos significativos em direção ao Divino devido à ausência de esforço árduo na esfera espiritual. Sem a prática espiritual, a leitura de livros religiosos e ouvir discursos espirituais não têm valor. Estudar as Escrituras e recitar os nomes de Deus podem ser bons atos por si próprios. Mas se não houver amor, que é a base de toda disciplina espiritual (Sadhana), eles não têm utilidade.”
Sathya Sai Baba

Entrepontos encerra seu primeiro ciclo de encontros no Crato (CE)


O programa Entrepontos chega à quarta cidade do interior cearense na próxima terça, 3 de Agosto. O projeto é uma ação prévia da IX Feira da Música de Fortaleza. O fim do primeiro ciclo do Entrepontos marca a véspera da Feira, que acontecerá no período de 18 a 21 de agosto no Centro Dragão do Mar

O Crato (CE) é a última cidade do primeiro ciclo do programa Entrepontos. A série de encontros no interior cearense passou por Guaramiranga, Itapipoca e Quixadá antes de chegar ao município da região do Cariri. De 3 a 6 de agosto, o Crato recebe o encontro que envolverá músicos, técnicos, produtores e demais agentes do universo musical. Este público terá a oportunidade gratuita de interagir com convidados do Ceará e de outros estados do Brasil, assistir palestras e participar de grupos de trabalho (GTs) divididos em três áreas de capacitação da música – Comunicação; Gestão de Carreira e Produção; e Direção e Técnicas de Palco.

O Entrepontos já reúne resultados da experiência de realização do encontro nas três primeiras cidades deste ciclo. Em Guaramiranga, cerca de 40 pessoas participaram dos GTs e diagnosticaram, junto aos facilitadores, a necessidade de se organizar um núcleo produtivo para dar conta da boa movimentação do calendário cultural da cidade. A leitura parte da sugestão de que o expediente de projetos culturais realizados no município, como o Festival de Jazz & Blues e o Festival Nordestino de Teatro, pode reunir uma presença mais significativa de mão-de-obra local.

Em Itapipoca, o grupo que reuniu em torno de 70 pessoas traçou um planejamento de ações para a cena musical do município. Mobilizar uma atividade envolvendo a música de Itapipoca na Feira da Música de Fortaleza; programar uma mostra de músicos locais na capital cearense; organizar uma mostra de música na própria região; e realizar ensaios abertos da orquestra da cidade foram algumas dessas ações.

A cidade de Quixadá reuniu aproximadamente 40 pessoas, a exemplo de Guaramiranga, distribuídas entre os GTs. Na agenda quixadaense, os participantes planejaram organizar uma grande caravana para a Feira da Música; mobilizar uma atividade envolvendo a música de Quixadá também na Feira; estimular o intercâmbio Fortaleza – Quixadá entre os artistas locais; levar a tecnologia de transmissão de shows ao vivo pela Internet para outros eventos da cidade.

Em comum, os GTs de comunicação das três cidades criaram uma lista de discussão online e um blog a fim de reforçar – respectivamente - a comunicação entre os agentes do município e de conectar a produção local com o resto do mundo. O Entrepontos finaliza os encontros desta série traçando um mapeamento da cadeia produtiva da música em cada cidade, de acordo com a participação nos GTs. A atividade sugere um posicionamento para que cada participante entenda a sua responsabilidade com a cena musical local. Até então, em torno de 150 pessoas já receberam o certificado de participação no Entrepontos.

A realização do EntrePontos é da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (ProDisc), com a parceria do Sebrae (CE) e incentivo do Sistema Estadual da Cultura (SIEC). No Crato, o programa conta com apoio da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do município e do Sebrae local.

O Encontro – O Entrepontos abre a sua programação para empreendedores, gestores culturais e de entretenimento, estudantes e profissionais vinculados às linguagens artísticas e áreas afins, como Design, Moda, Comunicação Social e Turismo. O acesso é gratuito e as inscrições prévias estão abertas na sede do Sebrae do Crato (Rua Senador Pompeu, 341, Centro).

