
Os Evangelhos e a tradição católica mostram as riquezas insondáveis do coração de Cristo, nas suas atitudes de perdão e de misericórdia, para com os povos e terras que lhe são consagrados. O Ceará é prova disso! Ao longo dos últimos 130 anos nosso Estado recebeu imensas graças desse Coração Amoroso. Aqui, as vocações religiosas foram (e continuam sendo) abundantes. O Ceará progrediu materialmente. O povo cearense não conheceu a guerra, nem a fome generalizada, nem grandes catástrofes da natureza, como aconteceu com outros povos. Mesmo o fenômeno da seca, velho conhecido do cearense, tem sido mais brando, de 1878 para cá. Não se repetiram calamidades iguais a de 1877, que passou à história tanto pelo rastro de destruição, com elevado número de perdas humanas e materiais, o que fez o imperador Dom Pedro II declarar: "Venda-se a última pedra da minha coroa, mas não morra nenhum nordestino de fome".
Lamentavelmente, nos últimos anos, a violência e a crise moral vêm assolando o nosso povo e, com mais intensidade, a bela capital cearense. Penso que já é hora dos bispos do Ceará (agora são nove as dioceses) junto com as autoridades e o povo renovarem a Consagração feita por iniciativa de Dom Luiz Antônio dos Santos em 15 desetembro de 1878. Seria não só uma reparação devida ao Coração Salvador do gênero humano, mas, também, um pedido de perdão pelas vezes que deixamos de cumprir os preceitos daquele que é "O Caminho, A Verdade e A Vida". Esse nosso afastamento do Coração de Jesus, tem sido a causa da violência e a decadência moral, que ora grassam na generosa terra cearense.
Bem que o nosso querido bispo diocesano, Dom Fernando Panico (ele mesmo um missionário do Sagrado Coração de Jesus), enviado pela Providência para pastorear o Sul do Ceará poderia tomar a iniciativa de renovar essa consagração, quando da instalação oficial da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, que ocorrerá (seria mera coincidência?) no próximo dia 15 de setembro, exatamente na data que completa 130 anos da consagração feita por Dom Luiz em 1878...
(Artigo publicado no "Jornal do Cariri")
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