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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mascarados de Potengi enriquecem folguedo

O Reisado do Sassaré usa máscaras ou caretas, mas numa produção diferenciada. Encanta pelo amor à cultura




O Reisado do Sassaré ou os Caretas do Sassaré, em Potengi, resistem ao tempo.
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Juazeiro do Norte. Outro grupo raro no Cariri se encontra no Município de Potengi, no Sítio Sassaré, a 3 quilômetros da cidade. É o Reisado do Sassaré. O grupo também usa máscaras ou caretas, mas numa produção diferenciada.

Confeccionada em madeira e couro, os antepassados resistem ao tempo, por amor à cultura e a preservação de uma arte. Quando vem o chamado para o grupo se apresentar, começa todo um ritual de organização do material para seguir viagem, que resulta mesmo num grande divertimento. É a brincadeira se transferindo para outro terreiro.

São seis agricultores do Sítio Sassaré, mais os músicos e os personagens. Ao todo, são 12 personagens que eles conseguem formar. No entanto, conforme o formato anterior, seriam 12 caretas, além dos outros integrantes. A preocupação é pela permanência do grupo, mesmo com o número reduzido dos personagens.

Mestre Antônio Luiz de Sousa, de pequeno, que há mais de 23 anos conduz o grupo, deixava muitas vezes de dançar para escutar os chamamentos do mestre Raimundo Maximiniano. As músicas soavam ao seu ouvido como um aviso do destino. O menino só não aprendeu a fazer as máscaras.

A sua preocupação constante é de como fará para dar continuidade a um trabalho. A arte que atravessou décadas e, segundo o mestre, desde o seu bisavô tem notícia do envolvimento da família com o que ele chama de brincadeira.

A tradição nasceu no Município, na comunidade do Sítio Rosário. Lá se realizavam grandes espetáculos aos olhos dos visitantes até de outras cidades da região. Junto com o grupo, a lapinha da comunidade também chamava a atenção.

No grupo, personagens como o jaraguá, guriabá e a margarida estão ausentes, além dos caboclinhos. Há a presença do violeiro, que tem um papel importante nas apresentações.

Seu Francisco José de Amorim, um dos mais antigos na brincadeira, junto com o mestre, também tem a preocupação de juntar as roupas e incrementar os chapéus. Até para comprar os papéis coloridos para enfeitar as indumentárias é preciso buscar ajuda da comunidade. Todo esse movimento dá um tom especial e comunitário às brincadeiras. Chico percebe a importância de se valorizar os grupos de tradição. (ES)

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Potengi
Diretoria de Cultura
culturapotengi@gmail.com
Telefone: (88) 3538.1225

CRATO E JUAZEIRO
Cortejo de grupos acontece até dia 6
Juazeiro do Norte. O cortejo dos grupos de tradição popular acontece tradicionalmente de 25 de dezembro até 6 de janeiro, Dia de Reis, um dos raros momentos de encontro dos integrantes nas ruas das cidades caririenses. Os brincantes mostram, no passo da resistência, a história que atravessa séculos.

Em Juazeiro do Norte, são cerca de 70 grupos que saem de bairros como o João Cabral, Pio XII e do Frei Damião. A maioria deles urbano. O encontrão acontece na Rua São Pedro, no Centro, mas um dos problemas ainda está relacionado a violência reservada a alguns grupos rivais. Os mestres estão sendo chamados à responsabilidade. O importante é ter uma festa bonita.

Segundo a Secretaria de Cultura deste Município, dentro desse caldeirão cultural, com lapinhas, bandas caçais, entre outros, são pelo menos 20 grupos de reisados. O bailado dos reis também recebe a cadência dos toques das bandas cabaçais.

As ruas se transformam num grande festejo. O gerente de tradição de cultura popular da Secretaria, André de Andrade, aguarda uma confirmação da Secretaria de Cultura do Estado sobre verba para subsidiar a apresentação dos grupos, para ajudar na compra de vestimentas, lanches e transporte, apoio necessário e incentivador.

Mas a reverência ao Dia de Reis é o mais importante dentro do projeto natural. A religiosidade popular da terra do Padre Cícero é o grande incentivo e esse fator se estende também para outras cidades da região, que cumprem o ritual de festa, entre o sagrado e o profano, pois nos grupos existem personagens que dão esse tom, mas dentro de uma dramatização que enfoca o sagrado como principal fundamento.

No Crato, os desfiles dos grupos começam no início da tarde, com trajetos pelas ruas e o encontro no fim da tarde na Praça da Sé. Segundo o folclorista Cacá Araújo, o Crato e o Cariri constituem território de resistência cultural em todas as frentes. Os mestres de reisado Aldenir de Aguiar e Mazé Luna são exemplos de dedicação e liderança na preservação e desenvolvimento das tradições.

Congo
O Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti (Mestra Mazé Luna) e o Reisado do Mestre Aldenir são reisados de Congo. Esses dois tradicionalmente fazem suas apresentações tanto nas localidades de origem e também nas ruas.

Têm sua estrutura baseada na hierarquia social de uma corte, com Rei, Mestre e Contramestre ao centro, ladeados por duas fileiras de brincantes, compostas de Embaixador, Guia, Contraguia, Coice, Contracoice e Bandeirinhas (representados pelas crianças). Portam espadas e se vestem como guerreiros medievais. No Reis de Congo, o Boi é a principal figura. Com tudo isso, o Cariri reverencia o Dia de Reis. (ES)

Distinção
"O reisado se apresenta com estrutura ou elementos distintos em todo o Estado do Ceará"
Cacá Araújo
Professor e folclorista


ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

AS PERIPÉCIAS DE UM JORNALISTA

Pedro Esmeraldo

Fim de ano! Foi horrível para mim. Tive um comportamento assombrado, estimulado por pessoa maldosa, de baixo nível social.

Fiquei deveras magoado e continuarei com mágoas até o fim com uma figura estóica que permanece com asas sustentadas por alguém que deveria ser uma pessoa notável no meio político, pois se iguala a outra figura semelhante, dando prioridade a suas doutrinas de homem de comportamento desequilibrado.

Mas o que fazer? Essa figura notável se diz filho do Crato, deveria comportar-se como político de alta linhagem democrática, mas que “perde as estribeiras”, assemelhando-se aos seus comparsas e trazer boas maneiras com boas perspectivas para o Crato. Mas não, essa figura se perde no espaço vazio, aloja-se a pessoas perversas que só sabem esmaecer os amigos, pretendendo anuviar o bom procedimento dos cidadãos de bem.

Parei de escrever por uns dias a fim de equilibrar-me emocionalmente, fugindo das forças negativas que invadem o Crato.

Graças a Deus, volto à luta, enfrento o batente tenebroso para mostrar aos amigos que os considero indigestos, (porque não sabem o que dizem), não sou pessoa de esmorecer por pouca crise, visto que “o que vem de baixo não me atinge”, vou em frente, permanecerei na luta com muita garra, enfrento dissabores e cairei em cima dos erros que surgem constantemente.