A dinâmica de cada encontro segue o esquema abaixo:

- Encontro Geral, com abertura do evento e reconhecimento dos participantes de cada município;

- Palestras temáticas, com a realização dos painéis de troca de experiências com convidados do Ceará e de fora do Estado;

- Grupos de Trabalho (GT), facilitados por agentes de reconhecido saber e experiência nas áreas de Comunicação; Gestão de Carreira e Produção; Direção e Técnicas de Palco;

- Laboratório Musical. É a atividade final do encontro, momento em que os participantes acompanharão a realização de um evento musical – com apresentação de três atrações. O laboratório será o espaço para a aplicação de conhecimentos adquiridos nos GTs, à medida do potencial e aprendizado de cada participante e de seu respectivo entendimento sobre o evento.

Programação

* Crato

Locais: Palestras e GTs na sede local do Sebrae (Rua Senador Pompeu, 341, Centro) e shows no Centro Cultural do Araripe (Largo da RFFSA – antiga estação ferroviária)
Acesso: Gratuito

- 3/8:

14 às 19h30 – Encontro geral (com intervalo)

- 4/8:

14 às 17h – Grupos de Trabalho

17h30 às 19h30 – Painel com Benjamin Taubkin (pianista do selo Núcleo Contemporâneo e membro da ABMI – Associação Brasileira de Música Independente/SP) e Amaudson Ximenes (Associação Cultural Cearense do Rock – ACR/CE)

- 5/8:

14 às 17h – Grupos de Trabalho

17h30 – Preparação para o laboratório musical

- 6/8:

9 às 16h – Laboratório musical

17h – Sorteio de brindes e finalização dos GTs

20 às 22h – Shows com Felipe Cazaux (CE) e bandas locais

Serviço – EntrePontos – série de encontros, realizada no interior do Ceará, com foco na capacitação em negócios da música. Dias 30 de junho a 3 de julho em Guaramiranga (CE), 14 a 17 de julho em Itapipoca (CE), 21 a 24 de julho em Quixadá (CE) e 3 a 6 de agosto no Crato (CE). Acesso: Gratuito. Informações gerais: (85) 3262.5011 – entrepontosce@gmail.com

Mais informações para a Imprensa: (85) 8690.2466 – fgurgel@gmail.com (Felipe Gurgel) e (85) 8846.6092 – debmedeiros@gmail.com (Débora Medeiros)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL

É dura, é triste, é cruel
A dor de uma saudade
Quando se teve nas mãos a felicidade...
(Um juramento falso)

PEDRO CAETANO

Por Zé Nilton

Cem anos de Pedro Caetano celebrará sua família ao lado de amigos e fãs no dia 01 de fevereiro de 2011.

Nesta sexta-feira, dia 29, às 20,30 ,iniciando as comemorações do centenário desse compositor de destaque na época de ouro da Música Popular Brasileira, será realizado um grande show no Clube do Choro de Santos-SP, com a presença de sua filha Cristina Caetano.

Informa ainda Cristina Caetano que dentro das comemorações serão realizados trabalhos de restauração de acervo, montagem de um site, edição de livros, songbook e CD. Enfim, a memória do inesquecível e primoroso compositor será preservada.

Pedro Caetano é de Bananal , São Paulo, mas cresceu, viveu, amou e tornou-se um expressivo compositor no Rio de Janeiro. Estáentre os bambas da época, como Ataulfo Alves, Cartola, Ismael Silva, Nássara, Wilson Martins, Ary Barroso. Dividiu a autoria de suas músicas com nada menos de que Pixinguinha, Noel Rosa e Valfrido Silva.

Dono de uma inspiração melódica de grande valor e de uma poética de profunda singeleza, Pedro Caetano deixou sua marca no panteão da História da Música Popular Brasileira, e sua música será eterna como as coisas que tocam a alma. Atentemos para essa poesia adornada por uma melodia que nos enche de raro prazer:

Nova Ilusão(Pedro Caetano)

É dos teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo
O amor e o desejo
Do meu coração...
És um poema na terra
Uma estrela no céu
Um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade
Eu consigo exaltar...
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguice
Que teus lábios tem
Jamais roçaria, as asas brejeiras
Por entre roseiras
Que são de ninguém...
Óh, dona do sonho,
Ilusão concebida
Surpresa que a vida,
Me fez das mulheres,
Há no meu coração
Uma flor em botão
Que abrirás se quiseres.

