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segunda-feira, 14 de março de 2011

Rebeldia e tradição conviveram em sítio no Crato, sul do Ceará

Alternativa ao latifúndio, à exploração e à diferença de classe, a comunidade liderada pelo beato José Lourenço, no Ceará de um século atrás, punha em prática o discurso da igualdade

Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual

Publicado em 11/03/2011, 19:05
Última atualização em 13/03/2011, 08:54

Sobreviventes do sítio Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato, em foto exposta em capela no local (Foto: Domínio Público)

São Paulo - Ao mesmo tempo em que surgia a política do café com leite, que alternava na Presidência da República representantes da elite agropecuária paulista e mineira, o beato negro José Lourenço formava uma comunidade cooperativa que cultivava frutas, cereais, hortaliças e algodão no sítio Baixa D’Antas. A propriedade, localizada na cidade do Crato, ao sul do Ceará, fora cedida pelo padre Cícero Romão Batista. Era o ano de 1894. Tudo ia bem até 1921, quando o boato de que um boi estava sendo adorado pelos camponeses levou Lourenço à prisão por quase um mês.

Naquela época havia uma cruzada contra o fanatismo na região, de cunho religioso e político. Apesar de seu carisma, que atraía romarias de vários estados nordestinos à vizinha Juazeiro do Norte, o Padim Ciço, eminência parda na política cearense, estava na mira de investigações da Santa Sé. Em 1889, enquanto ele celebrava uma missa, a beata Maria de Araújo não teria deglutido a hóstia consagrada, supostamente transformada em sangue. O fato teria se repetido outras vezes e logo os fieis entenderam se tratar de um milagre de derramamento do sangue de Jesus Cristo. A história se espalhou e desagradou o Vaticano, que cassou a ordenação do sacerdote.

O sítio logo foi vendido e os camponeses foram expulsos pelo novo proprietário. Seguiram então para o sítio do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato, que também pertencia ao padre. Famílias de todo o Nordeste, a maioria vindas do Rio Grande do Norte e de Alagoas, passaram a viver de trabalho e oração, produzindo de maneira cooperativa e autossuficiente, armazenando a produção para distribuição conforme a necessidade de cada família. Do Ceará não tinha muitas. O Padre Cícero não era bem visto por parte dos cearenses devido a suas alianças políticas com os coronéis.

Rebeldia versus tradição - O professor da Universidade Federal do Ceará Francisco Regis Lopes Ramos, especialista em história da religiosidade, observa que o aspecto religioso, muito forte, explica o caráter da comunidade que tinha como princípio básico a irmandade – todos eram iguais porque todos eram irmãos, filhos de Deus. “Esse discurso do Padre Cícero e do Beato Lourenço, muito parecido com o de outras lideranças religiosas, como Antonio Conselheiro, de Canudos, não era novo”, afirma Ramos. “A novidade foi colocar isso em prática de maneira radical, numa espécie de rebeldia no meio da tradição. Ou seja, a partir da tradição criou-se algo novo, que contrasta com o latifúndio, a exploração, a diferença de classe.”

Em 1932, quando houve uma grande seca e o governo implantou campos de concentração para impedir a ida de retirantes para a capital Fortaleza (o episódio é tema de reportagem da edição 57 da Revista do Brasil), o Caldeirão acolheu muitos desses flagelados. A irmandade, até então pequena, praticamente dobrou de tamanho. Mais do que água e comida, o que atraía pessoas para lá era a religião. “Muitos que estavam ali até tinham terras, mas queriam viver conforme entendiam ser a vontade divina”, destaca Ramos. “Até porque se miséria explicasse a criação de núcleos como esse, teríamos hoje em dia vários espalhados pela periferia das grandes cidades”.

Embora localizado no Crato, o sítio poderia ser considerado uma comunidade de Juazeiro. Simbolicamente, seu líder era o padre Cícero, de quem José Lourenço era devoto. Em 1934, com a morte do sacerdote, muitos fiéis que faziam romaria para Juazeiro enxergaram na irmandade a continuação de Juazeiro. O movimento migratório para lá cresceu muito e passou a chamar a atenção das autoridades. Tanto que em 1936 os camponeses foram expulsos por forças militares. Para o estado, muita gente junta daquela maneira significava um movimento perigoso. Lembrava Canudos.

Ameaça comunista - As elites cearenses consideravam José Lourenço um líder capaz de organizar levantes contra a ordem pública, um comunista, e queriam o fim do Caldeirão. Mas a incômoda ligação entre ele e Padre Cícero desestimulava qualquer ação. Com a sua morte em 1934, deixando suas terras, inclusive a do sítio, para a Ordem dos Salesianos, os novos proprietários passaram a cobrar tributos. Dois anos depois, religiosos, políticos e policiais se reuniram para discutir a comunidade que incomodava tanta gente importante. O temor era que a guerra de Canudos se repetisse ali. Quatro décadas antes, os seguidores do beato Antonio Conselheiro resistiram e derrotaram o exército várias vezes até serem massacrados. Havia também o temor de que líderes marxistas tomassem o Caldeirão. Afinal, em 1935 houve levantes da intentona comunista em Recife e Natal.

No dia 11 de setembro de 1936, as forças militares cearenses invadiram o sítio. O beato José Lourenço já estava escondido nas matas da Chapada do Araripe, onde ficaria até o início de 1938. Os moradores da comunidade foram expulsos, a maioria indo viver na mata, em acampamentos precários. Os mais de 400 casebres da irmandade, segundo pesquisadores ouviram de familiares de quem viveu lá, foram queimados e a produção agrícola saqueada.

No início de 1937 surgiram rumores de que os camponeses espalhados pelas matas do Araripe atacariam o Crato. A polícia de Juazeiro mandou onze soldados para checar as informações, que acabaram em conflito com os agricultores. Segundos fontes oficiais, morreram o capitão e três praças e cinco dos seguidores de Lourenço. Segundo registros históricos, o então ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, autorizou o voo de três aparelhos do Destacamento de Aviação sobre as matas da Chapada. Era o dia 11 de maio de 1937. Conforme depoimentos de descendentes dos sobreviventes a pesquisadores, cerca de 700 lavradores foram massacrados naquela missão. Depois disso, policiais continuaram, em terra, a perseguir, prender, torturar e matar pessoas que se vestissem com roupas pretas, carregando um rosário – características dos seguidores do beato.

Em 1938, Lourenço voltou ao Caldeirão e lá ficou até ser expulso, em 1940, pelos padres salesianos. Seguiu então para Exu, cidade pernambucana localizada do outro lado da Chapada. Ali formou outra comunidade, no sítio União. Morreu em fevereiro de 1946, vitima de peste bubônica.

