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domingo, 7 de outubro de 2012

Tudofel: Elvis On My Mind

Tudofel: Elvis On My Mind:   Quando se aproxima o Natal eu tenho uma mania: ouvir incessantemente as músicas cantadas por Elvis Presley. A priori, todas es...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (epílogo)

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (epílogo): Para que a coisa pegasse fogo mesmo, muita lenha foi atirada na fogueira. E boa parte do combustível foi da nossa quota, quando, por ex...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (2)

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (2): No início da campanha eleitoral de 1988, não tínhamos certeza de nada: se perderíamos ou ganharíamos nem como chegaríamos na reta final...

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (1)

Tudofel: Dê uma chance ao Crato (1): 1988 foi um ano interessante e agitado. Naquela época eu vivia uma fase boa e divertida. Foi o ano em que surgiu a banda Fator Rh, fo...

Tudofel: Lula-lá e aqui

Tudofel: Lula-lá e aqui: 1989. Primeiras eleições presidenciais pós-regime militar instalado em 1964. Estava praticamente certo que votaria em Fernando Gabeira...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cristina Dunaeva – Educadora e libertária cresceu escutando as histórias do avô Luis Carlos Prestes


Cristina Dunaeva –  Educadora e libertária cresceu escutando as histórias do avô Luis Carlos Prestes

A neta do cavaleiro da esperança, o comunista que fez história no Brasil Luiz Carlos Prestes diz que  A figura de meu avô me influenciou por sua prática cotidiana: ser humilde, abrir mão de luxo material. Escutar e destaca enquanto à teoria, compartilho com ele a compreensão da necessidade de transformação social, de lutar pelo fim do sistema capitalista. Dunaeva fala também sobre artes, pesquisas e opressões.    


Cristina e seu filho Pedro Uana Foto: Alexandre Lucas 
Alexandre Lucas - Quem é Cristina Dunaeva?

Cristina Dunaeva - Hoje em dia, sou mãe, estou trabalhando como professora; as duas condições estas me levando, inevitavelmente, a ser educadora.
Eu nasci em Moscou (capital da Rússia), já faz um tempinho (naquela época, país onde nasci chamava-se União Soviética, URSS), sendo filha de mãe russa e pai brasileiro. Meu pai é filho de Luiz Carlos Prestes, aquela pessoa heroica que foi batizada de Cavalheiro da Esperança e era líder do Partido Comunista Brasileiro. Em 1970, durante a ditadura militar, toda a família Prestes foi para o exílio, na URSS. Meu pai, já com 16 anos.
Cresci escutando histórias sobre o Brasil. Estorias mirabolantes. Para mim, o Brasil tornou-se um lugar muito sonhado. Como deve ter sido muito grande a saudade de meu pai deste país, ele contava tanto sobre sua infância, sítio onde moravam, bichos, mar, algumas viagens; mas, também, das dificuldades que passaram se escondendo da polícia, de viverem muito tempo sem poderem ver seu pai, sempre sumido, sempre trabalhando. Cresci também ouvindo a música brasileira, direto. Eram fitas, LP's. Eu ficava fascinada, gostava muito. Aprendi português, escutando Chico Buarque, Clara Nunes, muito samba, Secos e Molhados, Mutantes, João Bosco, Elis Regina, Milton Nascimento; sinto-me eternamente grata a meu pai por me introduzir neste universo sonoro; felizmente, ele tem gosto musical de primeira.
Já da minha família russa herdei o habito de muita leitura. Eu lia demais quando era criança. Com 13, 14 anos já li toda a literatura clássica russa quase inteirinha e muitos dos autores europeus e latino-americanos (que foram traduzidos para russo, claro). Era algo comum na URSS: as pessoas, em geral, liam muito. Lembro que trocávamos pilhas de jornais velhos pelas edições completas de autores clássicos, existia a política estatal de incentivo à leitura. E com o fim da censura passei a ler mais ainda: os últimos anos de escola coincidiram com o fim da URSS, começo da perestroika; muitos autores proibidos no período soviético foram traduzidos pela primeira vez para o russo e editados – Kafka, Nietzsche, Freud; foi ótimo, e os livros, naquela época, ainda eram baratos.
Então, é isso: Cristina Dunaeva: educadora, melomaníaca, leitora apaixonada; também sou anarquista, ateísta e busco ser libertária.
E compartilho ainda das duas identidades que me deixam numa situação vulnerável, ao mesmo tempo me instigando à luta diária: sou mulher e mãe solteira (uma condição difícil e comum dentro da sociedade machista e patriarcal), e sou, apesar de ter uma forte raiz nesta terra, imigrante.

Alexandre Lucas - Qual a sua ligação com as artes?

Cristina Dunaeva - Olha, me graduei em História, na Rússia; meu TCC foi sobre Henri Rousseau, o Aduaneiro, e orientado pela historiadora da arte. Interessei-me  muito, durante a graduação, por este campo de conhecimento – história da arte. E a escolha de Rousseau (artista “ingênuo”, naïf; essa nomenclatura, ao meu ver, horrorosa, preconceituosa, discriminatória e segregadora foi criada a partir da incorporação da produção dele à arte moderna) não foi ocasional. Acontece, que em Moscou, em São Petersburgo existem grandes museus de Belas Artes que frequentávamos e onde nos formamos: estes museus todos seguem um padrão muito rígido de exposição daqueles objetos que são considerados “a Arte” (egípcia, da antiguidade clássica, Renascimento, Barroco, etc.) e de não exposição daqueles objetos que são considerados uma arte menor, ou artesanato, ou amadorismo. Rousseau era único “intruso”, digamos assim, e me despertou uma curiosidade forte.
A partir daí, conheci artistas contemporâneos russos que eram taxados de ingênuos. As possibilidades que eles tinham para expor seus trabalhos eram ínfimas e pouquíssimos críticos de arte e pesquisadores os aceitavam como artistas (ou Artistas, na lógica da História da Arte convencional e eurocêntrica).
Depois vim para o Brasil e passei a morar em Santos, onde me aproximei a anarquistas. Conhecia pouco da teoria anarquista quando @s conheci, mas rapidamente me identifiquei tanto com a teoria, quanto com a prática. Foi amor à primeira vista. E, por incrível que pareça, só após vir morar no Brasil, conheci anarquistas na Rússia, muit@s d@s quais são artistas. Assim, me interessei pela produção de grupos como Voina (Война), banda Pussy Riot – artistas contemporâne@s muito destacad@s hoje em dia na Rússia.
E no Brasil, no primeiro momento, continuei a pesquisa sobre a arte marginalizada, e, agora, o que mais me provoca são as experiências artísticas que questionam os valores capitalistas, valores introduzidos à força no território sul-americano a partir da colonização, e que continuam vigentes e  aceitos. 

