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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Correspondente é ameaçado de morte



Fortaleza. O correspondente do Diário do Nordeste no Sertão Central, Alex Pimentel, recebeu ameaça de morte ontem pela manhã, um dia depois de ter ido ao distrito de Cruzeta, em Pedra Branca, para apurar denúncia de fraude na Operação Pipa. Por volta das 10h, uma pessoa que não se identificou ligou para o celular de Alex e o ameaçou: “Se você voltar aqui, vai ser recebido da mesma forma que o Tim Lopes foi recebido”, disse o anônimo, em referência ao jornalista da Rede Globo assassinado por traficantes em junho de 2002, quando fazia matéria sobre o tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro.

Pelo número registrado no identificador de chamadas do celular, Alex Pimentel descobriu que a ligação foi feita de um telefone de Pedra Branca, o que leva à suspeita de que a ameaça tenha partido de pessoas envolvidas no caso, como represália ao trabalho jornalístico. O correspondente pretende registrar ocorrência policial e exigir a apuração do caso.

Na edição de ontem, o Diário do Nordeste publicou, com exclusividade, denúncia feita pelo prefeito de Pedra Branca, Antônio Gois, e por moradores de Cruzeta de que a água entregue à comunidade, desde dezembro, é proveniente dos açudes das Oiticicas e Urubu, sem condições para o consumo humano. Os açudes onde a água deve ser retirada, segundo o Exército Brasileiro, que coordena a operação, são o Cupim e o Trapiá, este no município de Independência. Segundo prefeito e moradores, a fraude é cometida pelos pipeiros com o objetivo de economizar na quilometragem dos caminhões.

Obscurantismo
Para a presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), Ivonete Maia, ameaças de morte têm sido constantes para profissionais de imprensa em todo o mundo. Ela disse que “infelizmente o obscurantismo de pessoas, seja no Interior ou nas grandes cidades, permanecem em pleno 2009. A perseguição a correspondentes de jornais do Interior é uma constante ao longo do tempo. Certas pessoas se acham poderosas e pensam que correspondente é para dar boas notícias. Elas demonstram ignorância sobre o papel do jornalista”.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Hélio Leitão, disse que a liberdade de imprensa é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. “Não há democracia sem imprensa livre. Não é apenas uma ameaça ao Jornalismo, mas é um atentado ao Estado de Direito, à consciência cívica”, ressalta.

As denúncias no distrito de Cruzeta repercutiram em todo o Sertão Central. A manchete foi destaque nas emissoras e portais eletrônicos. Lideranças sindicais e de organizações não governamentais consideraram a situação absurda. Nos noticiosos da região, os ouvintes criticaram a postura do Exército. Comparam a omissão dos militares à situação da segurança pública no Estado.

Dezenas de leitores enviaram e-mails de protesto à fraude. Destaque para as mensagens de Luiz Moreira e Jayro Nikson Cavalcante, que se indentificaram como moradores do distrito de Cruzeta. O primeiro disse que o problema já existe há vários anos e levantou suspeitas sobre a participação de agentes do Exército. O segundo se disse “testemunha ocular” do fato e cobrou mais fiscalização dos militares. Apenas duas leitoras de Pedra Branca, disseram não crer na veracidade das denúncias.


ÍCARO JOATHAN
Repórter


VÍDEO
7 minutos, em média, é a duração do vídeo, feito por moradores de Pedra Branca, com imagens de um caminhão-pipa pegando água de açude, imprópria ao consumo humano

Mais informações:
Disque Denúncia da Operação Pipa - 10ª Região Militar
(85) 3255.1673
(85) 3255.1642
Qualquer pessoa pode denunciar

APURAÇÃO

Exército e Defesa Civil esperam relatórios
Fortaleza. O Exército e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil aguardam receber hoje relatórios de apuração das denúncias de fraude no funcionamento da Operação Pipa em Pedra Branca. Uma equipe do 23º BC foi enviada ao local para averiguar as denúncias de irregularidades. De acordo com o major Neyton Araújo, coordenador regional da Operação Pipa, o objetivo é “aprofundar ao máximo a investigação”, que deve ser “o mais célere possível”.

De acordo com ele, se for caracterizada a participação de civis no esquema, a denúncia será encaminhada ao Ministério Público (MP), e os pipeiros serão descredenciados do programa. Se houver indícios da participação de militares, os envolvidos também serão punidos. “Temos que averiguar. Em princípio, acredito que não deve haver participação de militares. O importante é que se trabalhe com o máximo de transparência”, disse.

Pela Defesa Civil, o coordenador-adjunto do órgão, coronel Leandro Silva Nogueira, informou que um técnico foi enviado à Pedra Branca para apurar as denúncias. Se provadas, um relatório será encaminhado ao Exército e à Secretaria Nacional de Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional (MIN), para que as providências legais sejam tomadas.

Por meio da assessoria de Imprensa, o MIN, que libera os recursos para o funcionamento da Operação Pipa, disse que não recebeu nenhuma denúncia oficial e que tomou conhecimento dos fatos pela reportagem de ontem do Diário do Nordeste. Mesmo assim, o órgão disse que entrará em contato com o Exército para pedir a apuração dos fatos.

Outra instituição que requisitará informações ao Exército será o MP, por meio do promotor de Pedra Branca, João Pereira Filho. “Vamos pedir que eles abram uma sindicância para verificar a denúncia e requisitar informações”, antecipou.

O promotor ponderou que, se a denúncia for verdadeira, o MP dará dois encaminhamentos ao caso. A primeira será repassá-lo ao Ministério Público Federal para apurar fraude financeira contra a União, pois o valor pago aos pipeiros é calculado com base na distância percorrida pelos caminhões. A segunda será a instauração de inquérito policial para apurar crime contra a saúde pública.

A denúncia das irregularidades em Pedra Branca serão debatidas na Assembléia Legislativa do Estado a partir de fevereiro, na volta do recesso parlamentar, segundo garantiu o deputado estadual Heitor Férrer, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania. Além desta comissão, o assunto também será tratado na Comissão de Recursos Hídricos, conforme informou.

“Tratam-se de irregularidades desumanas, cuja responsabilidade é dos gestores, que fazem contratos com esses que servem água de má qualidade, levando doenças a esta população excluída do Interior do Estado, que não tem nenhuma forma de acesso à água”. Para o parlamentar, o assunto deve ser apurado pelo MP, pelo Exército, pela Defesa Civil e pela Assembléia. “O não fornecimento de água é uma demonstração de falência do Estado. E o fornecimento de água poluída é uma violação dos direitos humanos”, criticou.

Políticas permanentes
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará (Fetraece), Moisés Braz Ricardo, as denúncias são “altamente procedentes”, pois foram feitas pelos beneficiários diretos e pelo próprio prefeito. “Lamento profundamente que a gente esteja com um programa para beneficiar as famílias e alguém use de má fé, com o intuito de ganhar dinheiro”, externou.

Para ele, é lamentável que ainda se distribua água de carro-pipa no Nordeste, enquanto no Sul e Sudeste se distribui água mineral. “As autoridades do Estado têm que agir com políticas públicas permanentes, como a construção de cisternas de placa, poços profundos e reservatórios”. Para ele, só assim a dependência em relação aos carros-pipa será banida.

fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

POR UM CARIRI GLOBALIZADO

No sul do Estado do Ceará pontua uma região que desde os mais remotos tempos carrega em seus ombros todo um conjunto de “habitat humano” característico desde a consolidação da diocese do Crato, ao unificador Padre Cícero Romão Batista; há todo um manancial histórico, artístico, cultural, literário centrado numa verdadeira fonte de talentos que pulverizam o Brasil nas mais diversos estados.

Sempre esta região foi contemplada por pontos de unificação de sua história que é um modelo de vida para qualquer agrupamento humano. A chama de integração social deve ser uma constante para a preservação da identidade e da cultura peculiar ao povo careirense. O Ponto de coesão da estrutura social do cariri é um legado que deve ser renovado e repassado para as futuras gerações, para a continuidade do corpo vivo na história sul cearense, creio que com o advento da internet; a capilarização da unificação desta região é um imperativo para o momento, assim compreendo, que o fluxo normativo do pulsar existencial de todas as cidades que integram este eixo geográfico, poderia ter uma concentração mais uniforme e coesa, do contrário, poderemos dissipar pontos etnográficos que foram tão bem betumados, untados e unificados pela liga da religião, da cultura, da literatura, da história e finalmente pela própria arte do existir.

A Unificação da Mídia Caririense desde o seu eixo central ao pontos tracejados do espaço/tempo na região é uma necessidade para dar continuidade a este corpo vivo, integrado, inteiro a bailar na pisada do poder do estrago temporal da existência do agora para o feixe de luz que haveremos de deixar para as futuras gerações, pois, o alimento intelectual do fazer no momento, com certeza será o fabrico do tipo do mel que será consumido na história futura.

É dentro deste foco que entendo a necessidade de uma mídia, coesa, forte e integrada nas entranhas da própria história que levou dezenas de anos para a construção deste quadro epistemológico regional.



Luiz Domingos de Luna
Procurar na web

Jovens do Cariri são tema de palestra




Nova Olinda. A Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, terá seu modelo de trabalho com a meninada do sertão, levado para Portugal. O presidente da entidade, Alemberg Quindins, e diretora Científica, Rosiane Limaverde, foram convidados a apresentar palestras durante o I Encontro de Jovens Investigadores do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto / Campo Arqueológico de Mértola (CEAUCP/CAM), que acontecerá na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal, nos dias 23 e 24 de janeiro de 2009.

Rosiane, que é doutoranda em Arqueologia na Universidade de Coimbra e Investigadora colaboradora do CEAUCP, apresentará o trabalho que é realizado na formação de jovens arqueólogos na cidade de Nova Olinda, e seu respectivo impacto na preservação do patrimônio material e imaterial do Cariri.

Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde se apresentarão em Coimbra e Porto

Alemberg falará das experiências do projeto de formação de jovens gestores culturais desenvolvido pela Fundação Casa Grande há 16 anos. O convite para as apresentações partiu da professora doutora Maria da Conceição Lopes, orientadora do mestrado de Rosiane, que esteve na Casa Grande em julho de 2008, onde participou do I Seminário de Arqueologia e Educação Patrimonial do Cariri. Na oportunidade, foi firmado convênio entre as duas instituições.

Diário do Nordeste

Bancada cearense terá novo líder no Congresso





A bancada federal cearense deve ter um novo líder em 2009. A informação é do próprio coordenador do grupo de parlamentares cearenses em Brasília, Arnon Bezerra (PTB), que não mais pretende continuar no cargo que assumiu em 2008. Informando que até março a bancada terá um novo coordenador, Arnon disse ter reaproximado os parlamentares e dado ´nova vida´ aos trabalhos do grupo que representa os interesses do Estado do Ceará no Congresso Nacional.

´Quando assumi, eu sugeri que cada parlamentar permanecesse por um ano a frente dos trabalhos da bancada e eu vou sair da liderança para que outro colega assuma´, informou o parlamentar, ao comentar detalhes da vigília cívica que os deputados cearenses fizeram em Brasília na última semana do ano passado para assegurar o empenho de uma parte das emendas de bancada ao Orçamento Geral da União (OGU) de 2008.

Assegurando que hoje a bancada está mais unida do que antes de ele assumir, Arnon assegurou que o único motivo pelo qual está deixando o cargo é a alternância, ´para que os parlamentares possam se revezar a frente dos trabalhos´, disse o coordenador, ao completar: ´eu já conversei com o José Linhares (PP), com a Gorete Pereira (PR), com o Guimarães (PT), mas vou reunir a bancada para conversarmos sobre isto, quando voltarem as atividades do Congresso´, assegurou.

Emendas

Arnon Bezerra destacou que foi positivo o trabalho feito pelos parlamentares cearenses na última semana de 2008 para que as verbas destinadas ao Ceará, no Orçamento da União do ano passado, tivessem a garantia de empenho neste ano. Ele e vários deputados cearenses estiveram na linha de frente da visita ao Ministério do Planejamento para garantir a liberação das verbas alocadas pela bancada na referida peça orçamentária.

O deputado José Guimarães comemorou o fato de alguns projetos prioritários para o Estado terem sido empenhados pelo Governo Federal. Segundo ele, a emenda do Cinturão Digital, do Governo do Estado, no valor de R$ 19,2 milhões, foi empenhado na íntegra, assim como os recursos para a conclusão das barragens Taquara e Figueiredo, totalizando R$ 20,6 milhões.

Alguns projetos, entretanto, tiveram os valores reduzidos, segundo Guimarães, como é o caso daquele que destina recursos para a Região Metropolitana de Fortaleza, que dos R$ 34 milhões alocados só conseguiu empenhar 2,9 milhões e o projeto de reforma das universidades federais cearenses, que empenhou apenas R$ 4,4 milhões, dos R$ 20 milhões colocados inicialmente.

Arnon, por sua vez, lamentou o fato de as emendas de bancada terem sofrido cortes de recursos. ´Esta é uma atitude de Governo prevendo alguma dificuldade financeira para o próximo ano´, ponderou.

Arnon e Guimarães destacaram que há um entendimento para que os parlamentares atuem de forma mais efetiva para garantir a liberação dos valores alocados na peça orçamentária de 2009, que tem um total de R$ 405 milhões em recursos para o Ceará.

Diário do Nordeste

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CUIDE BEM DO SEU EMPREGO!

Passada a euforia das festas de fim de ano, a ressaca das contas negativas emerge. Para muitos brasileiros o Natal e o Ano-Novo, regados a décimos terceiros ludibriantes ofuscaram, um pouco, o tamanho da crise que assola a economia mundial. Um pouco, pois alguns comerciantes já testemunham a redução no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2007. Outro fenômeno identificado é o aumento do número de pagamentos à vista em relação aos pagamentos à prazo, o que demonstra certa “precaução” por parte do consumidor quanto a necessidade de não adquirir novas dívidas, vincendas em 2009.

O ano novo trouxe consigo a grande dúvida: e agora, o quanto a crise vai nos afetar? A análise mais coerente parece ter mais fundamentação quando parte do panorama da economia Norte Americana, de onde surgiu a crise. Pátios repletos de carros novos, queda na produção e vendas de quase tudo, o maior número de demissões desde o fim da 2ª Guerra Mundial. O governo Americano tenta, desesperadamente, conter a redução do consumo e, consequentemente, as demissões, através da abertura de novas linhas de crédito, redução da taxa de juros, empréstimos de bilhões de dólares às empresas e, mais recentemente, a redução dos impostos dos contribuintes pessoa física. Ações como estas, estão sendo seguidas à risca pelo Brasil e no resto do mundo. Nosso governo, a exemplo da recente redução do I.P.I. dos automóveis, finalmente, resolve dividir o “bolo” com o cidadão comum. Pena que a fatia tenha vindo numa hora tão difícil e com data marcada pra acabar.

Com base nisso, o emprego parece ser bem precioso! Na recessão, a redução de custos passa necessariamente pelo “item” mão-de-obra, ou seja, as demissões. Caso isso venha a acontecer, porque essas coisas acontecem, deve-se estar preparado. Quero chamar atenção ao fato de que, não há garantias que as ações adotadas pelos governos surtirão o pleno efeito desejado e que, principalmente, é hora de empenho, individual e em equipe, para que a sua empresa, ou a empresa onde você trabalha, encontre novas soluções de sobrevivência à crise. Portanto, dentro das ações que nos cabem, é fundamental não contrair dívidas e dispor de algum dinheiro guardado, uma poupança, para enfrentar um indesejável, mas possível, período de “vacas-magras”.

Dimas de Castro e Silva Neto

Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham
Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 13/01/2009 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 13/01/2009.

Edital garantirá restauração de imagens sacras




Imagens sacras raras, com cerca de 200 anos de existência passarão por processo de restauração nesse município. O acervo é pertencente ao Museu Histórico do Crato. O projeto foi selecionado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), por meio de edital de apoio à preservação do patrimônio material, na modalidade de preservação de acervos museológicos. O trabalho será executado por meio da Secretaria de Cultura do Crato.

A autora do projeto, a restauradora italiana, Maria Gabriella Federico, classificou as peças a serem contempladas no projeto, que se constituem em exposição permanente na sala Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, como uma relíquia para o Museu, que remontam quase o período de origem do município, estando entre as mais antigas da região. São contempladas no trabalho, a ser iniciado ainda este mês, 14 imagens, um sacrário e dois oratórios, que foram detalhados no projeto técnico de conservação.

História resgatada

Todas as imagens são em madeira. Algumas delas estão num estado avançado de deterioração e continuam em exposição. A secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, destaca o edital, que contempla o projeto avaliado em R$ 15 mil, uma vitória para o Crato. “É a nossa história que está sendo resgatada. Antes, tínhamos um projeto de modernização do museu, solicitado ao arquiteto Waldemar Farias, isso levando-se em consideração a preservação da originalidade do Museu Histórico. Mas agora, vemos a necessidade de recuperar e salvaguardar as peças raras, em primeiro plano”, explica a secretária municipal.

Ela afirma que alguns móveis destruídos pelos cupins passaram por recuperação durante a sua gestão e tem a finalidade de revitalizar o espaço e torná-lo mais atrativo para os visitantes e a própria população. “As pessoas precisam conhecer sua história, suas origens, e o Museu é um espaço importante que documenta esse passado”, diz Danielle Esmeraldo.

Ela destaca o trabalho de recuperação que vem sendo feito com as peças do Museu de Artes Vicente Leite, na parte superior do Museu Histórico, pela artista plástica e restauradora, Edilma Saraiva. No local há obras de artistas como Sinhá D’Amora. A Secretaria de Cultura do Crato está enviando toda a documentação necessária para começar o quanto antes o trabalho. Ainda este mês deverá começar o trabalho de restauração.

O investimento futuro será na proteção das imagens. “São obras de um valor imensurável. Vamos restaurar para conseguir manter essas obras e fazer com que o Museu tenha algo digno para visitas”, ressalta.

Algumas peças, conforme a restauradora Gabriella Federico, poderão demorar, dias para serem restauradas. Algumas delas estão muito danificadas, faltando partes dos dedos, e até as mãos, a exemplo das imagens de São Francisco, Santana e São José. Uma das imagens, conforme a Gabriella Federico, que merece destaque, é a de São Fidelis, do século XVIII, co-padroeiro do município. O Crato, por um período de sua história, foi conhecido como “Curato de São Fidelis”. Não há nenhuma outra do gênero no acervo da Diocese do Crato. Todas essas imagens raras foram doadas ao Museu Histórico pela Diocese.

O acervo sacro do museu é considerado um patrimônio de grande valor histórico pela restauradora. “O estado atual de conservação é extremamente delicado de todas as peças”, diz Gabriella, ao ressaltar a importância fundamental da preservação, para que seja mantido o registro da memória do povo e “embutir nas novas gerações o respeito pela cultura e história da região, sensibilizando para uma tomada de consciência”, diz ela, ao acrescentar a repercussão positiva na qualidade dos serviços e equipamentos culturais do município.

Gabriella enfatiza a importância da salvaguarda desse material e diz que pretende realizar o trabalho, com acompanhamento de jovens estudantes, no sentido de formar novas consciências voltadas para a preservação do patrimônio histórico.

Elizângela Santos
Repórter

IMPORTÂNCIA

"São obras de um valor imensurável. Vamos restaurar para o Museu ter algo digno para visitas".
Danielle Esmeraldo
Secretária de Cultura do Crato

"O estado atual de conservação é extremamente delicado de todas as peças do Museu".
Gabriella Federico
Restauradora

Mais informações:
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural do Araripe, S/N
(88) 3523.2365
Olhar - Casa das Artes, Pça. Da Sé, 91, (88) 3521.1590

Vanuzia Tavares faz performance na URCA

A poeta e acadêmica do curso de História Vanuzia Tavares faz apresentação performática na quarta-feira, dia 14, às 20 horas, na passarela superior do curso de História da URCA, no Campus do Pimenta. Com a Performance a "A querda" a artista recitará seus poemas e os lançaram ao público. Vanuzia vem ocupando as cenas
marginais da poesia e os espaços convencionais, tendo feito apresentações no Performance Poética do Sesc, na Mostra DesUSA, em banzinhos alternativos e na Universidade Regional do Cariri. Natural da cidade do Rei do Baião, Exu, Pernambuco a poeta tem marcado o seu discurso poético pelo contemporâneo e o existencial.
A performance de Vanuzia Tavares faz parte do projeto Altar Poético desenvolvido pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, vinculado a Pro-Reitoria de Extensão da URCA.

Serviço:
Projeto Altar Poético
Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC/PROEX/URCA
Telefone: 3102-1212 ramal 2424.

CIDADES DO CARIRI

Caririaçu

O Município de Caririaçu foi habilitado pelo Ministério da Saúde com a construção de um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), e reforçará o atendimento em saúde bucal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O CEO é responsável por atendimentos mais complexos, como cirurgia oral menor, periodontia e diagnóstico de câncer bucal, além de outras especialidades a serem definidas localmente. O tratamento oferecido nos Centros de Especialidades Odontológicas complementa o trabalho realizado pela rede de atenção básica e pelas equipes de saúde bucal, que já são 17.715 no país.

Vivo no Cariri

Desde o último dia seis de janeiro, que a operadora de telefonia móvel Vivo, controlada pela espanhola Telefônica e Portugal Telecon, está operando nos municípios de Crato, Juazeiro e Barbalha A Vivo chegou flexibilizando o mercado de aparelhos a partir de R$ 10,00 com câmeras, até o mais sofisticado que é o iPhone. As informações foram passadas pelo empresário Israel Gondim, representante da operadora na região do Cariri. Com 43 milhões de clientes no Brasil a Vivo é a maior operadora de celular da América do Sul e conseguiu chegar ao Ceará por um desembolso de R$ 13 milhões.O Cariri partiu na frente em relação a algumas cidades desses Estados como Teresina, Caruaru e Natal que ainda não dispõem do sinal Vivo.

Hospital

O resultado da licitação para as obras de construção do Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, deverá sair no próximo dia 22 de janeiro. Os envelopes com as propostas comerciais das empresas foram abertos no último dia 7, na sede da Central de Licitações do Estado. Nove empresas participaram dessa fase, sendo que uma delas teve a proposta aberta por meio liminar judicial. A proposta de menor valor foi apresentada pelo Consórcio Palma Engenharia e Fujita Engenharia, no valor de R$ 44.224.380,76. De acordo com o edital, a obra está estimada em R$ 53.028.162,19. As propostas de preço foram encaminhadas ao Departamento de Edificações e Rodovias, para a análise das planilhas e projetos. O passo seguinte será a publicação do edital de classificação das empresas participantes. Após a divulgação do edital, os concorrentes terão o prazo de cinco dias úteis para recorrerem. Finalizados os prazos será divulgada a proposta vencedora, que deverá ocorrer até o próximo dia 22.

DEPUTADO LANÇARÁ PROJETO PARA CELEBRAR CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ

Após o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa do Ceará, de autoria do Deputado Lula Moraes (PC do B), que garante 2009 como o Ano Patativa do Assaré, foi a vez de outro parlamentar homenagear o poeta do sertão. No dia cinco de março de 2009, Patativa do Assaré completaria cem anos. E para celebrar o centenário deste ícone da poesia brasileira, o deputado estadual Edson Silva (DEM), apresentará um projeto de lei com o objetivo de criar o dia da poesia no Ceará. Se a lei for aprovada, cinco de março será “o dia cearense da poesia”.

Edson Silva define o poeta Patativa como “uma figura que jamais deve ser esquecida, pois ele foi brilhante com as palavras, mesmo sem conhecer muito delas, além de orgulhar o povo caririense no mundo inteiro, pois ele é reconhecido até em outros países, como a França”.

O deputado pretende, com a criação desta lei estimular a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) a realizar um evento anual, no dia do nascimento do poeta, com recitais de poesias, para ser mantida sempre viva a memória e as poesias geniais do ilustre caririense Patativa do Assaré.

Jornal do Cariri

SEMACE NEGA QUE SÍTIO FUNDÃO ESTEJA ABANDONADO

Edwirges Nogueira
Especial para o JC


O gerente do escritório da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) no município do Crato, Joza de Melo Neto, negou que o Sítio Fundão tenha sido abandonado pelo Governo do Estado. Segundo ele, o local está totalmente preservado e a vigilância do local é feita diariamente pelos fiscais do órgão e por policiais.
A denúncia sobre a situação do sítio, que é tombado pelo Governo como patrimônio histórico e ecológico, foi feita na última edição do Jornal do Cariri e abordada também no jornal Alerta Geral (Somzoom Sat FM 106,5). Melo Neto deu entrevista ao Alerta Geral na última sexta-feira, dia 9 de janeiro.

Ele detalhou que as vistorias diárias são feitas pela Companhia de Policiamento Militar Ambiental (CPMA), por policiais do 5º Batalhão e também pela Sociedade Protetora dos Animais (SPA), sempre acompanhados pelos técnicos da Semace.

Já o radialista e ambientalista Ed Alencar, um os herdeiros do Sítio Fundão, contesta as informações de Joza Melo. Para Alencar, a vigilância no local é precária e não resolve a situação de abandono. “Não adianta a polícia dar uma volta lá e ir embora, tem que haver uma vigilância permanente no local”, reivindica. Ed Alencar reclama também do abandono, e que o Sítio Fundão está à mercê de bandidos, que estão destruindo o patrimônio público.

Intervenção artística questiona abandono

Um grupo de artistas caririenses, pertencente ao Coletivo Camaradas, esteve na manhã do último domingo no Sítio Fundão. De acordo com Alexandre Lucas, coordenador do coletivo, o objetivo dos artistas foi o de ver de perto o abandono do Sítio Fundão e fazer uma intervenção artística questionando a situação em que se encontra o local. Os artistas disseram à reportagem do JC que até o meio-dia, nenhum patrulhamento esteve no local, ou qualquer representante da Semace. Os artistas fixaram algumas peças, feitas com restos de material em vários pontos da reserva ecológica. Eles questionaram as informações dadas por Joza Melo, de que o sítio não esteja abandonado. “É preciso que haja uma ação para que o sítio seja recuperado e saia desse abandono”, disse Alexandre Lucas.

Jornal do Cariri

ESPORTIVAS

LONGA CAMINHADA

A diretoria executiva do Guarani ofereceu um jantar à imprensa esportiva, na última segunda-feira. Na oportunidade, apresentou o elenco. O treinador Luiz Carlos Mendes, usou da palavra e prometeu muito trabalho e profissionalismo.Confesso que há muito tempo não via o Guarani tão organizado e trabalhando em conjunto. O conselho deliberativo trabalhando ao lado da diretoria executiva, com certeza os frutos virão. É longa a caminhada em busca da ascensão para a primeira divisão.

TOQUE DE CAIXA

A torcida icasiana foi surpreendida com uma noticia bombástica: os desportistas Zacarias Silva e Kleber Lavor deixariam o Icasa em outubro. Se isso realmente tiver fundamento, o Verdão passará por um momento difícil de transição, pois a toque de caixa, não temos dirigentes com habilidades para gerenciar um time que já tem uma marca muito forte.

SONHO

A taça cidade de São Paulo é o sonho de toda a garotada, mas poucos realizam esse sonho, principalmente os times do interior. O dirigente Kleber Lavor por duas oportunidades, foi vice-campeão da taça cidade de João Pessoa, 2000 e 2001 com o instinto Juazeiro Empreendimentos. Esperamos que no futuro bem próximo, Icasa e Guarani tenham estrutura técnica e financeira para participar da primeira competição do calendário do futebol brasileiro.

PORTO SEGURO

O Verdão do Cariri tem sido o porto seguro para o atacante Marciano, que já defendeu alguns clubes do nosso futebol. Vejamos: teve uma passagem sem nenhum brilho no Ceará. No Coritiba foi destaque. No Brasiliense não teve espaço. Passou pelo Barueri e outros clubes do futebol paulista, nada feito. O atacante disputará o campeonato carioca pelo Macaé que subiu para a primeira divisão. O atleta foi indicado pelo consagrado treinador Antonio Lopes. Boa Sorte, garoto.

PATROCÍNIO

O futebol profissional não é prioridade do poder público, mas virou moda. O Grêmio Barueri é patrocinado pela prefeitura da cidade. Icasa e Guarani não tem total apoio, mas recebem uma contribuição substancial. O presidente do Icasa Zacarias Silva, juntamente com o diretor de esporte Kleber Lavor reuniram-se com o prefeito de Juazeiro e não ficaram satisfeitos com o que foi oferecido, pois o gestor da cidade disse que pagaria apenas viagem e hospedagem. Para um clube que na gestão passada recebia gratificação por vitórias, essa ninharia não representa nada. Sem o patrocínio da prefeitura, os times juazeirenses terão dificuldades.


Coluna esportiva de Cícero Nicássio publicada na edição de hoje, do Jornal do Cariri, terça-feira, 13 de janeiro de 2009.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Histórias do Patrimônio Imaterial de Crato - por Armando Lopes Rafael


São Vicente Ferrer do Crato

Depois da devoção a Nossa Senhora da Penha, um dos santos mais cultuados em Crato é São Vicente Ferrer. Por isso, é interessante relembrar um fato que teria ocorrido, no final do século 19, relacionado com a estátua desse santo, venerada na Igreja-Matriz da Paróquia do mesmo nome, na cidade de Crato. Devemos a preservação da memória desse acontecimento a Irineu Pinheiro, cfe. vê-se no livro “O Cariri”, editado em Fortaleza (CE) em 1950, página 270.
Consta lá:

“É muito antigo o culto a São Vicente Ferrer, no Crato. Em 1788, já havia, ali, um oratório dedicado ao grande taumaturgo espanhol (...) Em 29 de dezembro de 1801, como se pode ver no primeiro cartório do Crato, doou Dona Luiza Joana Bezerra, viúva do capitão Sebastião de Carvalho Andrade, mãe do Padre Pedro Ribeiro da Silva, iniciador da capela de Juazeiro, terras próximas do Crato”, junto à falda da Serra Grande (Araripe) para o patrimônio de “uma capela de pedra e cal” que ela, a doadora, se comprometia a erigir em honra do Senhor São Vicente, com o fim de “beneficiar a alma de seu marido e em favor do bem espiritual de sua pessoa e de outros “pertencentes”.


(Esclarecemos que Luiza Joana Bezerra era a filha mais velha do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, este o construtor da capelinha de Nossa Senhora das Dores, na Fazenda Tabuleiro Grande, origem da cidade de Juazeiro do Norte).
Vamos à página 271, do livro citado.
“No paroquiado do Padre Antônio Fernandes da Silva (1883 a 1892), trouxeram ao Crato, desde a derradeira estação da Estrada de Ferro de Baturité, numa distância de dezenas de léguas, a atual estátua de São Vicente Ferrer, substituta da primitiva, que era pequena. Carregaram-na através dos sertões, num caixão, em ombros de homens, à frente destes o Padre Felix de Moura (...)
“Em menino, ouvi dizer que da povoação de Juazeiro, penúltima etapa da viagem, até o Crato, viu-se no céu uma estrela a acompanhar a imagem, nos treze quilômetros que medeiam entre as duas localidades caririenses. Era a lenda que ia se formando em torno do Santo, pensava eu. Mas, depois, verifiquei haver algo de verdade na versão do povo. Uma vez, em Juazeiro, a passeio visitei a boa velhinha Teresa do Padre Cícero, assim chamada por ter sido criada em casa do famoso sacerdote, considerada pessoa da família por sua bondade e dedicação, e ela, no correr da conversação, disse-me quase textualmente: “Dormiu aqui, em Juazeiro, na capela, o caixão em que veio São Vicente. Sinhozinho (era assim que ela tratava o Padre Cícero), Sinhozinho e o Padre Felix convidaram o povo para levá-lo ao Crato, na madrugada seguinte. Bem cedo, inda escuro, postei-me na Rua Grande, onde morava e moro hoje, num terreno vago, do lado nascente, e aguardei a passagem do préstito. Ao aproximar-se o caixão, ao lado os dois padres, vi sair entre a igreja e a casa que lhe ficava mais próxima, uma luz muito brilhante que voou rápida em busca do santo. Não pretendia eu ir ao Crato, mas, em vista do prodígio, corri até minha casa, pus, às pressas, um chale à cabeça e encorporei-me no cortejo que era numeroso”.
E conclui Irineu Pinheiro:
“Estimaram-na todos que conheceram à velhinha Teresa, morta há alguns anos nonagenária, sempre tida por absolutamente fidedigna”.
Que a luz de São Vicente Ferrer continue a brilhar neste vale do Cariri, de modo especial na cidade de Crato, onde ele é particularmente venerado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Nomeado novo bispo para Iguatu



O papa Bento XVI anunciou, nesta quarta-feira, 7, o nome do novos bispo da Diocese de Iguatu. Trata-se de Frei João José Costa, da Ordem Carmelitana (foto ao lado). Ele substituirá a Dom José Doth de Oliveira,70 anos , que solicitou sua renúncia antes de completar os 75 anos,devido a problemas de saúde. Dom José Doth sofre do Mal de Alzheimer.
A diocese de Iguatu teve seu território desmembrado da diocese de Crato em 1961. (Na foto abaixo a Catedral de São José, de Iguatu, construída por Dom José Doth).



Quem é o novo bispo

Dom Frei João José da Costa, 50 anos, é sergipano da cidade de Lagarto. Ingressou na Ordem dos Carmelitas em 1982, na cidade de Camocim de São Felix (PE), onde também fez o noviciado (1985) e sua profissão simples (1986). Cursou a Filosofia no Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Brasília. Iniciou o Curso de Teologia no Instituto Teológico São Paulo (ITESP), na capital paulista, mas o concluiu em Recife, no Instituto Franciscano de Olinda (IFTO). Foi ordenado padre em 1992.
Dom Frei João José da Costa foi Conselheiro Provincial dos carmelitas, em 1993, enviado para o Convento de São José, de Princesa Isabel (PB), sendo nomeado administrador paroquial das paróquias Divino Espírito Santo, em Manaíra (PB) e Santa Teresinha, em Juru (PB). Em 1999 foi eleito Provincial da Ordem, sendo reeleito em 2003. Atualmente, é Conselheiro e Prior do Convento do Carmo de São Cristóvão, em Sergipe, e presta assistência espiritual na Fazenda da Esperança, em Lagarto (SE).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009



Vereadores de Crato continuam devendo uma homenagem a Dom Vicente Matos
por Armando Lopes Rafael

Foram muitas as cobranças. Igual foi o número as decepções. Até hoje a Câmara de Vereadores de Crato não denominou uma rua desta cidade como “Dom Vicente de Paulo Araújo Matos”.
No dia 6 de dezembro passado completaram-se dez anos da morte de Dom Vicente. A data, felizmente, foi lembrada pela Diocese de Crato. Atendendo pedido do nosso querido bispo diocesano, Dom Fernando Panico, o Cura da Sé, Padre Edimilson Neves, construiu uma capela mortuária na Catedral de Nossa Senhora da Penha para onde foram transladados – naquele dia – os restos mortais de Dom Vicente, juntamente com os despojos de Dom Quintino e Dom Francisco. Como se vê a comunidade cratense não deixou a data passar em branco. Já os nobres vereadores continuam fazendo “ouvidos moucos” ao clamor da população que exige uma homenagem pública ao maior benfeitor de Crato.
Nenhum outro homem deixou tantos benefícios ao Crato como Dom Vicente Matos!
Ainda muito jovem, com 37 anos, ele chegou, em 1955, à Cidade de Frei Carlos, como bispo auxiliar de Dom Francisco. E daqui só saiu em 1992, após renunciar ao cargo de Bispo de Crato. Foram 37 anos de trabalho, doação, vitórias e sofrimentos vários...
Era um gigante aquele bispo! Deve-se a ele a criação do Instituto de Ensino Superior de onde veio a Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri. Depois Dom Vicente criou a Rádio Educadora do Cariri, a Empresa Gráfica Ltda. (que por longos anos editou o jornal “A Ação”), o Colégio Madre Ana Couto com seu imponente prédio onde hoje funciona a Faculdade Católica do Cariri, o Colégio Pequeno Príncipe.
Todos os sindicatos rurais do Sul do Ceará foram criados por Dom Vicente, A ele deve-se também a Fundação Padre Ibiapina, a Organização Diocesana de Escola Radiofônicas, a Escola de Líderes Rurais–ELIRUR, o Centro de Expansão no bairro Granjeiro, e a Vila Jubilar. Durante seu episcopado criou 18 paróquias e ordenou 37 sacerdotes. E fez ainda tantos bens que o espaço seria insuficiente para enumerá-los...
Conversando, outro dia (sobre a ingratidão do Crato para com a memória de Dom Vicente Matos) com Monsenhor José Honor de Brito, ele disse:
–O Crato está mostrando que não é digno de ter uma rua com o nome de Dom Vicente Matos!
Falou e disse!
E eu endosso as palavras dele...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Denúncia publicada no "Diário do Nordeste"

Geopark Araripe pode perder selo da UnescoFormatação
Maristela Crispim
Repórter

Se o Governo não dotar o Geopark Araripe de infraestrutura para acesso e visitação, ele pode perder seloFortaleza. Contendo provas inequívocas da existência de um continente ancestral (Gondwana), conforme as pesquisas do alemão Gero Hillmer, o Geopark Araripe continua sendo o único, dentre 59 os geoparks no mundo, localizado nas américas, assim como no Hemisfério Sul.Mas, como planos, projetos, promessas e divulgação não garantem a preservação do patrimônio, o Estado deve ser submetido, em 2009, a nova avaliação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e, não preenchendo os requisitos, pode perder o selo Geopark.
O reconhecimento internacional ainda carece do equivalente local, no que diz respeito a investimentos concretos para a garantia da preservação desse grande patrimônio geológico presente na Bacia Sedimentar do Araripe.Passados dois anos da oficialização do Geopark Araripe, pela Unesco, as ações para a sua concretização ainda permanecem no campo das promessas governamentais. Essa é a avaliação do curador do Plano de Divulgação do Geopark, arquiteto José Sales.O Governo do Estado do Ceará, por sua vez, garante que o Geopark Araripe — por coincidir geograficamente com o Projeto de Desenvolvimento Econômico Regional do Ceará -Cidades do Ceará - Cariri Central, ligado à Secretaria das Cidades, — é sim prioridade.
A coordenadora do Cidades do Ceará - Cariri Central, Emanuela Monteiro, explica que os três principais eixos de investimentos previstos ao longo dos próximos cinco anos, partindo de 2009, são: infra-estrutura, apoio ao setor privado e fortalecimento institucional (garantia de sustentabilidade).No caso do Geopark Araripe, destaca, há um “caldeirão de possibilidades” redescoberto nos últimos seis meses, com um projeto amplo de desenvolvimento regional, considerando as duas atividades-chave: turismo e calçados; com previsão de abranger Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e mais seis municípios: Santana do Cariri, Nova Olinda, Farias Brito, Caririaçu, Missão Velha e Jardim.“Com características ímpares, o parque abre essa possibilidade de incorporar o setor produtivo”, explica.
Dentro do Programa Estadual do Geopark, segundo Emanuela Monteiro, a distribuição de responsabilidades está sendo incorporada, com reuniões constantes.A Universidade Regional do Cariri (Urca) continua sendo a gestora oficial, incluindo pesquisa e extensão. Mas a mobilização geral fica com a Secretaria das Cidades.Estão distribuídas entre órgãos afins, ações como gestão e educação ambiental; sensibilização da comunidade; apoio à atividade turística e animação cultural; comunicação e divulgação; integração das atividades econômicas; governança, construção de parcerias e alavancamento de negócios; assim como estruturação física dos geotopes ou geosítios (acesso e infraestrutura local); manutenção; e também segurança.O diagnóstico está entre as primeiras medidas. A prioridade dos investimentos está no plano de negócios, sinalização e identidade visual, construção de sede (já licitada) e estruturação de um geotope piloto.
Também estão previstas ações complementares, como a construção do Centro de Eventos e Cultura do Cariri, no Crato, com licitação prevista para o primeiro semestre de 2009.Adicionalmente, conforme Sales, até o fim do primeiro semestre, o Museu Paleontológico da Universidade do Vale do Cariri (Urca), em Santana do Cariri, deve reabrir suas portas ampliado e reestruturado.Ele informa que a exposição, até a semana passada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, migra para o Centro de Arte e Cultura do Bom Jardim. Também já há convite para que circule por outras capitais e por Boston (EUA).
FIQUE POR DENTRO
Riqueza incalculável sob solo cearense
Geopark é um território protegido, importante pelos valores geológicos, paleontológicos, arqueológicos, ecológicos e culturais. O objetivo é dar visibilidade a essa riqueza e estimular o desenvolvimento da pesquisa, do turismo e da cultura regionais. O que chama a atenção, no caso da Bacia do Araripe, é o estado de conservação dos fósseis. Os exemplares são tão preservados que é possível, em alguns casos, identificar o conteúdo estomacal dos animais, sendo possível fazer a reconstituição de cadeias alimentares de 110 milhões de anos atrás.
DESCASO COM O PATRIMÔNIO
Sinais de abandono crescem nos geotopes
Fortaleza. O Geopark Araripe é composto por uma rede de monumentos naturais, selecionados por conter os registros mais relevantes da formação geológica da região, essenciais para a compreensão da evolução do planeta. Sua missão principal é preservar esses patrimônios naturais e divulgar a história da Terra por seus registros geo-paleontológicos, missão esta que ainda carece de muitos investimentos.Dos nove geotopes — Exu, Arajara, Santana, Ipubi, Nova Olinda, Batateira, Missão Velha, Devoniano e Granito — três ficam no município de Santana do Cariri, considerado capital paleontológica do Brasil e que também abriga o Museu Paleontológico da Universidade Regional do Cariri (Urca); outros dois ficam em Missão Velha e os demais, em Nova Olinda, Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte.
Quando a reportagem do Diário do Nordeste esteve na região, com o objetivo de fazer o caderno especial, publicado em outubro de 2007, alguns destes locais já apresentavam sinais de abandono e depredação. Mas, o tempo passou e, sem ações concretas, os problemas se agravaram.Só para citar algumas situações: o processo de favelização, na Colina do Horto, em Juazeiro do Norte, avança sobre o geotope Granito; os marcos, na cachoeira de Missão Velha, que identificam o geotope Devoniano, foram integralmente depredados. Por fim, ambientalistas não conseguem cochilar sem que uma nova agressão à nascente e entorno do Rio Batateira, no Crato, ponha aquele ecossistema em risco.Esse abandono, além de ameaçar a integridade desses patrimônios naturais, afugenta potenciais turistas, que não vêm atrativos ou segurança para permanecerem naqueles locais e afugenta também os investimentos que a região atrai, em função, principalmente, do turismo e da pesquisa relacionada à Paleontologia, Geologia, Arqueologia e outros.
AMPLIAÇÃO
Proposto Complexo da Ibiapaba
Fortaleza. A Bacia do Araripe está totalmente contida na ecorregião do Complexo da Ibiapaba, que inclui as chapadas do Araripe e da Ibiapaba, se estendendo pelo Piauí, com uma dimensão de 70 mil quilômetros quadrados. Do ponto de vista territorial, a Mesorregião do Araripe integra, além do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí, formando a figura de um “Y” invertido.Este contexto inclui aproximadamente 20 unidades de conservação, que potencializam integração regional visando a proteção e conservação ambiental. Como curador do Plano de Divulgação do Geopark Araripe, José Sales alimenta o sonho de ver os geotopes ampliados por toda esse complexo de serras.A Bacia do Araripe, nos limites geográficos do Ceará, Pernambuco e Piauí, ocupa cerca de dez mil quilômetros quadrados. Ela contém traços da ruptura entre a América do Sul e África (continente primaz Gondwana), ocorrida há 120 milhões de anos, dando origem aos continentes do Hemisfério Sul, África, Oceania e também ao Oceano Atlântico, em sua porção Sul, conforme destaca, em seus estudos, o pesquisador alemão Gero Hillmer, que, com os pesquisadores Alexandre Sales e André Herzog publicou, em 2008, o livro “O Geopark Araripe/Ceará: uma pequena evolução da vida, rochas e continentes”, respectivamente na Alemanha e no Brasil.

domingo, 4 de janeiro de 2009



Roberto Campos, o incompreendido


por Armando Lopes Rafael

“A idéia de “esquerda” e “direita” desgastou-se a tal ponto que hoje só serve para fins obrigatórios, isto é, para acusar de “politicamente incorretos” aqueles que são a favor do que julgamos ‘correto’.” – Roberto Campos.

Há nove anos – no dia 9 de outubro de 2001 – morria Roberto Campos. Diplomata (foi embaixador do Brasil em Washington e Londres) economista, político (foi senador, deputado, ministro) e um dos homens mais inteligentes entre os nascidos neste Brasil.
Menino pobre nascido em Mato Grosso, Roberto Campos foi seminarista, diplomou-se em Filosofia e Teologia, mas, vendo que não tinha vocação religiosa deixou o Seminário. Fez mestrado em Economia na Universidade George Washington e estudos complementares na Universidade de Columbia, em New York. Ingressou em 1938, no Itamaraty onde foi brilhante diplomata de carreira.
A maioria dos jovens brasileiros não o conhece. Nunca ouviu falar nele. Mesmo os mais maduros – incluindo aí os têm formação universitária – desconhecem que foi Roberto Campos quem criou o Banco Central, o BNDES, o FGTS e o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Como escritor – pertencia à Academia Brasileira de Letras – ele deixou, dentre outras, uma obra, “Lanterna na Popa”, com 1.415 páginas.
Mas, uma virtude nele me chamava a atenção: a de visionário. Anos antes da falência do socialismo na União Soviética e nos regimes da Cortina de Ferro, Roberto Campos já previa o fracasso da economia estatizada e defendia para o Brasil a abertura do mercado, a privatização de muitas estatais deficitárias e superadas em relação às concorrentes da iniciativa privada.
A queda do Muro de Berlim provou – anos mais tarde – que ele tinha razão. Mas, naqueles anos, o “Patrulhamento ideológico”, no Brasil, era ainda mais forte do que hoje. (Patrulhamento Ideológico é o policiamento feito nas redações de jornais, revistas, emissoras de televisão, sites da Internet e universidades públicas contra matérias que venha contestar as idéias da velha esquerda. Esse patrulhamento existia – e ainda existe – em órgãos onde predomina uma maioria que não se conforma com a liberdade de expressão (garantida na nossa Constituição) e assim boicotam matérias de outras pessoas que pensam diferente de idéias preconcebidas e superadas no tempo e no espaço.
Nas décadas 60, 70 – em face do “Patrulhamento Ideológico” – Roberto Campos tornou-se a “opção preferencial” das esquerdas que só o chamavam de “Bob Fields”. Sobre isso ele costumava dizer: "São três as raízes da nossa cultura: a cultura ibérica, que é a cultura do privilégio; a cultura africana, que é a cultura da magia; e a cultura indígena, que é a cultura da indolência. Com esses ingredientes, o desenvolvimento econômico é uma parada..."
Mesmo assim, arrostando incompreensões, Roberto Campos tornou-se o principal ideólogo neoliberal do Brasil.
Sua última aparição pública foi na votação do impeachment do Presidente Collor. Roberto Campos chegou, numa maca de hospital, pois já estava bastante debilitado, atendendo ao pedido do seu amigo pessoal Ulysses Guimarães, que afirmou: – “seu voto será um voto moral. Muitos o acompanharão em respeito a sua coerência”. Roberto Campos depois diria: “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal."
Pertinho da morte, Roberto Campos escreveu: “O imbecil é aquele que nunca muda. Mudei e aprendi. Muitos dos meus críticos nem mudaram nem aprenderam".

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A "contra-história" do Brasil

Qualquer pessoa – medianamente informada – observa que certos meios de comunicação, as universidades públicas e boa parte dos livros didáticos passaram a divulgar uma “contra-história” do Brasil.
Na visão de alguns historiadores, o que tivemos durante o período de colonização foi unicamente a exploração do nosso povo pelas “classes dominantes”. Alguns dos gloriosos episódios e boa parte dos grandes personagens da nossa história – tão decantados pelas gerações passadas – estão servindo agora apenas para um sentimento de culpa da nossa juventude, esta entregue à sanha desses maus brasileiros, fanáticos defensores da luta de classes.
O assunto é amplo e não pode ser esgotado num curto artigo como este.
Entretanto, gostaria de transcrever um pequeno texto de entrevista concedida pelo príncipe dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial Brasileira, que confirma o preâmbulo acima.

“Nossa história oficial vem sendo reescrita segundo os cânones de desgastadas correntes materialistas. E milhões dos nossos jovens são submetidos, a cada dia, ao ensino de uma “contra-história”. Aos poucos, através de hábeis artifícios psicológicos e propagandísticos, o brasileiro vai perdendo a legítima ufania de sua brasilidade.
Os brasileiros, deixando de estimar devidamente seu próprio País, estão sendo levados a se submeter, mais cedo ou mais tarde, às imposições provindas de qualquer organismo internacional, como se fossem a salvação da nossa Pátria. O Brasil acabaria por se envergonhar daquilo que os outros nos invejam”.

A quem interessa a disseminação dessa “contra-história”, que se alastrou também no cinema, na imprensa e na televisão? Tomemos um único exemplo. Todos sabem da exagerada proteção que as leis brasileiras garantem aos índios.
Basta dizer que – sem incluir a recente e discutida demarcação da Reserva Indígena Raposa-Serra do Sol – 350 mil índios brasileiros já ocupavam “reservas” que totalizam 95,8 milhões de hectares, perfazendo 11,34% do território nacional. Algo maior do que todo o território da França para uma população menor do Crato e Juazeiro do Norte juntos.
Os livros didáticos dos defensores da “contra-história” só apresentam o colonizador português (aí incluídos os missionários católicos) como “destruidores da natureza” e “opressores dos inocentes e inofensivos índios”. Ora, esses índios de “inofensivos” não tinham nada. Todos os historiadores do passado são unânimes em dizer que os indígenas eram belicosos, praticavam a antropofagia, possuíam escravos, depredavam a natureza, eram nômades, praticavam toda sorte de promiscuidade moral, inclusive matando os recém-nascidos portadores de defeitos físicos.
Pois bem, a “contra-história” apresenta os portugueses unicamente como “classe dominante” e os índios como” inocentes vítimas”. È isto que vem sendo passado para as novas gerações. E estas já chegam a ter vergonha de serem descendentes desses “bárbaros”. Este complexo de culpa está levando os brasileiros de hoje a aceitarem pacificamente a criação de territórios estrangeiros na Amazônia com o objetivo de “preservar a cultura indígena e evitar a destruição da natureza.”.
E assim, uma das maiores reservas minerais do mundo deixaria de pertencer ao Brasil, pois seriam usurpadas por organizações estrangeiras... Com o apoio de certa mídia e dos “inocentes úteis” que foram contaminados pela “contra-história” pregada pelos meios de comunicação, universidades públicas e livros didáticos...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O 1º de janeiro de 2009 pelo mundo...

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Cuba tem festa discreta no 50º aniversário da revolução

Comemorações são marcados por filas para comprar carne e para obter cidadania espanhola
Lourival Sant'Anna, HAVANA O Estadao de S.Paulo
Fustigados pelas dificuldades econômicas, agravadas pela passagem de três furacões este
ano, os cubanos se preparam sobriamente para as celebrações do ano-novo e do 50º aniversário da revolução socialista. As duas maiores novidades são o aparecimento de carne bovina nos açougues estatais e a concessão de nacionalidade espanhola aos filhos e netos de exilados da ditadura franquista.O governo argentino fez a Cuba uma doação de carne, que foi moída e distribuída aos açougues. Como os demais produtos subsidiados, a venda da carne é marcada na caderneta da família. Cada pessoa tem direito a meio quilo, a 5,25 pesos (US$ 0,26).
Segundo os cubanos, há pelo menos duas décadas não se via carne de boi nos açougues estatais. Tradicionalmente, os cubanos comem pernil na ceia de fim de ano. Mas aqueles que ainda não tinham comprado sua cota de carne bovina faziam filas ontem nos açougues. "Ninguém sabe quando vai ter carne de novo", disse o funcionário de um açougue em Havana Velha. E a durabilidade da carne é ameaçada porque, segundo o açougueiro, em 60% dos açougues a câmara de refrigeração não funciona, por falta de manutenção do governo.
O açougueiro disse que ele mesmo consertou a do açougue em que trabalha, da marca americana Fresco, anterior à revolução. Para poupá-la, ele a mantém ligada apenas das 13h às 16h, quando o calor aperta, e durante a noite. Nos supermercados estatais de moeda forte, 1 quilo de carne é vendido a proibitivos 9,50 CUCs, ou US$ 11,87.Muito maior que a dos açougues foi a fila em frente ao consulado espanhol, depois da aprovação da Lei de Memória. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha estima que 100 mil cubanos tenham direito à nacionalidade espanhola, por essa nova lei.
Cerca de 3 milhões de cubanos vivem no exterior, e são a principal fonte de divisas do país. Com exceção dessas pequenas alegrias, as celebrações são marcadas pelo tom circunspecto do discurso do presidente Raúl Castro no encerramento dos trabalhos do Parlamento, no sábado. Raúl, que dirige o país desde julho de 2006 - quando seu irmão, Fidel, ficou doente, foi formalizado no cargo em fevereiro, e anunciou mais rigor no cumprimento das leis.Os cubanos comuns interpretam a mensagem prevendo mais repressão à economia informal, que irriga os orçamentos domésticos com CUCs, a moeda forte, que equivale a US$ 1,25 e a 25 pesos. Só com CUCs podem comprar o que não encontram nos armazéns estatais de moeda nacional.
Raúl anunciou ainda a eliminação dos estímulos dados aos trabalhadores em moeda forte - entre 10 e 20 CUCs (US$ 8 e US$ 16) - que alguns deles recebem além dos salários, que giram entre 200 e 600 pesos (US$ 10 e US$ 30).
Por causa do prejuízo causado pelo furacão, de US$ 10 bilhões, ou 20% do PIB cubano, não haverá desfile militar nem festa para lembrar o aniversário da Revolução. A data será lembrada com um discurso de Raúl, no dia 1º, em Santiago de Cuba, a leste da ilha, na sacada da prefeitura da cidade, de onde seu irmão Fidel anunciou a vitória da revolução, em 1959.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Meio século de ditadura da dinastia Castro



Che Guevara: uma máquina fria de matar

A fama de assassino de Che não começa em La Cabana: inicia-se na Sierra Maestra, onde ele fuzilou dezenas de cidadãos, considerados desafetos dele

Mesquinho, rancoroso, arrogante, tirânico, vingativo, ardiloso, maquiavélico, violento, fanático, sanguinário. Estas são as lembranças de alguns dos companheiros mais próximos de guerrilha atribuídos a Che Guevara e que foram traídos por ele. Che é outro mito criado pela revolução cubana e que é propaganda de grife dos comunistas latino-americanos e do mundo em geral. É uma espécie de culto religioso.
O retrato de Korda, quase o idolatrando como uma espécie de Cristo revolucionário não combina com a realidade do que foi Che Guevara: um paladino da violência ilimitada, do radicalismo primário, do terror em massa da população. Nas palavras de Régis Debray, “partidário de um autoritarismo implacável”, era notório admirador de Lênin, Stálin e, posteriormente, Mao Tse Tung. Em uma carta de 1957 a um amigo, dizia: “Pertenço, pela minha formação ideológica, àqueles que acreditam que a solução dos problemas desse mundo se encontra por detrás da cortina de ferro”(...). Ou seja, Che Guevara era apologético do regime soviético, que esmagava os ventos de liberdade política com os tanques soviéticos na Hungria e em outros lugares do Leste Europeu.
A fama de assassino de Che não começa em La Cabana: inicia-se na Sierra Maestra, onde ele fuzilou dezenas de cidadãos, considerados desafetos dele. Um caso em particular até hoje é controverso: um camponês chamado Eumidio Guerra, que lutava com os guerrilheiros em Sierra Maestra, tornou-se suspeito de ser espião de Batista. Todavia, uma boa parte dos companheiros de guerrilha não tinha certeza do caso e achavam que o indivíduo era inocente. Discordando de todo o resto, Che executou sumariamente o camponês. E ainda disse: “em caso de dúvida, matem”. Outros crimes também são atribuídos a Che: o de que ele também teria matado pessoalmente um de seus comandados que havia roubado um prato de comida.
A maneira como Che tratava tanto seus subordinados, como seus inimigos era mal vista por muitos guerrilheiros da campanha, entre os quais, Jesus Carreras e Huber Matos. Quando ele tomou a cidade de Santa Clara, abriu novos pelotões de fuzilamentos sumários de soldados e oficiais capturados na cidade.Em janeiro de 1959, Che Guevara foi escolhido como promotor geral da “comissão depuradora” de crimes do regime de Batista, na fortaleza de La Cabaña.
Na prática, porém, o que se viu foi um verdadeiro expurgo do exército e da guarda de Cuba, prendendo e fuzilando aleatoriamente por vingança supostos desafetos. Entre a maioria dos indivíduos fuzilados em La Cabana não havia nenhuma prova de que fossem torturadores ou assassinos do exército de Batista.
Na verdade, o critério de julgamento sumário de Che e mesmo a avaliação dos réus tinham como única culpa o simples fato de alguém ter pertencido ao exército cubano antes de 1959 ou, no mínimo, mostrar qualquer sinal de dissidência ao processo revolucionário em pauta.
Essa sina de assassino não poupou posteriormente, nem mesmo os antigos amigos de farda que discordavam da revolução comunista que grassava em Cuba. Dois casos são escandalosos, dentre muitos: o primeiro, foi a execução do tenente Castaño, membro do serviço de inteligência do exército cubano. Preso, o oficial foi executado sem ter cometido crime algum. Outro caso foi de um jovem adolescente que pichou um muro com críticas a Fidel Castro. Uma mulher procurou Guevara pedindo que libertasse o rapaz, porque em alguns dias, ele seria executado. O guerrilheiro simplesmente abreviou a situação: mandou executar sumariamente o rapaz e ainda disse que queria poupar a mulher da espera de tanto sofrimento.
Essa sina de assassino não poupou posteriormente, nem mesmo os antigos amigos de farda que discordavam da revolução comunista que grassava em Cuba. Os expurgos contra o exército e a sociedade civil, atingiram até os velhos camaradas de Sierra Maestra, a maioria presa, exilada ou fuzilada. Atribui-se a Che a criação de campos de concentração de prisioneiros políticos, imitação típica dos campos de reeducação ideológicos chineses e vietnamitas.
Milhares de pessoas foram presas e torturadas nestes campos. Como ministro da economia de Cuba, mostrou-se inepto: subjugando a economia às suas utopias desastrosas, conseguiu arruinar as finanças do país e quebrar o Banco Nacional de Cuba. Para buscar eficiência, impôs à população um regime de trabalhos compulsórios, inclusive, abolindo o domingo para descanso. Qualquer negativa a esse tipo de ação arbitrária poderia causar a infeliz a pecha de contra-revolucionário e ser preso ou morto. Sedento de violência, vai para a África e apóia Laurent Kabila, um homem que anos depois, causou verdadeiros massacres no Zaire e rebatizou o pobre país como República Democrática do Congo, sem antes impor uma sanguinária ditadura.
Ao arriscar um foco de guerrilha na Bolívia, é capturado pelo exército boliviano e assassinado, em 1967.

1º de janeiro de 2009


Meio século da mais antiga e sanguinária ditadura do continente americano

Dedicado aos dois pugilistas cubanos que, nos últimos Jogos Pan-americanos, pediram asilo ao Brasil – mas foram covardemente devolvidos à ditadura da dinastia Castro pelo atual governo
brasileiro – e aos milhares de presos políticos que padecem,neste momento, nas masmorras do sanguinário regime


O genocídio físico e espiritual de um povo diante da indiferença, quando não da cumplicidade, de muitos dirigentes ocidentais

O Gulag de Fidel

O dia 1o de janeiro de 2009 assinala o 50o aniversário do nefasto regime comunista de Cuba, a ilha-cárcere do Caribe. Quando Castro tomou o poder, em 1959, Cuba era uma ilha caribenha governada por um ditador e com a economia movida pelos dólares do turismo, do mercado negro, da prostituição e da exportação de cana-de-açúcar. Meio século depois, Cuba continua sendo uma ilha caribenha governada por um ditador e com a economia movida pelos dólares do turismo, do mercado negro, da prostituição e da cana.
O saldo da revolução cubana não podia ser mais desolador: 15 mil fuzilados no "paredón". Mais de 1 milhão de cubanos exilados nos Estados Unidos, no que é considerada a maior diáspora dos tempos modernos. 400 mil cubanos passaram pelos cárceres e campos de concentração como prisioneiros políticos. Dezenas de milhares afogados no mar ao tentar fugir do comunismo em direção a Florida-EUA. . Em Miami em fevereiro, foi inaugurado por exilados cubanos, um Memorial para 30 mil vítimas da ditadura de Fidel Castro. Tem mais: Cuba detém os mais altos índices de suicídios e abortos do Hemisfério. Miséria material, devido à ineficiência do regime socialista. Não existe liberdade de imprensa. Para se deslocar para outra cidade com mais de 10 Km o cubano tem de obter um visto da polícia dos irmãos Castros.
Durante décadas, Fidel Castro patrocinou – com dinheiro da União Soviética – a exportação do modelo da fracassada e sangrenta revolução cubana para a América Latina e África, que, aliás, redundou em grande fracasso...
Economicamente, o saldo da ditadura cubano também é negativo. Sob outra ditadura, a de Fulgencio Batista, Cuba era conhecida como "o bordel dos Estados Unidos", por causa dos cassinos e das prostitutas. A economia do país vivia disso e da monocultura da cana-de-açúcar. A Cuba de Batista detinha o quarto maior produto interno bruto da América Latina. No último dado disponível, de 1998, Cuba havia caído para o 15° lugar. Apesar do pesado subsídio da União Soviética, que chegou ao auge a 8 bilhões de dólares por ano, Fidel falhou em criar uma economia tutelada pelo Estado.