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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Manuel Bezerra Neto – Educação para transformação da sociedade



Professor, Filosofo, pesquisador marxista, comunista e bom de papo, Manuel Bezerra Neto compreende que a educação deve servir para transformação da sociedade. Preparando o seu segundo livro, Bezerrinha como é carinhosamente conhecido apontar as contradições da educação numa sociedade antagônica como a capitalista.  
     
Alexandre Lucas - Quem é Manuel Bezerra Neto?

Manuel Bezerra Neto – Até recentemente fui  professor assistente do Departamento de Educação  da Universidade Regional do Cariri – URCA. Milito na Educação desde a década de 1970. Iniciei nas minhas atividades na Educação Básica do Estado na área de Ciências Exatas (matemática e física). A partir de 2000 ingressei no Ensino Superior da URCA, na área de Ciências Sociais (Filosofia e Sociologia). Durante esse período estive sempre engajado na luta política como dirigente municipal e estadual no Partido Comunista do Brasil - PCdoB.

Alexandre Lucas – Qual a importância das tendências pedagógicas no âmbito das políticas para a educação?

Manuel Bezerra Neto – É preciso lembrar que as políticas educacionais são estabelecidas sempre em função dos interesses do Estado, bem como dos objetivos mais permanentes da classe dominante. Em decorrência disso é que são levadas em conta aquelas tendências pedagógicas que mais são convenientes e mais se adéquam tanto aos objetivos do Estado, quanto aos interesses que estão postos  em determinadas circunstancias, do ponto de vista, é claro, das classes dominantes. Assim, não vamos alimentar ilusões a respeito da educação escolar, uma vez que seu primeiro papel, sob o estado capitalista é explicitamente funcional, ainda que devemos reconhecer, não obstante, que ela se constitui por natureza, uma atividade contraditória.

Alexandre Lucas - Como você avalia as políticas públicas para Educação no Ceará?

Manuel Bezerra Neto – É muito simples perceber-se que elas ainda continuam orientadas pelas diretrizes de caráter neoliberal. Educação ainda é encarada como despesas para o Estado. Assim, despesa pressupõe retorno compensador, do ponto de vista financeiro, e não um direito universal do individuo. Isso significa conceder a educação enquanto fator de desenvolvimento socioeconômico, segundo a Teoria do Capital Humano porquanto para as classes dominantes investir em educação é estabelecer os meios que devem favorecer apenas o desenvolvimento dos meios de produção capitalistas necessários ao processo de acumulação do capital.

Alexandre Lucas – Qual a contribuição do Marxismo para a compreensão e proposição das tendências pedagógicas de caráter progressista?

Manuel Bezerra Neto – Ainda que Marx não tenha proposto explicita e sistematicamente uma linha pedagógica escolar, no entanto, o programa de Gotha define uma concepção de pedagogia que vai além dos conceitos burgueses de progresso humano, uma vez que ele chama a atenção para a importância e o sentido que uma formação humana fundada na associação indispensável entre educação e trabalho, escola pública gratuita (não necessariamente estatal, mas laica). Ele sempre acreditou que a natureza do homem se forma e se desenvolve tendo como principio a atividade produtiva; isto é, o trabalho como principio pedagógico por excelência. É simples perceber-se isto quando sabemos que as classes burguesas nunca encararam o trabalho como atividade dignificante para o individuo que não precisa trabalhar uma vez que ele vive da exploração da força de trabalho daqueles que não tem a propriedade dos meios de produção. Em síntese, elas nunca imaginaram nem desejaram ver seus filhos frequentando a oficina onde o filho do trabalhador está aprendendo um oficio ou aperfeiçoando suas técnicas de produção de mais-valia.

Alexandre Lucas – Em seu livro “Escola – Pedagogia da Reprodução” você aborda o caráter ideológico da escola capitalista e propõe alternativa?

Manuel Bezerra Neto – Quando dei aquele título ao trabalho não estava, de modo algum, concordando inteiramente com a concepção reprodutivista da escola porque, enquanto, os “reprodutivistas” faziam a crítica exclusiva da pedagogia burguesa como aparelho ideológico por excelência do Estado capitalista, eu procuro mostrar que ao lado da critica é preciso propor uma opção – não dualista, obviamente – pedagógica que possa contemplar sem discriminação os interesses, os valores e as concepções de todos na sociedade, principalmente das classes submetidas ao regime de exploração do capital. Ao mesmo tempo compreendi que era necessário também, junto com a tarefa de propor uma escola universalizada cuidar dos problemas concretos e imediatos da sociedade brasileira do ponto de vista do seu desenvolvimento autônomo, tendo em mira a redução drástica das profundas desigualdades sociais engendradas pelo capitalismo brasileiro, e para os quais só uma concepção pedagógica revolucionária poderia apresentar soluções viáveis para sua superação.

Alexandre Lucas – Você prepara o segundo livro “Educação e Consciência de Classe", Qual a abordagem desse trabalho?

Manuel Bezerra Neto – A questão da consciência de classe não é muito simples de ser abordada. Muitas vezes, corremos o risco de ou vê-la idealisticamente, tendo-se a ilusão de que é algo inevitável para o sujeito, em vista de sua pertinência de classe; que dizer, inevitavelmente, o burguês teria que pensar, enquanto burguês, operário como operário, etc. é uma visão um pouco simplista e reducionista pela qual seria suficiente apenas olhamos a posição de classe, para então apreendemos a consciência dos indivíduos que a integram.

