Essa velocidade com que vêm oferecidos os produtos da indústria, do comércio e das imaginações em alta voltagem, neste tempo dagora, ocasiona reações internas esquisitas nas pessoas. O ritmo vertiginoso produz ídolos e lota altares nas mentes, transformando religiosidade natural em apego de fantasias ocasionais das épocas ilusórias.
Para onde se voltar, um fantoche aguarda com dentes amolados os espectadores desavisados da humana comédia. Postiças estatuetas de bronze enxameiam nas telas e prateleiras de um carrossel hipnótico grosseiro. Desde os cravos das ferraduras aos penteados exóticos, os pretensiosos seres da espécie deitam e rolam embriagados, nos canteiros das praças e matas dos lugares, alheios às verdades superiores que nasceriam de cada consciência sinceros fossem.
A tal idolatria corresponde aos vícios. Bebidas, refrigerantes gasosos, comprimidos, cigarros, pó e alimentos excitantes, constrangem o corpo, invadem mercantis e lojas, danificam as engrenagens originais da natureza e multiplicam os atendimentos médicos insuficientes dos postos de saúde. Apelos visuais apressados, poluição de não ter tamanho nem respeito à paisagem, que apenas resiste, coberta de sacos plásticos derramados ao vento, nos momentos mais inconvenientes das fotografias desfocadas. A mão do homem tinta de cinza o quadro maravilhoso do céu, agora de pálidos neons, lotado de painéis melados de óleo e graxa, ícones dedicados aos deuses de motores e máquinas trepidantes. Isto sem falar nas paixões enebriantes dos esportes radicais. O próprio futebol das jogadas geniais resume-se hoje em coices e pernadas violentas, afã dos times de chegar na cabeça das chaves suadas dos campeonatos, corridas estafantes e dramáticas das taças de plástico a lágrimas desencantadas. E os deuses da guerra e suas macaquices ideologias, doutrinas falsificadas ao sabor dos senhores das armas e munições. Lembrar os metais reluzentes das lanchas nesse mar de volkswagens em que se reverteram as cidades, escolas neuróticas de sobreviventes apavorados.
Ah, esses deuses artificiais de um mundo das massas... A quem rezar nossos credos? Onde depositar nossas apreensões, nos tempos da desobediência? Para seguir caminhando, eis quantos caminhos andar livres das armadilhas do vício, de ilusões dos bônus e ofertas, brindes e ardis, no passo monótono de pesados camelos arrastados nas fitas envelhecidas de corujões e madrugadas.
Seguir, no entanto, rebanhos do destino que nós somos, artífices da perfeição... Pisar com cuidado lamas e atoleiros, olhos abertos ao Deus verdadeiro que reside no certo das certezas, profetas soberanos dos endereços da Luz, autores dos astros e das existências eternas imperecíveis. Saber, no entanto, afastar o joio do trigo e desejar para sempre o melhor em tudo.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Deuses falsificados - Emerson Monteiro
NÃO ACREDITEMOS EM POLÍTICO – Por Pedro Esmeraldo
Crato, 19/10/2010
Texto de autoria de Pedro Esmeraldo
Projeto “No Terreiro dos Brincantes” lança documentário sobre Mestra Zulene Galdino
O segundo documentário produzido pelo Projeto “No terreiro dos Brincantes” conta a história da Mestra Zulene Galdino . O lançamento acontecerá no dia 23, a partir das 18h30, na residência da Mestra na Vila Novo Horizonte, no Crato.
O Projeto “No Terreiro dos Brincantes” visa contribuir para o registro audiovisual das manifestações da cultura popular e é desenvolvido pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, vinculado a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri – URCA e o Coletivo Camaradas.
O terceiro documentário está sendo produzido e resgata a história do Reisado Dedé de Luna do Bairro Muriti também da cidade do Crato.
Serviço:
Projeto No Terreiro dos Brincantes
Informações (88)99772082
A GUERRILHA É DO CARIRI!!!