Outra vez estaremos prestando a homenagem a Pedro Caetano através do programa Compositores do Brasil. Associamo-nos às alegrias dessa festa que sua filha Cristina Caetano está coordenando, e que gentilmente nos procurou, através do Blog Caririag, em contato com o prof. Carlos Rafael, para agradecer pelo programa que realizamos em fevereiro último.

Compositores do Brasil, um pouco da história e das músicas de Pedro Caetano.
Na sequencia:

SETE E MEIA DA MANHÃ, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, com Dircinha Batista
UM JURAMENTO FALSO, de Pedro Caetano com Orlando Silva
É COM ESSE QUE EU VOU, de Pedro Caetano com Elis Regina
FLOR DE LARANJEIRA, de Pedro Caetano Carlos Galhardo
SANDÁLIA DE PRATA, de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho com Francisco Alves-Sandalia de Prata
O QUE SE LEVA DESSA VIDA, de Pedro Caetano com Ciro Monteiro
ONDE ESTÃO OS TAMBORINS, de Pedro Caetano com Quatro Ases e um Coringa
CAPRICHOS DO DESTINO, de Pedro Caetano com Orlando Silva
LEVEI UM BOLO, de Pedro Caetano, com Almirante
DISSE ME DISSE, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, com Aracy de Almeida
EU BRINCO, de Pedro Caetano com Carlos Galhardo brinco
FOI UMA PEDRA QUE ROLOU, de Pedro Caeteno com Vassourinha
O SAMBA AGORA VAI, de Pedro Caetano com Quatro Ases e um Coringa
DUAS VIDAS, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz com Orlando Silva
SALVE O AMÉRICO, de Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho com Cristina Buarque e a Banda Glóri

Quem ouvir verá!

Programa COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri
Todas as quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com










Cariricaturas
Do blog para o papel

Recebi do meu amigo Wilton Dedê, um incansável residente da cultura caririense, um exemplar devidamente autografado do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa”, edição que registra o fazer literário de um grupo de escritores que postam suas criações no blog www.caricaturas.blogspot. Com. Ao ler o livro percebi que nem tudo que está ali é diletantismo e que nem tudo está preso a um passado imóvel, feito naftalinas mofadas.

Não vou entrar no mérito literário, uma vez entendido que a essência desse feito seja exatamente o ato sacramental e fundador de ações coletivas que encenam suas vivências em um espaço virtual. A partir dessa decupação, dois aspectos me chamaram a atenção nessa obra. Creio que esses aspectos possam traduzir, em parte, aquilo que se pretende em uma criação dessa espécie, bem como aquilo que não se espera em forma de repercussão interventiva.

O primeiro aspecto é o diálogo imaterial e material entre as mídias, a escrituração que sai do campo virtual da rede mundial de computadores, carregando todas as transversais que isso representa, para cair no universo imemorial da imprensa, conservando e prolongando o poder da escrita no papel, e tudo que essa escrita representa dentro da história da humanidade. O outro aspecto é o dialogismo entre o universal e o provinciano, em seu eterno jogo de junção e disjunção na construção do cotidiano das pequenas narrativas individuais.

Dentro da leitura que faço dessa obra que intervém diretamente em nosso universo imaginário como um eterno retorno, os aspectos que me chamaram a atenção revelam o tanto que este livro está inserido em nossa realidade, em nossa contemporaneidade, exatamente pelo que ele tem da fragmentação e da descontinuidade. Se por um lado o “Cariricaturas em Prosa e Verso” busca visibilidade através de um marco, de um registro mais palpável, de um ancoradouro de idéias, de uma amostragem da nossa cultura, por outro lado ele indicia categoricamente também o que é propriedade criativa daquele que navega anonimamente na rede, que está oculto, mas que também é parte dessa bricolagem. Eis o intrigante flâneur da nossa era.