Massacre - Regis Lopes enxerga várias diferenças entre o Caldeirão do Crato e Canudos. Para ele, a comunidade cearense, rural, era bem menor que o arraial baiano, um núcleo urbano, que no final do século 19 chegou a ter mais de 5 mil pessoas. O professor desconhece a fonte de informações sobre o número de lavradores massacrados que chegariam a mais de 700. Pelo que ouviu em entrevistas, o número era bem menor. Mas não descarta a possibilidade de que isso tenha mesmo acontecido. “Ninguém sabe direito o que aconteceu ali”.

Para o professor de história, o beato era considerado um homem de Deus, líder, benfeitor e conselheiro. E ao contrário de Padre Cícero, que cursou seminário e sempre estudou, Lourenço era analfabeto, forjado pela tradição oral da cultura popular. “A religião, quando não tem alianças com o poder e o capital, se pauta pela sua essência, que é a fraternidade. E a essência cristã é igualitária, contrária ao dinheiro, ao materialismo. Tanto é que 50, 60 anos depois, Leonardo Boff deu visibilidade à Teologia da Libertação, condenada pelo Vaticano”, explica.

Para o professor, é equivocada a frequente idealização desses camponeses, igualando-os aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os seguidores de Lourenço eram camponeses como quaisquer outros. A liderança fazia a diferença tanto do ponto de vista político como teocêntrico. Quem ia para o Caldeirão só ficava se concordasse com as regras impostas pelo beato. Era uma sociedade quase monárquica na qual ele reinava absoluto. Sua legitimidade sagrada vinha como uma imposição religiosa. Quem desobedecia era convidado a deixar o sítio.

“Não tinha como enganar essa estrutura. Havia uma só autoridade. Assim como era com o Antonio Conselheiro”, analisa. Como ele prossegue, nada tem a ver com o MST, um movimento democrático, que realiza assembleias, debates, discussão. “Do ponto de vista político, o MST representa uma luta moderna, democrática. O Caldeirão era um movimento religioso. O ponto central do Caldeirão era a união de pessoas que queriam comungar de ideais religiosos. Só. Não era questão de luta pela terra. Agora, do ponto de vista utópico, de construção de uma sociedade nova, aí eles são semelhantes ao MST e a Canudos”.

A influência política desses beatos, conforme o especialista, ultrapassava fronteiras. Sua liderança se explica pela necessidade universal do ser humano, rico ou pobre, de respostas quanto ao sobrenatural, à morte, e não a questões naturais como o sofrimento trazido pela seca.

Fonte: Rede Brasil Atual

domingo, 13 de março de 2011

TÁ CHEGANDO A 11ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS

Foto de Gessy Maia (2010)


11ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS
23 DE ABRIL DE 2011
Elaboração: Cacá Araújo
  
PROMOÇÃO E REALIZAÇÃO: 
Sociedade Cariri das Artes 
Cia. Cearense de Teatro Brincante 
Circo-Escola Alegria 

PARCERIA: 
Prefeitura Municipal do Crato 
Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato 
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Coletivo Camaradas
  
HISTÓRICO: 
Praticamente todas as grandes manifestações profanas ou religiosas existentes na humanidade foram herdadas dos primitivos cultos agrários surgidos antes de Cristo. 
  
A Malhação do Judas é um espetáculo de grande beleza e significação que revive a festa pagã das Capitales Romanas. Popularíssima na Península Ibérica, radicou-se na América Latina a partir dos primeiros séculos de colonização européia. Câmara Cascudo afirma que “o Judas queimado é uma personificação das forças do mal e constituirá vestígios dos cultos agrários, espalhados pelo mundo”. A Igreja dela se aproveitou para incutir melhor na alma do povo a execração do gesto infame de Judas Iscariotes. 
  
No Crato, a festa existe desde o início do processo de colonização da região do Cariri, e, como em outros pontos do Nordeste, o Judas costuma deixar, em versos populares, o seu testamento, passando sua herança para pessoas da comunidade. 
  
Tradicionalmente se aproveita a ocasião para retratar personalidades políticas ou pessoas que tenham cometido gestos condenados pela sociedade. É, assim, uma forma de protesto popular. 
  
O projeto Festa Popular da Malhação do Judas já é um patrimônio do povo. Idealizado por Cacá Araújo quando professor e diretor do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, em Crato-CE, desde 2001 vem sendo realizado, sendo esta, portanto, a sua 10ª edição, há seis anos transferida para o Largo da RFFSA (Centro Cultural do Araripe), ampliando sua dimensão no contexto do resgate, preservação e difusão da cultura tradicional do povo cearense e do sertão nordestino. 
  
Em 2001, a 1ª Festa Popular da Malhação do Judas, idealizada e coordenada pelo prof. Cacá Araújo, e realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, teve o mérito de inserir na vida escolar uma tradição popular em forma de discussão temática abordando assuntos de relevante importância para o aluno e a sociedade em geral. No processo de eleição do Judas, a professora de história Iapunira Teixeira Campos, em discussão com seus alunos, construiu a idéia de também apresentar como “candidatos” problemas sociais a exemplo da fome, desemprego, violência etc. Nesta feliz empreitada, foi escolhido como Judas "O DR. MOSQUITO DENGOSO", objetivando alertar para os riscos e contribuir no combate à dengue, que na época se alastrou violentamente nas comunidades, especialmente na periferia, onde as condições de saneamento eram, e ainda são, de extrema precariedade. 

Em 2002, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 2ª Festa Popular da Malhação do Judas aconteceu em forma de protesto contra os crimes praticados contra as mulheres no Cariri cearense e exigindo justiça e segurança. Mais uma vez a comunidade escolar se manifesta elegendo como Judas "ASSASSINO DE MULHERES". 

Em 2003, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 3ª Festa Popular da Malhação do Judas levou à forca, eleito pela comunidade escolar, "BUSH – FILHO DO CAPITALISMO E DA BESTA-FERA", numa ação pedagógica em defesa da paz e protestando contra as ações genocidas de guerra de conquista perpetradas pelos EUA, sob o comando do famigerado George W. Bush.  

Em 2004, realizada na Praça do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, a 4ª Festa Popular da Malhação do Judas teve como eleito "O MONSTRO VIOLÊNCIA". A eleição envolveu alunos, professores, funcionários, pais e gente da comunidade. O resultado foi uma reflexão sobre a violência nas suas variadas formas de se manifestar: agressão física ou psicológica, estupro, assassinatos, assaltos, seqüestros, guerras, terrorismo, fome, desemprego, corrupção, exploração sexual, tráfico de mulheres, de crianças, de órgãos, de drogas, preconceito racial e de outras naturezas, descaso governamental para com a coisa pública, falta de investimento na educação e desrespeito a outros direitos básicos da pessoa humana. 