GUERRILHA CARIRIENSE
Letra de Cacá Araújo / Música de Lifanco
A arte
que brota das veias guerreiras
resgata o passado, tempera o presente e alimenta o futuro
Guerrilha do amor, nação Cariri
teatro no palco, na rua, na arena
a dança, o folguedo, a canção e o circo
são chamas da vida e da alma do povo
Guerrilha do amor, nação Cariri
atores, atrizes, brincantes, cantores
poetas do drama, do corpo e das cores
no sol da batalha a conquista do aplauso
A arte
que brota das mãos guerrilheiras
amando e lutando, sorrindo e sonhando
é a mensagem dos deuses em busca da paz
Outubro de 2010
Crato - Cariri - Ceará - Brasil
A produção de contaminantes do solo - José do Vale Pinheiro Feitosa
Outro dia eu lia sobre os difamadores anônimos. Aqueles por trás de um método de campanha, que sem escrúpulos se escondem, especialmente na internet. Mas aí eu pensei. Espere aí, o conteúdo do que recebo por ter sido elaborado nos porões, mas o e-mail de quem passou, os comentários de quem postou, os textos que postaram estão identificados (eu sei dos tais Troll, das páginas Fake) .Não são anônimos: são pessoas da nossa convivência, que desejam nosso reconhecimento contínuo. E, então, pergunto: como te reconhecerás amanhã na calma dos dias comuns? Esperas que tudo seja simplesmente na cesta do esquecimento do vale tudo? Será que muito mais do que um material perecível estiveste dando repasse a um lixo tóxico que contaminará o ambiente por muitos anos?
Para dar mais argumentos a estes parágrafos, posto abaixo trechos de uma artigo de Maria Inês Nassif, publicado no Valor:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria colocar um outro item no rol "nunca antes na história desse país": nunca se usou tanta difamação num processo eleitoral como contra a candidata Dilma Rousseff, aproveitando-se dos preconceitos que já vêm embutidos no pacote mulher, petista, ex-militante da luta armada, ex-doente de um câncer, divorciada etc. Até que Dilma fosse candidata, sinceramente, eu achava que todo o estoque de preconceitos havia sido usado contra Lula nas campanhas de 1989, 1994, 1998 e 2002: operário, sem curso universitário, de origem nordestina. Os preconceitos da elite brasileira, no entanto, têm a insuperável capacidade de se superar.
Estoque parecia ter sido usado todo contra o operário Lula
Os excessos, todavia, têm limites. Existe uma linha muito tênue entre o medo que causa a difamação e a repulsa ao difamador. A artilharia pesada contra Dilma tende a torná-la vítima, daqui para 31 de outubro. Outra coisa é a maré. Dos dois candidatos, é Serra quem surfa contra a onda. O resultado nacional do primeiro turno não traz nenhum grande recado de desaprovação ao governo que Dilma representa. O presidente Lula, em nenhum momento da campanha eleitoral, teve reduzidos os seus índices de aprovação - e , ao que tudo indica, mantém uma capacidade de transferência inédita na história republicana brasileira.
O outro fator que pode favorecer Dilma, nessas duas últimas semanas antes do pleito, é que a agressividade da campanha do adversário tem produzido movimentos sólidos de unidade em torno da candidatura Dilma Rousseff, por parte de uma esquerda que estava dispersa desde 2002 e que à margem da militância partidária. O PT, que passou pelo processo de institucionalização e burocratização, tem vida partidária o ano todo mas perdeu capacidade de mobilizar massas, voltou a atrair contingentes que haviam se descolado do partido. Existe um óbvio receio do discurso pré-64 que foi a tônica da campanha tucana - e a reação é a unidade em torno de Dilma.