Alexandre Lucas - O que você pesquisa em artes?

Cristina Dunaeva - O que mais me interessa é a relação entre a produção artística, entre a criatividade e a liberdade.
Pesquisei Rousseau e o sistema das artes. A nomenclatura eurocêntrica, elitista, que distingue vários tipos de arte segundo sua aceitação em mercados de consumo. As ideologias que sustentam as nomenclaturas. É muita pretensão chamar algum artista de naïf, de ingênuo, só porque ele não segue o padrão expressivo de tal ou qual período, ou porque não intelectualiza seu trabalho (que não foi o caso de Rousseau, aliás). Esta foi a primeira questão que pesquisei.
Depois passei a trabalhar com a produção da vanguarda russa e soviética. Traduzi para o português um dos textos mais importantes de Kazímir Maliévitch, um dos “inventores” da arte abstrata, autor do famoso “Quadrado Negro” (1913-1915). Maliévitch, como toda a vanguarda na Rússia, participou ativamente do processo revolucionário entre 1905 e 1921. Em 1917, ele foi eleito o conselheiro para as artes do governo bolchevique. Mas depois (rapidamente, já em 1919) rompeu com Lenin e seu partido por não concordar com as medidas ditatoriais, com a perseguição de anarquistas, de oposição socialista operária, com o massacre de Kronstadt (em 1921). Maliévitch indissociava a arte e a criação, da liberdade. Ele escreveu muito – vários volumes de tratados filosóficos e sociais, sempre batendo nesta tecla: não existe artista sem liberdade; não existe verdadeira transformação social sem liberdade. Com a proclamação de “realismo socialista” na URSS (o único método aceitável pelo governo para a expressão artística), Maliévitch não pôde mais produzir, foi preso e faleceu em 1935. Isto me tocou e toca muito, sabe. A escolha lá, na URSS, assim como na Alemanha nazista foi, para os artistas, entre a vida e a morte: ou você continua fazendo aquela arte que você quer e morre, ou você segue as exigências do governo e prospera.
E, hoje, após um longo envolvimento com a denúncia da guerra na Chechênia (é uma região na Rússia que foi colonizada no século XIX; foi massacrada pelo Stalin, em 1944; e proclamou independência após o fim da URSS, em 1991, sendo massacrada novamente a partir de 1994), pesquiso aquela arte engajada, pois trabalhei com fotógrafos e artistas que denunciavam esta situação. Mas aí, existe um, porém: para mim, toda arte é engajada, pois não existe nada politicamente neutro. Então, pesquiso a relação entre a produção artística de tal ou qual período com a situação social da época (destacando o período contemporâneo, tanto no Brasil, quanto na Rússia; o período revolucionário do início do séc. XX e as sociedades totalitárias (URSS)).   

Alexandre Lucas - Qual a importância da sua pesquisa do ponto de vista social?

Cristina Dunaeva - Por, primeiro, compreender, analisar e discutir o sistema das artes, o mercado das artes, a exclusão social de certos tipos de produção artística (como, por exemplo, autodidata, marginal). É necessário compreender o funcionamento deste mecanismo de exclusão para poder transformá-lo.
Segundo, por trabalhar a relação entre a criação artística e a liberdade.
Lembrando, que a liberdade não é aquele valor capitalista, neoliberal, que nos fazem adotar desde muito cedo. Não é a liberdade alienada, a liberdade de consumo. Mas aquela liberdade, da qual Bakunin, meu conterrâneo anarquista, falava: Só é possível ser livre respeitando a liberdade do outro. A partir do momento que a minha liberdade passa a ferir a liberdade do outro, não é mais liberdade, é autoritarismo.
Para criar, ser artista é preciso ser libertári@.
Aqui, eu gostaria de aproveitar a deixa e falar um pouco sobre a péssima situação que se dá no meu atual lugar de trabalho e, consequentemente, de atuação social e política: Centro de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau da URCA (Universidades Regional do Cariri).
Trabalho no Departamento de Artes Visuais e sou professora de História da Arte.
O curso é uma Licenciatura, ou seja, um lugar onde futur@s professor@s se formam.
E o que observo? Uma situação que me deixa indignadíssima e completamente perplexa.
Arte=Liberdade. Ser educador=ser libertário=contribuir para a liberdade. Deveria ser assim.
E no Centro de Artes é o contrário. Ambiente, tanto de aulas, quanto da convivência cotidiana entre estudantes e professores, e professores entre si, extremamente autoritário. Estudantes humilhados em sala de aula, desistindo de curso e de cursar certas disciplinas por não aguentarem a pressão psicológica. Professores chorando nas reuniões. Outros falando horas seguidas em reuniões coletivas sem dar direito de palavra a colegas. Abusos de poder, arbitrariedades. Dois professores do curso pediram exoneração por não se conformarem com esta situação. Eu mesma estou passando por um processo de recuperação de saúde abalada com o ambiente de trabalho.
Como isto é possível? Numa universidade?
E o mais preocupante é o silêncio em torno desta situação. Tanto por parte de meus colegas professores que preferem se somar às práticas autoritárias ao invés de combatê-las; quanto por parte de estudantes que, salvo algumas e alguns, preferem a passividade.
Eu nunca participei de um ambiente educador tão opressor. A única experiência similar que recordo é a minha escola soviética, marcadamente autoritária, com relações sociais distorcidas, humilhações, punições (não físicas, mas morais, emocionais – situações de assédio moral). Mas lá tratava-se de uma sociedade pós-totalitária. E aqui? O que se passa?
É a herança do coronelismo, do sistema escravagista?
Esperança: dois professores do Centro de Artes, Marcela Lima e Marcio Rodrigues, se opõem ao autoritarismo; também sofrem perseguição por parte de resto do corpo docente, mas Resistem, têm coragem. Estudantes que se manifestam de uma maneira criativa questionando o silêncio da maioria e toda a situação. Poder olhar nos olhos destas poucas e corajosas pessoas é muito gratificante.