Em 2005, realizada no Largo da RFFSA, a 5ª Festa Popular da Malhação do Judas teve projeto selecionado no Edital I Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, sendo apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Depois de um processo de votação com urnas espalhadas em vários pontos da cidade, foi escolhido como Judas pela população o Juiz Percy Barbosa, o "JUIZ ASSASSINO", que assassinou friamente um vigia de supermercado em Sobral-CE. Foi uma manifestação de protesto contra a arrogância, a impunidade e o autoritarismo relacionados a autoridades dos diversos poderes.  Em forma de auto de teatro medieval, o evento atraiu cerca de 3.000 pessoas, e contou com artistas populares e brincantes, resgatando, ainda, o tradicional Roubo do Sítio do Judas, hoje praticado em poucas comunidades rurais, com a irreverência e a animação dos caretas. 

Em 2006, realizada no Largo da RFFSA, a 6ª Festa Popular da Malhação do Judas foi contemplada no Edital II Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, sendo apoiada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Novamente através de eleição, mas desta feita com candidatos escolhidos dentre 10 (dez) constantes da cédula elaborada por um colégio eleitoral formado por convidados, foi eleito como Judas o “DEMUTRÔNIO – O MONSTRO DAS MULTAS”, numa alusão ao Departamento Municipal de Trânsito, que à época gozava de profunda antipatia popular. Manifestou-se, assim, a revolta do povo com o abuso de autoridade e as multas em exagero. Um grande evento, em forma de auto teatral, que envolveu aproximadamente 5.000 pessoas de vários pontos da cidade. Show pirotécnico, cantores de brega e forró pé-de-serra, banda cabaçal, artistas populares, testamento em versos de cordel e um boneco medindo 3 metros de altura, além do tradicional roubo do sítio do Judas, protegido pelos caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista. 

Em 2007, realizada no antigo Largo da RFFSA, hoje denominado Centro Cultural do Araripe, a 7ª Festa Popular da Malhação do Judas foi contemplada no Edital III Ceará da Paixão, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, novamente sendo apoiada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura nº 12.464, de 29 de junho de 1995. Mantendo a tradição de escolher o Judas pelo voto popular, foi eleita a “ASSASSINA DO GANHADOR DA MEGA-SENA”, demonstrando a indignação popular com o assassinato de Renné Senna, ganhador de mais de 50 milhões na mega-sena, a mando de sua mulher Adriana Almeida, em janeiro de 2007. Mais de 9 mil eleitores participaram do pleito. A malhação, ocorrida no dia 7 de abril (Sábado de Aleluia), que reuniu cerca de 5.000 pessoas, contou com o tradicional roubo do sítio do Judas, protegido pelos caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista, show pirotécnico, cantores de brega e forró pé-de-serra, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, artistas populares, testamento em versos de cordel e um boneco medindo 3 metros de altura, representando a “escolhida” como Judas. 

Em 2008, também no Centro Cultural do Araripe, a 8ª Festa Popular da Malhação do Judas, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, reuniu cerca de 6.000 pessoas, além de envolver mais de 10.000 participantes no processo de eleição do Judas. Num contexto de amplo debate foi eleito como Judas o Bispo Dom Cappio, por este ser contra a Transposição das Águas do Rio São Francisco, sendo que, a pedido da Diocese do Crato, a organização do evento retirou o nome de Dom Cappio e manteve o tema, objetivo maior do processo, passando o Judas à denominação de “CRISE NA TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO”. No dia 22 de março de 2008 (Sábado de Aleluia), a malhação contou com vasta programação, com o tradicionalíssimo roubo do Sítio do Judas, Caretas do Mestre Cirilo da Bela Vista, show pirotécnico, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Luizinho Brega Star, artistas populares, testamento escrito em cordel e um grande boneco de 3 metros de altura representando o “Judas”. 

Em 2009, realizada no Centro Cultural do Araripe, a 9ª Festa Popular da Malhação do Judas, realizada em parceria com a Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, reuniu cerca de 7.000 pessoas, além de envolver mais de 12.000 participantes no processo de eleição do Judas. Em meio a grande onda de casos de pedofilia, os “eleitores” escolheram uma personagem-tema: “PEDOFILINO SAFADUS”, justificando que a pedofilia é uma prática recorrente em diversos setores da sociedade, agredindo a criança e afetando a família, e apresenta fortes raízes na impunidade e no abuso do poder físico, religioso e ou ideológico. No dia 11 de abril de 2009 (Sábado de Aleluia), deu-se a malhação, anunciada em grande cortejo de caretas, artistas populares, atores, banda cabaçal, artistas circenses e população. Após o tradicional roubo do Sítio do Judas, deu-se a leitura do testamento escrito em versos e o boneco de 3 metros foi “malhado”.

Em 2010, no Centro Cultural do Araripe, patrocinada pelo Edital Ceará da Paixão (SECULT-CE) e apoiada pela Prefeitura Municipal do Crato, através da Secretaria Municipal de Cultura, a 10ª Festa Popular da Malhação do Judas animou um público estimado em 7.000 pessoas, depois de envolver quase 15.000 pessoas no processo eleitoral. Eis, então, que, simbolizando a criminalidade doentia que apavora cidadãos e cidadãs, foi “eleito” como Judas um juazeirense chamado Evandro Rogério dos Santos, o “CABELO DO CÃO”, que assassinou friamente, em 2009, o mendigo Geraldo Siqueira Alves, o Geraldo “dono do Banco do Brasil”, figura folclórica de Juazeiro do Norte-CE. O meliante já havia matado sua mulher, quando vivia em Pernambuco. Em 3 de abril de 2010 (Sábado de Aleluia), depois de concentração na bodega de Edilberton Joquinha, um grande cortejo com o Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, artistas circenses e atores-brincantes em seus personagens regionais, conduziu o Judas Cabelo do Cão ao local de seu julgamento e malhação. O tradicional roubo do Sítio do Judas e a leitura do cordel-testamento antecederam a explosão do imenso boneco em meio à vibração catártica do povo presente. 

Caretas protegem o Sítio do Judas - Foto de Gessy Maia (2010)

JUSTIFICATIVA: 
A Malhação do Judas, como afirma Câmara Cascudo, é uma manifestação tradicional que se insere no contexto cultural como um ritual de extrema significação e complexidade, simbolizando a expressão do mal e liberando o homem para fazer os destinos comunitários, da qual ressalta-se, também, o aspecto dionisíaco, a folia, a festa. 
  