A consciência não pode ser também uma função psicológica que nos ajuda a fazer avaliações “corretas” ou de censura das situações vivenciais nem dos indivíduos nem da própria história uma vez que inevitavelmente  ela, de qualquer modo, não deixa de estar vinculada se não as forças motrizes que põem em movimento povos e classes inteiras, que acaba induzindo uma ação durável capaz de promover grandes transformações históricas.

No campo da educação ainda que a consciência se forme na relação direta com a realidade, mesmo que mediatizada pelo conhecimento não podemos subestimar o papel ideológico desse conhecimento na organização e projeção das condições materiais de existência. Assim, a proposta implícita é, sobretudo demonstrar a relação entre o papel ideológico da educação e o desenvolvimento da consciência do individuo.

Alexandre Lucas – Qual a relação entre educação e prática social?

Manuel Bezerra Neto – A relação é explicita, pois a própria educação constitui-se de uma prática social inerente e indispensável ao conjunto das múltiplas práticas convenientes e adequadas para a configuração de uma dada realidade social. Não podemos imaginar prática educativa dissociada da prática social.     

                          
         
         

Exposição reúne xilogravuras no Crato


Até o dia 31/7 o SESC Juazeiro recebe, na Galeria de Artes, a exposição “O Fio da Xilo”. O trabalho, que reúne xilogravuras, faz parte de um projeto de intercâmbio gráfico financiado pela Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e realizado com jovens do Cariri. A visitação acontece das 8h às 21h, com entrada gratuita.

As artes expostas são resultados das oficinas de “xilo sticker” e “cordel sticker”, ministradas durante o mês de março. As criações trazem como matéria-prima o cordel e a umburana – madeira utilizada para as xilogravuras das capas de cordéis e esculturas.

O projeto tem por objetivo despertar nos jovens o interesse por xilogravura. Após as oficinas, são realizados encontros com os participantes para produção e estudo sobre o tema, além da exposição das criações.
  
SERVIÇO
Exposição “O Fio da Xilo”
Local: Galeria do SESC Juazeiro (Rua da Matriz, 227)
Período: Até 31/7
Horário: 8h às 21h

 :::Gratuito:::
  
www.sesc-ce.com.br
Facebook: /sescceara
Twitter: @sesc_ce

Evento no Sebrae


VÓRTICES dia 28/06 às 20h no Sesc Crato - Entrada Franca


Vórtice é um "ridimúin" de lembranças, que nos arrasta com força para lugares suspensos no tempo.

Desse princípio de registro investigamos a memória coletiva brasileira, e principalmente nordestina, lembranças e presenças contemporâneas de um povo e de seus vórtices de tempo.

Suspiros que desencadeia um vendaval, tristezas, alegrias, doces brincadeiras, aquele aroma gostoso e cada partícula em suspensão arrastam-se em cada uma de nós para expandirem-se em movimento e corporalidades, no nosso presente, no nosso espaço.

Ficha técnica:
Interpretes-criadoras: Aline Souza, Kelyenne Maia, Luciana Araújo e Rosilene Diniz
Colaboração coreográfica: Jussyanne Emidio
Direção Artística: Alysson Amancio
Trilha sonora original: Zabumbeiros Cariris
Produção Artística: Amélia Coelho
Direção Musical e Arranjos: Zabumbeiros Cariris
Amélia Coelho: Triângulo, ganzás, pandeiro, efeitos
Evânio Soares: Pífano, viola, rabeca
Diego Souza: Violão, piano, escaleta
Haarllem Resende: Zabumba, derbac, udú, efeitos
Junior Casado: cajon, caixa, tambor, efeitos
Figurino: o elenco
Maquiagem: Hallamo Moreira
Fotos: Sidney Alves e Alysson Amancio
Iluminação: Luiz Renato
Operação de Luz: Lucivânia Lima
Produção Executiva: Jota Junior Santos e Luciany Maria Mendes
Realização: Associação Dança Cariri e Alysson Amancio Cia de Dança

O projeto A dança dos Cordéis foi contemplado pelo VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes - Secult/Ce, categoria Montagem em Dança e pelo Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré - MinC - categoria Difusão.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Processo Seletivo Unificado da URCA começa dia 30

Será iniciado no próximo dia 30 de junho, o Processo Seletivo Unificado 2012. 2, da Universidade Regional do Cariri (URCA). Em virtude do certame, a Reitora da URCA, Professora Otonite Cortez, assinou portaria suspendendo, no dia 29 de junho, nos períodos da tarde e noite, as atividades acadêmicas e administrativas nos Campi Pimenta I, Crajubar, Unidade Descentralizada de Iguatu e, no período da noite, nas Unidades Descentralizadas de Campos Sales e Missão Velha.

Os setores administrativos localizados no Campus do Pimenta como a Biblioteca Central, Pró-Reitoria de Ensino e Graduação, Assuntos Estudantis e setores vinculados, terão suas atividades suspensas no dia 29 de junho, no horário de 14 horas às 22 horas.

Funcionarão normalmente os setores localizados no Prédio da Reitoria, Pró-Reitoria de Extensão, Pró-Reitoria de Pós-Graduação de Pesquisa e, no Campus do Pimenta I (laboratórios e Geopark); Campus Pirajá, em Juazeiro do Norte; São Francisco, em Crato, e Museu de Paleontologia em Santana do Cariri.

