A mais tradicional, mais carnavalesca e mais curtida festa de carnaval do Cariri, o Carnaval da Saudade vem este ano com força total, reunindo duas maravilhosas orquestras que vão animar os salões do Crato Tênis Clube. As orquestras Prisma e a Super OHARA, estão afinadíssimas para fazer ferver de emoção o nosso querido Cariri. Já estão sendo confirmados caravanas de Fortaleza e Recife com cratenses e caririenses que não perdem por nada este evento. Para a troca de orquestras foi contratada uma charanga com sopros pra não deixar a galera ficar parada. E no final da festa, vamos sair em desfile do Crato Tênis Clube até a Praça Siqueira Campos como já é tradicional. Portanto, agende-se, faça a sua fantasia e vamos fazer nossa grande festa ficar ainda melhor e maior.
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
A FESTA DA SANTA CRUZ DA BAIXA RASA
Artigo de Cacá Araújo¹
Baseado em relatos populares
Um vaqueiro vindo do Pernambuco atravessava a Floresta do Araripe. Chegando à Baixa Rasa parou para descansar. Exausto, faminto e fraco, resolveu ali ficar, à espera de que alguém passasse e pudesse lhe ajudar, saciando-lhe a fome e a sede. Sua valentia de sertanejo ainda o ajudou a resistir por alguns dias.
O corpo sem forças. O desespero e a agonia já o dominavam quando, mesmo com a vista turva, conseguiu ver um grupo de homens montados em burros, que seguiam em comboio, certamente transportando mercadorias. Tentou gritar, mas sua voz, quase apagada pela tirania da fome e da sede, produziu apenas um fraco sussurro. Não foi ouvido e os homens seguiram seu destino rumo ao Crato.
Repentinamente um dos comboieiros, numa avivada de consciência, disse aos camaradas que lá para trás tinha visto um homem caído bem na beira da rodagem. Resolveram voltar para ajudá-lo, mas ele já havia morrido. Morte silente, testemunhada pelos pássaros e pelas plantas que pareciam chorar diante daquele quadro de desventura. Encontraram-no sobre folhas secas, a cabeça escorada numa raiz de árvore, os olhos abertos ainda reclamando um sopro de misericórdia. Fecharam-lhe os olhos. Libertaram sua alma. Seu corpo foi enterrado ali mesmo, no palco encantado de seu teatro de agonia. Com varas da mata fizeram a cruz que cravaram em sua cova. Isso aconteceu, segundo relatos, nos idos de 1880. Nascia, assim, o mito da Santa Cruz da Baixa Rasa.
O martírio daquele vaqueiro foi divulgado pelo grupo de comboieiros ao povo da região. Tomados pela compaixão e motivados pela forte religiosidade, os moradores dos arredores passaram a frequentar o lugar e rezar por sua alma, a fazer promessas, a suplicar milagres.
São diversas as histórias sobre a origem do mito. Mas o real é que vários milagres são atribuídos à Santa Cruz da Baixa Rasa, dentre eles o atendimento a uma promessa feita por uma senhora, em 1914, quando uma terrível peste espalhou-se por diversos pontos do Nordeste. Ela, com inabalável fé, pediu que a epidemia não chegasse ao Cariri. Foi atendida e o povo da região ficou livre da doença. Essa senhora era conhecida como Vó Pretinha, matriarca da família Estêvão, família que até hoje mantém a tradição de rezar aos pés da Santa Cruz da Baixa Rasa.
Muitas graças foram e são alcançadas e, todo 25 de janeiro, uma grande romaria de devotos acorre ao local, que fica a cerca de 20 quilômetros da cidade do Crato, dentro da Floresta Nacional do Araripe.
Uma clareira aberta no coração da mata virgem. Ventos soprando a ancestralidade de um povo religioso, que ainda tem o privilégio de conviver com a natureza divina, mãe de todas as crenças e mitos e desejos e esperanças. Um oráculo nordestino onde os filhos da terra procuram respostas que lhes livrem da ação implacável da esfinge que a todo tempo lhes apavora com a possibilidade de condenação ao inferno. A Santa Cruz da Baixa Rasa é magia matuta. É a busca incansável da felicidade. É o céu que se insinua aos impuros que buscam a clemência de Deus.