A realização da 10ª Festa Popular da Malhação do Judas reeditará o êxito das anteriores (2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009) e continuará a preservação de uma tradição secular que se funde com o surgimento da civilização nordestina e brasileira, que herdou dos povos medievais os ritos, festas e cerimônias católicas que trazem consigo um caráter “sacro-profano”. É a reconstrução de imagens que contribuirão para o resgate e fortalecimento da memória histórico-cultural do nosso povo. 

A Sociedade Cariri das Artes, Ponto de Cultura do Brasil (Minc/Secult-CE) envolverá na realização do presente projeto, crianças, adolescentes e adultos integrantes da Cia. Cearense de Teatro Brincante e do Circo-Escola Alegria, órgãos por ela mantidos.
     
OBJETIVOS: 
1. Realizar a 11ª Festa Popular da Malhação do Judas, no Centro Cultural do Araripe (Largo da RFFSA), em Crato, envolvendo um público direto previsto de 8.000 pessoas; 
2. Fortalecer a tradição da malhação do Judas, realizada no Crato desde o início do povoamento da região do Cariri, de modo que desperte as novas gerações para a importância da preservação e difusão das tradições populares, como peças imprescindíveis ao resgate da auto-estima, potencialização dos laços afetivos e (re)descoberta da memória histórica da comunidade; 
3. Colaborar na identificação e difusão das tradições regionais, contribuindo para a construção de identidade cultural própria, fundada nos valores étnicos, culturais e estéticos formadores do povo caririense e nordestino.

PROGRAMAÇÃO GERAL: 
  
O Projeto 11ª Festa Popular da Malhação do Judas será realizado no período de 13 de março a 23 de abril (Sábado de Aleluia) de 2011, dia em que ocorrerá a malhação, novamente como um auto de teatro medieval. 

Roubo do Sítio do Judas - Foto de Gessy Maia (2010)

1. Convenção Regional do Judas: de 13 a 20 de março de 2011.

Nesse processo, um Colégio Eleitoral composto de representantes dos diversos segmentos da população recebe um formulário-cédula, onde expressam suas indicações para a lista quíntupla de candidatos a “Judas”, cujos serão inscritos na cédula eleitoral, com as devidas justificativas.

2. Eleição do Judas: de 23 de março a 1º de abril de 2011.

3. Apuração dos votos e proclamação do resultado: 2 e 3 de abril de 2011.

4. Confecção de boneco e elaboração de cordel-testamento: 4 a 20 de abril de 2011.

5. Malhação do Judas: dia 23 de abril de 2011 (Sábado de Aleluia).
14 horas: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha e Jaraguá de reisados locais, por atores em seus personagens regionais Geroplícia (Orleyna Moura), Zé di Baca (Cacá Araújo), Buneca di Lôça (Maria Isaura Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Maria Capionga (Tereza Cândido), Cachimbêra du Sertão (Orlenise Moura), Camalião Risca-Faca (Zé Vicente), Zefa Rapa-Côco (Charline Moura), Carrim du Bago Mole (Edival Dias), Cabôco Fumadô (Jardas Araújo), Cumade Meropéia (Mônica Batista), Tanajura Cafuné (Jonyzia Fernandes), Perpa Criolina (Lorenna Jéssica), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão-Côxo (Josernany Oliveira), Serpentina Vuadora (Joênio Alves), Mutuca Lombrada (Felipe Tavares), Carrapato di Musquito (Márcio Silvestre), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Vitalino Fura-Fura (Lifanco), Lubisome du Buraco (Veylla Duarte), Dona Pomba (Mariana Nunes), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Cabinha du Babado (Paulo Henrique Macêdo), Luizinho Brega Star (Tio Bibi), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Raul Canga-Seixas, Beata du Chafurdo Bom (Kelyenne Maia), Genoveva Pilinta (Samara Neres), Bascúi di Fulô (Joana Neres), Caçote Invenenado (Emerson Rodrigues), Cachacêro Safenado (Paulo Fernandes), Cintura de Cabaça (Lauzemiro Lau), Cavaleiro  da Valintia Mucha (Carlos Ângelo Araújo), Pisa de Cansanção (Raquel Silva), Mavelina Papada di Pôico (Rosa Waleska), Mordomo di Curtiço (Diogo Stálin Araújo), Feiticêra Milindroza (kelvya Maia), Cigana Reboladêra (Monalissa Novais), Donzela du Barrêro (Paula Amorim), Pai-da-Mata (França Soares), Cupado da Inchente (Antonio Wideny Toyota). Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Praça da Sé – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe.  
16 horas: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo). 
18:30 horas: 1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo. 
19:30 horas: Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi. 
22:00 horas: Encerramento. 


Crato-CE, 13 de março do ano 2011.

Cacá Araújo
Professor, Dramaturgo e Folclorista
Coordenador Geral

sexta-feira, 11 de março de 2011

Chega de Caridade de Porta de Guarda-Roupa ! - Por: Dihelson Mendonça


Vamos parar com essa hipocrisia de só doar do nosso supérfluo...


É interessante como algumas pessoas gostam de se enganar e de tentar enganar os outros. Provavelmente você já deve ter ouvido falar no termo "caridade de porta de geladeira", ou "caridade de porta de guarda-roupa", não ?

Mas você já deve ter observado casos em que pessoas , abrindo o seu guarda-roupas, e separando aquelas roupas estragadas que não desejam usar de forma alguma, e para desobstruir o armário a fim de comprar os novos modelitos das lojas, resolvem fazer caridade do entulho e do supérfluo que iria para o lixo, doando aos pobres. Ah! mas que coisa linda! Dar aos outros aquilo que não quer para si...

Na verdade, as pessoas que fazem esse tipo de coisa, estão resolvendo principalmente o problema delas mesmas, em se livrar de um fardo. Elas se enganam e tentam enganar os outros, com aquele semblante caridoso de quem faz a melhor coisa do mundo. A pergunta é: "Porque essas pessoas não pensam em doar daquilo que gostam e que necessitam no dia-a-dia?" A resposta: " Nem pensar" - Porque doar 10 reais pra quem ganha 10.000 reais não tem nada de vantagem. O difícil é não ter, e ter que ter pra dar, como já diz a letra do compositor Djavan.

Então, vamos parar com essa hipocrisia de só doar do nosso supérfluo, aquilo que não queremos mais, que não cabe em nossas casas, que não cabe mais nos nossos armários abarrotados de pertences, e vamos começar a compartilhar daquilo que verdadeiramente necessitamos no nosso dia-a-dia, daquilo que precisamos de fato. Assim, estaremos sendo verdadeiros para com todos, e sendo fraternos para com nossos semelhantes, e sobretudo, deixando de ser hipócritas, fazendo caridade de porta de guarda-roupas!