As provas do vestibular serão realizadas nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Brejo Santo, Missão Velha, Campos Sales, Iguatu e Mauriti.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI - URCA

Procampo terá o 4º Módulo iniciado na próxima segunda-feira, dia 2


Será iniciado na próxima segunda-feira, no Salão Verde da sede administrativa do Geopark Araripe, o IV Módulo do  Curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo (Procampo), da Universidade Regional do Cariri (URCA). O curso reinicia suas aulas com nova coordenação, tendo à frente os professores da URCA, João Luiz do Nascimento Mota, e Ronald Albuquerque, além da Professora Divone Meire.

A Reitora da URCA, Professora Otonite Cortez, destaca a importância do curso para a região e o compromisso dos alunos com a regularidade da presença, além do aprendizado teórico, na posterior aplicabilidade da prática em campo, com base na pedagogia da alternância. A maioria dos alunos que compõem o curso é de outras cidades da região e até de estados vizinhos.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI - URCA

SESC Convida: Homenagem ao Rei do Baião


Quem puder ir, já ta convidado....
 
VIVA GONZAGÃO!!!





segunda-feira, 25 de junho de 2012

URCA abre vagas de Processo Seletivo para contratação de Professor Temporário nas Unidades Descentralizadas


O Diário Oficial do Estado do Ceará publicou, na Edição de 18 de junho de 2012, Edital para a Seleção de Professores Temporários das Unidades Descentralizadas da Universidade Regional do Cariri (URCA), nos Municípios de Iguatu, Campos Sales e Missão Velha.  As inscrições estarão abertas a partir do dia 29 de junho. Estão sendo destinadas 76 vagas remanescentes para os cursos de Ciências Sociais, Educação Física, Enfermagem, Ciências Biológicas, Letras e Matemática. O edital assinado pela Reitora da URCA, Professora Otonite Cortez, fixa salários para os cargos de Professor Graduado - 40 horas -R$1.404,77; Especialista - 40h-R$1.906,50; Mestre - 40h- R$3.010,24 e Doutor - 40h- R$ 4.013,63.

A URCA realizou no mês de maio deste ano, concurso para o preenchimento de 168 vagas para Professores Temporários nas Unidades Descentralizadas. Os docentes tomaram posse e assumiram suas respectivas vagas no último dia 4 de junho, início das aulas nas unidades.

De acordo com o Edital, os requerimentos de inscrição serão recebidos pela Comissão de Seleção do Processo Seletivo, no Campus do Pimenta, à Rua Cel. Antônio Luiz, Nº1161, telefone (88) 3102-1244, bem como na Unidade da URCA, localizada na Cidade de Iguatu, à Rua Evaldo Gouveia, Nº 21, no bairro São Sebastião, Iguatu-CE, telefone: (88) 3581-3552, nos horários das 9 horas às 12 horas e das 14 horas às 18 horas, de segunda à sexta feira, no prazo estabelecido neste Edital.

A taxa de inscrição de R$ 100,00, deverá ser paga em qualquer agência da Caixa Econômica Federal (CEF), mediante depósito em favor da Universidade Regional do Cariri, Conta Corrente, nº369-2, agência 0919-9, devendo o comprovante de depósito ser afixado na ficha de inscrição.

Fonte: URCA

Programação do CCBNB Cariri – 25 a 30 de Junho/2012


Dia 25, segunda-feira
Fechado

Cinema - CURTAS
Curador: Elvis Pinheiro (Juazeiro do Norte - CE).
Local: Teatro Adalberto Vamozi (Sesc Crato).
Minhocas (14'20"); Seu Aluísio e o Mar (7'29"); Defina-se (4'54"); Greve! (37').
Associações/Comunidades Convidadas: Projeto Nova Vida e Associação de Pais e Amigos do Projeto Menino Jesus (APAPROMEJE).

Dia 26, terça-feira
Ensaio Aberto - ARTES CÊNICAS
19h Burtonescos - Grupo Os Dois de Teatro (Juazeiro do Norte - CE). Dir. Rodrigo Tomaz. 60 min.

Dia 27, quarta-feira
Artes Integradas - HORA DO RECREIO
15h Diário - Os Dois de Teatro (Juazeiro do Norte - CE).
Local: E. E. E. P. Raimunda Saraiva Coelho (Juazeiro do Norte - CE).

Dia 28, quinta-feira
Artes Integradas - ARTE RETIRANTE
Local: SESC Juazeiro do Norte - CE.
19h30 Música: Hostile Inc (Fortaleza - CE). 60 min.

Cordel no Cariri
60 Anos do Banco do Nordeste
Largo da Igreja do Rosário (Barbalha - CE).
Poeta: João Bandeira (Juazeiro do Norte - CE).

Especial - ARRAIAL NO CENTRO
Local: Largo da Igreja do Rosário (Barbalha - CE).
19h30 Apresentação da Quadrilha Pé no Chão (Barbalha - CE). 60 min.
20h30 Apresentação da Quadrilha do Gil (Juazeiro do Norte - CE). 60 min.
21h30 Show com o grupo Panticola e Casaca de Couro (Barbalha - CE). 60 min.

