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quarta-feira, 7 de março de 2012

SESC Juazeiro apresenta o espetáculo teatral "Esperando Comadre Daiana"


SESC Juazeiro apresenta o espetáculo teatral "Esperando Comadre Daiana" da Cia Livremente de Teatro. A peça foi inspirada num folheto de cordel em que duas irmãs (Esmeralda e Venância) escolhem a princesa inglesa Lady Daiana (falecida em 1997) para ser a madrinha da garota Perpétua, carinhosamente chamada de “Perpa”. A montagem faz um passeio pelas crenças e costumes tipicos do povo nordestino, e suas relações com a cultura e ídolos estrangeiros. 

Dia: 15 de março de 2012
Horário: 20h
Local: Teatro SESC Patativa do Assaré
Rua da Matriz, 227, Centro
Juazeiro do Norte - CE
ENTRADA FRANCA!

Programa Cultura SESC Cariri
(88) 3587 1065 (SESC Juazeiro)

UMA CIDADE PERSEGUIDA - por Pedro Esmeraldo


                                                                                                                    
Novamente, o Crato sofre da invasão súbita provocada pelas avalanches das águas que descem do pé de serra, inundam a cidade e deixam todo o povo apavorado.
Tudo isso é causado pela fraqueza dos nossos políticos que se entregam facilmente a essa massa inimiga do Crato, pois juntamente com o governador vêm tentando desmantelar esta cidade, o que nos traz aborrecimento e tristeza, contaminando o povo pelo surrupio de nossos bens que são levados pelos políticos da cidade vizinha.
Por isso, ouvíamos um senhor de aspecto irritado falando em praça pública, protestando contra essa falta de união e a perseguição que nos levam ao caminho do desespero. Gritava com todo ardor: “Aqui sempre nos perseguem e nos deixam amargurados, e ninguém reage”. Agora gritamos com voz ululante: “Por que prestigiamos esta gente que nos atrapalha e ainda vem de quebra dar título de cidadania a quem nada faz por esta terra? Isto é uma tristeza! É uma infâmia, dar apoio ao pessoal que só nos dá promessas desagradáveis e, ao mesmo tempo, tudo o que o governador traz para aqui é minguado e ainda de processo lento na sua construção.
Certa vez um político, parente deste pessoal, gritava aqui no Crato: “do Crato cuido eu”. E até hoje nada fez, apesar de ser bem contemplado com votação elevada. Agora perguntamos: “Pra que homenagear esse pessoal inimigo e ainda retirar o que temos de bom, levando para outro município que nada nos merece a atenção e constantemente vem com pieguice mostrar que querem bem ao Crato? Isto é balela. É uma mentira que não nos contempla e que vem constantemente ameaçar a retirada da Exposição Agropecuária.
O que é da Escola Profissionalizante lá no Bairro São Miguel? Por que não terminam o Centro de Convenções que há anos foi construído, e por maldade deixam lá abandonado? E o ginásio poliesportivo da URCA, que anda a passo de cágado? Por que o Senhor Governador faz vista grossa e tudo isso com má vontade, e não contempla o Crato com boas obras que dêem respaldo à cidade? O que é do Centro Industrial, já que o Crato é esquecido com esses melhoramentos? Que mal o Crato lhe fez, Governador, a não ser sufragar seu nome e do seu irmão para Deputado Federal? Não, senhor! O Crato não merece isso. Seja bonzinho para o Crato que nós saberemos responder com bons modos.

Crato-CE, 06 de Março de 2012

Autor: Pedro Esmeraldo

Alysson Amancio - Por uma dança que transforme





Pesquisador, artista e professor, Alysson Amancio vem nos últimos anos contribuindo para a consolidação da dança contemporânea no Cariri. Inquieto e viajado, Alysson não se conteve apenas em aprender a dançar e busca cotidianamente elementos para alimentar a sua percepção e produção estética e artística. Ele acredita ser possível lutar por um mundo mais humano, digno e igualitário e que as artes são impreterivelmente os melhores caminhos para as conquistas nesse embate social.

Alexandre Lucas - Quem é Alysson Amancio?

Alysson Amancio - É sempre difícil falar quem eu sou, pois, todos nós seres humanos temos diversas facetas e mudamos o tempo o inteiro as nossas ideologias de acordo com as experiências nas quais somos atravessados.
Nas minhas características imutáveis, sou um caririense, criado por uma família unida e trabalhadora e que me deu a base e liberdade para ser um sonhador e realizador ao mesmo tempo.
Sou um artista, professor, pesquisador. Um homem do bem que realmente acredita ser possível lutar por um mundo mais humano, digno e igualitário e que as artes são impreterivelmente os melhores caminhos para as conquistas nesse embate social.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Alysson Amancio - Meu primeiro contato com o teatro foi na escola, no ensino fundamental. Apaixonei-me completamente pelas artes cênicas e nunca mais parei. Da escola fui para grupos amadores, depois procurei oportunidades para trabalhar com grupos mais profissionais, paralelamente fiz duas graduações em Dança. Participei de vários festivais nacionais e internacionais. E após retornar para Juazeiro do Norte, iniciei a produção da minha própria companhia de dança, meu projeto de formação e difusão da dança através da Associação Dança Cariri e meu trabalho como docente na Universidade.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Alysson Amancio - Atuando como artista e professor tudo me interessa e influencia o meu trabalho desde as culturas populares até as intervenções mais contemporâneas. Leio muito, vejo muitos filmes em casa, observo atenciosamente as pessoas que convivo e procuro estar cotidianamente concatenado mesmo que virtualmente com a dança cênica produzida no mundo hoje. Em relação a profissionais de dança mais especificamente, amo a vida e obra da coreógrafa Martha Graham. E sobre as minhas influencias atuais: dos brasileiros admiro muito o trabalho do Flávio Sampaio, Andrea Bardawill, Fauller, Wilemara Barros, Ana Vitória, Alejandro Ahmed, Henrique Rodovalho, Rodrigo Pederneiras, Isabel Marques, Roberto Pereira e estrangeiros William Forsythe, Maguy Marrin, Pina Bausch.

Alexandre Lucas – Como foi esse contato com a dança contemporânea?

Alysson Amancio - Sempre gostei de dança contemporânea mesmo quando não sabia o que era essa linguagem. Na minha adolescência ficava fascinado quando via Elina Feitosa ou a companhia de Danielle Esmeraldo em cena. Ainda fiz algumas aulas de dança no Crato com Elina, mas o meu primeiro contato de fato foi em 1997 na cidade de Fortaleza nas aulas com Andrea Bardawill e na Companhia de Dança Janne Ruth. Desde então o contemporâneo tem sido meu principal objeto de estudo, fonte de pesquisa e área de ensino. Essa possibilidade infinita de conceitos e estéticas que a dança contemporânea permite, me instiga profundamente.


Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Alysson Amancio - Considero o Grupo de Teatro Expressões Humanas da Herê Aquino e a Companhia de Dança Janne Ruth como sendo minhas primeiras experiências profissionais nas artes cênicas. Depois disso trabalhei na Adão Companhia de Dança e posteriormente no Rio de Janeiro na Cia de Dança da Cidade e na Esther Weitzman Companhia de Dança. Entretanto, creio que o divisor de aguas na minha trajetória sem dúvida foi o Colégio de Dança do Ceará e a minha graduação em dança no Rio de Janeiro. Estreitar os laços entre a minha dança e o pensamento acadêmico me impulsionou a querer ser mais que um bailarino. Projetou-me para coreografar, pesquisar e escrever sobre dança. Entendendo que essa linguagem artística é extremamente poderosa e capaz de transformar a sociedade de forma avassaladora. É com esse pensamento que desde que retornei para Juazeiro do Norte em 2006, que procuro desenvolver minhas atividades, difundindo e aplicando a Dança com todo o potencial que ela aglomera.