Por: Dihelson Mendonça

Uma amizade infinita - Emerson Monteiro


Eis aqui nestas palavras uma das provas da existência do Bem supremo, a amizade dos que conhecem amigos. Só quem possui um amigo pode considerar o seu valor. Inestimável o termo de comparar os amigos, e nem precisa dizer que falo dos amigos verdadeiros, pois amigo só verdadeiro, essa tonalidade maior das referências humanas, o amigo.
Quanto vale um amigo? Não há preço que possa comprar, porquanto não se acha à venda, inexiste supermercado de amigos, shopping de amigos, fábrica de amigos. Os amigos nascem no berço farto do coração; nascem, crescem e vivem para a Eternidade. Seres especiais, mutantes dos sentimentos altos da verdade, brotam nas calçadas frias das dificuldades, provam sua fibra nas solidões indesejadas e saem por cima, nos instantes críticos da jornada.
Amigos, de que gosto de falar aos meus filhos não caberem em mais do que nos cinco dedos de uma única das mãos. Uma vida é muita para tantos amigos do tanto dos dedos de uma mão. Amigos, espécimes raras e valiosas, que mantêm o silêncio até o dia em que surgem numa manhã, numa noite qualquer de sofrimento, e nos envolvem de luz e carinho, na força grandiosa do fervor que a eles pertence. A despesa reservada aos instantes da certeza em que há um pai, um irmão, um companheiro, indiferente às considerações dos elogios fáceis, entra porta adentro e preenche todos os espaços da dúvida e do isolamento.
Um amigo, uma barra de ouro brilhante. Um amigo, um tesouro ilimitado no tempo e no espaço. Um filho do Deus da bondade no crivo do interior da gente, um emissário das bênçãos superiores, divinas. Ah, que ventura reconhecer a realidade do sonho de um amigo, de uma amiga, essa dádiva inigualável de todas, imensa compreensão dos que desmancham em conforto as mágoas do desencanto. O saber sorrir, chegar junto, firmar compromissos inadiáveis, incondicionalidades e águas boas.
Falar nos amigos alimenta o veio dessa confiança nos valores inesgotáveis da glória eterna do Amor. Amigos, perfume silvestre das vitórias que nutrem a alma de virtude e paz, pura leveza de presenças silenciosas e vastas, pomos de territórios doces da concórdia, ganhos vivos da plenitude.
Isso de contar algumas considerações quanto aos amigos demonstra suas potencialidades e desperta a que se continue na busca desses personagens coautores da Criação, aliados nas ações positivas, otimistas crônicos e primorosos precursores da transformação de nossos critérios em resultados benfazejos, dos avanços mundiais da vontade no que haja para reverter os quadros tristes, nas madrugadas esplendorosas das cores de alvoradas magnânimas. Vivam os amigos, as amigas, hoje e para sempre!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011 discute vida no planeta e mudanças climáticas

Com o tema Fraternidade e a Vida no Planeta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira (9) a 48ª Campanha da Fraternidade, que pretende alertar os católicos para a gravidade das consequências do aquecimento do planeta. A Igreja quer mobilizar fiéis e sociedade sobre os impactos das mudanças climáticas e estimular ações práticas para preservar o meio ambiente.

No texto-base da campanha, a CNBB expõe as principais conclusões da ciência sobre as mudanças climáticas e a participação humana no problema, faz críticas ao modelo energético que ainda privilegia fontes fósseis - grandes emissoras de gases de efeito estufa, ao desmatamento e até ao agronegócio.

Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, a ideia é aproximar o debate sobre mudanças climáticas das pessoas e estimular mudança de hábitos e políticas públicas que ajudem a preservar a vida e o planeta.

Entre as ações práticas sugeridas pela campanha estão a redução do uso de sacolas plásticas, o uso de energias renováveis e mudanças de hábitos de consumo. "As campanhas da Fraternidade são caracterizadas pela capilaridade, chegamos ao ribeirinhos da Amazônia e aos grandes condomínios. Isso contribui para o alcance da reflexão."

Durante a apresentação da campanha, o secretário-geral da CNBB criticou a falta de investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica e a solar, o risco de aprovação de mudanças no Código Florestal sem considerar a opinião de movimentos ligados à terra e a construção de grandes projetos de infraestrutura sem garantia de contrapartidas sociais.

Dom Dimas reiterou críticas da CNBB a algumas das propostas de mudanças no Código Florestal previstas no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), como a possibilidade de anistia para desmatadores e a redução de limites de áreas de preservação. "Nossa preocupação é que o código não seja votado de forma apressada porque as consequências serão duradouras."

Fonte: Agência Brasil

Em torno de nós mesmos - Emerson Monteiro



Fugir para onde, ninguém sabe das direções disponíveis, pois há, sempre, que acontecer o movimento só esse que se conhece, em torno do próprio eixo, isto que resulta da interpretação constante dos sítios que mostram suas fisionomias a todo instante, determinando marcas definitivas no direito ansioso dos que invadem o desespero e regressam exaustos das esperas de respostas diferentes, sem, contudo, garantir que, noutros lugares, que não sejam este aqui, existam meios de achar dois presentes, o atual e um outro, ou mais outros que revelem multiplicidade do eu. Almas de momentos, aqui e lá, desenvolveriam, com sobra, projetos independentes de liberdades potenciais.
Pois bem, examinar isso provável ocasionou a vontade monumental das grandes constatações. Andar em circunstâncias do território da alma da gente. Circunferências que buscam distância correspondente aos volteios de um carrossel, na determinação de centros imaginários da pessoa em si, na essência. Luzes que girassem velozes, nas sucessões de imagens a tocar vistas, indicando lugares e fios condutores de mudanças de lugar, chances das individualidades em festa noutros universos paralelos.
Quantas vezes, no entanto, se perdem as longas estiradas quilométricas de viagens infinitas, sem rever o ponto inicial das jornadas quase vida em mundos longitudinais, invés de concêntricos. Isso angustia, causa vertigens, porquanto deixar parecer morar em fitas desconexas o sonho da circunvolução em referência aos traços imaginários do centro do si mesmo, que corremos atrás para reunir e estabelecer, na concentração mental.
Uma molécula representa melhor a nucleação da esfera do ser do que lençóis voando ao vento, esgarçados painéis de texturas inúteis, jornais passados e cartazes envelhecidos, nas estradas pela vida. Blocos de tempo agregados em bólides que comprimem dias, soldas, emoções, sentimentos, pensamentos e ações, camadas sucessivas que confrangem a semente original objeto dos desejos e sonhos. No âmago das movimentações fervorosas de tais planetas espalhados na eternidade dos milhões das coisas gravitacionais, um comando de personalidade opera seus instrumentos de sobrevivência e continuidade, espécie de voo livre rumo às estações da felicidade; cá vamos nós.
E nessa excursão sideral o anelo de Deus, resposta maior do mistério ao ente dos começos e dos fins. Querer saber contém a efervescência do confluir das partidas, pomo fundamental das indagações oficiais da lógica primária. Portas e janelas que se abrem nas possibilidades dos novos êxitos e sucessos, alimentos de continuação dos passos pela trilha palpável das manhãs, tardes e noites, nos dias claros, roteiros grandiosos, sóis incendiários...

