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terça-feira, 8 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Programa Cariri Encantado Sonoridades - Especial "a música de José Nilton de Figueiredo"
Texto de Armando Lopes Rafael (publicado no Blog do Sanharol)
Maria Gabriela Federico – Artista, restauradora e visionária
Alexandre Lucas - Quem é Maria Gabriella Federico?
Maria Gabriela Federico - Sou profissional da área de restauração e gosto muito da profissão que escolhi; por isso me dedico ao trabalho com fervor e emoção. Gosto da diversidade, a humanidade me fascina. Sou uma observadora atenta a tudo e a todos, principalmente no que diz respeito à cultura e as artes. No campo das artes, gosto da pintura, da escultura, da música, do teatro, do cinema, etc. Procuro me rodear do belo no tocante a arte e da amizade no relacionamento com as pessoas. Sou caseira e muito ativa. Não consigo ficar um instante sem fazer algo, sempre procuro me ocupar: seja organizando a casa, cozinhando, restaurando, lendo, ouvindo música, etc. Esse comportamento dinâmico, meu filho, o trabalho e os amigos me dão forças para ter uma vida equilibrada e a medida do possível feliz. Sou também uma colecionadora compulsiva: gosto de sapatos – ás vezes me sinto a Imelda Marques … aquela das Philipinas (risos). Coleciono também livros, esculturas, pinturas, fotografias. Sou uma pessoa alegre e parecida com tantas outras. Como diria Rita Lee: “Uma pessoa comum, um filho de Deus… remando contra a maré” só que acreditando nas pessoas e com muita Fé !!
Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?
Maria Gabriela Federico - Há um bom tempo. Desde minha infância na Itália. O trabalho com Restauração começou na minha adolescência.
Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?
Maria Gabriela Federico - O meu trabalho tem influência do trabalho de meus mestres restauradores da Itália. A arte do Império Romano Antigo, do Renascimento Italiano, do Maneirismo, do Barroco e do Rococó com há qual muito convivi em Roma, também tem reflexo no meu trabalho.
Alexandre Lucas - Como você se tornou restauradora?
Maria Gabriela Federico - Quando terminei meus estudos na Academia de Artes em Roma, ainda não tinha clareza de qual profissão seguir. Minha mãe trabalhava com alta costura e tinha conhecidos no “mundo da moda italiana”, com isso comecei a fotografar na Itália para empresas particulares e para álbuns de modelos. Naquela época eu fotografava com máquinas analógicas, e o custo com películas fotográficas, viagens e estadias, me fez perceber que tinha mais despesas que lucro em essa profissão. A concorrência acirrada, também me afastou da profissão de fotógrafa. Voltei para as artes decorativas. Como já trabalhava com cerâmica, comecei a decorar peças de barro cozido, com pigmentos coloridos para forno. Também fui monitora de artes para doentes mentais em um consultório psiquiátrico e em um abrigo para crianças abandonadas.
Tempos depois conheci uma restauradora renomada em Roma que me convidou para trabalhar em seu atelier. Com quatro meses de trabalho já dirigia restaurações de afrescos em prédios históricos – responsabilidade a mim concedida por minha “Maestra”. Havia muito trabalho e ela confiava na minha aptidão ao trabalho de restauro.
Mais adiante, fiz cursos de aperfeiçoamento em escolas de artes particulares. Fiz cursos de estética e história da arte, técnicas e materiais de restauração, restauração de esculturas, restauração de afrescos, decoração em falsos mármores, aplicação de folhas de ouro e prata em objetos artísticos, técnicas de pintura, etc. Trabalhei em uma dessas escolas como restauradora exclusiva por dois anos. Em seguida abri minha própria firma de restauração em Roma.
Alexandre Lucas - A restauração possibilita para você um contato com a história dos lugares?
Maria Gabriela Federico - Sim, muito! Por exemplo, restaurei aqui no Crato, há alguns anos atrás, a imagem da padroeira da Cidade – Nossa Senhora da Penha. Símbolo maior da comunidade Católica do Crato. O Crato Nasceu de uma Missão Católica vinda de Pernambuco para se fincar num aldeamento indígena na região. Os capuchinhos que aqui chegaram trouxeram a devoção de Nossa Senhora. Portanto quando restauro um símbolo de devoção popular de longa data, entro em contato com a história do lugar.
Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória como restauradora?
Maria Gabriela Federico - Todos nascemos com uma determinada aptidão, às vezes a desenvolvemos, às vezes não. Quando pequena, eu recolhia cacos de cerâmicas quebrados de algumas coisas na cozinha, tinha seis anos e colava as partes diretinho, lembro-me que já entendia que se tivesse uma cor para complementar a pintura, a rachadura seria disfarçada, era uma brincadeira que me dava prazer. Tudo o que fiz me serviu de preparação profissional. Descobri isso, tempos depois, e por acaso.
Trabalhei com restauração (Afrescos) na Italia: Roma, Napolis, Frascati (Interior do Lazio) Milão e Torino. Outros lugares foram Barcelona, Creta e Ginevra, sempre trabalhei intensamente, até mesmo nas férias, pois não consigo ficar parada.
Aqui no Brasil cheguei no ano 1996. Mas de inicio não trabalhei com restauração, porque meu filho era muito pequeno e resolvi me dedicar a ele. Mas, depois de um tempo, abri um espaço comercial em Santa Maria no Rio Grande do Sul que era meu atelier. Os meus clientes eram antiquários e colecionadores de arte. No ano 2000 trabalhei para prefeitura do Rio de Janeiro com restauração de painéis de azulejos portugueses. Depois, fui a São Paulo, na cidade de Pindamonhangaba e finalmente em Vitória, no Espírito Santo onde fiz vários trabalhos na minha área de atuação. Voltei para o Sul e de lá vim para o Nordeste. Primeiro Fortaleza onde trabalhei para o IPHAN e depois me estabeleci aqui no Crato. Vim para o Crato para restaurar a imagem de Nossa Senhora da Penha na Igreja Matriz. Por essa terra me apaixonei e aqui estou até hoje: sempre restaurando e me aperfeiçoando nesta arte.
Alexandre Lucas - Quem mais restaura no Brasil?