Purgar os pecados, pagar promessas, cantar, rezar pela cura e por querer ser feliz. Aqui, instala-se um ritual misto de sagrado e de profano: missa, devotos, benditos, vaqueiros, bandas cabaçais, reisados, maneiro pau, penitentes, cantadores de viola, políticos de matizes diversos, pesquisadores, curiosos. É o espírito da devoção e da festa, como no princípio, onde o sagrado e o profano eram um só.
¹Cacá Araújo (texto e foto) é professor, dramaturgo e folclorista, diretor da Cia. Brasileira de Teatro Brincante, radicado em Crato-CE.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Vamos à luta pessoal! Com Fé e perseverança
Pedro
Esmeraldo
Como sempre,
antes de uma decepção estrondosa que acarreta tristeza e desanimo, estamos
atônitos devido à falta de boas regras e bons ensinamentos éticos e educativos
que nos deixam desfavorecidos, permanecendo ao acaso, fora dos bons costumes
com a prática do uso do bem e da verdade.
Depois desse
diluvio, que causou serias confusões internas tentam nos abocanhar pelas costas
tirando naco de nosso território que seria a espinha dorsal da cidade do Crato,
visto que se torna uma infâmia e uma invasão que é determinada pela maldade de
alguns políticos inexpressivos que poderá soergue com altivez o desenvolvimento
citadino. Esses políticos pertencem à outra cidade, é a falta de critério ético
que poderá nos prejudicar.
Faltam boas perspectivas que forçarão o
homem cratense a lutar com mais amor ao crescimento físico, intelectual e
econômico, já que dentre estas pessoas poucos têm possibilidades de
proporcionar melhores trabalhos, trazendo bons relacionamentos entre o Crato e
as outras cidades.
Para isso é preciso compreensão mútua e que
venha proporcionar o bom acolhimento de todos os municípios pertencentes à
região do cariri com ideias pacificadoras, trazendo no seio um comportamento
sóbrio e humano, mantendo uma permanência posição estável.
Achamos que
não temos razão para briga. Deveríamos procurar com amizades profundas, meios
que sigam um comportamento de igualdade e solidariedade. Por isso devemos
praticar com muito interesse e respeito mútuo a fim de podermos amealhar
recursos técnicos para que venhamos corresponder aos anseios desse povo. Por
fim esta pratica seria uma campanha amigável que poderá trazer o equilíbrio
ético, evita a discórdia no campo magnético das dificuldades sociais; só assim
nos evitará cair no arrastão da ignorância e das palavras intrigantes que
sempre estão presente nas conversas corriqueiras que se tornam insuportáveis no
dia a dia no meio dos trabalhadores desqualificados.
Seguimos
bons caminhos e praticamos com gestos elevados palavra de bom senso pratico que
nos levarão ao desenvolvimento duradouro para que nos venham contornar a nossa
situação econômica que nos trazem boas perspectivas que nos tornarão homens
presos ao meio em que vivemos. Esta é a nossa opinião.
Bem, já chegou a hora de colocarmos
a cabeça no lugar e vamos partir para uma posição prática e amigável. Isto só
conseguiremos com trabalho honesto, sincero e pragmático. Cremos que se fizermos
esse consenso, poderemos unir o povo e futuramente alcançaremos o útil ao
agradável.
Crato, 26
de Dezembro de 2013
Autor: Pedro Esmeraldo
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Abuso municipalista – por Pedro Esmeraldo
Sofremos desgaste emocional nos presentes
dias motivado pelo desregramento nos limites da divisa deste município com a
outra cidade equidistante, o qual vem provocando a invasão de terra deste
município de Crato. Tudo isto é causado pela falta de qualidade moral de homens
inescrupulosos, os quais, muitas vezes, querem alterar a posição do
comportamento humano que exprime ou determina o peso de trabalho qualificativo
do cidadão de outrora, pois este, mesmo desprovidos de meios modernos, soube
honrar com perfeição o seu trabalho.
Tudo isso confere uma posição de
perseguição, já que o homem de antigamente era muito eficiente nas artes
topográficas e por sua vez agia com sinceridade isto é, seria representado com
o poder abstrato, portanto servia de norma para o julgamento da arte e da
qualidade do trabalho elevado e criterioso do cidadão técnico em arte
topográfica.
Não podemos aceitar essa posição sem regra
criteriosa, mas vamos elevar o espirito de amor à terra comum. Eles não
compreendem utilizar o ponto equidistante da separação da terra que traz uma
discórdia de mau humor e o comportamento não digno com a politica honesta e
sincera. Longe daqueles que vem nos atormentar o trabalho adquirido através dos
anos que transformamos sempre o serviço com perfeição e acerto que se fez com
honestidade.