Saibam senhores cheios de idéias fantasiosas (que cheiram mal), Crato não comporta esse tipo de pessoas dúbias e que pensam que o mundo é deles e entorpecem o desenvolvimento da cidade com palavras maldosas.

Neste presente momento, volto a dizer a esses homens apáticos que só sabem debochar de suas companheiras, se quiserem viver em paz, não repita mais esses atos grosseiros e deixem de dizer asnice ofendendo seus amigos. Seria melhor calarem com essa boca, dando abraço de tamanduá, aquietando-se, deixando-nos em paz.

Reisado de Couro é raridade no Nordeste

Mestre Zé Gonçalo do Reisado de Couro, do Barro Vermelho, localizado no Município de Barbalha.
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS


A tradição do Reisado de Couro remonta mais de 100 anos no Município de Barbalha, no Cariri, e o costume resiste
 
Barbalha. Um dos mais raros tipos de reisado do Nordeste se encontra no Barro Vermelho, neste Município. É o Reisado de Couro. O grupo foi resgatado há mais de três décadas e resiste ao tempo com os seus brincantes. O Mestre José Pedro de Oliveira, Mestre Gonçalo ou Mestre Pedro, com 81 anos, luta pela permanência da tradição e sai no comando das ordens com o seu pandeiro.

Final de tarde no Sítio Barro Vermelho, e está lá, sentado na varanda de casa no seu sítio, o receptivo brincante Zé Gonçalo, que já foi líder dos penitentes, o decurião, e Mateu de reisado. Desde cedo, mesmo sem o apoio do pai, decidiu levar a brincadeira de reisado com muito respeito. Chegava a fugir de casa, aos 14 anos, para brincar. E deixava a rede montada como se tivesse gente lá dentro dormindo.

O personagem do Mateu ficou só na lembrança. O Mestre fala da sua destreza na juventude e de um erro do adversário na dança. Isso resultou em sangue, já que um corte acima do olho fez o companheiro ir para o hospital. O nervosismo do Mestre Zé Gonçalo fez com que ele não quisesse mais encarar o personagem. Foi a única vez que tirou sangue de alguém, mesmo sem querer.

A tradição do Reisado de Couro remonta mais de 100 anos em Barbalha, segundo o Mestre, que recebeu o título de Mestre da Cultura Popular no Estado, em 2005. Zé Gonçalo agora busca incentivar os novos brincantes, o que não é uma tarefa fácil. O medo é que a tradição fique sem continuidade.

As apresentações do grupo aconteciam na sede dos agricultores do bairro e depois nas ruas da cidade de Barbalha. Na principal festa da cidade, no dia 13 de junho, é de lei o grupo se apresentar. Na data também se comemora o aniversário do líder do grupo.

"Estou perto de viajar e o importante é que fique a cultura", diz. Ele afirma que sempre procura estar nas apresentações para dar o comando com o seu pandeiro. Para o Mestre, os brincantes fazem as apresentações, mas nunca é como se o mesmo estivesse presente. O velho agricultor se empolga quando o assunto é reisado. "A cultura popular não pode acabar porque vem do começo do mundo. Se acaba se o mestre não se interessar de passar para as próximas gerações", ressalta.

Criação
Zé Gonçalo teve a preocupação de aprender com os outros. Foi decorando os passos e as letras de cabeça com outros mestres. Quando decidiu montar o Reisado de Couro, foi criando com os outros colegas, como Chiquinho Bernardo. As vestimentas e as máscaras de couro foram sendo confeccionadas aos poucos.

O grupo foi assumindo uma identidade e alegria. "A diferença do reisado do couro é que os caretas entram gritando", diz Zé Gonçalo. As vestimentas do grupo foram sendo criadas aos poucos, e também as máscaras de couro de boi.

Além do Mestre, tem os caretas, um babau (cavalo) e uma burrinha, o boi careta, o urubu e o jaraguá. São personagens que contam a história de uma tradição rara. É uma dança diferente. "Só de animação", completa o Mestre.

No comando da batida do pandeiro, no ritmado da sanfona e do bumba, os personagens entram em cena. É a entrada da chegada na casa: "Ô de casa, ô de fora, menina vem ver quem é...". Tem também a chegada do boi.

Elementos distintos
De acordo com o folclorista Cacá Araújo, o reisado se apresenta com estrutura ou elementos distintos nas várias regiões do Estado. No Cariri, a presença do negro na cultura da cana-de-açúcar faz aparecer o reisado como Reis de Congo. No sertão, a cultura do gado o transforma no Reis de Couro ou Reis de Careta. No litoral, surgem novas figuras como os "papangus" e o "folharal".

As dificuldades de manutenção das tradições desses grupos, segundo Cacá, tem como vilão e um dos principais entraves ao desenvolvimento de qualquer folguedo a carga midiática. "Difundindo saberes e costumes estranhos à nossa cultura, muitos deles carregados de futilidade consumista e pornografia", constata ele.

Idade
81 anos tem o mestre José Pedro de Oliveira, conhecido como mestre Gonçalo ou mestre Pedro. Ele luta pela permanência da tradição e sai no comando das ordens com o seu pandeiro

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura do Município de Barbalha
Região do Cariri - Estado do Ceará
Telefone: (88) 3532.1708

