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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Partilha - Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Vivemos num mundo capitalista, onde o principal valor é o ter. As pessoas geralmente são valorizadas pelo que têm e não pelo que realmente são. Há séculos que é assim! Sem que se perceba, os filhos vão sendo formados impregnados do desejo de acumular riquezas. E a afeição filial, a preocupação com os pais já idosos chegam a ser colocadas em segundo plano.
Há cerca de quinze anos, eu li num dos jornais de Fortaleza uma história ocorrida no final do século dezenove, que não me recordo quem foi o autor, mas que ficou guardada em minha memória. Reproduzo-a aqui ao meu modo:
***
Numa tarde quente de verão do final do século XIX, Mundico Silveira Barbosa, sentado na porteira do curral, observava meia dúzia de vaquinhas magras. Sentia na alma um grande vazio pelo desprezo a que fora submetido por seus doze filhos, após a partilha de todos os seus bens.

No passado, Mundico fora um dos maiores donos de terra daquela ribeira e um grande criador de gado. Quando completou setenta anos, sentindo-se cansado e provavelmente próximo do fim, não querendo deixar motivo de intrigas para os filhos, resolveu antecipar a herança que lhes deixaria. Ficou apenas com pouco mais de cem tarefas de terra e umas cinqüenta reses, que aos poucos foram minguando. Agora ele e Madalena, sua velha, passavam por necessidades nunca antes experimentadas.

A produção da terra era insuficiente para alimentação do casal idoso e os bois que escapavam da falta de pastagem, foram aos poucos sendo vendidos para assegurar a manutenção da fazenda. Mas o que mais doía no coração de Mundico era a falta dos filhos. Há mais de três anos que nenhum deles fazia sequer uma visita aos pais.

Estava Mundico imerso nesses pensamentos, quando ouviu ruídos do trotear de um cavalo. Era seu vizinho, compadre e grande amigo, o coronel Rondon Brandão. Sabedor da ingratidão dos filhos do compadre Mundico e das dificuldades pela qual ele passava, resolveu encontrá-lo, para comunicar ao amigo um modo de fazer com que os filhos passassem a visitar os pais.

Ao apear-se do cavalo, o coronel Brandão foi direto ao assunto, fazendo a seguinte proposta:
– O compadre vai oferecer um almoço para os seus filhos no próximo domingo. Pois sendo pra comer todo mundo vem! É o seguinte: vou lhe dar um boi e mandar meus empregados para matar o danado e preparar o almoço. Depois vou lhe emprestar um saco de moedas, contendo duzentas libras de ouro. O compadre ainda tem um cofre?
– Sim. - Respondeu Mundico.
– No dia do almoço você vai mandar colocar o cofre na sala de jantar, num lugar que fique bem à vista de todos. Depois mande quebrar um bocado de garrafas em pedacinhos do tamanho de moedas. Com esses cacos de vidro, o compadre vai encher saquinhos iguais aos das moedas. Bote tudo dentro do cofre, de modo que ele fique bem abarrotado, com o saco das moedas de duzentas libras bem na frente. Na hora do almoço vai chegar um portador meu com uma carta lhe pedindo duzentas libras de ouro emprestado. Leia a carta em voz alta. Eu lhe garanto que as visitas dos seus filhos não irão faltar.

Conforme o combinado, os filhos, genros, noras e netos compareceram todos ao almoço. No momento em que estavam sentados à mesa do banquete, chegou o portador do coronel Brandão com a carta que foi lida em voz alta. Os filhos ficaram atentos, observavam o cofre cheio e se entreolhavam num misto de curiosidade e satisfação. A tudo assistiam com redobrada atenção. Ao retirar o saquinho contendo as duzentas libras de ouro, Mundico disse ao portador:
– Avise ao meu grande amigo, compadre e irmão, coronel Brandão, que não se preocupe com o pagamento. Ele paga quando puder e quiser.

Terminado o almoço, os filhos por lá ficaram a tarde toda, somente se retirando ao por do sol.

No dia seguinte, logo pela manhã, três filhos chegaram para uma visita. Pois graças ao coronel Rondon Brandão, Mundico Silveira pode receber outras tantas visitas dos seus filhos, genros, noras e netos. Até o final de seus dias.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Nota: Os nomes dos personagens são fictícios.

Iniciativas vitoriosas de Crato - por Armando Rafael


Prof. Francisco Cunha, o criador do Berro Cariri

O próximo dia 12 de março de 2010 assinalará o 6º aniversário de abertura do 1º Berro
Cariri, evento criado pelo professor Francisco Assis Bezerra da Cunha, sob a coordenação da Universidade Regional do Cariri. A Urca patrocinou este evento até 2007. A partir daquele ano o Berro Cariri para ser realizado passou para o âmbito do
Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Agricultura.

O 1º Berro Cariri foi aberto no dia 12 de março de 2004, às 17 horas, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti. O primeiro evento além da coordenação da Universidade Regional do Cariri, contou com o patrocínio da Secretaria da Agricultura (Seagri); Secretaria do Desenvolvimento Local e Regional (SDLR); Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo (Sete); Banco do Nordeste; Ematerce, Sebrae e prefeitura do Crato. De lá para cá passou a integrar o calendário de eventos promovido pelo Parque de Exposição de Crato


Além da exposição de animais e produtos derivados da ovinocapricultura, no Berro Cariri são realizados debates e seminários como forma de difundir o rebanho que mais se adapta ao clima árido nordestino. O evento também conta com extensa atividade cultural, dando prioridade aos artistas locais que se apresentam no evento, além da
Divulgação de cordéis, livros cantadores e apresentações folclóricas da região do Cariri.


"O Berro Cariri além de propiciar a comercialização de animais e o intercambio de informações, serve de vitrine para os produtos e subprodutos da ovinocapricultura e de outras atividades agrícolas e não agrícolas", avalia o criador do evento, professor Francisco Assis Bezerra da Cunha.

Texto: Armando Lopes Rafael

sábado, 23 de janeiro de 2010

Já na fábrica o CD “Jacinto Silva. No coração da gente”.


Idealizado por Edson Barbosa e com direção geral de conteúdo e produção de Tiago Araripe, o CD “Jacinto Silva. No Coração da gente”, já está em fase final de produção e deve ser lançado após o carnaval. O CD produzido pela Link e Estúdio Muzak (Candeeiro Records) reúne 16 músicas do repertório de Jacinto Silva. O projeto gráfico é assinado pelo diretor de arte Marcelo Barreto e tem como mote a Feira de Caruaru. Não poderia ser diferente. Jacinto, alagoano de nascimento, morou boa parte de sua vida nessa cidade do Agreste pernambucano, terra também de um dos seus mais constantes parceiros: o compositor Onildo Almeida.

O álbum dá continuidade à tradição da Link em produzir sempre uma peça cultural para comemorar o início de cada ano. Exemplares do disco serão distribuídos aos clientes e amigos da Link, à família de Jacinto Silva e à unidade do centro espírita que o músico frequentava.

Confira as faixas e intérpretes do CD:

1- Aboio de um vaqueiro (Jacinto Silva) - Spok

2- Aquela Rosa (Jacinto Silva) - Margareth Menezes

3- Teste para cantador (Jacinto Silva) - Jacinto Silva e Silvério Pessoa

4- Minha professora (Jacinto Silva) - Targino Gondim

5- Cante cantador (Jacinto Silva/João Silva) - Flávia Wenceslau

6- Moleque de rua (Manoel Alves/Agenor Farias) - Caju e Castanha

7- Plantação (Jacinto Silva/Janduhy Finizola) - Maciel Melo

8- É tempo de ciranda (Onildo Almeida) - Isaar França

9- Justiça Divina (Onildo Almeida) - Tiago Araripe

10- Coco de praia (Jacinto Silva) - Flor de Cactus

11- Filosofia do forró (Jacinto Silva) - Josildo Sá

12- Pisa maneiro (Jacinto Silva) - Xangai

13- Gírias do Norte (Jacinto Silva/Onildo Almeida) - Elba Ramalho

14- Coco do gago (Jacinto Silva) - Tom Zé

15- Imaginação (Jacinto Silva/Idevaldo Nunes Marques) - Petrúcio Amorim

16- Fonte de Luz (Jacinto Silva/José Roberto Souto Maior) - Aurinha do Coco


Resumo da biografia de Jacinto Silva, conforme o site Dicionário da MPB, onde também pode ser encontrada sua discografia completa.

Discípulo de Jackson do Pandeiro. Iniciou a carreira em 1942. Seu trabalho serviu de inspiração para bandas pernambucanas como a Cascabulho. Em 1962 gravou na Mocambo seu primeiro disco com o baião “Justiça divina”, de Onildo Almeida e a moda de roda “Bambuê bambuá”, de Joaquim Augusto e Luiz Plácido. No mesmo ano, teve o rojão “Moça de hoje”, parceria com Ari Lobo gravado na RCA Victor pelo próprio Ari Lobo. Em 1963, na mesma gravadora gravou de sua autoria o coco “Coco trocado” e de Onildo Almeida, a moda de roda “Chora bananeira”. No mesmo período, registrou de Genival Lacerda e Antônio Clemente, o rojão “Carreiro novo”.

Em 1964 gravou dois dos últimos 78 rotações da série 15.000 da Mocambo com a moda de roda “Aquela rosa”, de sua autoria e o coco “Na base do tamanco”, parceria com José Maurício. Na ocasião, os discos foram divididos com Toinho da sanfona, que gravou no lado B. Em 1966 lançou o LP “Cantando”, pela gravadora CBS. Emm 1973 participou do disco “Forró na palhoça” lançado pela CBS no qual interpretou “Tarrabufado”, de sua autoria e Isabel Biluca e “Flor de croatá”, de João Silva e Raimundo Evangelista. Em 1974 lançou pelo selo Tropicana-Cantagalo o LP “Eu chego lá”, que na época recebeu calorosa crítica do jornalista José Ramos Tinhorão, que a respeito do disco afirmou: “… desfilam toadas agalopadas como “Flor de Croatá”, cocos como “Coco do pandeiro”, mazurcas nordestinas como “Eu chego já”, baiões de ritmo acelerado como “Tentar esquecer”, sambas-baiões como “Concurso de voz”, gêneros desconhecidos como mineiro-pau: uma estranha mistura que lembra ao mesmo tempo o ritmo do calango e, mais longinquamente, dos sambas de partido alto cariocas.”

Lançou pela Manguenitude, em 2000, o CD “Só não dança quem não quer”, produzido por Zé da Flauta, com participações especiais de Chico César, Vange Milliet, Mestre Ambrósio, Marcos Suzano, Toninho Ferraguti e Bocato. Destacaram-se no disco, “Fumando mais Tonha”, “Coco trocado”, “Chora bananeira” e “Abaio de vaqueiro”. Ao longo da carreira gravou 24 LPs e dois CDs.

Em 2001 recebeu um tributo do cantor e compositor Silvério Pessoa, ex-líder do grupo Cascabulho, no CD “Bate o mancá”, com músicas de Jacinto Silva, que aparece em algumas vinhetas ao longo do disco. Foram selecionadas 14 músicas do compositor e cantor alagoano, entre as mais de 200 de sua autoria.

Postado por Malu Oliveira no Blink (linkpropaganda.com.br/)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Minha volta a Aquarius

Luiz Domingos de Luna*
Outro dia, não sei bem precisar o motivo, me bateu uma saudade de meu berço natal Aquarius, depois de muito refletir, vi que não era importante a viagem, a cultura, o modo de vida tudo diferente, e, o fato maior de já estar acostumado aqui na terra, na verdade, me sinto mais a vontade como terrestre do que com o Aquariano.
Talvez o motivo real seja outro, ou seja: o medo de não poder mais retornar a terrinha, que, apesar dos conflitos humanos, das limitações, tem um charme muito especial que é o bairrismo, com certeza o que caracteriza o Planeta Terra é o bairrismo, algo muito difícil de encontrar em outro.
Diante da minha decisão de retorno ou não, vi que estava agindo como um terrestre, pois, o grande paradoxo dos humanos é também o meu paradoxo. Algo que me deixou perplexo e angustiado, ao saber que o amor a terra é também motivo de agressão a mesma, uma equação pensante muito contraditória, pois, como amar o planeta e viver eternamente pensando, abusando, ferindo, explorando, consumindo, poluindo e pelando a bolinha tão frágil e tão pequenina no espaço sideral.
Para os terrestres, talvez a minha reflexão, não contivesse o cerne da racionalidade, vez que: como os habitantes da bolinha ainda azulada poderiam chegar a tal conclusão? Se eles não conhecem outro referencial, para mim, isto é muito natural, porém para eles o meu questionamento pode nem fazer parte de seu campo pensamental. Por que fariam?
Descobri que sem um diferencial, ou outro referencial, fica muito difícil de chegar ou compreender o plano existencial, racional, lógico, real e plausível a arte cara de existir, numa ação tão renovada, quanto à existência do próprio homem no planeta terra.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)



Apuração parcial - Por Emerson Monteiro

A porta se abriu e de repente lufadas auspiciosas de vento escorrem na face metálica das superfícies, materiais enferrujados em volta das fábricas imaginárias de transformação inevitável, envolvendo tudo com a seda suave do gesto universal da natureza, em ondas insinuantes e repetitivas. Prazer adocicado que não existia poucos instantes passados, contato alegre de mudanças impetuosas na atmosfera e nos sentimentos. Gosto de viver contagiado de pura felicidade avassaladora, nas formas penetrantes através das mesmas frestas da memória que administraram a excitação muscular original, proveniente de épocas da infância, de quando, ao menor gesto, as fibras do coração renovavam cada história dos pensamentos reconstruídos nas tantas outras possibilidades que ninguém o destino. Seres alados das histórias fantásticas invadiam, cinematográficos, as alamedas do espírito, no ímpeto de circuitos mecânicos, precursores da plenitude, euforia inexplicável de roupas drapejando ao sol das manhãs, nas marcas de tempos amarelecidos nas velhas canções italianas que revigoravam o instinto de amor nos corações dormentes dos jovens esperançosos.
Contudo, diante das notícias recentes de terremotos, temporais e programas de televisão que dominam as individualidades, mostrando ao vivo recônditas furnas da consciência, ilustrada folhas vespertinas deste período da aventura humana, há pontos circulando suspensos no ar que aguardam maior discernimento. A velocidade nas estradas e o transbordo das gangues de periferia, ou do centro administrador do sistema, impõem conclusões apressadas, aciduladas, aos filósofos e poetas. Ao menor sinal, drásticas interpretações, no entanto, chegam aos analistas políticos, sempre audazes em permanecer no plantão das ocorrências, fiéis ao princípio da livre iniciativa das massas em franco amadurecimento, abertas a novas perspectivas milenaristas.
No trâmite natural da superposição de liderança, a cada turno eleitoral essa vontade superlativa de sonhar com elementos pouco elaborados nos bastidores da moral dominante.
A quantidade de letras e números bem que ultrapassa com fartura o mérito de tanta gente sonhar acordada perante uma crise quase característica da espécie dos primatas ilustrados, veteranos burgueses convencidos. A civilização capenga, engendrada nos becos e cavernas, estremece nos trilhos das facilidades com o erário público nas mãos, ao sabor das farras e dos batuques nos terreiros da fantasia. Raros, raríssimos, estoques de manufaturados sem data de vencimento chegam e saem dos portos numa seqüência de cartas devoradoras. Pontes metálicas, turbinas supersônicas, guarda-chuvas nucleares, ogivas atômicas, suaves mergulhos de plataformas intercontinentais, portas usb e tontos atores às primeiras horas da manhã, nesse gosto de azinhavre na boca do estômago. Suave murmúrio do teu suspirar, diz a lição dos efetivos doutores da ética.
Só louças quebradas em profusão; cantigas de final de festa, embriaguez das poucas notas musicais das vendas dos botecos em alta e algumas bolsas que oscilam, quando leves chegam as primeiras chuvas do verão sertanejo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Kaika Luiz no Programa Cariri Encantado


O carnaval é um dos mais típicos festejos do Brasil. Do Oiapoque ao Chuí, essa festa popular, feita pelo povo, para o povo e de povo, é celebrada com alegria e descontração contagiantes. No Cariri não é diferente, apesar de já termos tidos carnavais mais brilhantes em tempo outrora.

Mas, tudo que é legítimo e representativo, pulsa e resiste. Há alguns anos, existe toda uma movimentação visando resgatar os saudosos carnavais da região. No Crato, esse movimento tem como uma das suas principais lideranças, o promotor cultural Kaika Luiz, um dos produtores do carnaval da Saudade, realizado no sábado magro de carnaval, no tradicional Crato Tênis Club. O baile está prestes a completar sua quinta edição consecutiva e se constitui num dos principais símbolos da retomada do carnaval cratense.

O Programa Cariri Encantado une-se a esses entusiastas idealistas e nesta sexta-feira fará ecoar o grito de carnaval já incontido no peito dos foliões locais. Para tanto, contará com a presença de Kaika Luiz que falará sobre a produção do baile Carnaval da Saudade e as perspectivas de realização de uma grande e alegre programação momina na região.

O programa Cariri Encantado é levado ao ar todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020, com retransmissão pela Internet através do site cratinho.blogspot.com. Apresentação de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias e apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Se ligue!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


Por Ze Nilton

Cleivan Paiva é de Simões, no Piauí.

Veio para o Crato na década de setenta. Aqui encontrou um movimento efervescente liderado por muitos artistas, e logo encontrou um jovem rebeldista de talento e armado até os dentes com muitas poesias, músicas e propostas, o excelente e hoje premiadíssimo cineasta Rosenberg Cariri. E com ele iniciou uma sequencia de prestigiadas parcerias.

Cleivan foi um dos primeiros violonistas e principalmente guitarrista do maravilhoso conjunto Ases do Ritmo, que fez a alegria da danceteria dos anos setenta nos bailes e tertúlias da região.

Sem dúvida, houve na região, no final da década de sessenta e em toda década de setenta, verdadeiras escolas musicais, formadoras de uma variedade de músicos que estão aí até hoje palmilhando os caminhos da arte, infelizmente nem sempre devidamente reconhecidos, mas orientam e produzem os novos talentos no registro de suas composições. Cito alguns: Edilberto, Lifanco, Hugo Linard, Jayro Stark, Libério, Divane Cabral, Cleivan Paiva, Maestro Felipe, Rosenberg Cariri, Batista...

Guardo comigo uma passagem hilária quando do segundo Festival da Canção em Crato, já que o primeiro fora em Juazeiro do Norte, em dezembro de 1968, quando um concorrente precisou acompanhá-lo em seu bolerão nostálgico.

- Vai Cleivan, vai Zé Nilton, pediu a apresentadora do Festival, Fátima Barreto, aos únicos instrumentistas imediatamente à disposição da comissão organizadora.

Cleivan disse: não vou!

Sobrou pra mim. Lembro-me que acompanhei ao violão, vaiado pela platéia, o desafinado concorrente no seu bolero fora de moda. Alguns compositores presentes acharam que a música seria de minha autoria. Havia como sempre houve uma rivalidadezinha das turmas, sendo que a turma da Quadra era a mais afoita.

Cleivan seguiu mundo a fora mostrando sua arte musical, e chegou a se apresentar em casas noturnas na capital paulista. Como disse o músico e cineasta Firmino Holanda, também atuou em festivais: na Tupi classificou “Perímetro Urbano” (Nota: Na ocasião defendida por Marku Ribas, incluída [no disco “Guerra e Paz”] nele rende tributo a Victor Assis Brasil, tocando-a com arranjo do genial saxofonista). Antes disso, participou do Festival Universitário de SãoPaulo, com trabalhos em parceria com Rosenberg Cariry e Ivan Alencar.

O nosso ilustre compositor procurou nas frestas da MPB, no sul maravilha, exercitar sua arte em movimentos vanguardistas formando com músicos de origem de todas as tendências do século XX o conjunto “Ave de Arribação”. Foi para o meio do povo, para as feiras e periferias da paulicéia desgraçada, mostrar o que infelizmente o povão nem sempre capta, por estar com os ouvidos impregnados de sons que todas as mídias lhe incutem como valor imediato.

Cleivan acompanhou grandes músicos como Djavan e outros, em shows e gravações. É o compositor das trilhas sonoras dos filmes do cineasta caririense Rosenberg Cariry. É referência no cenário musical do Ceará e do Brasil.

Preferiu ficar no Crato, ao lado da sua família, dispensando a sua gravadora para os músicos de várias tendências, sem preconceitos, mas sempre atento em mostrar caminhos que primem pela elevação da música de qualidade.

Nesta perspectiva, termino este texto citando a poeta Socorro Moreira declarando seu respeito e reconhecimento ao grande compositor brasileiro:

“Até um dias desses, Cleivan era meu vizinho.
Cruzávamos no dia a dia, nas calçadas e na bodega da esquina.
Conheço e admiro o seu trabalho desde nem sei quando.
Quando mudou de endereço, a rua sentiu faltas daquele violão no batente,
Quando a noite fazia silêncio
Sem dúvidas, um dos mais talentosos violonistas brasileiros!
E pensar que ele é nosso, mora no Crato...
Merece ser prestigiado e homenageado com todo o nosso entusiasmo.”


Nessa quinta-feira, no programa Compositores do Brasil, na Rádio Educadora do Cariri, Cleivan vai falar e tocar ao vivo a sua arte, merecedora de todos os aplausos pelo que representa para a identidade da música popular brasileira.

Quem ouvir, verá !

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 khz
Apoio. CCBN

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

CONHEÇA AS BELEZAS DO CRATO

Por Pedro Esmeraldo

O nobre folclorista cratense Francisco Correia Lima “O Popular Correinha” louvava a nossa cidade do Crato, cantando música popular: “Venha conhecer as belezas do Crato”, tudo aqui é natural".

Era uma exaltação ao Crato da qual temos a impressão que esse folclorista foi uma das figuras mais nobres da arte popular cratense e que atentava às nossas autoridades lembrando que deveriam fazer obras “d’artes”, construindo monumentos como: Estátua aos Revolucionários de 1817; reativação das fontes luminosas; todas cobertas com obras “d’artes” a fim de atrair turistas quer culturais, quer populares, incentivando a construção de pousada e gozando do panorama maravilhoso que há nas faldas desse imenso chapadão do Araripe.

Era uma exaltação louvável a terra comum o que poderia mostrar a arte primitiva que perdura no seio do povo até os nossos dias.

Correinha era um cratense autêntico, filho adotivo do Crato, natural de Farias Brito, amava o Crato mais que os próprios filhos da terra, vibrava entusiasticamente pelas suas belezas naturais, decifrava muito bem os seus encantos; ninguém mais do que ele expressava com melodias e vibrava através da música com magia de homem simples, louvando a cidade com várias expressões sonoras, muito prudentes, almejava com espírito sóbrio, dizendo que o cratense fosse estimulado a querer bem a esta cidade, livrando-nos das canseiras diárias com as músicas populares nordestinas.

Conhecemos Correinha em 1958, trabalhando em comícios eleitorais onde fazia poesias jacosas, e decifrava em comícios favorecendo a certo candidato que terminava em uma exaltação popular.

Depois conseguiu um emprego na polícia, exercendo com eficiência e dignidade a sua função. Era reto, circunspecto, granjeava simpatia e era amigo dos amigos em todas as camadas populares.

Tempos atrás, conseguiu um outro emprego no SESI, no setor de lazer, como professor de artes folclóricas. Apreciávamos assistir e louvar a sua arte folclórica. O seu objetivo era divulgar o folclore regional. Era um autodidata, poeta repentista, estudioso e destemido, pois sempre foi um baluarte da esfera folclorista regional.

Cansado de tanta opressão, motivada pela falácia de alguns companheiros, pediu afastamento do seu emprego, deixando uma lacuna irreparável na arte popular do SESI.

Correinha era um homem de larga visão, não aceitava falcatrua, espelhava-se no caminho da honestidade e conduziu com distinção e louvor as suas atividades folclóricas. Era um esteio exemplar da juventude e dedicado ao trabalho.

Crato, 16/01/2010

P.S.: Dedicamos esta crônica ao cratense da Ponta da Serra, o historiador Antonio Correia, homem sério, educado, culto e muito dedicado à sua área! Desejamos muita sorte seu Antonio, vibramos com o seu otimismo, mas fique com o Crato.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Vida é uma cela

Luiz Domingos de Luna*

O Poder existencial na correnteza do tempo porta o mistério da vida, burla a mente humana, e escraviza os seres vivos, pois, senão vejamos: a vida sempre depende de matéria, preferencialmente, matéria perecível, logo, a vida é um prenuncio da morte, assim, todo ser vivo é um ser morto dependendo tão somente da variante existencial – Tempo.

O ser humano para existir precisa de uma carcaça, toda força pensamental, inteligível e processual é planejada, calculada e, vivida nesta carcaça da vida no interregno passageiro, o que de já, um grande peso, considerando a nossa força gravitacional que é muito forte e poderosa.

O Substrato da vida para existir cobra um preço muito alto, o corpo dos viventes é muito exigente, a dependência do meio ambiente é um agente controlador de todo processo existencial.

A Ciência pouco tem feito para mudar este quadro amedontrador que ceifa milhares e milhões de vida, no caso especifico do homo sapiens desde o surgimento do homem na era da cenozóica no período do pleistoceno aos dias atuais.

Essa maquina assassina da existência é tão poderosa que dos mais sábios vultos da humanidade aos mais simples dos humanos, ninguém ainda, teve coragem de enfrentar de frente este Dragão que se alimenta sorridentemente, de vidas no decorrer do espaço tempo
Por que isto acontece?

A Humanidade aceita calada e ordeira, a prisão existencial imposta aos seres humanos, quando muito, fica em fagulhas temporais uma história que, as mais das vezes, no freio existencial, um mito, uma lenda e por fim o esquecimento pleno – Total.

Esse poder existencial, que nunca foi barrado com seriedade, ou sem, é, foi, e será uma constante na vida dos seres vivos no planeta terra.

Os seres vivos aceitam isto como uma fatalidade, uma realidade imutável, o destino e haja substantivo ou adjetivos para qualificar esta dor existencial.

Porem, não muito longe, planetas, quasares, estrelas, seres luminosos, ou iluminados a quebrar a barreira do tempo sem esta limitação existencial – Por quê?

Por que a terra que o homem vive na vertical é a mesma que viverá na horizontal, ainda que sem vida – Corpos gelados, restos, somente restos.

Burlar o poder existencial, não é algo fácil, porém, também não é impossível, pois a cada volta do homem no cosmo, no futuro, maior a possibilidade de se encontrar com seres que já ultrapassaram esta forma embrionária e obsoleta de existir.

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamenta e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora CE.








domingo, 17 de janeiro de 2010

Crítica ao CD "Calendário ( O Tempo e o Vento)"

Canto de viver e sonhar

Por: Cláudia Sampaio

Vou fazer uma jangada
E pelo ar eu vou
Desbravar os sete ares
Pra encontrar o meu amor

(Ridimúin – Jangada aérea)


Calendário (O tempo e o vento), primeiro trabalho solo do cantor e compositor Geraldo Júnior, é uma celebração ao movimento da vida e seus ciclos de nascimentos e mortes. Nesse Calendário, que tem por combustível o amor e a saudade, o tempo circula desobediente de convenções; é feito de memória, lendas da terra natal, do mistério, do mar, do vento, das chuvas e das paixões.

As letras falam de temas poéticos por excelência: tempo, amor e saudade. As composições brilham pelo cuidado na combinação de palavras, viola, violão, acordeom, rabeca, baixo, pandeiro, triângulo, zabumba, flauta e percussão; e trazem a energia vibrante da voz de Geraldo Júnior.

Nascido em Juazeiro do Norte (CE), o jovem cantor é célebre em sua região, onde foi vocalista da banda Dr. Raiz, quando era então conhecido como Júnior Boca. Apontado como destaque na nova geração de artistas do Cariri – lugar que vem se destacando no cenário cultural brasileiro –, Geraldo mantém os laços com a riqueza cultural que traz do berço, com a gana de quem quer ganhar o mundo e o encanto de quem tem o ofício por missão.

Um dos hits é “Chuva de Janeiro”, que ele fez em parceria com Beto Lemos, com fãs declarados na comunidade que Geraldo tem no Orkut. Há farto material do artista na internet, vídeos no Youtube, reportagens de jornal, um blog de poemas e o CD está disponível para download, mas é daqueles com capa tão bela e bem cuidada que vale a pena ter o original.

Assim, ouvir o Calendário é sentir essa pulsão de vida, o sentimento do mundo como escreveu Drummond – amor e fogo.

É daquelas canções que dão fome de viver e de sonhar.

Para ouvir e saber mais: http://www.myspace.com/geraldojuniorcariri

Publicado em 24/11/2009 no site "Educação Pública":
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/prosaepoesia/0244.html

O sentido da vida - Por Emerson Monteiro

“Se a terra gira em torno do sol ou se o sol gira em torno da terra é uma questão de profunda indiferença.” “Por outro lado”, ele continua: - Vejo muitas pessoas morrerem porque julgam que a vida não é digna de ser vivida. Vejo outros, paradoxalmente, sendo mortos por ideias ou ilusões que lhes dão uma razão para viver – razões para viver são também excelentes razões para morrer. Concluo, portanto, que o sentido da vida é a mais urgente das questões.” (Albert Camus, in O mito de Sísifo).

Há dias claros como a luz das salas de cirurgia, quando a esperança corre solta por um fio brilhante de bisturi, aos olhos vesgos dos especialistas de armas em punho e sorrisos clínicos encobertos por baixo das máscaras brancas da matemática oficial da vida.
Noutros, o barco emperra areia da margem cinzenta das várzeas sem chuva no sertão, paisagens vazias dos córregos cheios de antes, na flor das alvoradas.
Os amigos em festas circulares chegam de repente e denotam cordialidade. Música das almas. Cheiro bom de terra molhada. O vento do estio nas telhas encharcadas de renovos. Portas fiéis. Nuvens...
Depois disso tudo, toca o telefone e o assunto mistura o que se pretende contar... E deixar de lado o desejo incontido de encaminhar um tema no papel, passar a quem lê o que se transcreve do lado de cá do universo, bem próximo dos maiores extremos.
Sentido impõe condições acima de outros aspectos perdidos na ilusão dos sentidos. Um marco único. Duas extremidades do trilho suave da noite das espécies, que fermentam sede monumental do perfeito, uns céus quase dentro das mãos que escapolem por entre os dedos, contas de vidro corrosivo, convergências toscas do sonho imortal da eterna felicidade.
Ainda que encharcados de euforia, leve sopro de brisa desmistifica a fome gritante de verdades perene nesta fase do tempo. Contudo os pássaros cantam; o verde reverbera; o Sol gira no próprio eixo; a Lua surge metálica nos finais das tardes, no poente; as crianças riem na algazarra mais simples e irreverente; as flores; os mananciais; os tetos manchados de rotos sinais, notas musicais, silêncios longos; momentos da alma que geme de dor, amor, espera.
As pulsações em passos lentos percorrem o espaço; qualquer névoa tinge de fulgor o espelho das memórias adormecidas.
Jamais como antes espectros perfurarão o vazio do sentimento. Novas notícias alimentaram o frêmito do coração e pediram (imploraram) esclarecimentos dos próximos passos a seguir. Sonhos em elaboração nas florestas do mistério. Só isto, pronto.

LANÇAMENTO DE LIVRO DIA 22

... São lembranças de um carnaval ...

Final dos anos 60, início da década seguinte, anos 80. A Rádio Araripe, através da iniciativa do saudoso Eloi, nos primeiros dias do mês de janeiro, colocava no ar, sempre após as 16 horas, o “Expresso Carnavalesco H20” – posteriormente com mudanças na sintonia da emissora associada “Expresso Carnavalesco 603”. “Forçava” assim, o grande Eloi, os foliões, os brincantes de uma maneira geral e a própria população a realização espontânea de mais um carnaval. Víamos nos bairros os ensaios das escolas de samba. A cidade despertava, acordava, se preparava para mais um período momino. O clima de autoestima, de ser realmente cratense, de alegria “invadia” toda a cidade. A crônica carnavalesca era organizada e dava apoio total ao momento festivo. Turistas dos mais diversos estados do país aqui chegavam. Hotéis, pousadas, residências familiares e de amigos super lotavam de alegres visitantes. “A alma” da cidade se enchia de entusiasmo. O seu coração (Praças da Sé e Siqueira Campos) pulsava mais forte. Zé Maia era seu símbolo maior. Maestro Azul preparava a bandinha e seu agradável repertório. Alegria total. Ruas Dr. João Pessoa, Miguel Lima Verde e Praças acima citadas eram espaços pequenos para tanta gente. No domingo e na terça os desfiles oficiais das nossas escolas de samba. No palanque, o prefeito da cidade, secretários municipais, o rei momo. Eloi, pela Araripe, Heron, pela Educadora aprontavam seus equipamentos de transmissão. Nosso povo era feliz e sabia. 20 horas, mais ou menos, terminava o carnaval de rua. Íamos direto para as dependências do Crato Tênis Club. Chegávamos ao bar do querido Juarez: uma, duas, três cachaças. Adentrávamos o Clube do Pimenta. Descontração total. A indiferença e o descompromisso dos três últimos administradores municipais, a omissão e o silêncio por parte da imprensa local, o preconceito por parte de nossa elite econômica e social, entre outras situações, inviabilizou a felicidade de nosso povo simples e bom, nossos trabalhadores, que tinham no carnaval da cidade um dos seus poucos momentos de lazer e descontração.
... São lembranças de um carnaval que passou... como diz a canção carnavalesca (um abraço Abidoral!).

Jorge Carvalho - Professor
Janeiro/2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Cariri e as Eleições

Por Jorge Carvalho

É inevitável, e necessário, que a Região Metropolitana do Cariri hoje referência em todo o Nordeste em diversos aspectos, participe diretamente das eleições 2010. Nós, como filhos e filhas do sul cearense, vislumbramos avanços significativos em nosso espaço geográfico com a chegada de mais um canal de televisão (Verdes Mares Cariri), a breve inauguração do nosso Hospital Regional, a urgente e prometida reforma do aeroporto regional, e também a breve inauguração do Centro de Convenções, em Crato e Ceasa em Barbalha. Sempre estivemos presentes, tanto em termos de ocupar o Palácio Oficial, elegendo governador e vice-governador, ocupando secretarias estaduais, ocupando cadeiras na Assembleia Legislativa. Também foi orgulho a nossa presença na capital federal com representantes, tanto na câmara baixa, como no Senado. Faz-se necessário serem olhados, com seriedade, por nosso futuro governante, representantes na Assembleia e Câmara Federal, além do Senado, questões como asfaltamento e/ou recapeamento de estradas que interligam nossas cidades, como também, as que fazem a ligação zona rural / zona urbana dos nossos municípios, facilitando a vinda e retorno dos que necessitam se deslocar em ambos os sentidos, hora e negócios, hora frequentando os cursos das nossas duas universidades. Por falar em estradas caririenses, lembramos a recente inauguração do metrô de superfície (o popular trem) ligando Crato a Juazeiro e o retorno da segunda à primeira. Torcemos para que o atual ou o próximo governador estenda esse meio de transporte até a região centro sul do Estado, mais precisamente até a cidade de Iguatu. A chegada de mais indústrias ao Cariri, apoio estadual ao micro e médio produtor rural, o fortalecimento do nosso comércio, as conquistas que o nosso futebol possa alcançar, (tanto na primeira divisão como na segunda divisão estadual e série B do brasileiro), a expansão dos cursos das nossas duas universidades, a valorização humana e profissional dos nossos jovens, a questão habitacional, a saúde vista como prioridade, investimento no ensino público, solução para a questão do aterro sanitário caririense; entre outros temas, são assuntos que deverão ser do interesse dos futuros governantes estaduais, tanto em termos do Executivo, como do Legislativo. Isso nos possibilitará maior inclusão social e, com certeza, melhor qualidade de vida para todos nós caririenses.

Texto: Jorge Carvalho

Tandô, o anão - por Everardo Norões

talvez não visse
o mundo tão pequeno
como o sentíamos
éramos nós
os anões
e ele
punhal à mostra
assassinava a sílaba ofegante
do paraíso
talvez não sentisse
o mundo tão curvo
como o víamos
debruçado sobre os pés
ao oriente de si mesmo
a dominar o círculo
do escorpião
o dente de ouro
a flagrar nossa tristeza
bom-dia tandô
sentado sem pensamentos
no largo da sé catedral
como gostaríamos de ser
dentro do só das coisas
o pão a água e a benção do Padre Cícero Romão Batista

Everardo Norões





Jornal Metropolitano já está circulando



FEIRANTES DA RUA SÃO PAULO SE MUDAM PARA LOCAL MAIOR

Comerciantes, feirantes, poder público e sociedade mobilizaram-se nos últimos dias em Juazeiro do Norte para efetivar uma mudança que marcará o novo perfil do centro da cidade. A modificação teve início com a retirada de placas de publicidade das vias públicas, a pedido dos próprios lojistas ligados a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), e continuou com a retirada de 180 barracas da Rua São Paulo, no início desta semana, desobstruindo uma das mais importantes ruas do centro.

A ação foi organizada pela Prefeitura de Juazeiro, através de diversas Secretarias municipais, sob a coordenação do secretário Eraldo Oliveira, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura.

A idéia agora é mudar o perfil do centro da cidade. “A Rua São Paulo passará por uma transformação que inclui, além do asfaltamento, um processo de urbanização e sinalização”, garante o prefeito Manoel Santana.

Com a mudança de local, os feirantes ficarão agora na antiga garagem da empresa São Francisco, nas proximidades da Estação do Metrô Cariri, no Bairro Franciscanos, ganhando um espaço mais amplo, com toda a infra-estrutura montada pela Prefeitura. A administração construiu ainda dois banheiros e um prédio, onde funcionará a gerência do centro de feiras. Além disso, os feirantes passarão por um processo de capacitação e se organizarão em uma cooperativa.

Os feirantes terão agora uma nova perspectiva. “As vendas com certeza serão bem melhores, e a prefeitura vai fazer uma campanha para incentivar as pessoas a comprarem nesse novo local: a feiras de frutas e verduras”, afirma Eraldo Oliveira.

A 5ª edição já está circulando nas bancas de revista e gazeteiros

O desespero do PSDB e a falta de candidatos

O PSDB no Ceará está na fase próxima ao desespero. Quanto mais a carruagem caminha, mais longe fica de seu objetivo final: o de voltar ao poder no estado. Reunião realizada nesta última semana, revelou o que alguns tucanos temiam: o senador Tasso Jereissati não quer mesmo ser candidato a governador. A tarefa, portanto, teria que ser confiada a outro tucano, obviamente de expressão, como o ex-senador Luís Pontes.

O problema é que Pontes não conseguiu no último processo eleitoral, sequer se eleger deputado estadual. Ele só assumiu após outros tucanos tomarem acento como secretários de Governo na gestão de Cid Gomes.

O desespero dos tucanos em lançar Luiz Pontes não é para menos. O partido está sem palanque no Ceará para o presidenciável José Serra (PSDB). Se Serra está bem nas pesquisas, no Ceará perde feito para Ciro e Dilma Roussef. Os tucanos ainda não conseguiram bolar uma receita para sair do marasmo. Pelo jeito, terão que embarcar com um candidato que não consegue ser deputado estadual.

fonte: Jornal Metropolitano

Os nomes do Cariri para a Assembléia Legislativa

Está muito intensa a corrida dos possíveis candidatos a uma vaga na Assembléia Legislativa do Ceará. São muitas as articulações que correm nos bastidores da nossa política. Nomes novos e outros mais experimentados já disputam os espaços que garantirão o eleitorado necessário para a vitória nas próximas eleições.

Na região do Cariri, lideranças como Marcos Landim, Gidalberto, Giovanni Sampaio, Ricardo Lima, Camilo Santana, e outros nomes em especulação como Valdetário Brito, André Barreto e Raimundo Filho, podem atingir em cheio outras candidaturas como a deputado estadual Vasques Landim.

Para os analistas, a candidatura de Wellington Landim, não seria afetado, já que, o deputado tem um colégio eleitoral consolidado.

Outro ponto que pesa contra a candidatura do Vasques é o fato de estar na oposição, vale salientar, inexpressiva, ao Governados Cid Gomes. O governo com o apoio quase que total da casa, inclusive do seu ex-partido o PSDB, tem trabalhado o amplo arco de aliança e deve fazer a maioria das cadeiras da casa.

Nessa discussão para a eleição de deputados, segundo políticos e analistas, o que está por trás, na verdade, é a disputa das prefeituras que ocorrerão em três anos. Ou seja, quem ganha ou sai bem votado, se fortalece, quem não é reeleito ou sai com uma votação inexpressiva deve ficar fora da próxima disputa municipal.As cartas estão na mesa, agora é só esperar quem sairá bem da disputa evitando o enterro político no futuro.

fonte: Jornal Metropolitano

Há sinceridade nisso?

Por Pedro Esmeraldo

Nós os cratenses, estamos alheios aos movimentos sombrios e antipáticos de certos distritos, completamente sem condições de se elevar ao píncaro da glória, isto é, à categoria de cidade. Esta situação antipática, causa-nos arrepios, visto que enfraquece o desenvolvimento do Crato.
Não aceitaremos jamais essa ideia de querer elevar certas comunidades, pois é preciso condicionar ao progresso, um movimento de trabalho qualificado e de bom comportamento social e sustentável.
Certos distritos, não teem ainda sustentabilidade para se erguer economicamente, a fim de sobreviver às suas custas, sem perturbar o Governo Federal com ajudas, visto que esses pequenos municípios que há pelo país vivem sempre de pires na mão, dizendo amém, causando mal-estar, usufruindo dos bens públicos sem nenhum merecimento, pois acarretarão o desgaste econômico, aumentando a dívida interna do Brasil, dando precipitação à nossa economia.
Ouvimos notícias através da imprensa falada e escrita que esses mui dignos representantes do povo andam fazendo campanha negativa e desrespeitosa, querendo obter votos, simulando simpatia e ser amigo do povo, desejando, às custas da demagogia tudo bem barato, a fim de conseguir projetar alguns distritos na categoria de cidade.
Também há aqui políticos cafonas e desprestigiados que querem aparecer, desejando recuperar o seu prestígio, perambulando pra lá e pra cá, pensando em contemplar os eleitores inocentes a fim de readquirirem o seu prestígio e atividade política.
Temos a opinião que devemos procurar a melhoria de qualidade de vida através de economia equilibrada e programada, buscando fonte de energia intelectual e moral com intuito de cada cidadão procurar a melhor condição de vida através de trabalho qualificado. Se todos andarem em direção certa com melhor índice de produção agrícola, no futuro próximo, estaremos em uma situação de fazer inveja econômica a muita gente.
A cidade do Crato foi líder e continuará sendo líder, mas ultimamente devido à falta de homens sérios e lutadores, pessoas de mau gosto entram na política, piorando a situação administrativa do Crato e isto vem acontecendo há anos, desde quando políticos sem nenhuma capacitação técnica se intrometem no quadro político dessa cidade. Não são lutadores, não são arrojados, e ultimamente só vemos políticos que não sabem administrar, causando desespero de causa e arrefecendo o bom desempenho do povo cratense.
Observamos que esses políticos cratenses se acomodam com facilidade, não reclamam, ficam sempre esperando que caiam maná do céu, coisa que só aconteceu no tempo de Moisés.
Agora notamos que alguns deles, vendo que não tem vez no Crato, vão estimular, a transferência de eleitores para um distrito a fim de obter um quadro eleitoral elevados, mostrando com propaganda enganosa que esses distritos teem condições de ser elevado. Crato será prejudicado, ficará como cidadezinha de pequeno porte, semelhante ao Crato de Portugal (pequenininha), não cresce, apesar de ser histórica ela se torna uma cidade muito pouco lembrada.
Avisamos, porém, que deixem de lado o comodismo e venham subir com trabalho sério procurando melhorar a cidade. Tomamos conhecimento que alguns políticos, com pouca exceção, repudiam o desenvolvimento moderno. E agora perguntamos: há sinceridade nisso?

Crato, 14 de janeiro de 2010.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Coletivo Camaradas lançam livreto neste sabado no Crato



O Coletivo Camaradas realiza momento de interação artística neste sábado, dia 16, a partir das 19 horas, no Centro Cultural do Araripe. Na oportunidade será lançada a primeira edição do livreto “Permitida Reprodução” do Coletivo que consta de artigos de Alexandre Lucas, Jéferson Luiz “Bob PTG”, Cacá Araújo,Edival Dias, George Pimentel, Ilaina Damasceno, Jean Alex, Jéssika Bezerra, Lilian Carvalho, Manuel Bezerra, Michael Marques, poesia de Rosemberg Cariry e letra de música de Auci Ventura e João do Crato.


O evento constará de apresentações musicais com Fatinha Gomes, Gilmara Targino, Mariana Késsia, Jean Alex, grupo de Hip Hop Relatores. Performances poéticas com Assislan de Paiva e Vitória Régia. Apresentação de vídeos de Dinorah Lobo e Leo Dantas, artistas circenses do Circo Sopé, as palhaças Lilão e Moncão, participação de Raul Canga Seixas e feitura de Xilogravura pelo artista Carlos Henrique e stencil de Amanda Priscila e Talita Lobo. Além apresentações do grupo de experimentação teatral do Coletivo Camaradas.


A coordenação do Coletivo Camaradas comunica ainda que o evento será aberto para a participação dos artistas visuais, atores, atrizes, poetas, músicos, interpretes e brincantes da cultura popular e destaca que a intenção do Coletivo neste evento é aproximar a arte e os artistas do grande público.