--

Programa Cultura SESC Cariri
Foto: Heládio Duarte

Quem gosta de cordel? Os causos contados pelas poesias populares e impressos em livretos apresentam histórias possíveis e impossíveis de acontecerem. Mas também podem falar do Coletivo Camaradas, sobre a Arte ou sobre liberdade. Assim como também podem ser distribuídos na praça! E isto é o que vai acontecer no próximo dia 12 de abril, às 17 horas, na Praça Siqueira Campos, na cidade do Crato.
Os cordéis foram produzidos pelo Coletivo Camaradas, com o apoio do Ministério da Cultura, por meio do Prêmio de Literatura de Cordel - Edição Patativa do Assaré. Durante o lançamento haverá leituras musicadas e dramatizadas de poemas com Jean Alex, Mura Batista, Lilian Carvalho, Edival Dias e brincantes.
Você já pode ir pensando no que vai encontrar nos cordéis. Os títulos que serão lançados no dia 12 são os seguintes: Coletivo Camaradas (Mura Batista), Coletivo: Camaradas (Salete Maria), Quem são esses camaradas? (Nezite Alencar), A arte que humaniza (Adailton Ferreira), Quando a arte humaniza (Maercio Lopes), Libertando através da Arte (Mura Batista) e A brincadeira vai começar (Josenir Lacerda). Os dois primeiros são relançamentos de cordéis já publicados pelos autores.
Os livretos também serão distribuídos durante as ações do Coletivo Camaradas, nas escolas da região e em bibliotecas. Na segunda parte do projeto, a ser realizada em abril, estes sete títulos serão lançados em versão digital. Além dos já lançados em forma impressa, serão adicionados mais dois: A donzela e o cangaceiro (Cacá Araújo) e Auto do Caldeirão (Oswald Barroso).
Venha e conheça mais sobre o Coletivo Camaradas justamente em uma das expressões mais populares da arte: o cordel.

.
HOJE, Sexta-Feira, dia 30 de Março
Horário: 14:00
Rádio Educadora do Cariri
O programa pode ser ouvido pelo Blog do Crato ou qualquer site da Rede Blogs do Ceará que tenha o player da Rádio Chapada do Araripe - Ex. Cariricult, Cariricaturas, Blog do Sanharol, Beto Fernandes, etc, ou pelo site da Rádio Educadora:
www.radioeducadoradocariri.com




| Foto de Alexandre Lucas |
Acharam, pois, de artificializar tanto, e de tal forma, as categorias gramaticais que de regra obesa ninguém vive mais o prazer das primeiras vezes, nessas murrinhas rodeadas na moldura dos cabelos amarfanhados, parafinados, que só aprisionam a boneca da velha civilização. Onde eles esconderam o desgosto do amor aberto das praças e a paixão dos filmes ardentes, as flores miudinhas abandonadas ao vento, o inesperado das cenas, os sambas clarividentes de Chico Buarque?
A emoção definitiva dos jornais de antigamente que chuva levou para sempre, então? E as máquinas sabidas de dar corda, os brincos de argola pendurados perto dos lábios de mel, olhos acesos de desejo às menores carícias, os brejos dos canaviais ondulantes, as cores vivas dos tetos de telha das choupanas e suas chaminés esvoaçantes tingindo de cinza o verde da matas em festa animada? Os pirilampos, as cabrochas, os sugares das concertinas, estalidos de comboeiros conduzindo cargas de rapadura em travessias de sertão? Que é disso, daquilo e doutros tamanhos blocos de granito que jamais imaginou sumirem?
E o ghostoso das mínimas atenções que escorregou dos dedos a preço de inutilidades, a troco de nada, sem botão de respostas saracoteando nas histórias estrangeiras das conversas pra boi dormir dos vídeos games e tudo?! Argumentos falsos desconfiados dessa gente que repete as produções, no lucro incessante em jeito sabido, incutindo colesterol nas barrigas esfomeadas dos subdesenvolvidos e carrões platinados!?...
Começaram tocando nas rádios assuntos desconhecidos em músicas de línguas desconhecidas, e venderam fácil aos índios geniais camaradas, samurais enferrujados. Passaram que passaram turnos de mercadorias ilustradas, sarapintadas no sabor de artificial, e encheram maneiro o canteiro da moçada efusiva.
Depois era ver e crer o quanto sucata emprenha o teto dos armazéns, casas e dormitórios. Nisso, o barco segue tingindo o mar dos puxadores da guerra, nos exteriores das fazendas de gado, na superpopulação do tecido social. Cultura mesmo adormeceu preguiça no território de um globo inteiro, que esmoreceu nas calças. Bossa abusada que fuça, fuça, a estrutura caduca na farra de ração que atocha de hormônio o tanque da macacada sideral.
Há tempo, sim, nas folhas dos calendários... No treme-treme dos relógios. Ia esquecendo falar a saudação de fechar a carta.