ELIZÂNGELA SANTOSREPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

A leitura como finalidade - Emerson Monteiro

Dentre outros resultados da leitura como hábito saudável, ler com frequência ativa funções cerebrais necessárias para viver consciente e com maior durabilidade no tempo.
Um conhecimento, que é de todos, repete os ditos da ciência de que o que não se usa atrofia. Em vista de serem os neurônios células vitais do sistema nervoso, à medida que se apagam, levam consigo a vitalidade essencial do bom andamento das demais atividades do corpo. Enquanto que a constância da leitura mantém a sobrevivência dessas células, e ocasionam saúde ao corpo inteiro.
Há um livro intitulado A arte de ler ou como resistir à adversidade, escrito pela pesquisadora francesa Michèle Petit, que desenvolve o tema da leitura do modo utilitário, sob o ponto de vista psicológico. Ela considera o ato de ler nos momentos críticos da vida, diante das desilusões amorosas, morte de pessoas da família, doenças, crises ou catástrofes coletivas, qual instrumento poderoso de restabelecimento dos aspectos pessoais positivos. Naquelas ocasiões, o livro apresenta sua fidelidade ao leitor, de modo a permitir energias suplementares para vencer os embates difíceis da existência.
Amigo incondicional, o livro conduz as pessoas a lugares mentais que lhes permitem chegar aos meios da calma, apaziguando distúrbios e conflitos ocasionais.
Em todos os cantos, leitores utilizam o poder da leitura para reverter situações adversas, mostra a pesquisadora, desde a Europa à América Latina, Brasil, Argentina, México, Colômbia. Ela viajou pelas diversas localidades estudando experiências de professores, psicólogos, artistas, escritores, editores, trabalhadores sociais, considerando diferentes públicos, crianças, adolescentes, mulheres, homens, escolarizados, marginalizados, sempre com a visão essa interpretativa da leitura e sua utilidade revitalizadora.
Na concepção dessa estudiosa francesa, a leitura conduz ao esquecimento temporário da dor, do medo e da humilhação (...) para despertar a interioridade, colocar em movimento o pensamento, relançar a atividade de simbolização, de construção de sentido e incita trocas inéditas. Conclui, então, que o hábito de ler permite intercalar momentos de paz nas realidades dolorosas, ofertando uma sobrevida aos leitores. Invés de fuga do mundo real, ler permite uma pausa, um intervalo necessário para curar as feridas de uma realidade demasiado dolorosa, nas suas palavras.
Segundo Michèle Petit, apropriar-se dos livros é reencontrar o eco longínquo de uma voz amada na infância, a relembrança dos entres queridos e suas sonoridades em que as palavras são bebidas como se fossem leite ou mel.
Resta a todos, também por isso, valorizar o hábito da boa leitura e o privilégio de se ser alfabetizado entre tantos que ainda não obtiveram esse direito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esperança de dias melhores- Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A passagem do ano gera nas pessoas uma alegria, uma vontade de mudar do velho para o novo. A virada do ano é comemorada com festas reunindo familiares e amigos. As cidades ficam coloridas com a explosão de fogos de artifícios. Há sempre uma esperança que dias melhores virão com muita saúde, emprego e felicidade. Também é um momento para refletirmos sobre a nossa mudança interior. Assim como é tempo de arrumarmos a casa, os guarda-roupas nos desfazendo do supérfluo, roupas de que nem precisamos e lotam os armários e poderiam ser aproveitadas por pessoas necessitadas. Participando de uma missa há alguns anos, nunca me esqueci das palavras do padre: “quando esvaziamos os nossos armários para doar roupas que não precisamos mais aos pobres, eles é que estão nos fazendo a caridade, pois queremos desocupar os armários”. O padre queria nos mostrar que em vez de acumular devemos partilhar o que temos de melhor. Assim é também com nosso espírito. Este é um momento para mudar nossa vida e iniciar o ano praticando mais o amor. Como conseqüência teremos um ano melhor para nós e para os outros. O primeiro passo para sermos melhores e nos doar mais é nos livrarmos do egoísmo, da falta de amor e da indiferença. É muito importante abrirmos o nosso coração a vivência do amor e da solidariedade.

O Evangelista João diz em suas cartas, que devemos amar uns aos outros, “pois o amor vem de Deus e quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. O amor aos irmãos nos leva a praticar o bem fazendo os outros felizes e promovendo a nossa própria felicidade. A felicidade está nas pequenas coisas: na união da família, na alegria de ter amigos, na doação aos outros. Saindo da indiferença e fazendo a nossa pequena parte, quem sabe ajudaremos um pouco mais na construção de um mundo sem violência, com mais paz e justiça. Não podemos perder as esperanças.
Desejo a todos os leitores e colaboradores desse blog um Ano Novo cheio de paz, amor e felicidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Pensamento para o Dia 02/01/2011


“Apenas um devoto fervoroso pode compreender e experimentar a bem-aventurança da união com Deus. Açúcar tem gosto amargo se uma pessoa sofre de malária. O defeito está na sua língua, não no açúcar. Assim é o caso de uma pessoa imersa em desejos mundanos. Se você está imerso nisso, não pode experimentar a doçura da Divindade. Tenha a firme convicção: "Deus está em mim, comigo, ao meu redor, atrás de mim." Quando você pondera sobre essas idéias, você se torna divino. Nunca acolha o pensamento de que você está separado de Deus. ”
Sathya Sai Baba

Raimundo Fagner - Emerson Monteiro

Há precisos 33 anos, ao seja, na virada do ano de 1977, encontrei o cantor cearense Raimundo Fagner. À época se apresentava na Quadra Bicentenário, em Crato, ainda nos passos iniciais da caminhada de êxitos que trilharia desde então. Dessa aproximação, viria a lhe oferecer hospedagem, a ele e a alguns amigos que com ele viajavam, Amelinha, Francis Vale, Wiron Batista, Afonsinho e mais duas jovens das quais não recordo os nomes. Morava com meus pais, naquela ocasião. Eles se achavam ausentes. A casa permaneceu, alguns dias, ao nosso dispor, enquanto o grupo ficou no Cariri uns dois ou três dias mais, e com eles seguiria para passar o Ano Novo em Orós, na casa dos pais de Fagner. Depois, no mesmo grupo, fomos até Fortaleza.
Nesta oportunidade, conheci alguns dos amigos dele numa comemoração que antecedeu apresentação do cantor, promovida no Teatro José de Alencar, no princípio de janeiro de 1978. Das figuras que se reuniram naquela noite, em um restaurante próximo à residência de Fagner, lembro de Ricardo Bezerra, Fausto Nilo, Stélio Vale, Alano Freitas, Sérgio Pinheiro, Cirino, dentre outros, todos ligados às artes e à música popular cearense, os quais formavam a intelectualidade artística de Fortaleza. Cirino eu conhecera antes, exímio violonista, havia estado com ele em algumas vezes em Crato, quando estabelecêramos amizade, e eu auxiliara no lançamento de um disco seu, no antigo auditório da Faculdade de Filosofia, nas instalações do antigo Patronato Padre Ibiapina.
Depois, passados esses anos todos, agora, no Révellion do Centenário de Juazeiro do Norte, de 2010, volto a encontrar Raimundo Fagner, em sua apresentação do evento. Nesse meio tempo, nosso contato fora só através de um telefonema, quando coordenei o Comitê Contra a Fome, a Miséria, pela Vida, no Banco do Brasil, começos da década de 90, e buscava instrumentos de ampliar os recursos daquela atividade com algumas promoções.
Em 1977, pois, Fagner despontava a nível nacional desde o seu primeiro disco, Manera Fru Fru Manera, gravado em 1973. Dono de uma carreira artística preenchida de sucessos, agora integra o elenco dos nomes imortais da música brasileira, dado seu talento de músico, cantor e compositor, dos mais festejados entre os valores da cultura do Ceará.
Nesta apresentação, em Juazeiro do Norte, o músico cantou algumas das composições que marcam os momentos destacados de seu repertório, para público estimado em 40 mil pessoas, cantando logo após as apresentações de Fábio Carneirinho e Luiz Fidelis, depois sequenciado por Maurício Jorge, na programação que iniciou a pauta das atividades alusivas ao Centenário da Independência de Juazeiro do Norte, neste ano de 2011.

Janinha Brito - A (a)postadora do Cariri no mundo




Blogueira aposta no registro e na difusão da produção artística e cultural da região do Cariri, Sul do Estado do Ceará, como forma fortalecer a identidade do povo do Cariri. Janinha é uma pequizeira, para quem é do Crato/CE isso é sinônimo de guerrilheira, ela é uma dessas mulheres fortes e defensoras do “cratinho de açúcar” .