Alexandre Lucas – A dança no Cariri é marcada pela diversidade de estilos?

Alysson Amancio - Existe uma ideia muito cristalizada que o Cariri é o celeiro da cultura popular. Temos realmente uma cultura popular riquíssima e que precisa ser valorizada e reconhecida, todavia essa não é a única possibilidade de arte produzida na região. Esse imaginário, lamentavelmente, contribui para que outras manifestações da dança que não seja o reisado, a lapinha e a banda cabaçal não sejam vistos também como representantes da dança caririense.
Aqui nós temos reisados, lapinhas, banda cabaçais, coco, mas também temos balé clássico, dança contemporânea, dança de rua, quadrilhas juninas, dança do ventre, dança de salão, danças sagradas, dentre outros. Enfim, são muitos os estilos para o nosso deleite.
Estou escrevendo um livro sobre a história da dança cênica caririense que será lançado ainda no primeiro semestre de 2012. Espero que a partir dessa publicação novas pesquisas sejam feitas para documentar a dança local, pois, até hoje não existe nada que eu conheça que tenha esse foco.

Alexandre Lucas – Como é trabalhar dança contemporânea na região do Cariri?

Alysson Amancio - Ninguém gosta daquilo que não conhece. O grande trabalho atualmente na região do Cariri é estimular o maior número possível de produções e circulação de espetáculos de dança contemporânea. Quanto mais grupos ou artistas independentes produzirem trabalhos contemporâneos, mais ampliaremos o número de apreciadores e consequentemente o mercado de trabalho. Quando voltei, em 2006, era tudo muito mais difícil, todas as pessoas que produziam dança contemporânea estavam paradas. Felizmente ao longo de varias ações, criou-se um circulo ativo nessa área. Seis anos depois, eu enxergo com muita alegria mudanças concretas no que se refere a produção de dança contemporânea caririense, inclusive em relação ao olhar de fora sobre a nossa fomentação. Os profissionais de dança mais renomados do Brasil me enviam currículo e propostas para vir dançar ou ministrar oficinas em Juazeiro do Norte.

Alexandre Lucas - Qual o papel social do artista?

Alysson Amancio - Essa frase soará um tanto clichê, mas não vejo como escrever outra coisa. O principal papel do artista é transformar o mundo em algo melhor.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Alysson Amancio - Não trabalho sozinho, eu trabalho com uma equipe que busca cotidianamente ampliar essa rede e agrupar mais pessoas nesse coletivo. Pensamos grande: queremos projetar a dança do/no cariri para o mundo inteiro. Produzir e fortalecer a dança cênica caririense é a nossa grande motivação. Por isso iniciamos esse trabalho exatamente aqui. Toda grande mudança acontece de dentro para fora. Queremos que o garoto do Bairro João Cabral aprecie os espetáculos de dança locais, e num futuro próximo os Cariocas e depois os Parisienses.

Alexandre Lucas - O que representou e representa para você o trabalho de pesquisa?

Alysson Amancio - Não existe arte sem pesquisa. O artista não pode ser medíocre e acomodado. A curiosidade e coragem devem ser os motores da sua arte. Por isso a minha grande luta é para a criação do Curso Superior de Dança no Cariri. Nós já temos as três linguagens da arte. Música na UFC – Cariri e Teatro e Artes Visuais na URCA. Por que não temos dança?
Em 2008, a Associação Dança Cariri fez um abaixo-assinado com os artistas da dança caririenses e recolhemos mais de 2600 assinaturas, entre estudantes e profissionais da dança reivindicando a criação desse curso.
Em 2011, o Centro de Artes Reitora Arraes de Alencar Gervaiseau aprovou o projeto para a criação do Curso Superior de Dança. Agora falta apenas o Conselho Superior da Universidade Regional do Cariri aprova-lo e o Governador Cid Gomes assinar o termo de criação. Infelizmente isso será o mais difícil, pois a sua politica tem demonstrado pouquíssimo interesse em fortalecer nem o ensino, a extensão e a pesquisa no âmbito acadêmico.

Alexandre Lucas – No Ensino Básico do Estado do Ceará existem profissionais habilitados para trabalhar a dança no Ensino de Artes?

Alysson Amancio - Em Fortaleza sim, já que lá existe o Curso Técnico de Dança e o Curso Superior de Dança da Universidade Federal do Ceará. Além disso, o Vila das Artes, da Prefeitura Municipal de Fortaleza através da Secretaria de Educação financia o Projeto “Dançando na Escola”, proporcionando profissionais capacitados atuarem nas escolas formais de ensino.
Nos interiores cearenses a realidade é completamente diferente. No Cariri, por exemplo, são raríssimas as escolas que oferecem dança além das montagens coreográficas em datas comemorativas. As poucas que se arriscam nessa empreitada desconhecem profissionais realmente qualificados para tais funções e acabam empregando profissionais de outras áreas, que muitas vezes fazem um desserviço no que se refere ao ensino de dança.

Alexandre Lucas – O que representa a dança na sua vida?

Alysson Amancio - A dança é a minha vida. Paixão, razão e profissão. Tenho a grande felicidade de trabalhar com o que eu amo. Portanto, defendo e luto diariamente para a valorização e reconhecimento dessa linguagem artística. A dança pode ser utilizada como entretenimento, terapia, atividade física e profissão. São tantas e possibilidades e benefícios, que eu acho muito triste o homem que nunca se permitiu essa vivencia na sua vida.

segunda-feira, 5 de março de 2012

UMA TRISTEZA INFINDA - por Pedro Esmeraldo



Domingo de carnaval: andávamos solitários pelas ruas da cidade e não observávamos o movimento carnavalesco. Ficamos aflitos diante desses dias sombrios e permanecíamos totalmente aterrados pela falta de animação de nossos habitantes. Anteriormente, os dias de carnaval do Crato foram contemplados devido às animações que deixavam o povo inebriado pela observação dos festejos que caiam numa esfera de alegria e de bons momentos elevados pela disposição de seu povo.
Nesse período, os habitantes mais velhos desta cidade lembram dos acontecimentos que nos deixavam animados, pois esta cidade foi o berço da civilização carirense.
Por isso, o Crato sofre devido aos descasos de alguns de seus moradores que se deixam acabrunhar diante das fraquezas, entregando os pontos, fugindo da terra, indo passar o carnaval nos grandes centros, e agora no período mais recente, o povo do Crato está prestigiando uma cidade muito menor, que é Várzea Alegre, que não tinha o respaldo carnavalesco do Crato. Isto é uma aberração, desdoiro para os cratenses, pois acarreta esmorecimento que se deixa levar diante das conversas destoantes e do pessimismo doentio.
Os cratenses vivem amargurados, pois não têm força para reagir e deixam a cidade abandonada desse período de festejos carnavalescos.
Em tempos passados, o povo cratense foi um divertido nato, utilizava brincadeiras jocosas e se divertia a valer, possuidor de uma mistura de seriedade, pois tinha o desejo ardente de brincar a fim de extravasar seu sentimento íntimo, livrando-se do pensamento negativo, já que, vez por outra, continha a ânsia de desabafar-se das canseiras e das preocupações diárias.
Certamente, todos enfrentavam barreiras que se pareciam intransponíveis, livrando-se dos percalços e das confusões negativas, desabafando-se as mágoas adquiridas, enfrentando as dificuldades do trabalho diário.
Com o tempo, o carnaval cratense foi se arrefecendo, caindo no esquecimento desse povo, devido a falta de estímulo de alguns políticos do passado que dominavam o Crato, deixando cair os nossos costumes no esquecimento.
Já está na hora de reagirmos, de lutarmos com denodo e o desejo de recuperar nossos festejos carnavalescos por quê nós não devemos cair no esquecimento, mas devemos mostrar que somos fortes e podemos resgatar o nosso carnaval nos mesmos moldes do carnaval passado: reabrindo os blocos carnavalescos, as escolas de samba e o carnaval de rua, pois consideramos o carnaval uma festa do povo e todo o povo deve participar de sua alegria.
  