Alexandre Lucas - Como você enxerga a produção artística do Cariri?

Cristina Dunaeva - Olha, estou aqui um pouco mais de dois anos. Pouco tempo para poder opinar sem ser supérflua.
Mas vou tentar, ressaltando que careço de uma convivência maior e mais profunda com moradores da região.
No meu entender, aquilo que se passa no Cariri é tão, mas tão alarmante, devastador e rápido que fico um tanto surpresa com pouca repercussão artística destas grandes e desastrosas transformações sociais, ambientais e políticas que sucedem na região.
Assista-se com bastante complacência à chegada de grandes corporações capitalistas à região, ao sucateamento da educação, do sistema de saúde. Ao crescimento das favelas, à urbanização absolutamente caótica, à morte das pequenas propriedades rurais (fim de uma tradição agrícola e comunitária milenar); à higienização social; ao desmatamento absurdo da Chapada do Araripe; à poluição e à extinção de rios, córregos, nascentes. Tudo isto ao mesmo tempo, agora. E, comparando com outras regiões do país, este “desenvolvimento” acontece com velocidade muito mais rápida e de forma muito mais violenta. É um cenário péssimo: será o vale do Cariri uma nova Cidade do México? Poluidíssimo, com uma divisão social gritante: periferia enxotada (como já é em Juazeiro e em Barbalha, cidades que mais conheço, hoje em dia) no meio dos lixões e do esgoto; e bairros burgueses glamourosos com fontes, praças, monumentos, bandeiras, centros culturais, teatros etc.
Ser artista e não reverberar isto me remete a uma situação de ditadura, de sociedade repressora e reprimida.
O mais atual e interessante dentro da produção artística contemporânea no Cariri é, portanto, na minha opinião, justamente teu trabalho e de teu coletivo (Coletivo Camaradas) com a educação, o despertar crítico, reflexivo e criativo de estudantes; e, especialmente, do grupo Bando – que já realizou algumas manifestações artísticas importantíssimas, como a ação no lixão de Barbalha, o Procura-se da Beata Maria de Araujo, o É Proibido Proibir; as Feiras do Bando (principalmente, a primeira) também são experiências muito necessárias para a região, por praticar e evidenciar a viabilidade de uma ação autônoma, autogestionária, independente do sistema institucional e capitalista das artes.
Destaco também a arte de Dinho Lima, que trabalha com as questões ligadas às repressões e às autorepressões dentro do campo do desejo, do corporal, do íntimo, transformando, desta maneira, o corpo social. Algumas ações deste artista e a exposição recente são muito atuais para a região.
Mas, reafirmo, que são primeiras impressões, de relance.

Cristina aos 3 anos com seu avô em Moscou Foto: LCP Filho
Alexandre Lucas - Quais as lembranças que você tem de Luiz Carlos Prestes?

Cristina Dunaeva - Convivi pouco com meu avô. Com o fim da ditadura militar, ele retornou para o Brasil e nós ficamos na Rússia. Só pude reencontrá-lo em 1988, quando ficamos 2 meses no Rio e, depois, no ano seguinte, 1989.
Mas cresci escutando histórias sobre a Coluna Prestes que meu pai e meus tios e tias contavam. Lia livro de Jorge Amado que foi traduzido para o russo, o “Cavalheiro da Esperança”. Então, antes do reencontro na década de 1980, meu avô era para mim mais um personagem heroico, um ser grandioso, porém distante.
Quando o conheci melhor no final da década de 1980, ele se tornou, simplesmente, um vovô que curtia muito as crianças e a família.
Lembro que era uma pessoa muito tranquila, muito quieta, mesmo no meio da maior barulheira e brincadeiras a mil pela casa, ele, muitas vezes, ficava lendo ou escrevendo tranquilamente, sem se aborrecer.
Era, também, uma pessoa muito humilde que detestava luxo. A casa onde ele morava no Brasil era muito simples.
E lembro que ele escutava muito mais do que falava – para nós, crianças e adolescentes (somos muitos netos: 23), foi importante.

Alexandre Lucas - As ideias de Luiz Carlos Prestes contribuíram para sua formação política?