Alexandre Lucas - Quem é Janinha Brito?


Janinha Brito - Sou uma apreciadora de arte e cultura do Cariri, cantora, blogueira e articuladora cultural.


Alexandre Lucas - Quando teve início seu trabalho artístico?


Janinha Brito - Em 1993, nos bares do Cariri, fazia dupla com Júnior Rivadávio, viajava com shows de MPB.


Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?


Janinha Brito - Música Popular Brasileira, especificamente a Nordestina, trazida pelo meu pai.


Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?


Janinha Brito - Vejo avanços, o governo Lula abriu portas para a arte e cultura, valorizando mais a arte popular, o ensino de artes nas escolas, projetos, eventos etc.
Muito pode ser feito ainda, mas já podemos hoje nos projetar a viver de arte.


Alexandre Lucas - O que é música para você?


Janinha Brito - Me emocionei com a pergunta...música é o meu sentido, minha razão.
Meu pai era músico, cada fase da minha vida tem uma forte lembrança musical, ela será minha profissão, a faculdade que farei, meu lazer, como sou lembrada pelas pessoas, alimento da minha alma!


Alexandre Lucas - Você vem dedicando parte do seu tempo a manutenção do Blog Cultura no Cariri. Como surgiu a idéia do Blog?


Janinha Brito - Pela necessidade de um espaço na internet onde pudéssemos saber mais sobre a cultura da nossa cidade.


Participei de um seminário do MINC, e do Entre Pontos, lá nos perguntaram sobre como saber mais sobre a música e cultura da nossa região, se estávamos organizados em uma associação ou tínhamos disponível algum material sobre a carreira na internet, percebi então nossa carência de registros e divulgação do trabalho, desde então tenho, com amor, me dedicado junto de grandes parceiros a atualizar o "Cultura no Cariri".


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Janinha Brito - Resgate da história de grupos de reisados, divulgação de novos artistas, de projetos sociais, etc.


Alexandre Lucas - O que é a cultura no Cariri?


Janinha Brito - É a essência do "ser" nordestino, a mistura da história, tradição, música, dança, poesia da forma mais pura e verdadeira.


É a nossa chapada do Araripe, nosso reisado, as lendas sobre as passagens de Lampião e seu bando contadas por nossos avós, é a rapadura e nossos velhos engenhos, o pequi, as romarias ao "padim Ciço", é a festa do pau da bandeira, procissão de Nossa Senhora da Penha, a feira, é Patativa, é Luiz Gonzaga!


Alexandre Lucas - Como você vê a participação dos músicos e interpretes do Cariri nos grandes eventos da Região?


Janinha Brito - Já pensei muito sobre isso, nossa exclusão deve ser transformada em uma grande guerrilha artística, idéia do Cacá Araújo e direcionada aos atores de teatro quando sentiram-se excluídos de uma das maiores manifestações culturais da região, além do mais, a tal "grande" festa vem perdendo o caráter cultural a cada ano, temos de nos organizar para melhor reivindicar nossos direitos.


Alexandre Lucas - O que é preciso para democratizar a diversidade musical?


Janinha Brito - A internet é uma grande parceira dos artistas, a forma mais acessível e dinâmica de apreciar e divulgar o trabalho. Temos muito ainda a explorar!


Alexandre Lucas - Como você enxerga o cenário musical do Cariri?


Janinha Brito - Precisa ainda profissionalização, oportunidades, incentivo material, organização e valorização!


Alexandre Lucas - Quais seus próximos projetos?


Janinha Brito - Voltar a cantar um repertório com músicas nordestinas e compositores caririenses, expandir o Cultura no Cariri, criar uma associação dos músicos do Cariri.

sábado, 1 de janeiro de 2011

ACONTECEU...

Aconteceu em
1º de janeiro
   
  1955 - Dia da 1ª Liga Camponesa  
 
Criada a 1ª Liga Camponesa, no engenho de fogo morto Galiléia, em Vitória de Santo Antão, PE. Marco inicial da 1ª grande onda de lutas pela reforma agrária no Brasil, até o golpe de 1964.
A sede da Liga do Engenho Galiléia
 
 
1804:
Independência do Haiti, 1º estado soberano da América Latina, graças à insurreição vitoriosa dos escravos.
   
1821:
Belém, com a tropa rebelada, adere à Revolução Liberal do Porto.
   
1849:
Borges da Fonseca expõe no Manifesto ao Mundo os fins da Revolução Praieira, PE: Constituinte, voto universal, valorização do trabalho.
   
1850:
Apenas 1 liberal (Sousa Franco, PA) chega à Câmara, após uma eleição que Teófilo Otoni chama de "saturnal indecente".
   
1852:
Joana Manso Noronha, argentina, lança no Rio o Jornal das Senhoras, 1º periódico dirigido às mulheres.
   
1863:
Abraham Lincoln proclama abolição da escravatura nos EUA.
   
1881:
Morre em Paris aos 76 anos o revolucionário socialista Auguste Blanqui. Passou 36 anos nos cárceres da reação francesa.
   
1883:
Acarape, CE, é a 1ª vila a libertar todos os seus escravos (116).
   
1884:
Começa a circular no RS o jornal republicano A Federação, de Júlio de Castilhos.
   
1907:
Os ferroviários da Mogiana, SP, conquistam a jornada de 8 horas.
   
1912:
Nasce em Belém João Amazonas, dirigente histórico do PCdoB, onde militará a partir de 1935. Reorganizador do Partido Comunista em 1962, foi com Maurício Grabois o dirigente da Guerrilha do Araguaia.
   
1927:
Com o fim do estado de sítio, o PCB reconquista a legalidade (até 12/8).
   
1931:
Soldados rebelados trocam tiros com a Força Pública em Niterói, RJ.
   
1933:
Triunfa a causa de Sandino: o exército dos EUA deixa a Nicarágua.
   
1946:
A polícia do gen. Dutra reprime manifestações no Rio e São Paulo.
   
1959:
Rebeldes de Fidel Castro tomam Havana. Vitória da Revolução Cubana.
A Festa da
Revolução

em Havana
   
1967:
Criada a Al-Fatah, braço armado da OLP (Organização de Libertação da Palestina).
   
1987:
Com a inflação superando 20% desde o Plano Cruzado, o gatilho salarial é acionado pela 1ª e única vez (será eliminado em 12/6).
   
1992:
Privatização do SNBP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata).
   
1994:
Levante indígena-camponês zapatista em Chiapas, sul do México, toma 4 cidades. Em 13/1, passeata de 70 mil na capital contra a presença do exército em Chiapas.
   
1999:
FHC assume o 2º mandato presidencial.