Marcos Salmo - Comecei a minha militância na cultura, na época do movimento estudantil quando encabecei projetos culturais na escola, de lá para cá participei de diferentes grupos artísticos como o grupo de Teatro Aqui Tem Coisa, com encenações da Paixão de Cristo, até que junto com outros três amigos, Felipe Lira, Wagner Sales e Eugenio Oliveira, criamos a quadrilha junina Arraiá do Patativa, que agregou diversos artistas da cidade, que culminou na criação da Fundação Balceiro de Cultura Popular, uma instituição cultural que tem por objetivo a preservação e difusão da cultura popular de Assaré, e tem se consolidado como um espaço de produção cultural e formação cidadã. Graças aos trabalhos desenvolvidos ao longo dos anos em 2005 fui diretor de cultura do município, em 2007 coordenador de cultura popular e em 2009 assumi a pasta da Secretaria Municipal da Cultura, Turismo, Desporto e Lazer. O imaginário popular do povo nordestino é uma das grandes fontes inspiradoras das minhas atividades. Sempre fiz cultura em defesa do social e da diversidade cultural de Assaré e na busca pela preservação, valorização e difusão da vida e obra do poeta Patativa do Assaré.
No dia em que iniciava estudos junto ao Colégio Pio X, localizado na Praça da Sé, em Crato, ali por volta dos meus 10 anos, logo antes do início das aulas observava um dos garotos para mim desconhecidos nas animações e intensas atividades. Um deles era Hugo, que depois seria meu amigo e companhia de bons instantes, naquela época. Logo soube que tocava acordeom, gostava de jogar bola e marcava o grupo pela facilidade em liderar os demais garotos. Sempre criativo, guardava boas surpresas e demonstrava alegria contagiante.
Noutras horas, saíamos em caminhadas pela cidade, quando, inclusive, me traria a conhecer o Bazar de Dona Zulmira, loja de brinquedos e variedades que havia na Rua Miguel Limaverde, na época apenas um beco típico do centro antigo do Crato, de belas casas revestidas de azulejo português, herança mais adiante desfeita na urbanização da cidade. A visita ao bazar marcaria bem os olhos de menino qual aparição mágica com mimos quase de tudo ignorados, dada a beleza dos brinquedos raros que oferecia. Isto conduzido pelas mãos do colega e amigo.
Hugo significava em Crato menino prodígio que iniciara a história de musicista logo aos seis anos de idade. Em cada sessão de arte do colégio detinha presença fiel, a executar com maestria as páginas do cancioneiro popular de maior sucesso, número apreciado nos programas de auditório das emissoras cratenses, Araripe e Educadora, atração respeitada por legião de fãs.
Seguiu carreira promissora, merecendo o apoio dos pais, que com ele montariam, nos anos 60, o grupo Ases do Ritmo, conjunto que marcou os bailes do Cariri durante fase inesquecível das tertúlias semanais, junto de Hildegardes Benício , Os Tops e Os Águias.
Além de músico virtuoso nos teclados, Hugo possui dotes para o desenho, havendo mostrado trabalhos nos Salões de Outubro de 1977 e 1978, e no Salão de Maio de 1978, em Crato, ocasiões quando auxiliei na organização dos tais eventos, e expus colagens e pinturas, o que exercitava naquele momento.
Dias atuais, e acompanho as atividades intensas de Socorro Moreira, junto de outros animadores culturais cratenses, para realizar, dia 14 de abril, no Crato Tênis Clube, a festa dos 60 anos de carreira de Hugo Linard, laurel merecido e justo, sobremodo vindo deste reconhecimento público a quem tantas emoções ocasionou durante a boa geração de contemporâneos.
A Hugo Linard o meu abraço de júbilo, satisfação e melhores sentimentos, visto o exemplo de pai de família e profissional exímio que nos lega e que lhe credencia ao destaque que usufrui nas artes da nossa Região.