Esse é o movimento que detecto agora. Pode ser que não aconteça nada disso - a análise política, não raro, deixa escapar movimentos subterrâneos e súbitos. Pode ser que a nova classe média, que incha o meio da pirâmide social brasileira por conta da distribuição de renda ocorrida na última década, tenha se contaminado pelo conservadorismo próprio de classe, por medo da queda social. Mas, sinceramente, acho que, assim como milhões de brasileiros superaram a linha da pobreza, moveram-se também para fora de uma rigorosa linha de preconceito. O Brasil é conservador, mas não o foi quando decidiu eleger Lula, em 2002, e reeleger Lula, em 2006. O desejo de continuidade, se prevalecer nessas eleições e eleger Dilma, não terá nada de conservador, perto do discurso assumido pelo "candidato da mudança".
Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras
A tempestade de areia, a poliomielite e o arco-íris de Brasília - José do Vale Pinheiro Feitosa
Brasília é alvo de preconceitos. Não é a única morada dos políticos. Eles se originam nos estados e passam a semana na capital no exercício dos seus mandatos. Ela é uma cidade nacional, brasileiros de todos os recantos. Tem um sotaque próprio: nem só goiano ou mineiro.
Desde a Erradicação da Varíola que a humanidade sabe que as vacinas podem, a depender do vírus, do modo de transmissão e da eficácia, erradicar doenças. É o caso da poliomielite que matava e deixava milhões com lesões motoras irreversíveis. O último caso de poliomielite no Brasil na Paraíba, a 19 de março de 1989. Nas Américas, ocorreu no Peru, em agosto de 1991.
Há pouco mais de uma semana e meia a capital federal sentiu os tremores de terra acontecidos numa região de Goiás. Não teve danos maiores, mas aquilo oferece instabilidade ao abalar o próprio conceito de firme que é o solo. Isso aqui para nós neste continente sem sismos. Logo depois outro susto natural: uma névoa de areia vermelho do planalto central cobriu a cidade. Os carros acenderam os faróis e o panorama tornou a visão turva na distância.
Um sentido maior para aquele primeiro fato. No mundo globalizado não basta controlar a vigilância epidemiológica e sanitária nos estados e províncias, as fronteiras entre países se abriram. A poliomielite continua em curso na Índia, Paquistão, Nigéria e Afeganistão. Em 2010 já aconteceram 706 casos de poliomielite contra 1.126 neste momento, em 2009. Mais de 570 destes foram nos países que já haviam conseguido erradicá-la e agora tiveram surtos originados em países endêmicos: foi o caso de Angola. O Tajiquistão (por influência do Afeganistão) só este ano já teve 458 casos. Por conta da crise e do “cansaço” dos agentes financiadores da campanha de erradicação, a OMS já tem um rombo de US $ 810 milhões (31%) num orçamento de US $ 2,6 bilhões necessários para combater a pólio no período de 2010 a 2012.
Ontem um sol casando com uma neblina poética, um arco-íris inteiro, de 180º, tomou os céus da capital federal. Eram as cores abobadas a relembrar o elevado chão do Brasil Central, a coroar o Plano Urbanístico singular da cidade e dar um toque ancestral à modernidade arquitetônica de suas linhas. Se isso já vale uma vida, mas vale ainda o povo da capital.
De uma sensibilidade, também singular. O brasiliense é um tipo específico, tem o mote das questões pós-modernas, com a religiosidade difusa, um amor pelo estilo de vida e, principalmente, pela alternativa ao modo de fruir alimentos, conversas, fazer canções e ciência. Por isso soube do “Arco-Íris”: funcionários do Senado Federal, de suas janelas de trabalho capturaram a imagem lá fora, mas que certamente pousaram sobre suas almas como um superlativo aos termos da tempestade de areia.
Agora uma explicação. Este texto, a rigor, tem um pouco da Globo News, mas se deve essencialmente ao Luiz Carlos Pelizarri Romero, assessor de Saúde do Senado. Apenas fiz a costura dos termos.
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MP cobra providência contra abandono do Sítio Fundão
Ibope aponta Dilma com 56% dos votos válidos e Serra, 44%
O Brasil aprende a conviver com a Corruptocracia !
As denúncias diárias de corrupção nos jornais ( Com Provas, documentos e vídeos ) já nem abalam mais a opinião pública nacional. Afinal de contas, quem quer saber de notícias sobre Propinas milionárias ? Ah! isso é uma coisa muito natural. Compra de votos, lavagem de dinheiro, estelionato, invasões de privacidade ? Quem se interessa ?O Fato é que os Brasileiros aprenderam a conviver com a corrupção, e achar que isso faz parte da vida normal de um país. Justiça ou Injustiça ? O que importa mesmo é a lei do Gerson, onde aquele que é esperto, aquele que rouba e se dá bem, vira celebridade digna de autógrafos. Ao longo dos anos, cultuou-se um sistema que privilegia os bandidos e envergonha os honestos. Ter honestidade no Brasil de hoje já está se tornando motivo de chacota, de piadas. Afinal, o "malandro" é esperto, o honesto é um mero otário na grande engrenagem, um "Nerd" que trabalha além do ponto, para sustentar a família.
E nesse novo sistema de coisas, ELES é que estão certos. Roubar, Extorquir, meus camaradas, é a nova onda. Nós, povo brasileiro que luta e que trabalha ganhando míseros salários é que estamos errados. Estamos na contramão da história. Portanto, viva a corruptocracia! Abaixo Nós! abaixo a Honestidade! Parabéns aos Corruptos!
Dihelson Mendonça
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
COMPOSITORES DO BRASIL
“Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo”
(Sangrando)
GONZAGUINHA
Por Zé Nilton
Senti na pele o que era estar frente a frente com Luiz Gonzaga Jr. Sabia do seu jeitão de distante, irônico e de pavio curto. De fato, o homem nos recebeu com uma frieza de arrepiar. Chegamos cedo à casa ao lado do Parque Asa Branca, em Exu, nas primeiras chuvas de janeiro. Avisado, lá vinha aquele vulto esticadão, magro e de cabeça pendida às vezes para o lado, às vezes para trás. Observei demais seu trajeto da porta que dava para o alpendre até a porteira. Mesurou-nos com um - bom dia a todos -, com uma voz contida, com um olhar furtivo passando por sobre nós, com uma mão em trajeto de arco apontando o caminho do alpendre.
Dr. Manuel Edmilson do Nascimento, segundo reitor da URCA. Admirável é sua postura. Simpático, tranqüilo, voz pausada, mansa e suave. De mão desses atributos abre solenemente a reunião.
Eu reparava de olhos grudados na figura do grande compositor brasileiro. Ele puxava sem cessar a ponta do bigode, entre baforadas de cigarro e tragos de cerveja fria. Ele ouvia atentamente o seu interlocutor. Ele foi se desmascarando da personagem difícil e complicada de quem eu ouvira falar.
Já eram afável e solto os seus gestos. E eu viajando nas imagens daquele homem – menino guerreiro – nascido no Morro de S. Carlos, criado por estranhos e filho de Luiz Gonzaga. Então, nas músicas, no palco e no calor dos (des) encontros a carga do que passou pesava e Gonzaga Jr. era só brutalidade, irreverência e desconfiança. Mas ali, na casa de seu velho e querido pai, frente à cortesia e inteligência de Dr. Edmilson, Gonzaguinha mostrou doçura e compreensão.
Senti seu entusiasmo ao falar dos projetos para o Parque Asa Branca. Cheio de vida eram suas perspectivas para o futuro. Não dá para dizer com palavras quão belo era o território de sua face ao gesticular projeções para a cultura e o meio ambiente regionais, a partir do Parque e Museu Gonzagão.
Igualmente guardei lembranças de um homem inteligente e conhecedor profundo das coisas do mundo. Suas análises sobre a cultura brasileira e nordestina me impressionaram pela profundidade de quem detém o conhecimento teórico-prático da realidade.
Ao sair daquele recanto haurido por luminosidades da natureza e da inteligência humana, ouvi da professora Maria Sarah Esmeraldo Cabral, responsável pelo encontro, distintos elogios à pessoa de Gonzaguinha. Sarah o disse um humanista.