Meu primeiro Ano Novo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Recuando no tempo, as minhas lembranças remontam a alguns episódios de quando eu tinha dois anos de idade. Antes de sua morte, a minha mãe se surpreendeu quando eu, já velho e barbado, lhe perguntei em que ano ocorreram determinados fatos da minha infância. Guardo muita coisa na minha memória anterior, hoje com sua área de armazenamento já totalmente preenchida, de modo que não mais me ocorrem lembranças de anos mais recentes.

Eu tinha quatro anos e três meses de idade, quando descobri que o tempo era medido em anos. Leni, uma pessoa muito querida em nossa casa, rasgou a folhinha do calendário e disse: “Hoje é primeiro de janeiro de 1950. Faltam dez anos para o mundo acabar”. Foi assim que eu fiquei sabendo de duas coisas. Primeira: que cada determinado período de nossa vida constituía um ciclo que nós denominávamos ano. A segunda foi uma informação que me deixou bastante apreensivo. O mundo um dia iria acabar. E este dia estava bem próximo, pois dez anos para mim seria uma coisa que passaria rapidamente. Esta perspectiva do fim do mundo me apavorou só em pensar, que toda a vida existente um dia se acabaria. Por isso, a cada primeiro de janeiro, revejo a imagem de Leni puxando a folhinha do calendário e destacando aquele marco. Hoje guardo um sorriso pelos anos e anos em que tive medo das “três noites de escuro” que prenunciava o “fim do mundo” previsto, portanto para ocorrer em 1960.

Neste ano, que ontem se encerrou, quando me encontrava na UTI de um hospital, durante o pós-operatório de uma delicada intervenção cirúrgica, senti por alguns instantes a proximidade do “fim do mundo”.... E lembrei-me de Leni, que hoje vive no “outro mundo” preparando para os anjos e santos seus deliciosos bolos, pudins e o incomparável “baba de moça”, um doce feito com a polpa do coco verde, com os quais me empanturrei durante tantos anos. Tenho certeza que seus divinos clientes não correrão o risco de ter suas artérias obstruídas, como ocorreu comigo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Funções da autoestima - Emerson Monteiro

O zelo para consigo mesmo torna-se, todo tempo, fator por demais importante para viver uma vida saudável do ponto de vista interior, o que facilita sobremaneira o relacionamento com os outros, com o mundo que nos rodeia e alimenta desejos de prosseguir e aperfeiçoar a realização daquilo a que se veio aqui fazer neste pedaço de universo. Os obstáculos já vencidos no transcorrer dos embates do caminho mostram o quanto podem as pessoas, em termos de coragem e resultados. Temos todos, reunida em nós, na nossa personalidade, uma enorme lista de vitórias obtidas no transcorrer dos acontecimentos de nossa história pessoal. Parar um pouco e estudar este material precioso serve de reciclagem e dispositivo para considerar o quanto de recursos e instrumento de reforço dispomos, nos passos seguintes desse traçado que nos conduzirá à formação do nosso projeto individual.
As tais anotações guardadas na memória demonstram, junto ao tribunal das consciências, o poder que dispõe o ser humano, vezes sem conta, ao querer atravessar as tempestades. Ninguém merece título de perdedor quando detém as provas de sucessivas vitórias, nas lutas apresentadas pelo caminho. E nunca serão poucos os tais acertos, desde nosso início, ainda na infância; depois, na juventude; e entrando pela idade adulta. Jamais cruzar os braços ou baixar a cabeça perante desafios, esta a lição preciosa que todos reservam para si na justiça eterna, livres do que pensem adversários ou imponham os limites da resistência.
Aprendida, pois, essa atitude positiva de resistir com garra aos males do fracasso, guerreiros erguem os olhos à metade superior da linha do horizonte e tocam o barco em frente, no sentido de concretizar seus maiores sonhos, detalhe sobretudo salutar do processo vida, sonhar sempre com o que de melhor se pretende trazer ao foco das realizações. Enquanto há vida, há esperança, dizem orientadores que querem o nosso bem. O amor às coisas boas encaminha todo percurso a destinos favoráveis. Com isso, criar na imaginação o porto a chegar, o que abre, no mundo invisível, o trilho de uma exata concretização desses sonhos. Passado em miúdos, isto quer significar o quanto pode a capacidade humana de planejar o futuro e conquistar territórios.
Houve um filósofo romano de nome Sêneca que, certa feita, escreveu que nenhum vento é favorável a quem navega sem destino, daí a importância do ato de formular o endereço firme do que se pretende realizar na existência.
Bom, quando recebidas com atenção e postas na prática, as palavras alimentam de ânimo o roteiro das pessoas, frutificando as nossas ações e o gosto de crescer ao infinito de nossas potencialidades.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 FELIZ E PRÓSPERO

MENSAGEM

Reisado Infantil Dedé de Luna do Muriti (Crato-Cariri-Brasil) - Foto de Júlio César

Corri
mundo e quintal
buscando as palavras certas para um fim-de-ano

Revirei
memória e papéis
catando assunto para uma mensagem de ano-novo

Futuquei
blogues e sítios
garimpando pedaços de alma
para compor o que poderia chamar de ode à liberdade e ao amor

Andei demais
e quando voltei a mim
encontrei uma vontade imensa
de chorar choro de revolta e alegria
aquela, contra a miséria e a exploração
esta, louvando a esperança de ver brotar uma era de paz e felicidade

Cacá Araújo
Crato-Cariri-Brasil

Pensamento para o Dia 31/12/2010


“Nunca se sinta deprimido quando for pressionado por dificuldades. Deus nunca irá impor-lhe provas que não possa suportar. Ele testa seus devotos de várias maneiras. Teste é o "sabor" de Deus. Nunca tema qualquer teste. Esteja pronto a sacrificar até mesmo sua vida pelo amor de Deus. Somente então é que Deus o protegerá. Não há defeitos em Deus. Todas as palavras e ações de Deus são perfeitas. O que você vê é a reação, reflexo e ressonância de seus sentimentos. Eles são de natureza psicológica. Deus sempre nos concede apenas o bem-estar. Compreenda e experimente essa verdade.”
Sathya Sai Baba

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ACONTECEU

Aconteceu em
30 de dezembro
   
   
  Charge da época, em A Careta  
  1930 - Dia do Com que Roupa?  
  Noel Rosa grava pela Phono-Arte o samba Com que Roupa? O estrondoso sucesso (15 mil cópias) estende-se pelo século. "É sobre o Brasil. O Brasil de tanga", explica o autor.  
 
1830:
D. Pedro I viaja a MG ao som de dobres de finados pela morte de Líbero Badaró, atribuída à repressão imperial.
   
1888:
A Guarda Negra (formada por ex-escravos monarquistas) interrompe pela violência conferência republicana de Silva Jardim no Rio.
   
1905:
Criado o 4º (e atual) Banco do Brasil.
   
1911:
A revolução do Kuomitang proclama Sun Yat-sen, 45 anos, 1º presidente da China.
   
1918:
Fundação do PC da Alemanha, que rapidamente atrai a ala esquerda das bases social-democratas.
   
