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domingo, 13 de dezembro de 2009

Premonição? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Naquela noite, inicio de dezembro de 1965, eu fui dormir pensando na viagem que faria ao Crato no dia seguinte. Um pouco de ansiedade me envolvia por completo. Primeiro pelas férias há tantos dias aguardadas. Depois pela viagem aérea que sempre me deixava um pouco tenso. Embalado por essa ânsia, adormeci e tive um sonho tão nítido quanto preocupante. Estávamos na nossa casa do São José e na sala de visitas havia um caixão de defunto. Um velório era acompanhado por muita gente do lugar. Cheio de curiosidade, olhei para ver quem era o morto. O velho Mamundo estava dentro do caixão completamente inerte. Uma tristeza invadiu minha alma, pois Mamundo era um personagem da minha infância. Ele era nosso vizinho de sítio, no São José e há muitos anos morava na nossa casa. Foi casado com uma prima de meus pais. Quando ele ficou viúvo, entrou num desespero de fazer pena, totalmente sem planos para enfrentar tamanha solidão. Meus pais convidaram Mamundo para passar alguns dias na nossa casa. E ele por lá ficou mais de trinta anos. Agora, num sonho estranho, ele jazia inerte naquele caixão. De repente uma das minhas irmãs disse: “Finalmente essa praga morreu!” Fiquei tão chocado com essa frase e mais ainda quando vi Mamundo levantar-se bruscamente do caixão e apontando o dedo para minha irmã disse: “Você está pensando que eu morri? Pois eu não morri, não! Quem vai morrer é seu pai!”

Acordei sobressaltado, olhei o relógio, três horas da madrugada. Não consegui mais dormir no restante daquela noite. Aquele sonho me deixou completamente preocupado, pois temia muito que meus pais morressem antes que eu concluísse meus estudos. A cada passagem do trem suburbano do outro lado da Ribeira, sentia-me no São José, com o tão familiar apito e o barulho dos rolantes dos trens. E um medo muito grande me encheu por completo. Aquele sonho mexeu comigo.

Durante o vôo não conseguia me livrar da preocupação que o sonho me trouxera. Bobagens, sonhos são apenas sonhos, talvez apenas projeções inconscientes dos nossos medos. Tentava desse modo me livrar daquele mau estar.
Quando o velho DC-3 pousou no Aeroporto de Fátima, de longe se avistava a pequena estação de passageiros. Tomei um susto porque não vi meu pai, que sempre costumava me esperar nessas viagens. Em seu lugar estavam dois irmãos. Mal desci do avião, perguntei a eles: “Por que papai não veio?” “Papai está doente. Apareceu um derrame abaixo das duas axilas.” Responderam. Novamente o sonho da noite anterior voltou a me incomodar.

Uma semana depois da minha chegada, um primo médico foi com meu pai ao Recife, onde na véspera do Natal daquele ano ele foi submetido a uma cirurgia para retirada dos gânglios sob suas axilas, tendo a biopsia constada que se tratava de melanoma, um dos tipos de câncer mais mortal. A previsão dos médicos era a de que ele teria no máximo três meses de sobrevida.

Meu pai viveu ainda seis meses. Durante esse tempo, ele tinha consciência do seu estado e enfrentou aqueles dias com muita serenidade e confiança, que somente a certeza dos que crêem na imortalidade da nossa alma podem ter. Nos seus últimos dias, nossa casa ficou repleta de familiares e de uma multidão de amigos, que a gente não imaginava que meu pai fosse tão querido.

Percebendo que suas forças estavam acabando, ele chamou os filhos para uma última conversa. Por ser o filho caçula, fui o último a ouvir suas palavras, quase num sussurro. Foi muita emoção! De imediato, eu não compreendi porque ele me agradeceu as alegrias que eu lhe havia proporcionado. Depois entendi que ele estava dizendo o que esperava de mim no futuro. E durante toda a minha vida, eu procurei norteá-la pelo exemplo de vida que meu pai deixou. Um homem honesto, correto, amigo de todos sem distinção e de uma postura moral irretocável. Agora, depois de quarenta e três anos daquela despedida, espero haver correspondido àquele agradecimento que, para mim foi um direcionamento para o futuro.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

UM GRANDIOSO ESPETÁCULO!!!

Não perca!


Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 13 de dezembro, domingo

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE

11h Teatro Infantil: Animartistas. com a Cia. de Teatro Anjos da Alegria (Crato - CE)

Narra a história de quatro animais muito diferentes entre si, mas que buscam um só ideal para suas vidas: escapar da opressão de seus donos. O jumento, a galinha, o gato e o cão representam, poeticamente, cada qual com sua personalidade, o sonho comum a todo ser humano: derrotar toda a forma de tirania. Livre. 50min.

13h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa

O objetivo é despertar o interesse das crianças pela internet, mediante a realização de atividades educativas e jogos. 240min

15h Passeio Cultural: Visita ao Horto. Facilitador: Jean Nogueira (Juazeiro do Norte - CE)

O Programa Passeio Cultural é uma iniciativa de mostrar às crianças, lugares do Cariri através da ótica cultural. Nessa edição, vamos conhecer a história do Museu Vivo do Padre Cícero e apreciar a vista da cidade de Juazeiro do Norte, da serra do Horto. O percurso será feito de ônibus. 90min.

16h30 Palquinho Livre

Dance, pule, cante, desfile, recite, encene, o show é seu!!! Você é convidado a brilhar nesse palco. Organize sua apresentação individual ou coletiva e venha apresentar-se no palco do Centro Cultural. Faixa etária: de 06 a 14 anos. 90min.