O tempo amadurece. Estava ali o poeta e músico da MPB inteiro, resultado das somas de tudo que juntou, desde os festivais universitários de que participou, da geração cultural e musical de que foi um ativista e renovador, do compositor consagrado e representante da moderna linguagem da MPB, e agora prenhe de tudo isso, ávido por oferecer sua capacidade a serviço de seu povo.
Numa manhã do final de abril daquele ano, 1991, quando as chuvas vão deixando a natureza grávida de opimos frutos, nos deixou Gonzaguinha. E tudo do que disse para nós, na casa de seu pai, foi deixado para trás.
Ficou a sua música, rica em temática, em ritmos, em sons.
Uma pequena parte dela será lembrada no programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri.
Na sequencia:
COMPORTAMENTO GERAL, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
UM HOMEM GUANDO CHORA, (guerreiro menino) de Gonzaguinha com Gonzaguinha
UM ABRAÇO TERNO EM VOCÊ, VIU MÃE, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
ESPERE POR MIM, MORENA, de Gonzaguinha com Leila Pinheiro e Gonzaga Jr.
UM LINDO LAGO DO AMOR, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
GERALDINOS E ARQUIBALDOS, de Gonzaguinha com Simone
EXPLODE CORAÇÃO, de Gonzaguinha com Maria Bethania
COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ, de Gonzaguinha com Quarteto em Cy
VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
GALOPE, de Gonzaguinha com MPB4
O PRETO QUE SATISAFAZ (feijão maravilha), de Gonzaguinha com as Frenéticas
E VAMOS A LUTA, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
Quem ouvir verá!
Programa compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Na web: www.radioeducadoradocariri.com)
Acesse: www.blogdocrato.com
Todas às quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Produção, pesquisa e apresentação de Zé Nilton
A disputa constrói a democracia - José do Vale Pinheiro Feitosa
Quando um lado tenta neutralizar o outro na disputa apenas usa uma tática, mas ninguém pode deixar de manter o norte principal que o futuro é uma construção coletiva, cheia de contradições e resultará da síntese disto. Por isso é legítima a disputa dos dois candidatos, de seus partidos, militantes e simpatizantes tentando ganhar a maioria da sociedade.
A grosseria (agressão) e a manipulação (distorcer para ampliar) fazem parte da pior prática da disputa. Mas existe, as pessoas que têm clareza do que seja a disputa política é que têm de neutralizar estas práticas, contendo-as ao máximo possível. Por isso tomei do blog "na prática a teoria é outra" esta duas citações que se complementam:
Isaiah] Berlin concluiu seu ensaio citando Joseph Schumpeter, que disse: “Reconhecer a validade relativa das próprias convicções, mas ainda assim defendê-las resolutamente, é o que distingue o homem civilizado do bárbaro”. Comentou Berlin: “Pedir mais do que isso talvez seja uma necessidade metafísica profunda e incurável, mas permitir que isso determine nossa prática é sintoma de uma imaturidade moral e política igualmente profunda, e mais perigosa”.
A VIOLÊNCIA: Serra é agredido durante caminhada no Rio de Janeiro
NE - Agressividade declarada:
Serra leva pancada na cabeça em confusão com militantes do PT no Rio

De acordo com o pastor Maurício Ferreira, que acompanhava Serra na caminhada, não se sabe exatamente o que atingiu o candidato, se o mastro de uma bandeira ou uma bobina de adesivos de papel.
"O PT tem tropa de choque. Não sei se foi previsto ou não, mas eles fazem no piloto automático. Lembra a tropa dos nazistas? É típico de movimentos fascistas", disse Serra.
O tucano estava caminhando pelo calçadão do bairro, acompanhado por militantes, quando se deparou com um grupo que fazia campanha para Dilma Rousseff (PT). Os petistas começaram a gritar "Quem é Paulo Preto?", fazendo referência a um tucano que teria feito arrecadações para a campanha de Serra e sumido com o dinheiro. Os militantes do PSDB reagiram e houve confusão. Serra chegou a entrar em uma loja, onde permaneceu até que os ânimos se acalmassem.