Haja vista, agora temos que enfrentar uma
luta desigual, devido sermos prejudicado financeiramente, pois não temos
provisões de pessoas com recursos satisfatórios para mantermos, quiçá
futuramente, uma posição de relevo e sinceridade com todos os outros municípios
limítrofes-irmãos.
Notamos que há pessoas de péssimos
comportamentos no âmbito do IBGE que nos vem prestigiar e não nos dão
orientação técnica e psicológica, deixando-nos no mundo do desespero,
entregando com facilidade nosso ouro aos bandidos, pois são controladas pela
máfia de pessoas indignas ao nosso município.
Esse é um desaforo muito grande
que esses distintos funcionários fazem com esta cidade com tratamento desigual,
tomando posição a favor de uma facção onde permanece o lado errado causando
prejuízo ao nosso município menos aquinhoado de recursos técnicos.
Não queremos brigar, mas queremos
compreensão e respeito. Não queremos esmolas, mas queremos lutar por todos os
cidadão cratenses: não vamos esmorecer, pois queremos paz com sinceridade, sem
lutas fraticidas, enfrentando as barreiras que nos parecem intransponíveis.
O intelectual cratense MPA (não citaremos
nomes) diz com muita ênfase que o mal do Crato é ser perto daquela cidade
instransponível, uma cidade inimiga e ostensiva, invejosa e intrigante.
Lá, eles só querem o progresso para si!
Daqui repetimos o nosso grito: alto lá pessoal! nós já contemplamos vocês com
terras boas, que eram todas do Crato. Terras que destinamos à formação de uma
urbe digna. Mas, infelizmente o tiro saiu pela culatra! E veio uma cidade
indigna, que ao invés de compartilhar o progresso com as cidades vizinhas e
irmãs, vem é açambarcando todo o desenvolvimento para si. Resta-nos conclamar,
em latim, um termo técnico: Ad arma, ou seja, Às armas!
Crato, 24 de Dezembro de 2013.
Autor: Pedro Esmeraldo
domingo, 3 de novembro de 2013
5ª GUERRILHA COMEÇARÁ DIA 5 DE NOVEMBRO
5ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior
Crato | Cariri | Ceará | Brasil | 5 a 20 de novembro de 2013
PROGRAMAÇÃO GERAL
Trincheira Rua
Praça Siqueira Campos
Dia 5 (ter)
19h – Abertura
20h – PELEJAS DE UM CORAÇÃO (Livre, 40 min, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte)
Dia 6 (qua)
20h – O BAÚ DE HISTÓRIAS (Infantil, 50min, Cia. Arte e Cultura de Teatro, Crato)
Dia 7 (qui)
20h – APAESHOW - RESGATANDO TRADIÇÕES E VALORES DE NOSSA GENTE (Livre, 50 min, Cia. de Artes da APAE, Juazeiro do Norte)
Dia 8 (sex)
20h – O BAILE DO MENINO DEUS (Infantil, 50min, Grupo de Teatro Zaíla Lavor, Juazeiro do Norte)
Trincheira Palco
Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva
Dia 9 (sab)
17h – O BOI DA CARA PRETA (Infantil, 50min, Grupo de Teatro Zaíla Lavor, Juazeiro do Norte)
19h – O HÓSPEDE (12 anos, 50min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte)
20h30min – QUANDO AS GALINHAS GEMEM (14 anos, 40min, Grupo Teatro em Película / Núcleo Cariri, Crato)
Dia 10 (dom)
17h – PIMPÃO, O PALHAÇO TRAPALHÃO (Infantil, 50min, Cia. Kanoistraveisdinovo de Teatro, Crato)
19h – A DONZELA E O CANGACEIRO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato)
20h30min – MARCAS (12 anos, 50min, Trupe dos Pensantes, Crato)
Dia 11 (seg)
19h – A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato)
20h30min – REMINISCÊNCIAS (16 anos, 60min, Grupo de Teatro Ganimedes, Juazeiro)
Dia12 (ter)
19h – O EVANESCENTE CAMINHO (12 anos, 50min, Cia. Engenharia Cênica, Juazeiro)
