Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O CARIRI EM ESTADO DE RESISTÊNCIA


Brincantes do Reisado Mirim Dedé de Luna do Muriti (Crato-Cariri-Ceará) - Foto de Cacá Araújo

Reisado

O vigor cultural do Cariri tem na cultura tradicional popular sua mais profunda representação. Pedaço grande de Brasil que foi colonizado a partir do sertão, com as entradas de gado, tem mais de três séculos de caldeamento de saberes e costumes do ameríndio que aqui habitava, do branco ibérico invasor e dos negros africanos trazidos como escravos principalmente para o cultivo da cana-de-açúcar.

O Reisado é um dos maiores e mais vivos legados dessa fusão de etnias. É um folguedo popular de grande complexidade, pois reúne em si elementos de vários outros folguedos, sendo o Bumba-meu-boi o mais importante dentre eles. É apresentado pela dança, pelo canto e pela representação dramática, guardando relação com a festa dos Santos Reis e, no Cariri, também com os rituais de coroação do Reis de Congo, pela forte influência africana.

O Reisado se apresenta com estrutura ou elementos distintos nas várias regiões do Estado. No Cariri, a presença do negro na cultura da cana-de-açúcar faz aparecer o Reisado como Reis de Congo. No sertão, a cultura do gado o transforma no Reis de Couro ou Reis de Careta. No litoral, surgem novas figuras como os "papangus" e o "folharal".


Dia de Reis

Três Reis Magos da Lapinha de Mãe Celina (Crato-Cariri-Ceará) - Foto de Antonio Vicelmo

A Tiração de Reis, pelos Reisados do Cariri cearense, ou a Folia de Reis em diversas outras regiões brasileiras, pelos grupos de foliões, são tradicionalmente realizadas no período de 25 de dezembro a 6 de janeiro, e tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. No século III ficou estabelecido que dia 25 de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e 6 de janeiro, Dia dos Reis, homenageando os Reis Magos Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram ouro, incenso e mira, que representam, segundo a Igreja, as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade). Durante 12 dias, a partir do Natal até 6 de janeiro, acontece a Tiração de Reis. Reisados, com seus brincantes, Catirinas e Mateus, tiram a jornada pelas ruas e casas das comunidades.

O Dia de Reis tem, portanto, sentido católico-cristão com profunda marca pagã em sua origem, sendo, por isso mesmo, uma celebração popular que atende e ao mesmo tempo subverte a ordem religiosa institucional, posto que funde símbolos sagrados da cristandade com manifestações cômicas, satíricas e grotescas ancestrais, como que ajudando a fertilizar o mundo para o retorno à livre unidade homem-cosmos.


Cariri - Território de Resistência Cultural 

Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti (Crato-Carriri-Ceará) - Foto de Júlio César

 O Cariri constitui território de resistência cultural em todas as frentes, do tradicional ao contemporâneo.

Resgatar e favorecer o desenvolvimento dos folguedos é imprescindível à consolidação da identidade cultural do nosso povo como nação constituída.

Os grupos de tradição popular são escolas de saberes generosamente ofertadas pela ancestralidade ainda pulsante nos dias de hoje. Desenvolvem papel de relevância sublime como peças de antropologia que nos esclarecem as contendas e epopéias passadas que temperaram a contemporaneidade. São portadores de valores que identificam a nossa região, remetendo-a a uma universalidade de largo alcance histórico e cultural.

Um dos principais entraves ao desenvolvimento de qualquer folguedo é a forte e criminosa carga midiática difundindo saberes e costumes estranhos à nossa cultura, muitos deles carregados de futilidade consumista e pornografia. É o rolo compressor do imperialismo dos novos tempos que pretende homogeneizar a existência humana a partir da lógica capitalista, capitaneada pelas potências dominantes.

A juventude é levada a negar-se e assumir a superficialidade necessária à manipulação plena no plano das idéias e do comportamento. Auto-estima, pertencimento, valores próprios, identidade, perspectivas de futuro, são-lhes retirados ainda no ventre. Os mestres heroicamente conseguem manter um canal de transmissão de saberes a poucos, de pequenos círculos familiares e comunitários, com ou sem a ajuda oficial.

Uma revolução cultural que priorizasse as raízes populares lhes dando status de embrião formador da verdadeira alma nacional, envolvendo o controle social das comunicações de massa nessa direção, fortalecendo a escola e a comunidade como fundamentais na defesa de valores legítimos e propulsores da emancipação humana, poderá mais facilmente alimentar a nossa soberania em todos os aspectos, inclusive no âmbito da cultura.    


Cacá Araújo
Professor, Folclorista e Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato-Cariri-Ceará
6/Janeiro/2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Na Rádio Educadora do Cariri Programa Cultural: COMPOSITORES DO BRASIL


Apresentação:Zé Nilton

Quem ouvir verá, nesta quinta-feira, na Rádio Educadora do Cariri, no COMPOSITORES DO BRASIL, programa dedicado aos festejos de Dia de Reis, com músicas de compositores que homenagearam este culto português no Brasil. Muito rica a musicalidade brasileira que evoca festa, folia, danças e devoção aos três visitantes do menino deus, seguindo a estrela guia.

Nós aqui no Nordeste conhecemos muito bem este ciclo de lapinhas, pastoris e muitas danças em homenagem ao reis magos.

Pois bem, no nosso programa na Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz, nesta quinta de 14 às 15 horas estaremos recordando e atualizando as manifestações musicais através de compositores brasileiros que produziram obras primas sobre o assunto.

Como o nosso vizinho de Saboeiro, o escritor Ronaldo Correia de Brito, que escreveu e produziu o auto de natal chamado – Baile do Menino Deus – consagrada peça musical que ganhou notoriedade no Brasil pela sua singeleza e expressividade cultural.

Muitas músicas de compositores consagrados sobre este dia marcante na memória do catolicismo popular do Brasil estaremos apresentando e comentado.

