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segunda-feira, 2 de junho de 2008

TCM entrega ao MP relação de gestores

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) elaborou uma relação com aproximadamente 1.700 nomes de gestores públicos com suas contas desaprovadas nos últimos cinco anos. As decisões envolvem mais de 4.000 processos. O trabalho será entregue à procuradora regional eleitoral, Nilce Cunha Rodrigues, nesta segunda-feira, na sede da Procuradoria Geral da Justiça (PGJ). Na ocasião o presidente do TCM, Ernesto Sabóia, fará uma exposição sobre a maneira como o trabalho foi elaborado, as informações que constam no CD a ser entregue e a maneira como cada promotor deve utilizar o CD para obter as informações que necessita. Para essa reunião foram convocados todos os promotores eleitorais do Estado do Ceará.

Ainda hoje o documento será entregue à presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), durante a sessão do pleno daquele Tribunal. No CD a ser entregue consta o nome do gestor com as suas contas desaprovadas e o teor completo da decisão, inclusive a documentação existente no processo. Além de uma relação composta com todos os nomes, serão fornecidos dados isolados, município por município de todos os 184 do Estado do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste

Alunos querem novo campus

Iguatu. A comunidade local está mobilizada para implantação de um campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta cidade, para atender a região Centro-Sul. A idéia foi mais uma vez discutida em recente fórum realizado no auditório da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) 16, durante a XV Semana Universitária promovida pela União Iguatuense de Universitário (Unidus).

De acordo com o deputado federal José Guimarães, um dos convidados a participar do evento, o sonho dos estudantes e dos moradores da região Centro-Sul está próximo de ser concretizado.

A implantação do novo campus ganhou força nos últimos quatro anos. A comunidade local já promoveu diversas reuniões, debates e audiências públicas sobre o tema. Recentemente, em audiência realizada na Câmara de Iguatu, com a participação de lideranças políticas de várias cidades da região, Guimarães apresentou detalhes do projeto e ressaltou o compromisso do presidente Lula a favor da idéia.

Barbalha, Juazeiro, Crato, Sobral e Quixadá já foram beneficiados com a instalação de campi da UFC.

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Saúde mental em debate

Discutir os avanços e os desafios no atendimento público aos pacientes com transtornos mentais a partir das experiências dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Esse é o objetivo básico do I Congresso Cearense de Saúde Mental que será aberto na quarta-feira, nesta cidade, a partir das 19 horas, no Teatro Municipal Pedro Lima Verde. O tema central do evento é “Saúde Mental e Liberdade”.

O congresso vai reunir 350 profissionais e estudantes da área de saúde, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, vindos da Capital e de várias cidades do Interior. Há palestrantes de Fortaleza, Salvador e de Brasília, do Ministério da Saúde.

Segundo o secretário adjunto da Saúde de Iguatu e presidente do evento, Eriton Luiz Araújo de Souza, o congresso tem como meta ser um espaço de intercâmbio de todos os profissionais de saúde mental do Ceará. “Vivemos um momento de expansão no Estado, onde já funcionam 81 Caps e três residências terapêuticas. Embora o Ceará esteja bem à frente na reforma psiquiátrica, ainda não havia tido um evento desse porte para a convergência das experiências, para aprendermos uns com os outros”.

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Estado ganhará novas leis de defesas animal e vegetal

O Estado do Ceará deverá ganhar nesta semana novas leis de defesa sanitária animal e vegetal. Estão na pauta de votação da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará (AL), as mensagens 6.974 e 6.975, que atualizam as Leis 13.067 e 13.066, respectivamente. A legislação atualmente vigente foi aprovado em 2000 e decretada no ano seguinte. As duas matérias têm como base a legislação agropecuária federal de 1991.

Técnicos da Adagri iniciaram a elaboração dos dois novos projetos no fim do ano passado. Ambos chegaram à AL em abril passado. A principal mudança proposta nas mensagens é a transferência das atribuições de defesa animal e vegetal para a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), criada em 2004. Pelas leis atuais, a competência dessas ações ainda cabe à extinta Secretaria de Desenvolvimento Rural.

Segundo o presidente da Adagri, Edilson de Castro, a nova legislação vai auxiliar o Estado a sair da classificação de “área de risco desconhecido”, estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Por causa disso, o Ceará só pode comercializar produtos e animais com Estados que estejam no mesmo nível sanitário. “Essas leis vão ajudar o Ceará a ficar livre da febre aftosa e de outras doenças animais. Na área vegetal, vamos poder ficar livres de pragas”, comemora.

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Artigo de Océlio Teixeira publicado no "Diário do Nordeste"


Caderno "Regional", domingo, 1º de junho de 2006

Festa do Pau da Bandeira de Barbalha: fé, diversão e significados

Océlio Teixeira de Souza[1]

A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)

A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.

A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [2]

Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[3] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.

A devoção a Santo Antonio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização[4]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.

Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?

Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.

Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.

Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.

Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.

Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (...) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[5]

A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali... Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.
Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém..., os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator”.
[1] Océlio Teixeira de Souza, professor do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, tendo defendido a dissertação: A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha(CE): entre o controle e a autonomia(1928 – 1998), em agosto de 2000.
[2] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[3] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[4] Uso esse termo conforme a acepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval na Idade Média e no Renascimento constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade, do baixo corporal, etc. Ver: Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[5] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar as identidades e privacidade dos mesmos.

sábado, 31 de maio de 2008

O Pecado de Clara Menina
Comédia de Cacá Araújo
NO TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
CRATO - CEARÁ
31 de maio e 1º de junho/2008 - 20h



APOIO:
PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO
SECRETARIA DE CULTURA

…e o governo se diverte (Roberto Pompeu de Toledo)

O desafio à soberania brasileira na Amazônia deixou de ser apenas produto de teorias conspiratórias
Aos 186 anos de vida independente, 119 de regime republicano e cinco de governo Lula da Silva, o Brasil assistiu, na semana passada, a uma cena histórica. Numa cerimônia pública, um ministro beijou a testa do presidente. Nunca antes neste país. O beijo foi perpetrado pelo performático e caloroso novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na testa do presidente Lula. Como Minc é quase uma cabeça mais alto que Lula, a imagem resultante era a do pai abençoando o filho, o mestre o discípulo, o chefe o subordinado. Impunha-se uma vez mais o estilo espantosamente desinibido do ministro Minc. Sua mão segurava o pescoço do presidente, com o carinho e a condescendência que os grandes devem aos pequenos.
Ora, direis, que mal há num beijo na testa? Manifestações semelhantes são hoje em dia banais, e não apenas beijo na testa como também na boca, entre pessoas apenas amigas, e mesmo homem com homem e mulher com mulher. No ambiente do show business, são até obrigatórias. Compõem a etiqueta do setor, assim como a genuflexão diante da rainha compõe a etiqueta do Palácio de Buckingham. Eu vos direi no entanto que o problema é justamente que, em que pesem os coletes do novo ministro, governo não é showbiz. O beijo ocorreu durante a posse de Minc, no Palácio do Planalto. Foi o ponto culminante de uma cerimônia toda ela ocorrida num clima de gandaia, o presidente se esmerando no papel, a ele tão caro, de animador de auditório.
O Brasil em geral, e o governo em particular, ainda não entendeu o que está acontecendo. A questão do meio ambiente mudou de patamar, mundo afora. Trinta anos atrás era uma bizarria de uns poucos. Vinte anos atrás começava a ser acolhida pelos governos, mas numa posição marginal. De dez anos para cá foi se deslocando da margem para o centro e, ao impulso das notícias sobre mudança climática, chegou ao coração dos governos e das sociedades, principalmente no mundo desenvolvido. É reflexo disso que em sua recente visita ao Brasil a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, a tenha trazido como item nº 1 da agenda.
Muito menos, o Brasil em geral, e o governo em particular, se mostra atento ao que está por vir. A mudança de presidente nos Estados Unidos, qualquer que seja o vencedor da eleição, promete outro giro do torniquete. Por enquanto os EUA estão atrás da Europa na atenção às políticas ambientais. Têm o rabo preso no ceticismo com que o governo Bush encara os alertas de aquecimento global e em sua recusa em assinar o Protocolo de Kioto. Isso vai mudar. Tanto John McCain quanto Barack Obama e Hillary Clinton já incluíram no centro de seus discursos a questão climática e em seus programas a adesão a Kioto. Com quem vão estrilar, com quem, com quem? O Brasil. Quando se fala em clima e ambiente, fala-se em Amazônia.
O Brasil já está, e estará mais ainda, na berlinda. A posse do novo ministro do Meio Ambiente era ocasião para um discurso sério e firme do presidente, dirigido ao país e ao mundo. Ainda mais que Minc entra no lugar de Marina Silva, símbolo da luta pela preservação da floresta, cuja saída ela própria fez questão de revestir de um ar de derrota da causa. Em vez disso, tivemos beijo na testa e, da parte do presidente, as piadas e as costumeiras "apologias" (ele queria dizer "analogias") com o futebol. A única coisa séria era a cara da ministra demissionária. Marina Silva não ria das graças do ex-chefe. Seu rosto emitia um mau sinal para os interessados na questão ambiental ao redor do mundo.
Na mesma medida em que o meio ambiente foi se deslocando para o centro das preocupações de sociedades e governos, o fantasma da internacionalização da Amazônia foi se tornando menos fantasma. O que antes não podia ser dito em voz alta por um estrangeiro perdeu a vergonha no brado do jornal inglês The Independent ao comentar a demissão de Marina da Silva: "A Amazônia é importante demais para ser deixada aos brasileiros". O que antes era produto de teorias conspiratórias ficou mais perto de virar proposta em foros internacionais. "A Amazônia tem dono", afirmou Lula, em outra ocasião durante a semana. É a velha síndrome, dos brasileiros em geral, e deste presidente em particular, de tratar as questões a golpe de retórica.
Está na hora, aliás já passou da hora, de o dono agir com firmeza contra as forças da motossera. De inventar alternativas para as populações amazônicas que não impliquem a destruição do meio ambiente. De quebra, de iniciar, antes que outros o façam, um trabalho sério de pesquisa das propaladas riquezas da floresta – por exemplo, criando uma Universidade da Amazônia, com recursos e programas ambiciosos o suficiente para atrair os melhores cérebros, o que poderia representar um projeto científico muito mais coerente do que a proliferação sem rumo das universidades federais e uma obra de governo com a grandeza e o investimento no futuro que tentações faraônicas como a transposição do São Francisco não têm. Senão... É esperar o avanço do torniquete. Ele mal começou a se mover.

(revista "Veja", 4 de junho de 2008)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A crônica de Pedro Esmeraldo

Capela de Santa Teresa de Jesus - Crato (CE)

Uma Cidade Esquecida

Pedro Esmeraldo

O que é mais importante numa administração eficiente é o desejo de trabalhar em prol do desenvolvimento de sua terra. Temos de alertar o povo para que tome cuidado na escolha de certos políticos apáticos, desanimados, que não têm coragem de enfrentar a luta para conseguir meios necessários a fim de presentear a cidade com grandes melhoramentos educativos, industriais etc. Não se unem politicamente em benefício da cidade. Vivem às turras. Acomodam-se com facilidade, não reagem diante das perseguições e o desaforo que o Crato recebe. Não resistem ao sucateamento da cidade.
Queremos lembrar que há mais de um ano, os políticos do Crato calaram-se em frente do reitor da Universidade Federal do Ceará. Ficaram perplexos, sem definição diante dos inimigos do Crato. Deixaram livremente levar os nossos cursos de que tínhamos direito. Por merecimento, o Crato, deveria ficar com os principais cursos, já que foi a cidade precursora da Educação do Cariri.
Hoje, estamos diminuídos, pois querem obstruir o nosso patrimônio. Deixando-nos num ambiente sombrio, e sem aquecimento progressista.
Antes, houve uma reunião nas caladas da noite e o digno prefeito do Crato, sozinho, sem nenhum acompanhante, calou-se em frente desses homens, meneando a cabeça afirmativamente, dizendo que se calava porque não temos representação política no congresso nacional...
Não aceitamos esse pensamento estapafúrdio do Sr. prefeito, vez que tem o povo como atenuante para suportar o desafio e debater com altivez esse problema.
Ficamos indignados já que não aceitamos viver na ociosidade. Crato também merece ser contemplado por escolas de alto nível. Avisamos aos políticos cratenses que o progresso deve ser equilibrado e não concentrado numa só cidade.
Esperançosos, procuramos esforços para empurrar esses políticos frouxos, que até agora não procuram desfaudar a bandeira do desenvolvimento.
Assim mesmo depois de muita luta, conseguimos ficar com a Faculdade de Agronomia. Pensem senhores da má vontade que há no senhor reitor e noutras autoridades competentes para fixar definitivamente aqui no Crato essa digna faculdade que o povo tanto espera.
Soubemos por terceiros que querem levar a faculdade para Juazeiro do Norte, arrancando-nos a força, dizendo que é provisoriamente, pois alegam que não têm curso suficiente para ser instalado aqui, até quando seja construído o prédio no terreno doado pela Prefeitura do Crato.
Isto é um grande desaforo para nós.
Haja vista que esse pensamento é vergonhoso e torpe já que o Crato já possuí o Colégio Agrícola, adaptado para exercer as funções técnicas agrícolas.
Pedimos a Deus para que esses políticos sejam mais fortes e valentes, tenham coragem e avancem o sinal mostrando ao povo que estão lá para exercerem com entusiasmo o dejeso do povo e não somente para servirem de bibelôs político.
Achamos que o povo não deve se calar. Devem reagir com forças e trabalho que o Crato merece, pois foram colocados lá para esse fim. Mais do que nunca precisamos da ajuda desses homens visto que ficam fazendo média, querendo enganar o povo dizendo que não tem jeito para o Crato.
Sim, tem jeito, basta querer e querer é lutar. Ao mesmo tempo, avisamos a esses políticos que não confundam bagulho com bugalho: valorizem o que é nosso, é o dever de todo cidadão!
Afastem de nós os inimigos do Crato!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aniversário CCBNB


E OS PRODUTORES DO CARIRI QUE NÃO CONVERSAM COM O PACHELLY

Olhaí pessoal desculpe. Já muita conversa pode ter ocorrido, mas eu estou desgarrado aqui no sopé do corcovado. De qualquer modo continuo num pé de serra. Acontece que acompanho o blog de fotografias do Cariri e no último ano vejo sucessivas amostras da fotografia do Pachelly. Não é brincadeira não . O Pachelly não julgo pelo relativo de muitos talentos que vejo também por aí. Não se trata de julgar um ranking para o nosso talento, pois isso é impossível. Os nossos fotógrafos são verdadeiros universos, não os cito, pois qualquer não citado poderia ser prejudicado em seu próprio universo. O que chamo atenção para os produtores culturais do cariri é da necessidade de promover uma exposição do Pachelly, escolham e vejam que de tão forte a fotografia da região muitos grandes eventos iguais irão entrar na agenda cultural da região.

Então, vamos conversar com o PACHELLY JAMACARU. Arrumem um espaço, iluminem, façam convites, convoquem nossas escolas da região. Eis um grande fosso educacional do nosso Ceará: na falta de grandes eventos culturais e eventos formais e organizados, a nossa criançada e adolescência fica à margem do mundo moderno. Não caiam no besteirol da ferramenta, como imagina sejam a informática. O conteúdo da alma humana é o norte da civilização e isso se faz pela cultura.

Vamos promover uma exposição do Pachally, abrir espaço para as escolas. Senhores prefeitos, aproveitem a oferta de cultura e providenciem transporte e lanche para os alunos irem a tais eventos, isso é um dos segredos do mundo civilizado.

Educação de Itaiçaba faz o dever de casa


Nesta terça-feira, o Governador Cid Gomes divulgou o resultado do Sistema Permanente de Avaliação da educação Básica do Ceará, o Spaece-Alfa 2007. A pesquisa realizada pela SEDUC, mostra como anda o desempenho dos estudantes, de até 7 anos de idade, matriculados em escolas públicas do Estado e cursando a 2º. Ano do Ensino Fundamental. Segundo essa pesquisa, se Itaiçaba fosse um aluno, de uma enorme sala de aula chamada Escolas Públicas do Ceará, dos 184 alunos ela seria o 4º. melhor. É pena que nesta mesma classe, alunos como: Fortaleza, Maracanaú, Iguatu, Juazeiro do Norte, Aquiraz e Euzébio, todos com “pais” mais ricos, teriam nível de alfabetização incompleta. Mais grave ainda é saber que apenas 14 destes alunos conseguiriam “passar de ano”.

Seguindo a mesma pesquisa, quase a metade, 47,4%, não são alfabetizados. Esta relação serve para ilustrar o momento dramático que a educação pública vive no Ceará. Ações pontuais como as desempenhadas nos 14 municípios “aprovados” deveria ser a regra e não exceção. Administradores, professores e servidores públicos de: Sobral, Mucambo, Cruz e Itaiçaba, para citar os 4 melhores resultados, fizeram o dever de casa e têm uma lição a ensinar. O segredo? Não há segredo. Segundo o Prefeito de Mucambo: ”Investir pesado na formação dos professores, no seu aperfeiçoamento [...] em equipamentos para as escolas”. Há trabalho. Vontade política. Sem querer fazer política, e sim com a intenção de reconhecer o bom trabalho de administrações atuais e anteriores, creditadas pelo próprio Prefeito: “esse trabalho [...] vem sendo desenvolvido há 8 anos”. Esta lição deveria ser copiada, publicada e divulgada para os demais municípios.
No Brasil, em tese, 25% dos orçamentos públicos deveriam ser aplicados em educação. Metade do que o Japão do pós-II Guerra, arrasado por duas bombas nucleares, e sem dinheiro decidiu aplicar na busca da reconstrução. A educação é a base para o desenvolvimento de qualquer povo. Terra que busca melhores tempos para sua gente, tem de aprender a superar os obstáculos, aprender o caminho das pedras, tem de seguir à Passagem das Pedras.

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Filho do Dr. Dimas, Neto do Seu Dimas “Clementino” , Eng. Civil, Prof. da URCA

Programação da Festa de Santo Antonio

FESTA DE SANTO ANTÔNIO 2008
FESTEJOS RELIGIOSOS E SÓCIO-CULTURAIS
298ª TREZENA PRAPARATÓRIA- De 30/05 a 12/06


30/05 (SEXTA) – TREZENA PRAPARATÓRIA - 1ª NOITE
NOITÁRIOS: Pedreiros, Oleiros,Carpinteiros, Mecânicos e Motoristas
Coordenação: Francisco Matias
DIA 31 DE MAIO (SÁBADO) – TREZENA PRAPARATÓRIA – 2ª NOITE
NOITÁRIOS: Devotos de Santo Antonio
Coordeanação: Edmundo de Sá Filho
DIA 01 DE JUNHO (DOMINGO) – ABERTURA DA FESTA
05:00 h – Alvorada Festiva
09:00 h – Celebração na Igreja Matriz
- Apresentação e Benção da Bandeira de Santo Antônio
- Apresentação e Desfiles de mais de 50 grupos folclóricos pelo corredor cultural (rua do video)
DIA 02 DE JUNHO (SEGUNDA FEIRA) – 3ª NOITE
NOITÁRIOS: Comercio de Industria
Coordenação: Raimundo Eudes Sampaio
DIA 03 DE JUNHO (TERÇA FEIRA) – 4ª NOITE
NOITÁRIOS: Moradores do Bairro de Fátima
Coordenação: José Roberto Pereira de Morais
DIA 04 DE JUNHO (QUARTA FEIRA) – 5ª NOITE
NOITÁRIOS: Engenheiros Químicos, Civis, Arquitetos e Agrônomos
Coordenação: José Quezado da Graça
DIA 05 DE JUNHO (QUINTA FEIRA) – 6ª NOITE
NOITÁRIOS: Moradores do Bairro do Rosário e Missionários
Coordenação: Maria Francivilma dos Santos
DIA 06 DE JUNHO (SEXTA FEIRA) – 7ª NOITE
NOITÁRIOS: Profissionais do ensino, Educação e Juventude
Coordenação: Josiêr Ferreira da Silva
DIA 07 DE JUNHO (SÁBADO) – 8ª NOITE
NOITÁRIOS: Pastorias e Famílias Cristãs
Coordenação: José Aparecido de Oliveira
DIA 08 DE JUNHO (DOMINGO) – 9ª NOITE
NOITÁRIOS: Agricultores e Pecuaristas
Coordenação: Antonio Grangeiro Sampaio
DIA 09 DE JUNHO (SEGUNDA FEIRA) – 10ª NOITE
NOITÁRIOS: Profissionais da Saúde
Coordenação: Aníbal Tavares de Caldas
DIA 10 DE JUNHO (TERÇA FEIRA) – 11ª NOITE
NOITÁRIOS: Antonios, Antonias e Similares
Coordenação: Antonio do Nascimento Silva
DIA 11 DE JUNHO (QUARTA FEIRA) –12ª NOITE
NOITÁRIOS: Três poderes
Coordenação: Poder Judiciário
DIA 12 DE JUNHO (QUINTA FEIRA) –13ª NOITE
NOITÁRIOS: Bancários e Contadores
Coordenação: Banco do Brasil
Dia 13 – Dia de Santo Antonio
Solene Celebração Eucarística as 09h00, chegadas das Imagens dos Padroeiros das Capelas 15h00 e Procissão de Santo Antonio as 16h00. Encerramento da festa.
DIA 28 – SORTEIO DE 10 PRÊMIOS DA RIFA DE SANTO ANTONIO PELA LOTERIA FEDERAL.
Realização:
Local: Matriz de Santo Antônio
Horário: A partir das 19 horas
Paróquia de Santo Antônio de Barbalha
Tel.: (88) 3532 1212

QUERMESSE DE SANTO ANTÔNIO – De 31/05 à 12/06
31/05 – Tradicional “NOITE DAS SOLTEIRONAS”
Venda de “produtos das solteironas”, comidas e bebidas típicas e show’s com artistas regionais
De 02/06 à 12/06 – Apresentações artísticas, culturais, folclóricas e leilões. Venda de bebidas e comidas típicas;
Realização:
Comissão Administrativa e Econômica da Paróquia de Santo Antônio
Tel.: (88) 3532 1212
Apoio:
Prefeitura Municipal de Barbalha
Governo “Quem Gosta, Cuida”.
Tel.: (88) 3532 3022

FESTEJOS SOCIO-CULTURAIS NO DIA DO PAU DA BANDEIRA – DIA 01/06
DIA 01/06 – DIA DO PAU DA BANDEIRA
10 horas – Desfiles de mais de 50 grupos da Cultura Popular, pelo corredor cultural (rua do vídeo);
11 horas – Palavras das Autoridades, no Largo do Rosário;
- APRESENTAÇÕES ARTISTICAS EM 6 PALCOS INSTALADOS ESTRATERGICAMENTE COM OS SEGUINTES ARTISTAS:

PALCO 1
LARGO DO ROSÁRIO
15h00 ÀS 17h00 JOÃOZINHO DO EXÚ
17:30 ÀS 19:30 ALCIMAR MONTEIRO
20h00 ÀS 22h00 WALDONIS
22h30 ÀS 00hs FORRÓ DO CARITÓ
PALCO 2
MARCO ZERO
15h00 ÀS 17h00 CHEIRO NORDESTINO
17:30 ÀS 19:30 FÁBIO CARNEIRINHO
20h00 ÀS 22h00 DORGIVAL DANTAS
22h00 ÀS 00h00 FORRÓ TAPERA
PALCO 3
PRAÇA ENGENHEIRO DÓRIA
15h00 ÀS 17h00 OS 3 DO CARIRI
17:30 ÀS 19:30 CHICO PESSOA
20h00às 22h00 CASACA DE COURO
PALCO 4
IGREJA MATRIZ
17h00 ÀS 19h00 CORAL ABOIOS DE SERRITA
PALCO 5
AO LADO DO PARQUE DA CIDADE
15h00 ÀS 17h00 CASA DE REBOCO
17:30 ÀS 19:30 FLÁVIO LEANDRO
20h00 ÀS 22h00 TRIO SERTANEJO
PALCO 6
LARGO SILTON LUNA
11h00 ÀS 13h00 DÉ DO NORTE
13:30 ÀS 15:30 FORRÓ ZUEIRA

Realização :
Prefeitura Municipal de Barbalha
Governo “Quem Gosta, Cuida”.
Tel.: (88) 3532 3022

SHOW ARTISTICOS NO PARQUE DA CIDADE – De 31/05 à 12/06
Dia 31/05
TRADISAMBA
OS OUTROS
NANAÊ
ASA DE ÁGUIA
Dia 04/06 – Quarta do Forró
BANDA GAROTA SAFADA
BANDA MALA 100 ALÇA
BANDA MAGNÍFICOS
FORRÓ DO CARITÓ
Dia 06/06
FELIPÃO E BANDA
ARREIO DE OURO
COQUETEL DO FORRÓ
CHEIRO NORDESTINO
Dia 07/06
CHICABANA
FORRÓ LENHADA
FORRÓ TAPERA
Dia 12/06
BIQUINE CAVADÃO
INALA
OS ÁGUIAS DE BARBALHA
Local: Parque de Eventos Governador Tasso Jereissati
Horários: todas as noites a partir das 21 horas.
Promoção:
Prefeitura Municipal de Barbalha
“Quem Gosta, Cuida!”
Tel.: (88) 3532 3022
Realização:
LELÉ DA CUCA ENTRETENIMENTOS
Tel.: (88) 3532 1108

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Crato vence duas consecutivas

O Crato Esporte Clube venceu duas partidas consecutivas. No último domingo, no estádio Mirandão venceu o Trairiense pelo placar de 3 a 1. O time jogos bem.
Ontem, terça-feira, o Crato voltou ao Mirandão e venceu o itapajé por 4 a 0, com destaque para as atuações de Assis e Rafael. A arbitragem cometeu alguns erros, mas felizmente não comprometeu o resultado final.
As imagens deste blog são do estádio Mirandão, domingo último, no jogo Crato x Trairiense. Imagens gentilmente cedidas pleo fotógrafo Henrique Maia.
O próximo compromisso do Crato Esporte Clube será sábado próximo, 15h30min, no estádio Inaldão, contra o Barbalha. O Crato soma agora 9 pontos.
A surpresa de ontem à noite foi a chegada da mais nova contratação do Crato Esporte Clube, o atacante Sóstenes. Paulinho Guerreiro deve estar apto para jogar no próximo sábado.

O DESMONTE DA LIRA


Renato Casimiro

Não lhes dou uma boa notícia se lhes asseguro que está em curso mais uma perversa e, talvez, definitiva ação contra a gráfica de literatura de cordel de Juazeiro do Norte, a Lira Nordestina. Ao atravessar diversas estações de sua via crucis, a Lira vem sofrendo enormes perdas, o que a levará, indubitavelmente, por tais manobras, à sua extinção. Os que se envolveram com a sua necessidade premente de existir como núcleo importante de nossa cultura, de algum modo, como os gestores da universidade, após o reitorado do prof. Teodoro, sabem muito bem como isto pode ser atingido facilmente. É algo como ler Maquiavel pelas madrugadas. Estou me propondo, nesse instante, a fazer uma breve reflexão sobre os destinos da Lira, se possível respeitoso e contundente, com o objetivo imediato e, dirão - pretensioso, de fazer alguma coisa que o futuro não me acuse de omissão. A Lira veio da família de José Bernardo da Silva e era uma empresa bem sucedida. Por muitos anos existiu com a fama de ser a maior e mais expressiva gráfica de folhetos deste país. Já não é pouca coisa. O Governo do Estado a comprou e a transferiu para o controle da Academia Brasileira de Cordel (ABC). Depois de algum tempo, mercê das pressões que foram exercidas pela comunidade, a Lira passou ao comando da universidade. No início, boas e auspiciosas ações, dando-lhe localização definitiva e acenando concretamente com algumas coisas fundamentais para a sua indigente sustentabilidade (minguadas verbas de custeio, um salário mínimo para um dos encarregados e algumas e modestas encomendas de folhetos e xilogravuras). Nada disso fazia jus ao papel relevante da Lira, depositária de uma produção de centenas de folhetos, um acervo importantíssimo, vindo de poetas que ainda viveram o século 19. Mesmo assim, a duras penas, a Lira continuou sendo o espaço legítimo da reunião e do trabalho de poetas e xilógrafos, aos montes. Nesses anos, entra administração, sai administração, cada uma ao seu estilo, a Lira figurou no discurso falacioso dos gestores, alguns com pose de intelectuais de ocasião, alguns beirando a mediocridade, pouco sabedores da valia do negócio. A Lira continuou, ainda que modestamente, editando poucos dos seus folhetos e algo mais que vinha dos novos valores e tendências da literatura de cordel na região. Nesse meio tempo, o valor maior da Lira, pela propriedade de clássicos da literatura, sofreu barbaramente com a apropriação indevida de seus títulos, impressos por quem desejou fazê-lo, sem ao menos se perguntar a quem, ou como um deles, que ainda pede licença à ABC. Agora, parece que estamos diante da famosa e derradeira pá de cal. Quem visita a Lira por estes dias vai sair de lá desolado. Nada do que por ali transita na sua administração tem o aval do bom senso. Escolheram, bem a propósito assim nos parece, um gerente que não se cansa de repetir que não gosta de cordel e não gosta de xilogravura. E, como tal, só se revela que está ocupando o local errado, a não ser que esteja definitivamente tomado por esta missão valiosa de interditar e inviabilizar, definitivamente, a Lira Nordestina. Descrente de que seria possível contar com alguma sensibilidade da instituição, mesmo assim conclamo, neste penúltimo sofrimento, a adesão de segmentos que ainda acreditam que a Lira pode continuar existindo para o fomento de parte expressiva de nossa cultura popular, sendo departamento imprescindível para o que a instituição ainda nem ousou iniciar. Mesmo reconhecendo a autonomia desta universidade, não é possível creditar-lhe qualquer confiança diante do que tem sido este testemunho de má vontade, de má fé e de falta de zelo para com um equipamento de tão grande importância. Mas, seguramente, este valor não é sentido pela administração, pois ele toca, especialmente, o nosso orgulho pessoal de gente caririense, por ter uma história rica através destes valores que foram construídos ao longo de muitos anos. Acho que todos entendemos que é da universidade a responsabilidade de inserir a Lira em seus programas de desenvolvimento cultural, muito antes que um sentimento menor a enquadre em duradouras e perniciosas questões paroquiais adormecidas. Como a questão é grave, e não devemos facilitar diante desta perversidade que se deseja perpetrar, apelamos para um gesto elevado da instituição, revelando-nos a sua verdadeira atitude com respeito aos planos de melhorias e a dinamização das suas ações, pois o Cariri ainda será um pouco menor se não puder contar com a Lira Nordestina na afirmação de seu universo cultural.

Artigo publicado na edição de 27 de maio de 2008 (ontem) do Jornal do Cariri.

Hora Certa



Amigos administradores do blog,

a hora de publicação das postagens

e comentários está com problemas.

Faz-se necessário o ajuste.

Escolhidos os sete monumentos mais bonitos do Brasil


A catedral da Sé, em São Paulo (SP), é a nova maravilha brasileira. O concurso foi promovido pela revista Caras e o Banco HSBC. Foram três meses de consulta on-line e com mais de meio milhão de votos foi possível escolher os sete monumentos. Além da catedral da Sé foram escolhidos: a Fortaleza dos Reis Magos (RN), a Fortaleza de São José do Macapá (AP), o Conjunto da Natividade no Tocantins, o Mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA); o Centro Histórico de Ouro Preto (MG) e o Teatro Amazonas de Manaus (AM).Ontem, 26, aconteceu a entrega da placa comemorativa do concurso As sete maravilhas do mundo na cúria metropolitana de São Paulo (SP), com a presença do cardeal Odilo Pedro Scherer.
Fonte: site www.cnbb.org.br


Meu Comentário: Observem que os sete monumentos escolhidos - em eleição - pela população brasileira representam edifícios da arquitetura tradicional do nosso país. Não foram escolhidas, por exemplo, construções da arquitetura moderna de Brasília. Essa arquitetura, produzida por Oscar Niemayer, (vidro-concreto armado-esquadrias de alumínio...) contribuiu para destruir nosso passado; Não preservou vestígios das formas que existiram nos séculos anteriores, com sua beleza, altivez, privilégios, aspirações...
Quando surge uma oportunidade das pessoas se manifestarem livremente, sem influência de certa mídia medíocre e massificada, o povo lembra e se volta para a arquitetura tradicional. A que prevaleceu entre nós até o início do século passado...

História da Educação - Afrodescendência e cultura são debatidas


Abaixo, matéria publicada no jornal "Diário do Nordeste", desta 4ª feira, dia 28, sobre o 8º Encontro Cearense de Historiadores da Educação, ora em realização na cidade de Barbalha:



"O evento abre espaço para vários debates numa terra onde se encontra um núcleo de resistência da arte popular Barbalha.

O debate sobre a influência das culturas e história na Educação foi iniciado na noite de ontem, em Barbalha, com a abertura do VII Encontro Cearense de Historiadores de Educação. O evento conta com a participação de educadores de todas as universidades cearenses e Centro Pró-Memória de Barbalha. O objetivo do evento é fazer um mergulho na história local e debater questões relacionadas à cultura e afrodescendência.

A abertura do encontro aconteceu no Centro Histórico de Barbalha. Segundo os organizadores, o subtema do evento abre espaço para vários debates numa terra onde se encontra um núcleo de resistência da arte popular, com diversos grupos de tradição. O tema central “Vitrais da Memória: Lugares, Imagens e Práticas Culturais” está relacionado aos temas debatidos, voltados para o sentido de formação da sociedade, hoje e ao longo da história.

Do Cariri foram selecionados mais de 50 trabalhos a serem apresentados durante o encontro. A presença dos historiadores da Educação em Barbalha e a escolha do local se deram pelo significado histórico e cultural e também pelo apoio recebido para realização do evento. O passado de Barbalha remonta ao século XVIII e teve vínculo com a economia dos engenhos de cana-de-açúcar e a escravidão africana.

Essa ligação histórica por si só, conforme os organizadores, justifica o evento, mas traz também questões relacionadas à riqueza da própria região como o patrimônio paleontológico, a tradição indígena, expressão da religiosidade e arte popular. A professora Zuleide Fernandes Queiroz, do Departamento de Educação da Universidade Regional do Cariri (Urca), e da comissão organizadora do evento, justifica a escolha da região, por ser um pólo de desenvolvimento na área de Educação, além de ter um referencial histórico importante.

Ela cita a criação, em 1934, da Escola Normal Rural, criada pela professora Amália Xavier. Este ano, a escola estará completando 74 anos e receberá homenagem no evento.

A segunda escola do gênero foi criada no Rio de Janeiro. Também ressalta a presença de um curso a ser implantado na área de Engenharia de Operação, em Juazeiro do Norte, um dos cinco do País.

Em Barbalha, exemplos de pioneirismo, como o Gabinete de Leitura, na rua principal da cidade, e as primeiras aulas noturnas para trabalhadores. “Então, todos os avanços que o Cariri vem obtendo ao longo dos anos na área educacional faz parte de uma luta antiga”, destaca a professora. Ela justifica os avanços nos estudos da área, a partir do momento em que há maior interesse de participação dos pesquisadores.

Dados fragmentados

O encontro nasceu a partir do Núcleo de História e Memória da Universidade Federal do Ceará (UFC). São pesquisadores doutores e mestres que vem buscando catalogar a História da Educação no Ceará. Segundo Zuleide Queiroz, o que existe de escritos sobre a história ainda é muito fragmentado e tem uma visibilidade de cunho político.

A partir desses estudos muitas realidades vêm sendo construídas, com o resgate, as descobertas de aspectos importantes sobre a trajetória da Educação no Estado. A expectativa é que participem do evento cerca de 500 pessoas. A abertura ontem contou com a conferência do professor Filipe Zau, do Ministério da Educação da República de Angola, na África, com abordagem do tema “Elementos para uma História dos Afrodescendentes”.
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

terça-feira, 27 de maio de 2008

DIHELSON MENDONÇA TRIO



O Dihelson Mendonça Trio surgiu como remanescente do quarteto formado em 1986 pelo pianista cratense Dihelson Mendonça, chamado Cariri Samba-Jazz Quarteto, tendo portanto, 22 anos de existência intermitente. Diversos músicos da região do cariri cearense já passaram por este grupo, que foi o primeiro grupo do cariri a se dedicar exclusivamente a tocar Jazz e Bossanova em shows de auditório, diferencialmente dos grupos de baile da época. Desde o início, o Cariri Samba-Jazz Quarteto procurou fazer um trabalho autoral, e causou sensação, sendo convidado para diversas apresentações em inúmeras cidades e estados vizinhos. Diversas matérias foram veiculadas sobre o grupo instrumental na mídia. No início, o CSJQ, era constituído por piano, contrabaixo, bateria e Saxofone. Hoje, com uma nova formação, em trio, tendo ao contrabaixo, João Neto e o baterista Saul Brito, a filosofia do grupo permanece a mesma: realizar um trabalho instrumental inovador, autoral, com composições do grupo, bem como tocar os grandes clássicos do Jazz, da bossanova, e a música brasileira de bom gosto com novos e ousados arranjos.

Formação:

Dihelson Mendonça ( Piano )
Francisco Saul Brito Gouveia – Bateria.
João Ferreira Neto – Contrabaixo.
Quando? Dia 27/28 de maio
Onde? Teatro do SESC Crato
Quanto? 6 inteira e 3 meia
Que Horas? 20h

WALTER PEIXOTO NÃO SABE NEM ESCREVER O NOME ?

Uma vergonha, um descaramento. Esse é o tipo de político que o Crato gosta e quer de volta à prefeitura? Publicado na edição de hoje, na coluna de Donizete Arruda do Jornal do Cariri uma nota informando mais uma peripécia de Walter Peixoto. O ex-prefeito do Crato que tinha horror ao futebol e cultura, e que tratou esses dois setores com desdém e desprezo, volta e meia apronta uma. Agora, Walter Peixoto, para ludibriar a imprensa e a Justiça entrou com um pedido na Justiça para não ser incluído pelo TCM na lista de ex-administradores públicos que tiveram contas desaprovadas.

O estranho é que ele mudou o nome de Francisco Walter Peixoto para Antonio Valter Peixoto.

Aliás, é bom lembrar que WP teve todas as contas da sua última e desastrada administração desaprovadas.

Uma pergunta: ainda tem “companheiro” defendendo aliança com WP?

Veja texto no Jornal do Cariri

Crato

Juiz nega exclusão de Walter da lista suja do TCM

O juiz da 4a Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, Luiz Alves Leite, negou pedido do ex-prefeito do Crato, Walter Peixoto, para não ser incluído pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) na lista de ex-administradores públicos que tiveram contas desaprovadas. Walter assinou a ação como Antonio Valter Peixoto, embora tenha usado o seu próprio CPF, daí o juiz ter descoberto a verdadeira identidade do ex-prefeito, cujo nome é Francisco Walter Peixoto. Walter tenta se viabilizar candidato a prefeito e, na semana passada, disse ao pré-candidato do PSB, Sineval Roque, que não vai apoiá-lo. Coluna de Donizete Arruda e página 3.

Texto na coluna de Donizete Arruda, edição de hoje do JC:

Waltim perde na Justiça

O ex-prefeito do Crato, Walter Peixoto, o Waltim, deve ficar mesmo fora das eleições deste ano. Com contas desaprovadas, seu nome se tornou inelegível. Sabedor disso, Waltim recorreu à Justiça. Usando outro nome – Antonio Valter Peixoto - seu verdadeiro é Francisco Walter Peixoto, e Walter com W - Waltim deu entrada num recurso para viabilizar sua candidatura. A tática de ser chamado de Antonio e Vater com V, visava evitar pressões políticas, principalmente do deputado estadual Sineval Roque que quer ser o único candidato das oposições, já que conta com o respaldo do governador Cid Gomes. A estratégia esperta não deu certo. O juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública, Dr Luiz Alves Leite, decidiu negar o recurso de Waltim, de conceder ação ordinária anulatória com pedido de concessão de tutela antecipatória. Derrotado, Waltim vê o sonho de ser candidato a prefeito do Crato ir embora. E o juiz ainda deu um prazo de 10 dias para Waltim corrigir seu nome no processo.

Algumas perguntas:

WP é confiável, se muda o próprio nome, é capaz de mais o quê?

A sociedade do Crato vai mesmo permitir que WP saia dessa na impunidade?

Não era bom contratarmos um advogado e processá-lo (WP) por danos morais?

EM DEFESA DA LIBERDADE DE IMPRENSA E O DIREITO DE RESPOSTA


A Delegacia Regional do Sindicato dos Radialistas do Estado do Ceará, vem a público manifestar nossa preocupação quanto ao papel da imprensa e à livre manifestação da opinião. A orientação que passamos e o que temos discutido com os radialistas do Cariri, de forma específica, é que temos que pautar nossas ações no intuito de bem informar a sociedade, sempre noticiar a verdade.

Os radialistas têm um papel importante na sociedade. Estamos em nosso cotidiano em contato com as pessoas, com os mais avariados setores sociais, em busca de notícias, de fatos, de informações. Portanto, é inerente à nossa atividade, além de repassar a informação, emitir nossas opiniões. Sem essa liberdade da sociedade se expressar, emitir uma opinião, dar o seu parecer, fica tolhido o direito de bem informar.

Nesse sentido vimos através desta, registrar nossa preocupação, quanto ao fato de que nos últimos meses sentimo-nos diminuídos em nosso poder de informar, em face de um repórter, o Sr. Antonio de Tarso Araújo Bastos, estar respondendo na justiça a uma acusação de difamação impetrada pelo Exmo. Promotor de Justiça da Comarca do Crato, Dr. Antonio Marcos da Silva de Jesus.

Não podemos também concordar que um agente público não aceite críticas, e utilize da força do cargo para agir sob a égide da imposição do silêncio. Solicitamos o bom senso do Promotor Dr. Antonio Marcos da Silva de Jesus diante do fato, em retirar qualquer queixa e ficar ciente de que as críticas para quem tem cargo público, seja ele qual for, sempre existirão, como também deve existir maturidade para recebê-las.

Ao mesmo tempo, conclamamos a sociedade para que se manifeste em defesa da liberdade de imprensa, da liberdade de opinião, do direito de informar às pessoas e à essa mesma sociedade.

O Estado Democrático de Direito permite a crítica, permite o direito de resposta, que o Promotor, em questão, não quis usar, preferiu uma pendenga judicial, uma batalha nos tribunais, a força, do que o simples diálogo.

SINDICATO DOS RADIALISTAS DO CEARÁ DELEGACIA REGIONAL DE JUAZEIRO

ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA CRÔNICA DESPORTIVA DO ESTADO DO CEARÁ – APCDEC REGIONAL CARIRI