1922:
Congresso dos Sovietes cria a URSS (União Soviética).
   
1968:
1ª lista de cassações pós-AI-5, encabeçada pelo dep. Márcio Moreira Alves.  
   
1977:
O Vietnã invade o Camboja para ajudar a derrubar o regime de Pol Pot.
   
1992:
O Senado vota o impeachment de Collor (76 votos a 3). Condenado por crime de responsabilidade, este perde o direito de concorrer em eleições e ocupar cargos públicos até 2000.
                        Collor por Chico Caruso

Petrobras lança edital para difusão de música e cinema

Estão abertas até o dia 21 de janeiro de 2011 as inscrições para a seleção pública de Festivais de Música, Festivais de Cinema e Difusão de Filmes do Programa Petrobras Cultural (PPC). O programa reserva um total de nove milhões de reais para serem distribuidos entre as diversas categorias.

 
A Petrobras quer ampliar o espaço de circulação comercial e cultural da produção artística brasileira, incentivando ações formadoras de novos públicos. Os projetos serão selecionados por uma comissão formada por profissionais ligados à área de música e cinema.

A edição 2011 selecionará projetos de festivais de música popular e erudita, que serão contemplados com total de R$3 milhões. Cada projeto poderá ter valor máximo de R$500 mil.

Em festivais de cinema, que também receberão R$3 milhões, os projetos terão de optar por três faixas de valores: até R$100 mil, R$200 mil ou R$300 mil.

O edital de difusão de filmes de longa-metragem também terá verba de R$3 milhões. Cada projeto inscrito poderá solicitar patrocínio no valor máximo de R$400 mil.

Criado em 2003, o Programa Petrobras Cultural baliza as ações de patrocínio da Companhia em torno de uma política cultural de alcance social e de afirmação da identidade brasileira. É o maior programa de patrocínio cultural do país.

Desde a primeira edição, o PPC já teve sete edições, abrangendo 76 áreas de seleções públicas, destinando R$311 milhões a 1.246 projetos contemplados. Foram mais de 26 mil projetos inscritos, avaliados por 356 especialistas integrantes das comissões de seleção.

As comissões de seleção do PPC são formadas por grupos de profissionais que atuam diretamente nas áreas culturais contempladas pelo programa. Essas comissões são renovadas a cada ano e sua composição busca diversificar os perfis para o julgamento dos projetos, que são selecionados por seu mérito qualitativo.

Serviço:
As inscrições devem ser feitas apenas pela internet, no site www.hotsitespetrobras.com.br/ppc.


Fonte: http://www.vermelho.org.br/


VAMOS VER CONTOS DE BRUXAS!!!

Oswald Barroso – O desbravador da história popular do Ceará




Se os bandeirantes estiveram a serviço do Rei, Oswald que é de outro tempo esteve a serviço das camadas populares, descobrindo e esculpindo a história do povo do Ceará pisoteada pelas elites econômicas. Entre travessias e encruzilhadas percorreu os 184 municípios cearenses para transformar em arma emancipatória a história e a arte do seu povo.


Alexandre Lucas - Quem é Oswald Barroso ?

Oswald Barroso - É um multi-artista pesquisador que tem procurado se dedicar à causa dos oprimidos, atuando como uma espécie de griô, ou um exu, como queiram, sempre em travessias e encruzilhadas: vendo, ouvindo, sentindo a vida popular, traduzindo estas vivências em formas artísticas, para difundi-las em novos caminhos. Comecei com desenho, pintura e poesia. Depois desenvolvi um bom trabalho como letrista e cheguei mesmo a tentar ser músico. Até que me fixei no teatro e fiz ainda muitos vídeos documentários, chegando mesmo a gravar uma experiência em ficção, O Filho do Herói, para a TV Educativa, atual TVC. Hoje gosto também de fotografar, como uma forma de anotação etnográfica. No teatro, passei 18 anos no Grita, 10 no Boca Rica e agora estou do Teatro de Caretas. Fiz de tudo, trabalhei como ator, diretor, dramaturgo sempre, cenógrafo, iluminador etc. No jornal, fiz reportagem, ensaios e crítica de arte e, na universidade, ensino música nas tradições populares, estética, cultura brasileira e antropologia da arte. Admiro o homem renascentista, que transitava entre artes, saberes e culturas sem a menor cerimônia. Quem sabe estejamos retomando esse caminho.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Oswald Barroso - Em 1964, depois que um acidente de trânsito encerrou minha carreira de atleta. Eu tinha 16 anos e havia sido convocado para a seleção cearense de vôlei. Uma camionete rural partiu minhas duas pernas, fraturas expostas, e mudou meu destino. Passei mais de um ano acamado e outro ano em tratamento hospitalar no Rio de Janeiro. Foi a oportunidade de conhecer toda a literatura brasileira, principalmente a poesia, e muito do modernismo europeu. Eu lia, escrevia e desenhava sem parar. No Rio de Janeiro, onde passei o ano de 1965, entre uma internação e outra no hospital, freqüentei a vida cultural da cidade: museus, bibliotecas, cinemas, shows, festivais. Voltei muito informado à Fortaleza. Já em 1966, no Colégio São João, me liguei ao grêmio e formamos um grupo de estudos marxistas. No ano seguinte, descobrimos articulações com o pessoal de esquerda, não só com o movimento estudantil, mas com o movimento popular, pescadores e operários de fábrica, no caso, porque eram eles que a gente queria retratar em nossa arte.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Oswald Barroso - No início por influência do meu pai, poeta modernista, que colocou meu nome em homenagem a Oswald de Andrade, foram os poetas modernistas brasileiros: o próprio Oswald, Mário, Carlos Drummond, Vinícius de Morais, Manoel Bandeira, Solano Trindade, com destaque João Cabral (considero Morte e Vida Severina o maior texto dramático brasileiro), os cearenses, principalmente: Antônio Girão, Aluízio Medeiros e Jáder de Carvalho. Entre meus professores: André Hagüette, Francisco Alencar e Diatahy Bezerra de Menezes. Entre amigos de geração, parceiros, me influenciaram diretamente: Adriano Espínola e Rosemberg Cariry. Dos romancistas e intelectuais brasileiros: Graciliano Ramos (à lucidez de quem atribuo ter sobrevivido às torturas, pois graças à leitura de Memórias do Cárcere nas vésperas da prisão tive um comportamento adequado.), Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Darcy Ribeiro. Mas também: Gregório de Matos Guerra. Entre os latino-americanos: Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Ciro Alegria, Juan Rulfo, Jorge Luis Borges etc. Teatrólogos: Brecht, Meyerhold, Maiakóvski, Gorki, Peter Brook, Ariane Mneouchkine, os teatros tradicionais de modo geral etc. Mestres tradicionais: Sebastião Cosmo, Aldenir Callou, Manoel Ramos, Manoel Torrado, Biu Alexandre, Apolônio Melônio, João de Cristo Rei etc. Ainda: Joseph Campbell, Iung, Levi Strauss, Fritjof Capra. E mais: Van Gogh, Picasso, Portinari, Glauber Rocha etc.

Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?

Oswald Barroso - Se a gente fala de política no sentido de que “o homem é um animal político” (nesse sentido, aliás, todo animal é político, porque disputa território), então a política sendo uma dimensão do humano é, por consequência, uma dimensão da arte. É inquestionável que toda obra artística, sendo expressão do ser total, que por isso mais que qualquer outra manifestação do espírito humano implica subjetividade, traz em si uma visão de mundo expressa pelo autor e lida de algum modo pelo receptor. Arte sem significado, sem posicionamento sobre a realidade, sem tomar partido, não é arte, está mais para enfeite, arabesco, confeito e olhe lá.

Alexandre Lucas - O que é arte engajada para você?

Oswald Barroso - Pra mim, portanto, toda arte é engajada. Agora o artista escolhe em que causas engajar sua arte. Hoje, a maioria prefere engajar em campanhas comerciais. Vender o laptop da Xuxa, o tênis da Adidas e outros produto tais, como nas novelas e nos especiais de Natal da Globo. Mas uns preferem engajar em campanhas de caridade, outros em campanhas de saúde pública, usar camisinha, ou de incentivo ao pagamento de impostos etc. Alguns em campanhas de conscientização política, como os CPCs da UNE, ou o Teatro do Oprimido do Boal. Outros ainda em campanhas eleitorais para determinados candidatos. Outros, pelo contrário, em mostrar que a arte é biscoito fino para poucos eleitos e não diz respeito às massas, por isso deve ser financiada pelo governo. Aqueles mais conscientes, neste último caso, se contentam com a compra de suas obras por milionários. E assim vai. Cada um escolhe seu engajamento.

Alexandre Lucas - Qual o papel social do artista?

Oswald Barroso - Nas sociedades paleolíticas todas as pessoas fazem arte. Entre os índios brasileiros, por exemplo, isto acontece, e é muito bom. Não se distingue o artista. No neolítico aparece o artista, como artífice. É quando a arte se distingue entre os outros ofícios. Aparecem as várias artes de ofício. O papel do artista, então, é trabalhar para a sociedade, atender a demanda da sociedade. Penso que este deve ser seu papel social até hoje, o de um trabalhador para o bem da sociedade, ou seja, atender à demanda social. Agora, ele deve saber para quem trabalha. Se para o Rei, como os atores da comedia del’arte, ou para o populacho, como os jograis e saltimbancos? No caso, se para os empresários e banqueiros, ou para o povo e os movimentos populares? Eu gosto muito de trabalhar para os assentados (como fiz no projeto sertão da tradição), as dramistas (como no projeto dramas do litoral leste), os romeiros, os sem-terra, os sem-teto etc., mas trabalho também para algumas editoras ou instituições públicas, que não me cerceiem a liberdade de expressão. Quase sempre trabalho sob demanda. Por minha iniciativa mesmo tenho trabalhado pouco. Falta tempo, embora não falte planos.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Oswald Barroso - Acho que tenho contribuído para dar visibilidade à cultura popular do Ceará, principalmente aos reisados e às romarias, mas também ao artesanato. Isso não é pouco ao se levar em conta que a elite do Ceará, especialmente, sempre deu às costas ao seu povo. Quando eu nasci, nossa elite ainda estava no auge de uma cruzada para “civilizar” o Estado, lutando para fazer desaparecer tudo quanto é traço de cultura indígena e africana do nosso cotidiano. Esse horror ao popular ainda é muito forte na Fortaleza do Leste, que se espelhava em Londres e Paris, depois em Miami e agora em Dubai (embora ainda haja quem vá à Disney). No teatro, tenho tentado mostrar que temos referência para construir uma linguagem cênica nossa, original, sem copiar o estrangeiro ou o sul maravilha.


Alexandre Lucas - Você deu uma grande contribuição para a pesquisa científica no processo de redescobrimento, registro e discussão sobre as manifestações da “cultura do povo”no Estado do Ceará ?

Oswald Barroso - Tenho muitos motivos de orgulho na vida, um deles é ser doutor em reisado e outro é ser cidadão honorário de Juazeiro do Norte. Já viajei por todos os 184 municípios do Ceará, vários distritos e inúmeras localidades de muitos deles. Dezenas, visitei várias vezes. Outros, dezenas de vezes, como Juazeiro do Norte. Nestas pesquisas, o que eu fiz foi ouvir histórias. Eu sempre viajei para colher boas histórias. Não eram pesquisas científicas propriamente ditas. Não acredito em ciência objetiva, em conhecimento objetivo. Trabalhei inicialmente como repórter de O Povo. Vivia viajando por Fortaleza, desde o centro até a periferia, e pelo interior do Estado, entrevistando gente, colhendo boas histórias e dando a elas a forma da minha arte.
Depois inventei de ser pesquisador, trabalhando na Secult e, em seguida na Universidade, onde continuei fazendo o mesmo, colhendo mitos, lendas, histórias de trancoso, de mistério, do arco da velha, de lutas populares, de assombração, dramas pessoais, aventuras, poesia que eu via, ouvia, imaginava, vivia. Às vezes, essas histórias eu resolvia viver eu mesmo, me aventurava, para depois escrever, desenhar, reviver. Vivenciei muitas das peripécias que conto. É bom porque a gente não perde um detalhe. Almanaque Poético é um livro assim.

Alexandre Lucas - O que representou e representa para você o trabalho de pesquisa?

Oswald Barroso - É uma forma de viver, uma razão para caminhar, a busca de um mistério, a tentativa de compreender o mundo ou talvez apenas de viver de uma maneira desafiadora e prazerosa.
É também a fonte de toda a minha criação e imaginação. Nenhuma imaginação solitária é mais poderosa do que a imaginação do inconsciente coletivo.

Alexandre Lucas - Fale dessas pesquisas?

Oswald Barroso - Embora já conhecesse a cultura popular desde menino, da feira do Ipu, onde eu passava as férias, e da periferia do grande Recife, onde vivi na clandestinidade, foi numa romaria ao Juazeiro do Norte que se deu meu grande alumbramento. Daí começaram as pesquisas sobre os mistérios do povo romeiro: cordelistas, xilógrafos, imaginários, profetas, beatos, conselheiros, cantadores, mestres de reisado, santos etc. Aprendi que há uma religião que não é o ópio do povo mas que é dele, nascida de sua alma e por seu espírito alimentada e passei a querer desvendar sua lógica e seus mistérios. Participei de pesquisas seguidas: Artesanato Cearense, Literatura de Cordel, Reis de Congo e Reis de Bailes, Caminhos de São Francisco, Atlas da Cultura Cearense, Festas Populares do Ceará, Memória do Caminho, Sertão da Tradição, Terreiro da Tradição, Mãos Preciosas, Dramas Populares do Litoral Leste, Reis Assentados, Guia Turístico do Ceará, Máscaras Brincantes etc. Como jornalista, escrevi mais de 400 textos, entre artigos e reportagens, a maioria dos quais versando sobre assuntos da cultura cearense. Uma parte das histórias colhidas ainda não foram processadas e outra parte, mesmo transfiguradas, ainda não foram publicadas.