Maria Gabriela Federico - Quem mais restaura são os restauradores contratados pelo governo Federal, principalmente a serviço do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Outros que contratam serviços de restauradores são: Antiquários, Museus, Igrejas – principalmente a Igreja Católica, Institutos do Patrimônio Histórico de alguns estados da federação e alguns setores da iniciativa privada.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?
Maria Gabriela Federico - A arte está atrelada as relações humanas. Conseqüentemente é fruto dessas relações. Estas relações podem ser históricas, políticas, sociais, etc. Então, no meu entender, a arte não está desvinculada da política.
Alexandre Lucas - Quais as principais dificuldades técnicas encontradas pelo restaurador?
Maria Gabriela Federico - Algumas, principalmente a falta, aqui na região, de materiais adequados para o restauro. Grande parte do meu material de trabalho tenho que comprar em grandes centros comerciais como São Paulo. Outras dificuldades podem surgir, mas tento sempre contorná-las usando minha criatividade. No meu trabalho tento me espelhar nas regras impostas pelo IPHAN de acordo com normas internacional com a utilização de materiais reversíveis nas restaurações: colas animais, pigmentos naturais de qualidade superior, resinas de fácil remoção.
Alexandre Lucas - Quais seus próximos trabalhos?
Maria Gabriela Federico - Espero contribuir com a preservação do patrimônio artístico do Cariri. Desejo restaurar sempre com qualidade e dedicação.
domingo, 6 de março de 2011
Pensamento para o Dia 05/03/2011

“Há três estágios de Sadhana (prática espiritual). Eles são contemplação, concentração e meditação. Quando você fixa o olhar em uma forma, isso é concentração. Quando essa forma se afasta fisicamente e, depois de algum tempo, você ainda olha para tal forma com seu olho mental, isso é contemplação. Como resultado desse exercício, essa forma fica gravada em seu coração para sempre. Isso é meditação. Se você continuar meditando assim, a forma permanece em seu coração permanentemente. Você não deve limitar suas práticas espirituais apenas à concentração e contemplação. Embora seja verdade que esses representam os primeiros passos em suas práticas espirituais, você deve progredir. Você deve transformar concentração em contemplação e, posteriormente, em meditação. Quando você fizer essa transformação, você continuará a visualizar a forma de Deus a todo o momento. Os antigos Rishis (videntes) adotaram essa forma de meditação. É por isso que Deus se manifestava diante deles sempre que quisessem, conversava com eles e atendia seus desejos.”
Sathya Sai Baba
Centro Cultural BNB Cariri
Fonte: CCBNB Cariri
sábado, 5 de março de 2011
O DESPREZO DO SÍTIO SÃO JOSÉ
Pedro Esmeraldo
Levamos em conta que essa medida é uma injúria lançada no rosto de seus moradores, visto que vivem na esperança de continuar com uma vida confortável e esperançosa e com a permanência de equilíbrio e bem estar social.
Por essa razão, aguardamos ter um tratamento com qualidade e que possamos receber bónus semelhante aos dignos prémios recebidos durante a tempestade proveniente das montanhas tenebrosas.
Não compreendemos por que razão há esse descaso como mediador absorvidos por alguns políticos incompatíveis com a realidade dos fatos cotidianos. Como ó d© costume observar as falhas desses políticos, queremos acordar a comunidade para que esteja atenta esses homens que, na sua maioria não têm vocação para exercer a carreira política.
Não queremos desmerecer ninguém, mas queremos apenas alertar para que todos tomem cuidado ao escolher com dignidade seus representantes, para que depois não venham suportar os dissabores de alguns pseudopolítícos.
Relembrando o abandono do Sítio São José, concordamos que lá existe bom relacionamento político e, ao mesmo tempo, consideramos que essas autoridades, quer sejam da esfera Federal, Estadual ou Municipal, não têm disposição de olhar para lá com bons olhos, pois consideramos que aquela gleba é Brasil e também tem o direito de receber melhoramentos iguais aos demais municípios constituído deste país.
Notamos que esta área municipal pertencente ao Crato é tratada com escárnio e seus habitantes não esboçam nenhuma reação de desagravo.
Observamos também que, nos últimos dias, apresentam-se com a convivência entre as pessoas desdenhosas e verifica, porém, que há uma parte da família com desequilíbrio moral da comunidade. Outros que recebem apoio constante da prefeitura e que esquecem de lembrar daqueles que poderiam aceitar o mesmo lugar de destaque em toda extensão municipal.
Por causa da disparidade existente, há uma certa inconformação devido à preferência que dão aos outros distritos que não coaduna com o pensamento cratense.
APELO DA ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO
V Festival Banco do Nordeste das Artes Cênicas começa dia 13 e segue até 27, Dia Mundial do Teatro
Crato - Unidade sem liderança
Pedro Esmeraldo
Hoje, toda a população cratense sente-se amargurada diante da notícia sombria do fechamento do escritório do SEBRAE em Crato.
Todo nós, os cratenses, não aceitaremos esse tamanho desrespeito, visto que Crato tem carregado nas costas o peso pesado, devido a falta de apoio das autoridades desta cidade que não se interessam em lutar pelo desenvolvimento desta terra. Convém notar que as autoridades de Fortaleza não se interessam pelo Crato e despejam faísca elétrica negativa em direção de nossa terra. Tudo isso é para beneficiar a outra cidade que possui o comportamento invejoso e vem nos levar todos os nossos patrimónios adquiridos há anos.
Consideramos isto uma infâmia indecorosa, pois notamos que esse pessoal não interessa tomar decisões elevadas e querem, de qualquer maneira, açambarcar com o suor alheio, visto que se toma um crime de lesa pátria contra o património de outro município em querer possuir e usar comportamento injusto com a nossa cidade. Agora queremos afirmar que todos devem lutar com coragem, a fím de enfrentar com altivez e suor do seu rosto, enfrentando calor das montanhas tenebrosas que desabam em direção ao povo que vive do suor alheio, seguindo os caminhos tépidos sem prejudicar os outros municípios.
Por isso, admiramos o Crato: é lutador, vive sem esnobismo, é manso e inofensivo, pratica sempre o bem, e permanece na luta contra a desigualdade territorial e social.
O que nos revolta é a falta de luta e coragem dos políticos cratenses que vem com desculpas esfarrapadas, dizendo que não lutam por que essa ação é puramente particular e, consequentemente, não podem penetrar em outras áreas, a não ser pública.
Ficamos tristes pelo pensamento desses homens que vivem entregues aos moles cimentes e não lutam em favor do Crato, vivem com seu gabinete abarrotado com pessoas bajulatórias encarapitados com as autoridades, batendo palmas, dizendo amém, mas para que? Perguntamo-nos! Para vivermos totalmente no comodismo e esquecer que foram eleitos para defender o Crato das garras dos leões coroados que nos dão mordidas, abocanham o naco do melhor que tem o Crato. Não venham com desculpas dilaceradas dizendo que o Crato é fim de linha por isso nada vem para nós.
Não senhor, nós, cratense, temos direito de gritar e cobrar, portanto, vamos à luta e não vamos calar ante a fragilidade de nossos políticos.
Crato/CE 04 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Não somos saudosistas
Na semana anterior, escrevíamos sobre os acontecimentos do Crato, em épocas passadas. Por essa razão alguém nos criticou como sendo pessoas saudosistas e não comungávamos com a realidade das ocorrências modernas.
Observamos que há um engano, visto que apenas relatamos os costumes de épocas passadas e por isso relembramos a essas pessoas “modernistas” que o progresso segue uma sequência de tempo provenientes do passado, já que foi através do trabalho árduo que conseguimos chegar aonde chegamos, ou seja: um modernismo avançado com aplicações de forças mentais admiráveis que atingiu o ápice da glória e chegamos a usufruir essa maravilha nos tempos modernos.
Pensamos bem, antes vamos observar o avanço tecnológico da ciência com a vinda de grandes descobrimentos científicos, principalmente na área médica. Daí vimos também outras descobertas, como: a descoberta da lei da gravitação universal (por Isaac Newton) que é a “força pela qual o corpos se atraem reciprocamente na razão inversa dos quadrados das distâncias”. Também aplaudimos outras descobertas, como: a cura da tuberculose; assim como a erradicação da varíola; o aparecimento dos satélites artificiais que culminou com a ida do homem a lua e mais que contribuiu com o avanço tecnológico que impulsionou o homem para o adiantamento científico e social.
Agora indagamos: como estaria hoje “se não fosse as grandes descobertas do passado”, enfrentando esse “mundão” que, por falta de tecnologia e sem adaptabilidade do trabalho pragmático do mundo moderno? Vem, isto é coisa de todo mundo pensar, se devemos relembrar o passado, ou interrogar se devemos atingir uma tecnologia favorável do futuro sem estudar os mestres do passado.
Infelizmente, nos julgamos as festas mas podemos admirar as pessoas destemidas e que possuem o dom natural de praticar qualquer arte maravilhosa pelo capricho de seu trabalho apurado.
Quando ao Crato moderno, não temos condição de falar porque não somos técnicos paisagistas, mas recordamos as fraquezas dos cratenses que permitiram o surrupiar nas caladas da noite, sob as vistas dos nossos políticos que não esboçaram reação alguma, deixaram levar tudo de bom da cidade, permanecendo de braços cruzados com o intuito de deixar o Crato cair no esquecimento.
Não possuímos tesouros, mas somos contemplados pela beleza do pé-de-serra, que nos deixam vislumbrados ao observarmos o declive das montanhas que correm em direção ao Crato e nós, os cratenses, não sabemos explorar a natureza com investimentos, em construções, estradas pavimentadas, escolas de alto valor que impulsionem para adequar-se a nova aprendizagem escolar.
Ultimamente, temos vontade de gritar, com vozes bem altas, reclamando das autoridades da capital, solicitando que não desprezem o Crato, não mexam com o Crato, deixem o Crato em paz.
Agora, estamos na hora de descruzar os braços e exigirmos mais empenho comparecendo ao Crato para verem de perto o quanto estamos sofrendo por falta de apóio dessas autoridades e por fim perguntamos ao incautos cratenses: o que é dos pára-quedistas que não pisam aqui.
Crato, 03 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Que Reitor(@) sou eu?

Desde a sua fundação a Universidade Regional do Cariri – URCA, sempre teve a forte influência de duas grandes forças, o da igreja desde a gestão do Pe. Teodoro bem como a das tradicionais famílias cratenses, essas relações sempre promoveram momentos históricos de avanços e retrocessos, o segundo sempre mais evidente, por causa das inúmeras práticas viciadas e fisiológicas que insistiam em enraizar, muito das vezes ao arrepio da lei e da moral, como os inúmeros casos de nepotismo, corrupções, favorecimento a empresas, um incontável número de práticas, que teve seu período de arrefecimento, quando da vinda de uma senhora por nome Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, nomeada reitora daquela instituição.
O grande e verdadeiro fato é que a URCA ganhou novos contornos na história e na vida do Cariri, o Crato cidade histórica de reconhecido valor, político e cultural teve em sua trajetória momentos de grande vitalidade. Contudo, tivemos, momentos turbulentos, típicas de qualquer academia que se preze, lutas por uma universidade pública, gratuita e de qualidade, por um restaurante universitário, uma residência universitária, a construção de um ginásio poli-esportivo, concurso para professores efetivos, mais autonomia universitária, dentre outras. Cerca Vinte e três longos anos se passaram e a URCA gozando de sua maioridade institucional, ver-se ainda passar por conflitos da adolescência.
Do início da URCA, passando pelo Prof. Martins Filho seu fundador, até os dias de hoje vieram muitos reitores, a citar, o Sr. André Herzog, que assume está universidade num período de grande efervescência política a julgar pelos movimentos de recusa de seu nome como o indicado á época pelo então governador Lúcio Alcântara, pelo fato de não ter sido seu o projeto mais votado na consulta para reitor. Contudo, como falei de início, momentos de avanços e retrocessos, não podemos deixar de ressaltar o desenvolvimento embrionário do GeoPark Araripe que, precisa de fato que suas ações tenham vazão e ressonância dada a demanda reprimida de nosso grande potencial paleontológico, sempre necessitado de apoio institucional,pois joga um papel deverás precioso ao desenvolvimento de nossa região, a institucionalização de curso de graduação e pós-graduação pagos colocava em xeque como ainda hoje coloca a moralidade e legalidade das ações promovidas por aquela instituição de Ensino Superior.
Chegamos à gestão do Prof. Plácido Cidade Nuvens, numa proposição que tinha nas bases de seu projeto um viés verdadeiramente democrático, acabar com as taxas e com os cursos pagos, dar vazão a lutas históricas do movimento estudantil como as que já foram citadas, uma aliança que tinha vindo das eleições anteriores, articulada e idealizada por forças legitimamente democráticas e progressistas, buscavam construir um novo modelo de universidade. Após a eleição, um grande susto ronda a todos com a debilidade da saúde do reitor eleito, um clima de instabilidade se instala na academia, pós recuperação, as heterogêneas alianças que nelas incluem clãs tradicionais de Crato mostram verdadeiramente sua face e grupos procuram fracionar a URCA na medida dos interesses dos grupos formados, daí muitos que ajudaram a construir o chamado URCA DO JEITO CERTO viram algo ERRADO e decidiram manter-se certo, uns foram e outros ficaram, entretanto, houveram avanços e retrocessos. Mas afinal por que será tão difícil andar pra frente? O que nos impede de termos uma caminhada continua, que possa verdadeiramente fazer com que a URCA CAMINHE DO JEITO CERTO?
Prof. Samuel Siebra
Presidente do Centro Acadêmico de Enfermagem e professor da rede estadual de ensino.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
MENSAGENS ESPIRITUAIS PARA TODOS OS DIAS
Prezadas Amigas e Amigos,
Estou enviando abaixo duas mensagens espirituais do mestre indiano Sathya Sai Baba que devem ser gravadas em nossos corações (principalmente a primeira delas - dia 23/02/2011).
A primeira delas foi responsável pela minha saida da depressão no dia 23 de fevereiro último.
Atenciosamente,
Um abraço,
Bernardo

Pensamento para o Dia 23/02/2011
“A menos que uma crença seja mantida inabalável dia e noite, ela não pode ser usada para alcançar a vitória. Quando uma pessoa afirma que é inferior, desprezível e que tem muito pouco conhecimento, ela torna-se inferior, desprezível e seu conhecimento diminui. Nós nos tornamos aquilo que pensamos que somos. Nós somos os filhos de Deus Todo-Poderoso, dotados de supremo poder, glória e sabedoria. Somos filhos da Imortalidade. Devemos entender essa verdade fundamental e nos apegarmos a ela sempre. Quando vivemos nesse pensamento, como podemos ser inferiores e ignorantes? A cultura Bharathiya (Índia antiga) ordena a todos que acreditem que a verdadeira natureza do homem é suprema e que todos devem estar sempre conscientes dessa verdade.”
Sathya Sai Baba
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Pensamento para o Dia 28/02/2011
“Religião significa "experiência" e nada menos. É realmente lamentável que muitas vezes esqueçamos esse fato importante. Esse segredo deve ser impresso no coração de cada um, e somente então pode haver proteção e segurança. É preciso também compreender que as coisas não podem ser alcançadas apenas por esforço próprio; a Vontade Divina é a base de tudo. Princípios religiosos devem ser praticados e sua validade experienciada. Ouvir sua exposição não tem qualquer utilidade; aprender um conjunto de argumentos e conclusões e repeti-los como papagaio não é suficiente. Se eles apelam para o seu intelecto e são aprovados por ele como corretos, isso não o ajudará de forma algum; isso deve transformá-lo.”
Sathya Sai Baba
Sou o que faço de mim - Emerson Monteiro
A tradicional conceituação de existirem os três aspectos comuns de personalidade para formar a constituição da individualidade, quais sejam id, o eu primitivo; o superego, o eu ideal; e o ego, o centro real da pessoa, a consciência do eu, o que representa a base original de onde procede ao que se fará de si mesmo. Tais são conteúdos iniciais de um longo itinerário a chegar na transformação do ser rumo à realização maior das existências, o que se dará sob as leis fundamentais do reconhecimento dessa longa estrada, até a individuação definitiva. Há, em consequência dessa dialética, uma personalidade suprema das individualidades em formação, o que admite, desde as religiões mais arcaicas, passando pelas teses estruturalistas das escolas científicas que estudam a psicologia humana, uma confluência ao Eu verdadeiro, que ora recebe nomes diversificados, a depender dos códigos que aprofundam o assunto. Cristo, Senhor, Consciência Cósmica, Suprema Personalidade de Deus, Eu Superior, Krishna, etc.
Enquanto de um dos lados, na vida de relações, observa-se essas configurações para a formação da personalidade instalada em todo ser humano, o aspecto instintivo animal; o eu moralista que a tudo define sob o prisma da fundamentação teórica do que deveria ser e ainda não o é; e o eu das relações consigo mesmo e com o universo, o que expressa nomes, pessoas, memórias, pensamentos, sentimentos e valores externos do ente social; no outro pólo dialético apenas a ordenação objetiva da síntese, ou nova tese, indica tão só a completa integração da personalidade com a natureza mais perfeita, inclusive acima dos juízos de valor, justificativa da existência da espécie e causa primeira à qual regressará à medida que reencontre o ele perdido, na vertente universal de tudo. Será o regresso à casa do Pai, qual dito nalgumas escolas místicas.
Todo o sentido daquela interpretação fragmentária da realidade, que obedece ao prisma dos três aspectos científicos das variações que formam a personalidade conhecida, apenas, portanto, significa uma fase primária de localização dos conceitos do eu consigo próprio, à mercê dos vetores da realidade interpretativa enquanto inexiste a conversão a que se destina no objeto do processo vida, uma razão maior e motivo primordial da existencialidade humana e dos demais seres e objetos materiais.
Ao instante da percepção criadora do Ser definitivo, o que aborda a epopéia da civilização no decorrer da história das existências, revela em si o ápice da criação e o crepúsculo das coisas na matéria, conquanto fundir-se-ão as consciências na luz espiritual da imortalidade eterna, a resultar na totalidade plena e satisfação absoluta da existência e do movimento que formam a Natureza.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Lula Gonzaga – Redescobrindo o Brasil com muita animação
Alexandre Lucas - Quem é Lula Gonzaga?
Lula Gonzaga - Pernambucano, cineasta de animação onde iniciou sua trajetória no desenho animado em 1971. Realizou sete curtas-metragens nas mais variadas bitolas: Super-8, 16mm, 35mm e em vídeo. Coordena o Ponto de Cultura Cinema de Animação e o Pontão de Cultura Cine Anima em Pernambuco. O nosso Ponto é principalmente um projeto itinerante que percorre todo o país realizando oficinas e mostras de animação em especial nas regiões Nordeste e Norte, já realizamos etapas também em outros países.
Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?
Lula Gonzaga - Aos 15 anos quando entrei pela primeira em uma sala de cinema de bairro no Recife, decidi que iria trabalhar com cinema. Aos 18, no final dos anos 70, fui para o Rio de Janeiro e 1971, comecei minha carreira profissional na PPP Produtora francesa no bairro da Glória.
Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Lula Gonzaga - Várias, partindo das salas de exibição onde assisti vários filmes de animação da Disney, a produção francesa e checa pois havia amigos que tinham estes filmes em Super-8, fundindo com as influências do grafismo regional da xilogravura, da literatura de cordel que observava nas feiras e mercados públicos, dos bonecos de barro de Caruaru que comprava para brincar, dos mamulengos e da música regional de Luiz Gonzaga etc.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?
Lula Gonzaga - O ser humano não suportaria a vida sem a música, sem o cinema, sem a pintura, é inerente a condição humana, e tudo que diz respeito ao ser humano passa pela política, desde o preço do pão, a educação, a saúde, os rumos de uma nação, então todos precisam da arte e da política, não tem como separar, você pode não fazer política partidária, mas a política no sentido amplo está intrínseca a cada pessoa.
Lula Gonzaga - A animação no Brasil como em todo o planeta está em momento de expansão, a animação está em todos os lugares: no cinema, na TV, na Internet, no celular. No Brasil, a animação sempre foi marcada pela dominação da indústria americana que monopoliza todos os canais de comunicação com o público, começando nas salas de cinema, na TV, agora na Internet, no celular e em todas as novas mídias que surgem. Em função desta dominação, a animação exibida no país sempre muito focada no público infantil, pois é onde começa a funcionar a “lavagem cerebral”, crianças a partir dos 2 anos de idade são alienadas pela produção exibida pelas “xuxa´s” e Cia. Trabalhando sem cessar nas cabeças dos nosso filhos para formar os novos aliados e futuros consumidores dos shoppings, delivery, Coca-cola, fost food etc. Hoje com as salas de exibição alternativas e em especial a internet, os jovens começaram a descobrir as produções de outros países que produzem filmes também para crianças e para outras faixas etárias em especial para a juventude. Com a chegada dos vídeos-games, vídeos clips e animação para celular, além do acesso às novas tecnologias digitais que barateiam e fazem com que um jovem possa realizar sua animação e finalizar em um computador simples, a animação entrou de vez na juventude, que enxerga também uma oportunidade de mercado de trabalho. Grande parte das empresas de produção de animação opera com equipe de jovens, hoje o Brasil produz uma grande quantidade de filmes de curta e longa-metragem, séries para TV, animações para comerciais, vídeos-games. Nossa produção atual além de muito diversificada em gênero e estilo também está espalhada pelo país inteiro, temos núcleos funcionado em São Paulo e Rio, também no interior de São Paulo, no Rio Grande Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo em Minas, Brasília, Goiás, em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Rondônia e Amazonas.
Alexandre Lucas - Quais as dificuldades que você encontrou no início de sua carreira?
Lula Gonzaga - No início o maior complicador era de o país ter uma produção muito pequena, basicamente reduzida aos comerciais para TV e fixada exclusivamente no eixo Rio-São Paulo. A grande dificuldade de assistir os filmes de diferentes países como ainda acontece hoje. Não havia nenhum instrumento de fomento, como os editais que existem hoje.
No meu caso tive sorte pois em 1981 a CAPES/MEC acertou um convênio com a Embrafilmes para a parceria de um projeto de 3 bolsas de estudo para animação no exterior, 3 vagas para todo o país e eu peguei a vaga do Nordeste e fui estagiar na Croácia e República Checa o que me deu um outra dimensão do universo da animação no planeta.
Alexandre Lucas - Ainda consumimos muita animação de outros países? Como você vê produção de animação no Brasil e o monopólio da Mídia?
Lula Gonzaga - Claro, e sempre vamos consumir o desenho de outros países. A questão é que basicamente só consumimos a produção dos Estados Unidos da América e uma parte menor da produção comercial japonesa. Temos que abrir nosso mercado para a produção de todos os países, para que nossas crianças e jovens possam conhecer as diferentes culturas, isto é essencial. E para exibir as nossas produções, durante muito tempo, nem mesmo a turma da Mônica era exibida nas nossas TVs! Também é necessário abrir os espaços para a produção brasileiras nos cinemas e TVs para os outros países. Hoje a animação nacional está no mesmo nível de qualidade da produção dos países produtores mais avançados, as animações importadas geram bilhões de dólares, citamos por ex. Bob Esponja, no ano de 2008 rendeu 1 bilhão de dólares em licenciamento, com a venda de bolsas, sapatos, cadernos etc. O mercado não brinca em serviço! A discussão agora é cultural, pois trata da afirmação da nossa identidade como povo, de economia e tudo passa é claro por decisão política.
Alexandre Lucas - A circulação é um dos desafios para democratizar a produção de animação no Brasil?
Lula Gonzaga - É o nosso grande gargalo, como estamos completamente dominados pela engrenagem de distribuição nas grandes mídias optamos, por falta de força política, operar pela beirada, nos Festivais de Audiovisual, nos diversos projetos de exibição itinerantes, nas TVs públicas como a TV Brasil e a TV Cultura, nos Cines Clubes, nos Cines+Cultura, na Programadora Brasil etc. São muito importantes os meios de acesso a produção brasileira, mais ainda estamos muito longe de chegar aos grandes sistemas de comunicação.
Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Lula Gonzaga - Nosso trabalho sempre foi focado na cultura brasileira em especial nas regiões Nordeste e Norte, sempre trabalhamos com formação, produção e difusão. Toda nossa equipe é de jovens que foram formados no próprio projeto, todas as nossas oficinas sempre foram com jovens alunos das escolas públicas e as exibições do cinema itinerante ou de cineclube sempre priorizamos as cidades sem ou com muito poucas salas de exibição para comunidades sem acesso a este importante veículo de comunicação de massa e divulgação da nossa cultura.
Alexandre Lucas - A atual conjuntura política no campo da cultura tem contribuído para ampliar a produção e circulação do cinema de animação no Brasil?
Lula Gonzaga - Sim e muito, na era Lula / Gil estivemos no melhor momento da nossa produção e acesso à cultura, em especial com o programa Cultura Viva que tem como locomotiva os 2.500 Pontos de Cultura funcionando no país, nos diversos editais para a produção audiovisual, na SAV - Secretaria de Audiovisual - que incluiu editais específicos para animação e nos avanços dos Cineclubes, da Programadora Brasil e nos cinemas itinerantes
Alexandre Lucas - O Coletivo Camaradas realizará em 2011 a “Mostra de Animação Lula Gonzaga” o que isso representa para você?
Lula Gonzaga - O Nordeste do país, hoje tem uma importante produção de Animação que o público da nossa região ainda não teve a oportunidade de conhecer.
A Mostra que vamos realizar com o Coletivo Camaradas, será uma oportunidade para prestar contas a sociedade do que estamos realizando com os recursos públicos em nosso Ponto de Cultura, vamos apresentar como funciona o nosso processo de formação, de produção e de difusão do Cinema de Animação que atua nas regiões Norte e Nordeste, nesta Mostra apresentaremos um painel através da exibição dos filmes e vídeos produzidos no nosso projeto, buscando permitir o acesso a cultura cinematográfica, a informação, abrir novas oportunidades no mercado de animação, a troca de idéias e a busca de novas parcerias.
Lula Gonzaga – Redescobrindo o Brasil com muita animação
Alexandre Lucas - Quem é Lula Gonzaga?
Lula Gonzaga - Pernambucano, cineasta de animação onde iniciou sua trajetória no desenho animado em 1971. Realizou sete curtas-metragens nas mais variadas bitolas: Super-8, 16mm, 35mm e em vídeo. Coordena o Ponto de Cultura Cinema de Animação e o Pontão de Cultura Cine Anima em Pernambuco. O nosso Ponto é principalmente um projeto itinerante que percorre todo o país realizando oficinas e mostras de animação em especial nas regiões Nordeste e Norte, já realizamos etapas também em outros países.
Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?
Lula Gonzaga - Aos 15 anos quando entrei pela primeira em uma sala de cinema de bairro no Recife, decidi que iria trabalhar com cinema. Aos 18, no final dos anos 70, fui para o Rio de Janeiro e 1971, comecei minha carreira profissional na PPP Produtora francesa no bairro da Glória.
Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Lula Gonzaga - Várias, partindo das salas de exibição onde assisti vários filmes de animação da Disney, a produção francesa e checa pois havia amigos que tinham estes filmes em Super-8, fundindo com as influências do grafismo regional da xilogravura, da literatura de cordel que observava nas feiras e mercados públicos, dos bonecos de barro de Caruaru que comprava para brincar, dos mamulengos e da música regional de Luiz Gonzaga etc.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?
Lula Gonzaga - O ser humano não suportaria a vida sem a música, sem o cinema, sem a pintura, é inerente a condição humana, e tudo que diz respeito ao ser humano passa pela política, desde o preço do pão, a educação, a saúde, os rumos de uma nação, então todos precisam da arte e da política, não tem como separar, você pode não fazer política partidária, mas a política no sentido amplo está intrínseca a cada pessoa.
Lula Gonzaga - A animação no Brasil como em todo o planeta está em momento de expansão, a animação está em todos os lugares: no cinema, na TV, na Internet, no celular. No Brasil, a animação sempre foi marcada pela dominação da indústria americana que monopoliza todos os canais de comunicação com o público, começando nas salas de cinema, na TV, agora na Internet, no celular e em todas as novas mídias que surgem. Em função desta dominação, a animação exibida no país sempre muito focada no público infantil, pois é onde começa a funcionar a “lavagem cerebral”, crianças a partir dos 2 anos de idade são alienadas pela produção exibida pelas “xuxa´s” e Cia. Trabalhando sem cessar nas cabeças dos nosso filhos para formar os novos aliados e futuros consumidores dos shoppings, delivery, Coca-cola, fost food etc. Hoje com as salas de exibição alternativas e em especial a internet, os jovens começaram a descobrir as produções de outros países que produzem filmes também para crianças e para outras faixas etárias em especial para a juventude. Com a chegada dos vídeos-games, vídeos clips e animação para celular, além do acesso às novas tecnologias digitais que barateiam e fazem com que um jovem possa realizar sua animação e finalizar em um computador simples, a animação entrou de vez na juventude, que enxerga também uma oportunidade de mercado de trabalho. Grande parte das empresas de produção de animação opera com equipe de jovens, hoje o Brasil produz uma grande quantidade de filmes de curta e longa-metragem, séries para TV, animações para comerciais, vídeos-games. Nossa produção atual além de muito diversificada em gênero e estilo também está espalhada pelo país inteiro, temos núcleos funcionado em São Paulo e Rio, também no interior de São Paulo, no Rio Grande Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo em Minas, Brasília, Goiás, em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Rondônia e Amazonas.
Alexandre Lucas - Quais as dificuldades que você encontrou no início de sua carreira?
Lula Gonzaga - No início o maior complicador era de o país ter uma produção muito pequena, basicamente reduzida aos comerciais para TV e fixada exclusivamente no eixo Rio-São Paulo. A grande dificuldade de assistir os filmes de diferentes países como ainda acontece hoje. Não havia nenhum instrumento de fomento, como os editais que existem hoje.
No meu caso tive sorte pois em 1981 a CAPES/MEC acertou um convênio com a Embrafilmes para a parceria de um projeto de 3 bolsas de estudo para animação no exterior, 3 vagas para todo o país e eu peguei a vaga do Nordeste e fui estagiar na Croácia e República Checa o que me deu um outra dimensão do universo da animação no planeta.
Alexandre Lucas - Ainda consumimos muita animação de outros países? Como você vê produção de animação no Brasil e o monopólio da Mídia?
Lula Gonzaga - Claro, e sempre vamos consumir o desenho de outros países. A questão é que basicamente só consumimos a produção dos Estados Unidos da América e uma parte menor da produção comercial japonesa. Temos que abrir nosso mercado para a produção de todos os países, para que nossas crianças e jovens possam conhecer as diferentes culturas, isto é essencial. E para exibir as nossas produções, durante muito tempo, nem mesmo a turma da Mônica era exibida nas nossas TVs! Também é necessário abrir os espaços para a produção brasileiras nos cinemas e TVs para os outros países. Hoje a animação nacional está no mesmo nível de qualidade da produção dos países produtores mais avançados, as animações importadas geram bilhões de dólares, citamos por ex. Bob Esponja, no ano de 2008 rendeu 1 bilhão de dólares em licenciamento, com a venda de bolsas, sapatos, cadernos etc. O mercado não brinca em serviço! A discussão agora é cultural, pois trata da afirmação da nossa identidade como povo, de economia e tudo passa é claro por decisão política.
Alexandre Lucas - A circulação é um dos desafios para democratizar a produção de animação no Brasil?
Lula Gonzaga - É o nosso grande gargalo, como estamos completamente dominados pela engrenagem de distribuição nas grandes mídias optamos, por falta de força política, operar pela beirada, nos Festivais de Audiovisual, nos diversos projetos de exibição itinerantes, nas TVs públicas como a TV Brasil e a TV Cultura, nos Cines Clubes, nos Cines+Cultura, na Programadora Brasil etc. São muito importantes os meios de acesso a produção brasileira, mais ainda estamos muito longe de chegar aos grandes sistemas de comunicação.
Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Lula Gonzaga - Nosso trabalho sempre foi focado na cultura brasileira em especial nas regiões Nordeste e Norte, sempre trabalhamos com formação, produção e difusão. Toda nossa equipe é de jovens que foram formados no próprio projeto, todas as nossas oficinas sempre foram com jovens alunos das escolas públicas e as exibições do cinema itinerante ou de cineclube sempre priorizamos as cidades sem ou com muito poucas salas de exibição para comunidades sem acesso a este importante veículo de comunicação de massa e divulgação da nossa cultura.
Alexandre Lucas - A atual conjuntura política no campo da cultura tem contribuído para ampliar a produção e circulação do cinema de animação no Brasil?
Lula Gonzaga - Sim e muito, na era Lula / Gil estivemos no melhor momento da nossa produção e acesso à cultura, em especial com o programa Cultura Viva que tem como locomotiva os 2.500 Pontos de Cultura funcionando no país, nos diversos editais para a produção audiovisual, na SAV - Secretaria de Audiovisual - que incluiu editais específicos para animação e nos avanços dos Cineclubes, da Programadora Brasil e nos cinemas itinerantes
Alexandre Lucas - O Coletivo Camaradas realizará em 2011 a “Mostra de Animação Lula Gonzaga” o que isso representa para você?
Lula Gonzaga - O Nordeste do país, hoje tem uma importante produção de Animação que o público da nossa região ainda não teve a oportunidade de conhecer.
A Mostra que vamos realizar com o Coletivo Camaradas, será uma oportunidade para prestar contas a sociedade do que estamos realizando com os recursos públicos em nosso Ponto de Cultura, vamos apresentar como funciona o nosso processo de formação, de produção e de difusão do Cinema de Animação que atua nas regiões Norte e Nordeste, nesta Mostra apresentaremos um painel através da exibição dos filmes e vídeos produzidos no nosso projeto, buscando permitir o acesso a cultura cinematográfica, a informação, abrir novas oportunidades no mercado de animação, a troca de idéias e a busca de novas parcerias.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Governos de conveniência - Emerson Monteiro
A onda que varre dos comandos governantes de países árabes deixa no ar uma séria lição, qual seja: o capitalismo ocidental brincou em serviço quando apoiou a maioria desses ditadores que o próprio tempo se encarrega de eliminar, atitude que demonstra por demais a irresponsabilidade das democracias ricas em relação aos países atrasados deste mundo. Ninguém avalie, portanto, sua posição acima do mal e do bem, como agem detentores da riqueza, nas poderosas economias nacionais.
Depois da crise do petróleo, verificada com a Guerra dos Seis Dias entre árabes e judeus, no ano de 1967, os países detentores das reservas decidiram aumentar o preço do barril do ouro negro a níveis pouco imagináveis. As nações árabes descobriam, enfim, o quanto vale o subsolo nesta civilização contemporânea. O Ocidente, principal consumidor, instalava, naquelas economias crescentes, através dos ardis de bastidores, líderes que lessem nas suas cartilhas, para, mais adiante, dado o despreparo da maioria deles, haver de exterminá-los ao preço das dores civis, notícias que, antes, vieram do Afeganistão, do Iraque, e, agora, num rastro de pó e sangue, das ditaduras de conveniência que afundam, impostas que foram às nações em crise pela barganha dos potentados capitalistas.
Eis uma história marcada, programada de longo prazo. Nas décadas de 60 e 70, as Américas sofreram da mesma fórmula, que serviu, durante 20 ou mais anos, ao pretexto de manter a ordem nesta parte do chão. Os custos disso, atraso na maturidade dos povos, taxa elevada em termos de aperfeiçoamento histórico negativo, subserviência e alienação de gerações inteiras.
Tais exercícios de intervenção alimentaram elites reacionárias e corruptas, ocasionando consequências perversas de vazios profundos no futuro, visando o lucro das conquistas do mercado imperialista.
Essa crise fenomenal que ora elimina titulares carimbados no Egito, na Tunísia, e se espraia pela Líbia, pelo Iêmen e outros países, representa, pois, a derrocada dos esquemas absolutistas impostos pelos ocidentais a povos do Oriente, engordando famílias e governos ilegítimos, quais novos cônsules da Antiga Roma dos césares.
Os resultados da ação equivocada sujeita, com isso, perder a humanidade, expondo conquistas democráticas, devido à injustiça que contagia vizinhanças e domínios equilibrados, pondo risco, por exemplo, na estabilidade da Europa, comunidade que, através dos séculos, ficava distante das convulsões da Ásia e da África. Já que existem, porém, nos tempos atuais, o excesso populacional e as facilidades do deslocamento das massas humanas, o Velho Continente sofre com as angústias do futuro., nuvens escuras crescem das bandas do Nascente, na geopolítica internacional, e, queira Deus, uma autocrítica honesta de quem responsável motive rumos novos aos tristes acontecimentos verificados.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
A uma mestra com carinho – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Tenho muito carinho e gratidão por uma grande professora que o Crato já teve. É a saudosa professora dona Lurdinha Esmeraldo. Ela dedicou toda a sua vida ao magistério. Lembro-me muito bem do amor que ela tinha pelos alunos, sempre com o objetivo de formá-los para a vida. Por ser solteira tinha todo um carinho filial com seus alunos. Fui sua aluna de Francês e Religião. Ela era muito competente em tudo que ensinava. A bondade e o amor transpareciam nos seus gestos. A sua fé em Deus e o seguimento de Jesus eram demonstrados na sua animação ao falar de Jesus para os alunos e através do seu testemunho de vida. O comportamento dela fazia com que entendêssemos que o seu objetivo era nos levar para o caminho do bem. O bom professor, além de dar a instrução aos alunos, proporciona a educação como um todo. Dona Lurdinha era assim, cuidava da instrução e da alma, educando também para a vida, através do seu testemunho, da sua bondade e da vocação parar ajudar aos jovens. Pessoa de grande espiritualidade, vivência cristã e testemunho de fé. Freqüentadora diária da igreja e participante da Eucaristia. Lembro sempre dessa querida professora quando leio um trecho do Evangelho de Mateus: “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve só para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.” (Mt 5, 13-16)Fomos feitos para brilhar. Devemos acreditar na luz de Deus em nós, pois agindo com justiça e retidão, estaremos manifestando a beleza de Deus. Ser sal da terra é dar sabor as coisas e livrar o mundo da podridão dos costumes e da corrupção. Os discípulos de Jesus precisam dar testemunho de suas obras. A querida dona Lurdinha como seguidora de Jesus, irradiava a luz para os outros e principalmente para os seus alunos. Sabia que não devemos esconder a luz de Deus que brilha em nós, pois para sermos discípulos de Jesus, devemos nos comprometer com a construção do Reino de Deus. Essa professora a quem rendo a minha homenagem era comprometida com esse Reino e, transbordava através do seu grande coração o amor de Deus para seus alunos e para todos que a conheciam. Através dela, aproveito para homenagear todos os meus professores e professoras.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
As emissoras internacionais - Emerson Monteiro
Houve um tempo quando apreciei com intensidade as transmissões da radiofonia mundial em ondas curtas, reservando horas e horas noturnas para ouvir as programações em português e espanhol, elaboradas nos mais diversos países. Esse gosto veio despertado por amigos e colegas de colégio que nutriam interesses ocasionais em colecionar selos, quadros de fitas de cinema, estudar inglês e acompanhar lançamentos cinematográficos, assuntos que preencheram a minha adolescência.
Além de seguir de perto as grades de programação, também escrevia às emissoras, dando notícias das recepções e apresentando ideias e motivos talvez a serem aproveitados pelas estações de rádio.
Era uma época de extrema efervescência e movimentação das forças políticas, na primeira metade da década de 60, auge da Guerra Fria, quando, inclusive, o rádio se prestou à divulgação e propaganda ideológica dos blocos nela envolvidos. De um lado, o capitalismo internacional do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos. Do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ponta de lança do que propunha o comunismo, já instalado também na China, desde 1949, com Mao-tsé-tung no poder; em Cuba, após a revolução de Fidel Castro, em 1959; no bloco dos países da Europa Oriental, na Coréia do Norte, como alternativa ao modelo da democracia americana para as outras nações, após a Segunda Guerra.
Recordo que, nessa fase, ouvia com assiduidade transmissões da Rádio Difusão e Televisão Francesa, Rádio Canadá, BBC de Londres, Rádio Havana, Voz da América, Rádio Holanda, Rádio Suíça Internacional, Rádio Suécia, Rádio Praga, Rádio Sofia, Rádio Cairo, Rádio Espanha Internacional, Rádio Pequim, Rádio Central de Moscou, Rádio Tirana, Rádio Vaticano, Voz da Alemanha, dentre outras, que mantinham horários para o Brasil e os demais países de língua portuguesa.
Informações fervilhavam a cruzar os céus logo que chegava a noite, das 19 às 23h, horário de melhor propagação das ondas. O meu receptor, rádio a válvulas, permanecia ligado todo tempo, enquanto promovia anotações e apurava os ouvidos, nas faixas de 16 a 49m, vezes sob chiados e ruídos intensos que dificultavam as audições.
No país, eram as notícias peneiradas pelos órgãos de segurança e que, entretanto, vazavam pelos correspondentes estrangeiros, chegando ao nosso conhecimento pelos departamentos internacionais, época de clandestinidade e repressão, anos de chumbo, quais se dizem.
Remetia cartas aos endereços dessas emissoras, que as respondiam com regularidade e juntavam às respostas publicações dos países; livros, revistas, jornais, postais, selos, broches, flâmulas e outros brindes. Cada recebimento dessas respostas era um dia de festa. Abria o envelope e examinava com cuidado seu conteúdo, estimando o valor em face da distância que percorrera. Nisso, espécie de fetichismo logo invadia a alma de mistério.
Depois, novos apegos surgiriam com a descoberta do prazer da literatura e seus variados autores brasileiros e estrangeiros. Mais adiante, os filmes de Hitchock, do Cinema Novo, os clássicos da Cristandade, os faroestes inolvidáveis, o cinema de arte europeu, além dos festivais da canção, e a MPB, reunidos às emoções dos primeiros namoros, para, assim, excluir em definitivo o pouco espaço que restara entre os estudos e aqueles solitários serões radiofônicos.