Serviço:

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Sintonize: www.cratinho.blogspot.com
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

Geraldo Junior e Banda em Janeiro no Ceará




Dia 14 de Janeiro
Geraldo Junior e Banda
Show Warakidzã - Senhor do Sonho
SESC Iracema às 19h
Rua Bóris, 90, Praia de Iracema
Fortaleza CE

Dia 18 de Janeiro
Geraldo Junior e Banda
Show Warakidzã - Senhor do Sonho
EREA - 2011
Pecém
Fortaleza CE

Dia 20 de Janeiro
Geraldo Junior e Banda
Show Warakidzã - Senhor do Sonho
SESC Crato às 19h
Rua André Cartaxo, 433, Centro
Crato CE

Dia 21 de Janeiro
Geraldo Junior e o Forró de Raiz
SESC Iracema às 19h
Rua Bóris, 90, Praia de Iracema
Fortaleza CE

Documentário sobre Reisado Dedé de Luna será lançado neste sábado

Alegria, cores, beleza e poesia deverão marcar esse sábado, dia 08, no Terreiro do Reisado Dedé de Luna com o lançamento do seu primeiro documentário.

O Reisado Dedé de Luna da cidade do Crato reúne a tradição e a inovação liderado pelas mestras Mazé e Penha, filhas do brincante e mestre Dedé de Luna. O reisado resiste e se afirma com características próprias demonstrando que as manifestações artísticas e culturais de caráter popular se modificam e se reinventam com o passar dos tempos.

Para registrar a história deste grupo e essa relação entre a tradição e a inovação foi produzido um documentário pelo Projeto “No Terreiro dos Brincantes” desenvolvido pela Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e o Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, com a parceria do Coletivo Camaradas.

O documentário será lançado neste sábado, dia 08, às 18h30, no Terreiro do Reisado no Bairro Muriti. O lançamento é aberto para a comunidade.

Para a Mestra Mazé esse documentário é como “aquela sementinha que você planta e depois vai colher as mais belas flores”. Ela destaca que esse trabalho vai possibilitar divulgar o trabalho do grupo e que é um incentivo para continuar. “Estamos dando continuidade ao trabalho de Papai e preparando as gerações futuras para dá continuidade ao nosso trabalho”, enfatiza a Mestra.
Esse é o terceiro documentário produzido pelo Projeto “No Terreiro dos Brincantes”, os dois primeiros foram das Mulheres do Coco da Batateira e da Mestra Zulene e o quarto será sobre o Maneiro do Pau do Mestre Cirilo que a previsão é que seja lançado no inicio de fevereiro.

Sina de marginal - Emerson Monteiro

Tarde dessas, caririenses, molhadas, quando as matas, sonoras de passarinhos cantores, parecem prenunciar o início da temporada das chuvas, nas notícias do rádio ouve-se contar da morte de um jovem de 17 anos, assassinado com oito tiros de pistola, em Fortaleza, na Barra do Ceará. Usuário de droga, fora morto por dois homens, que fugiram em uma moto. No dia anterior, abordado por traficante, que cobrava dívida atrasada, respondera atirando. Um nome a menos, uma estatística a mais, solucionando o conflito.
Situações desse tipo viraram casos de rotina nos dias atuais, multiplicados pelos noticiários feitos erva daninha que invade a paz social, rasgando de exemplos melancólicos o tempo tumultuado de cidades inteiras.
Pessoas, as menos endinheiradas das periferias, fora das tradições patrimoniais e dos festejos, arrastam fama de alimentadoras sensacionalistas de escândalos apagados pelos rastros dos rabecões enegrecidos. Outras, possuidoras de futuro, filhas dos nobres, esperançosas, viajantes do exterior nos trens de luxo da facilidade, esperam de olhos alegres o preço do sucesso.
E as tardes silenciosas proclamam a graça deste mundo em forma de normalidade e cifras reveladoras do êxito administrativo dos gabinetes oficiais, enquanto a norma rígida dos códigos reclama vagas nas penitenciárias superlotadas de moradores inúteis jogados às traças dos eleitos da sociedade.
Qualquer coisa assim que pede resposta urgente aos pontos de vista da euforia bem vestida. Indignações estridentes, armas acesas que matam às escondidas, depois tornadas públicas nos cadernos volumosos das páginas policiais, gritos de socorro a quem, e a quantos, ninguém aceita querer responder.
Nisso, os passos fora da estrada daqueles moços, filhos como outros, netos como outros, farrapos das toalhas de mesa da casa dos pais, dos irmãos; lágrimas quentes, dores amargas. Folhas nacionais largadas ao vento das agruras familiares de mães envelhecidas lá antes da hora, restos de banquetes e confraternizações, atores rebaixados nos campeonatos da terceira divisão da juventude perdida.
Chegou aos pensamentos, devagar, meio fora de hora, o alento de saber que nas barras infalíveis do tribunal das existências todos responderão em nível de igualdade, porquanto aos que muito têm mais lhes será dado; e aos que nada têm até o que pensam que têm lhes será tirado, equação definitiva das palavras de Jesus.
Longe, pois, de imaginar houvesse apenas frieza crua na justiça eterna quanto, vezes tantas, presenciamos nas histórias dessas tardes ingratas para os simples, desvalidos, nas pontas de ruas espalhadas, neste chão marginal dos becos infectos e seus barracos sórdidos.

Renasce a discussão sobre a criação do Estado do Cariri



O Jornal do Cariri publica reportagem nesta semana, sobre a volta do debate sobre a criação do Estado do Cariri, que consiste no desmenbramento da região do restante do território cearense, tornando-a independente. A nova unidade da federação seria composta por 41 municípios, incluindo as cidades de Iguatu, Orós, Aiuaba, Saboeiro, Catarina, Acopiara, Tauá, Solonópoles e Icó. Um grupo de simpatizantes da idéia já marcou para o dia 3 de maio de 2011 - data de aniversário da proclamação da República do Cariri, ocorrida em Crato, no ano de 1817-, um ato público em defesa do movimento, que terá a participação de todas as cidades envolvidas. Nos próximos quatro meses que antecedem o evento, os organizadores vão catalogar números e dados estatísticos para justificar o que eles chamam de “glorioso ideal separatista”.