Crato-CE, 25/02/2012

Autor: Pedro Esmeraldo

A Alma do Negócio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dá gosto a gente vê uma propaganda bem feita, cheia de criatividade e até com um leve toque de humor. Não essas que irritam nossos ouvidos com gritarias e imposições descabidas. Porém aquelas sutis, cheias de bossa, como a que a coca-cola fez há cerca de vinte anos, mostrando um exagerado chefe de família abrindo a geladeira cheia de coca-cola e indagando: "Será que vai dar? O namorado da minha filha vem esta noite aqui em casa. E ele bebe uma coca-cola!...." Ou como umas que surgiram mais recentemente, como a de uma marca de cerveja mostrando um grupo de rapazes num apartamento, preparando-se para saírem para mais uma noitada, quando uma vizinha toca a campainha perguntando ao dono da casa se ele vai sair. Imediatamente ele cheio de segundas intenções responde que vai ficar em casa e que os amigos já estavam de saída. A moça então diz: "Ótimo, eu preciso sair e gostaria de saber se você pode ficar com a minha cachorrinha?" A outra apresenta um grupo de turistas procurando uma boa praia e o guia mostrando por uma pequena fresta no meio do mato, uma praia, à primeira vista deserta, acompanhada da pergunta: "Só tem essa, pode ser?" Quando os turistas respondiam que sim, então surgia uma extensa área de nudismo. Em seguida uma bonita voz anunciava que tal refrigerante poderia ser bom demais.

Eu creio que nesse aspecto de propaganda, nossas empresas de publicidade não ficam nada a dever aos americanos, reis absolutos na arte de enganação. Sim, por que a propaganda existe para criar necessidades e desejos nas pessoas. Claro que necessidades nem sempre fundamentais para nossa sobrevivência.

A força da propaganda é tão grande, que a marca de muitos produtos passaram a ser sinônimos dos bens de consumo que eles representam. A aspirina significa comprimido do ácido acetilsalicílico, a gillette é qualquer lâmina de barbear, ou a Brahma como símbolo de cerveja. A propósito, numa comemoração pela conquista de um campeonato paulista, Vicente Matheus, o folclórico presidente do Corinthians, assim finalizou o seu emocionado discurso: "Gostaria de agradecer a antártica por haver nos enviado umas brahmas para nossa festa."

O apelo que a propagada faz é algo impressionante. Vigora até no reino dos animais ditos irracionais. Dizem que o ovo da pata é tão nutritivo quanto o ovo da galinha. Entretanto ninguém consome ovo de pata, pois ela põe e fica caladinha, não tomamos conhecimento disso, enquanto a galinha ao por o ovo, anuncia para todo o mundo. É por isso que se fala que "a propaganda é a alma do negócio".

Certa vez, eu participei de um treinamento em marketing, quando um especialista em propaganda nos pediu para que relacionássemos dez marcas de pasta de dente. Ninguém conseguiu marcar mais de cinco. Todas elas as mais badaladas pela propaganda. Então ele nos revelou existir mais de trinta marcas do produto, todas elas desconhecidas do público, por não fazerem propaganda.

Lembrei-me que nos anos sessenta, éramos invadidos por maciça propaganda de sabão em pó. Alguns já desaparecidos. Havia o "viva", "lux", "pox", "rinso", "minerva", "omo" e tantos outros. Com tanta propaganda de sabão zoando em nossos ouvidos, o cratense, cheio de criatividade cunhou uma declaração de amor digna de um Romeu apaixonado pela sua Julieta. : "Viva, eu te omo, teu rinso minerva, apague essa lux e vamos dançar um pox."

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 4 de março de 2012

O CARIRI - UM CELEIRO DE ARTISTAS ( Por: Dihelson Mendonça )


O Cariri é reconhecido nacionalmente e internacionalmente por ser um verdadeiro Celeiro de Artistas e de Cultura. Destas terras já brotaram e brotam dezenas e até centenas de personalidades fantásticas que com seu nome e a sua obra se destacam e se destacaram nas mais diversas formas artísticas. Somos abençoados por pertencermos a uma região que é modelo para o Brasil, quando se refere à produção de arte. A prova disso é a programação inesgotável que temos do Centro Cultural Banco do Nordeste e dos SESC da região, que não conseguem "dar vencimento", mesmo trabalhando todos os dias no sentido de mostrar o que o Cariri tem de melhor através de exposições, shows e oficinas. O Cariri tem o privilégio de nunca ter dependido de qualquer fonte de inspiração externa, muito menos das capitais para ter a sua própria identidade cultural e artística. Pelo contrário! Daqui é que exportamos para o mundo por sermos verdadeiro manancial e capital das artes.

Outro dia, a cantora Janinha Brito tentava relacionar as pessoas que desenvolveram e desenvolvem trabalhos nas diversas áreas das artes e que pertencem ao Cariri. A própria confecção da lista em si, mostrou-se inexequível, dada a imensa quantidade de nomes que foram aparecendo nas mais diversas áreas e as sugestões dos próprios participantes da lista, que lembraram de outros nomes ainda maiores. Aliás, diga-se de passagem, o site Cultura no Cariri, comandado pela Janinha, é um ponto de referência. Recomendo!

Só a título de curiosidade, há uns 2 anos houve uma confraterminação no Crato Tênis Clube, organizada pelo L. C. Salatiel e Carlos rafael, onde se pretendeu premiar os artistas do cariri que se destacaram em suas respectivas áreas, e fazer justiça aos grandes trabalhos. Chegou-se a uma lista de mais de 500 pessoas atuantes e atuando no mundo das artes no Cariri. A quantidade de artistas plásticos, escritores, poetas, músicos de alcance nacional é simplesmente fantástica considerando o pequeno espaço geográfico.

Portanto, quando às vezes vejo certos comentários de pessoas que nem moram por aqui dizerem que o Cariri tem "poucos grandes artistas" só podemos compreender isso como a mais patente comprovação de ignorância, de uma visão míope e distorcida das coisas, daqueles que só tem acesso ao Cariri através das lentes deturpadas de pessoas mais desinformadas ainda, que fornecem dados incorretos sobre o que de fato, é o Crato e o Cariri hoje.

Gostaria de fazer um brinde aos artistas maravilhosos, verdadeiros representantes da cultura genuinamente caririense, exportada para o mundo. A lista seria imensa ( mais de 500 ) e nem caberia neste pequeno comentário. Porém gostaria de saudar de forma simbólica, pelo menos uma meia-dúzia de pessoas que se destacam. O meu abraço para Joseny Lacerda, Ulisses Germano, Mestre Aldeny, Bola Bantim, Rosemberg Cariry, Tiago Santana ( Cratense, um dos maiores fotógrafos Brasileiros, reconhecido mundialmente ), Pachelly Jamacaru ( Além de compositor, ainda é o maior Fotógrafo nascido em terras Caririenses que reside na região ), Cacá Araújo nas artes cênicas, José Flávio Vieira, Emerson Monteiro, Antonio Morais, Luiz Domingos Luna, escritores...Viva esse gênio das artes visuais chamado "Reginaldo Farias" ( que pouca gente conhece ), viva ainda Daniel Bloc Boris, Artista George Macário, Claude Bloc, a grande poetisa... Antonio Sávio ( Poeta )...Abração para os promotores culturais, para gente que sempre representou bem o Cariri, como Divani Cabral, e viva as dezenas de xilogravuristas, poetas, Pintores, Escultores, Cordelistas, Escritores, Compositores, Músicos, viva o nosso Abidoral Jamacaru, nome reconhecido nacionalmente, grandes músicos do Cariri como Cleivan Paiva, João do Crato, Manel D´Jardim, e tantos outros que circulam com seus shows pelo Brasil afora. A lista seria imensa e peço desculpas pelo exíguo espaço e pelo pequeno exemplo.

No Cariri, certamente que temos uma das maiores concentrações de artistas por metro quadrado do Brasil. Quando alguém desconhece este fato ou não reconhece a sua existência existência, de duas uma:

01 - Ou essa pessoa esta completamente desinformada acerca do que acontece no Brasil
02 - Ou está muito mal intencionada.

Salve, Artistas Caririenses - Grandes e Maravilhosos.
Ah! você se acha diferente por produzir arte ? Venha para o Cariri e entre na FILA !

Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com
Há 7 Anos, o Crato na Internet

CARTA ABERTA DAS MULHERES DA REGIÃO DO CARIRI

A violência doméstica e de gênero no Cariri faz parte de uma cultura deturpada que ganha força pela impunidade, pela falta de combate dos órgãos de segurança e pela morosidade da justiça. Isso se confirma com o alto índice de mulheres assassinadas nos últimos 10 anos na Região do Cariri, num total de 198. Deste número, 7 já foram este ano.

Cabe aqui perguntar por quanto tempo ainda veremos nossas mães, filhas, netas, irmãs, primas, noras, colegas de trabalho e amigas serem espancadas, humilhadas, estupradas e assassinadas?! Infelizmente, o clamor da pergunta não dá conta da resposta, porém, o Movimento de Mulheres da Região do Cariri reivindica do Poder Público e do Poder Judiciário do Estado do Ceará, as ações abaixo relacionadas e conclama toda sociedade a se envolver na luta pelo combate a esta violência, que tanto nos indigna, nos envergonha e nos entristece.

Na tentativa de encontrar respostas para a pergunta acima, apresentamos as seguintes reivindicações:

1. Garantir o funcionamento das Delegacias de Mulheres de Crato e Juazeiro do Norte em tempo integral incluindo os finais de semana e feriados, destinando mais uma viatura, uma subdelegada e ampliando o numero de escrivãs e agentes nestas delegacias.

2. Realizar concurso público para delegadas/os, e demais servidores/as das delegacias de mulheres.

3. Construir Sedes das Delegacias de Mulheres de Crato e Juazeiro do Norte.

4. Agilizar a construção do presídio do cariri com celas especificas para mulheres em situação carcerária.

5. Criar Núcleos de Atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar nos municípios da Região do Cariri, onde não têm Delegacia de Atendimento as Mulheres.

6. Apoiar a criação de Conselhos Municipais de Direitos das Mulheres em todos os municípios do cariri onde ainda não existem.

7. Realizar uma campanha estadual de combate a violência praticada contra as mulheres e de esclarecimento sobre a “Lei Maria da Penha”, destacando sua ultima alteração.

8. Promover Cursos de Formação para todos/as os/as profissionais da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência no Cariri.

9. Criar uma vara específica para apurar os crimes de assassinatos de mulheres, ou alterar a lei dando prioridade a estes processos, visto que das 198 mulheres assassinadas na Região do Cariri, não tem 50% dos assassinos na prisão).

10. Instalar Centros de Referência de Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar.

11. Recomendar a criação de Comitês de Mortalidade Materna nos municípios.

12. Instalar Casas Abrigo para mulheres vítimas de violência e ameaçadas de morte pelos seus agressores.
13. Recomendar a criação de Procuradorias de Mulheres nos municípios.

14. Implantar o Sistema de Notificação de Mulheres Vítimas de Violência doméstica e familiar em toda rede de atendimento às mulheres.

Acreditando no compromisso de Vossa Excelência no que diz respeito aos problemas que afligem a população e principalmente no combate a violência doméstica e familiar, as mulheres do Cariri esperam ser atendidas nas suas mais justas reivindicações e apresentam os sinceros agradecimentos.

Assinam,

CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA MULHER CRATENSE
CASA LILÁS
COLETIVO CAMARADAS
COLETIVO DE MULHERES DA FETRAECE
GRUNEC
CÁRITAS
CCDS
SESC CRATO
DEFENSORIA PÚBLICA DO CRATO
CASA DE MEDIAÇÃO
ACB – ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE BASE
UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI - URCA

Crato/CE, 28 de Fevereiro de 2012.


PROGRAMAÇÃO DE LUTA

CONVITE


O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Cratense - CMDMC, a Casa Lilás, o Coletivo Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da FETRAECE, GRUNEC, CÁRITAS, SESC Crato e demais entidades parceiras, realizarão neste mês de Março atividades referentes ao “08 de Março – Dia Internacional da Mulher”, cuja temática é “O PROTAGONISMO DA MULHER NA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA”.

Convidamos toda sociedade a se envolver na luta pelo combate a violência praticada contra as mulheres e reivindicar do Poder Público, ações eficazes para eliminação desta violência.

PROGRAMAÇÃO 08 DE MARÇO 2012
 Ato Público Regional, seguido de caminhada contra violência pelas ruas da cidade do Crato e Atendimento Jurídico com o Núcleo de Defensoria Pública do Crato
Local: Praça São Vicente
Horário: 7h às 12h

 Seminário sobre Violência e Lei Maria da Penha
Local: Sesc Crato
Horário: 14h

PARTICIPE, ESTA LUTA É DE TODAS E TODOS!

De 03 a 31 de março acontecerão várias atividades em Crato e demais municípios da Região do Cariri.

REALIZAÇÃO: CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA MULHER CRATENSE, CASA LILÁS, COLETIVO DE MULHERES DA FETRAECE, GRUNEC, CÁRITAS E SESC CRATO.

ENTIDADES PARCEIRAS: NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA DA URCA, STTR DE CRATO, OUVIDORIA DO HOSP. SÃO FRANCISCO, SINTESEF, MANDATO DA VEREADORA MARA GUEDES, CCDS, NÚCLEO DE DEFENSORIA PÚBLICA DO CRATO, SECRETARIA DE SAUDE CRATO, SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO CRATO, COLETIVO CAMARDAS.