Fonte: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

A cara de hoje - Por Emerson Monteiro

A gente vive de influenciar e ser influenciado, por tudo que a vida mostra a todo instante. Seja em relação às pessoas, aos acontecimentos em si e à Natureza, qualquer ação implica numa reação, condicionando resultados inevitáveis. Um dos motivos principais desse processo de interação cabe à cota do prazer, porquanto há em volta uma razão justa de atitude para quebrar inércias e sair para ações. Uma troca de valores, digamos assim. Desloca-se a individualidade em busca de resultados agradáveis, atuais ou iminentes.
O sentido da observação, fruto da experiência, localiza inúmeras ocasiões em que pessoas agem sempre no usufruto posterior dos benefícios. Raros, raríssimos, rompem o círculo do interesse pessoal em favor de ocasionar oportunidades aos outros, livres e desapegados.
Nestes tempos capitalistas mundiais, com excelência, ninguém joga tempo fora. Máquinas funcionam durante as 24 horas do dia sempre gerando lucros estonteantes. Mesmos líderes autênticos apreciam ampliar seus espaços de influência, aguardando a lei do retorno em prol de futuras gestões agregadas aos valores antes planejados, essa coisa de reeleição.
A democracia representativa do presente, sim, essa sempre vem preenchida dos absurdos da vez, quando gastos das campanhas eleitorais exigem somas fabulosas de custos, sob a perspectiva de dominar os postos de comando e reverter as possibilidades sociais. Ainda que signifique o extermínio da ética filosófica, nomes expressivos dos grupos sociais arriscam suas belas histórias originais em nome do poder sem limite.
Espécie de fim de rama, os bilhões de seres humanos avançam no bolo inicial da Terra mãe, em processo de autodestruição jamais visto nas proporções do que agora se apresenta. Poucos querem abrir mão da capacidade produtiva acelerada que carcome as chances vitais das novas gerações; derrubar a mangueira para comer uma safra, quer isto representar.
Juntos na Dinamarca em conclave mundial, os representantes defendem seus territórios de emissão de gases numa enxurrada mistificadora do progresso industrial de causar dó, de negrume nunca imaginado pela pior ficção.
Tempos do “era uma vez” se tornou a existência dos humanóides decadentes, senhores da guerra, mártires da futilidade sem causa, em um período histórico ausente de mínima sensatez.
Enquanto a farra persiste de fustigar o destino das leis universais, clamor de respostas graves leva ao desencanto coletivo imediato, quando os diretores da cena reteem os cordões das decisões qual lhes pertencesse a vida de todos habitantes do planeta, no direito de reger seus bens, herança de todos nós.
Contudo o sistema invadiu as privacidades mais remotas e letargia imensa constrange os protagonistas do drama aos piores abusos, preço alto da omissão imprudente. Então, as luzes acesas do palco revelam a verdade no largo sorriso da inevitável Esperança do futuro.

Pensamento para o Dia 13/12/2009


“Aqueles que buscam difundir para outros os valores da Verdade (Sathya), Retidão (Dharma), Paz (Shanti), Amor (Prema) e Não-violência (Ahimsa), devem primeiro procurar praticá-los de todo coração. Imaginar que os valores podem ser instalados através do ensino é um erro. Tal aprendizado não terá efeito permanente. Os educadores devem tomar conhecimento desse fato. Se a transformação deve ser realizada nos estudantes, o processo deve começar a partir de uma idade muito precoce.”
Sathya Sai Baba

sábado, 12 de dezembro de 2009

Grupos de lapinhas vivas exaltam o Natal - Postado por Océlio Teixeira


Normalmente os grupos, em sua maioria formados por crianças, são coordenados por mulheres

Por: Elizângela Santos

"Os caboclinhos da aldeia se deslocam para ver Jesus, de Belém. Nos trechos dos cânticos ensaiados das lapinhas, segue uma tradição popular nas ruas de cidades do Cariri. Normalmente os grupos, em sua maioria formados por crianças, são coordenados por mulheres. Zulene Galdino, mestre da Cultura do Ceará, é uma delas. Uma amante das artes populares, reúne os meninos desde setembro, para ensinar as antigas tradições.

São quase 40 anos na rima: "Vamos, vamos com fervor, adorar Nosso Senhor. Vamos, vamos com alegria, adorar a Virgem Maria". Os cânticos da tradição popular nas apresentações abrem alas para a festa da chegada do Menino Deus. Os personagens da lapinha saúdam com festa. São diversos e devidamente caracterizados. Desde a Península Ibérica ao Cariri, muita coisa mudou...

Este ano, Zulene ainda não recebeu nenhum convite para se apresentar com as crianças. Mas isso não é motivo de preocupação. "Quando comecei, ninguém sabia, e fazia isso com muita alegria". A terreirada que aconteceu em novembro, na porta de sua casa, para a apresentação da lapinha na Mostra Sesc, foi a oportunidade. Acredita que as pessoas estão cada vez mais distantes dessas tradições, que traduzem como elemento de grande valor de formação educativa para as crianças.

Zulene lembra da importância de dar oportunidade às crianças e aos jovens. Ela vê uma alternativa para retirá-los de caminhos que levam ao vício. "Ninguém aqui usa droga. Ficam aprendendo as cantigas, dançando. São coisas leves, que falam de Jesus, Maria, José. Os maiores dão até aulas para os outros aqui em casa, à noite". Isso acontece após os ensaios.