A coordenação geral da luta pela criação do Estado do Cariri é do professor e dramaturgo cratense, Cacá Araujo. Ele explicou que a idéia não é dividir o Ceará, apenas reorganizar federativamente, com a proposta de fazer com que a região tenha autonomia administrativa e política, no sentido de usufruir plenamente de suas próprias riquezas. Cacá Araujo disse também que o Ceará é um Estado que, na prática do poder central, “caracteriza-se pela apartação que vitima o Cariri, na desatenção as suas crescentes demandas culturais, econômicas e sociais, além de vergonhoso desprestígio e ou cooptação política de suas lideranças”.

Fonte: http://tabajara.am.br

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TEATRO EM FORTALEZA

ROCK CORDEL

Afinal qual foi a primeira mulher? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Jornais, Rádio e Televisão apregoam que agora nós temos a primeira mulher como Presidente da República. Que nada! Somente agora é que resolvemos mostrar a cara, nos despir de nosso encardido machismo e assumir definitivamente que há muito vivemos num reino do matriarcado. O que os meios de comunicação social deveriam propagar é que agora não temos mais necessidade de usar intermediários. A maioria dos brasileiros, cansada dos “paus mandados” resolveu colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Antes de uma mulher assumir pessoalmente pela primeira vez o cargo da Presidência da República, nós tivemos um número bastante elevado de mulheres que igualmente mandaram nesse país. Lembremo-nos de algumas daquelas senhoras que, nos últimos sessenta anos comandaram nossos destinos, quase sempre às caladas da noite: Darcy Vargas, Carmela Dutra, Sarah Kubitschek, Eloá Quadros, Maria Tereza Goulart, Iolanda Costa e Silva, Scila Médici, Dulce Figueiredo, Marly Sarney, Rosana Collor, Ruth Cardoso e Marisa Letícia. Aos respectivos maridos, a quem nós apelidávamos de Presidentes da República cabiam sempre a última palavra: “A pois tá certo, minha querida.”

A propósito desse assunto, havia na época do Regime Militar um prefeito de uma capital que além da sua própria mulher, recebia ordens da mulher do governador. Certo dia, um jornalista quis saber dele se era verdade que ele fazia tudo que a mulher do governador mandava. “É sim, se ela mandar eu faço e, antes que ela mande eu já estou fazendo.”

Agora eu acredito que assumimos de fato nossa real condição, pois uma mulher foi eleita pelo povo brasileiro como a primeira Presidenta da República. Espero que ela use a sensibilidade da qual toda mulher é possuidora para olhar pelos pobres, e reduzir ainda mais as enormes desigualdades sociais e conduzir nosso país para dias melhores ainda.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mascarados de Potengi enriquecem folguedo

O Reisado do Sassaré usa máscaras ou caretas, mas numa produção diferenciada. Encanta pelo amor à cultura




O Reisado do Sassaré ou os Caretas do Sassaré, em Potengi, resistem ao tempo.
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Juazeiro do Norte. Outro grupo raro no Cariri se encontra no Município de Potengi, no Sítio Sassaré, a 3 quilômetros da cidade. É o Reisado do Sassaré. O grupo também usa máscaras ou caretas, mas numa produção diferenciada.

Confeccionada em madeira e couro, os antepassados resistem ao tempo, por amor à cultura e a preservação de uma arte. Quando vem o chamado para o grupo se apresentar, começa todo um ritual de organização do material para seguir viagem, que resulta mesmo num grande divertimento. É a brincadeira se transferindo para outro terreiro.

São seis agricultores do Sítio Sassaré, mais os músicos e os personagens. Ao todo, são 12 personagens que eles conseguem formar. No entanto, conforme o formato anterior, seriam 12 caretas, além dos outros integrantes. A preocupação é pela permanência do grupo, mesmo com o número reduzido dos personagens.

Mestre Antônio Luiz de Sousa, de pequeno, que há mais de 23 anos conduz o grupo, deixava muitas vezes de dançar para escutar os chamamentos do mestre Raimundo Maximiniano. As músicas soavam ao seu ouvido como um aviso do destino. O menino só não aprendeu a fazer as máscaras.

A sua preocupação constante é de como fará para dar continuidade a um trabalho. A arte que atravessou décadas e, segundo o mestre, desde o seu bisavô tem notícia do envolvimento da família com o que ele chama de brincadeira.

A tradição nasceu no Município, na comunidade do Sítio Rosário. Lá se realizavam grandes espetáculos aos olhos dos visitantes até de outras cidades da região. Junto com o grupo, a lapinha da comunidade também chamava a atenção.

No grupo, personagens como o jaraguá, guriabá e a margarida estão ausentes, além dos caboclinhos. Há a presença do violeiro, que tem um papel importante nas apresentações.

Seu Francisco José de Amorim, um dos mais antigos na brincadeira, junto com o mestre, também tem a preocupação de juntar as roupas e incrementar os chapéus. Até para comprar os papéis coloridos para enfeitar as indumentárias é preciso buscar ajuda da comunidade. Todo esse movimento dá um tom especial e comunitário às brincadeiras. Chico percebe a importância de se valorizar os grupos de tradição. (ES)

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Potengi
Diretoria de Cultura
culturapotengi@gmail.com
Telefone: (88) 3538.1225

CRATO E JUAZEIRO
Cortejo de grupos acontece até dia 6
Juazeiro do Norte. O cortejo dos grupos de tradição popular acontece tradicionalmente de 25 de dezembro até 6 de janeiro, Dia de Reis, um dos raros momentos de encontro dos integrantes nas ruas das cidades caririenses. Os brincantes mostram, no passo da resistência, a história que atravessa séculos.