Fonte: folha.com
Os Pitpuns - José do Vale Pinheiro Feitosa
Logo que pessoas passaram a criar os cães Pitbull, surgiram na imprensa relatos da destruição física do animal. Pronto o nome do cão passou a ser sinônimo de ferocidade, de uma raiva insana, quase paranóica. Expressava desde as manifestações descontroladas de raiva até aquele instinto provocador de grupos querendo arruaça. Na classe média mais avantajada, um tipo se criou: os Pitboys musculosos das academias a destruir a integridade física dos seus opositores.
Ultimamente o pessoal, até pelo clima desta campanha eleitoral tão desleal na internet, tem alcunhado um novo nome: os Pitpuns. São parecidos com trovões. Ou com os efeitos sonoros dos gases intestinais no momento de sua fuga ao exterior. São relacionados com trovões porque não são o relâmpago: a luz é de outro, eles apenas estralam do modo mais ruidoso possível. O perigo está no relâmpago, mas quem assusta mesmo é o Pitpum e em todos os cantos.
O Pitpum é fisiológico, mas não se encontra na porta do sabor, fica muito distante do lugar em que ele se encontra. O lugar do Pitpum é o do restolho digerido, por isso mesmo é que sua ação costuma se acompanhar de algum efeito odorífero. Além disso, não se pode esquecer que ele está no final da cadeia, é uma espécie de recolhedor sanitário.
As grandes cidades têm este dom de multiplicar práticas e tipos. Por isso mesmo eu sempre que posso me refugio nos blogs da minha cidade pois aqui estas coisas ainda não existem. As suas práticas ainda continuam ingênuas como sou.
Livro “O Político Padre Cícero – entre a Religião e a Cidadania” será lançado na noite de hoje, em Juazeiro
Texto: Elizângela Santos
Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária
Dia 20, quarta-feira
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
O Plano Real, que estabilizou o Brasil, foi chamado na época, de "Estelionato Eleitoral" por Lula - Como o tempo muda... Por: A. Morais
Vídeo postado no Blog do Sanharol por Antonio Morais
Vargas Llosa lamenta ditadura cubana e semiditadura de Chávez
Um exemplo de mãe - Emerson Monteiro
Vemo-nos, em determinados momentos, sob a condição inevitável de testemunhar nos gestos das outras pessoas o que significam as virtudes sonhadas que muitos reclamam uns dos outros, para uma melhor classificação dos padrões humanos da excelência. Há como que disposição comum de exigir e nivelar por baixo os comportamentos, espécie de pessimismo crônico em face das dificuldades naturais do dia-a-dia. Seriam as justificativas da acomodação, se pode até mesmo dizer. Ainda assim, casos raros de extrema qualidade, no entanto, persistirão acontecendo, mundo afora.
Eu conhecera Mirtes Cordeiro durante visita que lhe fiz em campanha política de alguns anos atrás. Amiga de Luiziane, uma das minhas irmãs, ela me recebeu com alegria nas dependências do salão de beleza de sua propriedade, no Conjunto Novo Crato. Desde logo, com ela e seu esposo, Vilemar, mantive boa amizade. Um casal preocupado sobretudo com o destino de um filho que estudava em São Luiz, no Maranhão. Noutras ocasiões em que voltei a lhes encontrar, vi que a educação do filho sempre predominava entre os assuntos de interesse.
Sei bem que Mirtes transformara o sucesso do filho no sonho principal da família, em tudo por tudo. Esforçados nas lides cratenses, os pais acompanhavam à distância o encaminhamento do jovem, que escolhera a odontologia para graduação acadêmica. De Crato, Mirtes seguia e mantinha os tais estudos graças ao empenho de todos da família, o que mais adiante produziria resultados meritórios.
