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domingo, 11 de outubro de 2009

Juazeirense recebe a medalha Boticário Rerreira

Matéria Enviada por Renato Casimiro


Crédito: Diário do Nordeste

Na próxima terça feira, dia 13 de outubro, no Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, o juazeirense Alexsandro Sobreira Galdino receberá a maior comenda da municipalidade, a medalha Boticário Ferreira. Ele possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (2000). Na sua formação de biólogo, Alexsandro foi aluno de 4 juazeirenses: Elizabeth Barbosa, Margarida Barros, Thales Grangeiro e Renato Casimiro. Cursou mestrado em Bioquímica pela Universidade Federal do Ceará (2002), doutorado em Biologia Molecular na Universidade de Brasília (2008) e atualmente está fazendo Pós-doutorado na Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Biologia Molecular com ênfase em Genética Molecular de Microrganismos, atuando principalmente nos seguintes temas: expressão heteróloga em bactérias e leveduras, modificação genética de microrganismos para conversão de biomassa em etanol e produção de enzimas industriais. Bolsista de Pós-doutorado Empresarial do CNPq. Da sua vasta produção intelectual ele tem artigos publicados em conceituadas revistas de Fortaleza, Brasília, Goiânia, Ribeirão Preto, São Paulo, Madrid, Valência, Hannover e New York. O extenso currículo mostra a trajetória bem sucedida do jovem inventor que aos 31 anos conseguiu destaque na comunidade científica. Recentemente recebeu o prêmio de Jovem Inventor de 2008, com o invento "Levedura modificada para produção de etanol a partir do amido".

Sobre a sua pesquisa, ele informa que “atualmente o etanol é extraído da cana que é um vegetal abundante em açúcar. A levedura se alimenta dos açúcares e a partir desse processo ocorre a fermentação, produzindo em seguida o álcool. A mandioca tem como elemento principal o amido, algo que não é facilmente degradado. As cadeias de glicose presente no amido só conseguem ser rompidas por enzimas que não existem na levedura. Então surge a necessidade de manipular geneticamente o microrganismo, para que possa possuir as enzimas essenciais para o processo de sacarificação e fermentação do amido. Para conseguir extrair etanol a partir do amido de mandioca era imperativo manipular a levedura. É possível trabalhar a levedura para conseguir sua adaptação à necessidade do amido de mandioca. Podemos manipular geneticamente a levedura para que ela carregue informação genética. Então surge a idéia e inserir dois genes de outros microrganismo na levedura. O processo começou com a descoberta de um microrganismo do cerrado. O gene dessa levedura, a alfa-amilase, foi retirado com o objetivo de produzir a enzima que romperia as moléculas de glicose do amido no meio da cadeia. O microrganismo modificado foi colocado numa placa, onde contém amido como fonte de carbono. O momento mais esperado pelo cientista era a formação do halo de hidrólise, um círculo branco que indicaria a alimentação da levedura, o que significaria também sucesso nessa etapa do processo. A primeira vez que vi o halo de hidrólise, minha mão tremeu e imediatamente fui mostrar ao meu orientador. Com o sucesso da primeira etapa, tomei a levedura alterada geneticamente e testei-a com o gene extraído do fungo Aspergillus awamori. O gene glicoamilase é a enzima que complementa o processo de rompimento das moléculas de glicose do amido, pois as rompe pelas extremidades, ao contrário da alfa-amilase que as quebra pelo o meio. Em seguida, testei outro procedimento, que é inserir os dois genes ao mesmo tempo, o que gera mais rapidez no processo. A alfa-amilase age primeiro, rompendo a cadeia de moléculas pelo meio, abrindo caminho para o trabalho da glicoamilase que finaliza o processo quebrando as extremidades. Para ilustrar o procedimento, recorri a uma descrição bem didática. O caldo feito do amido de mandioca é grosso, viscoso, mas ao colocar as enzimas produzidas por microrganismos geneticamente modificados, esse caldo afina imediatamente, o que significa o rompimento das moléculas de glicose do amido.” Galdino aponta que os dois álcoois produzidos a partir da cana e da mandioca geram menos resíduos da queima do que um combustível de petróleo. “Segundo o protocolo de Kyoto o etanol produz menos resíduos que os derivados de petróleo”, diz. Entretanto, em relação ao impacto ambiental entre os dois vegetais, o cientista destaca o processo da colheita. “Na colheita da cana tem que levar em consideração a queimada da cana. Após a queimada haverá demora em reutilizar o solo, pois tem que adquirir determinados componentes nutricionais para que qualquer vegetal seja plantado ali” explica Galdino. Ao contrário da mandioca que pode ser plantada junto com monocultura como o feijão. Na mandioca existem determinadas bactérias fixadoras de nitrogênio que ficam no tubérculo. Essas bactérias ficam acumuladas quando as mandiocas são puxadas do solo. Assim, as bactérias vão fixar nitrogênio suficiente para outras plantações como o feijão, podendo inclusive, intercalar as plantações. Isso não é possível com a plantação da cana, em virtude da sua exigência nutricional, o custo é alto. O etanol da mandioca pode aumentar o volume de álcool, é o que acredita Galdino. O etanol tradicional, originado da cana, sofre com a sazonalidade da sua matéria prima. A cana de açúcar é plantada e colhida durante parte do ano, depois ela passa por uma entressafra de cinco a seis meses. Nesse período não há produção de etanol e a diferença pode ser medida pelos preços nas bombas que sobre consideravelmente. “Ao contrário da cana de açúcar, a mandioca não sofre com a entressafra, portanto pode incrementar a produção do etanol”, enfatiza o estudante. Contudo, Galdino ressalta que o papel do álcool de mandioca não é concorrer com o etanol da cana. Pelo contrário, o objetivo é complementar, evitar a redução na produção de álcool no período da entressafra da cana. “Para ser um grande exportador de etanol, o Brasil tem que procurar outras fontes alternativas para poder incrementar a produção”, avalia Alexsandro Sobreira Galdino.

sábado, 10 de outubro de 2009

TV Verdes Mares Cariri é mais uma locomotiva que puxa o progresso da região


Por Carlos Rafael Dias


A TV Verdes Mares Cariri, com apenas dez dias no ar, já faz parte do cotidiano da população das regiões que atinge (Cariri Cearense, Inhamuns, Centro-Sul e do Vale do Jaguaribe), quase a metade do Estado do Ceará.



Mesmo considerando ser aquém do desejado e necessário, o pequeno espaço dedicado à região, através da programação jornalística, vem sendo preenchido com muita competência e profissionalismo.
Destaque para o jornalista cratense Paulo Ernesto, apresentador da parte local do Jornal do CETV, que lidera uma pequena, porém profícua equipe de repórteres. As matérias veiculadas sobre a região do Cariri e adjacências prima pelo bom gosto e são voltadas, principalmente, para os problemas vividos pela população. Essa postura, decerto, está causando um positivo incômodo nas autoridades e nas instituições responsáveis pelo desenvolvimento, bem-estar e segurança coletivo.
Vida longa à TV Verdes Mares Cariri.

O chefe do mensalão já opera 2010

Fonte: VEJA
Cassado, José Dirceu deixa em segundo plano seus negócios meio privados, meio estatais para mergulhar de cabeça na campanha presidencial de Dilma Rousseff

DEBAIXO DO PANO
Dirceu voltou, e com ele o estilo de fazer política partidária. Para conseguir o que deseja, vale ameaçar e intimidar. Dirceu se empenha agora em forçar Ciro Gomes a abandonar a corrida para o Planalto. Diz Ciro: "Não prosperou porque estou convencido de que devo disputar a Presidência"

Desde que se revelou seu papel de mentor e operador do escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu teve cassados seu mandato de deputado federal e suspensos seus direitos políticos. Com os dedos, foram-se os anéis. Ele perdeu suas credenciais de principal coordenador das ações políticas do governo. Afastado oficialmente do núcleo do poder, Dirceu se dedicou aos negócios, fazendo meteórica carreira como despachante de empresas nacionais e estrangeiras com interesses em decisões de órgãos estatais. Mas, uma vez Dirceu sempre Dirceu. Ele está de volta ao seu grande negócio, a política, em especial os arranjos partidários de apoio a um candidato hegemônico, o que ele fez com fogo e arte na eleição de Lula em 2002.

Dirceu e seus arsenais estão agora a serviço da candidatura de Dilma Rousseff. Seu papel é o mesmo exercido na primeira eleição presidencial de Lula. Dirceu atua nas costuras de bastidores, longe dos olhos da nação, ofício em que é mestre. Ele trabalha como um tecelão, costurando a favor de Dilma uma teia resistente e capilarmente espalhada pelo país formada por governadores e prefeitos fiéis ao projeto continuista do PT.

Como ocorreu no passado, Dirceu recebeu plenos poderes para barganhar, fazer ofertas, oferecer cargos e benesses em um futuro governo. Nessa vida de facilitador, nem tudo é fácil. No atual momento, Dirceu se empenha em descarrilar a candidatura de um aliado cuja participação na trama ameaça sair do enredo original.
Fala-se que do deputado federal Ciro Gomes que, escalado para coadjuvante de Dilma, está roubando a cena pré-eleitoral e ocupando o centro do palco com uma desenvoltura preocupante para o Palácio do Planalto. A missão de Dirceu é abrir o alçapão sob os pés de Ciro e fazê-lo desaparecer. Isso tem que ser feito sem sangue, mágoas ou ressentimento. A candidatura de Ciro precisa sumir e o verdadeiro interessado na operação não pode aparecer. Essa é a especialidade de José Dirceu.
Há duas semanas, Dirceu esteve no Ceará, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. Foi recebido pelos governadores em encontros anunciados oficialmente como "análises de conjuntura". Houve mais do que análise. Os três governadores visitados pertencem ao PSB, o partido de Ciro Gomes. Os três ouviram a avaliação de Dirceu segundo a qual a candidatura presidencial de Ciro é "preocupante". O diálogo mais revelador ocorreu em Fortaleza, em um café da manhã na casa do governador Cid Gomes, irmão de Ciro.
Dirceu explicou detalhadamente as dores de cabeça que a candidatura do irmão poderia gerar também para os planos de reeleição do próprio governador. Sutileza de Diceros bicornis petistum. Ela se traduz por: se o governador não ajudar a minar os planos nacionais do irmão, o PT do Ceará, na sucessão estadual, apoiará não Cid Gomes, mas Luiziane Lins, a atual prefeita de Fortaleza. Dado o recado ameaçador, Dirceu gastou o restante do tempo nas mesuras recomendadas nesses casos. Disse que aquela solução seria muito dolorosa, mas adiantou que, mesmo intimamente contrário à manobra, não teria outra saída pública senão apoiar Luiziane. Recado dado. Recado entendido.
Dias depois das conversas com os socialistas, Ciro Gomes anunciou a transferência de seu domicílio eleitoral para São Paulo. Ciro nasceu em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, mas mudou-se ainda criança para o Ceará. Tem tanta identificação com o eleitorado paulista quanto Geraldo Alckmin, também natural de Pinda, tem com os moradores do Crato. Com a mudança de domicílio, Ciro se habilita legalmente a concorrer ao governo de São Paulo e, do ponto de vista único da lei eleitoral, nada muda. No mundo real é outra história. Para manter-se no pleito nacional Ciro, apesar de empatado com Dilma Roussef nas últimas pesquisas, precisa escapar das investidas do Diceros bicornis petistum. Disse Ciro à VEJA: "Eu soube da conversa de Dirceu com o meu irmão, mas ela não prosperou porque estou convencido de que devo disputar a presidência da República".
O anúncio público de que PT e PMDB devem fechar uma aliança formal nesta semana em torno da candidatura de Dilma - um movimento considerado imprescindível para os planos petistas - contou com a ajuda do ex-ministro. O PMDB é aquele partido que torce por todos e fica sempre ao lado de quem ganha. Como ainda é muito cedo para qualquer prognóstico sobre 2010, a agremiação prefere esperar mais antes de tomar uma decisão.
Dirceu está encarregado de catalisar os nobres ideais dos líderes peemedebistas, de novo, através de seus métodos peculiares. Um exemplo recente: para vencer as resistências de um dos caciques do PMDB, o governador Sérgio Cabral, Dirceu procurou o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias, e o incentivou a manter sua anunciada candidatura ao governo do Rio de Janeiro. O objetivo é usar a futura desistência de Lindberg como moeda de troca com Sérgio Cabral. O governador trabalha para o que o PMDB apoie oficialmente Dilma Rousseff desde já, inclusive indicando o candidato a vice-presidente na chapa, e ganha como prêmio a cabeça do prefeito adversário.

VEJA procurou o ex-ministro José Dirceu na semana passada. Sua assessoria informou que ele estava incomunicável, participando de uma conferência na Itália, a convite da Fundação Gorbachev.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Mais antigo advogado do Ceará destaca trabalho desenvolvido pela OAB-CE


Com 102 anos bem vividos, Raimundo de Oliveira Borges, o mais antigo advogado do Ceará, continua atento ao meio jurídico e ao trabalho desenvolvido pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará. No último dia 19, ele enviou uma carta para parabenizar o presidente Hélio Leitão, pela “sua fecunda administração à frente de nossa querida OAB-CE”.


Leia a íntegra de sua correspondência:

“Crato, 15/09/09

Dr. Hélio Leitão;

Acabo de ler, com satisfação – PRINCIPAIS REALIZAÇÕES DA OAB-CE GESTÃO 2007/2009, a sua substanciosa Prestação de Contas. E não resisti ao impulso de traçar-lhe, de logo, estas linhas, parabenizando-o pela fecunda administração frente à nossa querida OAB-CE.

Que continue, mesmo sem mais o bastão do comando, a dar-nos, de contínuo, o seu valoroso apoio como um dos mais brilhantes colegas que têm dirigido a nossa benemérita instituição.

Cordialmente, o velho colega e admirador, Raimundo de Oliveira Borges”

Fonte: OAB - Ceará

Uma imagem vale por mil palavras

Foto: Dihelson Mendonça

Esta foto é séria candidata à melhor foto do ano. E o mais interessante é que foi feita com um aparelho de telefone celular.

Parabéns, Dihelson. Foi mais um toque de meste.

AOS AMIGOS, COM CARINHO - Jorge Emicles Pinheiro

Tanto quanto são infinitas as formas de compreender a vida, igualmente são as de enfrentar suas adversidades. Até que estejamos concretamente diante de um obstáculo, em verdade não sabemos de que forma o enfrentaremos. Até que sintamos a dor, não saberemos a verdadeira dimensão do sofrimento.

É o instinto (talvez vindo de Deus, talvez da mera condição animal) que nos ensina a lutar pela sobrevivência. Por pior que estejam as coisas sempre preservar-se vivo será a melhor saída, mesmo que o sopro de vida que restar não possua mais viço ou qualidade. A esperança é a última que morre: eis um ditado o qual bem poderia representar a eterna luta que somos socialmente treinados a travar com a morte. Pouco importa o sentimento que demos à nossa vida, desde que cotidianamente suplantemos o fantasma e a certeza da morte. Por finitos que sejamos, é na crença da imortalidade que consumimos cada instante de nossa tênue existência.

Nas dificuldades (nas mais temíveis principalmente) é este o instante que todos os que nos são próximos buscam nos alimentar. A qualquer custo que for, vença a morte, insista na sua própria imortalidade, porque assim estarás evidenciando não apenas sua infinita fortaleza como também alimentando de esperança todo o restante da humanidade.

Porém, uma vez que são muitas as formas de viver as augrúrias da existência, um dissabor pode ser encarado por infinitas maneiras. Variações que de ordinário dependerão da forma com que se interpreta o mundo, assim como este mesmo mundo reage face a seu sofrimento. Diante da enfermidade, fui cercado pela calorosa luz da compaixão e da amizade; fui encharcado pela inebriante energia do amor sincero, passional mas desinteressado de centenas de pessoas que me infligiram desejos de saúde plena e pronto restabelecimento.

Quem nada me devia senão estima gratuita me emprestou dessa luz; quem talvez me devesse algo, mas que não poderia ser cobrado em razão do meu próprio estado de fragilidade, sem nada querer pagar igualmente me cedeu desta luz; quem imaginei que pelos descaminhos da vida nem mais se lembrasse de mim, da mesma forma me encandeou desta revigorante luminosidade; de quem não esperava carícias me afagou pelo amor; de quem esperava estas carícias, me as trouxe com muito mais generosidade que merecia; quem decepcionei me afagou com o perdão; quem não pude ajudar, me retribuiu com a solidariedade; quem pouco conhecia, me abraçou com ardor e os antigos e verdadeiros amigos permaneceram incontinenti em apoio.

Jamais havia sentido energia tão pujante e verdadeira. Nas lágrimas destas centenas de amigos angariei a força do destemor; na honestidade de seus abraços adquiri a coragem da vitória; na fortaleza de suas palavras (escritas ou faladas) a energia da revitalização. É esta a verdadeira alquimia. A chave da pedra filosofal tão empenhadamente buscada pelos antigos filósofos. Tão plena, enfim, estava minha alma desta saborosa energia, que dali seria capaz de enfrentar todos os obstáculos que se pudessem interpor no meu caminho, fossem quais fossem as conseqüências do mal que me afligia.

A vida, a morte e esta infindável luta pela eternidade passaram a ter nenhuma importância a partir de então. Talvez não houvesse diferença entre uma longa vida e uma morte prematura. Nem uma nem outra condição garantiria a felicidade. O completar-se dessa pujante e luminosa energia proveniente do amor e da amizade, sim, representam o verdadeiro sentido e mistério da vida. Por isto mesmo que pouco importava a vida ou a morte, pois tanto pela vida longa quanto pela breve morte estarei sempre repleto daquela energia vital e eterna que preenche todos os planos da existência, seja material ou não. Aos amigos, além destas palavras, somente posso agradecer com o compromisso de distribuir a tantos quanto se apresentem, com o mesmo calor revigorante de que fui já embebido por sua generosa luz.

Lhes sou profunda e eternamente grato por tudo! Muito obrigado!

Jorge Emicles (via Blog do Crato)

aos 75?

agora que os lábios se arquearam
e meus olhos são dois lagos salobros
posso dizer que não pude cruzar a ponte
e beber poesia na própria fonte

fantasma
tangenciei as sombras de tuas palavras
mas poderia ser pior
um abismo poderia prenhe de trevas
abrir sua boca de infinitas horas
e eu não passar de mais um
que ao fim chega carregado
por duros braços alheios

o mínimo atravessou-me a porta
conduzido pela mão de um poeta
afugentou a solidão e o escuro
o destino de ser completamente oco
numa terra desolada

João do Crato e Blandino Ribeiro no programa Cariri Encantado

João do Crato
O programa Cariri Encantado de hoje, sexta-feira, 9, tem como convidados dois artistas que são almas gêmeas, tanto pelo sentimento fraternal que os unem quanto pelo sentimento ancestral que os unem ao mundo: João do Crato e Blandino Ribeiro. Artistas inspirados na natureza e artesãos que confeccionam produtos especiais, como incelenças divinas e meizinhas naturais.
Um canta os ritmos e a música da Chapada. O outro manipula os aromas e os gostos que se colhem nos campos. Os dois são alquimistas e mágicos, duendes arautos, herdeiros da ancestralidade indígena que resiste na rica cultura cariri.
Logo mais no Cariri Encantado, o programa mágico das tardes de sexta. Das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri 1020.
Apresentação de Luiz Carlos Salatiel.
Apoio: Centro Cultural BNB Cariri.

Bancários do Cariri realizam assembleia e terminam greve no Banco do Brasil e no HSBC


Os bancários do Cariri, em Assembleia realizada na noite de ontem, quinta-feira, seguiram a orientação do Comando Nacional da categoria e aprovaram a proposta apresentada pela Fenaban que prevê reajuste salarial de 6% e melhoria da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Anteriormente, a Fenaban havia proposto um reajuste de 4,5%, o que foi rejeitado por todos os bancários. O percentual de 6% também será aplicado às demais verbas, como auxílio-refeição, cesta-alimentação e auxílio-creche/babá. No entanto, os bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste, devido ao impasse que ainda ocorre nas negociações específicas, decidiram permanecer em greve até a apresentação de uma nova proposta pelos bancos.

Fonte: Seeb/Cariri

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Festival apresenta 66 concertos de 37 grupos instrumentais de 10 estados de quatro regiões do Brasil

Cleivan Paiva será o nome do Cariri no Festival
Foto: Dihelson Mendonça
O IV Festival BNB da Música Instrumental apresentará 66 concertos de 37 formações instrumentais oriundas de dez estados de quatro regiões brasileiras (Nordeste: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco; Sudeste: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais; Sul: Paraná e Rio Grande do Sul; e Centro-Oeste: Distrito Federal), no período de 08 (próxima quinta-feira) a 31 deste mês. Todos os concertos do Festival têm entrada franca.

A quarta edição do evento confirma a sua vocação para promover a diversidade musical e destaca a importância da abertura de mais espaços para a dinâmica cena instrumental brasileira, movimentando dezenas de músicos, de diferentes trajetórias, influências e propostas estéticas.

Embora contando com uma programação que desconhece fronteiras musicais, a produção nordestina é destaque nesta quarta edição do Festival, com ênfase para a participação de grupos instrumentais do Rio Grande do Norte, resultante de uma parceria afinada entre os Centros Culturais Banco do Nordeste e a Fundação Estadual de Cultura José Augusto, bem como do Ceará e da Paraíba.

Isso sem se falar no espaço destinado para artistas de outras regiões do Brasil, como: os sudestinos Zezo Ribeiro (SP), Adriano Campagnani (MG) e os cariocas Fernando Vidal, Alexandre Cavallo & Christiano Galvão e o Quarteto Alevare; os sulistas Camerata Brasileira (RS) e Quarteto Iguaçu (PR); e os centro-oestinos Duo 13, Galinha Caipira Completa e Mandrágora, todos do Distrito Federal.

Conheça a seguir a programação do Festival para o cariri cearense:

CCBNB-Cariri (CE)
Dia 14, quarta-feira
19h Alexandre Cavallo e Christiano Galvão.

Dia 15, quinta-feira
18h30 Quarteto Iguaçu.
19h50 Quinteto da Paraíba.

Dia 16, sexta-feira
19h Cleivan Paiva.


Dia 17, sábado
23h Clã Brasil.
Local: Largo do Centro Cultural do Araripe - RFFSA (Município de Crato - CE)

Dia 21, quarta-feira
19h Camerata Brasileira.

Dia 22, quinta-feira
18h30 Alexandre Atmarama.
19h50 Marcelo Leite.

Dia 23, sexta-feira
18h30 Mandrágora.
19h50 Galinha Caipira Completa.

Dia 28 quarta-feira
18h30 Trio Ágape.
19h50 Quarteto Alevare.

Dia 29, quinta-feira
18h30 Duo 13.
19h50 Gilberto Cabral.

Dia 30, sexta-feira
18h30 Orquestra Sivuca.
19h50 Eduardo Taufic & Roberto Taufic.

Dia 31, sábado
18h30 Pixinguinha Trio.
19h50 Abanda.


Fonte: Centro Cultural Banco do Nordeste

Um Olhar da Miséria no Sertão

Luiz Domingos de Luna*

Cantada e decantada em verso em prosa, nutrida e destilada como a arte pura da criação do sertanejo, comparada ao paraíso perdido, - jardim do Éden, á Canaã, a terra de leite e mel, a pureza perfumada de uma rosa, é assim que é tratada na literatura, na história, na vida, seja no plano racional ou emocional, mas esta pobre e amarelada cultura, não passa de uma substituição do pleno pelo não pleno, do básico pelo não básico, do total pelo não total, do ideal pelo não ideal, do todo pela parte senão, vejamos:

A geladeira - um pote pingador Uma cama confortável - uma rede de tear Um almoço digno - um prato de angu Um automóvel - a cangalha de um jumento coiceiro Uma empresa - um tabuleiro improdutivo Uma caneta - uma enxada de três libras Um vigilante - uma cadela cheia de carrapato, Um ar condicionado - um abano Um fogão a gás - um fogão de lenha Um rádio - uma gaiola de canário O telefone - os fogos de artifício A praia - um açude lamacento O elevador - um pé de coqueiro A sauna - é o próprio trabalho A murada da mansão - uma cerca de faxina A mansão - Uma tapera de barro cru O caviar - é ova de curimatã Uma maleta 007 - é saco de nó cego O avião - é uma pipa voadora A prancha de surfe - é o couro seco de carregar capim O teclado - é um pé de bode O carnaval - é um adjunto de trabalho Uma missa de gala - é uma novena Uma marcha nupcial - é o miseré O escritório - é o alertai O relógio - é um galo gogento no terreiro ou o jumento, durante o dia Um concerto musical – uma ópera de penitentes

- Mas, ainda bem que a televisão é a própria televisão e a novela é a própria novela, pois, para quem saiu do sertão nada mais gratificante do que incentivar, louvar e viver as reminiscências do sertão, mas para quem não saiu, nada melhor do que ver o modo de vida dos egressos sertanejos pela televisão, no grito de sempre:

Tudo no ponto e, - Adeus Sordade!!!

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra - Aurora

Mas que mancada!... Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Magali, minha mulher, costuma dizer que quando eu era criança bebi muito “água de chocalho”. Isto porque gosto de conversar com os amigos, contar os mais novos “causos”, enfim, jogar conversa fora. Principalmente quando ela deseja voltar para casa, após alguma reunião, ou mesmo na Igreja, terminada a missa. Com isto não me livro de pronunciar algumas besteiras, cometer algumas “gafes”, como diriam os mais grã-finos.

Há alguns dias, fomos convidados para jantar na casa do sogro de um dos meus filhos, que é caririense de Barbalha. A certa altura da conversa, o assunto enveredou sobre o famoso poeta cratense Zé de Matos, que no final do século XIX e inicio do século passado perambulava pelos pés de serra do Crato até Barbalha, bebendo cachaça e nos intervalos da bebedeira, trabalhando em tudo que era engenho de rapadura, pois era um dos melhores mestres do Cariri. Lembrei que meu pai, quando criança, conheceu Zé de Matos e sabia de cor muitos dos seus famosos diálogos versejados, como o que ele travou com o Quintiliano, acredito que no engenho de seu avô, o “Papai Zeco” dos Currais. Entre um verso e outro, referi-me a um diálogo entre o famoso historiador cratense José Carvalho e Zé de Matos, contido em “O Matuto Cearense e Caboclo do Pará”. Quando passavam à cavalo pelo Sítio Brito, em Barbalha, o historiador era acompanhado por Zé de Matos. Ao avistarem uma bela casa na encosta da serra, o professor José Carvalho indagou: “De quem é aquela casa, tão bonita?” Então, eu declamei com voz um tanto quanto empostada, a resposta de Zé de Matos:

Você conhece os Coeios,
Proprietários do Brito,
Homens que são muito rico,
Mas são danados de feio?”

Essa casa é de um Coeio;
É do Coeio Vicente.
Que é de todos o mais feio
E tem um pézim doente!

Quando concluí, olhei para o meu anfitrião, e ele com muita serenidade, me respondeu: “Vicente Coelho era o meu avô.” Que mancada, havia esquecido que o homem era Coelho... Mordi a língua, como aconselhava minha mãe: “Quem muito abre a boca, termina mordendo a língua”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

COMPOSITORES DO BRASIL





Por Zé Nilton


Fernando de Castro Lobo ou Fernando Lobo, um nordestino do Recife, tem uma obra musical e artística das mais expressivas no cenário cultural brasileiro.
Como todos os que emigraram para a capital federal, Rio de Janeiro, nas décadas de 1930 e 1940, trilharam caminhos parecidos. Aportaram na imprensa ou no serviço público e na boemia. Na boemia cuidaram de aprender com velhos mestres locais o segredo da música, da composição, da rima musical. Assim aconteceu com Fernando Lobo e outro seu conterrâneo, Antonio Maria.

No caso de Fernando Lobo, sua atividade profissional, no Rio, ficou dividida entre a música e o jornalismo. Esteve durante 25 anos na famosa Rádio Nacional e ali produziu musicais famosos. Como compositor, participou de uma das fases mais criativas da Música Popular Brasileira e só deixou de compor quando seu filho Edu Lobo começou a se projetar no cenário musical. Permaneceu, porém, ligado ao mundo artístico, como diretor musical da TVE do Rio.

Fez clássicos como “Chuva de Verão”, “Chofer de Praça” e “Ninguém me ama”, esta, com Antonio Maria. Sua musicalidade prima pela diversidade rítmica indo do frevo ao samba, do bolero ao samba canção, passando por vários ritmos nordestinos como o xote, baião, danças de terreiro etc. Foi parceiro de outros grandes mestres como Dorival Caymmi, Manezinho Araújo.

Hoje, em COMPOSITORES DO BRASIL, vamos homenagear Fernando Lobo, e falar e ouvir as suas belas canções que o faz permanecer no panteão da dignidade da Música Popular Brasileira.

Nega maluca. Fernando Lobo e Evaldo Rui - com Elza Soares
Siga. Fernando Lobo - com João Gilberto
A primeira umbigada. Fernando Lobo e Manezinho Araújo - com Jorge Veiga
Preconceito. Fernando Lobo Antonio Maria - com Nora Ney
Quanto tempo faz. Fernando Lobo - Paulo Soledade, com Nora Ney
Chuvas de verão - de Fernado Lobo, com Caetano Veloso
Saudade do samba. Fernando Lobo Paulo Soledade, com Mário Reis
Chegou vila Isabel. Fernando LoboManezinha Araújo, com Aracy de Almeida
Ninguém me ama. Fernando Lobo e Antonio Maria, com Dolores Duran
Chofer de praça - de Fernando Lobo e Evaldo Rui, com Luiz Gonzaga

Informação:
Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri- 1020 khz.

Se ética fosse matéria do ENEM a Rede Globo seria Reprovada - por José do Vale Pinheiro Feitosa

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.” A frase do Barão de Itararé se não envelheceu não é culpa do tempo. A própria televisão brasileira, especialmente a rede Globo, é o antioxidante da frase.

A imbecilidade é geral na mídia nacional. O problema, já dizia o barão: “O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar estes nós.” Os donos, líderes e empregados dos sistemas de comunicação apertam nós e camuflam os que existem.

A verdade é que nunca foram capitalistas no sentido anglo-saxônico. Aquele capitalismo de consumo cujo progresso se lastra no consumo das famílias. Os EUA fizeram um império e sustentaram o progresso do capitalismo mundial com esta estrutura: o consumo das famílias.

É que para as famílias consumirem precisam de renda. E os “coronéis” da mídia nacional funcionam como os velhos “barões do café.” Têm capitais, mas apenas para dourar seus negócios e o terreiro da fazenda. No máximo permitiram um sobrenadante a que chamam classe média e que representa menos de 30% da população.

A imbecilidade da mídia combate os “progressistas”, “desenvolvimentistas” ou que outro nome diga de melhoria no consumo das famílias. Por isso fazem “ideologia”, apregoam normas, ditam regras e baixam a ditadura do pensamento único.

O problema é que muitos partidos políticos, várias lideranças e a burocracia do Estado caíram no engodo desta mídia. “Venderam-se” para idéias esdrúxulas. Não viram que por trás daquele “neoliberalismo” todo se escondia uma “raposa” querendo mais nacos da riqueza social e da estrutura do Estado?

Os anos noventa foram anos de fantasias e de um discurso de excelência administrativa cujo mote central foi esquecer os objetivos políticos da sociedade e a eficiência social das políticas públicas. Por trás de discursos privatistas, de medidas “para inglês ver” nas práticas administrativas, enfraqueceram a burocracia do Estado e puseram as raposas no galinheiro.

O SUS tem a maior parte de sua rede privatizada. Isso sem contar com os fornecedores em sentido amplo e as arapucas das “cooperativas”. A educação passou por mudanças iguais. Agora vejamos este caso do vazamento da prova do ENEM.

A rede Globo faz propaganda contra o governo e defende uma candidatura paulista (José Serra?). Instiga os estudantes contra o governo Federal, abre o sorriso quando as “Universidades Paulistas” ficam fora do ENEM e atribuem todo o problema ao governo.

Mas espere aí meus queridos ventrículos da Globo! Não foram vocês que defenderam as privatizações. E não estamos falando a rigor de uma empresa privada que se mostrou inteiramente incompetente? Não foram de “gráficas públicas” que as provas se evadiram! As mãos e cuecas criminosas estavam na gráfica privada e o crime foi tão bem urdido que até parece coisa de “aloprado”.

Os ministros da Educação e o da Saúde deveriam aprender mais esta lição do Barão de Itararé: “Todo homem que se vende recebe mais do que vale.” E conheço bem o ministro Temporão para esclarecer que o “se vender” aqui do contexto da frase é a “venda” para os ideais dos fazedores de imbecis.

Aliás, o Jornal Nacional ontem era uma festa da oposição. Sobre o vazamento do ENEM e sobre a imbecilidade em escala maior de um grupo paulista que se autodenomina MST. Nunca vi nada mais parecido com as práticas do Cabo Anselmo. Se o MST não soltar uma nota sobre esta questão, estamos numa possibilidade enorme de se operar a favor da Senadora Kátia Abreu e sua CPI do MST.

Sobre jornalismo na Rede Globo em sentido sistemático a melhor frase é também do Barão de Itararé: “De onde menos se espera daí é que não sai nada.”

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Letras musicais - (homenagem ao dia do compositor) - Por Claude Bloc

Letras musicais
onde viceja o néctar
claves de sol ,
sonatas, sinfonias,
o despertar do amor
em dó maior

flores do âmago,
o mínimo no máximo,
o sedutor encanto,
o brinde aos sentimentos
sustenidos ...


Um toque musical
sensibilidades
sons e tons
melodias vibrantes
que se soltam pelo vale
em ré, em mi
em pura harmonia...
e neste dia
que já seria
feliz em si (bemol?)
será também em ti,

compositor!

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Homenagem aos compositores de nossa terrinha e em especial a Pachelly, Abidoral, Cleivan Paiva, Zé Nilton, Salatiel, Célia Dias, Correinha, Ulisses Germano, Calazans Callou, Tiago Araripe ... sem esquecer tantos outros que encantaram e adornaram nossa vida com a sua música.


Texto por Claude Bloc
.

A volta da banda Fator RH

A banda Fator RH, uma das pioneiras do movimento roqueiro caririense, está de volta para uma única apresentação. Será na abertura do Festival Estudantil da Canção, neste próximo sábado, dia 10, às 19:30, no Centro Cultural do Araripe (antiga Rffsa).

Da formação original, já confirmaram presença Carlos Rafael, Marcos Leonel e Igor Arraes.

Enquanto não chega a hora do show, matem a saudade com essas fotos e um texto escrito por Marcos Leonel, publicado no Cariricult.


BANDA FATOR RH- Final dos anos 80, Baile Rock à Fantasia,
Bar Banho de Bica, em Crato. Da esquerda para a direita: Sergestes
Tocantins, Lupeu , João Eymard (na bateria), Calazans Callou e
Marcos Leonel.



UMA QUESTÃO DE SANGUE

Por Marcos Leonel




Essa é a primeiríssima formação do Fator RH, segunda banda de rock autoral do Cariri. Após o término da pioneira Pombos Urbanos, - que tinha em sua formação Carlos Rafael, bateria e voz; Nicodemos, guitarra e voz; Segestes Tocantins, baixo e voz; e Marcos Lubisome, guitarra - eu, Segestes e Rafael formamos um grupo de ensaio que originou a banda Fator RH. Primeiro Calazans se juntou ao grupo, para tocar baixo. Depois Lupeu foi integrado como vocalista e anarquista. Logo em seguida Calazans trouxe João Eimar para tocar bateria no lugar de Rafael, que passou à linha de frente nos vocais. Estava feita a conspiração, só faltava a guerrilha.

Corriam os anos 80, a new wave comandava o cenário musical do rock lá fora e aqui começava a todo vapor o chamado Brock. Estávamos lá, inconformados com a falta de oportunidades e com a pasmaceira do quadro cultural caririense. O Fator RH estava na área, não para fazer o papel de testemunha ocular, mas participar de tudo aquilo, mesmo entrando pela porta de trás e sem nenhum convite. Nossa trincheira era o discurso poético, tendo à frente as sacações geniais de Rafael, o cinismo beat de Lupeu e a lisergia do meu universo musical. Ouvíamos de tudo: desde a música independente brasileira até às experimentações da Orchestra Universal de Sun Ra.

Nossas influências eram a música crua do Hasker Dü, do Ramones, Sex Pistols e Raul Seixas, via Segestes Tocantins; a pauleira sem misericórdia do Sepultura e do Slayer, via Lupeu; os blues e a música alternativa brasileira, via Rafael; o experimentalismo de Robert Frip e Frank Zappa, da minha parte; o rock dos anos 70, através de João Eimar; e a poesia bem sacada de Zé Ramalho, através de Calazans. Nosso som era cru, era na veia, era muito mais rock’n’roll do que aquilo que fazia sucesso, como Paralamas, Legião e outras coisas mais intragáveis como Kid Abelha e Gang Noventa. Nosso som estava mais para Talking Heads e Joy Division do que para o heavy metal poser do período; estava muito mais para Isca de Polícia e Tiago Araripe do que para Titans ou Legião.

Era um período difícil demais para quem fazia rock, sendo autoral ainda nem se fala. Não existiam espaços. Nós é que inventávamos, como em encontros de estudantes e campanhas eleitorais do PT. Também não existia público, nós é que inventávamos que tínhamos público. Comprar encordoamento era uma verdadeira aventura, e cara. Quando João Eimar anunciou que tinha uma bateria, foi uma verdadeira festa. Os ensaios valiam mais do que as próprias apresentações. Eram verdadeiras epopéias. Ensaiávamos na casa de Segestes, um sítio, fora do Juazeiro (hoje é o parque ecológico das Timbaúbas). Muitas comédias temos para contar. São lances pitorescos, dignos de um best seller. Essa formação do Fator RH tinha cerca de sete músicas no repertório, o que já era demais. Entre elas figuravam: Nomes, Buraco Negro, Fator RH, Margarete, Marinalva e outras pérolas do cancioneiro rebelde caririense. Pena que eu não lembro onde foi essa apresentação. Sei que era Rafael de bateria e voz; Lupeu nos vocais; eu e Segestes de guitarra; e Calazans no baixo.

Marcos Leonel

Zé Quieto - Zé Kéti - por Norma Hauer


Ele não nasceu em 6 de outubro de 1921 e sim em 16 de setembro. De seu registro civil consta a data da 6 de outubro o que era cumum, visto que os pais demoravam a fazer o resgistro e, para não pagarem multas registravam com uma data futura.
Recebeu o nome de José Flores de Jesus, mas ficou conhecido como ZÉ KETI, mesmo assim só nos anos 60. Antes era conhecido como Zé Quieto.

E por que Zé Keti? Porque quando ele atingiu o êxito de sua carreira a letra K estava em evidência nos nomes de três presidentes: o do Brasil (Juscelino KUBITSCHECK), o dos Estados Unidos (John KENNEDY)e o da União Soviética (Krushev). Porque ele também não teria K em seu nome?
Assim, ficou conhecido como ZÉ KETI.

Ele nasceu aqui no Rio, no bairro de Inhaúma e como todo menino pobre, exerceu várias profissões, tendo servido durante três anos na Polícia Militar.

Em 1937, morando em Bento Ribeiro, passou a freqüentar a Portela, tornando-se mais tarde um de seus compositores. Desentendo-se com colegas por causa de direitos autorais, transferiu-se para a Escola União de Vaz Lobo. Somente em 1954 regressou à Portela.

Em 1939, levado pelo compositor Luiz Soberano foi conhecer a Casa Nice (não Café,mas Casa) travando conhecimento com os compositores e cantores que faziam ali seu "quartel general" ali.
Apesar disso, ainda não era um nome conhecido, apesar de já ter composto vários sambas.

Foi com o samba "A Voz do Morro", gravado em 1955 por Jorge Gouilart, e que fez parte da trilha do filme "Rio 40 Graus",de Nelson Ferreira dos Santos, que seu nome apareceu, ainda como Zé Quieto.
Jorge Goulart voltou a gravar um samba de Zé Keti em 1960 .Título: "Não Sou Feliz".

Em 1964, com Nara Leão e João do Vale, fez parte do Grupo Opinião.

Em 1967, seu maior sucesso: "MÁSCARA NEGRA", que foi gravado por ele e também por Dalva de Oliveira.
Esse samba ganhou ao primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas estipulado pelo Conselho de MPB do Museu da Imagem e do Som.
Em 1998 recebeu o Prêmio Shell, pelo conjunto de sua obra. Foi homenageado pelos companheiros da Portela, como Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Velha Guarda da Portela.
Foi realizado, no Canecão, um espetáculo por essa homenagem, dirigido pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral.

Tendo composto mais de duzentas músicas, destacarei algumas:
"A Dama das Flores"; "A Felicidade Vem Depois";Desquite";"Despedida de Solteiro"; "Samba Folgado";"Diz que foi por aí...";"Desprezo"...

Zé Keti faleceu em 14 de novembro de 1999 aos 78 anos,deixando um vácuo em nossa música popular.
Norma Hauer

RECURSOS PÚBLICOS - NA LUPA DO CARIRI !

Luiz Domingos de Luna*

A Região do cariri vive um momento muito afirmativo de desenvolvimento, no entanto o crescimento econômico na sua conjuntura geográfica, poderia ter um ritmo bem mais acelerado e constante, o que não acontece - Por quê ? Ora, os canais de distribuição de recursos públicos da federação e do próprio estado são muito capilarizados, o que causa na sua trajetória pontos de obstrução por conta de detalhes técnicos, necessários para o bom funcionamento do estado democrático de direito, porém com prejuízo no compasso do tempo as demandas sociais.
Assim, obas, ou serviços que deveriam ser repassadas a sociedade ficam presas no gargalo das instituições, muitas vezes passam meses aguardando um carimbo, uma quitação, uma assinatura.(....) Enfim, um detalhe, neste ínterim é comum à população e, mesmo parte da mídia, partir para cobrança de forma exagerada, na maioria das vezes, usando uma linguagem de naturalização grosseira, não condizente com o processo desenvolvimentista global, assim, todo o conjunto emperra, e a sociedade com justa causa sempre a procurar um culpado pelo engessamento da concretude das ações públicas, na falta de atitude dos agentes públicos, "é pleno ser a verdade".
Este raciociocínio simplista em nada contribui para o crescimento das cidades satélites do cariri cearense.
Os parlamentos mirins do cariri, via de regra, estão quase sempre esvaziados, plenários totalmente vazios, os edis parlamentares debatendo os problemas das outras cidades entre si. Por que o plenário em dia de sessão não está sempre lotado ?, Por que os sites de fontes geradoras, ou mesmo repassadores de recursos são pouco acessados pela população ? Por que a população não usa os meios democráticos de fiscalização do estado democrático de direito ?. Ora, mas alguém pode argumentar que a classe política esta desacreditada, sim, mas quem elege a classe política.
Por que não se faz um estudo prévio e bem acentuado do testemunho de vida dos futuros gestores públicos ? E na sequência, a participação política de fato e de direito, ao invés de ficar somente nesta cantilena de lançar pechas sociais na classe política que em nada contribui, para o desenvolvimento social, político, econômico, turístico (...) da linda região do cariri cearense.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra - Aurora

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pensamento para o Dia 06/10/2009


“Você não necessita ir a parte alguma para procurar Deus. A Divindade está dentro de você. Assim como existem vários membros no corpo que são mantidos vivos por um único coração, o mesmo Deus é a força-vital para todos os seres. O universo inteiro é o reflexo do Ser Supremo. A visão (Dhrishti) determina sua percepção da Criação (Shrishti). Quando você olha o mundo através de lentes coloridas, você verá tudo com a cor das lentes que estiver usando. Você deveria considerar o que quer que aconteça como um presente de Deus. Amor é Deus. Viva em Amor. Essa é a maneira adequada de adorar Deus.”
Sathya Sai Baba

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

As Histórias dos Outros: III - Locutores – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Já vai longe a fase de ouro do rádio, onde os locutores tinham uma bela voz, leitura corretíssima, dicção e entonação perfeitas. Cresci escutando as rádios do Rio e São Paulo e invejava as vozes de Oduvaldo Cozzi, Jorge Cury, Carlos Frias, Luis Jatobá, Heron Domingues, César de Alencar e tantos outros. Às vezes me surpreendia sonhando ser um locutor famoso. Em fevereiro de 1967, eu estive perto desse sonho. Enquanto aguardava o resultado do vestibular, ouvi um anúncio na Rádio Cultura da Bahia, que aquela emissora estava realizando testes para novos locutores. Não pensei duas vezes: fiz minha inscrição e na mesma hora, o diretor da rádio me mandou fazer uma redação. Meio nervoso e suando muito, passei quase uma hora para escrever sobre o massacre que era o vestibular para os estudantes. Apavorei-me com uma velha máquina remington, cujas teclas saltavam algumas letras, quando tocadas com mais força, obrigando-me a reiniciar o trabalho várias vezes. Para minha surpresa, fui aprovado no teste de redação, devendo comparecer no dia seguinte para o exame de locução. Acontece que entre um dia e outro, o resultado do vestibular saiu e eu já me sentindo engenheiro, desisti de ser locutor, trocando um sonho por outro maior, assim pensava então. Ainda hoje, eu acredito firmemente que a radiofonia baiana nada perdeu com essa minha decisão.

Sonhos de locutores são muitos. O jornalista cratense Osvaldo Alves de Sousa, em seu livro “Tipos e Ditos Populares do Crato de ontem e de hoje”, à página 80, nos revela duas histórias de jovens que sonhavam em ser locutores da Rádio Araripe do Crato.

Segundo Osvaldo, o saudoso Elói Teles era muito assediado pelo soldado Saraiva que desejava ser locutor. Para se ver livre, Eloi disse ao militar que se ele conseguisse dois milhões de cruzeiros de patrocínio, teria a grande chance de ser locutor. Naquela época, essa era uma tarefa tida como impossível até para os mais experientes publicitários. Para surpresa do “Seu Elóia”, menos de oito dias depois, o soldado Saraiva chegou com os contratos de publicidades perfazendo o total da quantia estipulada. Imediatamente “Seu Elóia” marcou a estréia do policial para cinco horas da tarde daquele mesmo dia, um domingo, num programa cujo título era “Sambão e Zebrão”, que misturava diversos tipos de sambas com os resultados do futebol. Ao iniciar o programa, eis que chega a notícia da morte do papa Paulo VI. E o nosso Saraiva manda ao ar essa pérola de noticia: “Atenção Crato! Alô Brasiiiil! Deu zebra no Vaticano! Acaba de morrer agorinha mesmo o Papa Dom Paulo Meia Dúzia!”
Ao ser indagado se Elói ouvira o “furo” que o Saraiva tinha dado, assim respondeu o então diretor daquela emissora: “Furo uma ova! Aquilo foi um arrombamento! (1)

Mazim era um funcionário da Radio Araripe que também sonhava ser locutor. Era continuo e depois controlista. De tanto insistir para ser promovido a locutor, o gerente da rádio autorizou que ele entrasse no ar sempre que estivesse na rua e acontecesse alguma notícia, algum fato de interessasse da população. Nesse mesmo dia, ao se aproximar de sua residência, Mazim avistou uma grande multidão na frente da sua casa e das vizinhas. Ao se inteirar do que ocorrera, anotou tudo numa cadernetinha e correu para um telefone público. “Tenho uma notícia importante e urgente, por favor, me bota aí no ar agora mesmo!” Disse Mazim para o locutor do horário. Ao ser atendido, mandou brasa: “Senhoras e senhores, acaba de ocorrer um suicídio aqui no bairro do Seminário. O pedreiro José Antonio da Silva acaba de dar um tiro no peito, pondo fim à sua própria vida. Esta foi sua terceira tentativa. Antes ele cortou os pulsos, mas atendido às pressas no Hospital São Francisco se recuperou. Meses depois ele ingeriu dezenas de caixas de comprimidos de melhoral, mas os médicos fizeram uma lavagem estomacal e salvaram sua vida. Agora, senhoras e senhores, Zé Antonio morreu mesmo, realizando seu grande sonho! Um tiro no peito, foi êxito total!” (2)

Mazim obteve também êxito total na sua tentativa de se tornar locutor e hoje aposentado é o conhecido radialista Luzimar Rodrigues Leite.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

NOTAS: 1 e 2: Adaptados de “Tipos e Ditos Populares do Crato de Ontem e de Hoje” de Osvaldo Alves de Sousa,páginas 80 e 81-Editora Moderna, Crato – CE, 2000