Cristina Dunaeva - Contribuíram demais.
A figura de meu avô me influenciou por sua prática cotidiana: isso que já escrevi, de ser humilde, abrir mão de luxo material. Escutar.
Enquanto à teoria, compartilho com ele a compreensão da necessidade de transformação social, de lutar pelo fim do sistema capitalista.
Só optei por outros meios de luta. Sou anarquista e compreendo que o estado e os mecanismos estatais de administração são ferramentas produzidas pela classe dominante, ferramentas de controle e da repressão. Também não acredito na possibilidade de transformação social por meio de organizações partidárias, já que estas são estruturas hierárquicas, muitas vezes autoritárias. Não acredito em lideranças, nem na democracia representativa.
Penso que a revolução não é algum momento específico de revolta ou levante (sem tirar a importância e a urgência destes), mas a revolução é um processo contínuo que acontece aqui e agora em várias situações (as microrevoluções), em todos os ambientes. Acredito que somente coletivos e grupos sociais que se organizam horizontalmente, sem delegar o poder, sem necessitar de alguém que os comande ou os doutrine, são agentes de transformação e de destruição do capitalismo. O resto só irá reproduzir o sistema de dominação de umas pessoas sobre as outras.
Veja, que venho de um país, onde, apesar da retórica marxista, a alienação de trabalhadores não cessou de existir. Os meios de produção e a própria produção pertenciam ao estado, ao governo que  decidia sobre o valor dos salários e a distribuição dos bens. Concordo com os teóricos que entendem o sistema político e econômico da URSS como capitalismo do estado.
No Brasil, participei, no início da década de 2000 do movimento antiglobalização. Foi um momento importante, no qual vários movimentos sociais e grupos autônomos se juntaram. E as reivindicações foram estas: fim do capitalismo, autogestão. Impedimos, por meio de manifestações em toda a América Latina, a implantação do ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
E, hoje em dia, existem inúmeras práticas de resistência social e de organização autônoma, libertária e autogestionária. São quilombos, comunidades indígenas, ocupações urbanas e rurais, grupos de artistas, movimentos estudantis e inúmeras outras experiências que exercitam a democracia direta, que se organizam por meio de assembleias (reuniões onde tod@s participam em decisões e têm a mesma voz e o mesmo poder de decisão).  
Não sei qual seria a opinião de meu avô, mas sua companheira, minha vó, Maria Prestes, compreende perfeitamente minhas posturas políticas e, em muitos momentos, as apoiou. Já disse até que é anarquista, anarco comunista.

Alexandre Lucas - A sua avó Maria Prestes escreveu recentemente o livro “Meu Companheiro”que conta a história dos 40 anos que viveu ao lado “Cavaleiro da Esperança”. Você pretende fazer o lançamento do livro no Cariri?

Cristina Dunaeva - Pretendo, sim. Só preciso organizar a vinda dela. O livro foi relançado agora numa edição bilíngue (em português e castelhano), e ela, Maria, está viajando pela América do Sul e pelo Brasil, divulgando-o.
Será importante uma passagem da Maria Prestes pelo Cariri. Lembra, que aqui se deu um dos episódios marcantes da história do Brasil: quando os serviços do Lampião foram requisitados pelos agentes do poder (Padre Cícero e Floro Bartolomeu) para impedir a passagem da Coluna Prestes pela região do Cariri. Tentei encontrar a documentação original (cartas trocadas entre estas figuras históricas) que testemunha este acontecimento, mas até hoje não foi possível. Talvez, com a vinda da minha avó, pudéssemos ter maiores chances de acesso aos arquivos que guardam estes vestígios.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tudofel: Uma lição de mestre

Tudofel: Uma lição de mestre: No curso de graduação de História da URCA, um dos livros que mais me marcaram foi “Luzias e Saquaremas”, de Ilmar Rohloff de Mattos. O ...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tudofel: Fator Rh, o Poema

Tudofel: Fator Rh, o Poema: Nesses dias tortos, frios ou mornos, quando a cama vira uma nave e o olho abre sonolento, sem o bote daqueles dias decisivos, numa pra...

MARIA NOÊMIA VITURINO LEITE - FUNDADORA DA BIBLIOTECA DA ESCOLA MONSENHOR VICENTE BEZERRA -

                                              Luiz Domingos de Luna*


Nas ondas emblemáticas da plumagem existencial, nos verdadeiros paradigmas da oscilação do tempo, nasceu no dia 15 de agosto, 1933 na vizinha cidade de Caririaçú (CE) a criança, Maria Noêmia Viturino Leite, que, tendo em tempos idos, o seu esposo, o advogado Dr. José Dácio Leite sido aprovado em concurso público para o ministério público, veio da capital do Estado – Fortaleza, este aurorense pela primeira vez na história de Aurora ocupar a cadeira de Promotor Público Estadual.

No mesmo ano de 1963, nasceu o primeiro filho do Casal José Dalton Viturino Leite, tempos depois o segundo filho José Dácio Leite Junior.

Em 1964 a Diretora da Escola Monsenhor Vicente Bezerra, Maria Laisce Gonçalves Quezado dos Santos, numa iluminação característica das grandes mestras da educação de Aurora, convidou a primeira professora de Artes do Colégio Paroquial Sr Menino Deus a normalista, Maria Noêmia Viturino Leite para ocupar o cargo de Vice – Diretora.

Ainda no ano de 1964, A Professora Noêmia, mobilizara a sociedade aurorense, as autoridades, e o povo de forma geral para a construção da Primeira Biblioteca das Escolas Públicas no Município de Aurora (CE).

O Sonho da Profa Noêmia encontrou no prefeito da época, Francisco Bezerra dos Santos, um aliado forte e determinado, a ponto de firmar vários convênios para aquisição de livros para a Biblioteca da Escola Monsenhor Vicente Bezerra.

No dia 15 de março 1965, enfim, o sonho da professora Maria Noêmia Viturino Leite foi realizado com beleza, com altruísmo, pois em sessão solene na escola, foi inaugurada a Biblioteca da Escola Monsenhor Vicente Bezerra. Ponto de partida para pesquisas, estudos, leituras e complementação de conhecimentos por todos que por lá passaram e ainda estão passando, visto a Biblioteca da Escola Monsenhor Vicente Bezerra ser hoje uma das que possui um acervo considerável de livros e afins para o engrandecimento do quadro da epistemologia genética regional e local.