Dia 29, sexta-feira
Música - ROCK CORDEL
19h30 Rock Cordel: Hostile Inc (Fortaleza - CE). 60 min.

Especial - ARRAIAL NO CENTRO
Local: Largo da RFFSA (Crato - CE).
19h30 Apresentação da Quadrilha Princesa do Cariri (Crato - CE). 60 min.
20h30 Apresentação da Quadrilha Arraiá do Patativa (Assaré - CE). 60 min.
21h30 Show com o Grupo Aluizio do Acordeon (Crato - CE). 60 min.

Dia 30, sábado
Atividades Infantis
13h Oficina de Arte: Pássaro de Palha de Milho: brincando e fazendo Arte com fibra natural - Cícero Carlos Oliveira (Juazeiro do Norte - CE). 60 min.
13h Bibliotequinha Virtual: Softwares e Jogos Recreativos. Instrutor: Gilvan de Sousa. 240 min.
14h Contação de Histórias: Histórias Encantadas - Simony (Crato - CE).
15h Chapeuzinho Vermelho dos Tempos Modernos - Grupo cena educativa (Fortaleza - CE) Direção: Aldrey Rocha, Aline Campelo e Rebeka Lúcio. 50 min. Livre
16h Oficina de Arte: Pássaro de Palha de Milho: brincando e fazendo Arte com fibra natural - Cícero Carlos Oliveira (Juazeiro do Norte - CE). 60 min.

História/Patrimônio - PERCURSOS URBANOS
15h Direitos Humanos e a Cidade. 210 min.
Mediadora: Geovani Oliveira Tavares (Juazeiro do Norte - CE), professor do Curso de Administração Pública da UFC.

Cinema - 100 CANAL
17h25 Spacca. 4 min.

Cinema - CINECAFÉ
17h30 O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, Dir. Roman Polanski, EUA, 1968).  136min.

Música - MÚSICA VOCAL
19h30 Juliana Roza (Fortaleza - CE). 60 min.

Fonte: Centro Cultural BNB

domingo, 24 de junho de 2012

Lilian Carvalho é a nova presidenta do Coletivo Camaradas


Num clima de unidade, interação e convicção foi eleita  no último sábado, dia 23,  em assembleia geral realizada na Universidade Regional do Cariri – URCA, a  nova coordenação do Coletivo Camaradas.  

A assembleia elegeu para presidir a organização, a atriz Lilian Carvalho que além de atuar no teatro, é produtora cultural e psicóloga. Ela substitui o artista/educador Alexandre Lucas, um dos fundadores do Coletivo.   Lilian é uma veterana Camarada  que participa do grupo há quatro anos e se sente orgulhosa ao afirmar que participar de um coletivo que consegue discutir arte com posicionamento político.

Lilian acredita que é preciso manter a mesma linha de atuação  e acrescenta que o grupo deverá ampliar as suas ações para outras linguagens artísticas como a música e o teatro. Ela destaca será dado continuidade aos trabalhos de ações conjuntas com os coletivos locais e nacionais e destaca que será feito um esforço para intercâmbios internacionais. A atriz frisa que é necessário criar as condições para que o Coletivo tenha uma sede que possa servir como centro de formação artística e política  tanto para o Coletivo Camaradas como para outros grupos.

Inovação

A assembleia dos Camaradas inovou ao acrescentar na sua direção os cargos de Coordenação  sobre questões de gênero, afrodescendência, cultura e memória.

Outra inovação foi a aprovação do Conselho Consultivo que reúne nomes de personalidades do meio artístico e intelectual brasileiro, dentre eles, o do ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Célio Turino responsável por conceber o Programa Cultura Viva, o qual possibilitou a criação de quase três mil Pontos de Cultura espalhados em todo o Brasil. Considerado o maior programa de descentralização de recursos públicas para cultura e de empoderamento dos segmentos ligados a cultura e a arte no país.

Projeto em andamento

O Coletivo Camaradas desenvolve os seguintes projetos:
Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea – Leve Arte Contemporânea que é destinado aos alunos do Ensino Médio da Rede Publica do Crato;
Cordel Engajado  que consiste na distribuição gratuita de cordéis;
Projeto No Terreiro dos Brincantes em parceria com a URCA e a Secretária de Cultura do Crato que produz vídeos sobre grupos da cultura popular da região do Cariri;
E prepara a segunda edição da Mostra Nacional de Vídeos Brincantes que deverá ser realizada em agosto deste ano.    

Nova Coordenação Eleita

Coordenadora Geral - presidenta: Lilian  Carvalho de Araújo
Currículo resumido: Atriz, produtora cultural e psicóloga.
Secretaria geral: Ana Luisa Sombra Vicente
Currículo resumido: Academica do Curso de Pedagogia
Coordenador de Finanças – Tesoureiro  - Ricardo Alves    
Currículo resumido: Ativista do Hip – Hop e acadêmico de Geografia da URCA
Coordenador de Cultura e Memória – Jean Alex
Currículo resumido: Acadêmico de Pedagogia da URCA, músico e educador musical, líder da banda Sol na Macambira
Coordenadora de Comunicação: Leyliane Alves 
Currículo resumido:  Acadêmica de Comunicação Social da UFC
Coordenador de Projetos: Alexandre Lucas  
Currículo resumido:  Pedagogo e artista/educador
Coordenadora sobre questões de gênero – Dayze Carla Vidal da Silva
Currículo resumido:    Acadêmica de Ciências Sociais da URCA
Coordenação sobre questões de Afrodescendência  - Alice Maria Freitas Cortez da Silva 
Currículo resumido: Acadêmica de Ciências Sociais  da URCA  e integrante da UNEGRO
Conselho Fiscal
Jucimar   Rodrigues Lima
Currículo resumido: Estudante secundarista e integrante da banda Cratons
Diego Felipe do Nascimento 
Currículo resumido: Acadêmico de Geografia da URCA
Ivanilson da Silva Felix 
Currículo resumido:  Estudante secundarista

Conselho Consultivo

Jefferson Bob Gonçalves de Lima – Integrante da Nação Hip-Hop Brasil, integrante da Banda Ferreros e Produtor Cultural  - Potengi/CE
José André de Andrade – Ator, poeta e Produtor Cultural   - Juazeiro do Norte/CE  
Nívia Uchôa – Fotografa  e geógrafa – Juazeiro do Norte/CE  
José Cícero da Silva – Pesquisador, poeta  e Produtor Cultural  - Aurora/CE
Luis Parras – Fundador do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA e do Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE – CUCA, integrante do Grupo de Interferência Ambiental – GIA – Salvador/ BA
Mileide Flores -  Presidente da Sociedade Amigos da Biblioteca; Membro do Coletivo de Cultura do PCdoB/Ce; do Colegiado do Sistema Nacional de Cultura; do Fórum de Literatura do Estado do Ceará; da Rede Nordeste do Livro e da Leitura; Diretora da Livraria Feira do Livro – Fortaleza/CE;
Rosemberg  Cariry – Filosofo, pesquisador e cineasta – Fortaleza/CE    
Tales Bedeshi – Artista/educador, integrante do PIA – Belo Horizonte -MG
Célio Turino – Historiador, escritor e ex-secretário da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultural – São Paulo – SP;
Gabriela Monteiro – Artista visual e integrante do PIA – Rio Janeiro – RJ
Luciana C M Costa – Mestranda em Artes Visuais, integrante do Coletivo Política do Impossível  e o PIA – São Paulo;
Lula Gonzaga – um dos pioneiros em cinema de animação do Brasil – Cineastra – Olinda/PE;
Salete Maria – Professora Universitária, advogada,  pesquisadora sobre gênero e cordelista – Juazeiro do Norte/CE;
Allan Bastos – professor e fotografo – Crato/CE
Cacá Araújo – Dramaturgo, poeta, ator e folclorista – Crato/CE  
Armando Teixeira Leão – Coordenador Executivo da UNEGRO e Mestre de Capoeira Angola
Ulisses Germano Leite Rolim – Professor, poeta e músico;   
Alexandre Santini  - ex-coordenador do Cuca da UNE e integrante do Companhia de Teatro Político  “Tá na Rua” – Rio de Janeiro – RJ
Maria Pinho Gemaque – Mapige – integrante do Coletivo Psicodélico, artista/educadora – Macapá – AP;
Alysson Amancio – Professor, pesquisador e coreografo – Juazeiro do Norte-CE    
Edival Dias – Professor, artista/educador e ator – Juazeiro do Norte/CE    


  


sexta-feira, 22 de junho de 2012

SESC Crato divulga ganhadores do IV Concurso de Contos

Na última segunda-feira (18), o SESC Crato divulgou a lista com os dez ganhadores do IV Concurso de Contos. Os autores dos contos selecionados terão seus textos lançados em um livro no mês de outubro, no SESC Crato, e receberão 15 exemplares da publicação.

As inscrições realizadas de 15/3 a 15/5 eram destinadas a autores cearenses, com o objetivo de incentivar e promover a produção e publicação de textos literários.

Confira a relação dos selecionados:

Lorena Kelly Alves Pereira (natural de Acopiara) - conto: As pupilas de safo
João Silas Falcão Soares (natural de Crateús) - conto: A pasta azul
Francisco Alves Rocha (natural de Crato) - conto: O carrasco
Sibéria de Menezes Carvalho (natural de Juazeiro do Norte) - conto: Irretocável
Paula Izabela de Alcântara Alves (natural de Juazeiro do Norte) - conto: Profundamente
Ricardo da Costa Campos (natural de Juazeiro do Norte) - conto: Seu Dé
Cícero Eduardo de Matos Cassiano (natural de Juazeiro do Norte) - conto: O testamento
Raphael Barros Alves (natural de Fortaleza) - conto: Boca suja ou o escritor de guardanapo
Geórgia Gardênia Brito Cavalcante (natural de Fortaleza) - conto: Catedral
Nataly Pinho Chaves (natural de Fortaleza) - conto: RAMIREZ

“Retratos de Mulher” no SESC Crato


A peça reflete sobre a violência contra a mulher no Cariri

Nos dias 22 e 23 de junho, o SESC Crato recebe a estreia do espetáculo “Retratos de Mulher”. A peça é resultado de um estudo sobre gênero e violência contra a mulher feito pela Universidade Regional do Cariri (URCA) na região.

Com direção de Marcela Lima e montagem do Grupo de Pesquisa Teatro/Dança e Novas tecnologias da URCA, em parceria com o grupo de Dança/Teatro Dakini Alencar, “Retratos de Mulher” destaca a crescente luta feminina pelo (re)conhecimento de um espaço e valorização, mostrando a mulher como dona de sua própria história e de seus desejos. No enredo, a busca de uma nova identidade feminina acontece a partir do que está em cena em direção à vida real.

O espetáculo faz parte da Semana Vendo Gênero, realizada desde o último dia 18, pelo SESC Crato, Centro de Artes, URCA e PROEX, com palestras temáticas, apresentações de teatro, dança, performances e artes visuais.

SERVIÇO
Espetáculo Retratos de Mulher (classificação de 16 anos)
Local: SESC Crato (Rua André Cartaxo, 443)
Datas: 22 e 23/6
Horário: 19h (sexta-feira) e 20h (sábado)

:::Gratuito:::

Diretora do Seeb Cariri recebe título de cidadania

A diretora do Seeb Cariri, Erivanda de Lima Medeiros, foi agraciada na noite de ontem (21) com o título de cidadania do município de Juazeiro do Norte. A outorga foi feita pela Câmara de Vereadores daquela municIpalidade. A solenidade ocorreu no Palácio Floro Bartolomeu, sede do legislativo juazeirense, com a presença de grande público.

Cearense de Quixadá, Erivanda é graduada em Direito pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Ingressou no Banco do Brasil em 1981, no CESEC de Juazeiro do Norte (CE). Foi transferida para a Agência Centro do Banco do Brasil dessa cidade, onde trabalha até hoje. Desde 1990, faz parte da Diretoria do Sindicato dos Bancários do Cariri (Seeb/Cariri), no cargo de diretora Administrativa, de Patrimônio e Pessoal. Foi membro do Conselho de Representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Nordeste (Fetec-NE) e do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador de Juazeiro do Norte (Cerest-JN). Desde janeiro de 2009, ocupa o cargo de secretária da Controladoria e Ouvidoria Municipal da Prefeitura de Juazeiro do Norte. Erivanda se destaca ainda pelo apoio aos movimentos sindicais e pela atuação em diversos grupos sociais e políticos na região do Cariri e em todo o Estado do Ceará, a exemplo do Movimento de Mulheres do Cariri. É também diretora regional da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB).

Em recepção festiva, ocorrida após o evento, o Seeb Cariri prestou-lhe um tributo, com leitura de uma mensagem, abaixo transcrita:

O destacado dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht escreveu um poema que bem representa e sintetiza a necessidade e a importância daquelas pessoas que dedicam suas vidas a uma causa voltada para o bem comum, contra as injustiças e a favor de um mundo melhor:

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida.
Estes são os imprescindíveis.

Parafraseando este belo poema, podemos afirmar, sem incorrer em nenhum exagero, que a companheira Erivanda de Lima Medeiros é uma dessas pessoas imprescindíveis.

Imprescindível ela é por vários e relevantes motivos.

Sua engajada biografia, permeada de lutas, desde os tempos sombrios, quando o Estado de direito democrático era ainda uma reivindicação da sociedade brasileira - é um atestado de coragem, desprendimento, dedicação e tantos quantos adjetivos sejam necessários para expressar o seu compromisso diuturno com os mais legítimos anseios da coletividade.

É tarefa difícil citar uma grande campanha a favor dos direitos e das causas históricas da categoria bancária e das mulheres caririenses sem a presença ou o incentivo de Erivanda. Igualmente, sua presença é uma constante nas lutas conjuntas dos trabalhadores e trabalhadoras da região, seja nas questões mais específicas, de ordem sindical ou profissional; seja nas questões mais abrangentes, quando a união de vários setores da sociedade costuma imprimir novos rumos na história da Nação.

Sua participação nesta seara de lutas e mobilizações deve-se unicamente à sua índole de mulher que tem no sentimento de solidariedade e no senso de justiça as grandes flâmulas de orientação de vida e de conduta.

A determinação com que enfrenta os desafios é similar à sinceridade com que mantém seus relacionamentos de ordem profissional ou social: ambas não se condicionam às circunstâncias ou conveniências. São sempre incisivas e determinantes. Mas, no fundo, lhe sobressai a ternura típica daquelas pessoas que prezam pelo respeito, pela cortesia e pelo amor ao próximo.

Há muito que o Sindicato dos Bancários do Cariri deve a Erivanda um tributo nos moldes como agora está sendo feito. A outorga do título de cidadania que lhe foi conferido hoje pela municipalidade Juazeirense apenas veio tornar esta homenagem inadiável. E ao fazê-la, fazemos também como uma manifestação de reconhecimento e gratidão pelos mais de trinta anos que Erivanda se dedica à nossa entidade. Um longo tempo que se converteu em constantes lutas, memoráveis campanhas, renhidos embates e inesquecíveis conquistas.

Portanto, nós, que convivemos com Erivanda durante toda essa jornada, nos sentimos gratificados e privilegiados por esse convívio amigo e enriquecedor; pelas lições aprendidas, algumas frutos de enfrentamentos nem sempre tranquilos, mas, com certeza, todos sinceros; e pela sua intransigente defesa do fazer bem feito, mas visando, principalmente, a verdade,  a justiça e o benefício de todos.

            Erivanda, com carinho e admiração, reiteramos o que foi dito no início desta singela homenagem: você é imprescindível. Continue sempre lutando.

SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO CARIRI

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Lupeu Lacerda - O corpo é um equipamento absolutamente artístico


 Poeta e artista visual, atrevido e bem humorado, Lupeu Lacerda é um dos remanescentes da arte no Cariri da década de 80 do século passado, que antes era  fanzineiro e hoje blogueiro.  O escritor que fala de sexo nos seus trabalhos  diz que “exploro a sexualidade em meu trabalho por saber que isso sempre causará estranhamento. As pessoas, por incrível que pareça, ainda tem pudores em ler um texto que vem recheado de palavras como: boceta, pica, cú”.

Alexandre Lucas -  Quem é Lupeu Lacerda?

Lupeu Lacerda - De todas as perguntas que me fazem, essa é sempre a mais escrota de responder... vamos lá: Lupeu é meu apelido. Antigo. Dos tempos de menino. Odiava o apelido, mas ele foi se tornando tão forte que dominou o meu nome: Paulo Luiz Matos de Lacerda. Incorporei-o. Por não haver mais o que fazer. Daí comecei a assinar as coisas que escrevia e desenhava com esse nome Lupeu, o sobrenome é da minha família cariri. Lacerda. E Lupeu Lacerda é um homem do sexo masculino, nascido no ano da graça de 1965 em São Paulo, com 46 anos no costado, criado quando menino em Santana do Cariri, depois em Juazeiro do Norte, que adotou o Crato como cidade do coração, e que depois de morar em um monte de lugares aportou em Juazeiro da Bahia, nos beiços do Rio São Francisco. Aprendiz de escritor, aprendiz de artesão, apaixonado por todas as formas e manifestações artísticas. Pai de duas filhas, escritor de dois livros publicados (Entre o Alho e o Sal / Caos Technicolor), participação em algumas coletâneas, um blog meio desativado chamado “Séquiço Sacro” (mesmo nome do fanzine que inaugurou a era de fanzines no cariri nos anos 80), uma página meia boca na internet www.lupeulacerda.com.br , ainda cheio de sonhos, ainda apaixonado, ainda achando que sempre dará tempo de fazer e mudar alguma coisa.

Alexandre Lucas -  Como se deu seu contato com a arte?

Lupeu Lacerda - Meu contato com a arte se deu através de gigantes! Conheci ainda adolescente algumas pessoas que mudaram o prumo da minha visão de arte: começo com Stênio Diniz, que já barbarizava com uma arte absolutamente “nova” na “velha” mídia da xilogravura. Na casa dele conheci Luis Karimai (um mestre do desenho) e Gilberto Morimitsu (um mestre da fotografia), os japas liam coisas diferentes, olhavam coisas diferentes, gostavam de musicas diferentes. Depois enveredei nos caminhos de Craterdã, e aprendi muito com Luis Carlos Salatiel, Normando, Nicodemos, Carlos Rafael... enfim, tive um aprendizado absolutamente eclético. Lia Dostoievski no sebo de Manel, conversava sobre Carlos Castaneda com Rafael, via os desenhos de Normando, a poesia cristal de Nicodemos, bebia cerveja e sonhos com Stenio e fui assim, aprendendo e as vezes acho que até ensinando (pelo menos uma outra forma de olhar). Ainda hoje é assim. Meu contato com a arte sempre foi e sempre será o contato com as pessoas que me cercam.

Alexandre Lucas -   Fale da sua trajetória:

Lupeu Lacerda - Bom, eu escrevo desde que eu me entendo por coisa, bicho e gente. Mas a coisa de publicar e ser lido vem de meados dos anos 80, com a criação do Séquiço Sacro. Naquela época era foda escrever e ser lido. Bem foda... o único jornal alternativo já era extinto, o “Folha de Pequi”, e partimos pra guerrilha, eu, Uberdan e Gledson. Depois foram incorporados Hamurabi, Sidney e o grande Junior R., rei das colagens perfeitas. Passou-se o tempo, participei de uma coletânea de poesia organizada pelo Stênio Diniz, uma coisa bem bacana, um livro em cartões postais. Não lembro o nome. Participei como vocalista da banda Fator RH/Lerfa Mu (tempo melhor da minha vida).  Em 2006 Sidney Rocha pegou um material meu e transformou em livro, lançado em 2007 pela Kabalah Editora. Em 2009 participei de uma coletânea de contos chamada “tempo bom”, que saiu pela Iluminuras. Este ano estou lançando o “Caos Technicolor”, o que talvez seja meu último esparro poético. Nunca fui um poeta de verdade, essa é a verdade. Sou mais um fotógrafo de palavras. Influencia Beat talvez.

Alexandre Lucas - Como você caracteriza a sua produção literária?

Lupeu Lacerda - Minha produção? Estudo. Muito estudo. Ler pra caralho. Escrever pra caralho. Apagar pra caralho. Sei que tenho coisas a dizer. Mas ainda estou no processo de aprender “como dizer”. Se tiver tempo, ainda quero escrever um puta livro de contos. Ou um romance desses de guardar na estante com respeito e carinho.

Alexandre Lucas – Como ocorre o seu processo criativo?

Lupeu Lacerda - Gosto de escrever à mão. Em cadernos pautados. Usando barras em vez de pontuação, pra não perder a velocidade do pensamento saca? Gosto de escrever de noite, tomando café, depois que a casa se acalma. As vezes começo a escrever com raiva de alguma coisa, as vezes é uma notícia que li, as vezes forço. E me obrigo a escrever pelo menos duas páginas de rabiscos por dia. Passo uns dias e volto pra ler a parada. Daí começo a aproveitar o que é de aproveitar e jogar fora o que não serve. Acredito que cada pessoa que lida com arte tem um processo, eu acho que em todos eles uma coisa é comum: trabalho duro. E inspiração, pra ajudar a engolir o comprimido.

Alexandre Lucas -  A sexualidade é algo notório na sua produção visual e literária. Qual a relação entra arte e sexualidade?

Lupeu Lacerda - O corpo é um equipamento absolutamente artístico. Exploro a sexualidade em meu trabalho por saber que isso sempre causará estranhamento. As pessoas, por incrível que pareça, ainda tem pudores em ler um texto que vem recheado de palavras como: boceta, pica, cú. Mesmo alguns que se dizem “mezzo” modernos acham bonito ver um casal de lésbicas trepando, mas acham nojento um casal de gays. Lembro da Dercy Gonçalves falando que na época dela, toda “artista” era puta. Acredito sempre que arte é liberdade, que sexualidade é liberdade. E tanto uma como outra, são mecanismos lúdicos pra trazer alegria. E a alegria meu amigo, ainda é a prova dos nove. Tem também a influencia do que li, lógico: Miller, Anais Nin, Ginsberg, Sade, Gide, entre tantos outros gigantes que exploraram essa seara. Sexo é criação. Arte é recriação. No fim das contas tudo vai desaguar no mar da arte.

Alexandre Lucas O que é um poeta marginal na contemporaneidade?

Lupeu Lacerda - À margem como antigamente? Nada. Até porque hoje a internet bombardeia com um zilhão de blogs de poesia, contos, micro contos, romances, receitas de bolo, como ser um terrorista em 10 lições, enfim... não acredito que haverá a qualidade dos “anos de ouro” 1970. Existia ali uma “coisa” fazendo a poesia fervilhar. Uma ditadura dos milicos. Dezenas de bons escritores desesperados e desesperançados. Dificuldade de publicar. Acho que a dureza serviu de peneira. Difícil imaginar nessa “contemporaneidade” o surgimento de Ana Cristina Cesar, Chacal, Cacaso, Chico Alvim... existem caras bons? Lógico que sim! Mas são mais difíceis de encontrar, porque hoje, todo mundo anda de jeans. Rsrsrsrsrs.

Alexandre Lucas -  Como você caracteriza seu trabalho?

Lupeu Lacerda - Meu trabalho é o de um aprendiz. Será sempre assim, porque quero que seja assim. Quando escrevo eu entro todo ali. Sou onisciente ali dentro. Onipresente. Talvez seja esse viés que faz com que alguns dos meus amigos achem que existe algo ainda não dito, ou não feito, por mim. Gosto de escrever pra caralho! Me faz bem, me desentala. Então, mesmo sabendo que em literatura provavelmente “tudo” já tenha sido dito, enquanto tiver tesão de fazer isso, vou continuar escrevendo. Persistência? Pode ser. Caracterizaria meu trabalho sim. Catarse também. E dor. Porque escrever dói.

 Alexandre Lucas -  Qual a contribuição social do seus trabalho?

Lupeu Lacerda - Não acredito que a arte, seja ela qual for, tenha esse papel de “salvadora”. As pessoas mudam, “ou não”, de vida a partir de uma leitura de um livro. Como haverá alguns que mudem depois de ter perdido um avião, ou comido uma comida estragada, ou escutado uma música. Artistas são apêndices de uma sociedade que sempre os aturou a uma certa distancia, mas que nunca os engoliu bem de perto. Aqui em Juazeiro da Bahia e Petrolina nós soltamos livros pelas ruas em um projeto intitulado “Livros Andarilhos”, eu espero sinceramente que as pessoas que encontrem esses livros façam bom proveito deles, e que depois de lidos eles sejam de novo largados ad infinitum. As pessoas que lêem podem continuar tristes, amarguradas e infelizes, mas nunca estarão sozinhas em companhia da porra de um livro. Ensinar arte, compartilhar arte, levar a arte pra todos é a vontade maior. Eu nunca faço nada pensando em atingir público A, B, ou C. eu só quero ser lido. O resto vem por inércia. Quem lê, cobra, exige, grita, pede, vota nulo. A contribuição social que quero não só do meu trabalho, mas do de cada pessoa que escreve, é que os livros (todos, de qualquer gênero) deveriam fazer parte do cotidiano das pessoas assim como o sexo, as novelas, as drogas, a música, enfim...

Alexandre Lucas -    Quais os próximos trabalhos?  

Lupeu Lacerda - Estou em ritmo de finalização de meu primeiro livro de contos, que se chamará “o trigésimo segundo dia”. Tem sido uma experiência muito prazerosa, cheia de dúvidas e certezas, de comemorações e desesperos, de delírios de grandeza e certeza de inutilidade. Enfim, uma gestação. Como pai e mãe espero ansioso pelo nascimento, que deve se dar ainda este ano, caso a porra do mundo não acabe. Se o mundo acabar, bom, vou procurar um kardecista. Sai psicografado em algum outro planeta, que essa porra me deu muito trabalho.