20h30min – MEMÓRIAS DE UM CABARÉ (12 anos, dança-teatro, Cia. de Dança Vidar’t, Projeto Nova Vida, Crato)
Dia 13 (qua)
19h – ESPERANDO COMADRE DAIANA (Livre, 60min, Cia. Livremente de Teatro, Juazeiro)
20h30min – MAIS PERTO (14 anos, 50 min, Grupo de Teatro Centauro, Crato)
Dia14 (qui)
19h – AVISEM QUE FAZ MAL (14 anos, 50min, Coletivo Dama de Vermelho, Juazeiro) / QUERO COMER SEU CORAÇÃO (14 anos, 50min, Grupo de Teatro Duavesso, Crato)
Dia 15 (sex)
17h – LINDO BALÃO AZUL (Infantil, 40min, Grupo de Teatro Centauro, Crato)
19h – MALENTENDIDO (14 anos, 50min, Cia. Kanoistraveisdinovo de Teatro, Crato)
20h30min – AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 80min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte)
Dia 16 (sab)
17h – A LIÇÃO MALUQUINHA (Infantil, 50min, Grupo Ninho de Teatro, Crato)
19h – E AGORA NÓS? (12 anos, 50min, Grupo Teatral Loa, Fortaleza)
20h30min – # HAMLET MÁQUINA (18 anos, 50min, Grupo Plantas Embaixo do Aquário, Crato)
Dia 17 (dom)
17h – O REINO MALUCO DE BRANCA DE NEVE (12 anos, 50min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos)
19h – OS 3 PORQUINHOS (Infantil, 50min, Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato)
20h30min – UMA ÚLTIMA VEZ (18 anos, 65min, Cia. Arte e Cultura de Teatro, Crato)
Dia 18 (seg)
19h – QUANDO NOS ENCONTRAMOS FOI TARDE DEMAIS (14 anos, dança-teatro, 50min, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte)
20h30min – EMBRIAGADA (14 anos, 50min, Cia. Teatral Moreira Campos, Fortaleza)
Dia 19 (ter)
19h – (S)EM MIM (14 anos, dança-teatro, 40min, Inspire Espaço de Dança, Juazeiro do Norte)
Dia 20 (qua)
19h – O MENINO FOTÓGRAFO O MENINO FOTÓGRAFO (10 anos, 50min, Grupo Ninho de Teatro e Cia. Engenharia Cênica, Crato e Juazeiro)
20h30min – RETRATO (Livre, 50min, Cia. Yoko de Teatro, Crato)
POLÍTICA CULTURAL E FORMAÇÃO
Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva
RODA DE CONVERSA
- POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA NO CONTEXTO DA GUERRILHA
Dia 6 (qua), 15 às 17h (Com Cacá Araújo | Ação Pró-Cooperativa de Artes Cênicas do Cariri)
MESA REDONDA
- LEGISLAÇÃO DO ARTISTA E AÇÃO SINDICAL
Dia 9 (sab), 15 às 17h (Com Oscar Roney e Itami de Morais | SATED-CE)
OFICINAS
- CANTO, CENA, CORPOMENTE – PREPARANDO O ATOR/BAILARINO/CANTOR
De 6 a 10, das 15 às 18h (15h/a | Coordenação de Márcio Rodrigues)
- PERFORMANCE: O CORPO COMO ELEMENTO DE REFLEXÃO SOCIAL
Dia 7 (sex), das 14 às 17h (03 h/a | Com Alexandre Lucas | Coletivo Camaradas)
- AQUILO QUE EU LEMBRO FAZ CORPO EM MIM: OUVINDO A VOZ DOS MOVIMENTOS CORPORAIS
Dias 15 e 16, das 14 às 18h (08 h/a | Grupo Cícera de Experimentos Cênicos)
RELEASE:
A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um evento reconhecido no calendário da cultura nordestina e de profunda significação para o desenvolvimento das artes cênicas no Cariri cearense, fruto que é da vitalidade e pujança das companhias aqui sediadas.
Realizamos quatro edições (2009, 2010, 2011 e 2012), mobilizando, incluindo e difundindo quase duas centenas de espetáculos de teatro, dança e circo, produzidos e realizados por cerca de 30 companhias em funcionamento na região e prestigiados por milhares de espectadores de todas as idades. Em 2013, com 32 espetáculos que traduzem o talento dos artistas caririzeiros, mais uma vez faremos brilhar os céus de nossas almas.
