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domingo, 28 de dezembro de 2008
A bandeira do Ceará
Saudando Padre Rocildo
Por: Armando Lopes Rafael
Segundo, porque o primeiro ocupante desta cadeira, ou seja, o Padre Rocildo, é reconhecido por todos como um dos bons valores da nova geração de intelectuais do Cariri. Coincidentemente, Padre Rocildo também substitui Monsenhor Montenegro, na direção do tradicional Colégio Diocesano de Crato. Um digno substituto, diga-se de passagem.
Conheci bem o saudoso Monsenhor Francisco Holanda Montenegro. E isto me autoriza a dar um depoimento presencial sobre ele. Fui seu aluno. A ele devo os meus estudos, relativamente aos antigos cursos de Humanidades (ou Ginasial) e Científico, como se chamavam, àquela época. Explico. Oriundo de família pobre, meu pai não possuía condições de pagar um colégio particular para o filho mais velho, pois tinha mais nove filhos para sustentar, com o pequeno salário de funcionário público. Mesmo assim, fui matriculado no Colégio Diocesano de Crato, para fazer o antigo Exame de Admissão ao Ginásio. Concluído este, estavam em curso as providências de minha transferência para uma escola pública, quando, certo dia, Mons. Montenegro me encontrou num intervalo de aula, e disse-me:
– “Vou conseguir uma bolsa de estudo para você. Só espero que, no futuro, você não me atire pedras, como têm feito muitos a quem tenho ajudado...”
E foi graças a essa “bolsa de estudo” que me eduquei, no melhor colégio da cidade... E graças ao que ali aprendi consegui aprovação em concurso público do Banco do Nordeste, no qual trabalhei, por 36 anos, chegando a galgar, naquela instituição, elevadas posições, além de ter, posteriormente, a oportunidade de obter graduação na Universidade Regional do Cariri.
Como disse, guardo imorredouras recordações de Monsenhor Montenegro. Ele era austero, sério, mas sempre comunicativo! Em algumas ocasiões, tinha rasgos de generosidade que causavam admiração. Tendo dedicado quase toda a sua vida à educação, principalmente na direção do Colégio Diocesano de Crato, esta atividade lhe proporcionou conviver com pessoas de diversas categorias sociais. Nesse mister, conseguiu fazer dezenas de centenas de amigos. Foi padrinho de batismo de bom número de crianças, com cujos pais cultivou laços de amizade.
Nos últimos anos de sua vida, já na ancianidade, Monsenhor Montenegro – um Arauto do Evangelho e da Educação – exerceu atividades pastorais na Capela de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro Granjeiro, por ele construída e onde repousam seus restos mortais, à espera da ressurreição final. Foi ali, na sua residência, ao lado dessa capela, onde, já aposentado e com o tempo disponível, ele escreveu sua produção intelectual que é de grande valor.
À sua heróica memória a nossa devoção, as nossas orações pelo amor que nos legou e de que não somos merecedores; o nosso agradecimento por todo o bem que fez, na sua profícua existência.
Ilustríssimo e Reverendíssimo Padre Rocildo:
Esta casa o recebe com alegria. Atributos para compor este sodalício, V. Reverendíssima os tem de sobra. Possuidor de dois bacharelados: o de Filosofia, feito no Instituto de Ciências Religiosas, de Fortaleza e concluído em 1983; e o de Teologia, cursado no Instituto Teológico Pastoral do Ceará e concluído em 1987.
Ressalte-se que constam no seu currículo: o curso de especialização em Comunicação Social e Pastoral, feito na Universidade Popular Autônoma de Puebla, no México, em 1994; e a Licenciatura em Filosofia, cursado na Universidade Estadual do Ceará, concluída em 1998.
Merece ainda ser citado o seu Mestrado em Filosofia, feito na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália, e concluído em 2001. Sua experiência pastoral registra o exercício da função de Pároco nas Paróquias: São José de Crato (1988-1992); Santo Antônio da cidade de Jardim (1992-1999); São Vicente Ferrer, de Crato (em 1999); São João Bosco de Juazeiro do Norte (2001-2002); Sagrado Coração de Jesus, do Bairro do Seminário, em 2003.
Entre os anos 1990 a 1992, Padre Rocildo exerceu o cargo de Reitor do Seminário Diocesano São José. No magistério, registre-se sua passagem nos Colégios Pequeno Príncipe e Santa Teresa de Jesus, ambos de Crato (nos anos 1990-1991); no Instituto Diocesano de Filosofia de Crato (nos anos 1986-2003).