Na derradeira vez em que nos vimos, rápidos instantes no centro de Crato, Mirtes relatou seus planos de mudança para a capital maranhense, narrando o quanto custara de trabalho e preocupação a feliz educação do filho, incluindo o planejamento da mudança para mais perto dele, pois pretendia auxiliá-lo no início da profissão seguindo o caminho que abraçara.
E agora (18 de outubro de 2010) recebo a notícia de que, viajando para São Luiz, numa rodovia do Piauí, Mirtes Cordeiro sofreu acidente automobilístico fatal.
Nessa hora passou-me nas trilhas da lembrança o carinho de Mirtes para com o filho, a disposição constante querendo reunir os meios de mantê-lo estudando fora, as cartas que dirigiu às autoridades encarecendo recursos para a iniciativa, o que, sem qualquer dúvida, significou ponto de honra de uma vida inteira.
Sentimento forte de admiração e nostalgia evidenciou-se na figura daquela mãe afetuosa, recordando quando escutava a respeito dos seus cuidados e projetos que estabeleceram a nova história do filho, qual se outra meta não houvesse além disso para justificar os dias que lhe restavam antes de deixar este chão.
Com isso, aqui registro em um breve comentário o que presenciei desta personalidade simples que desaparece num piscar de olhos, anônima entre tantos que transmutam no amor aos filhos a razão maior do existir, pela magnânima vontade humana das suas realizações pessoais.
Unidade Nacional. - José do Vale Pinheiro Feitosa
A outra coisa foi o jogo religioso nesta eleição. Liberdade religiosa é lema principal da unidade nacional, quem não tem religião tambéms está defendido por esta unidade. O Estado laico e uma sociedade plural é a melhor forma de sermos civilizados. Não podemos acompanhar o modismo de nenhum país, especialmente neste tempos bicudos de crise quando o desespero popular pode levar sociedades ao autoritarismo.
A síntese a fazer é que a unidade nacional ocorra em torno de uma sociedade democrática, que reconheça seus problemas e que tenha a capacidade de dar voz a todos.
Sobre os dois aspectos coloco duas partes de uma entrevista com Maria Rita Kehl na revista Carta Capital:
Sobre a corrupção no Governo Lula:
CC: Falemos de ética: você acha que o caso Erenice atingiu eleitoralmente esta classe média?
MRK: Eu acho que sim. Eu li um artigo dizendo que o caso Erenice foi mais decisivo para exigir o segundo turno que essa “fofocaiada” toda sobre o aborto. E, infelizmente, está certo. O governo para o qual eu voto e continuo votando tem uma leniência com a questão da corrupção, que deixa até difícil um petista defender, tenho que dizer isso. Lula naturalizou a corrupção, como sendo parte do jogo político. E aí, está bom, quando fica mais escandaloso, demite. Mas “deixa acontecer”, entendeu? Renan Calheiros, Sarney, são vergonhas que a gente tem que engolir, fica parecendo que é culpa da oposição agitar isso. Claro que ela vai agitar. Nós agitaríamos isso se aparecesse uma coisa tão escandalosa na outra campanha. A diferença aí – que é a favor da atitude do governo Lula, mas que ao mesmo tempo não o torna vítima – é que o governo Lula não consegue blindar a imprensa como o governo do PSDB consegue, porque tem a imprensa na mão. Então, quando surge alguma coisa, surge como fofoca que desaparece no dia seguinte. Como a coisa do Paulo Preto, que o Serra não respondeu no debate e ficou por isso mesmo. A gente sabe que é um governo que blinda. O Alckmin, como a candidatura dele estava bem, teve a campanha toda em céu de brigadeiro, do começo ao fim, não tinha ninguém que pudesse pegar alguma coisa e contestar. E se pegasse, não ia sair na imprensa. De fato, a grande imprensa se encarrega de censurar quaisquer denúncias sobre os governos que ela apoia. Mas mesmo que a imprensa seja parcial ao denunciar um caso como o da Erenice, o caso em si está errado, não poderia aparecer.
CC: O governo não poderia ficar surpreso com a “escandalização” feita pela grande imprensa, certo?
MRK: Claro! Ele sabe qual é o jogo e não era para ter corrupção deste jeito. Uma coisa ou outra você não controla, uma coisa pequena, mas para mim é difícil responder quando as pessoas dizem: “mas, como? Estava no nariz dela! Era uma coisa que estava a família inteira metendo a mão”. Coloca os petistas numa situação difícil.
Agora sobre a questão do moralismo e do uso da religiosidadem, incluindo o tema do aborto:
CC: Esta eleição está sendo marcada também pela discussão de temas no campo da moral: aborto, religião. O que te parece isso?
MRK: Eu acho que isso mostra o atraso da sociedade brasileira. Porque, claro, nenhum candidato vai ser eleito se estiver em descompasso com a maioria da sociedade. O Plínio foi um exemplo ótimo, de um cara que falava tudo o que tinha na cabeça, tudo o que ele pensa de verdade, de uma forma consistente, porque ele não tinha compromisso de se eleger. O que me espanta é o atraso da sociedade brasileira. E a ignorância aí é apoiada pelo Serra de misturar questões religiosas com questões políticas. Como é que as igrejas começam a pautar a lei agora? Uma coisa é eles decidirem o que é pecado e o que não é, outra coisa é eles decidirem o que é ilegal e o que não é.
CC: E isso acabou virando pauta de campanha presidencial, não é?
MRK: Vira pauta e vira motivo de constrangimento. A campanha do PSDB tem responsabilidades sim, de acirrar esta intolerância religiosa neste momento da campanha. A Dilma respondeu duas vezes no debate da Band que neste País não tem intolerância religiosa. Fica esta irresponsabilidade feia do PSDB estar acirrando isso, mas ao mesmo tempo a sociedade mostra neste ponto como é atrasada. Aparecem comentários de que a Dilma é a favor do aborto como se ela tivesse o poder de decidir, se ela apoia o aborto, vai ter aborto. Como se isso não tivesse que passar pelo Congresso. Além de tudo joga muito com a ignorância do povo.
Se mais adiante fecha o assunto:
CC: E os candidatos chegam a “endireitar”, fazer campanha nas igrejas e citarem Deus à exaustão. Não acha que isso tem um papel deseducador, em particular para crianças e adolescentes?
MRK: Isso é o pior. Por um lado, eu acho que o problema da corrupção não é da responsabilidade do PSDB, eles vão extrair o máximo de vantagens que puderem arrancar deste caso da Casa Civil. Por outro lado, é responsabilidade sim, do PSDB e da campanha Serra o tom fascistóide que estas coisas estão adquirindo. É horrível que os candidatos tenham que aparecer ajoelhados comungando, dizendo que são a favor da vida…claro que são a favor da vida, quem é que não é?Agora, é a Igreja que não é a favor da vida. Aí é uma opinião minha. A ONG Católicas pelo Direito de Decidir me convidou para debater e elas pensam assim: a criminalização do aborto é uma questão contra a liberdade sexual da mulher, ponto.Não pode usar camisinha, porque a Igreja também é contra. Então é uma questão de dizer: sexo só dentro do casamento e só para ter filho. É isso, que não está escrito assim, mas é o que está dito. Se não pode usar preservativo, não pode evitar filho, não pode nem evitar infecções, epidemias como o HIV que mata milhões na África, que “a favor da vida” é esse?
CC: O Dafolha divulgou uma pesquisa que diz que a posição contra o aborto na sociedade aumentou depois destas semanas de discussão na campanha, veja o efeito nocivo.
MRK: Claro, porque o que circula é uma desinformação, “coitadinha da criancinha”, “eu poderia ter sido abortado” e “porque eu não fui abortado eu estou aqui”, não é neste grau. E a Marina tem responsabilidade nisso. Mesmo que a Dilma ganhe, a sociedade retrocedeu muito e isso é responsabilidade da campanha. É terrível.