Somos um movimento de afirmação e resistência cultural que procura estimular e fortalecer a produção regional em artes cênicas, valorizando artistas e grupos locais como importantes na consolidação da nossa identidade e preparando a região para intercâmbio que não exclua o valoroso patrimônio cênico de nossas gentes.
Cacá Araújo
Idealizador e Coordenador da Guerrilha do Ato Dramático Caririense
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Doutor dá palestras gratuitas CAMINHO DO AMOR DIVINO em qualquer lugar veja minha história no Facebook Educação Para o Terceiro Milênio
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Professor Pinheiro: Sejamos todos canalhas
| Deputado Estadual pelo PT Professor Pinheiro é ex-secretário de Cultura do Estado do Ceará |
Por Alexandre Lucas*
Dois
discursos, duas compreensões de caminhos e o mesmo partido marcaram a abertura
da III Conferência Estadual de Cultura do Ceará realizada em Fortaleza, no período 20 a 23 de setembro de 2013. O
discurso de saída do ex-secretário de Cultura, o professor Pinheiro, que deixa
a pasta para assumir sua vaga na Assembleia Legislativa e o discurso de chegada
do novo Secretário, o professor Paulo Mamede, apesar de serem do mesmo partido,
apontou a contradição de discursos.
Nas duas
gestões do Governo Cid Gomes, a Secretaria de Cultura do Estado vem sendo
dirigida pelo Partido dos Trabalhadores – PT. O que tem demonstrando uma série
de equívocos e contradições comparada aos avanços que vem ocorrendo na
conjuntura nacional. O que percebemos
neste período foram um atrofiamento e a criação de um sistema inoperante de
gestão e de políticas públicas para a cultura, essa foi uma marca presente nas
duas ultimas gestões dos professores Auto Filho e Pinheiro.
Os trabalhos da
Secretaria Estadual de Cultura
concentraram suas ações, quando tiveram, na região metropolitana de Fortaleza,
a lógica de acesso aos recursos públicos da cultura para a população foi
invertida, a política de editais passou a analisar aspectos jurídicos em primeiro
plano e como secundário o conteúdo dos projetos, privilegiando neste caso restritos
círculos. O atraso na liberação de recursos para
pagamento de editais e cachês foi uma das identidades desta instituição. Os
fóruns de linguagens se concentraram também na capital cearense. As ações de
formação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura que antes circulavam pelas regiões do Estado
foram cessadas. Não é percebida nenhuma política pública que se caracterize
como vetor de desenvolvimento social, econômico e sustentável para o conjunto
da população cearense que tenha sido brotada destas gestões. Temos ainda
grandes problemas no que diz respeito à própria estrutura de funcionamento e
operacionalização da SECULT – CE.
Por outro
lado, vivemos uma conjuntura de ascensão dos movimentos sociais ligados à arte
e a cultura em nosso país, um dos fatores que impulsionaram essa situação foi o
avanço das forças progressistas no campo institucional, a partir do Governo
Lula.
O Ministério
da Cultura teve avanços consideráveis no que diz respeito à ampliação, diversificação
e descentralização dos recursos públicos para financiamento da cultura, bem
como o entendimento da necessidade das
políticas intersetoriais como elemento estruturante de desenvolvimento, que
caminhem além de uma gestão de governo.
Um dos
destaques do Governo Lula foi o Programa Cultura Viva (O Programa dos Pontos de
Cultura) que se caracterizou como principal política pública do Ministério da
Cultura, Dentre os fatores destacamos que representou o programa que mais
descentralizou recursos públicos para cultura no Brasil. No Governo de Fernando
Henrique Cardoso, o Ministério da Cultura tinha cerca de 100 convênios com
instituições de grande porte, a maioria vinculada ao sistema financeiro, como
as fundações culturais bancárias. Já no final do Governo Lula esse numero chega
próximo a 3.000 convênios com as mais diversas instituições e movimentos
sociais ligados às culturas e as artes do povo Brasileiro, atingido as populações
da zona rural e urbana, da cultura digital e indígena, do hip-hop
e dos terreiros de candomblé, das escolas de samba e das escolas para
pessoas com necessidades educacionais especiais. Mas, o Cultura Viva
representou mais que descentralização de recursos, representou também a
compreensão da importância do domínio dos recursos tecnológicos, a partir dos
kits multimídia que foram proporcionados a cada “ponto” e que puderam fazer com
que a diversidade do povo brasileiro redescobrisse e descobrisse o Brasil, contando as suas histórias com os
seus olhares e percebendo a partir do olhar do outro. Esses pontos espalhados
pelo Brasil criaram as suas teias, os seus intercâmbios e as suas articulações
políticas que ultrapassaram o viés institucional e que contribuiu para o
acrescentamento das lutas e o empoderamento dos movimentos sociais ligados a
cultura, tendo destaque, por exemplo, a luta pela PEC 150 que prevê o percentual de recursos
para a cultura de 2% para a União, 1,5% para os Estados e 1% para os
Municípios, bem como do Projeto de Lei do Cultura Viva.
Apesar de
temos sofrido com o retrocesso da atual gestão do Ministério da Cultura em
relação ao Programa Cultura Viva, continuamos avivados defendendo a retomada deste Programa, agora
como Política de Estado.
Nesta
compreensão, os movimentos sociais da Cultura foram protagonistas por avanços
nas políticas públicas do Ministério da Cultura. De acordo com o idealizador do
Programa Cultura Viva, o historiador Célio Turino “É preciso transformar o Cultura
Viva em política pública efetivamente apropriada pelo povo”.
Esse dois
paralelos tem um entendimento diferenciado do papel e das formas de dialogo com
os movimentos sociais. Parece-me que o primeiro, que está relacionado à situação
do Ceará se prisma no discurso dos movimentos sociais, mas que não consegue
torna-lo orgânico dentro da sua estrutura de gestão e o segundo parece que
torna os movimentos sociais parte
integrante da gestão, sem cair no servilismo. Vale ressaltar que me remeto no
caso da conjuntura nacional nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira.
Mas o que isso
tem haver com a III Conferência de Cultura do Ceará? Vamos contextualizar, em agosto de 2012,
artistas de diversas cidades cearenses começaram a se mobilizar politicamente em
torno do Movimento Arte e Resistência – MAR, o qual discutiu e apresentou
diversas críticas e proposições para a gestão da cultura. Pela internet
circulou uma petição pública que contou
com cerca de três mil assinaturas de artistas, produtores, pesquisadores,
brincantes, escritores e gestores culturais. O documento foi encaminhado ao
Governador e ao Secretário de Cultura da época, Professor Pinheiro.
O documento continha sete eixos
de proposições: 1 – Gestão: Reestruturação e qualificação da
SECULT-CE, 2 – Autonomia da Secretaria da
Cultura, 3 – Formação, 4 – Equipamentos Culturais, 5 –
Editais, 6 – Produção e
Circulação e 7 – Recurso/Orçamento. O Governador Cid Gomes
recebeu a documentação e dias posteriores anunciou um pacote para a pasta da cultura. O pacote não contemplava as reivindicações do documento
na sua essência, apenas anunciava basicamente duas coisas: reformas de
equipamentos culturais e realização de concurso.
O documento
entregue tinha dossiês também das seguintes linguagens: Dança, Teatro, Áudio
Visual, Circo, Música, Patrimônio, Artes Visuais. A Documentação foi referenda
por 98 entidades, entre companhias, grupos e coletivos das cidades de Crato,
Fortaleza, Maracanaú, Paracuru, Itapipoca, Tabuleiro do Norte e Juazeiro do
Norte.
Entretanto,
essa demanda foi desprezada e as vozes dos diversos segmentos abafadas. O ex-secretário que enche a boca para manifestar sua identidade ideológica e que aos quatro
cantos diz ser das fileiras do Partido dos Trabalhadores carrega um discurso contraditório
entre concepção e tratamento dado aos movimentos sociais, um discurso de ódio
aos acontecimentos de agosto de 2012. Não existe uma receita, isso é claro,
para compreender a conjuntura da Secretaria de Cultura do Estado,
diante das dimensões e complexidades que
é enfrentar um órgão com poucos recursos, mas é preciso para qualquer gestor,
em especial, aos que em tese está ligado as forças progressistas fazer um
esforço para escutar, mediar e
encaminhar as demandas dos movimentos sociais.
Ao finalizar o
seu discurso de abertura da Conferência e despedida da Secretaria, o professor
Pinheiro falou de forma clara e imperativa duas coisas: chamou a movimento de
2012 de Canalha e a outra coisa foi
dizer que iria lutar pela aprovação do
Plano Estadual de Cultura na Assembleia Legislativa. O Plano é fruto de uma
série de encontros não capitalizados politicamente, mas é um instrumento
importante para avançar nos marcos jurídicos da cultura e das conquistas
sociais, muitas das proposições do documento encaminhado ao Governador estão
contidas no Plano.
Desta forma podemos
compreender que agora o professor Pinheiro quer ser um canalha, seja canalha
professor, terá o nosso apoio!
Já o atual
secretário Paulo Mamede, também do PT,
disse no seu discurso que veio
para ser ponte, logo se conclui que os caminhos estavam interrompidos e
acrescentou dizendo que “Eu tenho lado, meu lado, é os movimentos sociais”.
Pois é professor Pinheiro, o secretário Mamede já veio canalha. Agora só falta
você! Sejamos todos canalhas.
*Pedagogo e
artista/educador.
alexandrelucas65@hotmail.com
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Edelson Diniz – Mais incentivos para as artes visuais
Artista que despontou nos Salões de Outubro na década de oitenta no Crato,
Edelson Diniz tem propriedade no que faz
e fala. Criativamente inquieto, tem um trabalho que nos remete a cultura e a
religiosidade popular. Para o artista, no Cariri existe uma produção de
qualidade, mas alerta que o campo das
artes visuais precisa de incentivos para qualificar e difundir o que se faz por aqui.
Alexandre Lucas - Quem é Edelson Diniz?
Edelson Diniz - Pra ser sincero, acho estranho dizer quem eu
sou, sou estado de espírito, ás vezes artista, ás vezes bandido...
Alexandre Lucas – Como ocorreram seus primeiros contatos com a
arte?
Edelson Diniz - Foi com um irmão meu, ele desenhava quando eu era
criança, só que nunca se dedicou, seguiu outro rumo. Dai me senti a vontade pra
me apropriar do talento dele e aliar ao que eu ainda hoje tento fazer.

Alexandre Lucas – Quais as suas influências artísticas?
Edelson Diniz - Eu diria que tudo pode me influenciar, não
existe um cardápio de influências no meu processo de criação e construção.
Notoriamente pode se perceber certa apropriação de traços, cores e formas do
nosso folclore e da religiosidade popular, acho que é o mais evidente na
maioria dos meus trabalhos.
Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória:
Edelson Diniz – Despontei nos Salões de Outubro em Crato, nos anos 80,
participei ativamente dos Movimentos OCA – Officinas de Cultura e Artes, Movimento
Xá de Flor. Depois fui funcionário da Secretaria de Cultura de Juazeiro por
quase 15 anos, foi de lá onde surgiu muita influência, uma vez que eu
desenvolvia um trabalho com os grupos folclóricos. Hoje, produzo e tento
sobreviver na medida das possibilidades do meu trabalho.
Alexandre Lucas - Como você caracteriza o seu trabalho?
Edelson Diniz - Múltiplo
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?
Edelson Diniz - Não vejo relação prática entre política e
cultura, a cultura oficial inviabiliza muitas vezes a produção e criação
artística, vejo um certo excesso de teoria.
Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Edelson Diniz - Não sei se contribuo socialmente com meu
trabalho, minha única meta, é encher os olhos de quem aprecia o que faço e
mostro. Pode ser que influencie de alguma forma em alguém, mas não existe uma
preocupação de focar uma contribuição.
Alexandre Lucas – Como você ver a produção das artes visuais na
Região Metropolitana do Cariri?
Edelson Diniz - A qualidade é boa, temos grandes artistas, a
produção poderia ser melhor, se houvesse mais incentivos, uma política pública
prática, que sugerisse infraestrutura para qualificar e difundir o que se faz
por aqui.
Alexandre Lucas – O Salão de Outubro fez história na região do
Cariri. Fale sobre o significado desse movimento para as artes no Cariri.
Edelson Diniz - Significou muito na época em que acontecia, o
formato era abrangente, o acesso era fácil, e a receptividade era a melhor,
diria que é o alicerce de todos os movimentos que hoje existem aqui no Crato
hoje em dia. Quem está à frente desses novos movimentos, passaram pelo Salão de
Outubro.
Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?
Edelson Diniz - Pretendo fazer uma sugestão de um projeto para iluminar e ornamentar a cidade
do Crato no próximo final de ano, sugiro que sejam criados critérios para
avaliação de projetos, tipo ver o lado técnico, pesquisa de arte etc, . Fica
sugestão.
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