Contatos CMDMC
88.9217.7347 (Laura Viera – Presidente)
88.9614.0367 (Elenir Brito – 1ª Secretária)
88.9218.8309 (Francisca Alves - Tesoureira)
88.9650.0005 (Mara Guedes – 2ª Secretária)

Zé do Alumim será lançado no Crato agora em março



Agora em março será lançado mais um filme de Franciolli Luciano (agurdem a divulgação da data). O ator, radialista, teatrólogo e cineasta Franciólli Luciano lançará em março o filme “Zé do Alumin”, um longa de 60 min. rodado em Antonina do Norte na região do Cariri-CE, nos meses de outubro e novembro de 2011.





Todo cearense é batalhador e acostumado às adversidades da vida, buscando sempre um meio honesto de levar conforto para seus familiares, chegando a superar barreiras para muitos intransponíveis superando-as e alcançando êxito em suas empreitadas. Esta é a história do filme Zé do Alumin do cineasta Franciólli Luciano que terá sua avan premier em Crato no Teatro Municipal Salviano Arraes.





O filme é estrelado por:Adelmir Barbosa, Valdirene Cordeiro,Paula Samara Amorim,Jiliciano Lima e Fábio Lemos. Participações especiais; Franciólli Luciano e Fabiana Vieira e do povo de Antonina do Norte.





O filme conta a estória de um vendedor de alumínio, que anda os sertões afora vendendo suas panelas e outros produtos para as donas de casa.





Zé do Alumin, vivido pelo ator Adelmir Barbosa é do tipo que está sempre alegre e encanta seu público fazendo suas performances em cordel, oferecendo seus produtos e alegrando a todos por onde passa.
É muito querido pelos seus colegas de trabalho e pelo seu patrão por ser um excelente vendedor, porém está sempre devendo a firma, conseqüência dos vales feitos quase que diariamente, fazendo seus colegas pensarem que se trata de “mulheres” ou farras constantes.





Zé sempre desconversa quando é questionado sobre os constantes vales e resolve guardar consigo o real motivo dos vales e atrasos na firma.





Se seu problema é sério, ele guarda a sete chaves, achando que todos já têm seus problemas para resolver e por isso não deve levar mais um e causar preocupações.





O fato é que sua mãe sofre de uma doença grave e ele, entre suas horas de folga do trabalho dedica-se a tratar dela indo aos postos de saúde e as farmácias comprar remédios na tentativa de curá-la e nas em que está junto a ela dando seus remédios, aproveita para estudar, alimentando o sonho de um dia ser médico.





Tudo desanda para o Zé do Alumin, quando sua mãe morre uma vez que ela era tudo que ele tinha e sem animo para viver Zé vira mendigo e perambulando pelas, faminto encontra uma moça que um dia lhe dera um caldeirão que lhe dá um copo de leite salvando lhe da fome e com uma frase ela reacende a vida do Zé “Deus disse fazei o bem sem olhar a quem que em dobro vem”!





Zé some das ruas em que vendia seus alumínios e elas agora são vazias dos versos e da alegria que levava as donas de casa e até mesmo seus colegas de trabalho sentem sua falta sem saber do seu paradeiro.





Tempos depois a mesma moça que ganhára do Zé um caldeirão, encontra-se internada em um para curar a sua doença e que no final de tudo, depois de curada recebe a conta e no final das notas está escrito: tudo pago, há muito tempo com um copo de leite! assinado; dr. Zé do Alumin.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Coletivo Camaradas promove Laboratório de Arte Contemporânea




Por Leylianne Alves

Se você tem interesse por arte e estuda em alguma escola de ensino médio da rede pública do Crato, poderá se inscrever, entre os dias 12 e 13 deste mês, no Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentações em Arte Contemporânea (LEVE Arte Contemporânea), que será organizado pelo Coletivo Camaradas e terá suas atividades iniciadas no próximo dia 14.


O laboratório tem o objetivo de aproximar os jovens das novas formas de organização artística e da arte contemporânea. Durante os trabalhos, acontecerão visitas a espaços de arte, tais como galerias, teatros, ateliers e mesmo espaços urbanos. Além disso, os participantes também terão contato com artistas, produtores, curadores, pesquisadores e artistas/educadores.

O laboratório terá seis monitores e serão ofertadas 20 vagas por escola de ensino médio. Todas as escolas do Crato serão visitadas durante o período de inscrições. As experiências realizadas neste espaço serão, em especial, as intervenções urbanas e performances. Também haverá espaço para universitários da região do Cariri.

Uma experiência piloto deste trabalho vem sendo realizada, desde o ano passado, no Colégio Estadual Wilson Gonçalves e na Escola Teodorico Teles de Quental. Estas atividades resultaram em sei vídeos que têm a finalidade de auxiliar os professores de Artes e que estão em exibição na Galeria de Artes do SESC Juazeiro do Norte, na Exposição de Não Artistas.


Os trabalhos acontecerão no Auditório do Centro Cultural do Araripe, localizado na RFFSA - Crato. As reuniões acontecerão duas vezes por semana, até o mês de dezembro. O Leve Arte Contemporânea é uma realização do Coletivo Camaradas e tem a parceria da Secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, da Sociedade Cariri das Artes, do Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA e o Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA.

Livro sobre narrativas orais do Barro Vermelho será lançado no Crato



O bairro do Alto do Penha na cidade do Crato ganha livro contando as histórias de memórias sociais e imaginárias da comunidade. O livro foi organizado pela professora Ana Rosa Dias Borges e será distribuído gratuitamente nas bibliotecas escolares da Cidade e na comunidade.





O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura, através do Edital Micro Projetos Mais Cultura em 2010. Além do livro, o projeto propiciou a realização junto aos jovens da localidade, oficinas de produção textual, fotografia, desenho, pintura e identidade cultural, o que serviu de suporte para edição do livro.


De acordo com a professora Ana Rosa a ideia deste trabalho surgiu quando realizava seu trabalho monográfico que versou sobre a oralidade, por meio dos contos populares coletados nas comunidades narrativas orais da Chapada do Araripe. Ela destaca que a partir desta pesquisa sentiu a necessidade de ampliar o seu trabalho investigativo composto das memórias das pessoas mais velhas do lugar para evidencia fragmentos históricos que nunca foram evidenciados na historiografia oficial e cita que a escolha do Bairro Alto da Penha, se deu porque na sua infância residia próximo a localidade e isso proporcionou uma ligação afetiva com o bairro. Ana Rosa enfatiza que o Barro Vermelho que se encontra atualmente subdividido geograficamente em decorrência da urbanização e que o lugar descreve parte da história econômica, social e cultural da cidade do Crato.


O Lançamento do livro acontecerá em dois momentos, no dia 10 de maço, às 19h00, na sede da Pastoral do Menor dentro da Programação do evento cultural “O Alto Mostra a Sua Cara” coordenado pela geógrafa Sibelle Elpidio que é moradora do bairro e no dia 15 de março, às 19h00 horas, no salão de Atos da Universidade Regional do Cariri – URCA e tem a parceria do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC.

Serviço:
Livro “Narrativas Orais no Barro Vermelho” organizadora Ana Rosa Dias Borges
(88)96196988 - Email: rosasacci@yahoo.com.br

quinta-feira, 1 de março de 2012

Semana SESC de Artes Cênicas - SESC Juazeiro

A Semana SESC de Artes Cênicas congrega artistas e público numa celebração que evoca e marca o Dia Mundial do Teatro como importante acontecimento na esfera cultural em todo o Estado. No intuito de fomentar um pensamento crítico e gerar transformação junto à clientela, este ano a temática que se configura é “O Teatro em Diálogo com o Tempo Atual”, com diferentes níveis de profundidade e abordagem, pensados em função de distintos públicos-alvo, tendo como matriz as várias disciplinas e atividades que envolvem o Teatro.


Encontro discutirá políticas públicas para juventude no Crato



Com o objetivo de discutir a situação dos jovens e políticas para a juventude será realizado neste sábado, dia 03, no período da manhã e tarde, no auditório do Centro Cultural do Araripe – REFSA, o Encontro “Tô na Onda da Juventude”. O evento abordará temas como participação política, cultura e história e organização do movimento juvenil.





Foto: Dávio Batista dirigente da UJS Crato
O encontro é uma realização da União da Juventude Socialista – UJS, entidade criada no inicio da década de oitenta, que participou e organizou de importantes lutas da juventude brasileira como o Fora Collor, A lei do Grêmio Estudantil do Deputado Aldo Arantes e a conquista do voto aos 16 anos. Na cidade do Crato a UJS liderou diversos movimentos estudantis como a luta contra o sistema de ensino pela TV, extinto Teleensino e a defesa da Meia Passagem Macro-regional.

De acordo com o desportista, Davio Batista, integrante da UJS no Crato, o encontro visa ampliar as discussões ligadas aos jovens. Ele destaca que o evento é funcionará como preparação para realização do Congresso Municipal da entidade que deverá ocorrer em maio, bem a etapa estadual e a nacional acontecerá em junho na cidade do Rio Janeiro, período em que ocorrerá o 6º. Congresso Mundial da Juventude.

O Encontro neste sábado, contará com a presença do ex-diretor da União Nacional dos Estudantes – UNE, Rudiney Souza que atualmente é diretor estadual da UJS no Ceará.
O evento conta com a parceria da Secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato e o Coletivo Camaradas.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rumo ao Brasil Central - Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

. Carlos
.
Magali


Quando completamos pouco mais de um mês de casados, morando ainda em Tomé-Açu, Carlos recebeu a notícia da Construtora Engenorte, de que iria trabalhar em S. João d'Aliança - Goiás, na estrada São João d'Aliança-Alto Paraíso. Em conseqüência das fortes chuvas os trabalhos da estrada “Tomé-Açu-Paragominas foram suspensos.

Com a surpresa tive a certeza de que a nossa vida estava parecendo com vida de cigano, sempre levantando acampamento. Mas, com toda a animação da nossa juventude, fomos enfrentar a mudança. E eu que, aos poucos estava conhecendo e me acostumando com aquela região cheia de igarapés, onde havia grandes plantações de pimenta-do-reino, teria que ir embora. Além dos japoneses proprietários dessas plantações, a cidade de Tomé-Açu abrigava também muitos cearenses.

Novamente, nosso fuscão ficou lotado de bagagens. Os poucos móveis e o fogão foram acomodados no caminhão da firma. Seguimos viagem pelas estradas enlameadas, deixando para trás a nossa casinha de madeira pintada de branco que foi testemunha da nossa felicidade do primeiro mês de casados.

A estrada foi aberta no meio da floresta e lembrava muito a subida para Serra do Araripe, com a diferença de que as árvores eram mais altas e frondosas e era numa região plana. Em conseqüência das fortes chuvas recentes, a estrada estava encharcada de lama. Em algum momento teria mesmo que atolar. E o fusca atolou junto também com os caminhões e máquinas da firma, próximo a uma fazenda. Horas e horas ficamos atolados já com a fome apertando, pois só tínhamos tomado o café da manhã. Dormir em Paragominas, como era o planejado não seria mais possível, pois já estava anoitecendo. Com o estômago vazio, começamos a pensar nas pessoas que passam fome. Imaginamos um pai ver os filhos sem ter o que comer e não poder fazer nada por causa do desemprego.

O mais interessante é que apesar de todas essas dificuldades eu me sentia tranquila, achando que tudo daria certo. Além da minha fé em Deus, eu confiava que ao lado de Carlos, íamos encontrar uma saída. A sintonia entre nós dois era e continua tão forte, assim como o nosso amor. Por isso, estávamos muito calmos e não nos desesperamos em nenhum momento. Lembrei-me de um pequeno versículo do Livro de Gênese 2, 24: "Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e os dois se tornam uma só carne." Era aí onde estava a nossa força, na Palavra de Deus, nas suas bênçãos e no nosso amor. Naquele momento, em vez de perdermos a paciência, enfrentamos tudo com muito humor. Estávamos confiantes de que Deus nos tiraria daquela situação.

Para nossa salvação, avistamos uma casa de fazenda, próximo de onde os carros ficaram atolados. Pedimos abrigo por uma noite e o fazendeiro, um simpático mineiro que há poucos dias instalara-se na terra, antes devoluta, nos acolheu. Lá já se encontrava um engenheiro do Departamento Nacional de Minas e Energia, que descobriu extensas reservas de bauxita naquela área. Após o delicioso jantar, conversamos durante algum tempo e logo fomos dormir, pois a noite estava bastante fria. É que no meio da floresta, quando chove, faz frio durante a noite. Quando o dia amanheceu, verificamos que a chuva deu um pouco de trégua, foi possível desatolar os carros e prosseguirmos com a viagem até Belém, de onde sairíamos para Brasília. Quando chegamos à capital paraense, já era noite.

No dia seguinte, acertamos os últimos detalhes da longa viagem de Belém até Brasília. Às seis horas da tarde partimos de Belém e seguimos até Santa Maria do Pará, um percurso de 100km, quando o asfalto terminou. Resolvemos dormir nessa cidade e prosseguir logo na manhã do dia seguinte.

A estrada Belém-Brasília, como era chamada desde sua construção, possuía, já naquela época, um intenso movimento de caminhões. No trecho do Pará, até Imperatriz no Maranhão nos deslocamos muito bem, pois apesar de não haver asfalto, havia um bom revestimento primário, termo técnico usado na engenharia rodoviária para o que popularmente é conhecida por estrada de piçarra. Entretanto pernoitamos em Paragominas. No terceiro dia da viagem, passamos por Imperatriz, e por volta das oito horas da manhã atravessávamos a ponte do Estreito sobre o Rio Tocantins e entramos no Estado de Goiás.

Desde o norte de Goiás, onde atualmente é o Estado do Tocantins, a rodovia estava sendo asfaltada e passamos a viajar sobre longos trechos de desvios. Eram duas trilhas aprofundadas pelos caminhões carretas, além das caçambas com o transporte de material para construção da estrada. Por isso se formou nos dois lados do desvio duas trilhas sobre a areia, bem aprofundadas. Como a largura dos caminhões era bem maior do que a do fusca, ao tentar ultrapassar uma caçamba, ficamos facilmente suspenso pelo "canteiro central" formado no meio das duas cavas feitas pelo peso das carretas. O motorista da caçamba, de espírito bastante solidário, ofereceu-se para ajudar. Amarrou uma corda no eixo dianteiro do fusca e deu partida. Ouvi um estalido seco e senti não haver saído do lugar. O motorista desceu e constatou que a ponta do eixo traseiro da caçamba havia rompido. Com isso a estrada ficou interditada. A caçamba de um lado e o fusca do outro. Imediatamente formou-se duas filas de caminhões, uma à nossa frente, e outra atrás. Até que um motorista de uma das carretas exclamou: "E nós vamos ficar aqui parado por causa desse fusquinha, pessoal?" Convocou seus companheiros e quando menos esperei, estávamos voando sobre a estrada, nos braços de homens fortes, que nem sequer pediram para que descêssemos do fusca.

Mas o pior nos aguardava mais um pouquinho à frente. Mal refeitos dos susto sofrido pelo episódio do "entalo" do fuscão, ao subirmos uma ladeira, lá no alto, fomos mandados parar por dois homens que mais pareciam dois portões de ferro. Era um posto da Polícia Federal. Perguntaram de onde vínhamos, para onde íamos, profissão, pediram nossa documentação, identidade, certidão de casamento, registro do CREA, carteira de trabalho, tudo o mais que comprovassem que não éramos terroristas. Não satisfeitos, pediram para abrir o bagageiro e passaram a revistar nossas malas, sacolas e tudo o que vissem pela frente. Dias antes, o dono da Engenorte fez uma viagem a Manaus e na volta me presenteou com uma pequena radiola portátil importada do Japão, que transportávamos debaixo do banco traseiro do fusca, por falta de espaço. Pois eles, depois de revistarem tudo, descobriram a radiolazinha e pediram a nota fiscal. Respondi que havia sido um presente, e que ao recebermos um presente não ficava bem pedir a nota fiscal e nem perguntar o preço. De nada adiantou. Ficaram com nossa radiola. Depois é que nós ficamos sabendo que naquela época estava acontecendo a guerrilha do Araguaia, a cerca de uns 50km dali. Daí termos sidos tratados como se fossemos terroristas.

Deixar nossa radiola para trás nos deixou muito tristes, pois era um dos três bens de consumo que tínhamos para o nosso entretenimento. Os outros bens eram, um pequeno toca fitas e um rádio portátil, que somente sintonizávamos à noite. Ouvíamos os discos e as fitas de Paul Mauriat, Paulinho da Viola e Roberto Carlos.

Seguimos viagem e já quase na hora do almoço avistamos um restaurante num local bastante agradável localizado numa plataforma de madeira sobre um pequeno rio. Estava praticamente lotado. Chamei Carlos para almoçar, mas ele disse que era cedo e almoçaríamos mais adiante. Só que não passamos mais por nenhum restaurante, aliás não havia mais nenhuma cidade, apenas pequenos povoados. Num deles, paramos em uma bodega procurando comprar alguma coisa para comer, mas não havia nada, nem mesmo uma coca-cola, ou um pacote de bolachas, nem água mineral. A água existente era barrenta. Passamos o resto do dia com fome e sede. Não adiantava lamentar, o certo era esperar com muita paciência até chegar a Porangatu, o que somente aconteceu à noite.

O restante da viagem transcorreu sem mais nenhum sobressalto. De Porangatu até Brasília já havia asfalto. No dia seguinte chegamos à noite em Brasília, onde dormimos e seguimos para São João d'Aliança, nosso destino.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

José Flávio Vieira - O médico das palavras



Escritor inquieto e bem humorado, José Flávo Vieira busca no seu trabalho como médico o enredo e a alma para suas histórias carregadas de humanismo e questionamentos sobre a vida. Com uma produção crescente nos ultimos anos o médico/escritor consegue conseque fazer o hibridismo entre o erudito e popular, entre o local e o universal.

Alexandre Lucas - Quem é José Flavio Vieira?

José Flávio Vieira - Sou um sujeito esquisito, casado com a Medicina e amante da Literatura. Faço parte de uma longa tradição de médicos que se ligaram às Letras :Lobo Antunes, Guimarães Rosa, Moacir Scliar, Ronaldo Brito, Pedro Nava. A Medicina nos faz viver nesse limite impreciso entre a vida-morte, saúde-doença, bem-estar--infelicidade e acredito nos ajuda a conhecer um pouco mais da fragilidade humana. Pedro Nava dizia que ao médico era tão importante o Livro de Fisiologia como a leitura de Balzac. Não me considero escritor na acepção mais plena da palavra, assim como um corredor de fim de semana não pode se arvorar de Maratonista. A Literatura é um apêndice importante na minha vida, me deu a possibilidade de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e registrar, além da êfemero da oralidade, minha relação com a vida e o mundo.

Alexandre Lucas - Quando teve início sua atuação na literatura?

José Flávio Vieira - Cresci dentro de uma Livraria. Meu pai era professor de Língua Portuguesa e próprietário da Livraria Católica aqui em Crato. Desde menino gostei de escrever, na quinta série já redigia os primeiros textos e os primeiros poemas. Como adolescente tinha um diário escrito religiosamente. No Colégio Estadual Wilson Gonçalves fundei o primeiro Jornal Mural, participei de Grêmio Literário e fui um dos fundadores do Jornal Vanguarda nos fins dos anos 60 . Ali participei também da primeira Coletânea de textos: "Cariri Jovem 67". Hoje, olhando para trás ,com o distanciamento dos anos, imagino que desde mininote pulsava em mim esta tendência e já observava o mundo com olhos de escritor.

Alexandre Lucas – fale da sua trajetória:

José Flávio Vieira - Em 1970 fui estudar em Recife e entrei na Faculdade de Medicina em 1972, formando-me em 1977. Fiz Residência Médica no Hospital Getúlio Vargas na Veneza Brasileira(1978-79) : Cirurgia Geral. No período de Faculdade , em plena Ditadura Militar, participei de Jornais estudantis, como "O Esculápio" . Participei, também, dos Festivais da Canção do Cariri em 1974 e 1975 com o Grupo Kirimbau formado por primos e irmãos meus. Fui letrista de várias canções (" Sargaços" , quarto lugar em 1974; "Salvo Conduto", terceiro lugar em 1975 e muitas outras). Veio dessa época os meus primeiros problemas com a censura. Formado, voltei ao Crato em 1980 e desde então aqui estou. A vida de médico e pai de família me tomaram o tempo e escrevi apenas esporadicamente para os jornais da região. A partir de 1997, no entanto, comecei a escrever regularmente uma crônica nos sábados. Em 2003 lancei o primeiro livro "A Terrível Peleja de Zé de Matos com o Bicho Babau nas Ruas do Crato", um texto teatral que terminou sendo montado, através do II Edital de Incentivo às Artes do Estado do Ceará". Teve Direção minha, de Luiz Carlos Salatiel, Joaquina Carlos, Mauro Cézar, Abidoral Jamacaru e João Nicodemos e envolvia uma trupe de mais de 15 atores. Foram mais de 40 apresentações no Estado do Ceará, com grande sucesso, inclusive com premiação de Melhor Texto, no Festival de Acopiara.Em 2008 lancei o "Matozinho vai à Guerra", um livro quase que memorialístico e muito bem humorado e que terminou tendo uma das histórias : "Zezinho e o Cinematógrafo Herege" sendo levada ao Cinema por Jéfferson Albuquerque Júnior ( 2011) . Finalmente, em 2011, lancei "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" , um livro infantil baseado nos mitos caririenses . O Livro tem ainda um CD com 15 músicas feitas em parceria com inúmeros artistas : Abidoral Jamacaru, Luiz Fidelis, Lifanco, Luiz Carlos Salatiel, Zé Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, João Nicodemos e com direção musical do maestro Ibbertson Nobre; além de um Audio-Livro que vem anexo . "O Mistério..." ganhou o I Prêmio Rachel de Queiroz" da SECULT e está adotado como paradidático em inúmeras escolas cratenses. Participei ainda de Coletâneas : "Cariricaturas" e "No Azul Sonhado" e fui vencedor dos três Prêmios SESC de Contos ( 2007-2009-2011) , com coletâneas também publicadas. Continuo escrevendo para o Rádio e para o jornalismo virtual ( blogs : Cariricult, Coletivo Camaradas, No Azul Sonhado e o meu : Simbora prá Matozinho).Fui convidado este ano, ainda, a participar do Projeto "Livro de Graça na Praça" em Belo Horizonte, com conto em coletânea que será lançada em Outubro.

Alexandre Lucas – como você consegue conciliar o trabalho médico com a literatura?

José Flávio Vieira - Esta pergunta muitos colegas e clientes me fazem. Como você arranja tempo? Digo sempre que tempo a gente sempre arruma se assim interessar. E para mim escrever traz um grande deleite, um grande prazer, não é um trabalho a mais, mas uma maneira de voar para fora das tariscas da gaiola da pesada vida cotidiana. Além do mais, sou um hiperativo e não consigo ficar parado muito tempo. Não bastasse isso, a Literatura para mim é uma extensão da minha vida profissional como médico e é nesse manancial que eu bebo para derramar depois no papel.

Alexandre Lucas – Todos os dias você escreve?

José Flávio Vieira - Normalmente escrevo uma vez por semana. Sou um indisciplinado, anárquico por natureza, mas nesse ponto sou muito determinado: escrevo às quintas, a não ser quando existe um Projeto novo, aí caio de cabeçae torno-me mais regular.

Alexandre Lucas – A sua forma de escrever une o humor com o linguajar nordestino. Você acha que isso caracteriza a sua poética?

José Flávio Vieira - O humor é uma característica certamente da maneira com que escrevo, falo, vivo. É inclusive uma característica familiar, acredito que roubei das minhas raízes varzealegrenses. Gosto também de mesclar a linguagem erudita com a popular( que no fundo são o verso e anverso de uma mesma moeda) e, principalmente nos diálogos, busco imprimir a doce língua do povo. Uma tentativa geralmente inglória de levar o doce da oralidade para a forma escrita.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação entre literatura e política?


José Flávio Vieira - Acredito que a Arte é revolucionária na sua essência e, no fundo, o artista sempre se posiciona politicamente. Escrevemos sempre para denunciar, para tentar mudar o leme do barco e dar uma nova direção. Não aprecio, no entanto, a arte engajada ( qualquer tipo de engajamento no fundo é um cerceamento da atividade artística), embora admita a necessidade disso em determinadas situações, como na Ditadura Militar, por exemplo.

Alexandre Lucas - O seu livro Matozinho vai à guerra foi indicado para o vestibular da Universidade Regional do Cariri – URCA. Você acredita que isso potencializa a produção literária da região?

José Flávio Vieira - Fiquei muito feliz com a indicação, até porque era uma luta de muitos anos. Finalmente temos a possibilidade de olhar também para o umbigo. A URCA acordou para a possibilidade de ter uma visão também regional da Literatura. Isso certamente potencializa a produção literária local e abre horizontes imensos para que a juventude conheça os nossos escritores regionais. O Ceará tem um viés terrível: ele não olha para si , ele sempre vislumbra o mar em busca de Miami. A possibilidade da Arte Popular fazer parte do cotidiano das pessoas passa necessariamente pela Escola e, finalmente, começamos a descobrir isto.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

José Flávio Vieira - Tenho um Livro pronto de histórias mais urbanas : "A Delicada Trama do Labirinto" que estou vendo a possibilidade de publicar ainda esse ano. Penso ainda num livro de Contos que ainda merece um trabalho mais demorado. E tenho pronto um Audio- Livro de textos: " Ícaro". Penso ainda escrever alguma coisa sobre a História da Medicina aqui no Cariri. E mais: pretendo voltar a escrever para o teatro , uma das minhas paixões.

Alexandre Lucas – Quais os desafios?

José Flávio Vieira - Gosto de trabalhos coletivos ,onde possa envolver os inúmeros artistas da região. No Zé de Matos juntamos teatro-dança-música e em "O Mistério das 13 Portas" mais de 50 artistas estiveram participando do Projeto. Congregar tantas forças não é fácil, passa por administração de egos e sensibilidades, mas potencializa imensamente o trabalho e este é um desafio interessante. Um outro desafio é fazer com que o nosso trabalho seja reconhecido na nossa própria casa, que as pessoas leiam nossos escritores,assistam a nossas peças teatrais, que nossas Rádios toquem nossos artistas, que o Reisado seja visto como uma expressão da nossa identidade e não como extraterrestres que desceram numa nave espacial na Bela Vista.E também que os palcos das nossas festas mais tradicionais não sejam exclusividade do que existe de mais reles na Cultura brasileira. Isso passa pela Escola e é lá onde devemos exercer a nossa força para que a mudança pouco a pouco se efetive. E mais: o Estado precisa ser obrigado a exercer sua função , através de Política Cultural.E aí temos uma arma poderosa que precisa ser engatilhada : o voto.

Alexandre Lucas – Como você vê a relação entre arte e política?

José Flávio Vieira - A Arte por si só é um instrumento político de mudança, de vislumbre de novos tempos e novos rumos. Precisará apenas ter a leveza, a delicadeza para ser Arte e fugir simples e cartorial panfleto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pessoas e lugares, marco da memorialística do Cariri


Napoleão Tavares Neves

Do meu colega Ebert Fernandes Teles recebi, em primeira mão, o seu excelente livro de memórias, Pessoas e lugares, verdadeiro passeio sentimental do nosso conhecido oftalmologista pelos lugares quase sagrados da sua infância, inclusive perfilando familiares e amigos nesta verdadeira caravana sentimental.

O livro é bom e a sua leitura inebria, sobretudo quem, como eu, foi menino de fazenda e de bagaceira de engenho de rapadura.

O que o autor ali escreve é, como que, a história de todos nós no dia a dia da vida rural, percorrendo fazendas, sítios, engenhos de rapadura, logradouros serranos.

E o autor perfila muito bem os mais ilustres membros da sua importante família Teles, sem esquecer as suas colaterais, derivando também para os tipos populares dos que trabalhavam nas fazendas e sítios da família.

É uma leitura envolvente com sabores rurais de tempos que não voltam mais.

Livro bonito, com um ipê florido na capa e excelente editoração, caprichosa mesmo.

Pessoas e lugares retrata muito bem o Cariri da década de 30 para cá, com seus usos, costumes e pessoas.

Portanto, sua leitura é um magnífico mergulho no nosso passado com todos os seus encantos.

Barbalha CE, 23 de fevereiro de 2012.


Lançamento do livro Pessoas e lugares, de Ebert Teles


CONVITE


A Diretoria do Instituto Cultural do Cariri – ICC convida V. Sa. e Exma. Família para o lançamento do livro Pessoas e lugares, de autoria do Dr. Ebert Fernandes Teles, titular da cadeira Dr. Joaquim Fernandes Teles.

Data: 02 de março de 2012.         
Hora: 19h30.
Local: Sede do Instituto Cultural do Cariri
           Praça Filemon Teles, 1 Centro – Crato CE
         (em frente ao Parque de Exposições).


Atenciosamente,


José Huberto Tavares - Presidente    
Francisco Huberto Esmeraldo Cabral - Secretário Geral