Em Juazeiro do Norte, são cerca de 70 grupos que saem de bairros como o João Cabral, Pio XII e do Frei Damião. A maioria deles urbano. O encontrão acontece na Rua São Pedro, no Centro, mas um dos problemas ainda está relacionado a violência reservada a alguns grupos rivais. Os mestres estão sendo chamados à responsabilidade. O importante é ter uma festa bonita.

Segundo a Secretaria de Cultura deste Município, dentro desse caldeirão cultural, com lapinhas, bandas caçais, entre outros, são pelo menos 20 grupos de reisados. O bailado dos reis também recebe a cadência dos toques das bandas cabaçais.

As ruas se transformam num grande festejo. O gerente de tradição de cultura popular da Secretaria, André de Andrade, aguarda uma confirmação da Secretaria de Cultura do Estado sobre verba para subsidiar a apresentação dos grupos, para ajudar na compra de vestimentas, lanches e transporte, apoio necessário e incentivador.

Mas a reverência ao Dia de Reis é o mais importante dentro do projeto natural. A religiosidade popular da terra do Padre Cícero é o grande incentivo e esse fator se estende também para outras cidades da região, que cumprem o ritual de festa, entre o sagrado e o profano, pois nos grupos existem personagens que dão esse tom, mas dentro de uma dramatização que enfoca o sagrado como principal fundamento.

No Crato, os desfiles dos grupos começam no início da tarde, com trajetos pelas ruas e o encontro no fim da tarde na Praça da Sé. Segundo o folclorista Cacá Araújo, o Crato e o Cariri constituem território de resistência cultural em todas as frentes. Os mestres de reisado Aldenir de Aguiar e Mazé Luna são exemplos de dedicação e liderança na preservação e desenvolvimento das tradições.

Congo
O Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti (Mestra Mazé Luna) e o Reisado do Mestre Aldenir são reisados de Congo. Esses dois tradicionalmente fazem suas apresentações tanto nas localidades de origem e também nas ruas.

Têm sua estrutura baseada na hierarquia social de uma corte, com Rei, Mestre e Contramestre ao centro, ladeados por duas fileiras de brincantes, compostas de Embaixador, Guia, Contraguia, Coice, Contracoice e Bandeirinhas (representados pelas crianças). Portam espadas e se vestem como guerreiros medievais. No Reis de Congo, o Boi é a principal figura. Com tudo isso, o Cariri reverencia o Dia de Reis. (ES)

Distinção
"O reisado se apresenta com estrutura ou elementos distintos em todo o Estado do Ceará"
Cacá Araújo
Professor e folclorista


ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

AS PERIPÉCIAS DE UM JORNALISTA

Pedro Esmeraldo

Fim de ano! Foi horrível para mim. Tive um comportamento assombrado, estimulado por pessoa maldosa, de baixo nível social.

Fiquei deveras magoado e continuarei com mágoas até o fim com uma figura estóica que permanece com asas sustentadas por alguém que deveria ser uma pessoa notável no meio político, pois se iguala a outra figura semelhante, dando prioridade a suas doutrinas de homem de comportamento desequilibrado.

Mas o que fazer? Essa figura notável se diz filho do Crato, deveria comportar-se como político de alta linhagem democrática, mas que “perde as estribeiras”, assemelhando-se aos seus comparsas e trazer boas maneiras com boas perspectivas para o Crato. Mas não, essa figura se perde no espaço vazio, aloja-se a pessoas perversas que só sabem esmaecer os amigos, pretendendo anuviar o bom procedimento dos cidadãos de bem.

Parei de escrever por uns dias a fim de equilibrar-me emocionalmente, fugindo das forças negativas que invadem o Crato.

Graças a Deus, volto à luta, enfrento o batente tenebroso para mostrar aos amigos que os considero indigestos, (porque não sabem o que dizem), não sou pessoa de esmorecer por pouca crise, visto que “o que vem de baixo não me atinge”, vou em frente, permanecerei na luta com muita garra, enfrento dissabores e cairei em cima dos erros que surgem constantemente.

Saibam senhores cheios de idéias fantasiosas (que cheiram mal), Crato não comporta esse tipo de pessoas dúbias e que pensam que o mundo é deles e entorpecem o desenvolvimento da cidade com palavras maldosas.

Neste presente momento, volto a dizer a esses homens apáticos que só sabem debochar de suas companheiras, se quiserem viver em paz, não repita mais esses atos grosseiros e deixem de dizer asnice ofendendo seus amigos. Seria melhor calarem com essa boca, dando abraço de tamanduá, aquietando-se, deixando-nos em paz.

Reisado de Couro é raridade no Nordeste

Mestre Zé Gonçalo do Reisado de Couro, do Barro Vermelho, localizado no Município de Barbalha.
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS


A tradição do Reisado de Couro remonta mais de 100 anos no Município de Barbalha, no Cariri, e o costume resiste
 
Barbalha. Um dos mais raros tipos de reisado do Nordeste se encontra no Barro Vermelho, neste Município. É o Reisado de Couro. O grupo foi resgatado há mais de três décadas e resiste ao tempo com os seus brincantes. O Mestre José Pedro de Oliveira, Mestre Gonçalo ou Mestre Pedro, com 81 anos, luta pela permanência da tradição e sai no comando das ordens com o seu pandeiro.

Final de tarde no Sítio Barro Vermelho, e está lá, sentado na varanda de casa no seu sítio, o receptivo brincante Zé Gonçalo, que já foi líder dos penitentes, o decurião, e Mateu de reisado. Desde cedo, mesmo sem o apoio do pai, decidiu levar a brincadeira de reisado com muito respeito. Chegava a fugir de casa, aos 14 anos, para brincar. E deixava a rede montada como se tivesse gente lá dentro dormindo.

O personagem do Mateu ficou só na lembrança. O Mestre fala da sua destreza na juventude e de um erro do adversário na dança. Isso resultou em sangue, já que um corte acima do olho fez o companheiro ir para o hospital. O nervosismo do Mestre Zé Gonçalo fez com que ele não quisesse mais encarar o personagem. Foi a única vez que tirou sangue de alguém, mesmo sem querer.

A tradição do Reisado de Couro remonta mais de 100 anos em Barbalha, segundo o Mestre, que recebeu o título de Mestre da Cultura Popular no Estado, em 2005. Zé Gonçalo agora busca incentivar os novos brincantes, o que não é uma tarefa fácil. O medo é que a tradição fique sem continuidade.

As apresentações do grupo aconteciam na sede dos agricultores do bairro e depois nas ruas da cidade de Barbalha. Na principal festa da cidade, no dia 13 de junho, é de lei o grupo se apresentar. Na data também se comemora o aniversário do líder do grupo.

"Estou perto de viajar e o importante é que fique a cultura", diz. Ele afirma que sempre procura estar nas apresentações para dar o comando com o seu pandeiro. Para o Mestre, os brincantes fazem as apresentações, mas nunca é como se o mesmo estivesse presente. O velho agricultor se empolga quando o assunto é reisado. "A cultura popular não pode acabar porque vem do começo do mundo. Se acaba se o mestre não se interessar de passar para as próximas gerações", ressalta.

Criação
Zé Gonçalo teve a preocupação de aprender com os outros. Foi decorando os passos e as letras de cabeça com outros mestres. Quando decidiu montar o Reisado de Couro, foi criando com os outros colegas, como Chiquinho Bernardo. As vestimentas e as máscaras de couro foram sendo confeccionadas aos poucos.

O grupo foi assumindo uma identidade e alegria. "A diferença do reisado do couro é que os caretas entram gritando", diz Zé Gonçalo. As vestimentas do grupo foram sendo criadas aos poucos, e também as máscaras de couro de boi.

Além do Mestre, tem os caretas, um babau (cavalo) e uma burrinha, o boi careta, o urubu e o jaraguá. São personagens que contam a história de uma tradição rara. É uma dança diferente. "Só de animação", completa o Mestre.

No comando da batida do pandeiro, no ritmado da sanfona e do bumba, os personagens entram em cena. É a entrada da chegada na casa: "Ô de casa, ô de fora, menina vem ver quem é...". Tem também a chegada do boi.

Elementos distintos
De acordo com o folclorista Cacá Araújo, o reisado se apresenta com estrutura ou elementos distintos nas várias regiões do Estado. No Cariri, a presença do negro na cultura da cana-de-açúcar faz aparecer o reisado como Reis de Congo. No sertão, a cultura do gado o transforma no Reis de Couro ou Reis de Careta. No litoral, surgem novas figuras como os "papangus" e o "folharal".

As dificuldades de manutenção das tradições desses grupos, segundo Cacá, tem como vilão e um dos principais entraves ao desenvolvimento de qualquer folguedo a carga midiática. "Difundindo saberes e costumes estranhos à nossa cultura, muitos deles carregados de futilidade consumista e pornografia", constata ele.

Idade
81 anos tem o mestre José Pedro de Oliveira, conhecido como mestre Gonçalo ou mestre Pedro. Ele luta pela permanência da tradição e sai no comando das ordens com o seu pandeiro

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura do Município de Barbalha
Região do Cariri - Estado do Ceará
Telefone: (88) 3532.1708

ELIZÂNGELA SANTOSREPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

A leitura como finalidade - Emerson Monteiro

Dentre outros resultados da leitura como hábito saudável, ler com frequência ativa funções cerebrais necessárias para viver consciente e com maior durabilidade no tempo.
Um conhecimento, que é de todos, repete os ditos da ciência de que o que não se usa atrofia. Em vista de serem os neurônios células vitais do sistema nervoso, à medida que se apagam, levam consigo a vitalidade essencial do bom andamento das demais atividades do corpo. Enquanto que a constância da leitura mantém a sobrevivência dessas células, e ocasionam saúde ao corpo inteiro.
Há um livro intitulado A arte de ler ou como resistir à adversidade, escrito pela pesquisadora francesa Michèle Petit, que desenvolve o tema da leitura do modo utilitário, sob o ponto de vista psicológico. Ela considera o ato de ler nos momentos críticos da vida, diante das desilusões amorosas, morte de pessoas da família, doenças, crises ou catástrofes coletivas, qual instrumento poderoso de restabelecimento dos aspectos pessoais positivos. Naquelas ocasiões, o livro apresenta sua fidelidade ao leitor, de modo a permitir energias suplementares para vencer os embates difíceis da existência.
Amigo incondicional, o livro conduz as pessoas a lugares mentais que lhes permitem chegar aos meios da calma, apaziguando distúrbios e conflitos ocasionais.
Em todos os cantos, leitores utilizam o poder da leitura para reverter situações adversas, mostra a pesquisadora, desde a Europa à América Latina, Brasil, Argentina, México, Colômbia. Ela viajou pelas diversas localidades estudando experiências de professores, psicólogos, artistas, escritores, editores, trabalhadores sociais, considerando diferentes públicos, crianças, adolescentes, mulheres, homens, escolarizados, marginalizados, sempre com a visão essa interpretativa da leitura e sua utilidade revitalizadora.
Na concepção dessa estudiosa francesa, a leitura conduz ao esquecimento temporário da dor, do medo e da humilhação (...) para despertar a interioridade, colocar em movimento o pensamento, relançar a atividade de simbolização, de construção de sentido e incita trocas inéditas. Conclui, então, que o hábito de ler permite intercalar momentos de paz nas realidades dolorosas, ofertando uma sobrevida aos leitores. Invés de fuga do mundo real, ler permite uma pausa, um intervalo necessário para curar as feridas de uma realidade demasiado dolorosa, nas suas palavras.
Segundo Michèle Petit, apropriar-se dos livros é reencontrar o eco longínquo de uma voz amada na infância, a relembrança dos entres queridos e suas sonoridades em que as palavras são bebidas como se fossem leite ou mel.
Resta a todos, também por isso, valorizar o hábito da boa leitura e o privilégio de se ser alfabetizado entre tantos que ainda não obtiveram esse direito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esperança de dias melhores- Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A passagem do ano gera nas pessoas uma alegria, uma vontade de mudar do velho para o novo. A virada do ano é comemorada com festas reunindo familiares e amigos. As cidades ficam coloridas com a explosão de fogos de artifícios. Há sempre uma esperança que dias melhores virão com muita saúde, emprego e felicidade. Também é um momento para refletirmos sobre a nossa mudança interior. Assim como é tempo de arrumarmos a casa, os guarda-roupas nos desfazendo do supérfluo, roupas de que nem precisamos e lotam os armários e poderiam ser aproveitadas por pessoas necessitadas. Participando de uma missa há alguns anos, nunca me esqueci das palavras do padre: “quando esvaziamos os nossos armários para doar roupas que não precisamos mais aos pobres, eles é que estão nos fazendo a caridade, pois queremos desocupar os armários”. O padre queria nos mostrar que em vez de acumular devemos partilhar o que temos de melhor. Assim é também com nosso espírito. Este é um momento para mudar nossa vida e iniciar o ano praticando mais o amor. Como conseqüência teremos um ano melhor para nós e para os outros. O primeiro passo para sermos melhores e nos doar mais é nos livrarmos do egoísmo, da falta de amor e da indiferença. É muito importante abrirmos o nosso coração a vivência do amor e da solidariedade.

O Evangelista João diz em suas cartas, que devemos amar uns aos outros, “pois o amor vem de Deus e quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. O amor aos irmãos nos leva a praticar o bem fazendo os outros felizes e promovendo a nossa própria felicidade. A felicidade está nas pequenas coisas: na união da família, na alegria de ter amigos, na doação aos outros. Saindo da indiferença e fazendo a nossa pequena parte, quem sabe ajudaremos um pouco mais na construção de um mundo sem violência, com mais paz e justiça. Não podemos perder as esperanças.
Desejo a todos os leitores e colaboradores desse blog um Ano Novo cheio de paz, amor e felicidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Pensamento para o Dia 02/01/2011


“Apenas um devoto fervoroso pode compreender e experimentar a bem-aventurança da união com Deus. Açúcar tem gosto amargo se uma pessoa sofre de malária. O defeito está na sua língua, não no açúcar. Assim é o caso de uma pessoa imersa em desejos mundanos. Se você está imerso nisso, não pode experimentar a doçura da Divindade. Tenha a firme convicção: "Deus está em mim, comigo, ao meu redor, atrás de mim." Quando você pondera sobre essas idéias, você se torna divino. Nunca acolha o pensamento de que você está separado de Deus. ”
Sathya Sai Baba

Raimundo Fagner - Emerson Monteiro

Há precisos 33 anos, ao seja, na virada do ano de 1977, encontrei o cantor cearense Raimundo Fagner. À época se apresentava na Quadra Bicentenário, em Crato, ainda nos passos iniciais da caminhada de êxitos que trilharia desde então. Dessa aproximação, viria a lhe oferecer hospedagem, a ele e a alguns amigos que com ele viajavam, Amelinha, Francis Vale, Wiron Batista, Afonsinho e mais duas jovens das quais não recordo os nomes. Morava com meus pais, naquela ocasião. Eles se achavam ausentes. A casa permaneceu, alguns dias, ao nosso dispor, enquanto o grupo ficou no Cariri uns dois ou três dias mais, e com eles seguiria para passar o Ano Novo em Orós, na casa dos pais de Fagner. Depois, no mesmo grupo, fomos até Fortaleza.
Nesta oportunidade, conheci alguns dos amigos dele numa comemoração que antecedeu apresentação do cantor, promovida no Teatro José de Alencar, no princípio de janeiro de 1978. Das figuras que se reuniram naquela noite, em um restaurante próximo à residência de Fagner, lembro de Ricardo Bezerra, Fausto Nilo, Stélio Vale, Alano Freitas, Sérgio Pinheiro, Cirino, dentre outros, todos ligados às artes e à música popular cearense, os quais formavam a intelectualidade artística de Fortaleza. Cirino eu conhecera antes, exímio violonista, havia estado com ele em algumas vezes em Crato, quando estabelecêramos amizade, e eu auxiliara no lançamento de um disco seu, no antigo auditório da Faculdade de Filosofia, nas instalações do antigo Patronato Padre Ibiapina.
Depois, passados esses anos todos, agora, no Révellion do Centenário de Juazeiro do Norte, de 2010, volto a encontrar Raimundo Fagner, em sua apresentação do evento. Nesse meio tempo, nosso contato fora só através de um telefonema, quando coordenei o Comitê Contra a Fome, a Miséria, pela Vida, no Banco do Brasil, começos da década de 90, e buscava instrumentos de ampliar os recursos daquela atividade com algumas promoções.
Em 1977, pois, Fagner despontava a nível nacional desde o seu primeiro disco, Manera Fru Fru Manera, gravado em 1973. Dono de uma carreira artística preenchida de sucessos, agora integra o elenco dos nomes imortais da música brasileira, dado seu talento de músico, cantor e compositor, dos mais festejados entre os valores da cultura do Ceará.
Nesta apresentação, em Juazeiro do Norte, o músico cantou algumas das composições que marcam os momentos destacados de seu repertório, para público estimado em 40 mil pessoas, cantando logo após as apresentações de Fábio Carneirinho e Luiz Fidelis, depois sequenciado por Maurício Jorge, na programação que iniciou a pauta das atividades alusivas ao Centenário da Independência de Juazeiro do Norte, neste ano de 2011.

Janinha Brito - A (a)postadora do Cariri no mundo




Blogueira aposta no registro e na difusão da produção artística e cultural da região do Cariri, Sul do Estado do Ceará, como forma fortalecer a identidade do povo do Cariri. Janinha é uma pequizeira, para quem é do Crato/CE isso é sinônimo de guerrilheira, ela é uma dessas mulheres fortes e defensoras do “cratinho de açúcar” .

Alexandre Lucas - Quem é Janinha Brito?


Janinha Brito - Sou uma apreciadora de arte e cultura do Cariri, cantora, blogueira e articuladora cultural.


Alexandre Lucas - Quando teve início seu trabalho artístico?


Janinha Brito - Em 1993, nos bares do Cariri, fazia dupla com Júnior Rivadávio, viajava com shows de MPB.


Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?


Janinha Brito - Música Popular Brasileira, especificamente a Nordestina, trazida pelo meu pai.


Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?


Janinha Brito - Vejo avanços, o governo Lula abriu portas para a arte e cultura, valorizando mais a arte popular, o ensino de artes nas escolas, projetos, eventos etc.
Muito pode ser feito ainda, mas já podemos hoje nos projetar a viver de arte.


Alexandre Lucas - O que é música para você?


Janinha Brito - Me emocionei com a pergunta...música é o meu sentido, minha razão.
Meu pai era músico, cada fase da minha vida tem uma forte lembrança musical, ela será minha profissão, a faculdade que farei, meu lazer, como sou lembrada pelas pessoas, alimento da minha alma!


Alexandre Lucas - Você vem dedicando parte do seu tempo a manutenção do Blog Cultura no Cariri. Como surgiu a idéia do Blog?


Janinha Brito - Pela necessidade de um espaço na internet onde pudéssemos saber mais sobre a cultura da nossa cidade.


Participei de um seminário do MINC, e do Entre Pontos, lá nos perguntaram sobre como saber mais sobre a música e cultura da nossa região, se estávamos organizados em uma associação ou tínhamos disponível algum material sobre a carreira na internet, percebi então nossa carência de registros e divulgação do trabalho, desde então tenho, com amor, me dedicado junto de grandes parceiros a atualizar o "Cultura no Cariri".


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Janinha Brito - Resgate da história de grupos de reisados, divulgação de novos artistas, de projetos sociais, etc.


Alexandre Lucas - O que é a cultura no Cariri?


Janinha Brito - É a essência do "ser" nordestino, a mistura da história, tradição, música, dança, poesia da forma mais pura e verdadeira.


É a nossa chapada do Araripe, nosso reisado, as lendas sobre as passagens de Lampião e seu bando contadas por nossos avós, é a rapadura e nossos velhos engenhos, o pequi, as romarias ao "padim Ciço", é a festa do pau da bandeira, procissão de Nossa Senhora da Penha, a feira, é Patativa, é Luiz Gonzaga!


Alexandre Lucas - Como você vê a participação dos músicos e interpretes do Cariri nos grandes eventos da Região?


Janinha Brito - Já pensei muito sobre isso, nossa exclusão deve ser transformada em uma grande guerrilha artística, idéia do Cacá Araújo e direcionada aos atores de teatro quando sentiram-se excluídos de uma das maiores manifestações culturais da região, além do mais, a tal "grande" festa vem perdendo o caráter cultural a cada ano, temos de nos organizar para melhor reivindicar nossos direitos.


Alexandre Lucas - O que é preciso para democratizar a diversidade musical?


Janinha Brito - A internet é uma grande parceira dos artistas, a forma mais acessível e dinâmica de apreciar e divulgar o trabalho. Temos muito ainda a explorar!


Alexandre Lucas - Como você enxerga o cenário musical do Cariri?


Janinha Brito - Precisa ainda profissionalização, oportunidades, incentivo material, organização e valorização!


Alexandre Lucas - Quais seus próximos projetos?


Janinha Brito - Voltar a cantar um repertório com músicas nordestinas e compositores caririenses, expandir o Cultura no Cariri, criar uma associação dos músicos do Cariri.

sábado, 1 de janeiro de 2011

ACONTECEU...

Aconteceu em
1º de janeiro
   
  1955 - Dia da 1ª Liga Camponesa  
 
Criada a 1ª Liga Camponesa, no engenho de fogo morto Galiléia, em Vitória de Santo Antão, PE. Marco inicial da 1ª grande onda de lutas pela reforma agrária no Brasil, até o golpe de 1964.
A sede da Liga do Engenho Galiléia
 
 
1804:
Independência do Haiti, 1º estado soberano da América Latina, graças à insurreição vitoriosa dos escravos.
   
1821:
Belém, com a tropa rebelada, adere à Revolução Liberal do Porto.
   
1849:
Borges da Fonseca expõe no Manifesto ao Mundo os fins da Revolução Praieira, PE: Constituinte, voto universal, valorização do trabalho.
   
1850:
Apenas 1 liberal (Sousa Franco, PA) chega à Câmara, após uma eleição que Teófilo Otoni chama de "saturnal indecente".
   
1852:
Joana Manso Noronha, argentina, lança no Rio o Jornal das Senhoras, 1º periódico dirigido às mulheres.
   
1863:
Abraham Lincoln proclama abolição da escravatura nos EUA.
   
1881:
Morre em Paris aos 76 anos o revolucionário socialista Auguste Blanqui. Passou 36 anos nos cárceres da reação francesa.
   
1883:
Acarape, CE, é a 1ª vila a libertar todos os seus escravos (116).
   
1884:
Começa a circular no RS o jornal republicano A Federação, de Júlio de Castilhos.
   
1907:
Os ferroviários da Mogiana, SP, conquistam a jornada de 8 horas.
   
1912:
Nasce em Belém João Amazonas, dirigente histórico do PCdoB, onde militará a partir de 1935. Reorganizador do Partido Comunista em 1962, foi com Maurício Grabois o dirigente da Guerrilha do Araguaia.
   
1927:
Com o fim do estado de sítio, o PCB reconquista a legalidade (até 12/8).
   
1931:
Soldados rebelados trocam tiros com a Força Pública em Niterói, RJ.
   
1933:
Triunfa a causa de Sandino: o exército dos EUA deixa a Nicarágua.
   
1946:
A polícia do gen. Dutra reprime manifestações no Rio e São Paulo.
   
1959:
Rebeldes de Fidel Castro tomam Havana. Vitória da Revolução Cubana.
A Festa da
Revolução

em Havana
   
1967:
Criada a Al-Fatah, braço armado da OLP (Organização de Libertação da Palestina).
   
1987:
Com a inflação superando 20% desde o Plano Cruzado, o gatilho salarial é acionado pela 1ª e única vez (será eliminado em 12/6).
   
1992:
Privatização do SNBP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata).
   
1994:
Levante indígena-camponês zapatista em Chiapas, sul do México, toma 4 cidades. Em 13/1, passeata de 70 mil na capital contra a presença do exército em Chiapas.
   
1999:
FHC assume o 2º mandato presidencial.

Meu primeiro Ano Novo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Recuando no tempo, as minhas lembranças remontam a alguns episódios de quando eu tinha dois anos de idade. Antes de sua morte, a minha mãe se surpreendeu quando eu, já velho e barbado, lhe perguntei em que ano ocorreram determinados fatos da minha infância. Guardo muita coisa na minha memória anterior, hoje com sua área de armazenamento já totalmente preenchida, de modo que não mais me ocorrem lembranças de anos mais recentes.

Eu tinha quatro anos e três meses de idade, quando descobri que o tempo era medido em anos. Leni, uma pessoa muito querida em nossa casa, rasgou a folhinha do calendário e disse: “Hoje é primeiro de janeiro de 1950. Faltam dez anos para o mundo acabar”. Foi assim que eu fiquei sabendo de duas coisas. Primeira: que cada determinado período de nossa vida constituía um ciclo que nós denominávamos ano. A segunda foi uma informação que me deixou bastante apreensivo. O mundo um dia iria acabar. E este dia estava bem próximo, pois dez anos para mim seria uma coisa que passaria rapidamente. Esta perspectiva do fim do mundo me apavorou só em pensar, que toda a vida existente um dia se acabaria. Por isso, a cada primeiro de janeiro, revejo a imagem de Leni puxando a folhinha do calendário e destacando aquele marco. Hoje guardo um sorriso pelos anos e anos em que tive medo das “três noites de escuro” que prenunciava o “fim do mundo” previsto, portanto para ocorrer em 1960.

Neste ano, que ontem se encerrou, quando me encontrava na UTI de um hospital, durante o pós-operatório de uma delicada intervenção cirúrgica, senti por alguns instantes a proximidade do “fim do mundo”.... E lembrei-me de Leni, que hoje vive no “outro mundo” preparando para os anjos e santos seus deliciosos bolos, pudins e o incomparável “baba de moça”, um doce feito com a polpa do coco verde, com os quais me empanturrei durante tantos anos. Tenho certeza que seus divinos clientes não correrão o risco de ter suas artérias obstruídas, como ocorreu comigo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Funções da autoestima - Emerson Monteiro

O zelo para consigo mesmo torna-se, todo tempo, fator por demais importante para viver uma vida saudável do ponto de vista interior, o que facilita sobremaneira o relacionamento com os outros, com o mundo que nos rodeia e alimenta desejos de prosseguir e aperfeiçoar a realização daquilo a que se veio aqui fazer neste pedaço de universo. Os obstáculos já vencidos no transcorrer dos embates do caminho mostram o quanto podem as pessoas, em termos de coragem e resultados. Temos todos, reunida em nós, na nossa personalidade, uma enorme lista de vitórias obtidas no transcorrer dos acontecimentos de nossa história pessoal. Parar um pouco e estudar este material precioso serve de reciclagem e dispositivo para considerar o quanto de recursos e instrumento de reforço dispomos, nos passos seguintes desse traçado que nos conduzirá à formação do nosso projeto individual.
As tais anotações guardadas na memória demonstram, junto ao tribunal das consciências, o poder que dispõe o ser humano, vezes sem conta, ao querer atravessar as tempestades. Ninguém merece título de perdedor quando detém as provas de sucessivas vitórias, nas lutas apresentadas pelo caminho. E nunca serão poucos os tais acertos, desde nosso início, ainda na infância; depois, na juventude; e entrando pela idade adulta. Jamais cruzar os braços ou baixar a cabeça perante desafios, esta a lição preciosa que todos reservam para si na justiça eterna, livres do que pensem adversários ou imponham os limites da resistência.
Aprendida, pois, essa atitude positiva de resistir com garra aos males do fracasso, guerreiros erguem os olhos à metade superior da linha do horizonte e tocam o barco em frente, no sentido de concretizar seus maiores sonhos, detalhe sobretudo salutar do processo vida, sonhar sempre com o que de melhor se pretende trazer ao foco das realizações. Enquanto há vida, há esperança, dizem orientadores que querem o nosso bem. O amor às coisas boas encaminha todo percurso a destinos favoráveis. Com isso, criar na imaginação o porto a chegar, o que abre, no mundo invisível, o trilho de uma exata concretização desses sonhos. Passado em miúdos, isto quer significar o quanto pode a capacidade humana de planejar o futuro e conquistar territórios.
Houve um filósofo romano de nome Sêneca que, certa feita, escreveu que nenhum vento é favorável a quem navega sem destino, daí a importância do ato de formular o endereço firme do que se pretende realizar na existência.
Bom, quando recebidas com atenção e postas na prática, as palavras alimentam de ânimo o roteiro das pessoas, frutificando as nossas ações e o gosto de crescer ao infinito de nossas potencialidades.