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora – Ceará
Email: falcaodouradoarte@hotmail.com

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Tudofel: Fim de Semana em Craterdã, final dos anos oitenta

Tudofel: Fim de Semana em Craterdã, final dos anos oitenta: Que tal, esta noite, ouvir uma jam session com Normando e Nicodemos, no Batente, sob o luar?  Antes, porém, vamos tomar uns trago...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tudofel: Eu boleiro

Tudofel: Eu boleiro: Relembro o momento em que fui tocado pela primeira vez pelos deuses da bola . A primeira lembrança é a Copa de 1970, quando o Brasil foi ...

CONVITE DO ESPAÇO ZEN


O espaço Zen convida você e seus amigos a ver o novo trabalho do Shivam, "Desenvolvimento Pessoal".

Começará com uma Palestra Aberta dia 27/09, às 19 horas, onde ele irá expor o conteúdo do curso, preço e tempo de atuação.

CONVITE PARA ENCONTRO COM SHIVAM

Tema do Discurso: Oeste – Leste (Uma fala sobre a diferença básica entre o pensamento Oriental e Ocidental).

Neste encontro Shivam introduzirá um curso de Desenvolvimento Pessoal com duração de oito meses, uma vez por semana, levando você aos ventos da nova era inspirando nas fragrâncias
de mestres como o Buda e Patânjali.

Tópicos
- Como se desligar da mente.
- Como atingir melhor os seus objetivos.
- Como ficar mais tranquilo no dia a dia da vida moderna.

Data: 27 de setembro, próxima quinta, às 19 horas.
Local: ESPAÇO ZEN - Praça da Sé, 91, Crato.
Contatos: (88) 3587-3851 e (88) 8825 0493

Contamos com sua presença.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Tudofel: Barbárie e Civilização

Tudofel: Barbárie e Civilização: Ao contrário de quase todos os bárbaros da minha idade, aprendi a ler e escrever em casa, sob a orientação de minha irmã Teresinha. Tin...

domingo, 23 de setembro de 2012

Tudofel: Vou embora pro passado

Tudofel: Vou embora pro passado: Vou embora pro passado. Lá, eu sou amigo do réu, que foi condenado ao doce saudosismo das boas lembranças. Assistir, numa tv p&b, Perdid...

sábado, 22 de setembro de 2012

Tudofel: O doce mel da poesia

Tudofel: O doce mel da poesia: Senti afinidade com a poesia (ou vocação de arauto) desde o dia em que, com menos de cinco anos de idade, recitei um poeminha no progra...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Alexandre Lucas, interventor do Cariri (CE), participa de debates e ações artísticas em Cuiabá


Alexandre Lucas - registro de performance e intervenção realizada no Crato com alunos de escolas públicas.
                                                                                       







Lançamento de livro, intervenções urbanas, sarais, reuniões com coletivos e discussões sobre arte, política e educação farão parte das atividades do artista/educador cearense Alexandre Lucas que  participa de intercâmbio cultural  no período de 25 a 29 deste mês em Mato Grosso.   

O artista cearense foi convidado pela Secretaria Municipal de Juventude de Cuiabá - SeJuv para contribuir com o Projeto Cutuca Juventude, o qual visa trazer discussões contemporâneas para os jovens a partir de várias temáticas como esporte, cultura, gênero e meio ambiente. O Ministro dos Esportes Aldo Rabelo já foi um dos palestrantes do Projeto. 

No dia 26, o artista participará na Praça da Mandioca  do Sarau Free das Artes e Cuca. No dia 27, Lucas abordará o seguinte temática “Arte Pública: Democratização e Acesso” no auditório da Unirondon. Já no  dia 28, participa de debate e lançamento do seu livro “Entranhamentos” com o tema arte e política, no auditório da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, conjuntamente com Eduardo Ferreira, artista inquieto das ruas, que no ano de 2012 movimentou os espaços públicos de Cuiabá com suas intervenções.

De acordo com a Patrícia Nogueira, Secretária da Juventude de Cuiabá, Alexandre Lucas desempenha um papel importante no cenário nacional no tocante as discussões e ações sobre arte, política e educação

O cearense participará ainda de performances e intervenções com coletivos e o Instituto Cuca que resultarão em material de apoio pedagógico. Os trabalhos de artistas do Cariri/CE estarão sendo levados na bagagem do artista como CDs, livros, vídeos como forma de potencializar a troca de saberes estéticos e artísticos.

Tudofel: Um presente instigado do cidadão Evandro

Tudofel: Um presente instigado do cidadão Evandro: No final de julho, durante essa interminável greve das universidades federais, que (in)felizmente terminou agora, fui ver a banda ...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tudofel: Um dente de leite por um sorvete

Tudofel: Um dente de leite por um sorvete: Quando meus primeiros dentes de leite amoleceram, meu pai fez comigo um acordo: para cada dentinho arrancado por ele eu ganharia u...

Carta aberta aos artistas e intelectuais "do Crato"



Por Alexandre Lucas* 

Vocês têm contribuindo de alguma forma com o Crato

1. Cacá Araújo 
2. Jean Alex
3. Fatinha Gomes 
4. Nívia Uchoa 
5. Rafael Vilarouca 
6. Franklin Larcerda 
7. Josernir Lacerda 
8. Bastinha 
9. Luciano Carneiro 
10. Allan Bastos 
11. Yasmine Moraes 
12. Wilson Bernardo 
13. Carlos Rafael 
14. Luiz Carlos Salatiel 
15. Cleivan Paiva 
16. Rosemberg Cariry
17. Stenio Lima 
18. Lifanco 
19. Luciano Francioli 
20. Rita Cidade 
21. Joaquina  Carlos 
22. Guto Bitu
23. Rodrigo Moura
24. Junior Errer 
25. Diheson Mendonça 
26. Auci Ventura 
27. Saraiva 
28. João Nicodemos 
29. Claudio Reis 
30. Mestra Zulene 
31. Mestra Edite 
32. Mestre Cirilo
33. Mestre Aldenir 
34. Mestra Mazé
35. Edelson Diniz 
36. Fidel 
37. Janinha Brito 
38. Aecio Ramos 
39. Dane de Jade 
40. José Flavio 
41. Paulo Bento 
42. Maercio Lopes 
43. Joenio Alves 
44. Josernany Ferreira 
45. Kelyene Maia 
46. Marlon Torres 
47. Carlos Henrique 
48. Christian Marques 
49. Ana Paula Nogueira 
50. Daniele Esmeraldo 
51. Ingrid Alidiane 
52. Françoi 
53. Vinicius Pinho 
54. Waslevicks Pinho 
55. Jorge Carvalho 
56. Tio Bibi
57. Wanderley Tavares 
58. Felipe Tavares 
59. Jackson Bantim 
60. Jeferson de Albuquerque 
61. Adriano Brito 
62. Abidoral Jamacaru 
63. Pachely Jamacaru 
64. Yarley Brito 
65. Flavio Rocha 
66. Orleyna Moura
67. André Ferreira 
68. Manel do Chico Gomes
69. Jessika Bezerra 
70. Lilian Carvalho 
71. Augusto Bezerra 
72. Janinha Linard
73. Tyciane Lopes
74. Jorge Ney 
75. Geovani Brasil 
76. Laerto Xenofonte 
77. Cartulo Teles
78. Ricardo Correia 
79. Faeina Jorge
80. Edceu 
81. Ricardo Alves
82. Jucimar 
83. Ridalvo 
84. Raul Lampião
85. Thales Eijan 
86. Flauberto
87. Eber Torres 
88. Jardas 
89. Sandra Albano 
90. Eveline Limarverde 
91. Amanda Priscila 
92. Janaina Guedes
93. Alexandre Xamex 
94. Elionardo 
95. Cleo do Vale 
96. Junior Rivadávio 
97. Cidinho 
98. Wescley Sousa 
99. Edilânia Rodrigues 
100. Elizangela Nepomucena 
101. Maria Gabriela Federico 
102. Cristiano Ramos 
103. Josilson Lobo 
104. Carla Daniele  
105. Caludia Rejane 
106. Luiza Amaro 
107. Erika Souza 
108. Edgle Lima 
109. Mariana 
110. Mestre Galdino
111. Kaika 
112. Eduardo Júnior 
113. Renê 
114. Glauco Vieira 
115. Sâmia Oliveira 
116. Sâmia Xavier 
117. Luiza Amaro 
118. Jussiane Emidio 
119. Jurandi Temoteo 
120. Primo 
121. Saraiva 
122. Mãe Alice 
123. Suyane Oliveira 
124. Lidio
125. Diego Sidrim 
126. Daniel Jackson
127. Nezite Tavares 
128. Pedro Ernesto 
129. Henrique Vidal 
130. Leonardo Luna 
131. Borracha 
132. Junnior Pessoa 
133. Ângelo Gomes 
134. Julio 
135. Camila Lima 
136. Fábio Lemos 
137. Adriana Botelho
138. Malan Amaro 
139. Willyan Teles
140. Amilton
141. Ana Aline 
142. Jonizia Fernandes 
143. Joseany Ferreira 
144. Charline Moura
145. Renata Marinho
146. Roberto Marques 
147. Edson Martins 
148. Roberto Siebra 
149. Mestre Aldenir 
150. Divani Cabral 
151. Padre Ágio
152. B.Boy João Paulo  
153. Manuel Fernandes
154. Zuleide Queiroz
155. Maria Iara Brito 
156. Jairo Starkey 
157. Ana Rosa
158. Norbelia Duarte  
159. Paulo Fuisca 
160. Joelmir Pinho 
161. Saraiva
162. Tancredo Lobo 
163. Carlos Henrique 
164. Anderson Almeida
165. Rogério Canal 
166. Marcelo Missão Miranda 
167. Michel Macedo 
168. Antônio Queiroz 
169. Mabel 
170. Batista 
171. Jaquelina Rolim 
172. Pâmela Soares 
173. Alemberg Quindins
174. Talita Bac
175. Raquel Arraes 
176. Constance Gonçalves 
177. Aline Silva 
178. Edival Dias 
179. Seu Jesus 
180. Roseane Limaverde
181. Eveline Limaverde
182. Kerollen Duarte
183. Eduardo Escultor  
184. Diego Linard  
185. Alvaro Holanda
186. Célia Dias 
187. Daniel Peixoto 
188. Didi Moraes
189. Elisa Moura 
190. Fran Galdino 
191. Maestro Galdino 
192. Ibbertson Nobre
193. Jayro Starkey
194. Lamar
195. Maestro Bonifácio 
196. Micaelson Lacerda
197. Corné Baruino 
198. Eduardo Campos 
199. Kélivia Maia 
200. Edilma Saraiva
201. Samuka 
202. Zada
203. Waldemar Arraes
204. Henrique Maia 
205. Gessy Maia 
206. Amanda Teixeira 
207. Emerson Monteiro
208. Everardo Aguiar 
209. Bebeto 
210. Marcos Leonel 
211. Socorro Moreira 
212. Willian Brito 
213. Fernando Garcia 
214. Virginia Moura 
215. José Wilton Conrado
216. Carlos Lourenço
217. Hugo Rocha 
218. Adauto Garcia 
219. Jardas 
220. Queops Arsênio 
221. Evandro Peixoto 
222. Tânia Peixoto 
223. Thibério Cesar 

(Certamente esqueci-me de citar alguns nomes ( me perdoem), mas se sintam incluídos).  Vivemos além das eleições. Pensamos a sociedade e produzimos arte independente das eleições, mas é preciso reconhecer as eleições como momentos importantes para o futuro  e o bem estar das pessoas. Isso não é coisa de político! Isso é coisa de seres humanos. 

Severamente o ato de pensar a sociedade ou de produzir arte tem uma dimensão de escolha, de perspectiva, ou seja, de ação política.     

Os artistas e intelectuais desempenham importante papel na vida pública. No Crato, nestas eleições provocamos o debate sobre políticas públicas para cultura e conseguimos que as quatro candidaturas a Prefeitura do Crato/CE assinassem a CARTA COMPROMISSO COM A CULTURA, a qual foi assinado pelos Candidatos Marcos Cunha e Pedro Lobo (Candidato a prefeito e vice), Cícero França e George Marcário (Candidato a prefeito e vice), Raimundo Filho (Candidato a  vice-prefeito) e Mauricio Almeida  (Candidato a vice-prefeito). 

Essa carta é um compromisso político assumido pelas quatro candidaturas, que representam uma conquista não para os artistas e intelectuais do Crato, mas para a humanidade, tendo em vista a dimensão progressista e humanizadora do documento que compreende a cultura e a arte, além do entretenimento e da mercantilização. A carta compreende  cultura como vetor de desenvolvimento humano, social, econômico, ambiental  e de diversidade cultural e artística.  

A carta é resultado das resoluções da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da UNESCO, da Conferencia Nacional de Cultura, dos Encontros Nacionais dos Pontos de Cultura do Brasil e das bandeiras defendidas pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura, além da  observância das resoluções da Conferência Municipal de Cultura do Crato. Ou seja, essa carta representa um anseio  planetário de intelectuais e artistas. 

Esse documento  não foi pensado para beneficiar  candidatura Vermelha, Amarela, Verde ou Azul, mas o conjunto multicolor das candidaturas. É preciso que os candidatos tenham um norte do que queremos. É preciso que cada candidatura entenda que para pensar políticas publicar para cultura, não basta de uma pessoa para executar, é necessário antes de tudo de ter propostas e clareza política do que se quer executar.    

Uma etapa nós já ultrapassamos: ASSINATURA DA CARTA COMPROMISSO COM A CULTURA. Após as eleições precisamos partir para segunda etapa EXIGIR DO CANDIDATO ELEITO  que seja honrado o compromisso público. 

Então, acredito que somente misturados e mobilizados vamos conquistar políticas públicas duradouras para cultura. É preciso que cada coletivo, companhia, ONG, artista, ativista, intelectual, brincante, tenham conhecimento do teor do documento assinado pelas candidaturas e possam se somar numa frente de diálogo com o candidato eleito para pensar o Crato como a “capital de desenvolvimento de políticas pública para cultura” para serem  copiadas e recriadas pelo povo brasileiro. 

       


A nossa disposição é de luta e acreditamos que investir na cultura é desenvolver de forma intersetorial cidades mais humanas. 

Saudações com anseio de revolução cultural! 


* Alexandre Lucas - Artista/educador, Pedagogo, integrante do Instituto Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA, do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA,  do Coletivo Camaradas, Coletivo Desmascarados,  do Conselho Municipal de Cultura do Crato,  do Coletivo Estadual de Cultura do Partido Comunista do Brasil – PCdoB   e da Rede Misturados.  

    
         


Conteúdo da Carta Compromisso com a Cultura


CARTA COMPROMISSO COM A CULTURA

Eu XXXXXX , candidato a prefeito do município do Crato pelo  Partido XXX, assino esta carta compromisso ao pleito eleitoral de 2012.

Considerando:
 1. A Convenção da UNESCO sobre a proteção e a promoção da Diversidade das Expressões Culturais, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo 485/2003;

2. A Agenda 21 da Cultura (Barcelona 2004), que diz “As cidades e os espaços locais são ambientes privilegiados da elaboração cultural em constante evolução e constituem os âmbitos da diversidade criativa, onde a perspectiva do encontro de tudo aquilo que é diferente e distinto (procedências, visões, idades, gêneros, etnias e classes sociais) torna possível o desenvolvimento humano integral”;

4. As resoluções aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura, sistematizadas no Plano Nacional de Cultura, sancionado em dezembro de 2010;

5. As resoluções aprovadas na Conferência Municipal de Cultura do Crato-CE, realizada em 2010, sistematizadas no Plano Municipal de Cultura;

6. As propostas elaboradas pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional;

Assumo o compromisso público, em sendo eleito:

A Cultura deve ser tratada como prioridade estratégica, através de mecanismos permanentes que visem sua consolidação como política de Estado e compreendida como dimensão fundamental para o desenvolvimento humano e econômico, social e ambiental;

A Cultura deve ser valorizada em seus múltiplos aspectos, considerando a diversidade cultural do nosso povo. Desta forma, integrar e fomentar tanto as culturas tradicionais como as indústrias criativas e todas as cadeias produtivas do setor, sem hierarquizar estas dimensões complementares.

As políticas públicas de cultura devem ser pensadas como elementos de aproximação entre o Estado e a sociedade. Neste sentido, as administrações municipais devem compreender a cultura como elemento de democratização desta relação. Políticas culturais emancipatórias contribuem para a criação de uma nova cultura política.

A política cultural deve facilitar e permitir o acesso ao território e ao espaço público, garantindo o direito à cidade, ressignificando e reapropriando estes espaços.

Cultura, Educação e Comunicação Democrática ou democráticas são elementos indissociáveis e indispensáveis em uma administração municipal e para formação cidadã.

As crianças, adolescentes e jovens devem ser considerados prioritariamente na elaboração, formulação e implementação das políticas culturais. Dar ênfase à primeira infância.

