Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Política excludente de editais da (des)Secult

Por Alexandre Lucas*


As políticas públicas para fomento a produção estética, artística e cientifica no âmbito das instituições governamentais é uma conquista que vem possibilitando a descentralização e democratização dos recursos públicos no país, bem como dando visibilidade e condições estruturais para continuidades, experimentações, circulações e promoção dos trabalhos desenvolvidos pelos feitores da arte, pesquisadores e produtores culturais.

A política de editais é uma forma de barrar o clientelismo e possibilitar formas mais acessíveis para garantir o acesso aos recursos públicos. A partir da década de oitenta do século passado diversas Secretarias Estaduais e Municipais e o Ministério da Cultura vem adotando deste artifício para atender as demandas de solicitação de recursos financeiros.

Como não existe uma legislação nacional, cada localidade vem adotando uma forma particular de conceber as suas políticas de editais, a partir de conveniências e compreensões políticas e de gestão.

No Estado do Ceará esse trabalho teve início no Governo do Tasso Jereissati com a Lei de Incentivo Fiscal para investimento do setor privado na Cultura que ficou conhecida como Lei Jereissati (1995), a lei criou também o Fundo Estadual de Cultura e o Mecenato Estadual, apesar da legislação representar um avanço significativo, ela apontava alguns empecilhos como: dependência do setor privado, somente as empresas de grande arrecadação poderiam “Investir”, isso também criou situações que somente as empresas da capital poderiam participar da Lei por conta da alta arrecadação de ICMS. Ficando dificultosa a inclusão das propostas oriundas das regiões do Estado do Ceará. Sem contar a burocracia para conseguir finalizar um projeto.

Venho analisado, nos últimos anos, que a partir do atual Governo Estadual, vem ocorrendo um processo de aumento da burocracia na política de editais do Estado do Ceará, fator que é contraditório a política desencadeada a nível nacional pelo Ministério da Cultura - MinC e as instituições vinculadas. Enquanto o MinC tem aprofundado a desburocratização na maioria dos editais a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará faz o papel inverso. O MinC analisa em primeiro caso o conteúdo/forma e sustentabilidade das propostas enviadas e por ultimo após aprovação da proposta é que analisada os aspectos jurídicos. Já a Secult dispensa conteúdo/forma e sustentabilidade da proposta enviada para analisar em primeiro plano os aspectos jurídicos como elemento de classificação.

Essa pratica tem gerado uma inversão de lógica e excluído um grande número de feitores de arte e produtores culturais, privilegiando o que poderíamos denominar de “elite dos projetos culturais” normalmente constituída por especialistas na área de gestão e contabilidade. Isso gera alguns complicadores que dizem respeito a tornar a Política de Editais “um bom negócio” como era encarada as políticas públicas para a cultura na época do Governo Neoliberal de Fernando Henrique Cardoso.

Nos diversos fóruns e nas conferências municipais e estadual da Cultura, uma das questões presentes é a desburocratização das política de editais. Porém, a gestão da Secult tratar as reivindicações e as resoluções das instâncias de participação popular a exemplo da Conferência Estadual da Cultura como amontoado de palavras sem nexo.

Isso é grave, pois representa um despeito a indicação popular de direcionamento das políticas públicas para a cultura. Caso o direito constitucional de indicar, propor e manifestar a discordância, viabilizados pelos mecanismos de consulta a população, como fóruns, plebiscitos e conferencias não tenha importância política e mobilizativa, eles não seriam realizados. Vale ressaltar que hoje temos esses instrumentos consultivos por conta da insistência organizada dos movimentos sociais, notadamente constituído por forças progressistas e em muitos casos ligadas as compreensões políticas das esquerdas.

Certa vez escutei de um “técnico” da Secult em um dos encontros no Cariri a seguinte afirmativa “para desburocratizar teria que mudar legislação”. Essa afirmação é falsa e irresponsável, basta analisar as políticas de editais realizadas pelos Centros Culturais do Banco do Nordeste e pela Fundação Nacional da Arte – Funarte que prossegue a cada ano simplificando as formas de recebimento de proposta e viabilizando que qualquer artista e produtor possa encaminhar seus proposições sem ter que ser “um especialista da área de projetos”. Essas instituições servem como exemplo para citar apenas algumas ligadas ao Governo Federal que utilizam de formas parecidas, a simplificação.

Um avanço tímido e insuficiente ocorreu na descentralização de recursos para as políticas de editais na gestão do Auto Filho a frente da Secult, quando estabeleceu 50% dos recursos para capital e 50% para as demais cidades do Ceará. Isso ainda é insignificante comparado a quantidade de cidades do Estado, mas é um avanço. Porém descentralizar e manter uma visão equivocada, excludente, elitista e despeitosa as indicações, sugestões e reivindicações dos diversos segmentos das artes e da cultura é estabelecer a política de “ouvido de mercador”, ou seja, é não considerar os reclamos de quem produz, conhece, dissemina e sobrevive da produção da arte e da cultura no Estado do Ceará.

Esse discurso pode parecer exagerado, mas é compatível com o que vem acontecendo e reflete questões que não se resumem exclusivamente a política de editais, mas a estrutura que se encontra a Secult, com vários problemas a serem solucionados, que dizem respeito a gestão e ao norte político, é preciso ampliar o quadro de funcionários desta Secretaria através de concurso público e rever as práticas administrativas. São gritantes as reclamações neste sentido recentemente tomei conhecimento de um caso atípico: um proponente teve um projeto aprovado, entretanto não recebeu os recursos para execução e ficou impedido de concorrer a outros projetos. Sabe por quer? Porque, o seu nome constava como inadimplente por não ter prestado contas de um recurso que não recebeu. Esse proponente deverá acionar a justiça contra esse “equivocozinho”.

Acredito que o debate não termina aqui, nem poderia, temos muita lutar para travar e muita gente ainda tem que dizer de que lado samba.




*Coordenador do Coletivo Camaradas, integrante do Conselho Municipal de Cultura do Crato e artista/educador. Comentar esse texto pelo email: alexandrelucas65@hotmail.com

domingo, 6 de fevereiro de 2011

800.000 REAIS POR CABEÇA... QUEM DÁ MAIS?

Foto: Cacá Araújo (2009)


Não me causa admiração a Assembléia Legislativa do Ceará ser quase 100% (cem porcento) submissa ao governador. Além da partilha de cargos e favores menores aos parlamentares, cada um dos 47 (quarenta e sete) deputados estaduais tem direito a indicar aplicação de verbas públicas no valor de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) como se membro do executivo fosse. 

Se é assim mesmo que está se dando a relação entre esses dois poderes, com a confusão de funções, pouco ou nada se legisla, menos se fiscaliza, e ficam todos irmanados numa sodomia administrativa que parece democratização, mas que na verdade amarra nossos "fiscais" e "legisladores" no pé do mourão com a cancela bem trancada. 

A política se apequena numa insossa discussão acerca dos valores destinados por este ou aquele deputado para uma ou outra obra aqui ou acolá. O executivo estadual legisla e executa sem qualquer obstáculo ou discussão, em um regime quase imperial. 

Em recente análise divulgada pela imprensa local, os cientistas políticos André Haguete e Regina Serqueira, da UFC e UECE, afirmaram que o legislativo do Ceará não existe, dada a carência de oposição e a subserviência dos parlamentares às vontades e humores do executivo. 

Haguete declarou que "o jogo democrático foi criado necessitando de oposição. Em um governo sem oposição, não existe possibilidade de isso ser positivo para a sociedade, que fica enfraquecida". 

Serqueira, em sua colocação, disse que “a oposição é muito importante para que se tenha um debate. O Legislativo é uma via, que a meu ver está quase que totalmente de braços atados. É preciso um exercício muito profundo de Filosofia para que se possa mudar essa situação, pois a sociedade sofre e a Democracia só tende a perder com um governo que usa a ferramenta de poder que une tudo, causando assim, a letra morta, a fala morta”.