A partir de 2002, passou a ser professor concursado da Universidade Regional do Cariri; e desde 2003 assumiu o cargo de Diretor do Colégio Diocesano de Crato.
Some-se a todas essas atividades, que acabei de mencionar, o fato de Rocildo Alves Lima Filho ter optado por exercer o ministério sacerdotal. Ser Padre – nos difíceis tempos de hoje – é, sobretudo, saber ser rosto de Deus Pai, num mundo órfão de paternidade e ávido do verdadeiro sentido de maternidade...
E se todo padre já carrega em si a missão de um educador, mais ainda é exigido dele, quando é dirigente de um estabelecimento de ensino, tendo como missão preparar a juventude para os embates da vida. Um padre-diretor de um educandário católico – e essa tem sido a missão do Padre Rocildo, nos últimos tempos – deve dar uma dimensão social a cada profissão; deve fazer o papel de um sociólogo que não se abstém de comentar a sociedade, à luz de princípios humanistas, em vez de relatar apenas os fenômenos sociológicos.
Continua bem atual o que escreveu São Paulo – na Carta aos Filipenses – sobre os que optaram por pregar a palavra de Cristo: “Em meio a uma geração depravada e corrompida, vós brilhais como tochas no mundo, pregando-lhe a palavra de Vida”.
Não sendo obrigado a conhecer todas as experiências de vida – coisa que, aliás, nenhum ser humano possui na plenitude - o sacerdote católico deve saber dar uma visão evangélica, sempre que confrontado com temas que interessam ou preocupam os adolescentes, os jovens e até pessoas maduras, nos dias atuais. Por isso, todo o padre é orientador. Muito mais que um orientador, deve ser uma pessoa que ajuda a pensar, a abrir horizontes e a garantir – para quem o procura – um conselho para as decisões da vida.
E tudo isso, pela graça de Deus, Padre Rocildo vem cumprindo a contento.
O Instituto Cultural do Cariri, repito, sente-se honrado em acolher tão ilustre sócio. Portanto, não é ao Padre Rocildo que devemos dar os parabéns, nesta noite. Os parabéns devem ser dados ao Instituto Cultural do Cariri, por abrigar no seu meio uma pessoa com as características do Padre Rocildo...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Ainda sobre a história da imagem da Mãe do Belo Amor
Foto de Jackson Bantim
A Mãe do Belo Amor
Armando Lopes Rafael
Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação, hoje transformada nesta importante Cidade de Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que esta desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida. (LÓSSIO, 1961: 47).
Quanto ao desaparecimento da imagem da “Mãe do Belo Amor”, mencionado acima, o historiador Irineu Pinheiro esclareceu o episódio:
Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade de Crato. Ressalte-se que, antes da chegada do frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador de Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira de Crato.
Fontes de consulta para o artigo acima:LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961.
PINHEIRO, Irineu. Cidade do Crato. Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro, 1955.
Relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque chegam à diocese de Crato
A peregrinação que vem percorrendo diversos países partiu da França, onde Jesus apareceu à Santa, no século XVII. Conforme Dom Fernando Panico, bispo de Crato, “O objetivo da peregrinação das relíquias da santa é despertar no povo essa devoção e preparar o Brasil para ser consagrado ao Coração de Jesus”. No Cariri, segundo Dom Fernando, essa devoção já está bem arraigada e faz parte da cultura católica nos 32 municípios que formam a diocese de Crato, todos possuidores da associação de fiéis do Apostolado da Oração.
Para o Cura da Sé Catedral, Padre Edmilson Neves, “As peregrinações contribuem para fazer conhecer a mensagem do Coração de Jesus no mundo, que é uma mensagem de paz, amor e reconciliação, além de reavivar a fé dos cristãos no profundo Amor do Divino Coração pela humanidade”.
Quem foi a Santa
Santa Margaria Maria Alacoque era francesa, nasceu em 1647 e
acreditava que sua missão era dar impulso à devoção ao Sagrado Coração. Ela morreu no dia 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi beatificada no dia 18 de setembro de 1864 e canonizada no dia 13 de maio de 1920.Sábias palavras
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Considerações sobre o Geopark Araripe (final)
A tradição oral do Cariri
Rosemberg Cariri (*) "A Mãe do Belo Amor", foto de Jackson Bantim
((*) Cineasta. O texto acima foi extraído do livro “Eu Sou a Mãe do Belo Amor”, do Padre Antônio Vieira, publicado pela IOCE, Imprensa Oficial do Ceará. Fortaleza, 1988.)
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Considerações sobre o Geopark Araripe (2ª parte)
GEOPARK: encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
a cultura regional. (Na foto ao lado a Procissão da Romaria das Candeias) Essas romarias começaram a acontecer no final do século XIX, por conta da fama de santidade e de “milagreiro” atribuída ao Padre Cícero. Ao longo do seu processo evolutivo, elas incorporaram e conservam até hoje alguns rituais, praticados nas três fases da peregrinação: a viagem, a chegada e o retorno do romeiro. 
Ritos, mitos e lendas
Na realidade, um contraste com o estado de penúria de parte da população que vivia e vive marginalizada do exercício da cidadania. Dotada de belas paisagens – emolduradas pela Serra do Araripe – a Região do Cariri é muito mais do que um vale fértil, privilegiado de águas abundantes, onde predomina o verde das matas e dos canaviais. Aqui foi plasmada uma cultura sui generis, formada por duas correntes. A primeira é remanescente das manifestações culturais dos índios Cariris. A segunda, que se fundiu com a primeira, teve origem na Península Ibérica e foi trazida pelo colonizador branco. Desta última conservamos as festas do Pau da Bandeira, que abrem as novenas dos padroeiros das cidades do Cariri. Uma coisa uniu essas duas correntes: a simbiose com a terra, que influenciou e modificou os costumes importados.
(continua)
(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Considerações sobre o Geopark Araripe (1ª parte)
GEOPARK: encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)
A Universidade Regional do Cariri tomou a si a tarefa de revitalizar essa tipografia, resgatando-a
como o maior pólo difusor de literatura popular de folhetos de cordel e xilogravura do Brasil. A Lira Nordestina, fundada em 1926, estava praticamente abandonada, quando foi incorporada à URCA. Após o retorno do acervo, dos equipamentos e dos artesãos da Lira e dentro da sua política de valorizar a cultura popular, a Universidade Regional do Cariri reinstalou a Tipografia-Gráfica no Campus do Pirajá, em Juazeiro do Norte. Em seguida, procurou ajuda financeira da Caixa Econômica para reativá-la. Depois de conseguir este apoio financeiro, através de concorrência pública, nacional, a Lira Nordestina foi selecionada, recentemente, pelo Ministério da Cultura, como um dos “Pontos de Cultura do Brasil”.No Vale do Cariri, a tradição popular mantém-se também através da dança e da música. As bandas cabaçais, herança da musicalidade dos índios Cariris, perduram até os dias atuais. A referência mais antiga às bandas cabaçais pode ser encontrada no livro do naturalista escocês George Gardner (“Viagem ao Interior do Brasil”. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 páginas). Ele esteve no Sul do Ceará, em 1838. Na sua passagem pela Vila Real do Crato (localidade nascida de um aldeamento dos índios Cariris), Gardner registrou: “toda a população da vila chega a dois mil habitantes, na maior parte índios ou mestiços dele descendentes”. Ainda em Crato, Gardner teve oportunidade de assistir aos festejos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira da cidade, citada por ele erroneamente como Nossa Senhora da Conceição. As manifestações da cultura popular, presentes nos festejos religiosos, não agradaram ao escocês. Foi o caso da banda cabaçal, assim descrita pelo naturalista: “(...) uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada...” Antigamente, a banda cabaçal era composta por dois pífanos e dois tambores (zabumbas). Hoje, geralmente, ela é formada por dois pífanos, uma zabumba, tarol e pratos. A mais famosa banda cabaçal do Cariri é a dos Irmãos Anicetos. Seus componentes, residentes num subúrbio de Crato, mantêm a tradição transmitida pelo pai, que a aprendeu com descendentes dos índios Cariris. A terceira geração dos Anicetos já começa a incursionar nesse ofício. terça-feira, 23 de dezembro de 2008
É Natal,tempo de comemorar o nascimento do Rei dos Reis
Por Otávio Luiz Rodrigues Júnior (*)
Pois bem, Henrique de Nassau (na foto ao lado,juntamente com sua esposa), um príncipe, aristocrata poderoso, acima dos comuns, resolveu colocar em risco seu trono e decidiu não sancionar a lei. Tal como no Brasil, em relação ao presidente da República, uma lei só vale se contiver a assinatura do soberano de Luxemburgo. Por objeções de consciência, o grão-duque, católico fervoroso,preferiu ser um humilde servo do Rei dos Reis e, em nome da fé, ameaça seu trono na terra.Ele seguiu o preceito bíblico e abandonou o cálculo político.O monarca optou em servir o carpinteiro da Galiléia e renunciar às glórias deste mundo.A crise política em seu país é imensa. Os deputados que aprovaram a lei,muitos dos quais ditos cristãos,pretendem agora retirar os poderes do grão-duque e impedi-lo de participar do processo legislativo.Há movimentos pela proclamação da República.O episódio deixa três lições.
A primeira está na necessidade de que, até mesmo nas democracias, existam limites contra os abusos da maioria. Hitler chegou ao poder e aprovou todas as leis contra a Humanidade dentro da Constituição alemã e com voto popular. O grão-duque,ao agir como agiu,postou-se corajosamente contra a maioria.Um Chefe de Estado,por sua simples autoridade moral,pode transformar a realidade política.
A segunda é que torna perceptível o quanto “descristianizada” está a Europa, antigo farol do mundo na propagação da fé. A terceira lição é voltada para nossos corações. Quantas vezes renunciamos à verdade, à defesa de nossos amigos, quando caluniados em sua ausência, ou à ética,quando podemos enriquecer?
Quantas vezes escolhemos o caminho fácil da covardia e do não-enfrentamento, quando valores humanos são sacrificados em nome da comodidade de nossas vidas?A lição do humilde servidor de Deus, Henrique de Nassau, deve ser recordada. Ele como um rei, preferiu ser fiel ao Rei dos Reis. Quem de nós faria semelhante coisa?
(*) Otávio Luiz Rodrigues Júnior é Doutor em Direito Civil (USP), professor universitário (IDP, IESB, FA7), advogado da União e membro da Associación Iberoamericana de Derecho Romano-Oviedo.
O NATAL E AS EDIFICAÇÕES PERENES
A verdade é que somos eventos precários no reboliço do mundo. Tão precários que alguns minutos sem oxigênio é fatal, dias sem água e comida interrompe toda uma fisiologia que já existe há milhares de anos. Como indivíduos somos precários. Mas tal precariedade não reduz toda a ventura humana. É que a humanidade e suspeito que parte da vida no planeta terra, além de evento como ser, também guarda uma dimensão de estar no mundo. E quando falamos em mundo já estamos numa dimensão cósmica, muito além de tudo que sabemos como estoque, mas muito aquém do que não sabemos como possibilidade. Muito existe de futuro no cosmo.
Agora ao nascimento. É que no início chamei o natal de curioso, mas não expliquei. O natal como fundamento do cristianismo, portanto de uma teologia e de uma religião, é muito mais que princípios ou edificações da paz humana. A irmandade entre todos. Na verdade o nascimento é, em sua raiz, a dinâmica do movimento geral do planeta e de toda natureza de energia e matéria no cosmo. A edificação é um momento de sustentação, como um instantâneo da significância geral. Não se descola do movimento, mas tem uma estática que tenta representar todo ele.
Não concluo se consegue de fato representar todo ele. Esta dúvida não tem importância. Pois o que o natal mais quer dizer não são os presentes, as comidas, as imagens do norte em neve, é o que todas as pessoas sabem, num determinado dia, pelo menos, das possibilidades do futuro. O mundo é muito mais amplo e vasto do que as regras de uma sociedade ou de uma economia, desde que a simbologia do natal ofereça a visão além da bruma. Quando se nasce, é que o sopro agita a calmaria da superfície. Quando todos nascem, rochas intrusivas afloram à superfície.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Museu de Arte de Crato
O Museu de Arte do Crato Vicente Leite foi criado no governo do prefeito Pedro Felício Cavalcanti, em 1974. Seu idealizador foi o artista R.Pedrosa. Leva o nome de Vicente Leite, pintor de grande talento, figura de renome nacional na vida artística, nascido em Crato e falecido no Rio de Janeiro em 1941.
Ali, estão expostos obras de arte de incalculável valor, a exemplo da escultura em gesso de Celita Vaccani denominada “Venite ad me omnes”, uma imagem de Jesus Cristo de grande beleza. Pertencem ao acervo deste museu 22 telas da pintora Sinhá D’Amora, alta e marcante expressão entre os artistas de sua geração.
Merecem destaque, dentre as valiosas obras de arte do Museu Vicente Leite, as seguintes:
- Aquarela “Vista Panorâmica do Crato em 1865”, feita por José Reis de Carvalho, integrante da “Commissão Scientífica de Exploração” – conforme grafia da época – criada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro-IHGB, com a finalidade de explorar o interior de algumas Províncias, devendo fazer coleções de produtos naturais para o Museu Nacional e para os das Províncias” (ver abaixo)
- Óleos sobre tela Pino Della Selva, Mazza Francesco, Vicente Leite, Jair Picado, dentre outros.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
História de Crato (final)
As brigas fratricidas ficam para trás. Em 1855, a 7 de julho, é fundado no Crato o primeiro jornal do interior do Ceará. Trata-se do semanário “O Araripe”, cujo proprietário é o jornalista João Brígido dos Santos, ligado ao Partido Liberal. No último quartel do século XIX, a população do Crato já não se ocupa das brigas políticas. A sociedade cratense volta suas vistas para conquistas no campo da educação que perduram até os dias atuais.
Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.
Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula “Catholicae Ecclesiae”, cria a
diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, sub-dividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes pólos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.
Encerremos com mais dois registros. Primeiro, em 1946, há quase sessenta anos, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
foi criado o Geopark Araripe (foto abaixo, à direita, canion da Cachoeira de Missão Velha) sob a coordenação da Universidade Regional do Cariri – URCA, na gestão do Reitor André Herzog. A sede do Geopark Araripe fica na cidade de Crato. Criado com o objetivo preservar a história geológica da Chapada do Araripe, este Geopark envolve uma área de 10 mil Km2 sem equivalente no mundo na presença da fauna e da flora em fósseis de 70 a 120 milhões de anos em abundância, diversidade e estado de preservação. Em dezembro de 2005, o Governo do Estado do Ceará apresentou postulação, junto à Divisão de Ciências da Terra da UNESCO, que reconheceu em setembro de 2006 o Geopark Araripe comoo primeiro Geopark do continente americano e do Hemisfério Sul.É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros...
Referências bibliográficas:
-ALBUM HISTÓRICO DO SEMINÁRIO EPISCOPAL DO CRATO. Rio de Janeiro: Typografia Revista dos Tribunaes,1925. 245 p.
-ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas Preliminaresin Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, autoria de J. Dias da Rocha Filho. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-ARAÚJO, Padre Antônio Gomes. A Cidade de Frei Carlos. Crato (CE): Faculdade de Filosofia do Crato, 1971. 165 p.
-FIGUEIREDO FILHO, J. Engenhos de Rapadurado Cariri.Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1958. 74 p.
-LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” in revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri, Crato (CE), 1961. Tipografia A Ação.
-NEVES, Napoleão Tavares. Cadernos do IPESC 1. Juazeiro do Norte: Edições IPESC-URCA, 1997. 24 p.
-PINHEIRO, Irineu. Joaquim Pinto Madeira. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1946. 55 p.
-PINHEIRO, Irineu.O Cariri.Fortaleza: Edição do Autor, 1950. 272 p.
-PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1963. 555 p.
-RAFAEL, Armando Lopes. Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro: o contra-revolucionário do Cariri de 1817.Crato: Tipografia do Cariri, 2000. 28 p.
-ROCHA FILHO, J. Dias da. Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro(1740-1831) Notas Preliminares de José Denizard Macedo de Alcântara. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-SOBREIRA, Padre Azarias. O primeiro Bispo do Crato (Dom Quintino).Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC Limitada, 1938. 183 p.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
História de Crato (3)
O mártir da monarquia
O Cariri continuou, durante algum tempo, dividido entre simpatizantes da ideologia republicana
e adeptos da Monarquia. O confronto dessas idéias foi motivo de contendas as mais variadas. Joaquim Pinto Madeira era o que poderíamos chamar de “caudilho”. Rico proprietário rural e chefe político da Vila de Jardim, era por índole um afeiçoado às coisas da Monarquia. Foi fundador da sociedade secreta “Trono do Altar”, que defendia a monarquia absoluta. Lutou ele, ativamente, contra os promotores dos movimentos libertário-republicanos da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824. Após a derrota da família Alencar, em 1817, coube a Pinto Madeira, à época ocupando o posto de Capitão de Ordenança, conduzir até a cidade de Icó os 20 malogrados presos políticos. Provavelmente, durante o percurso, esses prisioneiros sofreram humilhações por parte do caudilho. O que era esperado, face ao temperamento belicoso de Pinto Madeira.Em 1831 o imperador Dom Pedro I abdica do trono brasileiro e volta para Portugal, onde toma o nome de Dom Pedro IV.Os adversários de Pinto Madeira aproveitaram esse acontecimento para dele se vingar. Acuado, o caudilho, com a ajuda do vigário de Jardim, Padre Antônio Manuel de Sousa, armou cerca de dois mil homens, a maioria com rudimentares espingardas, e invadiu o Crato, em 1832, para dar caça aos seus inimigos liberais. Dizem que de tanto abençoar as espingardas dos jagunços e, na falta destas, dar bênçãos a cacetes (pequenos bastões de madeira) o Padre Antônio Manuel de Sousa ficou conhecido como "Padre Benze-Cacetes". Pinto Madeira e o Vigário Manuel foram vitoriosos no Crato, mas logo começaram a sofrer reveses.
Terminaram por se render ao General Pedro Labatut, um mercenário francês que atuava no Brasil, desde as lutas pela independência. Presos, ambos foram enviados para Recife e depois para o Maranhão. Pinto Madeira retornou preso ao Crato, em 1834, onde, num júri parcial - composto por antigos inimigos seus - foi condenado à forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face do réu ter alegado sua patente militar de Coronel.
“Morreu virilmente Pinto Madeira. Conta a tradição, ouvida por mim desde menino, que momentos antes do fuzilamento, ofereceu-lhe um lenço, para que vedasse os olhos, um dos seus mais implacáveis inimigos. Recusou o condenado a oferta (...) Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo do sertão, considerando-o um mártir, isto é um santo”.
Já em 1828, a Câmara de Vereadores do Crato encaminhava representação ao Governo mostrando a oportunidade de criação da Província do Cariri Novo. Não foi atendida nessa pretensão. A idéia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentava no Senado do Império do Brasil projeto de lei cujo artigo 1º dizia textualmente: “Fica criada uma nova província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato”.Os demais artigos desse projeto de lei tratavam sobre os limites geográficos da nova unidade do Império do Brasil que incluíam municípios do sul do Ceará e os limítrofes das Províncias da Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, o projeto de lei não prosperou. Anos depois, através do jornal “Diário do Rio de Janeiro”, voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua idéia de criação da Província do Cariri.
Tudo ficou só num sonho.
História de crato (2)
Martiniano de Alencar (foto ao lado) proclamou do púlpito da Matriz do Crato a independência do Brasil, sob o regime republicano. A contra-revolução veio rápida. Oito dias depois, Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs termo ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Após sofrerem as agruras das prisões, por cerca de quatro anos, os revolucionários cratenses foram anistiados pela autoridade real. Por sua lealdade à Monarquia, Leandro Bezerra Monteiro, foi agraciado, pelo Imperador Dom Pedro I, com o posto de Brigadeiro, o primeiro a ser concedido no Brasil.
lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercute intensamente no Crato. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: “(...) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel”. Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão.Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
A memória arquitetônica de Crato
“Lamentável, profundamente lamentável a indiferença do povo de Crato em relação ao patrimônio arquitetônico desta cidade, ufanisticamente divulgada – aqui e alhures – como “Cidade da Cultura”.
Já no ano de 1994 a revista “a Província”, sob o sugestivo título “Estão destruindo a memória de Crato”, denunciava: “As más administrações públicas, a falsa idéia de modernismo, a ganância financeira, a indiferença de considerável parcela da nossa população e a impunidade estão fazendo o Crato uma terra sem memória arquitetônica”.
De lá para cá, e lá se vão mais de doze anos, a coisa só fez piorar...
Depois desse alerta feito em 1994, uni minha voz à de Jurandy Temóteo, editor de “a Província”, no sentido de sensibilizar a população para a importância de preservar o nosso patrimônio arquitetônico. Escrevi alguns artigos (nesse sentido) para o “Jornal do Cariri”.
Passamos, assim, a bradar contra o tratamento de desdém e desprezo dado às edificações construídas em tempos idos nesta “Nobre e heráldica cidade” como a escritora Rachel de Queiroz gostava de referir-se a Crato.
Felizmente, outra voz – esta autorizada – veio juntar-se à nossa. Refiro-me ao arquiteto Waldemar Arraes de Farias Filho, autor do presente livro “Crato - Evolução Urbana e Arquitetura de 1740-1960”, no qual o patrimônio arquitetônico citadino e a evolução de nossa urbe são estudados sob a visão de um especialista.
Num trabalho minucioso, feito com paciência beneditina, Waldemar levantou dados, coletou fotografias e resgatou ambientes que nos transportam a tempos áureos.
Àquela época, nossas praças, ruas, becos e travessas eram conhecidas por nomes poéticos, como a Rua das Laranjeiras, Rua Formosa, Rua do fogo, Rua das Flores, dentre outros. Tudo pontilhado por construções dotadas de certo primor estético.
Bem diferente é o cenário citadino dos dias atuais. Os antigos casarões aristocráticos do centro histórico deram lugar a edifícios de estética desagradável e à poluição visual das placas de propagandas comerciais.
Depois de manusear este livro parece que se apossa de nós esta mensagem plangente: Cuidemos de preservar o que ainda resta e não foi destruída pelos vândalos sedentos em exterminar a memória arquitetônica de Crato.
Armando Lopes Rafael
CINEMA NO TERREIRO ESTRÉIA COM A CASCA AVOA & O MIOLO FICA ...
O documentário é o mais novo curta-metragem dirigido pela jornalista Aurora Miranda Leão, mais um fruto da parceria com o Complexo Vila das Artes (Secult-For /Prefeitura Municipal de Fortaleza) através do Núcleo de Produção Audiovisual (NPD) e da Escola de Audiovisual, que respondem em Fortaleza pelo programa Rede Olhar Brasil (Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura), que tem também o apoio do Banco do Nordeste do Brasil.
Desta vez, o foco principal das lentes de Aurora é a frutífera parceria entre Calé Alencar e a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto: o documentário assinala uma década da atividade de Calé como produtor da festejada banda caririense, mostrando inclusive a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural aos músicos do cariri cearense, realizada ano passado pelo Governo Federal em solenidade no Palácio das Artes, na capital mineira.
Nestes 10 anos, Calé produziu dois CDs da Banda - ambos esgotados - e fez inúmeras viagens com o grupo pelo Brasil, chegando a participar com eles como únicos convidados cearenses da programação cultural do Ano do Brasil na França, realizado em 2005 na Citè de la Musique, em Paris.
No documentário, Aurora revela inusitados e alegres momentos na parceria entre Calé e os Aniceto, reunindo depoimentos relevantes como o dos artistas Sérgio Mamberti (titular da Funarte), Gutti Fraga (diretor do grupo teatral carioca Nós do Morro) e Uibitú Smetak (músico e pesquisador baiano). O lançamento em Fortaleza ainda não está agendado ...
Os Irmãos ANICETO tocam e CALÉ ALENCAR canta em show na Cité de la Musique em Paris durante a programação do Ano do Brasil na França, em 2005... Resultados desta frutífera parceria estão no novo documentário de Aurora Miranda Leão.
A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto em foto de Jackson Bantim, produtor musical, letrista, cineasta e fotógrafo, grande anfitrião do Crato, que apóia o lançamento de A Casca Avoa no cariri cearense...
Saiba mais: http:// jbantim.blogspot.com
História de Crato (1)
Por:
Armando Lopes Rafael
Vila Real do Crato
Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à homônima existente no Alentejo português. Com isso se cumpria o Aviso de 17 de junho de 1762, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. A partir daí, a Vila Real do Crato foi trilhando a senda do processo civilizatório, sempre inspirado no que vinha de bom do Reino, ou seja, do que chegava da metrópole portuguesa. A marca do pioneirismo passaria a caracterizar a existência de Crato, como veremos nas postagens seguintes. 2 - A terceira foto postada nesta matéria é de uma vila localizada ao sopé da Chapada do Araripe, no município de Crato.Postei-a por ter a mesma paisagem e vegetação que emoldurava a antiga Vila Real do Crato nos seus primórdios.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Deu no "The New York Times" deste domingo
Aos 50 anos, revolução de Castro está perto do fim
Quando perguntei sobre o fato a Yoani Sanchez, blogueira dissidente (www.desdecuba.com/generaciony), ela disse: "vivemos de costas para o mar porque ele não nos conecta, mas nos confina. Não há movimento nele. As pessoas não têm permissão para comprar barcos porque se tivessem, elas iriam para a Flórida. Fomos deixados, como um de nossos poetas diz, com a circunstância infeliz da água a cada curva.
A rua Lealtad vai do Malecón até o distrito de Centro Habana, densamente povoado. Parei em uma loja de peixes, ovos e frangos que nada tinha para vender. Antonio Rodriguez, 50 anos, um cortês afro-cubano calvo que administra a loja, me explicou a mecânica da racionalização.Todos os meses, cada cubano tem direito a 10 ovos (os primeiros cinco custam 0,15 pesos cada, o restante 0,90 pesos); 450 gramas de frango custam 0,70 pesos; 450 gramas de peixe com a cabeça custam 0,35 pesos (ou 310 gramas sem a cabeça); e 225 gramas de carne moída de segunda custam 0,35 pesos. Com o dólar valendo 25 pesos, você consegue comprar o pacote todo por menos de 25 centavos de dólar.
Pode parecer uma barganha, mas há alguns poréns. O salário médio mensal em Cuba é cerca de US$ 20. Perguntei a Rodriguez quando os frangos e ovos chegariam. Não faço idéia, ele disse.
Isso foi demais para Javier Aguirre, um homem franzino que ajuda Rodriguez na loja. "Estamos arruinados e após três furacões, ficamos ainda pior," ele disse. "Eu simplesmente não acredito no sistema. Quero a Suíça! De todos os cubanos que foram para os Estados Unidos, quantos querem voltar?" A pergunta gerou silêncio. Aguirre, era evidente, tentou escapar duas vezes, mas foi pego uma vez pelos cubanos e outra pela guarda costeira dos Estados Unidos. Sob a atual lei americana, a maioria dos cubamos que chegam a solo americano obtêm permissão para ficar, enquanto aqueles interceptados no mar são repatriados.
Mas a economia centralizada de Cuba é um desastre. Cuba tem duas moedas, uma para o comunismo e outra para um capitalismo limitado e controlado pelo Estado. Os pesos que as pessoas recebem como salário não dão para quase nada além de itens racionalizados e que ninguém deseja. Já os pesos conversíveis, com paridade cambial em relação ao dólar, conhecidos como "CUCs," podem ser usados para a compra de produtos internacionais.
Em lojas que aceitam apenas peso comum, você leva um pneu de bicicleta, um sutiã amarelado e um jogo de colheres de plástico. Nas de peso conversível, você pode comprar celulares, uísque Jameson e Heineken em um ambiente com ar-condicionado. Como resultado, muitos cubanos passam suas vidas tentando entrar na economia do peso conversível, algo que depende amplamente do contato com visitantes estrangeiros.
Alvarez citou alguns números. Havia seis mil médicos em Cuba na época da revolução; existem hoje quase 80 mil para uma população de 11,3 milhões, um dos índices per-capita mais altos do mundo. O embargo dos EUA custou a Cuba cerca de US$ 200 bilhões em termos reais. Apesar da escassez, atribuída em grande parte ao embargo, essa é uma sociedade que deseja proteger todos. O sistema de racionamento garante que cada cidadão receba o mínimo. Todos ganham refeições de baixo custo no trabalho. Dizer que saúde e educação gratuitas significam um salário de US$ 20 é uma forma equivocada de ver a qualidade de vida cubana.
Os dissidentes de Cuba são marginalizados. A imprensa é silenciada. A versão impressa do regime, Granma, é um estudo em dialeto orwelliano. A televisão estatal é uma máquina inchada de propaganda política. "Existe uma repressão muito inteligente aqui, a repressão científica," disse Yoani Sanchez, a dissidente cujo blog é hoje traduzido em 12 línguas. "Eles nos mataram como cidadãos, para não precisar nos matar fisicamente. Nossa própria polícia está em nossos cérebros, nos censurando antes de pronunciarmos uma idéia crítica."
Aos 33 anos, Sanchez representa algo novo: uma dissidente digital. As autoridades parecem não saber ao certo como lidar com isso. Sanchez, uma mulher franzina e vivaz, começou seu blog em 2006. Agora suas dissecações perspicazes das angústias da vida cubana são acompanhadas amplamente em âmbito internacional tanto que "os serviços de inteligência sabem que, se tocarem em mim, haverá uma explosão online."
Mesmo assim, eles a perturbam. Quando ganhou o prestigioso prêmio espanhol Ortega y Gasset por jornalismo digital em abril, ela foi impedida de ir à cerimônia de entrega.
Quando voltei à rua Lealtad, me deparei com uma agitação: o frango havia chegado! Rodriguez estava descarregando as pernas e coxas de frango. Peitos de frango estavam disponíveis apenas para o mercado do peso conversível. Ele segurava a caixa com um sorriso amplo. Ela dizia, "Made in U.S.A."
Tradução: Amy Traduções
The New York Times