quarta-feira, 9 de março de 2011

A era do desperdício - Emerson Monteiro

A televisão mostrava imagens do seringal Nova Vida, município de Ariquemes, no estado de Rondônia. O que fora mata fechada virara cinza, após a ação de motos-serra e labaredas. Na trilha sonora, os números da tragédia. Haviam sido dizimados mais de quatro bilhões de dólares em madeira de lei abandonada nos desmatamentos. Quem atira com munição dos outros só dá tiro grande, enquanto a verde selva diminui a cada momento.
Isso numa fase brasileira quando tudo merece consideração, à custa dos fracassos administrativos para conter grileiros e predadores.
- Por que tanto esbanjamento? O planeta comum ainda terá de pagar quanto pela incompetência dos deslavados habitantes?
As respostas chegam por que sobram racionalizações e palavras: crise econômica, inflação, desleixo, alertas máximos, recessão, demanda reprimida, desindexação, subsídios, mercado externo, investimentos, privatizações, mercado interno, propriedade privada, macro-estruturas, monopólio, terceira onda, multinacionais, tecnologia de ponta, trustes, ganância, imperialismo. Nisto, a fome explode e o desemprego aflige os contingentes acuados de encontro ao futuro incerto.
Nos vários países, a perdição de descartar embalagens plásticas, metálicas, outros materiais raros e aperfeiçoados, sem qualquer intenção de reaproveitamento, demonstra a inabilidade humana para lidar com a sábia natureza.
A civilização refinou técnicas aplicadas em bases jamais concebidas. Veículos de massa anexaram ciências sofisticadas e não adotam conteúdo compatível, enquanto programas funcionam para embriagar as mentes de emoções irresponsáveis, como drogas eletrônicas. Dia seguinte, o tédio moral da falta de iniciativa das massas, que bloqueiam possíveis janelas com os espelhos da anemia crescente das sucessivas ressacas.
Preço da farra: a miséria dos países pobres para afirmação de imperadores contemporâneos que brincam de esconde-esconde nuclear, ou saem vadios na estratosfera, fotografando as luas de Saturno, galáxias a milhões de anos-luz, com todas as despesas pagas pelas nações, que nem águas têm para beber.
Boa-vontade e rigor, palavras símbolos numa época prever transformações dolorosas, na hora certa de cada coisa, pois dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada!

Memória da Confederação dos Cariris – Encontro dos Grupos Artístico-Alternativos do Sul Cearense

Carlos Rafael Dias

Já não tenho mais aquela memória primorosa de outrora. Mas algumas lembranças teimam em permanecer neste cérebro que já dá os primeiros sinais de múltiplas escleroses.

Uma delas (lembranças) é a realização da Confederação dos Cariris (Encontro dos Grupos Artísticos- Alternativos do Sul Cearense), ocorrido, se não me falha a memória, em setembro de 1984.

Era uma época interessante. O Cariri fervilhava com o voluntarismo da juventude envolvida em movimentos artísticos diversos, de acordo com ideologias ou gostos estéticos. Em Crato, vários grupos ou movimentos artísticos com seus respectivos “baluartes”, como o Folha de Piqui – (sic) - (eu, Leonel Araripe e Wellington Marques), Flor da Terra (Willian Brito, Leonardo Monteiro e Paulo de Tarso Barreto), Associação dos Amigos do Parque (Wilton Dedê e Gilberto Filho, Teto), Sementes da Poesia (Genes Alencar e Albeniza Gomes), Mutart (Rogério Proença e Wilson Bernardo) e Raízes (Tancredo Lobo, Hermano Roldão e Hermano Jorge). Em Juazeiro, a atuante e aglutinadora AMAR (Associação dos Artistas e Amigos da Arte), liderada por Stênio Diniz, era a principal referência.

Ainda pairava na época o espírito de resistência coletiva que caracterizou a década anterior, com o Grupo de Artes Por Exemplo, organizado por Rosemberg Cariry. Este, por sinal, projetava-se além-região, à frente do jornal Nação Cariri, editado em Fortaleza, e estreava no seleto clube da cinematografia brasileira, dirigindo o documentário A Irmandade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, lançado naquele ano “de graça” de 1984.

A ditadura militar estava nos seus estertores, e respirava-se mais e melhor.

Na terrinha, pretendia-se sacudir a cena provinciana. Naqueles tempos ainda se acreditava no apoio decisivo do poder público para estimular a produção cultural e, consequentemente, sacudir a inércia reinante. Não existia ainda uma secretaria municipal de cultura e a reivindicação maior era por isso. Ou, como se costumava bradar, pela implementação de uma política cultural.

Por isso, a necessidade de realizar um evento que reunisse artistas e grupos artísticos alternativos ganhou força naquela conjuntura.

A ideia surgiu entre os participantes do movimento que pulsava em torno do jornal Folha de Piqui e ganhou adesão dos demais artistas de Crato e Juazeiro, que na época mantinham uma constante articulação.

O primeiro passo foi confeccionar um cartaz, a cargo do artista plástico Normando Rodrigues, que o fez de forma primorosa, em xilogravura. O segundo, divulgar o evento e ideia nas demais cidades que detinham expressão na produção artística da região, como Assaré, Barbalha, Farias Brito, Várzea Alegre, Icó, Iguatu, Lavras da Mangabeira e Mauriti, dentre outras.

Participei da comitiva que visitou Mauriti, juntamente com Luiz Carlos Salatiel, Tancredo Lobo e Francisco Cunha, quando aquela cidade foi escolhida para sediar o encontro.

A lembrança do encontro em si é bem mais forte de que todas as etapas de sua preparação.

No início da tarde de uma sexta-feira, Salatiel me apanhou no seu carro e fomos, em seguida, apanhar o poeta Geraldo Urano, que levou uma bagagem inusitada: uma cesta de palha com uma ou duas mudas de roupa.

Em Mauriti, ficamos hospedados em uma escola, onde o encontro foi realizado, incluindo parte da programação cultural, visto que o espaço tinha um auditório para as apresentações artísticas.

A primeira apresentação foi uma peça de um grupo de Juazeiro, dirigido por Lucion Caieira, que abordava a loucura clínica. Geraldo Urano, já embriagado, discordou do enfoque da peça e invadiu o palco em pleno ato. Normando Rodrigues o retirou de pronto e delicadamente. A incauta plateia, acho, deve ter achado que a cena fazia parte do espetáculo. Ou não deve ter entendido patavinas do que estava acontecendo.

O dia seguinte, um sábado, foi dedicado, manhã e tarde, para os debates e resoluções. Lembro simplesmente que aprovamos, como palavra de ordem principal, o chavão: política cultural já!

Neste dia aconteceram tantas coisas que minha agora limitada mente não dá conta de tudo. Apenas que o encontro, de natureza artístico-cultural, recebeu também um representante de outra área, do ramo funerário.

Não, ninguém morreu no ensejo. Graças a Deus. É que, chegou a Mauriti o empresário do setor mortuário (caixão, mortalha e afins), conhecido por Dudu Funerária. Foi e levou Socorro Sidrim (ou teria sido o contrário?).

Dudu, mesmo sem contribuir na discussão a que se propunha o encontro, foi uma figura ímpar no contexto. Ele parecia até iluminado.

Ele funcionou como um “anjo da guarda” de Geraldo Urano, que permaneceu todo o encontro em estado de “embriaguez e desordem”. Dudu era só puro carinho e cuidado com Geraldo. Lembro do episódio em que Geraldo mergulhou, sem saber nadar, no tanque da Associação Atlética Banco do Brasil, onde se realizava a confraternização final do encontro, na manhã do dia de encerramento do evento, um domingo.

Quem se atirou de imediato para resgatar Geraldo? Claro, Dudu Funerária, desfazendo aquela imagem sinistra que sua alcunha imprimia.

Naquele momento, ele se transmutou em Dudu “Maternidade”.

terça-feira, 8 de março de 2011

Documentários sobre cultura popular já estão disponibilizados na Internet


Três documentários sobre cultura popular da região do Cariri produzidos pelo projeto “No Terreiro dos Brincantes” que é uma iniciativa da Universidade Regional do Cariri - URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e o Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC e que tem a parceria do Coletivo Camaradas já estão disponibilizados no “You Tube” para serem assistidos na Internet ou gravados.

De acordo com o coordenador do Projeto “No Terreiro dos Brincantes”, o professor Alexandre Lucas essa iniciativa da Universidade contribuir para democratizar a pesquisa e a informação sobre os grupos da “cultura do povo”. Ele destaca que os documentários são importantes instrumentos pedagógicos que pode ser utilizado em sala de aula e enfatiza que qualquer pessoa pode ter acesso. Lucas incentiva ainda que esses documentários sejam copiados e reproduzidos sem prévia autorização. “Esse material pertence a memória social do nosso povo e por isso o seu acesso deve ser ilimitado”, conclui o coordenador.

A intenção é produzir 10 documentários, até o momento foram produzidos quatro: As Mulheres do Coco da Batateira, Mestra Zulene Galdino, Reisado Dedé de Luna e Mestre Cirilo. O quinto documentário será sobre o Reisado de Máscaras do Sassaré de Potengi/CE e deverá ficar pronto em abril deste ano.

Acesse, copie e reproduza gratuitamente os documentários:

Mulheres do Coco da Batateira

http://www.youtube.com/watch?v=Nsx34rHDt9E

Mestra Zulene Galdino

http://www.youtube.com/watch?v=0-rPM_vKzao

Mestre Cirilo

http://www.youtube.com/watch?v=KApNhXuq0ts


Serviço:

Informações adicionais sobre o Projeto “No Terreiro dos Brincantes”

Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/URCA – Campus Pimenta

(88)3102-1200

Ulisses Germano - O homem traquino das múltiplas artes


A traquinagem não é coisa só para menino. Ulisses Germano é um desses exemplos, artista comprometido com o seu tempo navega pela música, poesia, artes visuais e pelas suas constantes invenções. Bebe da teoria e da sabedoria do nosso povo para construir no palco da vida uma arte humanizadora. “A pratica é a mãe ou o carrasco de toda e qualquer teoria” como afirma o artista traquino, Ulisses Germano.

Alexandre Lucas - Quem é Ulisses Germano?

Ulisses Germano - Um ser em construção, impermanente.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Ulisses Germano - Comecei ainda menino por pura necessidade, e como a necessidade é a mãe da invenção, fiz e faço desta vida um meio de expressar aquilo que sinto e vejo.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Ulisses Germano - Em relação à música, minha primeira influência veio mesmo da família. Meu avô, José Facundo, tocava clarineta na antiga Banda de Música de Jucás-CE., e meu tio Álvaro Correia era maestro desta banda de Jucás. Respirava essa atmosfera musical familiar junto com minhas tias Cely Correia e Maria José que, mais tarde, adotaria o nome artístico de Mazé do Bandolim e gravaria um disco ontológico no ano de 1999 chamado Terra dos Bandolins com músicos de ponta como Luizinho Duarte (violão e bateria), Adelson Viana (acordeom), Heriberto Porto (flauta) e Carlos Ferreira (clarineta). Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dorival Caymmi e os cegos cantadores fizeram parte da trilha sonora de minha infância, depois vieram os sambistas Noel Rosa, Wilson Batista, Pixinguinha, etc., enfim, de Miles Davis a Pink Floyd, Beatles a Cego Aderaldo, de Egberto Gismonti a Mestre Aldenir, da Banda de Pífano de Caruaru ao e dos Irmãos Anicetos. Compartilho da idéia de que só existem, esteticamente, dois tipos de música: a BOA e a RUIM. É como gravidez, não tem meio termo. Mas de tudo que eu já escutei na vida nenhum músico me sensibilizou mais do que o genial Hermeto Pascoal. Hermeto, para mim, é o representante musical de nosso Planeta.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Ulisses Germano - Comecei em Fortaleza tocando saxofone e flauta numa banda chamada Material, depois fiz parte da Tracajá Blues Band. Na década de oitenta comecei a tocar numa banda de Rock Progressivo chamada Trem do Futuro. Gravamos dois CDs. Está banda hoje faz parte do catálogo internacional da MUSEA – França. Paralelo a tudo isso eu ensinava flauta doce para adolescentes de numa escola pública CERE de Antonio Bezerra e formamos o Grupo Doce Flauta que tinha um repertório bem eclético e chegamos a tocar O Canto do Pajé de Villa Lobos com a orquestra Eleazar de Carvalho no Theatro José de Alencar em Fortaleza. Também realizei durante seis anos um trabalho voluntário numa ONG em Fortaleza no Bairro das Seis Bocas chamada REVARTE (Resgate dos Valores pela Arte). Cheguei ao Crato em 2003 para trabalhar como professor de Artes do Colégio Pequeno Príncipe e estou até hoje. Minha primeira apresentação foi no SESC, que é uma instituição cultural que eu tenho enorme gratidão, junto com o Di Freitas e seu violoncelo de papelão; toquei um instrumento que eu criei chamado Ovo de Dinossauro que tinha um timbre parecido com a tabla indiana. Josenir Lacerda foi quem me motivou a fazer cordel e Gomez (Zé de Calu) foi quem me apresentou os compositores e artistas da Região. Com o saudoso Correinha formei o Grupo CRATETO e com Mestre Aldenir (meu pai cultural) aprendi um pouco sobre reisado. Foi na Região do Cariri, morando no Crato, que eu encontrei minha verdadeira identidade cultural. Já ouvi da boca de muita gente viajada dizer que nossa região é a mais rica do país em termos de arte popular. Quem vem por estas plagas fica imantado por uma energia que até hoje eu não sei de onde vem nem de como se processa.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Ulisses Germano - Querendo ou não a política e as artes perpassam todas as ações do nosso dia a dia. Bertolt Brecht analisou tudo isto com muita propriedade. De uma forma mais concreta e em relação à música, esta ligação já foi bem mais estreita. Falo de modo particular em relação à música chamada de protesto. Podemos observar essa mudança vasculhando as gravações fonográficas desde os tempos da Odeon até os dias de hoje. Mas o homem deixou de ser um animal político para se transformar num animal absurdo! E arte também acompanha esta absurdez em que a espécie humana foi reduzida, porque Arte é poder. Nietzsche já sinalizava escrevendo sobre o medo que os políticos de uma forma geral têm da poesia e da filosofia. Os grandes compositores brasileiros e os artistas populares de peso, de um modo geral, são formadores de opinião e podem decidir uma eleição. Tiririca é um bom exemplo de como um excelente subproduto da alienação humana pode fazer em termos de avacalhação generalizada. Neste mundo em que o dinheiro compra tudo, a tal da sonhada democracia sofre de uma disenteria crônica e os que se deixam ser vencidos e vendidos por esta engrenagem alienante acabam, como dizia o Barão, sempre recebendo bem mais do realmente valem.
Foto: Evandro
Alexandre Lucas – Você consegue juntar o popular e o contemporâneo no trabalho que você desenvolve?

Ulisses Germano - Creio que sim. Quando eu fiz a escultura intitulada A INDIFERENÇA, premiada com medalha de ouro no VI Salão de Outubro no Crato, minha intenção era modelar uma peça capaz de expressar de forma clara e significativa esse sentimento tenebroso chamado indiferença. Então eu modelei um rosto com um olho vazado e outro sem ser vazado, mas olhando para baixo. O resultado é que o espectador jamais conseguia olhar diretamente no olho da peça, pois o que caracteriza a indiferença é o olhar que não olha ou pelo menos finge não olhar. Essa expectativa do espectador de tentar em vão achar o olhar da indiferença resultou num cordel que eu escrevi em parceria com poetisa Josenir Lacerda chamado A POÉTICA DA INDIFERENÇA. A peça em argila contempla o
contemporâneo em sua forma distorcida e o cordel é em si popular... Confesso que passo mal ouvindo esses discursos prolixos sobre Arte. Sei que a teoria é importante, mas sempre fico cabreiro em relações a rótulos. Procuro não rotular nada do que vejo ou do que faço. Se definir é matar, rotular é matar duas vezes.


Alexandre Lucas - A sala de aula é um laboratório de arte?

Ulisses Germano - Certamente. A ação de ensinar traz como conseqüência a ação de aprender, e é nesse jogo de reciprocidade, de vice-versa que a Arte em sala de aula se processa. Diria que não só na sala de aula. Um professor criativo sabe que os laboratórios não só de Arte, mas de Química, Matemática, etc., estão espalhados pelo mundo! A cozinha é pura alquimia, em todo canto existe geometria!


Alexandre Lucas – Ainda tem gente que acredita que a arte é dom?


Ulisses Germano - Tem gente pra tudo. Tem gente até que acredita que o homem não foi pra lua! –“Ora – dizem – se o homem tivesse ido pra lua tinha falado com São Jorge!” RS Deixando o gracejo, esse assunto é polêmico e requer uma análise mais aprofundada. Quando Mozart ainda criança revelou de forma surpreendente suas habilidades musicais para reis e princesas de Veneza, todos, obviamente, falavam de um prodígio, de uma coisa sobrenatural, de um “dom”. Lógico que ele nasceu com uma forte aptidão, o que ninguém viu foi a metodologia empregada pelo velho Leopold Mozart (seu pai) para aperfeiçoar o gênio do filho! As chamadas “Crianças Índigo” que estão brotando em diversas partes do mundo têm abalado a idéia dos que rejeitam a possibilidade de alguém nascer com um dom. Eu realmente fico bestificado com as pictografias, os desenhos mediúnicos feitos pelo mundo afora. Mas como professor de Artes acredito que todos nós temos habilidades para fazer arte. Definitivamente, Arte não é um dom, ou pelo menos não deveria ser encarado dessa forma em termos pedagógicos. Arte é uma energia que passeia pelo ar e que qualquer receptor mental vivo pode captar.


Alexandre Lucas – Esse crença acaba afastando as pessoas das artes?

Ulisses Germano - Lógico! Se a Arte é um dom, então não haveria necessidade do ensino das artes na Escola! Eu tenho um aluno no 8° ano que é um excelente desenhista, mas sempre traz na mochila um caderno cheio de desenhos. Quer dizer, ele pratica o tempo todo, através de erros e acertos ele foi aperfeiçoando suas habilidades. O conceito de arte hoje em dia é bem mais abrangente e está intimamente ligado ao projeto político-educacional mais revolucionário do mundo que é de EDUCAR OS CORAÇÕES! A arte ensina a Educar os Corações, lapidando os sentimentos... Por isso que o ensino das Artes do Brasil foi sempre colocado em segundo plano. Prá quê ensinar arte se o que interessa é o vestibular. O que não “cai” no vestibular não cabe na lei do mercado. Recuso-me a chamar os aprendentes de “clientela”.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Ulisses Germano - Creio que o que mais se aproxima dessa pergunta tenha sido o lançamento do cordel DO SELO LAMBIDO AO PONTO COM em parceria com o professor Zé Mauro. Foi o primeiro cordel publicado em Braille pelo Instituto Benjamim Constant. Fez parte de um projeto de Belo Horizonte –MG – Livro de Graça na Praça onde aproximadamente 40 mil livros foram distribuídos de graça. Meu mais recente cordel As Proezas do Peixe Pedra, em parceria com a URCA/Geopark, será lançado e distribuído nas Escolas Públicas.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Ulisses Germano - Gravar um CD com minhas composições fatigadas.