Digo eu que o modelo político-gerencial adotado pelos Ferreira Gomes de Sobral é retrógrado e monárquico, não admitindo o contraditório da oposição, cooptando os pensamentos contrários e os depositando todos numa espécie de vala comum de comportamento único, artificial, de aplauso fácil e joelhos dobrados.

Tivessem eles intenções verdadeiramente democráticas, penso que recursos como os ditos R$ 37.600.000,00 (trinta e sete milhões e seiscentos mil reais) distribuídos para a farra executiva dos 47 (quarenta e sete) legisladores estaduais seriam destinados proporcionalmente aos 184 (cento e oitenta e quatro) municípios cearenses. Até mesmo porque esse dinheiro é arrecadado nos municípios através do eficiente sistema fazendário do Estado.

Tenho notícia da existência de apenas 01 (um) deputado estadual de oposição. Louvo sua índole. Entretanto, não desejo que interpretem minhas palavras como típicas de rancorosos oposicionistas, mas como de um cidadão que deseja contribuir no debate quase inexistente acerca de políticas governamentais e ações de fortalecimento da democracia.

Sou do Crato... Sou do Cariri!

Foto: Lucas Carvalho
Cacá Araújo
Professor, Folclorista e Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
06 de fevereiro do ano 2011. 

Ilusões de um cachorro - Emerson Monteiro

Indagado qual a razão de o cachorro ser o melhor amigo do homem, com propriedade um sábio respondeu: - Porque ainda não conhece o dinheiro. Ah! Os bens materiais, quantas cogitações equivocadas podem ocasionar no bloco das vaidades humanas. Tal vê, também, os comportamentos animais, acho que nas fases de preparação de outras vivências da natureza. Sei não, pois há tantos mistérios a desvendar, da terra ao céu, que causa ânsias e vertigem.
O cachorro da minha casa, por exemplo, este apresenta manias bem típicas dos bichos da espécie, com o agravante das arrogâncias dos cachorros de raça, valentões, pretensiosos, dos que olham de cima as pessoas. Sempre que abro a porta para sair na varanda, ali está ele, o verdadeiro dono do pedaço. A segunda coisa que faz depois de balançar o toco do rabo, trazido assim mutilado, segundo explicaram, para manter o padrão da raça, a segunda coisa, mostrar a língua e lamber o focinho, tomando gosto, qual abríssemos a porta toda vez só para lhe levar alimento.
Acha-se o dono absoluto de toda a extensão territorial da casa e do muro que a cerca. Mija por todo canto, costume estudado pelos especialistas caninos que adotam para demarcar o espaço das suas pertenças. Nesse ponto, mora o título deste comentário, o motivo das ilusões dos cachorros, por pensarem possuir o mundo inteiro onde mijam descaradamente. Caso consiga escapar até a rua, sai mijando tudo que aparece à frente, semelhante ao que providencia cada vez que chego com o carro, renovando mijadas nos pneus, parachoques, lataria, reforçando o instinto que alimenta de proprietário exclusivo do transporte que adquirimos com relativa dificuldade. Ele nem de longe imagina o que de antipatia isso acarreta no dono, essa pretensão de garantir só para si um direito que corresponde à família inteira.
Os passarinhos que pastam pelas imediações em volta da casa, a seu modo, sofrem na pele essa inclinação possessiva do cão alienado em constante vigilância. Corre e late desesperado quando sanhaços, sabiás, anuns, garrinchas, griguilins, pardais, vinvins, lavandeiras, aventuram catar insetos e sementes no chão. Vez em quando aparece pássaro morto na varanda, prática parecida com a dos humanos, únicos animais que matam e abandonam a vítima. Os outros assassinam apenas no propósito da sobrevivência.
As ilusões do cachorro chegam ao domínio de causar mais constrangimento aos seus donos. Caso saia a telefonar na varanda, quem aparece, ele, atento na escuta de toda a conversar, quebrando qualquer sigilo, semelhante aos agentes secretos deste mundo. Até hoje, porém, não descobrir de como se beneficia da escuta privilegiada.
Sua agressividade patrimonial, no entanto, restringe as visitas que de raro recebemos, seleção prévia que ele mesmo estabelece. Resultado, alguém bate no portão e eu corro apressado a prender dito chefe provincial, o que deixa a impressão do tanto de analogia dos bichos com os humanos, tão cheios de ilusões de honras e posses, durante a curta jornada desta vida, surpreendidos, inevitáveis, nas folhas que, secas, voam dos calendários.

Fabrício Skinny – Ativista da palavra rimada e politizada


Ex-integrante do Grupo Relatores, Fabrício Skinny é um dos MCs da Região do Cariri que tem contribuído para a difusão do Rap e incluído novas roupagens ao estilo musical. Acadêmico do Curso de Artes Visuais e integrante do Coletivo Camaradas, Fabrício acredita que uma das funções da arte é politizar a população.

Alexandre Lucas - Quem é Fabrício skinny ?

Fabrício Skinny - Um cara tranqüilo que gosta de coisas simples, que respeita a vida e tenta aproveitar as melhores coisas que ela proporciona, Mc e filho de Deus.


Alexandre Lucas -
Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Fabrício Skinny - Acho que com uns cinco anos de idade, em vez de brincar com os brinquedos de plástico, preferia fazer uns personagens animados com aquelas massinhas de modelar,naquela época nem sabia o que era arte nem pra quer servia,apenas criava e me divertia,nessa idade também desenhava constantemente inspirado pelos cavaleiros do zodíaco...rsrs um grande clássico da minha geração quem já assistiu sabe do que eu estou falando.

Alexandre Lucas - O que despertou seu interesse pelo Hip-hop?

Fabrício Skinny - Quando eu tinha uns dez anos de idade assistia a aqueles filmes americanos que contava histórias sobre os guetos e a trilha sonora sempre era Rap, mas eu nem sabia do que se tratava e nem entendia nada do que aqueles caras estavam cantando, mas gostava da batida e tentava imitá-los,aí quando eu estava cursando o primeiro ano do ensino médio no Colégio Polivalente de Juazeiro do Norte,aconteceu um evento escolar relacionado a cultura onde se apresentou um grupo de rap da cidade,quando eu vi,escutei e entendi o que aqueles caras estavam cantando eu fiquei pasmo com a força que essa música tem,ela passa uma energia e idéias livres que é difícil encontrar em outro gênero musical,é muito forte desde esse dia inventei de escrever rap.

Alexandre Lucas - Como foi os seus primeiros trabalhos como MC?

Fabrício Skinny - Péssimos... rsrs,minhas primeiras letras eram horríveis eram tão horríveis que eu escrevia pra mim mesmo pois tinha vergonha de mostrar para outras pessoas,a minha sorte foi que eu não parei de escrever e me apaixonei pela cultura e fui buscando o conhecimento e escutando outros tipos de música,me interessei pela leitura e comecei a ter um pensamento “revolucionário” parei de assistir bobagens,aí a evolução aconteceu naturalmente,entrei em um grupo chamado Coringas mc’s e fiz uma participação em uma faixa do segundo cd do Relatores onde fui convidado a fazer parte do grupo,onde foi minha verdadeira escola, aprendi técnicas de rimas,métrica,flow e postura de palco,devo uma boa parte do que sei a essas pessoas que passaram na minha vida e fortaleceram minha caminhada,e no final deste ano resolvi me afastar do grupo mas mantenho contato e a amizade com todos .

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Fabrício Skinny - Fora do rap: Tom Zé,Caetano Veloso,Jackson do pandeiro, Seu Lunga,Chico Science, Seu Madruga,Planet Hemp,Chris Rock,Will Smith ,Patativa do Assaré,Os Simpsons,Cartola e Bruce Lee e dentro do rap são Black Alien,Quinto andar, Oficina da Rima,SP Funk,Rza,Valete,Crioulo Doido,Inquilinus,Jay-z,Cachaça Crew e Shawlin.

Alexandre Lucas - No Cariri vem crescendo a quantidade de grupos de RAP?

Fabrício Skinny - Sim vem crescendo, mas ainda é muito pouco, ter um grupo de rap é difícil, pois você tem quem investir em equipamentos caros como picapes, e investir em você também. Sem contar que o rap é boicotado na rádio, TV e na mídia em geral, mas os grupos são fortes, é como diz uma frase “Se fosse fácil num era rap”.bola pra frente!

Alexandre Lucas - Existe uma tendência no Cariri de incluir nas letras e nas músicas questões relacionadas a cultura popular?

Fabrício Skinny - Sim, e essa tendência é muito importante tanto para o rap quanto para a região do Cariri,pois esse estilo de rap, base,rima,e assunto só existe aqui. É uma coisa natural é a identidade do nosso rap, o sotaque as gírias, os samples, o estilo dos beat makers são totalmente autênticos,nós não precisamos imitar ninguém,cada lugar tem sua característica e ela deve ser preservada mas sempre com verdade,não adianta também fingir que sou “cabra da peste” sem ser,se for mesmo tá beleza eu considero,é preciso ter verdade acima de tudo.

Alexandre Lucas - O movimento Hip-hop sofre discriminações?

Fabrício Skinny - Sim, a primeira discriminação vem de casa, lembro que quando comecei a escrever rap e ensaiar em casa, minha mãe falava que era música de bandido, com o tempo ela percebeu que não era bem assim,existe uma distorção muito grande até pelos próprios artistas, tem pessoas que pensam que pra você poder ser um rapper você tem que ser negro,morar numa favela e ter antecedentes criminais,movidos por estereótipos e o pior é que muitos mc’s aceitam isso,o Hip Hop sofre discriminação porque ele vem mostrar para as pessoas o que elas não querem ouvir.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Fabrício Skinny - A política é nosso alvo e a arte é a nossa flecha,mesmo não gostando de política devemos ser politizados e saber o que está acontecendo senão vamos ser manipulados novamente,e com a arte podemos politizar a população.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Fabrício Skinny - Eu tenho a intenção de despertar as pessoas para algumas coisas que existe e elas não enxergam, falar de um assunto sério de forma divertida para que a mensagem possa chegar a elas de forma agradável.

Alexandre Lucas - O que é RAP para você?

Fabrício Skinny - Rap pra mim é um estilo de vida, uma ideologia, uma cultura, um tratamento, um vício, é a minha doença e a minha cura para os dias insanos, é minha religião, meu castigo e meu abrigo.

Alexandre Lucas - Quais seus próximos trabalhos?

Fabrício Skinny - Estou começando a gravar algumas faixas para um EP que pretendo lançar e estou com alguns projetos paralelos com alguns Mc’s e Beat makers,vai ter grandes novidades esse ano.

Alexandre Lucas - Como você ver a atuação do Coletivo Camaradas junto ao movimento Hip-hop?

Fabrício Skinny - Acho bastante importante pelo fato do Coletivo ver o hip hop como uma arte em movimento e dá espaço para esta manifestação,não somos só artistas somos ativistas,o povo unido tem o poder. Parabéns ao Coletivo Camaradas pela coragem de manter a cultura viva!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

SEGUNDA-FEIRA: PÁSSARO DE VOO CURTO NO SESC CRATO


O drama explora o sócio-cultural de uma família da zona rural, com linguagem informal e de muita poeticidade. A narrativa nos indica personagens comuns que vivenciam a cansativa rotina do dia-a-dia: trabalho-casa, casa-trabalho. Apenas uma possibilidade pode quebrar a rotina desse casal:o sonho.

Elenco:

Flávio Rocha: Antônio
Joaquina Carlos: Elvira


Ficha Técnica:

Texto: Alcione Araújo
Direção: Mauro César
Cenografia/Concepção: Mauro César e Joaquina Carlos
Execução: Edílson das gaiolas
Figurino/Concepção: Mauro César e Joaquina Carlos
Execução: Mauro César, Joaquina Carlos e Flávio Rocha
Iluminação/Concepção: Mauro César, Reginaldo Monteiro 
Maquiagem: O Grupo
Música de cena/Concepção e execução: João Nicodemos
Compositor das músicas do espetáculo: Carlos Gomide
Operador de luz: Mauro César
Fotografia: Nívia Uchoa


Realização:
Cia. Entremeios de Teatro

Apoio:

CRÔNICA DA PROFESSORA JOSÉLIA SALATIEL


Foto: Cacá Araújo

Jamais a população cratense vivenciou a violência com que as águas do rio Grangeiro atravessavam a cidade desabando o canal, deixando moradores apavorados na madrugada do dia 28 de janeiro de 2011.

A iluminação elétrica caída ao chão sem termos condições favoráveis para socorrer pessoas que necessitavam; com a escuridão, a falta d’água e o pavor ao presenciarmos carros levados pela correnteza na Av. José Alves de Figueiredo, notadamente no Parque Flamengo, onde residimos.

A cidade em caos, famílias iluminando com lanternas nossas residências, ajudando, pois ficamos ilhados, com o acesso restrito apenas a pedestres cuidadosos com os fios de energia.

Aí serve de exemplo à sociedade para evitar crimes bárbaros contra a natureza e para retaliar na justa medida contra o indivíduo que comete crimes.

Na cabeceira das nascentes ocorreu o arrombamento de uma barragem, que o homem desmatando concorreu para que a experiência vivida fosse o primeiro alerta de Deus para nos protegermos, servindo de exemplo e de confirmação de que a natureza caminha agredindo quem a insulta. Fizemos, contritos, a reflexão da realidade. Ela nos deu pistas e perspectivas.

Hoje, no rio Grangeiro, voltamos a ver as pedras que, soltando-se com a correnteza, nos fez lembrar o nosso saudoso Crato com as pedras servindo de passadeiras para os transeuntes, quando ajudados a não desviar o olhar da realidade concreta das águas seguindo a grandeza e a imensidão de Deus.

“O mistério não é um muro onde a inteligência esbarra, mas um oceano onde ela mergulhe.”

Crato-CE, 28 de janeiro de 2011. 

Professora Josélia Salatiel

Pelas fibras da alma - Emerson Monteiro

Essas tardes cinzentas que emolduram o tempo chuvoso mexem com a gente. Mexem por dentro da gente feitas brocas revirando as entranhas onde transitam escondidos pensamentos de querer ver coisas diferentes acontecerem invés de algumas outras que sacudiram os derradeiros dias, na semana anterior. Entortar os acontecimentos, eis o tal desejo principal desses bichos vivos mexendo por dentro, a querer dominar a natureza, uma espécie de coisa animada impacientando as outras coisas vivas que moram nas entranhas da pessoa. Ondas de coisas vivas invisíveis, imateriais até, digamos assim, sem ter medo de errar, são o que, por que quiséssemos dominar os momentos fugitivos, a gente, parece perseguir, como quem corre atrás de sombras, e não consegue agarrar, que vai embora na correnteza barrenta; e o velho costume de procurar fantasmas apressados nas lamas escorregadias do passado; ou mesmo estirar o pescoço, pretendendo enxergar lá adiante, depois da linha do horizonte; longe; muito longe para obter o menor sucesso. Isto é, esquecer o momento especial do presente, único ser acontecimento que, na verdade, tem valor, nos interessaria com certeza, perante todas as demais frioleiras deste mundo de passados mortos e futuros ainda de vez, na semente.
Caso haja boa vontade para concentrar esforços no presente, acham-se todos os demais fatores que empurram a manada para o curral, nas jornadas individuais ou coletivas dos rebanhos. Ninguém permanece no passado, nem pisará o futuro por conta própria antes da hora. O minuto seguinte já ficou atrás quando virou presente. Essas intenções desesperadas dos ledores da sorte habitam só as casas de jogos, nas travessas da ilusão. Quem, não fossem os filmes, garantirá, um instante depois, o placar final do jogo, deixando de lado o polvo alemão da Copa do Mundo. Quem garantirá com a absoluta segurança isso de depois?
Apertar o cinto do agora, no entanto, qualquer cidadão pode, fora de cair da cama ou botar burros na água. Reger a valsa do instante torna-se, pois, a profissão universal do senso do realismo, nas empresas produtivas.
Diga-se bem isso tudo, quando perguntarem pelo pai da criança em face das tragédias da história. Alguém houvesse de sair na dianteira e as coisas mostrariam outra cara. Pisar maneiro, ordenhar as vacas na hora certa; fechar as portas e janelas antes do pior acontecer; saber escolher as opções ideais; bater na bola da vez; substituir peças e cuidar da revisão no prazo; essas ações inevitáveis aos bons resultados servem de aviso, nos casos posteriores.
Aprender, por isso, as lições, às vezes de preços elevados, porém ainda com os pés no caminho e no tempo do presente, oferece os braços aos estudantes atenciosos. Dias melhores virão, no suor da reconstrução. E a casa pertencerá sempre aos que souberem dela utilizar as oportunidades da milenar sabedoria.

A PROFECIA ECOLÓGICA-ESPIRITUAL DA MINHA AMIGA IEDA



QUANDO É QUE FINALMENTE ADMITIREMOS QUE TUDO ESTÁ INTERLIGADO: O SOCIAL, O NATURAL-ECOLÓGICO E O ESPIRITUAL?

Os recentes acontecimentos
em diversos Estados me fez reprisar esse texto que criei já faz algum tempo.

No início da década de 80 decidi sair da casa de meu pai para ir morar sozinho. Um ano após da minha saída, por questões econômicas, mudei de endereço no mesmo bairro do Flamengo. O Flamengo é um bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Os aluguéis lá eram e ainda são caros. Então, encontrei uma saída econômica que era morar num quarto alugado próximo à praia. E a moradora, uma gaucha de uns 40 anos de idade, me sub-alocou um pequeno quarto confortável para mim e meu irmão mais velho. Ieda era (ou é ainda (?)) uma mulher de convicções firmes e muito simpática. Sempre sorridente, Ieda cativava a todos com sua coragem , força de vontade e fé no processo de superação de uma doença raríssima no mundo. Era muito comum vê-la dopada para suportar as dores dos pequenos nódulos que surgiam por todo o seu corpo.
Num belo dia ela me contou como ficou sabendo, com bastante antecedência, o caminho de sofrimento que teria que passar nessa vida terrena. Contou-me ela que seu avô havia planejado ir à praia (no Rio Grande do Sul onde ela morava quando pequena) com ela e um garotinho. E assim aconteceu. Saíram cedo com o objetivo de voltar um pouco mais tarde. Em dada hora, o avô percebendo que precisava fazer o lanche que levara forrou a areia com um pano e retirou da sacola uma melancia para repartir entre eles. Buscou na sacola uma faca e foi aí que percebeu que havia esquecido a mesma em casa. Por um instante ficou confuso com o fato de ter esquecido a faca. Tentou encontrar uma maneira de executar a ação. Foi aí que de repente surgiu do nada uma figura humana de um velhinho vestido todo de branco. Seus cabelos eram brancos e possuía uma grande barba branca também. O velhinho se aproximou disposto a ajudá-los. Ele fez um sinal da cruz sobre a melancia, e a melancia se repartiu milagrosamente em quatro pedaços. Após esse feito ele se apresentou como sendo Jesus Cristo. E em seguida orientou o avô dela para que não continuasse mais batendo na esposa. E quanto a ela, disse: “Você terá uma doença muito rara no mundo. Mas, não se preocupe porque é para seu próprio bem devido aos karmas adquiridos em outras vidas”. Após essa fala ele profetizou o que iria acontecer com o ser humano devido a sua ação destruidora da natureza. Ele afirmou: “Tudo o que o homem toma ou interfere na natureza provocará uma ação contrária fazendo com que surjam tempestades e todo tipo de catástrofes que envolvem a natureza. A natureza vai querer tudo de volta!”. E segundo minha amiga Ieda ele mencionou algumas cidades onde ocorreriam essas catástrofes (p.ex.: Santa Catarina, Rio de Janeiro etc).
E a partir dessa história contada por Ieda fiquei atento aos desastres naturais. E toda vez que acontece um desastre “natural” lembro-me de Ieda e do velhinho espiritual.

Quando é que finalmente admitiremos que tudo está interligado: o social, o natural e o espiritual? Hoje, se discute quanto tempo temos (se é que temos) ainda para consertar os erros do passado e do presente. O mundo vive apreensivo sobre o destino da humanidade caso ações concretas não sejam realizadas a tempo para mudar o rumo da intervenção desastrosa da vida humana na Terra. Tudo será afetado: água, solo, subsolo, ar, florestas, cidades etc.: “O Sertão virará mar, e o mar virará Sertão” diz a música sertaneja. A conta desses desastres será paga por todos, principalmente os mais pobres e carentes de recursos. No COP-15, em Copenhague, se discutiu um acordo de como repartir as responsabilidades, ônus e bônus. Mas, não houve consenso de quanto cada um deverá investir e doar de si para salvar o planeta. Enquanto isso, continuamos poluindo, desmatando e destruindo o que resta ainda de original e sagrado ao nosso redor.
Bernardo Melgaço da Silva

Pensamento para o Dia 05/02/2011


“Não há necessidade de procurar a Verdade em qualquer outro lugar. Procure-a dentro de você: você é o milagre dos milagres. Tudo o que não está dentro de você não pode ser encontrado em qualquer lugar fora de você. O que é visível exteriormente a você é apenas um reflexo aproximado do que realmente está dentro de você! A crença antiga era a de que Deus (Easwara) governou o Mundo, estando fora dele. Os investigadores indianos puseram isso à prova através do Sadhana (disciplina espiritual) e revelaram que Deus estava e está no mundo e é dele. Essa é a primeira contribuição dos indianos para o mundo espiritual, de que Deus não é exterior ao homem, mas é a sua essência interior. Eles declararam que é impossível removê-Lo do coração onde Ele mesmo se instalou. Ele é o mesmo Atma do nosso Atma, a alma da nossa alma. Ele é a Realidade interna de cada um de nós!”
Sathya Sai Baba

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uma lição de civilidade – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Vivíamos no Crato, em outubro de 1958, eleições disputadíssimas. Concorriam ao cargo de prefeito o senhor Pedro Felício Cavalcante pelo PSD e José Horácio Pequeno pela UDN. Os comícios eram concorridíssimos de cada lado. Os udenistas chamavam os pessedistas de “gogó”, e eu nunca soube o porquê, e estes replicavam que os udenistas eram os “carrapatos”, talvez numa referência a esse partido ter vencido várias e sucessivas eleições. O meu pai concorria ao cargo de vice-prefeito na chapa da UDN. Era a primeira vez que esse cargo, desnecessário ainda hoje, era disputado.

Gerson Moreira, um dos meninos mais udenistas que conheci, desde criança um líder natural, organizou um comício dos meninos que a cada dia ganhava mais adeptos. À medida que as eleições se aproximavam mais gente acorria ao comício dos futuros políticos da nossa cidade. Surgiram palanques, sistema de som, todo requinte que os comícios dos políticos de verdade tinham.

Pedro Felício concorria pela quarta vez e compuseram uma paródia musical cujo refrão eu guardo na memória: (“hei Pedro Felício, hei seu teimosão, hei esta será a quarta decepção...”).

Certa noite, houve um desses comícios dos meninos defronte a casa do senhor José Honor de Brito, na Rua José Carvalho, bem perto de onde eu morava. Gerson, quando me viu, me convidou para o palanque e após alguns oradores falarem muito bem, me surpreendeu dizendo: “Agora vamos ouvir o filho do futuro vice-prefeito do Crato!” E de súbito, eu me vi engasgado, com o microfone nas mãos, todo trêmulo e sem saber o que falar. Então cochichei para o Gerson: “O que é que eu digo?” E alguém não identificado respondeu: “Diga que Pedro Felício é um ladrão!” Repeti como uma marionete esse recado, sem ao certo imaginar o que estava dizendo e fui muito aplaudido pela platéia que enchia a rua defronte do palanque.

Ao final daquele comício mirim que se encerrava cedo, provavelmente às oito horas da noite, voltei para casa satisfeito, crente que havia colaborado para eleição do meu partido. Mas por cerca das dez horas daquela mesma noite, eu fui bruscamente acordado pelo meu pai. Após a aplicação do corretivo usual para a educação daquele tempo, uma expressão que meu pai usou ficou para sempre no meu íntimo: “Pedro Felício é um homem de bem, é muito honesto e meu amigo. Eu não admito que você volte a falar o que falou dele! E está proibido de ir a esses comícios.” Realmente observava que papai se dava bem com todos os políticos do PSD e com seus eleitores também. Certa vez ele viajou com Pedro Felício, Jósio Araripe e outros amigos a Minas Gerais para comprarem gado da raça gir e nelore, ainda não existentes na nossa região. Muitos dos primos e primas do meu pai, da família Pinheiro eram do PSD e jamais houve inimizade entre eles.

Terminada a apuração da cidade, naquela época apuravam-se em primeiro lugar os votos das urnas da cidade e depois a votação dos distritos, Pedro Felício vencia o pleito com uma boa maioria, algo em torno de mil votos, se não me falha a memória. Para vice-prefeito, votava-se em separado, meu pai tinha quase a mesma votação que seu Pedro. Os “pessedistas” já comemoravam a eleição como certa. Diziam que aquela diferença não daria para os currais udenistas desfazerem.

Assistíamos ansiosos os resultados dos distritos e zona rural. Estávamos nas últimas urnas e a diferença cada vez mais sendo desfeita. Encerrada a apuração registrou-se a vitória do prefeito José Horácio Pequeno por uma pequena maioria, creio que 58 ou 63 votos, não lembro ao certo, só que foi por um valor muito pequeno. Eu estava presente ao encerramento daquela apuração, observando de longe a reação dos derrotados. Pedro Felício colocou o chapéu na cabeça, desceu humildemente as escadas da antiga prefeitura, onde hoje fica o museu do Crato, e se dirigiu à Rua Nelson Alencar, residência de José Horácio Pequeno.

A molecada acompanhava cantando o hino do “teimosão”. Vi quando ele entrou na casa do prefeito eleito, cumprimentou-o efusivamente, desejou os maiores êxitos para sua administração, bebeu o que lhe foi oferecido pelo anfitrião, participou da alegria dos vitoriosos por alguns minutos e, em seguida rumou para nossa casa para cumprimentar meu pai. Aquela atitude foi uma das maiores demonstração de urbanidade que eu já presenciei num homem público.

Quatro anos mais tarde, a UDN foi derrotada, e o Senhor Pedro Felício elegeu-se prefeito do Crato, na quinta tentativa.
Em 1972, candidatou-se uma segunda vez e mais foi reconduzido à prefeitura.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Artista Internacionalmente reconhecido, Bruno Pedrosa recebeu o título de Cidadão Cratense no Teatro Municipal Salviano Saraiva


George Macário condena o DESCASO da Imprensa do Cariri em divulgar informações culturais e reclama do pouco público presente

Image1

Acima: Bruno Pedrosa posa para fotos ao lado do Pres. da Câmara Florisval Coriolano

Aconteceu ontem ( 2 ) às 19 horas, no Teatro Municipal Salviano Saraiva, uma sessão especial da Câmara de vereadores de Crato, que concedeu o título de cidadão Cratense ao artista internacionalmente reconhecido Bruno Pedrosa, nascido em Lavras da Mangabeira, que há muitos anos reside e tem mais de 200 exposições com seus trabalhos na Europa e em outros continentes, e é dos principais artistas cearenses a brilhar no mundo.

Bruno Pedrosa está no Crato também por ocasião da exposição dos trabalhos restaurados do Museu de Arte Vicente Leite, que acontece de 30 de janeiro até o dia 03 de Fevereiro. A idéia do título de cidadão cratense foi proposta pelo ex-vereador "Tutu", que também se fez presente na solenidade. Após uma Sessão do ICC - Instituto Cultural do Cariri, presidida por Manoel Patrício de Aquino ( Nezim ) , que criou a cadeira Bruno Pedrosa e empossou o então Presidente da Fundação J. de Figueiredo Filho, George Macário ( foto abaixo ), como seu primeiro ocupante, a câmara de vereadores do Crato, presidida por Florisval Coriolano outorgou o título de cidadão Cratense a Bruno Pedrosa, que agora o é de fato e de direito.

O Pres. da Fundação J de Figueiredo Filho George Macário, reclamou em seu discurso, da escassez de público no teatro, e do DESCASO com que a imprensa caririense, principalmente o Rádio e a TV dão aos eventos culturais da região, questionando que o título "Crato, Capital da Cultura" não é um título outorgado pelo poder Público, mas uma consequência das manifestações do povo. George lamentou profundamente a falta de interesse do público em frequentar os museus, em interessar-se por arte em geral, e enfatizou a própria decadência tão apregoada pelo mau gosto musical das estações de Rádio não só do Cariri, mas do Ceará.

Na solenidade, alguns vereadores da oposição criticaram a escassez de representantes do governo Municipal, alegando que a administração não estaria dando a seriedade necessária aos eventos culturais, muito embora estivesse presente representando o prefeito Samuel Araripe, o seu vice Raimundo Bezerra Filho, que em discurso, rebateu todas as críticas sozinho, já que a bem da verdade, não haviam secretários de governo na reunião, justificado pelo vice-prefeito pelo fato de esta coincidir com outra reunião a acontecer no mesmo dia e horário promovida pelo Prefeito do Crato Samuel Araripe, a fim de tratar de assuntos relativos às últimas chuvas e à enchente do canal do Rio Grangeiro.

Já em seu discurso emocionado, Bruno Pedrosa disse entre outras coisas, que desde cedo aprendeu que quando se falava em Cultura e Arte no Cariri, estava associado à palavra Crato, e que o valor desta comenda era incomensurável. Visivelmente emocionado, confessou não saber fazer discursos, muito embora seu discurso foi um dos que mais emocionou a platéia. O artista Bruno Pedrosa se revela um ser humano de grande inteligência e excepcional humildade. Segundo o Vice-Prefeito Raimundo Bezerra Filho, é o tipo de solenidade em que o valor da pessoa supera em muito o valor da própria comenda recebida. A cerimônia foi conduzida pelo memorialista Huberto Cabral. Estiveram presentes na mesa de honra, a restauradora Edilma Rocha, o escritor Emerson Monteiro, e diversos vereadores do Crato.

Mais informações, logo mais aqui no Blog do Crato, inclusive com a cobertura fotográfica completa e parte transcrita dos discursos dos vereadores e do próprio Bruno Pedrosa. O Blog do Crato gravou toda a solenidade em áudio e parte em vídeo.

Edição: Dihelson Mendonça

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Leo Dantas – A inquietação documentada

O Cariri é um caldeirão que faz ferver e emergir a diversidade cultural e a produção artística. Leo Dantas é fruto desta efervescência como muitos artistas da região. Leo vem se dedicando nos últimos anos a uma das suas principais inquietações uso das tecnologias, em especial as de fácil manuseio para registro audiovisual e produção de documentários.

Alexandre Lucas - Quem é Leo Dantas?

Leo Dantas - Sou alguém muito sensível a tudo e a todos, forte, bravo, guerreiro e desbravador, idealista, pensador e viajante de um mundo moderno, penso sempre a frente do meu tempo e das pessoas que me cercam, adoro tecnologia e amo a natureza.
Sou empresário do ramo audiovisual, produtor, artista visual, documentarista e desenvolvo oficinas de cunho social para pessoas de 10 a 90 anos.
Sou acima de tudo um sonhador que acredita em seus sonhos, e assim tudo se realiza.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Leo Dantas - Sou produtor desde meus 14 anos, sendo assim há exatos 16 anos, desenvolvi ao longo deste período formas artísticas de produção, tornando-me também artista visual e produtor audiovisual, então posso dizer que comecei há muito tempo, tendo em vista minha vasta produção artística.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Sou meio diferente dos artistas em geral, sou muito quebrador de regras, creio que influências para mim são meio esquisitas, curto de tudo um pouco, busco na verdade minha influência na natureza, nas pessoas e não nos livros, sei que deveria ler mais, mas sei que o que leio me serve muito mais do que vários livros que todos lêem.
Curto muito Glauber Rocha e tenho artistas amigos nos quais busco inspiração, ontem mesmo vendo um documentário muito bacana percebi que algumas imagens se pareciam com as minhas, fiquei muito feliz quando vi que o diretor e roteirista era o cineasta e amigo não tão próximo Jefferson Albuquerque Junior, então posso dizer que devo ter influências dele, mesmo sem tantas pretensões, mais percebi aspectos de nossa produção muito parecidos.


Tratando-se da fotografia, falo da amiga do coração Nívia Uchôa, figura que cativo, além de amigos como Zé Diogo e Diamantino Jesus, ambos de Portugal, falo também do artista multimídia e grande amigo Luiz Duva, vai ai uma dica pra quem não conhece, vale a pena conferir o trabalho deste artista multimídia e grande amigo reconhecido em todo o mundo: www.liveimages.com.br.


Falo agora do trabalho do grande amigo Bulhões Jr. um dos maiores cinegrafistas do Brasil, que sempre me dá altas dicas e idéias e não poderia deixar de citar a influência no trabalho social que recebo do grande amigo Alexandre Lucas, que através de seus projetos sociais me excita a também produzir para o povo, pois arte deve ser feita pelo e para o povo.


Tenho influências também de artistas como Sebastião Ribeiro Salgado, pela insistência em fotografar o ser humano e seus aspectos, algo que também vejo muito na Nívia, adoro a natureza e as possibilidades visuais que elas nos revelam então creio ter influências do Araquém Alcântara, considerado o maior fotografo de natureza do Brasil, e pra finalizar não poderia deixar de citar minha influência tanto audiovisual como fotográfica e de vida mesmo em todos os grandes mestres de cultura que já trabalhei, acho que posso dizer todos, pois correria o risco de esquecer algum nome.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Leo Dantas - Minha trajetória se confunde com meu crescimento, desde os cinco anos de idade fazia aulas de esculturas em argila com um antigo amigo da família chamado Barros, nunca fui muito bacana nesta área, comecei produzindo aos 14 anos micaretas na região, quem não se lembra do Cariri Folia, então aos 16 anos montei minha primeira empresa produtora junto com dois sócios, realizávamos eventos temáticos e voltados a música eletrônica, fizemos muitos eventos na região do Cariri, então transformei-me em Dj pela paixão a e-music, toquei muito, por todo o estado até os meus 23 anos, ainda toco em festas privadas, muito particularmente, cheguei a ser Dj residente em casas noturnas da capital como a antiga Aluá, Docas Bar e Café Teatro, de onde também fui promoter da casa, realizando cerca de 20 eventos temáticos, comecei então a trabalhar como produtor cultural para o SESC, onde trabalho como freelancer há 10 anos, juntei todas as experiências adquiridas para desenvolver meu trabalho visual e audiovisual, hoje sou produtor responsável por eventos como ( três edições) BNB Agosto da Arte, (nove edições) Mostra SESC Cariri de Cultura, e trabalho para Instituições como Governo do Estado do Ceará, além de várias prefeituras do Ceará na área publicitária e cultural, quem não lembra do comercial do Metrô do Cariri, que virou a “coqueluxe” do Cariri.
Atualmente desenvolvo trabalhos artísticos para os três Centros Culturais do BNB dentre outros projetos próprios da S.A Imagens, minha empresa produtora, juntamente com meu sócio Siqueira Jr.

Participei de duas exposições coletivas, realizei um trabalho que se tornou referência até para a Escola de Artes Visuais Violeta Arraes, o projeto percepções visuais que deu início a um grande ciclo da produção fotográfica da região, incentivando a todos que não se sentiam artistas visuais e muito menos fotógrafos a produzirem, quebrando vários preconceitos e mostrando que qualquer pessoa tem sim um artista dentro de si.
Desenvolvi o projeto Ateliê Ambiental do Caldas no distrito do Caldas em Barbalha, sempre em parceria com o Siqueira Jr., onde trabalhamos a fotografia como meio de preservação da natureza, realizamos quatro oficinas sendo uma delas pelo projeto Arte Retirante do CCBNB Cariri.


Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Leo Dantas - Arte e Política se misturam muito pois nenhuma delas pode existir separadamente, vejo hoje que tudo parte de boas vontades, pois se produzir arte é muito complicado e as vezes muito caro também, porem, percebemos de alguns anos pra cá uma ligação direta entre estas duas formas de expressão popular, pois é notório o crescimento da produção artística do Brasil depois de leis de incentivo, fomentando cada vez mais a produção e dando possibilidades reais de hoje se viver de arte no nosso país.

Alexandre Lucas - Você vem se dedicando as experimentações no audiovisual. Fale sobre esse trabalho?

Leo Dantas - Descobri há alguns anos o audiovisual de uma forma muito própria, pois adoro tecnologia, sendo assim em todas as minhas oficinas, produções e eventos eu gravava através de celular, câmeras fotográficas, e equipamentos mais simples de vídeo, então utilizando programas também simples criava poéticas audiovisuais incríveis, então percebi meu potencial para a área, comecei a produzir sem parar, tudo virava filme, fui conhecendo meu lado documentarista, pois ficava fissurado por mostrar as realidades do meu local, de locais visitados, histórias de pessoas e a natureza, hoje tenho cerca de seis documentários finalizados, e quatro por finalizar, sendo que nenhum de distribuição de massa, me enquadrando assim nas produções independentes do Brasil.
Através de amigos, mostras e dos coletivos é que meus filmes são exibidos, adoro esta forma de produção e isto me torna único e exclusivo, não discutindo assim a qualidade técnica da produção e sim a força da mesma.


Hoje produzimos documentários através da S.A Imagens para o Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil e trabalhamos projetos próprios além de projetos de DVD´s musicais e vídeos de registro para teatro e outros registros.

Alexandre Lucas - O trabalho coletivo é uma das formas de democratizar a arte?

Leo Dantas - Com certeza, aprendi a dividir muito cedo, pois sempre fui agraciado com certas divisões, e isto me fez bem, então vejo o coletivismo muito agradável e primordial à produção artística, pois assim produzimos mais e mais, e ajudamos a desenvolver a criatividade de muito mais gente, ajudamos como um todo a conscientizar.


Alexandre Lucas - Qual l a importância de uma graduação em Artes Visuais?

Leo Dantas - Nem sei dizer mais se sou estudante de Artes Visuais pois assisti apenas 3 semanas de aulas por conta de meu tempo muitíssimo corrido, acho que esta minha resposta vai ser censurada, hehehehe, vejo a graduação como um ponto forte em artistas contemporâneos, porém, hoje para mim, Leo Dantas não seria a principal forma de me tornar mais e mais conhecido ou intelectual, entretanto, volto a afirmar, quem tem este tempo para os estudos deve seguir, pois creio que sou hoje muito agraciado por Deus, sendo meio autodidata, (será que vão me compreender?).


Alexandre Lucas - Você acredita que a Academia elitiza a arte?

Leo Dantas - Sim, é uma forma de dizer... EU SOU...EU POSSO...acho que a arte não deve ser assim, mesmo muitos achando que eu me acho, sempre fui muito povão, vejo isto na minha produção, que muitos da região desconhecem.


Vejo a Academia como forma de conhecimento, então em si tratando da arte, que também se confunde com a vida, podem existir outras formas de se adquirir, basta querer.

Alexandre Lucas - Como você ver a produção de artes visuais no Cariri?

Leo Dantas - Adoro esta efervescência, pois me considero fruto dela, adoro ver pessoas produzindo, conversando e fazendo arte, isto é saudável para uma sociedade se tornar mais crítica e de certa forma positivista.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Leo Dantas - Apresento em minhas obras uma forma de se produzir com facilidade, formas básicas de se comunicar através das artes, então acho que com tudo que já fiz e ainda temos a fazer, ajudo a pessoas que se sentem como eu, um não artista a criar coragem para dizerem o que querem através de suas obras, pois a palavra de ordem para mim é produzir cada vez mais, e me tornar alguém mais crítico e capaz, então vejo que as pessoas que participam ativamente ou não de meu trabalho pode adquirir algum conhecimento mesmo não literato.

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos?

Hoje trabalhamos para três exposições fotográficas as quais estamos negociando com instituições do Ceará, duas relacionadas a natureza e uma outra voltada a terceira idade, três vídeos-instalação, estamos também desenvolvendo um novo documentário, este sobre o Arajara Park, e produzindo um piloto para TV aberta, estou desenvolvendo dois roteiros que ai é meio novidade, para editais de fomento audiovisual, e em fevereiro, estaremos mais uma vez no Centro Cultural do Banco do Nordeste Cariri desenvolvendo a oficina IMAGEM.DOC, oficina de documentário, o qual foi aprovado pelo edital de programação do BNB.


NÃO HÁ INOCENTES

Foto: Cacá Araújo
 
Ao longo da história, desde os remotos tempos da ocupação do nosso vale pelos colonizadores se vem desrespeitando e agredindo a natureza. Ocorre que, em tempos de modernidade, não mais de tolera a ignorância frente aos riscos e necessidade de respostas diretas a ações depredadoras. E o que lamentavelmente vemos é um festival de irresponsabilidades: ocupação irregular de morros, encostas e margens do rio, reduzindo seu espaço e poluindo suas águas; desmatamento; poluição desenfreada da cidade; carência de política permanente de educação ambiental; impunidade... Soma-se a isso, que não é pouco, o empobrecimento dos municípios, que ficam à mercê de humores políticos do governo estadual e da capacidade de influência dos prefeitos junto ao poder central.

Li e ouvi muitos falarem que não há culpados  no caso das enchentes etc. Eu já ouso afirmar que não há é inocentes. Todos somos culpados na medida de nossas ações e omissões. Desde a bolinha de papel jogada na praça, passando pelo voto cego em candidaturas estéreis, até o silêncio amedrontado ante os despautérios e mirabolâncias dos poderosos de plantão no Cambeba e no Planalto.

Já disse em outra oportunidade e repito: sou testemunha do esforço do prefeito Samuel Araripe em buscar soluções para os problemas de saneamento e de proteção ambiental do Crato, especialmente no tocante ao canal do Rio Grangeiro (é tradicionalmente grafado assim mesmo, com "g" ao invés de "j"). Desde o seu primeiro mandato que ele corre governo e ministérios com projetos que visam à requalificação urbana, melhoria da infraestrutura da cidade e qualidade de vida dos munícipes. Mas os recursos estaduais e federais não são fáceis de conseguir, mesmo sendo um direito do cidadão contribuinte. São os vícios da política brasileira, que favorece o sacrifício da população em vez de atender a demanda de gestões que possuam coloração partidária divergente. Isso não é democracia!

O Crato agoniza. Inicialmente com a perda de instituições importantes, agora com a catástrofe das chuvas. Merece o respeito e a união de suas forças políticas, envolvendo também a totalidade das lideranças cearenses da Assembléia Legislativa, Senado e Câmara Federal, a fim de fazer ouvir o clamor de sua gente e ter atendido seu pleito de cidadania e dignidade.

São milhares de vidas em jogo! Esqueçamos as querelas eleitorais que passaram e as que virão. Que Cid Gomes transfira, pelo menos por uma semana, seu governo para a zona do caos e do esquecimento. A itinerância que tanto foi festejada para distribuir simpatias e intenções deve agora ser retomada para distribuir ações concretas.

Nestas linhas de angústia, responderei a perguntas que todo governante realmente habituado à democracia deveria fazer: preferiria que os mais de vinte milhões que se pensa em investir na construção de um novo parque de exposições em outra área, mais os quase dez milhões do centro de convenções, fossem destinados a obras de revitalização do Rio Grangeiro e ampliação de seu canal, inclusive com a desapropriação do que for preciso para estender suas margens. Acrescente-se a isso a ação da bancada cearense no Congresso Nacional e teríamos os recursos necessários à reconstrução do Crato.

O resto é água...

Saudações!

Cacá Araújo
Professor, Folclorista, Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato-Cariri-Ceará-Brasil

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A estrutura familiar - Emerson Monteiro

Os seres humanos reclamam cuidados imensos quando chegam ao mundo e superam os demais seres no esforço inicial de formação e sobrevivência, até dispor dos meios necessários a seguir com as próprias pernas a jornada de habitar este mundo. Antes dos sete anos, os filhos do bicho gente exigem, dos pais e da sociedade, extremos arranjos, a ponto de depender, em caráter quase absoluto, dos outros para limpeza, alimentação, vacinas, alojamento, vestimenta, primeiros passos, fala, pensamentos, repouso, formação moral, intelectual, etc.
Esse grau de dependência da nossa raça representa o empenho da família em dirigir suas baterias na sobrevivência e no zelo dos filhos, salvaguarda e herança cultural da sociedade. Ninguém foge dos valores trazidos pela família e que lá adiante não venha a defrontar dificuldades e traumas de adaptação perante o desconhecido, nas dobras do caminho.
Por isso, os sábios dão importância inestimável à saúde dos laços familiares, para considerar a célula doméstica a mãe das comunidades e resposta aos desafios de todo tempo. Desorganizada a família, as outras instituições perdem o prumo e a paz perde a razão. Os abalos nesta fonte original implicam nos desmanches que a história registra, no caos das guerras medonhas verificadas em turnos diversos, custando preço astronômico de sofrimento, desespero e trabalho.
A bandeirada desses primeiros passos humanos, dada pelos pais já na infância, reserva sobremodo a esperança possível dos adultos e das suas circunstâncias posteriores, vindas desde a escola filial, nos sentimentos, lembranças e emoções que lhe marcam o modelo de personalidade depois vivenciado no decorrer das gerações.
Conhecimento de padrões fundamentais vindos no começo apresenta frutos na humanidade, o que demonstra as ameaças constantes de que é vítima a família, nesse jogo de dor e prazer da sua experiência. O mal e o bem, que organizam os porões e a bagagem, nessa viagem de seres humanos, na sombra e na luz das situações, trabalham os tais valores de formação das pessoas em movimento, nos grupos sociais.
Tiradas, pois, essas e algumas conclusões mais, a razão do abalo nos países vem do descaso para com os atores do drama ainda na gravação dos letreiros iniciais das consciências, no berço de vilões e mocinhos junto dos responsáveis pela sua formação. Nisso, entra em cena a família para constituir cidadãos com a mesma face dos tempos sonhados e vividos que irão acontecer logo ali adiante, num futuro imediato.

CONVERSA NA BEIRA DO RIO

Foto de Cacá Araújo
Um grupo de pessoas discutia à beira de uma das enormes crateras abertas pela força das águas do Rio Grangeiro, no centro da cidade do Crato. O religioso atribuía o caos aos castigos divinos em virtude dos pecados humanos nesta parte do mundo. Um político que se opunha ao prefeito, vendo que muitos circunstantes os ouviam, soltou, com aquela característica empolgação de palanque, depois de pigarrear ridículo de canastrão, um discurso em que se comprometia a honrar suas responsabilidades de homem público buscando soluções junto a seus aliados nos governos do estado e do país. Já um bêbado, ainda segurando um pedaço de casca de laranja na ponta dos dedos, disse que não acreditava nessa cambada de vereadores, deputados, senadores e nem no governador, pois se eles gastassem a metade do que investiram comprando votos daria para amenizar ou quem sabe resolver o problema. Depois de mais uma golada de cachaça, olhou em volta e perguntou pelo governador. Veio um desses aduladores de plantão e informou que sua excelência estava de férias no exterior, mas que havia mandado seu vice visitar a cidade, e, inclusive, ordenando que despachasse cem mil reais para ajudar no prejuízo catastrófico sofrido pelas famílias e comerciantes. Um estudante ia passando e de imediato protestou alegando que o governador não tinha contrato de trabalhador, mas função de gestor público e que esse negócio de férias não estava correto. Alfinetou, ainda, dizendo ser uma piada, insuficiente e humilhante o valor que o governo havia liberado. Com lágrimas nos olhos, uma professora alertou para a situação das famílias desabrigadas, das crianças e velhos sem agasalho e comida, e conclamou todos a se unirem numa campanha de solidariedade, até que os que se acham donos do poder resolvam ouvir o clamor da sociedade que agoniza e espera. Convicto, o ambientalista afirmou que eram necessárias a completa desocupação e revitalização das áreas onde outrora fora o leito original do rio, construção de moradias em localidades seguras para as famílias removidas, e urgente o combate ao desmatamento da Floresta Nacional do Araripe, proteção de morros e eficiente educação ambiental. Refeito um pouco de sua embriaguez, o bêbado gritou de seu canto afirmando que dinheiro para fazer tudo isso existe, sai do Cariri em forma de vil arrecadação para os cofres estaduais e federais e para retornar em benefício do povo é uma novela sem fim. A prefeitura não tem recursos e eles só liberam considerando a filiação partidária do administrador municipal, somou o nosso ébrio questionador. Um poeta que a tudo assistia tomou a palavra e deu o mote para a conquista do merecido respeito e do atendimento às reivindicações populares: o povo tem que sair às ruas, protestar, exigir a execução de medidas corretas para a reconstrução da cidade e prevenção de novos desastres. Ao redor dos debatedores já estava se reunindo uma multidão de populares, quando recomeçou a chuva e todos se dispersaram temendo a fúria das águas. O religioso se benzeu, segurou forte seu terço, correu e se trancou na igreja ao som de trovoadas retumbantes.

Cacá Araújo
Professor, Folclorista e Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato-Cariri-Ceará-Brasil, em 1º de fevereiro de 2011.       

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato institui auxílio social de R$120,00 para os desabrigados


O prefeito do Crato, Samuel Araripe, instituiu o "aluguel social" para atender às famílias desabrigadas pelas chuvas, que não têm para onde ir. O valor do auxílio social é R$ 120,00 e vai durar o tempo que for necessário à recuperação de suas casas. O prefeito baixou o decreto de nº 2801001/2011, colocando o município em situação de emergência. Com a enxurrada, cinco casas desabaram totalmente e outras sete tiveram partes danificadas. As famílias já estão sendo assistidas pela administração e algumas casas já foram alocadas para os desabrigados. A vítima da enchente deve procurar a secretaria de Ação Social do município, para requisitar o benefício. Um técnico vai ao local para fazer a avaliação e elaborar o laudo. O cadastro já pode ser feito. O aluguel será pago as famílias que estão em abrigos e àquelas que precisam ser removidas de áreas de risco.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - 3.200 pessoas afetadas pela enchente em Crato


Uma notificação preliminar de desastre foi apresentada por meio dos levantamentos realizados pela Defesa Civil, diante dos estragos causados com a tempestade que se abateu sobre o Crato, na madrugada da última sexta-feira. O prefeito do Crato, Samuel Araripe, estima prejuízos para a cidade de mais de R$ 50 milhões na cidade. O documento foi apresentado ainda no último final de semana, com número relacionado às vítimas diretas da enchente. O relatório preliminar dá conta de 3.200 pessoas afetadas pelas chuvas. Nove famílias que ficaram sem abrigo, com suas casas totalmente destruídas, foram encaminhadas para prédios públicos e casas alugadas pela administração municipal. Segundo o Sistema Preliminar de Desastre, feito pela equipe da Defesa Civil no município, ficaram desalojadas 111 pessoas.

Prefeito vai à Brasília onde se encontra com o Ministro da Integração Social

Uma audiência com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, deverá acontecer ainda esta semana, juntamente com parlamentares da região. O deputado federal, Arnon Bezerra, esteve ontem no Ministério, no intuito de marcar a reunião. O prefeito do Crato, na ocasião, irá apresentar projeto que promete uma solução definitiva para o local. A chuva de 200mm milímetros ( medidos na Chapada do Araripe ) foi o suficiente para arrastar parte considerável do canal. Com o transbordamento, parte da cidade ficou inundada, principalmente no centro, invadindo centenas de residências e casas comerciais. Ainda segundo os dados do relatório preliminar foram invadidas pelas águas 103 residências, cinco delas públicas, uma comunitária e 10 ficaram totalmente destruídas. A precipitação pluviométrica registrada, segundo o relatório, esteve acima da média verificada pelo município, especialmente na área urbana, em canais de drenagem.

Fonte: ASCOM - PMC

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeitura contrata mais de 200 homens para atuar na limpeza da cidade

Uma equipe extra de colaboradores foi contratada pela administração para realizar a limpeza na cidade. Segundo o prefeito Samuel Araripe, mais de 200 homens e máquinas auxiliam na retirada da terra e lama que invadiu a cidade. Várias ruas estão interditadas e o trânsito difícil. A cidade tem contado com a solidariedade de empresários, com a doação de equipamentos para ajudar na limpeza. Uma campanha para receber donativos para as vítimas foi desencadeada pela administração local.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Equipes multidisciplinares continuam em campo orientando e prestando socorro às vítimas


O
trabalho de orientação das famílias nas áreas de risco, retirada e acompanhamento das pessoas está sendo feito por 10 equipes multidisciplinares. 200 cestas básicas estão no Corpo de Bombeiros e começarão a ser distribuídas para os moradores. Cerca de R$ 200 mil serão repassados de forma imediata pelo Governo do Estado para os municípios de Crato e Juazeiro do Norte, que estão com várias áreas afetadas. Serão destinados ao Crato R$ 100 mil, para construção de casas para os desabrigados. O prefeito do Crato, para minimizar a situação, instituiu o aluguel social, no valor de R$ 120,00 para as famílias carentes.