Longe de querer ser uma síntese do que se produz artisticamente aqui no Cariri, o “Cariricaturas em Prosa e Verso” se projeta como uma janela de um apartamento do infinito edifício das manifestações culturais. Olhando através dela é possível ter uma visão tremeluzente e impressionada do que aqui se faz e do que aqui se paga. Ao mesmo tempo em que você encontrará o cangaceiro de Wilton Dedê sentado em sua montaria, correndo bribocas secas, tendo lobisomens e volantes em seu encalço, você também encontrará a viva, a mais que presente opacidade das gravuras de Bruno Pedrosa, que oferecem a você apenas o espaço e nenhum chão.

O grande barato desse livro é que ele proclama, de forma belamente irônica, a perversão total dos comentários anônimos, a forma anarquista mais temida por aqueles que se relacionam coletivamente na rede mundial de computadores. Agora você pode pegar o livro e fazer o comentário que você quiser. Sem que ninguém saiba quem você é. E mais ainda, sem que os autores nem saibam o que você está comentando e nem para quem você está comentando.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Inscrições Abertas para Cariri Cangaço 2010


As Inscrições para o Cariri Cangaço 2010 estão abertas, e este ano será muito mais fácil participar, não precisa preencher Ficha, basta nos enviar um email para o endereço fichacariricang@hotmail.com, Com os dados abaixo:

NOME
TELEFONE
ENDEREÇO EMAIL
ATIVIDADE PROFISIONAL

Pronto! Já está inscrito para um dos maiores eventos do Cangaço no Brasil!

Seja bem vindo, faça já a sua Inscrição.

Produção Cariri Cangaço

domingo, 25 de julho de 2010

Ingazeiras aos olhos do mundo

Luiz Domingos de Luna*
Nos umbrais do espaço tempo, já conhecida no oco do mundo, ao bloco congelado de uma história esquecida. Celeiro do cinzel, pincel do menestrel das artes plásticas, do fluxo do cotidiano ao estilo abstrato, na poeira do esquecimento de outrora, a lâmpada do gênio, duas vidas que na vírgula do tempo, o mistério dos remansos gira nos acordes da cítara no baile existencial – Aldemir Martins.
Da viola, pandeiro e violão, música brega, sertaneja, do xaxado ao samba canção ao gosto do ritmo, misturas em audição, na grandeza de um menino, ganha o forró nordestino uma nova versão – Alcimar Monteiro é também filho do nordeste, de ingazeiras, que também, é palco luz da criação.
Quando a caatinga foi devorada ao som do apito do trem, no dia 08 de dezembro 1923, sob o manto da mãe protetora – A Padroeira N.SRA Conceição- recebe pela primeira vez a máquina do progresso e do desenvolvimento – O trem.
Enquanto a fumaça da locomotiva teimava em voltar para a capital alencarina, gritava com os braços abertos as margens do salgado, ainda na bruma fresca, do cheiro potável da água salgadina, em fluidez, o grito de apelo, aos inúmeros artesãos, pintores e músicos, na seara da mistura entre o mundo material e espiritual, uma fonte jorradora ao cariri, ao sertão, ao Nordeste, sua linda aquarela, ao oco do mundo, materializar – Ingazeiras a musa de sempre no sul do Ceará, na curva do tempo, a qualquer momento, na constelação do cariri um estrala à brilhar.
(*) Professor- Aurora - Ceará
(*) Colaborador do blog Cariri Agora

Que festa de arromba! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Certa vez eu escrevi que, sempre que voltava ao Crato, procurava por aquela cidade da minha infância e adolescência e não mais a encontrava. Aquele Crato somente existia dentro de mim e não mais em outro qualquer lugar. Mas nestes três últimos dias, como que por encanto ou tocado por alguma varinha mágica, aquele Crato ressurgiu esplendoroso em pleno Crato Tênis Clube, o único sexagenário entre todos os presentes. De repente regredimos há mais de quarenta anos. Todos nós ali voltamos à adolescência. Eu dançava com a garota dos meus sonhos, jurando que após concluir meus estudos voltaria ao Crato para casar com ela. O velho “Conjunto Ases do Ritmo” tocava como antes. Cheguei até a vislumbrar a imagem de seu Irineu por trás do acordeão de Hugo Linard. Tudo era encantamento na festa da primeira velinha do Cariricaturas.

Fadas existem! Elas foram as responsáveis por momentos tão sublimes, que reforçaram a vocação do Crato como centro irradiador da cultura. Milagres também existem! Acreditem.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

UMBIGADA - Geraldo Junior e Banda e OS CABRAS na pressão + PART. DE DUANI

Numa lua quase cheia de julho - Emerson Monteiro

Sob os efeitos recentes da tempestade de emoções vividas por ocasião do lançamento do livro Cariricaturas em verso e prosa, acontecido na noite de 24 de julho de 2010, nas dependências do Crato Tênis Clube, resolvo escrever algumas palavras neste assunto.
Junto dessa vontade, me veio ao pensamento uma polêmica verificada no auge do jornal O Pasquim, arauto brasileiro da contracultura na década de 60, quando o escritor Luiz Carlos Maciel escrevia artigos analisando o conteúdo existencial das letras de Noel Rosa e, sem intenção deliberada, feriu o espírito realista do célebre Millôr Fernandes. Assim, sem querer, provocou cisão irreparável no grupo de artistas e intelectuais do semanário, abrindo brecha intransponível para a sua continuidade. Tudo por conta do modo romântico de olhar a vida sem meias tintas, com fartura de emoções, aos moldes da avaliação literária.
Na tempestade que invadiu o espaço do tradicional recanto da sociedade cratense, nessa noite de autógrafos repleta de escritores, convidados, falas e música, causou espécie a farta emocionalidade do instante. Cercado de amigos que se reencontravam, vindos alguns de lugares distantes, público feliz desfrutou ocasião pródiga e espontânea. Viu-se de perto o Crato criativo, resistente e culto redimido em ocasião típica dos seus melhores dias de antes experimentados.
A festa produzida por Socorro Moreira, Claude Bloc e Edilma Rocha, animada por Hugo Linard e banda, reavivou bons sentimentos do auge de épocas bem especiais guardadas na memória. O mistério dessa intensidade, desse fulgor, lembra a frase de Saint Exupéry que diz: Quando o mistério é muito impressionante não cabe desobedecer.
Em meio ao sucesso das atividades em movimento, busquei agir como quem anda nos corredores internos de uma loja de porcelanas e vidros finos. Tantas valiosas personalidades vistas de perto, ao gosto por literatura, cultura, arte; figuras marcantes todo tempo, nos vários estágios dos caminhos desse rincão forte do Cariri, formaram painel verdadeiro de histórias e ocasiões, no encontro ao natural. Uma grande nave de cumplicidades circunscreveu sonhos pelo ar, feito o clima imponderável dos filmes geniais de Federico Fellini, decerto.
Daí soube as razões internas da vez em que Luiz Carlos Maciel analisou as letras dos sambas de Noel Rosa com a lente dos sentimentos. Porquanto há dimensões que apenas pelo lado de dentro se pode tocar, independentes dos caprichos horizontais da razão fria, das matemáticas.
Nesse aspecto, foi o professor José Newton Alves de Sousa quem, ao agradecer as homenagens recebidas, melhor definiu a voltagem da festa.
Fez menção a outro discurso e consignou mudança radical que, então, vivenciara na fisiologia de seu corpo, pois diante daquilo todo ele se transformava apenas em um coração.

sábado, 24 de julho de 2010

EMANCIPAÇÃO, NÃO !


Por Zé Nilton

Outro dia lendo a programação das festividades pelos 246 anos do Crato, além de pífia presença do poder público no tocante a benfeitorias no município, ainda tinha um erro histórico, ao informar de que se tratava dos 246 anos nossa de emancipação política. Aí eu pergunto: emancipação política de quem? Na verdade o Crato foi criado como Vila Real do Estado Português. Por que?

1.Porque o iluminista Marquês de pombal, lendo Rousseau, Diderot, Montesquieu, Maquiavel e demais (lembra dos déspotas esclarecidos?), e crente na ascensão da razão instrumental resolveu otimizar administrativamente o império português, desde os confins da África, Ásia, América até a Vila de índios perdida no Nordeste do Brasil. Falo da quase semi abandonada terras dos Cariris Novos, outrora núcleo missionário de uma das diversas ordens religiosas que, financiadas pelo império português, aldeavam e catequizavam índios nos rincões do Brasil.

2.Porque, segundo a determinação da política do império português, acolhida pelas próprias missões, era preciso expandir territórios, incluir o maior número de súditos, que por sua vez gerariam mais recursos para a manutenção da política expansionista portuguesa vis-à-vis as pretensões do império espanhol e outros.

3.Porque, segundo Pombal, esse negócio de financiar catequese e conversão de povos sem nenhuma civilidade, seria perda de tempo face a urgência da solidificação do império lusitano no mundo à beira da modernidade.

Diferentemente de como querem alguns, o que hoje é Crato, em 1764, já possuía uma população considerável de pessoas chegadas e estabelecidas tanto em função da Missão do Miranda, fixação de índios depauperados e expropriados de suas terras, arregimentados desde o centro-sul cearense, a partir de 1738, pelo relegado Frei Carlos Maria de Ferrara, (quem descobriu isto foi Pe. Gomes), como em função de movimentos bélicos entre potentados familiares (Montes x Feitosa) e empreitadas mal sucedidas da empresa portuguesa em busca de ouro. Além, é claro, da ocupação desenfreada de colonos empreendedores.

Em 1764, no quadrilátero onde hoje é a Praça da Sé e adjacências, mais de 50 casas (fogos) abrigavam famílias indígenas, caboclas e os corpos militares do estado lusitano. Segundo documento de criação da Vila Real de Crato, perdido, com parte recuperada pelo eminente Carlos Feitosa, que colheu de Theberge, que colheu de Antonio Bezerra, e que não é citado em nenhum momento pelo Pe. Gomes, cerca de 243 pessoas estavam presentes no dia da criação da Vila Real de Crato. O documento mostra como foi esquadrinhado o núcleo urbano originário de nossa urbe. Claro que obedecia a determinação do pacote de criação de todas as vilas em terras portuguesas.

Então, a criação da Vila Real de Crato não se deve a nenhuma outra determinação que não seja àquela ditada pelo estado português. Desde muitos antes, a política colonizadora editava leis neste sentido, que nunca eram efetivadas, pela frouxidão da presença legal do estado, pela inércia e interesses dos mandatários capitães-mores e quejandos para a urbanização das comunidades indígenas nos sertões do Brasil. Só para se ter uma idéia, a Vila de Crato foi erigida dois anos após sua criação de fato. E essa rapidez se deve ao momento da mais intransigente presença de Sebastião José de Carvalho e Melo. Naquele ano tinha porque tinha que serem criadas vilas reais com evocação de urbes portuguesas. A Vila de Crato assim o foi porque havia condições materiais. Já a de Baturité, não. O Monte-Mor o Novo d'América só depois tornou-se vila.

Bom, agora vai aqui uma provocação. Se querem teimar pela emancipado do município de Crato, em 1764, eu digo, legal! Muito Bem! Então, admita-se forçosamente uma emancipação por expropriação das terras pertencentes aos índios Cariús, doadas por escritura passada em cartório, em Recife, em 1743. Bonito! Então, fica assim: o dia 21 de junho comemora-se a emancipação política do Aldeamento do Brejo da Missão de Nossa Senhora da Penha de França, como era chamada a Missão do Miranda.

Aliás, esse episódio – só no Crato – é bastante digno de nota: uma reforma agrária ao contrário. Explico. Quando da elevação da vila, por força da lei portuguesa, a bem da verdade, as terras que eram dos índios terminaram por serem destinadas aos entes da organização social de então, Igreja, Poder Público (Senado da Câmara), funcionários do corpo administrativo da Metrópole e demais.

Você já pensou se se leva avante a idéia do resgate das identidades indígenas com os direitos que lhe foram usurpados?

Silêncio. Muito silêncio...

Bem, mas eu só quis falar do que mesmo? Ah, não é de bom alvitre dizer que o Crato foi emancipado. Não houve nenhum movimento neste sentido nos anos de 1764.

Há sim, um movimento legítimo de Ponta da Serra e outras localidades por separação territorial.

Quanto à Ponta da Serra eu vou votar SIM. Eu adoro os Valdevinos, os Leite, Toín historiador, Pe. Bosco. Acho que eles têm o direito de ter uma cidade.
Quem sabe lá as coisas não se realizam...