É reunindo todo mundo que se forma a alegria dessa mestre, que tem dedicado a sua vida a repassar valores que aprendeu na infância e adolescência. Ela segue as recomendações dadas pelo pai de ensinar as outras gerações. Em 1975, ele fez o pedido para a filha não abandonar as tradições religiosas na comunidade.

As lapinhas se apresentam no Cariri até 6 de janeiro, Dia de Reis, também dia da queima. Em cidades como Crato e Juazeiro do Norte, as lapinhas vivas, com os personagens principais: Menino Jesus, Maria, José e os três reis magos. Têm também os personagens incorporados à cultura popular, como os anjos, as pastorinhas, os índios, caboclinhos, ciganas e animais - misto da criativa nordestinidade com as heranças ibéricas.

Na terra do Padre Cícero ainda estão presentes, pelo menos quatro lapinhas vivas, das cerca de dez existentes no município,principalmente no Bairro João Cabral, área onde estão concentrados vários grupos de tradição popular da cidade. No Crato, no Bairro Novo Horizonte e no Muriti, os reisados vão às ruas e reservam o grande dia, 6 de janeiro, para se reunir com todos num grande espetáculo nas praças principais da cidade.

Há 40 anos, Josefa Pereira (Zefinha), reúne crianças para formar a sua lapinha viva. São 35 pequeninos artistas. Os cânticos foram memorizados por ela ainda na infância. Já fazia parte dos grupos de lapinha em Juazeiro. Continuou animada e decidiu montar a sua própria lapinha. A cada ano junta os meninos e começa os ensaios, também no mês de setembro. Há 12 anos morando no João Cabral, bairro da periferia, ela afirma que sente tratamento diferente da sociedade por não ter uma lapinha tão sofisticada, mas é consciente de que faz um trabalho social com as crianças. "Algumas delas chegam para o ensaio no início da noite em casa e tem feito apenas uma refeição ou simplesmente tem tomado o café da manhã. Eles lancham e começamos os ensaios", diz. "

Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Elizângela Santos

Renovação do Sagrado Coração de Jesus - Postado por Océlio Teixeira


Católicos fazem renovação na Festa do Sagrado Coração de Jesus

Por: Antônio Vicelmo

A festa da renovação é uma continuidade da consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus

"Com a chegada do mês de dezembro, começa a temporada de renovações na zona rural do Cariri, uma das festas religiosas mais populares do sertão. A renovação do Sagrado Coração de Jesus ou festa da renovação, como é mais conhecida, segundo o vigário geral da Diocese da cidade do Crato, monsenhor Dermival de Anchieta Gondim, "é um ato religioso que simboliza o compromisso verdadeiro da família em viver o Evangelho e seguir a Deus pela obediência às suas leis na fé, esperança e caridade".

Na verdade, segundo ele, a renovação é uma continuidade da consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus, um evento religioso que consiste em entronizar a imagem do Sagrado Coração de Jesus para que o lar e as pessoas que ali habitam sejam agraciadas pela proteção e bênçãos divinas.

O vigário geral explica que "a entronização é o nome que se dá, quando o ato é realizado pela primeira vez geralmente por um sacerdote, para que as imagens sejam abençoadas, e colocadas em lugar honroso da casa". No dia da renovação, a imagem é instalada na sala principal e preparado um pequeno altar abaixo, onde são colocadas as imagens. Ali, a família e os vizinhos renovam o seu compromisso de fé. "É como se fosse a confirmação do batismo", compara o sacerdote.

Dermival lembra a mensagem do papa Leão XIII que recomendou: "No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do amor infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-Lhe esse Amor".

O tradicional evento sertanejo é, sobretudo, a festa da família. A renovação é, geralmente, celebrada na data de nascimento do primeiro filho ou no aniversário de casamento. Depois do ato religioso, são servidos refrigerantes, aluá e bolos à família e aos vizinhos, em meio ao foguetório. Em alguns casos, é contratada uma banda cabaçal.

Uma das mais conhecidas "tiradeiras" de renovações do Cariri é Inês Gonçalves de Barros, residente no Sítio Coité, município de Missão Velha. Ela está com a agenda cheia para este mês. "Tem dia que eu ´tiro´ duas renovações". Para Inês, esta prática religiosa é um "sacrifício santo, uma missão que eu sinto prazer em cumprir".

Muitas vezes, ela anda quilômetros na garupa de uma moto, a fim de atender famílias em locais distantes. "Nunca cobrei um tostão por esta prática religiosa", garante, acrescentando que "este ofício faz parte da tradição de minha família". Ela lamenta as mudanças que estão ocorrendo nas renovações tradicionais com a introdução de músicas modernas.

Ela diz que prefere os benditos antigos que lhe foram ensinados por uma tia, que deixou um caderno com todo o ritual da renovação, inclusive as letras das músicas entoadas.

A principal oração da cerimônia religiosa é o Ato de Consagração, quando a "rezadeira" diz: "Sagrado Coração de Jesus que manifestastes à Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa família. Queremos, de agora em diante, viver a vossa vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz. Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes. Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção frequente de vossa divina Eucaristia. Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas. Se, alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido. E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios".

Fique por dentro
Promessas de Jesus

A história das renovações surge a partir das promessas feitas por Jesus Cristo à Santa Margarida Maria Alacoque, uma religiosa nascida no dia 22 de agosto de 1647 em Verosvres, na França. Jesus faz 12 promessas em favor de seus devotos à Santa Margarida, das quais uma delas expressaria, claramente, o seu desejo em originar uma festa que se renovaria ao longo do tempo até chegar aos dias atuais. Em sua nona promessa Jesus Cristo diz: "A minha bênção pousará sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem do meu Sagrado Coração", iniciando, dessa forma, a entronização de sua Santa imagem nas casas, formando uma corrente de fé e, também, de tradição."