Alexandre Lucas - Como você analisa a nova conjuntura para as políticas públicas para cultura no país?

Oswald Barroso - Penso que os pontos altos do Governo Lula foram as políticas externa e cultural. Gilberto Gil incluiu o Brasil e sua diversidade cultural na ação do Minc., além de solidificar uma prática de editais. Juca foi adiante e queria modificar a Lei Rouanet, assim como a Lei de Direitos Autorais. A nomeação da nova Ministra da Cultura Ana Holanda foi uma reivindicação da elite do Rio-São Paulo que se opõe a esse caminho. Ela surge como representante do pessoal que quer um ministério para os artistas midiáticos e para a indústria cultural. Em compensação, acabo de saber da nomeação do Francisco Pinheiro para a Secult Ce., fato que aponta em sentido contrário, ou seja, para uma política de cultura ampla e diversificada.

Alexandre Lucas - Nas sociedades primitivas a arte não se separava da vida. Você acredita na necessidade deste reencontro arte-vida?

Oswald Barroso - Com certeza, penso que caminhamos para um novo projeto civilizatório onde não apenas a arte se desfragmente, refundindo-se em suas diferentes linguagens, como se reintegre à vida, de tal modo que desapareça, até mesmo, a palavra arte, porque tudo será arte. Como fazem os índios, que dedicam a vida, integralmente, a encher de beleza o universo.

Alexandre Lucas - Qual a importância dos Coletivos de artistas dentro da produção estética e artística?

Oswald Barroso - É total, porque os grandes movimentos artísticos, a melhor arte, embora haja o talento individual, sempre é produção da coletividade. As grandes escolas, os grandes estilos, as grandes criações, o grande saber, o grande fazer artístico é coletivo. O gênio só brota no coletivo. O talento individual precisa de terreno propício para florescer. Nas culturas tradicionais isto é muito evidente.

Pensamento para o Dia 30/12/2010


“Você não deve desperdiçar sua vida simplesmente comendo, bebendo e dormindo. Na verdade, essa vida é uma mácula na própria natureza humana. Toda atividade de vocês deve refletir a mensagem Divina. Infelizmente, esse não é o caso hoje. Algumas pessoas afirmam que têm dedicado suas vidas à missão de Deus. Mas, na realidade, não é assim. Elas estão perdendo seu precioso tempo em buscas materialistas. Não há nada errado em estudar, trabalhar e ganhar dinheiro, desde que sejam feitas com o espírito apropriado, o qual é benéfico a todos. Você vê muitas pessoas sofrendo. De que maneira você as está ajudando? As dualidades da vida, tais como dor e prazer, andam de mãos dadas. Dor e prazer coexistem. É impossível separá-los. O prazer não existe separadamente. A frutificação da dor é o prazer. Essa mensagem de verdade deve ser ensinada a todo o mundo. Sem dor não se percebe o valor do prazer. O valor da luz só pode ser percebido quando há escuridão.”
Sathya Sai Baba

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Programa COMPOSITORES DO BRASIL - Rádio Educadora do Cariri

“E quando o trovão
Acorda o sono nestes tristes vales
Ecos de um clamor medonho
Desce lá da serra
E estremece tudo por aqui
São os curumins as mães os pais
Dos velhos cariris”...
(Triste Vales, Zé Nilton)

COMPOSITORES DO CARIRI

Texto de Carlos Rafael Dias

A música do Cariri cearense ecoa desde os tempos remotos. Os indígenas cariris, primeiros habitantes deste torrão, eram genuínos músicos. Este legado vem se perpetuando na musicalidade regional dos herdeiros da tribo, misturado aos sons que aqui chegaram com os estrangeiros da época da colonização às últimas novidades sonoras trazidas pelas mídias contemporâneas. Entre as maviosas notas que soam do rústico pife de taboca sob a marcação ritual dos tambores afros, entrelaçam-se os acordes dissonantes do violão bossanovista e os solos distorcidos das guitarras roqueiras.

Mas a música caririense tem um algo mais. Talvez um atrativo que combina o aroma acentuado do pequi ao gosto raro do buriti. Talvez seja o lendário canto da Iara que guarda as fontes de águas cristalinas das encostas serranas, fisgando corações românticos como o visgo que pega passarinho.

Na obra dos compositores caririenses, ouvidos atentos podem captar muito mais do que os poucos minutos de cada canção. Nela podem ser ouvidos os ecos de quatrocentos anos de história, onde as lendas se confundem com a epopéia dos homens que traduzem suas vidas em um espetáculo diuturno de fé, coragem, esperança, trabalho e muita arte.

Aqui, todos os sons se fundem. O canto da cigarra prenunciando inverno bom. O sino da igreja chamando os fiéis. A velha amplificadora irradiando as boas novas para além do perímetro urbano. A banda de música animando os eventos, percorrendo ruas ou fazendo tremer os coretos. O burburinho da feira com seus artistas mambembes. Serestas e seresteiros sempre vivos enquanto existir um coração apaixonado...

O programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, 30 de dezembro, presta uma homenagem aos compositores caririenses ciente de que importantes nomes da música regional foram omitidos. Mas o leque sonoro abordado é por demais representativo do ecletismo regional. Para degustar plenamente o programa, recomenda-se, se puder, que se deite em uma rede em uma varanda com vista para o vale, deixando a brisa serrana espantar o calor deste ano que se finda...

É apenas um pequeno mostruário, pois o espaço é pequeno para tamanha grandeza.

Na sequencia:

O Poeta, de Abidoral Jamacaru e Xico Chaves, com Abidoral Jamacaru
Levada de Coco, de Francisco Saraiva, com Herdeiros do Rei
Galope Diferente, de Jonteilor, Cícero Brasil e Edvânio Nobre, com Jonteilor
Cantoria de Reis, de Antonio Queiroz e Júnior Boca, com Dr. Raiz
A Pressa, de Igor Arraes, com a banda Nacacunda
Calar o amor, de Leninha Vaz, com Leninha Vaz
Amor Beato, de Zé Nilton e Francisco Sávio, com Zé Nilton e João do Crato
Tambores e Maracás, de Lifanco, com Lifanco
Flor do Mamulengo, de Luís Fidélis, com Luís Fidélis
Terras Brasileiras, de Pachelly Jamacaru e Marcus Vinícius, com Pachelly Jamacaru
Pra Cantar o Amor Distante, de Cleivan Paiva e Rosemberg Cariry, com Cleivan Paiva
Venham Ver as Belezas do Crato, de Correinha, com Correinha
Chuva de Janeiro, de Geraldo Júnior, com Geraldo Júnior

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção de Carlos Rafael
Apresentação de Carlos Rafael e Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga