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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


WALDIR AZEVEDO

Por Zé Nilton

Quem de nossa geração não foi tomado de rara emoção ao ouvir os choros e as músicas de e com Waldir Azevedo? O músico e compositor da mais alta estirpe no manejo (solo) do cavaquinho não só está inserido no contexto do que há de melhor no estilo, como fez história nessa arte, porquanto deixou uma plêiade de seguidores Brasil afora.

Gosto de imaginar haver uma certa dedilhagem do cavaquinho de Waldir talvez nascida da introjeção da clássica “Apanhei-te, cavaquinho”, de Ernesto Nazaré. Se assim for, mérito para os dois. O saltitado de alguns choros informa uma música desvirtuada do sentido do choro. Eis aí a grande surpresa do choro: apesar de dolente, de triste, é alegre, também, porque saltitante; leva a gente pra fora do que poderia fazer lágrimas lá dentro.

E foi de lágrimas algumas de suas composições, como a música “Minhas mãos, meu cavaquinho”, composta como um hino revigorante logo após o acidente doméstico ter-lhe decepado parte do dedo anular da mão esquerda. Logo na mão esquerda.

Permita-me, caro leitor, falar do consagrado compositor aliando a algo pessoal.

A música de Waldir Azevedo me faz lembrar um tempo maravilhoso, aquele vivido quando a Rua Bambina, no Rio de Janeiro, era a jóia de Botafogo. Rua calma em oposição ao ruído constante das vias de rolagem da Praia de Botafogo, sua paralela.

Francisco Sávio Couto Pinheiro, Savito – o gênio do vestibular, nos anos setenta, ao lado de José Flávio Vieira - meu colega de apartamento. Mais ainda, escolheu-me para ser seu camarada. Dividíamos um dos quartos do pequeno apartamento. Fui pra lá por seu intermédio. Ele queria aprender violão e eu alargar o meu francês. Ele saiu-se melhor, não por culpa dele.

Toda a noite ao apagar a luz ligava sua pequena vitrola. Um único disco rodava. Carlos Poyares nos embalava tocando entre outros o grande Waldir Azevedo. Pela madrugada raspava a agulha a última volta do acetato, rompendo o silêncio...A música marca o tempo. Hoje, avulta-se à memória aquele quarto tal qual a imagem do poeta Manuel Bandeira no “Poema do Beco”, toda vez que ouço a introdução de “Carinhoso”, de Pixinguinha, faixa primeira do disco de Poyares.

Nesta quinta-feira é a vez de falarmos e ouvirmos o talentoso Waldir Azevedo no programa radiofônico da Rádio Educadora do Cariri, COMPOSITORES DO BRASIL.

Na sequencia:

Brasileirinho
Vê se gostas
Pedacinho do Céu
Contrates
Delicado
Minhas Mãos, Meu Cavaquinho
Chiquita
Camundongo
Flor do Cerrado

Quem ouvir verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Acesse. www. blogdocrato.com
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas

Espetáculo de Dança do Cariri será apresentado na Europa



A pré-estréia do espetáculo Arte e Cultura em Transe acontece nesta sexta-feira, no Teatro Salviano Arraes, no Crato. O espetáculo é resultado de pesquisa em torno da formação do povo brasileiro.

A diversidade e a junção dos elementos que compõe a dança brasileira a partir das influências indígenas, africana e européia estão presentes no espetáculo “Arte e Cultura em transe”. O espetáculo busca explorar predominante as raízes afro-brasileiras tão presentes na mistura do caldeirão cultural do nosso povo.

Arte e Cultura em transe será apresentado na Alemanha já agora no dia 14 de setembro e terá agenda preenchida até o dia 06 de outubro. O espetáculo é dirigido pela coreografa Edilânia Rodrigues e Elisangela Nepomuceno que fazem parte da Companhia de Dança Vid´Art do Projeto Nova Vida.

Para esse primeiro momento participarão cinco dançarinos, além da coreografa Edilânia Rodrigues e do músico Ronaldo da Silva.

A ida da companhia para Alemanha se deu pela parceria desenvolvida pelo Projeto Nova Vida e a entidade alemã Aktionskreis Pater Beda. O Nova Vida é uma ONG que foi criada em 1992, cujas ações têm como foco uma educação voltada para a cidadania através do acompanhamento educacional, cultural e formação profissional de crianças, adolescentes e suas respectivas famílias. A entidade funciona na Comunidade do Gesso no Crato, antiga zona de prostituição que por muitos anos sofreu com a inexistência de políticas públicas.

Além da Alemanha a Companhia participa em agosto do próximo ano da Jornada Mundial da Juventude que será realizada na Espanha. Para esse evento deverão participar um numero maior de integrantes.

Para a coreografa, Edilânia Rodrigues existe uma grande expectativa em torno da ida para Europa. Ela destaca que a intenção é aproveitar a oportunidade para fazer intercâmbio e compartilhar experiências tanto artísticas, como culturais. A coreografa enfatiza que o espetáculo foi montado a partir dos elementos da brasilidade, além de abordar outras questões como meio ambiente, seca e religiosidade de matriz africana.

O espetáculo poderá ser visto nesta sexta-feira, a partir das 19 horas, no Teatro Salviano Arraes, no Crato.Entrada franca. A pré-estréia no Cariri visa aglutinar e perceber os olhares dos dançarinos, coreógrafos, diretores teatrais, músicos e atores em torno do espetáculo.

Serviço:

Projeto Nova Vida

www.novavida.apoio.de

(88) 33523/4036/35234166

Coordenador do Projeto Hermano José de Sousa (88)88063056

Email: hermanojosedesousa@yahoo.com.br

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Coletivo Camaradas aciona OAB e Justiça Eleitoral contra poluição visual


Justiça Eleitoral e OAB já estão com fotos da poluição visual gerada pelos candidatos nas praças da cidade Crato.


Na manhã desta ultima segunda, dia 30, o Coletivo Camaradas encaminhou ao juiz da 27ª Zonal Eleitoral, Antonio Wandeberg Francelino Freitas e ao presidente da subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Crato, Fabrício Siebra Felício Calou documento que alerta sobre a poluição visual provocada pelos candidatos dos diversos partidos políticos e coligações nas praças da cidade do Crato, através da colocação de cavaletes com imagens eleitorais.

O fato vem gerando insatisfação na população. Algumas placas impedem a livre circulação dos transeuntes, já outras atrapalham a visibilidade dos motoristas. De acordo com o documento encaminhado a Justiça Eleitoral os “camaradas” afirmam “entendemos que a colocação indiscriminada destes cavaletes na cidade e em especial nas praças vem gerando insatisfação e prejudicando a livre circulação dos transeuntes, dificultando a visualidade dos motoristas e produzindo uma enxurrada poluitiva. Sem contar que, como o caso não é localizado, isso gera uma incalculável degradação ambiental, tendo em vista, a quantidade de madeiras e papeis gastos com essas ações na época eleitoral, em outras palavras, representa a derrubada da vegetação brasileira”

O grupo solicita que o documento encaminhado a Justiça seja enviado aos partidos e coligações com o intuito de tornar pública a insatisfação dos eleitores. O documento entregue na OAB sugere uma tomada de posição em relação à questão.

O documento foi encaminhado a Justiça Eleitoral e a OAB, após o Coletivo teve realizado a intervenção urbana denominada “Ação Poluição” que consistiu na colocação temporária de cavaletes com a inscrição “Ação Poluição” ao lado das imagens do candidatos e registro fotográfico, o qual foi disponibilizado virtualmente. Nos documentos entregues pelo Coletivo Camaradas foi anexado o registro da fotográfico da ação que consta de mais de 200 fotos em praças da cidade do Crato.

O ser e o tempo são só um - Emerson Monteiro

O homem e a hora são um só
Quando Deus faz a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.


Fernando Pessoa.

Um, o seu outro lado; outro, o inverso de si mesmo. A integração absoluta do objeto no sujeito que perfaz do todo a face única, indivisível. O tudo e o nada numa unidade essencial e pura, uma unidade que mergulha o mistério do ser, reunindo a um só instante o tempo que resta e o bloco das consistências infinitas que um dia principiaram a ser, nas marcas de formas trabalhadas no confronto do dois em só uno e pronto, atritar persistente de esferas a rolar no abismo da eternidade, ao sabor do destino.
Predissessem limites e reflexos vazios contornariam a fronteira das marés, nos continentes dos mares, nos rios, linhas imaginárias de traços inevitáveis, porém vagos e inúteis, meras ficções de lábios rotos e gargantas secas entre terra e água. Pontos soltos a desenhar os céus com traços invisíveis, estridentes sonhos da inexistência, somas vultosas subtraídas e esquecidas em porões escuros de naus malassombradas, desaparecidas na bruma dos segredos.
Isso de perguntar da filosofia, nas questões reflexivas de alta profundidade, quer-se crer adiamento dos encontros definitivos com a sorte das estradas desertas, nas cinzentas, frias e ausentes madrugadas de prenhes de respostas contundentes, pois estas foram ali postas, dadas em graves acentos de bocas escancaradas e momentos de furor.
Ninguém alegue, pois, desconhecimento da lei depois das pistas avermelhadas de fogo e sangue prescritas nas alvoradas, tramas do reluzir das pedras. À ponta da língua do pensamento vêm e vão golfadas de sinais da solução do enigma, nas perguntas da vida. Desconfiados de que sabem a derradeira expressão da história futura, bichos arrastam os ossos ressequidos em caudas poeirentas pelo do deserto da existência, reluzentes lagartos de vaidade agressivas preocupações, quais teimosos animais de carga feridos nas vistas diante das claridades da luz.
Alimárias encandeadas, percorrem as trilhas toscas, aprofundadas no pisar das gerações, e andam aos tombos, formigas cambaleantes soltas no vento feitas folhas de árvores fantasmagóricas, sacrossantas miragens da adoração das tribos impacientes de antigamente. Pavios acesos e olhos apagados, o tropel das massas invade o território santo em blocos repetitivos, ao som dos trovões monumentais que quase ecoam sem final, às paredes metálicas de cordilheiras de fumaça.
Nas tripas enoveladas das entranhas, assim, dos tenebrosos monstros entontecidos ao zumbir do enxame feroz de insetos arcaicos atiçados de propósito pelas presas nas teias do pensamento, a dúvida de dentro seriam as dúvidas de fora, valor exclusivo das espécies individuais. Embaixo e no alto. Fora e dentro. Túnica sem costura. Essência de coisa em si e sujeito próprio de todos criador. Pomo particular e pronto.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Boa música no Salviano Arraes - Emerson Monteiro

Na noite deste domingo (29 de agosto), os cratenses foram brindados com a apresentação musical dos cantores e compositores cearenses Marcos Lessa e Aparecida Silvino, que moram em Fortaleza. No auditório Salviano Arraes, acompanhados por Ibertson Nobre, Lifanco, Francisco Silvino e Célio Lessa, em ocasião das mais inspiradas, os músicos ofereceram ao bom público que compareceu ao espetáculo um repertório primoroso, com a influência da melhor MPB.
Numa alternativa de qualidade pelo bom gosto da arte oferecida, momentos assim propiciam o encontro dos aficcionados por estilo musical refinado que, de certeza, tem admiradores em toda a Região.
A música oferecida pelos dois compositores e o modo informal com que se desenvolveu o show puseram em dia o bom gosto do Cariri, nesta fase da história artística brasileira que deixa um tanto a dever em relação aos tempos áureos de nossa música.
Os espectadores que se deslocaram ao Cine Teatro Moderno, cheios de satisfação, aplaudiram de pé o raro momento propiciado nessa noite de final de semana em Crato, numa produção que teve o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura.

sábado, 28 de agosto de 2010

Novos artistas aderem ao Coletivo Camaradas

Ricardo Campos, Raul Lampião, MC Negro Wagner e Marlon Torres são os novos “Camaradas”.

Com um trabalho engajado o Coletivo Camaradas desenvolve ações que unem arte, estética, cultura, educação e política, o que vem despertando o interesse de artistas de diversas linguagens artísticas.



Recentemente aderiram ao grupo o comunicador e artista performático Raul Lampião que é conhecido pelo trabalho humorístico e de comprometimento social que realiza com o seu carinho de som volante nas ruas do Crato. O professor e grafiteiro Marlon Torres, um dos poucos artistas do spray na região do Cariri também aderiu ao grupo, além do MC Negro Wagner que desenvolverá um trabalho que reunirá a junção do rap e da batida dos tambores. O artista plástico, produtor cultural e estudante do curso de Artes Visuais da URCA, Ricardo Campos é o mais novo integrante do Coletivo.

O MC Negro Wagner enfatiza que o seu intuito no Coletivo é contribuir com a democratização da cultura hip-hop. Ele acredita também que a diversidade musical do povo brasileiro deve ser conhecida pelas camadas populares.

O grafiteiro Marlon acredita que o coletivo é uma forma de compartilhar experiências. Ele destaca que os “camaradas” são possibilitar conhecer novas vertentes artísticas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

TEATRO RACHEL DE QUEIROZ DIVULGA PROGRAMAÇÃO DE ESPETÁCULOS

SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES E SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA DO CRATO DINAMIZAM O TEATRO CARIRIENSE

Os Pontos de Cultura do Brasil SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES e SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA DO CRATO, com apoio da Prefeitura Municipal do Crato, desenvolvem amplo e intenso programa de valorização e difusão teatral envolvendo companhias de toda a região, no Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE.

Iniciado no último final de semana, quando esteve em cartaz a peça CONTOS DE BRUXAS, texto de Ronaldo Ciambrone, com a Cia. Teatral Arriégua (de Crato-CE), direção de Willyan Teles, o projeto prossegue com a apresentação dos espetáculos:

- A COMÉDIA DA MALDIÇÃO, texto de Cacá Araújo, com o Grupo de Teatro Curumins do Sertão (de Farias Brito-CE), direção de Maria Gonçalves, neste sábado, dia 28 de agosto, às 19:30 horas;
- HISTÓRIAS DO TEMPO DA MAMÃE, texto e direção de Maria Gonçalves, também com o Grupo de Teatro Curumins do Sertão (de Farias Brito-CE), direção de Maria Gonçalves, domingo, dia 29 de agosto, às 19:30 horas;
- AS IRMÃS CASTANHOLAS, texto e direção de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Artes (de Juazeiro do Norte-CE), dias 03, 04, 05, 10, 11 e 12 de setembro, às 20:00 horas.

O programa é coordenado pela Cia. Cearense de Teatro Brincante, dirigida pelo dramaturgo Cacá Araújo, e terá, ainda, a comédia Velório Show, com a Cia. dos Sem, em data a ser divulgada posteriormente.

Porém, o ponto mais audacioso da empreitada será a 2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE, a maior vitrine das artes cênicas do Cariri, com mais de 40 espetáculos, cuja programação se estenderá de 05 a 27 de novembro de 2010.




Vl SALÃO DE OUTUBRO DE 2010
RESGATANDO AS ARTES NO CARIRI


Numa iniciativa da artista plástica Edilma Rocha, tendo como principal proposta o incentivo e fomentação para as artes plásticas e visuais no Cariri, e para suprir a ausência dos salões de outubro em que o silêncio fechou durante um longo período as portas das oportunidades de revelações artísticas, reabre o SALÃO DE OUTUBRO.

O projeto é resgatado pela SOCIEDADE DOS AMIGOS DO MUSEU DO CRATO, através do seu presidente Dr. Ricardo Saraiva da Rocha em parceria com a Fundação J. de Figueiredo Filho, e o seu presidente Dr. George Macário de Brito, Fundação Cultural do Crato com a Secretária de Cultura, Daniele Esmeraldo e o Instituto Cultural do Cariri, e o seu presidente, Manoel Patrício de Aquino.

O salão será reaberto no pátio do Teatro Salviano Saraiva na cidade do Crato no dia 30 de outubro de 2010, às 20:00hs. Tem como meta acolher trabalhos representativos das artes plásticas e visuais com temáticas livres nas categorias de desenho, pintura, gravura e escultura.
Os artistas poderão participar com até dois trabalhos originais, assinados e produzidos a partir de 2009. Só poderão se inscrever em apenas uma categoria na amostra. Dentre os artistas serão escolhidos, o Primeiro, segundo e terceiro lugares pelas categorias por uma comissão Julgadora com premiações em medalhas e diplomas.

Os interessados podem fazer as suas inscrições a partir de um até 24 de setembro no Museu Histórico do Crato, à Rua Senador Pompeu, 502, no período da manhã de nove as 11 horas. A inscrição é gratuita. A entrega dos trabalhos será de 25 até 27 de outubro no mesmo local da inscrição com os responsáveis, Antunes ou Mana.

O período da amostra se estenderá nos dias, 1, 3, 4, 5 e 6 de novembro. A divulgação dos premiados será feita no dia da abertura.

SOCIEDADE DOS AMIGOS DO MUSEU DO CRATO

Contatos:

Museu: (88) 3523 5491
Edil ma – TIM: (85) 9688 6043

E-mail:
edilma_bibba@hotmail.com
ricardo_saraiva1@hotmail.com

Coletivo Camaradas faz ação contra poluição visual de candidatos












Candidatos disputam imagens nas praças do Crato e abusam da poluição visual.



O Crato é um dos exemplos de cidade poluída visualmente no período eleitoral. Diversos cavaletes são colocados todos os dias nas praças com imagens de candidatos dos diversos partidos políticos. O caso vem promovendo uma insatisfação na cidade. As imagens dos candidatos na maioria dos casos chegam a tomar a passagem dos transeuntes e prejudicar a visualidade dos motoristas.



A poluição visual gerada pelos candidatos motivou o Coletivo Camaradas a promover uma intervenção urbana denominada de “ação poluição” em conjunto com artistas de outros estados brasileiros durante o Encontro do Programa de Interferência Ambiental no Cariri. A intervenção consiste na colocação temporária de cavaletes em frente às propagandas eleitorais e registro fotográfico que será disponibilizado na rede mundial de computadores, através de sites de relacionamentos, blogs e emails. Os camaradas ao fazerem a ação usam uma mascara cirúrgica simbolizando uma proteção contra a poluição.



Para a integrante do Coletivo Camaradas e acadêmica de Geografia, Karyny Feitosa existe abuso do poder econômico e um desrespeito não só aos eleitores, mas o próprio meio ambiente.



Eliana Soares, integrante dos Camaradas destaca que é preciso fomentar a discussão sobre a questão ambiental e a poluição tanto sonora como visual no período eleitoral.



O registro fotográfico será encaminhado também a Justiça Eleitoral para ser avaliado e tomada as devidas providências.

INDEPENDÊNCIA OU ROCK NO PINK FLOYD BAR

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Qual a melhor riqueza? Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

No mundo de hoje, as pessoas se preocupam em acumular riquezas. Às vezes até exploram o ser humano contanto que obtenham lucro. O capitalismo é o responsável pela acumulação exagerada de bens que gera a pobreza e a exclusão social. São graves as conseqüências que a riqueza pode produzir. A fortuna de uns a custa da miséria da maioria, gera fome e violência, causando morte e até o caos social. A sociedade em que vivemos é, portanto uma sociedade individualista, onde o Ter, o Poder e o Prazer são idolatrados. Engana-se aquele que pensa que dinheiro em excesso traz felicidade. Observamos que pessoas muito ricas, às vezes não são felizes.

As palavras de Jesus proferidas há mais de dois mil anos, estão atualizadas ainda hoje: “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões assaltam e roubam. Ajuntem riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam. De fato, onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (Mt 6, 19-21). Já pensamos qual desses valores gostaríamos de seguir? O ser humano de modo consciente ou inconsciente tem na vida um valor fundamental, uma meta para orientar sua ação no mundo. O homem necessita ter fé, acreditar em Deus e, só vai se sentir bem buscando a proteção e a confiança Nele, para solucionar os seus problemas. O que é mais importante? Deus ou as riquezas? Deus é o tesouro que as pessoas buscam, a fim de se entregar completamente a Ele. É Deus que leva o homem à liberdade e à vida. Essa liberdade é conseqüência da justiça que gera a partilha e a fraternidade. Havendo justiça conseqüentemente teremos a paz. Se cada pessoa conhecesse a mensagem de Jesus e aplicasse na sua vida, o mundo poderia se transformar. Imaginem vivermos numa sociedade justa e fraterna, onde todos tivessem direitos iguais. Jesus com a sua mensagem veio implantar o Reino de Deus que é um reino de paz, justiça e amor.

Como podemos ajudar na construção de um mundo melhor? Fazendo a nossa pequena parte começando na nossa família, transmitindo aos nossos filhos os valores “que nem a traça nem a ferrugem corroem”. Essa é a melhor herança que os pais devem deixar para os filhos. E os filhos tomando posse desses bens, transformariam o mundo através do amor, implantando a justiça, a paz e a fraternidade e assim estariam colaborando com o projeto de Deus. Será utopia? Não, se cada pessoa no mundo tivesse oportunidade de conhecer a mensagem de Jesus Cristo que é transformadora. Mas teríamos que deixar o nosso coração aberto para absorver tudo o que Deus quer de nós. E a vontade de Dele é que “Amemo-nos uns aos outros”. Se Deus nos amou ao ponto de enviar o seu Filho para nos libertar, devemos fazer a Sua vontade (1 Jo 4,9-11).

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

SHOW: “O QUE VIRÁ” - com APARECIDA SILVINO & MARCOS LESSA

LOCAL: Teatro Municipal Salviano Arraes (antigo Cine Moderno – Crato)

DATA: 29/08/10 (domingo)
HORA: 20 HORAS
MÚSICOS CONVIDADOS: Ibertson Nobre e Lifanco
INGRESSO: R$ 7,00


APARECIDA SILVINO
Com 16 anos de carreira como cantora, compositora, pianista, regente, arranjadora e preparadora vocal, a cearense Apá Silvino apresenta-se com um aval de muito peso. “Trata-se de uma das melhores vozes nacionais”, atesta o cantor e compositor Milton Nascimento, que fez questão de ter Apá como convidada especial no show “Crooner”, apresentado em Fortaleza.

Conhecida e com público cativo no Ceará, ela tem sido requisitada a abrir shows para grandes nomes da nossa música, tendo se apresentado ao lado de Fagner, Nana Caymmi, Suely Costa e Belchior, seu convidado no LP (vinil) “Vidro e Aço”, em 1992. Uma performance que lhe garantiu o prestigiado Prêmio Nelsons da Música Cearense em 2003 e 2004, como Melhor Intérprete Cearense e Melhor Intérprete Feminina. Além disso, ela já participou como convidada em 16 CDs de cantores cearenses.

Tal prestígio já havia sido comprovado em 2002, quando, acompanhada pelo violonista Nonato Luiz, Apá interpretou o Hino Nacional Brasileiro no primeiro jogo realizado no País pela Seleção Brasileira pentacampeã mundial de futebol. A partida foi realizada no Estádio Castelão, em Fortaleza.

Ultimamente, Apá Silvino tem percorrido várias capitais com o show “Presente”, título do CD lançado em 2001, e como intérprete da compositora Cristina Saraiva, na divulgação do CD “Só Canção”. Com este último participou do I Encontro Bossa Nova in Argentina, realizado em abril de 2005, em Buenos Aires.

A voz e o talento de Apá já chegaram a locais como a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o Feitiço Mineiro, em Brasília (agosto, 2004), a Sala Sidney Muller, da Funarte-RJ, e a Expo 2000 Hannover, na Alemanha. Em abril de 2005, esteve no Teatro Crowne, em São Paulo, onde participou como convidada especial do show “Dois Em Umas”, de Sonekka e Zé Edu Camargo, espetáculo que deu origem ao CD do mesmo nome.

Esse seu lado ganhou força nos últimos anos, com conquista de novos parceiros, muitos deles conhecidos através da M-Música, uma comunidade virtual que faz canções e amizade pela Internet, e do Clube Caiubi de Compositores, de São Paulo. Entre esses parceiros estão Sonekka, Zé Edu Camargo, Gilvandro Filho, Luhli, Sérgio Veleiro, Ferreira e Nilton Bustamente. No momento, Apá prepara o seu segundo CD, “Sinal de Cais” (título de uma parceria com Gilvandro Filho), onde boa parte dessas novas canções e parcerias será mostrada ao público.

MARCOS LESSA
Marcos Lessa iniciou sua carreira musical em 2007,quando lançou o cd “Olhares da Vida”, com musicas e letras de sua autoria e de sua parceira musical ,na época, a cantora e compositora :Clarissa Araripe, que também assina em algumas composições e cantou junto de Marcos no cd. O cd teve a produção de Gabrielle Guimarães e forte apoio do Banco do Nordeste. Foram prensadas e vendidas 500 unidades. O show de lançamento do Cd aconteceu no dia 28 de Novembro desse mesmo ano, no teatro do SESC Emiliano Queiroz. Teve a produção visual do artista plástico Marcelo Santiago e contou com a participação de Tailandia Montenegro e Daniel Cortez.

No período de 2007 a 2010, dedicou-se no aprimoramento da sua voz, através do estudo de técnica vocal, participando de cursos, durante 3 anos, no festival Musica na Ibiapaba.

Em 2010, no Festival de Jazz e Blues, Marcos Lessa conhece o compositor e instrumentista Manassés Souza com quem, em Abril desse mesmo ano, realiza em Guaramiranga, um show de homenagem ao Pessoal do Ceará (Fagner, Ednardo, Belchior, etc.). Até agora foram feitas três apresentações desse projeto.

Em Maio de 2010, lança o seu segundo cd, em parceria com o letrista Ricardo Alcântara. O cd “luzazul”, que teve nos arranjos o pianista Sávio Dieb, foi lançado nos dias 21 e 22 de Maio, no teatro Dragão do Mar e contou com a participação do cantor cearense, Lucio Ricardo e de Manassés.

No ano de 2010, Marcos Lessa participou junto do saxofonista Marcio Rezende e do violonista Padua Pires, de shows de homenagem a Dorival Caymmi. Os shows aconteceram no Café Pagliuca e no Passeio Publico. Desse projeto também faziam parte os instrumentistas cearenses, Cainã Cavalcante (violão), Thiago Almeida (teclado), Igor Caracas (percussão) e Luciano Franco (baixo).

COMPOSITORES DO BRASIL


“Quaisquer que sejam as novas
Direções de nossa música nova,
Não nos esqueçamos da lição de João’
(Augusto de Campos, em 1966)

JOÃO GILBERTO

Por Zé Nilton

Outro dia feito aluno aplicado grudei os olhos e ouvidos na entrevista de Gilberto Gil ao programa de Bia Correia do Lago, na TV. Futura. O antigo/novo compositor baiano nos ensinava sobre as profundezas dos interiores das músicas, dos ritmos, das músicas e de suas histórias nas festas do Sertão. É isso mesmo: ensinava. Gil quando fala ensina tão didática é sua explanação. Tão coerente é seu pensamento e sua metodologia no trato da questão. Ou das questões.

Quando discorreu sobre ritmo (acho eu que é o único diferencial do conjunto da arte musical, embora hoje não nos atentemos pra isso), disse que a batida do baião vem de bem longe. Lá das arábias? De tão longe assim? Bem, do Nordeste parece não ser, assegurou o professor.

Mas, sustentou o mestre, o Nordeste recebeu, torneou, dilapidou e embalou pelos quatro cantos do mundo a “nova dança” como se fora gerada em suas entranhas. Dizendo mais sobre, jogou a prova invocando o grandessíssimo nordestino João Gilberto para clarificar sua tese. Assegurou que o criador da batida bossanovista influenciadora e influenciada pelo jazz muito bebeu no compasso do velho baião. E reveladoramente nos mostra a prova, citando a música de autoria de João Gilberto, Bim-Bom, e eu digo, também, a gravadísima O-ba-la-lá, e até a interminável Indiú, como carregada de citações do famoso ritmo universalizado por Luiz Gonzaga.

Gil, sempre com boca de picolé, falou, falou, falou do que sabe, e sabe tudo...
Em seguida retorno uma chamada do professor/poeta/músico Carlos Rafael. Dizia-se mergulhado naquela letárgica tarde de domingo nos embalos sussurrantes das músicas de João Gilberto. Rafael adora as excentricidades de João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, nascido no sertão baiano de Juazeiro, aos de 10 de junho de 1931.

- Você devia falar das músicas do João no Compositores do Brasil.

- Claro, mas o homem, como compositor, produziu pouco.

Aí fomos lembrando. Chegamos a sete músicas compostas pelo gênio.

João Gilberto é talento na música. Gostar da sua musicalidade é gostar de viver o silêncio do que poderia ter sido dito e que não foi. Na sua música tudo é silencio. Música é silencio. E silencio se ouve com a frouxidão de todos os sentidos.

Nesta quinta-feira no Compositores do Brasil vamos ouvir o silêncio musical de João Gilberto, como compositor. Desta feita o descobridor de tesouros da Música Popular Brasileira nos deliciará em sete músicas de suas criações, por obra e graça de indiretas e diretas provocações de Gil e de Rafael. Não sustento que João Gilberto teria ficado somente em sete composições. Com o João tudo é meio estrambótico, coisas de gênio.

Na sequencia, com João Gilberto, de sua autoria:

ACAPULCO;
HO-BA-LÁLÁ;
JOÂO MARCELO;
COMO SÃO LINDOS OS YOUGUIS (Bebel)
BIM-BOM;
INDIÚ,
UM ABRAÇO NO BONFÁ.

Quem ouvir verá!

Programa compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Na web: www.radioeducadoradocariri.com)
Acesse: www.blogdocrato.com
Todas às quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Produção, pesquisa e apresentação de Zé Nilton





ESTRONDOSA DECEPÇÃO

Pedro Esmeraldo

Mais uma vez trazemos à tona o descaso político do Crato. Não podemos esquecer dos sérios acontecimentos negativos que só causam mal à sociedade e à cidade como um todo.

O bom cratense entende que isto é proveniente das artimanhas motivadas pelos inimigos desta cidade.

Somos de opinião de que o progresso desta cidade deve ser estimulado de uma maneira igualitária, já que temos como desejo desenvolver o nosso município com o trabalho e equilíbrio.

Infelizmente, isto não acontece, porque o governador não quer ver o Crato crescer, mas considera-o uma cidade desprezada e o tachamos como péssimo político, vingativo e cruel.

Aqui estamos para debater e orientar os cratenses que se afastem das confusões políticas, pedindo para que tenham conhecimentos das espertezas desses políticos mal-cheirosos. Desviam o Crato do caminho do progresso.

Seria conveniente saber manejar o barco e mostrar aos inimigos que também somos filhos de Deus. Não entreguem facilmente o Crato aos falsários que militam no campo contrário e que por sua, vez vem aqui aprontar com o objetivo de levar o que temos.

Os maiores inimigos do Crato são os cratenses arredios, que querem aparecer mesmo levando topada em seu traseiro.

Ainda, apesar de todo grito que damos nestes políticos entrevistas, pois acham pouco o que eles levam do Crato e com boas vontades, a fim de nos desmoralizar somente para prejudicar a nossa terra.

Quem não está lembrado do campus da UFC que seria o embrião da nossa universidade? Pois bem, eles sorrateiramente, em reuniões na calada da noite, com egoísmo, arrebataram tudo para lá, deixando a cidade ao léu, sem eira nem beira, entregue às baratas. E o pior é que os políticos se calaram, sem reação, empregando palavras monossilábicas como: é, é, é... e o Crato que caia na bancarrota.

Agora, fazemos uma pergunta capciosa: por que esses políticos que são eleitos para defender o Crato, não reagem com medidas provocativas como: passeatas, comícios, etc., a fim de forçar ao governador do estado que faça alguma coisa pelo Crato e não deixe a cidade esquecida?

Mostre, que o Crato merece respeito.

Por que, meu Deus, ficam calados e têm medo de enfrentar o movimento em prol da cidade? Afinal, para que foram eleitos? Se não foi para defender o Crato, ou apenas para defender sua causa própria? Se virem que não têm competência, renunciem, pois é melhor para todos os cratenses.

Lembramos dos políticos do passado, trabalhavam com amor à cidade e defendiam ardorosamente com coragem, diferente de alguns políticos de hoje que só defendem o vil metal.

Causa-nos nojo em observar um senhor metido à besta, semelhante aos outros, farinha do mesmo saco, que são mafiosos e entregam o Crato a troco não sabemos de que. Apóiam com certeza os seus inimigos e desprezam os filhos da terra. Que vergonha meu Deus...!

Lembramos que o chefe do estado teve um número estrondoso de votos, aqui no Crato. Quando acaba ,só oferece ao Crato migalhas? Por que senhor governador, esqueceu o Crato?

Com muita atenção pedimos ao cratense, tome cuidado. Não vote nos inimigos do Crato que não nos oferecem nada e na hora de votar dê um chute com força nestes carcarás que só visam o desprezo desta cidade.

É preciso ter cuidado. Que saibamos escolher com dignidade os nossos representantes. Por último, dêem o fora nos mandões e seus comparsas.

Boatam na cidade que vão fechar o SEBRAE. Por que razão só o Crato entra nessa cota do sacrifício? Por que a outra cidade não participa desse sacrifício?

Afinal, não pertencemos à zona metropolitana do Cariri?

Crato não merece isto.

Crato, 25 de agosto de 2010.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O gol - Emerson Monteiro

Início dos anos 70, tempos blindados e sonhos lotéricos também na Miranorte, cidadezinha do atual estado de Tocantins, onde Alemberg viveu parte de sua infância e guardou muitas histórias como esta que vamos contar.
Numa tarde de domingo, após a feijoada do meio-dia, na sala de visita de seu Luiz Torneiro, os amigos se achavam reunidos para acompanhar os jogos da Esportiva pelo País a fora. Na verdade era essa a diversão maior da semana.
Dona Iracema bem que se esforçava para dar de conta dos tira-gostos improvisados. Uns poucos aperitivos quentes e a festa enchiam todas as medidas, depois dos buchos cheios de feijão preto e dobradinha do almoço.
Lá pelas cinco e meia, a maioria dos placares recolhidos atendia ao cartão da apostas de seu Luiz, que muito se alegrava na transmissão da partida principal: no Maracanã. Jogavam Flamengo e Fluminense. Excluídos dois vascaínos da roda, os outros sete torciam pelo rubro-negro da Gávea, opção cravada sem sombra de dúvidas no sonho dos treze pontos.
A noite se definia calorenta, apesar de ligeira brisa que entrava pela janela da sala abafada. Sofá e poltronas pareciam mais aquecedores do que conforto, quando a soma dos pontos principiou a esfriar o sangue da turma com a hipótese do sucesso integral dos palpites. Nove jogos completados e o território ficava pequeno para tanta expectativa.
Seu Luiz chamou um dos filhos e passou as instruções:
- Vá na venda e pegue, adiantado, três brahmas geladas. - Percebeu que denunciava a certeza suada na vitória, mas disfarçou, acrescentando: - Traga também duas latas de quitute, que as coisas vão melhorar mesmo.
Compadre Zé Pedro administrava a totalização dos pontos, de ouvido ligado no receptor a válvulas, lápis e papel na mão. Outro resultado favorável, e a sorte se oferecia dadivosa.
Veio o material requisitado na bodega e a notícia se espalhara pela redondeza, arrebanhando os primeiros perus, que engrossaram o grupo e agitaram a casa. No meio do labacéu apenas uma figura permanecia quieta, desconfiada, impaciente da sala para a cozinha. Dona Iracema parecia concentrada na devoção ao santo para o empurrãozinho que faltasse. Ainda assim, cuidou com zelo de esquentar as conservas numa vasta travessa, combinadas de tomates e farinha que dessem para atender a todos.
Outros jogos se completavam e emoção grande se reservava do décimo primeiro ao décimo segundo. Houvesse saldo, teriam espocados os primeiros rojões. No entanto ouviam-se apenas os gritos estridentes da numerosa torcida. Restava aí tão só o garboso Fla X Flu. E tomem choro e gemidos.
Pelo visto, a fortuna sorriria naquela casa, naquela tarde. Daria Flamengo na cabeça, pois a partida pendia para seu término e o time garantia com facilidade o 2 x 1.
Daí generalizou-se a tensão, parecido como se os circunstantes sentissem a gravidade do momento. Por certo cada qual se punha no lugar da família de seu Luiz, em vias de realizar grande transformação. Passaria de pobre a rico, num golpe do destino. E escutaram, vindo de dentro do quarto, pungente a reza da dona Iracema, devota respeitável na frente do santuário. O locutor tremia a voz, como se vivesse o drama distante. Mãos suadas. Atenção redobrada nos lances de pequena área. E o tempo cooperando.
43 minutos do segundo tempo. 44. 45, e os descontos. Nessa hora, uma falta na cabeça da grande área a favor do Fluminense. Barreira formada, derradeiro cartucho, escaramuça debaixo das traves, e o tricolor converte:
- Gooooooooooooool! - de dentro do quarto, a explosão de alegria da fiel companheira de seu Luiz, braços aos céus, num gesto de agradecimento.
A princípio, calculou-se ter a mãe da família desvairado, produto da frustração que todos transpareciam, isso para susto de seu Luiz, que foi dizendo:
- Mas Iracema o gol foi do time adversário, e nós perdemos os treze pontos. Por que essa manifestação de alegria? - indaga receoso.
- Não é isso, não, Luiz. É que antonte faltou tempero em casa e com o dinheiro que deste para o jogo eu comprei foi os legumes e a perna de porco que vocês comeram no almoço de meio-dia, homê.

(Do livro Cinema de Janela, Terceira Margem Editora, São Paulo, 2001).

VAMOS DAR O TROCO – 50 000 VOTOS CONTRA

Pedro Esmeraldo

Com freqüência, estranhamos os últimos acontecimentos ocorridos no Crato.
Não suportamos mais essa disparidade que “há constantemente aqui” no Crato. Submergindo o espírito do cidadão comum, cobrindo de lama podre a cidade do Crato, o que ocorre no momento é querer danificar o patrimônio da cidade.
Já perdemos o centro de lazer do SESI, tudo isto provocado pelas conversas mexeriqueiras de alguns habitantes da cidade vizinha, que vivem zombando da nossa terra, arrastando tudo que temos de bom.
Constantemente, um senhor absolutista quer tirar do Crato um naco de terra e incorporar ao município de Barbalha, pois querem nos convencer que é melhor para o Cariri. Avisamos, porém, que ninguém é trouxa para não entender essa conversa atoleimada desse maldito povo que tem por objetivo dilacerar o Crato.
Se observássemos que são bem articulados pelo poder público, visto que, assim pensamos, tem apoio das falanges governamentais que fazem vista grossa, zombando da nossa paciência. Levam tudo que temos, sempre acobertados pelo apoio dos políticos da capital do estado.
A população ansiosa se encontra revoltada devido a desigualdade que há; assim, a história se repete: o fechamento do SESI e a penetração da terra do Crato para favorecer o município de Barbalha, torna-se um método abusivo que talvez seja manobrado pela vizinhança, pois o chefe do IBGE local é um cidadão entorpecente e amigo do pessoal da cidade inimiga.
Pensando bem, utilizamos um poder filosófico: “quem tem besta não compra cavalo.” Nesse caso, desejam justificar o que eles fizeram, penetrando na cidade de Barbalha, na localidade denominada de Lagoa Seca. Agora querem limpar a barra apresentando a história de um aparelho que não sabemos por que motivos fazem essa palhaçada discordante.
Nos últimos dias, observamos uma desigualdade de tratamento, proveniente do nosso governador, visto que dá prioridade a outra cidade deixando o Crato caminhar no desprezo total, pois tudo que vem é somente para beneficiar a cidade de Juazeiro do Norte.
Se levarmos em conta que um pai possui uma prole numerosa, e beneficiar somente um filho, os outros filhos ficarão com trauma psicológico. Por essa razão as cidades do Cariri, ficarão traumatizadas, vez que esse tratamento desprezível nos deixa totalmente aparvalhados e não sabemos por que razão esse governo nos despreza e permanece com ódio aos habitantes da cidade do Crato.
Essa linha demarcatória foi realizada há anos por pessoas habilidosas possuidores de licença para exercer a profissão cartográfica e razão foi transformada em lei e toda a lei deve ser respeitada.
Por essa razão, os cratenses não devem esmorecer, partir para a luta a fim de obter seus direitos.
Agora como resposta: devemos repudiar essa massa inimiga do Crato e também manifestar contrariedade nas urnas, tentando conseguir mais de 50 000 votos a favor da oposição que será o benefício de nossa causa.
Temos condições de dar 50 000 votos contrários, já que o Crato possui mais de 80 000 eleitores. Não dêem ouvidos a conversas desgastantes, pois temos de dar o troco com democracia, dizendo nós a esses ratos que nos vêem tirar a nossa paz.
Crato, 19 de agosto de 2010.

domingo, 22 de agosto de 2010

COMÉDIA CRATENSE BRILHA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

ESPETÁCULO “A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”
ENCANTA PÚBLICO EM JUAZEIRO DO NORTE-CE


Cerca de 500 pessoas lotaram a arena montada pela Cia. Cearense de Teatro Brincante na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte-CE, para apresentação da peça teatral “A Comédia da Maldição”, gentilmente doada pela Sociedade Cariri das Artes ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), na noite do último sábado, 21 de agosto, com participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, de Crato-CE.

O espetáculo, que tem texto e direção de Cacá Araújo, está em cartaz há 5 anos e resgata o mito sertanejo-universal da mula-sem-cabeça, retratado num ambiente tipicamente nordestino.

A Cia. Cearense de Teatro Brincante é órgão da Sociedade Cariri das Artes, Ponto de Cultura do Brasil, com apoio do Ministério da Cultura, SECULT-CE e Prefeitura Municipal do Crato, desenvolvendo o que denominam de estética brincante de encenação, concebida a partir da incorporação de elementos da cultura tradicional popular na concepção de seus traços constitutivos, quais sejam:

a) Dramaturgia que busque temática alinhada aos contos, causos, lendas, romances e aventuras bebidas do vasto imaginário e romanceiro populares, da sabedoria ancestral de base ibérica, ameríndia e africana.

b) Interpretação que se construa a partir do e no universo dos folguedos, dos cantadores, emboladores, rabequeiros, penitentes, cânticos e dançares negros e indígenas, palhaços, pássaros e bichos da nossa fauna, brincadeiras e brinquedos populares, esculturas e objetos artesanais, bonecos e desenhos animados, temperada com elementos do Circo, da Gestualidade Física e Espiritual Nordestina e da Commedia dell'Arte.

c) Carpintaria Técnica que produza cenografia, figurino, maquiagem, coreografia, caracterização, sonoplastia, música e iluminação, fundados na xilogravura, nas inscrições rupestres, nos símbolos rurais, nos desenhos de crianças, nos cantos, danças, cantigas e instrumentos musicais populares, nas cores e sons primitivos da natureza sertaneja.

O grupo cratense levará também para as ruas outra peça de seu repertório popular, O PECADO DE CLARA MENINA, também escrita e dirigida por Cacá Araújo, e está montando mais dois espetáculos que deverão estrear em breve: O MAPA DA BOTIJA (texto de Cacá Araújo e direção de Orleyna Moura) e A DONZELA E O CANGACEIRO (texto e direção de Cacá Araújo).







sábado, 21 de agosto de 2010

Esperando o trem passar – Adaptado por Carlos Eduardo Esmeraldo

Será que alguém ainda se lembra do jornal “Tribuna do Ceará”? Pois é, há muitos anos existia por aqui um jornal com esse nome. Naquele tempo eu li nas páginas da “Tribuna” uma historinha que lembro até hoje. Vou tentar reproduzi-la ao meu modo.

Zito e Lídia casaram-se e foram morar numa casinha que haviam construído para eles, bem próxima à linha do trem, num bairro da entrada da cidade. A casa estava toda mobiliada, mas havia um problema. Toda vez que o trem passava, a porta do guarda-roupa se abria. Mesmo quando presa por uma folha de papelão dobrada ou travada pela fechadura, não tinha jeito, era só o trem passar que ela ficava aberta. Parecia que aquele móvel possuía um sismógrafo que detectava os mínimos tremores da terra sob o impacto do peso do trem. Claro que os dois pombinhos ficaram muito chateados por causa desse defeito.

Numa certa manhã, Lídia perguntou se a vizinha conhecia algum marceneiro que pudesse consertar a porta de seu guarda-roupa. Ela lhe indicou Moésio, um verdadeiro artista em tudo que fosse madeira. Mas fez uma ressalva: “Tome muito cuidado com ele. É o maior “Don Juan” desse bairro. Quando se embeleza de uma mulher, não há quem resistia aos seus encantos.” Lídia preferiu contar ao marido a existência desse marceneiro e pediu que ele fosse procurá-lo. Zito obteve informações sobre o marceneiro Moésio com um colega de trabalho, que lhe disse onde encontrá-lo e passou para ele toda fama da qual o moveleiro era possuidor. “Cuidado com sua mulher. Marque para ele ir consertar seu guarda-roupa numa hora em que você estiver em casa.” Zito assim procedeu. Marcou para o meio dia, quando ele estaria em casa para o almoço.

Aconteceu que o Moésio tinha uns serviços nas proximidades da casa do Zito e tão logo concluiu seu trabalho, aproveitou que estava perto da casa do seu novo cliente e por lá chegou um pouco antes do meio dia. Ao bater à porta, foi atendido por Lídia, uma morena muito bonita. Mas manteve-se sério, pois sua fama de mulherengo já estava complicando sua vida. Entrou na casa e a mulher lhe mostrou o móvel. Ele olhou, examinou cada detalhe e afirmou. “Minha senhora, o defeito é interno. Preciso ficar dentro do guarda-roupa para quando o trem passar eu descobrir onde está a falha que faz a porta abrir.” E assim foi feito.

Pouco depois das doze horas, Zito chegou apressado, pedindo que a mulher lhe servisse logo o almoço, pois ele iria verificar de perto o serviço que teria de ser feito no guarda-roupa. Passou direto para o quarto para trocar de camisa. Ao abrir o guarda-roupa, surpreso, viu Moésio abaixado lá dentro. E cheio de desconfiança perguntou: “Que diabos é que você está fazendo ai dentro?” E o pobre carpinteiro respondeu: “Se eu lhe disser que estou esperando o trem passar, o senhor não vai mesmo acreditar... não é?...”

Adaptação de Carlos Eduardo Esmeraldo
História original narrada por Chico Anísio, no jornal “Tribuna do Ceará” 1976/77(?)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SÁBADO: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO NA PRAÇA PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO

Juazeiro do Norte-CE receberá o maior espetáculo de teatro popular deste século!!! 5 ANOS EM CARTAZ!!!

A Cia. Cearense de Teatro Brincante apresentará, neste sábado, dia 21 de agosto de 2010, às 19 horas, na Praça Padre Cícero, o espetáculo teatral "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO", com texto e direção Cacá Araújo, resgatando o mito nordestino da mula-sem-cabeça, e tendo a participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, da cidade do Crato-CE, um dos maiores ícones da cultura tradicional popular do Brasil.


Atores/Personagens

Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina
Jardas Araújo: Cantador
Edival Dias: Padre Sebastião
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Lílian Carvalho: Beata Carmélia
Lorenna Gonçalves: Cibita
Márcio Silvestre: Vigário Felizberto
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paula Amorim: Ladra
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Samara Neres: Zulmira

Músicos

Lifanco (viola) e elenco (percussão)

Técnica

Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: França Soares
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Lílian Carvalho
Operação de Luz: Danilo Brito
Música: Lifanco e Cacá Araújo
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes

A apresentação foi doada ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB-Cariri) pela Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


“todo quadro negro
É todo negro, é todo negro
E eu escrevo seu nome nele
Só pra demonstrar o meu apego.
Anamaeu”...


JORGE MAUTNER

Por Zé Nilton

Tomei conhecimento de Jorge Mautner, já em estado de consagração, nos anos opacos e cinzentos da repressão militar, quando assistia, assombrado, num cantinho, um show do compositor Jads Macalé, na Concha Acústica da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, talvez aí pelos anos de 1973 ou 1974.

Com muita presença de palco Macalé cantava a música “Cantareira”, de Gordurinha , cujo refrão diz:

“Só vendo mesmo como é que dói
Sou vendo mesmo como é que dói
Trabalhar em Madureira, viajar de Cantareira
E morar em Niterói”...

Macalé, fazendo trejeitos para o conjunto baixar o som comandava paulatinamente um fade-out, e deu início à capela e à exaustão a repetição do refrão “só vendo mesmo... E o acompanhamento musical foi caíndo numa melopéia, dando a deixa para a fala do grande Macalé.

Lá pelas tantas, incontinente, ajoelhou-se no palco, bem juntinho da turba universitária, e com as mãos postas e o olhar para os céus, recitou os versos, cadenciadamente, vociferando para quem vive o dia-a-dia aquela situação de explorado um inesperado: “puta que o pariu”! A platéia foi ao delírio naqueles idos de todas as censuras.

E gritou: Salve Jorge Mautner!

A platéia aplaudiu demais, mas eu não detectei o exclamado entre a multidão.
Só muito depois vim a conhecer aquela figura meio estranha meu doidão meio intelectual meio escritor meio síntese de uma geração prenhe de criatividade e de vanguardismo, justamente no lugar errado, no tempo errado e onde deu tudo errado para as cabeças fora do lugar.

Hoje, vendo a figura madura de Mautner ainda em franca presença no cenário da MPB, reconheço o todo da força que ele representou para a cultura brasileira.

No Compositores do Brasil, desta quinta feira, vai dá Jorge Mautner, um maldito entre os benditos, sujeito coerente e dono de uma musicalidade agradabilíssima, empunhando seu violino para qualquer marcação, feito rebequeiro nordestino.

Marginal nunca foi Jorge Mautner. Marginais foram todos que não o compreenderam no seu tempo. Pensando bem, não sei por que chamam de marginal a geraldos uranos divergentes dos “padrões normais” do tempo. Pois é este mesmo tempo que vai dizer, lá na frente, o quanto se cultivou caretice. Se liga, bicho !

Vamos falar do homem, da obra e do tempo de Jorge Mautner, enquanto ouviremos:

BEM TE VIU, com Jorge Mautner
SAMBA DOS ANIMAIS, de Jorge Mautner com Lulu Santos
SAMBA JAMBO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Jorge Mautner
TODO ERRADO (não peço desculpas), de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Caetano Veloso
ENCANTADOR DE SERPENTES, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
ORQUÍDEA NEGRA, de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Zé Ramalho
CACHORRO LOUCO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
BOLINHAS DE GUDE, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
SOM DO MEU VIOLINO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
RAINHA DO EGITO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
MARACATU ATÔMICO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Gilbetro Gil
QUERO SER LOCOMOTIVA, de Jorge Mautner com Wanderléa

Quem ouvir verá!

COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri- 1020 –
www.radioeducadoradocariri.com (acesse no www.blogdocrato.com)
Todas as quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Pesquisa, Produção e Apresentação de Zé Nilton