MAIS INFORMAÇÕES

Cúria Diocesana do município do Crato, Cariri
Rua Teófilo Siqueira, 631 (88) 3521.1110
Cregional@diariodonordeste.com.br

Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Antônio Vicelmo

PEREIRA BELÉM - Por Emerson Monteiro

Vez por outra, protozoários resistentes ao passado pregam lá suas peças e fazem retornar ao écran da memória fantasmas meio adormecidos pelos cantos distantes das ruas de antigamente. Postam intactos, ao dispor das rotativas da atualidade, exemplares raros, carismas, parecidos com desafios que desçam da comodidade e venham se beatificar nas formas posteriores, o que, por vezes, levam a outras telas e viram movimento de pensamentos. Em tudo isso, um desejo de perenidade, peças soltas por dentro da alma vigilante.
Bom, essa volta toda para contar de Pereira Belém, um alcoólatra sorridente que circulava as minhas ruas de menino, no Crato dos anos 60, pelo bairro onde eu morava, Pinto Madeira.
De tez morena intumescida no uso da bebida, olhos empapuçados, ainda moço, de seus trinta e poucos, camisa aberta ao peito, sapatos rotos nos pés, cabelos pretos oleosos, escorridos para trás, palavras irreverentes agradáveis para tudo e todos, deslizava rua acima, rua abaixo, de preferência num itinerário de bodegas, a fechar longos discursos de atrapalhados assuntos com o grito sonoro de “Viva Pereira Belém!”. No brado, a senha da própria preservação, o que emitia com entusiasmo de causar inveja aos vocacionados profissionais da louvação e ganância, característicos da política ocidental.
Por trás daquele jeito animado de Pereira Belém, o ar de quem zombava de si mesmo, vítima que se via dos porres homéricos que lhe compunham a tortuosa sobrevivência. À maneira de instrumentista que maestro conduzisse, movia as hastes matemáticas das cifras na execução de invisível peça, a dependência química de ator burlesco dos teatros decadentes.
Os meninos, nisso, sentiam o par dos acontecimentos na feira do cotidiano. Espontâneo chegava, montava a cena, alegrava e saía dos nossos intervalos de escola e elaboração das tarefas. Compreendíamos virem só mostrar, no picadeiro das esquinas, sua desgraça, quais espinhos da garrancheira maior da raça humana, semelhante aos espinhos que formam troncos das vistosas roseiras do bem sucedido. Algo comparável ao cinema da sociedade, à literatura dos que aperreados.
Destarte, as moendas da imaginação voltaram com essa figura do Crato de meu tempo de menino, num vigoroso “Viva Pereira Belém!” suficiente a montar palavras que lhe preservam um pouco adiante a existência, cinco décadas depois do seu desaparecimento.

Show de Luiz Carlos Salatiel no SESC/Juazeiro na próxima terça


Quem deve cuidar do Planeta? - Por Leonardo Boff

Um teólogo famoso, no seu melhor livro – Introdução ao Cristianismo – ampliou a conhecida metáfora do fim do mundo formulada pelo dinamarquês Sören Kirkegaard, já referida nesta coluna. Ele reconta assim a história: num circo ambulante, um pouco fora da vila, instalou-se grave incêndio. O diretor chamou o palhaço que estava pronto para entrar em cena que fosse até à vila para pedir socorro. Foi incontinenti. Gritava pela praça central e pelas ruas, conclamando o povo para que viesse ajudar a apagar o incêndio. Todos achavam graça pois pensavam que era um truque de propaganda para atrair o público. Quanto mais gritava, mais riam todos. O palhaço pôs-se a chorar e então todos riam mais ainda. Ocorre que o fogo se espalhou pelo campo, atingiu a vila e ela e o circo queimaram totalmente. Esse teólogo era Joseph Ratzinger. Ele hoje é Papa e não produz mais teologia mas doutrinas oficiais. Sua metáfora, no entanto, se aplica bem à atual situação da humanidade que tem os olhos voltados para o pais de Kirkegaard e sua capital Copenhague. Os 192 representantes dos povos devem decidir as formas de controlar o fogo ameaçador. Mas a consciência do risco não está à altura da ameaça do incêndio generalizado. O calor crescente se faz sentir e a grande maioria continua indiferente, como nos tempos de Noé que é o “palhaço” bíblico alertando para o dilúvio iminente. Todos se divertiam, comiam e bebiam, como se nada pudesse acontecer. E então veio a catástrofe.

Mas há uma diferença entre Noé e nós. Ele construiu uma arca que salvou a muitos. Nós não estamos dispostos a construir arca nenhuma que salve a nós e a natureza. Isso só é possível se diminuirmos consideravelmente as substâncias que alimentam o aquecimento. Se este ultrapassar dois a três graus Celsius poderá devastar toda a natureza e, eventualmente, eliminar milhões de pessoas. O consenso é difícil e as metas de emissão, insuficientes. Preferimos nos enganar cobrindo o corpo da Mãe Terra com band-aids na ilusão de que estamos tratando de suas feridas.

Há um agravante: não há uma governança global para atuar de forma global. Predominam os estados-nações com seus projetos particulares sem pensarem no todo. Absurdamente dividimos esse todo de forma arbitrária, por continentes, regiões, culturas e etnias. Sabemos hoje que estas diferenciações não possuem base nenhuma. A pesquisa científica deixou claro que todos temos uma origem comum pois que todos viemos da África.

Consequentemente, todos somos coproprietários da única Casa Comum e somos corresponsáveis pela sua saúde. A Terra pertence a todos. Nós a pedimos emprestado das gerações futuras e nos foi entregue em confiança para que cuidássemos dela.

Se olharmos o que estamos fazendo, devemos reconhecer que a estamos traindo. Amamos mais o lucro que a vida, estamos mais empenhados em salvar o sistema econômico-financeiro que a humanidade e a Terra.

Aos humanos como um todo se aplicam as palavras de Einstein: “somente há dois infinitos: o universo e a estupidez; e não estou seguro do primeiro”. Sim, vivemos numa cultura da estupidez e da insensatez. Não é estúpido e insano que 500 milhões sejam responsáveis por 50% de todas as emissões de gases de efeito estufa e que 3,4 bilhões respondam apenas por 7% e sendo as principais vitimas inocentes? É importante dizer que o aquecimento mais que uma crise configura uma irreversibilidade. A Terra já se aqueceu. Apenas nos resta diminuir seus níveis, adaptarmo-nos à nova situação e mitigar seus efeitos perversos para que não sejam catastróficos. Temos que torcer para que em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro não prevaleça a estupidez mas o cuidado pelo nosso destino comum.

Leonardo Boff é autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu, Record 2009.

Pensamento para o Dia 12/12/2009


“Tristezas e desastres são as nuvens que voam no céu; elas não podem ferir as profundezas azuis do espaço da fé. Considere alegria e tristeza como professores de coragem e equilíbrio. A tristeza é um lembrete amigável, um bom mestre, até mesmo um professor melhor que a alegria. Não recue diante da dor. Receba com agrado o teste, porque depois o certificado lhe será concedido. É para medir seu progresso que os testes são impostos.”
Sathya Sai Baba

Última Terreirada Cearense de 2009!




Queridos Terreirantes!

No mês de Santa Bárbara a Terreirada Cearense volta para comemorar também o dia do Forró!

Dia 13 de dezembro a última Terreirada do ano de 2009! Depois disso só em no segundo domingo de janeiro!

Forró de Raiz com a formação completa (Ranier, Beto, Geraldo, Marcelo, Filipe, Francisco e Cláudio),
DJ Dona JÔ e muitos convidados celebram a festa com todos vocês...

Atenção para o novo endereço...
CTO – Centro de Teatro do Oprimido
Rua Mem de Sá, 31 – Lapa (Próximo aos Arcos)

A partir das 20h! (Mulher até as 21h não paga!)

(responda esse email com nome e pague com desconto,só para terreirantes masculinos)
*veja nosso vídeo no youtube : http://www.youtube.com/watch?v=_gLxi61xaws

BAIXEM AS MÚSICAS NO www.geraldojunior.palcomp3.com.br

Agradecemos e desejamos a todos uma feliz Terreirada e um fantástico 2010!

Projeto Rapadura Cultural homenageia Luiz Gonzaga


PROJETO RAPADURA CULTURAL (COORDENAÇÃO: PROF. JORGE CARVALHO)


Data: 12 de dezembro de 2009 (neste sábado)
Local: Praça São Vicente
Horário: 9 horas

Tributo aos 97 anos de Luis Gonzaga

1. Missa de Ação de graças pelos 97 anos de nascimento de Luis Gonzaga na Igreja de São Vicente.
Padre Raimundo Ribeiro.

2. Crônica Olival Honor: Praça Juarez Távora (3 de maio)

3. Ligação Crato/Exu pelo jornalista Huberto Cabral.

4. Apresentações de cordéis citando os compositores:
- Zé Marcolino
- Zé Dantas
- Humberto Teixeira
- João Silva

5. Sanfonas saúdam o sanfoneiro Luis Gonzaga
- Zé de Benona
- Fábio Carneirinho
- Maurício Jorge
- Jota Farias
- Xôta
- Aluisio
- Zim
- Josniel

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 12 de dezembro, sábado

- Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE

14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa

O objetivo é despertar o interesse das crianças pela internet, mediante a realização de atividades educativas e jogos. 240min.

14h Teatro Infantil: Animartistas, com a Cia. de Teatro Anjos da Alegria (Crato - CE)

Narra a história de quatro animais muito diferentes entre si, mas que buscam um só ideal para suas vidas: escapar da opressão de seus donos. O jumento, a galinha, o gato e o cão representam, poeticamente, cada qual com sua personalidade, o sonho comum a todo ser humano: derrotar toda a forma de tirania. Livre. 50min.

15h30 Contação de Histórias: Uma História puxa Outra, com Bete Pacheco (Juazeiro do Norte-CE)

Contar histórias é uma arte antiga, passada de geração a geração. Ouvindo histórias, desenvolvemos o gosto pela leitura, ampliamos nosso vocabulário e educamos nossa atenção, estimulando nossa imaginação de forma bem divertida. 60min.


17h Sessão Curumim: Não é Mágica: Vulcões.

Sucesso absoluto entre os jovens do mundo inteiro, tem como principal ambiente um caminhão-laboratório que viaja pelo mundo desvendando os mistérios da natureza comFred, cientista e pedagogo, Jaime, jornalista, e Manu, uma investigadora curiosa não apenas em aprender, mas entender o mecanismo que move o planeta Terra. Nesta aventura, eles aprendem e entendem o que provoca os tsunamis, como os vulcões se formam e se multiplicam pelo planeta, como acontece uma erupção e o que sai dos vulcões e a revelação de que o vulcão mais antigo do mundo está na Amazônia. França, 2006. Animação com massinha. Cor. Dublado. Livre. 78min.