Cujas metas são:

ESTRUTURA E GESTÃO:
•             Fortalecer a Secretaria Municipal de Cultura, desmembrando-a do Esporte e Juventude e aperfeiçoando seu núcleo operacional;
•             Otimizar a implementação/funcionamento do Sistema Nacional de Cultura na esfera municipal - conselho, plano e fundo municipal de cultura;
•             Democratizar a gestão cultural e a destinação de seus recursos criando instrumentos de participação direta da sociedade nas definições de políticas, fiscalização, controle e execução das mesmas;
•             Implementar a cartografia sociocultural urbana: conhecer a cidade e sua gente, sua cultura, sua religiosidade, suas cadeias produtivas artesanais e industriais na cultura;
•             Valorizar o trabalhador da cultura, estimulando a formalização e regularização previdenciária do mesmo.
•             Criar uma política permanente de ocupações dos equipamentos culturais, através de editais públicos.  
FINANCIAMENTO:
•             Apoio à imediata aprovação da PEC 150/2003, que estabelece que 1% dos recursos do orçamento do município deva ser aplicado na Cultura;
•             Independentemente desta aprovação, que seja garantido no mínimo este percentual para os recursos destinados à Cultura, na lei municipal do Plano Plurianual, das Leis de Diretrizes Orçamentárias e das Leis Orçamentárias, já a partir do orçamento municipal elaborado para o ano de 2014;
•             Criar editais de fomento direto para todas as linguagens e expressões artísticas fortalecendo a produção independente;
•             Incentivar o mecenato a partir da criação de leis de incentivo via ICMS, ISS E IPTU;
•             Estimular a criação de parcerias públicas e privadas;
•             Desburocratizar os contratos de repasse de recursos, sem comprometer os mecanismos de fiscalização e controle;
•             Isenção de ISS para artistas e associações culturais sem fins lucrativos.
COMUNICAÇÃO E CULTURA DIGITAL:
•             Criar TV pública municipal, fortalecer e reconhecer as rádios comunitárias;
•             Criar gabinete digital junto ao Prefeito;
•             Documentação e modernização tecnológica para o acesso do povo ao conhecimento;
•             Implantar e/ou manter, através de apoio financeiro da administração municipal, as rádios e as TVs Comunitárias, geridas por associações de entidades usuárias;
•             Ampliar o já existente programa de acesso gratuito à internet – Banda larga Para Todos, criado por Lei Municipal
EDUCAÇÃO E CULTURA:
•             Criar um Segundo Turno Cultural nas escolas em tempo integral através de ações voltadas para a cultura e o esporte;
•             Incentivar a educação ambiental e patrimonial na rede municipal de ensino;
•             Fiscalizar a implementação do ensino de música na rede municipal de ensino, conforme determinado pela legislação vigente;
•             Fazer valer a lei Federal que garante o ensino da cultura afro brasileira nas escolas, ampliando-a para as culturas indígenas, conforme determinado pela legislação vigente;
•             Fazer valer a Lei Municipal nº  que determina a obrigatoriedade do ensino da história do Crato na rede municipal de ensino.  
•             Criar escola municipal de artes/cursos formação nas artes e produção cultural;
•             Formação de gestores culturais;
•             Construir ampla campanha nacional e local de erradicação do analfabetismo;
•             Incentivar o cineclubismo e a exibição de filmes nacionais nas escolas.
•             Apoiar à imediata aprovação pelo Congresso do Projeto de Lei 7.507/10 (PLS 185/2008) que torna obrigatório a exibição de produções audiovisuais brasileiras na rede municipal de educação, e compromisso com a sua posterior implantação;
•             Cumprimento da Resolução nº 411/2006 do Conselho Estadual de Educação, que fixa normas para o componente curricular Artes, no âmbito do Sistema de Ensino do Estado do Ceará.
PROTAGONISMO SOCIAL:
•             Apoiar a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei 757/2011 que cria a Política Nacional Cultura Viva (Pontos de Cultura) e compromisso com a sua implantação na esfera da administração municipal;
•             Fortalecer a Rede dos Pontos de Cultura – Criando um ponto para cada 15mil habitantes;
•             Incentivar o fomento à manifestação e criação de protagonismo local;
CULTURA E CIDADE
•             Cultura no planejamento urbano - desenvolvimento com preservação, design público, memória;
•             Implantar e/ou manter e fortalecer as políticas públicas de preservação de patrimônios históricos materiais e imateriais, bem como de patrimônios naturais e ambientais;
•             Valorizar espaços de ensaios, de criação, produção e apresentação;
•             Criar, equipar e manter: cinemas, bibliotecas públicas, teatros e outros espaços  destinados à arte e a cultura;
•             Implantar e/ou manter e fortalecer de Bibliotecas Públicas Municipais (inclusive através da ampliação e atualização de acervos) e Tele Centros;
•             Apoiar e fortalecer o programa de ação “Cine+Cultura”, através da implantação de cineclubes e especialmente nas localidades com menos de 100mil habitantes nas quais não existam salas comerciais de exibição;
•             Implantar salas de cinemas utilizando a lei 12.599/2012, que cria o programa “Cinema Perto de Você”;
•             Promover a ocupação dos espaços públicos e a valorização do artista da Rua;
•             Criar polos de cadeia produtiva e estimular a Economia Criativa Local: design, artesanato, moda;
•             Estimular a criatividade, conhecimento local que fazem a diferença;
•             Incentivar a produção, circulação do artesanato com criação de um polo para  comercialização;
•             Recenhecer os saberes e fazeres tradicionais: incorporar nas diversas ações de saúde, meio ambiente e ensino regular;
•             Apoiar a aprovação do Projeto de Lei 1786/2011 que institui a Política Nacional de proteção e fomento à transmissão da Tradição Oral - Lei Griô;
•             Estimular a integração para experimentações: linhas de pesquisa, universidades, movimentos culturais;
•             Incentivar prêmios municipais;
•             Gerar acessibilidade física à leitura e outras formas de comunicação;
•             Primar pela sustentabilidade socioambiental na utilização, distribuição e comercialização de matérias primas e produtos relacionados às atividades artísticas e culturais.
•             Equipar e adequar o Cine-Teatro Salviano Arraes Saraiva. 

Crato-CE, 27 de agosto do ano 2012.

XXXX                                             XXXX
Candidato a Prefeito –                Candidato a Vice-Prefeito