
Diante de outros escândalos divulgados pela imprensa, o Congresso criou uma CPI para apurar as denúncias. A esta altura, o governo já não negava seu propósito de esconder tudo, pois sabia que fatos graves ocorreram e estavam ocorrendo com o uso do cartão.
Se fosse um governo honesto, sério, teria colaborado para apuração das denúncias. O que houve, porém, foi exatamente o contrário, como, aliás, todos previam.
Até hoje Lula da Silva não acredita que os quarenta denunciados pelo "mensalão" tenham feito nada demais. Se pudesse, canonizaria José Dirceu, Delúbio, José Genoíno e demais do mesmo time. À custa de liberação de verbas do Orçamento, que continua sendo o maior instrumento de corrupção da República, segundo o velho ACM, indicou para a CPI somente aqueles elementos que, pelo dinheiro, estariam de seu lado de qualquer maneira, isto é, que não admitiriam apurar nada, para não comprometer a honorabilidade do presidente e de seu governo. O resultado já foi conhecido. A CPI aprovou um relatório que não indiciou ninguém. Só faltou sugerir a volta da ministra flagrada em desvio de conduta.
Mas ocorre que também será encaminhada ao Ministério Público o voto em separado da oposição, com amplos detalhes sobre o escândalo dos cartões. E ninguém acredita que, entre o relatório sob encomenda, escondendo a corrupção, e outro com a verdade dos fatos, o procurador da República prefira passar a mão na cabeça dos que enveredaram pelos caminhos do ilícito. Nunca um presidente conseguiu desmoralizar o Congresso tanto quanto o Sr. Luís Inácio desde os tempos de deputado, com aquela famosa frase dos "300 picaretas". Quis o destino que, como presidente, fossem eles os guardiões de seus interesses pessoais e políticos. Mais uma vez a Nação está envergonhada.
Themístocles de Castro e Silva - Jornalista e advogado
2 comentários:
Parabens Armando..."governin sem vergoin""
Armando: agora você me retornar a mais de 30 anos no tempo. Não é que o Themistocles continua com a sua pena a serviço do mesmo pensamento. Era, naqueles idos, uma pena apontada contra o movimento estudantil e inteiramente macia à ditadura militar e aos seus governadores e prefeitos nomeados. O Themistocles continua igual, ele xinga, não analisa. È o típico articulista de fragmentos. Pega um fragmento de uma realidade outra e junta à um da própria fantasia para que tudo se encaixe no próprio deserto do pensador. Mas o Themistocles sempre teve um papel a desempenhar, inclusive para que o Luiz pudesse repetir o mantra que já tinha em si mesmo. Agora falar em cartão corporativo sem discutir os limites dos gastos pessoais na gestão pública como um todo, antes agora e depois do Lula, me desculpe o Themistocles é picaretagem velha e batida.
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