- Especiais - Cinema - ARTE RETIRANTE

Local: Distrito do Lameiro (Crato)

19h Curumim: T'Choupi. 70min.

- Artes Cênicas- ATO COMPACTO

19h30 Entre e Saia Para as Entre-Salas, com a Cia. Etra de Dança Contemporânea (Fortaleza-CE).

Um espetáculo de dança-instalação que pretende mostrar o cotidiano de uma casa e as diversas relações entre pessoas e objetos. A pretensão é transformar a perspectiva do lugar em ser, não apenas uma passagem, mas algo que fuja dos padrões convencionais que delimitam a dança nos palcos, deixando o público livre para criar sua relação com o espaço, os objetos, o inesperado e as incertezas. Direção: Edvan Monteiro. Classificação Indicativa: 12 anos. 40min.

Fonte: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

Houve um Natal - Por Emerson Monteiro

Não sei precisar com exatidão a época, se aos meus 11 ou 12 anos, quando, na noite de Natal, recebi três livros, presentes de Papai Noel, que vieram no meio da madrugada embrulhados em papéis coloridos, embaixo da rede. Eram parte de uma série para a juventude, da Editora Melhoramentos, exemplares de encadernação azul, ilustrados com o primor de belos desenhos. Dos títulos, lembro bem, “Por mares nunca dantes navegados”, uma adaptação de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões; “Vinte mil léguas submarinas”, de Júlio Verne; e “As aventuras de Robin Hood”, da lenda inglesa dos tempos heróicos da Inglaterra.
Com tais obras, vivi momentos deliciosos, na casa onde morava com meus pais, no Bairro Pinto Madeira, em Crato. O bangalô, construído ainda na década de 40 por “Seu” Pergentino Silva, denominava-se Vila Daïro; possuía andar térreo e um segundo pavimento rodeado e encimado por lajões de cimento armado. Nessa casa, passei, com a família, 12 anos inesquecíveis. Ao centro de ampla área, cercava-se de mangueiras, sirigueleiras, pinheiras, goiabeiras, etc., e dispunha, em sua fachada principal, da sombra frondosa de enorme timbaúba, que nos agraciava com generosa folhagem e canto dos mais variados pássaros.
No andar superior, quase todo deserto, habitávamos eu e meu irmão mais velho, Everardo, às vezes sequenciados pelos irmãos de minha mãe, Nairton, Neimann e Nirson, que se demoravam algum tempo a estudar em Crato. Ali permanecíamos quase todo o dia, depois das aulas, a ler e escutar rádio.
A propósito desses presentes e de outros que, às vezes, retornam às minhas recordações dos Natais, quando ouço críticas à figura de Papai Noel, que deixaria para tantas mentalidades, durante a fase natalina, em segundo plano a pessoa de Jesus, o Mestre Divino, indago comigo mesmo o que há de errado de alguém existir como o bom velhinho que distribui lembranças, a simbolizar a alegria e a felicidade. Multidões esquecidas no decorrer de todo o ano, quando, por ocasião do Natal, acontece de merecer das suas mãos alguns brindes, em alusão ao aniversário de Jesus.
Quero crer, por isso, na dupla figuração do ícone Papai Noel, que, além de movimentar as vendas nos finais de ano, pela satisfação que pode ocasionar, seja também o espírito da bondade em ação, mais parecido com o sentimento de doação e fraternidade que percorre o mundo nesta doce temporada da humanidade cristã.

FÉ E CIÊNCIA - O Deus de Einstein

(http://www.amebrasil.org.br/portal/?q=node/20)

Como o maior de todos os gênios lidava com as questões metafísicas da humanidade. E o que o seu conceito pessoal do Todo-Poderoso pode ensinar à tropa de choque dos cientistas-ateus do século 21.

Marcelo Damato
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Galileu de novembro/2007.

Em meados dos anos 1930, o diplomata e mecenas alemão conde Harry Kessler (1868-1937) chegou para o já renomado Albert Einstein e lançou: "Professor, ouvi dizer que você é profundamente religioso". Sem se alterar, o cientista respondeu: "Sim, você pode dizer isso. Tente penetrar, com os nossos meios limitados, os segredos da natureza. Você vai descobrir que, por trás de todas as concatenações discerníveis, há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião. Até certo ponto, de fato, eu sou religioso".

Apesar de um tanto escorregadia, a resposta - e outras declarações ao longo da sua vida - não dá muita margem a dúvidas: Einstein acreditava em Deus. Embora seja bem menos complicada de entender do que a Teoria da Relatividade, a idéia que o cientista desenvolveu do Todo-poderoso é cheia de sutilezas e meios-tons. Isso fez com que, assim como suas descobertas científicas, seus conceitos religiosos gerassem controvérsias e discussões que chegam acessíssimas aos dias de hoje.

Fonte: Revista Galileu

O INÍCIO, O MEIO E O FIM PENDULAR: O IMANENTE, O MUTANTE E O TRANSCENDENTE


“Tudo está em constante mudança” assim diz o mestre indiano Sathya Sai Baba. “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” foi o que disse o cientista Lavoisier. “O homem é uma ponte entre o animal e o supra-humano” afirmou Nietzsche. Tudo indica, segundo os sábios de todos os tempos, que a vida passa por um processo pendular metamorfósico de nascimento, crescimento e renascimento em direção a uma outra etapa de vida. Ou seja, nada morre, mas tudo se transforma e se transmuta segundo forças, naturezas, princípios e leis que governam o universo e a vida nele inserido. Consciente ou inconscientemente está o ser humano de um lado para o outro procurando compreender o pêndulo da vida metamorfósica que oscila entre um pólo e outro da realidade imanente e da realidade transcendente.

Então, o que está na base desse processo de mudança? Alguns afirmarão segundo suas crenças a visão do fenômeno que está mais próximo de sua compreensão, experiência objetiva ou vivência subjetiva e interior. A vida humana é análoga a um negativo de um filme que precisa ser revelado por cada um para mostrar a verdadeira imagem do ser numa visão clara e consciente do mundo. Nesse contexto, ser e mundo são partes de um mesmo processo de criação. O que está fora encontra-se dentro também. O que vemos somos também. A vida, então, nos cobra: “decifra-me ou eu te devoro”. É preciso reconhecer os princípios, impulsos e forças que agem na fonte da consciência. O pêndulo da vida oscila entre o pensamento e o sentimento que geramos ou apreendemos do mundo a nossa volta. Somos indutores e induzidos; partes e o todo; causa e efeito; verdade e ilusão; amor e ódio; paz e violência; céu e inferno; desejo animal e Amor Sagrado.

O objetivo da vida humana está de um lado entre a necessidade de satisfazer o pão e o prazer, e do outro a liberdade de revelar e sentir a felicidade do Amor. Normalmente optamos em satisfazer a necessidade do pão-prazer em primeiro lugar para depois empregar nossas energias em conquistar a felicidade do Amor que liberta o ser. Essa última façanha depende de uma série de fatores sociais, culturais, psicológicos e ontológicos interligados. No princípio somos uma criança extremamente vulnerável, em seguida somos um indivíduo adolescente envolvido e participante da cultura do seu meio social, e por último somos um idoso (consciente ou inconsciente) de sua jornada mais importante na Terra: ser pessoa transcendente e amorosa.

Em cada etapa somos conduzidos pelo amadurecimento das forças internas da psique e/ou do caráter (Self). A vida não nos permite uma parada para descanso. O descanso só é possível pelo exercício da meditação ou contemplação de si mesmo. Em outras palavras, somente conseguimos reduzir a velocidade do pêndulo da vida metamorfósica quando nos abstraímos e percebemos que somos o próprio pêndulo em movimento ininterrupto. Esse pêndulo nunca pára! Daí a necessidade da reclusão e do silêncio. A paz é conseqüência de um movimento suave do ser entre seus pólos de consciência (imanente e transcendente). Os outros valores vem a reboque dessa conquista: a tolerância, a felicidade, o equilíbrio interior, a calma, a compaixão, a doçura do ser etc.

A conquista maior passa a ser o controle do movimento do pêndulo da vida em si mesmo. A fé, a vontade, a sensibilidade e a disciplina implacável são as forças que permitem freiar parcialmente o pêndulo da vida. O autocontrole é fundamental para se atingir a meta do Nirvana, Samadhi ou Bem-Aventurança. Esse pontos ou marcos representam o topo da sabedoria do ser sobre si mesmo. E quem alcança esse nível de consciência consegue compreender (muito além da razão) o sentido da vida e o mistério do ser. E assim, vislumbra uma etapa de consciência onde não precisa mais valorizar o sofrimento, a perda e o medo de morrer. Esse pêndulo humano deixou de ser apenas e unilateralmente Ego-Indíviduo e se tornou também Self-Pessoa. Em síntese, o pêndulo da vida humana entra finalmente num ritmo vibracional suave, leve e agradável: a verdadeira sintonia e harmonia de movimento com o cosmo e o seu Criador. A sabedoria dos santos, místicos e iogues tem muito a nos ensinar – a abordagem quântica também!

Cariri sediará o XII Encontro Estadual de História - Por Océlio Teixeira

Prof. Altemar apresenta projeto do
encontro ao Departamento de História

Ontem, dia 10, esteve visitando o Cariri o Professor Altemar da Costa Muniz, presidente da Associação Nacional de História - Secção Ceará(ANPUH - CE). O referido professor veio participar de uma reunião com o Departamento de História da URCA para discutir a realização do XII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA.

O Prof. Altemar é mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, é professor assistente da Universidade Estadual do Ceará e coordena o Curso de História da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central(FECLESC).

Nós conversamos com o professor Altemar e ele nos deu mais detalhes sobre sua vinda ao Cariri.

Océlio - Prof. Altemar, quais os objetivos da sua reunião com o Departamento de História da URCA?

A Associação Nacional de História - ANPUH-CE, juntamente com os colegas do Curso de História da URCA estão finalizando a programação do XII Encontro Estadual de História, que ocorrerá dos dias 21 a 25 de junho de 2010, e que percorrerá seis cidades do Cariri (Crato, Juazeiro, Barbalha, Santana do Cariri, Nova Olinda e Assaré). Será a segunda vez que o Encontro Estadual de História vem pro Crato. A primeira foi no ano de 2000.

Neste ano de 2010, a temática escolhida foi “HISTÓRIA: POLÍTICAS PÚBLICAS E PRÁTICAS CULTURAIS”. Temos a finalidade de ao fim do evento respondermos aos seguintes questionamentos: quais são as políticas públicas do estado do Ceará para a área da história? Nós conhecemos essas políticas? O que estamos fazendo para que essas políticas existam e sejam verdadeiramente efetivadas? Consideramos que a discussão em torno dessas questões são essenciais para a valorização do trabalho do profissional de história, quer no âmbito da pesquisa, quer no âmbito do ensino.

Océlio - Como está sendo pensada a estrutura do Encontro?

Prof. Altemar - Queremos descentralizar os eventos do Encontro entre as várias cidades do entorno do Crato. Pretendemos que não só os alunos e professores das universidades participem, mas que os docentes de ensino fundamental e médio venham nos dar suas valiosas contribuições nas áreas de experiências didáticas e de produção de conhecimento em sala de aula. Queremos tirar o ranço academicista da ANPUH e para tanto precisamos aglutinar os historiadores que atuam nas escolas públicas e privadas do Estado.

Océlio - Quais as expectativas da ANPUH-CE quanto ao Encontro?

Prof. Altermar - Acreditamos que o evento no Cariri será um marco na história de nossa entidade. Pela qualidade da proposta; pelo engajamento da URCA, tanto de sua administração superior, quanto dos professores e alunos; quanto pelo envolvimento de vários setores sociais, ong’s e entidades que serão envolvidas na montagem e realização do Encontro Estadual. O Cariri mais uma vez demonstrará que é uma região encantadora e apaixonante.

Foto: Océlio

Juntos para sempre - por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Sempre que estou fazendo minhas orações, entrando em sintonia com Deus, procuro agradecer pelos trinta e sete anos de casada com Carlos Eduardo Esmeraldo. Tenho certeza que foi Deus que o colocou no meu caminho, para juntos vivermos o nosso grande amor. Depois de quatro anos de namoro, tempo necessário para nos conhecer melhor e terminar nossos estudos, nos apresentamos diante de Deus para fazer nossos votos de fidelidade e amor eterno.

Prometer viver a dois para sempre é uma responsabilidade de cada um dos cônjuges. Metade para cada um deles. Se cada casal se lembrasse como é bonita a celebração do matrimônio cristão, quando se promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando e respeitando um ao outro todos os dias de suas vidas, o esforço seria grande para não deixar a união abençoada por Deus terminar. O amor que nos leva ao altar, deve ser regado a todo instante, como uma plantinha que precisa de água e sol. Experimente deixar essa plantinha sem água e sol, ela morrerá logo. Assim é o amor, se não for adubado com carinhos, beijos, atenções, doações mútuas e gentilezas, a tendência desse amor é morrer. Quando o casal nunca deixa de namorar, o amor cresce cada vez mais. A vida a dois com harmonia e doação faz o casal crescer juntos, um aprendendo com o outro.

O sucesso da vida a dois é sair do egoísmo e se doar um ao outro com a preocupação de fazê-lo feliz. Quando se casa, deve-se entender que se vai casar, não para ser feliz, mas para fazer o outro feliz e em troca receber a felicidade. O pensamento deve ser: essa união é para sempre! Assim os casais não irão desistir na primeira dificuldade.

Hoje em dia, vemos muitos casais que se separam por incompatibilidade de gênios. Entretanto sabemos que, quando existe amor as diferenças serão superadas quando se aceita o outro com seus defeitos e qualidades. O amor e a felicidade do casal se refletem nos filhos, pois o amor gera amor. Nas cartas de São Paulo aos Coríntios (13,4-8), está escrito: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará”. Entendemos aqui, que todos devemos aspirar o amor. Nas cartas de João (1 Jo 4,8) está escrito que “Deus é amor”. Em João (3,16), Jesus é o enviado do amor. Deus nos amou tanto que mandou seu filho, para que todo aquele que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. O centro do Evangelho é o mandamento do amor. (cf. Mt 12, 28-34), pois o amor é fonte de qualquer comportamento verdadeiramente humano. Através do amor, as pessoas podem criar gestos capazes de resolver situações difíceis. Observando o que diz São Paulo sobre o amor, podemos entender que o amor é a força de Deus e a força da pessoa aliada a Ele. Quando São Paulo diz o amor jamais passará ou acabará, é porque o amor é eterno e ultrapassa o tempo e o espaço. Portanto, é a vida do próprio Deus, da qual participamos.

Toda a felicidade do casal ao longo da vida, não cai do céu, deve ser conquistada. E a felicidade dos filhos dependerá dos pais que têm a obrigação de construir um lar feliz para receber os filhos. O papa João Paulo II dizia que “o futuro da humanidade passa pela família”. Dessas palavras podemos entender a responsabilidade dos pais em colocar pessoas equilibradas no mundo. E assim ajudar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna, onde exista paz e amor. Se cada casal pudesse construir uma família feliz, teríamos uma sociedade com menos violência.

Viver bem e em harmonia é salutar para a vida a dois e, a felicidade conquistada leva o casal a viver juntos para sempre. A vida passa rápido. Então é importante que os casais que estão bem, continuem segurando na mão de Deus. E procurem viver cada vez melhor, não deixando que os apelos do mundo destruam a felicidade conquistada. Já os casais em crise, abram os seus corações e deixem a graça de Deus entrar em suas vidas. No projeto de Deus está incluindo a felicidade da família.

No início eu destaquei o agradecimento a Deus pelos trinta e sete anos de casados, porque eu e Carlos, de comum acordo, construímos toda essa harmonia e felicidade até aqui, segurando na mão de Deus, pois não somos nada sem a força do amor de Deus. A mensagem de Jesus Cristo, sempre nos guiou para agirmos de maneira correta no dia-a-dia da vida. E além do agradecimento a Deus, vou sempre pedir para que Ele nos dê forças para nunca nos afastarmos da sua Palavra e que o nosso amor cresça cada vez mais. E assim continuarmos juntos até o fim das nossas vidas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo